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Violência policial

em Capitão Poço

Depois de passada a fase mais aguda do conflito, quando

morreram um posseiro e um policial que o assassinou;

depois que a grande imprensa divulgou a falsa notícia da existência

de grupos armados tocaiados a espera da polícia,

publicanâo inclusive fotos de repórteres

entrevistando homens armados sem no entando da' o texto

dessas "entrevistas", além de editoriais em que os posseiros

é denunciada uma "Industria de Posseiros"

apresentando o grileiro Zé Pretinho com um

benemérito da região, depois de tudo isso —

já podemos formar uma idéia de quem é quem nesses

lamentáveis acontecimentos de Capitão Poço.

Foi um assassinato dos mais brutais

o que a polícia cometeu em Monte Hore-

Oe. município de Capitão Poço. Sete poli-

ciais chegaram à localidade às 5:30 horas

da madrugada, assustaram a pequena po-

pulação de 70 pessoas, invadiram a casa

do lavrador José Clemente e o assassi-

naram com três tiros. Conforme depoi-

mento dos chefes de família do local ape-

nas um dos soldados não atirou. Todos os

outros crivaram a casa de balas. Atingin-

do duas vezes e sem defesa, o velho Cle-

mente armou-se de um terçado e saiu para

o quintal na tentativa desesperada de de-

fender-se. Dessa forma elè matou o escri-

vão da polícia. Depois^vdtou para dentro

da casa e tentou pegar a espingarda. Foi

quando um dos policiais deu-lhe o tiro de

."misericórdia". Para a maioria da popu-

lação o autor do último tiro foi o soldado

'Domingos, residente no quilômetro 48 da

estrada Belém-Brasília, embora se diga

também que foi o policial de bigode (co-

missário Everaldo).

RESISTÊNCIA N- 0 3

Por que (5 velho Clemente? É piti-

vável que os policiais tenham chegado ali

com o único fito de matar Clemente. Mi-

nai de contas era ele a liderança r.i^is des-

tacada no local na questão com o Zé Pre-

tinho, que se dizia dono das terras./Era

ele que discutia e que não arredava p^ da-

quilo que achava ser seu direito e de. seus

companheiros. Há fortes suspeitas dfe que

os poUciais tenham recebido e aceitado

ordens para matar o velho Clemente. Pe-

lo menos assim procederam e após a fuga

sabiam exatamente onde encontrar o gri-

leiro, além de este ter fornecido seu capa-

taz para levá-los até o local exato.

O povo, do todo d* fora da Datogacta. ouvia ot barroa do oomardanta. Dapob da invadto a o incêndio do

prMio.

PÁGINA 46

i m m

O povo tentou ainda dspredar a caixa cTágua.

Revolta

de

Bragança

Os sete disparos com

pequenos intervalos, abafa-

ram os terríveis gritos e fo-

ram o estopim da revolta.

Alguém gritou no meio da

Praça: "a Polícia matou o

Walter". Logo uma multi-

dão calculada em mais de

duas mil pessoas invadiu a

Delegacia. Os sete soldados,

embora armados fugiram pe-

los fundos do prédio e se

embrenharam na mata, para

serem caçadas como cães

raivosos. O povo tomou

conta da Delegacia depre-

dando tudo, soltando os pre-

sos e resgatando o cadáver

do comerciante Walter Mon-

teiro de Souza (casado, 31

anos, rua Marechal Floriano,

no. 2028). Depois a multi-

dão invadiu o Necrotério do

Hospital Santo Antônio

Maria Zacarias e massacrou

o cadáver do PM Raimundo

Nonato Rodrigues, o "Goia-

no", solteiro de 28 anos,

morador em Belém na rua

São Cristóvão, casa 27-A

bairro do Guamá. Isso tudo

aconteceu pela manhã de

ontem na cidade de Bragan-

ça, distante 210 quilômetros

de Belém. À noite, o povo

ignorando a presença do re-

forço da PM, tentou depre-

dar as instalações do serviço

de águas da cidade como

protesto pela falta do cha-

mado precioso líquido.

Bragança ontem era

uma cidade abandonada. O

Prefeito Emílio Ramos, es-

tava em Belém onde veio

servir de paraninfo a um di^

plomando de medicina. O

Delegado de Policia Arlindo

Peck Dourado, há uma se-

mana está enfermo, em

Belém. O Comissário Clovis

Moreira que respondia pelo

expediente da Delegacia es-

tava em sua casa. Resultado:

bagunça em Bragança.

OUBiRfíL

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