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INFORMATIVO Nr 119 − 3°/2011 – - Portal de Ensino do Exército

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ESCOLA DE COMANDO E ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO<br />

CURSO DE PREPARAÇÃO E SELEÇÃO<br />

“ESCOLA MARECHAL CASTELLO BRANCO”<br />

CURSO DE PREPARAÇÃO<br />

À ESCOLA DE COMANDO E ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO<br />

(CP/ECEME)<br />

<strong>INFORMATIVO</strong> <strong>Nr</strong> <strong>119</strong><br />

<strong>−</strong> <strong>3°</strong>/<strong>2011</strong> <strong>–</strong>


ÍNDICES<br />

NOVA ORDEM MUNDIAL E RELAÇÕES INTERNACIONAIS...........................................................3<br />

Pior fase <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a Segunda Guerra......................................................................................3<br />

É o fim <strong>do</strong> sonho da Europa …............................................................................................4<br />

Essa crise não é econômica é política.................................................................................7<br />

Banco Central da Grécia alerta sobre risco <strong>do</strong> país sair da zona <strong>do</strong> euro...........................7<br />

REDES DE INFRAESTRUTURA NO BRASIL ..................................................................................................7<br />

Parque Tecnológico <strong>do</strong> Fundão revisto, amplia<strong>do</strong> e disputa<strong>do</strong> ...........................................7<br />

Programa nuclear brasileiro atrai multinacionais ...............................................................10<br />

O Rio vai ficar nú? .............................................................................................................11<br />

MEIO AMBIENTE E GESTÃO AMBIENTAL NO BRASIL..............................................................................13<br />

O Centro-Oeste é a fronteira mais promissora para a mineração <strong>do</strong> ouro ........................13<br />

Vegetação natural virou pasto em 80% das áreas <strong>de</strong> preservação permanente...............15<br />

Reservas indígenas chegam a 13% <strong>do</strong> território, mas não reduzem conflitos...................17<br />

Governo quer multa máxima para a Chevron.....................................................................18<br />

Para especialistas, aci<strong>de</strong>nte é alerta..................................................................................20<br />

Relator tenta acor<strong>do</strong> sobre o código florestal.....................................................................21<br />

GEOGRAFIA SAÚDE ......................................................................................................................................22<br />

Experiencia <strong>do</strong> Nor<strong>de</strong>ste promove cuida<strong>do</strong> nutricional das gestantes...............................22<br />

Saneamento mo<strong>de</strong>lo no Distrito Fe<strong>de</strong>ral ...........................................................................23<br />

HISTÓRIA.........................................................................................................................................................25<br />

Boa imagem <strong>do</strong> Brasil na África impulsiona investimentos no Brasil.................................25<br />

Fórum <strong>de</strong> direitos humanos da ONU con<strong>de</strong>nará Síria, dizem fontes.................................27<br />

Laços latinos......................................................................................................................27


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 3 <strong>de</strong> 34<br />

NOVA ORDEM MUNDIAL E<br />

RELAÇÕES INTERNACIONAIS<br />

PIOR FASE DESDE A 2ª GUERRA<br />

Para Angela Merkel, a Europa está diante <strong>do</strong> maior <strong>de</strong>safio <strong>de</strong>s<strong>de</strong> o conflito. A<br />

Alemanha propõe saída voluntária <strong>de</strong> países <strong>do</strong> euro. A insegurança <strong>do</strong>s agentes <strong>do</strong><br />

merca<strong>do</strong> financeiro em relação à crise da dívida na Zona <strong>do</strong> Euro, mesmo <strong>de</strong>pois da<br />

nomeação <strong>de</strong> novos lí<strong>de</strong>res na Grécia e na Itália, levaram a chanceler alemã, Angela<br />

Merkel, a classificar o atual momento na região como o pior <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a Segunda Guerra<br />

Mundial. Enfraquecida politicamente <strong>de</strong>ntro <strong>do</strong> próprio parti<strong>do</strong> — o União Democrata<br />

Cristã (CDU, na sigla em alemão) — a chefe <strong>de</strong> governo aproveitou o congresso da<br />

legenda e fez um apelo para que a Alemanha assuma a li<strong>de</strong>rança <strong>de</strong> um processo para<br />

"salvar" o que ela consi<strong>de</strong>rou como o mais ambicioso projeto europeu. A intenção <strong>de</strong><br />

tomar a frente da reforma <strong>do</strong> euro ficou clara em uma resolução aprovada durante a<br />

convenção, que permite ao governo alemão estabelecer normas capazes <strong>de</strong> permitir a<br />

saída voluntária <strong>de</strong> países <strong>do</strong> bloco monetário.<br />

Mais enfático, o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, explicou que o<br />

governo propõe mudanças no Trata<strong>do</strong> <strong>de</strong> Lisboa da União Europeia até o fim <strong>de</strong> 2012 e<br />

acrescentou que prefere ver to<strong>do</strong>s os 27 membros da União Europeia assinan<strong>do</strong> as<br />

alterações <strong>do</strong> trata<strong>do</strong>, mas admitiu que alguns países que não integram o euro já<br />

indicaram que se opõem, como a Grã-Bretanha. "Nesse caso, pediria que eles não<br />

impedissem os 17 (que compõem a Zona <strong>do</strong> Euro) <strong>de</strong> prosseguir", afirmou.<br />

A <strong>de</strong>fesa das reformas na região, feita pelo ministro e por Merkel, são uma<br />

resposta às cobranças que a chanceler e sua equipe recebem. Partidários os acusam <strong>de</strong><br />

terem aban<strong>do</strong>na<strong>do</strong> i<strong>de</strong>ais conserva<strong>do</strong>res da sigla. "A Europa vive um <strong>do</strong>s piores<br />

momentos <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a Segunda Guerra Mundial, talvez o pior momento. Cada geração tem<br />

seu <strong>de</strong>safio político e a atual enfrenta um teste histórico com esta crise financeira",<br />

afirmou a chanceler para quase mil militantes <strong>do</strong> CDU.<br />

Dependência<br />

Em um discurso que ultrapassou as fronteiras alemãs e foi en<strong>de</strong>reça<strong>do</strong>,<br />

indiretamente, a outros lí<strong>de</strong>res europeus, Merkel <strong>de</strong>stacou que o sucesso da Alemanha<br />

<strong>de</strong>pen<strong>de</strong> da resistência <strong>do</strong> projeto político e monetário <strong>do</strong> euro. "A Eurozona é muito mais<br />

<strong>do</strong> que uma moeda, é um símbolo <strong>de</strong> meio século <strong>de</strong> paz, liberda<strong>de</strong> e bem-estar social",<br />

comentou. "Se a Europa vai mal, a Alemanha vai mal. Se o euro fracassar, a Europa vai<br />

fracassar", completou.


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 4 <strong>de</strong> 34<br />

A chanceler lembrou que, apesar <strong>de</strong> manter o posto entre as economias mais<br />

fortalecidas da União Europeia (UE), a Alemanha <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> <strong>do</strong> bom funcionamento <strong>do</strong>s<br />

<strong>de</strong>mais merca<strong>do</strong>s, uma vez que são os <strong>de</strong>stinos <strong>de</strong> sua produção. Atualmente, 60% das<br />

exportações alemãs ficam nos 27 países membros da UE. "Precisamos da Europa para<br />

que a Alemanha fique bem. Nove milhões <strong>de</strong> empregos <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>m diretamente <strong>de</strong>ssas<br />

exportações", ressaltou.<br />

Ao exigir reformas na Europa, como já fez aos sócios europeus, Merkel lembrou<br />

que as reformulações <strong>de</strong>vem ser traduzidas em mais empenho <strong>do</strong>s próprios países.<br />

"Fazemos parte <strong>de</strong> uma política interna europeia. Se a Alemanha está disposta a ajudar<br />

os países em dificulda<strong>de</strong>, também espera que façam seus <strong>de</strong>veres, sanean<strong>do</strong> as finanças<br />

públicas", concluiu.<br />

Autor(es): » Gabriel Caprioli.<br />

Fonte: Correio Braziliense <strong>–</strong> 15/11/<strong>2011</strong>, disponível em<br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/15/pior-fase-<strong>de</strong>s<strong>de</strong>-a-2aguerra/?searchterm=<br />

É O FIM DO SONHO DA EUROPA?<br />

Ao centralizar as <strong>de</strong>cisões sobre a crise econômica, Alemanha e França colocam em risco o<br />

projeto <strong>de</strong> uma União Europeia formada por países iguais<br />

Numa lista das empreitadas mais ambiciosas da história humana, algumas<br />

iniciativas teriam presença garantida <strong>–</strong> a colonização da América, a vitória <strong>do</strong>s alia<strong>do</strong>s<br />

sobre Hitler, a chegada à Lua. Mereceria um lugar <strong>de</strong> honra nessa lista também a<br />

fantástica aventura intelectual, econômica e política da criação da União Europeia e <strong>do</strong><br />

euro. "A Europa quer ser uma", escreveu o filósofo alemão Friedrich Nietzsche no final <strong>do</strong><br />

século XIX, numa <strong>de</strong>claração <strong>de</strong> repúdio ao nacionalismo belicoso que dividia o<br />

continente. O mote foi repeti<strong>do</strong> pelo escritor alemão Thomas Mann durante a Segunda<br />

Guerra Mundial, numa crítica ao discurso <strong>de</strong> superiorida<strong>de</strong> e agressão <strong>do</strong>s nazistas.<br />

Foram necessárias décadas <strong>de</strong> negociações, a fim <strong>de</strong> que o projeto <strong>de</strong> unificação<br />

ganhasse um corpo político, na forma da União Europeia, em 1992 (hoje com 27 países),<br />

e uma face monetária, o euro, concebi<strong>do</strong> em 1999 (hoje usa<strong>do</strong> por 17 países).<br />

Depois <strong>de</strong> to<strong>do</strong> esse trabalho, neste turbulento final <strong>de</strong> <strong>2011</strong>, o presi<strong>de</strong>nte francês,<br />

Nicolas Sarkozy, afirmou, para to<strong>do</strong>s que quisessem ouvir, que a Europa, na verda<strong>de</strong>,<br />

<strong>de</strong>veria ser duas. "Haverá uma Europa <strong>de</strong> duas velocida<strong>de</strong>s: uma que se move rumo a<br />

mais integração, na Zona <strong>do</strong> Euro, e outra velocida<strong>de</strong> para uma confe<strong>de</strong>ração, na União<br />

Europeia", afirmou ele, num discurso na quarta-feira. To<strong>do</strong>s enten<strong>de</strong>ram que a meta<strong>de</strong><br />

que importa seria a Zona <strong>do</strong> Euro, saudável, capitaneada por Alemanha e França.<br />

A afirmação <strong>de</strong> Sarkozy marcou uma semana angustiante. A crise tornou real, pela<br />

primeira vez, a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> uma gran<strong>de</strong> economia europeia dar calote em sua dívida.<br />

A Itália, oitava maior economia <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>, tem obrigações da or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> € 200 bilhões em<br />

2012. Caso falhe em honrá-las, as consequências para a economia global serão mais<br />

severas que as provocadas pela quebra <strong>do</strong> banco americano Lehman Brothers, em 2008,


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 5 <strong>de</strong> 34<br />

que lançou o mun<strong>do</strong> em recessão. Nem o anúncio da saída <strong>do</strong> primeiro-ministro italiano,<br />

Silvio Berlusconi, consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> um entrave à normalização da vida italiana, suspen<strong>de</strong>u o<br />

amargor que <strong>do</strong>mina o continente.<br />

Estaria a Europa caminhan<strong>do</strong> para novas divisões, como quer Sarkozy? Isso<br />

ajudaria a evitar uma nova onda <strong>de</strong> pânico e quebra<strong>de</strong>ira global? Não há, na verda<strong>de</strong>,<br />

nenhum plano coerente por parte <strong>do</strong>s governantes europeus. Não são realistas as<br />

esperanças <strong>de</strong> um gran<strong>de</strong> resgate com dinheiro da China ou <strong>do</strong> Fun<strong>do</strong> Monetário<br />

Internacional. Tampouco é provável que os países da Zona <strong>do</strong> Euro concor<strong>de</strong>m em dar<br />

mais po<strong>de</strong>r a uma autorida<strong>de</strong> econômica central, o que permitiria uma reação à crise nos<br />

mol<strong>de</strong>s em que ela é feita em países que têm sua própria moeda. O que ten<strong>de</strong> a<br />

acontecer é mais simples: concentração <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r na Europa nas mãos <strong>do</strong>s países que<br />

têm recursos para combater a crise.<br />

Des<strong>de</strong> que o colapso das economias europeias começou, o ganho <strong>de</strong> influência da<br />

Alemanha sobre os parceiros tornou-se notável. Nos últimos meses, a França também<br />

confirmou sua participação no centro <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r <strong>do</strong> continente. Sarkozy e a primeiraministra<br />

alemã, Angela Merkel <strong>–</strong> uma dupla já apelidada <strong>de</strong> Merkozy pela imprensa<br />

europeia <strong>–</strong>, ganharam po<strong>de</strong>r à custa da marginalização <strong>do</strong>s "sócios menores" da Europa.<br />

Foi nesse contexto que Sarkozy anunciou sua polêmica visão <strong>do</strong> futuro. Ele afirmou ser<br />

"impossível" pensar em integração total com "33, 34 ou 35" países, número que a União<br />

Europeia planejava atingir nos próximos anos. Diplomatas têm informa<strong>do</strong> reservadamente<br />

à imprensa que Alemanha e França conversam sobre a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>de</strong>limitar<br />

claramente uma Europa em grupos (leia o mapa abaixo).<br />

A lógica por trás da i<strong>de</strong>ia é que, mesmo sem mudanças formais na regulamentação<br />

<strong>do</strong> euro, Alemanha e França teriam po<strong>de</strong>r crescente <strong>de</strong>ntro da zona da moeda comum.<br />

Seriam afastadas das <strong>de</strong>cisões duas gran<strong>de</strong>s economias da região: a Itália, abatida pela<br />

crise, e o Reino Uni<strong>do</strong>, que não tem intenções <strong>de</strong> a<strong>do</strong>tar o euro. O presi<strong>de</strong>nte da<br />

Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, reagiu contra a i<strong>de</strong>ia <strong>de</strong> novas divisões.<br />

"Não po<strong>de</strong> haver paz e prosperida<strong>de</strong> no norte e no oeste da Europa se não houver paz e<br />

prosperida<strong>de</strong> no sul e no leste", disse.<br />

O apelo <strong>de</strong> Barroso por unida<strong>de</strong> choca-se com uma pare<strong>de</strong> <strong>de</strong> notícias ruins. A<br />

expectativa <strong>de</strong> crescimento da União Europeia para 2012 caiu <strong>de</strong> 1,8% para 0,5%, o que<br />

significa que o <strong>de</strong>semprego vai subir. Os europeus esperavam <strong>do</strong>tar o fun<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />

estabilização <strong>do</strong> continente, o EFSF, com a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> emprestar pelo menos € 1<br />

trilhão a quem precisasse. Agora, está claro que o fun<strong>do</strong> dificilmente chegará a € 800<br />

bilhões, e o resgate da Itália sozinha já consumiria quase esse total. Nesse novo cenário,<br />

França e Alemanha se impõem como fia<strong>do</strong>ras da Europa. Mas elas não querem apenas<br />

coor<strong>de</strong>nar reações <strong>de</strong> socorro a cada nova crise <strong>–</strong> querem agir antes para evitar o pior. A<br />

renúncia <strong>de</strong> Berlusconi é um marco <strong>de</strong>ssa inflexão.<br />

Ele capitulou ante a pressão externa, em uma combinação <strong>de</strong> forças vindas da<br />

parceria Merkozy, da exigência <strong>do</strong>s cre<strong>do</strong>res e <strong>do</strong> me<strong>do</strong> da especulação financeira.<br />

Durante a reunião <strong>de</strong> cúpula <strong>do</strong> G20, no início <strong>do</strong> mês, surgiu a proposta <strong>de</strong> que o Fun<strong>do</strong><br />

Monetário Internacional (FMI) e a UE passassem a supervisionar o ajuste das contas da<br />

Itália. Várias fontes diplomáticas reconheceram nisso o <strong>de</strong><strong>do</strong> <strong>de</strong> Merkel e Sarkozy para<br />

tutelar Berlusconi. Ninguém mais acreditava na capacida<strong>de</strong> <strong>do</strong> Cavaliere <strong>de</strong> comandar a<br />

recuperação italiana. A notícia <strong>de</strong> que seu governo seria vigia<strong>do</strong> <strong>de</strong> fora era o golpe que<br />

faltava para colocar a Itália sob um grau <strong>de</strong> <strong>de</strong>sconfiança insustentável para os


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 6 <strong>de</strong> 34<br />

investi<strong>do</strong>res. Eles passaram a exigir juros cada vez mais altos para comprar os títulos da<br />

dívida pública <strong>do</strong> país. O rendimento <strong>do</strong>s papéis italianos com vencimento em <strong>de</strong>z anos<br />

chegou a 7,7%, um recor<strong>de</strong> <strong>de</strong>s<strong>de</strong> 1999, anterior à a<strong>do</strong>ção <strong>do</strong> euro. Ultrapassar os 7% é<br />

mau sinal <strong>–</strong> a Grécia atingiu esse limite em abril <strong>de</strong> 2010, e Portugal e Irlanda em<br />

novembro <strong>de</strong> 2010. To<strong>do</strong>s precisaram <strong>de</strong> socorro financeiro em poucos meses.<br />

Um <strong>do</strong>s mais respeita<strong>do</strong>s economistas da Itália, Tito Boeri, professor da<br />

Universida<strong>de</strong> Bocconi, em Milão, fez um estu<strong>do</strong> sobre o impacto da má gestão <strong>de</strong><br />

Berlusconi. Ele usou como referência a variação entre junho e novembro <strong>do</strong> valor <strong>de</strong><br />

títulos liga<strong>do</strong>s à dívida italiana. Descobriu que a cada atitu<strong>de</strong> ou falta <strong>de</strong> atitu<strong>de</strong> <strong>do</strong><br />

primeiro-ministro correspon<strong>de</strong>u uma elevação <strong>do</strong> preço <strong>do</strong>s papéis. Na conta final, ele<br />

estima que o seguro contra um calote da Itália ficou € 30 bilhões mais caro por causa <strong>de</strong><br />

Berlusconi. A dívida italiana, <strong>de</strong> € 1,9 trilhão (121% <strong>do</strong> PIB), equivale a quase três vezes<br />

às <strong>de</strong> Irlanda, Portugal e Grécia juntas. É um país gran<strong>de</strong> <strong>de</strong>mais para ser resgata<strong>do</strong> com<br />

dinheiro da UE <strong>–</strong> daí a preocupação <strong>de</strong> Merkel e Sarkozy em tirar Berlusconi <strong>do</strong> caminho.<br />

Quem escolherá o nome <strong>do</strong> próximo premiê é o presi<strong>de</strong>nte, Giorgio Napolitano. Seu<br />

preferi<strong>do</strong> é o economista Mario Monti, um ex-comissário da Itália na União Europeia que<br />

tem o aval da oposição e faria um governo técnico até que seja <strong>de</strong>fini<strong>do</strong> quan<strong>do</strong> serão as<br />

próximas eleições.<br />

A presença <strong>de</strong> "tecnocratas" no governo da Itália e da Grécia <strong>–</strong> on<strong>de</strong> o economista<br />

Lucas Papa<strong>de</strong>mus, ex-funcionário <strong>do</strong> Banco Central Europeu, substituiu o primeiroministro<br />

George Papandreou, traga<strong>do</strong> pela crise <strong>–</strong> já chama a atenção <strong>do</strong>s europeus.<br />

Essa mudança reflete o esgotamento <strong>de</strong> opções políticas. No cenário <strong>de</strong>vasta<strong>do</strong> pela<br />

crise, os tecnocratas têm a tarefa <strong>de</strong> agir como procura<strong>do</strong>res <strong>do</strong> Banco Central Europeu e<br />

<strong>do</strong>s merca<strong>do</strong>s para impor a disciplina fiscal que os políticos tradicionais hesitam em<br />

abraçar. Isso significa que o espaço da política que <strong>de</strong>u origem à generosa concepção da<br />

União Europeia está encolhen<strong>do</strong> em benefício da lógica econômica.<br />

Na Grécia, o primeiro-ministro Papandreou foi afasta<strong>do</strong> <strong>de</strong>pois <strong>de</strong> propor um<br />

plebiscito sobre o ajuste fiscal, um gesto reprova<strong>do</strong> veementemente pela dupla Merkozy.<br />

A Grécia tem a situação mais <strong>de</strong>sespera<strong>do</strong>ra <strong>do</strong> bloco, com uma dívida impagável<br />

equivalente a 160% <strong>do</strong> PIB. A chegada <strong>do</strong> economista Papa<strong>de</strong>mus ao governo traz mais<br />

chance <strong>de</strong> a<strong>do</strong>tar as reformas exigidas pelos cre<strong>do</strong>res. Na Espanha, a responsabilida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> levantar um país com taxa <strong>de</strong> <strong>de</strong>semprego <strong>de</strong> 21%, a maior entre os 27 membros <strong>do</strong><br />

bloco, caberá ao conserva<strong>do</strong>r Mariano Rajoy, <strong>do</strong> Parti<strong>do</strong> Popular (PP). Ele já per<strong>de</strong>u duas<br />

eleições para o atual premiê socialista José Luis Zapatero, é pouco carismático, mas<br />

lí<strong>de</strong>ra a oposição, e isso basta na Europa atual. Só não será escolhi<strong>do</strong> como o próximo<br />

lí<strong>de</strong>r da Espanha se houver uma mudança inesperada nas urnas no próximo <strong>do</strong>mingo, 20.<br />

Rajoy não tem perfil <strong>de</strong> estadista, mas, ao menos no início <strong>do</strong> mandato, <strong>de</strong>verá contar<br />

com a boa vonta<strong>de</strong> <strong>do</strong> merca<strong>do</strong> financeiro e <strong>de</strong> Merkozy <strong>–</strong> <strong>de</strong>s<strong>de</strong> que a<strong>do</strong>te a cartilha da<br />

cúpula europeia (leia a entrevista com Rajoy). "A população sabe que dá no mesmo. No<br />

fim, só importa o que a União Europeia vai dizer", afirma José Ramón Pin, professor da<br />

Escola <strong>de</strong> Negócios (Iese) da Universida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Navarra.<br />

Pin é um <strong>do</strong>s acadêmicos que veem um futuro com <strong>de</strong>cisões mais centralizadas e<br />

menos po<strong>de</strong>r para países em apuros, como Grécia, Itália e a própria Espanha. Seria um<br />

<strong>de</strong>svio consi<strong>de</strong>rável <strong>do</strong>s i<strong>de</strong>ais <strong>de</strong> igualda<strong>de</strong> que <strong>de</strong>ram origem à União Europeia, mas<br />

po<strong>de</strong> ser um ajuste bem-vin<strong>do</strong> em direção à realida<strong>de</strong>. Tratar as economias frágeis <strong>de</strong><br />

Grécia, Irlanda e Portugal como se fossem as sólidas economias da Alemanha e da


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 7 <strong>de</strong> 34<br />

França foi um <strong>do</strong>s erros que conduziram à crise em que se encontra a Europa neste<br />

momento. Além <strong>de</strong> cortar seus gastos nos próximos anos, os europeus terão <strong>de</strong> cortar<br />

também parte <strong>de</strong> suas ilusões. Entre elas, que a união <strong>de</strong> economias <strong>de</strong>siguais sob uma<br />

mesma moeda produziria, sem sobressaltos, prosperida<strong>de</strong> e estabilida<strong>de</strong> permanente<br />

para to<strong>do</strong>s. Não funcionou.<br />

Autor(es): Juliano Macha<strong>do</strong>, Marcos Coronato e Rodrigo Turrer. com Daniella<br />

Cornachione e Matheus Paggi.<br />

Fonte: Época <strong>–</strong> 16/11/<strong>2011</strong>, disponível em<br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/16/e-o-fim-<strong>do</strong>-sonho-daeuropa/?searchterm=<br />

'ESTA CRISE NÃO É ECONÔMICA. É POLÍTICA'<br />

O economista Eric Heyer, <strong>do</strong> Observatório Francês <strong>de</strong> Conjunturas Econômicas<br />

(OFCE), só vê uma possibilida<strong>de</strong> para salvar a zona <strong>do</strong> euro e a França <strong>do</strong> colapso: a<br />

Alemanha tirar o pé <strong>do</strong> freio e aceitar que o Banco Central Europeu aja como o<br />

americano, intervin<strong>do</strong> e emprestan<strong>do</strong>, se preciso. A França corre o risco <strong>de</strong> per<strong>de</strong>r a nota<br />

"AAA"?<br />

ERIC HEYER: Per<strong>de</strong>remos esta nota por a<strong>do</strong>tar um plano <strong>de</strong> austerida<strong>de</strong> muito<br />

forte que vai quebrar com o crescimento <strong>do</strong> país ou porque não a<strong>do</strong>taremos um plano <strong>de</strong><br />

austerida<strong>de</strong>, e os merca<strong>do</strong>s vão concluir que não po<strong>de</strong>mos pagar a dívida. De qualquer<br />

forma, estas duas estratégias nos levarão ao fracasso. E está numa encruzilhada?<br />

HEYER: A França encontra-se numa dinâmica muito ruim, porque nenhuma das<br />

estratégias propostas nos permite resolver o problema. Uma das soluções para resolver<br />

isso seria o Banco Central Europeu (BCE) assumir o papel <strong>de</strong> emprestar - o que<br />

acalmaria a especulação <strong>do</strong>s merca<strong>do</strong>s sobre sua falência em potencial. To<strong>do</strong> mun<strong>do</strong><br />

está <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com isso, à exceção <strong>do</strong>s alemães, porque isso criaria inflação. E os<br />

alemães têm fobia <strong>de</strong> inflação. Também temem que isso vá tirar a pressão sobre Esta<strong>do</strong>s<br />

não virtuosos para que a<strong>do</strong>tem políticas restritivas. Em quanto tempo a Europa sairá<br />

<strong>de</strong>sta crise?<br />

HEYER: Esta crise não é só econômica. É política. Há soluções, mas há freios<br />

políticos. O problema é a Alemanha?<br />

HEYER: É a Alemanha que <strong>de</strong>ci<strong>de</strong> o ritmo. Na reunião <strong>de</strong> outubro, duas estratégias<br />

se confrontaram. A francesa era <strong>de</strong> que o fun<strong>do</strong> <strong>de</strong> estabilização <strong>de</strong>veria se transformar<br />

no cre<strong>do</strong>r. Ganhou a estratégia alemã <strong>de</strong> que isso era impossível.<br />

Autor: DeborahBerlinck<strong>de</strong>borah.berlinck@oglobo.com.br


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 8 <strong>de</strong> 34<br />

Fonte: O Globo <strong>–</strong> 16/11/<strong>2011</strong>.<br />

BANCO CENTRAL DA GRÉCIA ALERTA SOBRE RISCO DE<br />

PAÍS SAIR DA ZONA DO EURO<br />

SÃO PAULO - O Banco Central da Grécia alertou nesta quarta-feira (23) que o país<br />

enfrenta o risco <strong>de</strong> uma saída <strong>de</strong>sor<strong>de</strong>nada da Zona <strong>do</strong> Euro e pediu que o novo governo<br />

<strong>de</strong> coalizão grego acelere o ritmo das reformas econômicas.<br />

Em seu relatório prévio <strong>de</strong> política monetária para <strong>2011</strong>, a autorida<strong>de</strong> afirmou que o<br />

mais recente pacote <strong>de</strong> ajuda à Grécia, no valor <strong>de</strong> € 130 bilhões e li<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> pela União<br />

Europeia, representa a última chance para o país cumprir seu programa <strong>de</strong> reformas.<br />

Não conseguir fazer isso levará a "uma trajetória <strong>de</strong>scontrolada <strong>de</strong> baixa que vai<br />

minar muitas das realizações que têm si<strong>do</strong> alcançadas nas últimas décadas, vai tirar o<br />

país da Zona <strong>do</strong> Euro e vai empurrar para trás em muitas décadas a economia, o padrão<br />

<strong>de</strong> vida, a socieda<strong>de</strong> e a posição internacional grega", escreve o banco, no <strong>do</strong>cumento.<br />

A autorida<strong>de</strong> monetária consi<strong>de</strong>rou que o governo da Grécia <strong>de</strong>veria a<strong>do</strong>tar como um<br />

"objetivo nacional" o meta <strong>de</strong> gerar superávits primários acima e além <strong>do</strong>s já previstos em<br />

planos orçamentários, e tomar medidas para impulsionar a recuperação econômica.<br />

Previsões<br />

O relatório também apresentou um cenário pessimista para a economia da Grécia,<br />

que está entran<strong>do</strong> em seu quinto ano <strong>de</strong> recessão. O BC grego estima que o PIB (Produto<br />

Interno Bruto) <strong>do</strong> país terá contração <strong>de</strong> 5,5% ou mais neste ano, cairá 2,8% em 2012 e<br />

não haverá crescimento antes <strong>de</strong> 2013, quan<strong>do</strong> a recuperação será <strong>de</strong> menos <strong>de</strong> 1%.<br />

Já o <strong>de</strong>semprego <strong>de</strong>ve continuar em níveis altos, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com o banco, que vê a taxa<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>semprego alcançan<strong>do</strong> 18% no próximo ano, <strong>de</strong>pois <strong>de</strong> chegar perto <strong>de</strong> 17% este<br />

ano.<br />

Autor: Infomoney.<br />

Fonte: MSN.com, Disponível em http://dinheiro.br.msn.com/merca<strong>do</strong>/banco-central-dagr%C3%A9cia-alerta-sobre-risco-<strong>de</strong>-pa%C3%ADs-sair-da-zona-<strong>do</strong>-euro?page=0<br />

REDES DE INFRAESTRUTURA NO<br />

BRASIL


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 9 <strong>de</strong> 34<br />

PARQUE TECNOLÓGICO DO FUNDÃO, REVISTO, AMPLIADO E<br />

DISPUTADO<br />

Dez novas empresas querem vagas no local, em investimento superior a R$200 milhões<br />

Tecnologias inova<strong>do</strong>ras e mais infraestrutura prometem marcar uma nova fase no<br />

Parque Tecnológico <strong>do</strong> Fundão, na Ilha <strong>do</strong> Governa<strong>do</strong>r, no Rio <strong>de</strong> Janeiro. Com uma<br />

ampliação prevista para acontecer no início <strong>do</strong> próximo ano, <strong>de</strong>z empresas já estão na<br />

disputa para instalar no espaço da UFRJ novos laboratórios e centros <strong>de</strong> pesquisa, que<br />

irão gerar, no mínimo, R$200 milhões em investimentos. São companhias <strong>de</strong> setores<br />

como tecnologia, informática, química e cosméticos. Com isso, o Parque, que conta hoje<br />

com 15 empresas, totaliza um investimento <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> R$800 milhões. A maior parte<br />

será aplicada até 2014.<br />

O Parque, que parece um canteiro <strong>de</strong> obras, com as multinacionais construin<strong>do</strong><br />

seus centros <strong>de</strong> pesquisa, ganha força. Em <strong>de</strong>zembro, após <strong>do</strong>is meses <strong>de</strong> atraso, será<br />

inaugurada a ponte suspensa que ligará o Parque à Linha Vermelha. O empreendimento,<br />

<strong>de</strong> R$292 milhões, foi banca<strong>do</strong> pela Petrobras, após acor<strong>do</strong> feito com o governo <strong>do</strong><br />

Esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> Rio para compensar o vazamento <strong>de</strong> óleo na Baía <strong>de</strong> Guanabara em 2000.<br />

Além disso, haverá uma estação da Transcarioca, sistema <strong>de</strong> transporte público <strong>de</strong> Bus<br />

Rapid Transit (BRT), que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim.<br />

Depois <strong>de</strong> <strong>2011</strong>, que foi um marco para o Parque, esperamos uma nova fase para<br />

2012. Queremos diversificar a atuação com empresas <strong>de</strong> setores varia<strong>do</strong>s, já que hoje o<br />

espaço é volta<strong>do</strong> para o setor <strong>do</strong> petróleo. A prefeitura e o governo <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> Rio<br />

estão negocian<strong>do</strong> a compra <strong>de</strong> um terreno <strong>do</strong> <strong>Exército</strong>. Com isso, vamos ganhar mais 70<br />

mil metros quadra<strong>do</strong>s. Em 2003, quan<strong>do</strong> surgiu o Parque, achávamos que toda a área só<br />

estaria ocupada em 2017 - diz Maurício Gue<strong>de</strong>s, diretor <strong>do</strong> Parque da UFRJ.<br />

E Gue<strong>de</strong>s sabe da importância em infraestrutura. Hoje, a cobertura <strong>de</strong> telefonia<br />

móvel no local, por exemplo, é falha, com locais sem sinal:<br />

Com a nova ponte, será <strong>de</strong>sata<strong>do</strong> um <strong>do</strong>s nós <strong>de</strong> transporte. A Prefeitura investe<br />

R$5 milhões em urbanização. Hoje, 800 pessoas trabalham no Parque. Em 2013, serão<br />

cinco mil. Enquanto isso, as empresas correm com pesquisas. O Lab Oceano que, em<br />

uma piscina, simula as marés <strong>do</strong>s oceanos, irá também estudar as correntes marítimas. A<br />

FMC está <strong>de</strong>senvolven<strong>do</strong> um equipamento, chama<strong>do</strong> árvore <strong>de</strong> Natal, que, no fun<strong>do</strong> <strong>do</strong><br />

mar, irá separar água, óleo, gás e areia. A BG irá montar em 2013 um centro <strong>de</strong><br />

gerenciamento <strong>de</strong> pesquisas:<br />

- Se há, por exemplo, um <strong>de</strong>safio na Austrália, o cérebro será no Parque <strong>do</strong> Fundão -<br />

afirma Damian Popolo, Gerente <strong>de</strong> Tecnologia da BG Brasil.<br />

Empresa <strong>de</strong> petróleo investe em energia renovável<br />

A Siemens, que investe R$50 milhões, vai construir um centro <strong>de</strong> pesquisa para<br />

criar tecnologia em energias renováveis.<br />

- Nossa proposta é ir além <strong>do</strong> pré-sal. Temos uma visão <strong>de</strong> longo prazo - diz Roberto<br />

Leite, diretor <strong>de</strong> Pesquisa e Desenvolvimento da Chemtech, empresa comprada pela<br />

Siemens.<br />

Entre as empresas menores, a inovação também acontece em ritmo acelera<strong>do</strong>. Um<br />

<strong>do</strong>s <strong>de</strong>staques é a Pam Membranas. Ronal<strong>do</strong> Nobrega, funda<strong>do</strong>r da empresa, cita a


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 10 <strong>de</strong> 34<br />

criação <strong>de</strong> um sistema <strong>de</strong> filtragem para cerveja, que irá reter mais microorganismos e,<br />

assim, aumentar o nível <strong>de</strong> pureza da bebida, prolongan<strong>do</strong> a valida<strong>de</strong> <strong>do</strong> líqui<strong>do</strong>:<br />

- Também estamos <strong>de</strong>senvolven<strong>do</strong> cartuchos nacionais para quem faz hemodiálise. Hoje,<br />

esses itens são importa<strong>do</strong>s.<br />

A Geovoxel, que criou um sistema que cruza informações geográficas em tempo<br />

real, <strong>de</strong>senvolve agora uma aplicação para evitar prejuízos com os <strong>de</strong>sastres naturais.<br />

Paulo Garchet, diretor-executivo da empresa, explica como funciona a nova tecnologia,<br />

possível através <strong>de</strong> computação na nuvem:<br />

- Nesse sistema é possível reunir o histórico <strong>de</strong> informações meteorológicas e<br />

caraterísticas <strong>do</strong> solo, assim como seu uso. Com isso, conseguimos i<strong>de</strong>ntificar as áreas<br />

que serão mais afetadas e atuar na prevenção. Estamos <strong>de</strong>senvolven<strong>do</strong> algo semelhante<br />

para monitorar os dutos (<strong>de</strong> petróleo e gás) que atravessam diferentes esta<strong>do</strong>s,<br />

calculan<strong>do</strong> riscos, como chuvas, que po<strong>de</strong>m causar vazamentos.<br />

Há também espaço para quem está começan<strong>do</strong>. O Parque acaba <strong>de</strong> receber<br />

quatro pequenas companhias em sua Incuba<strong>do</strong>ra, chegan<strong>do</strong>, assim, a 20 empresas.<br />

Lucimar Dantas, gerente <strong>de</strong> Operações <strong>do</strong> espaço, diz que o faturamento <strong>de</strong>ssas firmas,<br />

que chegou a R$160 milhões em 2010, irá crescer em <strong>2011</strong>:<br />

- O Parque é um espaço <strong>de</strong> inovação, com empresas âncoras e pequenas companhias,<br />

que conseguem ser mais ágeis. Acabaram <strong>de</strong> chegar à Incuba<strong>do</strong>ra uma empresa <strong>de</strong> ecommerce,<br />

uma consultoria que analisa a dinâmica <strong>do</strong>s flui<strong>do</strong>s e outra que faz cotação <strong>de</strong><br />

preços para impressão em terceira dimensão - adianta Lucimar.<br />

Em 2012, será ainda finaliza<strong>do</strong> o plano <strong>de</strong> negócios <strong>do</strong> Parque, que prevê a<br />

construção <strong>de</strong> um hotel e <strong>de</strong> uma torre para abrigar médias empresas.<br />

Autor(es): Bruno Rosa<br />

Fonte: O Globo <strong>–</strong> 20/11/<strong>2011</strong>, disponível em<br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/20/parque-tecnologico<strong>do</strong>-fundao-revisto-amplia<strong>do</strong>-e-disputa<strong>do</strong>/?searchterm=<br />

PROGRAMA NUCLEAR BRASILEIRO ATRAI MULTINACIONAIS<br />

Com seu vasto potencial hidroenergético, o etanol e os recursos petrolíferos, o<br />

Brasil po<strong>de</strong> não parecer a próxima fronteira para a indústria nuclear mundial. Mas o<br />

crescimento acelera<strong>do</strong> da economia <strong>do</strong> país, as mudanças <strong>de</strong>mográficas - com uma<br />

classe média cada vez maior consumin<strong>do</strong> mais energia - e a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

diversificação <strong>do</strong> mix energético, levaram o Brasil a anunciar uma agressiva <strong>de</strong> expansão<br />

<strong>de</strong> seu incipiente programa nucelar.<br />

"O programa nuclear brasileiro contempla a construção <strong>de</strong> mais oito usinas<br />

nucleares, e para isso os estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong> localização já começaram", informou o Brasil no ano<br />

passa<strong>do</strong> à Agência Internacional <strong>de</strong> Energia Atômica.<br />

Os ambiciosos planos <strong>do</strong> país para o setor, que continuam <strong>de</strong> pé apesar <strong>do</strong><br />

<strong>de</strong>sastre em Fukushima, <strong>de</strong>spertam o interesse <strong>de</strong> muitas das maiores empreiteiras <strong>do</strong>


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 11 <strong>de</strong> 34<br />

setor. Elas são li<strong>de</strong>radas pela Areva e GDF Suez da França, que afirmam que a EDF, a<br />

maior gera<strong>do</strong>ra <strong>de</strong> energia nuclear <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>, também po<strong>de</strong> estar interessada.<br />

"Há uma <strong>de</strong>manda enorme no Brasil e temos o "know how" e capacida<strong>de</strong> para<br />

aten<strong>de</strong>r essa <strong>de</strong>manda", diz a GDF Suez, que já é a maior gera<strong>do</strong>ra privada <strong>de</strong><br />

eletricida<strong>de</strong> <strong>do</strong> Brasil. "Temos presença <strong>de</strong> longa data no Brasil e acreditamos que o país<br />

oferece um mo<strong>de</strong>lo regula<strong>do</strong>r estável e acolhe<strong>do</strong>r para o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> projetos <strong>de</strong><br />

geração <strong>de</strong> energia."<br />

O <strong>de</strong>senvolvimento <strong>do</strong> setor também se esten<strong>de</strong> à mineração <strong>de</strong> urânio, com o país<br />

marchan<strong>do</strong> para aumentar em seis vezes a produção <strong>do</strong> mineral e assim manter o ritmo<br />

<strong>de</strong> sua planejada expansão da produção <strong>de</strong> energia nuclear.<br />

A energia nuclear respon<strong>de</strong> por 3% da geração total <strong>de</strong> energia pelo Brasil - a partir<br />

<strong>de</strong> <strong>do</strong>is reatores, Angra 1 e Angra 2, localiza<strong>do</strong>s no Rio <strong>de</strong> Janeiro, com capacida<strong>de</strong> total<br />

<strong>de</strong> aproximadamente 2.000 megawatts (MW).<br />

Segun<strong>do</strong> a Areva, "o país <strong>do</strong>mina virtualmente todas as tecnologias nucleares".<br />

Além da operação <strong>de</strong> usinas, o Brasil possui 158 mil toneladas <strong>de</strong> urânio, ou 6% das<br />

reservas convencionais mundiais, segun<strong>do</strong> a companhia francesa.<br />

O país preten<strong>de</strong> colocar as novas usinas em operação nos próximos 19 anos. No<br />

momento está construin<strong>do</strong> o projeto Angra 3, <strong>de</strong> água leve e 1.400 MW. Ele <strong>de</strong>ve entrar<br />

em operação em 2015, ao custo <strong>de</strong> R$ 9,95 bilhões.<br />

A Eletronuclear, subsidiária da estatal Eletrobras, diz que o melhor exemplo <strong>de</strong><br />

investimento estrangeiro em Angra 3 é a Areva, que investiu € 1,1 bilhão (US$ 1,5 bilhão)<br />

no fornecimento <strong>de</strong> equipamentos e engenharia.<br />

"Muitas companhias estrangeiras já ofereceram seus serviços para Angra 3, mas<br />

obviamente to<strong>do</strong>s os contratos estão sujeito a um processo <strong>de</strong> licitação que está em<br />

andamento ou <strong>de</strong>ve ocorrer", diz a companhia.<br />

Para alimentar essas usinas, a Indústrias Nucleares <strong>do</strong> Brasil planeja <strong>do</strong>brar a<br />

produção <strong>de</strong> urânio em sua mina <strong>de</strong> Caetité, no norte da Bahia, para 800 toneladas ao<br />

ano e começar a produzir 1.500 toneladas por ano em 2017, com a ajuda <strong>de</strong> uma nova<br />

mina no esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> Ceará, informou a companhia.<br />

Um relatório recente diz que as reservas conhecidas <strong>do</strong> Brasil po<strong>de</strong>rão triplicar <strong>de</strong><br />

tamanho com a exploração adicional, o que colocaria o país no mesmo patamar da<br />

Austrália e <strong>do</strong> Cazaquistão em termos <strong>de</strong> <strong>de</strong>pósitos <strong>de</strong> urânio.<br />

Autor(es): Por Joe Leahy | Financial Times, <strong>de</strong> São Paulo Valor Econômico - 17/11/<strong>2011</strong><br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/17/programa-nuclearbrasileiro-atrai-multinacionais/?searchterm=<br />

O RIO VAI FICAR NU?<br />

Dono <strong>de</strong> 80% da produção nacional <strong>de</strong> petróleo, o Esta<strong>do</strong> luta para não per<strong>de</strong>r dinheiro com a<br />

aprovação <strong>de</strong> novas regras para a distribuição <strong>de</strong> royalties


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 12 <strong>de</strong> 34<br />

A palavra royalty vem <strong>do</strong> inglês royal (real). Surgiu na Ida<strong>de</strong> Média. Era uma taxa<br />

paga ao rei pela extração <strong>de</strong> recursos naturais. No Brasil <strong>do</strong> século XXI, o Rio <strong>de</strong> Janeiro,<br />

<strong>do</strong>no <strong>de</strong> 80% da produção nacional <strong>de</strong> petróleo, é o rei <strong>do</strong>s royalties. Recebe 45% <strong>do</strong><br />

valores pagos no país. Uma nova lei <strong>de</strong> distribuição <strong>do</strong> benefício, porém, po<strong>de</strong> fazer o Rio<br />

per<strong>de</strong>r a majesta<strong>de</strong>. Caso seja aprovada, o Esta<strong>do</strong> passaria a receber 20%. Seriam R$<br />

48,9 bilhões <strong>de</strong> perdas até 2020. O rei, ou melhor, o Rio ficaria nu?<br />

O Esta<strong>do</strong> luta para não per<strong>de</strong>r. Na quinta-feira, um protesto organiza<strong>do</strong> pelo<br />

governa<strong>do</strong>r Sérgio Cabral reuniu cerca <strong>de</strong> 150 mil pessoas. Caravanas <strong>de</strong> 92 municípios<br />

engrossaram a multidão. Políticos <strong>de</strong> parti<strong>do</strong>s diversos apareceram. Nenhum discursou. A<br />

atriz Fernanda Montenegro leu um manifesto. Artistas como Lulu Santos e Xuxa subiram<br />

ao palco.<br />

Hoje, 61% <strong>do</strong>s royalties vão para Esta<strong>do</strong>s e municípios produtores. Com as<br />

alterações, esse índice diminuiria gradualmente até chegar a 24% em 2019. O Brasil<br />

passaria a ser o único país <strong>do</strong> mun<strong>do</strong> on<strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s que produzem petróleo <strong>–</strong> e sofrem<br />

com danos ambientais e explosão populacional <strong>–</strong> recebem menos que o conjunto <strong>do</strong>s que<br />

nada produzem. Isso não ocorre em nenhum <strong>do</strong>s 13 países pesquisa<strong>do</strong>s pelo professor<br />

<strong>de</strong> finanças públicas italiano Giorgio Brosio, num trabalho para as Nações Unidas.<br />

A disputa pelos royalties começou com a <strong>de</strong>scoberta <strong>do</strong> pré-sal. Uma emenda <strong>do</strong><br />

ex-<strong>de</strong>puta<strong>do</strong> Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) estabeleceu que os Esta<strong>do</strong>s não produtores<br />

também entrem na partilha. Aprovada pela Câmara, foi vetada pelo presi<strong>de</strong>nte Lula em<br />

2010. Mas a discussão da divisão <strong>do</strong>s royalties foi retomada pelo Congresso <strong>–</strong> e a<br />

situação piorou para o Rio. Uma nova proposta, <strong>de</strong> autoria <strong>do</strong> sena<strong>do</strong>r Vital <strong>do</strong> Rego<br />

(PMDB-PB), prevê uma nova fórmula <strong>de</strong> distribuição já em 2012, mesmo sem pré-sal.<br />

"Querem garantir o dinheiro para as eleições", diz o <strong>de</strong>puta<strong>do</strong> fe<strong>de</strong>ral Alessandro Molon<br />

(PT-RJ). O projeto <strong>de</strong> Vital passou pelo Sena<strong>do</strong> e agora vai para a Câmara, sem previsão<br />

<strong>de</strong> votação. Depois, seguirá para sanção ou veto da presi<strong>de</strong>nte, Dilma Rousseff.<br />

Além <strong>do</strong>s royalties, o projeto mexe em outra fonte <strong>de</strong> renda para os produtores, a<br />

Participação Especial, ou PE. Cobrada sobre os campos mais rentáveis, é uma espécie<br />

<strong>de</strong> Imposto <strong>de</strong> Renda (IR) <strong>do</strong> petróleo. Os Esta<strong>do</strong>s produtores passariam a receber<br />

apenas 20% da PE, em vez <strong>do</strong>s 40% atuais. Os não produtores, que hoje nada recebem,<br />

ganhariam 30%. Pago pelas empresas, o dinheiro seria distribuí<strong>do</strong> ten<strong>do</strong> como critério os<br />

Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> Participação <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s e Municípios, que dão mais aos lugares com menor<br />

renda per capita.<br />

Os cálculos sobre as perdas <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s produtores variam <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com o<br />

interlocutor. Vital <strong>do</strong> Rego diz que o Rio, na verda<strong>de</strong>, ganharia R$ 892 milhões a mais <strong>do</strong><br />

que ganha hoje, já em 2012, por causa <strong>do</strong> aumento da produção. A perda porcentual<br />

seria compensada pelo aumento no volume <strong>de</strong> petróleo. Essa conta, porém, inclui uma<br />

previsão <strong>de</strong> que em 2012 o país arrecadaria R$ 28 bilhões entre royalties e PEs. A<br />

estimativa da Petrobras é <strong>de</strong> R$ 26,7 bilhões. O otimismo <strong>de</strong> Vital acelera com o passar<br />

<strong>do</strong>s anos. Para 2020, ele prevê uma arrecadação <strong>de</strong> R$ 79 bilhões, ante R$ 59 bilhões da<br />

Petrobras. O economista José Roberto Afonso, assessor <strong>do</strong> sena<strong>do</strong>r Francisco Dornelles<br />

(PP-RJ), diz que a base <strong>do</strong> cálculo <strong>de</strong>ve ser o ano <strong>de</strong> 2010. Para ele, <strong>de</strong>vem-se aplicar as<br />

novas regras a tu<strong>do</strong> o que foi arrecada<strong>do</strong> em 2010, e, aí sim, chegar ao tamanho <strong>do</strong><br />

prejuízo. "Não faz senti<strong>do</strong> aplicar porcentuais sobre previsões que po<strong>de</strong>m não se<br />

confirmar", diz. Por esse critério, o Rio e os municípios fluminenses, que no ano passa<strong>do</strong><br />

receberam R$ 9,7 bilhões, teriam recebi<strong>do</strong> R$ 4,3 bilhões.


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 13 <strong>de</strong> 34<br />

A prática internacional varia. Nos Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s, as regiões produtoras ficam com<br />

100% das receitas. Se o terreno for fe<strong>de</strong>ral, meta<strong>de</strong> vai para a União. Os Esta<strong>do</strong>s têm<br />

autonomia para estabelecer taxas <strong>de</strong> royalties e cobrar IR das empresas e <strong>do</strong>s<br />

emprega<strong>do</strong>s envolvi<strong>do</strong>s na operação. O Alasca cobra royalties até sobre a pesca <strong>de</strong><br />

salmão. Mais <strong>de</strong> 60% <strong>de</strong> suas receitas vêm <strong>de</strong> taxas sobre recursos naturais. O Irã está<br />

no outro oposto. O governo central divi<strong>de</strong> tu<strong>do</strong> igualmente entre os Esta<strong>do</strong>s com base na<br />

população. Na Noruega, o governo administra um fun<strong>do</strong> bilionário e tenta equilibrar as<br />

contas <strong>de</strong> produtores e não produtores (leia o quadro abaixo).<br />

A lei brasileira <strong>do</strong>s royalties foi criada em 1953, estabelecen<strong>do</strong> 4% sobre o valor<br />

total <strong>de</strong> produção (3% aos Esta<strong>do</strong>s produtores e 1% para os municípios). Além das<br />

questões ambientais e populacionais, os royalties compensam uma distorção da<br />

legislação tributária: ao contrário <strong>do</strong> que ocorre com to<strong>do</strong>s os outros produtos, o Imposto<br />

sobre Circulação <strong>de</strong> Merca<strong>do</strong>rias e Prestação <strong>de</strong> Serviços (ICMS) <strong>do</strong> petróleo é<br />

arrecada<strong>do</strong> no Esta<strong>do</strong> compra<strong>do</strong>r, não no que ven<strong>de</strong>. Se um Esta<strong>do</strong> compra petróleo <strong>do</strong><br />

Rio, é ele que fica com o dinheiro <strong>do</strong> imposto.<br />

A legislação já foi alterada três vezes. Em 1985, com o início da exploração em<br />

alto-mar, Esta<strong>do</strong>s e municípios próximos às plataformas passaram a receber 1,5% <strong>do</strong><br />

valor da produção, a Marinha 1%, e um Fun<strong>do</strong> Especial, dividi<strong>do</strong> entre to<strong>do</strong>s os Esta<strong>do</strong>s,<br />

1%. Em 1989, os royalties subiram para 10%, e a divisão ficou como está hoje. O gran<strong>de</strong><br />

salto na arrecadação ocorreu a partir <strong>de</strong> 1998, quan<strong>do</strong> o petróleo brasileiro passou a ter<br />

um preço mínimo, calcula<strong>do</strong> <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com a taxa <strong>de</strong> câmbio e com a média da cotação<br />

mundial. Naquele ano, o país arrecadava R$ 21,9 milhões em royalties por mês. Em<br />

2005, esse valor era <strong>de</strong> R$ 610 milhões. Hoje, é <strong>de</strong> R$ 1,7 bilhão.<br />

O Rio e os municípios fluminenses foram os maiores beneficia<strong>do</strong>s. A arrecadação<br />

com royalties passou <strong>de</strong> R$ 29 milhões, em 1996, para R$ 4,2 bilhões, em 2010. Segun<strong>do</strong><br />

a Secretaria <strong>de</strong> Fazenda, a administração estadual receberá até o fim <strong>do</strong> ano R$ 6,8<br />

bilhões com a taxa, o que dá 12% <strong>do</strong> total <strong>de</strong> receitas <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>. "Vão tirar muito <strong>de</strong> nós,<br />

e não vai sobrar muito para os outros. Vai ser um problema gran<strong>de</strong> para o Rio, e não vai<br />

resolver o problema <strong>de</strong> ninguém", diz o secretário <strong>de</strong> Fazenda, Renato Villela.<br />

Os royalties passaram a ser indispensáveis para o Rio fechar suas contas. Isso contraria<br />

a lógica <strong>do</strong>s países <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong>s, on<strong>de</strong> o dinheiro <strong>de</strong>ve ser aplica<strong>do</strong> em projetos que<br />

assegurem o <strong>de</strong>senvolvimento quan<strong>do</strong> os recursos naturais acabarem. A Noruega, que<br />

tem uma poupança que ultrapassa os US$ 200 bilhões, investe em educação. Aqui, os<br />

recursos servem para tapar buracos. Em 1999, com o balanço no vermelho, o Rio<br />

recorreu à União e antecipou o recebimento <strong>de</strong> royalties. Por isso, vai <strong>de</strong>volver R$ 1,5<br />

bilhão por mês até 2022. Vêm <strong>do</strong>s royalties também R$ 4,9 bilhões para pagar<br />

aposenta<strong>do</strong>s. Sobram R$ 500 milhões, aplica<strong>do</strong>s no meio ambiente.<br />

O problema parece ainda mais evi<strong>de</strong>nte nas cida<strong>de</strong>s que recebem fortunas em<br />

royalties. Elas não tiveram gran<strong>de</strong>s avanços sociais. Um levantamento da Universida<strong>de</strong><br />

Cândi<strong>do</strong> Men<strong>de</strong>s mostrou que o município <strong>de</strong> Campos recebeu R$ 4,6 bilhões entre 2000<br />

e 2007. A taxa <strong>de</strong> analfabetismo por lá caiu só 5 pontos porcentuais, mesma média obtida<br />

pelo Brasil. O mesmo estu<strong>do</strong> mostrou um da<strong>do</strong> escandaloso: nas cida<strong>de</strong>s <strong>do</strong> sul<br />

fluminense que mais recebem royalties, o <strong>de</strong>sempenho das escolas caiu 4,6 pontos no<br />

Índice <strong>de</strong> Desenvolvimento da Educação Básica em sete anos.


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 14 <strong>de</strong> 34<br />

A boa aplicação das verbas <strong>do</strong>s royalties po<strong>de</strong>ria ser um ótimo argumento para prefeitos e<br />

governa<strong>do</strong>res que não querem per<strong>de</strong>r com a possível aprovação das novas regras <strong>de</strong><br />

divisão.<br />

Autor(es): NELITO FERNANDES<br />

Época <strong>–</strong> 16/11/<strong>2011</strong>, disponível em<br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/16/o-rio-vai-ficar-nu<br />

MEIO AMBIENTE E GESTÃO AMBIENTAL<br />

NO BRASIL<br />

CENTRO-OESTE É A FRONTEIRA MAIS PROMISSORA PARA<br />

MINERAÇÃO DE OURO<br />

Projetos na região po<strong>de</strong>m ampliar a produção nacional em mais <strong>de</strong> 10%<br />

CRIXÁS (GO) e BRASÍLIA. O mapa das minas <strong>de</strong> ouro no Brasil <strong>do</strong> século XXI<br />

começou a ganhar novos contornos nos últimos anos e voltou a ter projetos <strong>de</strong> vulto como<br />

no passa<strong>do</strong>. A região Centro-Oeste <strong>de</strong>spontou como uma das mais promissoras <strong>do</strong> país e<br />

já acumula quase a meta<strong>de</strong> das lavras em ativida<strong>de</strong> hoje. Sozinho, o esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> Mato<br />

Grosso <strong>de</strong>tém 22,4% das 2.819 minas em operação, enquanto Goiás vem logo em<br />

seguida, com 20,9%. Em apenas <strong>do</strong>is projetos novos nestes <strong>do</strong>is esta<strong>do</strong>s, a gigante<br />

cana<strong>de</strong>nse Yamana Gold <strong>de</strong>ve tirar quase sete toneladas <strong>de</strong> ouro por ano. Trata-se <strong>de</strong><br />

um incremento potencial <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 10% à produção nacional, estimada pelo governo em<br />

62 toneladas.<br />

A partir <strong>de</strong> 2012, as minas <strong>de</strong> Ernesto e Pau-a-Pique, no Mato Grosso, <strong>de</strong>vem<br />

começar a produzir 3,1 toneladas/ano em uma das novas plantas da companhia,<br />

enquanto em Pilar <strong>de</strong> Goiás, Norte <strong>do</strong> esta<strong>do</strong>, esperam-se outras 3,73 toneladas já em<br />

2013. Aos poucos, a paisagem <strong>de</strong>ste município goiano, vizinho <strong>de</strong> Crixás - on<strong>de</strong> a sulafricana<br />

AngloGold tem a unida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Serra Gran<strong>de</strong>, da qual extrai 2,39 toneladas/ano -<br />

vai mudan<strong>do</strong> <strong>de</strong> cara.<br />

A prosperida<strong>de</strong> parece ter chega<strong>do</strong> à cida<strong>de</strong> junto com os investimentos da<br />

companhia cana<strong>de</strong>nse. As mudanças se confirmam pela qualida<strong>de</strong> <strong>do</strong> comércio, bem<br />

superior a das vizinhas que se veem da estrada. A expectativa é que a renda da<br />

população continue subin<strong>do</strong>, ten<strong>do</strong> em vista que boa parte da mão <strong>de</strong> obra que está<br />

sen<strong>do</strong> usada na nova planta é local e <strong>de</strong>verá aquecer ainda mais as vendas <strong>de</strong> produtos e<br />

serviços.


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 15 <strong>de</strong> 34<br />

Governo admite dificulda<strong>de</strong> em fiscalizar as áreas<br />

Da<strong>do</strong>s <strong>do</strong> Departamento Nacional <strong>de</strong> Produção Mineral (DNPM) mostram que o<br />

Norte <strong>do</strong> país é outra fronteira importante que começa a ser explorada pelas empresas<br />

que, com equipamentos <strong>de</strong> alta precisão e tecnologia, chegam aon<strong>de</strong> os garimpeiros<br />

artesanais não conseguem. Áreas até então intocadas <strong>de</strong>vem produzir em breve<br />

toneladas <strong>de</strong> ouro.<br />

No esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> Tocantins, já são 160 minas em operação. Há outras 117 em<br />

Rondônia, 77 no Amazonas, 21 no Amapá e 18 em Roraima. Ainda não há nada<br />

contabiliza<strong>do</strong> oficialmente no Acre, o único ente da Fe<strong>de</strong>ração que ainda não tem minas<br />

registradas, além <strong>do</strong> Distrito Fe<strong>de</strong>ral.<br />

Nessas regiões amazônicas mais afastadas, garimpos <strong>de</strong> pequeno porte, em geral<br />

ilegais, se estabelecem, mas não dispõem <strong>de</strong> tecnologia suficiente para usufruir <strong>de</strong> to<strong>do</strong> o<br />

potencial da área <strong>de</strong> maneira sustentada, como quer o governo. Extraem ouro superficial<br />

que, na maioria das vezes, sai <strong>do</strong> país por contraban<strong>do</strong>. Não há estimativas sobre o<br />

volume vendi<strong>do</strong> por garimpos ilegais. O governo admite dificulda<strong>de</strong> em fiscalizar as áreas.<br />

Diferentemente <strong>do</strong> que aconteceu em outros países, o auge da extração <strong>de</strong> ouro no<br />

Brasil baseou-se nos garimpos, que já respon<strong>de</strong>ram por 90% da produção nos anos 80.<br />

Em 1988, o país produziu um recor<strong>de</strong> <strong>de</strong> 113 toneladas, com reforço consi<strong>de</strong>rável <strong>de</strong><br />

Serra Pelada, colocan<strong>do</strong>-se na quinta posição global.<br />

Depois disso, a produção registrou uma queda expressiva, haja vista as oscilações<br />

naturais da ativida<strong>de</strong> garimpeira, as dificulda<strong>de</strong>s técnicas <strong>de</strong> se lidar com escavações<br />

subterrâneas, a queda das cotações internacionais <strong>do</strong> ouro e a incapacida<strong>de</strong> das<br />

empresas em ocupar a parcela <strong>do</strong> merca<strong>do</strong> que havia si<strong>do</strong> aban<strong>do</strong>nada pela<br />

informalida<strong>de</strong>.<br />

Os esta<strong>do</strong>s com o menor número <strong>de</strong> minas em operação no país, segun<strong>do</strong> o<br />

DNPM, são Ceará (5), Alagoas (6), Piauí (3) e Sergipe (1). Mas isso não quer dizer que<br />

não tenham reservas. Empresas <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> porte garantem que novas fronteiras para o<br />

ouro po<strong>de</strong>m ser <strong>de</strong>sbravadas ali. Muitas já solicitaram permissão <strong>do</strong> governo para estudar<br />

a região e, no futuro, implantar projetos <strong>de</strong> extração.<br />

Os estu<strong>do</strong>s continuam<br />

Há ouro em esta<strong>do</strong>s próximos. As novas tecnologias po<strong>de</strong>m ajudar a encontrá-lo -<br />

disse ao GLOBO o pesquisa<strong>do</strong>r <strong>de</strong> uma minera<strong>do</strong>ra internacional.<br />

Tradicional região minera<strong>do</strong>ra, Minas Gerais mantém gran<strong>de</strong>s projetos e tem 295<br />

minas em ativida<strong>de</strong>. Em São Paulo, há 18, e no Rio, 12, segun<strong>do</strong> o DNPM.<br />

Autor(es): agência o globo:Vivian Oswald<br />

O Globo - 21/11/<strong>2011</strong> disponível em<br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/21/centro-oeste-e-afronteira-mais-promissora-para-mineracao-<strong>de</strong>-ouro


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 16 <strong>de</strong> 34<br />

VEGETAÇÃO NATURAL VIROU PASTO EM 80% DAS ÁREAS<br />

DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE<br />

Estu<strong>do</strong> sobre a ocupação das chamadas APPs, a parte mais polêmica da reforma <strong>do</strong> Código<br />

Florestal em discussão no Congresso, mostra que as pastagens avançaram numa área protegida<br />

equivalente a uma vez e meia o território <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo.<br />

O Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> S.Paulo<br />

Oito <strong>de</strong> cada <strong>de</strong>z metros das Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanentes já <strong>de</strong>smatadas<br />

às margens <strong>de</strong> rios e encostas <strong>de</strong> morros no País viraram pasto, mostra um retrato<br />

recente da ocupação das chamadas APPs, a parte mais estratégica e polêmica da<br />

reforma <strong>do</strong> Código Florestal, em <strong>de</strong>bate no Congresso.<br />

A recuperação das APPs é o maior nó na reta final da negociação da reforma das<br />

regras <strong>de</strong> proteção <strong>do</strong> ambiente nas proprieda<strong>de</strong>s privadas. A tendência das negociações<br />

é reduzir ainda mais a exigência <strong>de</strong> recuperação <strong>de</strong> áreas ocupadas pelo agronegócio,<br />

em nova versão da reforma a ser apresentada amanhã.<br />

Estu<strong>do</strong> <strong>do</strong> professor da USP Gerd Sparoveck estima que 550 mil km2 nas APPs às<br />

margens <strong>de</strong> rios e encostas <strong>de</strong> morros foram <strong>de</strong>smatadas, <strong>de</strong> um total <strong>de</strong> 1,3 milhão <strong>de</strong><br />

km2 <strong>de</strong> proteção da vegetação natural exigida pelo Código em vigor. Das áreas já<br />

<strong>de</strong>smatadas, 440 mil km2 são ocupa<strong>do</strong>s por pastagens, calcula o estu<strong>do</strong>. A extensão <strong>do</strong>s<br />

pastos em APPs correspon<strong>de</strong> a mais <strong>de</strong> 1,5 vez o território <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo.<br />

"No melhor <strong>do</strong>s mun<strong>do</strong>s, haverá a restauração da vegetação natural <strong>de</strong> 15% das<br />

Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanentes <strong>de</strong>smatadas, não mais <strong>do</strong> que isso. Na pior <strong>do</strong>s<br />

mun<strong>do</strong>s, nem isso será recupera<strong>do</strong>", calcula Sparoveck, cujas estimativas sobre<br />

<strong>de</strong>smatamento das áreas <strong>de</strong> proteção vêm subsidian<strong>do</strong> os <strong>de</strong>bates <strong>do</strong> Código Florestal<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> o início <strong>do</strong>s trabalhos <strong>do</strong> então relator na Câmara, <strong>de</strong>puta<strong>do</strong> Al<strong>do</strong> Rebelo (PC <strong>do</strong> B-<br />

SP), hoje ministro <strong>do</strong> Esporte. Os números são usa<strong>do</strong>s como referência tanto por<br />

ruralistas como por ambientalistas.<br />

Sparoveck sugere um programa <strong>de</strong> custo reduzi<strong>do</strong> para recuperação das APPs,<br />

basea<strong>do</strong> em investimentos em cercas e bebe<strong>do</strong>uros, sem prejuízo ao tamanho <strong>do</strong><br />

rebanho, mas que exigiriam maior produtivida<strong>de</strong> da pecuária brasileira.<br />

O estu<strong>do</strong> indica um porcentual menor <strong>de</strong> cultivo <strong>de</strong> grãos e alimentos que po<strong>de</strong>ria<br />

ser atingi<strong>do</strong> pela exigência <strong>de</strong> recuperação das APPs, entre 5% e 32%, nos biomas<br />

Amazônia, Cerra<strong>do</strong> e Mata Atlântica. No Cerra<strong>do</strong>, 20% das APPs <strong>de</strong>smatadas são<br />

ocupadas pela agricultura.<br />

Acor<strong>do</strong>. As negociações em curso, no entanto, vão em outra direção. Amanhã, o<br />

relator na Comissão <strong>de</strong> Meio Ambiente, sena<strong>do</strong>r Jorge Viana (PT-AC), apresenta uma<br />

nova tentativa <strong>de</strong> acor<strong>do</strong>, negocia<strong>do</strong> com o relator nas Comissões <strong>de</strong> Ciência e<br />

Tecnologia e Agricultura, sena<strong>do</strong>r Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).<br />

Uma nova leva <strong>de</strong> concessões ao agronegócio tentará conter a oposição<br />

manifestada por lí<strong>de</strong>res ruralistas. Proposta negociada com o governo prevê que<br />

proprietários <strong>de</strong> imóveis <strong>de</strong> 4 a 15 módulos rurais (<strong>de</strong> 20 a 1.500 hectares, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>n<strong>do</strong>


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 17 <strong>de</strong> 34<br />

<strong>do</strong> município) também possam escapar da exigência <strong>de</strong> recuperar APPs, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> <strong>do</strong><br />

aval <strong>do</strong>s conselhos estaduais <strong>de</strong> meio ambiente.<br />

A justificativa é beneficiar proprietários rurais que têm seus imóveis localiza<strong>do</strong>s<br />

quase integralmente nas áreas <strong>de</strong> proteção às margens <strong>de</strong> rios mais largos, como o<br />

Iguaçu e o São Francisco. O Esta<strong>do</strong> apurou que a i<strong>de</strong>ia é obrigar que proprietários <strong>de</strong><br />

terras enquadra<strong>do</strong>s nessa situação recuperem pelo menos 20% da vegetação natural em<br />

seus imóveis, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> que não estejam localiza<strong>do</strong>s no bioma Amazônia. Os benefícios<br />

eram previstos inicialmente apenas para pequenos agricultores.<br />

A nova versão <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> para a votação da reforma <strong>do</strong> Código trará regras <strong>de</strong><br />

recuperação das matas ciliares adaptadas à largura <strong>do</strong>s rios. Até aqui, o texto exigia a<br />

recuperação <strong>de</strong> pelo menos 15 metros às margens <strong>do</strong>s rios mais estreitos, com até 10<br />

metros <strong>de</strong> largura. A redação, aprovada pela Câmara, foi questionada no Sena<strong>do</strong>. O<br />

governo en<strong>do</strong>ssa novas concessões <strong>de</strong>s<strong>de</strong> que elas se restrinjam a imóveis produtivos e<br />

única residência <strong>do</strong>s proprietários.<br />

A negociação no Congresso também prevê novas concessões para a produção <strong>de</strong><br />

camarão e <strong>de</strong> sal em manguezais. Pressiona<strong>do</strong> por setores <strong>de</strong> seu parti<strong>do</strong>, o sena<strong>do</strong>r Luiz<br />

Henrique proporá a liberação das ativida<strong>de</strong>s instaladas em manguezais até 2010. O<br />

governo, por ora, é contra essa nova mudança <strong>de</strong> última hora.<br />

As negociações avançariam pelo fim <strong>de</strong> semana, na busca <strong>de</strong> um texto que reúna<br />

o os votos <strong>de</strong> <strong>de</strong>puta<strong>do</strong>s e sena<strong>do</strong>res e garantam a sanção <strong>do</strong> futuro código florestal por<br />

Dilma Rousseff.<br />

Autor(es): Marta Salomon/BRASÍLIA.<br />

Fonte: O Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> S. Paulo <strong>–</strong> 20/11/<strong>2011</strong>.<br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/20/vegetacao-naturalvirou-pasto-em-80-das-areas-<strong>de</strong>-preservacao-permanente/?searchterm=<br />

RESERVAS INDÍGENAS CHEGAM A 13% DO TERRITÓRIO, MAS NÃO<br />

REDUZEM CONFLITOS<br />

De 2006 a 2010, o governo concluiu os processos <strong>de</strong>marcatórios <strong>de</strong> 35 terras<br />

indígenas no País e entregou aos índios um total <strong>de</strong> 8,9 milhões <strong>de</strong> hectares. No mesmo<br />

perío<strong>do</strong>, a Fundação Nacional <strong>do</strong> Índio (Funai) oficializou e pôs em andamento um<br />

conjunto <strong>de</strong> processos fundiários que po<strong>de</strong> acrescentar outros 3 milhões <strong>de</strong> hectares, o<br />

que elevaria as reservas a 13% <strong>do</strong> território nacional. Apesar disso, os conflitos da<br />

questão fundiária indígena aumentaram nesses cinco anos, revela um estu<strong>do</strong> que será<br />

lança<strong>do</strong> hoje.<br />

Segun<strong>do</strong> informa a publicação Povos Indígenas no Brasil 2006-2010, o que se viu<br />

nos últimos cinco anos foi o agravamento das tensões e conflitos. Na maior parte das


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 18 <strong>de</strong> 34<br />

vezes, os problemas se <strong>de</strong>vem à disputa pelo controle da terra com posseiros e<br />

fazen<strong>de</strong>iros. Mas também envolvem garimpo ilegal, avanço <strong>de</strong>scontrola<strong>do</strong> <strong>de</strong> ma<strong>de</strong>ireiras<br />

e carvoarias e até tráfico <strong>de</strong> drogas. Há casos <strong>de</strong>scritos pelo estu<strong>do</strong> em que há apoio<br />

ostensivo <strong>de</strong> lí<strong>de</strong>res indígenas para a invasão das reservas, coopta<strong>do</strong>s financeiramente<br />

por esses grupos.<br />

Tu<strong>do</strong> isso é agrava<strong>do</strong> pelo <strong>de</strong>senvolvimento econômico <strong>do</strong> País. Gran<strong>de</strong>s projetos<br />

<strong>de</strong> hidrelétricas, <strong>de</strong> novas ro<strong>do</strong>vias e no setor <strong>do</strong> agronegócio estão em andamento na<br />

Amazônia Legal, on<strong>de</strong> se concentram 98,6% das terras indígenas <strong>do</strong> País.<br />

As terras homologadas e que se encontram em processo <strong>de</strong>marcatório aten<strong>de</strong>m a<br />

boa parte das reivindicações <strong>do</strong>s 235 povos indígenas i<strong>de</strong>ntifica<strong>do</strong>s no País. Fazem parte<br />

das 35 áreas com processo <strong>de</strong>marcatório concluí<strong>do</strong> - equivalentes à soma <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s<br />

<strong>do</strong> Rio e <strong>do</strong> Espírito Santo - a emblemática Raposa Serra <strong>do</strong> Sol, em Roraima, com 1,7<br />

milhão <strong>de</strong> hectares, cuja disputa chegou ao Supremo Tribunal Fe<strong>de</strong>ral (STF); e a<br />

Trombetas Mapuera, que se <strong>de</strong>staca pela extensão: 4 milhões <strong>de</strong> hectares distribuí<strong>do</strong>s<br />

entre Roraima, Amazonas e Pará. Se os <strong>de</strong>mais 3 milhões <strong>de</strong> hectares forem agrega<strong>do</strong>s<br />

às terras indígenas, a área protegida passará <strong>de</strong> 108 milhões para 111 milhões <strong>de</strong><br />

hectares, o equivalente a 13% <strong>do</strong> território brasileiro.<br />

Casos críticos. Embora tenham significativa área <strong>de</strong>marcada, isso nem sempre<br />

garante proteção aos povos indígenas. Há regiões on<strong>de</strong> os índios não conseguem tomar<br />

posse das terras que, legalmente, pertencem a eles. Um exemplo é o <strong>do</strong>s índios guajás,<br />

no Maranhão: eles estão sen<strong>do</strong> obriga<strong>do</strong>s a conviver com quase uma <strong>de</strong>zena <strong>de</strong><br />

povoa<strong>do</strong>s, habita<strong>do</strong>s por posseiros e espalha<strong>do</strong>s pelos 116,5 mil hectares da terra Auá,<br />

que foi homologada e entregue àquele grupo indígena em 2005.<br />

Em Mato Grosso, na região <strong>de</strong> São Félix <strong>do</strong> Araguaia, os xavantes enfrentam<br />

situação mais difícil. Após tomarem posse da área <strong>de</strong> 165 mil hectares entregue a eles<br />

em 1998, foram expulsos por cria<strong>do</strong>res <strong>de</strong> ga<strong>do</strong> e produtores <strong>de</strong> soja e agora tentam<br />

reaver o território. Por enquanto, conseguiram reocupar apenas 10% da área.<br />

A publicação a ser lançada hoje foi planejada pela organização não governamental<br />

Instituto Socioambiental (ISA). É editada a cada cinco anos e conta com recursos<br />

provenientes <strong>do</strong> exterior. São cita<strong>do</strong>s como apoia<strong>do</strong>res a Embaixada da Noruega e a<br />

Cafod, agência católica <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento, mantida com recursos <strong>do</strong> Reino Uni<strong>do</strong>. Com<br />

778 páginas, 166 artigos, uma seleção <strong>de</strong> notícias publicadas em jornais, fotos e mapas,<br />

oferece uma visão geral sobre a situação <strong>do</strong>s 817 mil índios que vivem no País, segun<strong>do</strong><br />

da<strong>do</strong>s <strong>do</strong> IBGE.<br />

Fiscalização. Uma das constatações preocupantes envolve a terra ianomâmi, com<br />

9,5 milhões <strong>de</strong> hectares, entre Roraima e Amazonas, na fronteira com a Colômbia e a<br />

Venezuela. Segun<strong>do</strong> a antropóloga Fany Ricar<strong>do</strong>, coor<strong>de</strong>na<strong>do</strong>ra da publicação, a crise<br />

internacional provocou a valorização <strong>do</strong> ouro e, no rastro <strong>de</strong>la, uma incontrolável onda <strong>de</strong><br />

invasões <strong>do</strong> garimpo ilegal na região. "Pelo fato <strong>de</strong> não dispor <strong>de</strong> estradas nem <strong>de</strong> muitos<br />

rios navegáveis, é uma terra difícil <strong>de</strong> fiscalizar", explica a antropóloga.<br />

Ainda segun<strong>do</strong> Fany, para conquistar apoio <strong>do</strong>s ianomâmis, garimpeiros distribuem<br />

armas <strong>de</strong> fogo entre os diferentes subgrupos indígenas da região. "Isso potencializa as<br />

tradicionais disputas que existem entre eles. Já se constatou que o número <strong>de</strong> mortos<br />

nesses conflitos aumentou."<br />

Na terra <strong>do</strong> Vale <strong>do</strong> Javari, com 8,5 milhões <strong>de</strong> hectares, na fronteira <strong>do</strong> Amazonas<br />

com o Peru, o maior problema é a precarieda<strong>de</strong> <strong>do</strong>s serviços <strong>de</strong> saú<strong>de</strong>, que facilita o


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 19 <strong>de</strong> 34<br />

avanço <strong>de</strong> uma hiperepi<strong>de</strong>mia <strong>de</strong> hepatites B e D entre os índios. Em algumas al<strong>de</strong>ias,<br />

foram constata<strong>do</strong>s índices <strong>de</strong> até 14% da população afetada, segun<strong>do</strong> análise <strong>do</strong> Centro<br />

<strong>de</strong> Trabalho Indigenista incluída na publicação. O índice aceitável pela Organização<br />

Mundial <strong>de</strong> Saú<strong>de</strong> é <strong>de</strong> 2%.<br />

"O Vale continua sen<strong>do</strong> palco <strong>de</strong> uma das maiores tragédias <strong>de</strong> assistência à<br />

saú<strong>de</strong> indígena no Brasil", diz a análise. Seus autores também observam que o drama<br />

não <strong>de</strong>corre da falta <strong>de</strong> verbas, mas sim <strong>de</strong> esquemas <strong>de</strong> corrupção e <strong>de</strong>svio <strong>de</strong> dinheiro<br />

público, <strong>de</strong> interesses políticos locais e da falta <strong>de</strong> gestão competente <strong>do</strong>s recursos.<br />

O Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> S. Paulo - 21/11/<strong>2011</strong>, disponível em<br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/21/reservas-indigenaschegam-a-13-<strong>do</strong>-territorio-mas-nao-reduzem-conflitos<br />

GOVERNO QUER MULTA MÁXIMA PARA CHEVRON<br />

Governo punirá em R$50 milhões petroleira que provocou vazamento <strong>de</strong> óleo no Rio<br />

O Ministério <strong>do</strong> Meio Ambiente <strong>de</strong>ve anunciar hoje que a empresa Chevron<br />

receberá a multa máxima, <strong>de</strong> R$50 milhões, pelo dano ambiental causa<strong>do</strong> pelo<br />

vazamento <strong>de</strong> óleo no Campo <strong>de</strong> Fra<strong>de</strong>, na Bacia <strong>de</strong> Campos. O valor ten<strong>de</strong> a ser ainda<br />

maior <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> algumas semanas, quan<strong>do</strong> a apuração for concluída. Além <strong>do</strong> dano<br />

ambiental, a Chevron po<strong>de</strong>rá ser multada pela Agência Nacional <strong>do</strong> Petróleo (ANP) por<br />

negligência na segurança da exploração <strong>de</strong> petróleo e novamente pelo Ibama, se ficar<br />

comprova<strong>do</strong> que <strong>de</strong>ixou <strong>de</strong> cumprir alguma ação prevista no Plano <strong>de</strong> Emergência<br />

Individual (PEI) - uma das obrigações previstas no processo <strong>de</strong> licenciamento. A Chevron<br />

po<strong>de</strong>rá acumular mais <strong>de</strong> três multas, cujo valor total ainda não foi calcula<strong>do</strong>.<br />

Segun<strong>do</strong> especialistas em meio ambiente, entre eles o oceanógrafo David Zee,<br />

nomea<strong>do</strong> perito pela Polícia Fe<strong>de</strong>ral para acompanhar o caso, uma multa <strong>de</strong> R$50<br />

milhões seria, no entanto, insuficiente para inibir novos aci<strong>de</strong>ntes ambientais. Para as<br />

empresas, seria mais vantajoso pagar multa <strong>do</strong> que efetivamente ter um controle mais<br />

rígi<strong>do</strong> sobre vazamentos. A Chevron, por exemplo, anunciou em 2009 investimentos <strong>de</strong><br />

US$5 bilhões em uma década no Brasil. Só no Campo <strong>de</strong> Fra<strong>de</strong>, são US$3 bilhões em<br />

socieda<strong>de</strong> com a Petrobras e a Fra<strong>de</strong> Japão. Especialistas também alertam que o valor<br />

máximo da multa está <strong>de</strong>fasa<strong>do</strong>. O limite <strong>de</strong> R$50 milhões é o mesmo <strong>de</strong>s<strong>de</strong> fevereiro <strong>de</strong><br />

1998, quan<strong>do</strong> a lei <strong>de</strong> crimes ambientais foi aprovada no Congresso. Corrigi<strong>do</strong> pela<br />

inflação, esse valor seria <strong>de</strong> R$116 milhões.<br />

Além das multas <strong>do</strong> Ibama e uma possível punição da ANP, a Chevron po<strong>de</strong>rá ser<br />

obrigada a reparar os danos causa<strong>do</strong>s na biodiversida<strong>de</strong> e compensar pesca<strong>do</strong>res <strong>do</strong><br />

Norte fluminense, diz o secretário estadual <strong>do</strong> Ambiente, Carlos Minc. Ele estimou ontem<br />

a reparação em mais <strong>de</strong> R$10 milhões. Mas ainda não há relatos <strong>de</strong> peixes mortos ou<br />

baleias contaminadas.<br />

- O aci<strong>de</strong>nte po<strong>de</strong>ria ter si<strong>do</strong> evita<strong>do</strong> e merece resposta forte. É uma região rica em<br />

biodiversida<strong>de</strong>, como algas, plantas e micro-organismos que são base da ca<strong>de</strong>ia


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 20 <strong>de</strong> 34<br />

alimentar marinha - disse Minc, que vai pedir hoje o <strong>de</strong>scre<strong>de</strong>nciamento no Ibama da<br />

Transocean, empresa contratada para perfurar o poço no Campo <strong>de</strong> Fra<strong>de</strong>, a mesma<br />

envolvida no vazamento <strong>de</strong> óleo <strong>do</strong> Golfo <strong>do</strong> México, em 2010. - É incompetente e muito<br />

pé frio.<br />

O <strong>de</strong>lega<strong>do</strong> fe<strong>de</strong>ral Fábio Scliar, chefe da Delegacia <strong>de</strong> Meio Ambiente da PF,<br />

acrescentou que, se ficar comprovada a negligência da companhia no caso, a Chevron<br />

po<strong>de</strong> ficar até cinco anos fora <strong>de</strong> licitações no Brasil.<br />

- Se houver indiciamento da pessoa jurídica, ou seja, se a questão for além da<br />

falha humana, as punições serão bem maiores <strong>do</strong> que R$50 milhões <strong>de</strong> multa - disse ele.<br />

Óleo continua vazan<strong>do</strong>, diz ANP<br />

Passa<strong>do</strong>s 14 dias <strong>do</strong> início <strong>do</strong> vazamento, o petróleo continuava vazan<strong>do</strong> em<br />

alguns pontos no Campo <strong>de</strong> Fra<strong>de</strong>, segun<strong>do</strong> a Agência Nacional <strong>do</strong> Petróleo (ANP). Essa<br />

avaliação foi feita a partir <strong>de</strong> imagens submarinas captadas pelo ROV (sigla em inglês<br />

para veículo opera<strong>do</strong> remotamente) no sába<strong>do</strong> e informações da Marinha, que monitorou<br />

400 metros <strong>de</strong> fissuras ontem.<br />

Em entrevista a agências internacionais, o presi<strong>de</strong>nte da Chevron Brasil, George<br />

Buck, reconheceu ontem que o equivalente <strong>de</strong> <strong>de</strong>z barris (1.590 litros) a cem barris<br />

(15.900 litros) continua vazan<strong>do</strong> das fissuras no solo marinho. Na última sexta-feira, a<br />

jornalistas brasileiros, o executivo dissera que o vazamento estava limita<strong>do</strong> ao equivalente<br />

a 18 barris.<br />

O poço que provocou o vazamento recebeu cimentação na quinta-feira passada<br />

para ser veda<strong>do</strong> e não estaria mais com vazamento <strong>de</strong> óleo, segun<strong>do</strong> a Chevron. Outras<br />

cinco etapas <strong>de</strong> cimentação <strong>de</strong>vem ser concluídas nesta semana, estimou a ANP.<br />

Técnicos da agência embarcaram ontem na plataforma da Chevron para acompanhar as<br />

ativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> aban<strong>do</strong>no <strong>do</strong> poço e coletar mais da<strong>do</strong>s sobre o aci<strong>de</strong>nte.<br />

O volume total <strong>do</strong> vazamento, no entanto, segue com <strong>de</strong>sencontro <strong>de</strong> informações. Na<br />

sexta-feira passada, a Chevron falou num volume total <strong>de</strong> 882 barris (ou 14 caminhõespipa)<br />

<strong>de</strong> petróleo. Já a ANP estimou entre 1.400 a 2.310 barris e a ONG americana<br />

SkyTruth avaliou o <strong>de</strong>rrame num total muito superior, <strong>de</strong> 15 mil barris (quase 238<br />

caminhões-pipa).<br />

Nesta semana, um novo relatório sobre o vazamento será entregue pelo Instituto<br />

Estadual <strong>do</strong> Ambiente (Inea), órgão <strong>do</strong> Governo <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, para a PF. Em sobrevoo<br />

realiza<strong>do</strong> no sába<strong>do</strong>, os técnicos <strong>do</strong> Inea constataram uma redução <strong>do</strong> tamanho da<br />

mancha na Bacia <strong>de</strong> Campos.<br />

Segun<strong>do</strong> o <strong>de</strong>lega<strong>do</strong> Scliar, é preciso averiguar se a redução da mancha<br />

constatada pelos técnicos foi possível pelo recolhimento <strong>do</strong> óleo pela Chevron -<br />

consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> correto por especialistas - ou com um procedimento chama<strong>do</strong> dispersão<br />

mecânica, que consiste no jateamento <strong>de</strong> produtos sobre o óleo para afundá-lo no mar.<br />

No sába<strong>do</strong>, a Chevron negou que esteja usan<strong>do</strong> areia para isso.<br />

- Não me importo se eles estão usan<strong>do</strong> areia, pedra ou farinha <strong>de</strong> trigo, o que não<br />

po<strong>de</strong> é empurrar o óleo para baixo <strong>do</strong> tapete oceânico. É preciso recolher o óleo ou é uma<br />

espécie <strong>de</strong> frau<strong>de</strong> - disse.<br />

Em nota enviada ao GLOBO, a Chevron informou que tem recolhi<strong>do</strong> o óleo <strong>de</strong>s<strong>de</strong> o<br />

último dia 9 e que foram retira<strong>do</strong>s cerca <strong>de</strong> 385 metros cúbicos <strong>de</strong> água oleosa.


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 21 <strong>de</strong> 34<br />

Ontem, a Marinha informou que <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> ao mau tempo em Macaé não foi possível<br />

sobrevoar na Bacia <strong>de</strong> Campos para avaliar os trabalhos <strong>de</strong> redução da mancha. Uma<br />

nova tentativa <strong>de</strong> sobrevoo <strong>de</strong>ve ser realiza<strong>do</strong> entre hoje e amanhã.<br />

Empresa po<strong>de</strong> ser alvo <strong>de</strong> CPI<br />

Enquanto tenta resolver o problema no litoral fluminense, a Chevron terá <strong>de</strong> dar<br />

explicações ao Congresso Nacional. Se, na próxima quarta-feira, em audiência pública na<br />

Câmara, o presi<strong>de</strong>nte da empresa no Brasil, não convencer os <strong>de</strong>puta<strong>do</strong>s, o vazamento<br />

po<strong>de</strong>rá ser objeto <strong>de</strong> uma Comissão Parlamentar <strong>de</strong> Inquérito (CPI), segun<strong>do</strong> o<br />

presi<strong>de</strong>nte da Comissão <strong>de</strong> Meio Ambiente da Câmara, Giovani Cherini (PDT-RS).<br />

Para a audiência, também foram convida<strong>do</strong>s os ministros <strong>do</strong> Meio Ambiente,<br />

Izabella Teixeira, e <strong>de</strong> Minas e Energia, Edison Lobão; os presi<strong>de</strong>ntes da ANP, Harol<strong>do</strong><br />

Lima, e <strong>do</strong> Ibama, Curt Trennepohl; além <strong>de</strong> especialistas para esclarecer as causas <strong>do</strong><br />

aci<strong>de</strong>nte.<br />

- Não queremos que aconteça no Brasil o mesmo que aconteceu no Golfo <strong>do</strong><br />

México. Queremos que a socieda<strong>de</strong> conheça o assunto com transparência. Esperamos<br />

que to<strong>do</strong>s venham à audiência e esclareçam tu<strong>do</strong>. Se isso não acontecer, chamamos<br />

uma CPI. Eu mesmo vou li<strong>de</strong>rar o pedi<strong>do</strong> <strong>de</strong> CPI - disse Cherini.<br />

Hoje, no Sena<strong>do</strong>, o presi<strong>de</strong>nte da Comissão <strong>de</strong> Meio Ambiente, Rodrigo<br />

Rollemberg (PSB-DF), também colocará em votação um requerimento para convocar<br />

representantes <strong>do</strong> governo e da empresa americana para explicarem o caso.<br />

O presi<strong>de</strong>nte <strong>do</strong> Ibama estará no Rio hoje para uma reunião com a ANP, que abriu<br />

investigação da conduta da empresa para controlar o aci<strong>de</strong>nte que provocou durante a<br />

exploração <strong>de</strong> petróleo. O órgão aguarda relatório da Chevron sobre as medidas que<br />

tomou para cumprir o PEI.<br />

Autor(es): agência o globo: Catarina Alencastro, Luiza Damé, Bruno Villas Bôas e Mariana<br />

Durão.<br />

Fonte: O Globo, 21/11/<strong>2011</strong>. Disponível em,<br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/21/governo-quer-multamaxima-para-chevron<br />

PARA ESPECIALISTAS, ACIDENTE É ALERTA<br />

Analista <strong>de</strong>fen<strong>de</strong> legislação transparente e multa milionária a responsáveis<br />

Deveria servir como um alerta para o governo o aci<strong>de</strong>nte ambiental provoca<strong>do</strong>, na<br />

última quarta-feira, pela Chevron Brasil, na Bacia <strong>de</strong> Campos, no litoral fluminense. O<br />

vazamento é, na opinião <strong>de</strong> Adriano Pires, <strong>do</strong> Centro Brasileiro <strong>de</strong> Infraestrutura (CBIE),<br />

um sinal <strong>de</strong> que a indústria <strong>de</strong> petróleo é, por sua própria natureza, <strong>de</strong> "altíssimo risco<br />

ambiental".<br />

- Esse aci<strong>de</strong>nte <strong>de</strong>veria servir como um alerta, sobretu<strong>do</strong> para um governo que está<br />

investin<strong>do</strong> pesa<strong>do</strong> na exploração <strong>do</strong> petróleo e caminhan<strong>do</strong> para romper a barreira <strong>do</strong>


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 22 <strong>de</strong> 34<br />

pré-sal - comentou Pires, <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> que, mais <strong>do</strong> que nunca, o país <strong>de</strong>veria ter uma<br />

legislação ambiental transparente e que punisse, <strong>de</strong> fato, as empresas responsáveis por<br />

aci<strong>de</strong>ntes ambientais.<br />

O valor da multa cobra<strong>do</strong> pelo governo americano à British Petroleum (BP),<br />

responsável pelo mega-aci<strong>de</strong>nte no Golfo <strong>do</strong> México, em mea<strong>do</strong>s <strong>do</strong> ano passa<strong>do</strong>, é,<br />

segun<strong>do</strong> Pires, emblemático:<br />

- O valor foi tão alto (US$75 milhões) que a BP foi obrigada a ven<strong>de</strong>r ativos para não<br />

quebrar. Deveríamos fazer o mesmo.<br />

O aci<strong>de</strong>nte da Chevron ocorreu às vésperas da passeata contra a redistribuição<br />

<strong>do</strong>s royalties <strong>do</strong> petróleo, reforçan<strong>do</strong> a posição <strong>do</strong> governo fluminense <strong>de</strong> que o Esta<strong>do</strong> <strong>do</strong><br />

Rio e os <strong>de</strong>mais produtores - diretamente afeta<strong>do</strong>s em casos <strong>de</strong> vazamentos - precisam<br />

garantir uma fatia maior na partilha da riqueza <strong>do</strong> petróleo.<br />

- Se o vazamento chegasse à costa, po<strong>de</strong>ria prejudicar regiões <strong>do</strong> litoral <strong>de</strong> Campos,<br />

Macaé e Búzios. Mas não afetaria em nada regiões <strong>de</strong> esta<strong>do</strong>s como Mato Grosso,<br />

Rondônia e Piauí - disse o secretário estadual <strong>do</strong> Meio Ambiente, Carlos Minc, durante a<br />

passeata.<br />

Autor(es): agência o globo:Liana Melo<br />

O Globo - 16/11/<strong>2011</strong><br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/16/para-especialistasaci<strong>de</strong>nte-e-alerta<br />

RELATOR TENTA ACORDO SOBRE CÓDIGO FLORESTAL<br />

Na última chance para mudanças no texto no Sena<strong>do</strong>, Jorge Viana <strong>de</strong>ixa <strong>de</strong> la<strong>do</strong> faixas mínimas<br />

<strong>de</strong> proteção<br />

BRASÍLIA. O relator <strong>do</strong> Código Florestal na Comissão <strong>de</strong> Meio Ambiente <strong>do</strong><br />

Sena<strong>do</strong>, Jorge Viana (PT-AC), apresenta hoje seu parecer sobre a batalha mais polêmica<br />

que se travou no Congresso este ano. Esta é a última chance para que o texto seja<br />

modifica<strong>do</strong>, <strong>de</strong>pois <strong>de</strong> ter si<strong>do</strong> vota<strong>do</strong> na Câmara em maio e passa<strong>do</strong> por outras três<br />

comissões no Sena<strong>do</strong>: Constituição e Justiça, Agricultura e Ciência e Tecnologia.<br />

Objeto <strong>de</strong> tensos embates entre os <strong>do</strong>is la<strong>do</strong>s, a <strong>de</strong>finição <strong>de</strong> faixas mínimas <strong>de</strong><br />

proteção a que to<strong>do</strong>s os produtores rurais terão <strong>de</strong> obe<strong>de</strong>cer - o que na maioria <strong>do</strong>s casos<br />

significa recuperar com mata nativa áreas <strong>de</strong>smatadas ilegalmente - não constará <strong>do</strong><br />

texto <strong>de</strong> Jorge Viana. O problema ficará para o sena<strong>do</strong>r Luiz Henrique (PMDB-SC), que<br />

apresentará emenda a ser votada separadamente.<br />

Parecer <strong>de</strong> Viana reduz área obrigatória <strong>de</strong> replantio<br />

O parecer <strong>de</strong> Viana traz apenas uma regra geral mínima: a <strong>de</strong> que, para rios <strong>de</strong> até<br />

10 metros <strong>de</strong> largura, a faixa mínima obrigatória <strong>de</strong> recuperação é <strong>de</strong> 15 metros, uma


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 23 <strong>de</strong> 34<br />

flexibilização da atual legislação, que diz que quem <strong>de</strong>smatou tem que replantar 100% da<br />

margem mínima da mata ciliar, ou seja, 30 metros.<br />

O texto <strong>de</strong> Viana dirá, ainda, que os esta<strong>do</strong>s, por meio <strong>de</strong> seus conselhos <strong>de</strong> meio<br />

ambiente, po<strong>de</strong>rão <strong>de</strong>finir que ativida<strong>de</strong>s e edificações situadas irregularmente nesses<br />

locais po<strong>de</strong>rão ser legalizadas. Isso quer dizer que a produção que ficar estabelecida pelo<br />

esta<strong>do</strong> como exceção estará liberada <strong>de</strong> cumprir a recomposição mínima estabelecida<br />

pelo código.<br />

Autor(es): agência o globo:Catarina Alencastro<br />

Fonte: O Globo <strong>–</strong> 21/11/<strong>2011</strong>,<br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/21/relator-tenta-acor<strong>do</strong>sobre-codigo-florestal<br />

GEOGRAFIA SAÚDE<br />

EXPERIÊNCIA DO NORDESTE PROMOVE CUIDADO<br />

NUTRICIONAL DAS GESTANTES<br />

O projeto Mãe Nutrida, <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong> no município <strong>de</strong> Pacatuba, no Ceará, foi<br />

cria<strong>do</strong> em 2007, com o objetivo <strong>de</strong> promover ações <strong>de</strong> proteção às gestantes e bebês em<br />

situação <strong>de</strong> risco nutricional e social. Ele foi um <strong>do</strong>s agracia<strong>do</strong>s com menção honrosa no<br />

prêmio Pró Equida<strong>de</strong> em Saú<strong>de</strong> promovi<strong>do</strong> pelo CEPI-DSS, CONASEMS e Ministério da<br />

Saú<strong>de</strong>.<br />

A Secretaria Municipal <strong>de</strong> Saú<strong>de</strong>, em parceria com a Secretaria <strong>de</strong> Ação Social,<br />

através <strong>de</strong> sua coor<strong>de</strong>nação <strong>de</strong> Vigilância Nutricional, implantou o cuida<strong>do</strong> às gestantes<br />

em risco, com monitoramento a partir <strong>do</strong> pré-natal. O projeto tem como objetivos<br />

principais a promoção da saú<strong>de</strong> e a redução da mortalida<strong>de</strong> infantil e materna. Buscan<strong>do</strong><br />

atingir tais objetivos, os órgãos planejaram estrategicamente ações <strong>de</strong> promoção da<br />

alimentação e redução da vulnerabilida<strong>de</strong> social.<br />

De início, foram i<strong>de</strong>ntificadas 3.800 gestantes em risco nutricional através da<br />

realização da avaliação social, com monitoramento mensal <strong>de</strong> da<strong>do</strong>s antropométricos <strong>de</strong><br />

peso e altura e <strong>do</strong> acompanhamento pré-natal. Concomitantemente foram realizadas<br />

palestras e oficinas <strong>de</strong> culinária, com a distribuição mensal <strong>de</strong> kits nutricionais compostos<br />

por itens essenciais à alimentação das grávidas. Para participar das ações, as gestantes<br />

inscritas comprometeram-se a cumprir o aleitamento exclusivo e manter o<br />

acompanhamento da criança até o sexto mês <strong>de</strong> vida, como propõe o Mãe Nutrida.


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 24 <strong>de</strong> 34<br />

Com a i<strong>de</strong>ntificação <strong>de</strong> Determinantes Sociais como baixa renda, moradia precária,<br />

participação em programas sociais, inexistência <strong>de</strong> lazer e convívio social, falta <strong>de</strong><br />

conhecimento sobre os direitos e serviços oferta<strong>do</strong>s, baixa escolarida<strong>de</strong>, baixa autoestima,<br />

risco nutricional, foi possível promover intervenções locais associadas às<br />

necessida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> cada área <strong>do</strong> município e à sua realida<strong>de</strong>. Desta forma, o<br />

monitoramento <strong>do</strong> esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> saú<strong>de</strong> e peso das grávidas, a orientação nutricional, as<br />

avaliações antropométricas, oficinas educativas e a distribuição <strong>do</strong>s kits nutricionais,<br />

soluções implementadas pelo projeto, se a<strong>de</strong>quaram as necessida<strong>de</strong>s locais.<br />

Após a implantação das estratégias <strong>de</strong> monitoramento, cuida<strong>do</strong> nutricional e<br />

orientação, os profissionais responsáveis pelo Mãe Nutrida observaram o aumento <strong>de</strong><br />

4.34 % <strong>de</strong> crianças em aleitamento materno exclusivo e a redução <strong>de</strong> 4.03 % <strong>de</strong> crianças<br />

com aleitamento misto, se compara<strong>do</strong>s com números anteriores a sua implantação.<br />

Outros resulta<strong>do</strong>s positivos foram a redução <strong>de</strong> 2.18 % no índice <strong>de</strong> <strong>de</strong>snutrição <strong>de</strong><br />

crianças <strong>de</strong> 1 à 2 anos, <strong>de</strong> 1.63 % em óbitos <strong>de</strong> crianças menores <strong>de</strong> 1 ano e <strong>de</strong> 3% no<br />

índice <strong>de</strong> crianças <strong>de</strong>snutridas menores <strong>de</strong> 2 anos.<br />

Esta experiência permanece em execução no município, aten<strong>de</strong>n<strong>do</strong> as gestantes<br />

<strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com a <strong>de</strong>manda local.<br />

Citação Bibliográfica<br />

Pimentel J. Experiência <strong>do</strong> nor<strong>de</strong>ste promove cuida<strong>do</strong> nutricional das gestantes [artigo na<br />

internet]. <strong>2011</strong> Set [acesso em]. Disponível em:<br />

http://cmdss<strong>2011</strong>.org/site/?post_type=experiencias&p=3905&preview=true<br />

Autor: Jaqueline Pimentel é jornalista e especialista em Gestão Empresarial Conferência<br />

Mundial sobre <strong>de</strong>terminantes sociais <strong>de</strong> saú<strong>de</strong>. Disponível em<br />

http://cmdss<strong>2011</strong>.org/site/experiencias/experiencia-<strong>do</strong>-nor<strong>de</strong>ste-promove-cuida<strong>do</strong>nutricional-das-gestantes/<br />

SANEAMENTO MODELO NO DISTRITO FEDERAL<br />

Levantamento <strong>do</strong> último censo revela que, em Brasília, 99% das residências têm<br />

sistema eficiente <strong>de</strong> coleta <strong>de</strong> esgoto. Índice representa uma queda <strong>de</strong> quase 70% no<br />

total <strong>de</strong> casas fora <strong>do</strong> padrão.<br />

As ruas sem asfalto e com esgoto a céu aberto eram motivo <strong>de</strong> vergonha e muito<br />

incômo<strong>do</strong> para a comerciante Maria José Vieira, 45 anos. Mora<strong>do</strong>ra da Vila Estrutural, ela<br />

conviveu com a falta <strong>de</strong> infraestrutura até 2009, quan<strong>do</strong> o governo concluiu as obras <strong>de</strong><br />

saneamento na região. O sistema <strong>de</strong> coleta <strong>de</strong> esgoto mu<strong>do</strong>u a vida <strong>de</strong> <strong>do</strong>na Maria e <strong>do</strong>s<br />

mora<strong>do</strong>res da cida<strong>de</strong>. "Antes, as ruas fediam o tempo to<strong>do</strong> e a gente vivia com me<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />

pegar <strong>do</strong>enças", conta. Por conta <strong>de</strong> obras como as realizadas na Estrutural, o Distrito


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 25 <strong>de</strong> 34<br />

Fe<strong>de</strong>ral ostenta o título <strong>de</strong> unida<strong>de</strong> da Fe<strong>de</strong>ração com o menor percentual <strong>de</strong> <strong>do</strong>micílios<br />

com saneamento ina<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>.<br />

Em Brasília, o índice <strong>de</strong> residências com sistema fora <strong>do</strong>s padrões foi <strong>de</strong> apenas<br />

1%. Os da<strong>do</strong>s fazem parte <strong>do</strong> Censo 2010, realiza<strong>do</strong> pelo Instituto Brasileiro <strong>de</strong> Geografia<br />

e Estatística (IBGE). Na última pesquisa, feita em 2000, esse percentual era <strong>de</strong> 3%, ou<br />

seja, houve uma queda <strong>de</strong> 67,8% no total <strong>de</strong> casas com esgoto a céu aberto ou<br />

<strong>de</strong>speja<strong>do</strong> em locais impróprios. Em to<strong>do</strong>s os <strong>de</strong>mais esta<strong>do</strong>s brasileiros, caiu a<br />

quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>do</strong>micílios sem saneamento a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>. A média nacional <strong>de</strong> casas sem<br />

esgotamento sanitário ou acesso à coleta <strong>de</strong> lixo é <strong>de</strong> 8,1%. Há 10 anos, 14% <strong>do</strong>s<br />

<strong>do</strong>micílios estavam nessas condições.<br />

Dificulda<strong>de</strong>s<br />

A redução foi ainda mais forte em algumas capitais, especialmente <strong>do</strong> Norte e <strong>do</strong><br />

Nor<strong>de</strong>ste, on<strong>de</strong> o número <strong>de</strong> <strong>do</strong>micílios com saneamento ina<strong>de</strong>qua<strong>do</strong> era alto. No<br />

Maranhão, por exemplo, 41,3% das casas não tinham esgotamento sanitário em 2000. O<br />

percentual ainda é muito alto, mas houve uma queda significativa: hoje, 23% <strong>do</strong>s<br />

<strong>do</strong>micílios estão em condição sanitária precária. Nesse quesito, Rondônia é o esta<strong>do</strong> em<br />

pior situação. Lá, quase um quarto das casas não têm saneamento básico a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>.<br />

Pela meto<strong>do</strong>logia <strong>do</strong> IBGE, é consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> <strong>do</strong>micílio com saneamento a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong><br />

aquele liga<strong>do</strong> à re<strong>de</strong> geral ou à fossa séptica. Também é observa<strong>do</strong> se o local tem água<br />

oferecida pelos serviços oficiais <strong>de</strong> abastecimento e se o lixo é coleta<strong>do</strong> pelos serviços <strong>de</strong><br />

limpeza. Nas casas com sistema ina<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>, o lixo é enterra<strong>do</strong>, queima<strong>do</strong> ou joga<strong>do</strong> em<br />

terrenos baldios. Nesses casos, o esgoto sanitário é escoa<strong>do</strong> para fossas rudimentares,<br />

valas, rios, lagos ou para o mar.<br />

O economista Júlio Miragaya, diretor <strong>de</strong> Gestão <strong>de</strong> Informações da Companhia <strong>de</strong><br />

Planejamento <strong>do</strong> Distrito Fe<strong>de</strong>ral, lembra que Brasília é uma área pre<strong>do</strong>minantemente<br />

urbana e que o território <strong>do</strong> DF é muito pequeno. Esses <strong>do</strong>is fatores, explica, contribuem<br />

para que o Distrito Fe<strong>de</strong>ral seja a unida<strong>de</strong> da Fe<strong>de</strong>ração com o menor índice <strong>de</strong><br />

<strong>do</strong>micílios com saneamento ina<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>. "A maior dificulda<strong>de</strong> é levar saneamento para<br />

áreas não urbanizadas, e a maioria da população <strong>do</strong> DF está na zona urbana. Por isso,<br />

quase to<strong>do</strong>s os <strong>do</strong>micílios <strong>de</strong> Brasília têm saneamento", afirma.<br />

O presi<strong>de</strong>nte da Caesb, Célio Biavati, atribui o bom resulta<strong>do</strong> <strong>do</strong> Distrito Fe<strong>de</strong>ral<br />

aos investimentos realiza<strong>do</strong>s na última década. "Em 10 anos, o governo investiu R$ 1,3<br />

bilhão em infraestrutura <strong>de</strong> água e esgoto. Nesse perío<strong>do</strong>, foram feitas 250 mil ligações<br />

novas <strong>de</strong> água e 150 mil ligações <strong>de</strong> esgoto", explica Biavati. Ele conta que os <strong>do</strong>micílios<br />

sem saneamento a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong> estão principalmente em áreas rurais ou em novas invasões<br />

na zona urbana. "Existe um <strong>de</strong>creto que proíbe a Caesb <strong>de</strong> fazer ligações em ocupações<br />

recentes, para coibir as invasões <strong>de</strong> terra", justifica o presi<strong>de</strong>nte da Caesb.<br />

Investimentos<br />

A expansão <strong>do</strong> sistema <strong>de</strong> saneamento no DF <strong>de</strong>ixou o brasiliense protegi<strong>do</strong> contra<br />

uma série <strong>de</strong> <strong>do</strong>enças infectocontagiosas que po<strong>de</strong>m levar à morte. O sanitarista Pedro<br />

Tauil, professor da Universida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Brasília (UnB), avalia: "Os investimentos em<br />

saneamento básico, que compreen<strong>de</strong> o abastecimento regular <strong>de</strong> água, a coleta <strong>de</strong> lixo, a


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 26 <strong>de</strong> 34<br />

drenagem pluvial e a coleta <strong>de</strong> esgoto, melhoram significativamente os níveis <strong>de</strong> saú<strong>de</strong> da<br />

população e protegem contra várias <strong>do</strong>enças".<br />

Pedro Tauil, no entanto, lembra que ainda há muitas pessoas que vivem em áreas<br />

<strong>de</strong> invasão e favelas, on<strong>de</strong> o saneamento sempre é precário. "Mais <strong>de</strong> 20% da população<br />

brasileira estão nessa situação e sofrem com a falta <strong>de</strong> coleta <strong>de</strong> lixo e esgoto. Além<br />

disso, não adianta coletar o esgoto se não tratar a<strong>de</strong>quadamente."<br />

O número <strong>de</strong> <strong>do</strong>micílios com saneamento é <strong>de</strong> 99%, mas 19% das residências <strong>do</strong><br />

DF não têm re<strong>de</strong> <strong>de</strong> esgoto e usam sistema <strong>de</strong> fossa séptica ou outros méto<strong>do</strong>s. O Censo<br />

mostrou que 641 <strong>do</strong>micílios não possuem nenhum sistema <strong>de</strong> esgotamento sanitário.<br />

Entre os brasilienses, 15% não são atendi<strong>do</strong>s diretamente pelo serviço <strong>de</strong> limpeza, mas<br />

usam caçamba ou outros méto<strong>do</strong>s. O gran<strong>de</strong> <strong>de</strong>safio <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r público a partir <strong>de</strong> agora é<br />

fechar fossas sépticas construídas em local ina<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>, especialmente próximo a poços<br />

artesianos.<br />

Os da<strong>do</strong>s divulga<strong>do</strong>s pelo IBGE mostram que a maioria das casas <strong>do</strong> Distrito<br />

Fe<strong>de</strong>ral está ligada à re<strong>de</strong> geral <strong>de</strong> abastecimento <strong>de</strong> água. Ao to<strong>do</strong>, 95% <strong>do</strong>s <strong>do</strong>micílios<br />

são abasteci<strong>do</strong>s pela Companhia <strong>de</strong> Saneamento Ambiental <strong>do</strong> DF (Caesb), e os 5%<br />

restantes ainda usam água <strong>de</strong> poços artesianos ou <strong>de</strong> nascentes.<br />

Um <strong>do</strong>s <strong>de</strong>safios para que todas as casas tenham esgoto sanitário no Brasil é o<br />

alto custo das obras. O professor <strong>do</strong> Instituto <strong>de</strong> Geociências da Universida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Brasília<br />

Geral<strong>do</strong> Boaventura lembra que essa é uma obra <strong>de</strong> difícil execução e com pouca<br />

visibilida<strong>de</strong> política: "Executar essas obras é uma <strong>de</strong>cisão política e <strong>de</strong>manda muitos<br />

recursos, mas a melhoria <strong>do</strong> saneamento é essencial."<br />

"No Entorno, os da<strong>do</strong>s são o inverso", atenta. "Lá, ainda há muitos municípios que<br />

não são atendi<strong>do</strong>s a<strong>de</strong>quadamente. E, mesmo no Distrito Fe<strong>de</strong>ral, há áreas que precisam<br />

<strong>de</strong> investimento para garantir o saneamento completo".<br />

O estudante Emanuel Mace<strong>do</strong>, 20 anos, mora na Quadra 4 da Vila Estrutural e<br />

lembra-se com tristeza da época em que a cida<strong>de</strong> não tinha re<strong>de</strong> <strong>de</strong> esgoto. "Quan<strong>do</strong><br />

chovia, era um horror. A lama ficava misturada com o esgoto e a cida<strong>de</strong> toda fedia muito.<br />

A construção <strong>do</strong> saneamento na Estrutural foi a melhor coisa que aconteceu", comenta.<br />

Água tratada<br />

O governo local capta água <strong>de</strong> cinco sistemas produtores diferentes, mas o<br />

principal <strong>de</strong>les é a Bacia <strong>do</strong> Descoberto. Além disso, há 10 estações <strong>de</strong> tratamento <strong>de</strong><br />

água e 56 unida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> tratamento para cloração <strong>de</strong> poços. O DF tem ainda 6.469km <strong>de</strong><br />

re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> distribuição <strong>de</strong> água, que aten<strong>de</strong>m 774 <strong>do</strong>micílios, e 4.736km <strong>de</strong> re<strong>de</strong>s coletoras<br />

<strong>de</strong> esgoto, além <strong>de</strong> 17 estações <strong>de</strong> tratamento.<br />

Autor(es): Helena Ma<strong>de</strong>r Correio Braziliense <strong>–</strong> 18/11/<strong>2011</strong>.<br />

Disponível em<br />

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/<strong>2011</strong>/11/18/saneamento-mo<strong>de</strong>lono-distrito-fe<strong>de</strong>ral/?searchterm=saneamento%20b%C3%A1sico


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 27 <strong>de</strong> 34<br />

HISTÓRIA<br />

BOA IMAGEM DO BRASIL NA ÁFRICA IMPULSIONA<br />

INVESTIMENTOS DO PAÍS<br />

LIBREVILLE — O Brasil está realizan<strong>do</strong> importantes investimentos na África, on<strong>de</strong><br />

é visto com simpatia por compartilhar parte <strong>de</strong> sua i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> cultural com o continente<br />

negro.<br />

O Brasil foi o convida<strong>do</strong> <strong>de</strong> honra <strong>do</strong> fórum <strong>de</strong> cooperação América <strong>do</strong> Sul-África<br />

(ASACOF) que foi realiza<strong>do</strong> na quinta e nesta sexta-feira em Malabo (Guiné Equatorial)<br />

com a participação <strong>de</strong> 55 países, no qual o mo<strong>de</strong>lo oci<strong>de</strong>ntal <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento foi<br />

critica<strong>do</strong>.<br />

A aproximação com a África recebeu um forte impulso durante a presidência <strong>de</strong><br />

Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), que fez <strong>de</strong>z visitas ao continente. No mês passa<strong>do</strong>,<br />

Dilma Rousseff visitou África <strong>do</strong> Sul, Moçambique e Angola e enviou o chanceler Antônio<br />

Patriota a Malabo.<br />

O Brasil <strong>de</strong>ixou <strong>de</strong> ser aos olhos <strong>do</strong>s africanos um mero sinônimo <strong>de</strong> futebol e<br />

samba e se tornou um mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento.<br />

A Petrobras e a minera<strong>do</strong>ra Vale são <strong>do</strong>is gigantes muito ativos na região.<br />

Em Moçambique, país lusófono, a Vale investiu 1,7 bilhão <strong>de</strong> dólares na mina <strong>de</strong><br />

carvão <strong>de</strong> Moatiza (noroeste) e preten<strong>de</strong> investir mais 2 bilhões em outros projetos. Suas<br />

ativida<strong>de</strong>s empregam cerca <strong>de</strong> 10.000 pessoas, incluin<strong>do</strong> uma re<strong>de</strong> <strong>de</strong> empresas<br />

terceirizadas.<br />

No Gabão, a Vale ficou fora <strong>do</strong> projeto Belinga, uma gran<strong>de</strong> jazida <strong>de</strong> ferro, mas<br />

ainda não se <strong>de</strong>u por vencida, já que a exploração concedida inicialmente a consórcios<br />

chineses foi suspensa por motivos atribuí<strong>do</strong>s tanto à crise mundial como às dúvidas das<br />

autorida<strong>de</strong>s <strong>do</strong> país.<br />

Muitas outras empresas menos conhecidas buscam oportunida<strong>de</strong>s no continente<br />

africano em setores diversos, como o <strong>de</strong> obras públicas, o da indústria farmacêutica, o da<br />

aeronáutica e o <strong>de</strong> geração <strong>de</strong> energia. Entre seus argumentos se <strong>de</strong>stacam a perícia<br />

técnica em condições semelhantes às da África, sejam climáticas ou humanas. Mas, para<br />

a África, o Brasil é antes <strong>de</strong> tu<strong>do</strong> um alia<strong>do</strong> que po<strong>de</strong> contrabalançar a influência <strong>de</strong><br />

Europa e Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s.<br />

"Sou a favor <strong>de</strong> uma cooperação Sul-Sul, temos que trabalhar (juntos)", afirmou o<br />

chanceler nigeriano, Olugbenga Ashiru, no início <strong>do</strong> fórum <strong>de</strong> Malabo, na quinta-feira.


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 28 <strong>de</strong> 34<br />

"A influência e o dinamismo econômico <strong>do</strong> Brasil <strong>de</strong>vem ser vistos como algo<br />

positivo. Brasil e China mostraram à África que o <strong>de</strong>senvolvimento é possível", <strong>de</strong>stacou o<br />

ministro <strong>de</strong> Zonas Econômicas Especiais <strong>do</strong> Congo, Alain Akouala Atipault.<br />

"Até ontem, a África mantinha relações <strong>de</strong> cooperação apenas com as expotências<br />

coloniza<strong>do</strong>ras. A emergência <strong>de</strong> China e Brasil oferece uma possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

cooperação Sul-Sul. No Congo, estamos preparan<strong>do</strong> o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> zonas<br />

econômicas especiais, e Brasil, China e Cingapura nos servirão <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>lo", acrescentou.<br />

O presi<strong>de</strong>nte guineano, Alpha Condé, que esteve recentemente no Brasil, chegou à<br />

conclusão <strong>de</strong> que os africanos têm "muito a apren<strong>de</strong>r com o Brasil em temas <strong>de</strong><br />

agricultura e pesquisa".<br />

O embaixa<strong>do</strong>r <strong>de</strong> Burkina Faso em Brasília, Alain Jean Gustave Ilbou<strong>do</strong>, constata<br />

que "neste momento há uma dinâmica muito perceptível <strong>de</strong> interesse <strong>do</strong> Brasil pela<br />

África", com ampla mobilização <strong>de</strong> brasileiros em temáticas <strong>de</strong> origem africana. "Os<br />

brasileiros se sentem próximos da África, ao contrário <strong>do</strong>s chineses", ressalta.<br />

As relações conjugam projetos <strong>de</strong> investimento e trocas comerciais.<br />

O Brasil exporta açúcar para a Nigéria e é o terceiro maior importa<strong>do</strong>r <strong>de</strong> petróleo<br />

nigeriano, atrás <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s e da Índia. Também há consultas para a privatização<br />

da re<strong>de</strong> elétrica <strong>do</strong> gigante africano.<br />

O comércio entre Brasil e África saltou <strong>de</strong> 4,2 bilhões <strong>de</strong> dólares em 2000 para mais<br />

<strong>de</strong> 20 bilhões anuais em setembro passa<strong>do</strong>, com exportações <strong>de</strong> 8,7 bilhões <strong>de</strong> dólares<br />

(principalmente bens manufatura<strong>do</strong>s) e importações no valor <strong>de</strong> 11,6 bilhões<br />

(principalmente matérias-primas), segun<strong>do</strong> números oficiais brasileiros. Um alto<br />

funcionário senegalês consi<strong>de</strong>rou, no entanto, que Dilma parece dar menos atenção à<br />

África <strong>do</strong> que Lula. "Assim como o presi<strong>de</strong>nte Lula era internacionalista, ela parece mais<br />

ocupada com problemas internos", comentou.<br />

Copyright © <strong>2011</strong> AFP. To<strong>do</strong>s os direitos reserva<strong>do</strong>s.<br />

Disponívelem:http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5h2QEk70tG0yW1c7<br />

WnSUl9dGAhlEw?<strong>do</strong>cId=CNG.589be6cdcedd4fe347d3440b7d17abda.141<br />

FÓRUM DE DIREITOS HUMANOS DA ONU CONDENARÁ SÍRIA,<br />

DIZEM FONTES<br />

GENEBRA (Reuters) - O principal fórum <strong>de</strong> direitos humanos da Organização das<br />

Nações Unidas con<strong>de</strong>nará a Síria por crimes contra a humanida<strong>de</strong> em uma sessão <strong>de</strong><br />

emergência na sexta-feira, disseram diplomatas europeus e árabes.


Informativo <strong>Nr</strong> <strong>119</strong> (3º/<strong>2011</strong>) <strong>–</strong> CP/ECEME <strong>2011</strong> Página 29 <strong>de</strong> 34<br />

A medida também <strong>de</strong>verá pressionar a China e a Rússia a a<strong>do</strong>tarem uma postura<br />

mais forte contra o governo <strong>do</strong> presi<strong>de</strong>nte Bashar al-Assad, indicaram as fontes. Mais <strong>de</strong><br />

20 países integrantes apoiam uma sessão especial <strong>do</strong> Conselho <strong>de</strong> Direitos Humanos e<br />

que será anunciada na quarta-feira, acrescentaram.<br />

A terceira sessão <strong>do</strong> fórum <strong>de</strong> 47 membros sobre a Síria em oito meses foi<br />

convocada dias <strong>de</strong>pois <strong>de</strong> que uma comissão <strong>de</strong> investigação da ONU dissera que forças<br />

<strong>de</strong> segurança sírias haviam cometi<strong>do</strong> assassinatos, torturas e violações durante sua<br />

ofensiva contra os protestos pró-<strong>de</strong>mocracia.<br />

"Isso é em gran<strong>de</strong> parte li<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> pelo grupo árabe. Alguns embaixa<strong>do</strong>res árabes<br />

estão ao menos tão preocupa<strong>do</strong>s como a União Europeia e os Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s, e<br />

possivelmente mais", disse à Reuters o embaixa<strong>do</strong>r britânico, Peter Goo<strong>de</strong>rham. "Não há<br />

dúvidas <strong>de</strong> que a resolução vai ser muito contun<strong>de</strong>nte na reunião <strong>do</strong> Conselho na sextafeira<br />

... tenta-se organizar a máxima pressão que o Conselho <strong>de</strong> Direitos Humanos po<strong>de</strong><br />

aplicar", acrescentou.<br />

Um diplomata árabe, que pediu para não ser i<strong>de</strong>ntifica<strong>do</strong>, disse à Reuters: "o apoio<br />

árabe está aí, os três países <strong>do</strong> Conselho <strong>de</strong> Cooperação <strong>do</strong> Golfo que são membros <strong>do</strong><br />

Conselho - Catar, Kuweit e Arábia Saudita- e Jordânia. Estou certo <strong>de</strong> que a Líbia<br />

também estará conosco."<br />

A Liga Árabe impôs no <strong>do</strong>mingo sanções a Damasco por sua repressão, que matou<br />

mais <strong>de</strong> 3.500 pessoas <strong>de</strong>s<strong>de</strong> março, incluin<strong>do</strong> 256 crianças, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com a ONU. A<br />

UE atuou um dia <strong>de</strong>pois, aumentan<strong>do</strong> as dificulda<strong>de</strong>s financeiras <strong>de</strong> Damasco.<br />

(Reportagem <strong>de</strong> Stephanie Nebehay) Terça-feira, 29 <strong>de</strong> novembro <strong>de</strong> <strong>2011</strong> 21:15 BRST<br />

Disponível em: http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE7AS0D7<strong>2011</strong>1129<br />

LAÇOS LATINOS<br />

DEPOIS DE SÉCULOS DE DESCONFIANÇA, O BRASIL E SEUS<br />

VIZINHOS HISPANO-AMERICANOS COMEÇAM A TRILHAR JUNTOS O<br />

CAMINHO DA INTEGRAÇÃO SOB O OLHAR ATENTO DOS EUA<br />

A massa imponente <strong>do</strong> Brasil <strong>–</strong> herança <strong>do</strong> expansionismo português, consagra<strong>do</strong><br />

em 1750 pelo Trata<strong>do</strong> <strong>de</strong> Madri <strong>–</strong> sempre provocou <strong>de</strong>sconfiança entre os seus vizinhos<br />

hispano-americanos. Consciente disso, José Bonifácio, ministro <strong>do</strong>s Negócios<br />

Estrangeiros <strong>do</strong> regente D. Pedro, tomou a iniciativa <strong>de</strong> <strong>de</strong>spachar a Buenos Aires, em<br />

maio <strong>de</strong> 1822, um emissário para servir às relações <strong>do</strong> Brasil no Rio da Prata,<br />

consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> importância estratégica pois consistia em porta <strong>de</strong> entrada para o<br />

interior <strong>do</strong> continente. O mesmo cuida<strong>do</strong> teve seu sucessor, o Viscon<strong>de</strong> <strong>de</strong> Cachoeira, em<br />

1824. Este instruiu seu representante no Prata a confirmar “que não só a política <strong>do</strong><br />

gabinete brasileiro é americana e tem por objeto a sua in<strong>de</strong>pendência <strong>de</strong> qualquer tutela<br />

europeia, mas que este Governo não <strong>de</strong>saprova nem maquina contra as instituições<br />

políticas que esses governos a<strong>do</strong>tarem”.


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A diferença entre os regimes políticos no continente marcou no século XIX as<br />

relações entre o império brasileiro, vincula<strong>do</strong> às dinastias europeias, e as repúblicas<br />

vizinhas, que tentavam construir um sistema avesso aos princípios aristocráticos aqui<br />

a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s. A política <strong>do</strong> Império oscilou entre as intervenções (no Prata) e o isolamento<br />

(em relação à maior parte das <strong>de</strong>mais repúblicas). Isso, porém, não impediu Simon<br />

Bolívar <strong>de</strong> convidar o governo brasileiro a participar <strong>do</strong> congresso <strong>de</strong> 1826, no Panamá,<br />

<strong>de</strong>stina<strong>do</strong> a discutir os problemas comuns e a traçar as bases <strong>de</strong> uma possível<br />

confe<strong>de</strong>ração entre os novos países in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes. O Brasil julgou melhor abster-se <strong>de</strong><br />

comparecer, pelo temor <strong>de</strong> que fossem discutidas as formas <strong>de</strong> governo no continente.<br />

A aproximação com as repúblicas da região, por parte <strong>do</strong> Brasil, tomou impulso<br />

durante o perío<strong>do</strong> regencial (1831-1840). O Brasil não <strong>de</strong>veria se afastar <strong>do</strong> Velho Mun<strong>do</strong>,<br />

mas buscar igualmente estreitar as relações com as nações <strong>do</strong> hemisfério. O<br />

relacionamento <strong>do</strong> Brasil com os países vizinhos foi perturba<strong>do</strong>, no entanto, pela política<br />

<strong>de</strong> intervenções no Prata, em nome <strong>do</strong> equilíbrio político <strong>do</strong>s <strong>do</strong>is la<strong>do</strong>s <strong>do</strong> rio. As<br />

marchas e contramarchas da diplomacia imperial eram justificadas pelos “<strong>de</strong>sman<strong>do</strong>s”<br />

cometi<strong>do</strong>s contra os interesses <strong>de</strong> brasileiros nesses países <strong>–</strong> roubo <strong>de</strong> ga<strong>do</strong> nas coxilhas<br />

<strong>do</strong> Sul, por exemplo <strong>–</strong> e também pelas reclamações contra os caudilhos no po<strong>de</strong>r. Quase<br />

não existiam motivos comerciais que pu<strong>de</strong>ssem justificar uma aproximação com as<br />

repúblicas hispânicas, sobretu<strong>do</strong> as da vertente amazônica e andina (Venezuela, Grã-<br />

Colômbia e Peru).<br />

Empenha<strong>do</strong> em preservar seus laços <strong>de</strong> integração com a Europa, o Brasil<br />

raramente a<strong>de</strong>riu às iniciativas “americanistas” empreendidas por essas repúblicas, como<br />

a convocação <strong>de</strong> conferências pan-americanas por ocasião <strong>de</strong> ameaças externas. Havia<br />

pouca unida<strong>de</strong> <strong>de</strong> propósitos entre os vários Esta<strong>do</strong>s em que se tinha dividi<strong>do</strong> a região,<br />

como também eram escassas as possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> cooperação entre regiões e países<br />

especializa<strong>do</strong>s em poucas matérias-primas. Depois <strong>do</strong> rompimento, em 1830, da<br />

fe<strong>de</strong>ração da Grã-Colômbia, seguiu-se, em 1839, o das províncias unidas da América<br />

Central, que compreen<strong>de</strong> hoje Guatemala, El Salva<strong>do</strong>r, Honduras, Nicarágua e Costa<br />

Rica. Nessa mesma época, a primeira guerra <strong>do</strong> Pacífico (1837-1839) opôs o Chile ao<br />

Peru e à Bolívia, então confe<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s.<br />

Na segunda meta<strong>de</strong> <strong>do</strong> século, o continente foi abala<strong>do</strong> pelas guerras platinas<br />

(1851-52), pela guerra <strong>do</strong> Paraguai (1865-1870) e pela segunda guerra <strong>do</strong> Pacífico (1879-<br />

1883), opon<strong>do</strong> novamente o Chile ao Peru e à Bolívia. Na vertente econômica, as elites<br />

estavam divididas entre o livre-comércio, que seduzia os liberais, e a i<strong>de</strong>ia protecionista,<br />

<strong>de</strong>fendida por conserva<strong>do</strong>res presos a uma or<strong>de</strong>m econômica tradicional. Outros<br />

encontros americanos foram realiza<strong>do</strong>s no final <strong>do</strong> século XIX <strong>–</strong> em Lima (1877-1879), em<br />

Caracas (1883) e em Montevidéu (1888-1889) <strong>–</strong> mas tiveram caráter basicamente<br />

jurídico. O isolamento brasileiro acentuou-se nessa época, em função <strong>do</strong> <strong>de</strong>sastroso<br />

reconhecimento, em 1863, <strong>do</strong> regime fantoche que Napoleão III implantou no México,<br />

com a <strong>de</strong>signação, como monarca, <strong>do</strong> infeliz arquiduque austríaco Maximiliano, <strong>de</strong>pois<br />

fuzila<strong>do</strong> pelos nacionalistas mexicanos, bem como em função da guerra <strong>do</strong> Paraguai, que<br />

suscitou esforços <strong>de</strong> mediação entre os vizinhos.<br />

A aventura francesa no México, que resultou num completo <strong>de</strong>sastre, abriu caminho<br />

para a i<strong>de</strong>ia <strong>de</strong> uma “união latino-americana”, mas após a guerra civil nos Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s<br />

(1861-65), a nova potência <strong>do</strong> hemisfério setentrional <strong>de</strong>u início a um movimento <strong>de</strong><br />

penetração econômica e comercial que <strong>de</strong>safiaria a hegemonia britânica em to<strong>do</strong> o


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continente. Um projeto <strong>de</strong> canal transoceânico foi negocia<strong>do</strong> com a Nicarágua <strong>de</strong>s<strong>de</strong><br />

1849, ao mesmo tempo em que se fazem propostas à Nova Granada (Colômbia), com o<br />

mesmo objetivo. A expansão industrial e a nova retórica expansionista <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s<br />

Uni<strong>do</strong>s confirmam que a política norte-americana não seria muito diferente da praticada<br />

pelas <strong>de</strong>mais potências europeias, tornan<strong>do</strong> os países da região reticentes a qualquer<br />

projeto <strong>de</strong> integração com o Gigante <strong>do</strong> Norte.<br />

A diplomacia imperial voltada para o velho continente, a <strong>de</strong>speito da crescente<br />

importância das repúblicas americanas nas relações externas, teria <strong>de</strong> equacionar os<br />

interesses reais <strong>do</strong> Brasil com o projeto <strong>de</strong> projeção internacional: se é certo que o<br />

fornecimento <strong>de</strong> produtos <strong>de</strong> consumo e <strong>de</strong> bens <strong>de</strong> produção e os capitais para a<br />

cobertura <strong>do</strong>s déficits provinham essencialmente da Grã-Bretanha, o gran<strong>de</strong> merca<strong>do</strong><br />

consumi<strong>do</strong>r <strong>do</strong> principal produto <strong>de</strong> exportação, o café, situava-se nos Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s.<br />

As reuniões continentais se fariam, <strong>do</strong>ravante, na capital <strong>do</strong> país mais importante<br />

<strong>do</strong> hemisfério. Enquanto as conferências hispânicas reuniam, se tanto, meia dúzia <strong>de</strong><br />

representantes, os encontros <strong>de</strong> Washington passaram a juntar <strong>de</strong>lega<strong>do</strong>s <strong>de</strong> duas<br />

<strong>de</strong>zenas <strong>de</strong> países da região. A mudança era vista com simpatia no Brasil: os Esta<strong>do</strong>s<br />

Uni<strong>do</strong>s tinham si<strong>do</strong> a primeira nação a reconhecer o novo Esta<strong>do</strong> in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte em 1824.<br />

Além disso, ao não ostentar a arrogância imperial da velha Inglaterra, gozavam <strong>de</strong> um<br />

indiscutível crédito político junto às elites brasileiras, que admiravam seu progresso<br />

industrial, e se tinham converti<strong>do</strong>, na segunda meta<strong>de</strong> <strong>do</strong> século, num importante parceiro<br />

comercial.<br />

Na última década <strong>do</strong> século XIX, foi cria<strong>do</strong>, por iniciativa <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s, um<br />

Escritório Comercial das Américas, embrião da futura União Pan-americana (1928) e,<br />

<strong>de</strong>pois, em 1948, Organização <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Americanos (OEA). A <strong>de</strong>speito da gran<strong>de</strong><br />

distância entre as pretensões iniciais <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s e <strong>de</strong> seus parcos resulta<strong>do</strong>s<br />

práticos, a nova entida<strong>de</strong> resultou da I Conferência Internacional Americana, realizada em<br />

Washington <strong>de</strong> outubro <strong>de</strong> 1889 a abril <strong>de</strong> 1890, ten<strong>do</strong> o Brasil nela ingressa<strong>do</strong> como<br />

monarquia e termina<strong>do</strong> como república. Os Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s pretendiam criar uma união<br />

aduaneira para promover o intercâmbio hemisférico, dispon<strong>do</strong> inclusive <strong>de</strong> uma moeda<br />

comum. O governo imperial era reticente em relação a vários <strong>do</strong>s temas da conferência<br />

<strong>de</strong> Washington, em especial, já nessa época, no que se refere à possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> abertura<br />

comercial e à proprieda<strong>de</strong> intelectual.<br />

Algumas das razões para a oposição latino-americana aos projetos <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s<br />

Uni<strong>do</strong>s se situavam no terreno econômico: além da superiorida<strong>de</strong> industrial, havia o forte<br />

protecionismo agrícola, o que tornava ilusória qualquer zona <strong>de</strong> livre-comércio. Outras<br />

restrições eram <strong>de</strong> natureza política, como as intervenções <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s, para<br />

“proteger cidadãos e proprieda<strong>de</strong>s” no continente. A Argentina tinha fortes motivos para<br />

opor-se aos Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s por causa da competição nos merca<strong>do</strong>s internacionais <strong>de</strong><br />

produtos agrícolas, mostran<strong>do</strong>-se ainda contrária ao pan-americanismo, em virtu<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

sentir-se europeia e não americana. O projeto <strong>de</strong> um espaço econômico hemisférico<br />

começou, em to<strong>do</strong> caso, sua marcha secular.<br />

O novo regime instala<strong>do</strong> em 1889 no Brasil, contribuiu para reconciliar o país<br />

politicamente com os vizinhos hispano-americanos, introduzin<strong>do</strong> ainda princípios<br />

alternativos <strong>de</strong> política externa, como o pan-americanismo. Nas <strong>de</strong>mais regiões cresciam<br />

as apreensões em relação à política expansionista <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s, reforçada a partir<br />

da guerra hispano-americana <strong>de</strong> 1898 <strong>–</strong> quan<strong>do</strong> a Espanha se vê amputada <strong>de</strong> Cuba, <strong>de</strong>


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Porto Rico e das Filipinas <strong>–</strong>, confirmada <strong>de</strong>pois pelas ocupações e intervenções armadas<br />

no Caribe e na América Central. No Brasil, entretanto, o barão <strong>do</strong> Rio Branco, movi<strong>do</strong> por<br />

uma concepção diplomática baseada no equilíbrio <strong>de</strong> po<strong>de</strong>res com a Argentina (<strong>de</strong> fato<br />

uma disputa pela hegemonia regional), operou, a partir <strong>de</strong> 1902, uma política <strong>de</strong><br />

aproximação com os Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s.<br />

Logo em seguida o presi<strong>de</strong>nte Theo<strong>do</strong>re Roosevelt (1901-1909) proclamou seu<br />

“corolário” à <strong>do</strong>utrina Monroe, com o objetivo <strong>de</strong> justificar o papel <strong>de</strong> polícia que os<br />

Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s pretendiam impor a seu entorno geográfico imediato. Nas próximas<br />

décadas, o Brasil e a Argentina passaram a competir entre si para estabelecer com os<br />

Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s uma “relação especial” que sempre se revelou ilusória, esperan<strong>do</strong><br />

igualmente ostentar, na América <strong>do</strong> Sul, um “padrão <strong>de</strong> civilização” que os Esta<strong>do</strong>s<br />

Uni<strong>do</strong>s e as potências europeias pretendiam exibir com exclusivida<strong>de</strong>.<br />

Nova York emergiu como o gran<strong>de</strong> centro financeiro para a região e, em breve, para<br />

o mun<strong>do</strong>. Este movimento foi reforça<strong>do</strong> pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e no<br />

<strong>de</strong>correr <strong>do</strong>s anos 1920, quan<strong>do</strong> volumes importantes <strong>de</strong> investimento diretos passaram a<br />

ser carrea<strong>do</strong>s para o setor primário e para a indústria <strong>de</strong> transformação <strong>–</strong> como<br />

mineração, agricultura e processamento <strong>de</strong> alimentos <strong>–</strong> <strong>de</strong> quase to<strong>do</strong>s os países da<br />

América Latina. Depois <strong>de</strong> inúmeras tentativas <strong>de</strong> se consagrar, no direito americano, o<br />

princípio da não-intervenção nos assuntos internos, os Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s finalmente<br />

conce<strong>de</strong>ram mudar a posição a partir <strong>do</strong> governo <strong>de</strong> Franklin D. Roosevelt (1933-1945),<br />

que proclamou a “política da boa vizinhança” e rejeitou os aspectos mais ru<strong>de</strong>s da política<br />

anterior.<br />

A emergência <strong>do</strong>s regimes ditatoriais <strong>de</strong> Mussolini na Itália e <strong>de</strong> Hitler na Alemanha,<br />

que ameaçavam os equilíbrios regionais e a própria paz mundial, provocará novos<br />

esforços diplomáticos <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s em prol da “solidarieda<strong>de</strong> hemisférica”. O<br />

movimento só seria consagra<strong>do</strong> na conferência interamericana <strong>do</strong> Rio <strong>de</strong> Janeiro, em<br />

janeiro <strong>de</strong> 1942, que se seguiu ao ataque japonês à frota americana <strong>do</strong> Pacífico, em Pearl<br />

Harbor. Ainda assim houve uma importante <strong>de</strong>serção, a da Argentina, que se manteve<br />

simpática ao regime nazista até quase o momento <strong>de</strong> sua <strong>de</strong>rrocada.<br />

Após a Segunda Guerra (1939-1945), as relações internacionais <strong>de</strong>sses países<br />

continuaram a ser <strong>do</strong>minadas pelo gigante norte-americano, uma vez que o início <strong>do</strong> que<br />

se chamou Guerra Fria <strong>de</strong>terminou uma nova ofensiva diplomática, acoplada a programas<br />

<strong>de</strong> cooperação militar, por parte <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s. Washington não aten<strong>de</strong>u, porém,<br />

aos reclamos <strong>de</strong>sses países em favor <strong>de</strong> um “Plano Marshall” para a região, a exemplo <strong>do</strong><br />

que os Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s faziam então, como ajuda, à Europa arrasada pela guerra.<br />

Brasil e Argentina continuaram a se opor em várias áreas, pelo menos até mea<strong>do</strong>s<br />

<strong>do</strong>s anos 50. Neste perío<strong>do</strong>, estimula<strong>do</strong>s pelo processo europeu <strong>de</strong> integração, <strong>de</strong>cidiram<br />

impulsionar um projeto similar na região. Resultou <strong>de</strong>sse esforço o primeiro trata<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />

Montevidéu (1960), que criou a Associação Latino-Americana <strong>de</strong> Livre-Comércio, com<br />

se<strong>de</strong> na capital uruguaia. Ao mesmo tempo a revolução cubana (1959) passou a<br />

condicionar ainda mais a política americana para a região, pois o novo regime <strong>de</strong><br />

inspiração socialista vem introduzir um aspecto novo no relacionamento hemisférico: o da<br />

possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> rompimento com o campo oci<strong>de</strong>ntal e a a<strong>do</strong>ção <strong>de</strong> uma via não<br />

capitalista <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento.<br />

O cenário estava da<strong>do</strong> para a sucessão <strong>de</strong> golpes militares nos anos 60, em<br />

gran<strong>de</strong> medida apoia<strong>do</strong>s ou inspira<strong>do</strong>s pelos Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s, o que reduziu as


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possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> avanços no processo <strong>de</strong> integração regional, embora permitin<strong>do</strong> uma<br />

cooperação entre os novos regimes ditatoriais na luta contra o “comunismo”. Foi este o<br />

caso da Operação Con<strong>do</strong>r, programa informal <strong>de</strong> cooperação entre os exércitos e polícias<br />

políticas <strong>do</strong>s países <strong>do</strong> cone sul que consistiu, na maior parte das vezes, em troca <strong>de</strong><br />

informações sobre seus respectivos opositores políticos e movimentos <strong>de</strong> guerrilha, mas<br />

que <strong>de</strong>rivou, em algumas oportunida<strong>de</strong>s, em assassinatos políticos e <strong>de</strong>saparecimentos,<br />

como ocorreu nos casos das ditaduras militares <strong>do</strong> Chile e da Argentina.<br />

Depois <strong>de</strong> décadas <strong>de</strong> afastamento, o Brasil e a Argentina, re<strong>de</strong>mocratiza<strong>do</strong>s em<br />

mea<strong>do</strong>s <strong>do</strong>s anos 1980, retomaram o projeto integracionista, primeiro em escala bilateral,<br />

<strong>de</strong>pois no âmbito sub-regional. O Mercosul surgiu em 1991, passan<strong>do</strong> a ser visto, pela<br />

diplomacia brasileira, como base da integração sul-americana. A <strong>de</strong>speito da expansão <strong>do</strong><br />

comércio intra-regional ao longo da década, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong>s <strong>de</strong> associação com outros países<br />

da região (Chile e Bolívia, em 1996; Peru, em 2003; Equa<strong>do</strong>r e Colômbia, em 2004) e da<br />

<strong>de</strong>cisão política pela plena incorporação da Venezuela, no final <strong>de</strong> 2005, e possivelmente<br />

da Bolívia em 2006, o Mercosul continua a enfrentar dificulda<strong>de</strong>s para firmar-se como<br />

união aduaneira.<br />

Os Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s, gigante hemisférico, exercem gran<strong>de</strong> força <strong>de</strong> atração sobre<br />

quase to<strong>do</strong>s os países. Primeiro pela possível extensão <strong>do</strong>s acor<strong>do</strong>s <strong>do</strong> Nafta (Esta<strong>do</strong>s<br />

Uni<strong>do</strong>s, Canadá e México) aos <strong>de</strong>mais latino-americanos. Depois, a partir <strong>de</strong> 1994, pela<br />

proposta <strong>de</strong> uma área <strong>de</strong> livre comércio (Alca). E finalmente por uma re<strong>de</strong> <strong>de</strong> acor<strong>do</strong>s<br />

bilaterais ou plurilaterais, extrain<strong>do</strong> concessões <strong>de</strong>sses países em troca <strong>de</strong> promessas <strong>de</strong><br />

acesso ao merca<strong>do</strong> americano. Como já tinha ocorri<strong>do</strong> há mais <strong>de</strong> um século, Brasil e<br />

Argentina continuam a manifestar relutância em relação à integração hemisférica, em<br />

virtu<strong>de</strong> <strong>do</strong>s mesmos problemas antes <strong>de</strong>tecta<strong>do</strong>s: a economia <strong>do</strong>minante preten<strong>de</strong> acesso<br />

irrestrito aos merca<strong>do</strong>s latino-americanos, ao mesmo tempo em que não cogita <strong>de</strong>sfazerse<br />

<strong>do</strong> seu próprio protecionismo agrícola.<br />

Uma Comunida<strong>de</strong> Sul-Americana <strong>de</strong> Nações, constituída por iniciativa <strong>do</strong> Brasil,<br />

passou a oferecer, a partir <strong>de</strong> <strong>de</strong>zembro <strong>de</strong> 2004, a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> consolidar a<br />

integração comercial por meio da coor<strong>de</strong>nação política entre os chefes <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>, mas a<br />

diplomacia brasileira continua a enfrentar dificulda<strong>de</strong>s para concretizar esse projeto. A<br />

falta <strong>de</strong> “exce<strong>de</strong>ntes <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r” <strong>–</strong> basicamente, a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> projetar forças<br />

estratégicas e oferecer recursos para cooperação <strong>–</strong> e a <strong>de</strong>sconfiança <strong>do</strong>s <strong>de</strong>mais países<br />

em relação a uma “li<strong>de</strong>rança” não <strong>de</strong> to<strong>do</strong> consensual <strong>–</strong> evi<strong>de</strong>nciada na oposição da<br />

Argentina e <strong>do</strong> México à pretensão <strong>de</strong> uma ca<strong>de</strong>ira no Conselho <strong>de</strong> Segurança da ONU <strong>–</strong><br />

mantêem o status quo na região.<br />

E quanto à política <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s? Tu<strong>do</strong> indica que os governos americanos<br />

continuarão a ostentar sua tradicional “negligência benigna” em relação aos países da<br />

América <strong>do</strong> Sul.<br />

Autor: Paulo Roberto <strong>de</strong> Almeida,18/9/2007.<br />

Paulo Roberto <strong>de</strong> Almeida é <strong>do</strong>utor em ciências sociais, diplomata <strong>de</strong> carreira e autor <strong>de</strong><br />

Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império<br />

(Editora Senac, 2005).<br />

Disponível em: http://www.revista<strong>de</strong>historia.com.br/secao/artigos-revista/lacos-latinos


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