O Segredo do Marketing dos Pastéis de Belém - mruiandre

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O Segredo do Marketing dos Pastéis de Belém - mruiandre

Instituto Politécnico de Lisboa

Escola Superior de Comunicação Social

Licenciatura em Publicidade e Marketing

Fundamentos de Marketing

O Segredo do Marketing

dos Pastéis de Belém

Dezembro de 2011, Lisboa

André Amaral, 6740 | Carla Pires, 6733 | Daniel Castro e Silva, 6728

Luís Medeiros, 6745 | Mário Rui André, 676


Índice

1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 1

1.1.QUESTÃO DE PARTIDA ........................................................................................... 1

1.2 OBJECTIVOS DO TRABALHO ............................................................................... 2

1.3 METODOLOGIAS E PROCEDIMENTOS ....................................................................... 2

1.3.1 Local de Estudo ............................................................................................ 2

1.3.2 Métodos de recolha de dados ....................................................................... 2

2. QUAL A IMPORTÂNCIA DO DEPARTAMENTO DE MARKETING .......................... 4

3. CASE – STUDY: ANTIGA CONFEITARIA DE BELÉM, LDA. ................................... 5

3.1. HISTÓRIA ............................................................................................................. 5

3.2. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL .............................................................................. 5

3.3 VALORES .............................................................................................................. 7

3.4. OBJECTIVOS ........................................................................................................ 7

3.5. SEGMENTAÇÃO .................................................................................................... 7

3.5.1 Critérios de Segmentação ............................................................................. 8

3.6 POSICIONAMENTO ................................................................................................. 8

3.7 A MARCA E IMAGEM DE MARCA: PASTÉIS DE BELÉM ................................................. 9

3.7.1 A identidade psicológica da marca, personalidade e valores. ....................... 9

3.8 MARKETING-MIX ................................................................................................. 10

3.8.1 Política de Produto ...................................................................................... 10

3.8.1.2 A embalagem ........................................................................................... 10

3.8.2 POLÍTICA DE PREÇO ......................................................................................... 11

3.8.2.1 Determinação do preço de venda ao público ........................................... 11

3.9. POLÍTICA DE DISTRIBUIÇÃO ................................................................................. 11

3.10 POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO .............................................................................. 12

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 15

5. APÊNDICES ........................................................................................................... 16

5.1. APÊNDICE A – CARTA DE PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO E DE COLABORAÇÃO À ANTIGA

CONFEITARIA DE BELÉM, LDA, ................................................................................... 16

5.2. APÊNDICE B - GUIA DA ENTREVISTA ................................................................... 17

5.3 APÊNDICE C – ENTREVISTA AO DR. MIGUEL CLARINHA .......................................... 18

6. BIBLIOGRAFIA ....................................................................................................... 25


1. Introdução

Cada vez mais, os consumidores apresentam-se como elementos activos e,

sobretudo, informados durante o processo de consumo quer de bens como de

serviços. Simultaneamente, a crescente competitividade do mercado exige maior

eficácia e melhores resultados para que se mantenham e se atinjam os objectivos pré-

determinados pela própria empresa. Logo, a existência de estratégias de marketing é

fundamental.

Segundo dados disponíveis pelo Instituto Nacional de Estatística (INE),

relativos a 2008, existem 349 756 micro, pequenas e médias empresas (PME) em

Portugal, sendo que 86% destas dizem respeito a micro empresas. Por definição, uma

PME não tem mais que 250 funcionários, em muitas das quais grande parte dos

mesmos são não-especializados. Assim sendo coloca-se a questão - será que todas

as PMEs têm um departamento de marketing definido e estruturado?

Neste sentido, é pertinente perceber a estrutura e organização, quer

hierárquica quer funcional, de uma PME e, também, de que forma têm presentes a

necessidade de estratégias de marketing da marca e da própria empresa.

Desta forma, a consciencialização de como uma estratégica e plano de

marketing são integrados no funcionamento da PME só é possível in loco, onde,

através de observação directa e participante, se torna claro como todos os agentes

interactuam no sentido de garantir e promover o sucesso da mesma.

Porquê a escolha pela Antiga Confeitaria de Belém, Lda?

Determinou-se como objecto de estudo a empresa Antiga Confeitaria de Belém,

Lda, na medida em que se trata de uma empresa:

De médias dimensões;

Com posicionamento estratégico particular;

E, por fim, por se tratar de uma empresa histórica e facilmente

reconhecível por parte dos portugueses.

1.1.Questão de Partida

Como questão de partida major ou problema tem-se: ‘’Qual a estrutura e

organização tendo em vista estratégias de marketing e vendas da Antiga Confeitaria

de Belém, Lda?’’

1


1.2 Objectivos do trabalho

O presente estudo tem como objectivo principal observar e descrever a

organização geral da Antiga Confeitaria de Belém, Lda. Como objectivos específicos

pretende-se, essencialmente:

Determinar a organização estrutural, hierárquica e funcional da Antiga

Confeitaria de Belém, Lda;

Identificar os elementos responsáveis pela gestão de marketing e

vendas da Antiga Confeitaria de Belém, Lda;

Identificar quais os objectivos de vendas e de marketing actuais do

mesmo;

Verificar a existência ou não de alterações associadas à actual crise

socioeconómica no interior da Antiga Confeitaria de Belém, Lda, e na

respectiva gestão de marketing e vendas;

Identificar as principais características da estratégia e plano de

marketing adoptado pela Antiga Confeitaria de Belém, Lda;

E, por fim, observar a rotina diária de cada um dos elementos

responsáveis.

1.3 Metodologias e procedimentos

Estudo qualitativo de carácter etnográfico. Neste sentido, pretende-se observar

in loco a organização estrutural, hierárquica e funcional da Antiga Confeitaria de

Belém, Lda.

1.3.1 Local de Estudo

O local de estudo é a Antiga Confeitaria de Belém, Lda, localizada na Rua de

Belém, nº 84-88, 1300, Lisboa, uma vez que foi aceite, por parte do Doutor Miguel

Clarinha – Direcção e Gestão –, o pedido de colaboração e acordados os aspectos

que viabilizam a realização do estudo em tempo útil (Capítulo 5.1 Apêndice A – Carta

de pedido de autorização e de colaboração à Antiga Confeitaria de Belém, Lda,).

1.3.2 Métodos de recolha de dados

Como métodos de recolhas de dados utilizou-se a (Fortin, M., 2006):

- Observação directa e participante (uma vez que se observa em colaboração

com os elementos do meio e objecto em estudo);

2


- E, a entrevista semi-dirigida (que comporta respostas abertas e fechadas)

(Capítulo 5.2 Apêndice B – Guião da Entrevista).

3


2. Qual a importância do departamento de marketing

Perante a crescente competitividade do mercado é exigida maior eficácia e

melhores reultados para que se mantenham e se atinjam os objectivos pré-

determinados por uma dada empresa. Logo, a existência de um departamento de

marketing, nomeadamente em médias e grandes empresas, é fundamental para a

sbrevivência, desenvolvimento e adaptação destas ao mercado. Segundo Morgan

(2000), os resultados de uma dada empresa serão tanto melhores quanto maior for a

importância, relevância, desemprenho e eficácia do departamento de marketing inter e

externamente (Urbonavicius, S., 2007). Sendo especialmente importante em contextos

socioeconónimos de constante mudança e transmutação como os actuais (Fox, 2003).

As acções e funções do departamento de marketing relacionam-se directamente

com as actividades financeiras, comerciais, relações públicas, desenvolvimento de

produto, entre outros (Urbonavicius, S., 2007). Desta forma, é da competência do

departamento de marketing integrar toda a informação e planear estrategicamente a

comunicação e acções da empresa. Aliás, se uma dada empresa tiver como objectivos

a satisfação das necessidades e desejos dos consumidores por meio da criação,

oferta e troca de produtos e/ou serviços (Kotler, 1999), isto é orientada para o

marketing, então todos os outros departamentos como o de produção, de finanças e

administrativos estão orientados para este mesmo objectivo de satisfação dos

consumidores (Amaral, G., 2001).

O marketing não cria per se necessidades no consumidor mas é função do

departamento de marketing identificá-las com o objectivo de as satisfazer de forma

adequada e lucrativa tendo em consideração a missão e objectivos da empresa. É, por

isso, fundamental que o departamento de marketing disponha de acesso a informação

correcta, fidedigna e actualizada de modo a reduzir a percentagem de incerteza

aquando da tomada de decisões. Simultaneamente, conhecer o mercado, estar ciente

das acções dos concorrentes, conhecer o comportamento do consumidor, os

segmentos-alvo, entre outros, são responsabilidade do departamento de marketing

(Ferreira, B. et al, 2011).

No entanto, nem sempre existe um departamento de marketing formalizado e

distinto das restantes unidades da organização, porém tal situação não é sinónimo de

inexistência de uma estratégia ou plano de marketing, que muitas vezes ficam, então,

sob responsabilidade da direcção ou elementos próximos desta.

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3. Case – Study: Antiga Confeitaria de Belém, Lda.

‘’Os pastéis que só Lisboa tem, mas que todo o mundo conhece’’

3.1. História

por Carlos Diogo Santos, em Diário de Notícias (11 de Novembro 2011).

A Antiga Confeitaria de Belém, Lda é responsável por guardar aquele que é,

talvez, o segredo mais secreto de Lisboa: a receita dos Pastéis de Belém. Segundo o

jornalista Carlos Diogo Santos (Diário de Notícias, Novembro 2011) - ‘’Os pastéis que

só Lisboa tem, mas que todo o mundo conhece’’ - existem desde 1837.

Aquando da Revolução Liberal de 1820, e com a crise instalada nas ordens

religiosas e com o encerramento de vários conventos, consta que um monge do

Mosteiros dos Jerónimos decidiu fabricar uns pastéis de nata segundo uma receita

secreta e distinta. Na ocasião, pelas características próprias do local, a grande

actividade mercante, comercial e turística proporcionou uma grande visibilidade a este

doce conventual. Consequentemente, em 1837 registou-se a patente e a marca

Pastéis de Belém, ficando a produção (segundo a receita original) e venda destes a

cargo da Antiga Confeitaria de Belém, Lda.

Transmitida e exclusivamente conhecida pelos cinco mestres pasteleiros que

os fabricam artesanalmente na "Oficina do Segredo", esta receita mantém-se

inalterada até aos dias de hoje. Aqui, a marca apresenta um grande valor institucional

ao desenvolver uma forte pertença entre os funcionários e que os mantém fiéis à

empresa (Capítulo 3.6 A marca e imagem de marca: Pastéis de Belém).

Actualmente, a Antiga Confeitaria de Belém, Lda trata-se duma sociedade por

quotas, gerida familiarmente. A gerência é constituída três pessoas: Dr. Pedro

Clarinha, o filho - Dr. Miguel Clarinha e a sobrinha, Dra. Penélope Clarinha.

3.2. Estrutura Organizacional

A estrutura organizacional de uma empresa reflecte as relações formais entre

os grupos e os indivíduos que constituem a empresa ou um dado departamento, tendo

em consideração as funções de cada unidade ou elemento e a forma como estão

hierarquicamente posicionados. A estrutura organizacional é representada sob a forma

de organigrama (Teixeira, S., 1998).

5


A Antiga Confeitaria de Belém, Lda., está estrutural e hierarquicamente

organizada segundo um modelo linear, em que o Dr. Pedro Clarinha assume o cargo

máximo como Director Geral (Capítulo 5.3 Apêndice C - Entrevista ao Dr. Miguel

Clarinha.

Ilustração 1. Organograma Estrutural e Hierárquico da Antiga Confeitaria de Belém, Lda.

No entanto, por se tratar de uma empresa de carácter familiar, as relações

informais, isto é, todo o conjunto de relações ou interacções que surgem de forma

espontânea e acentuadas pelo grau de parentesco entre os membros da direcção,

promovem a passagem de informação e a interdependência de funções e tomadas de

decisão .

Na Antiga Confeitaria de Belém, Lda não se verifica a existência de um

departamento de marketing formal, sendo da responsabilidade da direcção, em

particular do Dr. Miguel Clarinha (Licenciado em Marketing e Publicidade pelo Instituto

de Artes Visuais, Design e Marketing - IADE), o desenvolvimento da estratégia e plano

de marketing e vendas da empresa.

Direcção

Pedro Clarinha

Miguel Clarinha

Penélope Clarinha

Supervisão Economato Qualidade

Serviço de

Confeitaria

Fabricação

Serviço de mesa

e atendimento

É da responsabilidade do Dr. Miguel Clarinha: (i) a elaboração e controlo das

estratégias e planos de marketing; (ii) coordenar e integrar informação proveniente das

demais unidades internas da empresa; (iii) manter uma relação próxima com a

unidade de produção e garantir a acção da unidade de qualidade sobre a primeira; (iv)

coordenar e manter relações com fornecedores; (v) a comunicação interna e externa;

(vi) a elaboração de briefings referentes a estratégias de comunicação above e below

6


the line quer para orientação interna quer para fornecedores de serviços de marketing;

entre outras funções.

O Dr. Miguel Clarinha para além das funções mencionadas acumula ainda

funções da responsabilidade da direcção. Embora as funções relacionadas com o

marketing sejam da sua responsabilidade, quer o seu pai, Dr. Pedro Clarinha, quer a

sua prima, Penélope Clarinha, são também elementos activos na tomada de decisões.

Adicionalmente, não se prevêm alterações estruturais no interior da direcção a

curto e médio prazo ainda que se vivencie uma forte crise socioeconómica.

3.3 Valores

A Antiga Confeitaria de Belém, Lda reconhece que o sucesso da marca

assenta na grande carga histórica e tradição associadas à marca, ao estabelecimento

e ao produto (os Pastéis de Belém). Aposta por isso, contrariando uma possível

tendência de necessidade de renovação de identidade e imagem de marca, na

manutenção da sua identidade, assentando em valores como a tradição, proximidade

com o consumidor, e numa diferenciação pela manutenção da “qualidade [do produto]

e dos processos de produção artesanais” (Capítulo 5.3 Apêndice C - Entrevista ao Dr.

Miguel Clarinha. Tanto que os Pastéis de Belém são considerados pelos

consumidores a referência dentro da categoria (pastelaria e confeitaria tradicional e

nacional). É percepcionada por estes como marca genuína à qual está associado um

forte valor de tradição e que culmina com uma forte relação afectiva entre o produto,

consumidores e a construção da identidade nacional.

3.4. Objectivos

Actualmente, a Antiga Confeitaria de Belém, Lda estabelece como objectivo para 2012

a manutenção do volume de vendas como explícita o Dr. Miguel Clarinha – ‘’ (...) a

nossa expectativa para o ano que vem é conseguir manter [o volume de vendas], não

temos aqui grandes expectativas de crescimento, porque isso seria um pouco utópico,

e manter o volume de vendas seria já para nós como crescimento, seria como uma

vitória , porque o contexto [socioeconómico] já é complicado” (Capítulo 5.3 Apêndice C

- Entrevista ao Dr. Miguel Clarinha.

3.5. Segmentação

É fundamental para qualquer organização conhecer os seus públicos-alvo e

públicos pontenciais, só assim é possível adequar a estratégia e plano de marketing

aos mesmos de forma eficaz (Lindon, D., et al, 2011).

7


3.5.1 Critérios de Segmentação

A Antiga Confeitaria de Belém, Lda, dirige a venda de Pastéis de Belém

segundo um critério geográfico, isto é, a todos os indivíduos residentes em Lisboa e a

indivíduos que estejam de passagem pela zona circundante ao estabelecimento (o

inclui turistas) com interesse pela pastelaria tradicional. Por não se tratar de um

produto de primeira necessidade os indíviduos pertencem às classes A, B, C1 e, mais

dificilmente, C2.

Ao tratar-se de um critério de valor operacional e passível de medição permite

ao responsável de marketing, neste caso o Dr. Miguel Clarinha, direccionar com maior

especificidade as suas acções.

3.6 Posicionamento

À semelhança da segmentação estabelecer o posicionamento de uma dado

produto reflecte uma escolha por parte do departamento de marketing e traduz a forma

como se pretende ser percepcionado pelo público-alvo (Lindon, D., et al, 2011).

Ao tratar-se de uma política de marketing, isto é um conjunto de decisões e

regras de conduta que a empresa adopta para atingir os seus objectivos (Ferreira B.,

2011), e de uma decisão estratégica face aos concorrentes, pretende transmitir,

explicíta ou implicitamente, uma posição coerente, credível, distinta e atractiva de um

dado produto no mercado em que se insere e, também, na mente dos consumidores

(Lindon, D., et al, 2011).

Neste caso, a marca Pastéis de Belém e produto homónimo são identificados

como pastéis de Nata (o que permite situar o produto), diferenciando-se dos restantes

pela tradição, qualidade e secretismo em redor da receita original (o que permite

distinguir o produto da concorrência), como traduz a assinatura Pastéis de Belém, O

Sabor da Tradição.

Apesar de as estratégias de marketing serem actualizadas periodicamente à

evolução dos mercados, o posicionamento é um elemento de continuidade que

garante a coerência entre os subsequentes planos de marketing.

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3.7 A marca e imagem de marca: Pastéis de Belém

“A product is something made in a factory;; a brand is something that is bought by the

customer. A product can be copied by a competitor; a brand is unique. A product can

be quickly outdated;; a successful brand is timeless.”

por Stephen King, WPP Group, London

A concepção de marca acrecenta valor ao produto, à empresa e, inclusive, ao

consumidor. Na medida em que se apresenta como um termo de responsabilidade da

empresa, diminuindo o risco decorrente da aquisição desse produto pelo consumidor

(Lindon, D., et al, 2011). Por exemplo, um indivíduo ao querer consumir um Pastel de

Belém, sabe à priori que está adquirir um pastel de nata (produto) de qualidade

distinta.

Perante uma oferta de produtos semelhantes, as marcas, com as suas

identidades gráficas facilmente reconhecíveis, são elementos que promovem ou

distanciam a aquisição do produto por parte dos consumidores (Lindon, D., et al,

2011). Os Pastéis de Belém por apresentarem uma forte identidade e imagem de

marca são facilmente reconhecíveis e surgem como produto de referência na

aquisição no que diz respeito ao mercado da pastelaria e confeitaria tradicional e

nacional, nomeadamente, de pastéis de nata.

A marca constitui, também, um elemento de pertença e de identificação entre

membros de um dado grupo, pode, por exemplo, traduzir um status social (Lindon, D.,

et al, 2011). Os Pastéis de Belém são, em grande parte, identificados e projectados

pelos consumidores tendo em consideração a sua forte história e tradição o que

proporciona e contribui para uma forte pertença e construção de identidade nacional.

3.7.1 A identidade psicológica da marca, personalidade e valores.

Por si só, uma marca não é apenas descrita pelos seus aspectos físicos e

concretos. As grandes marcas têm sempre associadas a si valores, traços e

personalidades (Lindon, D., et al, 2011). Desta forma, todas as manifestações da

marca contribuem para a criação de uma imagem e de valores associados à mesma.

Por exemplo, o estabelecimento da Antiga Confeitaria de Belém apresenta uma

decoração própria e tradicional (existência de elementos nacionais como azulejos de

cerâmica típicos, entre outros), o que reflecte os valores da empresa (Capítulo 3.3

Valores).

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3.8 Marketing-Mix

Marketing-Mix define-se como todo o conjunto de decisões de marketing que

resultam de orientações definidas pela política e estratégia de marketing e que visam

atingir os objectivos pré-determinados (Lindon, D., et al, 2011; Nunes, C., et al, 2001).

3.8.1 Política de Produto

A política de produto é elemento fundamental da estratégia de marketing uma

vez que determina: (i) a definição do portfolio de actividades da empresa e respectivos

produtos; (ii) as características próprias de cada um dos produtos; (iii) a embalagem e

respectiva concepção; e, (iv) uma política de gama (Lindon, D., et al, 2011).

A Antiga Confeitaria de Belém apresenta uma estratégia direccionada para o

produto líder, os Pastéis de Belém, uma vez que a sua fabricação e venda constituem

o portfólio de actividades daquela com o propósito principal de manter as vantagens

dos mesmos. Entende-se por vantagens todos os atributos positivos do produto em

relação aos concorrentes e que decorrem da perfomance e mantêm a qualidade dos

mesmos.

A Antiga Confeitaria de Belém priviligia a qualidade do fabrico tendo, por isso,

optimizado as técnicas de confecção dos Pastéis de Belém e constituído um

departamento de controlo de qualidade.

Não obstante, a qualidade de produto é determinada pela correspondência ou

não às expectativas do consumidor, pelo preço do produto e distinção face à

concorrência (Lindon, D., et al, 2011).

3.8.1.2 A embalagem

Por definição, embalagem designa o conjunto de elementos materiais que sem

serem parte integrante do produto facilitam a sua protecção, permitem o seu

transporte, armazenamento, identificação e utilização por parte dos consumidores

(Lindon, D., et al, 2011).

A Antiga Confeitaria de Belém utiliza maioritariamente embalagens primárias,

isto é, embalagens em que cada unidade de consumo (cada Pastel de Belém) está em

contacto directo com esta.

O design industrial teve em consideração aspectos ergonómicos (a forma

circular do produto, e por isso a embalagem em prisma hexagonal), aspectos relativos

à conservação do produto e facilidade de transporte (tamanho adequado ao

manuseamento), e, por fim, aspectos estéticos (o material utilizado ao absorver a

gordura proveniente do produto não mancha, e, ainda, função de atracção e

comunicação apelando aos valores da marca).

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3.8.2 Política de Preço

O preço é a única variável do marketing-mix, que para além de contribuir para a

imagem da marca, produz receitas (as restantes implicam custos e despesas) e

permite a sustentabilidade da empresa (Lindon, D., et al, 2011; Ferreira, B., et al,

2011).

3.8.2.1 Determinação do preço de venda ao público

A Antiga Confeitaria de Belém, Lda estabelece o preço de venda ao público

(PVP) tendo em consideração o preço de custo de produção mais uma dada margem.

Actualmente, cada Pastel de Belém tem um preço unitário de € 0,95, desconhecendo-

se o custo de produção e respectiva margem.

Porém, o custo de produção está sujeito a inúmeras variáveis externas,

nomeadamente, alterações no preço das matérias-primas, inflação e outros impostos.

Por exemplo, no próximo ano de 2012, o aumento do Imposto de Valor Acrescentado

(IVA) referente à restauração de 6 para 23% terá implicações directas com o PVP

como adianta o Dr. Miguel Clarinha – “(...) Ainda não decidimos exactamente para

quanto iremos aumentar [o PVP], mas que teremos que fazer um aumento teremos,

não poderemos suportar sozinhos este aumento do IVA, vamos ter que pensar nisso,

será uma decisão tomada para o ano [2012]’’ (Capítulo 5.3 Apêndice C - Entrevista ao

Dr. Miguel Clarinha

3.9. Política de Distribuição

Entende-se por distribuição como todo o conjunto de organizações e

actividades independentes envolvidas no processo de comercialização dos produtos

tornando-os acessíveis aos consumidores (Ferreira, B., 2011). Na verdade, distribuir

produtos é tê-los no local certo, em quantidades suficientes, com as características

pretendidas num dado momento (Lindon, D., et al, 2011; Ferreira, B., et al, 2011).

Neste sentido, a localização privilegiada, perto do rio Tejo, entre o Mosteiro dos

Jerónimos e o Palácio de Belém, numa rua movimentada, turística e de fácil acesso

garante, em parte, uma eficiente distribuição dos Pastéis de Belém tendo em

consideração os valores da Antiga Confeitaria de Belém, Lda.

Do ponto de vista estratégico, a distribuição dos Pastéis de Belém, é exclusiva,

uma vez que o estabelecimento da Antiga Confeitaria de Belém, Lda é o único ponto

de venda. Trata-se de um circuito directo, isto é, do produtor para o consumidor. Neste

sentido, é possível um maior contacto e proximidade com o consumidor e uma melhor

compreensão do comportamento dos mesmos. Esta relação directa entre o fabrico e

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distribuição permite eliminar custos com a remuneração da distribuição por terceiros,

já que não existem.

Quando questionado sobre a possibilidade de expandir a distribuição a outros

pontos de venda, o Dr. Miguel Clarinha, evidencia a forte e coerente política de

produto da empresa – ‘’(...) é muito importante para a qualidade do produto a forma

como o produto chega ao cliente, nós temos optado por centralizar a venda apenas

aqui. Se fizermos a distribuição do produto ele chegará ao cliente em condições não

tão boas quanto aquelas que podemos proporcionar’’ (Capítulo 5.3 Apêndice C -

Entrevista ao Dr. Miguel Clarinha. Na verdade, a distribuição é uma variável díficil de

controlar, uma vez que o produtor perde o controlo sobre os produtos aquando da

transmissão jurídica ao primeiro intermediário, o que se pode traduzir numa perda de

qualidade no caso de produtos perecíveis como os Pastéis de Belém (Lindon, D., et al,

2011).

Para além de prestar um atendimento simpático e eficiente aos seus clientes

no fornecimento dos Pastéis de Belém, a Antiga Confeitaria de Belém, Lda apresenta

uma decoração tradicional baseada em azulejos azul e branco que remetem a

diferentes momentos da história da zona de Belém, e, ainda, outros elementos

etnográficos e tradicionais.

3.10 Política de Comunicação

‘’Não chega fazer um bom produto – há que o dar a conhecer e valorizá-lo’’

em Mercator XXI, 2011.

Por política de comunicação entende-se todo o conjunto de sinais que a

empresa emite de forma voluntária, a distribuição destes via media (sejam eles

publicidade , relações públicas , promoções de venda, marketing directo, etc) às linhas

gerais do copy strategy (que contém as promessas, o tom e os valores a transmitir) e

aos meios promocionais usados (amostras gratuitas, preços especiais, venda conjunta

com outros produtos, etc) (Ferreira, B., et al, 2011).

A Antiga Confeitaria de Belém, Lda apresenta-se como um caso particular, já

que o seu sucesso baseia-se num só produto que é facilmente reconhecível pelos

consumidores em virtude do elevado valor histórico e tradicional do mesmo. Neste

sentido, a empresa não necessita de investir em comunicação above the line de uma

forma regular e intensiva. Aliás, o Dr. Miguel Clarinha acrescenta que os meios de

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comunicação social são os primeiros a fazer essa mesma divulgação e sem qualquer

custo para a empresa – ‘’(...) Volta e meia vamos fazendo comunicação nos meios

tradicionais, na rádio , em imprensa escrita , ás vezes fazemo-lo em épocas festivas

como o natal ou alturas em que queremos comunicar algo especial que se está a

passar, mas realmente é raro fazê-lo. Agora na televisão nunca o fizémos. Os Pastéis

de Belém são um caso de certa forma único porque nós temos muita procura

mediática, felizmente para nós recebemos muita imprensa nacional e estrangeira que

por um motivo ou outro acaba sempre por falar dos pasteis de Belém e vamos

aparecendo na televisão nacional e internacional com todo o tipo de reportagem,

portanto, a nossa imagem vai sendo passada nos principais meios de comunicação o

que nos faz de certa forma sentir que não temos tanta necessidade em investir nos

meios de comunicação como a televisão’’ (Capítulo 5.3 Apêndice C - Entrevista ao Dr.

Miguel Clarinha.

Logo, a Antiga Confeitaria de Belém, Lda prefere investir em meios below the

line, reconhecendo a importância da internet, das redes sociais e o networking que

estas possibilitam, onde a comunicação entre consumidores adquire uma importância

extraordinária onde oss clientes apóstolos, que promovem positivamente a empresa e,

sobretudo, os contestatários, têm a capacidade de construir e destruir a reputação da

marca (Lindon, D., et al, 2011). Desta forma, Antiga Confeitaria de Belém, Lda é

bastante activa e regular no Facebook, onde tem uma página com mais de 2000

seguidores. As actualizações constantes sobre novidades promovem um envolvimento

com os consumidores e despertam a curisidade de potenciais. Com a utilização desta

plataforma é possível acima de tudo assegurar uma comunicação eficaz e

personalizada com consumidores, tanto nacionais como estrangeiros (que

representam uma fatia importante dos consumidores da Antiga Confeitaria de Belém,

Lda).

Simultaneamente, apresenta um site próprio interactivo e dinâmico, que facilita

a apresentação da empresa e do estabelecimento, bem como dos produtos vendidos.

No entanto, a Antiga Confeitaria de Belém, Lda deu prioridade a um design tradicional

(logótipo sob a forma de brasão, motivos, tipografia clássica e serifada), remetendo os

consumidores para os valores enunciados pela empresa e preservando a respectiva

identidade.

Com o investimento nos novos meios de comunicação digital a empresa

procura reforçar a sua presença no mercado aproveitando o efeito viral e a mouth-to-

mouth online. No entanto, sem prejuízo dos seus valores e com a manutenção das

linhas copy strategy (Capitulo 3.3 Valores). Desta forma, apresenta inovação e

capacidade de adaptação ao novo mercado online sob o mote de tradição actual.

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A Antiga Confeitaria de Belém, Lda associa-se também a acções de

responsabilidade civil e social, como forma de comunicação e promoção de produto. É

frequente a presença de Pastéis de Belém em eventos de carácter social e

benficiência. Recentemente, apoiou a candidatura do Fado a património cultural

imaterial da humanidade pela UNESCO através da criação de embalagens específicas

com elementos gráficos associados ao Fado.

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4. Considerações Finais

Ao estudarmos a Antiga Confeitaria de Belém, Lda e, particularmente, a acção

do Dr. Miguel Clarinha como principal responsável, verificou-se a importância do

estabelecimento de uma estratégia de marketing para o funcionamento e sucesso de

uma empresa.

Durante o estudo deparamo-nos com um caso bastante particular: A Antiga

Confeitaria de Belém, Lda apresenta-se como uma empresa de gerência familiar,

sendo que todas as decisões são decididas pela gerência na sua totalidade. No

entanto, é ao Dr. Miguel Clarinha, a quem são atribuídas funções relativas à criação e

desenvolvimento de estratégias e planeamento de marketing e comunicação, sem que

haja, no entanto, um departamento de marketing propriamente dito.

A decisão da gerência de estabelecer como objectivo a manutenção das

vendas tem influência directa no plano estratégico de marketing da Antiga Confeitaria

de Belém. Este plano estratégico pauta-se por um reforço dos valores de tradição e

qualidade associados a marca e ao seu produto de referência, os Pasteis de Belém.

Este produto é a base do sucesso da empresa, e apresenta uma ligação afectiva forte

com os consumidores, dispensando grandes acções promocionais ou publicitárias. A

Antiga Confeitaria de Belém decide, por isso, não investir grandemente em

comunicação convencional, isto é, através dos meios above-the-line. Opta por

direccionar as suas atenções para os novos media como a internet, procurando cativar

consumidores através de um site dinâmico e da participação nas redes sociais,

procurando aliar aos valores artesanais e tradicionais, um conceito de modernidade e

actualização. Não se prevêm alterações estruturais no interior da direcção a curto e

médio prazo, ainda que se vivencie uma forte crise socioeconómica.

As grandes limitações do estudo prende-se com o facto de não existir um

departamento de marketing definido estruturalmente e também por não ter sido

possível acompanhar a rotina diária do Dr. Miguel Clarinha.

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5. Apêndices

5.1. Apêndice A – Carta de pedido de autorização e de colaboração à

Antiga Confeitaria de Belém, Lda,

Assunto: Pedido de autorização e de colaboração à Gerência da Antiga Confeitaria

de Belém, Lda., para a realização do estudo “O Marketing dos Pastéis de Belém”, no

âmbito da Unidade Curricular Fundamentos de Marketing da Escola Superior de

Comunicação Social de Lisboa.

Exmo. Senhor Director Miguel Clarinha,

No âmbito de Unidade Curricular de Fundamentos de Marketing, do 1º ano, da

Licenciatura em Publicidade e Marketing da Escola Superior de Comunicação Social

de Lisboa, os discentes André Amaral, Carla Pires, Daniel Silva, Luís Medeiros e Mário

Rui André vêm por este meio solicitar a colaboração da Antiga Confeitaria de Belém,

Lda. na realização do estudo intitulado “O Marketing dos Pastéis de Belém””.

O presente estudo tem como objectivo principal observar a organização geral do

Departamento de Marketing da Antiga Confeitaria de Belém, Lda. (se é que é possível

distingui-lo na estrutura da empresa). Como objectivos específicos pretende-se,

essencialmente:

• Identificar os elementos constituintes do departamento de marketing;

• Determinar a organização estrutural e funcional do departamento de

marketing;

• Identificar quais os objectivos actuais do mesmo;

• Observar a rotina diária de cada um dos elementos constituintes;

• Saber mais sobre os Pastéis de Belém e a sua história,

• Conhecer a sua confecção, modo de venda e distribuição;

• E, por fim, compreender a sua importância para a economia lisboeta e

nacional.

O estudo está sob orientação do Professor Manuel Batista, docente da Escola

Superior de Comunicação Social de Lisboa, e com duração máxima prevista de uma

semana. Qualquer esclarecimento adicional ou contacto pode contactar, por telefone

ou e-mail, com Mário Rui André (mruiandre@gmail.com; 915 716 641) ou, ainda, com

Professor Manuel Batista, docente responsável (mbatista@escs.ipl.pt).

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Aguardamos resposta o mais depressa possível.

Com os melhores cumprimentos,

André Amaral, Carla Pires, Daniel Silva, Luís Medeiros e Mário Rui André

5.2. Apêndice B - Guia da Entrevista

1. Como se organiza functional e estruturalmente a Antiga Confeiteira de Belém?

Existe algum organograma da empresa?

2. Que valores partilha e procura a direcção na gestão do negócio?

3. Quantos funcionários tem a Antiga Confeitaria de Belém?

4. Que objectivos de vendas estabeleceram para 2011? Estão a ser cumpridos?

5. O volume de vendas sofreu alterações com actual crise socioeconómica, se

sim em que medida?

6. Em que medida, a seu ver, os pastéis de Belém ajudam a construir uma

imagem positiva de Portugal?

7. Comercialmente como é feita a gestão no dia-a-dia?

8. Tendo em consideração o vosso extenso volume de vendas diário alguma vez

foi ponderado a extensão do negócio? Internacionalmente, por exemplo?

Também a criação de um departamento de Marketing?

9. No que diz a acções específicas de comunicação, é hábito desenvolvê-las

frequente ou pontualmente?

10. A estratégia de divulgação da marca está baseia-se em muito pela história já

adquirida. No entanto, recentemente apostaram num packaging específico na

promoção do Fado a Património Mundial. Como surgem estas relações e

parcerias? O ‘’passa palavra’’ continua a ser uma das vossas principais

estratégias?

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5.3 Apêndice C – Entrevista ao Dr. Miguel Clarinha

(Alunos): Como é a estrutura e organização da Antiga Confeitaria de Belém, se calhar

era aquela que para nós é essencial, que é perceber a questão do ser uma empresa

familiar...

(Dr. Miguel Clarinha): É uma empresa de gestão familiar, gerente principal, que é

neste caso o meu pai, a minha prima e eu somos a parte de gerência da empresa, e

portanto somos todos da mesma família. Depois abaixo da gerência temos a direcção,

a qualidade, a parte do economato, e a supervisão, depois as secções em que se

reparte o serviço da confeitaria, que diz respeito á fabricação ao serviço de mesa e

balcão. Quanto ao departamento de Marketing, não temos um propriamente. Nós na

gerência, sobretudo eu, vamos fazendo tudo o que seja relacionado com o marketing

entre muitas outras tarefas, mas eu sou a pessoa que mais lida com o marketing,

embora a minha prima e o meu pai lidem com muitas situações e participem nas

discussões que estão relacionadas directamente com o marketing, portanto a

organização estrutural da empresa é mais ou menos esta.

(Alunos): Então, o seu pai tem mais uma função de administração, ligado á gestão

financeira, então a sua prima e o seu pai , tem digamos uma função mais especifica

dentro da empresa, uma vez que o Dr. Miguel está mais ligado à área de comunicação

embora as funções sejam cumulativas?

(Dr. Miguel Clarinha): De facto, o gerente principal é o meu pai, ele tem

responsabilidades que nós não temos , nomeadamente a ultima decisão é sempre

dele , tudo o que seja relacionado com assinaturas, com pagamentos, esse tipo de

decisões passam pelo gerente principal , tanto a minha prima como eu vamos fazendo

de tudo um pouco, fazemos o papel da gerência pois há inúmeras coisas que se faz

no que diz respeito a gerir uma empresa, desde recursos humanos até contabilidade,

gerir um pouco de todos os departamentos, fazer o acompanhamento aqui no

atendimento ao cliente, na parte de escritório, portanto, vamos acumulando funções e

vamos apoiando-nos uns aos outros de forma a cumprir os objectivos, agora eles tem

participação também no marketing mas se calhar eu acabo por ter maior participação

porque também foi algo que eu estudei, com que o qual estou mais habituado a lidar,

mas ele participam mas eles também participam nestas tomadas de decisões.

(Alunos): Portanto, os 3 estão elementos activos no que diz respeito à estratégia da

comunicação e do marketing, na antiga confeitaria de Belém.

Uma outra questão, que valores embora os valores económicos estejam implícitos em

toda a politica e em tudo, que valores partilha e procura a direcção no que diz respeito

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á escolha dos seus funcionários, de uma forma geral quais são os valores e a missão

da própria confeitaria.

(Dr. Miguel Clarinha): Nos valores e missão, não está directamente relacionado com a

escolha de pessoal, nós na antiga confeitaria de Belém tem como principal produto o

Pastel de Belém, digamos que o nosso posicionamento aqui, a nossa estratégia

principal passa por manter a qualidade deste produt , mantendo a receita original e os

processos de produção artesanais , que resultam no Pastel de Belém , a nossa

principal preocupação é manter a identidade da marca, manter a identidade da casa e

isso passa naturalmente por manter a identidade do produto e a qualidade do mesmo ,

bem como a forma artesanal da sua produção , digamos que este é o principal valor.

Para além disto há uma serie de preocupações como manter um bom serviço para os

nossos clientes , manter um espaço agradável , manter uma politica de gestão em que

consigamos manter esta imagem de produto tradicional , de casa tradicional , típica ,

com história , com uma decoração que também nos transporta por momentos na

história, que esteja associada a toda a zona de Belém e toda a envolvência da história

do produto e a história da casa em si, mas ao mesmo tempo acompanhar a evolução

dos tempos e também ser capaz de dar uma resposta aos nossos clientes de

qualidade, ás vezes obriga-nos a modernizar a nossa produção mas também o

atendimento, portanto , aqui queremos manter uma identidade tradicional e artesanal

mas obviamente que vamos tendo que modernizar aqui e ali na medida em que as

exigências o vão obrigando.

(Alunos): Neste caso o facto de querer, ter essa necessidade de manter a tradição e a

produção artesanal a identidade histórica do próprio produto é uma das razões

principais pela qual nunca apostaram numa produção mais alargada ou até uma

internacionalização uma vez que são pasteis conhecidos em todo o mundo não é

verdade?

(Dr. Miguel Clarinha): Sim... o Pastel de Belém é um produto perecível , é produzido

na altura e deve ser consumido na altura quente para que possa manter o máximo da

sua qualidade. Nós os pasteis que vendemos aqui, aliás o único local em que são

vendidos são aqui, são sempre feitos na hora, portanto , qualquer cliente que adquire

aqui pasteis de Belém sabe que eles foram feitos no máximo á uma hora, e isso

também é muito importante para a qualidade do produto, a forma como o produto

chega ao cliente, nós temos optado por centralizar a venda apenas aqui para

centralizar e se fizermos a distribuição do produto ele vai chegar ao cliente em

condições não tão boas quanto aquelas em que chega aqui na confeitaria, portanto,

iria perder-se muita qualidade no produto.

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Temos optado por não fazer distribuição a nível nacional ou para outros pontos de

venda, em primeiro lugar para preservar a qualidade do produto em segundo lugar

porque, para podermos alimentar outros pontos de venda, seriamos obrigados a

aumentar a nossa capacidade de produção aqui para dar resposta a essa maior

procura, nós muitas vezes aqui já temos a nossa capacidade de produção sobretudo

nas alturas do ano em que há maior movimento nos fim-de-semana ou feriados,

portanto, para que possamos equacionar outros pontos de venda quer sejam em

Portugal ou no estrangeiro, precisamos primeiro de ter aqui uma estrutura que nos

permita, produzir o suficiente para alimentar esses pontos de venda , e ao mesmo

tempo precisamos de encontrar forma de fazer-mos o produto chegar ao cliente com a

mesma qualidade que chega aqui.

(Alunos): Mas em relação a abrir fábricas por exemplo noutros pontos, essa ideia está

posta fora de questão ?

(Dr. Miguel Clarinha) Produzir os pasteis de Belém não é uma tarefa fácil. Para já

porque temos a questão da receita secreta que é logo aí um entrave, mas se mais do

que isso é a questão de isto ser um produto que é feito á mão, todos eles um por um é

uma produção artesanal, logo, por essa razão nós temos cerca de cinquenta pessoas

a trabalhar só na questão do Pastel de Belém, para abrir uma nova fábrica ainda que

muito provavelmente essa nova fábrica, ou esse novo ponto de venda não tivesse uma

procura tão grande como tem aqui a loja de Belém ainda estaríamos a falar de

bastantes pessoas, equipamentos, um espaço grande, para podermos fazer uma

produção igual aquela que fazemos aqui.

Para além disto há aqui a questão de nós não querermos também industrializar o

Pastel de Belém, não queremos produzir em massa, criar um armazém em Portugal e

criar pasteis de Belém em massa porque isso seria industrializar o produto e isso seria

perder a tal identidade artesanal que falava á pouco.

(Alunos): No que diz respeito á comunicação tem estratégias ? como por exemplo o

vosso site, é moderno, embora tenha uma aparência tradicional, com uma imagem

muito tradicional, mas chega a ser uma plataforma moderna. Nunca ponderaram ter

um above the line, um anúncio na rádio ou televisão por exemplo, algo mais massivo?

(Alunos): Ou mesmo se já foi feito algum anúncio?

(Dr.Miguel Clarinha): Já foi feito, volta e meia vamos fazendo comunicação nos meios

tradicionais, na rádio, em imprensa escrita, ás vezes fazemo-lo em épocas festivas

como o natal ou alturas em que queremos comunicar algo especial que se está a

passar , mas realmente é raro fazê-lo. Agora na televisão nunca o fizemos, os pasteis

de Belém é um caso de certa forma único porque nós temos muita procura mediática,

felizmente para nós recebemos muita imprensa nacional e estrangeira que por um

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motivo ou outro acaba sempre por falar dos pasteis de Belém e vamos aparecendo na

televisão nacional e internacional com todo o tipo de reportagem , portanto , a nossa

imagem vai sendo passada nos principais meios de comunicação o que nos faz de

certa forma sentir que não temos tanta necessidade em investir nos meios de

comunicação como a televisão, porque de facto temos essa procura, e vamos fazendo

uma comunicação diferente pela bellow the line, é essa a nossa principal corda de

comunicação, nós fazemos muitos apoios e patrocínios de eventos, acções de cariz

social, no fundo, comunicamos de uma forma mais directa com os nossos clientes e

fazemos a comunicação da marca de uma forma mais directa através desses apoios ,

na oferta de pasteis que não só estamos a contribuir para uma determinada acção

seja ela social ou de outra natureza , ao mesmo tempo estamos a contribuir também a

oferecer o nosso produto e a promovê-lo junto das pessoas. Temos usado essa

estratégia tem-nos sido favorável mas temos também a vantagem de ter essa procura

mediática que se calhar muitas outras instituições ou marcas não tem na mesma

quantidade que nós temos, o que de facto, nós beneficiamos dessa situação o que nos

faz ter essa politica diferente de comunicação

(Alunos): Recentemente, com a questão que fado de património mundial , alteraram as

vossas embalagens, neste caso pela agência FANQ!, foi uma proposta da empresa?

Foi por concurso? Foi uma proposta que surgiu por parte da agência? Como surgiu

essa acção pontual?

(Dr. Miguel Clarinha): Não... não foi por concurso foi, agora que falamos de

embalagens, foi as aplicações, foi o tipo de material que nós usamos merchandising,

as chávenas os guardanapeiros as chávenas, as caixas dos bolos e pasteis de Belém

fora aqui todas desenhadas internamente. Foi feito por mim, por um amigo meu que é

designer, foi feito algo de dentro, um pouco familiar e a questão da acção do fado

também foi parecida , de facto teve contributo da agência funk pois tenho pessoas que

estudaram comigo que trabalham lá e de facto foi uma decisão em conjunto e que eles

fizeram a produção o design das embalagens utilizando o design que nós já tínhamos

feito anteriormente, o André Carrilho fez o desenho dos fadistas e achamos que era

uma boa oportunidade para promover a candidatura do fado mas também , uma nova

imagem para as caixas dos pasteis é uma associação que faz sentido , o fado e os

pasteis de Belém são ambos tradicionais, ambos surgiram na mesma altura no mesmo

contexto histórico e pareceu-nos uma boa ideia surgiu de facto nessa ligação pessoal.

(Alunos): Neste caso por exemplo, quantos funcionários tem a antiga confeitaria de

Belém?

(Dr. Miguel Clarinha): cerca de cento e sessenta.

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(Alunos): É algo que não tinha noção pois nesta zona de atendimento ao público são

mais ou menos quantos trabalhadores ?

(Dr. Miguel Clarinha): Depende, vão variando consoante o dia da semana, ao fim de

semana estão sempre mais pessoas a trabalhar , se calhar nesta altura á menos , no

mínimo sempre de cinco a sete pessoas no balcão mais dez ou doze nas mesas ,

depois há todas as outras secções que o cliente não vê directamente como a

produção a manutenção a copa, havendo mais secções como o armazém a gerência,

o escritório, há muitas secções que o cliente não tem acesso e para alem da fábrica

dos pasteis de Belém , há também uma fábrica onde são feitos todos os outros

produtos que são vendidos aqui, são realmente muitas pessoas que são precisas para

fazer a máquina funcionar.

(Alunos): Estava a falar ao bocado do material e de todas as decisões haver com o

merchandising seriam feitas internamente , a pergunta que eu lhe queria fazer era se o

logótipo era o original desde 1837 , se é o original ou se já houve alterações mesmo

em relação ás embalagens , porque , apesar de ter havido alterações no material ou

na eficácia das embalagens elas tem aquela estrutura base?

(Dr. Miguel Clarinha): Sim... o logo obviamente já sofreu muitas alterações, em 1837

nem sequer havia o conceito de logótipo , as pessoas nem sequer ... por exemplo o

brasão que já existia no logótipo era um brasão que já existia , era um brasão no inicio

do século um brasão da refinação de açúcar , também criado por associação aos

Jerónimos , e é também um brasão aqui da zona de Belém , tanto foi inspirado nestes

três aspectos . As letras dos pasteis de Belém foram criadas aqui por nós , isto é uma

fonte que não existe , são letras que são desenhadas , e entretanto ao longo do tempo

o logo foi sofrendo alterações , quer a nível da sua tonalidade cromática , como

também na forma como é desenhado , e do próprio enquadramento da letra

desenhada no brasão , a mais recente alteração foi feita á cerca de quatro anos , que

no fundo foi redigitalizado e melhorado , e todas as aplicações foram elas também

melhoradas , mas em relação á caixa dos pasteis essa tem evoluído bastante , pois a

pouco tempo saiu um artigo no público referente ás caixas dos pasteis de Belém ,

inicialmente , e até à trinta , quarenta anos atrás nem havia caixas , os pasteis eram

embrulhados em papel , as pessoas faziam um embrulho no balcão , depois á cerca

de vinte anos surgiu a ideia da caixa de cartão , pois era mais prático e rápido de

embalar , arranjou-se uma forma de optimizar uma forma de atendimento ao cliente e

era uma caixa hexagonal , porque queríamos colocar meia dúzia de pasteis que era o

mesmo que se colocava nos embrulhos e uma caixa hexagonal transportava seis ,

doze , já para não falar nas formas dos pasteis que sugere uma caixa de uma forma

hexagonal , depois foi evoluindo , não só a nível gráfico como também a nível do

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material , para conseguirmos assim melhorar questões como a gordura não

transparecer no cartão para melhorar as características estaladiças do pastel , todos

esses aspectos foram tidos em conta na elaboração das caixas e do seu

melhoramento ao longo dos anos.

(Alunos): Já agora rapidamente, falando de alterações a nível cromático estaria errado

ao dizer que o azul sempre esteve presente?

(Dr. Miguel Clarinha): O azul sempre esteve presente agora as tonalidades do azul é

que foram alterando, lembro-me por exemplo quando entrei , havia várias aplicações

ao logo e o logo aparecia de forma diferente em diferentes aplicações, a própria

tonalidade a cor, parecia diferente, quando eu digo que foi redigitalizado, e que foi

equilibrado, é que no fundo aplicamos uma série de elementos gráficos que se

mantiveram iguais, no fundo criamos normas para logo e para as aplicações que

viriam, e criamos essa base para podermos trabalhar.

(Alunos): Outra questão , já sentiram a crise sócio económica que passamos e se teve

implicações , se no próximo ano já contam com essas mesmas implicações ? E devido

ao sucesso internacional acha que a crise será um aspecto fortemente presente?

(Dr.Miguel Clarinha): É obvio que vamos sentir e os portugueses não estão bem

economicamente, felizmente este ano conseguimos manter o volume de vendas , o

que já é muito bom comparativamente ao ano anterior, e a nossa expectativa para o

ano que vem é conseguir manter, não temos aqui grandes expectativas de

crescimento, porque isso seria um pouco utópico, e manter o volume de vendas seria

já para nós como “crescimento”, seria como uma vitória , porque o contexto já é

complicado e o ano que vem será ainda mais complicado sobretudo pelo aumento do

iva que agora aí virá, que se irá fazer sentir, sobretudo na nossa clientela nacional,

tem-se sentido, pois ao invés de levarem uma dúzia levam meia , se calhar ao invés

de virem cá três vezes por semana vem uma. Em relação ao turismo felizmente não se

tem sentido tanto , pois o turismo continua a ser das poucas coisas que continua a

crescer em Portugal e nós estando aqui nesta posição geograficamente muito bem

privilegiada recebemos muito o turismo, portanto , o turismo é uma percentagem

importante deste negocio e esperemos que em 2012 se possa manter essa afluência

de turismo não só para o nosso sucesso, como também para o próprio país que

depende cada vez mais do turismo.

(Alunos): E neste caso quanto á politica de preços , certamente com a subida do iva,

haverá uma adaptação do próprio preço , nomeadamente dos pasteis, contam fazer

esse ajuste?

(Dr. Miguel Clarinha): Com certeza terá que ser feito , nós ainda não decidimos

exactamente para quanto iremos aumentar, mas que teremos que fazer um aumento

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teremos, não poderemos suportar sozinhos este aumento do IVA, vamos ter que

pensar nisso será uma decisão tomada para o ano.

(Alunos): Podia só falar um bocado do Facebook e das redes sociais , verefiquei que

tem uma grande actividade no Facebook, e comunicam muito com os consumidores!

(Alunos): É o Miguel que faz essa actualização ?

(Dr. Miguel Clarinha): Tanto eu como a minha prima vamos fazendo essa actualização,

por acaso no Facebook acaba por ser mais ela, existem duas páginas principais do

Facebook sobre os pasteis de Belém, temos uma que foi criada por nós recentemente

, á coisa de um ano , pouco mais que isso, talvez até menos , só que existe uma outra

página de pasteis de Belém que foi criada por um senhor português e um italiano com

quem nós falamos diariamente e até estamos a ponderar adquirir ou não a página ,

porque vamos falando com eles , temos a nossa interacção que é desenvolvida nessa

página também mas não é controlada por nós. Essa página já tem meio milhão de

fãns , uma divulgação que a nossa não permite , portanto , vamos fazendo uns

comunicados na nossa página oficial , mas estamos a ponderar adquirir a outra para

poder atingir um maior número de pessoas .

(Alunos): Sim, principalmente por ser o Facebook pois já tem muitos seguidores

internacionais a fazer perguntas e tudo...

(Alunos): É por aí o caminho da questão da modernização mantendo a identidade da

empresa e dos valores passa por aí a nível de outras plataformas, plataformas como

twitter... só tem Facebook?

(Dr. Miguel Clarinha): Claro que temos que considerar essas plataformas , para além

de não ter custos associados atinge um grande número de pessoas , mas sabemos

que essas plataformas tem um tempo de vida que é sempre incerto , embora o

Facebook seja um caso á parte na história destas plataformas , nunca se sabe quando

aparece outra plataforma mais evoluída e que de um momento para o outro, e o

Facebook deixa de ser um veiculo de comunicação tão útil , mas sabemos que neste

momento o Facebook tem uma comunicação excelente , e nós utilizamo-lo e enquanto

aí estiver nós iremos certamente utiliza-lo , bem como outros veículos de comunicação

e formas de comunicação.

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6. Bibliografia

Amaral, G. Departamento de Marketing: Aplicação do Marketing na Estrutura de uma

empresa. Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro, 2001.

Ferreira, B., et al., Fundamentos de Marketing. Edições Sílabo. 1ª Edição, Lisboa,

2011. ISBN: 978-972-618-619-9.

Lindon, D., et al,. Mercator XXI: Teoria e Prática do Marketing. Publicações D. Quixote.

14ª Edição. Alfragide, 2011. ISBN: 978-972-20-2744-1.

Nunes, J., et al,. Plano de Marketing: Estratégia em Acção. Publicações D. Quixote. 1ª

Edição. Lisboa, 2001. ISBN: 972-20-2055-2

Urbanivicius, S. Importance of Marketing Functions in a Company. Vilniaus

Universitetas, Vilnius, 2007.

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