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Jurunas

Três anos

de

resistência

No bairfo do Jurunas está a mais

antiga luta organizada contra a desapro-

priação. Ano passado as 3.600 famílias

ameaçadas pela firma "Mourão Ferreira e

Cia." comemoraram três anos de resistên-

cia. Reunidas em torno da Comunidade

de Base do Jurunas - COBAJUR - os

moradores sofreram muitos vexames e

violências antes que começassem a organi-

zar a luta pelos terrenos. A firma fez de

tudo para tomar-lhes a área: desde intimi-

daçfies até ameaças mais diretas como a

de derrubar as casas com trator. Com a

ajuda de advogados, os moradores estive-

ram várias vezes com o ex-prefeito Ajax

d'Oliveira, mas foram várias vezes ludi-

briados. O prefeito prometia e nSo fazia

nada. A firma, até hoje, ainda nflo apre-

sentou qualquer documento que compro-

vasse seu direito à área. Os moradores

.afirmaram que nunca vão abrir mio de

"um direito sagrado de possuir um peda-

ço de terra para morar". A área em ques-

tão compreende as passagens Jacob e Gur-

186 rua Conceição, entre Monte Alegre e

avenida Bernardo Saylo), igarapé das La-

ranjeiras (que começa na Conceição, atra-

vessa extensa área e deságua no rio Gua-

má), e as passagens Camapu e Amaral.

PAGINA 36

A bico de pena, pelos cálculos mais

modestos que se possa fazer, pelo menos

200 mu pessoas estão gravemente ameaça-

das de perderem suas casas em Belém. To-

dos os grandes bairros da cidade, princi-

palmente os da periferia, têm enormes

áreas em questão. Nelas, alguns empresá-

rios e até órgãos públicos (como o Minis-

tério da Aeronáutica) estão tentando, por

todos os meios, expulsar milhares e milha-

res de famílias, a maioria muito pobres. A

população ameaçada tem resistido apenas

com sua própria força e «fraca

organização, sem que o Estado tenha

tomado qualquer atitude efetiva para ao

menos minimizar o problema.

Famílias foram expulsas violenta-

mente, casas foram derrubadas, terrenos

desocupados com a ajuda de pohciais. Em

relação à população pobre, a situação pio-

rava cada vez mais. As baixadas foram to-

das ocupadas, sem qualquer planejamen-

to. Os terrenos abandonados foram lim-

pos pelo povo, que começou a construir

seus barracos. O terror continuava, indis-

criminadamente.

A REAÇÃO DO POVO

Pouco a pouco o povo começou a

reagir. Inicialmente através de queixas aos

jornais ou a uma ou outra autoridade. De-

pois, reuniram-se nas chamadas comuni-

dades de bairro, onde começaram a orga-

nizar-se mais profundamente. Por dezenas

de vezes foram ao governador, à prefeitu-

ra, à Codem, aos "donos" dos terrenos.

Até mesmo o presidente da República, na

última viagem que fez a Belém, recebeu

memoriais de famílias da Pedreira e da

Sacramenta. Esses memoriais narravam o

problema e pediam providências - mas

nunca foi feito nada de concreto.

O povo continua a se organizar,

disposto a lutar pelos terrenos e a enfren-

tar todas as dificuldades que isso possa

trazer. Ultimamente, a luta avançou um

pouco: foi criada uma Comissão da Luta

pela Terra nos Bairros de Belém, que pre-

tende fortificar a unificação de todas as

lutas, de todos os bairros.

Sacramenta

a questão

é com a

Aeronáutica

Na Sacramenta, cinco mil famílias

sstão em questão com o Ministério da Ae-

ronáutica - no que talvez seja o mais deli-

cado problema de desapropriação em Be-

lém. Houve tempos em que os soldados

montavam guarda diariamente, impedin-

do que os moradores fizessem qualquer

melhoramento nas casas. Também já

aconteceram alguns episódio* mais violen-

tos contra os moradores. A questão tam-

bém já esteve nos órgãos públicos, mas

nada adiantou.

No mesmo bairro, outros milhares

de moradores estão em conflito com o sr.

Ferro Costa, que pretende desapropriar

famílias também na Pedreira. Recente-

mente surgiu o mais novo conflito no

bairro: na passagem Alegre, entre MarquB

de Herval e Pedro Miranda, onde 30 famí-

lias estão em questão com a empresa "Es-

trela do Mar" (veja matéria nesta página).

RESISTÊNCIA |J- tf 9

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