agosto

cpvsp.org.br

agosto

I. agosto n £ l1


Grupo de Estudos Agrários

Caixa Postal 20.507

90.000 - POETO ALEGRE - RS

tBYYUft0nt€

% W publicação do gea

; VITORIA

DA COMISSÃO ESTADUAL DA PREVIDÊNCIA

\ Os três estados do Sul foram igua-

lados ao resto do pais e os servi-

] ços médicos-hospitalares serão grã

tis para os agricultores. PGÇ- 4

CIMO

/mou

PEHDIZ

COLONOS RESISTEM EM

ENCRUZILHADA NATALINO

TA NA HORA DOS SINDICATOS SE MEXEREM

Ate agora quem negociou com o gover

no sempre foi o pessoal da ABCS - Asso-

iaçao Brasileira de Criadores de Suí-'

s, que vemdem reprodutores e não tem

da a ver com pequenos produtores.

MA PAGINA 5 TABELA COM OS PREJUÍZOS

5 SUINOCULTORES M^S A MÊS.

BARRAGENS:

LUCRO DOS BANCOS:

68 BILHÕES EM SEIS MESES

Cnin it Pastoral rergueiri

BIBLIOTECA

Em Marcelino Ramos 300 pessoa

da ãrea que esta para ser ati

gida pelas barragens se refine

para discutir o assunto.

O DOCUMENTO FINAL DO ENCONTRO

ESTA NA PAGINA 3.


1

EDITORIAL

A luta dos colonos sem-terra de Encruzilhada Natalino nos mos_

tra3 hoje, seu caráter eminentemente pol-itico.

A partir do dia 25 de julho essa luta deixou de ser, perante

todo Brasil, mais uma reivindicação econômica. "QUEREMOS TERRA NO^ RIO

GRANDE DO SUL" significa não apenas exigir que o governo desaproprie os

latifúndios da região, para beneficiar os colonos na beira da estrada ,

em Encruzilhada Natalino, significa também o levantar das vozes de to-

das as famílias de "sem-terras" do Rio grande do Sul e do Brasil.

A situação criada no acampamento de Encruzilhada Natalino^, on

de impera a violência psicológica, e até física em alguns casos, nao e

desligada da situação geral que se encontra o pats hoje. Percebe-se que

dentro do próprio grupo que detém o poder, e que é dividido, os chama -

dos "mais duros" estão em franco desenvolvimento. Fatos como o encami-

nhamento que foi dado ao episódio das bombas do Rio-Centro,^ onde os gru

pos terroristas que atuam no pa-ts e que tem estreita ligação com o po-

der, sairam ilesos. 0 desemprego em massa que está se dando nas grandes

cidades, o pacotão da Previdência que o governo procura impor, além da

própria queda do chamado "mago do Palácio", o General Golbery, bem como

os boatos de uma possível prorrogação de mandatos com a anulação das e-

leições de 1982, atestam bem a gravidade da situação no país e a inten-

ção clara e deliberada deste grupo, de se perpetuar no poder, nem que

seja a base da força.

Dentro disso é que se pode entender as declarações do Curio,^

de que os problemas dos colonos deixaria de ser social para entrar na a

rea exclusivamente policial.

Entretanto as intenções do governo, no caso específico dos co_

lonos de Encruzilhada Natalino, estão sendo barradas diante da organiza

ção e da persistência daã.-^colonos acampados e da solidariedade que tem

recebido dos mais variados setores aa sociedade. E é so isso que tem im

pedido uma ação mais violenta no sentido de acabar com o acampamento.

Na verdade a situação hoje, para o governo, não é nada bca.En

tão vamos partir do seguinte:parc c govervo a necessidade_de acabar com

o acampamento é urgente, pois o desgjaste político que estão sofrendo e

muito grande, ainda mais' num ano pré-eleitoral. Isto tende a se agravar

com o passar do tempo. Por outro lado, ^todas as formas possíveis e ima-

gináveis de pressão sobre os colonos já foram utilizadas, a vinda do Cu

rió ê a prova disso. E todas tiveram resultado limitado, não conseguin-

do desmobilizar os colonos acampados.

Quem não saiu até agora, não sai rais, até povque não tem pa-

ra onde ir.

A necessidade de usar repressão ostensiva nesse momento, por

si só já se configuraria numa derrota para Curió e a quem ele represen-

ta, seria como o coroamento de uma ação em que o governo joga os seus

melhores homens e tem que fazer no final JLas contas, o que qualquer co-

ronel poderia ter feito, comandar uma ação militar.

Duas possiblidades ainda se colocam, e são com relação a esta

interfenção federal que não foi oficializada, ou seja, ou abandonar o

caso para o governo estadual ou oficializar a intervenção decretando En

cruzilhada Natalino área de Segurança Nacional.

A primeira possibilidade é a menos provável, mas em todo o cas

so se acontecesse, o Amaral já teria uma saída pronta, o Crédito Fundic

rio, que embora não resolvendo problema algum, apenas acalmaria os âni-

mos, uma vez que atende a proposta dos Bispos e de políticos de oposi -

ção.

A segunda, a Decretação de Área de Segurança Nacional, e bas-

tante presente, e talvez seja a saída "jurídica" que o Curió fala. Uma

ação deste tipo se desenvolveria em duas frentesj em primeiro lugar,jun

to aos próprios colonos, aumentando a perseguição aos líderes e ate en-


2

quadrando alguns na Lei de (in)Segurança Naoional(segurança dos capita-

listas), e em segundo lugar partindo para as pessoas representantes de

entidades que mais se destacaram na Campanha de Solidariedade. Embora

isto possa ser mais eficaz, do ponto de vista deles, de qualquer forma

nao jgarante de imediato a desmobilização dos acampados, porque ninguém

esta ali porque gosta de dormir ao relento e por outro lado, seria o

mesmo que derramar um galão de gasolina numa fogueira. Abre espaço para

uma Campanha de Solidariedade muito mais intensa que a de agora,

Como vemos, as opções do governo não são muitas, mas não .pode_

mos nos iludir, A repressão mais cruel não veio ainda não ê porque o go_

verno seja bonzinho ou coisa que o valha, mas sim porque não é conve-

niente neste momento.

Qualquer vacilação pode ser fatal ao movimento, por isso o a-

poio claro, marcando bem de que lado esta, intensificando a Campanha de

Solidariedade e a obrigação de todos que lutam por uma Reforma Agrária

Radical, que sirva aos interesses dos trabalhadores dos campos e das oi_

dades.

- TERRA PARA QUEM NELA TRABALHA

- TERRA NO RIO GRANDE DÓ SUL PARA OS ACAMPADOS DE ENCRUZI-

LHADA NATALINO

A CRISE CHEGOU NO GEA

0 TERRAGENTE passado completou o seu número 10. Do n 9 1 até a-

gora jâ se pode contar dois anos em que o GEA tem procurado da melhor '

forma possível contribuir para o avanço das lutas dos trabalhadores no

campo.

Nossa proposta é clara: apoio a luta dos trabalhadores rurais,

denuncia das injustiças do campo, por uma política agrícola que esteja*

de acordo com os interesses dos trabalhadores rurais e urbanos, por um

sindicalismo autêntico, mobilizador das bases, contra a pelegada e fi'nalmente

por uma Reforma Agraria Radical e sobre o controle dos traba-'

lhadores.

Nestes dois anos temos sobrevivido com muito sacrifício ■ ur.p.

vez que o GEA e um grupo que se auto-financia. Isto, tem reflexo direto

no nosso trabalho, ouseja, o que conseguimos fazer é com muitas limitações

e o pior, outro tanto não pode ser feito.

Pois bem companheiros, nesta edição o GEA esta fazendo um chamamento

a todos que acham importante a existência de um grupo com esta'

proposta, para que ajudem no financiamento do GEA através de contribuições

espontâneas, que deveriam ser enviadas por carta nu por vale-postal

à nossa caixa-postal.

Sugerimos ainda que o companheiro ou a entidade que esta di£

postos veja também a possibilidade de sistematizar esta colaboração con

tribuindo periodicamente com o GEA. ' :

Quanto a quantia podemos adiantar que tudo ajuda e que esta

nas condições de cada um.


BARRAFE 9 IÍO ' ,

Um assunto que começa a ser f£

lado e que vai car muito pano para

manga é o das barragens.

A coisa tá ôndando meio 5igil£

sa, ia, mas se sabe saoe que para as ab duas audb

primeiras, a de Itá e Machadinho ,

já estão até preparando as obras

de infra-estrutura para iniciar a

cons t rução.

.ias, conforme dados da própria

Eetrosul. Isto quer dizer que 12,

3% dos habitantes dos 2^ municfpios

que terão parte de suas terras

alagadas, vão ser diretamente atin^.

g i d o s .

Este pessoal já começou a est£

dar em conjunto a situação e estão

se o r g a nIzan d o para garanti r u m

tratamento justo, já que, segundo

pensam o 1 es , não-.adianta lutar

contra a construção destas barranr

gcns r. vai perce

bendo que na rea reíjiidace estas obras

-.ão ^ão trarão benefi'ei benefreios para a regi-

ao, mas prejufzos, pois vão modif_i_

car o equilíbrio ecológico que se

estabeleceu em milhares de anos, £

lém dos prejuízos financeiros, di-

minuindo a produção agrícola e a

renda, e sociais pela expulsão de

f a )*• f 1 í a s separando parentes, ami -

gos . comunidades que ali criaram

ra ízes .

0 povo já andou lendo e discu-

tindo em çrupr-?-' alguns textos so-

bre o assunto. Jã fez assembléias

mais amplas e resolveu se organi-

zar em comissões. Então cada comu-

nidade está constituindo sua comls_

são, eleitas por eles mesmos de

forma democrática, ao contrário das

dec i soes d'a',E 1 e t ros u ' , que são to-

madas sem consultar e nem' seqtper

SsCTarecer o povo como, por exem -

pio, a próprig decisão de constru-

ir barragens foi tomada em gabine-

tes, sem nenhuma participação popu_

lar. Estas comissões por sua vez,

se organizam ao nível de município

e até uma comissão geral, envolver^

do as duas barragens e os dois es-

tados ,: jã está funcionando.

, No. início de agosto realizou -

^e uma ré'unlão yeral de represen

tantes das famílias atingidas em

Marcelino Ramos, na qual compareci;

ram mais de 300 pessoas, o que mos_

O POVO SE ORGANIZA

tra o alto nível de interesse que

que o assunto desperta. Nas comuri

dades já haviam discutido e levan-

tadoalguns critérios que orient3S_

se o povo no trato Com a empresa .

Esse.material serviu de base para

o encaminhamento dá reunião. Tam-

bém estiveram presentes pessoas

que participaram da luta em Itaipu

no Paraná, dando depoimentos sobre

suas experiências. As desgraças o-

corridas nas outras barragens cons

truídas ou em contrução estiveram

como um pano de fundo nas preocupa

çoes do pessoal.

No final, chegaram '^a algumas

conclusões que deverão ser novamen

te discutidas nas comunidades por

todos os atingidos.As preocupações

principais são seis:

1. COM RELAÇÃO A TERRA

Duas a 1 ternat i vas :

a) TERRA POR TERRA.

Cond i ções:

-No mesmo estado (ou estado v i z _!_

nho e igual qualidade e tamanho,

-Ver terra antes de assinar com-

p romi sso.

-Possibilidade de acerto em gru-

po e/ou intermediado pelas comis

soes ou sindica tos.

b) INDENIZAÇÃO.

Cond i ções:

-Emdinheiro e preço justo,no ní

nimo igual ao do mercado do dia,

-Pagamento no máximo 15 dias a-

pós o aco rdo.

-Contrato coletivo fiscalizado

pela comissão e sindicato.

-Contrato simultâneo com as ben-

feitorias.

-Permanecer na propriedade ate c

a 1agamen to.

-Quando só fica alagado uma par-

te, o proprietário que decide se

quer a indenização total ou par-

cial.

2. COM RELAÇÃO AS BENFEITORIAS

-Avaliação feita pela construção

civil na ocasião da indenização.

com fiscalização e_avaliação dos

Sindicatos, comissões e entidade

que apó i am.

- Indenização em conjunto com a

terra e namesma época.

-Intermediação das comissões dos

expropriados ou Sindicatos.

-Indenizar redes e estradas pa-

ra os colonos.

-Direito de cada um remover to-

das as benfe i tor i as.

-Infra-estrutura no assentamento

por conta da Eletrosul.


3 • COM RELAÇÃO AOS QUE NAO EB-EY-iaÊN-Clâ

POSSUEM TERRA

:— , _ No dia 24 de julho, o Mmis -

(posseiros, arrendatários, peões

parceiros...) tro Jair Soares baixou portaria i-

-Direito de serem reassentados gualando os três estados do Sul ao

em terra no iu[, com terra finan resto do país e instituindo a gra-

ciada e assistência.

-Infra-estrutura por conta da E- tuidade de todos os serviços medi-

letrosul. _ co-hospitalares para os agriculto-

- Indenização das benfeitorias.

res. (A intenção de anunciar esta

h. COM RELAÇÃO AO JEITO DE - , ^

"dádiva" na concentração do dia Z5

NEGOCIAR

— . de julho, em Erexim, e faturar po-

-Acertos coletivos (somente em

grupos), com intermediaçio das liticamente, mas felizmente a con-

comissões ou Sindicatos. contração foi cancelada, porque os

r Fisba 11 zaç-ao e assessor Ia de ou

trás entidades como 0AB,CPT, etc agricultores da região mao atende-

5. TEMPO DE ESPERA PARA MUDAR ram aos apelos).

-Ficar na terra até o alagamento Essa foi uma grande vitoria dr

-Desapropriação com acordo antes

do início das obras. movimento sindical gaúcho, que a-

6. COM RELAÇÃO AOS ESTRAGOS través da Comissão Estadual da Pre

ANTERIORES DAS OBRAS videncia conseguiu mobilizar quase

-Indenizar todos os estragos fe_i_ todos os sindicatos do estado,pres

tos antes do início das obras. sionando o Ministro a assinar essa

-Impedir a entrada da Eletrosul

na propriedade e_procurar o sin- Portaria, que e o primeiro passo ,

dl cato ou comissio para tentar a da luta p0r uni novo projeto da Pre

cordq.

videncia.

Ainda no final decidiram exi-

gir da Eletrosul a demarcação exa- Agora, a luta será " garantir

ta da área atingida, porque até a- „

gora ninguém sabe certo, e impedir que os hospitais e médicos cumpram

o inícro do trabalho de construção com a portaria. Muitos municípios

enquanto não forem bem definidos o

crltérto ou os critérios da empre- ainda nao estão respeitando. Deve-

sa com relação aos atingidos. Por mos ^iyuXgar essa vitoria o mais

último, acharam que devem começar,

desde agora, a manter^contatos com amplamente possível entre os agn-

as autoridades, através da Comis- cultores, e manter a turma de so

são Geral, no sentido de manifes-

tar suójs inquietações e solicitar breaviso, para que qualquer irrega

apoio. laridade dos médicos seja conheci-

Algumas questões permanecem pa_ ^ e para que a ciaSse consiga £a

ra uma,análise mais ampla. Porque _ .

a construção destas barragens? Po_r zer pressão e garantir o respeito

que a população não é informada e - Portaria.

nem consultada sobre esses assun-

tos, e as decisões chegam de forma Vamos denunciar ao Ministério

arbitrária dos gabinetes? As me 1ho

res terras para produção ficarão e na imprensa os médicos e nospi-

encobertas, milhares de pessoas I- tais ^ue nao respeitam ã Portaria.'

rão perder sua fonte de sustento e

serão desestruturadas culturalmen- Vamos continuar o trabalho de

te. expulsas de seu me i cy. Compensa?

r .- ' - base para conseguir um novo proje

Enfim, esse e um assunto que

deverá fazer parte de todos nós, to de Previdência.

nãn «;n dos aue serão afetados dire

íamente pelas águas, pois de um DA NOSSA UNIÃO DEPENDE NOSSA FORÇA

ieito ou de outro, todos seremos a „«„„-«, «A--* irr^mT»

J Jngidos. - DA NOSSA FORÇA DEPENDE NOSSA VITORIA


A SITUAÇÃO Pn pnpcn

Está sobrando tudo: esta sobrando carne de boi, está sobrando

40 mil toneladas de leite, está sobraíidcí carne de porco, está sobrando

cebolas e assim por diante.

O gozado de tudo isto e que o povo da cidade, no meio da so-

bra, não está fazendo fila prá comprar esses produtos todos. Os jor-

nais de todo o país noticiam que a venda de alimentos nos supermerca -

dos estão diminuindo, isto e, o povo come cada vez menos.

E no campo campo, como está?

Vamos ver alguns dados do porco:

EVOLUÇÃO DO CUSTO DE PRODUÇÃO DO KG DE PORCO - CR$

MES CUSTO

PREÇO

PAÇO

; DIFERENÇA

Abril/81 69,33 72,00 2 ,67 (lucro)

Maio/81 75,62 65,00 10 ,62 (Prejuízo)

Junho/81 75,62 62,00 13 ,62 (Prejuízo)

Julho/81 80,48 60,00 20 ,48 (Prejuízo)

Agosto/81 80,00 65,00 15 ,00 (Prejuízo)

No quadro acima se nota ;çpmo

os preços do porco e os custos se

comportaram nos'últimos meses. Os

prejuízos para o produtor continu

am aumentando.

Mas, por outro lado, as esta-

tísticas do governo mostram que o

abate nos frigoríficos 'r contirilia

aumentando. E que os lucros deles

também aumentam.

E daí, qual o problema mesmo?

Será que só os pequenos produto-

res tão se lascando? E as granjas

estão ganhando dinheiro junto com

os frigoríficos? Será que o nego-

cio não é tirar de vez o pequeno

produtor da criação do porco , e

passar para o milho?

Se queremos continuar produ -

zindo porco, que seria uma boa a^

ternativa para quem tem pouca ter

ra, vamos ter que brigar. So dinú

nuir a produção não adianta, pois

é isso que os grandes querem: nos

tirar do negócio.

Na regional de Três Passos ja

foram feita? várias reuniões para

discutir o assunto, mas sempre *QS

grandes produtores (ate deputado)

se meteram e não deu em nada.

Até agora quem negociou com c

governo sempre foi o pessoalC„da

ABCS - Associação Bjasileirar $é

Criadores de Suínos - que vendem

os reprodutores e não tem nada ja

ver com os pequenos criadores. Na

reunião com o governador prá dis-

cutir o problema do porco não ti-

nha nenhum "criador" que estives-

se sem gravata e paletó.'

Tá na hora dos Sindicatos e

os pequenos se «mexerem e se orga-

nizarem, e promoverem uma reunião

só de pequenos,caso contrário mui

ta gente vai pro brejo.

Prá tentar ajudar nesta orga

nização, nos próximos dias, o GEA

vai fazer uma publicação especial

sobre a situação da suinocultura.

È um texto prá animar a discussãc.


ENCRUZILHADA NATALINO:

O movimento dos colonos sem-

terra de Encruzilhada Natalino toma

dimensões políticas em todo o pais.

Pouco a pouco o governo vai _ sendo

colocado na parede, em relação a

questão fundiária. Os colonos de Na

talino levantam sua voz em nome de

todos os "sem-terra" do país, exi-

gindo aquilo que lhes e justo: Ter-

ra para quem nela trabalhai

No acampamento de Natalino,após

a intervenção do governo federal,no

dia 30 de junho., o Coronel Curió e

seus capangas têm usado todas as

táticas possíveis para destruir o

movimento dos colonos sem-terra.

Armado de um forte esquema de

segurança formado pelo Exercito,PM,

Polícia Federal,caracterizando o a-

campamento como um verdadeiro cam-

po de concentração, o Coronel^Cuno

tenta espalhar o terror através de

ameaças e introduzir sua doutrina

ção militarista aos colonos sem-ter

Nos primeiros dias, Curiotenta-

v? sutilmente, através da intimida-

ção, da perseguição pessoal e dis-

tribuição de promessas, convencer

os colonos a desistirem da luta.Sua

tática de distribuir comida de gra-

ça era para que ele aparecesse como

"bonzinho", mas na verdade ele ten-

tava desviar a atenção dos colonos

para a questão do alimento ao mves

da reivindicação da terra. Para ten

tar convencer os colonos a irem pa-

ra os projetos de agro-vilas na Ba-

hia e em Mato Grosso, o Coronel Cu-

rió chegava a oferecer a quantia de

40 3 50 mil cruzeiros para aqueles

que aceitassem.

Através de sua imprensa particu

lar, jornalistas que na verdade ee-

ram agentes policiais, ou que ao me

nos nao eram jornalistas, como e o

caso de Flávio Damian, que escreveu

um artigo para a Zero Hora,^ Cuno

tentava enganar a opinião publica ,

falando de seu carisma, da liberda-

de existente no acampamento, das o-

timas condições das agro-vilas. Tu-

do isso para pintâ-lo comovo ben-

feitor", homem_capaz de dialogo e

compreensão, não passava^de um tra-

balho organizado com um único^ fim:

acabar com o acampamento dos ; sem-

terra.

Ao mesmo tempo que isso aconte-

cia no acampamento, muitos setores

da opinião pública, alguns políti-

cos oportunistas , alguns homens da

imprensa, direções sindicais pele-

jas e ate setores da Igreja entra-

vam na conversa de Curió, assumindo

e defendendo as propostas do rover-

no.

TERRA AQUI E AGORA

Dos próprios parlamentares da

oposição, que se dizem defensores

dos direitos do povo, pouco ou na-

da se ouve ou se fez para haja um

apoio efetivo ã luta dos colonos.

A própria FETAG, que vinha par

ticipando do Movimento de Solidar^

eda aos Sem.Terra, fugiu da briga,

e hoje está em cima do muro, acu

sando infiltrações, subversões e

pedindo aos colonos que nao radica

lizem e estudem com calma, as pro-

postas do governo.

Frente a toda essa situação o

com o fim de quebrar o isolamento,

dia 8 de agosto, uma caravana derJ

representantes das entidades de -

poio ao Movimento, foram ate Nata-

lino.

Lá, encorajados, pelo apoio

das entidades, os colonos denuncia

ram diante do Coronel Cuno,

pressões , violências e injustiças

que estavam sofrendo. Dinte disso

Curió teve que baixar a cabeça,mas

ja pensava na tática que iria usar

na semana que estava por vir.

Na segunda-feira, dia 10 de

posto, conseguindo fugir do acampa

mento, dois colonos vêm a Porto/-

le^re e entregam uma carta a im-

prensa e as entidades, onde falam:

"Não somos bichos, jorâ^ficar enrr-

inlado", denunciam as perseguições

e as violências, e ao mesmo tempo.,

pedem o apoio de todos para conf

nuarem na luta.

No meio da semana que decorria

viria a virada da tática do Coro-

nel Curió. Ele deixava de lado 3

métodos "sÚtis e delicados" paro u

sar a repressão para valer.

0 acampamento foi fechado mer-

mo ninguém entra mais, cs homens

não saem e as mulheres saem so CçTI

lincença, dizendo o lugar onde vr.o

e a que horas vão voltar.

Curió passou a chamar um

um dos colonos a se fazerem presen

tes em sua barraca. La pedia eqçpli

cações de onde vinha , o que era ,

se queria ou não ir para c - Mato

Grosso? E se o Coronel achasse

que as explicações nao eram convin

contes, encostava uma camionete ac

lado do barraco do colono ,oerruva-

o colocava o pouco que o ,Colono

tinha em cima da camionete e o lar

pava longe dali, na estrada._Dessa

maneira, pelo menos 15 famílias ia

foram expulsas.

Ao mesmo tempo o Coronel atra-

vÓs de ameaças ia convencendo va-

rias famílias a aceitarem terrar,


no Mato Grosso. 0" medo .e o desespe

ro es-tara estampado no rosto dos

colonos.

Ao todo ja contavam 130 _£amí-

lias que aceitaram,sob pressão, a

proposta de ir ao Mato Grosso. Po-

rém, restava ainda, 438 famílias ,

que fincaram pé na terra e diziam:

"Nem que derramemos a.jáltima gota

de sangue aqui, mas nos ficamos no

Rio Grande".

Estes colonos que continuam

firmes na luta pela terra no Rio

Grande do Sul são constantemente a

meaçados pelo Coronel Curié, de se

rem incluídos na Lei de Segurança

Nacional.

No outro sábado, dia 15 de^ a-

gosto, outra caravana de dois ôni-

bus foi até o acampamento. La, es-

ta caravana foi impedida de entrar

e em conversa com 4 representantes

da caravana, que foram chamados na

barraca de Curió ele disse que con

sidera a Campanha de Solidariedade

encerrada. Disse ainda^ que reco-

nhece que a liberdade é restrita

no acampamento^e tem prazo do Pre-

sidente da República até o dia 25

de agosto para acabar de qualquer

maneira com o acampamento.

Indagado se caso fosse consta-

tado, por levantamento, terras^ o-

ciosas no estado,se seria possível

o reassentamento dos colonos? Cu-

rió disse:"Mesmo que haja^terra no

estado, a versão oficial é_de que

não há." Mas e as declarações do

Preside-te do INCRA, Paulo lokota,

e o levamtamento feito a pedido do

próprio governador as entidades de

que ha terras improdutivas no esta

do. Frente a esta afirmação Curiõ

respondeu que a ordem que ele tem

é que não há terra, não importa o

que o presidente do INCRA disse ou

o que o governador disse, "não há

terras no Rio Grande do Sul",

Diante disso a gente se pergun

ta: Onde esta o Amaralzinho? AfT

nal de contas ele é ou não é o^go-

vernador dos gaúchos? Onde esta a

sua palavra de homem quando disse

que o lugar de gaúcho é no Rio ...

Grande e quando coloca como uma ..

das metas prioritárias de seu go

verno o reassentamento de 180 miT

famílias de agricultores sem terra?

Al ..pstâ colocada uma questão:

quem mahda é o Amaralzinho ou o Cu

rio?

As declarações do Coronel VCú

riõ, os constantes pronunciamentos

dos deputados do PDS e as notícias

emcomendadas a imprensa como por e

xemplo a reportagem do-dia 15.. de a

qosto, que saiu no jornal Nacional,

^stãc servindo para preparar o cam

po para uma ação violenta sobre os

colonos sem terra.

Por outro lado sè nota que mes_

mo com toda a repressão que_existe

no acampamento, o governo não se

sente seguro para o confronto com

os colonos, tanto que do prazo li

mite de 25/8 passou para 31/8.

Outro fato de grande importân-

cia para a luta dos colonos foi a

posição que os bispos gaúchos toma

ram, apoiando a proposta de terra

no Rio Grande do Sul. Isto apesar

de um pouco atrasado, certamente a

trapalhará os planos do Curiõ que

jâ se vê mais embananado ainda de

pois que foi concedido salvo-condu

to pela Justiça Federal a uma cara

vana de 35 pessoas que visitou o a

campamento no dia 22/8, quebrando o

monopólio, rompendo o isolamento

ao qual os acampados estavam subme

tidos.

É hora de nos fazermos presen-

tes nessa luta, mais do que ja es-

tamos. Temos que^lutar pelo direi-

to a terra. Não é justo que _tao

poucos tenham tanta terra na mão.

Não é justo que o boi tome o lugar

do homem na terra.

Por isso chamamos a todos: Sin

dicatos, associações, comunidades,

entidades, para que dêem seu apoio

denunciando, mandando cartas ao a

campamento, fazendo-se presentes^a

essa luta que é de todos nos, gaú-

chos de verdade, que amamos o nos-

so chão.

ESTA TERRA É A NOSSA LIBERDADE

E A NOSSA TERRA,,

A DE TODOS OS IRMÃOS, y.^,,

| POR QUE ELE NAO VAI ?

"Se eu estivesse na situação dos

colonoss sem perspectivas de desa

pvopriação de terras no nosso Esta-

do, num ambiente desesperadors acho

que iria aceitar a proposta do IN_

CRA3 para plantar na Serra do Rama

lho3 na Bahia". Esta frase^ por rn

crível que possa parecer, e de um

"dito" representante des trabalhado^

res rurais que foi junto na viagem

para a Bahia, trata-se de Luvs Mar

tins Rosa, tesoureiro da FETAG.

Que belo apoio este senhor esta

dando a luta dos sem terra, logo e

le, que é representante de uma enti^

dade, que deveria estar a frente pu

xando a luta por terra no Rio Gran-

de do Sul. Ainda bem que ele escla-

rece que iria SE estivesse na

situação dos coTõnos, e com

este tipo de declaração


â oem provav ei que ele não fique

nem perto de uma situação destas 3

porque certa, mente seria "socorrido"

pelo governo

Além de tudo^ esta historia de

situação des esperadora e falta de

perspectiva de desapropriação fica

por conta da cabeça dessas que no

meio de uma luta jâ a dão por perdida}

o que num momento como este

que os colon os estão vivendo somen

te contribui j e muito, para fortalecer

as pro postas do governo,

RQÇEIO BONITO: TRABALHADORES

GANHAM SEU SINDICATO

Mais um sindicato vai para as

mios dos seus legítimos donos, os

t raba1hado res .

Agora foi a vez dos trabalhado

res rurais de Rodeio Bonito,que de

pois de uma intensa campanha de mo

bilização na base, discutindo os

problemas dos agricultores, bem co

mo a forma que uma Diretoria deve

utilizar para atuar dentro do Sin-

dicato, elegeram a Chapa 2S Oposi-

ção Sindical, para ser a sua repre^

sentante.

As constantes vitórias das opo

sições, com a conseqüente expulsão

de muitas diretorias pelegas e pas_

sivas dos sindicatos, têm dado,nes_

tis últimos tempos, um novo alento

para os que tiveram que agüentar ,

calados pela repressão durante mui

to tempo, a investida da pelegada

sobreaclasse.

A gente vê hoje que as coisas

já estão muito diferentes,diversas

oposições ganham sindicatos, dive_r

sos sindicatos que eram passivos ,

começam a abrir os olhos e a enca-

minhar as lutas. Contudo ,ainda são

muitos os lugares, por este Brasil

afora, que a pelegada deita e rola

Agora, uma coisa ê certa, eles

não perdem por esperar. E assim c£

me Rodeio Bonito, dentro em breve,

em muitos outros lugares a classe

vai munir-se do seu sindicato, fa-

zendo um movimento sindical forte

e unido pela base.

RANffK' LUCROS DE 68 BILHÕES

■VV^' EM SEIS MESES,

Os bancos comerciais privados

conquistaram 1 ucros extraordinários

no primeiro semestre deste ano,

graças , princi palmente, a política

econômica gove rnamental, que liberou

os juros b ancãrios, Esta e a a

nãlise feita p or uma revista espe"

cializada em e conomia, de nome Exa

me, na sua edi ção de 29/07/81.

Vamos ver os lucros dos ban-

8

queiros nos primeiros 6 meses des-

te ano: ' ■'

BRAD

ITAO

■SACI

m N0R0

*m

ESCO 1 1

ESI

b i 1bces

b i 1hões

b i 1 hão

b i 1 h ã o

b i1hões

b i1hões

ONA

imi e ANC 0 - 1

REAL

- 2

BAME RIN DUS-2

AUXI LIA R -

MERC ANT IL- 2 bi1hões e

ECON OMI CO- 1 b i 1 hão e

SAFR

- 1 bilhão e

k^E m

CITI BAN K - 1 b i1 hão e

TO Çíi IRO-2 b i1hões e

COMI NA

E •

I L

510

552

015

579

755

781

221

415

507

775

366

266 m

062

408

430

460

835

hões

hões

hões

hões

hões

hões

hões

hões

hões

hões

hões

hões

hões

hõe;

hões

hões

hõe c ;

BCN

431

1 h õ e L-

ToTAL.....36_bilhões_e_368_milhões

E claro que diante desses lu-

cros fantásticos, os outros capita

listas ficam com inveja, por que

não conseguiram explorar tanto e

tão bem, os trabalhadores do cam-

po e da cidade que nem os banquei-

ros fizeram.

Então, para não serem critica

dos demais por seus colegas,os ban

queiros inventam muitas maneiras

para esconder o lucro. Sô com uma

delas - PROVISÃO PARA DEVEDORES

DUVIDOSOS - (Como se alguém fosse

louco de não pagar os bancos e ter

tudo o que possui executado), os

bancos mascaram, com a concordânc^

a do governo, mais de 31 bilhões .

383 milhões de cruzeiros de lucros

Somando isso com o lucro declarad

o lucro dos banqueiros partícula ■

res vai para quase 68 bilhões de

cruzeiros, de Janeiro a Junho

1981.

Ê por isto e na frente da fome

e da miséria de milhões e milhões

de brasileiros, que os banqueiros

estão todos de acordo com a políti

ca econômica do governo.


1. v>


PDS verifica grande

descontentamento

Pedro Américo l^al: "O

que vi no Interior, pejo me-

nos na região la «xijec-

taliva de ganliar um lole do

tetia A revolta i lama qiio

qu.ilijU;-!- dfsciuso em que «o

toque no assunto a spcMtf é

interrompido por apUiu>o«".

CORREIO DO POVO

f!, re;>] mente, o coronel deputa

do do PDS não esta mentindo quan-

do diz que o governo "deixou o pro

blcma" dos sem-terra crescer de-

mais, ele cresceu tanto por este

Rio Grande que jã começa a estou-

rar, e a Encruzilhada Natalino, e

mais um exemplo destes estouros.

Quanto aos colonos acampados

em ura bando de aventureiros e

.dedores de terras, e muito co-

i. ouvir de pessoas que pertencem

u defendem interesses da classe

>cJal como a do coronel deputado,

coisas deste tipo, pois quem rece-

em torno de cr$500,000 ,00 por

-, não consegue^imaginar o que e

•r que vender ate o ultimo pedaço

terra para pagar médicos e hos-

tais, ou cobrir os prejuízos com

a frustração de safra.

Sem duvida, o povo trabalhador

icm que ter espírito de aventuras,

ois para conseguir sobreviver' a

roda a exploração que os donos de

íãbricas, banqueiros e latifundia-

os fazem ao povo, so mesmo com

muita coragem e esperança, senão o

ovo enlouquece.

Por fim, e bom nos perguntar-

mos quem é que aplaudiu o Coronel-

deputado Será que foram operãri-

)S e pequenos agricultores? Cremos

[ue nao, por isto é que de todos

s lados têm chegado apoio de tra-

balhadores aos acampados de Ronda

ta, por que eles são um exemplo

união dos explorados na luta

;r condições dignas de vida a que

-das- as pessoas têm direito.

n

FICHA DE UM PELEGAO

i. Já está a mais de 10 anos no

Sindicato.

2. Ê do Diretório do : 'DS e cândida

te a prefeito da cidale.

Z. Junto ao Sindicato possui uma

casa de produtos para a agricultu-

ra, que está no nome da mulher, pa

ninguém desconfiar.

4. Ganha um alto salário para fa-

zer nado..

5. Anda com tanta vernonha dos co-

lonos, que parece que vai deixar o

cargo para outro.

6. É estudante de Direito

7. F-a:-'. "horas" que não vê um pé de

milho., c, muito monos, uma enxada.

R. Coriwno nauaar o trabalho da I-

'rre,*a de ser cornuniste.

RESPONDA:

- Por que esse tipo de gente

continua no movimento sindical?

- Vale a pena ou não organizar

uma oposiçdo sindicaí?

:m

do fumo

n i n do p

* F ü fl 0 *

alguns municípios da região

o pessoal j ã est á s\i reu -

ara discutir um 1 ivrinho so

bre 0 c usto de produção do fumo ,so

bre a s i tu a ç ã o das Com pa nhias, etc

Ess e livrinho foi nu bliçado pe

Ia PETA G, e ê um jeito d e ir prepa

rando a turma, conscient izando, pa

ra pode r conseguir um pr eço justo

para o fumo, na próxima safra. Os

municip ios que tem fumo devem escrever

urgente para a PE TAG, pedin

do o li vrinho e iniciar o trabalho

de b a s e

Enquanto isso, os industriais

do fumo, reunidos na Ba h i a, anun -

ciaram que esse ano a p rodução de

f u v.\ o v a i au me n t a r en t r e 5 e 10 % .

H quanta gente de sindi cato saiu

por aí dizendo que a so luçãc era

diminuir a produção?As companhi as

têm muito mais influénc ia sobre os

agricultores para fazer diminuir ,

ou aumentar a produção; os sindica

tos tem muito mais resp eito se se

pre o eup a m cm o r g a n i za r a turma prâ

brigar por preço, porqu e isso sim,

interessa a toda a cias se.

Se a saída para os

da colônia fosse parar

ia acabar todo mundo na

negócio e brigar por um

to, por uma remuneração

nosso trabalno.

problemas

de produzir

cidade. 0

preço jus-

justa do


;?^rí

i

0621. 'oJienãJejv iB-ioasM o^neo

*'»*^,J||pW«!BB

.

More magazines by this user
Similar magazines