Mapa da Área Urbana de Chapadão do Céu - GO

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Mapa da Área Urbana de Chapadão do Céu - GO

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Prefeitura Municipal de Chapadão do Céu

&

ORÉADES - Núcleo de Geoprocessamento

Apresentam:

Atlas Geográfico - Ambiental de Chapadão do Céu - GO

Apoio:

Resgate de Reserva do Cerrado

Joenio Alves Araujo

Coordenação, pesquisa, compilação, montagem e diagramação.

Participação direta:

Anderson R. Souza (mapas do município)

Lauson Serafini (mapas da Área Urbana)

A publicação desse livro foi possível graças ao suporte do Escritório

de Crescimento Econômico e Comércio (EGAT) da Unidade de Manejo

de Recursos Naturais (NRM) da Agência Norte-Americana para o

Desenvolvimento Internacional (USAID), sob os termos do acordo de

cooperação LAG-A-00-99-00046-00. As opiniões expressas pelo (s)

autor (es) não necessariamente refletem a visão da USAID.


Agradecimentos:

Eduardo Pagnoncelli Peixoto - Prefeito Municipal de Chapadão do Céu

Maria Amélia Garcia Cunha - ex-Secretária de Educação e grande defensora do Atlas

Mauri Wierrbicki - Secretário de Educação

Silvia Emíla Garcia Franco - ex-Secretária de Saúde e Meio-Ambiente

Edson Figueredo Mattos - Secretário de Saúde e Meio Ambiente

Oliveira José de Melo - Secretário de Transportes e Ação Urbana

Sueli Morais da Silva - Secretária de Administração

Alberto Rodrigues da Cunha (in memorian)

Ary Soares dos Santos - Gerente Executivo do IBAMA-GO

Rogério Oliveira Souza - Chefe do PNE

Gabriel Cardoso Borges - ex-Chefe do PNE

José Neto Soares Filho

Mario Barroso Ramos Neto

Paula Valéria Barreto Moreira

Nazareno Souza Santos

Dimas Renato Esteves

Elaine Margareth taylor Peixoto

Aluisio Rodrigues Cabral

Gean Rubens de Souza

Fernando Lana

Laurenz Pinder

Anah Tereza de Almeida Jácomo

Leandro Silveira

Lucimeire Camargo


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Introdução

A proposta de se fazer um Atlas Geo-

Ambiental de Chapadão do Céu surgiu após um

trabalho realizado pelo Centro de Sensoriamento

Remoto da Escola Técnica Federal de Goiás para

a Prefeitura Municipal de Chapadão do Céu, em

1997 em que o município foi mapeado através

de imagens de satélite.

Como produto deste trabalho diversos

mapas foram feitos mostrando a situação

geográfica, os tipos e uso do solo, o relevo, a

vegetação e a hidrografia do município.

A Secretária de Educação então ficou

entusiasmada com o material, levando-o para as

salas de aula e após algum tempo pediu que

fosse feito algo mais acessível para uso como

material didático. Surgiu a idéia de um Atlas. A

equipe da Escola Técnica Federal fez um primeiro

protótipo, apresentado em 2000, que propunha

mostrar o município em diversos mapas e

também tratar um pouco da questão ambiental,

apresentando o cerrado, sua fauna e flora e o

Parque Nacional das Emas, que se situa em parte

no município.

Com o primeiro esboço do Atlas veio a

idéia de se fazer, além de um livro didático, algo

que servisse também como referência para os

turistas, empresários, produtores e

administradores do município, ou seja, um

material que apresentasse o município em vários

dos seus aspectos.

A Escola Técnica Federal mudou sua

administração e passou a ser Centro Federal de

Educação Tecnológica de Goiás e a coordenação

da equipe foi alterada ficando a proposta

suspensa, na época, pela falta de pessoal que

pudesse desenvolvê-la.

Em 2003 a Prefeitura Municipal de

Chapadão do Céu fez um convênio com a

Conservação Internacional do Brasil, ligado ao

Projeto Corredor Cerrado-Pantanal, para

estruturar seu próprio departamento de Geoprocessamento,

coordenado pela Secretaria de

Planejamento com técnico do Departamento de

Engenharia da Secretaria de Obras e

acompanhamento da ORÉADES - Núcleo de

Geoprocessamento. A idéia do Atlas voltou a ser

considerada, ficando o projeto a cargo da

Secretaria de Planejamento que, realizou o

trabalho de pesquisa e compilação com a

elaboração de um material de referência do

município, montando assim o Atlas Geo-Ambiental

Chapadão do Céu, Goiás.

Mas como a geografia do município está

inserida num contexto maior, que engloba todo

o conhecimento humano de reconhecimento do

ambiente e de seu processo evolutivo, resolvemos

dar para este trabalho um enfoque da localização

no espaço e tempo da existência do que hoje

chamamos de Chapadão do Céu.

O ser humano possui um dom que o

permite realizar todas as proezas e viajar por

todos os lugares: a imaginação. Através da força

do pensamento podemos ver o invisível e alcançar

o inalcançável. É com esta força do pensamento

que queremos contar agora para que você leitor

possa melhor aproveitar este conteúdo.

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03

Para começarmos a aventura pelo espaço,

imagine que você está acima de todas as coisas,

além do universo, além do espaço e do tempo.

Então começa a adentrar o espaço e o universo

conhecido. O que você verá? Primeiramente muito

espaço vazio, mas aos poucos se poderiam

distinguir os aglomerados de galáxias. Aí você

faria a primeira escolha e se direcionaria para o

aglomerado que nós chamamos de Grupo Local,

próximo ao aglomerado da Virgem. Dentre as 18

galáxias do Grupo Local escolheria a Via Láctea.

Ao entrar na Via Láctea procuraria, dentre as 100

bilhões de estrelas, no Braço de Orion, aquela

que denominamos Sol. Ao se aproximar do Sol

veria os 9 planetas e suas luas e inúmeros

asteróides e meteoróides. Você escolhe então o

terceiro planeta a partir do Sol, o planeta Terra.

Ao se aproximar você vislumbra, dentre a

atmosfera gasosa com muitas nuvens, o azul das

águas dos oceanos circundando os continentes.

Você se aproxima da América do Sul, ao centro

do Brasil você vê Goiás e bem ao sudoeste, já na

divisa com Mato Grosso do Sul, você enxerga os

rios Jacuba e Aporé que margeiam o município

de Chapadão do Céu. Ao se aproximar mais você

poderá ver as ruas e praças da cidade e cada

uma das casas onde as pessoas vivem.

Este exercício de imaginação você pode

refazer nas primeiras páginas deste Atlas para

poder se localizar no nosso mundo.

Feita a introdução você poderá conhecer

um pouco melhor do município de Chapadão do

Céu, Goiás, Brasil, América do Sul, Terra, Sistema

Solar, Via Láctea.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

O UNIVERSO

No século IV a.C. Parmênides de Eléia

concebia o universo como “a massa de uma esfera

arredondada que se equilibra em si mesma, em

todos os seus pontos”. Heráclito de Éfeso via o

mundo como contínuo movimento e constante vira-ser.

Dois mil e quinhentos anos mais tarde, como

se prolongasse e desenvolvesse essas intuições

originais, Albert Einstein falou “da relatividade dos

movimentos dos corpos espaciais”.

A idéia de universo é produto de um momento

histórico, suas concepções religiosas, filosóficas e

científicas. A menos que se considere a situação da

ciência e da filosofia num dado instante como

definitivas, suas posições, teorias e hipóteses não

passam de momentos de um processo, o qual

consiste no desvendamento progressivo da

realidade pela razão. Tal processo, que se confunde

com o que se poderia chamar de história da razão,

revela que o saber é social e histórico, e que a

realidade não se descobre de uma só vez, pelo

mesmo homem, mas aos poucos, e pelas diversas

gerações que se sucedem.

Evolução da idéia de universo

O conceito de universo percorreu três etapas,

que podem eventualmente coexistir no contexto de

uma mesma cultura, embora em cada contexto uma

delas sempre prevaleça. A primeira se caracteriza

pela concepção religiosa, a segunda pela metafísica

e a terceira pela concepção científica. Segundo a

concepção religiosa, o mundo, além de ter sido

criado por Deus ou pelos deuses, é por eles

governado, à revelia do homem e de sua vontade.

Na concepção grega a filosofia e a ciência gregas

pressupõem as teogonias e as cosmogonias: o

mundo, que incluía a totalidade daquilo que se

conhece, compreende os deuses, imortais, os

homens, mortais, e a natureza, que os gregos

chamavam physis (o mundo físico). Tanto a natureza

quanto os homens estão à mercê dos deuses

imortais, de seus caprichos, cóleras, paixões, pois

os deuses, embora divinos e imortais, são

concebidos à semelhança dos homens, tendo

também vícios e virtudes.

A concepção religiosa e mitológica do

universo é criticada pela filosofia e pela ciência, que

se propõem, desde suas origens, a substituí-la por

uma concepção racional e lógica.

Aristóteles achava que o mundo natural pode

ser objeto de conhecimento racional. Único, não tem

nem começo nem fim, nada existe fora dele, é

perfeito e finito, formando uma esfera que se move

de acordo com o movimento mais perfeito, que é o

movimento circular. Os astros e os planetas são tão

imóveis quanto as estrelas. O que se move

circularmente é a esfera que carrega o astro, esfera

única no caso das estrelas, esferas múltiplas no caso

dos planetas.

A revelação judaico-cristã trouxe duas idéias

estranhas ao pensamento grego: a idéia de um Deus

único e pessoal, transcendente ao mundo, e a idéia

da criação a partir do nada. De acordo com o

Gênesis, Deus criou o universo, o céu e a Terra, e

todos os seres que nele se contêm, a água e a luz,

os astros e as estrelas, as plantas e os animais e,

finalmente, o homem, feito a sua imagem e

semelhança. Obra de Deus, que é, por definição, a

inteligência suprema, o universo reflete essa

inteligência, sendo ordem e beleza, cosmo e não

caos. As leis que regem seu funcionamento

expressam a vontade divina, que não as estabeleceu

arbitrariamente, mas segundo o plano que se

desdobrou ao longo dos sete dias da criação.

A filosofia cristã incorporou o pensamento

grego, ficando presa à física e à cosmologia de

Aristóteles, que, durante dois mil anos, dominou o

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04

pensamento ocidental, até o advento da filosofia e

da ciência moderna.

Os fundadores da ciência moderna,

Copérnico, Galileu, Kepler, Descartes e Newton,

acreditavam em Deus e a ele se referiram

constantemente, mas conceberam o universo como

se fosse independente de Deus e explicável por si

mesmo, pelas leis que lhe são próprias. A “revolução

copernicana” deslocou o centro de gravitação da

Terra para o Sol e permitiu conceber o universo como

um sistema autônomo, regido por leis que podem

ser conhecidas experimentalmente e formuladas

matematicamente. Descobrindo a impenetrabilidade,

a mobilidade, a força de propulsão dos corpos, as

leis do movimento e da gravidade, e formulando os

postulados que permitem definir as noções de

massa, causa, força, inércia, espaço, tempo e

movimento, Newton foi o primeiro a sistematizar a

moderna ciência da natureza.

A ciência newtoniana coincidia ainda com a

física de Aristóteles na concepção do tempo e do

espaço. Ambas consideram tempo e espaço como

quadros invariáveis e fixos, referenciais absolutos,

em função dos quais se explicam os movimentos

do universo. A definição aristotélica do tempo e do

espaço, embora date do século IV a.C., prevaleceu

na ciência clássica, na mecânica de Galileu e de

Newton, até o advento da física quântica e da

relatividade einsteiniana.

Relacionando a queda da maçã com o

movimento dos planetas e do Sol, Newton formulou

a lei da gravitação universal, que permite determinar

a velocidade de revolução da Terra em torno do Sol,

do sistema solar no sistema estelar, do sistema

estelar na Via Láctea e da Via Láctea nas galáxias

exteriores. O universo newtoniano era o meio

invisível, o espaço absoluto e imutável no qual as

estrelas se deslocam e a luz se propaga de acordo

com modelos mecânicos, traduzíveis em fórmulas

matemáticas.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Em 1905, Albert Einstein escreveu um pequeno

trabalho, no qual admitia que a velocidade da luz

não é afetada pelo movimento da Terra e rejeitava a

noção de espaço como quadro fixo e imóvel no qual

é possível distinguir o movimento absoluto do movimento

relativo. Se a velocidade da luz é constante,

e se propaga independentemente do movimento da

Terra, também deve ser independente do movimento

de qualquer outro planeta, estrela, meteoro, ou

mesmo sistema no universo. As leis da natureza,

conseqüentemente, são as mesmas para todos os

sistemas que se movem uniformemente, uns em

relação aos outros.

Eliminados o espaço e o tempo absolutos, o

universo todo entra em movimento, não tendo mais

sentido indagar pela velocidade "verdadeira", ou

"real" de qualquer sistema. O espaço einsteiniano

não tem fronteiras nem direção, e não apresenta

nenhum ponto de referência que permita comparações

absolutas, pois não passa "da ordem da relação

das coisas entre elas". Os movimentos, portanto,

sejam quais forem, só podem ser descritos e

medidos uns em relação aos outros, uma vez que,

no universo, tudo está em movimento.

A partir da lei da inércia, tal como foi enunciada

por Newton, Einstein reformulou a lei da

gravitação universal, estabelecendo como premissa

que as leis da natureza são as mesmas para qualquer

sistema, independentemente de seu movimento.

O princípio da equivalência, entre a gravidade e

a inércia, estabelece que não há meio algum que

permita distinguir o movimento produzido pelas forças

de inércia do movimento gerado pela força da

gravitação. O princípio permitiu mostrar que nada

de único ou de absoluto no movimento não uniforme,

pois seus efeitos não se podem distinguir dos

efeitos da gravitação. O movimento, portanto, seja

qual for, uniforme ou não, só pode ser observado e

calculado em relação a um parâmetro, pois não há

Andrômeda: galáxia nebulosa

movimento absoluto. Desse ponto de vista, a

gravitação passa a fazer parte da inércia e o movimento

dos corpos resulta de sua inércia própria.

Como a estrutura do campo gravitacional é

determinada pela massa e pela velocidade do corpo

em gravitação, a geometria do universo, a curvatura

do contínuo espaço-tempo, por ser proporcional

à concentração de matéria que contém, será determinada

pela totalidade da matéria contida no universo,

que o faz descrever uma imensa curvatura

que se fecha em si mesma. Embora não seja possível

dar uma representação gráfica do universo finito

e esférico de Einstein, foi possível calcular, em função

da quantidade de matéria contida em cada centímetro

cúbico de espaço, o valor do raio do universo,

avaliado em 35 trilhões de anos-luz. Nesse universo

finito, mas grande o bastante para conter bilhões

de estrelas e galáxias, um feixe de luz, com a

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velocidade de 300.000km/s, levaria 200 trilhões de

anos para percorrer a circunferência do cosmo e

retornar ao ponto de partida.

Galáxias

05

Segundo a mitologia grega, a Via Láctea,

galáxia a que pertence o sistema solar, originou-se

quando Hércules apertou com força o peito de sua

mãe, Juno, enquanto esta o amamentava. Os

pitagóricos acreditavam-na constituída de fogo,

enquanto outras escolas a consideravam um antigo

caminho do Sol, cuja marcha permaneceria

comprovada por um sem-fim de pegadas ardentes.

Modernamente, denomina-se galáxia um

sistema astral composto de numerosos e variados

corpos celestes, sobretudo estrelas e planetas, com

matéria gasosa dispersa, animado por um

movimento harmonioso. As galáxias constituem os

conjuntos mais complexos do universo conhecido.

Até meados do século XVIII, conhecia-se apenas

uma galáxia, a Via Láctea, motivo pelo qual ela é

comumente chamada de Galáxia, com maiúscula.

A partir de então foi descoberta uma grande

quantidade desses sistemas, que são catalogados

mediante códigos alfanuméricos, isto é, formados

por letras e números.

Quando o desenvolvimento da óptica permitiu

a construção de potentes telescópios, os astrônomos

tiveram oportunidade de observar certos objetos

celestes em forma de nuvens luminescentes, a que

deram o nome de nebulosas. Entre estas se

destacava a de Andrômeda, visível a olho nu do

hemisfério norte ou boreal. William Herschel

formulou uma teoria que explica os controvertidos

fenômenos detectados nessas nebulosas e concluiu

que se tratava de galáxias semelhantes à Via Láctea,

também formadas por uma infinidade de estrelas e

situadas a enormes distâncias umas das outras.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

As galáxias podem ser elípticas, espirais e

de forma indefinida. Todas giram em torno de um

ponto central, com períodos da ordem de milhões

de anos.

Aglomerados de galáxias.

As galáxias podem ser encontradas no universo

em grupos conhecidos como aglomerados de

galáxias. Sua distribuição espacial não decorre do

acaso, mas de precisas interações gravitacionais. A

Via Láctea pertence ao Grupo Local, aglomerado

de cerca de 18 galáxias, entre as quais se encontra

a de Andrômeda, uma das conhecidas e admiradas

há mais tempo, por sua beleza e dimensões.

Na parte superior da constelação de Virgem

observa-se grande número de galáxias, que constituem

o aglomerado da Virgem. Na região próxima à

constelação chamada Cabeleira de Berenice existe

uma das mais extraordinárias concentrações de

galáxias, isoladas ou dependentes do aglomerado

da Virgem.

O registro dos ruídos cósmicos permite supor

a existência de outros grupamentos. Instrumentos

situados na Terra e em satélites artificiais enviados

ao espaço para registrar emissões cósmicas detectaram

radiações estranhas chamadas ruídos que,

em alguns casos, eram maiores que as emitidas pelo

Sol. Mais tarde foi possível observar, inclusive por

meios ópticos, choques de galáxias em constelações

como as de Cisne, Centauro-A e Cabeleira de

Berenice.

O aparente movimento de expansão relativa

das galáxias reforça a teoria do Big Bang, que situa

na origem dos tempos uma enorme explosão inicial

de matéria e energia, cuja desagregação teve como

resultado o universo em seu estado atual.

Galáxia espiral: a Via Láctea

Quasares

Os quasares são corpos celestes com aspecto

estelar e fontes de intensas ondas de rádio. Os

astrônomos acreditam que eles sejam ninhos de

galáxias ativas, situadas a grandes distâncias. Alguns

detectados estão a 15 bilhões de anos-luz

da Terra.

Via Láctea

A principal dificuldade que se apresenta ao

estudo da forma e da constituição da Via Láctea é o

fato de ser ela própria o sistema de referência dentro

do qual se estabelecem os instrumentos e métodos

de medida. A visão da Galáxia é parcial, limitada

e condicionada pela posição do sistema solar em

um de seus braços.

Por meio de procedimentos indiretos e de cálculos

astrofísicos altamente especializados foi possível

obter, com certa confiabilidade, um conjunto

de dados e conclusões sobre a composição da Via

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Láctea. Segundo esses dados, a galáxia se assemelha

bastante à galáxia de Andrômeda, de forma

espiral e tipo SB, e distinguem-se em sua estrutura

duas partes principais: o disco ou núcleo, em forma

de lente, com elevada população estelar, e o halo,

região mais externa e difusa.

O movimento do conjunto é semelhante ao

movimento dos planetas no interior do sistema solar,

ainda que muito mais complexo, dada a diferença

de massas e dimensões. A gigantesca quantidade

de estrelas interposta entre o disco e os instrumentos

de medição atua como uma tela impenetrável,

mas estima-se que possa ter uns 200.000 anosluz

de diâmetro (um ano-luz é a distância que a luz

percorre em um ano, à velocidade de 300.000 quilômetros

por segundo). O Sol situa-se numa posição

excêntrica, próxima do braço chamado Quilha-Órion-

Cisne.

A Via Láctea contém aproximadamente 101

bilhões de estrelas, algumas das quais têm

luminosidade mais de um milhão de vezes maior que

a do Sol. A idade dos corpos mais velhos da Via

Láctea é mais de quatro vezes maior que a do Sol,

que se calcula em 5 x 109 anos.

Via Láctea – vista lateral

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Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Nosso endereço no universo

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Nossa galáxia – a VIA LÁCTEA é composta por um conjunto de

aproximadamente 100 bilhões de estrelas e possui um formato similar ao

de um disco achatado, mais grosso no centro, de onde partem vários

braços em forma de espiral, os quais se estendem até um diâmetro de

quase 100.000 anos-luz. Num desses braços, mais precisamente no Braço

de Órion, localiza-se o nosso Sistema Solar, a uma distância de 30.000

anos-luz do núcleo da galáxia.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Origem do Sistema Solar

O sol e o sistema solar tiveram origem há 4,5 bilhões

de anos a partir de uma nuvem de gás e poeira que

girava ao redor de si mesma. Sob a ação de seu

próprio peso, essa nuvem se achatou,

transformando-se num disco, em cujo centro formouse

o sol.

Dentro desse disco, iniciou-se um processo de

aglomeração de materiais sólidos, que, ao sofrer

colisões entre si, deram lugar a corpos cada vez

maiores.

A composição de tais aglomerados relacionava-se

com a distância que havia entre eles e o sol. Longe

do astro, onde a temperatura era muito baixa, os

corpos congelaram; perto dele, ao contrário, o gelo

evaporou, restando apenas rochas e metais.

O Sistema Solar

O sistema solar é um conjunto de planetas,

asteróides e cometas que giram ao redor do sol.

Cada um se mantém em sua respectiva órbita em

virtude da intensa força gravitacional exercida pelo

astro, que possui massa muito maior que a de

qualquer outro planeta. Os corpos mais importantes

do sistema solar são os nove planetas que giram ao

redor do sol, descrevendo órbitas elípticas, isto é,

órbitas semelhantes a circunferências ligeiramente

excêntricas.

O sol não está exatamente no centro dessas órbitas,

razão pela qual os planetas podem encontrar-se,

às vezes, mais próximos ou mais distantes do astro.

Os Planetas do Sistema Solar

O sol e os planetas: tamanhos proporcionais

2 Famílias de Planetas

Os nove planetas do sistema solar diferenciam-se

em dimensão e aspecto. Entretanto, podem ser

classificados em 2 grupos : os 4 planetas mais

próximos do sol são conhecidos como planetas

terrestres, ou telúricos; os 4 seguintes, como

planetas gasosos, ou gigantes gasosos.

Plutão, o 9.º planeta, não se enquadra nessa

classificação.

Planetas Terrestres

No sistema solar interior, mais quente, os restos

rochosos da nebulosa deram origem aos planetas.

As rochas, muito numerosas, chocaram-se entre si,

Pag.

formando aglomerados cada vez maiores. Estes,

atraindo-se uns aos outros pela força da gravidade,

resultaram nos 4 planetas terrestres – MERCÚRIO,

VÊNUS, TERRA e MARTE.

A superfície de tais planetas sofreu um aquecimento

devido ao constante bombardeio das rochas que

orbitavam ao redor do disco central. Contribuiu

também para tal aumento de temperatura, a

radiatividade própria do interior dos planetas. Como

conseqüência do aumento de temperatura, os

metais que compunham parcialmente os planetas

fundiram-se e penetraram nas áreas centrais, dando

origem à formação de veios e depósitos.

Planetas Gasosos

08

No sistema solar exterior, talvez em virtude da

presença de um maior número de aglomerados ou

à abundância de água a uma notável distância do

sol, formaram-se corpos muito compactos, rodeados

de famílias inteiras de satélites. A massa desses

corpos era cerca de 10 vezes maior que a Terra, e

sua gravidade suficientemente elevada para reter

densas atmosferas, que se haviam formado pela

atração de parte da nuvem de gás que ainda

rodeava o sistema solar primitivo. Assim formaramse

em tais regiões os 4 planetas gasosos gigantes

– JÚPITER, SATURNO, URANO e NETUNO.

Localizado nos limites do sistema solar, PLUTÃO é

diferente de todos os outros. Trata-se de um planeta

pequeno, seu diâmetro equivale a menos da metade

do de Mercúrio e menos de 1/5 do diâmetro da Terra,

e sua massa é igual à quinta parte da massa lunar.

É possível que sua origem não seja a mesma dos

demais planetas.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Asteróides

Parte dos resíduos rochosos de menores dimensões

do sistema solar primitivo deu origem a um cinturão

( “o cinturão de asteróides”) localizado entre as

órbitas de Marte e Júpiter. Calcula-se que a massa

total dos asteróides do cinturão é equivalente a

aproximadamente a milésima parte da massa da

Terra.

Satélites

Assim como a Terra, a maior parte dos planetas

possui um ou mais satélites naturais (luas): Mercúrio

e Vênus são os únicos que não os possuem.

Os 4 planetas gigantes estão rodeados de inumeras

famílias de satélites que orbítam em torno do planeta

como se fossem sistemas solares em miniatura e

também possuem belíssimos anéis. Os mais

conhecidos e espetaculares são os de Saturno, mas

Júpiter, Urano e Netuno também os possuem. Os

anéis são formados por fragmentos rochosos e

partículas de pó e gelo.

O Sol é a fonte de energia que domina o sistema

solar. Sua força gravitacional mantém os planetas

em órbita e sua luz e calor tornam possível a vida

na Terra.

A Terra dista, em média, aproximadamente 150

milhões de quilômetros do Sol, distância percorrida

pela luz em 8 minutos.

As observações científicas realizadas indicam que

o Sol é uma estrela de luminosidade e tamanho

médios, e que no céu existem incontáveis estrelas

maiores e mais brilhantes, mas para nossa sorte, a

luminosidade, tamanho e distância foram exatos

para que o nosso planeta desenvolvesse formas de

vida como a nossa.

Muitas pessoas acreditam que o Sol é uma estrela

comum. Isto está errado. Cerca de 95% de todas as

estrelas têm massa menor que a do Sol. As mais

numerosas em nossa galáxia têm apenas 10% da

massa solar. São todas más candidatas a hospedar

vida evoluída porque emitem pouca energia. Para

conseguir calor suficiente, um planeta precisaria

estar tão perto dessa estrela que entraria no que é

chamado de rotação sincrônica. Um lado do planeta

estaria sempre de frente para a estrela. A

temperatura no lado escuro seria tão baixa que toda

a atmosfera congelaria, impedindo a formação de

vida animal.

Se o Sol fosse maior, com certeza não estaríamos

aqui.

Composição do Sol

O Sol é uma enorme esfera de gás incandescente

composta essencialmente de hidrogênio e hélio, com

um diâmetro de 1,4 milhões de quilômetros. O

volume do Sol é tão grande que em seu interior

caberiam mais de 1 milhão de planetas do tamanho

do nosso. Para igualar seu diâmetro, seria

necessário colocar 109 planetas como a Terra um

ao lado do outro.

Núcleo do Sol

No centro da estrela encontra-se o núcleo, cuja

temperatura alcança os 15 milhões de graus

centígrados e onde ocorre o processo de fusão

nuclear por meio do qual o hidrogênio se transforma

em hélio.

Na superfície do Sol, imensos campos

magnéticos produzem erupções de gases

a altas temperaturas.

Superfície do Sol

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A superfície luminosa do Sol é chamada de fotosfera.

Apesar de seu aspecto compacto, não é sólida, é

gasosa. A fotosfera constitui zona limítrofe entre a

densa e opaca massa gasosa das regiões centrais

do Sol e o material mais tênue e transparente do

exterior.

Numa imagem ampliada da fotosfera pode-se

verificar seu aspecto granulado, produzido por

correntes de gás quente que sobem à superfície e

voltam a descer. A parte superior dessas colunas

de gás forma cristas conhecidas como grânulos, de

centenas de quilômetros de diâmetro, dos quais

existem milhões na fotosfera. A vida média dos

grânulos é de apenas 10 minutos, razão pela qual a

superfície do Sol está em constante mudança

Superfície solar.

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Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Cromosfera

Ao redor da fotosfera está a cromosfera, de cor vermelha,

composta basicamente de hidrogênio gasoso. É difícil

observá-la, pois ela se encontra junto à fotosfera. As

melhores ocasiões para observá-la apresentam-se durante

os eclipses totais do sol, quando a fotosfera está oculta

pela Lua.

Protuberâncias

A cromosfera expulsa para o espaço gigantescas massas

de gás incandescente, denominadas protuberâncias, de

mais de 100.000km de comprimento médio. Algumas

delas formam gigantescos arcos que acompanham as

linhas de campo magnético solar e alcançam

temperaturas superiores a 10.000º C.

As protuberâncias manifestam-se durante os períodos de

atividade máxima do Sol e podem durar várias semanas.

Coroa

O extrato mais externo do Sol é a coroa, uma camada

envolvente formada por hidrogênio muito diluído, com

temperatura superior a 1 milhão de graus centígrados.

Normalmente é visível durante os eclipses.

Os gases que formam a coroa emitem grande quantidade

de energia em forma de raios X

A coroa não apresenta sempre o mesmo aspecto, sua

forma varia com o passar do tempo. Isso se deve ao fato

de que um gás turbulento não mantém o mesmo aspecto

durante longos períodos.

Vento Solar

O Sol emite um fluxo contínuo de partículas ionizadas

que se propagam pelo espaço em todas as direções.

Denominado vento solar, esse fluxo possui intensidade

variável, associada à atividade das manchas solares. Os

ventos solares são responsáveis por diversos fenômenos,

como a orientação da cauda dos cometas em sentido

contrário ao Sol, distorção do cinturão magnético da Terra,

com conseqüente alteração do campo magnético do

planeta, com efeitos imprevisíveis sobre o clima,

Eclipse solar

telecomunicações, rede de distribuição elétrica e meio

ambiente.

O vento solar dá origem também às magníficas auroras

boreais.

Manchas Solares

As formas mais interessantes observadas no Sol são as

manchas solares, pequenas áreas mais escuras que o

restante da fotosfera, em virtude de sua temperatura mais

baixa. As manchas solares são brilhantes, mas sua

temperatura, de cerca de 4000º C, é inferior à temperatura

de 5770º C das áreas circundantes.

As manchas, que podem ser várias vezes maiores que a

Terra, surgem por razão do intenso campo magnético do

sol, que impede em alguns pontos a subida do calor

proveniente do interior, provocando a formação de áreas

mais frias.

As manchas solares nos dão a impressão de serem

negras, mas isso ocorre porque são mais frias que as

áreas circundantes da fotosfera.

A área escura da mancha é denominada sombra, com

temperatura de aproximadamente 4300-4800ºC. Em torno

da sombra , existe a penumbra cuja temperatura varia de

5400 a 5500ºC.

A vida média de uma mancha é de 2 semanas. O mais

comum, porém, é surgirem aos pares ou grupos, então

sua vida média será de aproximadamente 3 meses.

Pag.

A família solar, é composta por 1 estrela, 9 planetas,

61 satélites, algumas centenas de cometas de

variados tamanhos, milhares de asteróides e muita

poeira.

O universo, segundo os astrofísicos, tem

aproximadamente 15 bilhões de anos.

O Sol é apenas uma das mais de 100 bilhões de

estrelas de nossa galáxia, a Via Láctea.

Numa noite de céu aberto e sem luar, podemos contar

até 2.500 estrelas a olho nu.

A Via Láctea tem uma extensão aproximada de 100 mil

anos-luz.

O Sol fica a 30 mil anos-luz do centro da nossa galáxia.

O hidrogênio é um elemento abundante em todo o

universo.

As águas ocupam 2/3 da superfície da Terra.

As manchas solares interferem com as transmissões de

rádio e TV na Terra.

A luz do Sol leva aproximadamente 8 minutos para

alcançar a Terra.

A nuvem de Oort é conhecida como “berçário de

cometas”.

O planeta Terra tem entre 4 e 5 bilhões de anos.

A Terra pesa (segundo cálculos) 5,974 x 10 21 toneladas.

O movimento de translação do sol em torno da Via

Láctea é de 200 milhões de anos;

A distância média da terra ao sol é de 149,45 milhões

de Kms.

O movimento de rotação da Terra (em torno de si

mesma) dura 23hs. 56 min. e 4 segs.

10

O movimento de translação da Terra (em torno do sol)

dura 365 dias 5hs. 48 min. e 46 segs.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Pag.

11

Muitos sonham em viajar pelo espaço e ver as

maravilhas do universo. Na realidade, todos

nós somos viajantes espaciais. A nossa nave é

o planeta Terra, viajando a uma velocidade de

108.000 quilômetros (67.000 milhas) por hora

A Lua, o satélite do planeta Terra, seria o último corpo

espacial a ser observado em nossa viagem imaginária,

antes de chegar à Terra.

A Terra

A Terra é o terceiro planeta a contar do Sol, a uma

distância de 150 milhões de quilômetros (93,2

milhões de milhas). Demora 365,256 dias para girar

em volta do Sol e 23,9345 horas para a Terra efetuar

uma rotação completa. Tem um diâmetro de 12.756

quilômetros (7.973 milhas), apenas poucas centenas

de quilômetros maior que o de Vênus. A nossa

atmosfera é composta por 78 por cento de azoto,

21 por cento de oxigênio e 1 por cento de outros

componentes.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Terra vista da Lua.

A Terra é o único planeta conhecido a abrigar vida, no

sistema solar. O núcleo do nosso planeta, de níquelferro

fundido girando rapidamente, provoca um extenso

campo magnético que, junto com a atmosfera, nos

protege de praticamente toda a radiação prejudicial

vinda do Sol e outras estrelas. A atmosfera da Terra

protege-nos dos meteoros, cuja maioria se queima

antes de poder atingir a superfície.

Das viagens pelo espaço, temos aprendido muito sobre

o nosso próprio planeta. O primeiro satélite Norteamericano,

Explorer 1, descobriu uma intensa zona de

radiação, agora chamada de cintura de radiação de Van

Allen que é formada por uma camada de partículas

carregadas que são capturadas pelo campo magnético

da Terra numa região em volta do equador. Outras

descobertas feitas por satélites mostram que o campo

magnético do nosso planeta é distorcido, tendo uma

forma de gota, devido ao vento solar. Também sabemos

agora que a nossa fina atmosfera superior ferve de

atividade, expandindo-se de dia e contraindo-se à noite.

A atmosfera superior, afetada pelas mudanças na

atividade solar, contribui para o clima e meteorologia

na Terra. Além de afetar a meteorologia da Terra, a

atividade solar causa um dramático fenômeno visual

na nossa atmosfera. Quando as partículas carregadas

do vento solar são capturadas pelo campo magnético

da Terra, colidem com as moléculas de ar da nossa

atmosfera acima dos pólos magnéticos do planeta.

Estas moléculas de ar tornam-se então incandescentes

e são assim conhecidas como auroras ou luzes do norte

e do sul.

Da perspectiva na Terra, o nosso planeta parece ser

grande e robusto, com um oceano interminável de ar.

Do espaço, os astronautas muitas vezes têm a

impressão de que a Terra é pequena, e tem uma fina e

frágil camada de atmosfera. Para um viajante do

espaço, as características que distinguem a Terra são

as águas azuis, as massas de terra verdes e castanhas,

e o conjunto de nuvens brancas contra um fundo negro.

A Terra e a Lua.

Pag.

12


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Imagem do Planeta Terra vista do espaço: América do Sul Imagem da Antártida vista do espaço. Imagem do Planeta Terra vista do espaço: África.

Mapa da Terra – fundo oceânico e topo colorido por similaridade

Esta imagem é uma projeção Homolosine da Terra preparada com dados de imagens do

Radiômetro Avançado de Alta Resolução

(Advanced Very High Resolution Radiometer - AVHRR

Pag.

Mapa da Terra feito de imagens de satélites demonstra a iluminação pelo sol –

base de fuso horários.

13


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

O Planeta Terra

O retrato geográfico da Terra é resultado de

pesquisas de diversas áreas do conhecimento e

mais especificamente da geologia, que estuda as

rochas e o interior da Terra; da oceanografia, que

trata das águas, correntes e estrutura do fundo

dos oceanos; da paleontologia, que estuda os

fósseis e as formas antigas de vida; e da

meteorologia, que estuda a atmosfera e o tempo

atmosférico.

Área total do planeta – 507,3 milhões de km².

Área de terras emersas – 149,67 milhões de

km².

Área dos mares e oceanos – 360,63 milhões

de km².

Área do oceano Pacífico – 179,25 milhões de

km² (incluindo os mares periféricos: mar da

China Meridional, mar de Ojotsk, mar de Bering,

mar do Japão, mar da China Oriental e mar

Amarelo).

Área do oceano Atlântico – 106,46 milhões de

km² (incluindo os mares periféricos: oceano

Ártico, mar do Caribe, mar Mediterrâneo, mar da

Noruega, golfo do México, baía de Hudson, mar

da Groenlândia, mar do Norte, mar Negro e mar

Báltico).

Área do oceano Índico – 74,92 milhões de km²

(incluindo os mares periféricos: mar da Arábia,

golfo de Bengala, mar Vermelho).

Profundidade média nos oceanos – 3.795 m.

Volume total das águas do planeta – 1,59

bilhão de km³.

Circunferência da Terra – no Equador: 40.075

km; nos trópicos: 36.784 km; nos círculos

polares: 15.992 km; nos meridianos: 40.003 km.

Diâmetro equatorial – 12.756,3 km.

Diâmetro polar – 12.713,5 km.

Idade da Terra

Em 1654 um arcebispo irlandês calcula, com

base em textos bíblicos, que a Terra teria se

formado às 9 horas do dia 26 de outubro de

4004 a.C. Hoje já se sabe que a Terra tem cerca

de 4,6 bilhões de anos. A datação científica é

feita a partir da idade do Universo e do estudo

das rochas da crosta terrestre. Segundo a teoria

do Big Bang, o Universo teria se formado há 15

bilhões de anos e as galáxias há cerca de 13

bilhões. As primeiras estrelas começam a

aparecer 4 bilhões de anos depois do Big Bang.

Datação de rochas – Para calcular a idade de

uma rocha é preciso somar o tempo de sua

formação no interior do planeta, o período de

esfriamento (que pode chegar a 500 mil anos)

e o tempo que ela leva para surgir na crosta.

Na datação de rochas os cientistas identificam

em sua composição elementos radiativos. Sabese

que todo elemento radiativo se transforma

naturalmente em um isótopo estável. O tempo

máximo de transformação também é uma

variável conhecida. Assim, é possível calcular a

idade de uma rocha investigando quanto ainda

resta do elemento radiativo.

Composição da Terra

Entre o centro da Terra – 6.500 km abaixo da

superfície – e o ponto mais distante da

atmosfera, cerca de 1.000 km acima da

superfície, são identificadas cinco camadas:

atmosfera, hidrosfera e as três camadas

concêntricas do globo, o núcleo, o manto e a

crosta.

ATMOSFERA

Pag.

14

É a capa gasosa que envolve a Terra. É

composta por cinco camadas: troposfera,

estratosfera, mesosfera, termosfera e

exosfera, dependendo do gradiente de

temperatura da região.

Gradiente de temperatura – É a relação

entre temperatura e altitude de determinada

região atmosférica. Um gradiente positivo

significa que a temperatura aumenta com a

altitude; um gradiente negativo, que ela

decresce com a altitude; e um gradiente

indefinido, que a densidade das moléculas é

baixa demais para que a temperatura tenha

valor significativo.

Troposfera – Contém cerca de dois terços da

massa total da atmosfera. Está entre zero e

11 km de altitude e tem gradiente negativo.

Os fenômenos meteorológicos, como nuvens

e precipitações ocorrem na Troposfera.

Estratosfera – Nível superior à troposfera.

Está na faixa entre 11 e 48 km de altitude e

tem gradiente positivo. A região inferior da

estratosfera é chamada camada de ozônio

porque é onde existe a maior concentração

desse gás, vital para os seres vivos por sua

capacidade de absorver radiação ultravioleta

do Sol.

Mesosfera – Está acima da estratosfera e

atinge até 80 km de altitude. Tem gradiente

negativo e registra a temperatura mais baixa

da atmosfera, -95º C.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Termosfera – Ocupa a área entre 80 e 650 km

de altitude e apresenta gradiente positivo. Sua

temperatura varia entre 1.093º C e 1.648º C.

Exosfera – Zona isotérmica (gradiente

indefinido) que se encontra acima de 650 km de

altitude. É o ápice da atmosfera neutra.

HIDROSFERA

Cerca de 70% da superfície da Terra está coberta

de água, e a maior parte dela é água marinha. A

composição da água marinha varia, mas contém

aproximadamente 3,5% de sais, sendo a maior

parte (77,8%) cloreto de sódio, o sal de cozinha.

NÚCLEO

O núcleo do globo é constituído de ferro e níquel

derretidos. Sua temperatura varia de 2.200º C na

parte superior até cerca de 5.000º C nas regiões

mais profundas. Apesar da alta temperatura, a

parte central do núcleo é formada de níquel e ferro

em estado sólido – conseqüência da grande

pressão do interior do planeta. O ponto central

fica a 6.500 km da superfície.

MANTO

Camada pastosa com cerca de 2.900 km de

espessura. Silício, alumínio, ferro e magnésio são

os elementos químicos predominantes. Sua

temperatura varia de 870º C, junto à crosta, até

2.200º C, junto à parte externa do núcleo.

CROSTA

Os continentes, as ilhas e as terras do fundo do

mar compõem a parte externa da crosta terrestre.

Sua espessura varia de 5 a 10 km sob os oceanos

e, de 25 a 90 km, nos continentes. É formada por

três grandes grupos de rochas: magmáticas ou

ígneas, metamórficas e sedimentares.

Rochas e minerais – As rochas são agregados

naturais de um ou mais minerais. Os minerais são

elementos ou compostos químicos, geralmente

sólidos. Só a água e o mercúrio são minerais

encontrados no estado líquido.

Rochas magmáticas – Resultam da solidificação

do magma (ou igno). Quando a solidificação

acontece no interior da crosta originam-se as

rochas magmáticas intrusivas, como o granito.

Quando o magma se solidifica na superfície

terrestre, como resultado de erupções vulcânicas,

surgem as rochas magmáticas extrusivas, como o

basalto.

Rochas sedimentares – São formadas a partir

da erosão de qualquer outro tipo de rocha, como

a argila, o arenito e o calcário.

Rochas metamórficas (ou estratificadas)–

Originam-se de rochas pré-existentes por

recristalização dos minerais. Isso ocorre em função

de novas condições de temperatura e pressão ou

graças à combinação química entre dois ou mais

minerais, como por exemplo o mármore,

metamorfizado do calcário.

Deriva dos continentes

Pag.

15

Há 400 milhões de anos, as terras do planeta

estavam reunidas em um único continente, o

Pangéia (do grego pan, toda; gea, terra). Esse

continente começa a rachar no sentido leste-oeste

há 225 milhões de anos, formando dois

subcontinentes: Laurásia, ao norte, e Gondwana,

ao sul. A atual conformação e posição dos

continentes têm cerca de 60 milhões de anos, mas

eles continuam em constante transformação. A

América do Sul e a África, por exemplo, afastamse

um do outro a uma velocidade de 7 cm por

ano, ampliando a área ocupada pelo oceano

Atlântico. O mar Vermelho também está se

alargando e o continente africano migra em direção

ao continente europeu.

Placas tectônicas – A crosta terrestre não é

contínua, mas dividida em vários blocos chamados

placas tectônicas. Elas são separadas por grandes

fendas vulcânicas em permanente atividade no

fundo do mar. Através dessas fendas, o magma

sobe do manto para a superfície, adicionando novos

materiais à crosta. Isso expande o fundo do mar e

movimenta os blocos que formam a superfície em

diferentes direções.

Dorsais oceânicas – A solidificação do magma

que extravasa ao longo das fendas vulcânicas

forma grandes cordilheiras dorsais oceânicas. A

Dorsal Meso-Oceânica, por exemplo, é uma cadeia

de montanhas com 73 mil km de extensão e com

picos de até 3.800 m de altura.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Coordenadas geográficas

Todos os pontos da superfície terrestre são

localizados pelo cruzamento de duas

coordenadas geográficas: latitude e longitude.

As coordenadas são linhas imaginárias,

separadas em intervalos regulares e medidas

em graus. As latitudes, ou paralelos, são as

linhas paralelas ao Equador. As longitudes, ou

meridianos, são as linhas paralelas ao

meridiano de Greenwich.

PARALELOS

Os paralelos são as distâncias medidas em

graus, partindo do Equador (0º) até 90º norte

e sul.

Equador – A rotação da Terra estabelece um

eixo imaginário, cuja intersecção com a

superfície terrestre estabelece os dois pólos.

O meio do caminho entre os pólos é a linha do

Equador.

Trópicos – Paralelos situados em latitudes

simétricas (23º27'). Representam o

movimento aparente do Sol sobre a superfície

da Terra durante os solstícios, quando os raios

caem verticalmente sobre a região.

Solstícios – São as épocas em que o Sol está

na maior inclinação boreal (norte) ou austral

(sul). A inclinação boreal máxima é chamada

solstício de inverno (em 22 ou 23 de junho) e

corresponde ao dia mais curto do ano. A maior

inclinação austral é o solstício de verão, quando

acontece o dia mais longo (22 ou 23 de

dezembro) no hemisfério sul. Assim como as

estações do ano, os solstícios se invertem nos

dois hemisférios.

Trópico de Câncer – Está ao norte do

Equador. É a projeção do movimento do Sol

durante o solstício de verão do hemisfério

Norte.

Trópico de Capricórnio – Fica ao sul do

Equador e representa o movimento do Sol no

solstício de inverno do hemisfério Norte.

Paralelos e meridianos no globo terrestre

MERIDIANOS

Pag.

Os meridianos são linhas imaginárias, medidas em

graus, partindo de Greenwich (0º) até 180º para

oeste e leste.

Meridiano de Greenwich – É o meridiano inicial,

ou zero, estabelecido em 1884 por acordo

internacional. Foi definido tendo como referência

o meridiano que passa pelo Observatório

Astronômico Real Inglês, na cidade de Greenwich,

próxima a Londres, Inglaterra.

Horário mundial

16

A Terra gira continuamente de oeste para leste.

Cada volta de 360º dura cerca de 24 horas.

Cada intervalo 15º (360 ÷ 24) de longitude

corresponde a uma hora e equivale a um fuso

horário. As horas aumentam a leste de

Greenwich e diminuem a oeste.

Meio-dia – Adota-se, por convenção, que o meiodia

aparente local equivale ao momento em que o

Sol estiver no seu ponto mais alto no céu.

Diferenças de fuso horário – Para efeito

administrativo, os países que têm seu território

atravessado por mais de um fuso horário adotam

um ou mais horários formais para facilitar a

comunicação interna. No Brasil, por exemplo, a

cidade do Recife, capital de Pernambuco, está no

fuso horário de 30º mas adota o horário de Brasília,

que está no fuso horário de 45º.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Linha Internacional da Data

O meridiano de 180º é chamado Linha

Internacional da Data. É, por convenção

internacional, o meridiano que determina a

mudança de data. Seja qual for a data a oeste

da Linha, a leste está no dia anterior. Como a

Terra gira de oeste para leste, quando é meiodia

de uma segunda-feira a leste da Linha, é

meio-dia de terça-feira a oeste.

Mapa Mundi com os Fuso-horários

Relevo

O relevo terrestre pode ser definido como a

feição do planeta, que está dividido em

planaltos e planícies. As terras emersas

compõem 30% da superfície, com altura média

de 840 m. O ponto mais elevado do planeta é

o monte Everest, com 8.848 m (ver foto a

seguir). A maior depressão absoluta é o mar

Morto, um mar interior, que está 394 m abaixo

do nível do oceano.

FORMAÇÃO DO RELEVO

Pag.

O relevo é formado a partir de agentes internos e

externos. Os agentes internos são as forças do

interior da Terra, como o vulcanismo, o tectonismo

e os abalos sísmicos. Os fatores externos são

aqueles provocados por agentes localizados na

superfície terrestre, como ventos, chuvas,

insolação, enchentes de rios, marés, animais,

vegetação e a ação do homem com obras como o

represamento de um rio, por exemplo.

Relevo em pseudo-cor

FENÔMENOS TECTÔNICOS

17

Ao se movimentar, as placas tectônicas se chocam

entre si provocando alterações no relevo. A cada

choque, a placa que apresenta menor viscosidade

(mais aquecida) afunda sob a mais viscosa (menos

aquecida). A parte que penetra tem o nome de

zona de subducção.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Montanhas – O choque das placas também

enruga a superfície, formando as cadeias de

montanhas. A última grande movimentação das

placas deu-se na era Cenozóica, no período

Terciário, dando origem aos dobramentos

modernos: Himalaia (do choque entre as placas

sob a Índia e a Ásia), dos Andes e dos Alpes, cadeia

do Atlas e das Rochosas.

Monte Everest – o mais alto do planeta

Fossas abissais – São profundas depressões na

superfície do planeta, em geral situadas no

fundo dos oceanos e mares. Resultam das zonas

de subducção.

Vulcões – Resultam do levantamento das camadas

internas da crosta por movimentos no interior da Terra.

Estão concentrados nas chamadas zonas orogenéticas

modernas, ou simplesmente Círculo de Fogo, que

compreende o litoral Pacífico da América, da Ásia e

da Oceania, além de um semicírculo que vai desde a

América Central, atravessando o Atlântico, sul da

Europa e Ásia, até se encontrar com o sudeste asiático.

Processo de erupção – Começa com a liberação

de gás de enxofre (altamente tóxico), seguido de

explosões que lançam lava. A lava é composta

basicamente de ferro e silicato de alumínio em

estado pastoso.

Erupções famosas – Em 24 de agosto de 79 d.C.

o Vesúvio explode e soterra as cidades de Pompéia

e Herculano, no sul da Itália, matando a maioria

dos habitantes. Em 25 de agosto de 1883 o vulcão

Krakatoa destrói dois terços da ilha de Krakatoa,

na Indonésia. A erupção provoca ondas de até 35

m que causam a morte de 36 mil pessoas. O vulcão

Monte Pelado, na Martinica, entra em erupção em

8 de maio de 1902 e mata 28 mil pessoas. Em

junho de 1912 o Katmai, no Alasca, América do

Norte, causa a maior explosão conhecida pelo

homem, lançando uma nuvem de gases que

escurece por 60 horas a região em um raio de até

200 km. Como a área é pouco povoada, não há

vítimas.

Vulcão em erupção

Pag.

Terremotos – São provocados pelo atrito entre

as placas tectônicas ou por violentas erupções

vulcânicas. O atrito entre placas acumula tensões

nas rochas, que sob pressão se quebram. Quando

isso ocorre, a energia é liberada em ondas que se

propagam em grande velocidade. É o que acontece

na região de Los Angeles e São Francisco, na

Califórnia, EUA, ao longo da falha de San Andrés,

ponto de encontro e fricção entre placas da América

do Norte e do Pacífico. No oeste da América do

Sul, o afundamento da placa de Nazca sob a placa

continental, que originou a cordilheira dos Andes,

é também responsável pelos freqüentes

terremotos na região.

Linhas dos epicentros de terremotos

18

Escala Richter – A quantidade de energia liberada

por um abalo sísmico, ou sua magnitude, é medida

pela amplitude das ondas emitidas segundo o

parâmetro da escala de Richter, que vai de zero a

9 pontos.

Escala Mercalli – O poder de destruição de um

terremoto é medido pela escala Mercalli, de zero

a 12 pontos. O abalo que destrói a Cidade do

México, em 1985, tem magnitude 8,1 e intensidade

10.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Distribuição das águas

O volume global de água da Terra é de 1,59 bilhão

de km³, abrangendo oceanos, lagos, rios, gelo,

atmosfera (vapor d’água) e sedimentos em

suspensão. A maior parte está concentrada em

mares e oceanos (1,37 bilhão de km³). Lagos e

rios somam 500 mil km³. As geleiras correspondem

a 22 milhões de km³, a atmosfera a 13 mil km³ e

os sedimentos a 196 milhões de km³.

Os oceanos cobrem cerca de 70% da superfície da Terra

Correntes marítimas – São porções de água com

características diferentes das águas que as

circundam. Existem correntes quentes e frias. As

águas quentes tendem a se dirigir do Equador para

os pólos e as frias dos pólos em direção ao Equador.

As correntes dão velocidade às embarcações,

interferem no clima e ajudam na pesca.

Correntes mais importantes – As mais

importantes são as correntes de Humboldt, na

América do Sul (costa do Pacífico), a corrente

quente do golfo do México, que evita o

congelamento dos portos europeus, e a corrente

fria do Labrador, que desce do Ártico e congela os

portos de Nova York.

Clima

O clima pode ser definido como a sucessão habitual

dos diversos tipos de tempos atmosféricos

registrados em uma região ao longo de pelo menos

dez anos, considerando-se temperatura, pressão,

umidade, regime de ventos, atuação das massas

de ar, relevo, correntes marítimas, vegetação e o

homem.

Tempo atmosférico – É considerado a média de

variações das condições atmosféricas em

determinado momento e lugar da superfície

terrestre.

Extremos geográficos – Ponto mais chuvoso:

monte Waialeale (Havaí, EUA), com 11.680 mm

anuais; ponto mais seco: Deserto de Atacama

(Chile), sem chuva durante 1.571 anos (de 400 a

1971); ponto mais quente: El Azízia (Líbia), que

registra 58º C em 13 de setembro de 1922; ponto

mais frio: Estação de Vostok (Antártida), registra

-89,2º C, em 21 de julho de 1983.

ZONAS CLIMÁTICAS

Pag.

19

A interação entre os 20 km de atmosfera mais

próximos da Terra e a camada superficial do

planeta dá origem ao clima. Durante o dia, parte

da energia solar é captada pela superfície terrestre

e absorvida. Outra parte é irradiada

constantemente para a atmosfera (radiações

infravermelhas) e a aquece pela base.

Efeito estufa – Os gases atmosféricos,

especialmente o gás carbônico, funcionam como

uma capa protetora que impede a dispersão total

desse calor para o espaço exterior, evitando o

resfriamento da Terra durante a noite.

Regiões climáticas – Como a Terra é

arredondada, o ângulo de incidência dos raios

solares não é igual em toda a superfície. Varia

conforme a latitude, dando origem às regiões

climáticas. O excesso de calor do Equador e o frio

dos pólos são parcialmente compensados pelos

movimentos circulatórios da atmosfera. Esses

movimentos são determinados pela rotação da

Terra e pela pressão atmosférica provocada pelo

grau de aquecimento da massa gasosa.

Regiões equatoriais – São as mais quentes

porque nelas o ângulo de incidência dos raios

solares é de cerca de 90º e o período de

insolação é de 12 horas diárias.

Baixas temperaturas – Quanto maior a

latitude, maior a inclinação dos raios solares e a

reflexão da luz, o que resulta em temperaturas

mais baixas.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

ESTAÇÕES DO ANO

O movimento de translação inclinada da Terra ao

redor do Sol é o que determina as estações do

ano. De outubro a fevereiro, aproximadamente, o

hemisfério Sul está mais voltado para os raios

solares. A partir de março essa região vai

recebendo gradativamente menos luz solar e se

esfriando. No hemisfério Norte, acontece o

contrário.

Mudanças de estação – No hemisfério Sul as

estações se distribuem da seguinte maneira: Verão

de 21 de dezembro a 21 de março; Outono – de

21 de março a 21 de junho; Inverno – de 21 de

junho a 22 ou 23 de setembro; Primavera – de 22

ou 23 de setembro a 21 de dezembro. No

hemisfério Norte ocorre o oposto.

MASSAS DE AR

A massa de ar é um corpo de ar com características

próprias de umidade, pressão e temperatura.

Podem ser quentes e úmidas, quentes e secas,

frias e úmidas ou frias e secas.

Circulação atmosférica – As massas de ar

obedecem aos efeitos gerais da circulação

atmosférica: uma massa adquire as suas

propriedades a partir do contato com a superfície

terrestre. Se uma massa de ar estacionar sobre

uma região tropical do oceano com corrente

marítima quente, isto é, com evaporação de muita

água, ela será uma massa quente e úmida. Se

parar sobre o Pólo, será fria e carregará a umidade

do lugar.

Frentes frias – No inverno, o Pólo está mais

frio e o ar mais denso. A pressão atmosférica

aumenta e empurra a massa para os trópicos,

onde a pressão está menor. São as chamadas

frentes frias. Quando massas frias encontram

massas quentes acontece a chuva frontal,

devido à condensação da massa fria úmida.

TIPOS DE CLIMA

Podem ser divididos em cinco grandes grupos:

quentes, secos, temperados, frios e montanhosos.

Quentes – Equatorial: domina as regiões próximas

ao Equador. As temperaturas são altas, com médias

anuais em torno de 25º C e muita chuva. Tropical:

Pag.

20

abrange a área intertropical (entre os trópicos de

Câncer e Capricórnio). Excluindo-se a influência

das altitudes, a temperatura média é superior a

20º C. As médias anuais de chuvas variam: quanto

mais distante do oceano, menor a quantidade de

chuvas. Subtropical: ocorre em áreas de latitudes

superiores aos 23º, tanto norte quanto sul.

Apresenta verões quentes e invernos rigorosos,

dependendo da ação das massas de ar.

Compreende o litoral do golfo do México, nos EUA,

região de Buenos Aires, na Argentina, litoral

sudeste da Austrália e litoral sudeste da China.

Secos – Tropical árido: pode ser subdividido em

dois grupos de acordo com a relação entre

chuva e temperatura: de estepes ou semi-árido

– típico de regiões de média latitude (como no

oeste dos EUA,


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

sul da Rússia e Ucrânia) e de baixa latitude, como

no sertão do Nordeste brasileiro; de desertos ou

árido – com índices de chuva inferiores à metade

dos registrados nas estepes-, é característico do

Saara, Arábia, centro da Austrália e Arizona, nos

EUA. A amplitude anual de temperatura (variação

entre a mínima e a máxima) é grande, com verões

muito quentes e invernos frios. O volume de

chuvas é baixo. Continental árido: apresenta as

mesmas características do tropical árido, com a

diferença de estar nas regiões temperadas.

Temperados – Mediterrâneo: localiza-se entre as

latitudes tropicais e temperadas. Apresenta

temperaturas médias entre 15º C e 20º C. Os

verões são bem quentes e os invernos rigorosos e

com chuvas. Abrange as áreas do litoral sul do

Pacífico dos EUA, litoral do Chile, sul da Europa e

norte da África. Oceânico: apresenta grande

amplitude térmica anual. As estações do ano são

bem definidas. Invernos rigorosos e verões

quentes. Compreende o litoral noroeste da Europa.

Continental: domina vastas áreas da América do

Norte, interior da Europa e litoral nordeste da

China. Os invernos são muito rigorosos com

temperaturas médias de -10º C.

Frios – Continental frio: ocorre somente no

hemisfério Norte, pois nessas latitudes o

hemisfério Sul possui maior porção de superfícies

oceânicas. O inverno é frio e o verão é quente.

Abrange as áreas do norte do Canadá e vastas

áreas da Sibéria (Rússia). Polar: domina extensas

áreas do extremo norte do Canadá e Rússia e uma

pequena parte da península Escandinava. Os

verões têm temperatura média de 10º C.

As chuvas são bastante escassas.

Montanhosos – Frio de montanha: quanto maior

a altitude, mais baixa a temperatura. As áreas

montanhosas possuem baixas temperaturas, com

queda de 6º C a cada mil metros. As áreas dos

Andes, Rochosas, Alpes, Atlas e Himalaia têm

eterna neve nos cumes.

Vegetação

Segundo a FAO (Organização de Alimentação e

Agricultura da ONU), as florestas densas (tropicais

e equatoriais) cobrem aproximadamente 3 bilhões

de hectares da Terra e as florestas abertas

(savanas e cerrados) ocupam 1,3 bilhão de

hectares.

TIPOS DE VEGETAÇÃO - BIOMAS

A variedade de vegetação acontece em função das

diferenças de altitude, latitude, pressão

atmosférica, iluminação e atuação das massas

de ar.

Florestas equatoriais – Ocorrem nas baixas

latitudes, compreendendo a Amazônia, parte

centro-ocidental da África e sudeste asiático. Como

estão em áreas quentes e úmidas, possuem folhas

largas (latifoliadas) e sempre verdes (perenes).

Pag.

21

As árvores podem ter até 60 m (castanheira).

Apresentam grande variedade de espécies (floresta

heterogênea). Os solos em geral são pobres. São

conhecidas como autofágicas (que se alimentam

de si mesmas) em função da grande quantidade

de húmus proveniente das folhas, galhos e troncos.

Florestas tropicais – Em comparação às florestas

equatoriais, as tropicais possuem menor

diversidade de espécies vegetais, árvores de menor

porte e, claro, espécies diferentes. As florestas

tropicais localizam-se na faixa intertropical

litorânea.

Savanas ou cerrados – Aparecem na faixa

intertropical em locais onde ocorre uma estação

seca (inverno), impedindo o aparecimento de

florestas. São formações vegetais encontradas no

centro-oeste brasileiro, larga faixa do centro da

África, litoral da Índia e norte da Austrália. Têm

plantas rasteiras (herbáceas), intercaladas por

árvores de pequeno porte. No período de seca, as

folhas caem para evitar a evaporação. No Brasil

são chamadas de cerrado e na África, de savana.

Campos ou pradarias – Ocorrem nas áreas de

clima temperado continental: norte dos EUA, sul

do Canadá, centro-sul da Rússia, norte da China,

norte da Argentina e Uruguai. A umidade é pouca

para o nascimento de árvores. Por isso, formamse

gramíneas (tapete herbáceo). Recebem o nome

de pampa na Argentina, de pradarias nos EUA e

no Canadá e de estepe na Rússia.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Desertos – Nas áreas desérticas, como no Saara,

Kalaari, Arábia, Irã, Austrália, México, Estados

Unidos (na Califórnia), Peru e Chile (deserto de

Atacama) não há vegetação permanente. Em

alguns locais, surge uma “erva rasteira” após as

chuvas. Nas regiões onde aflora o lençol freático

(lençol subterrâneo de água) podem surgir oásis,

com palmeiras (tamareiras).

Semi-desertos – Pouca umidade e vegetação

rasteira, cactos e arbutos.

Florestas temperadas – Encontram-se nas

latitudes médias (40º a 55º) típicas do hemisfério

Norte, no Canadá, nos Estados Unidos e no norte

da Europa. As espécies são decíduas (perdem as

folhas para enfrentar uma estação seca e fria) de

grande porte. Nos solos mais ácidos aparece a

lande, uma vegetação herbácea com algumas

árvores.

Florestas de coníferas – Estão nas regiões de

clima subpolar como o norte do Canadá, da Europa

e Rússia (onde recebe o nome de taiga). Possuem

pequena variedade de espécies e quase todas são

de pequeno porte em função do vento. Apresentam

folhas em forma de agulha (aciculifoliadas) para

não acumular neve.

Tundra – Predomina no extremo norte do

hemisfério Norte. Os solos são gelados e, nos

poucos meses de degelo, aparecem em alguns

pontos musgos e liquens: a tundra.

Ártico-Alpino – Baixas temperaturas, grandes

altitudes, ar rarefeito.

Tipos de vegetação: Biomas

Pag.

22


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Mapa Físico da Terra

Mapa da divisão Política

do Planeta

Cartografia

Pag.

23

A arte de traçar mapas começou com os gregos

que, no século VI a.C., em função de suas

expedições militares e de navegação, criaram o

principal centro de conhecimento geográfico do

mundo ocidental. A confecção de um mapa

normalmente começa a partir da redução da

superfície da Terra em seu tamanho. Em mapas

que figuram a Terra por inteiro em pequena

escala, o globo se apresenta como a única

maneira de representação exata. A transformação

de uma superfície esférica em uma superfície

plana, recebe a denominação de projeção

cartográfica.

Cartografia, portanto, é a arte e ciência de

graficamente representar uma área geográfica em

uma superfície plana como em um mapa ou

gráfico.

A Cartografia data da pré-história quando era

usada para delimitar territórios de caça e pesca.

Na Babilônia os mapas do mundo eram impressos

em madeira num disco liso, mas foram

Eratosthenes de Cirene e Hiparco (século III a.C.)

que construíram as bases da moderna cartografia

com um globo como forma e um sistema de

longitudes e latitudes. Ptolomeu desenhava os

mapas em papel com o mundo dentro de um

círculo, sendo imitado na maioria dos mapas feitos

até a Idade Média. Foi só com a era dos

descobrimentos que os dados coletados durante

as viagens tornaram os mapas mais exatos.

Com a descoberta do novo mundo, a cartografia

começou a trabalhar com projeções de superfícies

curvas em impressões planas. A mais usada e

conhecida é a projeção Mercator.

Hoje em dia a cartografia é feita através de

fotometria e de sensoreamento remoto por

satélite e, com a ajuda de computadores, mais

informações podem ser visualizadas e analisadas

pelos geógrafos, fazendo mapas que chegam a

ter precisão de até meio metro.


América do Sul

Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Pag.

24


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

BRASIL: Informações Gerais Sobre Aspectos Geográficos

O território brasileiro estende-se por uma

área de 8.547.403 km 2 a leste da América

do Sul, limitando-se ao norte com a Guiana,

Venezuela, Suriname e Guiana Francesa; a

noroeste com a Colômbia; a oeste com o

Peru e Bolívia; a sudoeste com o Paraguai e

Argentina; e ao sul com o Uruguai. A mais

extensa fronteira do Brasil é com a Bolívia

(3.126 km) e a menor com o Suriname (593

km). As costas leste, sudeste e nordeste

do país são banhadas pelo oceano Atlântico.

Apenas dois países da América do Sul - Chile

e Equador - não têm fronteiras com o Brasil.

O país ocupa 20,8% do território das

Américas e 47,7% da América do Sul, sendo

o quinto no mundo em extensão territorial,

superado apenas pela Rússia, Canadá, China

e Estados Unidos da América. A linha do

Equador corta o país ao norte, atravessando

os estados do Amazonas, Roraima, Pará e

Amapá. O Trópico de Capricórnio corta os

estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e

São Paulo a uma latitude sul de 23º27’30".

Um total de 93% do território brasileiro

encontra-se localizado no Hemisfério Sul e

92% na zona inter-tropical.

POPULAÇÃO

De acordo com dados de 2000, da Fundação

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

(IBGE), a população brasileira totaliza

169.799.170 habitantes.

Antes e depois do primeiro censo

O primeiro recenseamento de população de

âmbito nacional no Brasil foi realizado em

1872. Até o primeiro censo, essas

informações eram obtidas de forma indireta,

sem a realização de um levantamento

adequado, sendo deduzidos ou estimados

com base em dados parciais e de diversas

fontes, como a igreja ou órgãos do governo.

A primeira estimativa de população no Brasil

data de 1776, quando o abade Correia da

Serra contou 1.900.000 almas,

provavelmente baseando-se em

arrolamentos realizados pelas autoridades

eclesiásticas.

De lá para cá, veja como cresceu a população

brasileira:

Pag.

25


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

IBGE

Atlas do Censo Demográfico 2000

Como etapa final de divulgação dos resultados do Censo

Demográfico 2000, o IBGE apresenta, no Atlas, as

diferentes facetas da configuração do território nacional

e as múltiplas dimensões que compõem a dinâmica e o

perfil da evolução de sua população, ampliando a análise

dos contrastes demográficos e das desigualdades sociais

e regionais enfocadas nos volumes dos resultados

divulgados.

O Atlas do Censo Demográfico 2000 introduz uma

inovação na divulgação dos Censos Demográficos

brasileiros, tradicionalmente apresentados sob a forma

tabular. Reúne um conjunto de mapas que ilustram, de

forma sintética, a inserção do Brasil no mundo, a divisão

político-administrativa do país, a dinâmica e mobilidade

espacial da população, o processo de urbanização, as

condições habitacionais dos domicílios e o perfil cultural

e socioeconômico da população. Essas informações,

articuladas em níveis geográficos diversos - unidade da

federação, município, setor censitário e bacia

hidrográfica - são enriquecidas com textos analíticos,

gráficos, tabelas e imagens, que evidenciam as

especificidades regionais observadas. A publicação

inclui, ainda, um glossário com os termos e conceitos

considerados relevantes para a compreensão dos

resultados.

Constitui, assim, valiosa fonte de informações para o

planejamento estratégico nacional e a formulação de

políticas públicas voltadas à superação das históricas

desigualdades que marcam a sociedade e o território

brasileiro.

Atlas do Censo Demográfico 2000 - Listagem parcial de Mapas

Principais características da distribuição da população no mundo

Distribuição da população no mundo - 2000

Crescimento demográfico nomundo – 1990/2000

Densidade demográfica no mundo -2000

Grau de Urbanização no mundo - 2000

Brasileiros residentes no exterior - 2000

Estrangeiros residentes no Brasil - 2000

Estrutura territorial e demográfica

Dinâmica da população e território

Divisão político-administrativa e Grandes Regiões - 2000

Evolução da malha municipal e Grandes Regões - 2000

Criação de novos municípios 1991/2000

Regiões Metropolitanas 1974/2000

Distribuição das áreas urbanas e rurais - 2000

Densidade demográfica por sub-bacias hidrográficas - 2000

Distribuição da população urbana - 2000

Distribuição da População rural

Crescimento demográfico – 1991/2000

Perfil etário da população - 2000

Composição por sexo e grupos de idade - 2000

Razão de dependência - 2000

Razão de sexo - 2000

Fecundidade – 2000

Mortalidade infantil - 2000

Mulheres responsáveis pelo domicílio - 2000

Composição racial da população - 2000

Portadores de deficiências - 2000

Mobilidade espacial da população e urbanização

População não natural - 2000

Migração rural-urbana - 2000

Deslocamento para trabalho ou estudo - 2000

Grau de urbanização - 2000

Tipologia dos municípios – 2000

Taxa média de crescimento anual da população em áreas – 1991/2000

Condição de habitação

Densidade domiciliar – 2000

Condição de ocupação dos domicílios - 2000

Abastecimento de água - 2000

Pag.

26

Tipo de esgotamento sanitário dos domicílios - 2000

Domicílios atendidos por coleta de lixo - 2000

Iluminação elétrica nos domicílios - 2000

Condição de pavimentação do logradouro - 2000

Perfil social e econômico da população

Analfabetismo - 2000

Média de anos de estudo - 2000

População adulta com curso concluído - 2000

Freqüência em cursos regulares - 2000

Educação pública e privada - 2000

Crianças fora da escola - 2000

Média de anos de estudo da populção por cor ou raça - 2000

Distribuição da população por religião - 2000

Escolaridade por religião - 2000

Taxa de atividade - 2000

Ocupação e emprego - 2000

Categoria do emprego - 2000

Contribuintres de previdencia oficial - 2000

Aposentados de instituto de previdência oficial - 2000

Rendimento médio mensal familiar per capita - 2000

Rendimento mediano mensal do trabalho por posição na ocupação - 2000

Posse de bens duráveis - 2000

Rendimento mediano mensal de trabalho por gênero - 2000

Rendimento mediano mensal de trabalho por religião - 2000

Rendimento mediano mensal de trabalho por classe de anos de estudo - 2000


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Principais bacias hidrográficas brasileiras

O Brasil é dotado de uma vasta e densa rede

hidrográfica, sendo que muitos de seus rios

destacam-se pela extensão, largura e

profundidade. Em decorrência da natureza do

relevo, predominam os rios de planalto que

apresentam em seu leito rupturas de declive,

vales encaixados, entre outras características,

que lhes conferem um alto potencial para a

geração de energia elétrica. Quanto à

navegabilidade, esses rios, dado o seu perfil não

regularizado, ficam um tanto prejudicados.

Dentre os grandes rios nacionais, apenas o

Amazonas e o Paraguai são predominantemente

de planície e largamente utilizados para a

navegação. Os rios São Francisco e Paraná são

os principais rios de planalto.

De maneira geral, os rios têm origem em regiões

não muito elevadas, exceto o rio Amazonas e

alguns de seus afluentes que nascem na

cordilheira andina.

Em termos gerais, como mostra o mapa acima,

pode-se dividir a rede hidrográfica brasileira em

sete principais bacias:

a bacia do rio Amazonas; a do Tocantins -

Araguaia; a bacia do Atlântico Sul - trechos norte

e nordeste; a do rio São Francisco; a do Atlântico

Sul - trecho leste; a bacia Platina, composta pelas

Pag.

27

sub-bacias dos rios Paraná e Uruguai; e a do

Atlântico Sul - trechos sudeste e sul.

Bacia do rio Amazonas

Em 1541, o explorador espanhol Francisco de

Orellana percorreu, desde as suas nascentes nos

Andes peruanos, distante cerca de 160 km do

Oceano Pacífico, até atingir o Oceano Atlântico,

o rio que batizou de Amazonas, em função da

visão, ou imaginação da existência, de mulheres

guerreiras, as Amazonas da mitologia grega.

Este rio, com uma extensão de aproximadamente

6.500 km, ou superior conforme recentes

descobertas, disputa com o rio Nilo o título de

mais extenso no planeta. Porém, em todas as

possíveis outras avaliações é, disparado, o maior.

Sua área de drenagem total, superior a 5,8

milhões de km 2 , dos quais 3,9 milhões no Brasil,

representa a maior bacia hidrográfica mundial.

O restante de sua área dividi-se entre o Peru,

Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana e Venezuela.

Tal área poderia abranger integralmente o

continente europeu, a exceção da antiga União

Soviética.

O volume de água do rio Amazonas é

extremamente elevado, descarregando no

Oceano Atlântico aproximadamente 20% do total

que chega aos oceanos em todo o planeta. Sua

vazão é superior a soma das vazões dos seis

próximos maiores rios, sendo mais de quatro

vezes maior que o rio Congo, o segundo maior

em volume, e dez vezes o rio Mississipi. Por

exemplo, em Óbidos, distante 960 km da foz do

rio Amazonas, tem-se uma vazão média anual

da ordem de 180.000 m 3 /s. Tal volume d’água

é o resultado do clima tropical úmido

característico da bacia, que alimenta a maior

floresta tropical do mundo.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Na Amazônia os canais mais difusos e de maior

penetrabilidade são utilizados tradicionalmente

como hidrovias. Navios oceânicos de grande

porte podem navegar até Manaus, capital do

estado do Amazonas, enquanto embarcações

menores, de até 6 metros de calado, podem

alcançar a cidade de Iquitos, no Peru, distante

3.700 km da sua foz.

O rio Amazonas se apresenta como um rio de

planície, possuindo baixa declividade. Sua largura

média é de 4 a 5 km, chegando em alguns

trechos a mais de 50 km. Por ser atravessado

pela linha do Equador, esse rio apresenta

afluentes nos dois hemisférios do planeta. Entre

seus principais afluentes, destacam-se os rios

Iça, Japurá, Negro e Trombetas, na margem

esquerda, e os rios Juruá, Purus, Madeira,

Tapajós e Xingu, na margem direita.

Bacia do rio Tocantins - Araguaia

A bacia do rio Tocantins - Araguaia com uma

área superior a 800.000 km2 , se constitui na

maior bacia hidrográfica inteiramente situada em

território brasileiro. Seu principal rio formador é

o Tocantins, cuja nascente localiza-se no estado

de Goiás, ao norte da cidade de Brasília. Dentre

os principais afluentes da bacia Tocantins -

Araguaia, destacam-se os rios do Sono, Palma e

Melo Alves, todos localizados na margem direita

do rio Araguaia.

O rio Tocantins desemboca no delta amazônico

e embora possua, ao longo do seu curso, vários

rápidos e cascatas, também permite alguma

navegação fluvial no seu trecho desde a cidade

de Belém, capital do estado do Pará, até a

localidade de Peine, em Goiás, por cerca de 1.900

km, em épocas de vazões altas. Todavia,

considerando-se os perigosos obstáculos

oriundos das corredeiras e bancos de areia

durante as secas, só pode ser considerado

utilizável, por todo o ano, de Miracema do Norte

(Tocantins) para jusante.

O rio Araguaia nasce na serra das Araras, no

estado de Mato Grosso (poucos kilometros ao

norte do Parque Nacional das Emas), possui cerca

de 2.600 km, e desemboca no rio Tocantins na

localidade de São João do Araguaia, logo antes

de Marabá. No extremo nordeste do estado de

Mato Grosso, o rio dividi-se em dois braços, rio

Araguaia, pela margem esquerda, e rio Javaés,

pela margem direita, por aproximadamente 320

km, formando assim a ilha de Bananal, a maior

ilha fluvial do mundo. O rio Araguaia, é navegável

cerca de 1.160 km, entre São João do Araguaia

e Beleza, porém não possui neste trecho

qualquer centro urbano de grande destaque.

Bacia do Atlântico Sul - trechos norte e

nordeste

Vários rios de grande porte e significado regional

podem ser citados como componentes dessa

bacia, a saber: rio Acaraú, Jaguaribe, Piranhas,

Potengi, Capibaribe, Una, Pajeú, Turiaçu, Pindaré,

Grajaú, Itapecuru, Mearim e Parnaíba.

Em especial, o rio Parnaíba é o formador da

fronteira dos estados do Piauí e Maranhão, por

seus 970 km de extensão, desde suas nascentes

na serra da Tabatinga até o oceano Atlântico,

além de representar uma importante hidrovia

para o transporte dos produtos agrícolas da

região.

Bacia do rio São Francisco

A bacia do rio São Francisco, nasce em Minas

Gerais, na serra da Canastra, e atravessa os

estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e

Sergipe. O rio São Francisco possui uma área de

drenagem superior a 630.000 km2 e uma

extensão de 3.160 km, tendo como principais

afluentes os rios Paracatu, Carinhanha e Grande,

Pag.

28

pela margem esquerda, e os rios Salitre, das

Velhas e Verde Grande, pela margem direita.

De grande importância política, econômica e

social, principalmente para a região nordeste do

país, é navegável por cerca de 1.800 km, desde

Pirapora, em Minas Gerais, até a cachoeira de

Paulo Afonso, em função da construção de

hidrelétricas com grandes lagos e eclusas, como

é o caso de Sobradinho e Itaparica.

Bacia do Atlântico Sul - trecho leste

Da mesma forma que no seu trecho norte e

nordeste, a bacia do Atlântico Sul no seu trecho

leste possui diversos cursos d’água de grande

porte e importância regional. Podem ser citados,

entre outros, os rios Pardo, Jequitinhonha,

Paraíba do Sul, Vaza-Barris, Itapicuru, das Contas

e Paraguaçu.

Por exemplo, o rio Paraíba do Sul está localizado

entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e

Minas Gerais, os de maior significado econômico

no país, possui ao longo do seu curso diversos

aproveitamentos hidrelétricos, cidades

ribeirinhas de porte, como Campos, Volta

Redonda e São José dos Campos, bem com

industrias importantes como a Companhia

Siderúrgica Nacional.

Bacia Platina, ou dos rios Paraná e Uruguai

A bacia platina, ou do rio da Prata, é constituída

pelas sub-bacias dos rios Paraná, Paraguai e

Uruguai, drenando áreas do Brasil, Bolívia,

Paraguai, Argentina e Uruguai.

O rio Paraná possui cerca de 4.900 km de

extensão, sendo o segundo em comprimento da

América do Sul. É formado pela junção dos rios

Grande e Paranaíba. Possui como principais

tributários os rios Paraguai, Tietê, Paranapanema

e Iguaçu. Representa trecho da fronteira entre

Brasil e Paraguai, onde foi implantado o

aproveitamento hidrelétrico binacional de Itaipu,


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

com 12.700 MW, maior usina hidrelétrica em

operação do mundo. Posteriormente, faz

fronteira entre o Paraguai e a Argentina. Em

função das suas diversas quedas, o rio Paraná

somente possui navegação de porte até a cidade

argentina de Rosário.

O rio Paraguai, por sua vez, possui um

comprimento total de 2.550 km, ao longo dos

territórios brasileiro e paraguaio e tem como

principais afluentes os rios Miranda, Taquari, Apa

e São Lourenço. Nasce próximo à cidade de

Diamantino, no estado de Mato Grosso, e drena

áreas de importância como o Pantanal matogrossense.

No seu trecho de jusante banha a

cidade de Assunción, capital do Paraguai, e forma

a fronteira entre este país e a Argentina, até

desembocar no rio Paraná, ao norte da cidade

de Corrientes.

O rio Uruguai, por fim, possui uma extensão da

ordem de 1.600 km, drenando uma área em

torno de 307.000 km 2 . Possui dois principais

formadores, os rios Pelotas e Canoas, nascendo

a cerca de 65 km a oeste da costa do Atlântico.

Fazem parte da sua bacia os rios Peixe, Chapecó,

Peperiguaçu, Ibicuí, Turvo, Ijuí e Piratini.

O rio Uruguai forma a fronteira entre a Argentina

e Brasil e, mais ao sul, a fronteira entre Argentina

e Uruguai, sendo navegável desde sua foz até a

cidade de Salto, cerca de 305 km a montante.

Bacia do Atlântico Sul - trechos sudeste e

sul

A bacia do Atlântico Sul, nos seus trechos sudeste

e sul, é composta por rios da importância do

Jacuí, Itajaí e Ribeira do Iguape, entre outros.

Os mesmos possuem importância regional, pela

participação em atividades como transporte

hidroviário, abastecimento d’água e geração de

energia elétrica.

Outra sub-divisão das Bacias Hidrográficas

Pag.

29


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Relevo

As classificações do relevo brasileiro -

divisões do território em grandes unidades

- baseiam-se em diferentes critérios, que

refletem o estágio de conhecimento à

época de sua elaboração e a orientação

metodológica utilizada por seus autores.

A primeira classificação brasileira, que

identifica oito unidades de relevo, é

elaborada, nos anos 40, por Aroldo de

Azevedo. Em 1958 é substituída pela

tipologia de Aziz Ab´Sáber, que acrescenta

duas novas unidades de relevo. Uma das

classificações mais recentes (1995), é a

de Jurandyr Ross, do Departamento de

Geografia da USP. Seu trabalho é baseado

no projeto Radambrasil, um levantamento

realizado entre 1970 e 1985 que fotografou

o solo brasileiro com um equipamento

especial de radar instalado num avião. Ross

considera 28 unidades de relevo, divididas

em planaltos, planícies e depressões.

O relevo brasileiro tem formação antiga e

resulta principalmente da ação das forças

internas da Terra e da sucessão de ciclos

climáticos. A alternância de climas quentes

e úmidos com áridos ou semi-áridos

favoreceu o processo de erosão.

O território brasileiro, de um modo geral,

é constituído de estruturas geológicas

muito antigas, apresentando, também,

bacias de sedimentação recente. Essas

bacias recentes datam do

terciário e quaternário

(Cenozóico 865 milhões de

anos) e correspondem aos

terrenos do Pantanal Matogrossense,

parte da bacia

Amazônica e trechos do

litoral nordeste e sul do país.

O restante do território tem

idades geológicas que vão

do Paleozóico ao Mesozóico

(o que significa entre 570

milhões e 225 milhões de

anos), para as grandes áreas

sedimentares, e ao précambriano

(acima de 570 milhões de

anos), para os terrenos cristalinos.

As estruturas e formações rochosas são

antigas, mas as formas de relevo são

recentes, decorrentes do desgaste

erosivo. Grande parte das rochas e

estruturas do relevo brasileiro são

anteriores à atual configuração do

continente sul-americano, que passou

a ter o formato atual depois do

levantamento da cordilheira dos Andes,

a partir do Mesozóico. Podemos

identificar três grandes unidades

geomorfológicas que refletem sua

gênese: os planaltos, as depressões e

as planícies.

Pag.

30

Região Centro-Oeste: planalto de topografias

suaves. Ponto mais elevado: pico do Roncador

na serra do Sobradinho (1.341 m).

* Região Nordeste: planície litorânea, planalto a

N e depressão no centro. Ponto mais elevado:

serra Santa Cruz (844 m).

* Região Norte: depressão na maior parte do

território; planície estreita a N. Ponto mais

elevado: serra do Divisor ou de Conta (609 m).

* Região Sudeste: baixada litorânea (40% do

território) e serras (interior). Ponto mais

elevado: pico da Bandeira na serra do Caparaó

(2.889.8 m).

* Região Sul: baixada no litoral, planaltos a L e

O, depressão no centro. Ponto mais elevado:

pico Paraná, na serra do Mar (1.922 m).


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

1. Unidades de planaltos

Dourada, entre outras;

c) serras residuais do Alto Paraguai que fazem parte

do chamado cinturão orogênico Paraguai-Araguaia,

com dois setores, um ao sul e outro ao norte do

Pantanal Mato-grossense, com as denominações

locais de serra da Bodoquena e Província Serrana,

respectivamente.

1.1 - Os planaltos em bacias sedimentares são

limitados por depressões periféricas ou marginais

e se caracterizam por seus relevos escarpados

representados por frentes de cuestas (borda

escarpada e reverso suave). Nessa categoria estão

os planaltos da Amazônia Oriental, os planaltos e

chapadas da bacia do Parnaíba e os planaltos e

chapadas da bacia do Paraná.

1.2 - Os planaltos em intrusões e coberturas

residuais de plataforma constituem o resultado de

ciclos erosivos variados e se caracterizam por uma

série de morros e serras isolados, relacionados a

intrusões graníticas, derrames vulcânicos antigos

e dobramentos pré-cambrianos, a exceção do

planalto e chapada dos Parecis, que é do Cretáceo

(mais de 65 milhões de anos). Nessa categoria,

destacam-se os planaltos residuais norteamazônicos

e os planaltos residuais sul-amazônicos.

1.3 - Os planaltos em núcleos cristalinos arqueados

são representadas pelo planalto da Borborema e

pelo planalto sul-rio-grandense. Ambos fazem parte

do cinturão orogênico da faixa Atlântica.

1.4 - Planaltos em cinturões orogênicos ocorrem

nas faixas de orogenia (movimento geológico de

formação de montanhas) antiga e se constituem de

relevos residuais apoiados em rochas geralmente

metamórficas, associadas a intrusivas. Esses

planaltos situam-se em áreas de estruturas

dobradas que abrangem os cinturões Paraguai-

Araguaia, Brasília e Atlântico. Nesses planaltos,

localizam-se inúmeras serras, geralmente

associadas a resíduos de estruturas intensamente

dobradas e erodidas. Nessa categoria, destacamse:

a) os planaltos e serras do Atlântico Leste-Sudeste,

associados ao cinturão do Atlântico, sobressaindo

as serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço, e

as fossas tectônicas como o vale do Paraíba do Sul;

b) os planaltos e serras de Goiás e Minas, que estão

ligados à faixa de dobramento do cinturão de

Brasília, destacando-se as serras da Canastra e

Patrimônio ecológico da humanidade, o Parque Nacional

de Iguaçu, um dos últimos sobreviventes das grandes

florestas fluviais subtropicais, no qual pontificam as

suntuosas Cataratas do Iguaçu, é visitado anualmente

por cerca de 1,4 milhão de pessoas pela sua beleza

natural proporcionada pela queda de 13 milhões de litros

d’água por segundo e de ser refúgio para mais de 500

espécies de aves.

2. Unidades de depressões

As depressões brasileiras, excetuada a amazônica

ocidental, caracterizam-se por terem sido originadas

por processos erosivos. Essas depressões se

caracterizam ainda por possuir estruturas bastante

diferenciadas, conseqüência das várias fases

erosivas dos períodos geológicos. Podemos

enumerar as várias depressões do território

brasileiro:

a) depressão amazônica ocidental,

b) depressões marginais amazônicas,

c) depressão marginal norte-amazônica,

Pag.

d) depressão marginal sul-amazônica,

e) depressão do Araguaia,

f) depressão cuiabana,

g) as depressões do Alto Paraguai e Guaporé,

h) depressão do Miranda,

i) depressão do Tocantins,

j) depressão sertaneja do São Francisco,

l) depressão da borda leste da bacia do Paraná,

m) depressão periférica central ou sul-riograndense.

3. Unidades de planícies

31

Correspondem geneticamente às áreas

predominantemente planas, decorrentes da

deposição de sedimentos recentes de origem

fluvial, marinha ou lacustre. Estão geralmente

associadas aos depósitos quaternários,

principalmente holocênicos (de 20 mil anos

atrás). Nessa categoria podemos destacar a

planície do rio Amazonas, onde se situa a ilha de

Marajó, a do Araguaia com a ilha de Bananal, a

do Guaporé, a do Pantanal do rio Paraguai ou

Mato-grossense, além das planícies das lagoas

dos Patos e Mirim e as várias outras pequenas

planícies e tabuleiros ao longo do litoral

brasileiro.

Uma das formações geológicas mais antigas do mundo, o

monte Roraima é uma grande meseta contornada por escarpas

abruptas e em parte desnudas, que separa o Brasil da Guiana.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Ecossistemas

O Brasil, ocupando um território de 8,5

milhões de km 2 e situado em região tropical,

é constituído por ambientes diversos,

produtos da história geológica e da influência

humana recente. Esses ambientes

correspondem em princípio às províncias

fitogeográficas descritas no início do século

XIX por Carl F. P. von Martius, botânico que

iniciou também a monumental Flora

Brasiliensis. Os padrões sofreram alterações

pela ação humana, mas são aceitos até hoje,

quando modernas técnicas de sensoriamento

remoto monitoram o meio físico brasileiro.

As várias regiões botânicas do Brasil foram

chamadas pelo nome atribuído a elas pelos

indígenas, pelos portugueses e pelos

primeiros naturalistas. A Floresta

Amazônica - a Hiléia do naturalista alemão

von Humboldt, abrange os estados do Pará,

Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia e Roraima

e está presente também em países vizinhos:

Guianas, Suriname, Venezuela, Equador, Peru

e Bolívia. No Brasil, ocupa aproximadamente

3,5 milhões de km 2 .

A bacia amazônica é formada por inúmeros

rios de grande tamanho, carregando águas

barrentas, águas pretas ou águas claras.

Conhecida como abrigo da maior

biodiversidade do mundo, a Floresta

Amazônica é formada basicamente por matas

de terra firme, que se encontram fora da

influência direta dos rios, sem sofrer

inundações; matas de várzea, alagadas pelos

rios de água barrenta na estação das

cheias; e matas de igapós,

inundadas quase permanentemente

por rios de água preta. Manchas de

cerrado existem entre as florestas,

assim como clareiras de vegetação

pobre e campinas ou campinaras

sobre as manchas de areias.

Milhares de espécies de peixes

endêmicos são ligados à rede fluvial

amazônica e atuam na reprodução

das plantas que margeiam os rios.

O endemismo amazônico é

mundialmente conhecido e é

especialmente rico em primatas,

aves, abelhas, borboletas, peixes e

outros animais. Destacam-se, o

sagüi-leãozinho, o menor primata do

mundo, a preguiça real, a cotia

preta, a pacarana, o peixe-boi, o

boto cor de rosa, o uirapuru

verdadeiro e o galo da serra.

Cerca de 40% do território brasileiro é

formado pela Amazônia. O processo de

colonização desta vasta região necessita de

uma política apropriada de manejo

sustentável, inclusive para evitar um dos seus

grandes e atuais problemas, que é o das

queimadas. Atualmente monitoradas todos os

dias e sob constante vigilância, estas

constituem-se em um dos problemas

decorrentes do processo de colonização da

Amazônia e da necessidade do

estabelecimento de uma política do uso do

solo.

Pag.

32

A seguir temos os Cerrados, vegetação de

savana, que já ocupou 25% do território

brasileiro, no Centro-oeste do País e nos

estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso,

Mato Grosso do Sul e parte dos estados de

São Paulo, Paraná, Maranhão e Piauí. O

cerrado aparece em locais com solos

profundos, pouco estratificados, lixiviados e

pobres em resíduos orgânicos, geralmente do

tipo latossolo. Uma estação seca de três a

sete meses traz marcas à região, provocando

o desaparecimento da vegetação herbácea,

a queda de folhas dos arbustos de troncos

tortuosos e cascas grossas. Uma das árvores


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

do cerrado, o ipê (Tabebuia ochracea), foi

declarada a árvore símbolo do Brasil.

Os rios de cerrado geralmente não secam,

mantendo ao seu redor uma mata ciliar. O

lençol subterrâneo passa a 15-20 metros de

profundidade ou até mais. Atualmente, o

cerrado tem sido utilizado para a agricultura

de alta tecnologia, com bastante sucesso,

após melhorias em suas condições químicas.

Sendo uma região aberta, tem uma fauna

típica de mamíferos herbívoros, aves de chão

e muitos répteis. O manejo do cerrado inclui

o uso do fogo, e a vegetação é adaptada à

sua passagem. Em um cerrado bem

preservado as árvores atingem altura de 8 a

10 metros. Cerca de 2 milhões de km 2 do

território brasileiro são ocupados por cerrados.

Devido ao sistema subterrâneo de suas

plantas, ele se recompõe rapidamente após

as freqüentes queimadas.

Encravado entre o cerrado e o chaco boliviano

está o Pantanal, formado por enchentes dos

rios da bacia do rio Paraguai. Trata-se de uma

das áreas de grande potencial turístico e da

maior área alagável do mundo. Ocupa uma

grande extensão, com cerca de 150 mil km 2 ,

na maior parte no Estado do Mato Grosso do

Sul. São as riquíssimas populações de peixes,

de aves e de mamíferos que caracterizam o

Pantanal: os tuiuiús, as emas, as capivaras,

as ariranhas, as onças etc. Entre os répteis

destacam-se os jacarés e as sucuris.

A Caatinga ou o sertão brasileiro é uma

região semi-árida, muito seca,

compreendendo parte dos estados da Bahia,

Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Rio

Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão.

Ocupa cerca de 700 mil km 2 . O regime anual

de chuvas na caatinga é imprevisível. Portanto

é uma região muito adaptada à vida em

condições de baixa umidade, com uma

vegetação xerofítica típica. A caatinga sofreu

grande devastação no passado, devido

inclusive ao uso de lenha como combustível

e à ausência de replantio. Os solos são

freqüentemente rasos e muito pedregosos.

O ambiente de maior biodiversidade no Brasil

e que se encontra sob a maior ameaça é a

Mata Atlântica. Ocupando hoje cerca de 5%

da área original, estimada em 1,5 milhões de

km 2 , acompanha de perto o litoral brasileiro,

do Rio Grande do Norte até o início de Rio

Grande do Sul. Foi o primeiro ambiente a ser

usado pelos colonizadores portugueses. O

nome do país, Brasil, vem de uma árvore, o

pau brasil (Cesalpinia echinata), explorada

pelos indígenas e pelos colonizadores para

extração de um pigmento vermelho.

Esta mata ainda pode ser larga em certos

trechos, nos estados do Paraná e de Santa

Catarina. Em outros locais ocupa

principalmente a estreita faixa da escarpa

atlântica, formada de rochas cristalinas. A

Mata Atlântica é uma floresta pluvial

montana, ocupando principalmente

montanhas com altitudes de 800 a 1700

metros. Sofre a influência dos ventos

marinhos, os alísios, que ao subirem a encosta

da serra se resfriam, condensando-se e

provocando a neblina da Serra do Mar. Chove

então cerca de 2.000mm por ano nesta serra;

em algumas regiões, como em Boracéia

(Estado de São Paulo), até 4.000mm por ano.

Pag.

33

A umidade destas áreas vai depender da

distância entre elas e o mar. Em algumas o

frio noturno é considerável. Na Mata Atlântica,

as temperaturas médias variam de 14° C a

21° C; a mínima absoluta, no Sul do País,

pode chegar a -6° C. Temperaturas mais altas

chegam a 35° C.

A grande umidade possibilita uma rica flora

de musgos e samambaias, além de inúmeras

epífitas, tais como orquídeas e bromélias.

Algumas árvores, como o jequitibá rosa,

chegam a 40 metros de altura. Palmeiras são

comuns, destacando-se entre elas o palmito.

As áreas mais altas apresentam os campos

de altitude. Entre 300 e 800 metros de

altitude há outro tipo de floresta, com árvores

mais baixas, até 25 metros.

A rica fauna endêmica é caracterizada

principalmente por borboletas multicolores,

por sapos e pererecas, muitas espécies de

aves e mamíferos silvestres. O muriqui

(Brachyteles arachnoides), um gênero

endêmico de primatas, é o maior macaco do

continente. Há espécies de abelhas nativas

importantes para a polinização do dossel,

como a gurupu (Melipona bicolor).

Enquanto os vários tipos de lavouras e a

indústria carvoeira causam a destruição da

Mata Atlântica, as culturas do cacau

aproveitam-se da cobertura vegetal.

A Mata de araucárias, floresta subtropical

do Sul do País, já ocupou cerca de 15% do

território brasileiro. Hoje está muito

devastada, por se encontrar em área de

grande desenvolvimento agrícola e industrial.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

O pinheiro Araucaria, a espécie caraterística,

sofreu muito com os cortes pela indústria

madeireira. Ainda ocorrem amostras da

floresta com Araucaria nos estados de São

Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande

do Sul. Muitas espécies desta floresta, tais

como a samambaia xaxim, a gralha azul ou a

jacutinga, chegaram hoje à beira da extinção.

Os pinheiros ocorrem também em mosaico

com a vegetação atlântica semi-decídua, nas

áreas de transição.

No interior brasileiro, e tipicamente em

rochas, existem muitas cavernas, ricas em

formações geológicas e que abrigam uma

interessante fauna de peixes e crustáceos

cegos.

Outro importante ambiente é o Manguezal,

floresta de entremarés formada por poucas

espécies de árvores, mas que tem um papel

fundamental como fonte de alimentos para a

fauna marinha. O Brasil é especialmente rico

em manguezais, já monitorados por satélites.

Ao lado destes, nos solos de aluviões

arenosos, há freqüentemente uma vegetação

de restinga, mata de baixo porte e arbustiva

que ocupa terrenos arenosos.

Ocupando áreas territoriais menos

expressivas mas ecologicamente relevantes,

temos os campos rupestres, os cocais do

Norte, os campos do Rio Grande do Sul, as

praias arenosas e rochosas, entre outros

ambientes que caracterizam e enriquecem o

Brasil. Os arrecifes de Abrolhos, pequena área

de arrecifes de corais, tem a maior taxa de

espécies endêmicas de corais e de fauna

marinha associada.

A vegetação brasileira

Pag.

34


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Cerrado

Cerrado é o nome regional dado às savanas

brasileiras. Cerca de 85% do grande platô que

ocupa o Brasil Central era originalmente dominado

pela paisagem do cerrado, representando cerca

de 1,5 a 2 milhões de km 2 , ou aproximadamente

20% da superfície do País. O clima típico da região

dos cerrados é quente, semi-úmido e

notadamente sazonal, com verão chuvoso e

inverno seco. A pluviosidade anual fica em torno

de 800 a 1.600 mm. Os solos são geralmente

muito antigos, quimicamente pobres e profundos.

A paisagem do cerrado é caracterizada por

extensas formações savânicas, interceptadas por

matas ciliares ao longo dos rios, nos fundos de

vale. Entretanto, outros tipos de vegetação podem

aparecer na região dos cerrados, tais como os

campos úmidos ou as veredas de buritis, onde o

lençol freático é superficial; os campos rupestres

podem ocorrer nas maiores altitudes e as florestas

mesófilas situam-se sobre os solos mais férteis.

Mesmo as formas savânicas exclusivas não são

homogêneas, havendo uma grande variação no

balanço entre a quantidade de árvores e de

herbáceas, formando um gradiente estrutural que

vai do cerrado completamente aberto - o campo

limpo, vegetação dominada por gramíneas, sem

a presença dos elementos lenhosos (árvores e

arbustos) - ao cerrado fechado, fisionomicamente

florestal - o cerradão, com grande quantidade de

árvores e aspecto florestal. As formas

intermediárias são o campo sujo, o campo cerrado

e o cerrado stricto sensu, de acordo com uma

densidade crescente de árvores.

As árvores do cerrado são muito peculiares, com

troncos tortos, cobertos por uma cortiça grossa,

cujas folhas são geralmente grandes e rígidas.

Muitas plantas herbáceas têm órgãos

subterrâneos para armazenar água e nutrientes.

Cortiça grossa e estruturas subterrâneas podem

ser interpretadas como algumas das muitas

adaptações desta vegetação às queimadas

periódicas a que é submetida, protegendo as

plantas da destruição e capacitando-as para

rebrotar após o fogo. Acredita-se que, como em

muitas savanas do mundo, os ecossistemas de

cerrado vêm co-existindo com o fogo desde

tempos remotos, inicialmente como incêndios

naturais causados por raios ou atividade vulcânica

e, posteriormente, causados pelo homem. Tirando

proveito da rebrota do estrato herbáceo que se

segue após uma queimada em cerrado, os

habitantes primitivos destas regiões aprenderam

a se servir do fogo como uma ferramenta para

aumentar a oferta de forragem aos seus animais

(herbívoros) domesticados, o que ocorre até hoje.

A grande variabilidade de habitats nos diversos

tipos de cerrado suporta uma enorme diversidade

de espécies de plantas e animais. Estudos

recentes, como o apresentado por J.A.Ratter e

outros autores em “Avanços no Estudo da

Biodiversidade da Flora Lenhosa do Bioma

Cerrado”, em 1995, estimam o número de plantas

vasculares em torno de 5 mil; e que mais de 1.600

espécies de mamíferos, aves e répteis já foram

identificados nos ecossistemas de cerrado (Fauna

do Cerrado, Costa et al., 1981). Entre a

diversidade de invertebrados, os mais notáveis

são os térmitas (cupins) e as formigas cortadeiras

(saúvas). São eles os principais herbívoros do

cerrado, tendo uma grande importância no

consumo e na decomposição da matéria orgânica,

assim como constituem uma importante fonte

alimentar para muitas outras espécies animais.

Por outro lado, a pressão urbana e o rápido

estabelecimento de atividades agrícolas na região

vêm reduzindo rapidamente a biodiversidade

destes ecossistemas.

Pag.

35

Até meados de 1960, as atividades agrícolas nos

cerrados eram bastante limitadas, direcionadas

principalmente à produção extensiva de gado de

corte para subsistência ou para o mercado local,

uma vez que os solos de cerrado são naturalmente

inférteis para a produção agrícola. Após esse

período, porém, o crescimento urbano e industrial

da região Sudeste forçou a agricultura para o

Centro-oeste. A mudança da capital do País para

Brasília foi outro foco de atração de população

para a região central. De 1975 até o início dos

anos 80, muitos programas governamentais

foram lançados com o propósito de estimular o

desenvolvimento da região do cerrado, através

de subsídios para o estabelecimento de fazendas

e melhorias tecnológicas para a agricultura, tendo,

como resultado, um aumento significativo na

produção agropecuária.

Atualmente, a região do cerrado contribui com

mais de 70% da produção de carne bovina do

País (Pecuária de corte no Brasil Central) e, graças

à irrigação, técnicas de correção do solo e o

desenvolvimento tecnológico da agricultura é

também o mais importante centro de produção

de grãos do país, principalmente soja, feijão,

milho, arroz e girassol, e ainda algodão de

excelente qualidade.

A conservação dos recursos naturais dos cerrados

é representada por diversas categorias de

unidades de conservação, de acordo com

objetivos específicos: oito parques nacionais,

diversos parques estaduais e estações ecológicas,

compreendendo cerca de 6,5% da área total de

cerrado. Entretanto, esta extensão é ainda

insuficiente e deveria ser preenchida por uma rede

de Reservas Legais e Áreas de Proteção

Ambiental, previstas na legislação, para se evitar

a criação de novas unidades de conservação para

proteger a biodiversidade que ainda existe.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Pantanal

O Pantanal, com uma extensão de 250 mil km 2 , é a

maior área alagável do mundo. O Pantanal é uma

imensa bacia intercontinental, delimitada pelo Planalto

Brasileiro, ao leste, pelas Chapadas Matogrossenses,

ao norte, e também por uma cadeia de morros e terras

altas do sopé Andino, a oeste. Portanto, ele pode ser

considerado um grande delta interno, onde se

acumulam as águas do alto Paraguai e as de grande

número de rios que descem do Planalto. Através do

rio Paraguai, o Pantanal está intimamente ligado à

grande bacia do rio Paraná - rio da Prata. Conexões

aquáticas difusas com afluentes amazônicos existem

ao norte, especialmente com o rio Guaporé.

A drenagem deste delta interno pelo médio Paraguai,

por meio da barra estreita e rasa do Fecho dos Morros

do Sul, faz-se com muita dificuldade. Porém, enormes

quantidades de água estagnada atrás desta barragem

tornam o Pantanal um labirinto imprevisível de águas

paradas e correntes, temporárias ou permanentes,

designadas através de grande quantidade de termos

específicos pelo homem pantaneiro. Nas lendas

indígenas e nos primeiros mapas, o Pantanal é

lembrado como um grande lago cheio de ilhas, o “mar

dos Xaraiés”.

Em anos chuvosos, como em 1984 ou em 1995, o rio

Paraguai expande-se em uma faixa de até 20 km de

largura, invadindo os grandes lagos da fronteira

boliviana e a Ilha do Caracará, regenerando

temporariamente o “mar dos Xaraiés” dos antigos

climas chuvosos. O rio Paraguai e os outros rios

pantaneiros apresentam pouca declividade, da ordem

de 20-30 cm por quilômetro, o que faz com que as

águas que se acumulam nos períodos de chuvas

intensas escoem com muita lentidão. Em

conseqüência, as enchentes, que são máximas ao norte

nos meses de março e abril, chegam ao sul do Pantanal

somente em julho e agosto. Enquanto isso, imensas

quantidades de água, provavelmente centenas de

quilômetros cúbicos por ano, perdem-se por

evaporação direta para a atmosfera. O Pantanal pode

ser, com justiça, considerado a maior “janela” de

evaporação de água doce do mundo.

Toda a vida e a economia do Pantanal estão ligadas a

este sistema de inundações. A região é um interessante

paradoxo aquático em uma área de clima continental

semi-árido ou mesmo árido. Sem o abundante e raso

lençol freático e os aluviões deixados pelas enchentes,

a vegetação terrestre seria parecida com a do cerrado

ou com a do Chaco boliviano. Igualmente, a rica fauna

de aves e mamíferos depende, na sua grande maioria,

da alimentação aquática. O Pantanal pode ser visto,

então, como uma grande e dinâmica interface entre o

mundo aquático e o terrestre.

A vegetação aquática é fundamental para a vida

pantaneira. As plantas flutuantes são os principais

produtores primários nas águas do Pantanal. Imensas

áreas são cobertas por “batume”, que são plantas

flutuantes, tais como o aguapé (Eichhornia) e a

Salvinia, entre outras. Levadas pelos rios, estas plantas

constituem verdadeiras ilhas flutuantes, os camalotes.

Após as inundações, a camada de lodo nutritivo

permite o desenvolvimento de uma rica vegetação de

ervas. Numa região um pouco mais elevada, já com

áreas não inundáveis, há uma vegetação característica

de cerrado. Há ainda no Pantanal áreas com mata

densa e sombria (com Piptadenia, Bombax, Magonia,

Guazuma). Em torno das margens mais elevadas dos

rios aparece a palmeira acuri (Attalea principes),

formando uma floresta de galerias juntamente com

outras árvores, como o pau-de-novato (Triplaris

formicosa), a embaúba (Cecropia), o genipapo

(Genipa) e as figueiras (Ficus). Em pontos altos dos

morros aparece uma vegetação semelhante à da

caatinga, com a bromeliácea Dyckia e os cactos

cansanção e mandacaru (Cereus).

O passado geológico permitiu ao Pantanal constituirse

no maior entroncamento dos intercâmbios da flora

e da fauna aquática da América do Sul. Atualmente é

povoado por uma variedade de organismos amazônicos

e sulistas. Sendo principalmente um corredor de

intercâmbios, não abriga fauna endêmica rica, como

a Amazônia, e são as quantidades e não as raridades

que o caracterizam.

O Pantanal oferece uma variedade de paisagens

abertas povoadas por grandes populações de animais,

cuja alimentação depende da fase aquática. Assim,

Pag.

36

nas lagoas, a microflora e a microfauna permitem o

desenvolvimento de ricas populações de caramujos

aruas e de conchas, que sustentam uma variedade de

predadores destes moluscos, como aves e répteis.

Entre os peixes abundantes, há o corumbatá, o pacú,

o cascudo, o pintado, o dourado, o jaú e as piranhas.

Entre os comedores da vegetação aquática destacamse

as grandes populações de capivaras (Hydrochaeris,

hydrochaeris) e de búfalos. A ariranha (Pteronura

brasiliensis), importante predador piscívoro, outrora

abundante, foi quase exterminada pelos caçadores.

Destino semelhante pode ter o jacaré (Caiman

crocodilus yacare) que têm papel importante nas

águas pantaneiras, onde funcionam como predadores

“reguladores” da fauna piscícola e, às vezes, como

agentes relevantes da ciclagem de nutrientes.

As aves do Pantanal são um de seus maiores atrativos.

Reunidas em enormes concentrações, exploram os

recursos alimentares aquáticos. O tuiuiú, a cabeçaseca

e o colhereiro, além das garças biguás e patos

são os mais vistosos. Muitas espécies nidificam em

áreas comuns, sobre determinadas árvores,

conhecidas como ninhais, que se destacam na

paisagem pantaneira.

Animais típicos do cerrado também se concentram em

grande número no Pantanal, atraídos pela fartura de

alimentos das áreas alagadas. O cervo-do-pantanal

pode ser visto acompanhado por mais duas espécies

de cervos do cerrado e por outros mamíferos, como o

cachorro-vinagre (Speothus vinaticus), a anta (Tapirus

terrestris), o catetu (Tayassu tajacu) e a paca (Agouti

paca). Encontram-se lá, ainda, o lobo-guará

(Chrysocyon brachyurus) e o tamanduá-bandeira

(Myrmecophaga tridactyla), caçados intensamente.

Entre os primatas, o macaco-prego (Cebus apella) vive

ali, ao lado do bugio (Alouatta caraya). Assim como

a onça (Panthera onca), vários outros felinos são

atraídos pela abundância de presas. O predador de

topo na beira das águas é a onça-pintada, junto a

outros felídeos e canídeos. Entre as aves, a ema (Rhea

americana) e a seriema (Cariama cristata) são típicos

habitantes do cerrado. Naturalmente, a rica fauna

oferece muitas oportunidades para as aves de rapina

e para os comedores de carcaças.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Os mapas podem nos fornecer inúmeras

informações para melhor conhecermos e

entendermos nosso país, nosso mundo e

a localidade que vivemos.

Muitas vezes é interessante comparar diferentes

tipos de informação, como as

apresentadas nos mapas desta página,

para percebermos a interdependência dos

diversos fatores e elementos em determinado

local. Veja por exemplo a influência

que a altitude e o relevo exercem sobre

sobre o clima.

Imagem

satélite

Landsat

Pag.

37


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Pag.

38

Compare os mapas

publicados nesta

página.

Analise a inter-dependência

da ocupação

populacional com o desenvolvimento

da economia,

o uso da terra

e a produção de energia,

por exemplo.

Compare estes mapas

com os das páginas

anteriores e você verá

como o clima, a altitude,

a vegetação, influenciam

a ocupação

populacional, dentre

outros fatores.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Evolução das unidades político-administrativas

Brasil - Mapa político

Pag.

39


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 40


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Região Centro-Oeste

A região Centro-Oeste ocupa 18,86% do território

brasileiro, com uma área de 1.612.077,2 km 2 ,

sendo formada pelos Estados de Goiás, Mato

Grosso do Sul, Mato Grosso e o Distrito Federal.

Localizada em extenso Planalto Central, seu relevo

caracteriza-se pela predominância de terrenos

antigos e aplainados pela erosão, que deram

origem a chapadões. Na parte oeste do Estado de

Mato Grosso do Sul e sudoeste do Estado de Mato

Grosso encontra-se a depressão do Pantanal

Matogrossense, cortada pelo rio Paraguai.

O clima da região é tropical semi-úmido, com

freqüentes chuvas de verão. A população é de

11.048.474 habitantes, com densidade

demográfica de 6,51 habitantes por km 2 . A maioria

- 81,3% dos habitantes - se concentra na zona

urbana. A expectativa de vida nesta região é de

67,80 anos.

A economia baseou-se, inicialmente, na exploração

de garimpos de ouro e diamantes e foi,

gradativamente, sendo substituída pela agropecuária.

A transferência da capital federal do Rio

de Janeiro para Brasília, em 1960, e a construção

Pag.

41

de ferrovias que facilitaram o acesso em direção

ao oeste, aceleraram o povoamento da região,

contribuindo para o seu desenvolvimento.

Encontram-se nesta região as maiores reservas

de manganês do País, localizadas no maciço do

Urucum, no Pantanal. Devido ao difícil acesso ao

local, tais reservas ainda são pouco exploradas.

O turismo como atividade econômica vem se

desenvolvendo rapidamente na região, atraindo

visitantes de várias partes do mundo, que

procuram desfrutar da riqueza da flora e da fauna

do Pantanal, bem como da paisagem das chapadas

encontradas nos Estados de Goiás e Mato Grosso


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 42


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 43

Regionais

administrativas

Goiás:

Imagem

de Satélite

Regiões

Turísticas


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Estado de Goiás - (GO)

Habitante: goiano.

Situação geográfica - leste da região Centro-

Oeste.

Área: 340.165 km².

Limites: Tocantins (N); Minas Gerais (L e SE);

Bahia (L); Mato Grosso do Sul (SO) e Mato

Grosso (O).

Características: planaltos e chapadas.

Clima: tropical.

Cidades mais populosas: Goiânia, Anápolis,

Rio Verde, Itumbiara, Jataí , Aparecida de

Goiânia.

Rios principais: Paranaíba, Aporé, Araguaia,

São Marcos, Corumbá, Claro, Paraná e

Maranhão.

Colonização: portugueses, migrantes paulistas,

baianos, mineiros e maranhenses.

Vida média (anos): 68 homem / 75 mulher (2004).

Economia: comércio, indústria, pecuária,

agricultura.

Agricultura: arroz, café, algodão, feijão, milho,

soja, sorgo, trigo, cana-de-açúcar e tomate.

Pecuária e criações: bovinos, suínos,

bubalinos, eqüinos, asininos, ovinos e aves.

Minérios: água mineral, amianto, calcário,

fosfato, níquel, ouro, cianita, talco, manganês,

nióbio, vermiculita, carbonato de níquel e pó

calcário.

Indústria: mineração, alimentícia, confecção,

mobiliário, metalúrgica e madeireira.

Capital do Estado - GOIÂNIA

Habitante - Goianiense.

Situação geográfica - Área: 929 km².

Limites: Goianira, Nerópolis, Goianópolis (N);

Bonfinópolis, Senador Canedo (L); Aragoiânia,

Aparecida de Goiânia (S); Trindade, Guapó (O).

Altitude: 749,5 m.

Distância de Brasília: 209 km.

Economia: agricultura, comércio, serviços,

pecuária, indústria.

Agricultura: soja, milho, arroz e mandioca.

Indústria: alimentícia, de confecções, móveis,

metalúrgica, mineração, alimentícia e têxtil.

Formação histórica

A história de Goiás tem como ponto de partida o

final do século XVII, com a descoberta das suas

primeiras minas de ouro, e início do século XVIII.

Esta época, iniciada com a chegada dos

bandeirantes, vindos de São Paulo em 1727, foi

marcada pela colonização de algumas regiões.

O contato com os índios nativos e o negros foi

fator decisivo na formação da cultura do Estado,

deixando como legado principal cidades históricas

como Corumbá, Pirenópolis e Goiás, antiga Vila

Boa e posteriormente capital de Goiás. O início

dos povoados coincide com o Ciclo de Ouro, minério

amplamente explorado nessa época. Eles

prosperaram e hoje são cidades que apresentam,

por meio de seu patrimônio, a história de Goiás.

As Bandeiras

Goiás era conhecido e percorrido pelas bandeiras

já no primeiro século da colonização do Brasil. Mas

seu povoamento só ocorreu em virtude do

descobrimento das minas de ouro (século XIII).

Esta povoação, como todo povoamento aurífero,

foi irregular e instável.

As primeiras bandeiras eram de caráter oficial e

destinadas a explorar o interior em busca de

riquezas minerais, e outras empresas comerciais

de particulares organizadas para captura de índios.

Costumava-se dizer que o Bandeirante Bartolomeu

Bueno da Silva, o Anhanguera, foi o descobridor

de Goiás.

Mas isso não significa que ele foi o primeiro a

chegar ao estado, e sim, o primeiro a ter intenção

de se fixar aqui. A bandeira saiu de São Paulo em

3 de julho de 1722. O caminho já não era tão

difícil como nos primeiros tempos.

No dia 25 de outubro de 1725, após três anos, os

bandeirantes voltaram triunfantes a São Paulo,

divulgando que haviam descoberto cinco córregos

Pag.

44

auríferos, minas tão ricas como as de Cuiabá, com

ótimo clima e fácil comunicação.

Povoamento de Goiás

Poucos meses após a volta da Bandeira, organizouse

em São Paulo uma nova expedição para explorar

os veios auríferos. Bartolomeu, agora

superintendente das minas, e João Leite da Silva

Ortiz, como guarda-mor.

A primeira região ocupada foi a do Rio Vermelho.

Fundou-se lá o arraial de Sant’ana, que depois

seria chamado de Vila Boa, e mais tarde de Cidade

de Goiás. Esta foi durante 200 anos a capital do

território.

Nas proximidades de Sant’ana, surgiram

numerosos arraiais às margens dos córregos e rios,

como centros de garimpo: Barras, Ferreiro, Anta,

Ouro Fino, Santa Rita, etc. Ao divulgar-se a riqueza

das minas recém - descobertas, surgiram gente

de toda parte do país.

Época do Ouro em Goiás

A época de Ouro em Goiás foi intensa e breve.

Após 50 anos, verificou-se a decadência rápida e

completa da mineração. Por outro lado, só se

explorou o ouro de aluvião, isto é, das margens

dos rios, e a técnica empregada era rudimentar.

Em 1748 foi criada a capitania de Goiás,

desmembrada da de São Paulo, que, em 1824,

tornou-se província.

Ao mesmo tempo em que as minas começavam a

se esgotar, a lavoura e a pecuária se transformaram

nas principais atividades econômicas, a partir de

1860.

A colonização de Goiás deveu-se também à

migração de pecuaristas que partiram de São Paulo

no século XVI, em busca de melhores terras para

o gado. Dessa origem ainda hoje deriva a vocação

do estado para a produção pecuária.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Pag.

No aspecto social a distinção fundamental foi entre livres e escravos,

sendo estes em menor número do que aqueles no início da colonização

das minas. A população, contudo, continuou composta por negros e

mulatos na sua maioria.

Transição da Sociedade Mineradora para Sociedade Pastoril

Ao se evidenciar a decadência do ouro, várias medidas administrativas

foram tomadas por parte de governo, sem alcançar no entanto

resultado satisfatório.

A economia do ouro, sinônimo de lucro fácil, não encontrou, de

imediato, um produto que a substituísse em nível de vantagem

econômica.

A decadência do ouro afetou a sociedade goiana, sobretudo na forma

de ruralização e regresso a uma economia de subsistência.

A abertura de estradas e a navegação, no século 19, facilitaram o

escoamento dos produtos,

A independência de Goiás

Assim como no Brasil, o processo de independência de Goiás se deu

gradativamente. A formação de juntas administrativas, que

representam um dos primeiro passos nesse sentido, deram

oportunidade às disputas pelo poder entre os grupos locais.

Em 1988, o norte de Goiás foi desmembrado, formando o Estado de

Tocantins.

Goiás e a Mudança de Capital

A partir de 1940, Goiás cresce rapidamente: a construção de Goiânia,

o desbravamento do Mato Grosso goiano, a campanha nacional de

“marcha para o oeste”, que culmina na década de 50 com a construção

de Brasília, imprimem um ritmo acelerado ao progresso de Goiás.

A população se multiplicava; as vias de comunicação promovem a

integração de todo país e dentro do Estado assiste-se a uma

impressionante explosão urbana, com o desenvolvimento concomitante

de todos os tipos de serviços.

Na década de 80, o estado apresenta um processo dinâmico de

desenvolvimento. Grande exportador de produção agropecuária, Goiás

vem se destacando pelo rápido processo de industrialização. Hoje, ele

está totalmente inserido no processo de globalização da economia

mundial, aprofundando e diversificando, a cada dia, suas relações

comerciais com os grandes centros comerciais.

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Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

População indígena

Existem atualmente quatro áreas indígenas no

estado de Goiás, três das quais já se encontram

demarcadas pela Fundação Nacional do Índio -

FUNAI, órgão do governo federal responsável pela

questão indígena no país. A população indígena

do estado não ultrapassa 120 habitantes e ocupa

área de 39.781 hectares, abrangendo os

municípios de Aruanã, Cavalcante, Minaçu, Colinas

do Sul, Nova América e Rubiataba.

Economia do Estado

A composição da economia do estado de Goiás

baseia-se na produção agrícola e na pecuária, no

comércio e nas indústrias de mineração,

alimentícia, de confecção, mobiliário, metalúrgica

e madeireira. Na agricultura destaca-se a produção

de arroz, café, algodão herbáceo, feijão, milho,

soja, sorgo, trigo, cana-de-açúcar e tomate. A

criação pecuária inclui bovinos, suínos, bubalinos,

além de eqüinos, asininos, ovinos e aves. O estado

de Goiás produz também água e vários minerais.

Relevo

São encontrados terrenos cristalinos sedimentares

antigos e áreas de planaltos bastante trabalhadas

pela erosão, que se alternam com chapadas,

apresentando características físicas de contrastes

marcantes e beleza singular. As maiores altitudes

localizam-se a leste e ao sul, onde se encontram

a Chapada dos Veadeiros, com elevações acima

de 1.200 metros, e a Serra dos Pireneus, que

atinge 1.395 metros de altura.

Hidrografia

Suas terras são drenadas principalmente pelos rios

Tocantins, Araguaia e Paranaíba, este um dos

formadores do rio Paraná, na região meridional.

Destacam-se ainda no Estado, os rios Aporé,

Corumbá, São Marcos, Claro e Maranhão. No rio

Araguaia encontra-se a ilha de Bananal, a maior

ilha fluvial brasileira, região muito procurada por

turistas para a prática da pesca e lazer.

Clima

O clima do Estado de Goiás é tropical, com inverno

quente e seco e verão quente e chuvoso. As

temperaturas médias são superiores a 20º C, com

amplitude térmica anual de até 7º C e precipitações

de 1.000 a 1.500 mm/ano.

Vegetação

Salvo pequena área onde domina a floresta

tropical, conhecida como Mato Grosso de Goiás, a

maior parte do território de Goiás apresenta o tipo

de vegetação escassa do cerrado, com árvores e

arbustos de galhos tortuosos, cascas grossas,

folhas cobertas por pêlos e raízes muito profundas.

Ao contrário das áreas de caatinga do Nordeste

brasileiro, o subsolo do cerrado tem muita água,

embora o solo seja ácido, com alto teor de alumínio,

e pouco fértil. Por esse motivo, na estação seca

parte das árvores perde as folhas para que suas

raízes possam buscar a água existente no subsolo.

Pag.

46

Chapadão do Céu

Localizado no extremo sudoeste de Goiás, o

município de Chapadão do Céu, com

219.070 ha (2.190,7 km²) abriga uma rede

hidrográfica rica, em terreno essencialmente

plano, que favoreceu o desenvolvimento da

agricultura mecanizada.

Inserido no bioma cerrado, com solos ácidos

que exigiram correção e forte adubação para

o sucesso da agricultura, que desponta a

nível nacional dentre os melhores índices de

produtividade e produção de milho, soja,

algodão e girassol.

O município abriga também parte do Parque

Nacional das Emas, grande reserva do bioma

cerrado, declarado pela UNESCO (Organização

das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura)

como Patrimônio Natural da Humanidade.

O Parque das Emas ocupa uma área de 160,89

km² (16.090 ha.) de Chapadão do Céu, que

representa 7,34 % do município e 12,28 % do

Parque dentro de Chapadão do Céu.

Chapadão do Céu tem, dentro de sua área

589,5 km de rios e mais 182, 6 km de rios nas

divisas do município. Os principais são: Rio

Jacuba (nascente em Mineiros), Rio Corrente

(nascente - união de Jacuba e Formoso), Rio

Formoso (nascente em Costa Rica, MS), Ribeirão

Água Amarela (nascente). Ribeirão

Pratinha (nascente), Córrego do Raio (nascente),

Rio da Prata (nascente), Rio Aporé ou Rio

do Peixe (nascente), Córrego Galheiros (nascente),

Córrego dos Couros (nascente),

Córrego alagadiço (nascente) , Rio Sucuriú

(nascente), Córrego da Serra (nascente).


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Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

O problema da divisa

estadual.

Na imagem de satélite ao

lado vemos o Parque Nacional

das Emas e os traçados

das divisas entre os estados

de Goiás e Mato Grosso do

Sul.

A linha azul representa o que

deveria ser a divisa de

acordo com a interpretação

da lei de criação do estado

de Mato Grosso que estabelece

que a divisa segue da

nascente do Rio Aporé, pela

Serra do Caiapó, até a nascente

do Rio Araguaia, ou

seja, a linha divisória seguiria

o divisor de águas. Baús,

que atualmente é considerado

MS, pertenceria a GO. A

linha vermelha representa a

divisa de fato: à esquerda

estão as propriedades escrituradas

e com inscrição estadual

em MS, à direita as

com inscrição em GO.

A linha reta entre as duas

nascentes é a proposta de

Chapadão do Céu para resolver

a pendenga. Com ela MS

continuaria com Baús e ampliaria

sua participação no

Parque das Emas e as

propriedades com maior

vinculo a Chapadão do

Céu passariam a ser

Goiás, como desejam.

Pag.

59


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 60

Para efeito de uso do solo, o Município de Chapadão

do Céu fica dividido em:

A Lei complementar Municipal 25/99 dispõe sobre o Zoneamento de Chapadão

do Céu, com objetivos de assegurar a reserva dos espaços necessários em

localizações adequadas, destinadas ao desenvolvimento de diferentes

atividades urbanas, turísticas, rurais e reservas ambientais e assegurar a

distribuição equilibrada de atividades e de pessoas no território do Município,

mediante controle do uso e da ocupação do solo.

1º Perímetro Urbano caracteriza-se pela ocupação destinada

a assentamentos residenciais, comerciais e de serviços,

ligados a atividades urbanas, bem como aos equipamentos

públicos e institucionais, em áreas urbanizadas (com

loteamentos aprovados) ou a serem urbanizadas

2º - Zonas Industriais - ( ZI ) são aquelas criadas

especificamente para a implantação de industrias de médio e

grande porte, distantes das Zonas de Interesse Turístico e de

Proteção Ambiental.

3º - Zonas de Interesse Turístico - ( ZIT ) são as áreas

geograficamente delimitadas, dotadas de atributos

excepcionais, com o objetivo de proteção dos recursos naturais

representativos, destinados para fins científicos, culturais,

educacionais, de recreação e lazer.

4º - Zonas de Proteção Ambiental: Caracterizam-se pela

preservação dos recursos naturais, subdivididas em:

I - Zonas de Preservação - ( ZP ) Destinam-se a conservação

dos recursos naturais e potenciais. Compreende as áreas

características do ecossistema intacto, apresentando

endemismo animal e vegetal e as áreas consideradas de

preservação permanente pelas leis Federais.

II - Zonas de Suporte Ambiental - ( ZSA ) Destinam-se a exercer

a transição entre a Zona Rural e a Zona de Preservação,

minimizando o impacto da primeira sobre a segunda.

Permite a ocupação residencial de baixa densidade, assim

como os usos voltados a atividades turísticas e agrícolas,

compatíveis com os ecossistemas.

III - Zonas de Uso Especial - ( ZUE ) Destinam-se a delimitação

de áreas específicas de suporte à ocupação urbana, tais

como caixas de empréstimo, aterros sanitários, estações

de tratamento de esgoto, captações de água, turismo

científico ou educativo, e outras ligadas ao aspecto de uso

social e ou comunitário.

5º - Zona Rural: Caracteriza-se pelo uso predominante

nas atividades agropecuárias, abrangendo também as áreas

de Reserva Legal previstas na legislação federal.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

A Lei complementar 25/99 define o

Zoneamento da cidade como o processo

de orientação, distribuição e controle da

localização, dimensionamento, intensidade

e tipo de uso do solo do município, bem

como o processo de orientação e controle

das relações entre espaços edificados e não

edificados, visando garantir o equilíbrio na

ocupação do solo quanto à densidade

demográfica, espaços públicos, ordenação

das atividades e preservação ambiental.

mapa da época da aprovação

A Lei N.º 320 de 24 de setembro de

2001 define o Perímeto Urbano de

Chapadão do Céu:

Art. 2º - A Zona Urbana da Sede do Município

de Chapadão do Céu é delimitada pelo seguinte

perímetro:

Inicia-se no marco “01”cravado na

margem direita da GO - 302 (206) no sentido

Chapadão do Céu - Parque Nacional das Emas, a

uma distância de 1.558,80 metros do eixo da

Avenida 3 (Netuno) da cidade de Chapadão do

Pag.

61

Céu; daí segue rumo 40º 07’00" - NW em

1.672,36 metros, confrontando com a GO -302

até encontrar o marco “02” cravado na margem

direita da GO - 302 no sentido Chapadão do Céu

- Parque Nacional das Emas e na divisa da Fazenda

Alto Formoso; daí segue com o rumo 31º53’20" -

NE em 1.409,22 metros, confrontando com a

Fazenda Alto Formoso até encontrar o marco “03”

cravado na divisa de Nadir Garcia Cunha; daí

segue com o rumo 43º23’20" - SE em 4.496,05

metros, confrontando com Nadir Garcia Cunha,

Márcia Garcia Cunha, Alfredo Pautz, GO- 050 e

Márcia Garcia Cunha até encontrar o marco “04”

cravado na divisa de Marta Garcia Cunha; daí

segue nos respectivos rumos e distâncias:

41º03’40"- SW em 426,50 metros até o marco

“05”; 15º38’20"- SW em 1.355,60 metros,

confrontando com Marta Garcia Cunha até

encontrar o marco “06”cravado na margem

esquerda da GO-302 no sentido Chapadão do Céu

- Itumirim; daí segue nos respectivos rumos e

distâncias: 41º56’40"- SE em 12,16 metros até

o marco “07”; 41º47’40"- SE em 600,30 metros

confrontando de um lado com Marta Garcia Cunha

e no outro lado com a margem esquerda da GO-

302 no sentido Chapadão do Céu - Itumirim até

o marco “08”; daí segue com o rumo de

51º57’00"- NW em 1.273,30 metros,

confrontando com a GO-302 (206) e Irineu Mário

Hoffmman até encontrar o marco “09”cravado

na divisa do mesmo Irineu Mário Hoffmman; daí

segue com o rumo de 38º03’00"- NW em 3.820,00

metros, confrontando com Irineu Mário

Hoffmman, Fioravante Vendrusculo, Lauro de

France, João de Oliveira Flores, Laércio Rotilli,

Tereza Rotille, Berto Bonna, Renato Cadore e

Paulo Rodrigues da Cunha até encontrar o marco

“10”cravado na divisa da Fazenda Cantinho do

Céu; daí segue como o rumo 51º57’00"- NE em

1.088,40 metros até encontrar o marco “01”,

ponto de partida, perfazendo em seu interior uma

área de 1.129,44.67 hectares.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 62

Mapa da Área Urbana de

Chapadão do Céu - GO

ALTIMETRIA

(os números nas pontas das curvas de nível

representam a altitude da curva)


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Mapa da Área Urbana de

Chapadão do Céu - GO

BAIRROS/SETORES


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 64


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Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Cordões Verdes

A Lei Municipal Nº 463 de 11 de dezembro de 2003 introduz

alterações na Lei n° 168 de 01 de julho de 1997, que dispõe

sobre o parcelamento do solo urbano.

Art 6º - O Plano Urbanístico do Município, regido pelas

diretrizes desta Lei, norteará as ações de planejamento de novos

loteamentos, aplicando-se as seguintes normas complementares:

III – Os loteamentos implantados num raio de até 1200m

da rotatória central na Av. Netuno com a Rodovia Parque das

Emas / Itumirim deverão incluir no projeto um cordão verde

contínuo cuja finalidade seja proteção, lazer e embelezamento

da cidade, sendo considerado como área verde.

IV – Os loteamentos contíguos dentro da faixa buscarão

dar continuidade ao cordão verde dos loteamentos vizinhos,

fornecendo uma proteção para as áreas urbanas próximas.

V - O cordão verde deverá ter pelo menos 10,00 (dez)

metros de largura, sendo margeado por vias públicas em ambos

os lados.

VI – Excepcionalmente nas margens do cordão verde os

passeios públicos poderão ter 2,00 metros de largura (nas demais

vias públicas os passeios devem ter pelo menos 3,5 m - sendo

que na maioria da cidade os passeios têm 4,0 m).

VII – A primeira faixa dos 1200 m da rotatória central,

mencionada no inciso III será denominada Faixa 1, sendo que a

cada 1.000 metros será definida uma nova faixa onde será

inserido um novo cordão verde protetor, denominando-se Faixa

2, Faixa 3 e assim sucessivamente (ver modelo anexo).

Pag.

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Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 73

A Lei Nº 207/98 de 06 de julho de 1998

dispõe sobre o uso de agentes

poluidores no Perímetro Urbano de

Chapadão do Céu.

Art. 2º - Será observado na aplicação de

agentes nocivos ao meio ambiente, na área

do perímetro urbano e adjacentes a este, as

seguintes disposições:

I – na Faixa “A” poderão ser utilizados,

produtos da classe toxicológica IV(Faixa

Verde) e para tratamento via solo os produtos

da classe III e IV(Faixa Azul e Verde);

II – na Faixa “B” poderão ser utilizados,

produtos da classe toxicológica III e IV(Faixa

Azul e Verde) e para tratamento via solo os

da classe II, III e IV(Faixa Amarela, Azul e

Verde).

Parágrafo Único : É vedado a utilização de

aeronaves para aplicação de qualquer tipo de

produto, nas áreas designadas de Faixa A e B.

Art. 3º - - Considera-se Faixa A, a área de terra

localizada entre o traçado urbano loteado e o

polígono irregular a seguir descrito: começa no

marco 01(um), (Marco 10 do Perímetro Urbano)

daí seguindo rumo de 51º57’00" NE em 1.812,00

metros, até encontrar o marco 02(dois) daí segue

com o rumo de 39º00"00" SE em 973,00 metros,

até encontrar o marco 03(três), daí segue com

o rumo de 46º47’14" NE em 469,00 ,metros,

até encontrar o marco 04(quatro), daí segue com

o rumo de 41º58’00" SE em 550,00 metros, até

encontrar o marco 05(cinco) daí segue com o

rumo de 34º49’07" SE em 868,00 metros, até

encontrar o marco 06(seis), daí segue com o

rumo de 15º38’20" SW, em 1355,60 metros, até

encontrar o marco 07(sete), daí segue com o

rumo de 41º47’40" NW em 175 metros, até

encontrar o marco 08(oito), daí segue com o

rumo de 50º01’00" SW em 1219,00 metros, até

encontrar o marco 09(nove), daí segue com o

rumo de 38º03’00" NW em 108,00 metros até

encontrar o marco 10(dez), daí segue com o

rumo de 50º02’00" SW em 1.175,18 metros até

encontrar o marco 11(onze), daí segue com o

rumo de 18º13’01"NW em 3.192,00 metros até

encontrar o marco 12(doze) seguindo daí com o

rumo de 17º52’09"NW em 27,96 metros até

encontrar o marco 01(um) ponto de partida,

perfazendo uma superfície de 855.1019 hectares.

Art. 4º - A Faixa B é a compreendida pela área

de terra, localizada entre o polígono descrito no

artigo precedente e a linha poligonal que delimita

o perímetro urbano do Município.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 74

A Lei N.º 367 de 03 de junho de 2002 dispõe

sobre a numeração de imóveis nos

logradouros:

Art. 1º - A numeração dos imóveis nos logradouros

da área urbana de Chapadão do Céu será realizada

em conformidade com as seguintes diretrizes:

A Numeração dos

imóveis a partir do

ponto central da cidade

cresce em todas as

direções, de acordo

com o crescimento da

área urbana.

I – a cidade terá quatro divisões de categorias

de numeração a partir da rotatória central, tendo

como eixo leste-oeste a rodovia “Itumirim/Parque

Nacional das Emas” e como eixo norte-sul a

Avenida Netuno, sendo o encontro das duas

considerado o ponto 0 (zero), ou o início de toda

numeração.

II – as divisões serão denominadas:

a) Norte para os logradouros transversais e ao

norte da rodovia;

b) Sul para os logradouros transversais e ao sul

da rodovia ;

c) Leste para os logradouros paralelos à rodovia

e a leste da Avenida Netuno;

d) Oeste para os logradouros paralelos à rodovia

e a oeste da Avenida Netuno;

III – os logradouros das divisões Norte e Sul terão

sua numeração iniciada no eixo da rodovia, em

direção aproximada ao norte e ao sul,

respectivamente;

IV – os logradouros das divisões Leste e Oeste

terão sua numeração iniciada no eixo ou canteiro

central da Avenida Netuno, ou de sua projeção,

em direção aproximada a leste e a oeste

respectivamente;

V – a medição será feita em metros, sendo que o

número, em algarismos representa a medida do

ponto inicial até o ponto medido no imóvel.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 75

As Rodovias Municipais:

A Lei Nº 528 de 29 de abril de 2005 institui a

Nomenclatura das Rodovias Municipais de

Chapadão do Céu.

Art. 2º - As Rodovias Municipais são

classificadas em:

I – Rodovias Longitudinais, aquelas que cortam

o município ou estão posicionadas na direção

Norte-Sul;

II – Rodovias Transversais, aquelas que cortam

o município ou estão posicionadas na direção

Leste-Oeste.

Parágrafo único – As Rodovias Municipais serão

definidas como Longitudinais ou Transversais

considerando-se a sua direção média aproximada,

medindo-se o rumo da mesma, sendo considerada

longitudinal aquela cuja predominância mais se

aproximar do sentido Norte-Sul e Transversal a

que mais se aproximar do sentido Leste-Oeste.

Art. 3º - As Rodovias Municipais serão

nomeadas de acordo com as seguintes diretrizes:

I – As Rodovias Longitudinais terão seus

nomes iniciados com as letras CH e três

algarismos, sendo o primeiro sempre o numero

1. (CH-1XX)

II – As Rodovias Transversais terão seus nomes

iniciados com as letras CH e três algarismos,

sendo o primeiro sempre o numero 2. (CH-2XX)

Art. 4º - As Rodovias Longitudinais terão

sua numeração crescente no sentido Oeste para

Leste e as rodovias Transversais terão sua

numeração crescente no sentido de Norte para

Sul.

As principais rodovias municipais foram

nomeadas conforme as diretrizas da lei.

Veja no mapa anexo.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 76


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 77

Turismo Ecológico

O município de Chapadão do Céu é

extremamente propício ao turismo ecológico

e ao turismo rural.

Com seus vastos horizontes e noites estreladas

é um lugar privilegiado, onde a natureza foi

pródiga.

São vários rios de águas cristalinas, belas

cachoeiras, corredeiras e remansos.

São campos e matas abrigando uma grande

diversidade de fauna e flora do cerrado. São

muitos locais especiais de rara beleza cênica.

Localizado no seio do Cerrado são inúmeros

os atrativos naturais

Vias de Acesso:

Rodovia BR-364 de Jataí para Mineiros,

esquerda no km 40 (Posto Estrela D’alva) pela

GO-050 até Chapadão do Céu.

De Jataí por Serranópolis até Itumirim, à direita

no posto pela Rodovia GO-206 até Chapadão

do Céu.

De Aparecida do Taboado ou Campo Grande

até Chapadão do Sul, MS e pela GO-050 até

Chapadão do Céu, GO.

Distâncias:

Goiânia: 483 km,

Brasília: 691 km,

Campo Grande: 374 km,

S. J. Rio Preto: 512 km,

Cuiabá: 611 km,

Uberlândia: 586 km,

São Paulo: 1.000 km.

Imagem aérea da cidade,

com parte do Cordão

Verde implantado em 2004


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

A cidade

Chapadão do Céu é uma cidade pequena,

com ruas e avenidas espaçosas, bem

arborizadas e ajardinadas.

As praças de estilo moderno tem nomes

sugestivos como Praça do Sol, Praça da

Terra e Praça da Lua, assim como todas

as vias públicas.

A arquitetura dinâmica e criativa oferece

uma diversidade visual e ambiental

urbana que diferencia Chapadão do Céu

da grande maioria das cidades do interior.

Tentando combinar a tranqüilidade do

interior com a eficiência da modernidade

a administração local preocupa-se em

realizar o crescimento ordenado, com

bastante áreas verdes e de lazer.

O comércio em franco desenvolvimento

oferece diversas opções.

O saneamento básico é adequado, com a

rede de esgotos atendendo a grande

maioria da população com tratamento por

biodigestor e as galerias pluviais sendo

construídas anteriormente ao asfalto.

Na educação e

saúde pesados

investimentos

tem sido feitos

para proporcionar

qualidade e

melhoria de

condições aos

habitantes.

As estradas

vicinais tem sido

constantemente

trabalhadas para

oferecer bom

acesso a todas as

partes do

município.

Pag.

Acima à o Prédio da Prefeitura Municipal em forma de estrela, a placa de identificação

no trevo central e a Avenida Netuno em 1984, as primeiras casas.

À esquerda foto aérea de 2005.

78


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Agricultura

A agricultura é sem dúvida a principal atividade

econômica no município. Responsável por

aproximadamente 70% da arrecadação local

e de 80% da movimentação financeira, é

também o setor que gera mais empregos,

direta e indiretamente: desde os produtores

rurais e operadores de máquinas e

equipamentos agrícolas aos funcionários de

empresas armazenadoras, oficinas mecânicas

e prestadores de serviços para o setor, como

engenheiros agrônomos, vendedores de

insumos, etc. A produção agricola utiliza cerca

de 64% das terras do município.

Soja e milho são as principais culturas, com

acelerado crescimento do algodão

recentemente, e diversas outras culturas

complementares (vide quadro abaixo).

Chapadão do Céu tem sido, nos últimos anos,

um dos principais produtores de grãos do

estado, ficando entre o 3° e 5° lugar em

produção e produtividade

Pag.

79


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Atrativos Turísticos

Praínha do Formoso – Pequena queda

d’água seguida de poços no Rio Formoso,

próximo à cidade, praia adequada para

recreação de crianças, área de camping com

árvores frondosas. Acesso fácil

Corredeiras do Rio Formoso – Trecho do

rio à montante da ponte com corredeiras. Propício

para canoagem e rafting. Canal que abastece

a usina com águas mansas. Acesso fácil.

Rio Formoso: corredeiras, ponte da GO-050

, canal e pequena usina hidroelétrica.

Pag.

80

Salto I do Rio Sucuriú (Cachoeira do Requeijão)

– Salto de 12 metros seguido por

poços e corredeiras em direção ao canyon,

mirantes com bela visão panorâmica, escarpa

íngreme na margem esquerda e exuberante

floresta ciliar à margem direita, pequenos poços

e cascatinhas em regatos próximos. Acesso

médio.

Salto II do Rio Sucuriú – Canyon por 2 km

até o segundo Salto de 40 metros no final do

canyon. Acesso difícil.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 81

Rio Corrente - Formado pela junção dos

Rios Formoso e Jacuba rio tortuoso e com

águas cristalinas. Acesso difícil.

Hotel Fazenda Santa Amélia – Às margens

do rio Formoso o hotel tem acomodações

em quartos, chalés e área de camping.

Acesso fácil.

Casa da Fazenda Formoso – Antiga casa

do Sr. Filogônio Garcia, muros de pedra

sobrepostas a rego d’água em cochos de

troncos de árvores, local de importância

histórica. Acesso fácil.

Parque Lago Água Amarela – Parque de

lazer com piscinas, toboagua, quadras, campos,

pistas, infra estrutura de esportes e

lazer ao lado do Lago das Garças. Acesso

fácil.

Lago das Garças, formado pelo

represamento do Ribeirão Água Amarela

para a construção do aterro da Rodovia GO-

050. Acesso fácil.

ASPUMC – Clube Recreativo (rio Água Amarela)

– Poço na várzea do rio, adequado para

natação e recreação, pequeno bosque com

churrasqueira, sede da Associação dos Servidores

Municipais. Acesso fácil.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 82

Salto I do rio Prata – Salto largo com

aproximadamente 6 metros de altura, poço

amplo com pedras. Acesso médio.

Salto II do rio Prata – Salto de aproximadamente

8 metros de altura com poços para

prática de natação e lazer, gruta próxima à

queda d’água. Acesso difícil.

Salto do rio Formoso – Salto de aproximadamente

12 metros de altura seguido de

corredeiras e de remanso com praia. Acesso

difícil.

Cachoeira do Rio Aporé - na divisa entre

os municípios de Chapadão do Céu, Aporé e

Chapadão do Sul, MS - Acesso difícil

Varjão do Rio Sucuriú encontrando a

nascente do Ribeirão Água Amarela. Acesso

fácil.

Morro do Pião – Formação rochosa com

vegetação densa (capão) na base. Acesso

fácil, às margens da rodovia GO-050, a

caminho de Chapadão do Céu - município de

Serranópolis.

Serra Azul – trecho da Serra dos Caiapós de

rara beleza cênica às margens da Rodovia

GO-050.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 83

Infra-estrutura na educação, com prática de

esportes, aulas de informática, creche para

os menores e transporte escolar para que

todas as crianças frequentem a escola.

Cuidados com o cidadão disponibilizando o

hospital, ambulância para os casos mais

graves, biodigestor no tratamento do esgoto

e reciclagem do lixo.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 84

Na manutenção das estradas municipais a ajuda

para o escoamento das safras agrícolas, que sustentam

a economia do município para que o Poder

Público possa investir em saneamento básico e em

Ação Social, como no caso da horta comunitária.

O artesanato,uma lembrança para o turista é também

uma fonte de renda.

Os mascotes de Chapadão do Céu, Ceu Limpo,

Dona Clarinda e Chapinha, foram inspirados nas

emas, habitantes naturais da região e receberam

um monumeto como homenagem.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 85

Parque Nacional das Emas

Chapadão do Céu é o principal portal de

entrada para a maior área preservada do

bioma cerrado em todo o planeta: o Parque

Nacional das Emas, com uma riquíssima

variedade de flores, plantas, animais e

centenas de variedades de pássaros, além de

paisagens belíssimas em áreas de Cerradão,

Cerrado, Mata Ciliar, Campo Úmido, Campo

Sujo, Campo Limpo e Veredas.

São 132.822 hectares de reserva.

Reconhecido em 2001, pela Unesco como

Patrimônio Natural da Humanidade, o

Parque Nacional das Emas é o único no Brasil

que abriga os diversos tipos de vegetação do

cerrado, onde o visitante poderá observar,

além da rica vegetação, corredeiras de águas

cristalinas e diversas espécies da fauna.

A denominação de Parque Nacional das Emas

é decorrente da presença, na região, de grande

quantidade dessas aves (Rhea americana).

Podem ser observados, também, uma grande

quantidade de cupinzeiros, morada dos cupins,

feita de barro, que se eleva do solo a alturas

que chegam a ultrapassar um metro, que, em

certas épocas do ano, irradiam uma luz

fosforecente, de tom azul-esverdeado,

produzida pelas larvas dos cupins, o que dá à

noite um colorido muito harmonioso.

O Parque Nacional das Emas foi criado pelo

Decreto n o 49.874 de 11 de janeiro de 1961,

assinado pelo então Presidente Juscelino

Kubitschek, com o objetivo de proteger uma

amostra representativa do bioma Cerrado, em

6 de abril de 1972, o Decreto n o 70.375 define

os limites da Unidade de Conservação.

Localização: Situa-se no extremo sudoeste

de Goiás, nos municípios de Mineiros e de

Chapadão do Céu e Costa Rica, MS, entre as

coordenadas 17° 50' a 18° 15' de latitude Sul

e 52° 30' a 53° 10' oeste. São duas entradas

de acesso aos visitantes, uma a 25 km. de

Chapadão do Céu, pelo portão Guarda do

Bandeira que leva à sede do Parque e outra

a 80 km. de Mineiros, pelo portão Jacuba.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 86

O Plano de Manejo do Parque Nacional das Emas foi aprovado pela

Portaria Nº 3, de 7 de janeiro de 2005, pelo Presidente do Instituto

Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

- IBAMA, no uso das suas atribuições previstas no art. 24, Anexo I, da

Estrutura Regimental, aprovado pelo Decreto nº 4.756, de 20 de junho

de 2003.

Ele define duas áreas de influência externas ao Parque: a Zona de

Amortecimento, e, dentro desta, uma faixa de 2 km, em que existem

restrições especiais de uso agrícola.

De acordo com o Art 2º da Lei Federal nº 9.985, de 18/07/2000 que

implanta o Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC,

entende-se por zoneamento a “definição de setores ou zonas em

uma Unidade de Conservação com objetivos de manejo e normas específicas,

com o propósito de proporcionar os meios e as condições

para que todos os objetivos da UC possam ser alcançados de forma

harmônica e eficaz”. A Lei define Zona de Amortecimento como

sendo, “o entorno de uma Unidade de Conservação, onde as atividades

humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o

propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade”. Na

faixa de 2 km ficou proibida a aplicação aérea de defensívos agrícolas

e autorizado o uso exclusivo de produtos faixa verde. Esta regra foi

polimizada pelo impacto que causa na agricultura.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 87


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 88


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 89


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 90


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 91

Dentre os objetivos do Parque

das Emas consta o de “contribuir

com a conectividade entre

remanescentes florestais da

região de forma a favorecer o

trânsito e a troca genética dos

corredores ecológicos das

três bacias do Paraná, Araguaia

e Pantanal”.

Um Corredor Ecológico, ou de

Biodiversidade, é formado por uma

rede de parques, reservas e áreas

privadas de uso menos intensivo,

na qual um planejamento

integrado das ações de

conservação pode garantir a

sobrevivência do maior número de

espécies e o equilíbrio dos

ecossistemas.

O desmatamento, seja com fins de

urbanização ou de uso

agropecuário, provoca uma

intensa fragmentação dos

hábitats, isto é, as florestas, matas

e campos naturais tornaram-se

ilhas de vegetação, cercadas por

cidades ou áreas agrícolas.

A implementação de corredores de

biodiversidade contribui para que

essas ilhas sejam novamente

conectadas, com a proteção da

vegetação ainda remanescente

e a recuperação de áreas

degradadas.

O Parque das Emas é o ponto de

encontro de dois destes

corredores: o Corredor Ecológico

Cerrado Pantanal e o Corredor

da Bacia do Jacuba/Corrente.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 92

O Cerrado da região do

Parque das Emas

O Cerrado é segundo maior bioma do país e

constitui-se de um mosaico de fitofisionomias

campestres, savânicas e florestais, estendendose

por cerca de 2 milhões de km². Ocorre em

sua maioria na região central do país, com

algumas áreas disjuntas dispersas por outros

biomas, como Amazônia, Caatinga, Mata

Atlântica e Pantanal. Nos platôs a vegetação

varia de campo limpo a cerradão, com florestas

úmidas restritas às margens dos rios e córregos,

enquanto nas depressões a paisagem é mais

heterogênea, incluindo fitofisionomias de

savana, campos úmidos, matas ciliares mais

extensas, e áreas de matas decíduas e

semidecíduas. O clima é tropical sazonal, com

uma estação seca que pode durar de quatro a

seis meses (maio / junho a setembro / outubro)

e a precipitação anual média varia de 1250 a

2000mm.

MAMIFEROS:

A fauna de mamíferos do Cerrado é

caracterizada por possuir, em sua maioria,

elementos que habitam uma grande variedade

de ambientes, apesar de também estarem

presentes espécies exclusivamente florestais ou

de área aberta. A fauna de mamíferos do PNE

possui predominância de elementos de áreas

abertas: 26,5% das espécies registradas

ocupam os ambientes cerrado e campo, 19,2%

habitam florestas e 54,2% ambos os ambientes.

Em contraste, das 194 espécies de mamíferos

registradas para o Cerrado, 29% são habitantes

de florestas, 54% habitam tanto habitats

florestados quanto os abertos e apenas 16,5%

são específicos de áreas abertas.

O Parque Nacional das Emas - PNE - tem

uma rica fauna de mamíferos, contando com

ao menos 85 espécies em seu interior e 94

considerando as áreas de entorno. A fauna de

mamíferos do PNE conta com predominância

de elementos de áreas abertas, em comparação

com a fauna de mamíferos do Cerrado como

um todo. Isto é derivado da alta proporção de

campos no interior do Parque. Mais de 80% da

fauna de mamíferos da região está

representadas no PNE e das espécies que não

se encontram dentro do Parque, a maioria é

habitante de florestas. A região do rio Correntes

é onde se encontram mais espécies que não

estão representadas no Parque.

A fauna de grandes mamíferos é o principal

chamariz do PNE e as espécies mais comumente

avistadas são o veado-campeiro, o tamanduábandeira,

o lobo-guará e a anta, espécies que

contam com populações vigorosas no PNE.

Outras espécies importantes, pela sua raridade,

são o cervo-do-pantanal, o tatu-canastra, a

onça-pintada e o cachorro-do-mato-vinagre,

entre outros. Estas quatro espécies e outras

seis que ocorrem no PNE estão na lista de

ameaçadas de extinção (MMA 2003).

Os grandes incêndios são um risco para a fauna

de mamíferos, em especial tamanduás, mas o

manejo do fogo baseado em deixar queimar os

focos causados por raio diminui a chance de

ocorrência de um grande incêndio e

conseqüentemente o risco para a fauna.

O prejuízo que algumas espécies,

particularmente queixadas e onças-pardas,

causam para as fazendas no entorno é um alto

fator de risco para estas populações, pela

matança em represália a estes prejuízos.

A fragmentação é um dos principais fatores de

risco para as populações de mamíferos. A fauna

de mamíferos de maior porte apresenta maior

mobilidade e consegue transitar entre o Parque

e os fragmentos de Cerrado que ainda persistem

no seu entorno. Estas áreas de vegetação nativa

são fundamentais para a manutenção de fluxo

gênico com outras populações, funcionando

como corredores ecológicos ligando a região do

PNE com outras áreas. Assim, o PNE tem

conexão com o Pantanal, através do rio Taquari,

com a Amazônia, através do rio Araguaia e com

o rio Paranaíba (bacia do Paraná), através do

rio Corrente, formado pela junção dos dois rios

principais do PNE: o Jacuba e o Formoso.

Devido à sua riqueza faunística, presença de

espécies raras e ameaçadas de extinção e

localização biogeográfica, o PNE é uma das mais

importantes Unidades de Conservação para a

preservação de mamíferos no Cerrado.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 93

Mamiferos - Hábitat:

f= hábitats fechados (floresta, cerradão e

cerrado denso)

a= hábitats abertos (campos, cerrado típico e

cerrado ralo)

* = espécies listadas como ameaçadas (MMA

2003)

# = espécie encontrada apenas fora do PNE.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 94

Fauna Entomológica

A fauna de insetos do Parque Nacional das Emas

representa a porção mais diversa da fauna, a maior

biomassa animal que participa de modo

fundamental dos processos ecológicos que mantêm

a estrutura biológica e física do ambiente. Apesar

da importância do grupo para a diversidade

biológica e para a paisagem, são muito poucos os

estudos já realizados com insetos. No PARNA Emas,

todos os estudos que envolviam insetos tinham

como objeto de estudo principal outro tema, ou

outro grupo. Como exemplo, estudos sobre o

fenômeno químico da bioluminescência ou da dieta

de certos animais.

Estudos sobre insetos no Cerrado não são tão

comuns como estudos sobre outros grupos, como

vertebrados. Fontes importantes de informação são

as coleções entomológicas, como por exemplo, a

coleção do laboratório da Embrapa Cerrados, em

Brasília. Todavia, a maioria das informações

disponíveis nas coleções não foi publicada ou

organizada em bancos de dados, impedindo

comparações imediatas com listas de espécies

conhecidas.

A amostragem parcial dos insetos, apresentada ao

IBAMA para subsidiar o Plano de Manejo 2005,

mostrou que a fauna do Parque é bastante diversa,

mas pelo caráter pontual e reduzido dos trabalhos,

não é possível detectar variações temporais ou

causadas por ações de manejo na unidade. A análise

das amostras, ainda em andamento, indica que a

diversidade da fauna de insetos é bastante afetada

pela fisionomia da vegetação e também pela

proximidade com os limites do parque. Uma redução

drástica da diversidade foi observada na área da

zona de amortecimento, onde ocorrem lavouras de

soja, algodão e milho, durante todos os estágios

das culturas, como era esperado. Mais de 96% dos

insetos encontrados nas áreas de cultivo são insetos

praga, e representantes da macro fauna de insetos

do solo quase não apareceu nas amostras. A

diversidade de insetos polinizadores foi muito baixa

nas áreas de lavoura da zona de amortecimento,

mesmo nas áreas bem próximas à cerca do Parque.

Dentro da unidade, nas áreas adjacentes à cerca,

aparecem muitos elementos praga das lavouras,

especialmente as vaquinhas (Diabrotica speciosa

(Germar, 1824), Collapsis sp.) e percevejos da soja

(Euschistus heros (Fabricius, 1798), Nezara viridula

(L., 1758)). Todavia não se observou nenhum indício

de impacto sobre a vegetação natural. A diversidade

junto à cerca foi bem menor que a encontrada em

áreas mais ao centro do parque. A fauna de insetos

encontrada a 2 km da cerca limite da Unidade de

Conservação, considerada apenas no nível

taxonômico de Ordem, mostra-se muito semelhante

àquela encontrada nas áreas mais internas do

parque, indicando que esta distância já permite o

início da recuperação da fauna de insetos.

As áreas de maior diversidade amostrada foram as

áreas de campo sujo e campo cerrado, seguidas

pelas áreas de campo limpo e campo úmido. Estes

dados devem ser considerados com cautela, pois

não houve variação temporal significativa nas

amostragens e a fauna de insetos é bastante

sazonal.

Os elementos mais significativos da fauna, em

termos de biomassa e diversidade de morfotipos,

foram os grupos de besouros, gafanhotos e

percevejos. Os himenópteros, abelhas formigas e

vespas, aparecem menos representados,

provavelmente em conseqüência da técnica de

captura utilizada.

As amostragens da fauna epígea de cupins indica

que, nas áreas de intenso manejo do fogo, os

aceiros, a densidade de termiteiros não é diferente

da observada por Redford na década de 80. O

impacto da estratégia de manejo do fogo sobre os

insetos do parque não é conhecida, pois não existem

estudos a este respeito, e as amostragens foram

realizadas fora da época de queima. São

conhecidos, entretanto, efeitos de aumento da

oferta de recursos florais após as queimadas,

resultando em maior concentração de insetos

fitófagos e visitantes florais nas áreas recém

queimadas. Os efeitos sobre o sucesso reprodutivo

e tamanhos populacionais não são conhecidos

Térmitas, termiteiros e seus hospedeiros:

Dos insetos com o maior potencial para exploração

turística, destacam-se as larvas bioluminescentes de

vaga-lumes (Pyreanneus termitilumens Costa 1984)

que habitam os cupinzeiros epígeos. Todavia, este

fenômeno só pode ser observado à noite, no início

da estação chuvosa, de preferência após uma forte

chuva em dia de temperatura alta.

Os próprios cupins e seus ninhos podem ser uma

atração turística e educativa, devido à densidade em

que ocorrem em certas áreas do PARNA Emas,

formando uma paisagem interessante. As diferentes

cores dos ninhos, revelando características distintas

dos solos, é outro fator potencialmente explorável

como curiosidade ou para fins educativos. A

exploração deste grupo de insetos para fins turísticos

ou educativos, todavia, depende da disponibilidade

de material interpretativo nos locais, na forma de

panfletos ou pelo treinamento de agentes de

visitação.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 95

Glossário das ordens de

insetos

Thysanura

1. Archaeognatha-:

traças saltadoras.

2. Zygentoma - “Thysanura”: traças,

peixinho-prateado.

Paleoptera

3. Ephemerida - Efemerópteros:

efêmeras, náiades, etc.

4. Odonata - Odonatos:

libélulas, lavadeiras.

Polyneoptera, (insetos ortopteróides)

5. Plecoptera: perlópteros ou

perlários

6. Embioptera - Embiópteros:

oligoneuros ou néticos:

7. Orthoptera - Ortópteros:

grilos, gafanhotos, esperanças, etc.

8. Mantophasmatodea: gladiador,

ordem descoberta recentemente na

Africa.

9. Phasmatodea - Fasmoídeos:

bichos-pau.

10. Grylloblattodea-: insetos

semelhantes a pequenos grilos sem

asas, não ocorrem no Brasil.

11. Zoraptera - Zorápteros:

12. Dermaptera - Dermápteros:

tesourinhas, lacrainhas, etc

13 .Blattaria - Blatária:

baratas.

14. Mantodea - Mantódeos:

louva-a-deuses, põe-mesas, etc.

15. Isoptera - Isópteros:

cupins. Paraneoptera, (insetos

Hemipteróides)

16. Psocoptera - Psócidos: p

iolhos-do-livro, piolhos-das-cascas

17. Phthyraptera -

(Mallophaga+Anoplura):

piolhos mastigadores e sugadores.

18. Thysanoptera -Tisanópteros:

tripes.

19. Hemiptera - Hemípteros

(Homoptera + Heteroptera):

percevejos, cigarras, cigarrinhas,

cochonilhas, pulgões, etc.

Holometabola (de metamorfose

completa)

20. Coleoptera - Coleópteros:

besouros, carunchos, gorgulhos,

vaga-lumes, cervo-voador etc.

21. Megaloptera - Sialídeos:

juliões.

22. Neuroptera - Neurópteros:

formigas-leão, crisopas, lixeiros, etc.

23. Rhaphidiodea:

24. Mecoptera - Mecópteros:

panorpatos.

25. Siphonaptera - Sifonápteros:

pulgas e bichos-de-pé.

26. Trichoptera - Friganídeos:

curubixás.

27. Lepidoptera - Lepidópteros:

borboletas, mariposas, bruxas, etc.

29. Strepsiptera - Estrepsípteros,

Eipípteros:

29. Diptera - Dípteros: moscas,

mosquitos, borrachudos, mutucas,

pernilongos, etc.

30. Hymenoptera - Himenópteros:

abelhas, formigas, vespas,

marimbondos, etc.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 96

AVIFAUNA

O Cerrado possui 837 espécies de aves (Silva 1995a) e

novos registros para o bioma são invariavelmente

adicionados à medida que novas áreas são amostradas

, uma vez que apenas 70% do Cerrado não possuem

sua avifauna minimamente amostrada. Devido à

heterogeneidade de fisionomias que possui (formações

florestais, savânicas e campestres), o Cerrado forma

um mosaico de vegetação que conecta outros biomas e

facilita o fluxo faunístico entre eles. Assim, é comum

encontrar diversas espécies de aves reconhecidamente

da Mata Atlântica e Amazônica em seus domínios, o

que aumenta a diversidade do bioma.

Cerca de 202 espécies de aves presentes no Cerrado

são características da Floresta Amazônica e outras 79

da Floresta Atlântica, o que ressalta a importância das

matas de galeria como uma rede de corredores

conectando as diversas formações vegetacionais . O

contato com outros biomas (tanto abertos quanto

florestais) provavelmente é a causa do Cerrado possuir

baixo endemismo de avifauna, com apenas 33 espécies

(Silva 1997, Cavalcanti 1988, Zimmer et al. 2001).

O Parque Nacional das Emas é reconhecido

mundialmente, pois mantém dentro de seus limites,

alta concentração de espécies de aves de áreas abertas.

O ornitólogo Álvaro Negret elaborou uma lista de aves,

cujas observações de campo ocorreram em outubro de

1984. Nesta lista, ele registrou 219 espécies de aves,

sendo 13 endêmicas, oito ameaçadas de extinção pela

lista do M.M.A. (2003) e 11 pela IUCN (2003).

Em outro estudo, cujo objetivo foi conhecer a dinâmica

da movimentação da fauna entre o PNE e seu entorno,

indicando as espécies sensíveis à fragmentação, foram

levantadas 226 espécies, com indicação de 23 espécies

de maior interesse para a conservação (TETRAPLAN

1998).

Também foram realizados outros estudos, porém, não

envolvendo levantamentos da avifauna, como os

realizados por Bianchi (1998), que coletou informações

sobre a biologia de populações de araras-canindé (Ara

ararauna) e Baumgarten (1998), cujo objetivo foi

estudar a dinâmica das populações de águias e falcões

(Ordem Falconiformes).

O Parque Nacional das Emas possui 400 espécies de aves,

incluído todas as informações disponíveis, com 19

espécies endêmicas e 14 espécies ameaçadas de

extinção.

Foram registradas para a região do entorno do Parque

331 espécie de aves, sendo que 47 foram detectadas

exclusivamente nas regiões fora do PNE

A riqueza e similaridade da avifauna verificadas entre as

fitofisionomias presentes no PNE, indicam que maioria

das espécies de aves utiliza diversos tipos de ambientes,

como as paisagens campestres, florestais e aquáticas. A

mata de galeria e o cerrado senso estrito são os

ambientes mais ricos em espécies de aves no PNE, porém

pouco representados dentro de sua área, uma vez que a

grande maioria do parque é composta pelos campos.

Tendo em vista a grande quantidade de espécies de aves,

mencionamos aqui apenas algumas, a título ilustrativo,

com seus nomes comuns: ema, perdiz, urubu-rei, gavião,

águia-cinzenta, falcão, seriema, quero-quero, maçarico,

pomba, rolinha, arara, maracanã, periquito-rei, papagaio,

anu, coruja, urutau, bacurau, curiango, andorinhão,

tesourinha, beija-flor, surucuá, martim-pescador, tucano,

pica-pau, chororozinho, joão-de-barro, arapaçu, bem-tevi,

caneleiro, anambé, andorinha, gralha, corruíra, sabiá,

pipira, tico-tico, canário, patativa, tiziu, chorão,

caboclinho, curió, bicudo, azulão, chopim, pardal.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 97

HERPETOFAUNA

O Cerrado apresenta uma fauna de répteis e

anfíbios de grande diversidade, sendo

conhecidas 113 espécies de anfíbios, 107

serpentes, 47 lagartos, 15 anfisbenas, 10

quelônios e 5 jacarés, o que representa cerca

de 20% das espécies de anfíbios e 50% das

espécies de répteis do Brasil. Dentre estas

espécies, há algumas endêmicas (50% das

anfisbenas, 26% dos lagartos e 10% das

serpentes e 15% dos anfíbios), enquanto outras

ocorrem também na Mata Atlântica, Amazônia

ou Caatinga. Três espécies ameaçadas de

anfíbios, quatro quelônios, quatro jacarés, cinco

lagartos e seis serpentes ocorrem no Cerrado,

além de uma espécie de . O Cerrado é

considerado um dos hábitats tropicais mais

interessantes em relação ao padrão de

diversidade e associação entre espécies de

lagartos devido ao mosaico natural que

caracteriza a paisagem e à distribuição em

manchas dentro de outros biomas. A posição

central do Cerrado com relação a outros biomas

favorece uma grande diversidade regional de

espécies.

As informações disponíveis para a região do

Parque Nacional das Emas confirmam o padrão

observado em outras localidades no Cerrado,

de alta diversidade e forte influência da

heterogeneidade da paisagem na distribuição

da herpetofauna: são conhecidas 70 espécies

de répteis squamata, divididas em seis famílias

de serpentes, oito de lagartos e uma de

anfisbenas . Destas espécies, 18 não eram

conhecidas de nenhuma localidade com menos

de 100 Km de distância do PNEmas. Na região,

incluindo o entorno, que abrange parte das

cabeceiras dos rios Taquari e Araguaia, são

conhecidas 76 espécies de répteis squamata,

porém não há informações detalhadas

publicadas a respeito da ecologia da maioria

destas espécies. A espécie de serpente mais

comum no PNE, conhecida como jararaca rabode-osso

(Bothrops neuwiedi), foi alvo de um

estudo ecológico mais detalhado (Valdujo et al,

2002c), seus hábitos são comuns a grande parte

das espécies de répteis e anfíbios de campo

limpo e campo, as fitofisionomias mais típicas

da região.

Dentre as espécies de serpentes registradas,

29 ocorrem em hábitats de interflúvio (áreas

abertas não associadas a corpos d’água), 11

são típicas de ambientes ripários (campo úmido,

vereda e mata ciliar) e cinco são generalistas;

a maioria das espécies apresentam hábitos

terrestres, seguido por espécies fossoriais ou

semi-fossoriais. Com relação aos lagartos, das

22 espécies registradas, 14 ocupam ambientes

de interflúvio, quatro estão associadas a

hábitats ripários e quatro são generalistas,

quanto ao uso de microhábitat, também

predominam espécies fossoriais e terrestres. Ao

contrário do observado em comunidades de

aves e mamíferos no Cerrado, a maior parcela

da riqueza de répteis squamata do PNE está

concentrada em áreas abertas de interflúvio,

com poucas espécies típicas de ambientes

florestais, tendência que está sendo verificada

também em outras comunidades no bioma do

Cerrado.

A diversidade de répteis é maior em

fitofisionomias savânicas e campestres e menor

nas formações florestais. Áreas de cerrado

sensu stricto, que apresentam uma maior

complexidade estrutural de hábitat, têm maior

diversidade de lagartos.

O maior desenvolvimento do estrato arbustivo

proporciona abrigo e sombra durante as horas

mais quentes do dia, o que também favorece

uma maior diversidade de lagartos. Ainda, o

solo arenoso permite a construção de cavidades,

há maior estruturação vertical da vegetação e

a baixa densidade de gramíneas permite que a

radiação solar atinja o solo, favorecendo

espécies heliófilas.

A grande maioria das espécies de anfíbios

ocorrem em maior densidade nos campos

úmidos e bordas de mata de solo encharcado,

nas proximidades de rios e córregos, pois

dependem da água para reprodução. No entanto

há algumas diferenças entre as espécies –

algumas se localizam no chão próximo a lagoas,

outras se agrupam nas touceiras de capim em

campos úmidos, há espécies que vivem em

hábitats mais úmidos, porém não dependem

de corpos d´água para reprodução, podendo

ocupar uma maior variedade de hábitats.

Em geral, os eventos de queima resultam

em baixo impacto sobre a herpetofauna, já

que os animais utilizam abrigos naturais (cavidades

no solo, interior de cupinzeiros e

sauveiros) .Queimada de maior intensidade,

comuns na estação seca, resultam em um

maior número de indivíduos afetados devido à

velocidade e temperatura do fogo, já as queimadas

que ocorrem na estação chuvosa são

menos prejudiciais por serem menos intensas.

Dados preliminares indicam que a supressão

do fogo será mais prejudicial à fauna

devido ao aumento da quantidade de combustível

(principalmente o capim-flecha), o

que tornaria as queimadas mais intensas

trazendo conseqüências diretas das queimadas

mais significativas.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 98

Na tabela da esquerda as sepentes, abaixo

os anfíbios e à direita os lagartos


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás Pag. 99

ICTIOFAUNA

mata ciliar, e às vezes alternando-se rio abaixo,

sendo freqüentes também nas nascentes. A

A seguir a lista das espécies encontradas:

Em termos de grandes bacias hidrográficas,

pode-se dividir o Brasil como sendo constituído

presença de buritis (Mauritia flexuosa) está

associada ao afloramento do lençol freático e

Astyanax - “lambari”

Astyanax scabripinnis cf. paranae - “lambari”

pelas bacias Amazônica e do Prata (Bianchini a solos constantemente saturados de água. Hyphessobrycon - “piaba”

Jr., 1994). Entretanto, é na região do Cerrado, Córregos: pequenos corpos de água, com Hasemania – “lambari”

que se localizam as cabeceiras destas

principais bacias hidrográficas do país, as quais

têm sido bruscamente alteradas nos últimos

anos, por ações antrópicas como construção

de barragens, desmatamento e atividades

agropecuárias.

Regiões de cabeceiras tendem a ter baixa

diversidade e alto endemismo, o que faz com

profundidades variadas, substratos argiloarenoso

e densa vegetação marginal e de

macrófitas aquáticas. São corpos de água de

carácter permanente, embora possam se

apresentar bastante reduzidos no período de

seca.

Lagoas: Depressões laterais a rios, que

durante o período de chuvas podem apresentar

Characidium - “canivete”

Characidium aff. zebra Eigenmann, 1909 -

“canivete”, “pequira”, “mocinha”

Leporinus paranensis – “piau”

Leporinus marcgravii - “timboré”

Hoplias aff. malabaricus - “traíra”

Tatia intermedia – “bagrezinho”

Rhamdia -”jundiá”

Cetopsorhamdia - “bagrinho”

que as áreas do Cerrado tenham elevado valor conexões com este último e durante o período Rivulus pictus Costa, 1989 – “tralhoto”

ecológico. Os peixes constituem-se em de seca, podem extingüir-se, gradativamente. Phalloceros - “barrigudinho”

organismos com forte conteúdo informativo Rios: apresentam-se com largura e Synbranchus - “pirambóia”

para a reconstrução histórica regional, profundidades consideráveis, providos de mata

principalmente quando se trata de espécies ciliar e de galeria em suas margens. Tais

endêmicas . Neste sentido, o Bioma Cerrado vegetações são imprescindíveis ao

abriga muitas espécies novas e endêmicas de fornecimento de energia ao ecossistema

peixes, as quais podem estar desaparecendo aquático, considerando que disponibilizam a

sem que um esforço efetivo para sua mamíferos, aves e peixes recursos alóctones.

conservação tenha sido realizado. Entre os Muitos destes animais funcionam como

fatores responsáveis pela extinção e ameaça dispersores de sementes, retroalimentando o

de extinção de espécies, destaca-se com

elevado percentual de contribuição a perda de

sistema.

habitat .

Com relação a ictiofauna, coletas realizadas

nos corpos de água do interior do Parque

Os cursos de água do PARNA Emas e Nacional das Emas e nos rios Sucuriú e

imediações, podem ser assim categorizados: Araguaia, sendo que 32% amostrados no

Veredas: constitui-se em reservatórios período de seca e 68% no período de chuvas,

naturais, desempenhando papel regulador e distribuíram-se em 22 espécies. A ordem

mantenedor dos recursos hídricos, Characiformes foi a mais representativa em

especialmente nos períodos sazonais secos, número de exemplares (95%) e espécies

com gradientes hidráulicos elevados e (70,8%) capturadas, seguidas pelas ordens

portando com alta susceptibilidade à erosão. Cyprinodontiformes (4,3%), em número de

Ocorre em fundos de vales, em substituição a exemplares, e Siluriformes (20,8%), em

número de espécies.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

VEGETAÇÃO

O cerrado é o segundo tipo vegetacional brasileiro

mais ameaçado pelas atividades antrópicas, com

perda anual de uma área equivalente à Holanda.

Por sua alta riqueza, alto endemismo e atual estado

de conservação, o cerrado foi incluido entre os 25

Hot Spots (pontos quentes – pontos críticos) para

conservação no mundo.

O Parque Nacional das Emas (PNE) situa-se na

área nuclear do cerrado e recebeu esse nome

devido ao grande número de emas (Rhea

americana) que podem ser observadas em seu

interior. O PNE, juntamente com o Parque Nacional

de Brasília e o da Chapada dos Veadeiros,

representa uma das principais reservas de Cerrado

no Brasil e é considerado uma das maiores e mais

bem preservadas sendo, pois, uma das áreas

criticamente prioritárias para a conservação do

Cerrado.

Ramos-Neto (2000) realizou um mapeamento

preliminar das formações vegetais no Parque,

distinguindo, a partir de imagens de satélite

Landsat, áreas de cerrado, floresta e campo úmido.

O cerrado no PNE apresenta quase todas as suas

variações fisionômicas, do campo limpo ao cerrado

sensu stricto. Segundo o mapeamento de Ramos-

Neto predominam na reserva as fisionomias

abertas de cerrado – campos limpos, campos sujos

e campos cerrados – que ocupam 78,5% da área

(104.359 ha), especialmente nas áreas planas de

topo de chapada. Nessas fisionomias mais abertas,

há grandes extensões em que predomina uma

espécie de gramínea, o capim-flecha (Tristachya

leiostachya). Na porção sudoeste da reserva, há

uma área de campo limpo de cerrado hiperestacional,

ou seja, uma área de cerrado que

permanece alagada durante quatro meses do ano,

de janeiro a abril. O cerrado sensu stricto ocupa

13,8% da área (18.408 ha), sendo encontrado

principalmente nas encostas da bacia do rio

Jacuba.

Pag. 100

Além do cerrado, outras formações vegetais estão

presentes na reserva: as áreas de campos úmidos,

campos de murundus e buritizais representam

4,8% da reserva (6.377 ha) e estão associadas às

várzeas dos cursos d’água; as áreas de florestas

estacionais semidecíduas e ripícolas ocupam 2,9%

(3.853 ha) e estão associadas, respectivamente,

a solos mais férteis e a cursos d’água. Os limites

entre o cerrado sensu lato e os demais tipos

vegetacionais normalmente são abruptos, quer

com as áreas de várzeas, quer com as manchas

de floresta estacional.

Na listagem florística (Batalha & Martins 2002a)

atualizada das fisionomias de cerrado do PNE,

encontram-se 607 espécies de plantas vasculares,

distribuídas em 304 gêneros e 101 famílias..

As famílias mais ricas na flora do cerrado no PNE

foram Asteraceae, Fabaceae, Poaceae, Myrtaceae,

Lamiaceae, Malpighiaceae, Euphorbiaceae,

Apocynaceae, Malvaceae, Rubiaceae e

Convolvulaceae, que representaram 66,22% do

número total de espécies.

Os tipos vegetacionais e as fisionomias de cerrado

encontrados no PNE são brevemente descritos da

seguinte forma:

campo limpo: predomínio de espécies

herbáceo-subarbustivas, densidade muito baixa de

arbustos e sem indivíduos arbóreos. Ocorre nas

áreas mais planas, em que o lençol freático é

profundo. Nessa fisionomia, encontramos muitas

gramíneas, especialmente o capim-flecha

(Tristachya leiostachya). Em fase reprodutiva, dada

à altura da sua haste (ca. 3 m) e à alta densidade,

o capim-flecha domina a paisagem. Na porção

sudoeste da reserva, há uma área de campo limpo

que fica alagada na estação úmida, sendo portanto

uma área hiper-estacional. Nesse campo limpo

hiper-estacional, há o predomínio de outra

gramínea, Andropogon leucostachyus.


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

campo sujo: predomínio de espécies

herbáceo-subarbustivas, mas com densidade

maior de arbustos e alguns indivíduos arbóreos

esparsos. Como o campo limpo, também

ocorre nas áreas mais planas e mal drenadas.

A gramínea mais abundante é, da mesma

forma, o capim-flecha. Entre as espécies

arbustivo-arbóreas, as que se destacam são

Eremanthus erythropappus, Mimosa amnisatri,

Pouteria ramiflora, Pouteria torta e Rourea

induta, cujas alturas, de modo geral, não

passam dos 2,5 m. Em alguns locais mais bem

drenados, há uma alta densidade de palmeiras,

como Allagoptera leucocalyx, Attalea geraensis

e Syagrus flexuosa.

campo cerrado: predomínio de espécies

herbáceo-subarbustivas, mas com uma

densidade razoável de arbustos e árvores.

Ocorre em áreas mais íngremes, em que o

lençol freático é menos profundo. Entre as

espécies arbustivo-arbóreas mais importantes

estão Anadenanthera falcata, Eremanthus

erythropappus, Eriotheca pubescens, Ouratea

acuminata, Piptocarpha rotundifolia e Pouteria

ramiflora, com alturas de até 5 m. Em alguns

locais, os indivíduos arbustivo-arbóreos

aparecem entre bambus, notadamente o

taquari (Actinocladum verticilattum) e a

cambeúva (Apoclada arenicola).

cerrado sensu stricto: predomínio de

espécies arbustivo-arbóreas, em densidades

muito altas. Ocorre também em áreas mais

íngremes e com lençol freático menos

profundo. Entre as espécies arbustivoarbóreas

mais importantes estão

Anadenanthera falcata, Miconia albicans,

Myrcia bella e Piptocarpha rotundifolia, com

alturas de até 10 m.

floresta estacional semidecídua: ocorre

sobre solos provavelmente mais férteis, em

áreas de interflúvio. O dossel fica em torno

de 20 m de altura. As espécies mais

importantes nesse tipo vegetacional são

Anadenanthera macrocarpa, Bauhinia

longifolia, Copaifera langsdorffii, Hymenaea

courbaril, Licania kunthiana e Tabebuia

roseo-alba.

floresta ripícola: ocorre associada aos

cursos d’água, com dossel em torno de 15

m. Entre as espécies mais abundantes

nesse tipo vegetacional, estão Geonoma

brevispatha, Miconia chamissois, Protium

heptaphyllum, Tapirira guianensis, Tococa

formicaria, Vochysia piramidalis e Xylopia

emarginata. A floresta ripícola pode ser

subdividida em ‘floresta galeria’, quando as

copas das árvores das duas margens se

tocam, ‘floresta ciliar’, quando as copas das

árvores das duas margens não se tocam, e

‘floresta paludícola, quando situada em solo

permanentemente encharcado.

vereda de buritis: as veredas de buritis

(Mauritia flexuosa) aparecem em locais com

solos permanentemente encharcados,

especialmente nas cabeceiras dos rios e, à

jusante, entre a floresta ripícola e o campo

úmido. Os buritis têm altura em torno de

15 m. No componente herbáceo, há

ciperáceas e xiridáceas, principalmente.

campo úmido: ocorre nas várzeas dos

rios, entre a floresta ripícola ou a vereda e

o cerrado, bem como nas nascentes, em

que há o afloramento do lençol freático. A

densidade de espécies herbáceas é muita

alta, com até 1 m de altura. Predominam

ciperáceas, xiridáceas e gramíneas, além

espécies de outras famílias, como Eryngium

spp. Drosera spp. e Sisyrinchium

vaginatum.

campo de murundus: ocorre entre o

campo úmido e o cerrado, como pequenas

elevações de cerca de 1 m de raio e de 0,2

a 0,5 de altura, nas quais aparecem

espécies de cerrado, em meio às espécies

de campo úmido nos locais mais baixos.

Nome popular:

abacaxi-do-cerrado

abiú-do-cerrado

alfafa-do-campo

algodão-do-campo

amargosinha

angelim

angico

anileiro

aperta-goela

araçá

araçá-roxo

araticum

araticunzinho

ariri

assa-peixe

azulzinha

barba-de-bode

barbasco

barbatimão

barbatimão-de-folha-miúda

bem-me-quer

bolsa-de-pastor

braquiária

breu-do-campo

buva

cajuzinho-do-cerrado

camboatá

cambreúva

candeia

candeia-do-campo

capa-rosa

Pag. 101

Espécies amostradas nas fisionomias de cerrado

da região do Parque Nacional das Emas .

capim-branco

capim-carona

capim-custódio

capim-favorito

capim-flecha

capim-flechinha

capim-gordura

capim-jaraguá

capim-santo

capitão-do-mato

caqui-do-cerrado

caraguatá

carne-de-vaca

caroba

carobinha

carrapicho

carrapicho-de-carneiro

carvoeiro

casadinha


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Pag. 102

cascudinho

catuaba

cauda-de-zorro

chapada-do-campo

ciganinha

cinco-folhas

cinzeiro

cipó-de-fogo

cipó-una

copaíba

copo-de-vaqueiro

coquinho-do-campo

coroa

curraleira

douradinha

douradinha-do-campo

embiruçu

envira

erva-coração

erva-de-teiú

erva-gorda

erva-grossa

espinho-de-agulha

falsa-sensitiva

falsa-serralha

farinha-seca

faveiro

fel-de-gentio

flor-do-cerrado

folha-de-serra

fruta-de-ema

fruta-de-lobo

fruta-de-papagaio

fruto-de-pombo

gervão-azul

gervão-branco

gomeira

grão-de-galo

gravatá

gritadeira

guabiroba

guizo-de-cascavel

hortelã-do-campo

imburi

inda

inhame

ipê-amarelo-do-cerrado

ipê-verde-do-cerrado

jacarandá-do-cerrado

japecanga

jatobá-do-cerrado

jenipapo

jenipapo-bravo

junquinho

jurubeba-de-cupim

laranjinha-do-campo

leiteiro

licuri

língua-de-vaca

lixinha

macaúba

macela

malva

malva-branca

mama-de-cadela

manacá-do-cerrado

mandiocão

mandiocão-de-folha-miúda

mandioquinha-do-campo

mangaba

maniçoba

maracujá-do-cerrado

marmelinho

marmelo

mata-barata

matá-matá

mata-pasto

melancia-do-campo

mercúrio-do-campo

mexerica

murici

murici-pequeno

muricizinho

olho-de-perdiz

orelha-de-onça

pacari

paineira-do-cerrado

papo-de-peru

paratudo

pata-de-vaca

pau-de-leite

pau-de-lepra

pau-de-sebo

pau-de-tucano

pau-santo

pau-terra

pau-terrinha

peninha

pequi

peroba-do-campo

peroba-gigante-do-campo

picão

pimenta-de-macaco

pitanga-de-folha-fina

poaia

quebra-pedra

quina-do-cerrado

rabo-de-burro

rabo-de-raposa

raiz-de-bugre

raiz-preta

rosa-de-caboclo

sabiazeira

saca-rolha

salva-do-campo

sálvia

sambaibinha

sete-sangrias

sobro

sucupira-branca

sucupira-preta

taquari

taquarinha

trapoeraba

trevinho-do-campo

urtigão

uvaia-do-cerrado

vassoura-de-bruxa

vassourinha

velame

vinhático


Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

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BIBLIOGRAFIA

Atlas geográfico escolar -

IBGE

Plano de Manejo

Parque Nacional das Emas

edição 2005:

RELATÓRIO DE MASTOFAUNA

Responsável técnico: Flávio

Henrique Guimarães Rodrigues

RELATÓRIO DE AVIFAUNA

Responsável Técnico: Adriani Hass

LEVANTAMENTO DA FAUNA

ENTOMOLÓGICA

Responsável técnico: Cynthia

Pinheiro Machado

RELATÓRIO DE HERPETOFAUNA

Responsável Técnico: Paula Hanna

Valdujo

RELATÓRIO DE ICTIOFAUNA

Responsável Técnica: Evanilde

Benedito-Cecilio

RELATÓRIO DE VEGETAÇÃO

Responsável Técnico: Marco

Antônio Batalha

Acervo da legislação municipal de

Chapadão do Céu, Goiás.

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Atlas Geo-Ambiental de Chapadão do Céu, Goiás

Índice

01 - Apresentação

03 - Introdução

04 - O Universo

05 - Galáxias

06 - Via Láctea

08 - O Sistema Solar

09 - Satélites

11 - A Terra

13 - Imagem da Terra

14 - Atmosfera

15 - Hidrosfera

15 - Deriva dos continentes

16 - Coordenadas geográficas

17 - Relevo

19 - Distribuição das águas

20 - Clima

21 - Vegetação

23 - Cartografia

24 - América do Sul

25 - BRASIL: Informações Gerais Sobre Aspectos Geográficos

26 - IBGE - Atlas do Censo Demográfico 2000

27 - Principais bacias hidrográficas brasileiras

30 - Brasil: Relevo

32 - Ecossistemas

34 - A vegetação brasileira

35 - Cerrado

36 - Pantanal

37 - Brasil - mapas

39 - Brasil - político

40 - Centro-Oeste

42 - Goiás

43 - Regiões de Goiás

44 - História e dados de Goiás

46 - Chapadão do Céu

47 - Carta Imagem do Município

48 - Hidrografia do Município

49 - Sub-Bacias Hidrográficas do Município

50 - Vegetação remanescente e Uso agro-pecuário

51 - Uso do solo - Safra 2003-2004

52 - Malha viária

53 - Regiões Agropecuárias

54 - Mapa Hipsométrico do Município

55 - Mapa Hipsométrico 2

56 - Mapa de Solos

57 - Vegetação Nativa - 1965

58 - Carta Imagem: Satélite CBERS 2

59 - O problema da divisa estadual

60 - Zoneamento Municipal

61 - Perímetro Urbano

62 - Área Urbana - Altimetria

63 - Área Urbana - Bairros / Setores

64 - Bairro: Setor Pioneiro

65 - Bairro: Centro

66 - Bairro: Morada do Sol

67 - Bairro: Novo Horizonte

68 - Bairro: Cidade Jardim

69 - Bairro: Sol Nascente

70 - Bairro: Distrito Industrial e Comercial

71 - Primeiro Cordão Verde

72 - Cordões Verdes

73 - Uso de agentes poluidores no Perímetro Urbano

74 - Numeração de imóveis e logradouros

75 - As Rodovias Municipais

76 - Mapa Turístico do Município

77 - Turismo Ecológico

78 - A cidade

79 - Agricultura

80 - Atrativos Turísticos

83 - Educação e Saúde

84 - Transportes e Ação social

85 - Parque Nacional das Emas

86 - Zona de Amortecimento

87 - PNE - Imagem

88 - PNE - Zoneamento

89 - PNE - Áreas Estratégicas

90 - PNE - Vegetação

91 - Corredores de Biodiversidade

92 - Mamiferos

94 - Fauna Entomológica

96 - Avifauna

97 - Herpetofauna

99 - Ictiofauna

100 - Vegetação PNE e entono

101 - Espécies da flora

103 - Bibliografia

Pag. 104


Canto Superior Esquerdo

E = 285940.784

N = 8003940.289

Lat = 18º 02´ 32.84" S

Long = 53º 01´ 19.86" W

Canto Inferior Esquerdo

E = 285940.784

N = 7922685.289

Lat = 18º 46´ 35.02" S

Long = 53º 01´ 50.79" W

Canto Inferior Direito

E = 371230.784

N = 7922685.289

Lat = 18º 47´ 00.37" S

Long = 52º 13´ 18.52" W

Canto Superior Direito

E = 371230.784

N = 8003940.289

Lat = 18º 02´ 57.13" S

Long = 52º 12´ 59.90" W

IRS+LANDSAT 7

Location:

324/09010B0 e 224/073

Data: 26/08/2003

e 26/04/2003

Projeção: UTM

Datum: Sad-69

Resolução: 5 metros

(pan+5R4G3B)

Hemisfério: Sul

Fuso: 22

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