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coisa boa é namorar: memória dos namoros em ... - Itaporanga.net

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COISA BOA É NAMORAR:<br />

MEMÓRIA DOS NAMOROS EM JOÃO PESSOA -PB NA PRIMEIRA METADE DO<br />

SÉCULO XX<br />

Introdução<br />

MARIA DO CARMO BRAGA DE SOUSA (UEPB)<br />

Na produção de documento para esta pesquisa inicial foram entrevistadas três<br />

mulheres de classe m<strong>é</strong>dia, residentes na cidade de João Pessoa - Paraíba, com nascidas entre<br />

os anos de 1928 e 1935, que começaram a <strong>namorar</strong> na d<strong>é</strong>cada de quarenta. Procuramos traçar<br />

a trajetória individual de cada uma delas, no âmbito do namoro, de acordo com as suas<br />

experiências particulares e com a <strong>é</strong>poca <strong>em</strong> que viveram, esta, carregada de valores que<br />

vieram a sofrer modificações com o passar <strong>dos</strong> anos. Foi observado, no decorrer das<br />

entrevistas, o quanto a <strong>m<strong>em</strong>ória</strong> aflorou as <strong>em</strong>oções daquelas mulheres.<br />

De acordo com Alberti, (2004, p.14) selecionamos acontecimento, conjunturas e<br />

mo<strong>dos</strong> de viver, para conhecer e explicar o que se passou. Deste modo as <strong>m<strong>em</strong>ória</strong>s das<br />

entrevistadas, que se encontravam <strong>em</strong> uma esfera familiar, ou apenas guardadas na <strong>m<strong>em</strong>ória</strong>,<br />

foram relatadas, possibilitando a construção de uma base firme de pesquisa.<br />

À medida que as depoentes foram revelando seus fatos vivi<strong>dos</strong>, de certa forma<br />

conseguimos, <strong>em</strong> alguns momentos, desconectarmo-nos das nossas realidades atuais.Nesse<br />

processo d<strong>em</strong>os os primeiros paços no sentido de adentrar <strong>em</strong> particulares universos nos<br />

campos da M<strong>em</strong>ória e da História. Al<strong>é</strong>m do que foi possível compreender nossas<br />

entrevistadas utilizando-se do processo hermenêutica. Diante disso vejamos:<br />

Ora pod<strong>em</strong>os dizer que a postura envolvida com a história oral <strong>é</strong> genuinamente<br />

hermenêutica: o que fascina numa entrevista <strong>é</strong> a possibilidade de tornar a vivenciar<br />

as experiências do outro, a que se t<strong>em</strong> acesso sabendo compreender as expressões<br />

de sua vivencia [...] (ALBERTI, 2004, p. 18-19).<br />

Nos recortes da <strong>m<strong>em</strong>ória</strong> do t<strong>em</strong>po passado e as marcas do t<strong>em</strong>po presente,<br />

encontramos diferenciações da concepção da palavra namoro. O namoro <strong>em</strong> João Pessoa, na<br />

primeira metade do s<strong>é</strong>culo XX, segundo as experiências pessoais relatadas durantes aquelas<br />

entrevistas, não teve uma concepção ampliada como nos dias de hoje. Isso leva-nos a<br />

conclusão de que as relações amorosas variam não só no espaço, mas tamb<strong>é</strong>m no t<strong>em</strong>po, visto<br />

que naquele período o Brasil passava por um processo de modernização, o qual afetava<br />

diretamente a vida cotidiana da população.<br />

O Brasil passava por um processo de industrialização, do qual a classe dominante,<br />

que era a burguesia, preocupava-se constant<strong>em</strong>ente com a domesticação de seus operários, e<br />

para conseguir tornar lhes dócil, fazia com que estes não ultrapassass<strong>em</strong> os muros que<br />

limitam as fábricas e não adentrass<strong>em</strong> nos lares daquelas famílias. Formavam assim as regras<br />

pelas quais aqueles se tornariam pessoas respeitosas e para isso ditavam o modelo de vida<br />

privado do trabalhador, na tentativa de disciplinar os seus hábitos, tornando-os obedientes. A<br />

burguesia criava então, um novo modelo de família a ser seguido pelos proletaria<strong>dos</strong>, a fim de<br />

formar e impor uma normalização <strong>dos</strong> costumes.<br />

Os trabalhadores <strong>em</strong> geral passaram a defender a bandeira da sua posição social no<br />

processo de produção sendo superior ao da mulher, desvalorizando-a profissionalmente e a<br />

restringindo-a ao espaço dom<strong>é</strong>stico. Afinal, a mulher que trabalhasse ficaria s<strong>em</strong> t<strong>em</strong>po de<br />

zelar por sua casa, tarefa essa considerada uma obrigação que a mulher deveria aprender<br />

desde cedo, enquanto ainda criança. Os trabalhadores preferiam ver suas esposas nos seus<br />

lares, at<strong>é</strong> pelo fato da insegurança promovida pelos ambientes das fábricas, onde era notória a


promiscuidade. Por fim a mulher deveria ser subordinada ao seu pai enquanto solteira at<strong>é</strong> o<br />

dia de seu casamento, onde a partir daí deveria obedecer a seu marido, visto que <strong>em</strong> troca ele<br />

lhe garantiria a segurança, já que aquela era considerada o sexo frágil. Dentro desta<br />

perspectiva, afirma-se:<br />

A promoção de um novo modelo de f<strong>em</strong>inilidade, a esposa dona-de-casa-mãe-defamília,<br />

e uma preocupação especial com a infância, percebida como riqueza <strong>em</strong><br />

potencial da nação, constituiriam as peças mestras deste jogo de agenciamento das<br />

relações intra-familiares [...] (RAGO, 1985, p.62).<br />

A mulher agora passa a ter o papel na sociedade de responsável pelo seu lar, deveria<br />

então ser vigilante do espaço dom<strong>é</strong>stico e as suas realizações deveriam estar nas realizações<br />

pessoais de seu marido e de seus filhos, at<strong>é</strong> porque, estes deveriam estar <strong>em</strong> primeiro plano, já<br />

que a mulher era um ser que deveria abdicar de sua vida própria pela sua família. Daí a id<strong>é</strong>ia<br />

de amor de mãe, um amor incondicional. Dev<strong>em</strong>os destacar que a mulher de certa forma<br />

tamb<strong>é</strong>m foi conivente com a construção de um discurso que a representava a mulher como um<br />

ser frágil e romântico.<br />

Aquela passa então a ser submissa, por ser considerada um ser <strong>em</strong>ocional e frágil, que a<br />

difere do hom<strong>em</strong>, um ser racional e forte. Dev<strong>em</strong>os destacar que para inserir esses novos<br />

valores à população, a burguesia contou com o apoio forte da classe m<strong>é</strong>dica. As mulheres<br />

eram “adestradas” para ser<strong>em</strong> fi<strong>é</strong>is e preparadas a aceitar seu marido como um sujeito que,<br />

devido a sua virilidade, poderia procurar prostitutas.Com isso, passam a fechar seus olhos<br />

para tais possíveis atitudes, afinal encontra- se no próprio discurso m<strong>é</strong>dico, a id<strong>é</strong>ia de que o<br />

hom<strong>em</strong> t<strong>em</strong> o desejo sexual bastante acentuado e isso justificava as traições, o que levaria a<br />

sua esposa, caso desconfiasse, a aceitar e permanecer <strong>em</strong> silêncio.<br />

Encontramos discursos m<strong>é</strong>dicos que reprovavam a prática da masturbação f<strong>em</strong>inina,<br />

vista como um vício desencadeador de doenças. Caberia então a mulher não buscar o prazer<br />

sexual de forma alguma, afinal isso quebraria a imag<strong>em</strong> de mulher santa, tal qual a mãe de<br />

Jesus Cristo. Para isso, aqueles utilizavam argumentos diversos argumentos tais como:<br />

Evident<strong>em</strong>ente, as conseqüências da prática da masturbação f<strong>em</strong>inina, clitoriana ou<br />

vulvovaginal, não poderiam ser menos destrutivas tanto para o organismo quanto<br />

para o espírito: distúrbios digestivos disfunções do aparelho circulatório e<br />

respiratório, rouquidão, tosse, ansiedade toráxica, falta de desenvolvimento do<br />

tóraxi, at<strong>é</strong> histeria, epilepsia, insônia, loucura, hipocondria eram apresenta<strong>dos</strong> como<br />

fantasmas físicos da ‘doença’. [...] (RAGO,1985,p 84)<br />

Aquelas que trabalhavam fora de casa, eram tidas pela sociedade, como pessoas que<br />

corriam riscos de se debandar<strong>em</strong>, haja visto que o t<strong>em</strong>po que as mesmas poderiam estar<br />

perdendo para cuidar melhor de sua família, estariam dedicando-se ao trabalho, este<br />

considerado prática tida como masculina. At<strong>é</strong> porque o mercado de trabalho quase n<strong>em</strong><br />

s<strong>em</strong>pre as ofereceriam as mesmas oportunidades que eram oferecidas aos homens.<br />

[...] a construção de um modelo de mulher simbolizado pela mãe devota e inteira<br />

sacrifício, implicou sua completa desvalorização profissional, política e intelectual.<br />

Esta desvalorização <strong>é</strong> imensa porque parte do pressuposto de que a mulher <strong>em</strong> si<br />

não <strong>é</strong> nada, de que deve realizar-se atrav<strong>é</strong>s <strong>dos</strong> êxitos <strong>dos</strong> filhos e do<br />

marido.[...](RAGO, 1985, p 65)<br />

Com isso, a sociedade passava a incorporar aqueles valores de forma que o próprio<br />

hom<strong>em</strong> trabalhador iria defender que o lugar de sua esposa era dentro de casa. Tínhamos aí<br />

então um modelo de f<strong>em</strong>inilidade ditado pela burguesia e que ganhava o apoio da massa<br />

trabalhadora, <strong>em</strong> sua maioria, masculina. Portanto eram as mães que tinham a


esponsabilidade de educar seus filhos, conforme os preceitos supracita<strong>dos</strong>, impostos pela<br />

sociedade e educavam <strong>em</strong> especial as filhas direcionadas ao casamento.<br />

D. Iraci, perguntada como eram os <strong>namoros</strong> de sua <strong>é</strong>poca respondeu:<br />

O namoro na minha <strong>é</strong>poca era um namoro direito, agente tinha respeito. (...) tinha<br />

uns beijinhos bestas sabe... (...) Eu namorei com um rapaz at<strong>é</strong> que foi delegado (...).<br />

uma vez eu fiquei com a maior vergonha do mundo porque eu tava lá no ponto de<br />

c<strong>em</strong> r<strong>é</strong>is esperando um ônibus, aí ele chegou e beijou minha testa, eu disse... O que<br />

<strong>é</strong> isso... o povo tudo olhando... (...) Naquela <strong>é</strong>poca quando eu era jov<strong>em</strong>, que agora<br />

a depravação <strong>é</strong> muito grande... O namoro de hoje <strong>é</strong> uma imoralidade, porque você<br />

pode ta no meio de gente, ta assim num canto... quando da f<strong>é</strong> aqueles beijos, aquele<br />

agarra<strong>dos</strong>, um dentro da perna do outro e <strong>é</strong> aquele negócio...è só o que agente vê<br />

hoje n<strong>é</strong>?<br />

A nossa entrevistada d<strong>em</strong>onstrava uma indignação com a mudança do modo de se<br />

<strong>namorar</strong> de “ont<strong>em</strong> para o de hoje”, visto que, na sua <strong>é</strong>poca, a mulher era criada para ser<br />

esposa-mãe-dona-de-casa enquanto que atualmente, as mulheres conseguiram conquistar seu<br />

espaço na sociedade, lugar este que era reservado apenas aos homens. Acreditamos que os<br />

<strong>namoros</strong> daquela <strong>é</strong>poca não eram tamb<strong>é</strong>m tão afasta<strong>dos</strong> fisicamente como descreve D. Iraci.<br />

Segundo FÉLIX,(1988, p.43) a <strong>m<strong>em</strong>ória</strong> por laços afetivos e de pertencimento, <strong>é</strong><br />

aberta e <strong>em</strong> permanente evolução e liga-se à repetição e a tradição, socializando o vivido do<br />

grupo social. É notória a questão do sentimento de continuidade na l<strong>em</strong>brança de nossas<br />

depoentes.<br />

Uma prática bastante observável nas diversas maneiras de se <strong>namorar</strong> naquela <strong>é</strong>poca<br />

<strong>é</strong> a escrita de cartas como meio de comunicação entre os enamora<strong>dos</strong>. Muitos <strong>namoros</strong><br />

segundo nossa entrevistada,davam-se por meio de cartas. Observ<strong>em</strong>os abaixo:<br />

[...] A carta constitui uma forma de sociabilidade e de expressão f<strong>em</strong>inina,<br />

autorizada, e mesmo recomendada ou tolerada. Forma distanciada do amor, mais<br />

conveniente e menos perigosa do que o encontro, a carta de amor toma o lugar do<br />

próprio amor, a ponto de representar o essencial.[...] (PERROT, 2007, p-29)<br />

Al<strong>é</strong>m das práticas do uso das cartas para o namoro, encontramos na <strong>m<strong>em</strong>ória</strong> de<br />

nossas depoentes outras formas muito comuns <strong>em</strong> sua <strong>é</strong>poca, tais como, troca de olhares e<br />

acenos.Vejamos no fragmento de <strong>m<strong>em</strong>ória</strong>, abaixo, o que D. Maria das Neves, conhecida<br />

como D. Nevinha nos fala sobre isso:<br />

(...) o namoro era muito simples, se namorava mais por acenos, assim de<br />

longe...ningu<strong>é</strong>m se aproximava, não namorava de perto, era de longe, n<strong>em</strong> noivo se<br />

aproximava muito(...)<br />

Mais uma vez nos deparamos com formas de se <strong>namorar</strong>, onde ocorria uma distância<br />

física entre os namora<strong>dos</strong> da cidade de João Pessoa, justificada como uma forma de “respeito”<br />

que se tinha naquela <strong>é</strong>poca onde as regras da moralização a qual ditam os comportamentos<br />

das pessoas e o papel de cada gênero na sociedade construída por um ideal burguês<br />

prevaleciam.<br />

As exigências morais eram bastante difundidas <strong>em</strong> todas as classes. A mulher só<br />

deveria ser vista como ser sexual apenas para concepção de filhos, isto faria dela uma mulher<br />

do b<strong>em</strong>.


Vale atentar para a maneira pela qual o discursso burguês, ao estabelecer uma rígida<br />

linha de d<strong>em</strong>arcação entre os sexos, dessexualiza a mulher. Assim na representação<br />

santificada de mãe-esposa-dona-de-casa, ordeira e higiênica, o aspecto sexual só<br />

aparece se associado a id<strong>é</strong>ia de procriação.[...] (RAGO, 1985,p-83)<br />

Salienta-se que as mulheres que não seguiam as regras ficavam marginalizadas. A<br />

busca pelo prazer e negação da importância do matrimônio faziam da mulher uma prostituta,<br />

pois a mulher “normal” era aquela dessexualizada. As mulheres que desejavam casar,<br />

deveriam mais do que nunca se preocupar <strong>em</strong> cumprir o seu papel de moça de família, ou<br />

seja, uma pessoa que se mostre incapaz de ferir a moral e os bons costumes da sociedade.Um<br />

moça que estava preparando-se para o casamento deveria procurar ter s<strong>em</strong>pre a pureza da<br />

Santa virg<strong>em</strong> Maria, para que o hom<strong>em</strong> pudesse vê-la como uma figura materna.<br />

A virgindade das moças <strong>é</strong> cantada, cobiçada, vigiada at<strong>é</strong> a obsessão. A Igreja, que a<br />

consagra como virtude supr<strong>em</strong>a, celebra o modelo de Maria, virg<strong>em</strong> e mãe.Os<br />

pintores da Anunciação, grande t<strong>em</strong>a medieval, representam o anjo prosternado no<br />

quarto da jov<strong>em</strong> virg<strong>em</strong> diante de seu leito estreito.[...] (PERROT, 2007, p-45)<br />

Observamos a preocupação das moças de não ser<strong>em</strong> vistas praticando alguma<br />

atitude que pudesse ser considerada como “errada”, pois um passo <strong>em</strong> falso poderia prejudicar<br />

a sua <strong>boa</strong> imag<strong>em</strong>. Vejamos D. Lizete <strong>em</strong> sua fala sobre o namoro de sua <strong>é</strong>poca:<br />

[...] agente vivia com o namorado da<strong>dos</strong> as mãos aí vinha uma pessoa conhecida da<br />

gente...ave maria, ave maria, agente soltava as mãos...aquela moça já não prestava<br />

porque vinha de mãos dadas com aquele rapaz [...]<br />

A partir dessa entrevista notamos a preocupação por parte das mulheres daquela<br />

<strong>é</strong>poca <strong>em</strong> João Pessoa de ficar<strong>em</strong> “mal faladas”, visto que <strong>é</strong> um período <strong>em</strong> que ainda está<br />

cercado de tabus e preconceitos <strong>em</strong> relação as moças que quebravam as “regras” de como se<br />

<strong>namorar</strong>, ou melhor, de como se comportar diante da sociedade.<br />

De acordo com as entrevistas, identificamos que nas relações amorosas naqueles<br />

anos, o contato da pele era visto como algo repreensível, e a moça deveria se preocupar com a<br />

sua imag<strong>em</strong> aos olhos <strong>dos</strong> outros. Naquela <strong>é</strong>poca existiam lugares ti<strong>dos</strong> como “pra <strong>namorar</strong>”.<br />

D. Lizete (...) tinha a matinê(...). No grupo que eu estudava tinha umas meninas que<br />

trazia piquenique(...) de noite eu não sai...eu ia pra ginástica para <strong>namorar</strong> na praça<br />

da independência.<br />

Era possível que eram nesses lugares que estavam os rapazes disponíveis, se<br />

tornando estes, locais de muita paquera ou mesmo de namoro já que segundo as entrevistadas<br />

namorava-se só <strong>em</strong> olhar e o horário permitido para o namoro era de dia. É notório no<br />

depoimento acima, que as moças, davam um jeitinho de se passar<strong>em</strong> despercebidas<br />

principalmente pela família para <strong>namorar</strong><strong>em</strong>.<br />

Dado o exposto acima, verificamos que as histórias daquelas mulheres, não são<br />

histórias apenas de submissão, mas tamb<strong>é</strong>m de resistência. Afinal, n<strong>em</strong> todas seguiram a risca<br />

as regras de comportamento estabelecidas, pois s<strong>em</strong>pre se descobriam formas de burlar as<br />

normas s<strong>em</strong> possivelmente ser<strong>em</strong> descobertas. Dando continuidade, o namoro marcou a vida<br />

cotidiana das pessoas de diversas formas, ficando registradas na <strong>m<strong>em</strong>ória</strong> das nossas<br />

depoentes passagens importante de suas trajetórias onde as suas práticas cotidianas estavam<br />

intimamente ligadas aos valores de sua <strong>é</strong>poca e que predominava o discurso burguês de que a<br />

mulher deveria reservar-se ao espaço dom<strong>é</strong>stico e os seus comportamentos deveriam estar<br />

dentro das normas estabelecidas a fim de conservar a moral <strong>em</strong> evidência.<br />

Para as nossas entrevistadas o namoro <strong>em</strong> seu t<strong>em</strong>po possui um significado<br />

diferenciado das práticas atuais, visto que os relacionamentos amorosos de antes, passaram


por vários processos pra chegar at<strong>é</strong> hoje, esses que vão desde a <strong>em</strong>ancipação da mulher e<br />

propagação do uso <strong>dos</strong> anticoncepcionais como forma de prevenção de filhos, a programas de<br />

televisão, que mostram casais de namora<strong>dos</strong> homo-eróticos. Com a intervenção do<br />

historiador, tornam-se públicos fragmentos de <strong>m<strong>em</strong>ória</strong> do passado ìntimo daquelas mulheres,<br />

com a consciência da nossa incapacidade da interpretação total, visto que a totalidade não<br />

existe quando tratamos da história.


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS<br />

ALBERTI, Verena. Ouvir contar. Texto <strong>em</strong> História Oral. O lugar da História Oral: o<br />

fascínio do vivido e as possibilidades da pesquisa – o que documenta a fonte oral: a ação<br />

da <strong>m<strong>em</strong>ória</strong>. Rio de Janeiro. Editora FGV. 2004.<br />

FÉLIX, Loiva Otero. História e <strong>m<strong>em</strong>ória</strong>, a probl<strong>em</strong>ática da pesquisa. Capítulo II.<br />

M<strong>em</strong>ória e <strong>m<strong>em</strong>ória</strong> histórica. Passo fundo. Ediupf. 1988.<br />

PERROT, Michelle. Minha história das mulheres. São Paulo. Contexto. 2007.p13-49.<br />

RAGO, Luzia Margareth. Do cabar<strong>é</strong> ao lar: a utopia da cidade disciplinar. Brasil 1890-<br />

1930. Rio de Janeiro. Paz e Terra 1985.

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