1jnfükma11vü - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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SINDICAL

DO ALTO

URUGUAI

MARÇO/ABRIL


-EDITORIAL

Organização do povo

fez o Governo reagir

Adão Pretto

Presidente do STR de Miraguaí

Faz muito tempo que Adão Pretto está na luta. E

quem não conhece o jeito como ele se comunica? Por is-

so, a melhor forma de ele dar a sua opinião sobre a si-

tuação do país e sobre o decreto econômico e a poesia:

A Nova República andava

as voltas com a inflação,

colonos trancando banco.

Sem Terra na ocupação,

até uma Greve Geral

já tava em cogitação

No ano da Constituinte,

que vamos ter eleição,

greves, protesto e passeata

é pior que bicho papão.

O Sarney que não é trouxa,

deixou o povo enrolado,

lançou um grande pacote

os preços foi congelado

Nem consultou o Congresso,

igual os tempos passados,

quem perdeu foi o colono

e os operários assalariados

nós entramos numa fria

foi somente a burguesia

os grandes beneficiados

EXPEDIENTE

O INFORMATIVO SINDICAL pretende ser uma voz

representativa dos Trabalhadores Rurais do RS. As

noticias aqui veiculadas são escolhidas petos próprios

trabalhadores. Quem tiver alguma sugestão é só escre-

ver para o nosso endereço. Publicação da COMISSÃO

SINDICAL DO ALTO URUGUAI (COSAU).

Editor: Karine Emerich Planejamento Gráfico e

Ilustração: Celso Schróder (RP5207). Fotografia: Kari-

ne Emerich. Revisão: Vilson Dallagnol. Distribuição:

Décio Favaretto. Composição e Impressão: Zero Hora

Editora Jornalística. Redação: Rua São Manuel, 35,

Bairro Rio Branco, fone (0512) 326583.

Correspondência: Cx. Postal 872 — CEP 90000 Porto

Alegre/ RS. Tiragem desta edição: 8 mil exemplares.

Produção Gráfica: Centro de Assessoria Multiprofissio-

nal (CAMP). Direção: Rogério Sotilli. Colaboraram

nesta edição: João Pedro Stédile, Roseli Caldart, Lilia-

na Lavoratti, Rolf Hackbart, Frank Volcan.

Trabalhador deve lutar

para sair desta "fria"

Em meio à grande euforia

que a Nova República trouxe

ao povo brasileiro com o seu

pacote econômico, o "remédio

de salvação nacional" traz na

sua composição química, digo

política, não só o congelamento

de preços e salários, mas a

consciência de todo um povo.

Para isto basta ser "fiscal do

Samey" (e o povo acolhe com

entusiasmo este convite) e tu-

do fica congelado. Congelaram

nossa memória. Congelaram

nossa constituinte popular e

querem congelar as nossas ini-

ciativas de lutas. Quem não

aceita ser fiscal do Sarney é

contra a Nação.

É nessa fria conjuntura de

congelamento que o movimen-

to popular, e os Sem Terra de

form especial, é desafiado a re-

tomar a iniciativa das lutas, a

sacudir esse País : da aneste-

sia geral com a qual a burgue-

sia e seu governo tentam nos

paralisar. É hora de tentar vi-

rar o Feitiço contra o feiticei-

ro", de fiscalizar, não só os

preços, mas os nossos próprios

interesses, fiscalizar o latifún-

dio e nele ir fazendo a Reforma

Agrária sob o nosso controle,

fiscalizar o poder econômico

nas eleições para constituinte e

apoiar candidatos populares, é

hora de fortalecer a CUT e par-

ticipar do seu Congresso Na-

cional. Só assim criaremos,

com nossa organização, um

%UPacote Popular%L que

congele para sempre essa so-

ciedade capitalista e opressora >

e construiremos uma socieda-

de alternativa, onde não seja-

mos fiscais, mas comandantes

de nosso destino.

IbR isto, i\Mô S£

INFORMATIVO SINDICAL


n. 7 y y íM

Acampados da Annoni ocupam Incra

Governo tem prazo até 30 de abril para desapropriar 32 mil ha

na vez as medidas oara a con- ,. «————■—

Mais uma vez as medidas para a con

cretlzação do Plano Nacional de Refor-

ma Agrária partem dos trabalhadores.

Quando da ocupação da Fazenda Anon-

ni, os colonos marcaram um prazo, que

terminava dia 28 de fevereiro, para que

o INCRA iniciasse a desapropriação de

terras no Rio Grande do Sul e foi para

buscar respostas que uma comissão de

160 pessoas veio a Porto Alegre.

Os acampados ocuparam a sede do

INCRA Regional, em Porto Alegre, no

dia 27 de fevereiro e, após intensa nego-

ciação conseguem do governo a garan-

tia de que, até o dia 30 de abril, estarão

desapropriados 32 mil hectares de ter-

ra, que servirão para o reassentamento

das 1.500 famílias de trabalhadores ru-

rais Sem Terra que estão vivendo em

precárias condições na Fazenda Anon-

nl.

Á proposição dos Sem-Terra

era: "Só voltamos para o acampamen-

to com soluções e garantias, chega de

promessas". Esta decisão se justifica

pelos seguintes fatores: início do ano

agrícola que se aproxima e por isso os

colonos necessitam de tempo para pre-'

parar a terra para o plantio; início do

período escolar, pois existem no acam-

pamento mais de 800 crianças em idade

escolar obrigatória pelo governo, ou se-

ja de 7 a 14 anos; demora do governo

em encontrar terras para desapropriar

e, ainda, o início do inverno.

NEGOCIAÇÃO

Os trabalhadores Sem Terra vieram

dispostos "a fincar o pé" até que fosse

encontrada uma solução para as suas

reivindicações. O diretor do INCRA re-

gional, Êgidio Schalabitz, e os repre-

sentantes do ministério da Reforma

Agrária e do Desenvolvimento, Simão

Janete, secretário geral, e Jair Borin,

chefe de gabinete do Ministro Nelson

Ribeiro, que se encontravam em Porto

Alegre para promover mudanças na

estrutura interna do INCRA viram que

a situação era "complicosa" e assim

aceitaram negociar com as lideranças

do movimento Sem Terra, reconhecen-

do a organização e representatividade

do movimento.

A comissão de negociação, formada

por 20 acampados juntamente com os

representantes do comitê gaúcho pela

Reforma Agrária, participavam, com

os representantes do governo, das dis-

cussões das propostas, mas a decisão

final só foi dada após avaliação com to-

do o grupo de pessoas que estava "a-

campado" na sede do INCRA e consul-

ta ao acampamento onde, os Sem Ter-

ra se mantinham em assembléia per-

manente.

A decisão final foi: 32 mil hectares

desapropriados até o dia 30 de abril,

reuniões quinzenais para avaliação do

andamento dos processos, acompanha-

mento dos trabalhos feito por técnicos

indicados pelo movimento e por repre-

sentantes dos acampados e, além dis-

so, ficou acertado a vinda de mais duas

equipes, uma de Brasília e outra do Pa-

raná para agilizar a vistoria das terras

e a identificação dos latifúndios impro-

dutivos.

0


ENTREVISTA

íris Rezende

tem apoio dos

latifundiários

Informativo Sindical: Darci,

por que motivo tu foste mo-

rar em Goiás?

Darci Accorsl: Em 1971,

tínhamos um grupo na Uni-

versidade de Caxias do Sul e

queríamos buscar uma coisa

nova. O objetivo foi buscar a

realização de um plano que

fizemos de trabalho, que diz

respeito, à organização dos

trabalhadores rurais. Quan-

do chegamos em Goiás, co-

meçamos a desenvolver, jun-

tamente com a Diocesse de

Goiás, um trabalho de apoio

à criação de sindicatos ru-

rais e, hoje, podemos dizer

que, em todas as cidades da

diocese, já temos sindicatos

fortes, que congregam de 8

a 10 mil sindicalistas e são to-

dos eles pertencentes à oposi-

ção sindical e levam adiante

a luta dentro da linha CUT.

IS: Onde e como tu conhe-

ceu o íris Rezende?

Darci: Nós conhecemos o íris

quando chegamos aqui, pela

fama que ele tinha, pois no

início do golpe militar ele era

prefeito de Goiânia e como

prefeito desenvolveu um tra-

balho na linha populista. Na

época ele começou a constru-

ção de grandes conjuntos re-

sidenciais, fora dos limites

do perímetro urbano com o

objetivo de limpar a cidade

dos chamados posseiros ur-

banos, propiciando a especu-

lação imobiliária.

Logo em seguida ele tentou

apoiar o golpe militar, mas o

governo que se implantou em

64 não aceitou este apoio e o

cassou. Ele foi um advogado

obscuro durante todo o tem-

po em que esteve cassado,

trabalhando exclusivamente

na construção de seu próprio

mito. Em todas as lutas que

foram levadas para demo-

cratizar o pais não contaram

com o apoio do senhor íris

Rezende, mas ele conseguiu

reunir todos os descontentes

com a ditadura militar e até

alguns que fizeram parte

deste regime e em 82 se ele-

geu governador.

IS: Como foi o governo de

Página 4

íris, que obras ele implemen-

tou

Darci: Sua primeira atitude

foi assinar o "decretão" que

demitiu 40 mil funcionários

numa "pernada" só, essa foi

a primeira traição que ele fez

ao povo de Goiás. Em segun-

do lugar, nós sabemos que os

grupos econômicos que fi-

nanciaram a campanha dele

em 82 foram principaimente

os produtores de asfalto, en-

tão desde o início do governo

o estado começou a ser corta-

do pelo asfalto. Em terceiro

lugar ele entrou tarde nas

campanhas das diretas e foi

o primeiro governador a lar-

gar e apoiar o Tancredo no

Colégio Eleitoral.

IS: Quais as medidas que ele

tomou com relação à agricul-

tura? Ele incentivou o peque-

no agricultor?

Darci: Esse governo não fez

absolutamente nada para a

agricultura, nós não temos

aqui nenhuma política

agrícola. Logo que ele assu-

miu ele inventou para os sem

terra o que ele denomina: co-

modato, isto é, pessoas que

tinham muita terra cediam

alguns alqueires para que os

sem terra pudessem traba-

lhar durante um ano e se o

dono da terra tivesse interes-

se de renovar poderia fazê-lo

por mais um ano, para fazer

isso o dono da ferra começou

a ter privilégios, principal-

mente com o Banco de Goiás.

Este programa não foi para

frente e recebeu um voto de

deslouvor de todo o sindica-

lismo e foi feito, no inicio de

1984, uma grande manifesta-

ção, reunindo mais de 20 mil

pessoas, a favor da Reforma

Agrária e contra este progra-

ma de comodato.

IS: Darci tu levantaste o pro-

blema dos Sem Terra. O íris

defende a Reforma Agrária?

Darci: Ele inventou em

Goiás esse sistema de como-

dato, mas que na realidade

era muito mais para ajudar a

limpar a terra para o grande

"Esse governo nào

fez absolutamente na-

da para a agricultura,

nós não temos aqui ne-

nhuma política agríco-

la".

"íris Rezende tem

compromisso com os

grandes latifundiários,

com os grandes grupos

econômicos".

"Ele foi um advogado

obscuro durante todo o

tempo em que esteve

cassado, trabalhando

exclusivamente na

construção do seu pró-

prio mito".

O Ministro da Agricultura mudou.

Tinhamos um gaúcho, Pedro Simon

e agora temos um goiano, íris

Rezende. Nada melhor, então, para

ficarmos sabendo quem é o novo

ministro do que conversarmos com

um gaúcho que mora em Goiás, há

14 anos, e que acompanhou a

tragetória política do atual

ministro da agricultura.

Darci Acorsi, nascido em Nova

Prata, 40 anos, é professor

universitário e já trabalhou como

assessor na organização dos

trabalhadores rurais. Petista,

candidato a deputado federal em 82

e a prefeito de Goiânia em 85,

agora é candidato a governador do

Estado. É casado e pai de três

filhos.

proprietário do que para as-

sentar os trabalhadores na

terra.

"Ele inventou em

Goiás esse sistema de

comodato, mas que na

realidade era multo

mais para ajudar a

limpar a terra para o

grande proprietário".

IS: Por que você acha que o

íris deixou o governo de

Goiás, para o qual havia sido

eleito diretamente para acei-

tar ser Ministro da Agricul-

tura?

Darci: Primeiro temos que

esclarecer uma coisa: ele

não deixou o governo ele ape-

nas se licenciou, e isto, na

nossa interpretação, aconte-

ceu por dois motivos: ele não

confia no vice-governador e

no PMDB e segundo, ele não

confia na sua permanência

no ministério e, é claro, ele

não poderia perder o governo

e depois o ministério.

Mas ele deixou o governo

pelo seguinte: ele divulgava

aos quatro cantos do estado

que as eleições de 1985 se-

riam a consagração e o cami-

nho certo para ele chegar a

presidência da República,

que teríamos em Goiânia a

maior vitória do PMDB com

cerca de 80 a 90% dos votos.

O íris afirmava que 95% da

população ou era militante,

filiado ou simpatizando do

PMDB. Com o resultado que

surgiu ele foi obrigado a rou-

bar as eleições para poder

vencer, isto reforçado por

um recado que ele recebeu

do Sarney que afirmava que

o PT não poderia ganhar a

prefeitura de Goiânia. Então

aquilo que seria a maior vitó-

ria do PMDB se tornou o

maior pesadelo. Nesses últi-

mos dias o senador Mário

Borges que é pai do atual

vice-prefeito reconheceu pu-

blicamente que houve roubo

nas eleições através de uma

carta que foi publicada no

jornal "O Popular", de Goiâ-

nia. Então na realidade nós

temos o quê? Um governador

derrotado que para sair por

cima recebeu do seu amigo

José Sarney, ex-presidente

do PDS, um ministério, isso

para poder sair desta enras-

cada porque dificilmente íris

Resende seria eleito senador

em 86 no estado.

IS: Com quem íris Resende

tem compromisso?

Darci: íris Rezende tem

compromisso com os grandes

latifundiários, com os gran-

des grupos econômicos, ele

tem um compromisso parti-

cular com o presidente Sar-

ney.

IS: Darci, considerando que o

estado de Goías tem um alto

índice de violência no campo,

foram 9 assassinatos no ano

passado, .até outubro, o go-

verno de íris tomou alguma

atitude para punir os culpa-

dos?

Darci: Ele nào tomou nenhu-

ma atitude com relação a is-

to e pelo contrário, o ex-

secretário de segurança pú-

blica do governo, deputado

José Freire, grileiro de terra

no norte do estado, apoiou de

forma ostensiva os grileiros

de terra contra a luta dos

posseiros e contra as lutas

dos lavradores da região, na

época em que ele era secre-

tário de segurança pública.

Além disso havia vários

prefeitos do PMDB envolvi-

dos, como no caso do assassi-

nato do Nativo da Nativida-

de, presidente do sindicato

de Cabo do Rio Verde, onde o

prefeito está incriminado ju-

dicialmente.

IS: Conhecendo a prática do

íris o que tu achas que ele vai

fazer no Ministério da Agri-

cultura?

Darci: Enquanto ele esteve

no governo do estado investiu

tudo que podia para acabar a

organização do movimento

sindical e criou uma imagem

de que ele era a solução para

tudo. Possivelmente no mi-

nistério ele vai agir dessa

forma também, não apoian-

do e combatendo toda a orga-

nização dos trabalhadores

rurais, e apoiando sim as for-

ças reacionárias do grande

latifúndio.

INFORMATIVO SíNDíCAt-


■ir i |l

POLÍTICA AGRÍCOLA

\. Ce:

Pacote Econômico afeta agricultura

Apesar das confusões, alguns pontos já se encontram definidos

O Brasil era o único pais do B

mundo onde havia correção |

monetária total do capital. Ou «

seja, dinheiro gerando dinheiro f

mesmo nos fins-de-semana. A^

extinção da correção monetá-|

ria é um aspecto positivo do pa- o

cote em relação à política "■

agrícola. Pelo menos o agricul-

tor deixa de entregar parte da

sua produção para pagar a cor-

reção monetária.

Quanto aos demais aspectos

que envolvem a agricultura, há

muito mais dúvidas e incerte-

zas do que coisas esclarecidas.

Afinal, o próprio Ministro da

Agricultura ficou sabendo dos

termos do pacote no dia da reu-

nião com o presidente. Em fun-

ção disto, os tecnocratas da

CFP íComissâo de Financia-

mento da Produção) e do Mi-

nistério, fizeram muita bestei-

ra nestes dias. Primeiro anun-

ciaram os novos valores bási-

cos de custeio de inverno e, lo-

go depois, tiveram que refor-

mular tudo em função do cru-

zado e, segundo, os preços

mínimos foram modificados lo-

go após a sua publicação.

Alguns pontos, no entanto. Já

podem ser observados com re-

lação à nova política do gover-

no:

DÍVIDAS COM OS BANCOS:

de acordo com o pacote, as

dívidas serão corrigidas até o

fim de fevereiro e ai congela-

das em cruzados, passando só

a correr os Juros de 3% ao ano.

Em principio, favorece muito

as cooperativas endividadas.

Agricultores não acreditam mais

EMPRÉSTIMO DE EMER

GENCIA: O que se noti-

cia é que não haverá correção

monetária, só Juros e 3% ao

ano.

PREÇOS MÍNIMOS: a inflação

de fevereiro, segundo o gover-

no, foi de 14,36%. Portanto, se-

ria o normal, que os preços

mínimos fossem corrigidos se-

gundo este mesmo percentual,

isto é, pegar o valor dos produ-

tos até 1? de fevereiro e acres-

centar os 14,36% da inflação do

mês. Mas isso não foi feito, o

governo inventou que fevereiro

tinha 30 dias. Daí fez a propor-

ção: 14,36% para 30 dias e isto.

em medidas do governo

na verdade deu 12,84% para os

27 dias que existiram até o pa-

cote ser assinado. E foi este o

reajuste: 12,84%.

O preço mínimo do milho fi-

ca em Cz$ 79,20, o da soja Cz|

125,40, o arroz sequeiro em Cz$

133,80 e o arroz irrigado em Cz|

130,00.

PREÇO DOS INSUMOS: Só a

partir de dia 7 de março, ou se-

ja 10 dias depois do pacote é

que o governo começou a fazer

o levantamento dos preços dos

insumos no comércio e quem

está fazendo é a EMATER. Os

trabalhadores rurais deverão

CONSTITUINTE

estar bem atentos quando es-

ses preços forem anunciados

para comparar com os núme-

ros das cooperativas e com os

preços de venda nos dias antes

do anúncio do pacote. Certa-

mente vai haver problema, por

que a EMATER foi perguntar

depois do dia 7 de março o

que os comerciantes estavam

cobrando no dia 26 de feverei-

ro.

COMERCIALIZAÇÃO: Com os

preços mínimos congelados, as

compras do governo (Aquisi-

ções do Governo Federal) po-

derão ser feitas exclusivamen-

.-•,'-, . .'■.'

te pelos bancos oficiais fede-

rais. Calcula-se que o mercado

para a comercialização preci-

sa antes de mais nada que se

tenha uma idéia mais precisa

sobre a colheita, uma vez que

as perdas com a seca não che-

gam a ser tão grandes como se

anunciava. Outro aspecto a

considerar é que a indústria,

como o preço está congelado,

não teria grande interesse em

formar estoques, deixando pa-

ra o produtor e para o governo

o custo da estocagem.

JUROS DO CREDITO: Segun-

do notícia do Jornal Gazeta

Mercantil (05/03), o governo

vai fazer um estudo específico

sobre os novos Juros para a

próxima safra. A nível técnico

se prevê que os Juros deverão

ser acima dos atuais 3%.

MUDANÇAS DEVERIAM

ACONTECER

Além do preço e de crédito,

há muitos instrumentos da

política agrícola que devem in-

teressar ao trabalhador rural,

tais como: seguro agrícola, que

Já existe em alguns estados co-

mo São Paulo e Minas Gerais

para certos produtos, e a ga-

rantia de uma boa comerciali-

zação, a partir de uma assis-

tência efetiva do governo aos

trabalhadores sobre preço e

época de venda.

O agricultor não pode esque-

cer que agora, com a inflação

baixando para 1 ou 2% ao mês,

qualquer meio por cento que

aumente o preço do insumo Já é

muita coisa.

Trabalhador deverá votar em trabalhador

O cruzeiro morreu (terá sido de fo- «

me?) e nasceu o cruzado para substi- °c

tuir a desgastada e fraca moeda brasi- |

leira. Mas não foi só isso que mudou. O w

pacote econômico, que veio de pára-

quedas para marcar a "Nova Repúbli-

ca", mudou todas as regras do Jogo

econômico. Apesar do rádio, da televi-

são e dos Jornais falarem e continua-

rem falando muito neste pacote, os tra-

balhadores rurais, até agora, consegui-

ram ter poucas certezas a respeito de-

le, só sabem que seu bolso, mais uma

vez, foi afetado.

Antes do pacotão, um assunto que es-

tava na boca de todo mundo era a As-

sembléia Nacional Constituinte. A cada

dia, uma nova opinião a respeito dela

surgia. A elaboração das novas leis

provocou discussões profundas sobre a

vida inteira do País, desde a maneira

como são cobrados os impostos até a

forma de governo, passando pela Re-

forma Agrária e por outras reivindica-

ções. No meio do bombardeio de infor-

mações, o que continua sendo concreto

para a classe trabalhadora é o seu voto.

CONSTITUINTE "FAZ DE CONTA"

Ao invés de livre, soberana, exclusi-

va, representativa e democrática, co-

mo queriam os setores populares e de-

mocráticos da sociedade, o Brasil terá

uma "Constituinte Faz de Conta" do

Samey, aprovada em novembro passa-

do pelo Congresso Nacional. Será uma

Constituinte Congressual, com 4 sena-

INFORMATIVO SINDICAL

Marangon um constituinte popular

dores penetras" de 1982 (que ainda

cumprem mandato); com a represen-

tação distorcida, com a pressão do po-

der econômico, com a Comissão Afonso

Arinos (que está elaborando um ante-

projeto) e sem ampla participação po-

pular. Apesar disso tudo, o governo

afirma que ela será livre e soberana.

Diante deste quadro, o que se prevê é

uma Constituinte que terá, de um lado,

a fraca participação popular e do outro

lado, a forte união das forças conserva-

doras (que querem continuar com o

Brasil que está aí). Esta realidade fez

surgir várias perguntas, por exemplo:

vale a pena continuar na luta? As ca-

madas populares ainda têm alguma

coisa a ganhar neste Jogo? Para quem

acha que o mais importante é a partici-

pação do povo em todo o processo cons-

tituinte, como a única forma de se con-

seguir reais conquistas em lei, há mui-

to o que fazer. Além de todo o aprendi-

zado político que se pode ter, neste mo-

mento é importante ver direito em

quem votar.

Quem vai defender no Congresso Na-

cional que a nova Constituição permita

o acesso à terra a quem nela vive e

trabalha? Serão os políticos profissio-

nais, que só se aproximam do povo pa-

ra pedir voto? Nos Comitês Pró-

Constitulntes que estão se formando na

maioria das cidades do Interior, inclu-

sive com a participação dos Sindicatos

de Trabalhadores Rurais, uma coisa Já

está bem clara: está na hora de traba-

lhador votar em trabalhador. Os movi-

mentos populares Já sabem que o seu

voto é uma arma importante e que vão

usá-la a partir de 15 de novembro. Vão

votar nos candidatos comprometidos

com a luta dos trabalhadores. Esses

candidatos, certamente não cairam do

céu, de uma hora para outra, como o

pacotão, mas são os próprios trabalha-

dores. E são estes representantes dos

trabalhadores que devem brigar pelas

verdadeiras soluções dos problemas

enfrentados pela sua classe. Temos

muito o que alterar neste país.

z

/

Página 5


Problemas do País

estão congelados

È necessário, antes de discutir o

pacote e seus reflexos, recordar

um pouco como se agravou a situa-

ção do Brasil nestes últimos 22

anos.

Neste período, houve um extraor-

dinário crescimento da economia

brasileira. O pais passou de quin-

quagésima f 50?) para a oitava (8 o .)

economia mundial, pois a indus-

trialização foi aceleradíssima. Pa-

ra isso, a participação do governo

foi decisiva e de muitas maneiras:

garantindo mercado, dando crédito

com Juros muito subsidiados, fa-

zendo estradas, armazéns, energia

elétrica, melhorando as comunica-

ções, etc.

No meio disso tudo, o governo

usou a força militar para assegu-

rar baixos salários e não permitir o

surgimento de sindicatos autênti-

cos que denunciassem a explora-

ção, bem como o governo ajudou a

promover a violenta expulsão do

homem do campo, para garantir

abundante mão-de-obra na cidade.

Além disso, para proteger o capi-

tal, criou-se a correção monetária.

O resultado disso tudo pode ser

assim resumido:

— crescimento ficou concentrado:

15% da população consome 85% de

tudo que é produzido no pais;

— a maior concentração de renda

do mundo é no Brasil segundo da-

dos do Banco Mundial;

— o Brasil tem um dos salários

mais baixos do mundo;

— o Juro mais alto do mundo é no

Brasil;

— a Jornada de trabalho é uma das

mais longas;

— rico não paga imposto;

— o problema da terra atinge

níveis fantásticos

Esta situação de miséria do país

é que foi congelada cofri as medi-

das tomadas pelo governo.

Meta principal é

baixar a inflação

Um dos problemas mais sérios

que o Brasil vinha enfrentando era

a inflação, ou seja o aumento gene-

ralizado e constante dos preços das

mercadorias. Na economia brasi-

leira a inflação vinha crescendo as-

sustadoramente desde 1973, e al-

cançou nos últimos seis meses uma

média mensal de 15% de aumento

de todas as mercadorias, o que da-

ria por ano uma inflação de 255%.

Este constante aumento de preços

numa economia produz os seguin-

tes problemas:

1. a oferta de produtos ou a pro-

dução de bens é menor do que a

procura. Ou seja, quando o poder

de compra dó povo aumenta e as

mercadorias são poucas a tendên-

cia dos preços das mercadorias é

aumentar;

2. quando uma economia é muito

dependente das exportações-e do

comércio internacional o governo

desvaloriza a moeda nacional para

aumentar a competitividade no ex-

terior;

3. especulação financeira por

parte dos capitalistas, ou seja os

que possuem capital preferem

manter em forma de dinheiro e

aplicá-lo em especulação, empres-

tando a altos Juros sem investir na

produção de mercadorias;

4. o governo gasta mais do que

recebe em impostos e para cobrir

esta diferença toma dinheiro em-

prestado, na forma de notas pro-

missórias públicas que eram co-

nhecidas como ORTNS;

5. o clima psicológico que se cria

na 'sociedade de que todas as mer-

cadorias aumentam todo mês faz

com que todos os preços sejam ele-

vados para se proteger de uma in-

flação que acreditam que vai acon-

tecer;

grandes comerciantes com a pro-

dução agrícola, sobretudo de pro-

dutos escassos ou em épocas de sa-

fras frustradas;

7. produtos que são produzidos

por poucas empresas ou por só

uma, a empresa manipula os pre-

ços e custos de acordo com seu inte-

resse.

O governo sabe que para ter um

controle efetivo na inflação teria

que tomar medidas que atacassem

a estas sete causas assinaladas aci-

ma. No entanto numa economia de-

pendente como a brasileira exis-

tem causas que são estruturais da

própria economia capitalista, que é

a forma como está distribuída a ri-

queza no pais. Mas para procurar

baixar sensivelmente o nível da in-

flação o governo fez o "decretão"

visando basicamente:

1? — Agir sobre o clima psicológi-

co que havia na sociedade, em que

todo mundo aumentava preços, se

preparando e estimulando a infla-

ção.

2? — forçar os empresários, os

capitalistas em geral, voltar a in-

vestir seus capitais em investimen-

tos produtivos, deixando de aplicá-

los no setor financeiro e em especu-

lação.

3? — atender as pressões de ban-

queiros internacionais e do FMI,

que estavam cada vez mais inquie-

tos com os níveis da inflação e com

rumores de agitação social propos-

to pelos sindicatos.

4? — Conseguir apoio para a,"No-

va República", que Já estava des-

gastada, mesmo antes do primeiro

aniversário e unificar a Aliança

O PACOTE

ECONÔMICO

Consumidores exigem que a tabela de preços seia cumprida

Seria um dia normal, como tantos outros. Seu José levantou cedo

tomou seu mate e foi prá roça. O sol estava forte, mas era preciso

terminar com o inço do milho. À tarde tinha que "r para a cidade

acertar alguns negócios e passar no sindicato. Almoçou e foi para a

cidede.

Chegando lá resolveu passar no banco para negociar uma dívida.

Parou na frente do banco, meio confuso não conseguiu entender: o

banco estava fechado. Atacou o compadre que passava e

perguntou das horas. A hora estava certa, o banco deveria estar

funcionando. Cpm o tempo foi juntando gente, até que alguém deu

a notícia: acabaram com o cruzeiro, o governo baixou um pacote

econômico para cqfmbater a inflação.

Foi aquela cíonversalhada, todo mundo queria saber notícias, as

rádios transmitiam direto de Brasília, era ministro falando de tudo

que é lado.

O que/acónteceu com seu José, ocorreu com quase todos os

brasileiros. No dia 27 de fevereiro de 1986, o governo Sarney

decretou uma Reforma Monetária através do decreto-lei n? 2283. E

Democrática, que demonstrava sé- todos fomos pegos de surpresa.

rias divisõe^o que estava fortaie- A/partir da notícia confirmada, seu José nem dornniu, ficou o

cendo: as forças progressistas, co- yíempo todo ligado na rádio, ia no sindicato, se informava com os

mo a CUT e os sindicalistas auténv/vjzjnhos, e estava muito preocupado como as coisas iriam

6. especulação por parte dos ticos ção. e o PT. como partido de o^ funcionar dali prá frente. A pergunta era: vai piorar ou melhorar?

As principais medidas

Para tentar atingir os seus objeti-

vos o governo adotou basicamente

as seguintes medidas:

1?) Congelou os preços de todas as

mercadorias, serviços e salários.

Ou seja, congelou a relação que

existe entre o poder de compra e o

preço das mercadorias

2?) Eliminou a correção monetá-

ria, um dos fatores que mais ali-

mentava a inflação constante

3?) Criou uma nova moeda, o

cruzado , que tem como va-

lor Cz$ 13,84 com relação a um dó-

lar. Com isso estabeleceu bases de

maior confiança para as relações

comerciais e tentou dar mais com-

Eetitividade às exportações

rasileiras

4?) A poupança voltou a ser trimes-

tral, com seguro contra a inflação e

juros de 6% ao ano

5?) Acabou com a ORTN (Obriga-

ções Reajustáveis do Tesouro Na-

cional) e criou a OTN (Obrigação

do Tesouro Nacional) no valor de

Cz$ 106,40 até março de 1987.

Estas foram as principais medi-

das que o governo tomou. Certa-

mente não vão resolver todos os

problemas do país. Mesmo baixan-

do significativamente os níveis da

inflação, o problema não foi ataca-

do na raiz, que é a extrema desi-

gualdade na distribuição da rique-

za, como o dinheiro, a terra, as fá-

bricas e assim por diante.

Povo deve controlar preços

Esta medida do governo afetou di-

retamente o povo brasileiro. As

principais conseqüências foram:

1. Congelamento da atual explora-

ção do trabalho, mantendo cons-

tante a taxa de exploração, ao con-

gelar salários e preços. Ou seja,

com estas medidas vai dar para

perceber a verdadeira distribuição

da riqueza neste país. Os assalaria-

dos terão a exata medida do pouco

que recebem. Antes havia a ilusão

do volume garantido pela correção

monetária, agroa esta ilusão está

colocada às claras.

2. O salário mínimo ficou em Cz|

804,00, que eqüivale a 58 dólares,

quando em novembro era de 69 dó-

lares. O congelamento foi feito pela

média dos últimos seis meses, en-

quanto que, a maioria dos preços

foram congelados com o preço do

último dia 17 de fevereiro, ou seja

no pico; no caso da agricultura, os

preços serão congelados pelo dia 26

de fevereiro;

3. A taxa de juros, que representa o

lucro dos banqueiros, não foi toca-

da;

4. Controlar preços num sistema

econômico capitalista é ir contra

sua lógica. O próprio governo disse

que este congelamento será elimi-

nado na medida em que a economia

se ajustar. Pergunta-se: quem ga-

rante que os preços não serão rea-

justados quando os grandes

pressionarem?

5. Se o governo não tabelar os pro-

dutos desde a sua origem, ou seja, o

aço que faz o parafuso, que vai no

carro, poderá haver uma crise de

abastecimento. Muitos fornecedo-

res não vão entregar os seus produ-

tos por preços mais baixos.

6. Como a grande maioria da popu-

lação recebe o salário mínimo que

ficou muito baixo pode ocorrer

uma queda brutal no consumo nos

próximos meses (no início os ven-

dedores vão competir para se li-

vrar dos estoques, podendo até ha-

ver uma queda nos preços). Se

ocorrer queda no consumo e a taxa

de juros não for controlada, os ca-

pitalistas vão diminuir os investi-

mentos, ocasionando a recessão,

que tanto conhecemos;

7. Como a inflação foi atacada na

ponta final, nos preços e não na sua

origem que é a injusta distribuição

da renda, logo os trabalhadores

vão ver como realmente ganham

pouco;

8. Com a inflação baixa, sem corre-

ção monetária, a distribuição da ri-

queza do país ficará bem a vista.

9. Na medida em que o cidadão se

sente valorizado para fiscalizar e

prender quem não respeita a lei de-

ve decidir também o destino das

verbas do governo que aumentarão

com o estimulo à poupança, com a

desvalorização da dívida do gover-

no e com a entrada de mais

impostos.

Preço mínimo será máximo

No pacote econômico não saiu ne-

nhuma medida específica com re-

lação à agricultura e as dúvidas

são muitas. No entanto, algumas

conseqüências ficam evidentes pa-

ra os trabalhadores rurais:

1 — Com base em dados da Secreta-

ria de Agricultura do Paraná o

agricultor nunca havia perdido tan-

to na relação dos preços do que ele

vendia com o preço dos produtos

que tinha que comprar. Ou seja, o

pequeno produtor precisa traba-

lhar cada vez mais, para receber

menos. Agora o governo congelou

esta situação, ou seja, congelou a

exploração que os pequenos produ-

tores vinham tendo.

2. Se ocorrer, nos próximos meses,

uma queda de consumo isso vai di-

minuir o mercado para alguns pro-

dutos agrícolas, pois os operários

não terão condições de comprar.

Esta situação prejudica o pequeno

produtor que produz para o merca-

do interno

3. Os financiamentos rurais foram

atualizado em cruzados até feve-

reiro e agora sofrerão um juro de

3% ao ano. Praticamente não mu-

dou nada. Se antes 3% de juros nu-

ma inflação de 250% era pouco per-

cebido, agora com a inflação muito

baixa, 3% (ou até mais) vai repre-

sentar um alto custo para o produ-

tor, que sempre corre muito risco

na sua atividade;

4. Os fazendeiros que se dedicam

ao gado, café, laranja, cacau tive-

ram seus extraordinários lucros

congelados e garantidos. Com isso

terão recursos de sobra para apli-

car em terras. Espera-se, portanto,

que o preço da terra que não foi

congelado continue subindo e com

isso a terra poderá se concentrar

mais ainda

5. se todos os preços realmente fo-

rem congelados, os pequenos pro-

dutores terão a conta real do seu

prejuízo, vai ser mais fácil calcular

o custo e até prever. Certamente o

custo real ficará bem superior ao

preço real;

6. Como não há incentivo à produ-

ção interna o governo vai importar

muitos produtos para garantir o

abastecimento, prejudicando o pro-

dutor.

7. O governo está estudando duas

medidas de incentivo:

a — criar uma poupança rural. Ou

seja, seriam poupanças normais,

só que o dinheiro seria aplicado na

agricultura.

b—estabelecer um sistema de cré-

dito rural diferenciado por região

do país, onde os juros do crédito pa-

ra o nordeste e norte serão inferio-

res aos juros da região sul

8. os preços mínimos certamente

não serão muito estimulantes, pois

é preciso garantir preços baixos

para o consumidor que recebe Cz$

804,00. E quem garante que os pre-

ços dos insumos também serão bai-

xos? Agora o preço mínimo virou

máximo;

CONCLUSÃO:

Pois é, seu José, depois desta pe-

ãuena desembrulhada do pacote Já

eu para ter uma idéia do que tem

dentro dele. Dos pontos positivos,

como o congelamento dos preços,

para o senhor parece que só sobrou

coisa ruim.

É cedo ainda para defif ir muita

coisa, mas não devemos nos esque-

cer que com Hitler o mundo inteiro

aprendeu uma grande lição: se

uma mentira for repetida várias

vezes, logo vira verdade, e a partir

disso as classes dominantes passa-

ram a fazer cada vez mais e me-

lhor o uso da propaganda e dos

meios de comunicação para mol-

dar a opinião pública. Foi o que fi-

zeram em relação ao pacote, quan-

do, sem exceção, todos os grandes

jornais, redes de televisão e rádios

só abriram espaço para quem fa-

lasse bem das medidas do governo.

Depois desta "desembrulhada" é

necessário que os trabalhadores fi-

quem atentos às mudanças que ain-

da serão feitas, para que não sejam

enganados.


SINDÍC^LISMO

Produtores fecham agência bancária

Em Miraguaí, aproximadamente 500

agricultores fecharam a agência do

Banrisul, no dia 13 de fevereiro, para

negociar os empréstimos vitoriosos e

conseguiram a garantia de que até o

dia 30 de março não será feita nenhuma

cobrança judicial.

Nos últimos quatro anos os colonos

não conseguiram fazer boas colheitas.

No primeiro ano foi a seca, no segundo

a lagarta, no terceiro a chuvarada e no

último, novamente, a seca. Os agricul-

tores não tinham como pagar as divi-

das e os empréstimos agrícolas não

eram mais suficiente, daí fizeram em-

préstimos particulares.

A situação se agravou, 4 agricultores

se suicidaram, dezenas estavam com

títulos protestados: então se marcou

uma reunião no sindicato onde se deci-

diu negociar as dividas coletivamente.

No dia 27 de fevereiro, aproximada-

mente, 150 trabalhadores rurais se reu-

niram com dois advogados do Banrisul,

que afirmaram que o último prazo se-

ria 20 de fevereiro e se as dívidas não

fossem pagas todos seriam executados

judicialmente.

Os agricultores avaliaram que este

prazo não era suficiente e que só atra-

vés da mobilização é que consegui-

riam um prazo mais razoável. Opta-

ram pelo fechamento da agência ban-

cária.

DIA DO PROTESTO

Manhã de chuva. As caravanas das

comunidades se atrasam. Somente 50

colonos chegam ao banco às 8 horas.

Única forma encontrada para que as dívidas da seca fossem negociadas

Adão Pretto, presidente do STR de Miraguaí, liderou c movimento

Surpresa, o banco, que normalmente

abre às 9 horas, já estava aberto e ti-

nha na frente mais brigadlanos que os

50 colonos que chegaram. Os colonos

cantam o Hino Nacional e o presidente

do STR, Adão Pretto Informa aos poli-

ciais que os agricultores estão ali para

fechar o banco e recebe como resposta:

"Nós estamos aqui para evitar que isso

aconteça".

O tempo foi passando e mais carava-

nas chegaram, os colonos somavam

mais de 450 e com essa nova situação a

polícia recuou. O banco foi fechado e os

quatro representantes dos agricultores

que se encontravam em Porto Alegre

iniciaram a negociação com os direto-

res do Banrisul. A decisão dos traba-

lhadores era ficar com o banco fechado

até se ter uma solução favorável à ca-

tegoria.

Às 15 horas chegou um telefonema de

Porto Alegre onde os companheiros in-

formavam que até o dia 30 de março

não será feita nenhuma cobrança,

além disso, foi feita a conta da divida e

se garantiu que se o pagamento aconte-

cesse até esta data não haveria acrés-

cimos.

Para Adão Pretto esta solução foi ra-

zoável, mas ele afirma que: "os agri-

cultores não terão condições de pagar

até o dia 30", e quer por esse motivo no-

va negociação que deverá ser feita com

o Banco, se não houver uma solução

por parte do Governo.

JOVENS DA ROÇA

REGIÃO SUL

Representantes de 79 STRs, dos três

Estados do Sul estiveram reunidos em

Chapecó no dia 13 de março onde ava-

liaram o pacote econômico do Governo

e suas implicações para a agricultura.

Nesta reunião foi tirada uma comissão

coordenadora do movimento dos atin-

gidos pela seca, que tem como tarefa

procurar informações sobre o pacote

com relação à política agrícola, fazer

levantamento do custo da produção e

encaminhar as reivindicações dos agri-

cultores.

Foi enviado para Brasília, para os

ministros do Planejamento, da Agri-

cultura e da Fazenda e para o presiden-

te Sarney um documento onde os traba-

lhadores rurais reivindicam: que o Go-

verno esclareça oficialmente o decreto

2283 em relação à política agrícola e so-

bre a extinção ou não dos contratos de

venda por antecipação em cruzeiros de

produtos agrícolas 'ex.: soja), a revi-

são dos preços mínimos, a publicação

dos preços congelados dos insumos

agrícolas no Diário Oficial, isenção dos

juros sobre empréstimos agrícolas à

pequena agricultura e a prorrogação

comprovada e prática do crédito de

emergência até dia 30 de abril para os

agricultores atingidos pela seca.

A decisão dos trabalhadores é espe-

rar até o dia 30 de março para que as

medidas implantadas com o pacote es-

tejam regularizadas e, se depois disso o

Governo não atender as reivindica-

ções, novas formas de pressão serão

discutidas.

Movimento quer construir a Nova Sociedade

A Pastoral da Juventude Rural é a organização e o espaço de discussão dos jovens

A partir desta edição do Informa-

tivo Sindical, a Pastoral da Juventu-

de Rural terá sempre um espaço pa-

ra colocar a sua opinião e relatar

suas atividades.

A Pastoral da Juventude Rural é a

organização dos jovens rurais. Exis-

tia no RS a Pastoral da Juventude

que reunia os jovens operários e

agricultores, estudantes, etc, mas

em 1983 surgiu a articulação es-

pecífica dos jovens rurais que se or-

ganiza através de uma coordenação

Estadual e as Coordenações Dioce-

sanas.

Ao contrário do que alguns pen-

sam, a Pastoral da Juventude Rural

não é um movimento popular e nem

um organismo através do qual pode-

se pressionar ou transformar a so-

ciedade. Ela é um espaço onde os jo-

vens, através de suas ações e discus-

sões, vão descobrindo o seu papel e o

seu lugar nessa sociedade íseus or-

ganismos) para transformá-la.

ATUAÇÃO

Desde o seu surgimento como arti-

culação estadual, a Coordenação da

Pastoral (2 jovens por diocese) tem

procurado responder às necessida-

des dos milhares de grupos de jo-

vens espalhados pelo estado.

INFORMATIVO SINDICAL

Para o trabalho e formação foram

produzidos subsídios: boletins para

reuniões de grupos "Jovens da Ro-

ça" ísairá em abril o n? 4) e, para

aqueles que já estão se engajando

nos movimentos f sem-gerra, mulhe-

res, barragens...) e nos organismos

da sociedade (sindicatos, parti-

dos...) estão surgindo os "Cadernos

de Formação para militantes", os

primeiros números tratam sobre:

"Constituição" e "Sindicalismo".

Foram realizados cursos, tanto nas

dioceses como a nível estadual.

Além disso, foi publicado pela Edito-

ra Vozes o livro "Pastoral da Juven-

tude Rural", que tenta retomar a

história da JAC í Juventude Agrária

Catdica) e colocar os aspectos prin-

cipais da PJR.

O grande feito da PJR no estado

foi o Encontrão dos Jovens da Roça,

que reuniu mais de 45 mil Jovens em

Passo Fundo.

PLANEJAMENTO

As propostas da ação interna da

PJR são de engajamento na socieda-

de com vistas a transformação. Pa-

ra isso serão realizados os seguintes

trabalhos: Congresso Estadual so-

bre Constituinte, nos dias 5, 6 e 7 de

setembro, onde os jovens, após os

m

Jovens estão construindo novo sindicalismo

encontros diocesanos, vão organizar

as suas propostas para a Constitui-

ção; Curso Estadual de Formação

para Militantes; Reuniões e Encon-

tros de assessores e comissões espe-

ciais sobre diversos assuntos í Cons-

tituinte, Reforma Agrária...) e a

coordenação Estadual se reunirá em

maio para avaliar os passos já dados

,4r

e organizar novas programações.

A Ação Concreta da PJR não pas-

sa de uma ação interna de articula-

ção .treinamento e formação ou

apoio aos que lutam mas a Ação

Concreta do jovem da roça vai muito

além, engajando-se para que, cons-

truindo um novo sindicalismo e uma

Reforma Agrária, possamos ter

uma Nova Sociedade.

Página 9


TRES PASSOS

Eleição será em maio

Otto Arm indo, Nelso Zagonel e Vanir Alves sáo os candidatos á diretoria

Os trabalhadores rurais de Três Pas-

sos querem dirigentes sindicais com

coragem e firmeza de lutar até o fim

pelos direitos dos agricultores e que-

rem mudar a realidade que faz a vida

do agricultor ser tão dura, pesada e so-

frida. Por isso se reuniram e começa-

ram a discutir qual é o papel de um sin-

dicato autêntico; com estes encontros

foi crescendo a consciência de uma ur-

gente e grande necessidade: formar

uma chapa para concorrer nas próxi-

mas eleições sindicais, que será no dia

15 de maio.

A Chapa 2, Renovação, tem como

candidatos efetivos à diretoria, os com-

panheiros: Nelson José Zagonel, Otto

Armindo Hehnicka e Vanir Alves da

Silva. Os companheiros da chapa 2 pre-

tendem lutar por: melhor assistência

médica e hospitalar, preços justos e

por uma melhor previdência.

Unir e organizar os agricultores são

os objetivos da chapa Renovação, além

disso em cada distrito, se a chapa 2 for

eleita, vai ser criada uma delegacia

sindical, e em cada localidade vai ser

criado um núcleo sindical. Mas o traba-

lho não pára por ai: os lideres dessas

I delegacias e núcleos sindicais terão a

necessária formação.

Além disso, os companheiros de Três

Passos pretendem incentivar e levar

prá frente a organização das mulheres

agricultoras, dar força para que os jo-

vens agricultores também se organi-

zem e participem no sindicato e atuar

junto aos serviços de educação com a

finalidade de conseguir um ensino mais

de acordo com a realidade vivida pelos

filhos dos agricultores.

LANÇAMENTO DE CHAPA

Participaram do lançamento da Chapa

Renovação, aproximadamente 250 pes-

soas entre agricultores e autoridades,

apesar de toda a chuva, que caiu no dia

15 de março, sábado.

O Secretário rural da CUT, Nadir Sa-

voldl participou do lançamento e falou

sobre as medidas econômicas do gover-

no. Nelson Zagonel, que é candidato a

presidente pela chapa 3, destacou o de-

sinteresse dos trabalhadores para com

o sindicato e afirmou que isto acontece

porque a diretoria atual não defende os

interesses dos trabalhadores rurais.

O SRT de Três Passos é o terceiro

sindicato do Rio Grande do Sul, com 10

mil sócios e nunca foi renovado, por is-

so 15 de maio é um dia importante para

os trabalhadores rurais.

METALÚRGICOS - EREXIM

Chapa 2 vence eleições

No último dia 4 de fevereiro, òs meta-

lúrgicos de Erexim conseguiram reto-

mar seu sindicato, que há mais de 17

anos estava nas mãos dos pelegos dos

patrões. A Chapa 2 apoiada pela CUT,

venceu disparado as eleições tendo a

seu favor 262 votos contra 101 dados pe-

la Chapa 1, dos pelegos.

Durante a campanha houve de tudo.

Os membros da Chapa 2 foram amea-

çados e até impedidos de entrar nas

empresas. Os trabalhadores foram

pressionados pelos patrões para votar

na chapa 1 e alguns companheiros fo-

ram até demitidos.

Tudo isso aconteceu. Porém os meta-

lúrgicos não se intimidaram e de cabe-

ça erguida elegeram a chapa 2, que

tem como presidente o companheiro

Nely Dambrós.

A posse pública da nova diretoria

aconteceu no dia 14 de março no salão

de esportes do Colégio São José.

SINDICALISMO

Nely Dambrós, presidente do sindicato

o.

.. ...i,.

JACUTINGA E GUAPÓRE

Objetivo é a renovação

A Renovação Sindical deverá aconte-

cer em mais dois municípios do Alto

Uruguai, Guaporé e Jacutinga.

A chapa dois, que concorre aos STR

de Jacutinga, tem como candidatos

efetivos para a diretoria: Darvile Be-

tiato, Olivo Scatolin e Domingos Saugo

e pretende renovar para organizar e

construir um novo sindicalismo. A elei-

ção acontecerá no dia 13 de abril.

Os integrantes da Chapa 2 foram es-

colhidos da seguinte forma: o mu-

nicípio foi dividido por regiões, cada re-

gião apresentou 2 ou 3 nomes para com-

por os 16 nomes da chapa, que através

de uma votação secreta foram defini-

dos os cargos.

Os agricultores de Jacutinga senti-

CUT - EREXIM

^

ram a necessidade de mudança por que

a direção do sindicato diz que já não sa-

be mais o que fazer para resolver os

problemas da classe e está acomodada,

não assumindo a organização e as lutas

que se fazem necessárias.

Os companheiros de Guaporé tam-

bém sentem as mesmas dificuldades

com relação à atual diretoria do sindi-

cato e sabendo que o sindicato é a fer-

ramenta que deve ajudar os agriculto-

res a lutar por seus direitos é que orga-

nizaram a chapa 3. As eleições ocorre-

rão no dia 11 de maio e os componentes

da difetoria que estão concorrendo pe-

la Renovação são: Neri Pavoni, Egídio

Bruschi e Pedro Alberton.

Congresso será em abril

Nadir Savoldi, secretário da CUT/RS e Pauio Farina, vice-presidente da CUT/RS

e presidente STR/Erexim

Nos dias 5 e 6 de abril de 1986, tendo

por local o Seminário Nossa Senhora de

Fátima, na cidade de Erexim, será

realizado um grande Congresso dos

Trabalhadores da região Alto Uruguai,

para a fundação da CUT-Regional.

Participarão deste Congresso delega-

dos de todos os municípios da região,

representando os trabalhadores do

campo e da cidade.

A Comissão Pró-Central Única dos

Trabalhadores, organizadora do Con-

gresso calcula que o Congresso deverá

ter a participação de mais de 150 dele-

gados e vai ser representativo do movi-

mento sindical mais combativo que

atua na região.

Na região Alto Uruguai os trabalha-

dores têm levado muitas lutas como: a

luta pela Reforma Agrária, a luta con-

tra as barragens, a luta contra o arro-

cho salarial e o desemprego, a luta por

uma previdência digna, etc. Por isso a

criação da CUT na região significa um

passo muito importante no avanço des-

sas lutas.

A CUT será fundada com o objetivo

de dar uma direção política a todas es-

tas lutas, assim como unir os agriculto-

res e operários da região, tomando as-

sim, a luta cada vez mais forte.

Página 8 IN FORMATIVO SIN DICAL


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PONTO DE VISTA

Será que é mais

uma enrolação?

João Pedro Stédile

Economista e Assessor CPT Nacional

Saiu mais um pacote do governo. Todo mundo ficou

operando, será que presta ou e mais uma enrolação? 0

pacote saiu igualzinho como era no tempo da Arena. E isso

depois do Ministro Pedro Simon ficar um ano inteiro dizendo

que o governo precisava jogar aberto com os agricultores.

Que os agricultores deveriam ficar sabendo qual era a

política agrícola ate o ano 2000. Tudo conversa fiada!

Os agricultores mais vivos logo se deram conta: "Se o

Delfim, os empresários, os banqueiros e as multinacionais

estão aplaudindo, coisa boa prá nós, e que não deve ser".

Vamos pegar dois exemplos para ver o que significou este

pacote para os agricultores:

1. o caso do congelamento de preços: saiu um estudo

da Fundação Getúlio Vargas sobre ò comportamento dos

preços recebidos pelos agricultores em comparação com os

preços que ele paga. Para o produtor de batata, que

ganhava 100 em 1977, passou para 159 em 1980 e baixou para

54 em dezembro de 1985. Para 0 produtor de milho, nos

mesmos anos, passou de 100 para 158 em 1980 e baixou para

141 em dez/85. E o produtor de soja, cultores diminuíram em

14% (104-90) o seu poder de compra, ou então, precisam

trabalhar 14% a mais para comprar a mesma coisa. Mas os

pequenos produtores que se dedicam aos produtos relatados

acima tiveram um prejuízo bem maior.

Bem, o pacote congelou justamente esta situação de

exploração. Nunca o pequeno agricultor tinha recebido um

preço tão baixo pelos seus produtos em comparação com os

preços que paga. Por outro lado, o congelamento para os

preços dos produtos agrícolas vai funcionar, mas duvido que

funcione para os insumos agrícolas, onde os comerciantes

vão fazer o que querem.

2. Ò caso dos financiamentos í' Muitos sindicalistas

acharam que agora que caiu a correção monetária foi uma

vitória da pressão dos agricultores. E claro que é uma

vantagem não ter correção monetária, mas acontece que os

empréstimos foram atualizados ate' 28 de fevereiro. Vamos

supor quem tirou um empréstimo de Cr$ 1.500.000,00 em

agosto para um hectare de milho, de agosto para fevereiro a

correção monetária foi 103%, então banco atualizou a dívida

em 1? de março e multiplicou por essa inflação, logo a vida

do agricultor ficou em 1.500,000, mais 104%, mais 1,5% de

juro, isso deu um total de 3.091.675,00. Isto foi transformado

t em cruzados e a dívida ficou: 3.901,00 cruzados. Agora como

o preço do milho também foi congelado em 79 cruzados ao

saco, significa que o agricultor vai precisar de 39 sacos de

milho só para pagar o financiamento (3.091 dividido por 79 e

igual a 39) por hectare.

Os agricultores se prejudicarão com a redução do mercado

que haverá, pois o salário dos operários baixou e, também,

com o aumento dos preços das terras que acontecerá, pois,

os fazendeiros vão ganhar muito dinheiro com gado, e café e

vão aplicar em terras.

CONÍ^UINDO

O pacotão do governo vai funcionar: eles vão conseguir

baixar a inflação. Mas o objetivo maior e conseguir baixar o

consumo, ou seja o poder aquisitivo da população para

sobrar mais capital prá invetir e com isso a economia voltar

i a crescer.

Na verdade, o pacote foi o colégio eleitoral da economia.

Todo mundo pensava que ia mudar para melhor quando saiu

o Figueiredo e não se deu conta que quem entrou foi o ex-

presidente da ARENA, o senador José Samey.

leagan quer destruir

revolução nicaraguense

Só com o massacre da população é que a invasão será vitoriosa

O Jornal Informativo Sin- ras e Costa Rica; a chanta-

dical recebeu da União Na- gem econômica e dlplomá-

cional de Agricultores e tlca, dificultando as impor-

Criadores de Gado da Nica- tações e exportações neces-

rágua uma carta onde eles sárias para o governo nica-

pedem que seja divulgada a ragüense e mantendo, atra-

situação em que se encon- vés de seus poderosos meios

tra este país, onde a possibi- de comunicação, o controle

lidade de invasão aumenta das informações que são di-

a cada dia. vulgadas sobre a Nicará-

A verdadeira democracia gua, com o objetivo de iso-

que se constrói na Nicará- lar o pais do resto do mundo

gua está sendo vítima de e facilitar a intervenção mi-

uma política destrutiva por Utar direta,

parte do governo norte- Não é por acaso, então,

americano que está decidi- que o senhor George Shultz,

do a acabar com a revolu- acusa a Nicarágua de pres-

ção nicaraguense, por que tar ajuda militar a movi-

da e um exemplo digno de

independência e auto-

determinação para os

povos.

Para dificultar o avanço

mentos guerrilheiros, as-

sim como as declarações de

Elliot Abrams, que justifi-

cam cinicamente que "os

Estados Unidos haviam

político da Nicarágua os Es- proporcionado armas sofis-

tados Unidos desenvolvem ticadas aos contra-

em sua estratégia três ele- revolucionários, por causa

mentos básicos: a guerra do crescimento da presença

criminosa, atrave's de mer- soviética-cubana na revolu-

cenárlos, que são soldados ção nicaraguense".

pagos, com base em Hondu- Com este tipo de propa-

SABER £

PODER

Leia e divulgue

Á venda no endereço

deste jornal

Dossiê

CLAT

Este dossiê tem por objeti-

vo divulgar posições e opi-

niões para esclarecer aos

companheiros sobre as ca-

racterísticas, objetivos e

métodos da CLAT — Cen-

tral Latino Americana de

Trabalhadores.

ALUÍA

IÀZALE1

ganda os Estados Unidos

pretendem que os governos

latino-americanos assu-

mam atitudes contra a Ni-

carágua e que a solidarie-

dade dos povos desapareça

totalmente.

Considerando esta situa-

ção é que os agricultores e

criadores de gado nica-

ragüenses repudiam e con-

denam o governo norte-

americano e pedem ao povo

brasileiro, através de suas

organizações, que se solida-

rizem urgente fazendo uma

campanha de divulgação

destes fatos e de pronuncia-

mentos contra a interven-

ção norte-americana na

Nicarágua.

A América Central e uma

prioridade para os países

da America Latina por cau-

sa do surgimento de movi-

mentos de transformação

social, que se materializa-

ram na Nicarágua através

da Revolução Popular

Sandinista.

Cz$l,50

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CULJÜRA-PÔPÚ^\R

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Poesia é expressão da luta • •■•!• YO

O ambiente dos encontros e reuniões facilita à criação

A cada dia que passa mais agriculto-

res resolvem usar da poesia e da músi-

ca para se comunicar com os compa-

nheiros. Essa poesia tem surgido em

meio a suas lutas e mesmo nos momen-

tos principais da organização dos movi-

mentos. Dá para dizer que fazer poe-

sias já faz parte da luta pela terra.

Não há encontro, reunião ou assem-

bléia dos agricultores que não tenha a

hora do canto e da declamação de poe-

sias. Momento de descanso, descontra-

ção e alegria. E muitos poemas nas-

cem ali mesmo, nestes encontros.

Foi o caso,por exemplo, do Encontro

Estadual do Movimento Sem Terra de

Santa Catarina, que se realizou em

Chapecó, nos dias 26, 27 e 28 de novem-

bro de 1985. Um dos participantes,

Joaquim Hélio Dias, que é liderança

dos agricultores de Garuva (SC), fez

dois poemas durante o Encontro. Num

deles Joaquim fala sobre como está

vendo a luta pela terra: Toda reunião tem a hora do descanso e da descontração

Reforma Agrária é terra

Reforma Agrária é pão

É a luta de um povo

Para ter mais condição

Samey dá verba

para empresários

Antes de vir para a Festa

da Uva em Caxias, o presi-

dente Samey liberou 40 bi-

lhões para ajudar o combate

aos danos da seca. Fez muito

discurso. Só que uns dias an-

tes, o BNDES— Banco Nacio-

nal de Desenvolvimento Eco-

nômico e Social — que é do

governo, tinha liberado um

trilhão de cruzeiros para em-

préstimos exclusivamente a

Empresa Rurais, com juros

favorecidos.

Silêncio sobre

roubo do café

O Instituto Brasileiro do

Café — IBC —„ órgão do go-

verno federal, vinha venden-

do a preço menor do que o

mercado, com o comprador

estrangeiro depositando a di-

ferença nas contas bancárias

da Suíça. Depois que a im-

prensa denunciou, não saiu

mais nenhuma palavra. Mas

o presidente do IBC, amigo

pessoal do presidente Samey,

não foi mais nomeado Minis-

tro das relações exteriores na

última reforma do ministério.

Aliás, é bom lembrar que es-

sa história de vender a preço

mais baixo e pegar a diferen-

ça lá no exterior é relativa-

mente comum aqui no Rio

Grande do Sul.

Condição de luta contra a miséria

de luta contra a exploração

de luta contra a injustiça

e por uma transformação

Intervenção

na Cotrisa

Como muitas outras Coope-

rativas, a Cootrisa (Coopera-

tiva Tritícola de Santo Ânge-

lo), com os lucros provenien-

tes das operações com seus

milhares de pequenos asso-

ciados aqui do Estado inves-

tiu pesadamente no Centro-

Oeste. Só que lá os Associados

da Cotrisa eram tudo médio e

grande produtor. Ou seja, os

pequenos daqui financiando o

enriquecimento de uma meia

dúzia lá.

Há pouco tempo, sumiram

96 mil toneladas de soja, que

a Cooperativa tinha vendido

para CFP. Deu escândalo e

tudo o mais, sem que se saiba

que algum gaúcho tenha sido

preso. Agora o governo proce-

deu a Intervenção na coope-

rativa evitando a liquidação.

A Divida da Cotrisa é de 460

bilhões e o patrimônio de 318

bilhões.

RESUMO

Brasil terá que

importar comida

O Brasil vai ter que impor-

tar, no mínimo, arroz, milho e

leite. Só que em vez de ficar

quieto e sair comprando,

anunciou para todo o mundo.

Conseguiu com isso que o pro-

duto no exterior aumentasse

de preço, e aí os especulado-

res aqui do Brasil também fi-

zeram o mesmo. Além disso,

os portos do Brasil são bons

para exportar e não para im-

portação. A confusão sobre o

abastecimento nos próximos

meses é muito grande e os

tecnocratas não se entendem.

Daí a solução, como sempre,

é criar mais um cabide de

emprego, o tal de Conselho de

Abastecimento, com briga de

foice entre o PMDB ^ o PFL,

para ver quem vai mandar

nele, pois o Conselho vai ter

muito dinheiro para fazer im-

portações.

feita com muita união

contra a burguesia astuta

que só quer a divisão

Vivemos num

País de doentes

O Almirante Ernani Aboim,

diretor do Serviço de Saúde

da Marinha afirmou que 30%

da população do Brasil não

tem a capacidade mental ne-

cessária è 40% das crianças

morrem antes dos 5 anos. Pa-

ra ele somos uma nação doen-

te e com a pior e mais cara

medicina do mundo. Sobre o

assunto o ex-ministro da Saú-

de, Sanfana, afirma que a

causa da precariedade da

saúde do brasileiro é o mode-

lo econômico concentrador de

rendas: 15% da população

consome 85% do que produz a

sociedade brasileira.

Joaquim já faz poesia desde criança,

mas segundo ele, depois que entrou no

movimento seus versos passaram a ter

sentido. Antes, diz: "queria é que a poe-

sia da gente fosse a mais bonita. Agora

não, a minha poesia eu to pouco inte-*

ressado se ela é bonita ou feia, o impor-

tante é que ela diga o que eu quero di-

zer..." Para Joaquim a poesia é uma

das maneiras de dizer o que pensa, de

denunciar toda a situação de explora-

ção do agricultor. Quanto mais partici-

pa das lutas mais sente esta necessida-

de de denunciar o que acontece. E, pa-

ra ele, os Encontros são um ambiente

que facilita ao poeta criar sua poesia.

"Porque dai a gente faz ela pra mos-

trar pra alguém. Tem destino certo"...

Este é um exemplo de como a poesia

já está no dia-a-dla da organização dos

agricultores. Quando nos encontros o

agricultor cria poemas e cantos, ele ao

mesmo tempo que descansa e ajuda na

animação do pessoal, expressa o que

sente e também põe os companheiros a

pensar a luta que estão organizando

ali. mais um jeito de encontrar forças

para continuar lutando...

Povo revoltado

com vereadores

Vereadores de Francisco

Beltrão, no Paraná aprova-

ram um projeto de lei que de-

termina um aumento de seus

salários de 1.200,00 para

6.825,00 cruzados, por unani-

midade.

Esta atitude está causando

revolta na população, que

afirma que os vereadores não

fazem nada e recebem todo

este dinheiro que sai do bolso

dos trabalhadores.

Governo irriga

latifúndios

Na onda da seca, a FAR-

SUL, entidade que representa

7 mil latifundiários que tem a

metade das terras no RS, já

apresentou ao governo um

Plano para irrigação de três

milhões de hectares, claro

que nas propriedades dos lati-

fundiários. É sempre assim.

O governo dá crédito, subsi-

diado, para quem tem muita

terra. É o tal do modelo con-

centrador.

Quanto foi

a perda

com a seca?

Outra mostra da inutilidade

dos órgãos do governo Jair

Soares: a Secretaria da Agri-

cultura estimou a perda com

a seca em treze trilhões de

cruzeiros: logo depois, a

EMATER disse que eram no-

ve trilhões. Uma diferença de

apenas quatro trilhões.

INFORMATIVO SINDICAL Página n


MULHERES DO CAMPO

Força e pressão presentes no dia 8

Dia 8 de março é o Dia Internacional da Mulher. Esta data ficou

marcada por que, nesse dia, no ano de 1857, 129 trabalhadoras fo-

ram queimadas pelo patrão durante uma greve, quando reivindica-

vam redução da jornada de trabalho e melhores condições de vida.

Dia da Mulher. Nada melhor do que

reunir muitas companheiras para dis-

cutir o que está sendo feito, avaliar a si-

tuação da mulher trabalhadora e ques-

tionar se este trabalho é reconhecido.

Em Miraguai, 400 trabalhadoras ru-

rais se encontraram e decidiram mui-

tas coisas, entre elas que: a profissão

de agricultores seja reconhecida por lei

e que vão votar em Adão Pretto para

deputado estadual, pois elas entendem

que, nos três anos, em que ele foi presi-

dente do STR o seu trabalho sempre es-

teve voltado para as reivindicações das

mulheres.

P Teve municípios onde quase ninguém

ficou em casa, como por exemplo:

Aratiba. Lá, 600 mulheres agricultoras

se reuniram, esta quantidade represen-

ta quase 100% da força de trabalho fe-

minino na roça e o encontro teve todo o

apoio do sindicato, que já tem como só-

cias, aproximadamente 200 mulheres.

As trabalhadoras rurais tem cons-

ciência de seus direitos e não querem

mais esperar que as soluções sejam

"presenteadas" pelo governo, elas sen-

tem que se não se organizarem para

pressionar, nada acontece; a FETAG e

os sindicatos pelegos observando esta

situação resolveram participar do mo-

vimento das mulheres, utilizando-o pa-

i ra promoção própria por isso organiza-

ram encontros nas oito regionais do

RS.

Em alguns lugares, como na região

de Erexim, o, encontro promovido pela

pelegada foi esvaziado e as mulheres

organizaram concentrações munici-

pais.

Em Frederico Westphalen foi dife-

rente: a maioria dos municípios, desta

regional, participaram do encontro.

Mas não foram lá só para ouvir conver-

sa de politiqueiros. As mulheres obri-

garam a coordenação do encontro a

respeitar os interesses da categoria e a

defender, por exemplo, que trabalha-

dor vota em trabalhador.

Neste primeiro encontro da regional

de Frederico Westphalen, as trabalha-

doras rurais de Rodeio Bonito foram

em oito ônibus lotados, levando faixas

onde colocavam que a CUT f Central

Ünica dos Trabalhadores) está junto

na luta, isto gerou confusão, pois os pe-

legos queriam tirar as faixas dizendo

que: "não devemos misturar as coi-

sas". Mas a companheirada de Rodeio

Bonito argumentou que: "a CUT è dos

trabalhadores", e deixaram a faixa.

Outro fato interessante foi, que, por

ser ano de eleições, estavam presentes

ao encontro diversos candidatos, que,

obviamente, queriam aproveitar este

espaço para se promoverem e para dis-

cursarem fazendo, mais uma vez, mi-

lhões de promessas. Mas na mioria dos

pronunciamentos as mulheres defen-

diam que deverão votar somente em

Encontro da regional de Frederico reuniu 8 mil trabalhadoras

candidatos comprometidos com a luta

e que defendam os interesses da classe

trabalhadora.

Estava presente, também, o compa-

nheiro Antônio Marangon, que é candi-

dato a deputado federal, constituinte,

ele tocava violão durante os intervalos

para animar o encontro e isto irritou

certos politicos que decidiram pergun-

tar: "por que Marangon pode estar no

palco e eu não?". Uma trabalhadora

não teve dúvidas ao responder: "Eu co-

nheço o Marangon faz cinco anos e

sempre que tem algum encontro ele es-

tá junto com a gente cantando e partici-

pando."

PACOTE

As trabalhadoras rurais, como todas

as outras categorias, estão preocupa-

das com o "decretão" do governo. A

agricultora Dileta Krema afirmou, em

seu depoimento, que: "Neste pacote o

governo fala sobre aluguéis, poupança,

salários, troca de moeda, congelamento

de preços, etc. Mas nele foi es-

quecido o nosso salário que é o preço

daquilo que produzimos ou então tudo

aquilo que se refere à agricultura.

Dileta afirmou que "a agricultura foi

esquecida" e isto deixa claro que, mais

uma vez, o governo "não pensou nas

trabalhadoras rurais".

AVALIAÇÃO

A companheira de Rodeio Bonito, Al-

deei de Mello, líder sindical que traba-

lha na organização da trabalhadora ru-

ral avaliou que o encontro "em número

de pessoas foi muito bom" íparticipa-

ram quase 8 mil mulheres), mas ela

acha que "o governo não vai dar nada

sem a nossa organização e nossa pres-

são. Temos que continuar unidas e não

parar por aqui achando que hoje resol-

vemos tudo. Temos que deixar as pane-

las e começar a participar e se organi-

zar." -es

TECNOLOGIA ALTERNATIVA

Trabalhadores criam Centro de Pesquisa

Um dos objetivos é divulgar as experiências dos agricultores

Foi criado, no Rio Grande do

Sul, um Centro de Tecnologias

Alternativas, como resultado

do primeiro Encontro Estadual

deTecnologias Alternativa que

aconteceu em Passo Fundo,

nos dias 23,24 e 25 de janeiro.

Este Centro terá como objeti-

vos: levantar, pesquisar e di-

fundir técnicas que se adaptem

à pequena propriedade; pres-

tar um serviço de assessoria

na área tecnológica as organi-

zações e movimentos ligados à

pequena produção; treinar e

capacitar técnicos e produto-

res. Ele deverá ficar situado no

Alto Uruguai e numa área pró-

xima aos assentamentos.

A coordenação política será

formada por três sindicalistas

combativos e dois representan-

tes dos seguintes movimentos:

Sem Terra, assentados, mulhe-

res, jovens, barragens, índios.

Os três sindicalistas foram es-

colhidos no encontro: Paulo

Farina íSTR-Erexim), Lauro

Brum íSTR-Tenente Portela) e

Jacó Lino Lill fSTR-Sarandi).

Os demais nomes serão indica-,

dos pelo próprios movimentos.

Além da coordenação, o Centro

terá um Conselho Técnico for-

mado pelos técnicos que vie-

rem a trabalhar no Centro

agricultores do Conselho políti

co e técnicos ligados a entida

des e/ou movimentos a serem

indicados pela Coordenação.

ENCONTRO

O encontro foi organizado pe-

lo projeto de Tecnologias Alter-

nativas da FASE com o apoio

da FAPES, FIDENE/UNIJUI

e CAMP. Estiveram presentes

aproximadamente 150 pessoas

representando sindicatos de

trabalhadores rurais, movi-

mento dos agricultores Sem

Terra e dos reassentados, mo-

vimento contra as Barragens

do Rio Uruguai, entidades pro-

fissionais, cooperativas, enti-

dades de assessoria aos movi-

mentos sociais e universida-

des.

No primeiro dia foi realizado

uma avaliação do atual modelo

agrícola, as alternativas de

produção e suas relações com

os movimentos sociais.

No segundo dia foram relata-

das diversas experiências de

produtores e instituições de

apoio, e na avaliação das expe-

mONTRO ESTADUAL Df

/\GfflCULTURA ALTERNATIVA

150 trabalhadores participaram do encontro

riências apresentadas foi des-

tacado que as experiências

mostram saídas aos pequenos,

relembra técnicas que esta-

vam esquecidas e aponta no-

vas alternativas. Também foi

destacado que as alternativas

criadas devem estar sob o con-

trole dos trabalhadores e suas

organizações.

No último dia foi discutida e

aprovada a proposta de cria-

ção de um Centro de Tecnolo-

gia Alternativa. A idéia é de

que no primeiro semestre des-

te ano se encaminhe as ques-

tões burocráticas e obtenção

de recursos, para que no se-

gundo semestre se inicie a sua

implantação.

i>#f iS*i : fttó,iltt!itl>>|tÍTH4* ,

Maiores informações podem

ser obtidas com.,: LINO DE

DAVI — Av. Independência,

1748/101, 99.100, Passo Fundo

- OLIVIO CIPRANDI — R.

São Francisco, 501,98.700, Ijuí,

Fone: 332-3211 — ramal 238 — e

PROJETO /FASE — R.

João Afonso, 60-A, Humaltá,

Rio de Janeiro, RJ.

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