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<strong>Méto<strong>do</strong>s</strong> e <strong>Abordagens</strong>: <strong>um</strong> <strong>breve</strong> <strong>histórico</strong> <strong>do</strong> <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> Língua Estrangeira<br />
Carlos Henrique Souza Vilas Boas, Dark <strong>do</strong>s Santos Vieira e Ivana Mara Ferreira Costa<br />
Escola <strong>de</strong> Administração <strong>do</strong> Exército<br />
Salva<strong>do</strong>r – BA – Brasil<br />
dkvieira@yahoo.com.br, iv.mara@terra.com.br.<br />
Res<strong>um</strong>o. O presente artigo consiste n<strong>um</strong>a reflexão a respeito <strong>do</strong>s principais méto<strong>do</strong>s e<br />
abordagens <strong>de</strong> <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> línguas estrangeiras, contextualizan<strong>do</strong>-os com as teorias <strong>de</strong><br />
<strong>ensino</strong> aprendizagem que os fundamentam. Em assim sen<strong>do</strong>, o texto articula-se <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> a<br />
apresentar as principais características <strong>de</strong>sses méto<strong>do</strong>s e abordagens, <strong>de</strong>monstran<strong>do</strong><br />
como eles funcionam na prática e evi<strong>de</strong>ncian<strong>do</strong> os seus êxitos e falhas no que se refere ao<br />
c<strong>um</strong>primento <strong>de</strong> seus objetivos, ou seja, na aprendizagem da língua estrangeira, seja ela<br />
oral, escrita, ou ambas simultaneamente. Além disso, são apresenta<strong>do</strong>s os marcos<br />
científicos que influenciaram e inovaram este <strong>ensino</strong>, como o avanço nos estu<strong>do</strong>s da<br />
fonética e a ascensão da linguística ao status <strong>de</strong> ciência na passagem entre os séculos XIX<br />
e XX; e mais recentemente os estu<strong>do</strong>s sobre o <strong>de</strong>senvolvimento da competência<br />
comunicativa e da lingüística pós-estruturalista que forneceram a base teórica da<br />
Abordagem Comunicativa.<br />
Palavras-chave: <strong>Méto<strong>do</strong>s</strong> abordagens <strong>ensino</strong> língua estrangeira.<br />
Res<strong>um</strong>en. El presente artículo consiste en una refexión respecto a los principales méto<strong>do</strong>s<br />
y enfoques <strong>de</strong> enseñanza <strong>de</strong> lenguas extranjeras, contextualizán<strong>do</strong>los con las teorías <strong>de</strong><br />
enseñanza aprendizaje que les fundamentan. Así, el texto se articula <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> a presentar<br />
los principales rasgos <strong>de</strong> esos méto<strong>do</strong>s y enfoques, <strong>de</strong>mostran<strong>do</strong> como ellos funcionan en<br />
la práctica y evi<strong>de</strong>ncian<strong>do</strong> sus éxitos y fracasos a lo que se refiere al logro <strong>de</strong> sus objetivos,<br />
o sea, en el aprendizaje <strong>de</strong> la lengua extranjera , sea oral, escrita o ambas<br />
simultaneamente. A<strong>de</strong>más, son presenta<strong>do</strong>s los marcos científicos que influyeron e<br />
innovaron esta enseñanza, como el avanzo en los estudios <strong>de</strong> fonética e la acensión <strong>de</strong> la<br />
linguística al status <strong>de</strong> ciencias entre los siglos XIX y XX; y más reciente, los estudios sobre<br />
el <strong>de</strong>sarrollo <strong>de</strong> la competencia comunicativa y <strong>de</strong> la linguística pos-estruturalista que dan la<br />
base teórica <strong>de</strong>l Enfoque Comunicativo.<br />
Palabras claves: <strong>Méto<strong>do</strong>s</strong> enfoques enseñanza lengua extranjera.<br />
1 Introdução<br />
Apren<strong>de</strong>r outros idiomas e outras culturas<br />
foi e sempre será <strong>um</strong>a necessida<strong>de</strong><br />
imperativa em todas as épocas para a<br />
maioria <strong>do</strong>s seres h<strong>um</strong>anos, pois as<br />
civilizações se formam a partir <strong>do</strong> contato<br />
entre povos <strong>de</strong> línguas diferentes e<br />
<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>m diretamente <strong>de</strong>sta interação para<br />
continuar existin<strong>do</strong> e seguir avançan<strong>do</strong>.<br />
Contu<strong>do</strong>, a preocupação pela busca <strong>de</strong> <strong>um</strong>a<br />
abordagem eficaz para o <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> idiomas<br />
nem sempre existiu. Só a partir <strong>do</strong><br />
Renascimento, iniciaram-se tentativas <strong>de</strong><br />
criar <strong>um</strong> méto<strong>do</strong> que superasse a tradição<br />
gramatical greco-latina. Estas primeiras
tentativas <strong>de</strong> inovação baseavam-se em<br />
intuições que enfatizavam a importância <strong>de</strong><br />
<strong>um</strong>a aprendizagem indutiva. Com o<br />
surgimento da Lingüística no final <strong>do</strong> século<br />
XIX e o avanço da Psicologia, surgiu <strong>um</strong><br />
ambiente propício para a formulação <strong>de</strong><br />
méto<strong>do</strong>s com base em princípios científicos.<br />
Atualmente, fala-se bastante em<br />
<strong>de</strong>senvolvimento da competência<br />
comunicativa e méto<strong>do</strong>s ecléticos.<br />
Entretanto, na prática, observa-se que<br />
muitos méto<strong>do</strong>s consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s arcaicos e<br />
ultrapassa<strong>do</strong>s ainda são utiliza<strong>do</strong>s por<br />
profissionais <strong>de</strong>sta área, o que <strong>de</strong>monstra<br />
<strong>um</strong>a falta <strong>de</strong> conhecimento das teorias <strong>de</strong><br />
<strong>ensino</strong> aprendizagem atuais e das diversas<br />
situações <strong>de</strong> aprendizagem <strong>de</strong> línguas<br />
estrangeiras utilizadas no transcorrer da<br />
história.<br />
Em função disso, torna-se relevante <strong>um</strong><br />
estu<strong>do</strong> diacrônico <strong>do</strong> Ensino <strong>de</strong> Língua<br />
Estrangeira que <strong>de</strong>staque as principais<br />
características <strong>de</strong>sses méto<strong>do</strong>s e as suas<br />
contribuições para o <strong>ensino</strong> atual. Pois,<br />
conhecen<strong>do</strong> melhor os diversos méto<strong>do</strong>s e<br />
as suas fundamentações teóricas, o<br />
profissional <strong>de</strong>sta área po<strong>de</strong>rá escolher a<br />
estratégia <strong>de</strong> <strong>ensino</strong> que facilite aos<br />
aprendizes <strong>um</strong>a aprendizagem concreta da<br />
língua estrangeira.<br />
Por isso, este artigo preten<strong>de</strong>, através <strong>de</strong><br />
revisão bibliográfica, apresentar <strong>um</strong> <strong>breve</strong><br />
estu<strong>do</strong> <strong>do</strong>s principais méto<strong>do</strong>s e abordagens<br />
para o <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> línguas estrangeiras, <strong>de</strong>s<strong>de</strong><br />
o méto<strong>do</strong> tradicional, o chama<strong>do</strong> Méto<strong>do</strong><br />
Gramática e Tradução, à Abordagem<br />
Comunicativa tão em voga atualmente,<br />
levantan<strong>do</strong> alguns <strong>do</strong>s aspectos <strong>histórico</strong>s<br />
que favoreceram a formulação/estruturação<br />
<strong>de</strong> cada <strong>um</strong> <strong>de</strong>les e, ressaltan<strong>do</strong> também as<br />
teorias da Lingüística e <strong>de</strong> <strong>ensino</strong><br />
aprendizagem que os fundamentam, pois a<br />
evolução <strong>de</strong>stes méto<strong>do</strong>s no transcorrer da<br />
história estão intimamente liga<strong>do</strong>s aos<br />
estu<strong>do</strong>s científicos e às necessida<strong>de</strong>s<br />
particulares <strong>de</strong> cada momento <strong>histórico</strong>.<br />
2 Das origens aos dias atuais<br />
Quase to<strong>do</strong>s concordam que falar <strong>um</strong>a<br />
língua estrangeira é <strong>um</strong>a habilida<strong>de</strong><br />
indispensável para qualquer <strong>um</strong> que <strong>de</strong>seje<br />
ter sucesso pessoal e profissional em <strong>um</strong><br />
mun<strong>do</strong> on<strong>de</strong> a comunicação tornou-se <strong>um</strong><br />
fator <strong>de</strong> fundamental importância. Assim, é<br />
óbvio que haja <strong>um</strong> número cada vez maior<br />
<strong>de</strong> pessoas dispostas a apren<strong>de</strong>r <strong>um</strong>a ou mais<br />
línguas estrangeiras e <strong>um</strong>a oferta<br />
concomitante <strong>de</strong> profissionais<br />
especializa<strong>do</strong>s no <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> idiomas a fim<br />
<strong>de</strong> suprir esta <strong>de</strong>manda. Ninguém duvida <strong>de</strong><br />
que estes profissionais têm como objetivo<br />
principal levar seus alunos à proficiência da<br />
língua estudada no menor espaço <strong>de</strong> tempo<br />
possível. Mas, qual seria a melhor maneira<br />
<strong>de</strong> se alcançar este objetivo? As tentativas<br />
<strong>de</strong> se respon<strong>de</strong>r a esta pergunta<br />
consistentemente começaram no final <strong>do</strong><br />
século XIX e <strong>de</strong>ram início a <strong>um</strong>a busca que<br />
visava à formulação <strong>do</strong> melhor méto<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />
<strong>ensino</strong> <strong>de</strong> língua estrangeira.<br />
O perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> passagem entre os séculos<br />
XIX e XX é certamente <strong>um</strong> marco<br />
importante no <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> línguas, pois as<br />
pesquisas na área <strong>de</strong> fonética e a ascensão da<br />
lingüística ao status <strong>de</strong> ciência começariam<br />
a fornecer da<strong>do</strong>s para a fundamentação<br />
teórica <strong>de</strong> que pesquisa<strong>do</strong>res e professores<br />
<strong>de</strong> língua estrangeira necessitariam para o<br />
<strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> <strong>um</strong> méto<strong>do</strong> mais eficaz<br />
no aprendiza<strong>do</strong> <strong>de</strong> idiomas. Contu<strong>do</strong>, <strong>de</strong>s<strong>de</strong><br />
o H<strong>um</strong>anismo começava a haver tentativas<br />
válidas <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>rnização <strong>do</strong> <strong>ensino</strong> <strong>de</strong><br />
idiomas. Alg<strong>um</strong>as <strong>de</strong>las indubitavelmente<br />
merecem ser mencionada por terem<br />
adianta<strong>do</strong> tendências que seriam retomadas<br />
no século XX com respal<strong>do</strong> da Lingüística<br />
Estruturalista.<br />
As primeiras inovações no <strong>ensino</strong> <strong>de</strong><br />
idiomas, que começaram a surgir no século<br />
XVI, eram <strong>um</strong>a reação ao <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> línguas<br />
calca<strong>do</strong> na gramática normativa tão em voga<br />
na Ida<strong>de</strong> Média. O bispo da Moravia J. A.<br />
Commenius (1592-1670), então <strong>de</strong>fensor <strong>de</strong><br />
<strong>um</strong> méto<strong>do</strong> ativo <strong>de</strong> <strong>ensino</strong>, inovou com a<br />
obra Orbis sensuali<strong>um</strong> pictus que ensinava<br />
vocabulário da língua latina através <strong>de</strong>
<strong>de</strong>senhos. Com esta obra ele po<strong>de</strong> ser<br />
consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> o primeiro professor <strong>de</strong> línguas<br />
a usar o méto<strong>do</strong> visual. Ainda no século<br />
XVI, o gramático holandês Vossius<br />
recomendava o <strong>ensino</strong> com gravuras sem<br />
falar a língua materna. Há também exemplos<br />
<strong>de</strong> h<strong>um</strong>anistas mais radicais que achavam<br />
que o <strong>ensino</strong> da gramática <strong>de</strong>veria ser<br />
totalmente aban<strong>do</strong>na<strong>do</strong>, pois seria mais<br />
proveitoso ensinar o idioma através <strong>do</strong><br />
méto<strong>do</strong> indutivo.<br />
2.1 Méto<strong>do</strong> Gramática e Tradução<br />
O méto<strong>do</strong> indutivo no <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> idiomas<br />
gozou <strong>de</strong> certa popularida<strong>de</strong> até o século<br />
XVIII, quan<strong>do</strong> começa a ser suplanta<strong>do</strong> pelo<br />
méto<strong>do</strong> <strong>de</strong>dutivo, tanto no <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> línguas<br />
clássicas como no <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> línguas<br />
mo<strong>de</strong>rnas. O méto<strong>do</strong> <strong>de</strong>dutivo foi <strong>do</strong>minante<br />
durante toda a Ida<strong>de</strong> Média, conviveu com o<br />
méto<strong>do</strong> indutivo <strong>de</strong>pois <strong>do</strong> H<strong>um</strong>anismo e a<br />
partir <strong>do</strong> século XIX o substituiu totalmente.<br />
A explicação para a suplantação <strong>do</strong> méto<strong>do</strong><br />
indutivo pelo <strong>de</strong>dutivo parece ser o pouco<br />
interesse pelo aprendiza<strong>do</strong> <strong>de</strong> idiomas para<br />
seu uso ativo. Até o início <strong>do</strong> século XX a<br />
maioria das pessoas que aprendiam <strong>um</strong>a<br />
língua o faziam com interesse <strong>de</strong> ter acesso<br />
a sua literatura e para este fim o méto<strong>do</strong><br />
<strong>de</strong>dutivo parecia ser bem a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>.<br />
O méto<strong>do</strong> <strong>de</strong>dutivo no <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> idiomas<br />
passou a ficar conheci<strong>do</strong> na literatura técnica<br />
como Méto<strong>do</strong> <strong>de</strong> Gramática e Tradução a<br />
partir <strong>do</strong> século XIX. Contu<strong>do</strong>, não é correto<br />
consi<strong>de</strong>rá-lo <strong>um</strong> méto<strong>do</strong>, pois não possui<br />
fundamentação em nenh<strong>um</strong>a teoria <strong>de</strong><br />
aprendizagem <strong>de</strong> línguas. Trata-se <strong>de</strong> <strong>um</strong>a<br />
mera continuação da maneira como se<br />
ensinava o latim e o grego há séculos, com o<br />
único objetivo <strong>de</strong> formar eruditos. Segun<strong>do</strong><br />
Prator e Celce-Murcia (1979, p. 3), as<br />
principais características <strong>do</strong> Méto<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />
Gramática e Tradução são as seguintes:<br />
1. As aulas são ministradas na<br />
língua materna <strong>do</strong>s alunos e há<br />
pouco uso ativo da língua<br />
estrangeira.<br />
2. O vocabulário é apre(e)ndi<strong>do</strong><br />
através <strong>de</strong> listas <strong>de</strong> palavras<br />
totalmente <strong>de</strong>scontextualizadas.<br />
3. São dadas explicações e<br />
análises <strong>de</strong>talhadas <strong>de</strong> minúcias da<br />
gramática<br />
4. Os alunos já fazem leitura <strong>de</strong><br />
textos clássicos a partir <strong>do</strong>s estágios<br />
iniciais <strong>de</strong> aprendizagem.<br />
5. Dá-se pouca atenção ao<br />
conteú<strong>do</strong> <strong>do</strong>s textos, pois eles<br />
servem principalmente <strong>de</strong> exercício<br />
<strong>de</strong> análise gramatical.<br />
6. Pouca ou nenh<strong>um</strong>a atenção é<br />
dispensada à pronúncia.<br />
Pelas características expostas acima, o<br />
Méto<strong>do</strong> <strong>de</strong> Gramática e Tradução<br />
certamente não é apropria<strong>do</strong> para<br />
<strong>de</strong>senvolver a habilida<strong>de</strong> comunicativa <strong>do</strong>s<br />
alunos, que têm <strong>de</strong> fazer <strong>um</strong> gran<strong>de</strong> esforço<br />
para memorizar listas intermináveis <strong>de</strong><br />
palavras e regras gramaticais raramente<br />
usadas. Contu<strong>do</strong>, ele continua a existir com<br />
vigor em alguns contextos educacionais.<br />
Brown (1994, p. 4) afirma que esta situação<br />
ocorre porque, primeiramente, tal méto<strong>do</strong><br />
não exige gran<strong>de</strong> habilida<strong>de</strong> por parte <strong>do</strong><br />
professor para planejamento <strong>de</strong> aulas e, além<br />
disso, é muito fácil formular e corrigir<br />
avaliações que se baseiam em regras<br />
gramaticais e traduções.<br />
2.2 Méto<strong>do</strong> Direto<br />
Nas duas últimas décadas <strong>do</strong> século XIX, os<br />
trabalhos na área <strong>de</strong> fonética e fonologia<br />
realiza<strong>do</strong>s pelo inglês Henry Sweet tiveram<br />
forte impacto na comunida<strong>de</strong> <strong>de</strong> estudiosos<br />
e professores <strong>de</strong> língua estrangeira. Houve<br />
mais <strong>um</strong>a vez oscilação no pêndulo das<br />
diretrizes que guiam o trabalho <strong>do</strong>s<br />
profissionais da área. Aparecem então<br />
ataques contra a memorização <strong>de</strong> regras<br />
gramaticais e o emprego <strong>de</strong> traduções como<br />
méto<strong>do</strong> didático. No ano <strong>de</strong> 1890 ocorreu na<br />
Inglaterra <strong>um</strong> congresso <strong>de</strong> professores <strong>de</strong><br />
línguas mo<strong>de</strong>rnas on<strong>de</strong> se aprovou <strong>um</strong>a<br />
resolução que estabelecia a fonética como a
ase <strong>do</strong> <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> línguas. A partir <strong>de</strong>ste<br />
perío<strong>do</strong> surge o Méto<strong>do</strong> Direto.<br />
De Saz (1980, p. 8) e Brown (1994, p. 4)<br />
concordam que o Méto<strong>do</strong> Direto era mais<br />
<strong>um</strong>a atitu<strong>de</strong> em relação ao <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> línguas<br />
<strong>do</strong> que <strong>um</strong> méto<strong>do</strong> <strong>de</strong> <strong>ensino</strong>, pois carecia <strong>de</strong><br />
<strong>um</strong>a boa base teórica. Embora alguns<br />
representantes <strong>de</strong>ste méto<strong>do</strong> apresentassem<br />
diferenças na sua aplicação, to<strong>do</strong>s eles<br />
concordavam quanto aos princípios básicos,<br />
que propunham o <strong>ensino</strong> da língua através<br />
da conversação e discussão sem a<br />
explicitação <strong>de</strong> regras gramaticais ou o uso<br />
da língua materna <strong>do</strong> aluno. De acor<strong>do</strong> com<br />
Richards e Rodgers (1986 .p. 9-10), os<br />
princípios <strong>do</strong> Méto<strong>do</strong> Direto po<strong>de</strong>m ser<br />
res<strong>um</strong>i<strong>do</strong>s da seguinte forma:<br />
1. As aulas eram ministradas<br />
exclusivamente na língua estrangeira<br />
aprendida.<br />
2. Apenas orações e vocabulário<br />
usa<strong>do</strong> no cotidiano eram ensina<strong>do</strong>s.<br />
3. A gramática era ensinada<br />
indutivamente.<br />
4. Ensinava-se principalmente a<br />
fala e a compreensão oral.<br />
5. A pronúncia e o uso da<br />
gramática <strong>de</strong>viam ser corretos<br />
6. O vocabulário concreto era<br />
ensina<strong>do</strong> por meio <strong>de</strong> objetos,<br />
<strong>de</strong>monstração e <strong>de</strong>senhos; enquanto<br />
o abstrato era ensina<strong>do</strong> por meio <strong>de</strong><br />
associação <strong>de</strong> idéias.<br />
No final <strong>do</strong>s século XIX e durante o<br />
primeiro quarto <strong>do</strong> século XX, o Méto<strong>do</strong><br />
Direto se tornou bastante popular e <strong>um</strong> <strong>do</strong>s<br />
seus maiores propaga<strong>do</strong>res foram as Escolas<br />
Berlitz que espalharam por to<strong>do</strong> o mun<strong>do</strong> e<br />
continuam vigorosas. Para que pu<strong>de</strong>sse<br />
trazer resulta<strong>do</strong>s satisfatórios, este méto<strong>do</strong><br />
exigia altos investimentos, pois não existiam<br />
materiais disponíveis e os alunos <strong>de</strong>veriam<br />
ter professores nativos à sua disposição,<br />
atenção individualizada e cursos intensivos.<br />
Além disso, por ter <strong>um</strong>a base teórica que<br />
favorecia apenas poucos aspectos da<br />
linguagem, gran<strong>de</strong> parte <strong>do</strong> sucesso na<br />
aprendizagem <strong>de</strong>pendia mais da<br />
personalida<strong>de</strong> <strong>do</strong> professor <strong>do</strong> que da<br />
meto<strong>do</strong>logia em si.<br />
Não <strong>de</strong>morou muito para que a maioria<br />
das instituições <strong>de</strong> <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> língua, cujo<br />
orçamento era muito pequeno, retornassem<br />
ao Méto<strong>do</strong> <strong>de</strong> Gramática e Tradução ou a<br />
abordagens que enfatizavam a habilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
leitura. No fim <strong>do</strong> primeiro quarto <strong>do</strong> século<br />
XX, houve <strong>um</strong> enorme <strong>de</strong>clínio <strong>do</strong> Méto<strong>do</strong><br />
Direto. Todavia, mudanças no cenário<br />
político e evoluções no meio acadêmico<br />
trariam <strong>de</strong> volta alg<strong>um</strong>as das mais<br />
importantes características <strong>do</strong> Méto<strong>do</strong><br />
Direto.<br />
2.3 O Méto<strong>do</strong> <strong>do</strong> Exército Americano<br />
(ASTP 2 ) e o Méto<strong>do</strong> Audiolingual<br />
Embora os estu<strong>do</strong>s em fonética e fonologia<br />
tivessem logra<strong>do</strong> gran<strong>de</strong> avanço no final <strong>do</strong><br />
século XIX, a Lingüística ainda carecia <strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>limitação para o seu objeto <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> e <strong>do</strong><br />
estabelecimento <strong>de</strong> <strong>um</strong> méto<strong>do</strong> científico<br />
para abordá-lo a<strong>de</strong>quadamente em suas<br />
investigações. O caráter intuitivo na<br />
confecção <strong>do</strong>s méto<strong>do</strong>s <strong>de</strong> <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> línguas<br />
até aquela época po<strong>de</strong> ser facilmente<br />
explica<strong>do</strong> ten<strong>do</strong> em vista esta situação.<br />
Portanto, a criação <strong>de</strong> <strong>um</strong> méto<strong>do</strong><br />
cientificamente calca<strong>do</strong> <strong>de</strong>pendia<br />
diretamente <strong>de</strong> a Lingüística alcançar o<br />
status <strong>de</strong> ciência.<br />
Com a publicação <strong>de</strong> Curso <strong>de</strong><br />
Lingüística Geral <strong>de</strong> Ferdinand <strong>de</strong> Saussure<br />
em 1916, na Europa, estabelecem-se a<br />
existência <strong>do</strong>s fatos lingüísticos, os méto<strong>do</strong>s<br />
para i<strong>de</strong>ntificar e tratar os fatos lingüísticos<br />
e o estu<strong>do</strong> sincrônico da língua com base<br />
científica. Como as <strong>de</strong>mais ciências sociais<br />
que tinham <strong>um</strong> méto<strong>do</strong> científico<br />
estabeleci<strong>do</strong> para seu objeto <strong>de</strong> estu<strong>do</strong><br />
naquele perío<strong>do</strong>, a Lingüística seguiu a<br />
orientação estruturalista. Saussure mostrou<br />
que a língua <strong>de</strong>ve ser analisada como <strong>um</strong><br />
sistema <strong>de</strong> regras composto por elementos<br />
lexicais, gramaticais e fonológicos que são<br />
organiza<strong>do</strong>s em níveis hierarquiza<strong>do</strong>s, on<strong>de</strong><br />
2 Army Specialized Training Program
cada elemento está <strong>de</strong>termina<strong>do</strong> em função<br />
<strong>de</strong> suas combinações com o nível superior.<br />
Nos Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s, também houve <strong>um</strong><br />
gran<strong>de</strong> esforço para conferir aos estu<strong>do</strong>s<br />
lingüísticos <strong>um</strong> cunho científico. Neste<br />
senti<strong>do</strong>, a figura que mais se <strong>de</strong>stacou foi<br />
sem dúvida o lingüista Leonard Bloomfield.<br />
Seu livro Language, publica<strong>do</strong> em 1933, se<br />
tornou a obra <strong>de</strong> referência mais importante<br />
da Lingüística americana, que foi então<br />
fortemente impulsionada pela necessida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> <strong>de</strong>scrição <strong>de</strong> línguas indígenas para fins<br />
<strong>de</strong> pesquisa antropológica. Bloomfield<br />
enfatizava que a pesquisa <strong>de</strong> campo <strong>de</strong>veria<br />
prece<strong>de</strong>r a <strong>de</strong>scrição, pois a língua é<br />
essencialmente <strong>um</strong> instr<strong>um</strong>ento <strong>de</strong><br />
comunicação oral e <strong>de</strong>ve ser <strong>de</strong>scrita a partir<br />
daí. Além <strong>do</strong> estruturalismo, a teoria<br />
psicológica behaviorista, bem atuante em<br />
to<strong>do</strong> o meio acadêmico norte-americano da<br />
época, influenciou <strong>de</strong>terminantemente a<br />
produção <strong>de</strong> Bloomfield, que encarava a<br />
língua como <strong>um</strong> conjunto <strong>de</strong> hábitos<br />
adquiri<strong>do</strong>s através <strong>de</strong> <strong>um</strong>a reação <strong>de</strong><br />
estímulo e resposta.<br />
A eclosão da II Guerra Mundial com a<br />
participação direta <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s<br />
motivou <strong>um</strong>a das maiores revoluções já<br />
ocorridas no Ensino <strong>de</strong> Línguas, e a<br />
Lingüística sob a égi<strong>de</strong> <strong>do</strong> Estruturalismo e<br />
<strong>do</strong> Behaviorismo <strong>de</strong>ixou seus princípios<br />
nortea<strong>do</strong>res claramente impressos nas<br />
características <strong>do</strong> Méto<strong>do</strong> Audiolingual, que<br />
surgiria a partir <strong>de</strong>ste contexto.<br />
O contato iminente <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s<br />
com alia<strong>do</strong>s e inimigos cujo idioma não era<br />
o inglês expôs a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> parte da<br />
tropa tornar-se, em pouco tempo, fluente em<br />
línguas estrangeiras para fins <strong>de</strong> inteligência<br />
militar. Em 1941 foram convoca<strong>do</strong>s<br />
lingüistas, entre os quais Leonard<br />
Bloomfield, para projetar <strong>um</strong> méto<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />
<strong>ensino</strong> <strong>de</strong> línguas intensivo e eficaz. Assim,<br />
antes da entrada no conflito, criou-se o<br />
ASTP (Army Specialized Training<br />
Program), <strong>um</strong> programa que tinha o objetivo<br />
<strong>de</strong> levar militares à proficiência em <strong>um</strong>a ou<br />
mais línguas estrangeiras em <strong>um</strong> curto<br />
espaço <strong>de</strong> tempo. O Méto<strong>do</strong> <strong>do</strong> Exército,<br />
como era vulgarmente conheci<strong>do</strong> o ASTP,<br />
combinava técnicas <strong>do</strong> Méto<strong>do</strong> Direto e <strong>de</strong><br />
<strong>um</strong> méto<strong>do</strong> <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong> a partir <strong>do</strong> estu<strong>do</strong><br />
<strong>de</strong> línguas indígenas, além da preparação <strong>de</strong><br />
livros e gravações para instrução autodidática.<br />
Mais <strong>de</strong> 50 línguas foram<br />
ensinadas aos militares com sucesso através<br />
<strong>de</strong>ste méto<strong>do</strong>.<br />
Segun<strong>do</strong> De Saz (1980, p. 211), gran<strong>de</strong><br />
parte <strong>do</strong> sucesso <strong>do</strong> ASTP resulta das<br />
peculiarida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> sua aplicação. As aulas<br />
duravam <strong>de</strong> oito a <strong>do</strong>ze horas em <strong>um</strong><br />
perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> oito a <strong>de</strong>z semanas no qual os<br />
solda<strong>do</strong>s não faziam outra coisa senão<br />
apren<strong>de</strong>r a língua. A média <strong>de</strong> alunos por<br />
sala <strong>de</strong> aula não passava <strong>de</strong> <strong>do</strong>ze e<br />
enfatizava-se principalmente a conversação<br />
em <strong>de</strong>trimento da prática da leitura e da<br />
escrita. Além disso, havia professores<br />
nativos disponíveis e <strong>um</strong>a ampla gama <strong>de</strong><br />
materiais altamente estimulantes como<br />
filmes estrangeiros e emissões <strong>de</strong> rádio. Só<br />
eram admiti<strong>do</strong>s no curso alunos que<br />
tivessem alg<strong>um</strong>a experiência com língua<br />
estrangeira e <strong>um</strong> alto nível <strong>de</strong> inteligência.<br />
Outro ponto motiva<strong>do</strong>r foi a promoção que<br />
os militares receberiam após a conclusão <strong>do</strong><br />
curso com aproveitamento. Não é tão difícil<br />
enten<strong>de</strong>r o êxito na aprendizagem <strong>de</strong> <strong>um</strong><br />
idioma em <strong>um</strong> contexto tão favorável.<br />
Contu<strong>do</strong> não se <strong>de</strong>ve esquecer que o ASTP<br />
já começava a tirar proveito da aplicação da<br />
Lingüística estrutural no Ensino <strong>de</strong> Línguas.<br />
Embora a guerra tivesse acaba<strong>do</strong> e o<br />
exército americano tivesse aban<strong>do</strong>na<strong>do</strong> a<br />
continuação <strong>do</strong> programa, os resulta<strong>do</strong>s das<br />
pesquisas da estrutura lingüística seguiram<br />
sen<strong>do</strong> aplica<strong>do</strong>s no Ensino <strong>de</strong> Línguas.<br />
Como houve <strong>um</strong>a publicida<strong>de</strong> extremamente<br />
positiva <strong>do</strong> ASTP nos meios <strong>de</strong><br />
comunicação, o público em geral voltou a se<br />
interessar pela aprendizagem <strong>de</strong> idiomas e,<br />
para se a<strong>de</strong>quar a nova <strong>de</strong>manda, o méto<strong>do</strong><br />
sofreu alg<strong>um</strong>as adaptações e variações<br />
passan<strong>do</strong> assim a ser conheci<strong>do</strong> na década<br />
<strong>de</strong> 50 como Méto<strong>do</strong> Audiolingual. Contu<strong>do</strong>,<br />
a Lingüística Estrutural e o Behaviorismo
permaneceram sen<strong>do</strong> inabalavelmente o<br />
vetor <strong>de</strong>ste méto<strong>do</strong>, como se verá mais<br />
adiante nas suas características.<br />
De acor<strong>do</strong> com Prator e Celce-Murcia<br />
(apud BROWN,p. 1994:57), as principais<br />
características <strong>do</strong> Méto<strong>do</strong> Audiolingual são<br />
as seguintes:<br />
1. Os tópicos a serem aprendi<strong>do</strong>s<br />
são sempre introduzi<strong>do</strong> em forma<br />
<strong>de</strong> diálogo.<br />
2. O aprendiza<strong>do</strong> <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> em<br />
gran<strong>de</strong> parte <strong>de</strong> memorização <strong>de</strong><br />
conjuntos <strong>de</strong> orações e repasse<br />
constante <strong>do</strong> assunto.<br />
3. Padrões da estrutura da língua<br />
são ensina<strong>do</strong>s através <strong>de</strong><br />
exercícios <strong>de</strong> substituição<br />
estrutural.<br />
4. Há pouca explicação gramatical e<br />
a gramática é ensinada<br />
preferencialmente por meio <strong>de</strong><br />
analogias indutivas.<br />
5. O vocabulário é extremamente<br />
limita<strong>do</strong> e restrito ao contexto.<br />
6. Há uso <strong>de</strong> fitas, laboratórios <strong>de</strong><br />
idiomas e recursos visuais.<br />
7. Dá-se gran<strong>de</strong> importância à<br />
correção da pronúncia<br />
8. É permiti<strong>do</strong> pouquíssimo uso da<br />
língua materna <strong>do</strong> aluno.<br />
9. Há reforço imediato das<br />
respostas corretas através <strong>de</strong><br />
pontuação ou elogio.<br />
10. Há gran<strong>de</strong> esforço <strong>do</strong> aluno para<br />
produzir enuncia<strong>do</strong>s sem erros.<br />
11. As estruturas são seqüenciadas e<br />
ensinadas <strong>um</strong>a <strong>de</strong> cada vez<br />
através <strong>de</strong> análise contrastiva.<br />
12. Há <strong>um</strong> forte tendência em<br />
manipular a língua e<br />
<strong>de</strong>sconsi<strong>de</strong>rar o conteú<strong>do</strong>.<br />
Depois <strong>de</strong> <strong>um</strong> perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> gran<strong>de</strong><br />
popularida<strong>de</strong> nas décadas <strong>de</strong> 50 e 60, houve<br />
<strong>um</strong> <strong>de</strong>clínio sensível <strong>do</strong> uso <strong>do</strong> Méto<strong>do</strong><br />
Audiolingual no Ensino <strong>de</strong> Idiomas no final<br />
<strong>do</strong>s anos 70. Constatou-se que a repetição e<br />
a memorização eram extremamente<br />
limitadas no <strong>de</strong>senvolvimento da<br />
proficiência, pois a aquisição da língua não<br />
era apenas <strong>um</strong>a questão <strong>de</strong> formação <strong>de</strong><br />
hábito. Além disso, a Lingüística Estrutural<br />
não <strong>de</strong>sven<strong>do</strong>u tu<strong>do</strong> a respeito da língua,<br />
como alguns lingüistas esperavam. Todavia,<br />
o Méto<strong>do</strong> Audiolingual trouxe inovações tão<br />
importantes para o Ensino <strong>de</strong> Idiomas que<br />
alg<strong>um</strong>as <strong>de</strong> suas técnicas continuam sen<strong>do</strong><br />
bastante válidas em qualquer curso <strong>de</strong> língua<br />
estrangeira. O uso <strong>de</strong> recursos audiovisuais e<br />
os exercícios <strong>de</strong> substituição estrutural são<br />
<strong>um</strong> bom exemplo. Embora não seja tão<br />
popular quanto na década <strong>de</strong> 50, o Méto<strong>do</strong><br />
Audiolingual ainda é usa<strong>do</strong>, em <strong>um</strong>a versão<br />
modificada, por <strong>um</strong> bom número <strong>de</strong> cursos<br />
<strong>de</strong> idiomas.<br />
2.4 Os méto<strong>do</strong>s <strong>do</strong>s anos 70<br />
Em 1957, surgiu a teoria gerativatranformacional<br />
através das pesquisas <strong>do</strong><br />
lingüista americano Noam Chomsky, com o<br />
objetivo <strong>de</strong> romper as amarras <strong>do</strong> empirismo<br />
que prendia a lingüística à análise e<br />
classificação <strong>de</strong> estruturas da língua,<br />
tentan<strong>do</strong> assim explicitar os mecanismos por<br />
trás <strong>do</strong> aspecto criativo da linguagem e<br />
formulan<strong>do</strong> as regularida<strong>de</strong>s universais<br />
subjacentes. Chomsky afirma que é<br />
fundamental que a teoria lingüística<br />
<strong>de</strong>scubra a realida<strong>de</strong> mental subjacente ao<br />
comportamento lingüístico a fim <strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>terminar o sistema <strong>de</strong> regras que o<br />
falante/ouvinte usa para produzir e<br />
compreen<strong>de</strong>r <strong>um</strong> número infinito <strong>de</strong><br />
orações. Esta teoria ocasionou <strong>um</strong>a<br />
reviravolta nos estu<strong>do</strong>s lingüísticos em <strong>um</strong><br />
momento em que a lingüística estrutural<br />
norte-americano parecia ter alcança<strong>do</strong> seu<br />
estabelecimento <strong>de</strong>finitivo com as pesquisas<br />
e trabalhos <strong>de</strong> renoma<strong>do</strong>s lingüistas.<br />
Os trabalhos <strong>de</strong> Noam Chomsky só<br />
ecoaram no campo <strong>de</strong> Ensino <strong>de</strong> Idiomas no<br />
final <strong>do</strong>s anos 70, quan<strong>do</strong> já começava a se<br />
generalizar <strong>um</strong> <strong>de</strong>scrédito em relação <strong>um</strong>a<br />
teoria <strong>de</strong> aprendizagem calcada no<br />
behaviorismo. Nesse mesmo perío<strong>do</strong>,<br />
muitos psicólogos inspira<strong>do</strong>s por Carl<br />
Rogers, começaram a perceber que o fator<br />
afetivo e as relações <strong>de</strong> natureza interpessoal
têm <strong>um</strong> papel fundamental no processo <strong>de</strong><br />
aprendizagem. Esta onda <strong>de</strong> renovação<br />
pedagógica associada à atmosfera <strong>de</strong><br />
movimentos em prol <strong>de</strong> mudanças políticas<br />
e sociais oportunizaram o surgimento <strong>de</strong><br />
vários méto<strong>do</strong>s <strong>de</strong> <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> caráter<br />
inova<strong>do</strong>r e volta<strong>do</strong>s para <strong>um</strong>a nova tomada<br />
<strong>de</strong> direção no Ensino <strong>de</strong> Idiomas. À primeira<br />
vista, alguns <strong>de</strong>les se mostram <strong>um</strong> tanto<br />
excêntricos, pois fazem experimentações<br />
interdisciplinares bastante peculiares e<br />
possuem <strong>um</strong> toque <strong>de</strong> esoterismo típico <strong>do</strong>s<br />
anos 70. Abaixo serão menciona<strong>do</strong>s quatro<br />
<strong>de</strong>stes méto<strong>do</strong>s acompanha<strong>do</strong>s <strong>de</strong> <strong>um</strong><br />
res<strong>um</strong>o <strong>de</strong> seu <strong>histórico</strong> e suas<br />
características.<br />
2.4.1 Aprendizagem <strong>de</strong> Línguas em<br />
Cooperação<br />
É <strong>um</strong>a aplicação direta da psicologia<br />
h<strong>um</strong>anista, com o objetivo <strong>de</strong> integrar os<br />
alunos em grupos <strong>de</strong> trabalho cooperativo.<br />
Esta era <strong>um</strong>a maneira <strong>de</strong> eliminar a<br />
competitivida<strong>de</strong> e criar <strong>um</strong> ambiente sem<br />
ameaças psicológicas. O professor é visto<br />
como <strong>um</strong> facilita<strong>do</strong>r que transmite<br />
segurança e autoconfiança aos alunos a fim<br />
<strong>de</strong> dar maior flui<strong>de</strong>z à aprendizagem. As<br />
ativida<strong>de</strong>s mais comuns são tradução,<br />
trabalho em grupo, gravação, transcrição,<br />
observação e conversação livre.<br />
2.4.2 Sugestopédia<br />
Tem sua origem nas pesquisas soviéticas <strong>de</strong><br />
percepção extra-sensorial e na ioga. Este<br />
méto<strong>do</strong> é <strong>um</strong> tanto incom<strong>um</strong>, pois <strong>de</strong>fen<strong>de</strong><br />
que os alunos apren<strong>de</strong>m mais quan<strong>do</strong> estão<br />
em esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> total relaxamento. Assim,<br />
toca-se música barroca para que os alunos<br />
alcancem este esta<strong>do</strong>. O professor <strong>de</strong>ve ser<br />
promotor <strong>de</strong> <strong>um</strong> ambiente sem estresse e<br />
fazer os alunos apren<strong>de</strong>r <strong>de</strong> maneira muito<br />
receptiva. As técnicas mais comuns são<br />
visualização, escolha <strong>de</strong> nova i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> e<br />
encenações.<br />
2.4.3 Resposta Física<br />
Resulta das pesquisas em aquisição da<br />
língua materna e ressalta a importância <strong>do</strong><br />
processamento cerebral no hemisfério<br />
direito para o aprendiza<strong>do</strong> da linguagem.<br />
Defen<strong>de</strong>-se que o processo <strong>de</strong> aprendizagem<br />
da língua estrangeira <strong>de</strong>ve ocorrer da mesma<br />
maneira como aluno apren<strong>de</strong>u sua língua<br />
materna. Assim, a compreensão oral prece<strong>de</strong><br />
a produção oral e os alunos só falam quan<strong>do</strong><br />
se sentem prontos. Este princípio vem <strong>do</strong>s<br />
estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong> aquisição da linguagem que<br />
provaram que a criança passa por <strong>um</strong><br />
perío<strong>do</strong> silencioso antes <strong>de</strong> falar. As<br />
ativida<strong>de</strong>s cinestéticas são muito usadas para<br />
ativação <strong>do</strong> la<strong>do</strong> esquer<strong>do</strong> <strong>do</strong> cérebro.<br />
2.4.4 Méto<strong>do</strong> <strong>do</strong> Silêncio<br />
Fundamentou-se em <strong>um</strong>a tendência<br />
educacional chamada ‘aprendizagem por<br />
<strong>de</strong>scobertas’. Ele é caracteriza<strong>do</strong> pela<br />
ausência da interferência direta <strong>do</strong> professor<br />
na produção <strong>do</strong> aluno. Espera-se que os<br />
alunos cresçam por si só no processo <strong>de</strong><br />
aprendizagem. Neste caso, o professor não é<br />
<strong>um</strong> mo<strong>de</strong>lo, ele apenas <strong>de</strong>ve mostrar o<br />
caminho aos alunos. O Méto<strong>do</strong> <strong>do</strong> Silêncio<br />
enfatiza bastante a correção da pronúncia.<br />
Usam-se bastantes painéis colori<strong>do</strong>s e<br />
blocos lógicos <strong>de</strong> tamanhos e cores<br />
diferentes.<br />
2.5 A Abordagem Comunicativa<br />
O Estruturalismo <strong>de</strong> Bloomfield e o<br />
Gerativismo <strong>de</strong> Chomsky associa<strong>do</strong>s<br />
respectivamente à psicologia behaviorista e<br />
à psicologia cognitivista suscitaram várias<br />
discussões a respeito <strong>de</strong> como se constrói a<br />
proficiência na linguagem h<strong>um</strong>ana. Nos<br />
anos 70, estas discussões geraram estu<strong>do</strong>s e<br />
suscitaram o surgimento <strong>de</strong> <strong>um</strong> novo campo<br />
científico conheci<strong>do</strong> como Aquisição da<br />
Linguagem. Embora tenha sua origem na<br />
Lingüística e na Psicologia e se utilize <strong>do</strong><br />
avanço <strong>do</strong>s estu<strong>do</strong>s nestas áreas, a Aquisição<br />
da Linguagem po<strong>de</strong> ser consi<strong>de</strong>rada <strong>um</strong>a<br />
ciência autônoma, pois tem seu objeto <strong>de</strong><br />
estu<strong>do</strong> muito bem <strong>de</strong>limita<strong>do</strong> e méto<strong>do</strong>s<br />
específicos para abordá-lo. Teorias como<br />
filtro afetivo, hipótese da ida<strong>de</strong> crítica e
hipótese da or<strong>de</strong>m natural foram<br />
fundamentais para a construção <strong>de</strong> <strong>um</strong>a<br />
nova visão sobre o aprendiza<strong>do</strong> da língua<br />
que se traduziu na construção <strong>de</strong> princípios<br />
que norteariam as ativida<strong>de</strong>s <strong>do</strong> professores<br />
<strong>de</strong> língua nas décadas posteriores.<br />
A revolução audiolingual, a renovação<br />
<strong>do</strong>s méto<strong>do</strong>s nos 70 e a Aquisição <strong>de</strong><br />
Linguagem levaram a área <strong>de</strong> Ensino <strong>de</strong><br />
Línguas a <strong>um</strong> amadurecimento sem<br />
prece<strong>de</strong>ntes. O resulta<strong>do</strong> <strong>de</strong>ste processo foi a<br />
construção <strong>de</strong> <strong>um</strong>a visão holística a respeito<br />
<strong>do</strong>s processos <strong>de</strong> aprendizagem da língua<br />
que culminou na crença em princípios bem<br />
fundamenta<strong>do</strong>s tanto na teoria como na<br />
experiência. Assim, os professores <strong>de</strong><br />
idioma cessaram a sanha pela busca <strong>de</strong> <strong>um</strong><br />
méto<strong>do</strong> orto<strong>do</strong>xo e optaram por <strong>um</strong>a<br />
abordagem que priorizasse a comunicação e<br />
fosse bem eclética em relação ao emprego<br />
<strong>de</strong> técnicas bem sucedidas <strong>de</strong> outros<br />
méto<strong>do</strong>s. Este é o nascimento da<br />
Abordagem Comunicativa, que surge<br />
vigoroso nos anos 80.<br />
As características da Abordagem<br />
Comunicativa refletem claramente o<br />
amadurecimento da área <strong>de</strong> Ensino <strong>de</strong><br />
Idiomas e tornam bem óbvias as razões <strong>do</strong><br />
sucesso <strong>de</strong>sta abordagem. Em linhas gerais,<br />
este méto<strong>do</strong> advoga que o aluno <strong>de</strong>ve<br />
apren<strong>de</strong>r a se comunicar na língua<br />
estrangeira através <strong>de</strong> <strong>um</strong> processo <strong>de</strong><br />
interação com outros alunos e com o<br />
professor. Embora ocorra em gran<strong>de</strong> parte<br />
em sala <strong>de</strong> aula, o processo <strong>de</strong> aprendizagem<br />
da língua <strong>de</strong>ve estar volta<strong>do</strong> à preparação <strong>do</strong><br />
aluno para lidar com situações<br />
comunicativas na vida real. Por tanto, o uso<br />
<strong>de</strong> materiais autênticos é fundamental. Outro<br />
ponto <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> importância neste méto<strong>do</strong> é<br />
conscientizar o aluno sobre seu próprio<br />
processo <strong>de</strong> aprendizagem para que ele crie<br />
mecanismos <strong>de</strong> emancipação em relação ao<br />
professor e otimize sua aprendizagem<br />
segun<strong>do</strong> seu estilo e motivações. Desta<br />
forma, enfatiza-se <strong>um</strong> <strong>ensino</strong> que tem o<br />
aluno como centro através da valorização <strong>de</strong><br />
suas própria experiência, enriquecen<strong>do</strong><br />
inestimavelmente o aprendiza<strong>do</strong> em sala <strong>de</strong><br />
aula.<br />
Através das características acima<br />
mencionadas, percebe-se que a língua é mais<br />
<strong>do</strong> que meras estruturas regidas por regras.<br />
Trata-se primordialmente <strong>de</strong> <strong>um</strong> sistema <strong>de</strong><br />
expressão <strong>de</strong> significa<strong>do</strong>s que tem como<br />
meta primordial oportunizar a comunicação<br />
e interação. Assim, a aprendizagem <strong>de</strong>ve<br />
ocorrer por meio <strong>de</strong> ativida<strong>de</strong>s que<br />
promovam a comunicação e utilizem a<br />
língua <strong>de</strong> maneira significativa para os<br />
alunos. Portanto, o objetivo <strong>de</strong> <strong>um</strong> curso <strong>de</strong><br />
língua comunicativo <strong>de</strong>ve ser levar o aluno a<br />
lidar com a língua em diferentes contextos<br />
comunicativos usan<strong>do</strong> sua estrutura <strong>de</strong><br />
maneira satisfatória.<br />
Desta forma, a característica marcante da<br />
Abordagem Comunicativa, que a diferencia<br />
com mais niti<strong>de</strong>z <strong>do</strong>s méto<strong>do</strong>s anteriores, é a<br />
ênfase no significa<strong>do</strong> e no uso da língua.<br />
Assim, a <strong>de</strong>finição <strong>do</strong>s conteú<strong>do</strong>s a serem<br />
trabalha<strong>do</strong>s em sala <strong>de</strong> aula parte da<br />
perspectiva da realida<strong>de</strong> comunicativa, que<br />
apresenta <strong>um</strong>a varieda<strong>de</strong> <strong>de</strong> possibilida<strong>de</strong>s<br />
relacionadas às situações comunicativas, ao<br />
léxico e às estruturas lingüísticas utilizadas<br />
para trabalhar <strong>um</strong> <strong>de</strong>termina<strong>do</strong> conteú<strong>do</strong><br />
funcional.<br />
Com a tentativa <strong>de</strong> preparar o aluno <strong>de</strong><br />
maneira mais eficaz e satisfazer as<br />
exigências <strong>de</strong> <strong>um</strong>a comunicação real, a<br />
Abordagem Comunicativa parte <strong>do</strong><br />
pressuposto <strong>de</strong> que para apren<strong>de</strong>r a língua<br />
alvo, há necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> praticá-la<br />
constantemente, e que os processos<br />
comunicativos são tão importantes quanto as<br />
formas lingüísticas, que por sua vez estão<br />
subordinadas ao significa<strong>do</strong>. Os objetivos<br />
<strong>de</strong>vem refletir as necessida<strong>de</strong>s <strong>do</strong>s<br />
aprendizes em termos tanto <strong>de</strong> habilida<strong>de</strong>s<br />
funcionais como <strong>de</strong> objetivos lingüísticos.<br />
Por tanto, o processo <strong>de</strong> <strong>ensino</strong> e<br />
aprendizagem <strong>de</strong> <strong>um</strong>a língua estrangeira<br />
baseada na Abordagem Comunicativa<br />
ressalta a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ir mais além da<br />
simples transmissão e aquisição <strong>de</strong><br />
conhecimentos gramaticais, pois se tem<br />
como objetivo permitir ao aluno comunicar-
se na língua estrangeira nas diversas<br />
situações comunicativas.<br />
3 Consi<strong>de</strong>rações finais<br />
Conhecer o processo <strong>histórico</strong> por meio <strong>do</strong><br />
qual se <strong>de</strong>senvolveram os méto<strong>do</strong>s <strong>de</strong> <strong>ensino</strong><br />
<strong>de</strong> línguas fornece ao profissional da área a<br />
possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> adquirir <strong>um</strong>a consciência<br />
crítica em relação aos princípios subjacentes<br />
nas abordagens <strong>de</strong> <strong>ensino</strong> e optar pelas<br />
teorias <strong>de</strong> língua e <strong>de</strong> aprendizagem que<br />
mais se coadunem com suas crenças <strong>de</strong><br />
como levar seus alunos a <strong>um</strong> aprendiza<strong>do</strong><br />
efetivo.<br />
Como a área <strong>de</strong> <strong>ensino</strong> <strong>de</strong> línguas<br />
estrangeiras exige <strong>um</strong> aperfeiçoamento<br />
constante <strong>do</strong> profissional, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> que<br />
esteja prepara<strong>do</strong> para melhor instruir seus<br />
alunos a fim <strong>de</strong> que estes adquiram fluência<br />
na língua estrangeira com mais soli<strong>de</strong>z, este<br />
artigo se propôs a analisar e discutir<br />
diacronicamente os méto<strong>do</strong>s e abordagens<br />
<strong>de</strong> língua estrangeira, <strong>de</strong>monstran<strong>do</strong> suas<br />
principais características e as teorias que o<br />
fundamentam. Por isso, espera-se que as<br />
informações apresentadas sirvam <strong>de</strong><br />
referencial àqueles que se aventuram na<br />
busca <strong>de</strong> <strong>um</strong>a melhor prática <strong>de</strong> <strong>ensino</strong> <strong>de</strong><br />
línguas, pois, conhecen<strong>do</strong> os sucessos e<br />
fracassos <strong>do</strong>s diversos méto<strong>do</strong>s <strong>de</strong> <strong>ensino</strong> <strong>de</strong><br />
línguas, bem como as suas características,<br />
estarão subsidia<strong>do</strong>s teoricamente para<br />
escolher <strong>um</strong>a meto<strong>do</strong>logia que melhor se<br />
a<strong>de</strong>qüe às necessida<strong>de</strong>s particulares <strong>de</strong> seus<br />
alunos.<br />
Referências<br />
BROWN, H. D. Teachinh by principles:<br />
an interactive approach to language<br />
pedagogy. New Jersey: Prentice Hall, 1994.<br />
DE SAZ, S. M. P. La lingüística y la<br />
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Empeño, 1980.<br />
PRATOR, C. H.& CELCE-MURCIA, M.,<br />
An Outline of Language Teaching<br />
Approaches. Marianne,and McIntosh,<br />
Lois (Ed.), Teaching English as a Second<br />
or Foreign Language. Newbury House.<br />
1979.<br />
RICHARDS, J. C., & RODGERS, T.<br />
Approaches and Methods in Language<br />
Teaching. Cambridge: University Press,<br />
1986.