Territorialidades de exclusão e inclusão social* - LABES
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HEIDRICH, A. L. “<strong>Territorialida<strong>de</strong>s</strong> <strong>de</strong> <strong>inclusão</strong> e <strong>exclusão</strong> social” In: REGO, N.;<br />
MOLL, J.; AIGNER, C. (Orgs.) Saberes e práticas na construção <strong>de</strong> sujeitos<br />
e espaços sociais. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2006, p. 21-44.<br />
<strong>Territorialida<strong>de</strong>s</strong> <strong>de</strong> <strong>exclusão</strong> e <strong>inclusão</strong> social *<br />
Álvaro Luiz Heidrich **<br />
As consi<strong>de</strong>rações que seguem tem a intenção <strong>de</strong> discutir sobre a<br />
relação existente entre o problema da <strong>exclusão</strong> social e o espaço, em torno<br />
daquilo que se po<strong>de</strong>ria reconhecer por uma certa territorialida<strong>de</strong> da questão.<br />
Dizemos “certa” territorialida<strong>de</strong> porque não tratamos especificamente da sua<br />
localização, mas da consi<strong>de</strong>ração <strong>de</strong> sua expressão em condição espacial. O<br />
texto que segue, divido em duas seções, aborda primeiramente questões<br />
conceituais em torno <strong>de</strong>ste tema para, em seguida, apresentar algumas<br />
situações singularida<strong>de</strong>s do espectro <strong>exclusão</strong>-<strong>inclusão</strong> e seus vínculos<br />
territoriais.<br />
1. O problema da <strong>exclusão</strong>/<strong>inclusão</strong> social como fato territorial<br />
Estamos vivendo um tempo <strong>de</strong> generalização da <strong>exclusão</strong> social. Isto<br />
ocorre não somente em termos reais, mas também em plano discursivo. Faz-se<br />
referência regular e cotidiana à <strong>exclusão</strong>, a amplitu<strong>de</strong> e variação <strong>de</strong>ssa<br />
situação. Muitas são as situações assim caracterizáveis. A concepção, em<br />
nosso ver, apresenta sentido polissêmico e não quer significar tão somente<br />
segregação ou apartheid, muito embora possa conte-los.<br />
Este novo sentido da <strong>de</strong>sigualda<strong>de</strong>, cunhada pela expressão “<strong>exclusão</strong><br />
social” <strong>de</strong>ve-se, segundo Singer, ao fato <strong>de</strong> que a atual reestruturação da<br />
economia capitalista é caracterizada pela eliminação <strong>de</strong>finitiva <strong>de</strong> postos <strong>de</strong><br />
trabalho (1998). Trata-se, portanto, <strong>de</strong> um processo que possui a marca do<br />
alijamento. Dessa forma, não se trata da clássica concepção <strong>de</strong> marginalida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> grupos sociais não participantes <strong>de</strong> uma socieda<strong>de</strong> mo<strong>de</strong>rna ou em<br />
mo<strong>de</strong>rnização. 1 É exatamente o oposto. A situação atual implicaria, segundo o<br />
uso corrente do conceito, justamente em <strong>exclusão</strong>, em função da tendência <strong>de</strong><br />
eliminar postos <strong>de</strong> trabalho.<br />
* O presente trabalho foi originalmente apresentado no VIII Encontro <strong>de</strong> Geógrafos da<br />
América Latina sob o título Territorialida<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>exclusão</strong> e <strong>inclusão</strong> social: relações da<br />
socieda<strong>de</strong> com o espaço em situações <strong>de</strong> pobreza e <strong>de</strong> construção <strong>de</strong> vida econômica<br />
e <strong>de</strong> consciência, realizado em Santiago (Chile), em 2001.<br />
** Doutor em Geografia Humana pela Universida<strong>de</strong> <strong>de</strong> São Paulo e Professor no Departamento<br />
<strong>de</strong> Geografia na Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral do Rio Gran<strong>de</strong> do Sul.<br />
1 Para uma caracterização do enfoque da Sociologia da Mo<strong>de</strong>rnização ver Heidrich (1985) e<br />
Germani (1979)
Entretanto, <strong>de</strong>ve-se enten<strong>de</strong>r a situação sob o prisma da relativida<strong>de</strong>,<br />
que diferencia da caracterização <strong>de</strong> uma i<strong>de</strong>ntificação <strong>de</strong> posição na<br />
socieda<strong>de</strong>, como a noção <strong>de</strong> pobreza. O que não implica não reconhecer que<br />
os processos <strong>de</strong> <strong>exclusão</strong> não levem a isso.<br />
Enten<strong>de</strong>mos porém, que apesar da noção <strong>de</strong> <strong>exclusão</strong> social ter se<br />
originado “para <strong>de</strong>signar processos relacionados a problemas sociais advindos<br />
da reestruturação produtiva e da globalização” (Martins e Mammarella, 1999, p.<br />
11), o conteúdo significante da expressão é mais abrangente. Em sentido<br />
amplo, o que a globalização e a reestruturação produtiva fazem é produzir um<br />
novo espaço, com renovadas possibilida<strong>de</strong>s técnicas. Isto não é feito<br />
exclusivamente no período atual. A geração <strong>de</strong> situações <strong>de</strong> perda da condição<br />
<strong>de</strong> reprodução social, posto que implicam mudanças nos arranjos espaciais,<br />
especialmente em virtu<strong>de</strong> das mudanças técnicas, ganham sentido por meio <strong>de</strong><br />
processos <strong>de</strong> <strong>de</strong>sterritorialização, posto que se configuram como<br />
<strong>de</strong>scolamentos (social ou territorial) das pessoas e grupos em relação a suas<br />
condições originais <strong>de</strong> vínculo com espaço. Assim, se por <strong>exclusão</strong> social, em<br />
termos rígidos, se pressupõe consi<strong>de</strong>rar o caso <strong>de</strong> excluir o indivíduo da<br />
socieda<strong>de</strong>, 2 tal consi<strong>de</strong>ração transita tanto pela obvieda<strong>de</strong> como pelo absurdo.<br />
Mas não tanto assim, se a reconhecermos como processo, como um<br />
“mecanismo <strong>de</strong> perda”.<br />
Que espécie <strong>de</strong> perda seria esta? Para isso torna-se útil associar esta<br />
reflexão à concepção <strong>de</strong> socieda<strong>de</strong> como originária <strong>de</strong> um agrupamento<br />
abrangente <strong>de</strong> interesses, 3 e <strong>de</strong> significações. 4 Neste sentido, ela consiste na<br />
perda <strong>de</strong> sua participação na integração, <strong>de</strong> não ter participação nos interesses<br />
e necessida<strong>de</strong>s da integração, nem tampouco do acolhimento a suas<br />
significações e valores. Em contraposição, é necessário reconhecer que a<br />
ocorrência do indivíduo na socieda<strong>de</strong> é predominantemente contigencial, sem<br />
gran<strong>de</strong>s possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> escolha.<br />
Tendo isso como premissa, po<strong>de</strong>-se apontar diversos tipos-resultado e<br />
formas-processo da situação geral em questão, como: a perda <strong>de</strong> direitos e<br />
garantias sociais; a carência ou falta em termos <strong>de</strong> educação, saú<strong>de</strong>, moradia,<br />
etc.; a <strong>exclusão</strong> da possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> realização do trabalho, das condições <strong>de</strong><br />
reprodução da vida; e, até mesmo, a impossibilida<strong>de</strong> da manifestação e da<br />
exposição do pensamento no âmbito da integração.<br />
Pelo exposto, a <strong>exclusão</strong> social refere-se a um contexto que não é único<br />
nem absoluto. Deve-se por isso aceitar a idéia <strong>de</strong> uma condição extrema: uma<br />
<strong>exclusão</strong> social plena. Assim, se o representante do homem, enquanto<br />
genérico, é a sua integração, a sua <strong>exclusão</strong> consiste, em suma, em não existir<br />
em tal referência. Não obstante, o extremo ainda se apresenta como<br />
existência, como fato puramente existencial: o ser no espaço.<br />
2 Para José <strong>de</strong> Souza Martins, tal sentido não existe em termos sociológicos e <strong>de</strong>veria se<br />
enten<strong>de</strong>r a “<strong>exclusão</strong> como aquilo que constitui o conjunto das dificulda<strong>de</strong>s, dos modos e dos<br />
problemas <strong>de</strong> uma <strong>inclusão</strong> precária e instável, marginal” (1997, p. 26).<br />
3 No sentido proposto por Max Weber, em que a motivação para a sua formação esteja apoiada<br />
por uma racionalida<strong>de</strong>, seja por objetivação final, seja pela aceitação <strong>de</strong> valores (1964, pp. 20-<br />
21 e 33).<br />
4 No sentido proposto por Agnes Heller, <strong>de</strong> que os valores do indivíduo constituem expressões<br />
humano-genéricas pelas integrações, <strong>de</strong> que estão ligados à explicitação da existência<br />
humana (1970, pp. 8 e 21).<br />
2
Começa a fazer sentido, então, a contextualização <strong>de</strong>ste problema como<br />
algo relacionado ao espaço e ao território. Soa como falácia aceitar a <strong>exclusão</strong><br />
como um fato espacial, ao menos enquanto situação absoluta, não adjetivada<br />
pelas recriações que a humanida<strong>de</strong> lhe impingiu. Não estar no espaço é não<br />
existir. E, se <strong>de</strong> alguma forma os processos <strong>de</strong> <strong>exclusão</strong> social induzem a sua<br />
ocorrência em termos absolutos – à morte –, esta sim po<strong>de</strong>ria ser consi<strong>de</strong>rada<br />
uma a <strong>exclusão</strong> plena. Torna-se, <strong>de</strong>sse modo, plausível o pensamento que<br />
consi<strong>de</strong>ra a ocorrência da <strong>exclusão</strong> social plena com a mantença da existência,<br />
em condição <strong>de</strong> espaço.<br />
A condição absoluta, entretanto, não é única. Não há somente espaço<br />
em condição original. Há nele recriações e o espaço social geral consiste na<br />
mais abrangente e significativa <strong>de</strong>las. Se, por espaço po<strong>de</strong>mos compreen<strong>de</strong>-lo<br />
como uma prisão original (Raffestin, 1993, p. 144), enquanto social <strong>de</strong>ve-se<br />
compreen<strong>de</strong>r o condicionamento daí resultante. Isto se traduz pelo seguinte: as<br />
recriações dão-se por <strong>de</strong>snaturalizações, pela gradativa libertação da<br />
humanida<strong>de</strong> daquelas condições absolutas.<br />
Esta condição prévia, <strong>de</strong> pura existência, atua como imperativo, impõese<br />
como fato inexorável que a tudo domina. Desnaturalizar a relação com o<br />
espaço significa recriar aquilo que é diferença, relação, distância, falta,<br />
extensão, entre tantas outras condições. Resulta, assim, em sujeição do<br />
humano a sua própria criação.<br />
A primeira ação, que transforma a condição original em relativa, consiste<br />
na apropriação humana das condições naturais da existência. Trata-se,<br />
verda<strong>de</strong>iramente, da humanização do espaço: pela criação do território.<br />
Embora essa humanização não elimine a ocorrência absoluta e natural,<br />
significa impor um domínio sobre imperativos como extensivida<strong>de</strong>,<br />
contigüida<strong>de</strong>, coexistência, entre outros (Heidrich, 1998a, p. 11).<br />
Embora as noções clássicas <strong>de</strong> território retenham o sentido <strong>de</strong><br />
extensão 5 e <strong>de</strong> <strong>de</strong>limitação <strong>de</strong> lugares, especialmente do espaço das<br />
instituições políticas, outros dois significados não usuais são <strong>de</strong> pertinência a<br />
esta discussão: o sentido <strong>de</strong> âmbito geográfico da integração economiapolítica-cultura<br />
(Gore, 1984, p. 227) e como produto da relação do(s) sujeito(s)<br />
com o espaço que termina por <strong>de</strong>finir-lhe uma a<strong>de</strong>quação, uma diferença dada<br />
pelo uso cotidiano, pela cultura, por algo que separa. 6<br />
A apropriação do espaço é a forma primeira que, se reduzida ao sentido<br />
<strong>de</strong> posse (<strong>de</strong> domínio), resulta apenas na separação <strong>de</strong> grupos ou<br />
comunida<strong>de</strong>s. O seu outro sentido, o <strong>de</strong> a<strong>de</strong>quação (<strong>de</strong> tornar um espaço<br />
apropriado, favorável ou suscetível), <strong>de</strong>corre do uso, da transformação que<br />
embora não tenha tornado plenamente efetiva a <strong>de</strong>snaturalização, constrói a<br />
humanização do espaço como uma condição oposta.<br />
Vínculos com o território se fazem por esse intermédio, por aquilo que se<br />
consegue realizar externamente, no espaço que é por on<strong>de</strong> cada um po<strong>de</strong><br />
relacionar-se com o outro. São vínculos com os quais a humanida<strong>de</strong> se<br />
<strong>de</strong>snaturaliza, criando o espaço humanizado – o território e as formações<br />
5 Sobre o assunto ver Santos, 1986, pp. 25-30.<br />
6 Ver esta discussão em Souza (1995, p. 77-99) e Haesbaert (1997, p.32-43 e 2002, p. 129-<br />
141).<br />
3
socioespaciais. 7 Apontamos aqui formas genéricas que os mesmos po<strong>de</strong>m<br />
assumir. Elas seriam expressões das relações do humano com a vida, com a<br />
socieda<strong>de</strong> e com a natureza. A condição humana <strong>de</strong> estar no espaço<br />
pressupõe ter acesso a um lugar, relacionar-se, realizar a transformação e ter a<br />
consciência disto 8 . Assim, se levarmos em consi<strong>de</strong>ração as mais amplas<br />
referências das integrações sociais, tais vínculos po<strong>de</strong>m ser apreendidos,<br />
fundamentalmente, por meio <strong>de</strong> três expressões: apropriação, valorização e<br />
consciência. A apropriação do espaço consiste na criação dos territórios, em<br />
seu duplo sentido <strong>de</strong> posse e <strong>de</strong> a<strong>de</strong>quação. A valorização do espaço (Moraes<br />
e Costa, 1984), na prática humana, social, da transformação do espaço, na<br />
criação <strong>de</strong> estruturas e lugares ligados à sobrevivência, no trabalho, na<br />
habitação, etc. A consciência do espaço refere-se a um sentimento <strong>de</strong><br />
pertencimento a um lugar ou território, consiste no campo da i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> e<br />
relaciona-se com a intencionalida<strong>de</strong> com a qual se faz a representação <strong>de</strong><br />
nossas ligações, constroem-se os mitos e se <strong>de</strong>finem os agrupamentos<br />
humanos. 9<br />
Por meio do estabelecimento <strong>de</strong> vínculos, por criações ou invenções<br />
humanas, através <strong>de</strong> práticas sociais, é que se produz território, que se<br />
constitui uma territorialida<strong>de</strong>. 10 Nesse sentido, a perda <strong>de</strong> vínculos,<br />
econômicos, culturais, políticos ou sociais, implica em algum afastamento do<br />
indivíduo ou coletivida<strong>de</strong>, da condição territorial presente naquele momento.<br />
Como se sabe, a re-territorialização está diretamente implicada nesta dinâmica<br />
(Ortiz, 1999, p. 65; Haesbaert, 2002, p. 132-133) e, isto <strong>de</strong>ve significar que<br />
alguma condição territorial permanece.<br />
A condição territorial po<strong>de</strong> ser percebida nas comunida<strong>de</strong>s cuja<br />
territorialização expressa a criação <strong>de</strong> vínculos espaciais próprios. Tribos<br />
se<strong>de</strong>ntárias, impérios ou Estados-nações constituem variações na forma <strong>de</strong><br />
uma comunida<strong>de</strong> territorial. Ela não é estática, é produto <strong>de</strong> seu tempo e nela<br />
própria são construídas as passagens para novas formas. Assim por exemplo,<br />
hoje se suce<strong>de</strong> uma transição que abala a comunida<strong>de</strong> estatal-nacional, e isto<br />
tem ocorrido não somente pela ampliação <strong>de</strong> nossos vínculos em dimensão<br />
global, mas também pelo âmbito das próprias localida<strong>de</strong>s.<br />
A substituição <strong>de</strong> uma forma da comunida<strong>de</strong> territorial por outra tem<br />
ocorrido sempre que se <strong>de</strong>nota o esgotamento <strong>de</strong>sses vínculos anteriores.<br />
Po<strong>de</strong>r e território constituem situações <strong>de</strong> mútua existência: o primeiro dá<br />
condições <strong>de</strong> existência ao segundo (Raffestin, 1993, p. 58). O surgimento da<br />
Comunida<strong>de</strong> estatal-nacional operou-se com a transferência da soberania,<br />
mesmo que abstrata, ao povo. Neste processo, que nasceu pelas<br />
necessida<strong>de</strong>s econômicas, construiu-se a idéia <strong>de</strong> nação mo<strong>de</strong>rna, como<br />
7<br />
Milton Santos estabelece esta categoria <strong>de</strong> formação sócio-espacial a partir da categoria<br />
marxista <strong>de</strong> formação social. Na contribuição acentua-se a particularida<strong>de</strong> geográfica daquela<br />
categoria. Ultimamente, o autor <strong>de</strong>nota preferência por uma expressão mais distante daquela<br />
categoria, como as formas geográficas. Elas seriam a configuração territorial das ações<br />
resultantes da existência. Ver Santos (1997, p. 61).<br />
8<br />
David Harvey (1974), tomando apoio em Henri Lefebvre (1968) consi<strong>de</strong>ra o fato associado a<br />
práticas e representações sociais.<br />
9<br />
Ver Gore, 1984, p. 225 e Harvey, op cit., p. 203.<br />
10<br />
Conforme a perspectiva adotada por Raffestin, “aterritorialida<strong>de</strong> adquire um valor bem<br />
particular, pois reflete a multidimensionalida<strong>de</strong> do ‘vivido’ territorial pelos membros <strong>de</strong> uma<br />
coletivida<strong>de</strong>, pelas socieda<strong>de</strong>s em geral” (1993, p. 158)<br />
4
entida<strong>de</strong> cultural (<strong>de</strong> vínculo <strong>de</strong> pertencimento ao território), <strong>de</strong> <strong>de</strong>mocracia<br />
representativa (<strong>de</strong> organização do po<strong>de</strong>r) e <strong>de</strong> economia nacional (<strong>de</strong><br />
valorização do espaço), culminando por fusionar-se numa realida<strong>de</strong> única - a<br />
nação territorial mo<strong>de</strong>rna. 11<br />
Por este argumento, qualquer processo <strong>de</strong> territorialização (seja <strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>sterritorialização ou re-territorialização) ou, o fortalecimento ou<br />
enfraquecimento <strong>de</strong> tais vínculos, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> a invenção <strong>de</strong> novas relações da<br />
socieda<strong>de</strong> com o espaço. Desta forma se po<strong>de</strong> afirmar que a <strong>exclusão</strong> social<br />
retira ou afasta as pessoas da integração apropriação-valorização-consciência,<br />
assim como alternativas <strong>de</strong> <strong>inclusão</strong> produzem, ao largo e juntamente com a<br />
integração existente, novos vínculos com o território.<br />
O que se observa hoje na escala local é que os processos <strong>de</strong> integração<br />
do lugar ao mundo têm conduzido à perda da atual coesão comunitária. É no<br />
lugar que se observa a fragmentação da solidarieda<strong>de</strong> territorial, pois pelo seu<br />
eixo indivíduo ou comunida<strong>de</strong> apresentam os vínculos com todas as escalas.<br />
Ao mesmo tempo participam <strong>de</strong> uma complexida<strong>de</strong> que múltiplas<br />
territorialida<strong>de</strong>s, que ora fortalecem, ora enfraquecem seus vínculos com os<br />
vários âmbitos da integração (figura 1). 12<br />
Enquanto a política local interessa às elites como uma possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
a<strong>de</strong>quação da cida<strong>de</strong> à globalização, às classes populares interessa a<br />
consolidação <strong>de</strong> um espaço <strong>de</strong> garantia do emprego e da qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> vida. A<br />
solidarieda<strong>de</strong> existente em função da convivência dos grupos no mesmo<br />
território se torna relativa pelo uso <strong>de</strong> novas tecnologias e pela fragmentação<br />
do espaço. O consumo, a habitação, o lazer, entre outras práticas cotidianas,<br />
se consolidam como maneiras completamente segmentadas <strong>de</strong> realização, não<br />
apenas localmente segregadas, mas como uma diacronia local-global. De um<br />
lado os lugares tornam-se pontos articulados em âmbito global e, <strong>de</strong> outro, a<br />
solidarieda<strong>de</strong> territorial-local é cada vez mais seletiva (Heidrich, 1998b, pp. 15-<br />
17).<br />
Vivenciamos a situação em que parte da socieda<strong>de</strong> apresenta fortes<br />
vínculos territoriais na escala global, e que do território local apenas<br />
necessitam da sua a<strong>de</strong>quação ao global, enquanto em pólo oposto apresentase<br />
a situação <strong>de</strong> <strong>exclusão</strong>, da expulsão da pessoa <strong>de</strong> sua condição territorial,<br />
da ruptura <strong>de</strong> seus vínculos com a própria localida<strong>de</strong>. Isto <strong>de</strong> traduz pelo<br />
<strong>de</strong>semprego, pela impossibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> obtenção do lugar <strong>de</strong> moradia e pelo<br />
distanciamento da cultura, da perda <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> com o lugar.<br />
A fim <strong>de</strong> refletir sobre o problema, apresentamos a seguir quatro casos,<br />
um <strong>de</strong> <strong>exclusão</strong> e outros em posições distintas <strong>de</strong> construção <strong>de</strong> vida<br />
econômica e cultural.<br />
11 Ver Escolar, 1996, pp. 99-101.<br />
12 Compartilhamos, <strong>de</strong>sta forma, com o sentido apresentado por Ortiz, para <strong>de</strong>finir lugar: “como<br />
um ‘espaço transglóssico’ no qual se entrecruzam diferentes espacialida<strong>de</strong>s” (1999, p. 67).<br />
5
20.000 km<br />
2.000 km<br />
AMPLITUDE DA<br />
SOLIDARIEDADE<br />
TERRITORIAL<br />
SOLIDARIEDADE<br />
LOCAL<br />
FRAGMENTADA<br />
Figura 1 - INTEGRAÇÃO SOCIOESPACIAL FRAGMENTADA<br />
200 km<br />
20 km<br />
SOLIDARIEDADE<br />
GLOBAL<br />
FRAGMENTADA<br />
EIXO<br />
LOCAL<br />
6
2. Situações <strong>de</strong> <strong>exclusão</strong>/<strong>inclusão</strong> e vínculos territoriais (alguns<br />
exemplos): 13<br />
2.1 - Situações limites <strong>de</strong> pobreza:<br />
As situações <strong>de</strong> pobreza, <strong>de</strong> <strong>exclusão</strong> e <strong>de</strong> informalida<strong>de</strong> constituem<br />
produtos da globalização, da vinculação da vida ao mercado em sua forma<br />
plena e extrema. Produzem um não-território pela <strong>de</strong>gradação dos vínculos.<br />
Até chegar a ele, dá-se por formas que o aproximam, como a segregação, a<br />
rejeição, o não-direito, em fim pela ausência das condições <strong>de</strong> garantia da vida,<br />
da existência. As situações <strong>de</strong>scritas a seguir se referem a casos encontrados<br />
na cida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Porto Alegre, uma metrópole do Sul do Brasil, mas por sua<br />
generalida<strong>de</strong>, po<strong>de</strong>riam ser exemplos <strong>de</strong> muitas outras cida<strong>de</strong>s, especialmente<br />
<strong>de</strong> condição metropolitana.<br />
A pobreza po<strong>de</strong> ser caracterizada pela falta do lugar da moradia, pela<br />
falta <strong>de</strong> condições sanitárias e a inexistência <strong>de</strong> relações formais <strong>de</strong><br />
reprodução social. As condições <strong>de</strong> vida em geral são ou beiram uma<br />
subumanida<strong>de</strong>. Os vínculos <strong>de</strong> apropriação do espaço em geral se<br />
caracterizam pela ocupação <strong>de</strong> lugares públicos do meio urbano, como<br />
viadutos, pontes, estações, marquises ou soleiras <strong>de</strong> edificações. De outro<br />
modo, submoradias, construídas em áreas ver<strong>de</strong>s ou qualquer brecha <strong>de</strong><br />
espaço, como entre rodovias, são comuns.<br />
Embora seja objeto <strong>de</strong> ação social pública, freqüentemente surgem novos<br />
grupos sem alternativa <strong>de</strong> moradia. Agem como produtores <strong>de</strong> lugares<br />
efêmeros. Suas ações não perpetuam. Pela condição que se encontram, agem<br />
com intenção limitada <strong>de</strong> tentativas <strong>de</strong> reprodução da sua vida. Coleta <strong>de</strong><br />
esmola e alimento parece ser um cenário comum do meio urbano<br />
metropolitano. Por estarem presos à reprodução limitada da vida, também<br />
limitada po<strong>de</strong> ser vista a sua participação no âmbito da integração. Pertencem<br />
à rua como a um espaço geral que quase nunca é duradouro. Por isso,<br />
também estão limitados na criação <strong>de</strong> valor, na geração <strong>de</strong> alguma utilida<strong>de</strong>.<br />
Talvez este seja um dos modos mais eficientes <strong>de</strong> se produzir <strong>exclusão</strong> social<br />
e territorial: gerar a impossibilida<strong>de</strong> da relação <strong>de</strong> transformar, sob qualquer<br />
condição.<br />
Há situações um pouco variantes, como por exemplo, coletores <strong>de</strong> lixo.<br />
Destes há pelo menos dois tipos: os coletores <strong>de</strong> alimento e aqueles que<br />
elaboram alguma separação para comércio. Estes últimos, po<strong>de</strong>-se interpretar,<br />
produzem valor. Constroem espaços <strong>de</strong> habitação em condições precárias,<br />
pois, com freqüência ocupam áreas próximas a áreas geradoras <strong>de</strong> lixo. Neste<br />
caso, já pertencem a um lugar, posto que criam territorialida<strong>de</strong>s menos<br />
13 As situações relatadas nesta seção foram levantadas em pesquisa realizada em 2000-2001,<br />
com apoio da Fundação <strong>de</strong> Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Gran<strong>de</strong> do Sul.<br />
7
efêmeras. Estão sujeitos a um mercado que se <strong>de</strong>senvolve e estabelece<br />
preços, muitas vezes em forma <strong>de</strong> monopólio aos materiais coletados.<br />
Possuem, portanto, vínculos com o mercado.<br />
Deve-se apontar que o modo geral <strong>de</strong> fazerem parte da integração<br />
economia-política-cultura se dá por sua localização no interior <strong>de</strong> um território<br />
estatal e, por reterem a compreensão cultural a ele referente.<br />
2.2 – Situações <strong>de</strong> assentamentos urbanos e economia popular:<br />
Associações locais e a economia popular vêm <strong>de</strong>monstrando a<br />
possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> existência da vida, através <strong>de</strong> movimentos que po<strong>de</strong>m ser<br />
caracterizados <strong>de</strong> <strong>inclusão</strong>. Neste âmbito tem sido especialmente a<br />
combinação entre um lugar para morar, uma ativida<strong>de</strong> econômica alternativa<br />
(alternativa porque surge a partir das possibilida<strong>de</strong>s do capital humano em<br />
associação com oportunida<strong>de</strong>s locais, seja <strong>de</strong>vido à existência <strong>de</strong> algum<br />
recurso ou pela união <strong>de</strong> habilida<strong>de</strong>s, etc.), e uma atuação em solidarieda<strong>de</strong> o<br />
que tem permitido a existência da ativida<strong>de</strong>. O caso apresentado a seguir<br />
refere-se a um assentamento urbano <strong>de</strong> população retirada <strong>de</strong> uma área <strong>de</strong><br />
risco, em que parte da comunida<strong>de</strong> <strong>de</strong>dica-se à ativida<strong>de</strong> <strong>de</strong> reciclagem do lixo<br />
seco coletado pelo Departamento Municipal <strong>de</strong> Limpeza Urbana.<br />
Esta população residia à beira do lago Guaíba, na cida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Porto Alegre,<br />
em favelas sem saneamento urbano. No local, junto às moradias havia criação<br />
<strong>de</strong> pequenos animais, como porcos e galinhas, algumas hortas, além <strong>de</strong> muito<br />
lixo. Este se originava da coleta e separação realizada no próprio local, pois a<br />
maioria dos moradores realizava a referida coleta na região mais central da<br />
cida<strong>de</strong>, e a transportava em carrinhos <strong>de</strong> tração humana. Na própria favela<br />
havia um <strong>de</strong>pósito, para o qual os coletores vendiam sua produção, constituída<br />
predominantemente <strong>de</strong> papelão.<br />
No âmbito da apropriação os moradores tem tido a condição <strong>de</strong> fixação<br />
em um loteamento urbano implantado pelo setor público municipal. Esta nova<br />
condição trouxe melhorias sanitárias e habitacionais, além <strong>de</strong> incluir junto aos<br />
assentamentos escolas municipais <strong>de</strong> nível fundamental. O <strong>de</strong>slocamento da<br />
população, entretanto, não foi acompanhado completamente pela criação <strong>de</strong><br />
alternativas <strong>de</strong> trabalho.<br />
Limitadamente, cerca <strong>de</strong> sessenta pessoas trabalham numa Unida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
Reciclagem <strong>de</strong> Lixo Seco, implantada pela prefeitura. A unida<strong>de</strong> é constituída<br />
<strong>de</strong> um estabelecimento que conta com <strong>de</strong>pósito, boxes <strong>de</strong> separação <strong>de</strong> papel,<br />
metais, vidro, plásticos, etc. e equipamentos <strong>de</strong> compactação. A ativida<strong>de</strong><br />
realizada na separação do lixo ren<strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> dois salários mínimos por<br />
associado (algo próximo <strong>de</strong> 130 dólares, no ano <strong>de</strong> 1999). Trata-se <strong>de</strong> uma<br />
alternativa econômica que apresenta as características <strong>de</strong> autogestão: a<br />
organização apresenta a estrutura <strong>de</strong> uma cooperativa <strong>de</strong> trabalhadores. Há na<br />
cida<strong>de</strong> outras associações <strong>de</strong>ste tipo e já se constitui no Rio Gran<strong>de</strong> do Sul (o<br />
Estado mais meridional no Brasil) uma Fe<strong>de</strong>ração que congrega cerca <strong>de</strong> trinta<br />
<strong>de</strong>stas associações.<br />
Parte dos atuais membros da associação já atuavam nesta ativida<strong>de</strong> na<br />
antiga Vila Cai-cai. Lá obtinham uma renda um pouco menor, pagamento<br />
obtido pela entrega da produção para um <strong>de</strong>pósito <strong>de</strong> intermediação.<br />
8
Atualmente o grupo ainda comercializa com intermediários, principalmente para<br />
a comercialização <strong>de</strong> garrafas do tipo pet, pois lhes faltam ainda melhor<br />
estrutura organizativa, assim como equipamentos como telefone. Atualmente<br />
não têm podido admitir mais associados na organização, o que lhes dividiria a<br />
renda. Mas há na comunida<strong>de</strong> local muito <strong>de</strong>semprego. Isto proporciona<br />
sempre a atuação <strong>de</strong> um agenciador que remunera precariamente as pessoas<br />
que buscam <strong>de</strong> forma isolada uma atuação como coletores e separadores <strong>de</strong><br />
lixo. Nesse sentido, <strong>de</strong>ve-se observar que se a atuação isolada no mercado<br />
implica a ocorrência <strong>de</strong> mecanismos redutores da renda, a organização<br />
econômica popular apresenta-se como uma alternativa a isto, porém limitada<br />
em termos <strong>de</strong> <strong>de</strong>manda. Esta permite que a agregação <strong>de</strong> valor proporcionada<br />
pela ativida<strong>de</strong>, seja mais bem auferida como ganho aos seus operadores, em<br />
vez <strong>de</strong> ser capturada por um <strong>de</strong>pósito intermediário.<br />
O grupo manifesta forte i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> com o passado. Guardam uma<br />
memória geográfica significativa sobre a Vila Cai-cai. Têm muitas lembranças<br />
boas da vida e do lugar que habitavam anteriormente. A vila Cai-cai foi um<br />
espaço transformado pelo grupo. Em seus relatos apontam a construção <strong>de</strong><br />
uma vida solidária. Fazem referência à arborização existente – o local é<br />
atualmente uma área ver<strong>de</strong> urbanizada – que foi implantada pelos antigos<br />
moradores. Lembram que praticavam o cultivo <strong>de</strong> hortaliças, o que se torna<br />
impeditivo atualmente, <strong>de</strong>vido ao local que resi<strong>de</strong>m ser constituído <strong>de</strong><br />
pequenos lotes individuais. As relações i<strong>de</strong>ntitárias, embora sejam<br />
significativas entre os membros da associação, não estão <strong>de</strong>senvolvidas como<br />
comunida<strong>de</strong> <strong>de</strong> bairro, pois compartilham-no com grupos vindos <strong>de</strong> outras<br />
áreas da cida<strong>de</strong>. Os seguintes extratos <strong>de</strong> relato espelham bem esta situação.<br />
Eu me acostumei aqui. Eu aprendi muito a me acostumá aqui. (...) Lá [na Cai-<br />
Cai] era bom pra mim. Eu me sentia bem lá. Mas eles se sentem melhor aqui.<br />
Aqui eles tem espaço pra brincá. Aqui eles tem colégio. (...) Eu tenho<br />
adoração por aquilo lá. Eu acho que era o costume (...) Sempre trabalhando<br />
com lixo. Não da forma como eu trabalho hoje. A gente aproveitava só o que<br />
os atravessador lá compravam. Por isso que hoje melhorou bastante a renda<br />
aqui. Eu puxava carrinho. Era muita disputa. Tinha que saí 5 horas da manhã<br />
e disputá o material que eles botavam na rua... Além <strong>de</strong> disputá com o<br />
caminhão da Coleta Seletiva, que já existia na época... tinha que disputá com<br />
meus próprio vizinho. O carrinheiro recolhe <strong>de</strong> dia prá comê <strong>de</strong> noite. Eles<br />
são bem mais explorado do que nós ainda. Por que eles ven<strong>de</strong>m pra<br />
atravessadores que pagam bem menos. 14<br />
2.3 – Situações <strong>de</strong> acampamento e assentamento rural:<br />
As duas situações consi<strong>de</strong>radas aqui se relacionam ao Movimento dos<br />
Trabalhadores Rurais Sem Terra e suas ações pela realização <strong>de</strong> Reforma<br />
Agrária. Este movimento, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> seu início (meados dos anos 80) tem realizado<br />
ações <strong>de</strong> ocupação <strong>de</strong> terras públicas e privadas, <strong>de</strong> modo a pressionar pela<br />
realização <strong>de</strong> Reforma Agrária. Nesse processo tem sido marcante a<br />
realização <strong>de</strong> acampamentos, nos quais famílias <strong>de</strong> agricultores permanecem<br />
14 Depoimento <strong>de</strong> Siloir, li<strong>de</strong>rança da associação.<br />
9
por longo período até obterem a conquista da terra. Em geral tem sido<br />
aproximadamente <strong>de</strong> três anos o período <strong>de</strong> mobilização em acampamentos e<br />
manifestações públicas, até a obtenção do assentamento. Em assentamentos<br />
variam bastante as formas <strong>de</strong> organização interna, mas encontram-se muitas<br />
situações <strong>de</strong> estruturas associativistas. Algumas <strong>de</strong>las se <strong>de</strong>finem como<br />
autogestionárias e coletivas.<br />
Pelo modo <strong>de</strong> apropriação do espaço, pela criação <strong>de</strong> duas formas<br />
espaciais - o acampamento e o assentamento rural - vê-se no MST sinais <strong>de</strong><br />
ruptura com o modo <strong>de</strong> apropriação do espaço hegemônico da socieda<strong>de</strong><br />
capitalista. As rupturas se percebem pela organização coletiva do<br />
acampamento e <strong>de</strong> muitos assentamentos. A relação com o espaço, o vínculo<br />
<strong>de</strong> posse, estabelece <strong>de</strong> início condições distintas <strong>de</strong> relação entre os<br />
indivíduos e propicia que a participação na socieda<strong>de</strong> ocorra mediada pelo<br />
interesse <strong>de</strong> um coletivo.<br />
Através da criação do fato territorial - do acampamento - o MST recria sob<br />
uma forma autônoma <strong>de</strong> condução da vida (Heller, 1970, p. 40), dois <strong>de</strong> nossos<br />
vínculos com o espaço. O vínculo <strong>de</strong> apropriação diverge da solução<br />
apresentada pelo mercado e o vínculo <strong>de</strong> valorização é perpassado pela<br />
organização coletiva. O sentimento <strong>de</strong> pertencimento e a consciência territorial<br />
passam a ser ressignificados a partir da intercessão entre territorialida<strong>de</strong> local e<br />
as escalas mais abrangentes.<br />
O acampamento produz formas <strong>de</strong> experiência <strong>de</strong> si on<strong>de</strong> os acampados<br />
tornam-se sujeitos <strong>de</strong> um modo particular. Essas formas <strong>de</strong> experiência<br />
configuram a formação da subjetivida<strong>de</strong> socioespacial (ou territorial), na qual<br />
o sentimento e o sentido <strong>de</strong> pertencimento a um lugar não é fixo (mas que se<br />
encontra nos discursos do movimento), é criado e recriado por seus<br />
acampados on<strong>de</strong> estiverem reunidos ... (Nativida<strong>de</strong>, 2003, p. 217).<br />
Um acampamento do MST caracteriza-se por um conjunto <strong>de</strong> barracos<br />
que servem <strong>de</strong> moradia. O aspecto geral <strong>de</strong> cada barraco se assemelha à<br />
organização <strong>de</strong> uma casa simples, com cômodos para dormir, cozinhar e estar.<br />
Em geral, se o tempo é bom, as pessoas não permanecem em seu interior na<br />
maior parte do dia.<br />
Há várias ocupações distribuídas entre os acampados. Uma organização<br />
por setor distribui funções no interior no acampamento, em geral,<br />
<strong>de</strong>sempenhadas por equipes ligadas a necessida<strong>de</strong>s da coletivida<strong>de</strong>: escola 15 ,<br />
comunicação, alimentação, higiene, religião e segurança. O acampamento,<br />
especialmente quando muito gran<strong>de</strong> também é dividido por núcleos<br />
organizados por i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong>, geralmente em função do local <strong>de</strong> origem dos<br />
acampados, o que se <strong>de</strong>fine por maior aproximação cultural. De cada núcleo,<br />
<strong>de</strong>vem ser indicados participantes para os setores. Ainda, <strong>de</strong> cada setor e <strong>de</strong><br />
cada núcleo são indicados representantes para a coor<strong>de</strong>nação geral do<br />
acampamento. Como rotina, diariamente há reuniões regulares em núcleos,<br />
setores e coor<strong>de</strong>nação geral.<br />
15 A partir <strong>de</strong> 1996, o MST no Rio Gran<strong>de</strong> do Sul passou a implantar escolas nos<br />
acampamentos. São chamadas <strong>de</strong> Escola Itinerante, possuem uma Escola Base e estão<br />
regulamentadas pelo Conselho Estadual <strong>de</strong> Educação. Sobre o assunto, ver Heidrich et alli<br />
(2000, p. 13-17).<br />
10
Esta estrutura ten<strong>de</strong> a se repetir nos assentamentos rurais. Agregam-se a<br />
ela várias funções organizativas ligadas às ativida<strong>de</strong>s rurais, como setor <strong>de</strong><br />
produção (<strong>de</strong> grãos), <strong>de</strong> horta, dos animais, etc. Na fase <strong>de</strong> implantação <strong>de</strong> um<br />
assentamento, geralmente se <strong>de</strong>finem também ativida<strong>de</strong>s ligadas a<br />
implantação <strong>de</strong> infra-estrutura e construção <strong>de</strong> moradias.<br />
O MST se organiza como uma re<strong>de</strong>. Possui coor<strong>de</strong>nação regional e<br />
nacional. Várias cooperativas do MST atuam no beneficiamento e<br />
comercialização da produção. Também tem sido crescente a opção por uma<br />
produção orgânica. Revelam, <strong>de</strong>sta maneira fortes vínculos territoriais e com a<br />
integração social geral. É o que se po<strong>de</strong> <strong>de</strong>preen<strong>de</strong>r da fala que segue:<br />
Se nos conseguisse a formá vários cooperativismo, varias associações, dava<br />
uma <strong>de</strong>monstração <strong>de</strong> organização. (...) Se ele não acha um meio pra se<br />
organiza ele vai à falência. E como uma esperança (...) que se nós não<br />
consegui muda a situação do país nosso, mas que nos plante uma semente<br />
pra que nossos filho sigam tentando pra vê se muda. (...) Se meu o pai,<br />
minha familia, meus avós, tivesse começado a lutar por uma melhoria do<br />
nosso país, (...) hoje nós já taria bem mais adiantado, bem mais organizado...<br />
Porque nós tamo ficando com o país sucateado (...) A esperança é <strong>de</strong><br />
mudança (...) se não alcançá pelo menos fica a semente. (...) Se tu entrá<br />
numa favela ou mesmo na área rural... tu vê a fome que passa. E nós tem<br />
terra pra produzi. Principalmente a área rural não podia passa isso. Passa<br />
porque tá excluido da socieda<strong>de</strong>. 16<br />
2.4 – Situações <strong>de</strong> agricultura ecológica:<br />
As comunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> agricultores ecologistas têm, por seu turno, um forte<br />
vínculo <strong>de</strong> consciência territorial, <strong>de</strong> compreensão <strong>de</strong> sua existência ligada à<br />
natureza e ao sentido da vida. Apresentam por sua vez, rupturas com a<br />
territorialida<strong>de</strong> mo<strong>de</strong>rna pela ressignificação <strong>de</strong> sua produção agrícola, <strong>de</strong> ser<br />
orientada por um valor ético-ecológico-comunitário e não absolutamente<br />
mercantil.<br />
A agricultura orgânica ou ecológica é produzida por pequenos<br />
produtores, que estruturam sua ativida<strong>de</strong> baseada fundamentalmente no uso<br />
intensivo <strong>de</strong> mão-<strong>de</strong>-obra. Em geral, muitos <strong>de</strong>les já utilizaram intensivamente<br />
adubação química e agrotóxicos. Tanto por razões <strong>de</strong> intoxicação como pela<br />
elevação dos custos <strong>de</strong> produção têm optado pela mudança.<br />
Esses pequenos produtores se organizam associações locais, têm apoio<br />
técnico <strong>de</strong> organizações voltadas para a promoção da agricultura e a sua<br />
comercialização. Além da produção local, uma outra ativida<strong>de</strong> importante<br />
<strong>de</strong>stas associações consiste na organização <strong>de</strong> feiras, que além terem a<br />
comercialização por objetivo, também o <strong>de</strong> divulgação do consumo <strong>de</strong> produtos<br />
orgânicos, da prática ecológica e da crítica ao modo <strong>de</strong> vida tradicional. De<br />
fato, a prática parece implicar na constituição <strong>de</strong> um modo <strong>de</strong> vida distinto.<br />
16 Depoimento <strong>de</strong> Alci<strong>de</strong>s, agricultor do assentamento 31 <strong>de</strong> Maio, município <strong>de</strong> Charqueadas,<br />
interior do Rio Gran<strong>de</strong> do Sul.<br />
11
O que existe aqui (...) foi por resistência nossa (...) a gente foi conquistando<br />
<strong>de</strong>vagar (...)”. O nosso relacionamento com o consumidor é muito importante.<br />
(...) Claro que tu não vive sem dinheiro. Um dos objetivo é fazê dinheiro pra<br />
tu te mantê, né? Mas tu tem que vê (...) Trabalhando com orgânico... nós não<br />
tá prejudicando a terra. E a consciência <strong>de</strong> tu trabalha em grupo (...) Porque<br />
na socieda<strong>de</strong> que nós temo hoje (...) ela tá se afunilando que se fica sozinho<br />
(...) Se tu não te juntá com alguém tu tá ferrado. (...) ela só se tornas viável<br />
na medida em que a gente faz um grupo. 17<br />
“Eu mesmo trabalhava com veneno (...) Tinha até uma bomba motorizada<br />
que eu (...) botava veneno nos bananal (...) Eu mesmo era traficador daquilo<br />
(...) Tava usando aqueles veneno. Não tanto na minha roça, nas minhas<br />
terra, como na dos outro (...) eu tinha uma bomba (...) Vê a situação que o<br />
cara andava (...) Ninguém contrariava a gente (...) Nem sabia que era tão<br />
perigoso como é. Prá dize (...) ‘foi só por causa dos veneno?’ Uma parte sim.<br />
Só por causo da questão financeira? Não, por que igual a gente tava<br />
ven<strong>de</strong>ndo.” 18<br />
Os casos relatados acima <strong>de</strong>vem ser vistos como representativos <strong>de</strong><br />
situações vividas por indivíduos ou grupos sociais em relação ao espaço social.<br />
Cada situação é parte <strong>de</strong> um complexo <strong>de</strong> fatos, objetos, relações e arranjos. O<br />
mercado é um fato importante que po<strong>de</strong> caracterizar uma situação, mas não é<br />
o único. A condição territorial que reconhece direitos é outro. O acesso a terra,<br />
e a consciência disto, etc., são exemplos <strong>de</strong> vínculo ou não vínculo territorial. A<br />
natureza dos vínculos com o território po<strong>de</strong> significar tanto o afastamento como<br />
a aproximação com integração socioespacial, situar-se em algum grau <strong>de</strong><br />
<strong>inclusão</strong> ou processo <strong>de</strong> construção <strong>de</strong> vida econômica, social ou cultural.<br />
Assim, a cada situação correspon<strong>de</strong> um conjunto específico <strong>de</strong> vínculos<br />
territorial, os quais em resumo, se traduzem por diferentes níveis <strong>de</strong> <strong>inclusão</strong>.<br />
O quadro seguinte procura sintetizar essa relação.<br />
A relação entre a socieda<strong>de</strong> e o espaço po<strong>de</strong> ser vista através do grau<br />
<strong>de</strong> participação dos grupos sociais nas integrações das quais participam. Assim<br />
como a própria socieda<strong>de</strong>, o seu território constitui expressão <strong>de</strong>sta integração.<br />
Como vimos, a <strong>exclusão</strong> social <strong>de</strong>ve ser consi<strong>de</strong>rada um movimento, um<br />
processo no qual a relação que se elabora com a socieda<strong>de</strong> e com o espaço,<br />
po<strong>de</strong> ser vista em momentos capazes <strong>de</strong> estabelecer vínculos <strong>de</strong><br />
pertencimento a eles. As relações dos grupos com estas integrações dão-se,<br />
como <strong>de</strong>monstramos acima, a partir <strong>de</strong> ações ligadas a sobrevivência, a<br />
reprodução social, a apropriação <strong>de</strong> espaço nesta realização e a consciência<br />
<strong>de</strong>stas ações e vínculos.<br />
Das situações analisadas <strong>de</strong>ve-se dizer que os vínculos territoriais são<br />
bastante frágeis na situação <strong>de</strong> <strong>exclusão</strong>, como obviamente seria <strong>de</strong> se<br />
esperar. A relação com o espaço como apropriação apresenta uma condição<br />
bastante efêmera, as práticas <strong>de</strong> valorização são bastante limitadas. Não se<br />
apresenta, também, <strong>de</strong> modo significante a consciência da inserção a uma<br />
condição participante na socieda<strong>de</strong>. Por outro lado, a situação <strong>de</strong> economia<br />
17 Depoimento <strong>de</strong> Volnir, agricultor da Associação <strong>de</strong> Agricultura Ecológica da Região <strong>de</strong> Torres<br />
(ACERT), do município <strong>de</strong> Morrinhos do Sul (Nor<strong>de</strong>ste do RS).<br />
18 Depoimento <strong>de</strong> Marcos também agricultor da ACERT.<br />
12
popular po<strong>de</strong> ser vista com vínculos em construção, apresentando-se,<br />
entretanto uma espécie <strong>de</strong> diacronia entre os mesmos. As outras duas<br />
situações, por sua vez, caracterizam-se como <strong>de</strong> vínculos significativamente<br />
<strong>de</strong>senvolvidos e articulados.<br />
Quadro 1<br />
Situação<br />
Exclusão<br />
(moradores<br />
<strong>de</strong><br />
rua/catadores<br />
<strong>de</strong> lixo)<br />
Inclusão<br />
(assentament<br />
os urbanos e<br />
economia<br />
popular)<br />
Inclusão<br />
(acampament<br />
os e<br />
assentamento<br />
s rurais)<br />
Inclusão<br />
(agricultura<br />
ecológica)<br />
Condição<br />
geral<br />
Frágeis<br />
Em construção<br />
Fortes,<br />
<strong>de</strong>senvolvidos<br />
e articulados<br />
Fortes,<br />
<strong>de</strong>senvolvidos<br />
e articulados<br />
13<br />
Vínculos territoriais<br />
Apropriação Valorização Consciência<br />
Condição<br />
efêmera<br />
Garantida/em<br />
construção<br />
Em<br />
construção,<br />
conscientemen<br />
te conquistada<br />
Plenamente<br />
construídos<br />
Muito limitada<br />
Com algumas<br />
limitações/em<br />
construção<br />
Variável, em<br />
construção,<br />
plenamente<br />
realizável e<br />
com problemas<br />
Em realização<br />
Fraca ou<br />
inexistente<br />
consciência <strong>de</strong><br />
participação na<br />
integração<br />
social<br />
Em<br />
construção,<br />
com problema<br />
<strong>de</strong> coesão no<br />
grupo<br />
Forte<br />
consciência<br />
social e<br />
territorial<br />
Forte<br />
consciência<br />
social e<br />
territorial<br />
Para a construção <strong>de</strong> um processo <strong>de</strong> <strong>inclusão</strong> não basta estar no<br />
espaço e ter relações com o mercado, posto que “ambos, através do trabalho<br />
<strong>de</strong> todos, contribuem para a construção <strong>de</strong> uma contrafinalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> todos e (...)<br />
os <strong>de</strong>fine” (Santos, 1987, p. 60). A <strong>inclusão</strong> se viabiliza pelo fortalecimento <strong>de</strong><br />
vínculos territoriais e, <strong>de</strong> modo mais eficiente, garante a sua permanência por<br />
uma articulação em re<strong>de</strong>, pela qual se estabelecem vínculos <strong>de</strong> solidarieda<strong>de</strong><br />
com instituições e lugares (Santos, 1997, p. 215). Colocado <strong>de</strong>sta forma, os<br />
vínculos territoriais são resultantes das ações ou práticas sociais <strong>de</strong> condução<br />
e representação da vida. Depen<strong>de</strong>m, portanto, <strong>de</strong> uma relação com as
externalida<strong>de</strong>s, com os vários âmbitos da integração socioespacial, que nos<br />
dirá sobre a sujeição a tais, que implique em <strong>de</strong>sterritorialização e reterritorialização<br />
dominantes ou, construção <strong>de</strong> territorialida<strong>de</strong>s autocentradas.<br />
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