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A passeata saiu da igreja da Aparecida e foi ganhando adeptos.

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Os grupos, sô de jovens, percorreram as ruas pedindo por Cajâ

A igrqfa acolheu oi.

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o.

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o

Uberdadn para "Cigá"

Quase 600 pessoas vão

às ruas pedir pela

liberdade de 44 Cajá ,,

Cerca de 600 pesaoas par-

ticiparam, ontem da passeata pe-

dindo a liberdade do estudante

"Caie", preso por motivos polí-

ticos em 12 de maio de 1978,

ora na Penitenciária "MourSo

Filho", no Recife. A passeata

marcada pela presença de estu-

dantes e seguida por dois veícu-

los do Batran, "para evitar qual-

quer ato de vandalismo", foi li-

derada pela Pastoral da Juven-

tude de Belém, saindo da Igre-

ja da Aparecida, na Pedreira e

encerrando na Igreja de S3o Se-

bastião, na Sacramenta. Reunin-

do inúmeras pessoas na Igreja da

Aparecida, os lideres da Pastoral

da Juventude expuseram os ob-

jetivos das passeata, esclarecen-

do ene a caminhada sena feita em

atendimento à solicitação da

Pastoral da Juventude de São

Paulo, responsável em promover

idêntico movimento em todas as

capitais brasileiras, para sensibi-

lizar autoridades e comunidades

no sentido de libertar "Cajá".

Este objetivo estavar;. expostoi

nas faixas que os estudantes le-

vavam, em que se liam frases co-

mo: "Os estudantes do Pará que-

rem a liberdade de "Cajá", Li-

berdade é um direito de todos,

"Reserve a liberdades de todos".

Outro objetivo da cami-

nhada, era despertar o povo para

os problemas sociais que estão

sendo denunciados constante-

mente. As faixas também identi-

ficavam esse objetivo, inclusive

com frases religiosas: "Cristo

Rei, queremos liberdade", "Para

o mundo feliz é preciso de liber-

dade", "Para que Jesus possa

ressuscitar e aeja um jovem como

Cajá., lute custe o que custar".

Haviai ainda faixas que denun-

ciavam a questão da terra: "Li-

berdade na terra a todos os mo-

radores".

A frente da passeata se-

guiam três estudantes carregan-

do uma faixa, onde se lia "A

Pastoral da Juventude apoia Ca-

já". Ao fim da multidáo/dois

carros do Batran. Um sargento

esclaceu que ali estavam apenas

para evitar qualquer ato de van-

dalismo". Mas foi «desnecessária

presença do Batran, pois so qua-

se 400 integrantes da caminhada

deixaram a Igreja da Aparecida

sem qualquer distúrbio. As fai-

xas taiavarti pela multidão, que

trafegou pela Pedro Miranda, Al'

feres Costa e Senador Lemos.

Na praça Eduardo Ange-

lim, na Alteres Costa, entoaram

a ladainha "O Povo de Deus",

cuja letra falava num povo can-

sado de mentiras, mas que conti-

nuava lutando, esperançoso em

ver seus problemas soluciona-

dos. No trajeto, os moradores se

aglomeravam nas janelas, curio-

sos pela multidão e perguntando

a razão do manifesto. Houve

uma criança que perguntou :

"Vocês estão rezando, é" 7 Ou-

tros indagavam : "O qué é que

quer dizer Cajá" 7 Depois das

expticaçOes, emudeciam, talvez

por não terem entendido. Hou-

ve, porém, uma senhora que ao

satisfazer sua curiosidade excla-

mou : "A coisa tá cada vez pior"

Indfnente aqs olhares dos mora-

dores, a passeata prosseguiu

tranqüila, sem mesmo causar

qualquer problema ao trânsito

nas ruas em que passava. Duran-

te o trajeto, várias pessoas en-

grossaram a multidão. Quando

chegou à Igreja de São Sebastião

havia um pouco mais de 600

pessoas, entre estichmes.padres.

crianças e velhos.

Na Igreja de São Sebas-

tião, decorada com uma faixa

em letras de Isopor estendida a-

cima do altar, que dizia "A Li-

berdade Depende de Todos

Nós", a multidão foi recebida.

- Foi Iniciada a vigília. Inicial-

mente cânticos reivindicando

soluçSes aos problemas sociais.

Posteriormente, foi lido um his-

tórico sobre a prisão de "Cajá"

e de outros estudantes, bem co-

mo de operários. Seguiram de-

poimentos de quatro posseiros

que foram expulsos de suas ter-

ras em Conceição do Araguaia e

de estudantes paraenses presos

por motivos políticos. A vigília

encerrou com a leitura de um

trecho extraído da reunião de

Puebla: "Dos vários países que

constituem a América Latina,

sobe ao céu um clamor cada

vez mais tumultuoso e impres-

sionante. E tfgrito de um povo

que sofre e que pede justiça, li-

berdade, respeito aos direitos

fundamentais do homem e do;

povos"

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