outubro - APAFERJ
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OUTUBRO 2006<br />
JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong> 1
2 JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong><br />
OUTUBRO 2006<br />
MENSAGEM DO PRESIDENTE<br />
MÁRCIO<br />
ALEMANY*<br />
Os mais chegados<br />
interferem até nos títulos dos<br />
meus artigos e por vezes a<br />
gente cede. Para este, por<br />
exemplo, poria no cabeçalho,<br />
“FESTA DE ARROMBA”,<br />
lembrando a música lendária<br />
de Erasmo e Roberto Carlos.<br />
Foi exatamente o que<br />
aconteceu na memorável noite<br />
de 19 de <strong>outubro</strong> corrente, e<br />
que continua a fazer efeitos de<br />
muita alegria até agora e, por<br />
certo, irá permanecer por<br />
muito tempo, bulindo na<br />
memória dos que dela<br />
participaram. Não foi nada de<br />
comum como ocorre nas festas<br />
de casamento ou em outras<br />
bodas de prata ou de ouro.<br />
Nem a comida boa e farta, nem<br />
a bebida também de qualidade,<br />
as mesas de frios, de sushisashimi<br />
ou de chocolates.<br />
Luzes, decoração, segurança,<br />
estacionamento e a orquestra<br />
que Mambrini levou, de alto<br />
gabarito. E que repertório para<br />
todos poderem dançar? E como<br />
se dançou... O forte, contudo,<br />
O Brasil foi considerado o<br />
sexto país do continente<br />
americano com o melhor acesso<br />
às informações do sistema<br />
judiciário. O ranking foi<br />
elaborado pelo Centro de<br />
Estudos de Justiça da Américas<br />
(CEJA), segundo informou o<br />
secretário de Tecnologia da<br />
Informação do Supremo<br />
Tribunal Federal (STF), Paulo<br />
Pinto. O Brasil está atrás de<br />
25 anos de realizações<br />
e com agenda cheia<br />
destacadamente, foi a efusão, a<br />
alegria que a todos contaminou.<br />
Não foi percebida por uns ou<br />
outros. Foi sentida, transmitida,<br />
retransmitida e contagiante. Sem<br />
exagero, foi observado e<br />
comentado que até mesmo os<br />
mais tímidos ficaram<br />
comunicativos nesse processo<br />
formidável de transformação que<br />
a alegria faz ocorrer. Foi a nossa<br />
festa, FESTA PARA NINGUÉM<br />
BOTAR DEFEITO, o Jubileu de<br />
Prata da <strong>APAFERJ</strong>. Memorável.<br />
Estamos programando outras e<br />
nossa agenda começa a ficar<br />
cheia de próximos e futuros<br />
compromissos, sem que<br />
esqueçamos que nova luta já<br />
começou para alterarmos os<br />
valores da tabela do nosso<br />
subsídio. A conquista deste ano<br />
de 2006 e que precisa ser<br />
aprimorada com nova MP. Mas<br />
ainda para este ano, teremos a<br />
realização do VII CONPAF em<br />
Brasília-DF, quando a ANPAF,<br />
com Roberto Giffoni à frente,<br />
realiza mais um evento para<br />
reunir toda a Advocacia Pública,<br />
sempre em certame de máxima<br />
importância. A ANAJUR, sob a<br />
liderança de Nicóla Motta,<br />
realiza em nossa Cidade também<br />
seu Congresso e a <strong>APAFERJ</strong> foi<br />
convidada a participar de<br />
palestra. Será também evento<br />
significativo com a presença dos<br />
Advogados Públicos de todo o<br />
País. Estamos buscando espaço<br />
para prestar uma destacada<br />
homenagem aos fundadores da<br />
<strong>APAFERJ</strong>, em reunião a ser<br />
agendada por todo o mês de<br />
novembro. Não poderíamos<br />
realizar os festejos de nosso<br />
Jubileu sem deixar de<br />
contemplar nossos precursores,<br />
que tanto contribuíram e<br />
continuam contribuindo com<br />
todo entusiasmo e de ânimo forte<br />
para os trabalhos da nossa<br />
<strong>APAFERJ</strong>. Nessa correria,<br />
chegaremos a nossa tradicional<br />
Festa de Natal, que este ano<br />
deverá ser realizada fora de<br />
nossa sede. Pretendemos manter<br />
o mesmo padrão da festa de<br />
nossos 25 anos, observando como<br />
sempre nosso “nível de caixa”,<br />
Brasil tem 6º melhor acesso<br />
ao judiciário das américas<br />
Secretário do STF acha que País pode melhorar colocação<br />
Estados Unidos, Costa Rica,<br />
Canadá, Argentina e México.<br />
Para o secretário, o trabalho<br />
que o Judiciário brasileiro tem<br />
feito é para que o Brasil tenha<br />
uma colocação ainda melhor do<br />
que a atual. “Eu creio que essa<br />
colocação não seja a ideal para o<br />
Brasil. Nós temos condições de<br />
estarmos com uma situação muito<br />
mais favorável, muito melhor”,<br />
disse ele.<br />
O secretário de Tecnologia da<br />
Informação e o secretário-geral<br />
do Conselho Nacional de Justiça,<br />
juiz Sérgio Tejada, foram<br />
convidados, por meio do<br />
embaixador do Canadá no Brasil,<br />
Guilermo Rishchynski, a<br />
participar do G-TEC 2006.<br />
Segundo Paulo Pinto, o evento<br />
pode ser uma boa oportunidade<br />
para que sejam encontrados<br />
novos caminhos que conduzam o<br />
mas também com a mesma<br />
orquestra e igual participação<br />
e alegria. Aguardem, pois já<br />
estaremos enviando<br />
questionário para montarmos<br />
nossa organização com o<br />
número de associados e<br />
convidados que deverão<br />
comparecer. Obrigado pelo<br />
prestígio que deram ao<br />
comparecer a nossa “FESTA<br />
DE ARROMBA”. Parabéns<br />
sempre à Diretoria da<br />
<strong>APAFERJ</strong> por tudo que tem<br />
realizado!<br />
NOTA DE TRISTEZA: O<br />
Brasil perdeu WALDIR<br />
MACHADO. Compositor,<br />
letrista, poeta, artista<br />
incomparável no seu tempo.<br />
Na próxima edição faremos o<br />
devido comentário em sua<br />
homenagem. Nossos sentidos<br />
pêsames a sua musa, nossa<br />
querida associada,<br />
Procuradora Federal Dra.<br />
Sirley Tenório – (Ex-LBA).<br />
*Presidente<br />
Brasil a colocações melhores no<br />
acesso a informações do sistema<br />
judiciário.<br />
O G-TEC acontece<br />
anualmente em Ottawa, no<br />
Canadá, há 14 anos. Trata-se de<br />
um congresso que reúne vários<br />
países para discutir e<br />
apresentar ações em<br />
Tecnologia da Informação, com<br />
foco em serviços e soluções<br />
para o setor público.
OUTUBRO 2006<br />
Milton<br />
Pinheiro*<br />
Sem previsão no momento<br />
em que foi aprovada há 60 anos,<br />
e não dispondo de nenhum<br />
artigo de lei que possa abrigar<br />
o direito do trabalhador<br />
informal, a CLT, que também<br />
não sofreu alterações neste<br />
sentido, é vazia para este<br />
universo de 65 milhões de<br />
trabalhadores brasileiros, o<br />
equivalente à população de<br />
muitos países do nosso<br />
continente. Convém assinalar<br />
que menos da metade da<br />
população nacional (90 milhões<br />
de trabalhadores), desses, dois<br />
terços está na informalidade,<br />
labora em pequenos negócios<br />
em família, conhecida como<br />
“fundo de quintal”, ambulantes,<br />
atividades marginais (jogos,<br />
serviços paralelo de segurança<br />
e muitos outros).<br />
Para agravar este quadro<br />
pelo menos 15 milhões de<br />
brasileiros são explorados nos<br />
campos, imigração,<br />
prostituição, menor e trabalho<br />
escravo. Este último é um<br />
entrave para as autoridades,<br />
que, apesar das dificuldades em<br />
abranger todo o segmento<br />
marginal, têm o poder de punir<br />
os exploradores, através de lei,<br />
mas não têm o poder para<br />
compensar (ou reparar) o dano<br />
causado.<br />
Esta deformação, que escapa<br />
do controle estatal, por<br />
ineficácia das autoridades<br />
JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong> 3<br />
Trabalho Informal Prejudica 65 Milhões<br />
(Executivo e Legislativo), até<br />
porque não manuseiam com<br />
habilidade os dispositivos<br />
disponíveis, e por isso, precisa<br />
urgente da eficácia de um<br />
Código de Trabalho, uma lei<br />
específica, com artigos definidos,<br />
que pudesse combater as mazelas<br />
da informalidade, o que data<br />
maxima venia, superaria o<br />
atual, omisso quanto à<br />
informalidade.<br />
Neste capítulo ausente, a<br />
CLT trata apenas da questão do<br />
vínculo, o que precisaria para<br />
este segmento de outra ponta<br />
para ancorar o direito<br />
trabalhista. Mesmo com a<br />
atuação do Ministério Público<br />
do Trabalho (MPT), do<br />
Ministério do Trabalho e<br />
Emprego (MTE) e do próprio<br />
interessado para formar o<br />
processo trabalhista,<br />
formalizando o devido processo<br />
legal, oculis judiciis, privado<br />
do conhecimento processual.<br />
Na verdade, o assunto é<br />
esquecido até pelos<br />
presidenciáveis. No hiato entre<br />
a ação pública e o quadro real,<br />
permanente e crescente deste<br />
segmento, um horizonte se<br />
descortina, já que hoje, paga por<br />
esta aberração social a União e,<br />
conseqüentemente, o<br />
contribuinte. Os altos custos<br />
causados pela informalidade,<br />
escoando para a arca da saúde<br />
pública toda sorte de doenças,<br />
e a perda incalculável de<br />
tributos que poderiam ser<br />
Já dizia Nelson Rodrigues que o subdesenvolvimento não<br />
se improvisa, é obra de séculos...<br />
Segundo os críticos a Inimputabilidade cultural já “revelou”<br />
que Napoleão Bonaparte já foi à China e que o nosso cientista<br />
Osvaldo Cruz “inventou” a vacina. Pasmem...<br />
Em seu livro “A origem da riqueza” Eric Beinhocker já<br />
dizia: “os paradigmas da esquerda e da direita, na base da<br />
sociedade, não são um confronto ideológico arcaico, mas sim<br />
uma complexa rede de relações, com fins nunca conhecidos”...<br />
A Lei de Imprensa, na maioria das vezes, nasceu nos<br />
regimes militares. Ela nunca tem o objetivo de incomodar quem<br />
manda. Principalmente na Democracia.<br />
A diferença da mentira para a verdade. Um mistério para<br />
os “profetas”...<br />
A Cultura, o Social e a Educação são “parentes” muito<br />
próximos...<br />
Curiosidade: O primeiro automóvel se deve ao engenheiro<br />
militar francês Nicolas Joseph Cugnot. Foi criado entre 1763<br />
e 1769. Tinha três rodas, era acionado a vapor e destinava-se<br />
a substituir os cavalos no transporte de artilharia. Depois...<br />
“Nasceram carros dos nossos dias”.<br />
Com a amnésia consagrada, teremos uma geração sem<br />
poder “estudar”... A mentira “ganhará mais espaço”.<br />
arrecadados, colocando a<br />
informalidade na legalidade,<br />
somados ao desvio de<br />
impostos e contribuição de<br />
mão-de-obra marginal, não<br />
superam nem de longe o<br />
custo político e material que<br />
o governo federal<br />
despenderia para buscar uma<br />
solução. Há quem, ligado à<br />
questão, amparado em norma<br />
internacional da Organização<br />
Internacional do Trabalho<br />
(OIT), aponte, entre outros,<br />
como solução, a criação de<br />
delegacias especiais, com<br />
agentes treinados para esta<br />
prática nociva ao Direito do<br />
Estado.<br />
Por outro lado, sugere a<br />
formação de tribunais especiais,<br />
com advogado para<br />
julgar dissídios da informalidade,<br />
a exemplo do dispositivo<br />
jurisprudencial regimental<br />
utilizado pelos tribunais<br />
eleitorais no quesito<br />
convocação. A verdade é que<br />
a CLT, por ser omissa quanto<br />
ao trabalho informal, não<br />
autoriza ao juiz trabalhista a<br />
utilização do poder de polícia,<br />
a exemplo do concedido aos<br />
magistrados do Estado e da<br />
União. Inexistente este último<br />
requisito, agregado aos tantos<br />
apontados, temos enorme<br />
contribuição para o agravamento<br />
do problema, e sem um<br />
plano abrangente, eficaz e<br />
objetivo, e até totalmente<br />
ausente, dos programas, dos<br />
presidenciáveis, a informalidade<br />
jamais será controlada.<br />
Vamos esperar...<br />
*Procurador Federal<br />
Prezado Associado<br />
Você que nos honra como leitor do Jornal da <strong>APAFERJ</strong>, seja também um colaborador do seu jornal. Envie<br />
artigos, monografias, casos pitorescos de sua vida forense, biografias de juristas famosos e tudo que se<br />
relacione com assuntos jurídicos.<br />
Os trabalhos, após analisados, serão publicados.<br />
Obs. Os trabalhos não deverão ultrapassar duas laudas, espaço dois.
4 JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong><br />
OUTUBRO 2006<br />
José<br />
Salvador<br />
Iorio*<br />
O maior ecossistema do<br />
planeta está ameaçado, e<br />
possivelmente, iremos<br />
assistir, ainda em nossa<br />
geração, às conseqüências<br />
dessa interferência. A<br />
ambição pelas suas riquezas é<br />
crescente, principalmente à<br />
medida que elas se tornam<br />
mais conhecidas e pela<br />
facilidade que encontram para<br />
explorá-las. A exemplo, as<br />
madeiras retiradas e<br />
exportadas, sendo, em<br />
algumas ocasiões apreendidas<br />
pelo IBAMA, conforme<br />
comentado na imprensa, por<br />
vezes, e milhares de metros, e,<br />
não raro, de madeiras nobres,<br />
muitas ameaçadas de<br />
extinção, retiradas<br />
ilegalmente. Essas<br />
derrubadas, que a cada dia se<br />
tornam maiores, deixam<br />
imensas regiões<br />
desprotegidas da sua nativa<br />
cobertura vegetal. Somemos a<br />
isso as queimadas, causando<br />
danos ainda mais graves e<br />
irreversíveis ao meio<br />
ambiente. Também<br />
presenciamos o contrabando<br />
de animais silvestres, aves,<br />
felinos, e outros, pondo em<br />
risco de extinção as espécies<br />
já sumamente ameaçadas.<br />
Outras formas de agressão e<br />
exploração são detectadas,<br />
que se somam e concorrem<br />
para uma degradação cada vez<br />
maior. Florestas que já<br />
existiram em outros<br />
continentes e face a<br />
procedimento idênticos, como<br />
hoje ocorre na Amazônia,<br />
desapareceram. O fenômeno<br />
estufa, a destruição de<br />
camadas de ozônio, que atuam<br />
como camada protetora, levanos<br />
a dizer que o homem está<br />
Região amazônica - terra abandonada<br />
gradativamente decretando sua<br />
própria destruição.<br />
É sabido que os danos<br />
causados, diariamente, ao meio<br />
ambiente, vêm propiciando as<br />
sistemáticas alterações<br />
climáticas, conforme declarações<br />
de ambientalistas e estudos<br />
feitos, à medida que ocorrem tais<br />
alterações, a exemplo: o efeito<br />
estufa; o superaquecimento,<br />
furacões, ciclones, tornados,<br />
inundações etc., fenômenos esses<br />
que vêm se apresentando em<br />
áreas onde até então não se tinha<br />
notícia de tais eventos.<br />
Recentemente, jornais<br />
comentaram que na Inglaterra<br />
detectaram um tipo de infecção<br />
totalmente desconhecida,<br />
chegando-se à conclusão de que<br />
era decorrente dessa alteração<br />
climática e ambiental. É sabido,<br />
também, que certos tipos de<br />
doenças, próprias das florestas,<br />
vêm alcançando o homem, face<br />
estarmos avançando cada vez<br />
mais nas áreas anteriormente<br />
ocupadas pela floresta, cuja<br />
limitação provoca desequilíbrio<br />
nesses ecossistemas. Não raro,<br />
chegam notícias que, em cidades,<br />
constatam a presença de animais<br />
silvestres, levando a sua<br />
apreensão para os levar de<br />
retorno ao seu habitat.<br />
Anteriormente, tais eventos<br />
não ocorriam, visto os animais<br />
satisfazerem suas necessidades<br />
onde se encontravam. Não<br />
achando a comida, face ao<br />
homem gradativamente destruir<br />
seu ambiente natural, os leva a<br />
entrarem nas áreas urbanizadas<br />
em busca dos alimentos que lhes<br />
faltam, isto ocasionado por essa<br />
invasão e pela redução de seu<br />
espaço vital. Estranhamente, o<br />
homem, mesmo sabendo que sua<br />
intervenção no meio ambiente<br />
está causando tais malefícios, não<br />
segue as recomendações feitas<br />
como por exemplo, na ECO 92 e<br />
de outras reuniões de nível<br />
internacional com os mesmos<br />
objetivos e recomendações que se<br />
sucederam. Pouca ou nenhuma<br />
mudança para preservar o meio<br />
ambiente foi tomada ou seguida.<br />
Assim essas ações continuam<br />
provocando as conseqüências<br />
danosas que tanto se tem<br />
combatido. A verdade é que, vez<br />
por outra, a natureza reage de<br />
forma violenta. Lembremos das<br />
erupções vulcânicas, os<br />
terremotos, tremores de terra,<br />
maremotos, além de outros<br />
fenômenos climáticos, como<br />
desejando alertar dos malefícios<br />
que são cometidos contra a<br />
natureza. Com tudo isso, o<br />
homem continua na sua ação<br />
predatória, provocando cada vez<br />
mais danos e destruição.<br />
É oportuno lembrar, conforme<br />
afirmam estudiosos<br />
ambientalistas, que a Região<br />
Amazônica possui um solo não<br />
muito fértil, face às condições de<br />
tropicalidade, onde o índice<br />
pluviométrico é intenso,<br />
ocasionando, assim, a retirada de<br />
humus e de parte da fertilidade<br />
do solo, processando-se um<br />
sistemático enfraquecimento<br />
que se acelerará, se retirarmos<br />
sua cobertura vegetal.<br />
Assim, o homem, vem<br />
provocando, sistematicamente,<br />
desequilíbrio no planeta. Para se<br />
ter uma idéia, DOIS BILHÕES<br />
E 600 MILHÕES DE SERES<br />
HUMANOS, sentem a falta de<br />
água potável. A história, por<br />
vezes, tem mostrado que as<br />
guerras aconteceram tendo como<br />
um dos motivos as nascentes e<br />
rios. A água sempre foi<br />
necessidade de vida para o<br />
homem, pois, sem ela, não<br />
existiria vida. Da mesma forma,<br />
o ar que respiramos, hoje tão<br />
afetado e poluído. Essa situação<br />
se agrava a cada dia pelo<br />
crescimento populacional, além<br />
de ver se exaurir as fontes de<br />
água potável, devido a ação do<br />
homem, agravado pelo<br />
crescimento populacional. Se<br />
dou destaque especial a esse<br />
assunto, é que estudos apontam<br />
que o grande problema do futuro<br />
será encontrar água para a<br />
humanidade em quantidade<br />
suficiente. Se hoje já se observa<br />
tal carência, o que nos<br />
aguardará o futuro?<br />
Com base em estudos e<br />
levantamentos, ficou<br />
comprovado que a região<br />
amazônica é a maior reserva de<br />
água potável do mundo,<br />
contendo 12% de toda água da<br />
terra. Além disso, ali também<br />
estão as maiores reservas de<br />
minérios, metais preciosos,<br />
incalculável reserva de<br />
madeiras nobres, petróleo etc.<br />
As nações mais poderosas, com<br />
inegável poderio bélico e<br />
influência política e econômica<br />
mundial, não acredito que elas<br />
ficarão indiferentes, face a<br />
todos esses manancial e<br />
riqueza, à medida que tais<br />
necessidades forem evoluindo<br />
e suas necessidades de<br />
consumo também<br />
aumentarem? Fatalmente irão<br />
procurar uma forma de acesso<br />
e de controle sobre toda essa<br />
riqueza. É bom lembrar, que<br />
água será a principal<br />
necessidade da humanidade no<br />
futuro, e irá propiciar riqueza<br />
e poder a quem a tiver, como<br />
nós a temos. O que poderá<br />
acontecer? Certas declarações,<br />
quando vindas de Nações ou de<br />
grupos internacionais, já<br />
demonstraram o interesse, ao<br />
afirmar, a exemplo, que a<br />
região amazônica é um<br />
patrimônio da humanidade,<br />
considerado área de interesse<br />
internacional. Isto nos leva à<br />
certeza, se preparados não<br />
estivermos, de ter de aceitar<br />
uma parceria imposta, e<br />
conseqüentemente, um<br />
programa conjunto de<br />
exploração dos recursos ali<br />
existentes. Teremos que nos<br />
submeter? Investidas são<br />
percebidas, inclusive,<br />
apresentadas com pele de<br />
cordeiro, como a sugestão de<br />
criarmos as Nações Indígenas.<br />
É a tentativa de tornar as<br />
regiões, onde se encontram
OUTUBRO 2006<br />
nossos INDIOS, em<br />
“NAÇÕES”. Isto feito,<br />
acredito, estaria fragilizada a<br />
integralidade de nosso<br />
território. É oportuno<br />
lembrar: “NAÇÃO É =<br />
Comunidade humana, fixa em<br />
sua maioria em um mesmo<br />
território, que possui unidade<br />
étnica, histórica, lingüística,<br />
religiosa e econômica mais ou<br />
menos forte. Essa<br />
comunidade, com tais vínculos<br />
em comum, ao se organizar<br />
politicamente, forma em regra<br />
a base do Estado”. Isto feito,<br />
como poderíamos, caso uma<br />
dessas nações pedisse apoio<br />
internacional, impedir que se<br />
fizessem presente em nosso<br />
território sem autorização<br />
prévia do Governo Central e<br />
do Congresso Nacional?<br />
NAÇÕES INDÍGENAS,<br />
assim, estariam revestidas do<br />
poder de Estado, o que lhes<br />
Durante os últimos anos, fala-se, quase<br />
sempre de forma monocórdia e uníssona,<br />
no “déficit da Previdência e na urgência<br />
em debelá-lo”. Só muito recentemente,<br />
algumas vozes surgiram questionando<br />
este famoso déficit, sobretudo diante de<br />
critérios de contabilização ou de<br />
divulgação que omitem as fontes de<br />
custeio do sistema de Seguridade Social<br />
do País. Isto, por si só, já demonstra a<br />
necessidade de debate mais amplificado<br />
sobre a Previdência, que, na verdade,<br />
envolve a escolha do real tipo de Estado<br />
que se quer.<br />
Há – dentre outras – uma razão<br />
bastante relevante para tratarmos o tema<br />
como questão de Estado: a unicidade de<br />
sistemas previdenciários para<br />
trabalhadores do setor privado e os do<br />
Governo – o que está longe de ser<br />
unanimidade, ou, sequer, tendência em<br />
termos mundiais (prova disto pode ser<br />
vista no livro IDP – Índice de<br />
Desenvolvimento Previdenciário, do prof.<br />
Benedito Passos, do Núcleo Atuarial de<br />
Previdência da UFRJ, sobre o nível de<br />
capitalização dos Regimes Próprios de<br />
Previdência – RPPS, os entes<br />
responsáveis pelas aposentadorias e<br />
pensões dos servidores públicos dos<br />
municípios, estados e União Federal (que<br />
ainda não criou seu RPPS), que lista 74<br />
daria capacidade jurídica total<br />
para tratar independentemente<br />
de seus interesses e pedir ajuda<br />
a quem lhes interessasse.<br />
A iniciativa do governo,<br />
amparada em lei, em fazer<br />
concessões de terras, na<br />
Amazônia, à empresas<br />
brasileiras e estrangeiras para<br />
desenvolver planos de manejo<br />
pode ser o inicio da ocupação tão<br />
esperado, requerendo, no<br />
entanto, rigor em sua<br />
aplicabilidade, além de uma<br />
fiscalização diuturna rigorosa,<br />
em que nossas forças armadas<br />
poderá ser o elemento para esse<br />
desempenho.<br />
Evidente que se mantivermos<br />
essa atitude de indiferença e<br />
abandono de nossa Região<br />
Amazônica, tratando-a com uma<br />
“RES NULIUS”, ou melhor<br />
dizendo, “TERRA DE<br />
NINGUÉM” o que poderemos<br />
esperar para o futuro? Até o<br />
países com regime de Previdência própria<br />
para servidores e outros 23 com sistema<br />
uno).<br />
Na quase totalidade do nosso período<br />
republicano, optou-se pela existência de<br />
dois regimes distintos, mas o primeiro<br />
impulso de quem nunca procedeu a uma<br />
análise histórica mínima ou mesmo<br />
pensou mais profundamente sobre o<br />
assunto, é o de ser favor da unicidade.<br />
Todavia, com um pouco mais de atenção,<br />
verificaremos que um regime específico<br />
par servidores não foi decorrência de<br />
nenhum privilégio. Antes, pelo contrário,<br />
tal sistema diferenciado e mais vantajoso<br />
do que o dos demais trabalhadores era<br />
decorrente de histórica sub-remuneração<br />
no setor público (lembram da expressão<br />
pejorativa barnabés?), em comparação<br />
com a iniciativa privada, somada às<br />
proibições atuais e de outrora; restrição<br />
do direito de greve; ausência de FGTS e<br />
presença de teto salarial, dentre outras<br />
limitações (a propósito, esta<br />
compensação, não foi mero impulso de<br />
criatividade ou benevolência dos<br />
legisladores de outrora, mas a adoção,<br />
por aqui, do princípio pro labore facto<br />
(1952), de inspiração na legislação<br />
francesa).<br />
Além do conteúdo compensatório, o<br />
sistema dual ou até tríplice (com a<br />
JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong> 5<br />
presente, os projetos, os planos<br />
de ocupação, e de exploração<br />
ficaram no papel, ou se iniciados<br />
se tornam obras não acabadas, a<br />
exemplo a TRANSAMAZÔNICA;<br />
AS HIDROVIAS de fácil serem<br />
concretizadas, pois, é uma região<br />
favorecida por rios navegáveis,<br />
sendo via de transporte<br />
eminentemente baratas e<br />
naturais. Essa ocupação também<br />
poderá se processar pela<br />
FERROVIA, que tem baixo custo,<br />
que se destinará ao transporte da<br />
produção, minérios, produtos<br />
agrícolas e outros, em grande<br />
monta, provinda dessa ocupação.<br />
Abrirá, ainda, um campo<br />
ilimitado para o turismo.<br />
Tomando tais medidas, a<br />
ocupação se alicerçará de uma<br />
forma rápida, segura e<br />
permanente. Estaremos, assim,<br />
efetivamente, ocupando um<br />
espaço abandonado e esquecido,<br />
que há tanto tempo espera por<br />
admissão da Previdência complementar<br />
facultativa a ambos os segmentos)<br />
comporta esta discussão crucial. Qual é<br />
o Estado que se quer? Com que nível de<br />
qualidade e de serviços? Com que grau<br />
de articulação e desenvolvimento<br />
estratégico, inclusive dos pontos de vista<br />
do auto-aprimoramento e militar? Por isso<br />
é que muito antes de se aprofundar o<br />
debate sobre o sistema de seguridade e<br />
dos elementos que configurariam déficit<br />
ou superávit na Previdência, há que se<br />
decidir esta questão.<br />
Se a resposta a tais premissas for no<br />
sentido qualitativo, estará<br />
automaticamente afastada a tese da<br />
unicidade dos regimes da Previdência,<br />
pois regras de aposentadoria mais<br />
favorável do que a do Regime Geral<br />
(INSS) são hoje um dos maiores – se<br />
não o maior – fatores de atratividades<br />
nas carreiras públicas – instrumento<br />
absolutamente fundamental para reter<br />
talentos e profissionais de qualidade no<br />
serviço público, além das diretrizes de<br />
constante capacitação, profissionalização<br />
e preservação da memória institucional<br />
Agora, se ao se responder estas<br />
mesmas perguntas não houver<br />
preocupação com a fixação de talentos<br />
no Governo e o fornecimento de mãode-obra<br />
qualificada e treinada em várias<br />
uma atenção e intervenção<br />
planejada em seus mananciais,<br />
e em sua incalculável riqueza.<br />
A Região Amazônica, tendo<br />
uma intervenção de forma<br />
equilibrada, respeitando os<br />
aspectos ambientais, será o<br />
verdadeiro promotor do futuro<br />
promissor e de riqueza que<br />
está a nos esperar. A região é<br />
explorável sim, porém, de<br />
forma racional e sob a<br />
supervisão de técnicos<br />
competentes.<br />
É bom lembrar que, nessa<br />
ocupação, aspectos outros<br />
deverão estar sobre a mesa do<br />
planejamento, onde nossas<br />
Forças Armadas têm um papel<br />
importante a desempenhar em<br />
todo esse processo. Entre<br />
essas missões está a de<br />
fiscalizar e guarnecer nossas<br />
fronteiras, os espaços vazios.<br />
*Procurador Federal<br />
Déficit da Previdência, uma questão de Estado<br />
áreas cobiçadas pela iniciativa privada ou<br />
com a tentativa de eliminação ou redução<br />
da eventual promiscuidade entre a<br />
dedicação de um servidor a sua função<br />
pública e outra atividade de interesse<br />
particular, um único regime seria um<br />
caminho absolutamente coerente.<br />
Cumpre registrar, por fim, que<br />
embora a livre iniciativa seja a alavanca<br />
maior do desenvolvimento dos países de<br />
sucesso não só em suas economias<br />
como na liderança tecnológica, é certo<br />
também que não é papel do setor privado<br />
capitanear um projeto para a Nação. É<br />
claro que se deve planejar o Estado com<br />
o natural e inescapável concurso dos<br />
vários atores sociais, inclusive o<br />
empresariado, mas, o grande agente do<br />
pensamento da coisa pública e da<br />
modelagem do Estado brasileiro tem sido<br />
e é, inegável e indelegavelmente, o<br />
Servidor Público.<br />
Isto posto, voltemos então à pergunta:<br />
Que Estado você, cidadão, quer? Que<br />
nível de qualidade de serviços públicos<br />
o País deseja? Que Brasil todos nós<br />
queremos? Respondidas estas questões,<br />
aí sim, e só sob o referencial do Estado<br />
brasileiro ideal, estaremos habilitados a<br />
discutir a questão previdenciária no País,<br />
e, conseqüentemente, o polêmico déficit<br />
da Previdência.
6 JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong><br />
OUTUBRO 2006<br />
Embargo à arrematação não suspende execução<br />
Questão foi<br />
pacificada pelo<br />
Superior Tribunal<br />
de Justiça através<br />
da Súmula 331<br />
A Apelação contra sentença de<br />
embargos à arrematação não produz<br />
efeito suspensivo. O entendimento é do<br />
Superior Tribunal de Justiça (STJ), que<br />
pacificou o tema por meio da Súmula<br />
nº 331. Pelo texto aprovado, “a<br />
apelação interposta contra sentença<br />
que julga embargos de arrematação tem<br />
efeitos meramente devolutivo”. O que<br />
quer dizer que a matéria indeferida pela<br />
instância inferior pode ser submetida à<br />
avaliação do tribunal, porém não deve<br />
provocar a paralisação da arrematação<br />
do bem penhorado.<br />
Os embargos à arrematação são<br />
instrumentos utilizados pelo réu no final<br />
da fase de execução, quando ocorre a<br />
penhora de bens para pagamento ao<br />
credor. É cabível para evitar a<br />
arrematação do bem por um terceiro<br />
quando existem fatos que podem anular<br />
o processo. É o caso, por exemplo, do<br />
devedor que pagou a dívida ou que não<br />
foi intimado a comparecer ao leilão de<br />
Entre as propostas com prioridade<br />
na pauta que a Câmara de Deputados<br />
pode votar ainda neste ano, está o<br />
Projeto de Lei (PL) 5.067/01, de<br />
autoria do Poder Executivo, que<br />
regulamenta e propõe inovações nos<br />
mandados de segurança coletivo e<br />
individual. Aprovada pela Comissão de<br />
Constituição e Justiça e de Cidadania<br />
(CCJ) da Câmara, a proposta aguarda<br />
análise do Plenário, o que só deve<br />
ocorrer em pelo menos duas semanas,<br />
já que a pauta está trancada com cinco<br />
medidas provisórias (MPs), informou<br />
a mesa diretora.<br />
O mandado de segurança<br />
individual é disciplinado pela Lei 1.533/<br />
51, e o coletivo não tem<br />
regulamentação na legislação vigente,<br />
embora seja previsto na Constituição<br />
de 1988 e venha sendo utilizado nos<br />
tribunais. De acordo com o relator do<br />
seu bem. De acordo com o Código de<br />
Processo Civil, o instituto pode ser<br />
interposto num prazo de 10 dias para<br />
execuções cíveis, ou 30 dias para<br />
execuções fiscais.<br />
De acordo com Luciano Rinaldi, do<br />
escritório Siqueira Castro Advogados,<br />
a súmula foi editada com o objetivo de<br />
evitar que a apelação, aos tribunais, de<br />
embargos que foram indeferidos pelo<br />
primeiro grau de Justiça, provoque a<br />
suspensão da penhora do bem. Na<br />
avaliação do advogado, o entendimento<br />
da corte superior é positivo, uma vez<br />
que muitos utilizam o instrumento com<br />
a finalidade de protelar a execução.<br />
“Sou a favor de mudanças que visam<br />
a cortar os expedientes de protelação<br />
do processo”, afirmou Rinaldi, para<br />
quem a súmula vem no sentido das<br />
últimas mudanças legislativas ocorridas<br />
recentemente. Nesse caso, ele cita a<br />
Lei 11.232, aprovada em dezembro do<br />
ano passado, que unificou processos de<br />
conhecimento e de execução. “A idéia<br />
do legislador era justamente tornar o<br />
processo mais simples”. Destacou<br />
Rinaldi.<br />
O advogado Celso Meira Junior, do<br />
Matinelli Advocacia Empresarial,<br />
explica que a súmula pacificou<br />
entendimentos jurisprudencial do STJ<br />
aplicado desde 1999. “Essa discussão<br />
nasce de uma mudança no artigo 588<br />
do Código de Processo Civil, que deu<br />
poderes para o relator da ação dar<br />
efeito suspensivo aos recursos. A<br />
jurisprudência estava dividida, mas as<br />
turmas, desde então, vinham aplicando<br />
a lei no sentido de que o processo (de<br />
execução) deveria prosseguir, ou seja,<br />
chegar às vias de fato (a penhora do<br />
bem)”, afirmou o advogado, referindose<br />
ao precedente aberto pelo ministro<br />
Carlos Alberto Menezes Direito,<br />
durante sessão realizada em agosto<br />
daquele ano.<br />
Na ocasião, o relator sustentou que<br />
aceitar a apelação não só no efeito<br />
devolutivo, mas também no suspensivo,<br />
violaria o princípio de definitividade da<br />
execução por título extrajudicial. Todos<br />
os recursos podem produzir os dois<br />
efeitos, mas o ministro acreditou que,<br />
no caso de apelação a embargos à<br />
arrematação, a suspensão da execução<br />
seria prejudicial ao credor.<br />
“Não faz sentido a apelação<br />
suspender a arrematação se o juiz da<br />
instância inferior já havia indeferido o<br />
embargo ao analisá-lo”, explicou<br />
Luciano Rinaldi, sobre os motivos que<br />
poderiam ter levado o STJ a abrir o<br />
precedente. Na avaliação dele, com a<br />
suspensão da penhora, o credor e o<br />
arrematador é que sairiam prejudicados.<br />
Mandado de segurança relativa<br />
projeto na CCJ, deputado Antonio Carlos<br />
Biscaia (PT-RJ), a legislação básica<br />
sobre a matéria já sofreu diversas<br />
alterações, tendo em vista que tem meio<br />
século de vigência.<br />
O PL 5.067/01 é apensado do PL<br />
1.351/99, de autoria do ex-deputado<br />
Rubens Bueno, que regulamenta o<br />
mandado de segurança coletivo.<br />
Durante a tramitação na CCJ, Biscaia<br />
sugeriu a aprovação apenas do<br />
primeiro, que, segundo o deputado, é<br />
mais abrangente. O relator fez ainda<br />
três emendas com pequenas alterações<br />
no texto original, sendo a mais<br />
importante a que sujeita a processo por<br />
crime de responsabilidade as<br />
autoridades que não cumprirem as<br />
decisões judiciais decorrentes de<br />
mandado de segurança.<br />
O projeto inclui representantes ou<br />
órgãos de partidos políticos entre as<br />
autoridades cujos atos podem ser<br />
questionados por meio de mandado de<br />
segurança. Em compensação, ficam de<br />
fora os atos de gestão de<br />
administradores de empresas públicas,<br />
de sociedades de economia mista e de<br />
concessionárias de serviço público.<br />
Atualmente, a ação só pode ser<br />
ajuizada contra autoridade pública. Nos<br />
termos da Lei 1.533/51, esse conceito<br />
inclui particulares que atuem em<br />
delegação do poder público, como os<br />
reitores de universidades particulares.<br />
O projeto propõe ainda algumas<br />
modernizações, como a possibilidade da<br />
pessoa prejudicada, em caso de<br />
urgência, propor ao juiz competente<br />
mandado de segurança por meio de fax<br />
ou de qualquer outro meio eletrônico de<br />
autenticidade comprovada, e não apenas<br />
por meio de telegrama ou radiograma,<br />
conforme está previsto na Lei 1.533/50.<br />
“Por essa razão, é muito difícil que os<br />
embargos sejam acolhidos, quando<br />
impetrados com a finalidade de apenas<br />
evitar a arrematação (do bem)” concluiu.<br />
Embora a súmula do STJ pacifique<br />
o tema, os tribunais de justiça não são<br />
obrigados a aplicá-la. De acordo com o<br />
advogado Guilherme Amaral, da banca<br />
Veirano Advogados, o desembargador<br />
que relata a ação pode decretar a<br />
suspensão se assim achar necessário.<br />
Segundo o Código de Processo Civil, no<br />
entanto, existem duas situações em que<br />
o magistrado deve atentar.<br />
“O relator da apelação pode declarar<br />
a suspensão da execução quando<br />
verificar a possibilidade de haver dano<br />
irreparável ao réu, ou quando o<br />
argumento da apelação merecer<br />
apreciação precisa. Isso não está<br />
disposto na súmula, que trata do tema<br />
de forma geral. O fato é que o<br />
entendimento não pode engessar o<br />
tribunal”, ressaltou o advogado, que<br />
também acredita ser positiva a<br />
consolidação do entendimento.<br />
Meira Junior afirma, no entanto, que<br />
a legislação em vigor dá respaldo ao<br />
réu no caso de a execução ser efetivada<br />
mesmo após o deferimento da apelação<br />
pelo tribunal. “O Código diz que, nessas<br />
situações, procede a indenização ao<br />
executado”, comentou.<br />
Outra inovação da proposta é a<br />
vedação de mandado de segurança<br />
contra decisão judicial transitada em<br />
julgado. Além disso, para a ação ser<br />
proposta contra omissão de autoridade,<br />
esta deverá ser previamente notificada<br />
judicial ou extrajudicialmente.<br />
A previsão legal de que não cabe<br />
mandado de segurança contra ato<br />
disciplinar, salvo quando praticado por<br />
autoridade incompetente ou com<br />
inobservância de formalidade essencial,<br />
não consta do projeto.<br />
O projeto proíbe liminar em<br />
mandado de segurança para<br />
requerimento de compensação de<br />
créditos e débitos tributários, entrega<br />
de bens provenientes do exterior,<br />
reclassificação ou equiparação de<br />
servidores públicos, concessão de<br />
aumento, vantagens ou pagamento de<br />
qualquer natureza.
OUTUBRO 2006<br />
A noite de 19 de <strong>outubro</strong> era<br />
chuvosa e fria, contrastando com<br />
a festa nos salões do Jochey Club<br />
Brasileiro, onde o calor da<br />
amizade e a chama do idealismo<br />
aqueciam os associados e<br />
convidados presentes no<br />
magnífico evento, comemorativo<br />
de um quarto de século de lutas,<br />
conquistas e idealismo.<br />
Compareceram os<br />
fundadores da <strong>APAFERJ</strong> e<br />
aqueles que a ampliaram e<br />
consolidaram, não somente<br />
Presidente e Diretores, mas<br />
anônimos associados que<br />
alimentaram o fogo sagrado dos<br />
ideais, seja participando das<br />
reuniões, seja contribuindo<br />
financeiramente, seja elegendo<br />
seus representantes, todos<br />
plenamente conscientes da<br />
magnitude e da justiça das<br />
causas defendidas.<br />
Foram impecáveis as<br />
luzes, o “buffet”, a orquestra, os<br />
trajes, as danças e as conversas,<br />
num ambiente mágico de alegria,<br />
confraternização e<br />
reconhecimento, coroando de<br />
êxito os esforços dos que<br />
imaginaram e realizaram a<br />
monumental festa, que ficará<br />
indelevelmente marcada nos<br />
anais de nossa Associação, a<br />
Entidade Mater das nossas<br />
estimadas co-irmãs.<br />
A g r a d e c e m o s ,<br />
penhorados, a todos que<br />
prestigiaram o nosso evento, que<br />
– temos plena convicção – esteve<br />
à altura da importância dos<br />
Advogados Públicos Federais,<br />
agora irmanados, não somente na<br />
busca de objetivos comuns, como<br />
também em razão de legislação<br />
moderna e ousada, que extingüiu<br />
a esdrúxula dicotomia até então<br />
existente e procurou tratar<br />
igualmente os iguais,<br />
consagrando o princípio da<br />
Isonomia, criado pelo genial<br />
Aristóteles.<br />
Valeu a pena<br />
atravessarmos insones uma<br />
noite, em homenagem aos que<br />
atravessaram insones muitas<br />
noites, pugnando pelo<br />
prevalecimento dos direitos e<br />
interesses dos Advogados<br />
Públicos Federais, segmento que,<br />
cotidianamente, se destaca no<br />
universo jurídico brasileiro.<br />
Ganhamos respaldo<br />
constitucional, porquanto<br />
exercemos Funções Essenciais à<br />
Justiça, e obtivemos, após longa<br />
e exaustiva batalha, o Subsídio,<br />
JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong> 7<br />
Festa do Jubileu de Prata<br />
Mutuário desistente<br />
terá restituição<br />
A Carteira de Previdência Complementar dos Escrivães, Notários<br />
e Registradores (Conprevi) terá que restituir a João Geraldo<br />
Lazzarotto as parcelas pagas referentes ao plano de previdência<br />
privada complementar. A decisão é da Terceira Turma do Superior<br />
Tribunal de Justiça (STJ) que reformou o acórdão do Tribunal de<br />
Justiça do Paraná (TJ/PR), restabelecendo a sentença.<br />
No caso, a Conprevi ajuizou uma cobrança de contribuição<br />
previdenciária contra Lazzarotto. Para tanto, argumentou que ele<br />
teria deixado de recolher os valores referentes ao período de abril<br />
de 1996 a dezembro de 2000 e que a filiação na referida carteira<br />
seria obrigatória. O pedido foi julgado improcedente por ter sido<br />
considerada facultativa a inserção de João Geraldo no regime de<br />
previdência complementar.<br />
Para a relatora, ministra Nancy Andrighi, a Lei nº 8.935/94 dispõe,<br />
em seu artigo 40, sobre a seguridade social de quem presta serviços<br />
notariais e de registro, vinculado os notários, oficiais de registro,<br />
escreventes e auxiliares à previdência social de âmbito federal.<br />
inobstante entendermos que<br />
este carece de aperfeiçoamento,<br />
com vistas a se tornar uma<br />
vitória retumbante, que ecoará<br />
através dos tempos e será como<br />
formidável bastião que abrigará<br />
os nossos sonhos e ideais.<br />
Entendemos que a nossa<br />
festa não foi simplesmente um<br />
encontro de gerações, tornandose,<br />
além disso, a consagração de<br />
25 anos de atividade<br />
perseverante, corajosa e<br />
incessante, com a finalidade de<br />
conseguirmos melhores<br />
condições de trabalho e<br />
remuneração proporcional ao<br />
munus que exercemos, com<br />
dignidade, competência e<br />
dedicação.<br />
Termina a festa. A<br />
orquestra emudece, as luzes se<br />
apagam e as pessoas voltam para<br />
suas casas. Contudo, para a<br />
Diretoria da <strong>APAFERJ</strong> e para os<br />
que estiveram presentes, temos<br />
certeza de que os acordes e as<br />
luzes permanecem nas mentes e<br />
nos corações de todos e, algum<br />
dia, nova festa será concretizada<br />
e aqueles que comemorarem<br />
meio-século de fundação da<br />
<strong>APAFERJ</strong>, homenagearão, como<br />
o fizemos, os pioneiros, os<br />
desbravadores, os<br />
consolidadores, todos enfim, que<br />
construíram e ampliaram a Casa<br />
do Procurador Federal.<br />
Voltamos ao campo de<br />
batalha com o ânimo renovado e<br />
cheios de Esperança, porque<br />
sabemos que estamos trilhando<br />
o caminho certo e<br />
conseguiremos, paulatinamente,<br />
vencer os obstáculos que<br />
encontraremos pela estrada,<br />
seguindo impávidos rumo a<br />
outras conquistas, na convicção<br />
de que o sucesso depende,<br />
visceralmente, de nosso<br />
empenho, de nosso entusiasmo e<br />
de nossa pertinácia.<br />
Se mantivermos a nossa<br />
coesão e a nossa fraternidade,<br />
com certeza chegaremos ao<br />
Jubileu de Ouro e até mesmo<br />
além dele, mesmo porque, se<br />
muitos de nós estivermos<br />
fisicamente ausentes de novas<br />
festas, ali estaremos em<br />
Espírito, na Lembrança e na<br />
Saudade dos nossos sucessores,<br />
assim como no Jubileu de Prata<br />
ocorreu em relação a muitos de<br />
nossos queridos e inesquecíveis<br />
antecessores.<br />
VIVA A <strong>APAFERJ</strong>.<br />
AMB estimula<br />
simplificação da<br />
linguagem jurídica<br />
A campanha para a Simplificação da Linguagem Jurídica será lançada em<br />
vários pontos do Brasil nas próximas semanas. A iniciativa visa a fazer com que<br />
os integrantes do Poder Judiciário, e demais operadores do Direito, reflitam sobre<br />
a necessidade de tornar mais acessível a sociedade a linguagem utilizada em atos<br />
jurisdicionais.<br />
O lançamento da iniciativa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)<br />
aconteceu no Colégio dos Santos Anjos, na cidade de Joinville, em Santa Catarina.<br />
A cerimônia continua em solo catarinense, e será realizada em Jaraguá do Sul, na<br />
sede da Associação Comercial e Industrial do município (ACIJS).<br />
A campanha chegará à região Norte e será lançada em Rio Branco, no Acre,<br />
no plenário da Secretaria de Educação do estado do Acre.<br />
A campanha segue para a região Norte, mais precisamente para Porto Velho,<br />
capital de Rondônia, onde será apresentada a representantes da magistratura<br />
local na sede da Associação de Magistrados do Estado de Rondônia (Ameron).
8 JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong><br />
OUTUBRO 2006<br />
Flashes do Jubileu d
OUTUBRO 2006<br />
JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong> 9<br />
e Prata da <strong>APAFERJ</strong>
10 JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong><br />
OUTUBRO 2006<br />
Outorga de Diploma e Medalha do Mérito<br />
Dra. Marly de Figueiredo Torres Paranhos recebe diploma e<br />
a medalha de mérito das mãos do Dr. Miguel Paschoal.<br />
Dr. Edson de Paula e Silva entrega as comendas ao Dr.<br />
Pedro Pereira dos Santos.<br />
Dr. Roberto<br />
Gonçalves de<br />
Mattos,<br />
representando<br />
o Dr. Fabio<br />
Marcelo<br />
Rezende<br />
Duarte,<br />
ladeado<br />
pelos Drs.<br />
Carlos<br />
Alberto<br />
Mambrini (à<br />
esquerda) e<br />
Hugo<br />
Fernandes.<br />
Dr. Emygdio Lopes Bezerra Netto, assíduo e<br />
dedicado integrante das reuniões<br />
apaferjianas.<br />
Dr. Francisco Augusto Ramos, na companhia do Dr. Carlos<br />
Alberto Mambrini, e da ilustre madrinha.
OUTUBRO 2006<br />
Allan Soares*<br />
I<br />
Artistas são seres estranhos.<br />
Chego a pensar que, para eles,<br />
o mundo tem uma configuração<br />
diferente, com uma ética e<br />
valores que só se coadunam<br />
com o ato de criar.<br />
Não fosse assim, como<br />
compreender Richard Wagner<br />
que, em suas cartas, usava até<br />
a própria esposa para<br />
conseguir meios de concretizar<br />
seus projetos musicais? Grave,<br />
também, compor Tristão e<br />
Isolda, inspirando-se em<br />
Matilde, esposa de seu protetor<br />
Oto Wesendonck, ou seduzir<br />
Cosima Liszt, mulher de seu<br />
regente e propagandista Hans<br />
Von Bülow.<br />
Há outras extravagâncias<br />
muito próprias desse notável<br />
compositor alemão: exigia que<br />
sua residência tivesse lindas<br />
paisagens, enormes tapetes e<br />
cortinas de seda ou cetim, num<br />
silêncio absoluto interna e<br />
externamente.<br />
Quando compôs o Anel de<br />
Nibelungos exigiu, também,<br />
tapetes que afundassem cerca<br />
de 15 cm, ambiente finamente<br />
perfumado, móveis de<br />
polimento brilhante e salas de<br />
música com cortinas de cor<br />
marrom, em estilo persa.<br />
Outros artistas não são<br />
Dr. João Orlando*<br />
Na tentativa de se elucidar a confusão<br />
que se estabelece entre os dois vocábulos<br />
aproveitando a época das eleições, falo<br />
inicialmente.<br />
RESIDÊNCIA: é o lugar onde a<br />
pessoa se recolhe transitória e<br />
eventualmente ou em caráter definitivo<br />
para seu descanso, higiene , moradia e<br />
habitação. Não há exigência na Lei Civil,<br />
que haja o “animus” de ali permanecer<br />
definitivamente.<br />
menos excêntricos: Charles<br />
Dickens necessitava de espelhos<br />
para reproduzir em seus escritos<br />
os trejeitos que fazia; Walt<br />
Disney, em seu trabalho, lavava<br />
as mãos mais de cem vezes por<br />
dia; Marcel Proust forrou sua<br />
residência com cortiça, pintando<br />
o quarto com as cores de um<br />
bordel; Handel duelou com<br />
amigo que lhe negara o comando<br />
da orquestra que tocava sua<br />
música.<br />
O regente Von Bülow, num<br />
mesmo concerto, em Berlim,<br />
reprisou a 5 a Sinfonia de<br />
Beethoven para provar a<br />
importância desta e, em<br />
Hamburgo, ordenou que a porta<br />
do teatro fosse fechada para que,<br />
após a 1 a parte, a audiência não<br />
se retirasse.<br />
Já Mahler, na estréia de O<br />
Ouro de Reno, na Hungria,<br />
continuou regendo a orquestra,<br />
com o palco em chamas e os<br />
espectadores em fuga,<br />
deseperados. Atitude<br />
semelhante teve Isaac Stern<br />
que, em meio a um bombardeio,<br />
continuou tocando seu violino.<br />
Esses artistas da música, das<br />
letras e do cinema ilustraram o<br />
século a que pertenceram e<br />
tornaram o ato de viver mais<br />
prazeroso (ou menos doído). Não<br />
é pouca coisa.<br />
II<br />
A tragédia grega,<br />
originalmente, apresentava,<br />
JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong> 11<br />
Artistas<br />
apenas, uma situação patética,<br />
sem muita ação.<br />
Ésquilo introduziu a vontade<br />
divina determinando o curso dos<br />
acontecimentos.<br />
Sófocles acrescentou, como um<br />
novo elemento, a vontade<br />
humana, mais fraca que o Poder<br />
Divino, mas atuando<br />
harmonicamente com este ou,<br />
conforme as circunstâncias, se<br />
opondo a Ele.<br />
Zuzu Angel foi um<br />
personagem de Sófocles e, como<br />
moderna Antigone, pôs sua força<br />
humana na procura de seu filho.<br />
Ela não tinha ilusões políticas<br />
ou ideológicas, esperança de<br />
derrubar o regime militar, nem<br />
a crença de que a luta de seu filho<br />
levaria a um desejável regime<br />
político. Ela o queria vivo ou seu<br />
corpo para sepultar.<br />
O ritual fúnebre não foi feito<br />
como moldura para o sofrimento,<br />
mas para simbolizar o fim da vida.<br />
Como a mãe Zuzu não sepultou<br />
o filho Stuart, não teve sossego<br />
ou paz, pois não lhe permitiram<br />
cumprir o ritual final. A luta só<br />
terminou com sua morte.<br />
Naqueles tempos sombrios, foi<br />
o mais perfeito representante de<br />
um personagem trágico.<br />
III<br />
Há momentos inesquecíveis<br />
na arte de interpretar: o<br />
desespero e a angústia de<br />
Miranda Richardson em Perdas<br />
e Danos, ao saber que o marido<br />
Residência e domicílio<br />
Explico o cuidado da Lei em<br />
resguardar o sagrado direito do cidadão<br />
de locomover-se e de estar onde lhe é<br />
conveniente , direito esse consagrado<br />
na Carta Magna Brasileira, que em seu<br />
art. 5º , XV , assegura a todos os<br />
cidadãos brasileiros e estrangeiros<br />
legitimamente documentados, residentes<br />
em seu território, á inviolabilidade dos<br />
seus direitos, á vida, á liberdade, á<br />
segurança e á propriedade.<br />
Ainda, preceitua a referida Lei Maior,<br />
que ninguém será obrigado a fazer ou<br />
deixar de fazer alguma coisa senão em<br />
virtude de Lei. Sendo assim, cada cidadão<br />
reside onde bem entender e lhe aprouver.<br />
Já o domicílio é o lugar em que a pessoa<br />
habita com o “animus” definitivo e<br />
permanente, onde o cidadão se sente parte<br />
do local e desenvolve suas atividades<br />
sociais, onde tem seus registros<br />
documentais, enfim, onde tem intenção e<br />
vontade de ali permanecer definitivamente.<br />
De suma importância é entender essa<br />
diferença dos dois vocábulos. O cidadão<br />
pode assim ter diversas residências , mas<br />
(Jeremy Irons) a traía com a<br />
noiva de seu filho. Em<br />
Chinatown, quando Jack<br />
Nicholson vê, sem<br />
possibilidade de impedir, o avô<br />
pedófilo levar a neta com ele.<br />
Vivien Leigh, em Uma Rua<br />
Chamada Pecado, semienlouquecida,<br />
confessa que<br />
sempre dependeu da bondade<br />
de estranhos. Judy Garland,<br />
em Nasce Uma Estrela, após<br />
seu fracassado marido (James<br />
Mason, no papel de Norman<br />
Maine) cometer suicídio para<br />
não arruinar a carreira dela,<br />
diz ao se apresentar no teatro:<br />
Meu nome é Sra. Norman<br />
Maine!<br />
Marília Pera, que já deixou<br />
registros indeléveis em Pixote,<br />
O Rei da Noite, Master Class<br />
(Callas), O Exercício e Estrela<br />
Dalva, tem, agora,<br />
interpretação impecável em<br />
Mademoiselle Chanel,<br />
inscrevendo seu nome na<br />
galeria das grandes atrizes<br />
mundiais, ao lado de Uta<br />
Hagen e Vanessa Redgrave.<br />
Marília compôs seu<br />
personagem como um ourives<br />
modela fina jóia, expressando<br />
irreverência, charme,<br />
arrogância, generosidade,<br />
resistência, elegância e arte.<br />
Enfim, dá uma segunda vida à<br />
notável Coco Chanel.<br />
IMPERDÍVEL!<br />
*Procurador Federal<br />
o domicílio civil deve ser aquele<br />
escolhido com intenção definitiva.<br />
Domicílio eleitoral á luz do Código<br />
Eleitoral Brasileiro é o lugar de residência<br />
ou moradia do cidadão alistando, se este<br />
tiver mais de uma residência, poderá<br />
escolher uma delas para seu domicílio<br />
eleitoral.<br />
Concluindo, a Lei Civil reconhece<br />
como residência e moradia qualquer<br />
lugar fixo onde o cidadão possa ser<br />
encontrado.<br />
* Advogado
12 JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong><br />
OUTUBRO 2006<br />
Carmen Lucia<br />
Vieira Ramos<br />
Lima*<br />
A sociedade tende a<br />
premiar a<br />
mediocridade<br />
e tudo o que se dispõe<br />
a vegetar num<br />
caminho<br />
fácil e imoral - JUNG<br />
A <strong>APAFERJ</strong> está<br />
comemorando o seu Jubileu de<br />
Prata. Evidentemente o seu<br />
nascimento é fruto dos sonhos<br />
de alguns poucos que<br />
acreditaram no porvir da<br />
categoria. O núcleo que<br />
congregou esse sonho com<br />
certeza anteviu a<br />
prosperidade da Associação,<br />
assim como um pai se enche de<br />
esperança com o nascimento<br />
de um filho e á desenha na<br />
fumaça da expectativa o seu<br />
futuro. Quem sabe até<br />
charutos foram distribuídos.<br />
Muito esforço despendido, tal<br />
como se faz para educar uma<br />
criança e prepará-la para sua<br />
independência, sob os olhares<br />
atentos dos genitores. Mas,<br />
projeto de vida é sempre<br />
projeto de vida: de uma pessoa<br />
física ou jurídica. E cuidados<br />
são sempre necessários. E os<br />
resultados satisfazem aqueles<br />
que são responsáveis pelo ato<br />
da parição como para aqueles<br />
que foram paridos, adotados,<br />
agregados. E a expansão da<br />
categoria se faz inevitável, com<br />
a adoção de novos significantes<br />
para os profissionais,<br />
acontecendo fusões, integrações,<br />
absorções etc. É o crescimento.<br />
Em algum momento de<br />
dificuldade, a Diretoria da<br />
<strong>APAFERJ</strong> exortou-nos a sonhar<br />
também. Sonhos são alimento da<br />
alma e podem tornar-se<br />
realidade. Ninguém pode nos<br />
tirar os sonhos. E sonhamos<br />
juntos. Sonhos são o norte para<br />
nós, viajores humanos que temos<br />
uma jornada a cumprir. Jornada<br />
eterna? Ora, Walt Disney, o<br />
grande sonhador, disse que sim,<br />
que a vida eterna começa agora<br />
e aqui e está sempre começando,<br />
em pleno deserto da vida<br />
terrestre e que devemos fazer<br />
dela “um deserto vivente”. Assim<br />
é que em seu “film” “The Living<br />
Desert”, ele passa a mensagem<br />
de que se vive eternamente<br />
vivendo intensamente,<br />
integralmente, plenamente,<br />
criativamente.<br />
******************<br />
Girando a caneta, inserimos o<br />
Direito. O Direito é criativo. É<br />
difícil imaginar um profissional<br />
do Direito que, embora seja um<br />
escriba notório, um orador<br />
fascinante, não tenha lá no fundo<br />
do seu ser a esperança, quase<br />
infantil, de acreditar em uma<br />
vida melhor, em meio a tantos<br />
problemas de ordem Ética e<br />
Moral que, em verdade, tentam<br />
<strong>APAFERJ</strong> x SONHOS<br />
O DESERTO É FÉRTIL - D. Hélder Câmara<br />
desestimular o exercício<br />
funcional, ainda que tais<br />
problemas existam desde que os<br />
seres humanos criaram atos e<br />
valores para a Humanidade.<br />
Ora, atos, quem diria, são em<br />
realidade os fatos que ocorrem<br />
e implicam na Ética; e valores,<br />
mais adequados a cada cultura<br />
de per si, embasam a Moral.<br />
Esse conúbio pode, ao longo dos<br />
séculos, ter servido aos homens<br />
de boa vontade para a prática de<br />
suas ações “bondosas” ou<br />
“maldosas”.<br />
Atualmente dizem que os<br />
valores estão em transição.<br />
Quanto dura essa transição? E<br />
enquanto isso, voltamos à<br />
“barbárie”? Ou é melhor seguir<br />
o exemplo dos indígenas de<br />
Papua-Nova Guiné e passar a<br />
metade do dia tentando<br />
descobrir sinais nos sonhos?<br />
Bom, pelo menos, enquanto estão<br />
decifrando sinais, de forma<br />
natural e sem técnicas formais,<br />
estão repassando a sua Ética e a<br />
sua Moral.<br />
Entretanto, as coisas tomam<br />
outro rumo quando o que se tem<br />
em mente é só conceito – o<br />
significante – e não o significado.<br />
Se nos apegamos aos desvios dos<br />
conceitos, não queremos sonhar.<br />
Queremos entrar nas correntes<br />
de destruição, e de corrupção dos<br />
atos éticos. Esse não é o sonho<br />
que John Lennon sonhou em<br />
“Imagine”, com certeza. Sofre<br />
mais essa influência destrutiva<br />
do “bom sonho”, destruição da<br />
prática de atos éticos, o<br />
Colega Procurador<br />
Visite a sua Associação.<br />
A <strong>APAFERJ</strong> está localizada no centro do Rio de Janeiro.<br />
Dispomos de uma biblioteca totalmente informatizada.<br />
Venha saborear um cafezinho com biscoitos, mas principalmente<br />
venha rever velhos companheiros.<br />
indivíduo em sociedade, do<br />
que aquele que atua só ou<br />
atua em corpo social mais<br />
restrito, onde a<br />
individualidade de seus<br />
membros é mais protegida e<br />
onde a sua liberdade passa a<br />
ser maior e, portanto, maior<br />
a sua moralidade. Assim<br />
ensina JUNG. Continuando,<br />
na medida em que o indivíduo<br />
se sentir “adaptado”<br />
normalmente ao seu<br />
ambiente, e neste caso<br />
estamos falando da<br />
<strong>APAFERJ</strong>, nem mesmo uma<br />
grande infâmia do grupo<br />
poderia perturbá-lo, desde<br />
que a maioria de seus<br />
componentes estivesse<br />
convencida da alta<br />
moralidade da referida<br />
organização social.<br />
O comentado<br />
entendimento jungiano do<br />
parágrafo anterior é<br />
importante em momentos em<br />
que não só a sociedade<br />
brasileira, mas a sociedade<br />
globalizada vivencia ataques<br />
em seus atos éticos e está<br />
perdendo o seu norte moral.<br />
Em momentos tão cruciais,<br />
é bom pensar na realização do<br />
sonho dos apaferjianos que<br />
criaram a <strong>APAFERJ</strong>, que<br />
subsiste, moral e eticamente,<br />
durante 25 anos. Que não<br />
esmoreça tal baluarte ético e<br />
exemplar. Continuemos o<br />
sonho sonhado.<br />
*Procuradora Federal
OUTUBRO 2006<br />
Antonio C.<br />
Calmon N. da<br />
Gama*<br />
JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong> 13<br />
Fatos . Fatos . Fatos . Fatos . Fatos . Fatos<br />
BODAS DE PRATA<br />
A <strong>APAFERJ</strong>, comemorou em grande<br />
estilo seus 25 anos de existência,<br />
contando com a presença maciça dos seus<br />
Associados e representantes da<br />
Advocacia Público, do Judiciário e<br />
Executivo, que estiveram presentes na<br />
festa do salão do Jockey club, local onde<br />
aconteceu a festa de aniversário. Está de<br />
parabéns a Diretoria da <strong>APAFERJ</strong> pelo<br />
êxito do evento.<br />
PRESENÇAS<br />
Entre os presentes destacamos o<br />
Presidente do MOSAP – Dr. Edison<br />
Guilherme Haubert; Dr. Roberto Eduardo<br />
Giffoni, Presidente da ANPAF; Dr.<br />
Octávio Augusto Brandão Gomes,<br />
Presidente da OAB/RJ; Dra. Carmem<br />
Villaronga Fontenelle, Vice-Presidente da<br />
OAB/RJ; Dr. Francisco José Feliciano,<br />
Procurador Regional Federal; Dr. Jorge<br />
Gavinho Sobrinho, Procurador Federal, Dr.<br />
Ricardo Buarque Franco Neto, Secretário-<br />
Geral da ANPAF, Dra. Léa Castello Branco,<br />
Sub-Secretária do Trabalho da Secretaria<br />
de Estado do Trabalho do Rio de Janeiro;<br />
Dr. Renato Rabe, Procurador-Geral da<br />
Fundação Jardim Botânico; Dra Selma<br />
Dantas Ribeiro de Paiva, Procuradora<br />
Federal e Vice-Presidente do Centro Norte<br />
Riograndense, Dr. Francisco Pedalino<br />
Costa, Presidente do Conselho<br />
Deliberativo da <strong>APAFERJ</strong> e Diretor da<br />
Imprensa Oficial/MG, Dr. Felipe Pedalino<br />
Costa, Juiz de Direito/RJ, Dr. Eduardo<br />
Angyone Costa de Moraes, Procurador<br />
Federal, Dr. Luiz Otávio Laxe Vilela,<br />
Procurador-Geral da UFF e Dr. Wagner<br />
Cavalcanti de Albuquerque, Fundador da<br />
<strong>APAFERJ</strong> e Membro do Conselho da<br />
OAB/RJ.<br />
PRESENÇAS II<br />
A alegria do nosso Presidente e<br />
anfitrião Dr. Marcio Alemany, juntamente<br />
com sua esposa, filhos e netos, era<br />
contagiante, assim como da Diretoria que,<br />
a todo o instante, circulava pelo salão<br />
cumprimentando os convidados e<br />
Associados da <strong>APAFERJ</strong>. Neste particular<br />
destacamos os casais Mambrini e Miriam,<br />
Calmon e Maria Amália, Pedalino e Silvia,<br />
Fernando e Glória, Gracemil e Marlene,<br />
Miguel e Maria Valda, Calixto e<br />
Auxiliadora, Damas e Maria de Fatima.<br />
Flash<br />
Dr. Antonio Calmon N. da Gama, Diretor<br />
Cultural da AAFERJ, Dr. Ricardo Franco<br />
Neto, Secretário-Geral da ANPAF, Dr.<br />
Eduardo A. Costa de Novaes, Procurador<br />
Federal, Drª Léa Pontes Castello Branco,<br />
Sub-secretária do Trabalho-RJ, DR.<br />
Francisco José Feliciano, Procurador<br />
Regional Federal-RJ, Dr. Felipe Pedalino<br />
Costa, Juiz de Direito-RJ e Dr. Jorge<br />
Cravinho Sobrino, Coordenador da Área<br />
Contenciosa da PRF-RJ<br />
Dr. Fernando Ferreira de Mello, Diretor<br />
Financeiro da <strong>APAFERJ</strong> e sua digna<br />
esposa, Srª Mª. da Glória Mello, Srª Leonor<br />
Alemany, esposa do Dr. José Márcio Araújo<br />
de Alemany, Presidente da <strong>APAFERJ</strong><br />
Não poderíamos deixar de destacar o nosso<br />
Vice-Presidente, Dr. Robinson.<br />
RECESSO<br />
O Tribunal de Justiça baixou<br />
deliberação recomendando aos<br />
magistrados e órgãos jurisdicionais que<br />
não designem audiências e julgamentos<br />
entre os dias 20 de dezembro e 6 de Janeiro.<br />
Com a medida, os profissionais do direito<br />
poderão gozar de um efetivo período de<br />
recesso no fim do ano. Está de parabéns a<br />
OAB/RJ por mais uma conquista.<br />
ANIVERSÁRIO<br />
PENSAMENTO<br />
“A pátria é uma família<br />
amplificada; ela só cresce e se<br />
desenvolve quando o seu povo<br />
trabalha e estuda”.<br />
Hilton Costa<br />
Quem ofereceu aos amigos e colegas<br />
de trabalho um bom churrasco, em sua<br />
residência, para comemorar o seu<br />
aniversário, foi o nosso estimado<br />
Procurador Regional Federal da 2ª Região,<br />
Dr. Francisco José Feliciano. Pelo que<br />
soubemos, o churrasco foi feito por<br />
profissional pois estava muito bem feito.<br />
Enviamos ao Dr. Francisco votos de<br />
felicidades por ter completado mais uma<br />
primavera.<br />
Lançamento<br />
Lançado pela Editora Lumen Juris<br />
Editora, o livro da recodificação do Direito<br />
Civil Brasileiro, autor Joseli Lima<br />
Magalhães. O livro faz uma análise crítica<br />
da história da codificação do Direito Civil<br />
Brasileiro. No direito Penal, a editora<br />
Impetus lançou “Direito Penal do<br />
Equilíbrio”, autor – Rogério Greco. Na obra<br />
o autor analisa a intervenção mínima, a<br />
levidade, a adequação social e<br />
responsabilidade pessoal, entre outros<br />
princípios legais. Vale a pena conferir.<br />
Comissão da<br />
Advocacia Pública<br />
O Presidente da Comissão da Advocacia<br />
Pública, Prof. Aurélio Wander Bastos,<br />
lançou seu último livro – Direito<br />
Constitucional Brasileiro, onde se pode<br />
observar realismo e constitucionalismo<br />
comteporâneos. O estudo sobre a matéria<br />
foi coordenado por Regina Quaresma e<br />
Maria Lúcia de Paula Oliveira, que<br />
conseguiram que a obra contivesse<br />
expressiva dimensão dos principais<br />
problemas do Direito Constitucional.<br />
Cultural<br />
Vale a pena conferir a programação de<br />
Primavera da Emerj Cultural, pois está<br />
repleta de filmes. Em <strong>outubro</strong> foi exibido o<br />
documentário “Nelson Freire”, de João<br />
Moreira Salles. O filme retrata a vida e a<br />
obra do grande pianista brasileiro. No<br />
mesmo mês acontecerá o curso livre “O<br />
cânone da literatura ocidental”, que será<br />
ministrado pelo escritor e tradutor Marcelo<br />
Backes. Mais informações sobre a<br />
programação poderão ser obtidas pelo<br />
telefone (21) 2588-3366 ou no sítio<br />
www.emerj.rj.gov.br.<br />
OAB/RJ<br />
Estão marcadas para o dia 21 de<br />
novembro as eleições da OAB/RJ, que<br />
definirão as diretorias e os conselhos da<br />
Seccional e das 56 Subseções para a gestão<br />
2007/2009. Têm direito a voto todos os<br />
advogados inscritos na OAB/RJ que se<br />
MomentoLiterário<br />
CHOVE<br />
Chove sobre o saibro, sobre o teto<br />
de zinco.<br />
Regressa, chuva! A teu ninho<br />
anterior.<br />
Volta tal agulhas de máquina.<br />
Voltou a tocar tristemente sobre o<br />
zinco.<br />
Depois a dançar com fúria<br />
desmedida<br />
sobre meu coração e sobre o teto<br />
de zinco.<br />
Reclamando seu lugar, pedindo-me<br />
um cálice<br />
para enche-lo uma vez mais de<br />
agulhas.<br />
Música de aço, sobre aço num ritmo<br />
intenso.<br />
No final era de um barulho e um<br />
tocar tristemente lentos.<br />
Fúria desmedida a cozer o zinco –<br />
volta.<br />
Nas curvas do zinco usado, adentra<br />
pelos furos.<br />
Grandes goteiras surgem. O cálice<br />
é trocado por balde.<br />
Marília Ruas<br />
encontram em dia com as suas anuidades.<br />
A inscrição das Chapas concorrentes se<br />
iniciará com a publicação do Edital<br />
Convocatório, encerrando-se em 20 de<br />
<strong>outubro</strong>. (fonte: Tribuna do Advogado)<br />
Felicidade<br />
Quem está feliz da vida é o Presidente<br />
da <strong>APAFERJ</strong>, Marcio Alemany, face ao<br />
nascimento de sua neta Bárbara, no dia<br />
21 de setembro, filha de Patricia e Gilberto.<br />
Vitória<br />
Não poderiamos deixar passar em branco<br />
a conquista do Subsídio para as carreiras<br />
da Advocacia Pública Federal, aspiração<br />
almejada por todos, que se concretizou<br />
com a conversão em Lei da MP 305/66,<br />
cuja publicação ocorreu no Diário Oficial<br />
do dia 20 de <strong>outubro</strong> corrente (Lei nº<br />
11.358, de 19.10.2006). Estão de parabéns<br />
todos aqueles que lutaram para obter essa<br />
conquista.<br />
*Diretor de Divulgação da <strong>APAFERJ</strong>
14 JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong><br />
OUTUBRO 2006<br />
Ney<br />
Machado*<br />
O Código Penal em seu<br />
artigo 319 define como<br />
prevaricação: delito cometido<br />
por funcionário público quando<br />
em virtude de sua<br />
competência legal retarde ou<br />
deixe de praticar,<br />
indevidamente, ato de ofício ou<br />
praticá-lo visando interesses<br />
próprios ou de terceiros ou por<br />
sentimento pessoal.<br />
Infere-se, pois, que se trata<br />
de crime de dever jurídico e<br />
moral de fidelidade em razão<br />
do cargo público.<br />
Vêm se observando, ao<br />
longo do tempo, tratar-se de<br />
crime comum face à inércia de<br />
providências administrativas<br />
em razão de ordem judicial ou<br />
superior.<br />
Na hipótese da<br />
prevaricação, constata-se que<br />
tal atitude encontra-se<br />
revestida de certa<br />
pusilanimidade.<br />
A MINHA CIDADANIA sofre<br />
porque rejeito ouvir a pregação dos<br />
candidatos à Presidência. Trinta e<br />
dois anos de vida política partidária<br />
desenvolveram em mim a ojeriza às<br />
promessas que buscam votos. O vento<br />
as leva. Quando entrei para a Arena<br />
– o primeiro partido a que me filiei –<br />
assumi comigo mesmo o compromisso<br />
de só sair do partido quando eu<br />
morresse ou quando ele morresse<br />
antes de mim, tal a decepção que tive<br />
com os vira-casacas. Como meu<br />
partido morreu três vezes antes de<br />
minha morte, permaneci nele, já com<br />
o nome de Progressista. Conquanto<br />
não de esquerda, conheci muitos<br />
“progressistas” na verdade<br />
imobilistas. Depois, cresceu em mim<br />
a incompatibilidade notadamente<br />
Percebe-se, pois, que na<br />
relação jurídico administrativa,<br />
em decorrência do retardo em<br />
prática de ato de ofício, visando<br />
a interesses às vezes até<br />
escusos, o cidadão comum sofre<br />
terrível violação em seus<br />
direitos decorrentes de tal<br />
arbítrio.<br />
É preciso atentar que, na<br />
relação jurídico-administrativa,<br />
o cidadão é detentor de uma<br />
série de direitos subjetivos<br />
públicos que são oponíveis ao<br />
próprio Estado.<br />
Por outro lado, faz-se<br />
necessário enfatizar que o direito<br />
e a conseqüente obrigação do<br />
servidor público em cumprir ou<br />
deixar de cumprir, sem qualquer<br />
retardo, nasce com a existência<br />
do próprio Estado Democrático<br />
de Direito, não podendo, pois,<br />
ficar ao alvedrio e interesse da<br />
própria Administração Pública.<br />
Não há, pois, como cultivar a<br />
inoperância administrativa,<br />
razão pela qual impõe-se, sob as<br />
penas da lei, atitude firme e<br />
serena do Poder Judiciário,<br />
quando suas ordens não são<br />
cumpridas no tempo oportuno.<br />
Prevaricação<br />
O objetivo de tal disposição<br />
(art.319 CP) é criar uma ordem<br />
serena e pronta das<br />
determinações judiciais ou<br />
superiores a fim de que paixões,<br />
interesses pessoais, interesses<br />
escusos, fiquem acorrentados ao<br />
verdadeiro sentido de eficiência<br />
da Administração Pública.<br />
Com relação à eficiência, a<br />
Emenda Constitucional n.º 19 de<br />
04/06/1998 inseriu o citado<br />
princípio entre os demais<br />
relativos a Administração<br />
Pública, previstos no artigo 37,<br />
caput.<br />
Hely Lopes Meireles, quando<br />
aborda a eficiência como um dos<br />
deveres da Administração<br />
Pública, definindo-o como “o que<br />
se impõe a todo o agente público<br />
de realizar atribuições com<br />
presteza, perfeição e rendimento<br />
funcional”.<br />
É sem dúvida o mais<br />
moderno princípio da função<br />
administrativa, que já não se<br />
contenta em ser desempenhada<br />
apenas com legalidade,<br />
exigindo, assim, resultados<br />
positivos para o serviço público,<br />
como para aquele que espera a<br />
Palavras, o vento as leva<br />
com um dos maiores líderes do PP, que<br />
nas eleições para prefeito em 2004,<br />
não chegando ao segundo turno,<br />
negociou seu apoio precisamente com<br />
o partido que mais o combatia e até<br />
criou um verbo da primeira<br />
declinação derivado do seu nome,<br />
significando desonestidade. Deixei o<br />
partido. Ele acumulava denúncias de<br />
improbidade sistematicamente<br />
negadas, inclusive sua assinatura<br />
periciada como verdadeira, e afinal<br />
foi hóspede por 40 dias, de uma casa<br />
que abriga os que transgridem certo<br />
artigo do Código Penal.<br />
Dou-me, porém ao hábito de ler<br />
a mídia e vi que Lula criou 7,5<br />
milhões de novos empregos. O IBGE,<br />
porém, diz que em 2002 havia 10,2%<br />
de desempregados que agora são<br />
9,7%. A diferença não confirma a<br />
palavra do candidato. Ministro da<br />
Previdência Social que fui, agastoume<br />
ver-me tungado em 11% da<br />
aposentadoria, que já havia<br />
conquistado pagando corretamente<br />
a contribuição pelos anos e na idade<br />
em que somos burocraticamente –<br />
como dizia Bobbio – classificados<br />
como velhos. Vi meu direito<br />
assegurado virar direito “relativo”,<br />
semelhante aos donos de escravos.<br />
Ao fim do ano seguinte, o rombo da<br />
Previdência aumentara. A violência<br />
inconstitucional não foi senão uma<br />
gota de água no oceano. O rombo<br />
continuará se continuarem os<br />
benefícios (no jargão da Previdência,<br />
pagamento em dinheiro) sem<br />
custeio.<br />
ação rápida do agente público.<br />
Não há dúvida que a inércia,<br />
o retardo, o não cumprimento<br />
de determinada ordem, quer<br />
judicial ou superior, vulnera<br />
não só tal princípio da<br />
Administração Pública, como<br />
ofende direitos e garantias<br />
fundamentais do cidadão.<br />
A paradoxia dessas<br />
violações advém, no mais das<br />
vezes, em razão não só da<br />
ausência de atitude firme e<br />
serene do Estado Juiz, mas<br />
em razão do apelo político<br />
financeiro do próprio Estado,<br />
travestido de interesse social.<br />
Torna-se, assim, imperioso<br />
a apuração severa da<br />
infidelidade ao dever de ofício,<br />
à função exercida, pois o<br />
verdadeiro e último interesse<br />
da Administração Pública é o<br />
não compadecimento com o<br />
proceder do agente público em<br />
nome da própria segurança<br />
jurídica.<br />
*Procurador Federal.<br />
Professor da UFF.<br />
Membro do IAB.<br />
Pior ainda, quando não se corrige<br />
o ato discricionário da ministra Zélia<br />
Cardoso, iludindo o presidente,<br />
através de ilusória economia da<br />
despesa da União com os servidores.<br />
Desde Getúlio Vargas, civis e<br />
militares, concursados, gozavam de<br />
duas vantagens em relação ao<br />
trabalhador do mercado:<br />
estabilidade e aposentadoria paga<br />
pela União, sem contribuição. Só<br />
contribuíam para pensão. Em<br />
compensação, não desfrutavam de<br />
vantagens que a CLT concedia aos<br />
operários. Isso durou até 1991.<br />
Eram, então, 900 mil aposentados<br />
que nunca haviam contribuído para<br />
Previdência. A poderosa ministra da
OUTUBRO 2006<br />
Economia determinou ao INSS que<br />
pagasse, como se fosse dinheiro da<br />
União e não dos empregados e<br />
empregadores. Esse fator de criação<br />
de rombo só vai acabar quando, a<br />
partir de 1991, hajam morrido os<br />
900 mil aposentados.<br />
A aposentadoria do trabalhador<br />
rural foi criada em 1969, no governo<br />
Costa e Silva, mas com a devida<br />
fonte de custeio. A Constituinte de<br />
87/88 dobrou o valor e FH se<br />
orgulhou ao dizer que o Funrural<br />
era o maior programa mundial de<br />
renda mínima. É justo que o rurícola<br />
seja assistido, mas devia ser encargo<br />
da União e não dos trabalhadores e<br />
empregadores. Pensando em votos<br />
A P A F E R J<br />
e-mail: diretoria@apaferj.org.br / portal: www.apaferj.org.br<br />
Tel/Fax: (21)2532-0747/2240-2420 / 2524-6729 - Sede Própria<br />
D I R E T O R I A<br />
PRESIDENTE<br />
José Marcio Araujo de Alemany<br />
VICE-PRESIDENTE<br />
Rosemiro Robinson Silva Junior<br />
DIRETOR ADMINISTRATIVO<br />
Miguel Carlos Melgaço Paschoal<br />
DIRETOR ADMINISTRATIVO<br />
ADJUNTO<br />
Maria Auxiliadora Calixto<br />
DIRETOR FINANCEIRO<br />
Fernando Ferreira de Mello<br />
DIRETOR FINANCEIRO ADJUNTO<br />
Dudley de Barros Barreto Filho<br />
DIRETOR JURÍDICO<br />
Hélio Arruda<br />
DIRETOR CULTURAL<br />
Carlos Alberto Mambrini<br />
DIRETOR DE DIVULGAÇÃO<br />
Antonio Carlos Calmon N. da Gama<br />
DIRETOR DE PATRIMÔNIO<br />
Celina de Souza Lira<br />
DIRETOR SOCIAL<br />
Gracemil Antonio dos Santos<br />
CONSELHO DELIBERATIVO<br />
1. Francisco Pedalino Costa<br />
2. Luiz Carlos de Araujo<br />
3. Allam Cherém Soares<br />
4. Edson de Paula e Silva<br />
5. Luiz Carlos de Sá Peixoto Uchôa<br />
para a reeleição, Lula aumentou o<br />
salário mínimo. Há mais de 14<br />
milhões de trabalhadores<br />
aposentados com um salário mínimo.<br />
Faça-se a conta. A cada real<br />
aumentado são 14 milhões de reais<br />
a mais por mês, 168 milhões por ano<br />
no caixa do INSS. Mas não é R$ 1 a<br />
mais. São R$ 50. A generosidade<br />
eleitoral do presidente responde, a<br />
grosso modo, por 13 bilhões no<br />
rombo da Previdência. Como já diz<br />
que vai cortar as despesas,<br />
preparemo-nos para o aumento das<br />
alíquotas. Com JK eram de 8% da<br />
folha de salário. São 11% em média.<br />
De quanto serão?<br />
Jarbas Passarinho<br />
6. Maria de Lourdes Caldeira<br />
7. Maria Lucia dos Santos E Souza<br />
8. Ney Vianna Fernandes Machado<br />
9. Nina Maria Hauer<br />
10. Pedro Paulo Pereira dos Anjos<br />
11. Rosa Virginia Christofaro de<br />
Carvalho<br />
12. Sylvio Mauricio Fernandes<br />
13. Sylvio Tavares Ferreira<br />
14. Tomaz José de Souza<br />
15. Wagner Cavalcanti de<br />
Albuquerque<br />
SUPLENTES<br />
1. José Pires de Sá<br />
2. Marilia Ruas<br />
3. Ivone Sá Chaves<br />
4. Rosa Maria Rodrigues Motta<br />
5. Fernando Carneiro<br />
CONSELHO FISCAL<br />
1. José Carlos Damas<br />
2. José Salvador Iório<br />
3. Waldyr Tavares Ferreira<br />
SUPLENTES<br />
1. José Rubens Rayol Lopes<br />
2. Eunice Rubim de Moura<br />
Maria Conceição Ferreira de Medeiros<br />
Jornal da <strong>APAFERJ</strong><br />
Editor Responsável: Milton Pinheiro - Reg. Prof. 5485<br />
Corpo Editorial: Hugo Fernandes, Rosemiro Robinson Silva Junior, Fernando Ferreira<br />
de Mello, Carlos Alberto Mambrini, Miguel Carlos Paschoal, Antonio Calmon da Gama<br />
Supervisão Geral: José Márcio Araújo de Alemany<br />
Supervisão Gráfica: Carlos Alberto Pereira de Araújo Reg. Prof.: 16.783<br />
Editoração e Arte: Jane Fonseca - janepfonseca@terra.com.br<br />
Impressão: Jornal do Commercio - Tiragem: 2.500 exemplares<br />
Distribuição mensal gratuita.<br />
Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores<br />
JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong> 15<br />
ANIVERSARIANTES novembro<br />
01 JOB EDUARDO DA PAIXÃO -<br />
INSS<br />
01<br />
AGU<br />
VALDSON RANGEL ALECRIM -<br />
02 DAVID POLMON - INSS<br />
02 MARIA DE LACERDA VARGAS<br />
- M. SAÚDE<br />
04 CLETO DELGADO DE SOUZA<br />
FILHO - AGU<br />
04 NEY VIANNA FERNANDES<br />
MACHADO - INSS<br />
05 DELY BARATA BITTENCOURT -<br />
SUSEP<br />
05 VANDERLEI CORREA PEREIRA<br />
- MPAS<br />
06 EUNICE DOS SANTOS VIEIRA<br />
- INPI<br />
06 LAIR MARTINS DA SILVA - INSS<br />
06 MARIA DA CONCEIÇÃO MOURA<br />
SILVA - AGU<br />
06 MARIA DO SOCORRO LEMOS<br />
- C.P.II<br />
06 WALDYR TAVARES FERREIRA<br />
- MPAS<br />
08 FRANCISCA ALVES DE SOUZA<br />
GOMES - AGU<br />
09<br />
AGU<br />
ELIANE DA SILVA ROUVIER -<br />
10 MARIA DE FÁTIMA DE ARAÚJO<br />
DIAS - FRP<br />
12 ELIANA CORDEIRO MARIA -<br />
INMETRO<br />
12 ORLANDO DE OLIVEIRA - UFF<br />
12 SOLANGE DE CAMPOS F.DA<br />
CUNHA - FIOCRUZ<br />
13 ARMENTINO QUEIROZ - CBIA<br />
14 MARTA APARECIDA ROCHA -<br />
INMETRO<br />
14 SÉRGIO MAURICIO DA<br />
BOAMORTE - INSS<br />
14 SONIA Mª. DA SILVEIRA T. DE<br />
MELLO - INSS<br />
15 AYRTON SÁ PINTO DE PAIVA -<br />
CNEN<br />
15 JUSSARA FERREIRA DA SILVA<br />
LOPES - IPHAN<br />
17 LÊDA MARTINS CARDOSO -<br />
INSS<br />
18 MARISA DE CARVALHO<br />
MENEZES- INCRA<br />
20 HELNOR VALDETARO P.<br />
COUTINHO - UFF<br />
20 LYGIA CÂMARA DE A. E SILVA<br />
- INSS<br />
20 VERA LUCIA GOMES DE<br />
ALMEIDA - AGU<br />
22 CELIAS RODRIGUES DE<br />
ANDRADE - INSS<br />
23 LUIZ CARLOS GUIMARÃES -<br />
INSS<br />
24 ALBERTO SERGIO O. DE<br />
MENEZES - INSS<br />
24 HELIO PEREIRA MARINHO<br />
FALCÃO - INSS<br />
25 ALBERTINO GREGÓRIO -<br />
INSS<br />
27 DJALMO LUIZ CARDOSO<br />
TINOCO - AGU<br />
27 MARIA LYGIA ABRAHÃO DE<br />
CARVALHO - INSS<br />
28 AIMAR PORTUGAL GARCIA -<br />
INSS<br />
28 IZA LIA LEMOS MUNHOZ -<br />
AGU<br />
28 VILMA CARVALHO SODRÉ -<br />
INCRA<br />
29 UILTON JOSÉ DE ALVARENGA<br />
- INCRA<br />
No próximo dia<br />
28 de novembro<br />
vamos fazer<br />
uma festa para<br />
comemorar o<br />
seu aniversário<br />
COMPAREÇA.<br />
Com a sua presença<br />
haverá mais alegria e<br />
confraternização.
16 JORNAL DA <strong>APAFERJ</strong><br />
OUTUBRO 2006 16<br />
PEÇO A PALAVRA<br />
Rosemiro<br />
Robinson S.<br />
Junior*<br />
Meus caros e fiéis leitores:<br />
mediante estudos divulgados<br />
nas edições de julho/2006<br />
(Análise preliminar do subsídio)<br />
e agosto/2006 (Análise<br />
complementar do subsídio)<br />
abordei o tema do Subsídio<br />
concedido aos Advogados<br />
Públicos Federais, ex vi da<br />
Medida Provisória nº 305, de<br />
29.06.2006, publicada no Diário<br />
Oficial da União de 30.06.2006 e<br />
que, recentemente, foi<br />
transformada na Lei nº 11.358,<br />
de 19.10.2006, publicada no<br />
Diário Oficial da União de<br />
20.10.2006, sustentando, com<br />
arrimo ao § 4º do artigo 39 da<br />
Constituição Federal, e levando<br />
em conta o tratamento<br />
dispensado à Magistratura (Lei<br />
nº 11.143, de 27.06.2005), ao<br />
Ministério Público Federal (Lei<br />
nº 11.144, de 26.07.2005) e à<br />
Polícia Federal (MP nº 305/<br />
2006), a ocorrência de flagrante<br />
e injustificável discriminação<br />
endereçada àqueles Advogados.<br />
É de notar que, no segundo<br />
estudo acima mencionado, assim<br />
me expressei: “é um truísmo<br />
afirmar-se que toda legislação<br />
nova gera, em princípio, dúvidas<br />
e controvérsias, as quais, mercê<br />
da Doutrina e da<br />
Jurisprudência, são dissipadas,<br />
adotando-se procedimentos<br />
uniformes na aplicação da<br />
referida legislação”. Contudo,<br />
antes mesmo da sedimentação<br />
da Doutrina e da<br />
Jurisprudência, ilustres colegas,<br />
através de eruditos e judiciosos<br />
pronunciamentos, refutaram, in<br />
totum, a tese que defendi<br />
naqueles trabalhos, quase me<br />
levando ao arrependimento por<br />
tê-la defendido e – pior do que<br />
isso – quase me fazendo mudar<br />
de opinião, impressionado com<br />
os pujantes argumentos<br />
apresentados, entendendo os<br />
seus autores que in casu não se<br />
Novas reflexões sobre o subsídio<br />
Sapientis est mutare consilium<br />
“É próprio do sábio mudar de opinião”<br />
trata de Subsídio Parcelado e sim<br />
de Subsídio com reajustes préfixados,<br />
inocorrendo, assim,<br />
qualquer inconstitucionalidade ou<br />
tratamento discriminatório.<br />
Registre-se, por oportuno, que,<br />
no primeiro estudo, listei os<br />
pontos positivos do Subsídio<br />
concedido aos Advogados Públicos<br />
Federais: a) atingimento da meta<br />
estabelecida pelo Ministro-Chefe<br />
da AGU e pelas entidades de<br />
classe da área jurídica; b)<br />
isonomia salarial entre todas as<br />
carreiras da área jurídica, e c)<br />
paridade entre ativos e inativos,<br />
ponderando, no entanto, que os<br />
aludidos pontos positivos, postos<br />
em confronto com os aspectos<br />
negativos, ficavam esmaecidos e<br />
quase desapareciam, propondo, ao<br />
final, a urgente e indispensável<br />
revisão da MP nº 305/2006.<br />
Evidencie-se, ainda, que<br />
proclamei a inquestionável<br />
importância da conquista do<br />
Subsídio, cuja implantação,<br />
entretanto, em relação aos<br />
Advogados Públicos Federais, não<br />
correspondeu às expectativas de<br />
avultado número de servidores,<br />
que se encontram no topo da<br />
Carreira e cujos estipêndios<br />
ficarão imobilizados por longo<br />
tempo. Argumentam os<br />
eminentes contestadores que<br />
ninguém sofreu perda salarial e,<br />
desse modo, descabe qualquer<br />
reclamação a respeito das<br />
liliputianas tabelas que<br />
acompanharam a MP nº 305/2006.<br />
Data maxima venia,<br />
discordo de tal entendimento,<br />
porquanto, se inocorrerá aumento<br />
salarial por dois anos, ocorrerão,<br />
inevitavelmente, os aumentos de<br />
despesas obrigatórias, como: plano<br />
de saúde, remédios, condomínio,<br />
IPTU, luz, gás, telefone etc.,<br />
representando, sem sombra de<br />
dúvida, perda salarial gradativa e<br />
crescente e os atingidos ficarão em<br />
compasso de espera, com a<br />
remuneração engessada, até que<br />
em luminoso dia, façam jus ao<br />
aumento que, de há muito, lhes<br />
era devido.<br />
De outra parte, entendo que<br />
um reajuste salarial deve ser<br />
abrangente, alcançando os<br />
servidores nas classes iniciais,<br />
intermediárias e finais, sob pena<br />
de se caracterizar injustificável<br />
discriminação dentro da própria<br />
Carreira, não se devendo fazer<br />
abstração de que expressiva<br />
maioria do topo da Carreira se<br />
encontra em faixa etária elevada,<br />
sem meios e modos de conseguir<br />
um plus que atenda as suas<br />
necessidades financeiras.<br />
Entretanto, é forçoso admitir-se<br />
que o Subsídio foi generoso para<br />
os que estão na Classe Inicial, um<br />
pouco menos generoso para os que<br />
estão na Classe Intermediária e<br />
excessivamente rigoroso em<br />
relação aos que estão na Classe<br />
Final, principalmente os<br />
aposentados e pensionistas,<br />
vítimas prediletas das legislações<br />
que cuidam da remuneração.<br />
É de assinalar, também, que<br />
somente a Carreira Jurídica fez jus<br />
ao Subsídio em 4(quatro) anos,<br />
tratamento bem distante e distinto<br />
do dispensado à Magistratura, ao<br />
Ministério Público e à Polícia<br />
Federal, especialmente quando se<br />
verifica o valor do Subsídio fixado<br />
para esses três segmentos. Com<br />
efeito, se o pagamento do Subsídio<br />
com reajustes anuais, como<br />
defendem os ilustres<br />
contestadores, fosse real nec plus<br />
ultra, certamente todas as<br />
Carreiras deveriam merecer o<br />
mesmo tratamento, o que<br />
consagraria a igualdade absoluta,<br />
obviamente com as devidas<br />
variações remuneratórias.<br />
Entretanto, como demonstrado<br />
exaustivamente, inocorreu a<br />
igualdade de tratamento ou pelo<br />
menos a adoção de melhor<br />
tratamento, principalmente em<br />
relação aos valores fixados.<br />
Cabe observar, por derradeiro,<br />
que os Advogados Públicos<br />
Federais exercem, com sede<br />
constitucional, Funções<br />
Essenciais à Justiça, a exemplo<br />
do Ministério Público Federal e,<br />
no entanto, existe oceânica<br />
diferença remuneratória entre os<br />
dois segmentos, que,<br />
inevitavelmente, tenderá a<br />
crescer, acarretando a migração<br />
desses Advogados para a<br />
Magistratura ou para o<br />
Ministério Público, atraídos por<br />
melhores condições de trabalho<br />
e por estipêndios maiores, pondo<br />
por terra a precípua finalidade da<br />
implantação do Subsídio para<br />
aqueles Advogados, registrada,<br />
com extrema clareza, na<br />
Exposição de Motivos, firmada<br />
pelo Ministro-Chefe da AGU,<br />
encaminhando, em maio de 2005,<br />
ao Excelentíssimo Senhor<br />
Presidente da República, o<br />
Projeto de Lei alusivo ao Subsídio<br />
e que, por motivos ignotos, foi<br />
transformado na MP nº 305/2006,<br />
hodiernamente Lei nº 11.358/<br />
2006. Assim, como não sou sábio,<br />
nem tenho a pretensão de sê-lo,<br />
peço vênia aos meus estimados e<br />
brilhantes contestadores, e<br />
mantenho, ipsis litteris, os<br />
textos liminarmente<br />
mencionados, mesmo porque, em<br />
todos os pronunciamentos<br />
contrários à tese que defendi e<br />
defendo, indicam seus autores a<br />
essencialidade da revisão das<br />
tabelas ou da antecipação dos<br />
reajustes anuais, admitindo,<br />
desse modo, tacitamente, a<br />
existência de imperfeições na<br />
nova legislação ora analisada,<br />
contradição que, s.m.j., me<br />
concede a convicção de que estou<br />
trilhando o caminho certo, apesar<br />
de estar ciente dos numerosos e<br />
gigantescos obstáculos políticoadministrativos<br />
a serem<br />
vencidos, o que exigirá, em grau<br />
paroxístico, obstinação, coragem<br />
e dedicação, atributos que,<br />
felizmente, ornamentam os<br />
construtores e os consolidadores<br />
da <strong>APAFERJ</strong>.<br />
*Vice-Presidente da <strong>APAFERJ</strong>