VJ OUT 2008.p65 - Visão Judaica

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VJ OUT 2008.p65 - Visão Judaica

2

editorial

VISÃO JUDAICA • outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

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JUDAICA LTDA.

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Arte e Diagramação

SONIA OLESKOVICZ

Webmaster

RAFFAEL FIGLARZ

Colaboram nesta edição:

Andrei Netto, Antônio Carlos Coelho, Barry

Rubin, Benjamin Barthe, Breno Lerner, Daniel

Pipes, Dori Lustron, Egon Friedler, Heitor de

Paola, Jane Bichmacher de Glasman, Julián

Schvindlerman, Marcelo Ninio, Olavo de

Carvalho, P. Celdrán, Rina Castelnuovo, Roberto

Romano, Sérgio Feldman e Yossi Groisseoign

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com respeito esta publicação.

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Este jornal é um veículo independente

da Comunidade Israelita do Paraná

Quem é o responsável pela crise?

á exatamente dois atrás, a jornalista,

escritora e filóloga espanhola

Pilar Rahola, numa entrevista

ao jornal argentino La

Nación, dizia: “A ONU atua como

escrava do mundo islâmico”. Ela sabia

muito bem o que dizia. Uma amostra

perfeita disso foi testemunhada em 23

de setembro de 2008 no discurso racista

do presidente do Irã, Ahmadinejad,

na Assembléia Geral das Nações

Unidas, aplaudido por parte dos líderes

mundiais presentes, sem uma contestação

sequer, a não ser do presidente

de Israel, Shimon Peres.

Seria exagero afirmar que as palavras

de Ahmadinejad

na ONU foram

racistas? Vejamos:

“...Se os

judeus donos das

finanças internacionais

dentro e

fora da Europa

chegassem a ter

outra vez êxito,

arrastando as nações até uma nova

Guerra Mundial, então o resultado não

será a ‘bolchevização’ do mundo e por

fim a vitória dos judeus, mas a aniquilação

da raça judaica em toda a Europa!”.

Estas palavras são do discurso

de Adolf Hitler no Reichstag, o parlamento

alemão, em 30 de janeiro de

1939, numa sessão na qual se comemorava

o sexto aniversário da chegada

ao poder dos nazistas. "...Um pequeno

grupo de embusteiros sionistas

domina os centros financeiros e monetários

e apesar de seu número ser

minúsculo, eles dominam os centros

de tomada de decisões políticas nos

países europeus e nos Estados Unidos.

Mas é iminente a chegada do fim

do regime sionista". Estas são palavras

de Ahmadinejad na Assembléia

Geral da ONU. As mensagens são

muito parecidas. Uma é de 1939, e

outra de alguns dias atrás. Assim como

os que aplaudiram Hitler não imaginavam

aonde isso os levaria, os que

aplaudiram “Adolfinejad” não imagi-

ACENDIMENTO DAS VELAS

EM CURITIBA

outubro e novembro 2008

Shabat e data especial

DATA HORA

21/101 19h01

24/10 18h07

31/10 18h12

7/11 18h17

14/11 18h22

21/11 18h27

28/11 18h32

1 - Simchat Torá

Datas importantes

21 de outubro

22 de outubro

25 de outubro

1º de novembro

8 de novembro

15 de novembro

22 de novembro

Shemini Atsêret

Simchat Torá

Shabat / Bereshit

Shabat / Noach

Shabat / Lech Lechá

Shabat / Vaierá

Shabat / ChaIê Sará

Nossa capa

nam onde podem terminar suas declarações.

Em 1939 o objetivo de Hitler

era o povo judeu. Hoje, o objetivo do

ditador de Teerã é o Estado de Israel.

Os que aplaudiram o boquirroto

iraniano, e os que se deixam levar por

sua conversa racista, de que a culpa

pela crise econômica que afeta os EUA

e o resto do mundo é dos judeus, esquecem-se

de um detalhe importante:

Ahamadined é, antes de tudo, o segundo

maior exportador de petróleo do

cartel da OPEP, que está impondo preços

extorsivos aos países importadores,

desde o primeiro choque de petróleo

no rastro da guerra árabe-israelense

do Iom Kipur, em 1973, quando

quadruplicou o preço do barril do óleo,

fazendo-o pular de US$ 3 para US$ 11,

a pretexto de que o produto se transformara

em arma da "libertação da

Palestina”. Assim, o cartel espoliou os

paises que importam petróleo. O comércio

cartelizado do óleo rende fabulosos

lucros que são aplicados pelo

Irã de Ahamadinejad na indústria bé-

A capa reproduz a obra de arte cujo título

é "O guardião da Torá", elaborada

com a técnica litografia e dimensões

de 70 x 50 cm, criação de Aristide Brodeschi.

O autor nasceu em Bucareste,

Romênia, é arquiteto e artista plástico,

e vive em Curitiba desde 1978. Já

desenvolveu trabalhos em várias técnicas,

dentre elas pintura, gravura e tapeçaria.

Recebeu premiações por seus

trabalhos no Brasil e nos EUA. Suas

obras estão espalhadas por vários países

e tem no judaísmo, uma das principais

fontes de inspiração. É o autor

das capas do jornal Visão Judaica. (Para

conhecer mais sobre ele, visite o site

www.brodeschi.com.br).

Humor judaico

lica para destruir Israel, e no fomento

ao terrorismo internacional, deixando

a população iraniana no 94º lugar do

rol de Desenvolvimento Humano. E em

cinco anos o preço multiplicou de US$

25 em 2003 para US$ 140 em 2007.

Como os custos dos adubos e dos

transportes dos alimentos dependem

dos preços do barril do óleo, de onde

deriva a matéria-prima dos fertilizantes

e combustíveis, o choque da OPEP

impactou nos mantimentos básicos

tornando-os inacessíveis para os países

pobres importadores do 3º e 4º

Mundos, causando uma endemia de

fome em quase um bilhão de seres

humanos, uma crise humanitária das

mais graves da história.

Em suma: quem é o responsável

pela crise, um "pequeno grupo de

embusteiros sionistas" ou o próprio

Ahmadinejad e seus camaradas exportadores

do cartel petroleiro que

espoliam o mundo? Por que ficamos

surdos, mudos e cegos diante da

realidade dos fatos?

A Redação

Um livreiro ia receber a visita do grande escritor Gershon Scholem. Para

adulá-lo, mandou colocar suas obras em todas as estantes da livraria. Nem

bem entrou, Scholem ficou surpreso com a ocorrência; mas não pôde deixar

de perguntar ao livreiro:

- E onde estão as obras dos demais autores?

- Oy vey*, respondeu o livreiro: as vendi todas!

* Expressão em iídiche que corresponde mais ou menos a Oh, não!, no sentido

de consternação, aflição, pesar ou mesmo surpresa.


Sérgio Feldman *

ra uma música cantada

pela Elis Regina nos

anos setenta. Intitulava-se

"Como nossos

pais". Eu acho que o autor

era um compositor e também

cantor denominado Belchior.

Lembro que eu assisti o show "Falso

Brilhante" no antigo Teatro Record,

em São Paulo, e lá eu ouvi pela

primeira vez a música. Ela era uma

musica de protesto que exaltava o

novo e criticava o conservadorismo.

Mas deixava sutilmente a dica de

que "apesar de termos feito o que

fizemos [...] nós ainda somos os

mesmos e vivemos como os nossos

pais". Eu não sabia ler a dica e só

ficava na revolta juvenil e na sensação

de que mudaríamos o mundo e

seríamos os que fariam o que outros

antes de nós não ousaram e

tampouco fizeram. Saudável e linda

fase. Éramos jovens e idealistas

e ainda hoje considero abençoados

os jovens que ontem, hoje e sempre

trouxeram as transformações e

as novidades. O motor dos avanços

e de modernidade são os jovens. Podem

e devem ousar e por vezes até

incorrer nos erros, pois ao romper

padrões fazem a renovação e ajudam

o mundo a seguir adiante. Sou

educador, pois acredito nos jovens.

Mas [...] acabaram as bandeiras.

Era a época que Marcuse ainda

dizia que os estudantes eram a força

motriz da mudança social. Nos

idos de 1968 esta força se fez ouvir

e ecoou com força em Paris, nos

EUA e no Brasil, entre outros lugares.

Momentos de profundo romantismo

e idealismo. Uns estavam lutando

pela revolução socialista; outros

pela democracia em ditaduras

de direita; eu e um punhado de jovens

judeus sionistas e socialistas

sonhávamos com o kibutz, misto de

democracia com socialismo, sociedade

onde a Justiça Social dos Profetas

se mesclava com a realidade

israelense e forjava um modelo social

sem igual. Uma experiência magnífica

e modelar: Só no kibutz se

conciliou socialismo e democracia.

Defeitos à parte e críticas de lado:

uma sociedade diferenciada.

Isto foi nos idos de sessenta e

setenta. Hoje, alguns de nossos

amigos ainda permanecem em alguns

dos kibutzim. Mas são poucos.

Em setembro passado, há cerca de

um mês celebraram-se os sessenta

anos da fundação de Bror Chail um

kibutz que teve elevado número de

judeus brasileiros na sua formação

e aonde ainda hoje se fala o português.

Minha filha está em Israel e

Como nossos pais...

minha esposa Iara foi visitá-la: ambas

participaram desta comemoração

tão significativa juntos com

muitos jovens do Habonim Dror do

Brasil. Emoção de alto nível. No

caso das duas estavam representando

três gerações de ativistas do

movimento juvenil. O fato que se

celebrou uma lembrança do passado

e das idéias e ideais que se pulverizaram;

o kibutz acabou na prática

e restam poucos que ainda mantém

suas características originais.

Será que o sonho acabou? Em termos

dos movimentos juvenis judaicos

o que percebo é que sua função

nesta geração é comunitária e social.

Manter o Judaísmo nas comunidades

e a continuidade da identidade.

Ideais? Estão ou diluídos,

ou são resquícios de uma outra

era. Receio que sobre apenas um

pouco: identidade judaica, amor a

Israel, sociabilidade entre jovens e

um pouco de "horizontes".

Eu sempre soube que um dia

acabaria ficando "careca, barrigudo

e conservador". É a ordem natural

das coisas. Acabamos por ter de

entrar na "linha de produção" e aderir

ao sistema. Não dá para estar na

trincheira aos quarenta anos e seguir

querendo mudar o mundo através

da ação juvenil. E eu já estou

perto dos sessenta. Um dia amadurecemos

e somos devorados pela

necessidade de ser produtivos e

atuar na sociedade. Não apenas criticá-la

e sonhar em mudá-la.

Ainda assim me dediquei à educação

judaica por cerca de um quarto

de século e agora a formação universitária

numa universidade pública.

Eu sigo sendo um educador: ainda

creio que temos de dar nossa

contribuição aos avanços da sociedade.

Ainda é possível ser pacifista,

apoiar campanhas de defesa da ecologia

(ainda que mitigadas pelo realismo

do progresso), combater o

racismo, ser solidário e por vezes

participativo em projetos de ação

social que ajudem a atenuar as profundas

injustiças que existem no

mundo. A pergunta que eu faço é: o

que fazemos em nosso cotidiano

para contribuir para estas nobres

causas? E o que fazemos como judeus

(os leitores não judeus podem

ler isto como se fosse para eles também)

em prol das idéias de nossa

crença: propagar a justiça social,

amenizar a violência e se possível

extirpá-la da face da Terra, amar ao

próximo como a si mesmo, lutar

pela Paz e pela Justiça.

Ensinamos nossos filhos a levantar

as bandeiras que deixamos para

trás ao nos inserirmos na linha de

produção? Será que eles têm ideais

para lutar? O kibutz acabou. Há outras

bandeiras e ideais para nossos

jovens? Internamente não estou

percebendo. Será que sobraram

bandeiras fora da realidade judaica?

No que tange a realidade brasileira

o panorama é semelhante. A esquerda

chegou ao poder e se revela

uma cópia xerox da direita: corrupta,

politiqueira e sem princípios. A

luta contra a ditadura se tornou uma

bandeira do passado e se perdeu na

História. Temos uma democracia

consolidada (Amém) e instituições

sólidas (D-us queira prossigam). Temos

uma sociedade civil consolidada

apesar de um lado do saudosismo

de alguns revolucionários que

ainda agitam e confundem suas cabeças

com refrões maoístas, guevaristas

ou da patética versão bolivariana;

e de outro lado da nostalgia

de alguns reacionários empedernidos

que sonham com a volta das

baionetas e do AI-5 como remédio

para corrupção. O Brasil está numa

fase relativamente boa. Mas para os

jovens o que há para se oferecer?

Este panorama eu percebi nas universidades

nestes últimos anos.

Vejo por um lado jovens nas universidades

que se alienam das lutas

sociais e das transformações.

Uns por que trabalham e não têm

tempo para se dispersar. Outros por

que são alheios a qualquer causa

social. Estão ali apenas para viver

um período de estudos, fazer amigos

e se divertir um pouco. Idealismo?

Mudanças? Atuação na sociedade?

Para quê? Estão descrentes

nas mudanças e sem objetivos.

Por outro lado, em alguns setores

do movimento estudantil que subsiste

vemos arcaicos bastiões de ideologias

ultrapassadas. Resquícios da ditadura

que se diluem em projetos ana-

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

crônicos e fantasiosos. Sobraram camisetas

de Guevara ou um caldo mal

cozido de Fidel com o caudilho bolivariano

de Hugo Chávez. Usando uma

terminologia de Karl Marx na sua obra

"18 do Brumário": se Guevara e Fidel

nos anos sessenta eram a imagem da

Revolução, hoje o que sobrou de Fidel

e seu clone chavista é uma farsa e

um blefe. Pobres jovens que têm que

se inspirar nesta bandeira vazia de

um caudilho. A política nacional não

se distancia disto: a esquerda chegou

ao poder e se diluiu na política,

perdendo suas bandeiras, seus ideais

e sua pureza de oposição. A corrupção,

os acordos de partidos e o leilão

do Estado se consumaram no

mesmo estilo dantes.

Não sobraram ideais. Eu lamento

perceber que não há bandeiras.

O que um jovem pode fazer é ação

social, se engajar numa ONG, atuar

em projetos de proteção ambiental

ou em uma atividade de algum grupo

de bairros carentes. Esta hora é

a hora de pessoas de clarividência e

que tenham poder econômico gerar

projetos que não apenas insiram

jovens no mercado através de concursos

de "trainées" ou assemelhados.

Os empresários deveriam investir

em projetos que permitam os

jovens fazer ação social e atuação

na transformação da sociedade. Se

a força dos jovens é a motriz da mudança

devemos abrir frentes para

eles atuarem e usarem suas energias

criativas em prol da sociedade.

Sem bandeiras os jovens ficarão vazios

e o vácuo leva à violência, ao

uso de drogas e aos excessos em

geral. Precisamos de investimentos

em bandeiras sociais para utilizar

esta força transformadora de nossos

jovens em prol da sociedade.

SOS: A juventude pede passagem

para o futuro poder chegar.

3

* Sérgio Feldman é

doutor em História pela

UFPR e professor de

História Antiga e

Medieval na

Universidade Federal

do Espírito Santo, em

Vitória, e ex-professor

adjunto de História

Antiga do Curso

de História da Universidade

Tuiuti

do Paraná.


4

* Daniel Pipes é

diretor do Fórum do

Oriente Médio e

colunista premiado

dos jornais New York

Sun e The Jerusalem

Post. Este artigo foi

publicado no The

Jerusalem Post em 25

de setembro de 2008

e o original em inglês

Appease Iran? Esta

também publicado no

site http://

pt.danielpipes.org/

article/5933 Tradução

de Joseph Skilnik.

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

epois de Hitler, a política de

apaziguar ditadores - ridicularizada

como alimentar

um crocodilo por Winston

Churchill, na esperança de

ser a última vez - parecia estar

permanentemente desacreditada.

Entretanto esta política tem desfrutado

algum sucesso e continua hoje

sendo uma viva tentação no trato

com a República Islâmica do Irã.

Há muito tempo que acadêmicos

têm desafiado a simples vilificação

do apaziguamento. Já em

1961, A.J.P. Taylor, da Oxford, justificou

os esforços de Neville Chamberlain,

ao passo que Christopher

Layne, do Texas A&M, presentemente

sustenta que Chamberlain "fez o

melhor que pôde com as cartas que

tinha". Daniel Treisman, cientista

político da UCLA, acha a suposição

geralmente aceita contra o apaziguamento

de ser "forte demais"

enquanto seu colega da Universidade

da Flórida, Ralph B. A. Dimuccio

a chama de "simplista".

Neville Chamberlain declarou erroneamente

"paz para o nosso tempo"

no dia 30 de setembro de 1938.

Talvez a forma mais convincente

de tratar a tese pró-apaziguamento,

do historiador britânico Paul M. Kennedy,

que leciona na Universidade de

Yale, é a sua proposição de que o apaziguamento

tem uma longa e crível

história. No seu artigo de 1976, "A

Tradição de Apaziguamento na política

externa britânica, 1865-1939",

Kennedy definiu apaziguamento

As Memórias do Livro

Geraldine Brooks - Ediouro

Daniel Pipes *

VJ INDICA

Inspirado na história verídica da Hagadá de Sarajevo, As Memórias

do Livro é ao mesmo tempo um romance com importantes e envolventes

fatos históricos e profunda intensidade emocional, num ambicioso

e eletrizante trabalho realizado por uma premiada e aclamada

escritora. Um raríssimo manuscrito judeu medieval, a Hagadá

- que reconta o Êxodo cercado de ricas ilustrações, apesar das

restrições rabínicas a elas -, reaparece na Bósnia em 1996. Este é o

ponto de partida de "As Memórias do Livro - Romance sobre o

Manuscrito de Sarajevo". Para recuperá-lo, Hanna Heath, uma

restauradora australiana, viaja a Sarajevo a pedido da ONU, onde

tenta desvendar vários mistérios que cercam a obra, entre eles

como sobreviveu a séculos de anti-semitismo na Europa e quem

teriam sido as pessoas que o preservaram em vários países. A

última delas, um bibliotecário muçulmano, vira o objeto de paixão

de Hanna. Australiana, Geraldine Brooks, que é também jornalista - cobriu conflitos

no Oriente Médio, África e Bálcãs para o "The Wall Street Journal" -, recebeu em 2006

o Pulitzer por "March", ainda não traduzido.

Apaziguar o Irã?

como um método de resolver disputas,

"admitir e saciar queixas através

de negociações racionais e fazer concessões,

evitando assim os horrores

de guerra". Consiste numa abordagem

otimista, observa ele, presumindo

que os seres humanos sejam razoáveis

e pacíficos.

Desde o ministério do primeiroministro

William Gladstone até ser

desacreditado no final dos anos trinta,

apaziguamento era, na descrição

de Kennedy, "um termo perfeitamente

respeitável" e até mesmo

"uma forma particularmente britânica

de diplomacia", serviu bem ao

caráter e circunstâncias do país. Kennedy

acha que a política tem quatro

bases quase-permanentes, das quais,

todas se aplicam especialmente bem

aos Estados Unidos de hoje:

Moral: Depois que o movimento

evangélico varreu a Inglaterra no

início do século XIX, a política externa

britânica tinha uma forte

necessidade de resolver disputas

de forma razoável e não-violenta.

Econômica: Como líder do comércio

mundial, o Reino Unido tinha

o interesse nacional vital de evitar

interrupções comerciais das

quais iria sofrer de forma desproporcionada.

Estratégica: O império global britânico

denotava que era super extenso

(tornando-o, nos termos de

Joseph Chamberlain, um "titã cansado");

conseqüentemente, tinha

que escolher cuidadosamente

suas batalhas, fazendo da concessão

um modo rotineiro e aceitá-

LIVRO

vel de lidar com os problemas.

Doméstica: A extensão da área do

monopólio fez da opinião pública

um fator cada vez maior na sua

tomada de decisões e o público

não gostava de guerras, especialmente

as dispendiosas.

Como resultado, durante mais de

sete décadas, Londres prosseguiu,

com raras exceções, com uma política

externa que era "pragmática, conciliatória,

e razoável". Mais uma vez

e mais outra vez, as autoridades

achavam que "o acordo pacífico de

disputas era muito mais vantajoso

para a Inglaterra do que o recurso da

guerra". Em particular, o apaziguamento

influenciou de maneira contínua

a política britânica em relação

aos Estados Unidos (por exemplo, em

relação ao Canal do Panamá, as fronteiras

do Alasca, a América Latina

como esfera de influência dos Estados

Unidos) e o império alemão (a

proposta do "feriado naval", as concessões

coloniais e as restrições nas

relações com a França).

Kennedy julgava esta política de

forma positiva, como útil no manejo

das relações exteriores do estado

mais poderoso do mundo durante

décadas e "encapsula muitos dos

melhores aspectos da tradição política

britânica". Se não foi um sucesso

brilhante, o apaziguamento

permitiu a Londres acomodar a influência

da expansão de seus rivais

não-ideológicos como os Estados

Unidos e a Alemanha Imperial, que

em geral poderiam ser levados em

conta quanto à aceitação de conces-

sões sem ficarem inflamados. Desta

forma, reduziu a velocidade do

suave declínio do Reino Unido.

Porém, após 1917 e a Revolução

Bolchevique, as concessões falharam

em aplacar um novo tipo de inimigo,

motivado ideologicamente - Hitler

nos anos trinta, Brezhnev nos

anos setenta, Arafat e Kim Jong-Il nos

anos noventa e agora, Khamenei e

Ahmadinejad. Estes ideólogos exploram

as concessões e desonestamente

oferecem um quid pro quo que

não pretendem cumprir. Abrigando

aspirações para uma hegemonia global,

eles não podem ser apaziguados.

Fazer concessões a eles equivale a

alimentar o crocodilo.

O apaziguamento atrai nos dias de

hoje a psique ocidental moderna a

despeito de sua anormalidade, que

surge inevitavelmente quando os estados

democráticos enfrentam inimigos

ideológicos agressivos. Com referência

ao Irã, por exemplo, George W.

Bush pode ter bravamente condenado

"o falso conforto do apaziguamento,

desacreditado repetidamente

através da história", mas o editor

Michael Rubin do Middle East Quarterly

discerne corretamente as realidades

da política dos Estados Unidos,

"agora Bush está apaziguando o Irã".

Resumindo, a política de apaziguamento

vem se estendendo por

um século e meio, desfrutou algum

sucesso e sempre permanece viva.

Mas com inimigos ideológicos deve

ser conscientemente rechaçada,

para que as lições trágicas dos anos

trinta, anos setenta e anos noventa

não sejam ignoradas. E repetidas.

Nazista condenado a

4 anos de prisão no Chile

A Corte Suprema do Chile confirmou a condenação a quatro anos de prisão

do ex-cabo nazista Paul Schaefer, fundador de uma colônia de imigrantes

alemães no sul do país, por posse e uso ilegal de armas de fogo, informou

uma fonte judicial à agência France Presse.

A sentença foi proferida de forma unânime pelos cinco juízes que integram

a segunda sala da Corte Suprema do Chile. Paul Schaefer, 86, mantinha

um arsenal bélico na Colônia Dignidade, que fundou na década de 60 numa

zona montanhosa localizada cerca de 350 km ao sul de Santiago. Também

foram condenados Karl Van Den Berg Schurmann e Kurt Schnellekamp, dois

dos principais colaboradores de Schaefer. Ambos pegaram dois anos e 300

dias de prisão.

Detido em março de 2005, o ex-cabo nazista já está cumprindo uma pena

de 20 anos de prisão por abusos sexuais cometidos contra mais de 20 crianças.

Ele também é acusado de ter seqüestrado e matado um dirigente de

esquerda durante a ditadura de Augusto Pinochet.

A justiça comprovou que Schaefer colaborou com o regime de Pinochet, e

que o ditador chileno utilizou a Colônia Dignidade como centro de detenções e

tortura de opositores. Em junho de 2005, foram encontrados na colônia dois

contêineres cheios de armas automáticas, lança-foguetes, granadas e diversos

equipamentos explosivos. (France Presse).


ORIENTE ORIENTE MÉDIO

MÉDIO

m homem de 19 anos

de idade é torturado e

decapitado por uma

piada de mau gosto interpretada

como uma

blasfêmia. Um pai é acusado

de matar seu filho, porque ele se

converteu a outra religião. Eles não

são muçulmanos, mas cristãos, e o

lugar é a França, em meados dos

anos 1700.

Houve um tempo em que muitas

vezes a Europa comportou-se de

forma paralela à maioria dos países

muçulmanos de hoje. No entanto,

até o final dos anos 1700, isso foi mudando.

No primeiro caso, já referido,

o rei e até mesmo os bispos católicos

não conseguiram salvar o infeliz

Chevalier de la Barre, mas o clamor

levou ao final de tais ações. No segundo

caso, Voltaire conduziu uma

campanha que viu o nome de Jean

Calas legalmente esclarecido com o

argumento de que ele fora vítima de

uma injustiça porque ele era membro

da minoria protestante.

É verdade, por isso, que há paralelos

entre sociedades ocidentais e

do Médio Oriente. Mas, mesmo deixando

de lado questões importantes

de doutrina religiosa, a diferença crucial

entre os dois fenômenos é que no

Ocidente deixou isso há muito tempo,

no passado, mas continua a existir na

maioria dos países muçulmanos.

As Cruzadas terminaram oito séculos

atrás; a jihad continua. E outros

contrastes críticos diferenciam

as duas civilizações. Um deles é que

opiniões progressistas, intelectuais,

governos, até mesmo muitas das

próprias igrejas cristãs, lutaram para

o progresso no Ocidente. Eles não

dizem: "Estas são as nossas práticas

sagradas, o nosso estilo de vida e

assim deve permanecer inalterado

para sempre". Eles não permitem

que o temor de serem rotulados

como "cristãofóbicos" os paralise.

Outra é a de que quatro séculos

de reflexão, debates e de lutas foram

necessários para criar uma sociedade

democrática contemporânea ocidental.

Esses processos, na melhor

das hipóteses, mal começaram no

Oriente Médio contemporâneo.

É extraordinário que muita análise

da região - possivelmente o

mais importante esforço intelectual

do nosso tempo - seja conduzida

sob o modismo com base na última

entrevista de jornal, sustentada

com ilusões. Ora, se vamos ser sérios

em relação a isso, é necessária

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

As Cruzadas terminaram há muito

tempo, mas a jihad prossegue

Barry Rubin * uma perspectiva histórica séria. A

maioria dos que opinam deve barecem,

mas geralmente como importações

provenientes do Ocidente, o

No topo do seu conhecimento,

eles têm armas, tecnologia, novos

* Barry Rubin, autor do

sear-se na região distinta do pró- que levantam suspeitas e dá forças meios de organização e de comuniprio

passado e visão do mundo. aos acórdãos - clericais e governacação para bloquear qualquer mu-

Mas desde que as pessoas insismentais - com fortes incentivos para dança que se tente fazer, através de

tem em fazer analogias transregio- demonizar o Ocidente, a fim de limi- persuasão ou ameaça. Esta questão

nais, aqui está uma forma de fazer tar o apelo das idéias subversivas. aplica-se tanto aos governantes is-

uma. Considere a seguinte declara- O grande historiador francês, Allâmicos do Irã como aos aparenteção:

"O mundo não é governado por fred Cobban, escreveu que a nova mente piedosos e religiosos da Sí-

um ser inteligente". Em vez disso, a ideologia secular triunfou entre ria ou os monarcas wahabitas da

religião tem criado uma divindade 1748 e 1770, depois de já ter flo- Arábia Saudita.

que é um "monstro da falta de rarescido na Grã-Bretanha e nos Paí- Por último, o que pior, porque há

zão, injustiça, maldade e atrocidade". ses Baixos. Mesmo na Igreja Católi- um movimento poderoso e crescen-

Quem disse isso? Alguém na seca "perseguir o espírito era morrer te - o islamismo radical - se colocanmana

passada, no Ocidente? Não, em queda". As revoluções inglesa, do como uma alternativa ao moder-

isso foi dito pelo escritor francês holandesa, francesa e americana nismo. A questão não é meramen-

Jean Meslier, em 1723. Esta decla- não foram triunfos do tradicionaliste de minimizar, ou marginalizar a

ração, demasiado forte para ser pumo, tal como no Irã, mas da gran- al-Qaeda, mas também os governos

blicada na época, foi, algumas dédeza democrática.

do Irã, Sudão e Síria; o regime saucadas

mais tarde, parte do principal Muitos ocidentais continuaram dita; os poderosos vetores de in-

discurso francês.

(como o fazem hoje) a ser religiofluências sociais, o Hamas e o Hez-

Ah, e por falar nisso, Meslier teve sos, mas, mais abertos tolerantes. bolá, a Irmandade Muçulmana, e

uma longa vida como padre católico. Esta luta entre a velha e a nova so- muitos outros.

A base da democracia começou ciedade caracterizada em grande par- Em comparação, enquanto exis-

em 1215, na Inglaterra, com sua te nos séculos 19 e 20, tinha uma ten-

Magna Carta. A batalha para que dência à estabilidade. Talvez o fascis-

fosse legitimamente aceita a divisão mo - e certamente comunismo - foi o

entre Igreja e Estado foi travada e último movimento reacionário, e a II

amplamente ganha em grande par- Guerra Mundial foi a última luta. Ainte

na Idade Média. Uma base foi da que vitória requeresse 500 anos

estabelecida para a dominação da para repensar e educação.

sociedade secular.

Não existe tal história no Orien-

É verdade, nos porões dos anos te Médio, ao mesmo tempo em que

1500, na Inglaterra, padres católicos diversos problemas adicionais blo-

foram torturados e executados, enqueiam o movimento em direção à

quanto protestantes em França so- moderação e à democracia lá. Qualfriam

ainda pior. Contudo, já na quer um que pense em uma doutri-

mesma época, universidades inglena islâmica específica como geralsas

ensinavam a tradição clássica, mente interpretada, o grande pro-

que, na Itália, formou a base da arte blema é que ela continua tão pode-

representacional. As obras de rosa e hegemônica. O nacionalismo

Shakespeare e de seus companhei- árabe é anti-democrático, repressiros

criadores dependia desta libervo e estatístico. Islâmicos radicais

dade, do ambiente e de exemplo. procuram uma versão revisada do tem corajosos liberais individuais, não

Uma base foi estabelecida para uma oitavo século, embora com fogue- há um e verdadeiro partido liberal em

cultura utilitária, pragmática e emtes e comunicação de massa. qualquer lugar do Oriente Médio,

pírica que se situava sobre o méto- Também é pior porque regimes e meios de comunicação social liberal

do científico.

revolucionários do Oriente Médio co- não controlada ou universidade pro-

Isso foi a Renascença, ou Renasnhecem a história Ocidental. Eles têm selitista liberal. No Egito a única orgacimento.

Para o Ocidente, o grande consciências do fato de que, embora nização liberal foi açambarcada pela

clássico da civilização estava sendo piedosos, filósofos e cientistas oci- Irmandade Muçulmana.

reconstruído.

dentais sinceramente acreditavam Portanto, embora a grande

Mas, Grécia e Roma não são par- que abrir inquéritos e a democracia maioria das pessoas queira uma boa

tes da tradição árabe-islâmica, onde não ameaçavam a religião tradicio- vida para si e seus filhos -, respiran-

a arte representacional é vista com nal e o status quo. Eles estavam erdo o ar, bebendo água e sangrando

desconfiança. O tempo antes do adrados. A abertura conduziu à revolu- quando são furados - como fizeram

vento do Islã é rejeitado com horror. ção e à sociedade de dominação se- na Idade do Gelo, das cavernas, na

Atualmente, o secularismo é ainda cular moderna - um Ocidente com Roma antiga, na França medieval,

uma ofensa latente no Oriente Mé- todos os males deplorados pelos re- na China imperial, entre os incas do

dio; e a democracia, tal como é enligiosos, ideólogos e pelo poder polí- Peru e os desertos da Austrália centendida

no Ocidente, é considerada tico no Oriente Médio. Eles também tral - não significa que todos pen-

inadequada naquela parte do mundo. sabem o que aconteceu às ditaduras sem o mesmo, ou que todas as so-

Grande parte da produção cultural da do bloco soviético que experimentaciedades e os governos são basica-

Europa dos séculos 16 a 18 não pode ram mais liberdade. E eles sabem que mente equivalentes.

ser produzida e amplamente aceita na aceitar idéias ocidentais faz as pes- Qualquer pessoa que não conhe-

língua árabe no mundo de hoje. soas querem mudar as suas próprice a história está condenado a ser

Evidentemente, essas coisas apaas sociedades.

atingida por ela.

5

texto, é diretor da

Global Research in

International Affairs

Center (Centro de

Pesquisa Global em

Assuntos

Internacionais) e editor

do Middle East Review

of International Affairs

Journal e Estudos

Turcos. O original está

em: www.jpost.com/

servlet/Satellite?

pagename=JPost/

Page/IndexList&cid=1

123495333007


6

Fonte: http://

www.memri.org/bin/

latestnews.cgi?ID=SD207608

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Moratinos quer inclusão da Síria na União Européia

urante a visita do ministro

das Relações Exteriores da

Espanha Moratinos à Síria

e ao Líbano ele disse "O

mundo unipolar chegou ao

fim", "a Síria deve ser incluída na

União Européia" e "Vejo a Síria como

minha casa".

Durante a visita ao Líbano e à Síria,

em 16 e 17 de setembro de 2008

que o ministro das Relações Exteriores

da Espanha Miguel Moratinos fez,

ele elogiou "o papel positivo e útil que

a Síria tem desempenhado no Líbano"

e pediu à UE para que reforce seus

laços com a Síria. Acrescentou que a

Europa manifestou o desejo de desempenhar

um papel no Médio Oriente,

juntamente com os Estados Unidos e

outros países, como parte de um novo

mundo multipolar, cuja ordem será formada

durante os próximos anos. Ele

declarou que a questão do armamento

do Hezbolá é um assunto interno libanês

e acusou Israel de violar Resolução

nº 1701 da ONU.

O que segue são trechos de suas declarações

aos meios de comunicação:

"A "A Europa Europa reconhece reconhece o o status status status e e e o

o

papel papel papel da da Síria"

Síria"

Numa entrevista, Moratinos disse

à TV síria: "Se não fosse pela positiva

participação síria e prestativa, o acordo

de Doha e os passos que se seguiram

jamais teriam sido atingidos... A

Europa reconhece o status da Síria e

seu papel, e é por isso que estamos

agora vendo tantos ministros dos negócios

estrangeiros europeus visitando

a Síria. De fato, todos os estados

membros da UE têm boas e positivas

relações com a Síria".

Sobre as relações da Espanha com

a Síria, Moratinos disse: "Não há nada

que nos impeça de desenvolver estas

relações, especialmente nesta nova

era... Em 2010, a Espanha assumirá a

Presidência da União Européia, e temos

de reforçar as relações estratégicas

entre a Espanha e a Síria, e incluir

a Síria no âmbito da União Euro-

péia. Partilhamos uma longa história

e uma cultura muito rica, e há muitas

áreas potenciais de cooperação entre

a Espanha e a Síria".

"A Espanha sempre acreditou na

necessidade de negociar com a Síria.

A tentativa de isolar esse país foi um

grave erro, em primeiro lugar, porque

ele não pode ser isolado e, segundo,

porque essa era uma política que visa

impedir a Síria de cumprir o seu papel

positivo e útil da melhor maneira possível.

Portanto, temos insistido firmemente

sobre a nossa posição em favor

de negociações com a Síria e ao

manter os canais de diálogo aberto,

nós temos conseguido alargar o círculo

de entendimento. Hoje, graças a

uma nova postura da França em relação

à Síria, toda a União Européia está

aquecendo este país e fortalecendo os

seus laços com ele. Estes laços têm

que ser reforçados e desenvolvidos

ainda mais".

"O "O mundo mundo unipolar unipolar [Ordem]

[Ordem]

chegou chegou ao ao fim"

fim"

Falando sobre o papel dos EUA no

processo de paz, Moratinos disse: "Naturalmente,

eles cumprem seu papel

de superpotência. Os Estados Unidos

ainda são uma das forças líderes no

mundo. Entretanto, o mundo está

mudando, e há novas forças, formas,

e enquadramentos. À medida que venha

a lançar iniciativas e conversações,

não devemos esperar que uma

superpotência dite unilateralmente e

imponha um determinado acordo. Esses

tempos estão no fim, e agora os

EUA têm que ter um papel ativo, papel

ao lado de outros países que também

têm um papel ativo.

"Hoje, a União Européia pretende

desempenhar um papel para levar a

cabo determinadas responsabilidades

a nível mundial. Esta aspiração é partilhada

pela China e pela Rússia, que

têm agora uma nova posição no mundo.

Portanto, não devemos esquecer

disto, e é preciso se adaptar ao novo

equilíbrio de energias que irão surgir

Kadima chega a acordo

O Kadima, partido no poder em Israel, e os trabalhistas chegaram a

um acordo para a formação de um governo de coalizão dirigido por Tzipi

Livni, atual ministra das Relações Exteriores, anunciou a rádio pública

israelense. O acordo foi assinado em nome do Kadima pelo deputado

Tsahi Hanegbi e por Efi Oshaya, conselheiro do presidente do partido

trabalhista, Ehud Barak, ministro da Defesa. Os dois partidos chegaram

ao acordo após semanas de negociações. Livni foi eleita líder do Kadima

(centro) em 18/9 em substituição ao primeiro-ministro demissionário,

Ehud Olmert. Em 22/9 o presidente israelense, Shimon Peres, encarregou

Livni de formar o novo governo num prazo de 42 dias, caso contrário

seriam realizadas eleições antecipadas nos 90 dias seguintes. O Kadima

dispõe de 29 das 120 cadeiras no parlamento israelense e os trabalhistas

têm 19. (AFP).

Tzipi Livni comemora a

eleição para dirigir o

partido e Israel

nos próximos anos.

"O mundo unipolar chegou ao fim,

como tenho notado em toda a minha

atividade diplomática. Tenho visto que

os países e regiões agora sua podem

modelar-se por si mesmos, sem ter

que receber permissão de Bruxelas,

Washington ou de quaisquer outras

capitais. Este é um bom [desenvolvimento],

e seu impacto sobre o mundo

será uma forma positiva".

Sarkozy Sarkozy Sarkozy "criou "criou uma uma nova

nova

situação situação e e um um novo novo papel papel para para a

a

Europa Europa [no [no Médio Médio Oriente]"

Oriente]"

Sobre o papel da Europa no Oriente

Médio, Moratinos disse: "os interesses

da Europa estão intimamente ligados

com os do Oriente Médio, e é difícil

separar os dois. Portanto, a Europa tem

de ser parte de qualquer acordo ou solução

[que venha a ser atingido ]...

"A França, que atualmente exerce

a Presidência da UE, é muito ativa...

Seu presidente, Nicolas Sarkozy, deu

início a Conferência Euro-Mediterrânea,

e que foi um grande sucesso... A

Europa está disposta a ajudar a encontrar

soluções permanentes para ambos

os lados... A atual presidência francesa

da UE criou uma situação nova e

um novo papel para a Europa [no

Oriente Médio]".

Moratinos ressaltou que sua visita

à Síria era para "ajudar a renovar o

Processo de Barcelona." 1 Ele acrescentou

que é crucial cooperar com a Síria,

pois sempre desempenhou um papel

importante, a fim de garantir o êxito

da iniciativa.

Moratinos criticou aspectos da política

de Israel, dizendo: "Israel politicamente

foi condenado pela comunidade

internacional, pela UE e pela Espanha,

é um sério obstáculo para novas

conversações... Se esta política

não for suspensa, haverá dificuldades

em continuar as conversações com os

palestinos para se chegar a um acordo

quanto as fronteiras de 1967...

Além disso, Israel prossegue a construção

do muro de segurança impedindo

o movimento dos palestinos, o que

"não contribui para a construção da

confiança mútua." 2

"Conseguimos "Conseguimos unir unir todos todos os

os

libaneses, libaneses, libaneses, por por intermédio intermédio do do

do

general general general Michel Michel Michel Suleiman"

Suleiman"

Ao chegar a Damasco, Moratinos

disse que a Espanha sempre enfatizou

"o papel central e útil que a Síria

desempenha na conciliação nacional

do Líbano... e de investir esforços consideráveis

nisso", acrescentou. "A Síria

e a Espanha manejam para eliminar

alguns dos obstáculos a esta conciliação

e, para obter um resultado satisfatório

... Nós conseguimos unir todos

os libaneses por trás do general

Michel Suleiman". 3

Numa entrevista à imprensa junto

com seu homólogo sírio, Walid Al

Mu'allem, Moratinos declarou: "Tenho

retornado a um lugar que pondero ser

a minha casa". Ele reiterou que a Síria

tinha facilitado a conciliação no Líbano,

quer através da promoção do diálogo

inter-libanês e, apelando para

França, Itália e Espanha, para contribuir

com seu próprio esforço neste

caso. E acrescentou: "Hoje, podemos

olhar para o futuro do Líbano, com

grande otimismo... 4 Eu me lembro que,

durante a minha visita anterior à Síria,

em 5 de março de 2006, eu disse que

ela seria parte de qualquer solução na

região. Hoje vejo que isso é verdade, e

eu continuo a acreditar nisso". 5

"Estamos "Estamos contentes contentes por por um um país

país

como como a a Síria Síria Síria ter ter laços laços estreitos

estreitos

com com o o o Irã"

Irã"

Em resposta a uma pergunta sobre

o papel do Irã na região, Moratinos

disse: "Compreendemos e respeitamos

o fato que o Irã tem um papel a

desempenhar no Oriente Médio, mas

deve estar comprometido com a obediência

ao direito internacional... Estamos

contentes por um país como a

Síria ter laços estreitos com o Irã, e

pode, portanto, ajudar nos entendimentos

com ele. Somos a favor do entendimento

e da diplomacia." 6

As As As armas armas do do Hezbolá Hezbolá são são um

um

assunto assunto interno interno libanês

libanês

Na conferência de imprensa durante

sua visita ao Líbano, Moratinos

ressaltou que a questão das armas do

Hezbolá é um assunto interno libanês

que será discutido no âmbito do diálogo

nacional libanês. Ele acrescentou

que o Líbano teria de encontrar soluções

adequadas por si, e declarou que

o "Hezbolá é um dos atores políticos

no Líbano e parte do governo libanês".

"Resolução "Resolução 1701 1701 da da ONU ONU não não foi

foi

ainda ainda aplicadas aplicadas devido devido às

às

violações violações de de de Israel"

Israel"

Referindo-se à Resolução 1701 da

ONU, Moratinos disse: "A força internacional

- incluindo o batalhão espanhol

- tem feito o que pode para implementar

a Resolução 1701, que ainda

não foi totalmente implementada devido

às contínuas violações por Israel

e outros obstáculos que temos deparado

no terreno. Dito isto, fico satisfeito

[em relação ao relatório], pois temos

tido alguns sucessos nesta área." 7

Notas:

(1) O Processo de Barcelona (também conhecido

como a Parceria Euro-Mediterrânea) foi lançada

em 1995 na Conferência Euro-Mediterrânea de

Barcelona, e visa reforçar os laços entre a UE e os

países do Mediterrâneo.

(2) Al-Thawra (Síria), 18 de setembro de 2008.

(3) Al-Akhbar (Líbano), 18 de setembro de 2008.

(4) Al-Ba'th (Síria), 18 de setembro de 2008.

(5) Al-Watan (Síria), 18 de setembro de 2008.

(6) Al-Watan (Síria), 18 de setembro de 2008.

(7) Al-Nahar (Líbano), 17 de setembro de 2008.


Saudação do presidente do Estado de

Israel, Shimon Peres, no Ano Novo

Judaico 5769

Um país do tamanho

diminuto

de Israel tem poucas

alternativas a

não ser buscar a

grandeza em outros

aspectos. Deve

explorar a força do

espírito, a profundidade

da fé, a

busca pela inovação e as promessas secretas

da ciência. Desde a sua criação, há

60 anos, Israel demonstra que, apesar da

escassez de terra e água, desenvolveu

uma das mais avançadas e resilientes economias

do planeta. Não obstante encarar

os desafios desproporcionais de seu

território e escala demográfica, assim

como as ameaças existentes, Israel persiste.

E o fez através da mobilização de

seus recursos humanos e de seu poderio

militar. Israel reforça sua democracia e o

desejo de paz.

Israel passou por sete guerras nos últimos

60 anos. Em desvantagem e com

menos armamentos, o Estado prevaleceu

por sua autoconfiança e auto-segurança.

Vencer conflitos permitiu a Israel a

triunfar em sua luta pela paz e assinar

acordos de paz com o Egito e a Jordânia.

Hoje, Israel continua a negociar com os

palestinos, nunca perdendo a esperança

de alcançar a paz com o mundo árabe.

Ao promover uma política de paz e manter

fidelidade à Ética Judaica de "Ame teu

vizinho como a ti mesmo", mantendo um

mecanismo de defesa que esteja antecipado

ao perigo, e uma democracia resiliente

norteada pelos valores morais de

nossa tradição, podemos provar que o

que nos foi concedido no Monte Sinai não

foi perdido no deserto.

A consolidação da perspectiva sionista

é uma história que inspirou tanto a nação

quanto o Estado. Com o seu estabelecimento,

o povo judeu incumbiu a Israel

a responsabilidade de preservar e desenvolver

a herança histórica judaica, sob a

perspectiva moral, ao declarar que "todos

os seres humanos são feitos à imagem

e semelhança de D-us". Comprometido

com nossa fé e com o valor do Tikkun

Olam, Israel deve continuar a desempenhar

papel relevante perante os desafios

globais de amanhã. Com tamanho e população

reduzidos, Israel deve ser grandioso

na área da ciência, e servir como

um laboratório mundial na busca de energia

alternativa, em grande parte pelo Sol,

e secar o pântano transbordante de dólares

e petróleo que semeia o terror. A humanidade

deverá ter a capacidade de gerar

mais água para atender a crescente

demanda do planeta, evitar a sede e proporcionar

um meio ambiente sustentável

e harmonioso para o homem e a natureza.

Israel é referência neste campo e devemos

continuar investindo nossos esforços

com este objetivo.

Devemos também incentivar um sistema

educacional inovador focado em ferramentas

de pensamento e capacitação,

ao invés do simples acúmulo de dados. A

força histórica do povo judeu foi e continuará

sendo norteada no aprendizado e

aplicação de conhecimento. Provamos no

passado e devemos fazê-lo no futuro que

o povo judeu pode ser líder na vanguarda

da modernidade e inovação, para que possamos

enfrentar os desafios frente a violência

e o terror onipresente que assolam

o mundo. Outrossim, devemos encarar os

desafios que surgem perante as comunidades

judaicas ao redor do mundo, como

a assimilação, disparidade entre as diferentes

comunidades e mais energia para

fortalecermos os laços entre a juventude

judaica, a diáspora e Israel. E é exatamente

pelo fato de sermos uma nação diminuta

que o povo judeu deve gerar a grandeza

inerente às capacidades humanas. Rosh

Hashaná Sameach!

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Lula envia mensagem por ocasião

dos 60 anos do Kibutz Bror Chail

Mensagem do Senhor Presidente da Republica do Brasil por ocasião do 60° aniversário

do movimento juvenil socialista - democrático "Habonim Dror" e do Kibutz Bror Chail.

Brasília, 14 de maio de 2008. "Companheiras e companheiros, comemorar uma jornada

de 60 anos de realizações é, com certeza, uma saborosa sensação. É o que imagino ser o

sentimento dos integrantes do Movimento Dror Habonim e do Kibutz Bror Chail, com quem

me irmano neste momento de alegre festejo".

"Em toda parte, Bror Chail é conhecido como o Kibutz dos brasileiros. Nesse sentido, ele

é também o meu kibutz. Da mesma forma como o Brasil é a terra de milhares de judeus que

aqui aportaram, contribuindo para fazer do Brasil uma grande Nação".

"Ao conhecer a história do Dror, me veio à mente a luta pela construção do PT no Brasil,

feita em nome dos ideais de justiça social, liberdade e democracia. Os dois, cada um à sua

maneira, foram movidos por uma impetuosa energia libertária e humanista".

"Mesmo que encontremos obstáculos, às vezes difíceis de transpor, e ainda haja longo

caminho a percorrer, tenho certeza de que a trilha é correta e um futuro promissor está

reservado ao Brasil e a Israel, para as atuais e as próximas gerações".

"Desejo, de coração, que vocês em Israel e nós no Brasil continuemos a acalentar os

mesmos sonhos e ideais, na busca de um mundo cada vez mais justo e solidário".

Parabéns e feliz comemoração!

Shalom

Luiz Inácio Lula da Silva

PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

7


8

* Olavo de Carvalho

é ensaísta e

professor de

Filosofia. Artigo

publicado no Diário

do Comércio em 11

de setembro de

2008 e também em

www.olavodecarvalho.org/

semana/

080911dce.html

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Olavo de Carvalho *

nquanto nos EUA, no

Brasil e no mundo a

grande mídia esquerdista

(desculpem a redundância)

vasculha a

biografia de Sarah Palin nos seus mínimos

detalhes, trazendo ao público

as revelações chocantes de que

ela pertence à Igreja Pentecostal, de

que sua filha transou com o namorado

e de que (acrescenta a pérfida

Ann Coulter) seu cabeleireiro teve

uma multa de trânsito em 1978,

nada, absolutamente nada aí se conta

a ninguém sobre alguns episódios

da vida de Barack Hussein Obama,

decerto irrisórios e desprovidos de

qualquer alcance político, não é

mesmo? Eis oito exemplos:

1. Ele foi admirador e companheiro

de protestos do pastor Louis

Farrakhan, aquele segundo o

qual "o judaísmo é a religião do

esgoto". Isso faz tempo, mas depois

de eleito senador ele deu

Shimon Peres

critica o Irã na ONU

O presidente israelense Shimon Peres criticou

duramente o Irã na Assembléia Geral da ONU, acusando

a República Islâmica de estar no centro "da

violência e do fanatismo" no Oriente Médio.

"O Irã ocupa o lugar central nesta violência e

neste fanatismo", declarou Peres diante da Assembléia

Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Afirmando que o Irã do presidente Mahmud Ahmadinejad

"segue enriquecendo urânio e produzindo

mísseis de longo alcance", Peres destacou

que "cabe à Assembléia Geral e ao Conselho de

Segurança da ONU prevenir os desastres antes que

eles aconteçam".

"O Irã combina mísseis de longo alcance

com espíritos de visão curta. Israel demonstrou

que as democracias são capazes de se

defender. Não pretendemos mudar", avisou

o presidente israelense.

Shimon Peres também denunciou o questionamento

do Holocausto pelo presidente Ahmadinejad

e por dirigentes iranianos, que qualificou de

"insulto cínico aos sobreviventes desta tragédia".

O presidente do Estado hebreu também acusou

o Irã de ter "dividido o Líbano" apoiando a

milícia xiita do Hezbolá, e de ter promovido dissensões

entre os palestinos ao apoiar o movimento

radical islâmico Hamas, que tomou o poder na

Faixa de Gaza em junho de 2007.

Checando biografias

Sarah Palin

225 mil dólares em verbas federais

à igreja de seu amigo Michael

Pfleger, onde Farrakhan é um dos

mais freqüentes e aplaudidos

pregadores convidados.

2. No Quênia, ele deu apoio eleitoral

a um agitador que depois organizou

a destruição de trezentos

templos cristãos e o assassinato

de mais de mil fiéis, cinqüenta

deles queimados vivos

numa igreja, sem que Obama

viesse a dizer uma só palavra contra

essa gentil criatura.

3. Ele disse que o terrorista William

Ayers (da quadrilha do "Homem

do Tempo") era apenas um seu

vizinho com quem jamais conversava

de política, mas depois se

descobriu que ele e Ayers dirigiram

juntos uma ONG que coletou

72 milhões de dólares para movimentos

de esquerda, sendo um

interessante exercício intelectual

conjeturar como puderam fazer

isso sem falar de política.

4. Neste preciso momento ele responde

na Pensilvânia a um processo

de falsidade ideológica, por

ter apresentado a seus eleitores

uma certidão de nascimento obviamente

forjada. A verdadeira,

se existe, até hoje não apareceu,

e o beautiful people da mídia não

releva o menor interesse em conhecê-la.

5. Embora ele diga que sempre foi

cristão, todos os seus colegas e

professores de escola primária,

bem como seu meio-irmão e sua

meia-irmã, afirmam que ele era

muçulmano na época em que ali

estudava.

6. Por duas décadas ele freqüentou

semanalmente uma igreja que

alardeava a "teologia da libertação"

mais escancaradamente comunista

e anti-americana, e depois

disse que não tinha a menor

idéia do conteúdo do que ali

se pregava.

7. Não é só sobre suas origens ou

sobre sua religião que Obama

cultiva segredos. Também não é

só sua certidão de nascimento

autêntica que continua inacessível.

Embora gabando-se de sua

carreira em Harvard, ele se recusa

a mostrar o histórico de seus

estudos universitários. Os fofoqueiros

maldosos dizem que ele

tem vergonha de mostrar suas

notas baixas (talvez ainda mais

baixas que as de George W. Bush,

Al Gore e John Kerry), mas agora

se sabe que ele tem um motivo

mais forte para encobrir os detalhes

da sua passagem por Harvard:

seus estudos ali foram pagos

por Donald Warden, um americano

que, islamizado sob o

nome de Khalid Abdullah Tariq al-

Mansour, veio a se tornar um dos

mentores do grupo terrorista

Panteras Negras, fund-raiser

para a organização pró-terrorista

African-American Association

e autor de um livro segundo o

qual o governo americano planeja

matar todos os negros.

8. Em cinco campanhas eleitorais,

o mais ativo coletor de fundos

para Obama foi o vigarista sírio

Tony Rezko, condenado por dezesseis

crimes. Uma vez no Senado,

Obama retribuiu com dinheiro

público a gentileza, convencendo

vários prefeitos a investir

um total de 14 milhões de

dólares num projeto imobiliário

do malandro.

Os brasileiros não saberão de

nada disso assistindo ao "Jornal

Nacional", nem os americanos à

CNN. Ante as acusações gerais de

que John McCain não checou direito

a biografia de Sarah Palin, o colunista

Don Feder sugere que a de

Obama, por sua vez, foi checada

meticulosamente - por uma comissão

integrada por Forrest Gump, o

Inspetor Clouseau e o Agente 86,

Maxwell Smart. E, quando Obama

comete um lapsus linguae, dizendo

"minha fé muçulmana" em vez de

"minha fé cristã", todas as almas

santas do esquerdismo mundial se

revoltam ante as insinuações, vindas

de maldosos direitistas, de que

Barack Hussein Obama

isso possa significar alguma coisa.

Eu mesmo sou tão perverso que

cheguei a me perguntar se Obama

não trocava os pés pelas mãos justamente

por ser muito difícil, até

para um ator tarimbado, exibir-se

como um pavão no poleiro e ao

mesmo tempo esconder-se como

um rato na toca.

Mas Obama nem precisaria ser

tão escrupuloso na camuflagem. A

mídia esconde tudo por ele - para quê

preocupar-se em vão ao ponto de ficar

nervoso e atrapalhar-se no discurso?

Afinal, que são os pequenos

deslizes do candidato democrata em

comparação com a gravidez solteira

de Bristol Palin? Toda a esquerda chique,

que sempre batalhou pela "liberação

sexual da juventude", está

hoje escandalizada, chocada, perplexa

ante essa sem-vergonhice incomum,

sem dúvida um risco maior

para a segurança dos EUA no caso de

Sarah Palin chegar à vice-presidência.

Com o detalhe especialmente elucidativo

de que, uma vez desencadeada

a campanha de ataques à devassidão

abominável da família Palin,

essa mesma onda é explicada retroativamente

como fruto do moralismo

reacionário dos americanos e assim

transfigurada num argumento fulminante

contra a eleição de candidatos

conservadores.

PS. - Já habituado a apostar contra a classe

jornalística e ganhar sempre (se eu botasse

dinheiro nisso estaria milionário), fui o único

correspondente brasileiro nos EUA a anunciar,

com antecedência de duas semanas, que

Sarah Palin era o nome mais provável para a

candidatura à vice-presidência na chapa Mc-

Cain. A mídia nacional inteira cumpriu fielmente,

como sempre, seu dever de chutar e

errar. Quem mais caprichou foi o correspondente

do Estadão, que fez uma lista de dez -

não dois ou três, mas dez - vice-presidenciáveis,

e nenhum deles era Sarah Palin.


*Breno Lerner é editor

e gourmand,

especializado em

culinária judaica.

Escreve para revistas,

sites e jornais. Dá

regularmente cursos e

workshops. Tem três

livros publicados,

dois deles sobre

culinária judaica.

Breno Lerner *

O período que começa

com Rosh Hashaná e termina

com Simchat Torá tem

aspectos fascinantes. Nestes

dias D-us reavalia sua

criação, julgando e separando

o certo do errado, o que

deve parar e o que deve

continuar. Alguns místicos

dizem que a humanidade é

julgada em Rosh Hashaná e

o mundo em Sucot.

Por ser uma festa de raiz

agrícola, sua gastronomia

esta intimamente ligada aos

produtos da colheita. Dentre

eles destacam-se os rolinhos

de repolho, velha tradição

desta festa e que, por seu

formato que lembra os rolos

da Torá, acabaram por

freqüentar as mesas de

Simchat Torá.

Holishkes na Europa,

Galuptzes na Rússia, Sarmali

na România ou Dólmas na

Turquia, estas delícias

merecem sua atenção.

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

O final é apenas o início

9

Retire a parte grossa do talo de cada folha e

cozinhe-as no vapor até amolecerem. Reserve.

Misture muito bem todos os ingredientes do recheio.

Abrir cada folha com a parte do talo voltada

para você. Coloque uma colher do recheio na

parte inferior, dobre as laterais para dentro e

depois enrole. Reserve. Em uma panela grande

aqueça o óleo do molho, coloque a farinha mexendo

sem parar e quando começar a dourar

acrescente os outros ingredientes, mexendo

bem. Cozinhe por 10 minutos em fogo médio.

Depois coloque rolinho por rolinho no molho,

lado a lado, podendo empilhá-los, se necessário.

Cozinhe em fogo bem baixo por 1 hora.

O discurso racista de Ahmadinejad aplaudido

na Assembléia da ONU

s palavras mais hostis do presidente

iraniano Ahmadinejad,

proferidas na Assembléia da

ONU, que provocaram a revolta

do premiê israelense, foram:

"... Na Palestina, 60 anos de massacres

e invasões ainda acontecem por conta

das mãos de alguns ocupantes criminosos

sionistas. Estes forjaram um regime

com pessoas coletadas de diversas

partes do mundo e os trouxeram para as

terras de outrem através do deslocamento,

detenção, e assassinato dos verdadeiros

donos daquelas terras. Com aviso prévio,

eles invadem, assassinam e mantém

bloqueios de alimentos e remédio, juntamente

com os poderes hegemônicos e intimidadores

que os apóiam".

"Até mesmo o Conselho de Segurança

que não pode fazer nada e às vezes, por

conta da pressão destes poderes intimidadores,

apóia estes assassinos sionistas.

É natural que algumas resoluções da

ONU que lidam com a situação desesperadora

do povo palestino foram relegadas

ao arquivamento sem alarde...".

"Em relação ao pacífico programa nuclear

iraniano, apesar do direito inalienável

de todas as nações inclusive a nação

iraniana em produzir combustível nuclear

1 repolho grande lavado e com as

folhas separadas;

Recheio:

1,5 kg de carne moída;

1 xícara de arroz cru, já lavado;

3 colher de sopa de óleo;

1 cebola picada;

2 dentes de alho picados;

1 colher de sopa de salsinha picada;

1 ovo batido.

para fins pacíficos, e apesar da transparência

em todas as atividades iranianas

e nossa total cooperação com os inspetores

da AIEA (Agência Internacional de

Energia Atômica) e a confirmação de que

as atividades iranianas são pacíficas, as

forças intimidadoras buscam empecilhos

para as atividades nucleares pacíficas do

Irã ao exercer sanções políticas e econômicas

contra nossa nação e também através

de ameaças e pressões à AIEA. Estes

são os mesmos poderes que produzem

novas gerações de armas nucleares letais

e possuem grandes estoques de armamentos

nucleares que nenhuma organização

internacional monitora e que uma

destas forças nefastas causaram as tragédias

em Hiroshima e Nagasaki".

"De fato, não são contra as armas, mas

são contra o progresso de outras nações e

tendem a monopolizar tecnologias e utilizar

estes monopólios para que possam

impor suas vontades sobre outras nações.

É natural que o grande povo iraniano, com

a determinação e imperturbabilidade e

com o apoio de seus amigos, irá resistir às

intimidações e continuará a defender seus

direitos com sempre o fez. A nação iraniana

está disposta a dialogar. Mas nunca

aceitou e nunca aceitará exigências ile-

SALADA D'ÁGUA

Esta curiosa receita sabra adequa-se

muito bem a Sucot. Na

verdade é uma interpretação

da tradicional israeli salat, com

um novo ingrediente.

A propósito, o líquido de tomate

que será produzido para esta

salada também pode ser servido

como se fosse um gazpacho,

sem a salada, bem gelado e

temperado.

HOLISHKES

Molho:

3 colheres de sopa de óleo;

2 colheres de sopa de farinha de

trigo;

2 latas de tomates pelados, picados,

sem drenar;

3 colheres de sopa de extrato de

tomate;

3 colheres de sopa de mel;

Suco de 1 limão;

Sal e pimenta do reino à gosto.

1 kg de tomates bem maduros;

3 pepinos japoneses cortados em cubos grandes;

3 tomates cortados em cubos grandes;

5 talos de cebolinha picados;

1 colher de chá de hortelã bem picada;

Suco de ½ limão;

Azeite à gosto;

Sal e pimenta do reino à gosto.

gais. Chegou o momento da AIEA apresentar

um relatório claro para a comunidade

internacional a respeito de seu monitoramento

do desarmamento destas nações

nucleares e suas atividades nucleares e

que seja estabelecido um comitê de desarmamento

formado por estados independentes

para monitorar o desarmamento

destas potências nucleares...".

"A dignidade, integridade e direitos

dos povos americanos e europeus estão

sendo manipulados por um grupo pequeno,

mas fraudulento grupo de pessoas

chamadas de sionistas. Embora sejam

uma minoria irrisória, dominam uma importante

fatia dos centros monetários e

financeiros, assim como centros de decisões

políticas em alguns países europeus

e dos EUA de maneira fraudulenta, complexa

e furtiva. É deveras desastroso testemunhar

o que alguns candidatos a presidência

e líderes de alguns países tenham

que visitar estas pessoas, reunirem-se

com eles, jurar alianças e compromissos

de seus interesses para que possam obter

apoio financeiro ou da mídia".

"Isto significa que o grande povo americano

e de várias nações da Europa precisam

obedecer às demandas e vontades

de um pequeno grupo de pessoas ga-

De véspera amasse ligeiramente

os tomates maduros, coloque em

um saco de pano e deixe pendurado,

por uma noite, escorrendo em

um recipiente. Não chacoalhe ou

amasse o saco, para que o líquido

saia límpido e cristalino. Misture

todos os ingredientes e temperos

da salada e, numa saladeira funda,

cubra-os com o líquido dos tomates.

Deixe gelar por 2 horas na

geladeira e sirva com cubos de

gelo, cebolinha francesa picada,

garfo e colher.

nanciosas e invasivas. Estas nações desperdiçam

sua dignidade e recursos com crimes

e ocupações e a ameaça da rede sionista

contra suas vontades... As idéias e

ações daqueles que pensam que são superiores

e consideram outros de segunda

classe ou inferiores, que permanecer isolados,

serem escravos absolutos de seus

desejos materialistas e egoístas, que tendem

a expandir sua natureza agressiva e

dominante, constituem as raízes dos problemas

atuais em sociedades humanas.

Estas são os maiores impedimentos à prosperidade

material e espiritual, segurança,

paz e irmandade entre as nações...".

"Atualmente, o regime sionista está à

beira de um colapso e não há como sair

do buraco criado por si mesmo e pelos

seus apoiadores. A República Islâmica do

Irã, ao mesmo tempo em que respeita totalmente

a resistência do povo oprimido

da Palestina e expressa seu total apoio,

apresenta uma solução humanitária baseada

em um referendo livre na Palestina

para determinar-se e estabelecer-se o

tipo de estado em todo o território palestino

ao Excelentíssimo Secretário Geral da

ONU. O império americano no mundo está

chegando ao fim da linha e seus próximos

governantes devem limitar sua interferência

às suas próprias fronteiras...".


10

* Rina

Castelnuovo é

jornalista do The

New York Times.

Tradução: Paulo

Migliacci.

Tecnologia a serviço

do shabat

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Rina Castelnuovo *

s rabinos, cientistas e engenheiros

do Instituto Zomet estão tentando

resolver problemas que

surgem quando acontecem colisões

entre a tecnologia e a Torá.

Trabalhando em suas instalações de

pesquisa na colônia de Alon Shvut, na

Cisjordânia, eles criam aparelhos eletrônicos

- de telefones a sistemas de alarme

e veículos motorizados - que obedecem

às leis do judaísmo ortodoxo sobre o shabat,

quando até mesmo ligar ou desligar

uma lâmpada é proibido.

"Tentamos combinar um estado judaico

moderno e leis judaicas muito antigas",

disse Dan Marans, diretor

executivo do Zomet. Isso requer

tanto um conhecimento profundo

do código legal judaico, ou halachá,

quanto alguma engenhosidade.

"A cada dia, D-us nos oferece

coisas de que podemos usufruir,

e é preciso apenas descobrir

de que maneira fazê-lo de

acordo com Suas normas", disse

Marans.

Por décadas, grupos de pesquisa

como o que Marans dirige

vêm desfrutando de um quase

monopólio sobre a tecnologia de

aparelhos kosher. Eles vendem a

maior parte de suas invenções

ao governo e às forças armadas

de Israel. Agora multinacionais, as pequenas

empresas e empresários ortodoxos

de todo o mundo estão criando produtos

aprovados pelos rabinos.

As invenções, que ajudam os mais

de 1,5 milhão de judeus ortodoxos do

Empresas criam tecnologias

que respeitam o shabat judaico

mundo a desfrutar das conveniências da

vida moderna, estão ganhando popularidade

devido aos baixos preços propiciados

pela fabricação na Ásia e ao uso

da Internet como ferramenta para comercializar

produtos destinados a nichos

de mercado.

O rabino Shmuel Veffer, presidente

da Kosher Innovations, de Toronto, é

apenas um dos empresários que se beneficiaram

da tendência. Em 2004, Veffer

inventou a Luminária Kosher, que

conta com uma cobertura que pode ser

movimentada de maneira a bloquear a

luz da lâmpada mas sem desligá-la.

Veffer diz ter vendido "dezenas de

milhares" das luminárias, entre as quais

um modelo mais caro e uma versão infantil

em forma de ursinho. Todas elas

são fabricadas na China. A Kosher Innovations

agora vende uma dúzia de produtos,

entre os quais um dispositivo de

iluminação que ajuda a combater insetos

e um despertador que respeita o

shabat, em quase 400 lojas, de Nova York

a Londres e Sydney. Veffer garantiu aprovação

religiosa de renomadas autoridades

rabínicas em todos os países em que

seus produtos estão à venda.

"O mundo dos judeus ortodoxos é

uma comunidade fechada, de modo que

se você oferece algo de que as pessoas

gostam, as boas novas logo se espalham",

afirma o rabino.

Mas "o consumidor kosher tem uma

influência sobre o mercado que vai além

dos números", disse o dr. Avrom Pollak,

presidente da Star-K, de Baltimore, que

certifica como kosher diversos produtos,

de grandes eletrodomésticos a alimentos,

álcool e alguns remédios.

Por exemplo, disse Pollak, os domicílios

judeus ortodoxos dedicam muito

mais tempo, atenção e dinheiro às suas

cozinhas do que a maioria dos demais

consumidores norte-americanos, e é por

isso que 14 grandes marcas de eletrodomésticos

para cozinha solicitaram certificação

kosher da Star-K.

A Star-K também monitora algumas

fábricas chinesas que produzem bens

kosher, para garantir que elas estejam

cumprindo as leis judaicas.

Embora a tecnologia moderna tenha

por intenção tornar menos difíceis as

tarefas da vida cotidiana, a proliferação

de motores automáticos, sensores e luzes

em mais aparelhos domésticos se

tornou problema cada vez mais grave

para os judeus que seguem estritamente

as leis religiosas.

Por décadas, os judeus ortodoxos

percorriam suas casas antes de cada shabat

em um ritual que envolvia desligar

seus sistemas de alarme, prender com

fita adesiva o botão que acende a luz dentro

da geladeira quando a porta se abre e

deixar acesa uma das bocas do fogão,

para que comida possa ser aquecida.

Nos últimos 10 anos, fabricantes

como Whirlpool e Viking também incluíram

programações para shabat em seus

aparelhos, como fogões, refrigeradores

e até sistemas de armazenagem de vinho.

A General Electric introduziu seu

modo shabat em 2000, e informa que o

recurso está disponível em mais de 150

de seus fornos, fogões e outros utensílios

culinários.

Esses modos ou desligam automaticamente

certas luzes, ventiladores e

alarmes ou usam um conceito legal ju-

O anti-semitismo e suas faces

Roberto Romano * inclusão acadêmica, elas eram negativas. Exis- com a tenure (estabilidade) nos estudos clás-

O Estado de Israel agrega sete milhões e

duzentos mil habitantes, dos quais cinco milhões

e trezentos são judeus, um milhão e quatrocentos

árabes, quatrocentos de outras origens.

A maioria dos judeus seguiu para a região

após perseguições e massacres que chegaram

ao genocídio de seis milhões dos seus irmãos.

Após 60 anos de existência, o país sofre violências

mascaradas de anti-sionismo, quando na

verdade trata-se de virulento anti-semitismo.

Cérebros sem prudência tentam por todos os

meios impedir que os filhos de Abraão tenham

uma pátria e possam lutar para evitar um novo

Holocausto. O imaginário ideológico está cheio

de muitas desculpas dos que vivem o mesmo

ódio racista que nutriu, já antes do totalitarismo,

as elites ocidentais e orientais.

Como hoje as cotas em favor dos negros está

tiam cotas com números máximos para o ingresso

de judeus na Universidade de Yale, o alvo

era diminuir o número de judeus no campus.

Mesmo em outras universidades norte americanas

imperou tal política de exclusão. (Oren,

D.A. Joining the Club: a History of Jews at Yale,

New Haven, Yale Univ. Press, 1985).

Não se trata de um setor "pouco esclarecido",

para usar o jargão dos conservadores de

todos os matizes. Temos naquela prática a posição

de mestres renomados no mundo acadêmico,

em especial nos estudos clássicos. Se

a vida nas universidades, como enuncia Hegel

na Fenomenologia do Espírito, é o reino animal

onde os indivíduos são nutridos com a carne

do "colega", se ali as manadas têm suas lideranças

que ensinam aos do rebanho quem

deve ser estraçalhado ou acarinhado, não surpreende

encontrar o racismo anti-semita nos

sicos da famosa Ivy League. Ele ensinou de

1924 a 1980. Entre seus trabalhos, é relevante

a tradução da ciceroniana Rethorica ad Herenium

(Loeb Classical Series). Em 1919 o docente

se candidatou ao lugar de professor na Universidade.

Recebeu uma carta, que traduzo literalmente:

"Meu caro Caplan: quero apoiar a

opinião do professor Bristol e lhe aconselhar

vivamente a seguir rumo ao ensino secundário.

As oportunidades para os cargos na faculdade,

nunca suficientes, agora são poucas e

provavelmente diminuirão. Não posso encorajar

ninguém na busca de assegurar um emprego

na faculdade. Existe, além disso, um

preconceito muito real contra o judeu. Não

partilho pessoalmente tal atitude, estou certo

que o mesmo é verdadeiro em se tratando

de todo o pessoal daqui. Mas vimos tantos judeus

bem preparados falhar na busca de em-

na ordem do dia, recordo que os Estados Uni- departamentos escolares.

pregos que semelhante fato nos forçou a tandos

da América, fonte de inspiração das citadas Uma carta foi encontrada em 1980, na gato. Lembro Alfred Gudeman, E.A. Loew - bri-

cotas, as instituiu para os judeus por volta de veta do professor Harry Caplan, de Cornell, lhantes acadêmicos de reputação internacio-

1920. Só que em vez de serem chaves para a durante muito tempo o único professor judeu nal, e mesmo assim incapazes de obter um

daico conhecido como "gramma", ou

ação indireta, para manter os aparelhos

em operação no dia de repouso. Nos refrigeradores,

por exemplo, um mecanismo

programado impede que o compressor

entre em ação imediatamente quando

a porta é aberta.

Mais de 750 mil judeus ortodoxos

modernos e ultra-ortodoxos vivem nos

Estados Unidos. Israel abriga mais de 800

mil ortodoxos modernos e ultra-ortodoxos,

e 31% das pessoas com idade superior

a 20 anos no país se identificam como

ortodoxas, de acordo com Serviço Central

de Estatísticas de Israel.

A comunidade exerce considerável

influência política e econômica, e o mesmo

se aplica a Eliyahu Yishai, primeiroministro

assistente e ministro da Indústria,

Comércio e Trabalho, ele mesmo

judeu ortodoxo. No ano passado, o ministério

que ele dirige colaborou com

estudiosos da religião e com a Associação

da Indústria de Israel para desenvolver

produtos próprios ao shabat, com o

objetivo de atender a comunidade ortodoxa

em todo o mundo.

"Ser ortodoxo hoje precisa ser mais

fácil do que era no passado", disse Yair

Shiran, que representa Israel nos Estados

Unidos para questões de cooperação econômica

e apontou que mais de 20 produtos

já haviam sido desenvolvidos especificamente

para os judeus ortodoxos, entre

os quais um condicionador de ar, uma

cafeteira elétrica e um sistema de alarme

adaptados para o shabat.

"A tecnologia está disponível, e a

idéia é simplesmente a de comercializála

para uso em comunidades específicas",

declarou Shiran.

cargo na faculdade. Sinto que é errado encorajar

qualquer um a se devotar a longos estudos,

caminhos escarpados cuja pista é barrada

por um inegável preconceito racial. Nesse assunto,

unem-se a mim todos os meus colegas

dos Estudos Clássicos que me autorizaram a

colocar suas assinaturas, com a minha, nesta

carta. Assinado: Charles E. Bennet, C.L. Durham,

George S. Bristol, E. P. Andrews. 27/3/

1919, Ithaca". O documento foi publicado no

Cornell Alumni News (número 84, 9/Julho

1981, página 7). O documento é reproduzido

por Martin Bernal, num texto que deveria ser

lido por todos os que afirmam lutar contra o

racismo, mas que na defesa dos movimentos

negros não hesitam um instante em usar teses

racistas contra os judeus, sempre com o

disfarce da crítica ao sionismo. Eu me refiro ao

livro Black Athena, the Afroasiatic Roots of

Classical Civilization (New Jersey, Rutgers University

Press, 1987).

Lutar contra o racismo é lutar contra todos

os racismos. E disto, boa parte dos intelectuais

empenhados está muito longe.

* Roberto Romano é professor de Ética e Filosofia Política na Unicamp e recebeu a Medalha Direitos Humanos B'nai B'rith em 2007. Publicado no jornal Correio Popular, de Campinas em 4/6/2008


Cresce rejeição a

judeus e islâmicos

Espanhóis lideram etnocentrismo, que

também afeta Alemanha, Polônia,

Rússia, França e Grã-Bretanha

Andrei Netto *

Judeus e muçulmanos são cada vez mais

rejeitados na Europa. A onda etnocentrista

foi diagnosticada pelo instituto americano

Pew Research Center, que num relatório de

73 páginas, baseado em 4 mil entrevistas,

indica a evolução das opiniões negativas

entre 2004 e 2008.

Na Espanha, país que lidera nos índices de

preconceito, 52% se declararam contrários aos

islâmicos neste ano, um aumento de 15 pontos

porcentuais em relação a 2005, quando 37%

reconheceram essa posição. A aversão a judeus

foi admitida por 46% dos entrevistados - em

2005, eram 21%.

Na Alemanha, a visão negativa sobre os judeus

aumentou de 20%, em 2004, para 25%,

neste ano. Em relação aos muçulmanos, cresceu

de 46% a 50% no mesmo período. Na França,

o preconceito contra judeus - 11% a 20% -

e muçulmanos - 29% a 38% - aumentou nove

pontos porcentuais.

A escalada também ocorre na Europa

Oriental. Na Rússia, as opiniões desfavoráveis

aos judeus avançaram de 25% para 34% no

mesmo período, enquanto na Polônia aumentaram

de 25%, em 2005, para 36%, neste ano.

Em relação aos muçulmanos, a animosidade

cresceu de 30% para 46% na Polônia. A Rússia

foi o único país onde houve retração do preconceito

contra os islâmicos: de 37%, em 2004,

para 32%, neste ano.

A estabilidade britânica em relação ao antisemitismo

- índice de 9% dos entrevistados desde

2004 - não se repete quando a questão são os

muçulmanos. Em quatro anos, a visão negativa

sobre esse grupo aumentou de 18% para 23%.

Segundo o relatório, as manifestações de

preconceito crescem mais entre pessoas acima

de 50 anos e sem nível superior. "Há um

paralelo notável entre anti-semitas e antimuçulmanos

na opinião pública da Europa Ocidental.

O mesmo sentimento prevalece nos mesmos

estratos sociais", indica o documento.

Pierre Fournel, delegado-geral da ONG Liga

contra o Racismo, de Paris, confirma que o etnocentrismo

se expressa com cada vez mais

força na Europa. "Na França, apesar de as autoridades

nos mostrarem queda nos índices de

violência, percebemos o contrário," relata.

Segundo Fournel, a organização registra um

aumento nas queixas de discriminação, mas é

difícil prová-las judicialmente por causa de sua

"sutileza". "O preconceito religioso se manifesta

na vida cotidiana, no momento de pedir

um emprego, de alugar um apartamento e em

qualquer outra situação em que o sobrenome

ou os traços físicos estejam explícitos."

O Pew Research Center também pesquisou o

apoio dos muçulmanos a ataques terroristas lançados

por homens-bomba. Em seis anos, o apoio

caiu de 74%, em 2002, para 32%, neste ano.

* Andrei Netto é jornalista e correspondente em

Paris da Agência Estado.

Se os árabes se desarmarem,

acaba a guerra; se Israel se

desarmar, acaba Israel.

Binyamin Netanyhau

Uma das maiores catástrofes da chamada

'modernidade' foi a desconstrução

filosófica, psicológica, política e moral da

humanidade, ocorrida na última metade

do século passado. Das principais contribuições

psicológicas desconstrucionistas

é o que chamo aqui inversão e introjeção

da culpa. A inversão da culpa faz parte

do conceito mais amplo de inversão revolucionária.

A introjeção é a admissão

delirante da vítima de sentir-se culpada

pelos ataques que sofre. Ela é especialmente

necessária para o sucesso da guerra

assimétrica, da qual ambas constituem

os fundamentos psicológicos.

Pode-se definir guerra assimétrica

como aquela em que um dos lados atribui

a si, consciente ou inconscientemente,

a totalidade dos valores éticos na qual

suas ações são embasadas. Pode ser a

'ética de construir um mundo novo', de

'eliminar as desigualdades' ou de 'reconquistar

territórios que lhe pertencem' ou

qualquer outra coisa. Isto lhes permite

lutar em plena potência, sem respeitar

nenhuma lei a não ser a da força justificada

pela própria 'ética' que a move. Enquanto

isto, através de guerra psicológica,

força-se o inimigo a aceitar esta situação

na qual ele se vê obrigado a respeitar

suas próprias leis e as convenções

internacionais que regulam os conflitos.

Principalmente convencendo-o de que

não pode usar os mesmos meios dos 'detentores

exclusivos' da suposta 'ética'.

Caso o entrechoque avance para o inte-

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Israel e a guerra assimétrica

Heitor de Paola * rior do território inimigo - como no terro-

Shemini Atzêret

Acendimento das velas: dia 20/10 às 18h05

A palavra "atsêret" é explicada de diversas maneiras, mas seu

significado original é retenção, apego, empenho. Após o término dos

sete dias da feliz comemoração de Sucot, o oitavo dia de Atsêret é

um apego à feliz experiência pela qual passamos.

É natural que procuremos manter as alegres lembranças de ontem,

mas é difícil evocar alegrias passadas. Podemos fazer um esforço

para mantê-las, mas mesmo as mais felizes, tendem a desaparecer.

Talvez seja por esse motivo que ocorre a festa de Shemini Atsêret.

Por mais alegre que seja a Festa da Colheita (Sucot), chega o

tempo em que temos de nos despedir.

Assim também, o descanso e a paz do Shabat são verdadeiramente

dádivas Divinas para o ser humano. Porém, com o término do

Shabat, devemos nos despedir e continuar a rotina do trabalho.

É realmente preciosa a purificação especial do Dia do Perdão.

Mas devemos sair desta solenidade para a alegre festa de Sucot. Em

seguida, no mesmo espírito, devemos chegar à festa de Shemini Atsêret

e continuar até Simchat Torá, a alegria da Torá.

A vida determina que a seqüência continue; impulsiona-nos para

frente. É cíclica e exige que caminhemos adiante a partir do passado,

em direção a novas experiências e conquistas. Viver "de acordo"

com nossos dias significa viver cada dia e época, de acordo a Torá… o

ano inteiro! (www.chabad.org.br).

rismo - usa-se a liberdade e a abertura

da sociedade livre e legal forçando-a a

restringir seus métodos de defesa legais

enquanto se movem livremente, sem respeitar

nada trabalhando pela sua destruição

desde dentro. Ou, em última instância,

se o inimigo se desespera e rompe

com seus princípios, posam como vítimas

de crueldade. Isto é, invertem o sentido

dos direitos constitucionais do inimigo

para usá-los a seu favor, deixando o inimigo

indefeso: as armas da legalidade

jamais funcionarão e, se forem rompidas,

serão acusados Em qualquer caso saem

ganhando!

Existem dois fatores fundamentais

para que a estratégia assimétrica funcione.

O primeiro é fazer com que o inimigo,

ou parte dele, introjete a culpa conscientemente

e, a cada novo ataque, pergunte

a si mesmo: onde errei para ser

atacado assim? E intensifique as propostas

de paz através de concessões e pagamentos.

Pura chantagem! O segundo

fator é a universalização da culpa, isto é,

convencer ao resto do mundo a adotar o

ponto de vista do atacante e buscar mecanismos

internacionais corrompidos

para avalizar e legitimar o agressor - que,

tendo sua condição de vítima assim reconhecida,

justifica e intensifica os ataques

- e condenar o agredido que fica

cada vez mais acuado pela tripla oposição:

do inimigo, da comunidade internacional

e de sua própria quinta coluna.

É claro que estou falando do que vem

ocorrendo no Estado de Israel. Parte do

povo Judeu aceitou esta condição da 'culpa

de Israel' e da justiça das reivindicações

palestinas, alimentando a assimetria

com que a guerra vem sendo travada

* Heitor de Paola é psiquiatra, psicanalista e analista político.

11

e que, assim, se intensifica cada vez mais.

É o caso, entre outros, do movimento Paz

Agora e a esquerda judaica que se vêem

servindo a dois senhores: à sua condição

de Judeus e à sua ideologia em defesa

do 'povo palestino oprimido'. E o inimigo

sabe explorar com maestria sua falsa

condição de oprimidos e defensores de

'seu' território frente à 'agressão' israelense,

a qual, sempre que é efetiva, é

considerada escandalosamente 'desproporcional'.

Até as autoridades israelenses

se vêem obrigadas pela pressão externa

somada à interna, a interminavelmente

assinar acordo após acordo, fazer

concessão após concessão, sabendo de

antemão - como todo mundo sabe, aliás

- que não há nenhuma intenção de cumpri-los

por parte dos 'palestinos' enquanto

Israel fica obrigado, pelas suas próprias

leis e tradições, a respeitá-los. Finalmente,

não é à toa que foram os Judeus

a receber as Tábuas da Lei, base de toda

a estrutura jurídica ocidental.

Para alimentar a divisão interna em

Israel, o inimigo age em bloco, mas finge

estar também dividido entre 'radicais' e

'moderados'. Os primeiros estendem a

mão sabendo que a quinta coluna está

ávida para conversar e acabar com a guerra

pela rendição. Chega a ponto de terroristas

contumazes fingirem aceitar a existência

de Israel - quando, em seus discursos

em árabe nas mesquitas dizem 'entidade

sionista' - pois assim conseguem

apoio da 'comunidade internacional' e

condenação da corrupta ONU, onde imperam

ditaduras esquerdistas e totalitarismos

teológicos islâmicos.

Parece-me que as autoridades israelenses

entendem esta situação com clareza,

mas ficam de mãos amarradas pela

oposição interna, a pior de todas.

Uma círculo eterno

Acendimento das velas: dia 21/10 às 19h01

Em Simchat Torá concluímos a leitura da Torá com o final de

Devarim e imediatamente iniciamos outro ciclo com a primeira porção

de Bereshit. Isto simboliza que a Torá, como um círculo, não tem

fim; seu início e seu final estão sempre interligados.

Ao ler a última e a primeira porções da Torá de forma contígua,

conectamos as maravilhas prodigiosas realizadas por Moshê à Criação

do Universo. Em outras palavras, todos os maravilhosos acontecimentos

no Egito e no deserto foram para imprimir sobre os israelitas

que há um Criador que governa o Universo e o conduz da forma

que deseja.

Sem um objetivo supremo, a vida se torna fútil, e dificilmente

poderia haver um objetivo elevado num Universo que apareceu devido

ao desencadear acidental de forças mecânicas e impessoais.

Além disso, não pode haver alegria numa vida vazia, e de fato, as

pessoas que sentem que a vida é fútil são propensas a buscar uma

válvula de escape em vez de vivê-la em toda sua plenitude.

A alegria da Festa de Sucot atinge seu zênite em Simchat Torá, e

nossa celebração deste dia feliz baseia-se na conscientização de que a

vida tem propósito e significado. Os ensinamentos e milagres de Moshê,

que instilaram em nós a crença de que D-us criou Céu e Terra, são

deste modo a chave não apenas para o júbilo do dia como também da

alegria que perdurará por todo o ano. (www.chabad.org.br).


12

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Papa Pio XII ajudou os judeus,

Papa Bento XVI defendeu enfaticamente

no dia 18/9 o seu

antecessor Pio XII da acusação

de não ter se empenhado

para ajudar os judeus durante

a Segunda Guerra Mundial, afirmando

que ele "não poupou esforços"

nesse sentido.

O Papa fez um pronunciamento num

simpósio em Roma sobre o pontificado

de Pio XII (1939-58), promovido pela

Fundação Pave the Way, dos EUA, que

reúne judeus e católicos. Habitualmente,

a Igreja argumenta que Pio XII agiu

em prol dos judeus apenas nos bastidores,

porque fazê-lo publicamente

poderia expô-los a um maior risco.

Para o evento, foi preparada uma

compilação com 200 páginas de documentos,

recortes de jornais do período

e telegramas diplomáticos mostrando

que Pio XII se empenhou bastante

em proteger os judeus e recebeu

a gratidão de seus líderes - contrariando

uma tese muito difundida por

alguns grupos judaicos, segundo os

quais houve omissão do Vaticano durante

o genocídio na Europa.

afirma Bento XVI Pave the Way, disse ao papa que a in-

"Graças à vasta quantidade de

material documentado que vocês reuniram,

apoiados por muitos testemunhos

avalizados, o seu simpósio oferece

ao fórum público a possibilidade

de saber mais plenamente o que Pio

XII conseguiu para os judeus perseguidos

pelos regimes nazi-fascistas", disse

Bento XVI.

"Depreende-se, então, que sempre

que possível ele não poupou esforços

em intervir em seu favor, seja diretamente

ou por meio de instruções dadas

a outros indivíduos ou a instituições

da Igreja Católica", acrescentou

o pontífice aos participantes, que foram

ouvi-lo em sua residência de verão

ao sul de Roma.

Bento XVI elogiou o simpósio ainda

por destacar "as muitas intervenções

feitas secreta e discretamente,

precisamente porque, devido à situação

concreta daquele difícil momento

histórico, só dessa forma era possível

evitar o pior e salvar o maior número

de judeus".

Gary Krupp, um judeu norte-americano

que fundou e preside a Fundação

vestigação do grupo "contradiz diretamente

a percepção negativa das atividades

do papa em tempo de guerra".

O papa lembrou que em novembro

de 1945, cerca de seis meses após o

fim da guerra, 80 representantes de

sobreviventes de campos de concentração

foram a Roma agradecer Pio XII

por seu empenho.

"Quando o temeroso martírio se

abateu sobre nosso povo na década

do terror nazista, a voz do papa se ergueu

pelas vítimas", diz a ex-primeira-ministra

de Israel Golda Meir em

um dos recortes reproduzidos no volume,

entre diversos líderes judeus que

fazem elogios ao papa durante e depois

da guerra.

O papa disse que, transcorridas

quase cinco décadas da morte de Pio

XII, "nem todas as facetas genuínas da

sua atividade pastoral diversa foram

examinadas sob uma luz justa". Os 50

anos da morte de Pio XII, em 9 de outubro,

serão lembrados pelo Vaticano

com uma conferência e uma exposição

de fotos.

No Vaticano, rabino diz que Pio XII traiu os judeus

O papa Bento XVI cumpriemnta o rabino-chefe de

Haifa, Shear-Yashuv Cohen

No primeiro pronunciamento de um judeu

em um sínodo no Vaticano, um rabino disse

no dia 6/10, que os judeus "não podem perdoar

e esquecer" a omissão de alguns líderes

religiosos a respeito do Holocausto.

O discurso do rabino Shear-Yashuv Cohen,

diante do papa Bento XVI, foi uma clara referência

a Pio XII, pontífice na época do conflito,

que segundo muitos judeus não se empenhou

em evitar o genocídio nazista.

Cohen, rabino-chefe de Haifa (Israel), disse

à Agência Reuters horas antes que faria críticas

indiretas a Pio XII durante seu discurso

para mais de 200 prelados de todo o mundo.

"Não podemos esquecer o fato triste e

doloroso de que muitos, inclusive grandes

líderes religiosos, não levantaram suas vo-

zes no esforço para salvar nossos irmãos,

preferindo em vez disso manter o silêncio

e ajudar secretamente. Não podemos perdoar

e esquecer isso, e esperamos que vocês

entendam", disse ele, de improviso, já

ao final do discurso.

Em setembro, Bento XVI declarou que Pio

XII "não poupou esforços" para salvar os judeus,

atuando nos bastidores. Simpatizantes

do falecido papa argumentam que declarações

mais incisivas naquela época poderiam

piorar a situação dos judeus na Europa.

Cohen também pediu ao sínodo que recrimine

formalmente o presidente do Irã, Mahmoud

Ahmadinejad, por ter feito mais um virulento

discurso contra Israel no mês passado

na ONU.

"Estou aqui para lhes pedir, líderes das

religiões, que ergam sua voz e com a ajuda

do mundo livre protejam, defendam e salvem

Israel das mãos dos nossos inimigos",

afirmou, citando o recente discurso na ONU

de "um certo presidente de um Estado do

Oriente Médio".

"Esta infâmia anti-semita nos levou de volta

às dolorosas lembranças da tragédia do

nosso povo, as vítimas do Holocausto, o qual

esperamos e rezamos para que nunca mais

ser repita".

Na entrevista à Agência de Notícias Reuters,

Cohen, de 80 anos, disse que Pio XII (papa

entre 1939 e 58) poderia ter se empenhado

mais contra o Holocausto. Ele acrescentou que

teria evitado o evento se soubesse que o sínodo

coincidia com cerimônias em homenagem

os 50 anos da morte do pontífice.

"Ele pode ter ajudado em segredo mui-

tas das vítimas e muitos dos refugiados,

mas a questão é se ele poderia ter erguido

sua voz e se isso teria ajudado ou não. Nós,

como vítimas, sentimos que sim. Não tenho

procuração das famílias dos milhões

de falecidos para dizer 'esquecemos, perdoamos'",

afirmou Cohen.

No dia 9/10, Bento XVI rezou missa pelos

50 anos da morte de Pio XII, e em novembro

haverá uma conferência e uma exposição

de fotos sobre seu pontificado, que

é um dos temas mais espinhosos nas relações

entre católicos e judeus.

"Preciso deixar muito claro que nós, rabinos,

a liderança do povo judeu, não podemos

concordar, enquanto os sobreviventes

acharem que é doloroso, que este líder da

Igreja num momento de crise deva ser homenageado

agora. Não é a nossa decisão.

Isso nos dói. Lamentamos que isso esteja

sendo feito", declarou o rabino.

Pressionado por historiadores a abrir seus

arquivos da Segunda Guerra Mundial, o Vaticano

diz que alguns itens estão resguardados

por razões organizacionais, mas que a maior

parte dos documentos relevantes daquela época

já estão à disposição dos pesquisadores.

Em 2007, a Congregação da Causa dos

Santos mostrou-se favorável a um decreto reconhecendo

as "virtudes heróicas" de Pio XII,

o que abre caminho para sua possível canonização,

num processo iniciado em 1967. Bento

XVI ainda não aprovou esse decreto.

Alguns grupos judaicos defendem a paralisação

do processo de canonização, enquanto

outros argumentam que se trata de um assunto

interno da Igreja.


VJ INDICA

Os Falsários

Título original: Die Fälscher

FILME

Ficha técnica

Direção: Stefan Ruzowitzky

Roteiro: Stefan Ruzowitzky (autor), Adolf

Burger (livro)

Gênero: Drama/Guerra

Origem: Alemanha/Áustria

Ano: 2007

Duração: 98 minutos

País: Áustria, Alemanha

Língua: Alemão

Produtoras: Babelsberg Film GmbH, Beta

Cinema, Josef Aichholzer Filmproduktion,

Magnolia Filmproduktion, Studio Babelsberg

Motion Pictures GmbH, Zweites

Deutsches Fernsehen

Elenco: Karl Markovics (Salomon Sorowitsch),

August Diehl (Adolf Burger), Devid

Striesow (Sturmbannführer Friedrich Herzog),

Martin Brambach (Hauptscharführer

Holst), August Zirner (Dr. Klinger), Veit

Stübner (Atze), e Lenn Kudrjawizki

(Loszek).

SINOPSE

Conta a história do judeu Salomon "Sally"

Sorowitsch (Karl Markovics), o rei da falsificação,

e da Operação Bernhard, feita na

Alemanha, em 1936. Esta operação condiz

em falsificar diversas notas do dinheiro

alemão para financiar a guerra e dar

uma falsa impressão de crescimento da

economia local. O DVD disponível ainda é

o importado, mas ate o final deste ano o

filme será lançado no mercado brasileiro.

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

B'nai B'rith PR entrega prêmios

do concurso sobre Holocausto

lunos da rede municipal de Ensino

de Curitiba enviaram 4 mil textos

em forma de cartas, participando

assim do I Concurso de Redações

sobre o tema: "Holocausto, Etnicidade,

Racismo e Discriminação".

Com a presença secretária municipal

da Educação de Curitiba Eleonora Bonato

Fruet, foi feita em setembro a premiação

dos alunos vencedores do certame.

Representando a B'nai B'rith do Paraná

esteve presente o diretor executivo da

Loja Chaim Weizman, Isaac Cubric.

Na solenidade, Abraham Goldstein,

co-presidente da B'nai B'rith do Brasil

destacou o lançamento do Concurso em

6 de junho, durante a I Jornada de Curitiba

e a V Jornada Interdisciplinar para o

Ensino do Holocausto para a Cidadania e

Democracia, com a participação de mais

de 200 educadores, cujo conteúdo foi

apresentado pela profa. Maria Luiza Tucci

Carneiro, coordenadora do LEER/USP

e sua equipe. Sobre os trabalhos premiados,

afirmou: "vocês educadores, souberam,

com capacidade e sensibilidade,

transmitir aos seus alunos a verdade histórica

da existência do Holocausto". E

observou que os alunos, de 10 a 13 anos,

foram capazes de assimilar, comentar e

observar que o mundo precisa mudar.

"Alguns alunos" - disse ele - "associaram

o Holocausto com a violência urbana,

à corrupção e às drogas. Todos

eles são impiedosos quando deixamos

que se estabeleçam". E acrescentou:

"Somos todos uma raça só. Somos todos

membros da raça humana. E isto, meus

educadores, nossos alunos, todos têm

muitos motivos para entender, tomar

consciência e praticar".

Os premiados foram: 3º lugar Nível

II - Tiago Leal da Silva, orientado pela

professora Adriana Mendes, da Escola

Municipal Rejane Maria Silveira Sachette;

2º lugar - Felipe Lira de Oliveira, da

Escola Municipal Eny Caldeira, professora

Marili do Rocio Sopa Pires; 1º lugar

- Leonardo José Duda, da Escola Muni-

cipal Campo Mourão, profª Julia Zadra

Mainardes.

1º lugar - Nível III - André Luiz de

Lara, da Escola Municipal Professor

Herley Mehl, sob orientação da profª

Ângela Cristina Moreschi. 3º lugar Nível

IV - Stephani Falkevicz Miranda e

Ricardo Gonçalves da Cunha da Escola

Municipal Erasmo Pilloto; profª Tellma

Suckow Leal Dea; 2º lugar - Ana Paula

da Silva, da Escola Municipal Maria Clara

Brandão Tesserolli; profª Ana Regina

Ventura, e 1º lugar - Katiane Dalla Vecchia,

da Escola Municipal Papa João

XXIII, aluna da profª Cristiane dos Reis.

Ao final, Goldstein agradeceu à Secretaria

Municipal da Educação que com entusiasmo

e dedicação orientou a sua equipe

a coordenar todo este concurso junto

às escolas; aos educadores que viram o

valor desta iniciativa e nela se engajaram

com determinação e afinco, e aos maravilhosos

alunos que souberam entender

a mensagem, apoiar-se nela para compreender

melhor o valor da democracia, dos

valores e direitos humanos e o repudio

à intolerância e supremacia humana,

seja qual for o motivo.

"Sabemos que educar é um processo.

Por isso, todos nós da B'nai

B'rith, estamos plenamente dispostos

a continuar estes concursos, estas jornadas,

para, com o vosso apoio - educadores

e membros do poder público

- construirmos uma sociedade mais esclarecida,

mais justa, mais humana,

mais tolerante, e capaz de reconhecer

o valor da diversidade e da convivência

pacifica com e entre todos".

Durante o ano de 2008, a B'nai

B'rith está promovendo três concursos

e já realizou três Jornadas, uma

em Curitiba, uma no Rio de Janeiro,

em 14 de junho, que contou com a presença

de 150 educadores e uma em

São Paulo, no dia 16 de agosto, com a

presença de 480 educadores, num anfiteatro

com capacidade para 470. Em

novembro será a premiação dos Concursos

de São Paulo e Rio.

13

Os organizadores do concurso, diretores da B'nai B'rith, com a secretária municipal de Educação, Eleonora

Fruet, o sobrevivente do Holocausto Moisés Jacobson, e os alunos premiados no certame


14

* Dori Lustron é

formada Letras, é

escritora e jornalista.

Especializada em

Política Externa de

Israel, em Judeufobia e

Esclarecimento.

Publicou centenas de

artigos sobre o conflito

árabe-Israelense e

colabora com várias

publicações na

América Latina, é

conferencista e dirige

o website

www.porisrael.org

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Taal El Zatar e Borj El Barjneh

Sabra e Chatila de Nabih Berri e das milícias islâmicas xiitas

O que não se diz e não se sabe dos fundamentalistas muçulmanos no Líbano

Dori Lustron *

imprensa ruim, ou aquela

que deliberadamente não

quer dizer, ou quer esconder,

faz com que as pessoas,

em geral, não tenham acesso

a este tipo de informação. Por que

nunca se fala do que aconteceu nos

acampamentos palestinos com as

matanças muçulmanas?

O curioso é que no Ocidente a

progressista anticristã e anti-judaica,

Maruja Torres ou Alberto Cortez

nunca falaram nem fizeram nenhuma

canção para esses palestinos

mortos. Parece que os mortos de

Sabra e Chatila nas mãos de renegados

cristãos que não eram organicamente

dos setores cristãos democráticos

(tinham desertado a

mando de Elie Hobeika), foram mais

importantes que os milhares de Borj

El Barajneh. Essa é a outra face da

verdade, a que a hipocrisia das "esquerdas

bobas" judeófobas e anticristãs

não conta nem sobre o que

jamais se escreveu.

Milhares de palestinos mortos

em seus próprios acampamentos

nas mãos das milícias xiitas. É pouco

isso? Por que o escondem? Por

que não se fala disso?

Porque isso seria mostrar uma

verdade que eles não desejam que

o mundo conheça. Mas… isso sim,

culpar Sharon e os cristãos, cansados

dos massacres que sofriam nas

mãos dos muçulmanos em sua pró-

pria terra é licito e aceitável.

Israel é acusado pelos mesmos

palestinos e não foi a mão executora

nem instigadora de Sabra e Chatila.

Eles mesmos foram seus próprios

instigadores. Eles com suas

ações contra os cristãos fizeram

com que estes se rebelassem e

atuassem em conseqüência. Sabra

e Chatila era um antro de terroristas

e é uma mancha negra na história

da região. Mas… Ninguém fala,

nem sequer menciona, o que eles

mesmos fizeram contra sua própria

gente, empilhada em acampamentos

miseráveis e mantida ali para

usá-los como arma política. Nenhum

de seus irmãos árabes os quis

absorver. Nenhum dos 22 países

árabes quer integrá-los. Ali os mantém

para dizer ao mundo: Vejam!

Israel não aceita os refugiados!

Israel não pode aceitar os refugiados

pelo problema demográfico.

Eles se foram. Ninguém os expulsou.

Os líderes fizeram com que

acreditassem que os sionistas os

matariam e os confinaram em seus

acampamentos. Os árabes que ficaram

em Israel são os atuais árabes

israelenses que vivem no norte,

melhor que em qualquer país árabe

da região e com todos os direitos

que lhes outorga a lei israelense

como cidadãos. Nem sequer querem

ser palestinos.

Se os palestinos e os islâmicos

não falam deste tema por não ser

útil aos seus objetivos, eu o farei,

para que se conheça, de uma vez por

todas, a verdade do ocorrido.

Assim como Hussein da Jordânia

em seu Setembro Negro de 1970 matou

30.000 palestinos, um pouco menos

mataram os xiitas no Líbano e de

uma maneira terrivelmente cruel.

No ano de 1987, as milícias xiitas

de Nabih Berri (Amal) cercaram

durante o que se chamou "a guerra

dos campos", o acampamento de

refugiados palestinos de Borj El Barajneh

no Líbano, sitiando-o por seis

meses, não permitindo que os palestinos

recebessem alimentos nem

medicamentos. Todas as noites entravam

os comandos da Amal e degolavam

de 100 a 200 pessoas e iam

embora. A situação chegou a tal

ponto que por falta de remédios e

comida que um xeque sunita palestino,

que vivia no campo, emitiu

uma fatwa que permitia comer carne

humana!. Em outras palavras

comiam os seus mortos!.

Morreram durante esse sítio de

seis meses cerca de 12 mil palestinos,

Morriam de fome, por falta de

medicamentos e assassinados de

forma violenta: adultos, mulheres,

crianças e idosos.

É claro que o exército sírio estava

nas proximidades do campo

"mas ao que parece estava de costas

e olhando para o outro lado enquanto

os xiitas de Berri faziam o

massacre". A realidade era que a

ordem para Berri foi dada pela Síria,

pois dentro do campo de refu-

giados havia autoridades religiosas

palestinas que não concordavam

com a influência síria que estimulava

as milícias do Fatah que então

operavam no Líbano.

Os muçulmanos, tanto xiitas

como sunitas têm mantido um cúmplice

silêncio a respeito, ao longo de

todos estes anos. Algo muito parecido

aconteceu no final da década

de 70 em outro campo palestino de

refugiados no Líbano, o campo de

Taal El Zaatar, no norte do Líbano,

onde também os xiitas do Amal

mataram cerca de 8.000 palestinos.

Naquele momento não existia o

Hezbolá, pois isto foi em 1977 e o

Hezbolá nasce como uma cisão do

movimento Amal em 1982.

A história deles parece não registrar

estes fatos. Não os convêm.

Mas já é hora que se saibam as verdades

que pretendem ocultar do

mundo fazendo-se passar por vítimas.

São vítimas de seu próprio

povo. Não de Israel nem do Líbano,

que os recebeu com um profundo

sentimento humanitário e eles provocaram-lhe

o desmembramento

do país a instâncias da Síria, que

pensa que o Líbano lhe pertence.

O mundo só vê o que deseja ver,

e sempre é a mesma face da moeda.

Esta é uma guerra da barbárie

fanática e fundamentalista contra

todo o Ocidente. Difundir a verdade

é uma obrigação ante esse avanço

irracional e imperialista. Julguem

vocês mesmos.

"Teorias" inventadas a partir de 11/9 para defender o terrorismo

Quase três mil pessoas morreram

nos ataques terroristas em 2001 nos

Estados Unidos. A versão oficial é de

que quatro aviões foram seqüestrados

por radicais islâmicos, que atacaram as

torres gêmeas do World Trade Center,

em Nova York, e o Pentágono, em Washington.

Uma quarta aeronave caiu e

espatifou-se no chão na Pensilvânia.

Mas não demorou muito e dezenas de

versões "alternativas" eram discutidas

por todo o mundo.

As versões ganharam tanta força

que o próprio Departamento de Estado

dos EUA criou uma seção em seu

site inteiramente dedicada a refutar

estes "boatos", veja abaixo a lista das

principais teorias da conspiração.

Conspiração 1 - As torres gêmeas

não ruíram, mas foram demolidas de

forma controlada.

Versão oficial - Segundo o Departamento

de Estado dos EUA, citando especialistas

em demolições controladas,

quando o prédio é derrubado de forma

proposital, o processo acontece de

baixo para cima, e não como ocorreu

em Nova York. Os oficiais dos EUA dizem

que não foram registradas explosões

no solo de Nova York no dia e que

não havia nenhum sinal de explosivos

na base dos prédios.

Conspiração 2 - Nenhum avião foi

jogado contra o Pentágono, que foi

atingido por um míssil lançado pelo

próprio aparato do Estado americano.

Versão oficial - Os corpos dos passageiros

do vôo 77 da American Airlines

foram encontrados no Pentágono

e reconhecidos por DNA. A caixa-preta

do avião foi encontrada dentro do Pentágono.

Testemunhas viram o avião

cair. Fotografias tiradas no local mostram

destroços do avião.

Conspiração 3 - Os aviões que bateram

nas torres gêmeas foram pilotados

por controle remoto.

Versão oficial - A Boeing, fabricante

dos aviões, diz que eles não aceitam

controle externo. Passageiros dos vôos

fizeram ligações de celular relatando o

seqüestro das aeronaves.

Conspiração 4 - O vôo United 93,

que caiu na Pensilvânia, foi derrubado

por um míssil.

Versão oficial - O gravador de voz do

avião registrou a revolta dos passageiros,

que fez com que os próprios seqüestradores

derrubassem a aeronave. Os

terroristas controlaram o avião até o

momento da queda. O Exército dos EUA

não sabia do seqüestro do vôo até quatro

minutos após ele ser derrubado.

Conspiração 5 -Quatro mil judeus

faltaram ao trabalho no World Trade

Center no dia 11 de setembro.

Versão oficial - Não houve aumento

no número de faltas ao trabalho no

dia do atentado. Cerca de 10% a 15%

dos mortos eram judeus.

Conspiração 6 - A al-Qaeda não é

responsável pelos ataques de 11 de Setembro.

Versão oficial - Osama bin Laden e

outros líderes da al-Qaeda confirmaram

repetidas vezes terem planejado e realizado

os ataques. Uma fita de novembro

de 2001 registrou detalhes do planejamento

de Bin Laden. "Calculamos antecipadamente

o número de vítimas".


Fim Fim de de festa

festa

Jane Bichmacher de Glasman *

A festa de Sucot dura 7 dias (fora de

Israel, 8), dos quais os 2 primeiros são

festas solenes (em brasileirês = feriados).

O sétimo dia de Sucot, Hoshana

Rabá, inclui no serviço 7 voltas ao redor

da Tevá (altar), como se fazia na época

do Templo em Jerusalém, aludindo às 7

voltas do povo de Israel ao redor das

muralhas de Jericó e às 7 bênçãos e voltas

ao redor do noivo, no casamento judaico.

O número 7 tem profundo significado

místico ou simbólico, para o mais

sério estudioso ao mais convicto cabatão

(cabalista+charlatão). Este dia é considerado

um dos mais sagrados do ano:

para os cabalistas (a sério), nele o selo

final é colocado no "Livro da Vida", determinando

o destino para o próximo

ano. Muitas comunidades fazem um Tikun,

noite de estudos, em sua honra[1].

Encerramos a temporada de celebrações

de Tishrei com Shemini Atsêret

e Simchat Torá. Em Israel, as duas são

celebradas juntas, num só dia; na diáspora,

em dois.[2]

Na Torá, Shemini Atsêret é chamada

de a festa do oitavo dia (Números 29,35

e Levítico 23,36); no Talmud (Sucá 48 a),

é uma festividade a parte, desconectada

dos dias anteriores de Sucot. Rashi[3]

explica que Atseret é uma expressão de

afeição, como seria a usada por um pai

ao se despedir de seu filho: fique mais

um dia! Depois de rezarmos pela vida e

felicidade do mundo, a Torá nos dá mais

um dia de festa para podermos fazer

nossos próprios pedidos.

Em algumas congregações é costume

fazer Hacafot (danças com a Torá) na noite

de Shemini Atsêret, assim como na

noite de Simchat Torá. Ainda são feitas

refeições na sucá, embora sem a bênção

Leshev Basucá. Shemini Atsêret corresponde

ao oitavo dia da congregação. Na

cabala o número oito está ligado à transcendência,

à experiência do devekut.

"Dança "Dança da da chuva"

chuva"

Em Sucot somos julgados no que diz

respeito à água (Talmud Rosh Hashana

16a) De fato, toda celebração que acontecia

em Jerusalém em Sucot estava

conectada à água, incluindo as orações

para a chuva e a cerimônia de Simchat

Beit HaShoevá.

Em muitas partes do mundo, especialmente

em Israel, celebra-se nas noites

dos dias intermediários de Sucot,

Simchat Beit HaShoevá, a "Festa da

Água", que é uma festa popular de grande

alegria. Remonta aos tempos do Segundo

Templo, quando havia festas de

muita alegria, com a participação de

grandes massas do povo, que enchia

Jerusalém, nesta Festa de Peregrinação,

mais ainda que nas outras. Este nome

(shoevá quer dizer tirar água da fonte)

deve-se à cerimônia em que se tirava

muita água, a qual era jogada no altar.

Centenas de candelabros que ardiam no

VISÃO JUDAICA

Alegria e água...

outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Monte do Templo iluminavam a cidade

de Jerusalém. Os músicos e coros dos

Levitas, postados nos quinze degraus do

Santuário, reforçados por milhares de

vozes do povo, tocavam e cantavam os

louvores de D-us. Perante eles dançavam,

com grande júbilo, os sábios e líderes

do povo. O Talmud declara que

quem não viu a alegria desta festa, nunca

viu uma verdadeira alegria em sua

vida (Mishná Sucá 5:1).

Em Shemini Atseret começa-se, a

partir da prece Mussaf (Adicional), a rezar

por chuva, sendo o início da estação

da chuva em Israel, quando se começa a

inserir a frase "mashiv haruach umorid

hageshem" (faz o vento soprar e traz a

chuva) nas preces diárias (continuando durante

o inverno, até o 1º dia de Pêssach) na

oração de Shemoné Esré (Amidá).

Depois de Rosh Hashaná e Iom Kipur,

quando rezamos por nossa existência,

em Sucot e Shemini Atseret nos preocupamos

com a qualidade de vida. Rezamos,

então, para o físico; para que chova.

A palavra hebraica para chuva é gueshem,

que significa "físico". Para quem

lida com agricultura, chuva significa vida.

Ela nutre e sustenta o crescimento dos

alimentos. Em Israel, ao contrário do Brasil,

é previsível: durante o inverno deve

chover; no resto do ano, não. Sucot acontece

às vésperas do inverno chegar a Israel,

logo antes de começar a estação

chuvosa. Por isto ela era considerada o

evento de maior importância no calendário

judaico.

Em sua forma primitiva, Sucot era um

feriado em que os judeus pediam por chuva,

o que era feito com muita alegria e

pompa. Na época do Templo, judeus vi-

nham de todas as partes do mundo para

trazer suas oferendas e festejar com música,

danças, menorot gigantes, tochas e

sacrifícios especiais. Os rituais visavam a

garantir a chegada das chuvas de inverno.

Hoje em dia, este aspecto foi reduzido.

Mas para nós que vivemos em áreas

urbanas, onde as paredes nos protegem

das mudanças climáticas, o significado

agrícola de Sucot nos desperta para

valores esquecidos no cotidiano. Ele

provoca nossa reconexão com o ecossistema

e nossa conscientização de vivemos

no planeta Terra. Os ritmos da natureza

e seu equilíbrio afetam nossas

vidas. Esse é o primeiro dos ensinamentos

importantes de Sucot.

Alegria, Alegria, alegria: alegria: o o preceito preceito mais

mais

difícil difícil do do Judaísmo...

Judaísmo...

Shemini Atseret é uma festa a parte,

sem nenhum preceito prático característico,

cujo tópico central é a alegria,

distinguindo-se de Sucot, quando ela é

apenas um dos elementos. Três vezes,

ao se referir a Sucot, a Torá manda que

fiquemos alegres durante a festa. Isto

explica porque chamamos de Z'man

Simhateinu = tempo da nossa alegria.

Enquanto em Sucot há muitas mitzvot,

a única mitzvá de Shemini Atsêret

é a de regozijar-se, alegrar-se, ficar feliz!

Este é, a meu ver, o preceito mais

difícil do judaísmo. A maioria das pessoas

e correntes religiosas discute desde o

motivo de certas mitzvot até como praticar

(ou não), quem pode ou deve, como

adaptar aos dias de hoje, etc. Mas aqui

não se está discutindo filosofia, teologia

ou prática religiosa: temos

um sentimento,

uma emoção a encarar e

que envolve atitude interna!

Como cumprir

esta mitzvá?

Unidade Unidade na na

na

biodiversidade

biodiversidade

Quando a Torá diz:

"Alegre-se você, seu filho,

sua filha, seus em-

pregados, o levita, o estrangeiro, o órfão

e a viúva que estiverem dentro de

seus portões", enfatiza o conceito de

unidade: pedindo que todo mundo se

alegre junto, ensina que a verdadeira alegria

só é alcançada quando estamos unidos

e nela incluímos os que são menos

afortunados, como empregados, estrangeiro,

órfão e viúva. Por outro lado, aprende-se

que a unidade se forma a partir da

diversidade... Afinal, a piada do judeu

náufrago que constrói duas sinagogas:

uma é a que ele freqüenta; na outra, ele

nem entra, já devia estar no papiro dentro

da mão de alguma múmia...

Ainda que festejemos Sucot e Shemini

Atsêret juntas, existem diferenças.

Enquanto em Sucot a celebração tem

lugar fora de casa, na Sucá, Shemini Atsêret

é festejada em casa, e, assim como

em Sucot o aspecto universal da festividade

está na oferenda de 70 cordeiros

simbolizando as nações do mundo. Shemini

Atsêret concerne a Israel (oferenda

de um só cordeiro). A oferenda de 1 X

70, também nos faz voltar ao tema da

unidade na diversidade...

União e igualdade de direitos são

temas-chave de Shemini Atsêret e Simchat

Torá, datas nas quais nos alegramos

com a Torá. A melhor maneira de

celebrar seria dedicar os dois dias à leitura

da Torá. Mas ocorre justamente o

contrário: todos pegam a Torá fechada

e dançam com ela nos braços. O ato encerra

uma grande lição: se os festejos

fossem realizados com a Torá aberta,

com sua leitura, haveria distinções entre

um judeu e outro, pois a compreensão

e o conhecimento de cada um são

diferentes. Com a

Torá fechada, mostramos

a união e a

igualdade de todos

os judeus, unidos

pela mesma alegria.

O texto não é lido,

mas todos sabem

que é algo precioso

e, por isso, dançam

juntos e em total

alegria.

Ahmadinejad contradiz espírito da ONU, diz Livni

A ministra de Relações Exteriores de Israel,

Tzipi Livni, qualificou de "absurdo" o discurso

pronunciado na ONU pelo presidente iraniano,

Mahmoud Ahmadinejad, que disse que

os "sionistas" dominam centros financeiros nos

Estados Unidos e na União Européia (UE).

"O discurso de Ahmadinejad faz com que o

lema do 'nunca mais' estabelecido no surgimento

da ONU se transforme em absurdo",

disse Livni, recentemente escolhida como líder

do partido governante Kadima. A ministra

se referia ao espírito das Nações Unidas de

impedir que aconteça um novo Holocausto.

"É absurdo que um país que ameaça a segurança

de seus vizinhos e defende a destrui-

ção de outro Estado se transforme em membro

da organização que pretende contribuir

para a segurança global", afirmou.

Em seu discurso na ONU, o presidente iraniano

disse que "um pequeno grupo de sionistas

(...) domina uma grande parte dos centros

financeiros e monetários, assim como dos

centros que tomam as decisões políticas nos

EUA e em alguns países europeus".

Ahmadinejad também afirmou que o Irã

"resistirá à intimidação e continuará a defender

seus direitos" de desenvolver um programa

nuclear com fins pacíficos.

"Apesar do direito inalienável de todos

os países, inclusive da nação iraniana, de pro-

15

* Jane Bichmacher de

Glasman é Doutora em

Língua Hebraica,

Literaturas e Cultura

Judaica, professora

adjunta, fundadora e

ex- ex-Diretora do

Programa de Estudos

Judaicos e do Setor de

Hebraico da UERJ,

escritora

duzir combustível nuclear com fins pacíficos,

e apesar da transparência das atividades iranianas

e de nossa cooperação com os inspetores

da AIEA (Agência Internacional da Energia

Atômica), algumas potências intimidadoras

estão tentando colocar obstáculos, exercendo

pressões políticas e econômicas contra

o Irã", afirmou o chefe de Estado iraniano.

Em 19/9 as seis potências envolvidas nas

negociações sobre o programa nuclear iraniano

começaram a discutir, em Washington,

novas sanções da ONU contra o Irã, que continua

se recusando a abrir mão de suas atividades

de enriquecimento de urânio.


16

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

OLHAR

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ HIGH-TECH

VoIP também no celular

A Cellcom, maior operadora de serviços

celulares de Israel, lançou o "Plug

& Talk (TM)", que permite a comunicação

tipo VoIP através de um laptop

com todos os benefícios de um dispositivo

celular e serviços de rede móvel,

com tarifas atrativas. Os usuários

que estiverem viajando ao exterior poderão

se beneficiar de uma única

identidade da Cellcom Israel no aparelho

celular e no laptop com toque

simultâneo, acesso aos contatos do

cartão SIM e correio de voz, além de

um plano de tarifas com custo-benefício

a partir de qualquer localidade

do mundo. Pré-carregado em um dispositivo

USB, o serviço inclui voz, vídeo,

toque simultâneo, transmissão

de mensagem, handover (transição

de uma unidade móvel para outra) e

outros serviços de valor agregado.

(Israel 21c).

Irrigação no nordeste

A Netafim Brasil, empresa de tecnologia

israelense de irrigação, com fábrica

no Brasil, venceu uma licitação

junto ao DNOCS (Departamento Nacional

de Obras Contras as Secas)

para fornecer equipamentos para irrigação

de frutas no Estado do Ceará.

O investimento, avaliado em R$

21 milhões, será destinado aos projetos

de Irrigação Baixo Acaraú (localizado

nos municípios de Marco,

Bela Cruz e Acaraú) e Tabuleiro de

Russas (localizado nos municípios de

Limoeiro do Norte, Russas e Morada

Nova). (Jornal Alef).

Irrigação no nordeste 2

Serão irrigados através do sistema de

gotejamento da Nefatim Brasil mais

de 1.000 hectares nos estados nordestinos.

"A iniciativa vai promover o uso

racional da água e a alta produtividade,

além de proporcionar mais oportunidades

de negócios e geração de

emprego e renda. É o Brasil utilizando

a mais alta tecnologia para transformar

o semi-árido nordestino em um

dos maiores pólos exportadores de

frutas do mundo", destaca Marcelo

Artel, gerente de vendas da Netafim

Brasil. (Jornal Alef).

Tratamento para doenças renais

A empresa israelense Nephera criou

uma nova abordagem para o tratamento

de doentes renais crônicos. Uma

pequena bomba implantada no rim

pode aumentar o fluxo em 30 a 60%.

Isso pode se tornar uma medida eficiente

de tratamento antes da neces-

sidade de hemodiálise ou transplante.

(Pletz.com).

Israelenses lançam concorrente do

iPhone

A Emblaze

Mobile, um

estúdio de

design e fabricante

de

celulares de

Israel, vai

lançar no

próximo

mês o Edelweiss,

um

smartphone

3G com

tela sensível

ao to-

que (touch screen), com GPS e memória

de 8 ou 16 GB. Parecido com o iPhone,

tanto no design quanto nas especificações,

ainda não tem um sistema

operacional definido. A dúvida é: será

que o sistema é tão bom quanto o da

Apple? Pela foto, até parece com o

Windows Vista. Uma coisa que chama

a atenção é a resolução da tela, duas

vezes maior que a do iPhone. O Edelweiss

vai primeiro para as lojas da

Rússia. Depois, se vingar, será lançado

em outros países. (Info Blog/Pletz).

Menor desktop do mundo

O menor desktop do

mundo foi desenvolvido

em Israel e é um pouco

maior que uma chave

de automóvel

O celular concorrente

do iPhone

A empresa israelense CompuLab está

lançando o menor desktop do mundo,

o "Fit-PC Slim". O computador, que

pode ser conectado a baterias de carro

ou a painéis solares, e também

pode funcionar como roteador de internet

Wi-Fi, pesa cerca de 0,5 kg, tem

100 mm de largura, por 110 mm de

comprimento, e 30 mm de altura - pouco

maior do que a chave de um carro.

O preço varia de acordo com a configuração

- a versão com Linux instalado

custa US$ 295 e vem com 512

Mbytes de memória RAM, HD de 60

Gbytes e conexão Wi-Fi. O modelo

com Windows XP tem basicamente a

mesma configuração e custa US$ 335.

(Jornal Alef).

Os palestinos:

apêndice histórico

o lermos o livro de Joan Peters: "De

tiempos inmemoriales", comprovase,

de acordo com a documentação

claríssima que nele se lê, que a terra

de Israel não só não estava povoada

por palestinos nas épocas moderna e contemporânea,

tal como se depreende dos relatos

de viajantes dos séculos XVIII, XIX e XX,

como também era um território quase vazio.

São mais de cinqüenta os livros e relatos

de viajantes europeus folheados para afirmar

que todos coincidem em não haver se

encontrado nunca com ninguém em 90% das

terras que atualmente formam o Estado de

Israel, o Reino da Jordânia, a República da

Síria e o Líbano, que não se sabe realmente

o que é hoje, ou a quem obedece. René de

Chateaubriand em sua Viagem de Paris a Jerusalém

expressa a estranheza que se sente

ante a desolação e o despovoamento total

da Terra Santa, e Alphonse de Lamartine, que

a visitou em 1835 para meditar e tratar de

harmonizar sua fé cristã com o racionalismo

filosófico do século XVIII, diz em seu livro "Recuerdos

de Oriente" que 'fora das portas de

Jerusalém não vimos nenhum ser vivente nem

escutamos som algum': não havia povo. O

norte-americano Mark Twain, que visitou a

região em 1867, afirma: 'Tal desolação existe

aqui que não se pode descrever; chegamos

a Tabor... não vimos nenhum ser humano

em toda a viagem'. Dez anos antes, o cônsul

britânico para a Palestina declarava: 'O

lugar está vazio de habitantes e seria necessário

que tivesse alguma população'. Se consultarmos

o censo turco para a região, de

1882, coisa que eu tive ocasião de fazer um

século depois, em toda a terra de Israel, parte

do Líbano, Jordânia e Sinai há 140.000 habitantes,

tanto árabes como cristãos e judeus.

Onde estava o milenar povo palesti-

P. Celdrán *

no? Em nenhuma parte. Melhor dizendo:

aqueles que se dizem seus descendentes estavam

na Jordânia, Síria e Egito. Desses países

chegaram no primeiro terço do século XX

à Terra Prometida. Prometida porque a presença

cada vez mais numerosa dos judeus

sionistas criou fábricas, saneou o solo, criou

mão-de-obra; ao anúncio da atividade judaica

aglomeraram-se numa terra que nunca tinham

habitado pela simples razão de que era

inabitável por sua insalubridade e pobreza.

Devido a este fato, e sobretudo à imigração

judaica de socialistas idealistas procedentes

do Leste Europeu, que se estabeleceram em

kibutzim e moshavim no modelo de granjas

e fábricas coletivas, a população disparou, e

os árabes, que haviam desprezado a terra até

então migraram para ela em número de

650.000 em 1922, fixando-se precisamente

nos lugares onde os judeus haviam criado riqueza

e trabalho. Naquele mesmo ano o governador

britânico do Sinai colocou em destaque

que aquela imigração era em sua maior

parte ilegal, e que procedia da Transjordânia,

Egito e Síria. Em 1930 as autoridades inglesas

do Mandato apoiavam o conhecido e

pouco lembrado Relatório Hope Simpson dizendo:

'a fila de desocupados está se ampliando

pela constante imigração árabe através

da Transjordânia e da Síria', informação

que se vê corroborada por fontes árabes da

época: o informe do governador do distrito

sírio de Hauran, Tewfik Bey El-Haurani, que

escreve: 'Mais de 300.000 sírios de Hauran

mudaram-se para a terra de Israel nestes

anos de 1930'. E o primeiro-ministro inglês

Winston Churchill disse em 1939: 'Longe de

ser perseguidos, os árabes deslocaram-se ao

país dos seus países de origem'. Os judeus

eram o pólo de atração graças aos postos de

trabalho que estavam criando.

* P. Celdrán é doutor em Filosofia e Letras e mestre em História Comparada na Espanha.

Publicado no site Por Israel, parceiro do Visão Judaica (www.porisrael.org).

População de Israel

aumenta para 7,3 milhões

A população de Israel aumentou 1,8% nos últimos 12 meses até alcançar o total

de 7,337 milhões de pessoas, das quais 75,5% são judeus e 20,1% árabes, informa

o Escritório Central de Estatísticas.

O 4,4% restante corresponde aos 318 mil israelenses incluídos na categoria de

"outros", dos quais 200 mil são trabalhadores estrangeiros, indicam as informações

divulgadas por ocasião da proximidade do início do ano novo judaico.

Entre a população judaica, o maior grupo tem origem européia ou americana

(38,5%), enquanto 15% têm raízes africanas e 11,9% asiáticas.

Apenas um terço dos judeus israelenses têm pais nascidos neste país.

O relatório do Escritório Central de Estatísticas também destaca a juventude da

população israelense, com 28,4% de menores de 14 anos, em comparação à média

no mundo ocidental de 17%.

Na mesma linha, os maiores de 65 anos não representam sequer 10% da população

israelense, cinco pontos percentuais a menos que nos países ocidentais.

A dinâmica quanto aos matrimônios é, no entanto, a mesma que na Europa: uma

tendência crescente de atrasar o casamento ou optar por permanecer solteiro.


s coptas no Egito são um

dos grupos cristãos mais

antigos do mundo. Ninguém

sabe com exatidão

quantos são, mas a estimativa

mais aceita é de 6,5

milhões. Guiam-se pelo rito ortodoxo

grego e seu chefe, o patriarca de Alexandria

que hoje reside no Cairo, é

eleito por toda a vida. Se bem que o

centro de sua Igreja e a maioria de

seus membros estejam no Egito, há 1,2

milhão disperso nos Estados Unidos,

Canadá, Austrália, Grã Bretanha, França,

Alemanha, Holanda, Brasil e vários

países da Ásia e África. Ao longo da

história, desde o primeiro século da

era atual, os coptas geralmente tiveram

boas relações com os demais habitantes

do Egito. Claro, não faltaram

momentos de tensão política. Por

exemplo, o atual patriarca, Shenuda III

esteve um tempo em prisão domiciliar

em 1981 sob a presidência de Anwar

Sadat. Mas os coptas foram uma das

minorias que teve menos problemas

no mundo muçulmano… Até a década

passada quando o radicalismo islâmico

começou a sonhar em tornar-se o

poder político no mundo inteiro por

meio da jihad.

A violência contra os coptas tornou-se

mais severa nos últimos meses.

Uma declaração dos coptas nos

Estados Unidos emitida em 10 de junho

passado expressa: "A Associação

dos Coptas nos EUA denuncia os

Cristãos perseguidos

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Egon Friedler * bárbaros ataques contra os coptas no "Se acompanharmos o que ocor- Diz o escritor egípcio: "Creio firme-

Egito, durante duas semanas consereu em todos esses casos é que os mente que a maioria dos muçulmanos

cutivas. No último ataque morreu criminosos desaparecem e não são do Egito apóiam os seus irmãos cop-

uma jovem: Milad Ibrahim Farah na levados a julgamento. Não se ouve tas e condenam estes incidentes, à luz

aldeia de Dyfish Samalot. Este cri- mais falar deles".

da incitação de clérigos muçulmanos

me constituiu a culminância de uma "Nos incidentes em massa, como nos canais de televisão. É necessário

semana de terrorismo contra os cop- as marchas após as orações das sex- admitir que lamentavelmente as coitas

e suas vidas. Começou com a tas-feiras, depois que os imãs exorsas mudaram, com a suspeita colabo-

morte de quatro coptas numa ação taram aos fiéis a queimar as casas ração do governo. O escritor egípcio

em Zeuiton (que lembra as opera- dos coptas de suas aldeias, com o pre- de oposição não tem dúvidas sobre os

ções terroristas islâmicas contra os

coptas e suas lojas na década de 90),

continuou com o ataque ao monastério

de Abu Fana e levou ao seqüestro,

intimidação, abuso e ferimentos

em três monges. A Associação dos

Coptas repudia as declarações do

governador de Minya, que pretende

que ambas partes são responsáveis

pela violência. Vale a pena assinalar

que este é o incidente nº 17 de

ataque ao monastério sem intervenção

da força pública e o governo".

Por sua vez, o escritor egípcio Ahmad

al Aswani, publicou um duro ataque

aos islâmicos, ao governo egípcio

e até às autoridades coptas a

quem acusa de minimizar os incidentes.

Entre outras coisas escreveu

num artigo publicado no wesite liberal

da internet, Aafaq.org: "Como

sempre, todos repudiam e condenam,

e a imprensa oficial desmente

que por trás da violência tenha havido

alguma causa sectária ou terrorista…

Em outras ocasiões, a desculpa

habitual é que o criminoso era

texto de que esses "infiéis" pretendiam

transformar uma dessas casas

numa igreja. As acusações são inventadas,

mas como provar isto depois

que casas, negócios e automóveis

foram queimados e a polícia e os funcionários

do governo chegam para

constatar que tudo está bem queimado.

Depois, os jornais, como sempre,

acusam os que divulgam "falsos rumores"

sobre estes acontecimentos

e os acusam de ser agentes de Israel

ou dos Estados Unidos".

"O assunto termina sem nenhuma

investigação e ninguém é julgado,

como se nada tivesse acontecido.

Após um período de calma, voltam os

mesmos incidentes, as mesmas repostas

e uma promessa de que uma nova

lei do Parlamento para unificar a lei

sobre casas de culto irá resolver todos

os problemas, quando uma lei semelhante

não existe nem vai existir".

Al Aswani acusa a liderança

copta no Egito, encabeçada por sua

Eminência o Patriarca Shenuda III de

objetivos da campanha anti-copta: "O

que acontece é uma tentativa de aterrorizar

os coptas do Egito e de obrigálos

a emigrar ou de converterem-se ao

Islã para se protegerem a si próprios,

a suas famílias e suas propriedades

de confiscos propostos em muitas publicações

islâmicas".

O que é difícil de entender em todos

esses acontecimentos é sua escassa

divulgação na imprensa internacional

e a débil e quase inexistente reação

das organizações cristãs no mundo.

uma pessoa mentalmente instável e minimizar os incidentes para não ir-

não compreendia o que fazia". ritar o governo.

O bávaro Josef Sch era membro honrado

de sua cidade. Aos 90 anos, ele

responde agora por um massacre na

Toscana, em 1944. Trata-se, provavelmente,

do último processo do gênero.

Como este processo, já houve diversos

outros, só que desta vez há

perspectiva de êxito. Ao contrário de

outros acusados, o réu, Josef Sch, da

Baviera, é considerado capaz de responder

por seus atos, apesar de contar

90 anos de idade. Segundo o parecer

de um perito, o robusto aposentado

pode perfeitamente comparecer

diante do tribunal por algumas horas,

a cada audiência. O Tribunal do Júri de

Munique estipulou inicialmente a duração

do processo que se iniciou em

15/9 e vai até 21 outubro. Estão convocadas

mais de 20 testemunhas e

numerosos peritos.

Os promotores públicos de Munique

acusam Josef Sch de, na qualida-

Começa último processo contra

criminoso de guerra nazista

de de oficial do Exército nazista, haver

ordenado um ato de represália

contra partisans na cidade toscana de

Falzano di Cortona. O crime ocorreu

em junho de 1944, quando as tropas

da Wehrmacht já se retiravam da Itália

Central.

Sob seu comando, componentes

da Primeira Companhia do Batalhão

818 fuzilaram primeiro um homem e

três mulheres. Em seguida, trancaram

11 pessoas numa casa de fazenda que

explodiram. Apenas um rapaz de então

15 anos sobreviveu. Agora, aos 79

anos, ele deporá no atual processo,

como única testemunha ocular.

Em 2006, juntamente com um

outro oficial, Josef Sch já fora julgado

à revelia por um tribunal militar

na cidade italiana de La Spezia e condenado

à prisão perpétua. Contudo

o réu não foi entregue. Este ano a

Promotoria Pública de Munique o

acusou de homicídio cruel por motivos

torpes em 14 casos.

Cidadão Cidadão honrado honrado

honrado

Josef Sch viveu tranqüilamente

como mestre-carpinteiro em sua cidade

natal, Ottobrun. Ele constava como

cidadão honrado e apenas três anos

atrás foi agraciado com uma medalha

de honra pela cidade.

O ex-oficial participava também

dos encontros tradicionais dos veteranos

das tropas de montanha em Mittenwald.

Observadores críticos já

apontaram a proximidade deste assim

chamado "círculo de camaradas" com

os neonazistas.

Um correspondente do periódico

Süddeutsche Zeitung descreveu a incompreensão

e o sentimento de revolta

em Ottobrun por um cidadão honorário

da cidade ser responsabilizado

após mais de 60 anos.

17

* Egon Friedler é austríaco de nascimento e vive desde

1939 no Uruguai. Entre 1953 e 1957 morou em Israel. É

jornalista desde 1957, crítico musical, de teatro e de dança,

faz resenha de livros, escreve comentários e análises da

política internacional, e uma variada temática cultural

judaica. Também trabalhou como tradutor e intérprete. Já

atuou no jornal El País, do Uruguai, foi correspondente para

América Latina do jornal israelense Davar e colaborou com

numerosas publicações judaicas e não-judaicas de Israel,

Estados Unidos, Inglaterra, França, México, Venezuela,

Brasil, Argentina, Chile e Uruguai e atualmente escreve

regularmente para diversos meios de Israel, Estados

Unidos, Argentina e Uruguai. Tem três livros publicados.

Texto publicado no jornal La Republica, do Uruguai e

distribuído para difusão pelo autor ao website porisrael.org

(www.porisrael.org).

Josef Sch sempre negou qualquer

culpa ou cumplicidade com os crimes

de Falzano di Cortona. Um de seus

advogados é Klaus Goebel, de Munique,

que já representou o ex-capo da

SS Anton Malloth e diversos negadores

do Holocausto.

Em contrapartida, as autoridades judiciais

alemãs têm poucas esperanças

no processo contra o antigo soldado da

SS Heinrich B. Ele responde perante o

Tribunal Regional de Aachen pela morte

de três civis em 1944, na Holanda.

Durante muito tempo, o réu esteve

na lista dos criminosos de guerra

nazistas mais procurados do Centro

Simon Wiesenthal. No seu caso, nem

mesmo foi designado um perito, cujo

parecer ainda se faria esperar um bom

tempo, confirmou o juiz de Aachen à

Deutsche Welle. A abertura de um processo

nos próximos meses seria, portanto,

"bastante improvável".


18

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Mendel Knopfholz e Martha Schulman, da

comunidade israelita de Curitiba, com Clara

Ant, assessora especial do presidente Luiz

Inácio Lula da Silva

Clara Ant, assessora especial da Presidência

da República, almoçou, no dia

20/9, com diversos segmentos que

compõe a comunidade israelita de Curitiba.

Estiveram presentes também, o

ministro do Planejamento Paulo Bernardo

e sua esposa Gleisi Hoffmann,

assim como Maria Alice e Antonio Borges

dos Reis.

Na ocasião, Clara discorreu sobre as relações

do Governo brasileiro com o Estado

de Israel. Enumerou os diversos

acordos comerciais existentes entre os

dois países e as visitas de Ministros, de

Israel ao Brasil e do Brasil a Israel para

que se concretizassem esses acordos.

Clara enfatizou o bom relacionamento

do governo atual com os judeus e o empenho

do presidente Lula em não permitir

que qualquer tipo de descriminação

anti-semita se instale no país. E defendeu

vigorosamente a posição do governo

brasileiro em não permitir que o Holocausto

seja negado ou minimizado.

O jornal eletrônico "Notícias da Rua Judaica",

de Osias Wurman está completando um

ano de atividades. O jornal Visão Judaica envia

suas congratulações, almejando mais sucesso

ainda no futuro a um dos veículos de

comunicação judaica em português mais lidos

em todo o mundo.

Mosaico na TV, criação de

Francisco Gotthilf

O programa 'Mosaico na

TV', que está no ar, ininterruptamente,

há 47 anos,

sob coordenação do fundador

e produtor Francisco

Gotthilf, de 85 anos, é considerado

o mais antigo da

TV brasileira, segundo o

"Guiness Book".

Para comemorar a longevidade do mesmo, foi realizado

em 6 de outubro, o lançamento de um livro e um DVD

sobre essa trajetória. No evento que reuniu mais de 300

pessoas, foi exibido um documentário com apresentação

do ator Caco Ciocler e uma série de depoimentos

mostrando toda a história do programa, que começou

na TV Excelsior e passou por diversas emissoras. A platéia

aplaudiu de pé o "Sr. Mosaico", Francisco Gotthilf.

Para comemorar Rosh Hashaná, o

executivo da Wizo, reuniu-se na residência

da chaverá Eugenia Troib. O

programa cultural alusivo à data foi

elaborado e apresentado por Sara

Kulish, Ester Jakuboviz e Denise

Weishof, dando um clima festivo e

alegre ao evento.

Com a visita de Ana Marlene Starec,

Vice-presidente de Honra da Wizo

Brasil, foi fundado um novo grupo

Aviv Wizo em Curitiba, muito promissor

pelo entusiasmo das jovens participantes.

O XVIII Bazar Beneficente Wizo será

realizado no dia 30 de novembro.

Aguardem!

Venha divertir-se no evento "Terapia

da Dança", uma promoção conjunta

da Na'Amat Pioneiras e da Kehilá.

Será no dia 8/11/2008, às 20h30 no

CIP. Adesões e maiores informações

com Geni pelo telefone 3222-1281

ou na Secretaria do CIP, 3024-7575.

A Prefeitura de Campinas instituiu o

"Dia de Jerusalém" a ser comemorado

anualmente no dia 6 de junho com

atividades culturais e sociais que divulguem

a contribuição da cultura israelita

para o desenvolvimento da região

de Campinas. A iniciativa foi do

vereador Antonio Flores.

No dia 1º de novembro será comemorada

a cerimônia de Bat Mitzvá

das meninas que vão ser consideradas

aptas a exercer seu papel de mulher

judia. São elas: Ester Gutstein,

filha de José Benjamin e Maria Lina;

Gabriela Burkinsky Caldeira, filha de

Fernando e Célia; Giovana Chamecki

Rigler Sette, filha de Celso e Gisela;

Ilana Engelman, filha de Berel

e Ivanilde e Nicole Steinmetz Peres,

filha de Fernando e Yaffa. Desejamos

a todas e extensivo a seus familiares

Mazal Tov!

No Brasil, Na'amat Pioneiras está presente

em 11 Estados: Pará, Amazonas, Rio Grande

do Norte, Ceará, Pernambuco, Bahia,

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais,

Paraná e Rio Grande do Sul.

Com uma cerimônia seguida de um jantar, a

Na'amat Pioneiras Brasil comemorou em

Porto Alegre, em 11 de setembro, data de

sua fundação, os seus 60 anos de atividade

no Brasil. Na ocasião, as voluntárias do centro

gaúcho homenagearam além das fundadoras

da organização, na pessoa da ativista

Zelda Oliven, também várias entidades

que apóiam e são parceiras em seu trabalho,

bem como, o presidente da Federação

Israelita do Rio Grande do Sul, Henry

Chmelnitsky, e as presidentes do Centro anfitrião,

Celi Raskin, e a do Executivo Nacional

da Na'amat Pioneiras Brasil, Leia Hecht.

Nessa noite, o Coral Zemer da Na'amat Pioneiras

de Porto Alegre apresentou algumas

músicas e foi exibido um resumo da criação

e do desenvolvimento da organização, ao

longo de seus 60 anos de existência. Após a

comemoração, as voluntárias deram prosseguimento

aos trabalhos discutindo assuntos

inerentes à condição feminina, judaica

e sionista, itens esses que fazem parte dos

seus objetivos de atuação, e relacionados

ao tema do Encontro 'Novos Tempos - Valores

Eternos', com a participação de palestrantes

como o jornalista e empresário Jaime

Sirotsky, a socióloga Vanessa Scliar, entre

outros.

Curitibanas presentes na Peguishá da

Na'Amat Pioneiras em Porto Alegre

Ao final, todos ganharam um livro e um DVD, devidamente

autografados pelo homenageado.

O programa, idealizado por Francisco Gotthilf, tem a direção

do publicitário Roni Gotthilf, produção da jornalista

Silvia Perlov, apresentação de Addy S. Heilbut e conta com

a direção de imagens de Edmundo Fernandez. Traz, a cada

semana, um show de variedades com musicais, reportagens,

entrevistas, documentários e comentários em vídeo

conferência diretamente de Israel, relacionados com

a comunidade judaica e com o povo judeu.

Além de um enorme arquivo de filmes, fotos e vídeos de

personalidades como Ben Gurion, Yitzchak Rabin, o Papa

João Paulo II, Albert Sabin, Pelé, presidentes da República,

governadores, prefeitos de São Paulo e muito mais.

'Mosaico na TV' conta com uma audiência de aproximadamente

250 mil telespectadores, sendo que cerca de 2/

3 dessa audiência não pertencem à comunidade judaica.

O médico Víctor Feferbaum foi homenageado semanas

atrás na Câmara Municipal de Ponta Grossa com o título

de Cidadão Honorário em reconhecimento ao seu importante

trabalho no campo da medicina. Ele próprio

conta: "A homenagem foi emocionante, e contou com a

presença de autoridades políticas e militares, o prefeito

da cidade e o reitor da Universidade San Martín, de Bogotá".

Feferbaum há quase cinco anos vem se dedicando

em Ponta Grossa nas áreas de pediatria clínica e cirurgia

pediátrica, realizando um grande trabalho em

prol da infância daquela região do Estado.

Nos dias 7 e 8 de novembro, acontece em São Paulo,

a 39ª Convenção Anual da Confederação Israelita

do Brasil/Conib, presidida por Jack Terpins, que

elegerá sua nova Diretoria para o triênio 2008/2011,

e cuja posse acontece no sábado, 8/11 no jantar de

gala, quando serão comemorados os 60 anos da

instituição. O programa da Convenção tem início

dia 7 (sexta-feira), com a apresentação do relatório

das federadas e da atual gestão da Conib. Na

parte da tarde, será realizada a eleição e o Cabalat

Shabat, que terá a cerimônia no 'O Shil'. Na noite

do sábado, a Convenção será encerrada com um

jantar de gala, com a presença dos presidentes das

14 federadas da Conib, representantes de entidades,

autoridades municipais e estaduais, como o governador

e o prefeito de São Paulo, lideranças ibero-americanas,

entre outros. Na ocasião, a nova

Diretoria da Conib será empossada, e haverá a apresentação

musical do Zimbo Trio.

Sara Schulman e Szyja Lorber lançam no dia 29/11

(sábado à noite), às 19h30, na Megastore da Livraria

Saraiva a edição em português do livro "Assim

Nasceu Israel", de Jorge García Granados, trabalho

que ambos traduziram. Haverá palestra do ex-governador

Jaime Lerner.

Agradecemos e retribuímos todos os votos de Shaná

Tová, especialmente à Escola Israelita Brasileira

"Salomão Guelmann" pelo simpático mimo para nós

enviado.

Aconteceu, em Tel-Aviv, um encontro entre as duas Câmaras de Comércio

e Indústria ligadas ao Brasil e Israel. A reunião contou com a

presença de Jayme Blay (presidente da Câmara Brasil-Israel), Mário

Fleck (vice-presidente) e Fredy Moreinos (diretor), que foram recebidos

pelos anfitriões Shmuel Yerushalmi (presidente da Câmara Israel-

Brasil) e Henrique Kuchnir (diretor), e teve como objetivo apresentar a

nova gestão da Câmara Brasil-Israel, iniciar a comunicação entre as

duas entidades, além de planejar ações positivas, visando eventos, feiras,

visitas de autoridades, bem como aprofundar a ligação entre os

setores de atividade de interesse para os dois países.

Léo Kriger recebeu a medalha "Dr. Luiz César Pannaim" numa cerimônia

ocorrida em 17/10, na Câmara Municipal de São Paulo. A medalha é

o prêmio máximo da odontologia brasileira e Léo Kriger é o quinto

paranaense a receber a honraria. Os convites foram expedidos pelo

Sindicato dos Odontologistas do Estado de São Paulo para a solenidade

de outorga da Medalha "Dr. Luiz César Pannaim" aos profissionais da

Odontologia que mais se destacaram em 2007. Léo Kriger é um dos 19

odontologistas escolhidos em todo o Brasil por um colegiado de entidades

odontológicas formado por 12 instituições. Mazal Tov!

Colabore com notas para a coluna. Fone/fax 0**41 3018-8018 ou e-mail: visaojudaica@visaojudaica.com.br


Coluna Coluna Israel, Israel, seu seu povo, povo, sua sua liderança

liderança

Moisés, o nosso Mestre III

A libertação

Antônio Carlos Coelho *

Na narração da saída do Egito, a

passagem pelo Mar dos Juncos (Vermelho)

nos chama muito à atenção. É

fantástica pela grandiosidade do fato

do mar se abrir e todos os filhos de

Israel passarem de pés enxutos; ou

talvez, porque duvidemos que o fato

ocorreu conforme está descrito. No

entanto, o importante é que houve a

saída do Egito e os hebreus passaram

à liberdade e, também, é importante

que tenhamos em mente que isso tudo

seu deu por vontade e interferência

divina e humana.

Mais uma vez Moisés, o nosso

mestre, entra na história. Ele é o agente

humano da libertação dos escravos

hebreus do Egito, terra das "estreitezas"

como acusa o seu nome em hebraico.

Se a travessia do Mar dos Juncos

nos chama à atenção, por outro

lado, nos encobre uma outra situação

que a Bíblia não menciona e, não o

faz porque o objetivo é destacar a dimensão

do episódio da libertação. Então,

o faz através de um relato grandioso,

"cinematográfico", para manifestar

a presença/ação de D-us na libertação

da escravidão.

Mas, imaginemos que, depois de

cinco séculos da descoberta do Brasil,

chegasse um português e dissesse

aos descendentes de portugueses

que deveriam abandonar tudo o que

tinham e partir para Portugal. Ou, que

* Antônio Carlos Coelho é professor universitário, escritor, diretor do Instituto de Ciência e Fé e colaborador do jornal Visão Judaica.

Sallai Meridor e o aiatolá Khamenei

chegasse um italiano propondo aos

filhos e netos de imigrantes para voltarem,

de uma hora para outra, para

Itália. Seria um absurdo, não? Pois é,

acredito que Moisés passou por situação

semelhante ao fazer a proposta

de saída imediata do Egito aos filhos

de Israel que estavam há quatro séculos

assentados naquela terra.

Hoje, ao ler a narração bíblica,

damos graças a D-us por ter enviado

um Moisés para tirar-nos da escravidão.

Mas, se estivéssemos lá, naqueles

dias, certamente o chamaríamos

de louco e levaríamos um bom tempo

concordando e discordando, avaliando

e considerando os prós e contras

da proposta.

Ora, deixar quatro séculos para

traz não é fácil. Convencer um povo

de que havia outra possibilidade, de

que havia uma promessa a ser cumprida

e que D-us estava se dispondo a

libertá-lo da situação de escravos para

uma terra de liberdade, induzi-lo a

deixar para traz costumes, práticas e

propriedades acumuladas em 400

anos, não deve ter sido nada fácil para

Moisés. Talvez as pragas enviadas sobre

o Egito não tenham somente assombrado

o faraó, mas, também, o

povo hebreu que, pode, assim, tomar

consciência de que nada que havia

naquela terra era superior ou insubstituível

diante do que D-us estava propondo

através de Moisés. E, talvez,

esse seja o grande milagre: fazer as

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Meridor responde a Khamenei

O líder supremo do Irã, aiatolá

Ali Khamenei, declarou que o "seu

país permanecerá ao lado dos dirigentes

do Hamas em Gaza e que

Israel está no caminho da sua iminente

destruição". De acordo com

a TV estatal iraniana, Khamenei

chamou o primeiro-ministro do Hamas

na faixa de Gaza, Ismail Haniyeh,

de mojahed, o que significa

'soldado da guerra sagrada', dizendo

que a nação iraniana "nunca o

deixará sozinho". Também citou que

o "regime sionista do Estado de Israel

está se tornando fraco e caminha

para a destruição e derrota e

que a geração atual dos palestinos

verá este grande dia". Khamenei falou

durante as orações que marcam

o feriado islâmico do Eid al-Fitr, e

pessoas desapegarem-se das coisas

que são escravizantes e que as diminuem

como humanos.

O Egito era uma grande civilização

no cenário da antiguidade. Sua riqueza

e o poder poderiam ser aparentemente

vantajosos. Havia prosperidade e,

segundo o texto bíblico, a comida era

farta e boa. Apesar da condição dos

hebreus, havia um considerável número

de nascimentos entre eles, tanto que

isto despertou a preocupação dos reis

quanto ao crescimento da população

estrangeira. Por outro lado, apesar de

toda a valorização dada à civilização

egípcia - era medíocre em termos religiosos

e na forma de valorar a vida, o

que se opunha frontalmente aos princípios

do judaísmo (mesmo do primitivo

judaísmo). O pior da escravidão não

era o chicote dos feitores, mas as feridas

causadas no modo de viver e de

esperar de um povo.

O judaísmo ensinado por Moisés

se opõe a toda forma de escravidão e

a toda forma de comodismo. O mérito

de Moisés, nessa história, está em

levar um povo acomodado às facilidades

e distantes dos valores ensinados

pelos patriarcas a retomar sua própria

história e destino. Seu mérito está

em levar um povo a condição de liberdade,

permitindo-o recuperar, ao longo

do tempo, sua integridade como

povo, reaver valores éticos fundamentais

e estabelecer laços nacionais e

de identidade religiosa.

Moisés abre o Mar Vermelho para a passagens

dos judeus

Cruzando o Mar Vermelho depois que as águas foram

separadas

Hagadá ilustrada conta a história

da saída do povo judeu da

escravidão no Egito

já tinha dito que Israel cairia, assim

como o presidente do Irã, Mahmoud

Ahmadinejad. Khamenei repetidamente

disse que Israel é "um

tumor canceroso que necessita ser

extirpado do Oriente Médio"

O embaixador de Israel nos EUA,

Sallai Meridor, respondeu numa declaração

a Khamenei dizendo "nunca,

desde a Segunda Guerra Mundial, o

mundo vê uma ameaça tão perigosa

e significativa. Este regime fanático

iraniano que é patrocinador do terror

global, ameaça eliminar outro Estado

e se esforça para conseguir armas

nucleares. Este deve ser o 'momento

da verdade' para que o mundo tome

ações efetivas e imediatas para prevenir

que este regime prossiga no desenvolvimento

da sua capacidade mi-

19

litar nuclear", disse Meridor.

"Nestes dias de reflexão entre

Rosh Hashaná e Iom Kipur",

acrescentou Meridor, "as declarações

do Irã colocam ao mundo

a pergunta: 'O que deveremos

fazer neste próximo ano a fim de

evitar que este pesadelo se torne

uma realidade'?" O Irã não reconhece

o Estado de Israel e

apóia os grupos palestinos Hamas

e Jihad Islâmica. Israel mantinha

laços estreitos com o Irã

quando Reza Pahlavi estava no

poder. Em 1979 a revolução islâmica

derrubou o Shá, e o Irã rompeu

os laços com Israel, transferindo

o prédio da Embaixada de

Israel, em Teerã, para a Embaixada

da Autoridade Palestina.


20 (com

McCartney em Tel Aviv

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

O músico britânico Paul McCartney foi recebido

em Israel por cerca de 50 mil pessoas

em sua primeira apresentação no

país em Tel Aviv. O ex-Beatle abriu o show

com a lendária "Hello Goodbye", que, desde

o primeiro momento, levantou o público,

formado por várias gerações e que

acompanhou cada movimento do artista.

A visita de McCartney a Israel levou o líder

islâmico Omar Bakri a ameaçar de

morte o ex-beatle caso o cantor se apresentasse

dia 25 de setembro, nas comemorações

dos 60 anos de Israel. "Paul será

morto. Ele não estará seguro aqui", afirmou.

Segundo Bakri, terroristas suicidas

aguardavam pelo pop-star inglês dispostos

a qualquer sacrifício para eliminá-lo.

Mas Paul não se intimidou e fez o show.

Cinco mil homens trabalharam na segurança

do compositor e cantor. (Noticiário

de agências).

Paul McCarney canta em Israel

VISÃO

FIEP organiza missão empresarial

Com o objetivo de prospectar e gerar parcerias

e negócios na área de agrotecnologia,

meio ambiente, biotecnologia e equipamentos

médicos, a Federação das Indústrias

do Estado do Paraná (FIEP), por

meio do Centro Internacional de Negócios

(CIN), promove uma Missão Empresarial

para Israel entre os dias 8 e 16 de novembro.

A programação inclui visitas a laboratórios

e centros de excelência tecnológica.

A missão será realizada em parceria

com o Senai, Ministério do Desenvolvimento,

Indústria e Comércio, Instituto de Exportações

para Israel e Câmara de Comércio

e Indústria de Tel-Aviv. Israel é um Estado

reconhecido por estar na frente em

inovação tecnológica, que investe fortemente

em pesquisas de desenvolvimento

e tem como prioridade incentivar empresas

recém-criadas. As inscrições estão

abertas e podem ser feitas pelo e-mail

janet.pacheco@fiepr.org.br. Informações

pelo telefone (41) 3271-9105 ou no site

www.cinpr.org.br (FIEP).

Campeão de xadrez sem patrocínio

panorâmica

O casal de judeus russos Larissa e Pavel

Shumyatsky chegou ao Brasil em 1995,

quando ele foi convidado a trabalhar no

Departamento de Matemática da Universidade

de Brasília. Vieram da Rússia ge-

informações das agências AP, Reuters,

AFP, EFE, jornais Alef na internet, Jerusalem

Post, Haaretz e IG)

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lada, com esperança

no Brasil. O

filho Victor passou

a se interessar

pelo xadrez em

2003, aos 6 anos.

Aos 10 anos, ingressou

como primeiro

colocado

• Yossi Groisseoign •

entre 2 mil candidatos no concurso de admissão

ao Colégio Militar de Brasília, considerado

o melhor do Distrito Federal, e

apresentou a incrível média de 9,9 no semestre

passado. Em 2004 sagrou-se Campeão

Brasiliense Sub-14 e, por duas vezes,

entre 2004 e 2007, tornou-se Campeão

Brasileiro Escolar em sua categoria.

Em dezembro de 2007 conquistou o Campeonato

Sul-Americano Sub-12, na Argentina,

e, em julho de 2008, o Campeonato

Pan-Americano Sub-12 em Córdoba, Argentina.

Foi a única medalha de ouro da delegação

brasileira, com 70 integrantes. Graças

a este desempenho, tornou-se um

Mestre FIDE (Federação Internacional de

Xadrez). O pai, Pavel, considera que a falta

de patrocino poderá dificultar o avanço

de Victor no futuro. (Israel Blajberg).

Venezuela na alista negra

Os EUA colocaram a Venezuela em sua lista

negra de países que desrespeitam as

liberdades religiosas no mundo. O relatório

anual, publicado pelo Departamento de

Estado americano, critica a deterioração

das liberdades religiosas também na Argélia,

na China e no Egito. O documento

destacou a ocasião em que o presidente

venezuelano alertou bispos da Igreja Católica

para não criticarem a proposta do

governo de reformar a Constituição de

1999, que foi rejeitada em referendo público

em dezembro de 2007, e destacou a

contínua perseguição aos judeus, que incluíram

atos de vandalismo anti-semitas,

caricaturas, intimidações e ataques físicos

contra instituições judaicas. "No dia

do referendo constitucional, membros do

serviço de inteligência da polícia invadiram

um centro comunitário judaico, em

Caracas, com um mandado de buscas para

procurar armas". (Departamento de Estado

dos EUA).

A homenagem a Lula

O pequeno Victor, campeão

de xadrez e sem patrocínio

Passou despercebida pela imprensa a homenagem

que o Instituto Steven Roth para

o Estudo do Anti-Semitismo e do Racismo

Contemporâneos, o mais importante do

mundo, acaba de prestar ao presidente

Lula. Ele foi convidado a participar das

cerimônias do International Holocaust

Memorial Day, instituído pela ONU, e das

homenagens ao diplomata brasileiro Luiz

Martins de Souza Dantas, cujo trabalho na

França ocupada pelos nazistas, na Segunda

Guerra Mundial, salvou a vida de centenas

de perseguidos. O Brasil, mostrou o

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Instituto, é uma das democracias com leis

mais sólidas para punição e prevenção do

racismo. (Carlos Brickman para O Observatório

da Imprensa).

Arquivos de Spielberg no Yad Vashem

O Museu do Holocausto de Jerusalém (Yad

Vashem) incorporará à sua coleção mais

de 200.000 horas de vídeo, em sua maioria

testemunhos de sobreviventes, do Instituto

do Holocausto, criado pelo diretor

de cinema judeu Steven Spielberg. As gravações

que estarão acessíveis para o público

nos próximos dias incluem mais de

52.000 entrevistas com vítimas dos campos

de concentração e guetos na Europa

nazista. Os testemunhos se unirão à coleção

de cerca de 10.000 entrevistas em vídeo

e 5.000 filmes sobre o Holocausto no

Yad Vashem. Até agora, o material do instituto

criado por Spielberg, que pertence

à Universidade da Califórnia do Sul, só era

acessível em acesso limitado pela internet.

O Yad Vashem promete o maior acesso

possível a estas informações através

da rede, começando por disponibilizar parte

dos vídeos no YouTube. (Haaretz).

Concerto usa violinos salvos dos nazistas

Dezesseis violinos usados por vítimas do

Holocausto, inclusive um que teve o estojo

usado para contrabandear explosivos

que detonariam uma base nazista, foram

usados dia 24/9 num concerto em Jerusalém.

"Cada violino tem sua história", disse

Amnon Weinstein, 69 anos, que junto

com seu filho passou mais de uma década

restaurando violinos recolhidos em

toda a Europa. Weinstein disse ter recebido

os violinos em diversos estados de conservação.

Muitos vinham decorados com

a estrela de Davi, testemunho de sua passagem

por mãos judias. "Ao restaurar seus

violinos, seu legado renasce", disse

Weinstein, que perdeu a maior parte dos

Concerto em Jerusalém com violinos salvos dos nazistas

parentes no Holocausto. Esses instrumentos

tocaram juntos pela primeira vez no

concerto, intitulado 'Violinos da Esperança',

com o conjunto israelense Raanana

Symphonette e a Orquestra Filarmônica de

Istambul, à luz dos candelabros da Cidade

Velha, e milhares de pessoas viram o

virtuose israelense Shlomo Mintz interpretar

'Avinu Malkeinu' ('Nosso pai, nosso

rei'), obra que marca o Dia da Penitência

para os judeus. (G1/Reuters).

Judeus da Argentina e ameaças

do Hezbolá

O governo argentino reforçou a segurança

das instituições judaicas no país pela

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preocupação gerada com as ameaças do

Hezbolá sobre um possível ataque. O aumento

da segurança foi determinado após

uma série de reuniões entre o ministro da

Justiça e Segurança, Aníbal Fernández, e

o presidente da Delegação de Associações

Israelitas Argentinas (Daia), Aldo Donzis.

"Estamos trabalhando em conjunto nestas

situações que preocupam na realidade a

todos os cidadãos, pelo risco das ameaças

do Hezbolá", disse Donzis. Em declarações

à imprensa local, Donzis também

refletiu sua preocupação por países como

Venezuela e Paraguai terem dado vistos

de entrada "a muitos iranianos e libaneses"

sem o devido controle. (Daia).

Libanês quer exclusividade

O presidente da Associação das Indústrias

do Líbano afirmou que pretende iniciar

uma batalha jurídica para impedir que

companhias internacionais comercializem

pratos com nomes tradicionais da cozinha

libanesa, como quibe, esfiha e falafel.

"Empresas brasileiras vendem quibes e

esfihas nos EUA sem mencionar que são

produtos libaneses. A cada dia mais produtos

típicos libaneses são comercializados

como se fossem originários de Israel",

reclamou. "Se quiserem comercializar esses

produtos, que o façam usando outros

nomes, não os originais". Ele pretende levar

o caso aos tribunais internacionais é

registrar os ingredientes e as receitas dos

pratos disputados junto ao governo do Líbano.

(Jornal Alef).

STJ com novo vice-presidente

A comunidade judaica de Passo Fundo e

do Brasil recebeu com satisfação a noticia

da posse de um de seus distintos integrantes

e ilustre magistrado como vicepresidente

do STJ. Trata-se do ministro Ari

Pargendler, É Bacharel em Ciências Jurídicas

e Sociais pela Faculdade de Direito

da Universidade Federal do Rio Grande do

Sul, Porto Alegre. Era Ministro do Superior

Tribunal de Justiça a partir 19/6/1995,

quando foi nomeado vice-presidente do

Superior Tribunal de Justiça a partir de 3/

9/2008 e vice-presidente do Conselho da

Justiça Federal a partir de 3/9/2008.

(Israel Blajberg/ STJ, Brasília).

Sugerido o seqüestro de Ahmadinejad

O ministro israelense Rafi Eitan, um exespião

que participou do seqüestro do

nazista Adolf Eichmann, sugeriu em 9/9

que a mesma tática poderia ser utilizada

contra o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

"Um homem como Ahmadinejad,

que ameaça um genocídio, tem que

ser levado a julgamento em Haia", disse

Eitan, referindo-se à sede do Tribunal Penal

Internacional (TPI). "E todas as opções

estão abertas em termos de como levá-lo

até lá", prosseguiu. Questionado sobre se

o seqüestro de um chefe de governo seria

aceitável, Eitan respondeu que "sim" e

repetiu que "qualquer maneira de levá-lo

a julgamento é uma possibilidade". Eitan,

um dos ministros responsáveis pela segurança

de Israel, ressalvou que suas declarações

são apenas uma opinião pessoal,

nada mais. (Associated Press/Reuters).


Estudo vê neonazismo no

Brasil e na internet

A palestra da professora Adriana

Dias, mestre em Antropologia

Social da Unicamp abriu em São

Paulo o ciclo de palestras da Comissão

Nacional de Direitos Humanos

da B'nai B'rith do Brasil. O evento

foi coordenado pela dra. Margarette

F.C. Barreto, delegada titular

do Decradi - Delegacia de Crimes

Raciais e Delitos da Intolerância -

de São Paulo. Estiveram presentes

Ben Abraham, presidente da Sherit

Hapleitá e Alberto Liberman,

diretor nacional de Direitos Humanos

da BB Brasil, Etejane Hepner

Coin, presidente da Wizo-SP, Adélia

Tulman Cabílio, presidente da

B'nai B'rith de São Paulo, Anita

Pinkuss, do Centro de Cultura Judaica,

Isaias Lerner, representando

o presidente da Hebraica Peter

Weiss; Sérgio Tomchinsky, da Câmara

Brasil-Israel de Comércio e

Indústria e Renato Akerman, do

Projeto Paper Clips.

O tema 'Neonazismo no Brasil:

mapeando o perigo, as defesas possíveis',

foi abordado a partir das pesquisas

para a defesa da tese de mestrado

da professora Adriana, que

por seis anos analisou 12,6 mil páginas

da internet com temática neonazista,

racista ou revisionista (que

tenta negar ou minimizar a existência

do Holocausto), em inglês, português

e espanhol.

Seu objetivo é estudar como o

neonazismo usa a internet para se

propagar fora dela, para buscar soluções,

inclusive em termos de políticas

públicas que possam combatê-lo.

Para a professora, 'os

neonazistas constroem uma imagem

do judeu e do negro que só

existe na cabeça deles'. De acordo

com o discurso deles 'os judeus

seriam responsáveis pela pedofilia,

disseminação do aborto, capitalismo

e comunismo. É uma visão

maniqueísta do bem e do mal, que

não aceita o diálogo. Quem não

tem sangue ariano não os entende,

sendo inimigo que deve ser

combatido para que eles sobrevivam',

acreditam.

Este 'delírio' - prosseguiu ela -

se fortalece na medida em que é

compartilhado. 'São 500 mil pessoas

nos EUA, mais de 200 mil na

Europa e 150 mil no Brasil que

lêem material revisionista, neonazista

e racista, através da internet',

observou Adriana.

Alguns sites mostrados pela antropóloga

incitam claramente a eliminar

negros e judeus. Sabe-se que

esses grupos não ficam apenas no

discurso 'Em muitos casos há rituais,

como por exemplo, para ingressar

no grupo é preciso espancar um judeu.

Isso acontece hoje', ressalta a

pesquisadora.

Não Não é é é coisa coisa coisa de de adolescente

adolescente

De 2003 a 2006, a pesquisa da

professora concentrou-se nos sites,

concluindo que são produzidos por

pessoas entre 35 a 55 anos, com

educação pré-superior ou superior.

'Não é coisa de adolescente'. Usam

ferramentas tecnológicas avançadas,

dispõem de recursos financeiros

e, em sua maioria são sites ativos

visando divulgar o neonazismo.

'Há desde os que contam com 60 a

30 mil páginas'.

Outras formas de difusão pela

Internet são os fóruns, com debate

de temas e os blogs, com diários,

alguns dos quais 'monstruosos'. Já

os jovens preferem o formato

'wiki', considera a pesquisadora.

Este foi criado pelo Wikipédia, um

site sério de informações científicas,

do tipo enciclopédia, onde os

usuários podem adicionar dados.

Este formato é usado, por exemplo,

no Ziopédia, um site racista em formato

'wiki', de ódio aos judeus e a

Israel. 'Há milhares de pessoas produzindo

esse tipo de material na

Austrália', informou.

Sul Sul e e sudeste

sudeste

No Brasil, o discurso neonazista

é contra a maçonaria e os judeus são

culpados por todos os males do mundo.

De acordo com a pesquisa, eles

se concentram em ordem decrescente

em: Santa Catarina, Rio Grande

do Sul, São Paulo, Paraná e Distrito

Federal. Possivelmente, há uma

relação entre locais que devem ter

abrigado oficiais nazistas e a expansão

destes movimentos, destacou.

Outra revelação é a existência

de um movimento feminino muito

forte, onde as mães 'educam seus

filhos para serem guerreiros da raça

ariana'. A professora também identificou

como eles estão organizados:

há os solitários, há as células,

grupos pequenos, que não conhecem

as pessoas das demais células

e outros como o 'nacionalismo espiritualista',

que defende a criação

de um partido político.

Delegacia Delegacia de de crimes crimes raciais

raciais

A delegada Margarette mostrou

através de fotos um pouco da ação

diária da Decradi - Delegacia de Crimes

e Raciais e Delitos da Intolerância,

na áreas de estratégia, prevenção,

segurança em eventos, incluindo

os da comunidade judaica, investigação

e prisão. Citou casos de ganges

e de indivíduos, como o de um

skinhead preso que não podia tomar

banho sem camiseta senão seria linchado

na prisão por suas tatuagens.

Ao ser solto tatuou a palavra

skinhead em ambas as mãos, de

modo que não poderá escondê-las.

Falou também da atuação da

Decradi na área do futebol, onde

houve uma campanha da Federação

Paulista de Futebol contra o Racismo;

do combate à homofobia, dos

ataques de neonazistas a homossexuais

em São Paulo, da ação junto

ao movimento negro e da atuação

conjunta com a comunidade judaica.

'Gostaria de agradecer a oportunidade

de trabalhar com a comunidade

judaica, por seu respeito

por todos e pela vida humana sobre

a face da terra', disse ela.

Legislação Legislação e e educação

educação

Para a professora Adriana, dois

fatores são fundamentais para combater

o racismo e neonazismo: Legislação

e Educação. 'O crime de

ódio racial na internet não está tipificado,

o Brasil tem uma das piores

legislações do mundo nessa

área', afirmou, ressaltando a importância

do projeto de lei para tornar

crime a negação do Holocausto (revisionismo).

A delegada Margarette

complementou: 'É preciso uma

legislação específica para os crimes

na internet, isso se aplica também

à pedofilia, homofobia e ao ódio

racial, entre outros', destacando o

trabalho feito pela Delegacia de

Crimes da Internet, ligada ao DEIC.

Embora a questão seja complexa,

com a hospedagem de sites em

outros países, o Brasil tem conseguido

vitórias. A professora Adriana

agradeceu ao procurador Sergio

Suiama, que tem sido um dos responsáveis

pela retirada do ar de sites

racistas, no que foi corroborada

pela delegada Margarette. A Educação

é fator fundamental. 'Os jovens

são arregimentados porque

não têm informações. É preciso

educar para os Direitos Humanos no

Brasil', conclamou a palestrante

Adriana, antes de abrir os debates.

Como Como proceder?

proceder?

O diretor nacional de Direitos Humanos

da B'nai B'rith e Adriana Dias

explicaram que não se deve entrar

nos sites neonazistas e discutir. O

melhor caminho é passar as informações

para a B'nai B'rith, que como vem

fazendo de longa data, encaminhará

aos órgãos competentes, preparados

para agir nestes casos.

Na área da Educação, a B'nai

B'rith do Brasil está promovendo

este ano, Concurso de Redação sobre

o Holocausto, com palestras

para professores e alunos, para a

Rede Pública de Ensino de São Paulo,

Rio de Janeiro, Curitiba e Porto

Alegre, com Jornadas Interdisciplinares

para docentes nas três cidades

e uma Exposição sobre Anne

Frank, com ciclo de conferências em

Porto Alegre. (Lia Bergmann, assessora

de Direitos Humanos e Comunicações

da B´nai B´rith do Brasil).

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

O LEITOR

ESCREVE

O papel do Visão Judaica

Senhores editores:

Qualquer leitor que leia o artigo

do argentino Marcos Aguinis

primeiro e depois do Sérgio Feldman,

terá uma visão extraordinária

do judaísmo atual. Vocês estão

de parabéns. Sem demérito

a ninguém, mas a nossa liderança

em Curitiba não passa estas

informações para nós, em nossa

comunidade. Graças ao Visão Judaica

estamos tendo acesso às

mesmas. Que papel maravilhoso

que o Visão Judaica está desempenhando.

Abraços e mais uma

vez minha total admiração pelo

seu trabalho.

Anti-americanismo

e anti-semitismo

Leopoldo Ehrlich

Curitiba - Paraná

Senhores:

Tenho acompanhado o noticiário

dos eventos mundiais, e entendo

que o anti-americanismo

vigente hoje segue os mesmos

moldes do câncer do anti-semitismo.

A tentativa de derrubar os

EUA mostra claramente a intenção

das ditaduras islâmicas e socialistas-comunistas

de chegarem

ao objetivo, inútil, de destruir Israel.

Existe uma preocupante simbiose

entre o nazi-fascismo, o comunismo

e o islamismo extremista,

onde o ódio à existência de

Israel projeta-se de várias formas.

Salmo 122:6 - Orai pela paz

de Jerusalém; prosperarão aqueles

que te amam.

Shaná Tová

Sérgio Manchester

Por e-mail

Estimados Amigos do VJ:

Shalom! Neste momento especial,

em que se comemora o Ano

Novo de 5769, contado a partir

da criação do homem, gostaria

de expressar meus sinceros sentimentos

de Shana Tová! Que o

próximo ano traga muita Luz,

Amor, Alegria, Saúde, Progresso

e Harmonia a Vós e aos Vossos

Para escrever ao jornal Visão Judaica

basta passar um fax pelo telefone:

0**41 3018-8018 ou e-mail para

visaojudaica@visaojudaica.com.br

21

Familiares! Na Nova Era, constituída

de tantos desafios e dilemas,

que Medinat Israel - fundamento

da identidade judaica - e

a eterna Yerushaláyim, capital

eterna e indivisível do povo judeu,

conquistem o sonho da almejada

e autêntica Paz. Que D-us

abençoe o querido Povo de Israel

e a todos os Judeus da Diáspora!

Shaná Tová Umetuká!

Marcelo Vieira Walsh e Família

Goiânia - GO

Shaná Tová 2

Prezados amigos:

Desejo a vocês da equipe do Visão

Judaica, um Ano Novo cheio

de Saúde, Paz e Alegria. Que na

Sua imensa bondade, D-us Todo

Poderoso continue abençoando o

trabalho de vocês na luta em prol

do nosso povo.

Shaná Tová Umetuká!

Abraham, Silene, Eliahu, Dan e David

Bohadana

França - por e-mail

Apreciando o Visão

Judaica

Olá Editores:

Meu nome é Fernando Ferreira,

20 anos, não judeu, moro em

Belo Horizonte e cheguei até o

site de Visão Judaica pelo relato

do Rabino Issocher Frand. (Visão

Judaica de junho de 2006). Gostei

muito do trabalho de vocês!

Parabéns!

Errata

Fernando Ferreira

Belo Horizonte - por e-mail

Na edição de setembro de

2008 do Visão Judaica, publicamos

uma carta com pedido do

médico Moshe Rosemblatt para

jovens que terminaram o curso

de medicina e estão querendo

se especializar em cirurgia em

Israel, no sentido de que escrevessem

a ele. Só que esquecemos

de publicar seu e-mail:

mosrosen@bezeqint.net


22

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

rofundamente abalada

pelos atentados de 11 de

setembro de 2001, a sociedade

norte-americana

perguntou-se sobre o motivo

pelo qual ela era tão

odiada no Oriente Médio. Uma das

conclusões a que chegou foi que os

árabes e os muçulmanos estavam contaminados

por uma propaganda maliciosa

e difamatória que emanava diariamente

dos jornais que eles liam, das

rádios que ouviam e da televisão que

viam. Os meios de comunicação de

massa da região estavam tão infestados

de teorias conspiratórias antiamericanas

e tão saturados de sentimentos

visceralmente hostis aos EUA, que

uma maneira de reverter essa impressão

negativa seria brindar as audiências

árabes com a possibilidade de ver

e ouvir notícias e opiniões sustentadamente

divergentes das postuladas

pelo consenso jornalístico da região.

Com esse propósito, um canal de

televisão via satélite em língua árabe

foi criado pelo governo norte-america-

O escândalo da TV Al-Hurra

Julián Schvindlerman *

* Julián é argentino, licenciado em Administração pela Universidade de

Buenos Aires e Mestre em Ciências Sociais da Universidade Hebraica

de Jerusalém. Analista político, é o autor de "Tierras por paz, Tierras

por Guerra". Colaborador do jornal The Miami Herald e da publicação

Comunidades, periódico judaico-argentino do qual foi correspondente

em Washington e em Jerusalém. Seus artigos têm sido publicados em

diversos meios de comunicação internacionais como Haaretz,

Jerusalem Report, Washington Times, Middle East Quarterly,

Midstream, El Nuevo Herald, Clarín e El Cronista, assim como em

revistas das comunidades judaicas da Espanha e da América Latina.

Deu conferências na Argentina, México e Israel, e foi entrevistado por

programas de rádio e TV na Argentina e nos Estados Unidos. Foi

diretor executivo adjunto de United Nations Watch, uma ONG suíça

dedicada ao monitoramento da ONU em Genebra. O presente artigo foi

publicado no site www.porisrael.org de Dori Lustron.

no. Oficialmente lançado em fevereiro

de 2004 sob o nome de Al-Hurra (O

Livre) e com um orçamento anual de

US$ 70 milhões, este meio serviria

como plataforma para a divulgação de

notícias, comentários e opiniões alternativas

às tradicionalmente difundidas

nos meios árabes. Sua missão sería

denunciar as violações dos direitos

humanos na região, expôr casos

de corrupção, promover a paz, apoiar

a democracia, e contra-argumentar as

distorções relativas aos Estados Unidos

da América. Coisa que esteve fazendo

muito bem até novembro de

2006, oportunidade na qual seu diretor

Mouafac Harb - um muçulmano

nascido no Líbano - foi substituído por

Larry Register; um norte-americano exprodutor

da CNN. Desde então, as novas

decisões editoriais provocaram

uma guinada de 180 graus na cobertura

da Al-Hurra, dando-lhe - por mais

incrível que isto pareça - um viés visivelmente

pró-islamista e anti norteamericano.

Tão radical foi a mudança

no conteúdo deste canal via satélite,

que dois deputados (um republicano

de Indiana e um democrata da Flórida)

pediram à Secretária de Estado

Condoleeza Rice que ordene uma investigação

a respeito, tanto que o parlamentar

reformista e secular iraquiano

Mithal al-Alusi comentou: "Até

agora, estávamos tão felizes com a Al-

Hurra... Mas não mais".

A gota que entornou o vaso da tolerância

a respeito da autoflagelação

do Sr. Register (tão típica, sublinhemos,

dos jornalistas progressistas da

CNN) foi a cobertura ao vivo e total,

durante mais de 70 minutos, de um discurso

virulento do líder do Hezbolá Hasan

Nasrallah, seguida de um comen-

tário por parte de um funcionário libanês

que criticou Nasrallah por não ter

sido suficientemente anti-israelense e

anti norte-americano. Segundo Joel

Mowbray - um jornalista independente

que denunciou todo este assunto,

originalmente nas páginas do The Wall

Street Journal - isto não fazia mais que

afirmar uma nova política editorial de

dar cobertura amigável aos terroristas

da Al-Qaeda e do Hamas, cujos exageros,

falsidades ou difamações raras

vezes eram questionadas. Por exemplo,

quando em 9 de fevereiro último,

os palestinos protestaram com violência

as construções que a Prefeitura de

Jerusalém passou a fazer para melhorar

a segurança no Monte do Templo,

a Al-Hurra realizou uma cobertura de

"notícias de último momento" de quase

duas horas, superando assim em

meia hora a rede Al-Jazeera, e assegurou-se

para que Ikrima Sabri, o imã

da mesquita Al-Aqsa e ex-mufti de Jerusalém

designado na ocasito por Yasser

Arafat, tivesse o espaço suficiente

para acusar Israel de disparar armas

e lançar bombas dentro da mesquita

e depois proibir a entrada de

médicos para auxiliar os feridos. Alguns

meses antes, em 12 de dezembro

de 2006, a Al-Hurra esteve presente

en Teerã na ocasião da conferência

negacionista, dando espaço a famosos

negadores tais como o norte-americano

David Duke e o francês Robert

Faurrison, os quais propagaram suas

posturas mentirosas sem ser interpelados

pelo correspondente da Al-Hurra

que, de sua parte se referiu aos críticos

destes negadores como "defensores

do Holocausto". (Ficaram para

trás os tempos de Mouafac Harb quando

a Al-Hurra cobriu o 60º aniversário

da libertação de Auschwitz e entrevistou

Elie Wiesel; algo vanguardista para

um canal de TV em língua árabe). Segundo

informou Joel Mowbray, seis

semanas mais tarde, em 20 de janeiro

do corrente ano, a Al-Hurra exibiu um

especial sobre os Neturei Karta, o excêntrico

grupo de judeus ultraortodoxos

que participaram da reunião de

negadores na capital iraniana, dando

entrevistas nas quais eles asseguravam

que "os sionistas" haviam queimado

suas sinagogas, novamente,

sem questionamento algum por parte

do correspondente deste canal via satélite,

que além do mais, afirmou que

o Neturei Karta possuía mais de um

milhão de membros quando na realidade

possui apenas uns millares de

simpatizantes, tal como indica o próprio

website desse grupo. Poderíamos

continuar, mas o panorama já é claro.

Esta é a história de como um canal

estabelecido para atuar como contrapeso

à propaganda anti-ocidental da

Al-Jazeera e da Al-Arabiya, acabou se

transformando num competidor destes

canais na promoção do anti-ocidentalismo

islamista. O equivalente histórico

a este fato seria imaginar que a Rádio

Free Europe durante a Guerra Fria

fizesse uma cobertura benigna ao Kremlin,

ou a BBC oferecendo espaço aos

nazistas para criticar Winston Churchill

durante a Segunda Guerra Mundial. Tal

como assinalou um editorial do Wall

Street Journal: "A Al-Hurra pode ser uma

ferramenta útil na batalha das idéias

que é crucial para a guerra contra o

extremismo islâmico. Mas se ela e também

suas emissões irão meramente

prover outra plataforma para a propaganda

anti norte-americana, quem precisa

delas?".

Síria entrega proposta para acordo de paz com Israel

O presidente da Síria, Bashar Assad,

revelou dia 4/9, que Damasco entregou

aos mediadores turcos o esboço de uma

proposta para a paz com Israel e informou

que seu governo aguarda a resposta

israelense para que o próximo passo

possa ser a realização de negociações

diretas. No entanto, o líder sírio anunciou

que a próxima reunião de negociações

indiretas entre seu país e Israel,

que aconteceria na Turquia, foi adiada

em função da renúncia do chefe da

equipe de negociação israelense e depende

de quem será o próximo premiê

e de sua intenção de fazer ou não a paz

com a Síria.

O primeiro-ministro de Israel, Ehud

Olmert, anunciou que estava demissionário

do cargo em setembro, assim que

seu partido, o Kadima, definisse quem

o sucederia, no caso Tzipi Livni. Olmert

é investigado em um caso de corrupção.

Conseqüentemente, a incerteza políti-

ca em Israel afeta o andamento dos contatos

de paz tanto com os sírios quanto

com os palestinos.

O governo israelense recusou-se a

emitir comentário sobre o anúncio de

Assad. As negociações entre Damasco e

Tel-Aviv têm sido realizadas por intermédio

do governo da Turquia.

Em conversa com jornalistas em

Damasco, Assad observou também

que as negociações diretas talvez tenham

que esperar a posse do próximo

presidente dos Estados Unidos, em janeiro

do ano que vem, num reconhecimento

explícito à importância do

apoio americanos às negociações. Ele

não forneceu mais detalhes.

Os comentários do presidente sírio

foram feitos na abertura de uma reunião

de cúpula com líderes da França, da Turquia

e do Qatar sobre a estabilidade e a

paz no Oriente Médio. A Síria pede a Israel

que lhe devolva as Colinas de Go-

lan, tomadas em 1967, e insiste que as

negociações de paz só darão certo com

mediação americana. Mas isto é improvável

sob o presidente George W. Bush,

que acha a Síria um aliado do Irã e de

grupos hostis aos interesses de seu país.

Colinas Colinas de de Golan Golan

Golan

Israel e Síria são inimigos e as tentativas

de alcançar a paz fracassaram várias

vezes no passado, a última delas em

2000. Houve três guerras entre ambos,

além de combates no Líbano. A paz com

a Síria exigiria de Israel a retirada das

Colinas de Golan, uma área estratégica

capturada em 1967, na Guerra dos Seis

Dias, e depois anexada. Hoje, as colinas

são moradia de 18 mil israelenses, e

quase o mesmo número de árabes drusos,

que se consideram cidadãos sírios.

As forças dos dois países são separadas

por capacetes azuis das Nações Unidas.

Os israelenses em geral consideram

o Golan uma importantezonatampão

contra um

eventual ataque

da Síria. Com seus

vinhedos e pequenas

pousadas,

a região também é

uma atração popular

entre os turistas

israelenses.

Israel, por sua

vez, quer que a Síria

- que oferece

refúgio para grupos

militantes

como o Hamas e a

As colinas de Golan, exigência da Síria para

Jihad Islâmica e

firmar a paz com Israel

apóia o grupo libanês

xiita Hezbolá - se distancie dessas organizações

e também do Irã. Essas condições,

porém, parecem ter sido retiradas

ou ao menos flexibilizadas no momento.


VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Israel vira terra de exílio dos refugiados da África

Benjamin Barthe *

uma rua reservada para

pedestres, imprensada

entre as duas estações

rodoviárias de Tel-Aviv.

Agências de câmbio, lanchonetes

que vendem

"shawarma" (sanduíches típicos

à base de carne), cabeleireiros especializados

nos cortes de tipo "afro",

e lojas de equipamentos de telefonia

estão enfileirados numa extensão de

300 metros de asfalto em mau estado,

numa rua coberta por embalagens gordurosas

jogadas ali pelos usuários. Nesta

área, não há nenhum surfista estilizado,

e tampouco qualquer jovem executivo

apressado. Invadido pela cacofonia

das buzinas e pelos gases de escapamento

dos microônibus, o bairro

de Neve Sha'anan há muito foi desertado

pela fauna antenada de Tel-Aviv.

Aqui, vivem aqueles que foram deixados

para trás pelo crescimento econômico israelense,

os marginais de toda laia. E,

num movimento que vem ocorrendo há

um ano, também moram aqui milhares

de refugiados, oriundos em sua maioria

do Sudão e da Eritréia, os quais conferem

a este lugar uma aura improvável de "Little

Africa" (Pequena África).

Ismail Ahmed é um desses imigrantes

recém-chegados. Este pai de família

bonachão que aparenta ter 40 anos é um

sobrevivente dos massacres do Darfur.

Ele abriu no início de abril um pequeno

cibercafé. Nele, as crianças sudanesas

costumam reunir-se para intermináveis

partidas de videogames on-line. À noite,

Ismail dá aulas de inglês e de informática

para os seus pais. À medida que

ele vai sendo bem-sucedido, Ismail se

prepara para renovar seu parque de

computadores. Na vitrine do café, ele

dependurou uma grinalda de bandeiras

cunhadas com a estrela de Davi. Ele assim

fez para expressar o seu profundo

reconhecimento pelo seu país de adoção.

As bandeirinhas são as testemunhas

do percurso inesperado que ele efetuou

no espaço de um ano.

Foi no dia 1º de julho de 2007 que

Ismail pisou pela primeira vez o solo de

Israel, junto com a sua mulher Halima e

seus quatro filhos. "Faltavam quinze

para as 11h da manhã, precisamente",

diz. Após uma caminhada extenuante de

sete horas pelo deserto do Sinai, a família

havia conseguido enganar a vigilância

das tropas egípcias e encontrar um

caminho para transpor a cerca de aramefarpado

que marca a fronteira com o Estado

judaico. "Nós empreendemos a viagem

a partir do Cairo, amontoados na

traseira da picape do nosso passador beduíno;

todos nós tínhamos um cobertor

sobre a cabeça", conta Ismail. Após terem

descansado durante 24 horas num

acampamento a pouca distância da fronteira,

e após terem enfrentado uma derradeira

caminhada por uma trilha de cascalho,

os refugiados avistam finalmente

o alvo que tanto almejavam.

"Havia um barranco de cerca de 60

metros de comprimento, completamente

a descoberto", prossegue. "Nós deixamos

para trás todos os nossos apetrechos,

até mesmo as garrafas de água. O

guia nos disse que caso ouvíssemos disparos

de armas, era preciso mesmo assim

continuar correndo. Nós fizemos

uma breve oração, eu peguei uma das

crianças, coloquei-a sobre as minhas

costas, segurei outra pela mão, e começamos

a correr em disparada. Cinco minutos

mais tarde, estávamos num caminho

de areia, do outro lado da fronteira.

Deliberadamente, nós fizemos questão

de deixar as marcas dos nossos passos.

Uma hora mais tarde, um jipe do exército

israelense apareceu e os soldados nos

deram carona. Estávamos a salvo".

Da mesma forma que Ismail e sua

família, milhares de africanos se infiltraram

em Israel nestes últimos meses.

A antena do Alto-Comissariado para os

refugiados em Tel-Aviv recenseou cerca

de 4.000 eritreus e 3.500 sudaneses. Até

então, a maioria dentre eles vivia no

Cairo. Quase todos são opositores do regime

de Asmara, que impõe com mão

de ferro na Eritréia um socialismo autoritário

à cubana; ou ainda, sobreviventes

do sul do Sudão ou do Darfur, onde

os janjawids, milicianos a cavalo a serviço

da ditadura de Cartum, espalham o

terror. As reportagens que o fotógrafo e

jornalista Yonathan Weitzman realizou

de agosto de 2006 a agosto de 2008 documentam

a chegada caótica desses imigrantes

a Israel, desde a perigosa passagem

da fronteira até o momento em que

eles são acolhidos pelas autoridades. Estas,

por sua vez, não sabiam ao certo se

elas deviam decretar sua detenção, sua

recondução até a fronteira, ou fornecerlhes

uma autorização para residência

temporária.

As soluções que elas estudaram para

o problema foram mudando à medida que

o afluxo de refugiados foi se tornando

mais amplo. Na origem do fenômeno estava

a repressão sangrenta de uma manifestação,

pela polícia egípcia, no Cairo,

em dezembro de 2005, que havia provocado

a morte de 27 pessoas. De um dia

para o outro, centenas de famílias tomaram

a decisão de fugirem para Israel. Considerados

como os súditos de um "país

inimigo", os refugiados sudaneses foram

inicialmente encarcerados.

Contudo, diante da população excessiva

nas prisões, e frente à pressão

da opinião pública, comovida pelos relatos

de "genocídio" no Darfur, as autoridades

locais foram obrigadas a libertar

uma parte dos refugiados. Os felizes

eleitos se aproveitaram então da situação

para conseguirem emprego nos kibutz

ou nos hotéis de Eilat, uma cidade

de veraneio no mar Vermelho. Essa "sorte

grande" acaba chegando aos ouvidos

daqueles que haviam permanecido no

Cairo que, por sua vez, empreendem a

mesma viagem pelas trilhas do deserto

do Sinai. Na esteira do movimento, congoleses,

marfinenses e ganenses que

procuram fugir da miséria do seu país,

também resolvem arriscar sua sorte.

No verão de 2007, quando percebem

que perderam todo controle sobre aquilo

que um dos seus dirigentes qualifica

de "tsunami humano", as autoridades

de Israel resolveram tomar medidas

mais drásticas. Uma construção anexa

para a prisão de Ketziot, no meio do deserto

do Neguev, foi construída às pressas.

No mês de agosto, violando a Convenção

das Nações Unidas sobre os refugiados

da qual ele é signatário, o Estado

judeu enviou de volta para o Egito,

48 refugiados que estavam pedindo asilo,

em sua maioria foragidos do Darfur.

A medida desencadeou na opinião pública

uma indignação tão grande que ela

incitou o governo a emitir um mês mais

tarde autorizações para residência temporária,

para 600 refugiados sudaneses.

Paralelamente, o primeiro-ministro

Ehoud Olmert intimou o seu vizinho

egípcio a não deixar passar mais ninguém

pela sua fronteira. A mensagem

foi bem recebida. Daqui para frente, as

tropas que ocupam posições no Sinai

passam a atirar em todo e qualquer indivíduo

que tentar passar a fronteira. As

autoridades do Cairo falam em 16 mortos

desde o começo do ano, mas, segun-

do afirma Sigal Rozen, do Fórum para os

direitos dos refugiados, "o número é de

fato muito mais importante. Há cadáveres

ao longo da fronteira que ninguém

se habilita a recolher". Atualmente, o

ritmo das chegadas diminuiu.

Da mesma forma que Ismail, os sudaneses

de Israel se esforçam para construírem

uma nova vida. Mas esta empreitada

tem sido dificultada pelas hesitações

do governo em relação à questão. "Ninguém

aqui consegue compreender o que

Israel pretende fazer ao certo", diz Mohyeddin

Abdallah, o patrão de um pequeno

café de Neve Sha'anan, que também

é utilizado como hotel improvisado pelos

sudaneses sem domicílio. "Até hoje,

nenhuma decisão foi tomada a respeito

do nosso estatuto". A esse respeito, o

mais recente sinal que foi transmitido

pelo governo não é nem um pouco tranqüilizador.

O seu projeto de lei sobre "a

prevenção das infiltrações" foi aprovado

em primeira leitura pelos deputados da

Knesset. Ele pune por meio da deportação

ou com uma pena de cinco a sete anos

de prisão toda pessoa que entrar ilegalmente

em Israel. Daqui para frente, os

que se habilitam a atravessar o deserto

do Sinai sabem o que espera por eles.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

Relator da ONU justifica terrorismo dos

palestinos e abre polêmica

23

Marcelo Ninio *

Um relatório preparado por um investigador das Nações Unidas afirma que o terrorismo

palestino é "conseqüência inevitável" da ocupação israelense e pode ser comparado à resistência

ao nazismo e à luta contra o apartheid, o antigo regime de segregação racial da África do Sul.

A comparação enfureceu a diplomacia israelense, que considerou o documento uma espécie de

luz verde da organização ao terror.

O documento preparado por John Dugard, investigador independente da ONU para o conflito

entre Israel e os palestinos, foi apresentado no dia 17 de março no Conselho de Direitos Humanos

da organização. Em um de seus trechos mais polêmicos, Dugard diz que é preciso lembrar o

"contexto histórico" ao analisar a violência palestina.

"A história está repleta de exemplos de ocupações militares às quais se resistiu com violência,

atos de terror. A ocupação alemã foi resistida por muitos países europeus durante a Segunda

Guerra", exemplifica, sem distinguir ações contra militares das que atingem civis.

Dugard, um advogado sul-africano que se engajou na luta contra o apartheid nos anos 80,

também separa o terrorismo em categorias, fazendo distinção entre atos como o 11 de Setembro

e os atentados palestinos. "O senso comum manda que uma distinção seja feita entre atos

de terror indiscriminado, como os da Al Qaeda, e os cometidos em uma guerra de libertação

nacional", diz ele.

O embaixador de Israel em Genebra, Yitzhak Levanon, considerou ultrajante a insinuação de

que a ocupação dos territórios palestinos tem o mesmo peso do nazismo, responsável pelo

extermínio de seis milhões de judeus. Para Levanon, o relatório demonstra ignorância e insensibilidade

ao relativizar o terror. "Durgan diz que a Al Qaeda é criminosa, mas que o terror palestino

é resistência. Mas não diz que os dois têm o mesmo objetivo: matar civis inocentes."

Para Dugard, a ocupação dos territórios palestinos, que em 2007 completou 40 anos, torna o

terror compreensível. Ainda que os atos terroristas palestinos devam ser condenados, diz, "eles

precisam ser entendidos como uma conseqüência dolorosa, mas inevitável, do colonialismo, do

apartheid ou da ocupação".

Hillel Neuer, diretor da ONG UN Watch, que monitora os trabalhos da ONU, disse que as

afirmações de Durgan dão legitimidade ao terror. "As afirmações estão entre as mais chocantes

já pronunciadas por um representante da ONU", diz. "A organização já justificou o terror palestino

implicitamente, mas nunca de maneira tão clara como Dugard."

* Marcelo Ninio é jornalista. Publicado no jornal Folha de S.Paulo e no website

www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2902200805.htm

* Benjamin Barthe é

jornalista francês,

correspondente do

jornal Le Monde

Diplomatique, com

base em Ramallah, nos

territórios palestinos.

Le Monde Diplomatique

adota uma linha

esquerdista, terceiromundista

e antiglobalizaçãoneoliberal,

inserindo-se

entre a imprensa mais

crítica a Israel, sob os

mais variados

aspectos.


24

VISÃO JUDAICA outubro de 2008 Tishrê / Cheszvan 5769

Jack Terpins, presidente da Conib; Tzipora Rimon, ex-embaixadora de

Israel no Brasil e o novo embaixador de Israel em Brasília, Giora

Becher, além do embaixador do Brasil em Israel, Pedro Motta Pinto

Coelho prestigiaram a festa do Kibutz Bror Chail

Um painel com fotos contou a história do Habonim Dror na

festa de Bror Chail

Kibutz de brasileiros comemora

60 anos com muita festa em Israel

Dois dos organizadores da

grande festa

Aconteceu no Kibutz Bror Chail, na região Shaar HaNegev, proximidades

da cidade Sderot, o evento comemorativo dos 60 anos

de aliá do Movimento Dror (hoje Habonim Dror) do Brasil, e dos 60

anos da fundação do kibutz. O evento constou de duas partes: a

primeira foi o encontro de confraternização dos chaverim que chegaram

desde 1948, nos diversos grupos de aliá, até os dias de hoje.

Participaram mais de 500 pessoas, inclusive algumas dezenas

que foram do Brasil especialmente para este festejo e o embaixador

do Brasil em Israel, Pedro Motta Pinto Coelho, a embaixadora

Tzipora Rimon, que recém retornou de sua missão no Brasil; o novo

embaixador de Israel no Brasil, Giora Becher, e o ex-embaixador

Yakov Keinan, além das delegações da Conib, encabeçada pelo presidente

Jack Terpins e de várias Federações Israelitas de diversos

Estados brasileiros. De Curitiba, entre outros esteve presente também

Sara Schulman, presidente do Instituto Cultural Judaico Brasileiro

Bernardo Schulman.

Houve uma exposição fotográfica retrospectiva,

com cerca de 300 fotos, desde a época da fundação

do movimento até os dias atuais, e uma

exposição de trabalhos artísticos dos chaverim.

Depois, foi realizado um jantar em volta da piscina,

seguida por uma apresentação que contou

com a participação de membros (atuais e antigos)

do kibutz, dos 8 aos 80 anos, juntamente com o

grupo brasileiro do Shnat Hachshará. Desta parte,

participaram mais de 1.200 pessoas.

Shmuel Yerushalmi (Jerusa), coordenador da

Comissão Organizadora, discursou sobre a contribuição

desta aliá para o desenvolvimento do

país, e sua repercussão ao redor do mundo, inclusive

no Brasil. Os fundadores do kibutz, membros

do Movimento Hechalutz do Egito, foram homenageados

com a "Honra ao Mérito", recebida por

representantes das famílias. A noite terminou com

animado samba. O presidente Shimon Peres, que não pode comparecer

devido à sua presença na Assembléia Geral da ONU, enviou

uma calorosa saudação gravada em vídeo, que foi projetada, arrancando

uma prolongada salva de aplausos.

Embaixador do Brasil em Israel, Pedro Motta Pinto

Coelho fala durante as comemorações dos 60 anos

do kibutz Bror Chail e do Habonim Dror

Discurso durante o evento que aconteceu no dia 25 de setembro em Israel

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