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Como é a escola que

os jovens querem...

e precisam?

Página 6

Obra Social São José Operário

comemora 40 anos

de belas conquistas

Página 24

Meio Ambiente:

preservar agora para

garantir o amanhã

Congregação das

Filhas de Jesus:

a caminho do Jubileu

Página 26


1

Compartilhe seu carro. “Pratique a carona

1Compartilhe Compartilhe seu carro. “Pratique a carona

solidária e diminua a emissão de poluentes,

levando pessoas que fariam o mesmo

trajeto separadamente”. Você vai se tornar o cara

mais simpático da cidade.

2

Tem atitude mais grosseira que atirar lata

2Tem Tem atitude mais grosseira que atirar lata

ou outros outros dejetos pela janela do carro?

O castigo para essa essa gafe é garantido:

os resíduos despejados na rua são arrastados

pela chuva, entopem bueiros, chegam aos rios

e represas, causam enchentes e prejudicam a

qualidade da água que consumimos.

3

Viva seu dia com luz natural. Abra janelas,

3Viva Viva seu dia com luz natural. Abra janelas,

cortinas, persianas, deixe deixe o sol entrar

e iluminar sua casa em em vez vez de acender

lâmpadas. Além de fazer muito bem ao seu

humor, você também vai economizar dinheiro no

fim do mês.

4

Mude sua geladeira e seu freezer de

4Mude Mude sua geladeira e seu freezer de

lugar. Ao colocá-los próximos do fogão

e e de áreas onde onde bate sol, eles eles utilizam

muito mais energia para compensar o ganho de

temperatura. Aproveite para avaliar com seus

botões: será que você precisa mesmo de um

freezer?

5

Não há nada mais fora de moda que usar

5Não Não há nada mais fora de moda que usar

a a mangueira de água para varrer a a calçada,

a a chamada “vassourinha hidráulica”. Em 15

minutos, 280 litros de água escorrem para o ralo

inutilmente. Espante a preguiça, pegue

a vassoura, junte a sujeira, recolha com

a pá e só depois enxague o chão.

6

Prefira consumir produtos

6Prefira Prefira consumir produtos

locais e da estação. estação. Eles não

precisam ser ser transportados de

longa distância e, por isso, a emissão

de carbono e de poluição é mínima.

Saiba que a última moda nos melhores

restaurantes da Itália é o “cardápio 0

km”, eles servem apenas pratos feitos

com ingredientes provenientes de

produtores da vizinhança.

Fonte: Revista Crescer

Consciência Ecológica

7

Despreze os produtos descartáveis.

7Despreze Despreze os produtos descartáveis.

Escolha os feitos para serem duráveis, duráveis,

como era nos tempos tempos de nossos avós.

Tenha a certeza de que com essa simples atitude

você estará dando o pontapé inicial para diminuir

a quantidade de lixo que a humanidade produz.

8

Ao fazer compras, leve sua própria sacola,

8Ao Ao fazer compras, leve sua própria sacola,

de preferência as de pano resistente.

Com esse gesto simples, você deixará de

participar da farra das sacolinhas de plástico, que

entopem cada vez mais os lixões das grandes

cidades.

9

Prefira o papel ecoeficiente ou o reciclado.

9Prefira Prefira o papel ecoeficiente ou o reciclado.

A produção produção do ecoeficiente usa usa os os

recursos da natureza de maneira racional.

Tem como matéria-prima o eucalipto plantado

para essa finalidade e colhido após sete anos.

Para ficar com a aparência que todos conhecem,

enfrenta processo de braqueamento. O papel

ecoeficiente é feito de fibra de árvores manejadas

de forma sustentável, evitando o impacto negativo

no meio ambiente.

10

“Plante uma árvore. Ela pode absorver

“Plante uma árvore. Ela pode absorver

até 1 tonelada tonelada de CO2 durante sua sua

10“Plante

10até

10vida vida e é bom abrigo abrigo para aves”. Se

você é daqueles que não gostam de sujar as

mãos, aos menos inscreva-se em programas de

plantio pela internet, como o Clickarvore.


Novamente, nossa Revista

EM REDE volta a se

comunicar com vocês,

revelando a beleza da vida,

muitas vezes escondida, no diaa-dia

do nosso fazer educativo. Assim, nos convida a

passar suas folhas numa atitude de contemplação, de

quem sabe parar, olhar e perceber a vida que borbulha em

nossas crianças, em nossos jovens e na busca pertinaz dos

educadores(as) que descobriram o valor pedagógico do

“educar evangelizando”.

Valor pedagógico e também grande desafi o, mormente

em nossos dias, em que a humanidade precisa de um longo

caminhar para descobrir e incorporar os valores evangélicos

da fraternidade, solidariedade, partilha e doação de si.

Encaramos esse desafi o na esperança de que nossas crianças

e jovens, animados pelas atitudes de seus educadores(as),

possam assumir práticas cooperativas em defesa da vida

ameaçada, do pobre injustiçado, dos direitos humanos.

Ao nos brindar com uma refl exão sobre o nosso modo

próprio de educar, oferece-nos propostas claras de como

podemos atualizá-lo em nossos dias, ao mesmo tempo em

que nos impele a nos questionarmos sobre quem é o jovem

de hoje, como a escola se prepara para se relacionar com ele

e qual o papel do ambiente escolar nesse processo.

Com essas preocupações, a Revista EM REDE nos

convida a nos debruçarmos sobre um Tema candente: MEIO

AMBIENTE.

“É preciso promover a ecocidadania, ou seja, que as

pessoas tenham uma mentalidade e uma prática de vida

ecocidadã e que a geração contemporânea adquira um

comportamento ético com relação às gerações futuras.

Além de fazer com que todos se sintam parte do todo, a

ecologia tem o desafi o de fazer com que esta geração se

considere irmã das futuras gerações, com as quais temos o

compromisso de lhes preservar o direito à vida.”(P. 13)

É esperançoso perceber que nossas crianças e jovens

estão assumindo com seus educadores(as) esse grande

desafi o, não apenas através de suas pesquisas e refl exões,

mas se colocando na “ativa”, através de práticas que aliam

a preservação do meio ambiente com a promoção social.

ediTOriaL

Prosseguindo em nossa atitude de contemplação, a

Revista EM REDE nos propõe mais uma pausa, para nos

maravilharmos com uma realidade que vai tocar em nossos

corações: os 40 anos da Obra Social São José Operário, em

Belo Horizonte. Gerações foram acolhidas nessa escola

por educadoras Filhas de Jesus que, imbuídas do ideal de

Madre Cândida, souberam cativar educadores(as) leigos(as)

para descobrirem em si mesmos(as) o carisma de “educar

evangelizando.” Hoje, cheia de vida, a Obra prossegue em

sua trajetória em meio a grandes desafi os, sim, mas envolvida

pela fé em Deus e pela certeza de que o ser humano merece

toda nossa dedicação e amor.

Com igual alegria traz para nós o testemunho de alunas

do Centro de Educação e Assistência Social Stella Maris

que, desde o ano 2000, abriu suas portas para receber,

preferencialmente, a população carente do entorno do

Vidigal, Rio de Janeiro. E, ainda, nos convida a constatar

que, com a mesma dedicação, o IECJ de Bragança Paulista

descobre meios de atender, em estudos avançados,

alunos(as) que queiram ir além, desafi ados pelo desejo do

quero mais.

Ampliando nosso leque de abrangência educacional,

o encontro Latino-Americano e Caribenho de Religiosas

e Leigos (as) sobre os Exercícios Espirituais veio abrir

caminhos de integração e fortalecimentos de nossa

espiritualidade e missão.

Envolvidas(os) pelo desenrolar da vida de nossas

escolas e obras sociais, nos deparamos com o convite a nos

prepararmos para um JUBILEU, isto é, para plenifi carmonos

de júbilo, de grande alegria, pois dois importantes

acontecimentos nos aguardam: 100 anos da chegada das

primeiras Filhas de Jesus ao Brasil (1911) e 100 anos da

Páscoa defi nitiva de nossa querida Madre Cândida Maria de

Jesus (1912).

Falta ainda muito tempo? Pode parecer! Mas o tempo

passa rápido e queremos curtir a preparação, pouco a

pouco. Participe conosco dessa “curtição”!

Zélia do Christo Rei Moura, F.I.

Conselho Editorial

E-mail: seiaszm@terra.com.br

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

1


Expediente

Revista Em Rede – Congregação das Filhas de Jesus

Sociedade de Educação Integral e de Assistência Social

Ano IV - Nº 06 - Julho 2009

Tiragem: 10.000

Distribuição Gratuita

Congregação das Filhas de Jesus

Governo Provincial do Brasil

Ir. Sônia Regina Rosa - Superiora Provincial

Ir. Josephine Hausmann - 1ª Conselheira Provincial

Ir. Regina Stella de Castro Queiroz - 2ª Conselheira Provincial

Ir. Vera Lúcia Ladeia Ramos - 3ª Conselheira Provincial

Ir. Reginalda Mendes Barbosa - 4ª Conselheira Provincial

Conselho Editorial

Ir. Maria José Alves Machado

Ir. Regina Célia Oliveira

Ir. Sônia Regina Rosa

Ir. Zélia do Christo Rei Moura

João Bosco de Castro Teixeira

Márcia Regina Simi Lima

Maria Henriqueta Mangolim Mimessi

Maria José Brant

Rosélia Maria Gadens Jalbut

Redação / Jornalista Responsável

Graziela Cruz - Reg. MT 3894/MG

LetraA Comunicação

Tel.: (31) 2515-9810

E-mail: grazielacruz@hotmail.com

Assessora de Comunicação e Marketing

Izabela Chaves Ribeiro

Contato: (31) 3337-8755

E-mail: comunique@seias.com.br

Projeto Gráfico e Editoração

Inovart Comunicação

Tel.: (31) 3075-9732

E-mail: inovart@inovartonline.com

Ilustração

Mirella Spinelli

2 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

Sumário

O desafio de evangelizar educando ...............3

Ecos do primeiro encontro latinoamericano

e caribenho sobre os exercícios

espirituais inacianos ...................................................4

Uma nova escola para nossos jovens ..........6

Especial meio ambiente ...........................................8

Gaia, nossa casa comum .......................................9

Que planeta deixaremos para as

próximas gerações? .................................................10

Consciência ambiental planetária: a

força educativa que nos move .......................13

O desafio da limpeza urbana ..........................14

Ecologia: grito da vida, grito de Deus .......16

Educação para a preservação .........................18

Ascamare.........................................................................19

Passeios-estudo: uma forma divertida

de aprender ..................................................................20

Educação ambiental para além da

escola ................................................................................20

No IEI de Campinas, óleo vira sabão e

renda ..................................................................................21

A Santíssima Trindade criadora ......................22

Novos caminhos para novos desafios........23

Obra Social São José Operário

celebra 40 anos de conquistas ......................24

A caminho do Jubileu ...........................................26

Curso de Renovação ..............................................28

O Stella Maris em minha vida... ......................30

Presença de fé e esperança no meio

dos pobres .....................................................................31

Juventude conta com Equipe Provincial

de Assessoria ...............................................................32

Olimpíada esportiva e cultural agita

Mogi Mirim/SP .............................................................33

Votos Perpétuos de Joseilda Aparecida

Andrade Borges ..........................................................33

Encontro Regional de Missionários e

Missionárias Madre Cândida - “Não há

cristianismo sem missão” ....................................34

Evoluir sem perder o referencial... .................35

Curiosidade e diversão .........................................36


O NOssO MOdO PróPriO de educar (NMPe) NOs dias de hOje *

O desaFiO de

eVaNGeLiZar educaNdO

“A partir de nosso posicionamento como ensinantes, necessitamos nutrir a própria autoria

e a permissão para descobrir nossa singularidade, nossa diferença, nossa marca e partindo

disso, abrir espaços de criatividade” (Alicia Fernandez)

Conhecemos inúmeras transformações históricas.

Muitas delas foram processos de construção.

Outras, de aparente desconstrução, como parte

do dinamismo que a vida impõe.

Certamente, foi em busca de transformar e construir

que Madre Cândida fez realidade seu sonho de “ EDUCAR

EVANGELIZANDO E EVANGELIZAR EDUCANDO”. “A

vivência e a transmissão entusiasta da mensagem cristã,

com toda a força de sua autenticidade, deve ser impulso

que anime sempre nossa ação” (NMPE 44) é destaque em

nossa ação educativa.

A mensagem cristã impregnada de claros valores

reconhecidos no aprofundamento do Evangelho de

Jesus Cristo dá ao documento uma atualidade que

sobrevive aos tempos e às realidades que se apresentam

no trabalho educativo das Filhas de Jesus.

Chegamos aos dias de hoje, buscando dar conta de

novos apelos: a ecopedagogia, a inclusão, a tecnologia

a competitividade, entre outros. À primeira vista,

parecem-nos antagonismos, como também devem ter

sido os desafios de outros tempos. Seguimos em frente

buscando resignificar o nosso modo próprio de ser e de

educar.

A vivência dos valores evangélicos, como caminho de

vida e de relações com o mundo, é nossa grande proposta.

Assim como Madre Cândida buscou respostas para

seu tempo, hoje também o fazem as Filhas de Jesus e

colaboradores(as). Sintonizados com o tempo histórico,

alargam-se iniciativas, reafirmando relações com os

leigos em reciprocidade, reconhecendo cada vez mais o

valor da partilha, da troca. Ampliam-se ações junto aos

empobrecidos, buscam-se reflexões e articulações mais

amplas em nível internacional, reconhecendo a riqueza

da troca na diversidade.

Aprofundar nossa identidade cristã, através de

práticas pedagógicas sintonizadas com nosso tempo,

necessita de práticas coletivas e mais cooperativas.

Práticas coletivas que acolham a diversidade, que

reconheçam a autoria de pensamento e integrem as

diferentes habilidades.

A combinação de elaborações individuais e coletivas

traduzem os diferentes talentos que vão enriquecer o

talento coletivo.

Educar evangelizando em nosso tempo é tarefa de

todos, de todas, de cada um e de cada uma, é colocar os

dons a serviço. É reconhecer e valorizar, como fez Jesus

Cristo, as diversas formas de expressão.

O caminho de práticas cooperativas no cotidiano da

escola, na sala de aula, no pátio e na vida é uma forma

privilegiada de oportunizar para nossas crianças e jovens

a vivência de valores que sustentam o amor, valor maior

do evangelho. Afinal, a vida, é preciso ser vivida em

partilha, em colaboração.

Márcia Regina Simi Lima

Colaboradora pedagógica do Centro Popular de Educação e

Assistência Social Stella Maris, no Rio de Janeiro, e membro da EPAE -

Equipe Provincial de Assessoria às Escolas da Rede Filhas de Jesus

E-mail: marciasimi@hotmail.com

* Nosso Modo Próprio de Educar é um documento que explicita convicções e intencionalidades na missão educativa das Filhas de Jesus e colaboradores (as).

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

3


ecOs dO PriMeirO eNcONTrO

LaTiNO-aMericaNO e

cariBeNhO sOBre Os

eXercÍciOs esPiriTuais

iNaciaNOs

“Alegro-me de que façam os santos Exercícios e tirem muito fruto para que sejam muito

santas e observantes das santas Regras...” (Madre Cândida, Carta 189 de 23/agosto/1900)

Um Encontro diferente no tema, na

dinâmica e nos participantes

Os Exercícios Espirituais Inacianos são “instrumento

para a nossa missão”, acentuou Irmã Sônia Regina Rosa,

provincial do Brasil, na abertura do Encontro, no dia 21

de fevereiro passado, em Bragança Paulista. Pela primeira

vez, na história de nossa província do Brasil, aconteceu

um Encontro para responder às “necessidades do mundo

de hoje de ajudar as pessoas em sua vida espiritual,

oportunizar os Exercícios Espirituais e o acompanhamento

pessoal” (Cf LVAF 20)*.

O encontro objetivou fortalecer os laços que unem

irmãs e leigos e leigas no mesmo desejo de evangelizar a

partir da força da metodologia dos Exercícios Espirituais e

por meio deste ministério. Mas, mais do que isto, delineou

um caminho de esperança e compromisso para integrar e

fortalecer a espiritualidade e a missão das Filhas de Jesus

e da grande família da Madre Cândida, na América Latina

e Caribe.

Participantes da ousada iniciativa eram irmãs e leigos

de seis países que partilharam experiências e sonhos. A

diversidade de línguas - português e espanhol - no jeito

de cada um dos países participantes - Argentina, Bolívia,

Brasil, Colômbia, Cuba, Venezuela - pediu dedicação e

simplicidade, mas não foi obstáculo na comunicação e

na busca conjunta.

As cartas e mensagens enviadas pela Superiora geral

e pelas provinciais de América nos animaram e alentaram

*LVAF é um documento da Congregação que ilumina a ação das Filhas de Jesus na atualidade.

4 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

a esperança e a certeza do chamado. Durante os três dias

respiramos um clima de discernimento com momentos

de oração pessoal e de partilha intercalados, e confronto

das moções na busca do querer de Deus. O que vimos,

ouvimos e tocamos revelou a ação de Deus no árduo

caminho de nossa história, como Corpo Congregacional,

para chegar a este momento de redescoberta e

reencantamento pelos Exercícios Espirituais inacianos,

fonte de nossa espiritualidade missionária.

Aconteceu muito diálogo entre os participantes

de diversas idades, lugares e experiências sobre o

significado dos Exercícios na vida pessoal e na vida

das pessoas que se dispõem a fazê-los em diversas

modalidades; foi cuidadosa a escuta, admirável a

sintonia, e um maravilhar-nos em cada experiência

com seus matizes próprios. Os desejos e a contribuição

de todos, particularmente das irmãs mais jovens e dos

leigos e leigas, desvelaram o medo que temos, às vezes,

de partilhar os Exercícios Espirituais entre nós, e a sua

tímida presença em nossa missão. Porém, a graça das

luzes do Espírito de Jesus foi pacificando inquietações e

ajudando a responder a alguns questionamentos. Como

traduzir a espiritualidade inaciana, sem perder o que lhe

é essencial, para as realidades nas quais hoje vivemos? Em

nossa Igreja, algumas vezes sem respostas, e ao mesmo

tempo com pessoas que buscam um sentido para viver

e para modificar a realidade, não temos nos Exercícios

uma boa Palavra viva? E o testemunho de unidade, o

assegurar espaços de oração na agitação e na desolação,

o agir para fazer acontecer a justiça social? Na Pastoral


juvenil e vocacional integramos a força da metodologia

dos Exercícios Espirituais? Como convencer-nos de que

a missão, a evangelização não se limita a “fazer”, mas a

transmitir uma experiência?

No Encontro, sentimos que os Exercícios Espirituais

Inacianos podem ser uma resposta atual para essas e

outras questões.

Sinais e ecos do Encontro

Os Exercícios Espirituais são um meio eficaz

de evangelização. Na América faz-se um caminho

em nossa missão de evangelizar educando, através

de várias modalidades de Exercícios Espirituais dados

a religiosas(os) e a leigas(os) das mais diversas idades

e contextos. Foram comentados os Exercícios na

vida cotidiana (EVC); as oportunidades de iniciação

e fortalecimento na oração inaciana com manhãs,

tardes, noites e dias de espiritualidade; os Exercícios

Espirituais em etapas; os Exercícios breves, também

chamados “leves”, de dois ou três dias, os de oito dias, os

personalizados, o mês de Exercícios. Há, ainda, irmãs que

participam em projetos de formação de multiplicadores

para o ministério dos Exercícios Espirituais.

Foram comunicados também testemunhos de leigas

e leigos que fizeram a experiência de Exercícios Espirituais

em etapas, em Leopoldina concretamente, incentivados

e acompanhados por Irmã Maria Ângela Sampaio de

Castro, de saudosa memória.

Pastoral marcada pela espiritualidade inaciana com

o toque feminino de Madre Cândida. Uma ressonância

foi-se confirmando: precisamos ser definidas em nosso ser

e em nosso anúncio. Não se trata apenas ou exclusivamente

de dar os Exercícios Espirituais, mas de vivenciá-los, e de

configurar toda nossa pastoral na dinâmica dos Exercícios.

Eles são integradores da pessoa, um caminho concreto de

experiência de Deus e anúncio de Jesus. Confiamos em

que os governos provinciais e locais podem favorecer esta

pastoral que tem sua identidade própria.

Juventude, um dos sinais mais significativos do

encontro. A presença e ativa participação de jovens Filhas

de Jesus no encontro foi sinal marcante de esperança.

Apaixonadas pela fonte de nossa espiritualidade

e animadas a encarná-la na missão desejam uma

preparação mais explícita na linha dos Exercícios

Espirituais. Poderão, assim, empreender a continuidade

do caminho. “Não se pode sepultar a luz, não se pode

sepultar a vida”, cantamos alguma vez.

Ecos do pós-encontro. Ficou o desejo de mais

iniciativas para integrar América e continuar abrindo

caminhos. A Equipe de Exercícios Espirituais de América

Latina e Caribe, dinamizadora do encontro, vai realizando

sua missão de ser incentivadora e “provocadora”.

E vão chegando animadoras notícias.

Em Caracas, duas irmãs participantes comunicaram

a experiência do encontro do Brasil às Irmãs que vivem

na Venezuela. De Bolívia, uma jovem irmã virá fazer, em

julho, o CAP1 (Curso de capacitação para orientadores e

acompanhantes de Exercícios Espirituais Inacianos, nível

1) no Centro de Espiritualidade Inaciana (CEI) de Itaici.

Do Caribe, chegou a notícia de que aumentou o

número de grupos que fazem o EVC em Cuba. Atualmente

são 22 grupos. E em Santo Domingo, capital da República

Dominicana, foram dados Exercícios Espirituais a um

grupo de professores e um dia de retiro na Semana Santa.

A Equipe Provincial de Espiritualidade do Brasil, para

concretizar algumas propostas do encontro, fez contato

com várias equipes assessoras do governo provincial

apresentando sugestões para uma evangelização a partir

dos Exercícios Espirituais e para o fortalecimento de nossa

espiritualidade em seu planos e realizações. Enviou uma

Carta à Direção e Grupos de Reflexão de todas as nossas

obras e escolas com o pedido de incentivo, colaboração,

apoio, corresponsabilidade na realização e ampliação

de iniciativas que oportunizem a experiência de Deus

segundo a espiritualidade inaciana. Também projeta um

encontro específico sobre os Exercícios Espirituais e sua

pastoral em 2010.

Queremos permanecer unidas e unidos a Jesus, o

tronco de onde vem a seiva da vida, e entre nós América

Latina e Caribe, para dar os frutos que Ele deseja (cf. Jo

15) como “filhas(os) no Filho”. Maria, a “Virgem que sabe

ouvir e acolher com fé a Palavra”, será sempre a estrela de

nossos caminhos.

Odette Bechara, F.I.

Coordenadora da Equipe de Exercícios Espirituais da América

Latina e Caribe e da Equipe Provincial de Espiritualidade

E-mail: seiasob@terra.com.br

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

5


uMa NOVa escOLa

Para NOssOs jOVeNs

Quem é o jovem de hoje e como a escola se prepara para se relacionar com ele? Quais os

espaços de construção da identidade juvenil e qual o papel do ambiente escolar nesse

processo? Essas e outras questões foram apresentadas pela professora Carla Linhares

Maia, em uma videoconferência realizada no dia 4 de abril a partir do Colégio Imaculada

Conceição de Belo Horizonte para todas as outras obras e escolas da Rede Filhas de Jesus.

Carla Maia é graduada em História, doutoranda em educação e membro do Observatório da

Juventude na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalhou

como professora do ensino fundamental e médio por 15 anos e hoje atua na formação de

educadores. Carla concedeu a seguinte entrevista à revista EM REDE:

1. Podemos dizer que o “mundo dos jovens”

está distante do “mundo da escola”? Ou, em outras

palavras, que o que a escola oferece e propõe não

corresponde aos reais interesses dos estudantes?

É difícil responder a essa pergunta de forma simples,

já que envolve uma relação de estudantes e escola, que

vem de longa data e que é preciso ser bem compreendida.

Em primeiro lugar, é importante dizer que o mundo do

jovem está na escola, dentro dela. Pesquisas mostram

que grande parte da população juvenil está presente na

escola, principalmente no Ensino Fundamental, sendo que

no Ensino Médio essa adesão é um pouco menor. Mas é

no ambiente escolar que crianças e jovens passam a maior

parte de seu tempo. Durante o dia, passam de quatro a

quatro horas e meia e, se pensarmos em termos da vida,

as crianças, adolescentes e jovens passam grande parte de

seu tempo nesse espaço escolar.

Por outro lado, esses jovens se encontram, também,

fora da escola. O mundo é muito maior e mais amplo

do que o ambiente escolar; extrapola o universo da

escolarização. O mundo apresenta uma gama variada de

vivências culturais, sociais, políticas, entre outras, que nem

sempre são gestadas dentro da escola. É preciso considerar,

ainda, que um grande número de jovens deixam a escola,

e o fazem, muitas vezes, porque não se interessam pelo

que a escola lhes oferece. Pesquisas mostram que muitos

jovens afirmam que a escola não lhes oferece aquilo que

eles necessitam.

Como eu disse, é um cenário complexo: de um lado

há um grande número de jovens que permanecem e

valorizam a escola, como espaço que atende a seus anseios

e projetos de vida. Esses jovens valorizam a escola porque

ela lhes confere certificação, é um espaço de prazer, de

socialização, com possibilidade de encontrar seus pares e

amigos. De outro lado, há aqueles que não têm interesse

pelo que ela lhes oferece.

6 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

A escola não pode ser pensada como uma instituição

total que dá conta de todas as demandas da juventude,

como transferência de saber, socialização, espaço de

preservação e transmissão do acervo cultural e histórico.

Nenhuma instituição pode responder por todas as

demandas. O que acontece é que a escola deixa a desejar

e acaba dialogando pouco com as outras instituições,

que podem completar o que lhe falta. A meu ver, a escola

precisa repensar os modos como se relaciona com os outros

saberes, com os gestores de outras instituições e espaços

sociais e culturais. Mais do que isso: precisa dialogar com

os próprios estudantes para saber quais são seus outros

espaços de vivência e experiência. Ela necessita perceber

quais são as especificidades do ambiente escolar para

melhor se posicionar no cenário complexo onde se insere

a juventude.

2. Qual deve ser o caminho para que a escola seja

um espaço que acolha a juventude contemporânea em

toda a sua complexidade?

Não há uma resposta definitiva, completa para essa

pergunta. Na verdade, há vários caminhos e várias pistas a

serem seguidos. Não há nenhuma instituição que dê conta

de todas as demandas e que consiga responder a todas as

questões. O mais importante é, antes de mais nada, a escola

se reconhecer como uma entre tantas outras instituições e

experiências sócio-culturais existentes, para dialogar com

elas. É preciso abrir-se para o diálogo, para ir ao encontro e

conhecer outros espaços de vivência e expressão juvenis.

E, assim, identificar aquilo que lhe é específico: um espaço

de produção de conhecimento, transferência de saber,

espaço de reflexão e socialização etc. É preciso repensar

métodos de ensino e aprendizagem e, mais do que isso,

repensar o discurso e a relação que estabelece com os

jovens em toda sua rica diversidade. Enfim, percorrer esse

caminho só será possível a partir de um movimento de

conhecer as tantas experiências que estão dando certo.

Projetos de escolas e redes públicas, Organizações Nãogovernamentais,

como a Ação Educativa, de São Paulo.


Não precisamos inventar a roda, mas buscar inspiração em

outras experiências que já estão no caminho certo.

3. As instituições tradicionalmente responsáveis

pela formação das crianças e jovens – a família,

a escola e a Igreja – têm sofrido profundas

transformações e perdido terreno para novas

“instituições”, representada, principalmente, pelas

novas tecnologias de comunicação, como a televisão

e a internet. Como a escola deve atualizar seu papel

de educadora?

As pesquisas têm revelado que, ao contrário do que se

pensa, essas instituições ainda têm um papel fundamental

na formação dos jovens. Por exemplo, é errada a ideia de

que a religião não é vista como importante pelos jovens.

Podemos perceber várias experiências de grupos de jovens

expressando sua fé e vivência religiosa e alguns programas

de televisão revelam essa realidade.

Da mesma forma, acontece com a família. Existe um

discurso de que as famílias estão desestruturadas, mas

o que vemos, conversando com os jovens, é a família,

ainda, como instituição fundamental para a vida deles.

É verdade que as famílias estão sofrendo profundas

transformações em suas dinâmicas e estruturas. Em muitos

casos, podemos não ter mais aquele modelo padrão de

família, mas mesmo nos novos modelos, a família ainda se

mantém como instituição básica na formação da pessoa.

Com a escola, é a mesma coisa. A novidade é que, a essas

instituições tradicionais, agregam-se novas: televisão,

internet, celulares, iPods, que se somam e se relacionam.

Na verdade, hoje vivemos em uma teia de relações e

nenhuma instituição tem a centralidade. Cada uma tem

sua especificidade que se soma à da outra, formando uma

cadeia de espaços e experiências significativas. O grande

desafio para a escola é se perceber no meio dessa rede e

reconhecer sua especificidade. Percebendo o que lhe é

específico, abrir-se para o novo que se apresenta na internet,

nos novos modelos familiares, nas novas expressões

religiosas e culturais. É fundamental que a escola perceba

que essas outras instituições e espaços de significação para

a juventude não concorrem com ela, mas, ao contrário, a

ela se aliam para formar a juventude. O importante é que a

escola se abra para dialogar, sem endeusar ou demonizar a

internet ou a TV, por exemplo, mas assumindo essas novas

tendências nos processos de educação.

A escola deve permitir que entrem, em seu ambiente,

as diversas expressões culturais, não para descaracterizála,

mas sabendo que isso é fundamental para o jovem. Deve

dialogar com as linguagens e expressões que são próprias

da juventude e perceber que elas são parte importante

do processo de formação humana, de aprendizagem da

cultura, da sociedade.

E uma coisa muito importante: a escola deve

reconhecer essas linguagens e expressões culturais não

como acessórios ou apêndices, mas como elementos

constituintes da forma dos jovens se relacionarem com o

mundo.

4. Como você afirmou, os jovens têm na escola

apenas mais um dos vários espaços onde constroem

suas identidades. Qual a importância dos educadores

extrapolarem os muros escolares para descobrirem

os outros espaços de significação para a juventude?

Como podem fazer isso?

Quando a escola reconhece que sozinha não dá conta

de responder a todas as questões do nosso tempo, dá um

passo significativo em direção a uma melhor relação com

os jovens e em direção ao reconhecimento de seu próprio

papel nesse processo.

Reconhecer e dialogar são atitudes fundamentais

para educadores na contemporaneidade. Quanto ao

“como” as escolas podem fazer isso, conforme eu disse

anteriormente, não é necessário partir do nada e inventar

caminhos. Já existem várias experiências positivas que

podem ser estudadas e servir de indicativos e inspiração.

É claro que nenhuma dessas experiências é completa e

definitiva, mas são bons pontos de partida.

Para mim, uma coisa muito importante é repensar a

formação do educador que lida com os jovens. O educador

que trabalha com a educação infantil tem uma formação

específica; o mesmo não acontece com os educadores

que trabalham com adolescentes e jovens. Acredito que

também esses educadores precisariam ter uma formação

que fosse para além dos conteúdos das disciplinas, mas

que contemplasse, também, a cultura, o universo juvenil.

Questões que são próprias desse momento de vida e que

constituem todo o dinamismo e complexidade da vida do

jovem.

Vou mais além: na elaboração do Projeto Político

Pedagógico e na organização dos espaços e tempos

do currículo, as questões da juventude devem estar

articuladas. O que vemos é que em muitos Projetos

Político Pedagógicos não se contemplam essas questões

que, nada mais são, do que a definição e percepção do

“a quem se destina”. O que nos anima é saber que há

várias experiências positivas acontecendo. Precisamos

trocar informações e divulgar essas experiências, para

construirmos novos espaços escolares, mais atentos à

realidade de nossos jovens.

Carla Linhares Maia

E-mail: clinharesmaia@gmail.com

Para conhecer experiências positivas de educação para adolescentes e jovens:

Observatório da Juventude – www.fae.ufmg.br/objuventude/

Ação educativa – www.acaoeducativa.org.br

Instituto da Cidadania – www.institutodacidadania.org.br

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

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MeiO aMBieNTe

8 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009


Gaia, NOssa casa cOMuM

Amar a Terra consiste em nutrir e cuidar a vida

que nela existe. E, para cuidar bem, se faz

necessário conhecer bem e melhor. Porque é

preciso “saber cuidar”. Para cuidar do nosso planeta,

é preciso compreendê-lo na sua história de vida e no

modo de vida daqueles e daquelas que deixaram seus

rastros sobre a Terra.

O planeta Terra é um satélite do Sol, que surgiu há 4,45

bilhões de anos. Distante do Sol a cerca de 150 bilhões de

quilômetros, a Terra é alimentada pela energia solar. Essa

energia chega na forma de radiações eletromagnéticas

equivalente a 1,95 caloria/cm², a cada minuto. A sua

posição com relação ao sol lhe dá uma temperatura

favorável para a existência de vida no planeta.

Esse planeta que amamos e queremos conhecer

melhor para bem cuidar é um grande organismo vivo e

que, por isso, é também chamado “GAIA”. Em Gaia a vida

não está apenas na sua biosfera, é um todo, um conjunto

de vitalidade. Trata-se de um macroorganismo vivo,

um sistema cibernético capaz de buscar os meios para

manter a vida. O sistema Gaia revela-se extremamente

complexo e de profunda clarividência. Esse sistema

possui uma inteligência ordenada, ordenadora e muito

superior à nossa. Tal inteligência consegue calibrar todos

os fatores, ordenar todos os organismos que compõem o

grande organismo Gaia.

No planeta Terra, o crescimento e o metabolismo da

vida produzem e regulam o ar respirável, a temperatura

agradável da Terra e as águas não-ácidas. Enfi m, tudo, de

forma conectada, trabalha em favor da vida, de todas as

formas de vida no planeta. A composição da atmosfera

do planeta Terra é formada especialmente por nitrogênio

e oxigênio. E, geralmente, esses gases reagem um com o

outro de forma explosiva. Mas, na Terra, isso não ocorre,

porque tudo é regulado pela vida. “O equilíbrio entre

nitrogênio, enxofre e carbono na atmosfera da Terra é

regulado pela vida. A vida e a Terra física, até mesmo a sua

atmosfera, evoluíram conjuntamente uma com a outra.”

Gaia é uma interligação de muitos trilhões de

microorganismos e outros organismos vivos. Ela é um

grande organismo vivo, regulado pela vida, onde todos

os organismos reagem e interagem as reações dos demais

organismos e tudo concorre para o favorecimento da vida,

para possibilitar a existência de vida. Gaia não é nenhum

MeiO aMBieNTe

deus ou ser supremo, ou uma entidade consciente que

quer preservar seus habitantes. Ela é um complexo

sistema de vida que quer manter-se vivo. “A vida

global preserva por si mesma as condições ambientais

adequadas mediante alterações do crescimento das

diversas populações de organismos.”

O início da existência para Gaia foi num ambiente

turbulentamente vulcânico e hostil e por mais de 3

bilhões de anos sofreu terríveis catástrofes e quedas de

asteróides. Gaia sempre sobreviveu a tudo, revertendo

certos malefícios para benefi ciar a vida. “Suas interações

reguladoras mantêm condições favoráveis para a vida

na Terra durante muitos bilhões de anos.” E, mesmo

não merecendo, nós humanos entramos na carona.

Ao longo dos últimos séculos, temos agido de forma

equivocada, causando danos ao planeta. “Mas o resto

da vida, que é microbiana em sua maior parte, ao cuidar

de si mesma, também nos dá uma chance de sobreviver

por muito tempo.” As mais diversas formas de vida, os

microorganismos vivos em Gaia atuam em favor da vida,

estão permanentemente gestando vida, renovando a

vida em todo o planeta. Isso acontece ao natural. Nós,

que sabemos decidir e fazer opções, podemos optar por

preservar a vida. E qualquer atitude nossa de cuidado

terá uma resposta positiva e saudável da natureza que

interage com as nossas ações.

Gaia é um macroorganismo vivo que reage em

defesa da vida e que já enfrentou várias turbulências e

se manteve vivo. Para manter a vida, Gaia já teve que se

livrar de milhares de espécies ao longo de sua biografi a.

E isso pode ser um indicativo de que Gaia seja forçada

a ter que se livrar da nossa espécie, atualmente, muito

destruidora da vida. Devido a certos comportamentos

humanos, que são destrutivos, a Terra tenha que passar

por novas adaptações para se manter viva. Pois, a sua

biografi a está marcada por muitas adaptações que lhe

permitiram continuar viva.

Frei Pilato Pereira

Frade Capuchinho da Província do Rio Grande do Sul

Blog: www.olharecologico.blogspot.com

E-mail: freipilato@gmail.com

Especial

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

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MeiO aMBieNTe

Fonte: http://blogdopiaui.wordpress.com/category/sao-francisco/

Especial

Que PLaNeTa deiXareMOs

Para as PróXiMas

GeraçÕes?

Dom Frei Luiz Cappio, bispo da diocese de Barra (BA) tornou-se internacionalmente

conhecido por sua luta contra o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Em

defesa do rio, o religioso realizou jejuns durante vários dias, em dois momentos distintos, e

mobilizou a opinião pública em favor da causa que defende. O bispo esteve na PUC Minas,

em Belo Horizonte, no dia 5 de maio de 2009, onde proferiu a seguinte palestra na abertura

do III Simpósio Internacional de Teologia e Ciências da Religião:

Que mundo deixaremos para nossos fi lhos, netos?

Que planeta estamos preparando para as futuras

gerações?

É uma questão elementar de justiça. O sagrado

direito que cada um de nós possui de poder viver em

um ambiente sadio, digno de seres humanos, propício

à vida com qualidade para cidadãos e cidadãs deste

planeta, corresponde ao igual dever que nos compete

de propiciar estes mesmos direitos às futuras gerações.

Herdamos um mundo, um planeta que nos foi legado por

aqueles que vieram antes de nós, que prepararam a casa

onde hoje moramos, onde vivemos, onde realizamos

nossa existência.

Cabe-nos fazer o mesmo para aqueles e aquelas que

virão depois de nós, que herdarão o planeta que tivermos

preparado para eles. Isso é uma questão de justiça.

Amanhã, quando o sol nascer de novo com seu calor

e vida; as fl ores nos acolherem com suas variadas cores e

perfumes; ouvirmos o canto dos pássaros e a brisa fresca

beijando nosso peito; nossos lábios sorverem as águas

puras da fonte enquanto contemplamos as verdes altas

montanhas e o azul profundo dos oceanos; poderemos

10 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

ouvir dos que virão depois de nós: “Obrigado pelo

mundo que vocês prepararam para nós. Obrigado pelo

planeta, qual jardim, que vocês nos legaram. Obrigado

pelas sementes de vida que vocês plantaram para que

pudéssemos colher seus abundantes frutos. Obrigado,

muito obrigado.”

Ou, depois de amanhã, quando não mais houver

amanhecer, mas apenas uma claridade enfumaçada,

coberta por nuvens ácidas; quando nossa visão

enfraquecida e nossos corpos se esvairem em feridas

purulentas provocadas pela radiação tóxica causada

pelo enfraquecimento da camada de ozônio; quando,

em vez de água, tivermos que beber um suco pastoso

de coliformes fecais temperado com ingredientes

químicos das mais nocivas origens; quando a paisagem

se tornar um imenso deserto sem vida, sem a canção

dos pássaros, sem a melodia de vozes humanas, porque

ninguém mais terá ânimo para cantar e sim para gritar

desesperadamente pelas dores lancinantes de ossos e

músculos em decomposição; e as mães, por amor, tiverem

que abortar os fi lhos para que não sejam mais sofredores

condenados a esse vale de lágrimas, ouviremos nossos

fi lhos e netos, com dedo em riste apontando para nós,


olhos esbugalhados, roendo palavras desconexas de ódio

e rancor, gritarem: “Malditos, demônios, fi lhos das trevas

e do mal, olhem para esse inferno para o qual fomos

condenados. Vocês são os responsáveis pela desgraça

que nos envolve, fazendo-nos desgraçados com elas.”

Preservação: questão de justiça

Que mundo, que planeta legaremos para nossos

fi lhos e netos? Isso é uma questão de justiça. Poderemos

ser justos cumprindo nosso sagrado dever de zelar e

cuidar dessa riqueza infi nita que nos foi confi ada, ou

podemos ser profundamente injustos assumindo a

postura irresponsável e inconsequente dos que apenas

exploram e usufruem do tesouro de incomensurável

valor que é a natureza, mãe da vida.

É questão de consciência, de pertença. É questão

de possuirmos ou não um sagrado senso de justiça.

De ter a sensibilidade de saber compreender o direito

que possuímos de viver em um mundo habitável com

dignidade, e o dever de corresponsabilidade de preserválo

para que outros também usufruam do mesmo bem. De

saber que este planeta é nosso lar. Fazemos parte dele.

Foi-nos entregue para nele viver, usufruir de seus bens e

riquezas. Cuidar para que os bens nele presentes possam

se perpetuar e para que as gerações futuras, como nós,

também possam tê-lo cheio de vida.

Como dizia nosso querido mestre Leonardo Boff :

“cuidar é outro nome para o amor e a melhor forma de

amar.” “Quem ama, cuida”. É justo que cuidemos do que

é de todos. É justo que, no trato das coisas de todos,

tenhamos o mesmo zelo como tratamos as nossas em

particular.

O mesmo cuidado que a natureza tem para conosco,

no sentido de prover, garantir e zelar pela nossa vida,

assim também nós recebemos do Pai do Céu a missão

de cuidar, prover e garantir a perpetuação dos bens e

maravilhas criadas que fazem parte do nosso planeta, o

Jardim do Éden. Ou, pela nossa decúria, transformá-lo no

inferno de Dante, impossível de nele viver. Isso seria uma

grande injustiça de nossa parte.

No último dia da criação, depois que tudo estava

pronto, e o Senhor viu que “tudo era bom”, criou o homem

e a mulher e lhes outorgou a missão de cuidado para

com a obra criada. Fez-nos guardiões da natureza. Este

é o sentido bíblico do “dominai a face da terra”. O termo

“dominai” vem de latim “dominus” que signifi ca “senhor”.

Daí a palavra domingo, que signifi ca “dia consagrado ao

Senhor”. O dia do descanso. Como o pai cuida dos fi lhos,

como a mãe é capaz de dar a própria vida pela vida dos

fi lhos, assim também fomos constituídos senhores no

sentido da paternidade de quem cuida, na maternidade

de quem vela.

Mas esta passagem belíssima do Gênesis foi

entendida por nós dentro da ótica masculina do ser dono,

do explorar, na violência do destruir, na ganância do

lucrar, na vaidade do usufruir sem limites. Deturpamos o

pensamento original do Criador e impusemos nossa visão

dominadora, destruidora, violenta e desrespeitadora.

Enquanto o Senhor tudo realizou dentro de um plano

perfeito e harmônico, respeitoso e amoroso, e nisso

manifestou a Justiça Divina, nós manifestamos a injustiça

humana no entendimento e prática deturpada do

pensamento do Senhor.

Chamamos para nós os atributos do Criador. Não

somos os donos da criação. Somos apenas os seus

zeladores e cuidadores.

Sejamos “bons pastores”

MeiO aMBieNTe

O autor do quarto evangelho nos ensina, no capítulo

10 de seu Evangelho, que o Senhor é o Bom Pastor.

A justiça do Bom Pastor se manifesta no seu imenso

amor e cuidado. O Bom Pastor é aquele que ama suas

ovelhas, cuida de seu rebanho. Leva-o para as pastagens

verdejantes e para os regatos de águas águas cristalinas. O Bom

Pastor defende o rebanho dos inimigos, do lobo cruel e

voraz. Está sempre atento para que nada de mal aconteça

a nenhuma de suas ovelhas. Esse é o Bom Pastor. É

capaz até, se preciso for, de dar a vida por suas ovelhas.

Sacrifi car-se por elas. Ser crucifi cado para “que tenham

vida e a tenham em abundância”.

Essa é a herança espiritual daqueles e

daquelas que assumem a missão de pastorear,

de caminhar junto, mas na linha de frente

do rebanho. Os seguidores do Bom Pastor

recebem a mesma tarefa, a mesma ordenança,

a mesma missão. A de serem justos como

Especial

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

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MeiO aMBieNTe

Especial

o Bom Pastor. Isso nos faz discípulos e missionários do

Deus da Vida e da Justiça. Semeadores do bem e da paz.

Testemunhas da justiça maior. Chamados a viver em uma

ordem justa e fraterna. Fazer com que o leite e o mel

continue escorrendo pelos favos da existência humana.

Garantindo que todos, todos sem exceção, tenham o

direito de uma vida saudável, ética, digna de ser vivida.

Enfi m, uma vida baseada na justiça. Essa é a vocação do

pastor. Para isso ele foi chamado. E é isso que dá sentido e

razão de ser para sua existência. A plenitude da realização

do pastor é, à imagem do Bom Pastor, poder doar a

própria vida pela vida de cada ovelha, de todo o rebanho.

Para o pastor iluminado pelo Bom Pastor, o gastar-se é

tornar-se mais rico, o doar-se é plenifi cação, o morrer é

viver com abundância.

Mercenários existem muitos e muitas. Homens e

mulheres injustos que se travestem de pastores, mas

cujas intenções são maléfi cas. São lobos perigosos e

vorazes que se aproveitam da simplicidade e carência do

rebanho para fazer acontecer suas intenções sórdidas.

Devagar o rebanho vai discernindo e sabendo diferenciar

o bom pastor do mercenário. O justo do injusto. “Pelos

frutos se conhece a árvore”. O tempo se encarrega de

mostrar a verdade dos fatos e das reais intenções. “Não

há nada oculto que não venha a ser revelado, não há nada

escondido que mais cedo ou mais tarde não apareça”. As

questões sociais nos permitem conhecer e distinguir o

pastor do mercenário. Aqueles que realmente são justos

e estão a serviço do rebanho e aqueles que são injustos

e se aproveitam do rebanho para satisfazer seus próprios

interesses.

É no entendimento e na consciência de nossa missão

de pastores que se funda a capacidade de doarmos a vida.

E isso se faz com a máxima alegria e generosidade. É no

entendimento e na consciência do verdadeiro sentido da

justiça que nos tornamos construtores do Reino de Deus.

Rio São Francisco: gerador de vida

O Rio São Francisco é o Pai e a Mãe de todo um povo.

É o que garante a água que milhões de seres humanos

bebem, comem do seu peixe e se alimentam dos frutos

das terras banhadas por suas águas. O Rio São Francisco é

o gerador de vida para uma imensidade de outras vidas. O

“Velho Chico” não pode morrer. Da vida do “Velho Chico”

depende a vida de milhões de outros seres.

Existem no Brasil rios ainda bem maiores que o

São Francisco. Mas o que faz a diferença é o fato de

ele percorrer o semi-árido brasileiro. Região de muita

carência de chuvas. Águas temos com certa abundância,

mas concentradas em alguns rios e na imensa rede de

açudes existentes. Necessitamos urgentemente distribuir

12 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

esta água concentrada para as populações difusas

de todo o semi-árido. E isso é uma questão de justiça

ambiental, pois a democratização da água é uma tarefa

essencial para a manutenção da vida, pois ninguém pode

fi car sem ela.

Se o Projeto de Transposição de Águas do Rio São

Francisco tivesse como objetivo e meta a distribuição

da água para as populações difusas, praticar a justiça

ambiental e evangélica de “dar de beber a quem tem

sede”, nós seríamos os primeiros a ser de acordo com

o projeto. Apoiá-lo-íamos incondicionalmente. Mas a

prioridade do Projeto de Transposição é a segurança

hídrica em função dos grandes projetos agro¬industriais.

O uso econômico da água, antes de cumprir sua função

essencial que é o dessedentamento humano e animal,

faz o projeto tornar-se anti-ético e, portanto injusto, pois

inverte as prioridades no uso da água.

O Rio São Francisco imita o santo de seu nome. O

santo São Francisco nasceu de família abastada. Quando

conheceu o sofrimento dos pobres de seu tempo, deixou

toda a riqueza da família e foi para o meio dos pobres e

dos pobres mais pobres que eram os leprosos. Dedicou

toda a sua vida a eles. Encarnou o verdadeiro sentido e

espírito da justiça humana.

O Rio São Francisco nasce na Serra da Canastra, no

sudoeste do estado de Minas Gerais, uma das regiões

mais ricas do Brasil. Poderia tomar a direção do leste

ou do sul, regiões igualmente ricas. Mas não, faz uma

curva e se dirige para o nordeste. Coloca toda a sua

potencialidade a serviço dos pobres do sertão brasileiro.

É o rio que imita o santo de seu nome. O rio testemunha a

justiça do seu santo padroeiro. Por isso dizemos, o Rio São

Francisco é o pai e mãe de um povo. Aquele que supre

suas necessidades essenciais, vitais.

Ser pastor nas barrancas do São Francisco é garantir

vida e vida abundante aos barranqueiros. Vida abundante

aos barranqueiros signifi ca vida abundante ao “Velho

Chico”. Diante das inúmeras agressões causadas ao

nosso rio, agressões essas geradoras de doença e morte,

o pastor não pode manter-se calado. É sua missão, é seu

dever praticar a justiça, ser testemunha da justiça maior,

erguer a voz, colocar suas forças no sentido de garantir

vida ao rio, pois na vida do rio, está a vida do povo.

É por isso que, diante de todas as ameaças de morte

causadas ao rio e ao povo, o pastor se levanta, grita bem

alto, qual João Batista no deserto, arrisca a própria vida,

pois “onde a razão se extingue, a loucura é o caminho”.

Para salvar o Velho Chico, salvar a biodiversidade, salvar

os povos ribeirinhos, salvar os seres humanos, salvar o

planeta, salvar a vida, vale a pena doar a própria vida.

Vale a pena morrer para que tenham vida e vida em

abundância. E assim se cumpre toda a justiça.


cONsciÊNcia aMBieNTaL

PLaNeTÁria: a FOrça

educaTiVa Que NOs MOVe

Num mundo onde catástrofes naturais tornaramse

alvos de especulação e exposição midiática;

onde o terrorismo psicológico afasta a esperança

e a crença em tempos melhores; onde a transformação

brutal dos recursos naturais tornou-se banalizada

pela exploração do capital e pela institucionalização

da corrupção, aí se encontra nossa missão enquanto

educadores: possibilitar, através de exemplos, refl exões,

estudos, a formação de uma consciência ambiental

planetária, que permita ao educando perceber-se

passageiro de um tempo e de um espaço universal,

exigente de responsabilidade e compromisso para com

a vida, a ética, a justiça e a paz. Uma consciência que

se torne sustentável, marcada por princípios morais,

éticos, humanos e cristãos, facilitadora de caminhos que

contribuam para a construção de um mundo melhor.

É próprio do ser humano responsabilizar o passado,

omitir o presente e postergar o futuro. É fator de nossa

fraqueza existencial o comodismo, o “deixar para

depois”, o observar para aplaudir ou criticar e exigir

que se reconstrua uma nova ideia, uma nova proposta.

Nossa visão de tempo e espaço não nos permite, às

vezes, compreender que o tempo é momento: o passado

resume-se a um segundo antes do agora; o futuro, a um

segundo depois de agora. Se o agora for assumido como

presente, daí brotará nossa consciência: somos seres para

transformar o mundo e não apenas para passar por ele

de maneira incólume, ausente de responsabilidade e

de percepção de um ideal coletivo. Quando se trata de

refl exões sobre o meio ambiente, torna-se mister assumir

esse ideal, respaldado em ações concretas, em propostas

de soluções muito além do que a simples exposição

de problemas.É urgente repensar nosso modelo de

desenvolvimento e analisar de que forma cada um de nós

contribui para criar um mundo mais justo e sustentável.

Analisando as diretrizes do Nosso Modo Próprio

de Educar, a partir de uma percepção socioambiental,

MeiO aMBieNTe

encontramos os princípios da Ecologia de Madre

Cândida e da Rede Filhas de Jesus, para quem a educação

não se faz apenas com “as ideias transmitidas por nossas

palavras, mas com toda a pessoa. Educa-se com a própria

vida, quando nela os valores proclamados estão de fato

assumidos, tendo sempre em conta que, mais importante

que o dizer – e mais até do que o fazer – é o ser”. E é essa

preocupação com o ser, com nossa condição existencial

e cristã, que, enquanto membros da comunidade

Colégio Imaculada Conceição, somos movidos pelo

amor como valor prioritário em nossas ações educativas,

defendendo uma educação socioambiental pautada no

equilíbrio, no sentido crítico, na justiça, na objetividade

e no desenvolvimento integral da pessoa; defendendo

uma bandeira de luta pela vida a partir do respeito à

natureza e toda a sua dinâmica – bandeira esta que se

exemplifi ca pelos valores de Madre Cândida, que nos

convida a sermos testemunhos de fé em tempos de

incertezas, angústias e medo pelo que virá.

Pensar em meio ambiente é pensar na vida em sua

plenitude; é resgatar o “eu-cristão” numa dimensão

franciscana de perceber que precisamos louvar cada

elemento da natureza, pois dela somos frutos, dela

depende a nossa vida. Ela é muito mais do que o ar, a

água, a terra fecunda, a fauna, a fl ora – é meio que nos

move para nos aproximar de Deus e por Ele fazermos jus

à dádiva de nossa existência; é condição inaciana para

nossas refl exões enquanto oramos, quer pedindo ou

agradecendo.

Janderson Nóbrega Mendonça

Coordenador da área de Ciências Humanas e Sociais do Colégio

Imaculada Conceição, em Leopoldina (MG)

E-mail: jadersonnobrega@leopoldina.com.br

Especial

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

13


MeiO aMBieNTe

Especial

O desaFiO da

LiMPeZa urBaNa

O

maior ecossistema criado pelo homem são

as cidades. É nesse tipo de ecossistema que

atualmente vive a maioria dos seres humanos

na terra. A cidade produz pouco ou nenhum alimento,

consome oxigênio, combustíveis, água e alimentos.

Em contrapartida, excreta despejos orgânicos e gases

poluentes para a atmosfera. À medida que as cidades

crescem, os problemas aumentam, entre eles, o lixo.

O lixo é basicamente todo e qualquer resíduo sólido

indesejável e que necessita ser removido por ter sido

considerado inútil por quem o descarta. O modo de vida

das sociedades infl uencia na quantidade e na qualidade da

composição dos resíduos sólidos descartados. Os países

de baixa renda produzem mais matéria orgânica que os

países de alta renda, onde predomina em seus resíduos

sólidos, maior variedade de materiais industrializados,

tais como papel, metais, vidros e plásticos.

O desafi o da limpeza urbana não

consiste apenas em remover o lixo, mas

principalmente em dar um destino fi nal

adequado aos resíduos coletados.

14 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

Lixões, aterros controlados e

aterros sanitários

• Lixões – São locais onde o lixo coletado é lançado

diretamente sobre o solo sem qualquer controle e

sem quaisquer cuidados ambientais, poluindo tanto o

solo, quanto o ar, as águas subterrâneas e superfi ciais

das vizinhanças. Além dos problemas sanitários com

a proliferação de vetores de doenças, acaba atraindo

indivíduos que fazem da catação do lixo um meio de

sobrevivência.

• Aterro controlado – É uma forma de se confi nar

tecnicamente o lixo coletado sem poluir o ambiente

externo, porém, sem promover a coleta e o tratamento

do chorume e a coleta do biogás (metano).

• Aterro sanitário – É um método para disposição

fi nal dos resíduos sólidos urbanos, através do seu

confi namento em camadas cobertas com material

inerte, geralmente solo, segundo normas operacionais

específi cas, de modo a evitar danos à saúde e ao meio

ambiente. Nele há a coleta e tratamento do chorume,

assim como a drenagem e a queima do biogás, inclusive


podendo gerar energia através da sua

queima.

• Usinas de triagem – Possuem como

objetivo diminuir a quantidade de lixo

que irá depois para os aterros, retirando

os materiais que podem ser reutilizados

ou reciclados.

• Usina Verde – Gera energia com a

queima das embalagens descartadas.

Separação do lixo

Nem todos os lugares possuem

coletas seletivas onde sejam separadas

matérias como vidros, metais, plásticos,

papéis etc. Entretanto, mesmo nos

lugares onde não existe esse serviço, é

possível darmos a nossa contribuição,

separando o lixo em grupos, tais como:

• Materiais orgânicos (úmidos) –

cascas de fruta, ovo, legume, verdura,

folha de árvore, grama, serragem etc.

Nas casas com quintal, uma boa solução

é transformar este material em adubo,

através de uma composteira.

• Materiais secos – papéis, metais,

vidros, plásticos, caixas tipo “longa vida”.

• Óleo de cozinha – Cada litro

de óleo despejado no esgoto tem

capacidade para poluir cerca de um

milhão de litros de água. Além disso,

prejudica o funcionamento das estações

de tratamento de água. O acúmulo de

óleos e gorduras nos encanamentos

pode causar entupimentos, refl uxo de

esgoto e até rompimentos nas redes de

coleta. Para retirar o produto e desentupir

os encanamentos são empregados

produtos químicos altamente tóxicos. Ao

chegar aos rios, o óleo forma uma fi na

camada sobre a superfície, que diminui

sensivelmente a passagem de luz e

oxigênio, asfi xiando os peixes. Existem

empresas que recolhem o óleo usado

transformando-o em sabão ou biodiesel.

• Pilhas e baterias – As pilhas e

baterias utilizam metais pesados como

chumbo, mercúrio, níquel, cádmio entre

outros, que causam impactos negativos

sobre o meio ambiente e, em especial,

sobre o ser humano. Existem lixeiras

especiais espalhadas pela cidade para

esses materiais.

A importância dos 3 “RS”

• Reutilizar – É usar uma mesma

embalagem mais de uma vez, tendo a

mesma fi nalidade ou uma nova. Exemplo:

A garrafa PET pode ser reutilizada para

guardamos objetos, para a confecção de

pufes, sofás, cinzeiros etc.

• Reciclar – É a transformação

da matéria prima do material para a

fabricação de um novo produto. Exemplo:

A transformação química e física da

garrafa PET em fi bras de poliéster para

a fabricação de tecido para roupas é um

processo de reciclagem.

• Reduzir – Mais importante que

reciclar e reutilizar é reduzir o máximo

possível o consumo de embalagens.

Exemplo: Levar bolsas de pano para

os supermercados em substituição às

sacolas plásticas. Evitar as embalagens

desnecessárias como bandejas de

isopor para transportar frios, e optar por

produtos que possuam refi l.

É fundamental e urgente que a

humanidade se dê conta do seu

impacto neste planeta e busque,

na medida possível, modifi car

os seus padrões de consumo,

promovendo ações efetivas de

redução do lixo.

André Ribeiro

Professor de Educação ambiental e Geografi a

no Centro Popular de Educação e Assistência

Social Stella Maris, no Rio de Janeiro

E-mail: semeandoo@yahoo.com.br

MeiO aMBieNTe

Especial

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

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MeiO aMBieNTe

Especial

ecOLOGia: GriTO da Vida,

GriTO de deus

a ecOLOGia NuMa PersPecTiVa crisTã

A

evolução do capitalismo e do neoliberalismo no

mundo se deu de uma forma aparentemente

“inevitável”. E, com esse modelo econômico, aumentou

a exploração dos recursos naturais e dos solos, dos animais e

dos vegetais. Para começo de conversa, o modo de produção

do capitalismo introduziu os produtos tóxicos na cadeia

alimentar e o consumo excessivo de combustíveis fósseis.

Toda essa problemática existente é a “fatura” que temos de

pagar por conta do descontrole reinante no desenvolvimento

do capitalismo mundial.

Grande parte do progresso econômico nas sociedades

capitalistas resulta da exploração das fl orestas, dos solos,

do mar e dos cursos de água. Nos últimos anos, a ecologia

e a economia vivem numa relação confl itiva. No inicio, esse

confl ito partia de uma preocupação da ecologia com o

impacto que o crescimento econômico causava no meio

ambiente. Mas, hoje, as preocupações estão mais direcionadas

para o impacto das tensões ecológicas sobre as expectativas

econômicas. Isto é, os grandes produtores que sempre

exploraram e poluíram o meio ambiente, hoje temem que as

alterações climáticas, as tempestades, chuvas ácidas e ventos

ciclônicos possam prejudicar os rendimentos econômicos

de suas produções. Hoje, não faltam capitalistas buscando

soluções ecológicas para suas crises econômicas.

José Antônio Lutzenberger, importante ecologista, ainda

na década de 70, alertava para vários problemas ecológicos

que a humanidade começava a sofrer. Deparamos-nos com a

degradação dos últimos ecossistemas intactos e, anualmente,

dezenas de milhares de espécies são exterminadas. A

cada dia que passa, o solo vai perdendo sua produtividade

devido à erosão e ao envenenamento generalizado da agroquímica.

Os grandes e pequenos sistemas hídricos vão se

desequilibrando, acentuando com mais força as estiagens e

cheias.

Devido à grande poluição, vivemos hoje o medo de

perdermos em breve a potabilidade dos últimos mananciais

de água, podendo chegar a acontecer “a eliminação de

todas as formas de vida aquática no planeta, inclusive nos

oceanos”, afi rma Lutzenberger. São tantos os desequilíbrios,

que a própria espécie humana está desequilibrada. A vida nas

grandes cidades se torna cada vez mais desagradável para

todos os seus habitantes.

Além da exploração da natureza, o atual modelo de

desenvolvimento é marcado pela exploração do mais forte

sobre o mais fraco. O espírito consumista da atual civilização

favorece uns poucos que possuem grande poder de compra

em detrimento de uma grande maioria que vive excluída.(1)

16 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

A ecologia está diante de inúmeros desafi os que devem

ser enfrentados com participação de todos. Ou seja, a ecologia

deverá ter muitos aliados. É fundamental que todas as ciências

se ocupem dos assuntos ecológicos, e, da mesma forma, as

religiões e demais instituições que queiram promover o bem

estar de toda a comunidade planetária.

Ecologia, desafi o urbano

A ecologia encontra desafi os em toda parte do mundo, mas

as grandes cidades causam maior preocupação. Há 20 anos, a

ecologia urbana se ocupava praticamente da poluição do ar e

do abastecimento de águas. Hoje, aparecem problemas como

a “impermeabilização de solos, edifícios doentes, emissão de

gases do efeito estufa, produtos nocivos à camada de ozônio,

intoxicação por inseticidas domésticos, contaminação por

amianto”(2). E, nas periferias das cidades, em geral, é enorme

a falta de saneamento básico. O jornal Folha de São Paulo

(3) publicou um estudo sobre o saneamento básico no

Brasil, revelando que esse é um grande inimigo da vida dos

brasileiros. Segundo o estudo, a falta de saneamento básico

no Brasil mata mais do que a criminalidade. O ano utilizado

para a pesquisa foi o de 1998, quando se registrou a morte

de 10.844 pessoas por falta de saneamento. E o problema

consiste, principalmente, no desvio de verba do setor. É

importante salientar que a partir dessa pesquisa os governos

não priorizaram esta área.

Além de viverem grandes problemas ambientais, as

populações urbanas são as grandes consumidoras de

recursos da natureza. As práticas de consumismo são mais

acirradas nas grandes cidades. Liana John, que atua na área

de Ambiente, Ciência e Tecnologia junto à Agência Estado,

mostra um relatório divulgado pelo World Watch Institute,

em que as cidades que ocupam apenas 2% da superfície do

planeta, são responsáveis pelo consumo de 76% da madeira

industrializada e 60% da água doce. O relatório também

mostra que somente a cidade de Londres, na Inglaterra,

para obter alimentos e madeira para o sustento de seus

habitantes, precisa de uma área 58 vezes maior do que a que

ocupa. Se esse padrão de consumo fosse estendido a todas as

populações urbanas do mundo inteiro, haveria a necessidade

de três planetas Terra para que todos pudessem se sustentar.

A tendência é de que aumentem sempre mais as populações

urbanas. No ano 1900, um décimo da população mundial vivia

em cidades. Mas, as projeções diziam que em 2006 e 2007 pelo

menos a metade da população mundial estaria vivendo em


zonas urbanas. Devido a isso, deverá haver mudanças em pelo

menos seis áreas: água, lixo, comida, energia, transporte e uso

do solo (4).

Talvez os mais emergentes desafi os da ecologia sejam

acalmar o consumo voraz das grandes cidades, a ambição

dos produtores rurais que utilizam agrotóxicos nas lavouras

para obterem maior rentabilidade na produção e a ambição

dos industriais que fazem qualquer negócio para lucrar.

O consumismo e o lucro estão associados e devem ser

combatidos para salvar o planeta.

Não basta apenas reciclar enormes quantidades de lixo

- do qual já se estabeleceu um bom mercado - enquanto a

sociedade continua a consumir de maneira desenfreada. É

preciso promover a eco-cidadania, ou seja, que as pessoas

tenham uma mentalidade e uma prática de vida eco-cidadã

na sociedade e que a geração contemporânea tenha um

comportamento ético com relação às gerações futuras. Os

futuros habitantes do planeta não têm ninguém que hoje os

defenda. Não existe o “sindicato ou a associação das gerações

futuras” para defender seu direito de viver e ter acesso aos

bens da natureza. Além de fazer com que todos se sintam

parte do todo, a ecologia tem o desafi o de fazer com que esta

geração se considere irmã das futuras gerações, com as quais

temos o compromisso de lhes preservar o direito à vida. Como

sugere a Carta da Terra, “a liberdade de ação de cada geração

é condicionada pelas necessidades das gerações futuras”(5).

Que não seja tarde demais...

Para a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de

Meio Ambiente (ABEMA) os principais problemas ambientais

que devem ser prioritariamente combatidos do Brasil, são:

Escassez de água pelo mau uso, pela contaminação e por

mau gerenciamento das bacias hidrográfi cas; Contaminação

de corpos hídricos por esgotos sanitários e por outros resíduos;

Degradação dos solos pelo mau uso; Perda de biodiversidade

devido ao desmatamento e às queimadas; Degradação da

faixa litorânea por ocupação desordenada; Poluição do ar nos

grandes centros urbanos (6).

Nos últimos anos vem se constatando que a água tem um

valor vital, algo que até a pouco era quase inimaginável. A água

serve para tudo na vida das pessoas; sem esse recurso a vida

padece. (...) Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU),

no mundo há 2,2 bilhões de pessoas sem água de qualidade e

2,4 sem serviços sanitários adequados. As doenças causadas

por água contaminada matam anualmente dois milhões de

crianças. E nos países mais pobres chegam a matar uma de

cada cinco antes de completar cinco anos de idade.

Conforme os dados da Organização Pan-americana de

Saúde (Opas), 20% da população brasileira não têm acesso a

água potável. E para aquela parcela da população que recebe

água em casa, 40% do que sai da torneira não é confi ável.

Metade das casas no Brasil não tem serviço de esgotos e 80%

dos esgotos que é coletado vai diretamente para os rios sem

nenhum tipo de tratamento. (...)

MeiO aMBieNTe

O nordeste brasileiro vive uma situação terrível de miséria

causada pela ausência de água potável. E até mesmo nas

regiões de grandes mananciais de água, como a Amazônia, a

população não tem água de boa qualidade para o consumo.

E em grande parte dos centros urbanos brasileiros são

freqüentes os problemas com o abastecimento de água (7).

Consciência ecológica e cidadania estão cada vez mais

relacionadas. Aumentam as preocupações com a natureza e

com o ser humano. O fato de os problemas ambientais estarem

mais perto dos olhos das pessoas, causa maior interesse em

proteger a natureza, mas é preciso que não seja tarde demais.

Se, por um lado, nos assustamos com a situação do

nosso planeta, por outro, sentimos que há no mundo grande

preocupação com a vida de toda a humanidade. Cada vez

mais as pessoas no mundo inteiro se preocupam com a paz,

com os direitos humanos e com as questões ambientais dos

seus locais de vida e de outros povos da Terra. (...) Acontecem

muitos eventos nos moldes do Fórum Social Mundial, que

tratam questões especifi cas, mas que respondem aos anseios

de toda a humanidade. E, nisso, a tecnologia pode ajudar

em muito. Por exemplo, a internet, pode possibilitar que as

pessoas saibam da existência dos problemas e das medidas

que são tomadas em outras partes do mundo.

É hora de pensar e agir, enfrentar os desafi os que se

impõem no nosso tempo. Está na hora de fazer opções

de mudanças para garantir a vida, como nos sugere José

Lutzenberger: “Ou mudamos nossa fi losofi a de vida ou de fato

extinguiremos toda a vida do planeta”.

Frei Pilato Pereira

Frade Capuchinho da Província do Rio Grande do Sul

Blog: www.olharecologico.blogspot.com

E-mail: freipilato@gmail.com

(Este artigo foi extraído do trabalho apresentado como exigência parcial

para a conclusão do Curso de Pós Graduação Lato Sensu “Abordagem

Transdisciplinar: Ecologia, Educação e Teologia”, no Instituto Teológico

Franciscano, sob a orientação dos professores Sinivaldo S. Tavares e

Ludovico Garmus)

Referências:

1. LUTZENBERGER, José Antônio. Manifesto de Curitiba. Declaração de

Princípios do Movimento de Luta Ambiental (Outubro de 1978). Disponível

em: http://www.fgaia.org.br/texts/manifesto.html 23/05/03 11:00 On-line

2. JOHN, Liana. Os desafi os crescentes da Ecologia Urbana. Centro de Ciências

da Educação. Disponível em: http://www.ced.ufsc.br/meioambiente/Tema2.

htm 23/05/03 11:40 On-line

3. Jornal Folha de São Paulo. Caderno Cotidiano. Capa. Saúde Pública. Edição

de domingo, 16 de julho de 2000

4. Cf. L. Jonh. Op. Cit.

5. CARTA DA TERRA. Em: BOFF, Leonardo. Ethos Mundial. Um consenso mínimo

entre os humanos. Brasília: Letraviva, 2000. p. 152

6. ABEMA. Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Meio Ambiente

(20/10/1999). Problemas Ambientais. Disponível em: http://www.abema.

org.br/content/abema/problemas_ambientais/default.asp 26/05/03 11:00

On-line

7. CONFERENCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB). Fraternidade e

Água: Texto Base CF 2004. São Paulo: Salesiana, 2003. nº 04-12

Especial

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

17


MeiO aMBieNTe

Especial

educaçãO Para a

PreserVaçãO

Um dos temas mais discutidos nas últimas décadas,

que gera confl itos e desperta maior atenção da

humanidade, é a preservação do meio ambiente.

Com o avanço das tecnologias, o ser humano viu-se

diante de uma gama de oportunidades que fi zeram com

que ele tivesse atitudes desenfreadas de poluição e de

não preservação. Conseqüentemente, o planeta passou

a viver sob constante alerta de uma catástrofe maior, de

deixarmos de herança para nossos fi lhos, netos e demais

gerações, um lugar sem nem mesmo ar para respirar,

com todas as pestes possíveis, sem água potável, e com

alimentos de má qualidade para a sobrevivência, vivendo

à mercê da própria sorte.

É alarmante ver como o desmatamento vem

crescendo no dia-a-dia. Nossos rios já não são límpidos;

em nosso ar e em nossos pulmões circulam inúmeras

bactérias, vírus e tantos outros poluentes decorrentes

do desenvolvimento humano, sem falar na violência

presente nos campos, com a crescente aplicação de

agrotóxicos nos alimentos.

Temos, pois, uma missão salutar enquanto “presente”:

proporcionar às gerações futuras a possibilidade de viver

neste planeta. Com isso, é urgente a implantação de

projetos de preservação no meio escolar, uma vez que,

quando trabalhados certos temas com crianças, é mais

18 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

fácil desenvolver o espírito de pertença e colocar em

prática tudo aquilo que um dia foi trabalhado. Afi nal, o

tema da preservação ambiental é de extrema importância

para todas as gerações.

Ao educar nossas crianças para o exercício de

preservação ambiental, estamos também resguardando

suas vidas e sua dignidade, enquanto pessoa humana, já

que nossos antepassados puderam viver num lugar onde

era possível viver. O ser humano parece querer competir

com Deus. Ele criou o mundo em sete dias; o “bicho

homem”, não contente com sua obra, não lhe dando

valor sufi ciente, busca meios de acabar com tudo de

grandioso que Deus criou, sendo permissivo nas diversas

situações de degradação ambiental, fazendo mal uso de

sua inteligência e competência.

Devemos criar uma consciência crítica e fazer um

auto-exame da nossa postura em todas as nossas ações

cotidianas, visando relacionarmo-nos com Deus e com

todas as criaturas criadas por Ele, dando valor àquilo que

chamamos de “nosso” ambiente.

de Maria Andrade Coutinho

Diretora da Obra Social Nossa Senhora de Fátima,

em Montes Claros (MG)

E-mail: iede_seias@yahoo.com.br

Fonte: http://outrapolitica.wordpress.com/2008/08/14/poderosos-interesses-nao-permitem-efetivo-estudo-da-amazonia/


Nos colégios e obras da Rede Filhas de Jesus a questão ambiental faz parte das ações

educativas, por meio da valorização da consciência ecológica e de práticas que aliam

a preservação do meio ambiente à promoção social. Exercício da cidadania, respeito à

dignidade humana e comunhão com o ecossistema andam de mãos dadas na prática de

uma educação voltada para o ser humano integral. Confi ra, a seguir,

algumas iniciativas nesse sentido:

ascaMare

da PreserVaçãO dO MeiO aMBieNTe À PrOMOçãO sOciaL,

eis sua MissãO.

O

Colégio Imaculada Conceição de Leopoldina

(MG) é parceiro da Associação dos Catadores de

Materiais Recicláveis de Leopoldina – Ascamare –

desde a gestação desse grupo de catadores e catadoras,

que começaram a se organizar em julho de 2004. Além

do Colégio Imaculada, outros parceiros têm feito parte

da construção deste projeto de transformação social

ao longo desses quase cinco anos: Cáritas Brasileira

Regional Minas Gerais, Cáritas Diocesana de Leopoldina,

Congregação das Filhas de Jesus, Paróquia São José

Operário e Pequeninos de Jesus, entre outros.

Nesse período, o Colégio Imaculada tem contribuído

com muita versatilidade para que o sonho de emancipação

dos catadores e catadoras de materiais recicláveis seja

concretizado. O Colégio acolhe reuniões da associação;

realiza coleta e destinação de materiais recicláveis;

realiza a Páscoa dos catadores e catadoras, além de doar

cestas básicas e recursos fi nanceiros arrecadados na

Gincana de Colaboração, realizada anualmente. Além

disso, o Colégio promove momentos de intercâmbio

entre catadores(as) e alunos(as) e visitas de alunos e

alunas ao galpão da Ascamare. É importante destacar,

ainda, a assinatura de Convênio de Cooperação Técnica e

Financeira entre a SEIAS - Sociedade de Educação Integral

e de Assistência Social/Colégio Imaculada Conceição e a

Justiça social e Meio ambiente

Cáritas Diocesana de Leopoldina, com o objetivo de dar

apoio à ASCAMARE, por meio do pagamento do aluguel

do galpão dos catadores, localizado à Rua Funchal Garcia,

163, no Bairro São Cristóvão.

Com essas parcerias, a ASCAMARE pôde transformar

47,8 toneladas de materiais recicláveis. Com atividade

de tal calibre, está colaborando de maneira efetiva, para

que em Leopoldina traga mais vida saudável e vida em

abundância.

Waldeci Campos de Souza

Agente da Cáritas Diocesana de Leopoldina

A experiência exitosa da Ascamare nos fala da relevância de uma ação articulada e cheia de

intencionalidade. Mais do que contribuir, de fato, para a preservação do planeta, desenvolvendo

ações socioambientais, a defesa incondicional da dignidade da vida humana é o tom dessa ação, que

une assistência social, sustentabilidade e fraternidade.

MeiO aMBieNTe

Especial

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

Foto: Júlio Cesar Pereira Monerat

19


MeiO aMBieNTe

Especial

PasseiOs-esTudO: uMa

FOrMa diVerTida

de aPreNder

No Instituto Educacional Imaculada Conceição de Mogi Mirim (SP), os alunos de todas

as séries têm a oportunidade de realizar atividades extra-classe voltadas para o tema

da preservação ambiental. Os passeios-estudo, programados pela equipe pedagógica,

oferecem aos alunos uma visão sobre as ações humanas e seu impacto no meio ambiente.

“Essas atividades são de grande importância para a formação integral do aluno”, explicou

Sandra Helena Botelho, coordenadora comunitária do Colégio Imaculada Conceição.

Este ano, as turmas da Educação Infantil deram início ao calendário anual dos passeiosestudo.

Acompanhados por funcionários de agências de turismo e monitores especializados,

os alunos do Pré I e Pré II visitaram, respectivamente, o Apiário Belmonte de Campinas e o

Zoológico Municipal de Americana. Os passeios propiciaram momentos de aprendizagem

sobre o cuidado com o meio ambiente, o respeito e a conservação da natureza.

O Parque da Mônica em São Paulo foi o destino de alunos de 1º ano. Diversão e

aprendizagem se uniram e o destaque fi cou por conta do Teatro “Aquecimento Global”. Com

diálogos divertidos, o planeta Terra mostrou para os pequenos visitantes a importância de se

cuidar bem dele, para que todos sejam benefi ciados.

E-mail: colegioimaculada@colegioimaculada.com.br

educaçãO aMBieNTaL Para

aLéM da escOLa

Durante o mês de março, os alunos do 9º ano do Colégio Imaculada Conceição, em Leopoldina (MG), que

estavam fazendo um estudo sobre o meio ambiente nas aulas de geografi a, realizaram uma pesquisa de campo

detectando os principais problemas ambientais da cidade. Depois de registrarem toda a pesquisa por meio

de fotos, montaram uma sala ambiente onde, além dos painéis com os registros, havia faixas e cartazes pedindo a

preservação ambiental.

No dia 12 de maio, o Colégio recebeu a visita do Secretário

Municipal de Meio Ambiente, Júlio César Martins, que visitou

a exposição e falou de sua satisfação em poder contar com

jovens engajados na intenção de preservar o meio ambiente.

A partir da visita do secretário, foi estabelecida uma parceria

entre a Secretaria Municipal e CIC, por meio dos alunos do 9º

ano, em que fi cou acertada a participação efetiva dos estudantes

no projeto de preservação ambiental da cidade. Com isso,

eles poderão agir de forma concreta no plantio de árvores,

recuperação dos córregos e principalmente, como parceiros

na divulgação da consciência e educação socioambiental.

Vírginia Maria Barros Cabral Gonçalves

Professora de Geografi a (8º e 9º anos EF) no Colégio Imaculada

Conceição, em Leopoldina (MG)

20 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009


NO iei de caMPiNas,

óLeO Vira saBãO e

reNda

No Instituto Educacional Imaculada (IEI) de Campinas (SP),

a área de Ciências da Natureza tem por meta, para 2009,

desenvolver o projeto “Educação Ambiental vivida na

prática”. Entre diversas atividades, os alunos do 1º ano do Ensino

Médio, orientados pela professora Marisa Castreze Cassani,

prepararam e divulgaram a Campanha da Coleta do óleo de

cozinha usado.

O objetivo é transformar a escola em posto de coleta desse óleo,

a ser destinado a organizações que o usam como material para a

fabricação de sabão. Com isso, o óleo não polui o meio ambiente e

pode ser usado para gerar renda para famílias empobrecidas.

Os alunos estão aprendendo a dar ao óleo de cozinha uma destinação ecológica e social.

O cartaz

produzido

pelo IEI

conscientiza a

comunidade

acadêmica e

motiva todos

para que

abracem a

campanha.

MeiO aMBieNTe

Especial

O sabão e bicombustível são produzidos a partir do

reaproveitamento do óleo de cozinha. Esse combustível reduz

consideravelmente a emissão de gases poluentes, além de

evitar a poluição é econômico.

Muitas vezes as pessoas não reaproveitam esse óleo,

ele simplesmente é despejado pelo ralo, onde chega à rede de

esgoto e é lançado no mar ou nos rios.

O que devemos fazer?

Podemos procurar postos de coleta e entregar o óleo

usado. O Instituto Educacional Imaculada iniciou uma

campanha de coleta; por isso junte-se a nós.

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

21


MeiO aMBieNTe

Fonte: http://www.alunosdepedroguedes.com.br/adrianapossas.htm

Especial

22 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

a saNTÍssiMa

TriNdade

criadOra

A

criação é obra da Trindade

Criadora. Na caminhada de

da Igreja alguém soube ver a

criação como obra da Trindade. Foi o

Padroeiro da Ecologia, São Francisco de

Assis, que sempre manifestava sua fé na

Trindade, criadora de todas as coisas.

Para Francisco, a obra da criação

é a primeira intervenção salvífi ca da

Santíssima Trindade na história da

salvação. Em todas as ações salvífi cas

da Trindade, como na criação, são

as três Pessoas Divinas que agem

conjuntamente.

Onipotente, altíssimo,

santíssimo e sumo Deus, Pai santo

e justo, Senhor e Rei dos céus e

da terra, damo-vos graças por

causa de vós mesmo, porque

por vossa santa vontade e pelo

vosso único Filho, criastes no

Espírito Santo todos os seres

espirituais e corporais, nos fi zestes

a vossa imagem e semelhança

e nos colocastes no paraíso – e

nós caímos por nossa culpa. E

rendemo-vos graças porque, se

por vosso Filho nos criastes, pelo

mesmo verdadeiro e santo amor

com que nos amastes o fi zestes

nascer como verdadeiro Deus e

verdadeiro homem da gloriosa,

beatíssima, santa e sempre Virgem

Maria (1Rg 23, 1-5).


NOVOs caMiNhOs Para

NOVOs desaFiOs

Sala de Estudos Avançados atrai estudantes que querem ir

além do conteúdo curricular

Há novos trabalhos em curso no Instituto

Educacional Coração de Jesus, em Bragança

Paulista (SP), que buscam responder aos

constantes desafios que nos são apresentados no cenário

educacional. O primeiro é a Sala de Estudos Avançados

- uma sala de aula que funciona no período da tarde e

acolhe os alunos do 9ºano EF, 1º, 2º e 3ºano do EM. Trata-se

de um projeto de, no mínimo, três anos de planejamento

e tem por objetivo ir além do conteúdo ministrado nas

aulas do período da manhã. Está voltado, principalmente,

para os alunos que querem ir além, partindo do desejo de

aprofundar conhecimentos.

A própria Constituição brasileira estabelece a

“igualdade na diversidade” e, assim, nasceu essa Sala de

Estudos Avançados onde são desenvolvidos trabalhos

voltados à Geometria plana; noções modernas de teoria

Quântica; aulas-práticas de Química mais aprofundadas

sobre temas vistos durante o período da manhã, exercícios

dos mais diversos vestibulares, além da discussão e

análise de obras literárias por blocos temáticos. Ainda há

perspectiva de novas áreas a serem implantadas.

Os professores fazem o convite para os alunos, que

se sentem desafiados e contagiam outros alunos para

fazerem parte do grupo.

Todos levam a sério o trabalho nessa sala que já possui

um espírito de solidariedade e união, onde os alunos

partilham seus trabalhos e formam equipes também na

diferença. A igualdade existe no desejo e na afinidade pela

disciplina, mas a idade do grupo vai de 14 a 18 anos e traz

resultados surpreendentes que remetem-nos ao NMPE

– 114 : “Consideramos a atenção às diferenças como um

elemento imprescindível em nossa ação educativa. Por

isso, deve-se procurar em cada caso o tipo de educação

mais adequada às pessoas concretas e uma resposta às

suas peculiaridades... Procura-se, portanto, que a ação

educativa esteja em relação com suas características

psicológicas e com o contexto sociocultural a que

pertencem e onde vivem.”

Vale a pena lembrar, também, que trabalhamos

no colégio com alunos em processo de inclusão, e no

Ensino Médio, alguns alunos foram diagnosticados

com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

(TDAH), Processamento Auditivo Central (PAC) e dislexia.

Com eles, temos realizado um trabalho com resultados

muito positivos. Proporcionamos aula de Reorientação

de Estudos em Português e Matemática para o Ensino

Fundamental II e Plantões de Dúvidas de todas as

disciplinas do 9º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano

do Ensino Médio.

Com essas iniciativas, reafirmamos nossa missão de

educar na diversidade, atentando para especificidades,

particularidades, respeitando ritmos e fazendo da

construção do conhecimento uma ação colaborativa.

Elisa Maria de Moraes Montagnana

Diretora do Instituto Educacional Coração de Jesus,

em Bragança Paulista (SP)

E-mail: direcao@iecj.com.br

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

23


OBra sOciaL sãO jOsé OPerÁriO,

eM BeLO hOriZONTe (MG),

ceLeBra 40 aNOs de cONQuisTas

Criada em 1969 para ser um Ginásio Profi ssionalizante, a obra consolida-se como

importante centro de ensino e de assistência social

O

ano de 2009 está sendo um momento especial

de comemorações para todos(as) que fazem

ano, chegaram as máquinas prometidas pelo MEC e, no

ano seguinte, teve início a 1ª série do Ginásio São José

parte da comunidade da Obra São José Operário, Operário, com quase 100 alunos, na maioria fi lhos de

em Belo Horizonte. Há 40 anos, Ir. Felisa Elustondo FI, industriários residentes nos bairros próximos.

na época, Superiora do Colégio Imaculada de Belo Até 1974, o Ginásio foi mantido pelo Colégio

Horizonte, refl etindo sobre a missão de educar das Filhas Imaculada Conceição. A partir de então, a obra se tornou

de Jesus, decidiu abrir uma escola para adolescentes da independente e passou a ser mantida pela Sociedade de

periferia, que não tinham possibilidade de continuar seus Educação Integral e de Assistência Social (SEIAS). Em 1975,

estudos depois da 4ª série. Após a aprovação do projeto o ginásio passou a denominar-se Escola de 1º Grau São

pelo Ministério da Educação e Cultura, foi instalado José Operário. Em 1983, foi construído um novo prédio

um Ginásio Profi ssionalizante, de tipo industrial, na Av. para responder melhor às exigências pedagógicas, em

Otacílio Negrão de Lima, no bairro Pampulha.

estilo simples e funcional. Além das instalações, a Obra

No dia 4 de maio de 1969, foi inaugurado o Ginásio São José Operário conta com uma área de 15 mil m

Orientado para o Trabalho, com bênção da Capela, das

salas de aula, da secretaria e da cantina. No fi nal do

2 para

a recreação livre dos alunos, além de quadras de futebol

salas de aula, da secretaria e da cantina. No fi nal do e vôlei.

24 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009


Nossa realidade hoje

De 1969 até hoje, muito foi construído nessa Obra.

Hoje, o SJO é uma realidade muito mais abrangente,

tendo se tornado um espaço de proteção para crianças

e jovens, além de ser um espaço de promoção humana e

resgate de cidadania para crianças, jovens e adultos.

Atualmente, o SJO oferece, na parte da manhã,

ensino fundamental do 6º ao 9º anos, com uma proposta

pedagógica que se alicerça no documento “Nosso

Modo Próprio de Educar”. Propomos “uma educação

que valorize o ser humano em todo o seu contexto sóciopolítico-econômico-cultural,

visando ao ensinar-aprender

por meio da vivência cotidiana de valores humano–

cristãos, tornando o indivíduo capaz de perceber sua

responsabilidade na construção de sua vida, inserida no

contexto de uma sociedade mais justa” (trecho retirado da

proposta político-pedagógica do SJO).

Os estudantes do 6º ano permanecem na Obra de

7h20min às 16h20min, dentro do Projeto “São José

Integral”, que se fundamenta em três eixos orientadores

da educação integral: educação ambiental, formação

humano-cristã e corporeidade. Tem sido muito bonito o

desenvolvimento dos(as) estudantes nesse processo.

No turno da tarde, acolhemos a comunidade do

entorno da Obra e desenvolvemos ações preventivas e

de qualifi cação por meio de projetos socioeducativos e

projetos socioprofi ssionais. Os projetos socioeducativos

são: projeto São José Integral; projeto Letras e Números;

bordados e pintura em tecidos; Segundo Tempo/Esporte

Esperança (em parceria com a Prefeitura Municipal de

Belo Horizonte); projeto Teatro; Artear; Vôlei, e Grupos de

Jovens.

Os projetos de formação e qualifi cação sócioprofi

ssional são: beleza e estética corporal básica

(cabeleireiro, manicura, depilação, massagem redutora

e relaxante); informática básica; corte e costura e

modelagem básico; panifi cação básica.

Valorizamos cada ação positiva, cada gesto solidário,

cada ação fraterna e cidadã. Com isso, queremos resgatar

a pessoa inteira, muitas vezes sufocada por uma realidade

violenta e injusta.

Nessa caminhada a serviço da vida e da esperança,

inspirados/as por tudo que Madre Cândida nos deixou,

contextualizamos os nossos projetos em consonância

com a realidade vivenciada pela comunidade que

acolhemos, priorizando, na missão, o processo humano

de evolução, no sentido cristão.

Miriam Silva Loureiro

Diretora da Obra Social São José Operário

E-mail: diretoria@sjo.org.br

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

25


a caMiNhO dO juBiLeu

TeMPO... TeMPO... TeMPO... TeMPO...

Um dos aspectos que mais chama atenção da vida

moderna é a nossa falta de tempo...

Para fugir dessa cena e saborear uma

celebração que nos é muito especial, foi dada a largada

para a preparação de um grande marco em nossa história

como leigos e Filhas de Jesus: Vamos celebrar 100 anos

da chegada do primeiro grupo de Filhas de Jesus ao

Brasil em 1911, e cem anos da páscoa defi nitiva de Madre

Cândida Maria de Jesus, em Salamanca, em 1912.

E, porque vamos celebrar, é que chamamos de

JUBILEU, de ano jubilar, o período que vai de 29 de

setembro de 2011 a 9 de agosto de de 2012. Júbilo é

alegria, gratidão e esperança que os 100 anos de uma

história a serviço da evangelizaçãoo signifi ca para

todas(os) nós!

Tempo... tempo... tempo... tempo... Parece que ainda

está longe.... tão longe.... Mas estamos propondo uma

Oração ao Tempo

És um senhor tão bonito

Quanto a cara do meu fi lho

Tempo tempo tempo tempo

Vou te fazer um pedido

Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos

Tambor de todos os rítmos

Tempo tempo tempo tempo

Entro num acordo contigo

Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo

E pareceres contínuo

Tempo tempo tempo tempo

És um dos deuses mais lindos

Tempo tempo tempo tempo...

26 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

Que sejas ainda mais vivo

No som do meu estribilho

Tempo tempo tempo tempo

Ouve bem o que te digo

Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo

E o movimento preciso

Tempo tempo tempo tempo

Quando o tempo for propício

Tempo tempo tempo tempo...

brincadeira com o tempo, em tempos de modernidade:

Vamos em “câmara lenta”...Saboreando...

Vamos reencontrar pessoas, reconstruir trajetória,

(re)fazer a memória histórica, reunir fatos e testemunhos,

vamos recolher essa história centenária e espalhá-la aos

quatro cantos, do Brasil, do mundo, do planeta, como um

semeador convicto e esperançoso.

Se você tem um registro histórico, pessoal ou coletivo,

uma memória afetiva com relação a Madre Cândida na

sua vida e o centenário das Filhas de Jesus no Brasil, juntese

a nós!

Entre em contato, venha celebrar conosco!

Foi dada a largada de uma temporada de celebração

do ideal e do carisma da Madre Cândida e da presença

centenária das Filhas de Jesus no Brasil...

EQUIPE DE ANIMAÇÃO DO ANO JUBILAR

E-mail: anojubilarfi @seias.com.br

De modo que o meu espírito

Ganhe um brilho defi nido

Tempo tempo tempo tempo

E eu espalhe benefícios

Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos prá isso

Fica guardado em sigilo

Tempo tempo tempo tempo

Apenas contigo e comigo

Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído

Para fora do teu círculo

Tempo tempo tempo tempo

Não serei nem terás sido

Tempo tempo tempo tempo...

Caetano Veloso

Ainda assim acredito

Ser possível reunirmo-nos

Tempo tempo tempo tempo

Num outro nível de vínculo

Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo

E te ofereço elogios

Tempo tempo tempo tempo

Nas rimas do meu estilo

Tempo tempo tempo tempo...

Leopoldina/MG Belo Horizonte/MG Sobradinho/BA Bragança Paulista/SP


Belo Horizonte, março de 2009

Comunicado do ANO JUBILAR

Queridos/as, irmãs, professores/as, alunos/as, pais, funcionários/as e demais amigos/as da Congregação das

Filhas de Jesus.

Hoje, 02 de abril, anunciamos o início da preparação de um grande marco em nossa história: 100 anos da

chegada do primeiro grupo de Filhas de Jesus, ao Brasil, em 1911 e 100 anos da páscoa defi nitiva de Madre Cândida

Maria de Jesus, em Salamanca, em 1912.

Escolhemos o dia 2 de abril, porque nesse dia a Madre Cândida recebeu de Deus a inspiração de fundar a

Congregação das Filhas de Jesus, quando rezava, na igreja do Rosarillo, em Valladolid.

Todas e todos que conhecemos, hoje, a Madre Cândida e a Congregação das Filhas de Jesus, estamos convidadas

e convidados a PARTICIPAR, a DIFUNDIR, a CRIAR!... É a celebração do ANO JUBILAR! Júbilo que é alegria, gratidão

e esperança!

Celebrar 100 anos de uma história, a serviço da evangelização, é re-conhecer pessoas, fatos, lugares,

transformações, desafi os... É fazer parte deste momento de resgate, para, com um olhar no passado, outro no

futuro, reafi rmar criativamente valores que nos aproximam do carisma de Madre Cândida.

Contamos com a participação de todas e todos, nos diferentes lugares e experiências diversas, para a sugestão

de um LEMA e de um TEMA, que ressaltem o acontecimento do ANO JUBILAR.

Criá-lo é uma forma de expressar um itinerário comum, neste tempo de celebração.

Cada presença de Filhas de Jesus, no Brasil, está convidada a elaborar um Tema e um Lema, que servirão de

subsídio para a proposta fi nal. Deverá enviá-lo à Equipe de Animação do Ano Jubilar, até 15/06/09, para o seguinte

endereço: anojubilarfi @seias.com.br

Neste ano de 2009, a preparação do grande acontecimento quer resgatar a memória histórica, iluminada por

um lema e um tema, embora o tempo Ofi cial do Ano Jubilar será de 29 de setembro de 2011 a 9 de agosto de 2012.

Iniciar a motivação para a celebração do Ano Jubilar, neste dia, é uma forma de celebrar as sementes lançadas

por Madre Cândida, que deram fl ores, frutos, sombras... envolveram pessoas, fortaleceram comunidades e nos

unem em um mesmo sonho, o Reino de Deus.

Um grande abraço,

Montes Claros/MG

Mogi Mirim/SP

Belo Horizonte/MG

Belo Horizonte/MG

P/ Equipe de Animação do Ano Jubilar

Ir. Sônia Regina Rosa

Picos/PI

Rio de Janeiro/RJ

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

27


cursO de reNOVaçãO

TrajeTória? caMiNhO? OPOrTuNidade? Graça?

Assim quero delinear o que foi e continua sendo

para nós o “Curso de Renovação”, proporcionado

pela Congregação das Filhas de Jesus, no período

de 25 de janeiro a 23 a abril de 2009, na Casa Santíssima

Trindade, em Belo Horizonte (MG). Éramos quinze irmãs

Filhas de Jesus, com 10 a 20 anos de consagração e

procedentes de oito países: Taiwan (China), Japão,

Filipinas, Espanha, República Dominicana, Colômbia,

Bolívia e Brasil.

Essa rica experiência de encontro consigo mesma,

entre nós e com Deus, se desenrolou sob a coordenação

dedicada de Irmã Vilma Moreira da Silva, auxiliada

pela Irmã Ione Derci Ramos. Também, Ir. Clara Echarte,

conselheira geral e responsável pela área de formação

inicial e continuada na Congregação, brindou-nos com

sua presença na abertura e nos primeiros dias.

Numa primeira etapa da experiência, fomos

convidadas a aproximarmo-nos de nosso “poço vital”,

através da parábola “O País dos Poços” e do texto

bíblico que relata o encontro de Jesus com a mulher

samaritana. Numa dinâmica de auto-análise existencial,

fomos convidadas a recuperar a transparência da água

pura, no mais profundo de nossos poços. Trabalhamos

também as relações interpessoais, buscando conhecernos

mutuamente na multicultura que formávamos,

e integrar-nos como grupo, numa vivência alegre,

fraterna, madura, profundamente sororal, facilitadora do

intercâmbio entre as diversas culturas, experimentando,

de fato, o universalismo tão característico de nossa

vocação de Filhas de Jesus.

28 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

E, para que a vivência fosse “pé no chão”, ajudounos

na refl exão o Padre Gregório Iriarte, o.m.i. trazendonos

chaves de leitura, interpretação e análise crítica da

conjuntura mundial, espaço privilegiado da revelação

de Deus e lugar sagrado de encarnação-serviço da Vida

Consagrada.

As semanas seguintes foram dedicadas ao estudo,

refl exão, oração e partilha sobre o itinerário espiritual do

“peregrino” Ignácio de Loyola, através de sua autobiografi a

e do caminho de evangelho deixado por Madre Cândida

Maria de Jesus, Fundadora da Congregação, através de

sua vida e seus Apontamentos Espirituais, atualizados

para o hoje nos documentos congregacionais.

Ajudou-nos também, na “Leitura Orante da Palavra

de Deus”, a Irmã Virma Barion, Carmelita de Vedruna que

conduziu-nos, através da “hermenêutica da imaginação”,

à leitura orante do Evangelho de Lucas, fazendo-nos

saborear as riquezas dos encontros de Jesus, seus

critérios, sua opção fundamental e única pelo Pai e pelo

Reino e sua consequente opção pela “loucura da cruz”.

A centralidade da experiência foram os “Exercícios

Espirituais de 30 dias”, realizados de 20 de fevereiro a 23

de março, e orientados pelo Padre Fernando Londoño,

SJ: um tempo de graça, de comunicação do Espírito;

tempo de, “mais que saber, sentir e saborear as coisas

internamente”, seguindo a sábia pedagogia de Inácio

de Loyola; um tempo de reavivamento de nossa opção

fundamental pelo seguimento de Jesus pobre e humilde;

tempo de convite a voltar ao “Amor Primeiro”, a sair de

nosso próprio “amor, querer e interesse”, para centrar


a vida Nele e em seus preferidos(as); tempo de avançar

para as “águas profundas”; tempo para deixar-nos

marcar pelos traços indeléveis do Espírito que plasma

em cada uma de nós a graça da vocação e da comunhão

carismática com Cândida Maria.

Assim, animadas pela força do Espírito, partimos para

a “Experiência Apostólica” dividindo-nos em grupos de

missão, em comunidades de inserção das Filhas de Jesus,

na Argentina, Bolívia, nordeste do Brasil e norte de Minas

Gerais. Através da presença, convivência e trabalho

missionário junto às nossas irmãs na inserção em meio

aos pobres, pudemos experimentar a sorte de nossos

irmãos e irmãs mais necessitados, bem como a riqueza

de uma fé simples e encarnada no cotidiano da luta por

mais vida e mais dignidade.

Ao longo do curso, tivemos a oportunidade de visitar

e conviver fraternalmente com as comunidades das Filhas

de Jesus de Belo Horizonte e de Santa Luzia, celebrando,

compartilhando uma merenda, contemplando todo o

bem que podem realizar nas realidades em que estão;

solidarizamo-nos também com a “Ocupação Dandara”,

em sua luta por casa e dignidade e com a “Pastoral de

Rua”, através do relato-depoimento emocionado de

Elisângela, ex-moradora de rua; unimo-nos à Igreja de

Belo Horizonte na celebração dos 100 anos de Dom Helder

Câmara, profeta dos pobres e oprimidos; celebramos, no

dia dedicado à Vida Consagrada, o envio de três irmãs

(entre elas, uma Filha de Jesus) a Felizburgo, Norte

de Minas, com objetivo de compor uma comunidade

intercongregacional a serviço dos pobres, no Vale do

Jequitinhonha.

E, para cumular o manancial de graças e bênçãos de

Deus, tivemos a grata alegria de receber a nossa Superiora

Geral, Maria Inez Mendonça, para o encerramento do

curso. “Ser mulheres do Espírito”: esta foi a proposta

que nos fez Maria Inez. De verdade, é o Espírito quem

desenha em nós a imagem de Jesus. Fomos enviadas

e reenviadas, em nome deste Enviado do Pai, o Senhor

Jesus, e Ele nos dará seu Espírito sem medida, para que

sejamos “presença encarnada – na carne do mundo” com

todas as consequências que isso supõe.

Somos Filhas de Jesus, estamos nas mãos de Jesus,

somos seus instrumentos. É Ele quem nos leva, nos

conduz. O único modo para que haja realização da vida,

renovação, é entregarmos a Ele nossa vida, e entregar

essa vida plenifi cada Nele, ao Outro.

Eis o convite: “Ser mulheres novas, pelo Espírito.”

Trajetória! Caminho! Oportunidade! Graça!

Maria José Alves Machado, F.I.

E-mail: zezefi @hotmail.com

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

29


O sTeLLa Maris

eM MiNha Vida...

Para a maioria das crianças e adolescentes, a escola é como se fosse um segundo lar. Um

espaço de crescimento e descoberta de si mesmo e do mundo, que marca, defi nitivamente,

a história de vida de qualquer pessoa. No Centro Popular de Educação e Assistência Social

Stella Maris, no Rio de Janeiro, algumas turmas do 9º ano, da professora Lílian Pedro, foram

convidadas a realizar um exercício de refl exão e expressão sobre o sentido da escola em suas

vidas. A seguir, algumas das belas e reveladoras redações produzidas pelos alunos:

Refl etindo sobre a escola

O Stella Maris foi o início da minha vida. Foi aqui que

aprendi tudo que sei.

Aqui, tive meu primeiro amor, minha primeira briga,

minhas primeiras notas altas e baixas.

Nove anos vivendo e aprendendo. Minhas verdadeiras

amizades nasceram aqui, mas não morrerão quando tudo

isso acabar, será eterno.

Tantos professores, tantas matérias, tantas provas,

tantos coordenadores.

Minha conselheira número um está aqui e sempre

vai estar no meu coração. Uma

senhorinha encantadora que

além de me aconselhar, cuida

das minhas dores.

Stella Maris, obrigada por

existir na minha vida e fazer dela

os meus momentos mais felizes,

você estará guardado ao lado

esquerdo do meu peito.

Karoline Morais Santiago

Turma: 25 - 9º ano

O que é a escola para mim?

Não é apenas onde aprendemos as matérias. É o local em que eu construo meu futuro e vivo o meu presente. É

onde faço amigos, onde conheço pessoas que fi carão marcadas na minha vida. É o lugar em que eu aprendo a viver e

a enfrentar o mundo.

Stella Maris, uma escola que acolhe seus alunos, onde todo mundo é uma grande família que se ajuda entre si.

Local onde tive ótimos professores, que estão me preparando para o futuro, e que fazem de tudo para a melhoria do

alunado, contribuindo, assim, com o nosso país.

Muitas crianças não gostam de seus professores, por passarem deveres, provas e chamarem

atenção sobre notas baixas. Mas elas não sabem que um dia irão agradecer a eles por tudo

que fazem pelo nosso bem.

Gostaria de agradecer ao Stella Maris por tudo que me proporcionou, do CA ao 9º ano,

período em que estou agora. Aprecio muito todo o esforço da escola, inclusive o auxílio dos

funcionários em manter o colégio e ajudar a quem não pode pagar um bom ensino.

Agradeço muito à Rede Filhas de Jesus, fundadoras do Stella Maris e de muitas outras

instituições, que nos proporcionam a formação de um verdadeiro cidadão.

Paula Dias De Figueiredo

Turma: 24 - 9º ano

30 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

A escola Stella Maris para mim signifi ca uma vida,

pois a maior parte dela foi fi car aqui. Foram nove anos e

este é o meu último aqui, mas acredito que quando sair

da escola, vou me lembrar de cada momento passado,

lembrar dos risos, das aventuras, das bagunças, das

broncas, enfi m lembrar de tudo, porque isso foi muito

importante para mim. O melhor de tudo que aconteceu,

foi conhecer amigos verdadeiros, aqueles que eu vou

levar para a vida toda, aqueles que fazem muita falta.

Eu agradeço por ter estudado, pois eu fui feliz. Houve

momentos de tristeza, claro! Mas

na vida temos altos e baixos, ou

seja, nem tudo é bom, e o ruim

disso é que eu vou sentir muitas

saudades, tanto dos professores

quanto dos meus amigos e é

por isso, que até o fi m, eu vou

lembrar de um sonho chamado

Stella Maris.

Gabrielle Brum Lopes da Silva

Turma: 25 - 9º ano


Aconteceu na Rede

PreseNça de Fé e esPeraNça

NO MeiO dOs POBres

Religiosas de diferentes congregações se unem para viver

em comunidade no Vale do Jequitinhonha

Uma pequena cidade no Vale do Jequitinhonha (MG),

com uma população de 6.364 habitantes, é o lugar onde

se vivencia uma bela experiência da Vida Religiosa.

Felisburgo, na diocese de Almenara, abriga a comunidade

intercongregacional Nossa Senhora da Esperança, formada

por quatro irmãs de três congregações: Irmã Barbara –

Missionárias de Jesus Crucificado, Irmã Reginalda – Filhas de

Jesus, Suzana e Anne – Irmãs de São José de Rochester.

O sonho de se criar uma comunidade intercongregacional

nasceu da experiência da missão realizada durante uma

Semana Santa. A proposta foi discutida nas Assembléias

Regionais ordinárias da Conferência dos Religiosos do Brasil

(CRB). A partir de várias reflexões, constatou-se que seria de

suma importância que um grupo de religiosas pudesse armar

a sua tenda entre o povo sofrido, além do período de

semana santa.

Para concretizar esse projeto, Ir. Solange de Fátima

Damião – CRSD, assessora da Regional MG, começou a

articular com algumas províncias sobre a disponibilidade

de irmãs que pudessem abraçar o projeto. A resposta foi

imediata por parte de duas congregações: Irmãs de São

José de Rochester e Filhas de Jesus, somando depois as

Missionárias de Jesus Crucificado.

No processo de discernimento, a diocese de Almenara

foi contemplada para a implantação dessa comunidade

intercongregacional. O bispo Dom frei Hugo Mari van

Steekelenburg, OFM, acolheu o projeto com muito gosto e

tem dado todo apoio. A comunidade está na Paróquia Nossa

Senhora do Rosário, município de Felisburgo.

A chegada de Reginalda, Suzana e Anne coincidiu

com o início da Quaresma de 2009. Foi uma oportunidade

boa para participarmos dos encontros da Campanha da

Fraternidade e conhecer os quatros pontos da cidade, o

povo e os líderes. Reginalda e Anne passaram a Semana

Santa com duas comunidades rurais, e Suzana ficou na

cidade, acompanhando um ministro que visitou outras

comunidades e as atividades na cidade.

Além de matriz, a paróquia tem três comunidades na

periferia da cidade e seis comunidades rurais, incluindo um

acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem

Terra (MST), uma comunidade quilombola e assentamentos.

Nunca houve uma comunidade de religiosas morando aqui.

A paróquia e as comunidades têm muitos líderes leigos e

leigas bem treinados.

Felisburgo está situada em uma região de terras férteis,

mas com muita pobreza, marcada pela presença de grandes

fazendeiros e de muitos coronéis. Sua historia recente é

marcada pelo massacre de cinco agricultores rurais sem

terra, em novembro de 2004, por jagunços de um grande

latifundiário da região. Sendo uma cidade pequena, possui

os mesmos problemas de cidades maiores: desemprego,

alcoolismo, prostituição, violência, exploração sexual de

crianças, drogas etc.

Nossa casa está ao lado do Mercado Municipal, onde

todos os sábados o povo do campo vem com seus produtos

para vender. Nesse dia e também nos outros dias, nossa

casa está aberta para acolher as pessoas, partilhando a vida

e saboreando o delicioso cafezinho mineiro.

Queremos assumir durante o período de 2009 a 2012

uma missão intercongregacional na diocese de Almenara,

município de Felisburgo, sendo presença evangelizadora

no meio desse povo sofrido, na cidade, nas periferias, nos

acampamentos e assentamentos de sem terra, com a

formação de lideranças e animação da fé e esperança.

Assumimos em nossa vida fraterna os objetivos e

prioridades da CRB regional para o triênio 2007-2010 e o

que nos apresenta a V Conferência Geral do Episcopado da

America Latina e Caribe em Aparecida:

- Reafirmar o compromisso da Vida Religiosa a serviço

da vida, diante das grandes questões sociais e ambientais,

e fortalecer a inserção nos meios populares e em novos

espaços de solidariedade e cidadania.

- Ampliar as alianças intercongregacionais, as redes e

parcerias, na formação e missão, e intensificar a partilha dos

carismas com leigos e leigas.

“Em comunhão com os pastores, as consagradas e

consagrados são chamados a fazer seus lugares de presença,

de sua vida fraterna em comunhão, e de suas obras, lugares

de anúncio explícito do Evangelho. Principalmente aos mais

pobres, como tem sido em nosso continente desde o início

da evangelização. Desse modo, segundo seus carismas

fundacionais, colaborando com a gestação de uma nova geração

de cristãos discípulos e missionários e de uma nova sociedade

onde se respeite a justiça e a dignidade da pessoa humana”.

(Doc. Aparecida 217)

Ir. Reginalda Mendes Barbosa, F.I.

E-mail: regimendesfi@yahoo.com.br

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

31


Aconteceu na Rede

32 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

ACONTECEU NA REDE

Juventude conta com

Equipe Provincial de Assessoria

A presença junto à juventude é um compromisso

prioritário que vem sendo assumido por nós, Filhas de

Jesus, em nosso Projeto de Vida em Missão. Assim, com

o objetivo de renovar a opção afetiva e efetiva pelas

juventudes, os grupos de jovens nas escolas e comunidades

de nossa Província contam, desde o início do ano, com

uma nova equipe formada em parceria com jovens

educadores leigos: a Equipe Provincial de Assessoria às

Juventudes (EPAJ), assim constituída: Cleonice de Fátima

Mota (F.I.), Gisélia Maria de Sousa (F.I.), Isabella Fernandes

de Oliveira (Jovem Leiga), Patrícia Helena Coimbra (F.I.),

Peterson Barros Gomes (Leigo), Vera Lúcia Ladeia Ramos

(F.I.) e Sebastião Everton de Oliveira (Leigo).

Dentre as ações voltadas para a juventude e realizadas

em 2009, destaca-se a tradicional “Páscoa Juvenil” que,

todos os anos, movimenta estudantes da Rede Filhas de

Jesus de várias partes do Brasil. Este ano, a Páscoa Juvenil

reuniu cerca de 80 jovens em Bragança Paulista (SP), entre

os dias 8 e 11 de abril.

Patrícia Helena Coimbra

Juniora Filha de Jesus

E-mail: patriciafi 2003@yahoo.com.br

Mais uma vez, um grande número de jovens participou da Páscoa Juvenil. Momentos de espiritualidade,

partilha de experiências e descontração marcaram o encontro, realizado em Bragança Paulista.


Aconteceu na Rede

Olimpíada esportiva e cultural agita Mogi Mirim/SP

De 27 a 30 de abril, os alunos do 2º ao 9º ano do

Instituto Educacional Imaculada Conceição de Mogi

Mirim/SP realizaram a sua XVIII Olimpíada que, este ano,

integrou atividades esportivas e culturais. O objetivo

principal da Olimpíada é proporcionar situações de

vivência cooperativa nos grupos e promover o respeito

entre os alunos, por meio de atividades que contemplem

todas as áreas do conhecimento.

Na abertura das atividades, com a presença de mais

de 1500 pessoas, os alunos fi zeram o juramento do

atleta, ao lado de Dirceu da Silva Paulino, mogimiriano

campeão da Superliga de Vôlei 2009. Em seguida, foram

apresentados números de dança e arte circense, além

da Fanfarra IC. Ao longo dos quatro dias da Olimpíada,

Votos Perpétuos de

Joseilda Aparecida Andrade Borges

Nos dias 28,29 e 30 de maio, as comunidades da

Paróquia de Todos os Santos, em Feira de Santana/BA, se

reuniram em preparação aos votos perpétuos de nossa

querida Joseilda Aparecida Andrade Borges, celebrando

um tríduo com o tema central “O Espírito Santo nos

convoca à missão”.

No primeiro dia, refl etimos sobre o tema “Nossa

missão no mundo”. No segundo dia, “A missão na

comunidade” e no terceiro dia, “A missão na vida de

Cândida Maria de Jesus”, culminando, assim, com

a linda celebração dos votos perpétuos de Joseilda,

realizada no dia 31 de maio.

Nesses dias estiveram presentes, além da família de Jó,

leigos e irmãs das comunidades de Picos, Marcos Parente,

Sobradinho, Leopoldina, Conjunto Cristina, Juniorado,

Belo Horizonte e Felisburgo que, com muito carinho,

foram acolhidos por algumas famílias da comunidade.

Experimentamos uma convivência fraterna e solidária

nas situações que vivenciamos nesses dias.

os alunos se envolveram em práticas esportivas – vôlei,

basquete, queimada, handebol e futebol de salão – e

culturais – sudoku, gincana de atualidades, soletrando,

Gamic e outros.

Neste ano, o evento promoveu uma ação solidária: a

arrecadação de sabonetes destinados ao lar Emanuel, uma

entidade de amparo social a idosos, da qual o Colégio é

parceiro. Segundo as responsáveis pela organização das

atividades, as coordenadoras pedagógicas Dulce Helena

Bronzatto e Noely Maia, a Olimpíada apresentou-se

como um momento importante para toda a comunidade

escolar e se inseriu no Projeto Integrado 2009, que tem o

tema “Cultura da paz. Juntos somos mais.”

E-mail: colegioimaculada@colegioimaculada.com.br

Que bonito foi celebrar os votos de Jó, unindo o

sentido e o signifi cado da Festa de Pentecostes ao do

nascimento da Madre Cândida! Para as Filhas de Jesus que

puderam estar presentes nessa celebração junto com a Jô,

esse dia renovou, em cada uma de nós, nossa resposta ao

seguimento de Jesus sendo Filhas e irmãs.

Equipe de preparação dos votos perpétuos

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

33


Aconteceu na Rede

Encontro Regional de Missionários e Missionárias

Madre Cândida - “Não há cristianismo sem missão”

Foi com muita alegria que 32 representantes dos

grupos dos Missionários e Missionárias Madre Cândida

se encontraram na Casa Santíssima Trindade, em Belo

Horizonte, no dia 7 de fevereiro de 2009, para um

momento de formação, oração e partilha.

Viemos de realidades diferentes, dos estados de Minas

Gerais, Rio de Janeiro e Goiás, mas, quando nos juntamos,

percebemos a unidade do Carisma Missionário.

Iniciamos nosso encontro com uma dinâmica de

entrosamento e, em seguida, tivemos a palestra do Pe.

Delmar, de Belo Horizonte, com o tema “Dentro da nossa

espiritualidade, iluminada pelos Exercícios Espirituais de

Santo Inácio, enfatizar a Missão”.

Foi uma palestra muito rica, nos deixando à vontade

para discutirmos o tema. Ele começou nos questionando:

Será que o cristianismo vai sobreviver?

Durante o debate, concluímos que precisamos cuidar

da qualidade do nosso encontro com Cristo. Não existe

cristianismo sem missão. Missão é vida, viver para a opção

é missão. Precisamos evangelizar – “dar o evangelho” –

sair de nós mesmos; ser evangelizados - evangelizar-se

– voltar a si mesmo - deixar que o evangelho entre em

nós, porque, se transmitimos o evangelho, é porque já o

contemplamos.

Contemplar a Bíblia, olhar com os olhos de Deus,

“pois não é o muito saber que satisfaz a alma, mas o sentir,

o saborear”.

34 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

Ninguém chega diante de Deus de mãos vazias; o

mais importante é o nosso relacionamento com Ele. E,

como discípulos, para contagiar as pessoas, temos que

passar pela alegria do que somos, ser otimistas, acreditar

no Ser Humano.

O discípulo é alguém que aprende a ser comunidade,

viver em comunidade, sendo o mais importante, o outro.

Assim, o cristianismo se renova como fogo...

Na segunda parte do encontro, fizemos uma partilha

da caminhada de cada grupo e partilhamos o que

poderíamos assumir juntos(as).

Concluímos que precisamos contagiar mais pessoas,

pensando na prática, no meio em que vivemos: trabalho,

família, comunidade.

As coisas de Deus vêm para vivermos melhor e

buscarmos um mundo melhor para todos.

Com bastante entusiasmo pela riqueza vivenciada

durante esse dia, voltamos para nossas casas

reanimados, levando conosco a promessa de Jesus aos

seus discípulos:

“Não temam! Estarei com vocês todos os dias, até os

confins dos tempos”. (Mc 16,20)

Olinda Maria Cabral

Missionária Madre Cândida em Leopoldina (MG)

E-mail: olindacg@terra.com.br


Evoluir sem perder o referencial...

Se você, caro(a) leitor(a), que agora já

vem se tornando um(a) habitual leitor(a),

visto que estamos na nossa 6ª Edição da

Revista EM REDE , está pensando que vem aí

mais um artigo de base fi losófi ca, didática e

pedagógica... você pode estar enganado(a).

Estamos trazendo para partilhar

nessa edição a realização da 43ª

Reunião Administrativa da Sociedade de

Educação Integral e de Assistência Social,

personalidade jurídica e civil das Filhas de

Jesus no Brasil.

Evoluir sem perder o referencial...

Essa frase nos é muito “cara” quando lidamos

com aspectos tecnológicos, administrativos, econômicos e

outras tantas faces de um trabalho de qualidade que deve dar

suporte à continuação da missão da Madre Cândida.

Por isso , na edição do tradicional Encontro das Áreas

Administrativas em 2009, resolvemos subverter a ordem.

Ao invés de planilhas... os planos de Deus...

Ao invés de wireless , reforçamos os elos da nossa Rede Filhas de Jesus...

Ao invés de correria... danças circulares...

Ao invés de solidariedade focada nas situações de exclusão... a acolhida

ao nosso colega que trabalha ao lado...

Ao invés de marketing... fomos pessoalmente anunciar a boa nova...

Ao invés de longas escutas... partilhas participativas vindas de cada canto

do país...

O resultado???

Só o tempo dirá!

Estivemos reunidos(as) em Belo Horizonte, nos dias

05 e 06 de maio, lançando as bases de um

tempo comum que queremos novo a cada

dia.

Tempos de mais diálogo, colaboração,

de mais discernimento, escuta e acolhida

aplicada ao cotidiano do trabalho

organizacional.

É assim... evoluir sem perder o

referencial!

E-mail: seiasadm@seias.com.br

Aconteceu na Rede

Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

35


MeiO aMBieNTe

Preservar o meio ambiente é muito importante para

que possamos ter um planeta saudável e rico em

recursos naturais no futuro.

Seguem algumas medidas que podemos facilmente

tomar em casa e na nossa escola:

Água

• Escovando os dentes - desligue a água enquanto faz a

escovação.

• Lavando a louça - desligue a água enquanto ensaboa

pratos, copos, talheres e panelas.

• Tomando banho - nada de banhos muito longos e

quando estiver se ensaboando, desligue a torneira.

Energia

• Desligue as luzes - ao sair do seu quarto, sala ou cozinha

não esqueça de apagar as luzes.

• Desligue aparelhos eletrônicos - não deixe a televisão,

rádio ou computador ligado caso não esteja sendo

utilizado.

• Ar condicionado - utilize com moderação!

Lixo

curiOsidade

e diVersãO

• Coleta seletiva - tenha uma atitude bacana. Programe a

coleta seletiva na sua casa. É muito fácil, basta separar

os lixos em: material orgânico, papel, metal, vidro e

plástico. Desta forma, você estará dando uma grande

contribuição à mãe natureza, já que este material será

reciclado, ou seja, será reaproveitado para a fabricação

de novos produtos.

Transportes

As emissões de gases pelos meios de transportes são

muito nocivas para a nossa atmosfera. Mas podemos

tomar algumas atitudes para contribuir na diminuição da

emissão de gases.

• A caminho da escola - Utilizar os transportes coletivos

é sempre mais saudável para o planeta. Por isso, quanto

mais gente utilizar um mesmo veículo, melhor. Se você

vai de carro para a escola, que tal combinar um rodízio

com os colegas que moram perto? Além de ser uma

atitude consciente, você aproveita e faz novos amigos!

36 Em Rede Filhas de Jesus - Ano IV - Número 06 - 2009

Labirinto

Para colorir

Fonte: www.smartkids.com.br


RECICLAGEM

Reciclar é reaproveitar materiais orgânicos e inorgânicos

para serem utilizados novamente. Mas o que é material

orgânico e inorgânico? Qualquer coisa que tem origem

animal é considerado material orgânico. Tudo que tem origem

animal e vegetal é considerado material orgânico.

Os alimentos, por exemplo, são considerados materiais

orgânicos. As sobras desses alimentos como as cascas de legumes

e frutas que vão para o lixo de cozinha também são considerados

materiais orgânicos e podem ser reaproveitados. Ou melhor,

podem ser reciclados para serem reaproveitados.

O lixo da nossa cozinha, por exemplo, pode ser transformado

em adubo. Os adubos são fertilizantes utilizados na terra para

enriquecer os solos das plantações. Olha que legal! Utilizamos

alimentos para fazer mais alimentos! Este é o espírito da

reciclagem: transformar, processar o lixo, para ser utilizado

novamente.

Os materiais inorgânicos, como garrafas de vidro e plásticas,

latas de refrigerante, borracha, entre outros, também podem

ser reciclados. Nesses casos, é muito comum que se reutilize o

próprio material, ou seja, latas de refrigerante são processadas e

transformadas em novas latas, assim como as garrafas de vidro

também são preparadas de forma a serem reutilizadas.

Para colaborar no processo de reciclagem o lixo é separado

em 4 latas diferentes: metal, papel, vidro e plástico. Cada lata é

representada por uma cor diferente:

- Papel - Azul

- Metal - Amarelo

- Vidro - Verde

- Plástico - Vermelho

Atualmente, o lixo é problema mundial. Todos os dias,

acumulamos toneladas de lixo que são levados para aterros

sanitários, mas o problema é que o planeta já não suporta esta

quantidade de detritos. Além disso, muitos materiais levam

muito tempo para se decomporem. Veja na tabela abaixo quanto

tempo demora a decomposição do vidro!

- Papel: de 2 a 4 semanas

- Palitos de fósforos: 6 meses

- Papel plastificado: de 1 a 5 anos

- Chicletes: 5 anos

- Latas: 10 anos

- Couro: 30 anos

- Embalagens de plástico: de 30 a 40 anos

- Latas de alumínio: de 80 a 100 anos

- Tecidos: de 100 a 400 anos

- Vidros: 4.000 anos

- Pneus: indefinido

- Garrafas PET: indefinido

Outro ponto importante é o quanto de energia e matéria

prima poupamos!

Quantas árvores não deixamos de cortar reciclando papéis,

jornais e revistas. Quantas máquinas que utilizam eletricidade

ou por vezes combustíveis deixamos de ligar poupando energia.

Tudo isto é importante para preservar a natureza e garantir

um futuro melhor para o nosso planeta e para a humanidade!

Não perca tempo, é tempo de reciclar!

Relacione

Encontre as sete garrafas

Fonte: www.smartkids.com.br


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Belo Horizonte - MG Belo Horizonte - MG

Bragança Paulista - SP

Montes Claros - MG

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Provincial

Belo Horizonte - MG

Comunidade Nossa

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Porteirinha - MG

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Senhora da Paz

Santa Luzia - MG

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Belo Horizonte - MG

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