1 - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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PA / 70

"Não podemos ficar

abandonados"

Mais de 50 crianças estão sem poder estudar no quilômetro 80 da rodovia KA

70 (região de IViarabá). A escola que tinham, construída pelo povo, acabou caindo.

32 pais de família, em abaixo-assinado dirigido ao prefeito, deputados e vereadores,

solicitam urgentes providências. O documento já foi entregue há semanas, mas até

agora nenhuma providência foi tomada Fis a carta, na íntegra:

Nós, pais da comunidade do Km 80

da PA-70 reunimos no dia 18 de agosto

para discutir os problemas de nossa esco-

la, "Boa Vista". A escola foi construída

em 1972, por conta própria do Sr. José

Alonso Crisóstomo e até agora não teve

ajuda Je ninguém no assunto da escola. ,

A"professora é paga pelo município

e temos também merendeira. O nosso

problema é que a casa da escola caiu, en-

tão as crianças estão tendo aula na casa de

despejo no fundo da cozinha da fazenda,

sendo que tivemos que dividir em duas

turmas porque as carteiras e os bancos

são umas tábuas colocadas em riba de uns

cepos e não dá pra dar aula para 35 alu-

nos.

O número de crianças para estudar

é de 50, mas tivemos que parar a matrícu-

la porque não dava para abrigar todo

mundo. Reunimos todos os pais para ver

de que maneira a gente pode tratar este

assunto e achamos que quem pode resol-

ver são as autoridades. Por isso escreve-,

mos para os senhores. Nós pedimos a pro-

vidência dos senhores, porque nós não po-

demos ficar aqui no local sem a professo-

ra, e se não tiver uma providência no ou-

tro ano a escola vai acabar porque -nós

não temos condições de conseguir de ou-

tra maneira.

Nós contamos com a sua ajuda,por-

que contamos que não podemos ficar

abandonado.

PA/150 Boa Vista do Pará

O fazendeiro quer

ser dono de tudo

Atacados por grileiros, pela malária, pela falta de um preço justo para seus

produtos, além da falta de escola para seus filhos e qualquer outro tipo de assistên-

cia oficiai, os moradores da Rodovia PA-150, à altura de Boa Vista do Pará, aprovei

taram o Dia do Trabalhad.or Rural, último dia 25 de julho, para escrever e assinar

um documento: um abaixo-assinado com 195 assinaturas, enviado ao ex-governa-

uor Aloysio Chaves, em que relatam cruamente suas péssimas condições de vida, pe-

dindo providências, ü documento foi entregue ao atual governador, Clòvis de Mo-

raes Rego, mas até agora não se sabe de nenhuma providência tomada. Ele segue na

íntegra, apenas com as modificações que tornem mais acessível sua leitura:

"Saudações. Em primeiro lugar uma

boa none ao senhor Aíoysio Chaves, nos-

so governador do Estado do Pará. Nós es-

tamos comemorando o Dia 'do. Lavrador e

aqui existem mais OU menos dnco mil la-

vradores que trabalham, lutando com to-

das as dificuldades, sem médico e tem

muita doença. O pobre aqui sofre demais.

Não temos a/uda de ninguém. Então reu-

nimos, conversamos e fizemos uma idéia

que achamos um recurso - é escrever ao

nosso governo que ele, sendo um homen)

que conhece as dificuldades do lavrador,

ele vai nos ajudar. Então nós têm que re-

clamar. É isto: que aqui tem terra demais

e para o pobre tem pouca, que o fazendei-

ro quer ser dono de tudo. A gente está

dentro de uma terra e de repente apare-

ce um, fala "esta terra é minha", e faz a

gente sair de qualquer maneira.

E também nós pedimos se for pos-

sível dar documentação da terra que a

gente fica mais tranqüilo, e outra:aqui so-

fremos .mais, porque não tem médico, e

dinheiro para o pobre só passa pra ver,

mas possuir ele, coitado, não possui e

qundo a dpença vem ele vende a sua roça

na fojha pro preço que acha e gasta tudi-

nho e muitas vezes morre à míngua. En-

tão é muito triste a gente trabalhar e en-

frentar túcío quanto for- dificuldade e

sempre pensando que a terra inda não

'tem documento. Então a gente fica preo

eu pado. Outra: tudo que a gente compra

aqui é cam demais e os preços dos nossos

cereais é sempre mais pouco. A gente nãu

tem vez. Todo mundo vende no preço

mais alto para nós e quer comprar no pre-

ço mais baixo nosso. Então precisamos

uma ajuda do senhor, seu Aloysio, para

fazer uma tabela de preço para o trabalha-

dor rural e mandar para este lugar médico

para combater com as malárias daqui e,

senhor Aloysio,aqui vai dar muita renda

para o Estado que eu ainda não vi um lu-

gar de gente que trabalha igual aqui mes-

mo. Com toda pobreza, mas os braços dos

peões é forte, lá vai pra frente, e se o se-

nhor olhar pra nós mais forte nós fica-

mos, porque é unidos que o Brasil vai pra

frente.

Agora nós vai terminar e contamos

com a sua ajuda. Dtfsde.já agradecemos o

senhor e ao mesmo tempo pedimos des-

culpa das faltas de letras que a gente qua-

se nem tem escola. E vamos deixar assi-

nado todos que participaram da reunião

e também de muitos locais que tião par-

ticipam com a gent . Obrigado, espero ser

atendido"

Oeiras do Pará

LUTAMOS

REPORMA

Também em Oeiras

do Pará o Dia do Traba-

lhador Rural foi muito

comemorado. Os feste-

jos ocorreram no dia 13

de agosto, mas desde

muito antes os. lavrado 1

res, orientados pelo Sin-

dicato dos. Trabalhado-

res Bufais, já vinbam

discutindo vários temas:

a importância do--traba-

Ihador rural no Brasil, a

•necessidade de uma me-

lhor organização, o di-

reito à terra, o salário

justo para sustentar a fa-

mília, o melhor entrosa-

mento dentro do Sindi-'

cato, etc A festa foi

realizada dentro da sim-

plicidade do povo. Além

de muitos cartazese fai-

xas espalhados pela ci-

dade - Lutamos pela re-

forma agrária; Compa-

nheiros do campo, de

mão dadas seremos for-

tes — nouve a celebra-,

ção de uma missa sole-

ne, preparada pelos tra-

balhaoures rurais.

RESISTÊNCIA

NSé

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