10 transporte - Canal : O jornal da bioenergia

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10 transporte - Canal : O jornal da bioenergia

22 AÇÚCAR EM ALTA

Produtores de açúcar vivem momento de euforia com preços firmes do produto. Analistas

recomendam aproveitar a oportunidade, pois cotações podem recuar na próxima safra.

usina jalles machado/divulgação

unica/divulgação

sifaeg/divulgação

10 TRANSPORTE

Normativa 76 desburocratiza obtenção da

licença para transportar trabalhadores

contratados em outros Estados ao substituir

antiga Certidão Liberatória pela Certidão

Declaratória de Transporte.

26 NOVAS USINAS

ETH Bioenergia inicia operações da unidade Rio

Claro, em Caçu. A usina, que foi construída em

tempo recorde, tem capacidade inicial para

moer 3 milhões de toneladas de cana por safra.

04 ENTREVISTA

André Rocha, presidente executivo do

Sifaeg/Sifaçúcar, concede entrevista exclusiva

ao CANAL, em que fala sobre expansão e

outros temas importantes da atividade

sucroenergética em Goiás e no Brasil.

Produção de uvas

ganha espaço no

Cerrado goiano.

Cultura já se espalha

em 60 municípios e

governo estadual

investe em pesquisa

da vitivinicultura,

com apoio da

Embrapa. 28

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Carta do editor

Sem direito de

continuar errando

Mirian Tomé

editor@canalbioenergia.com.br

Nos noticiários as manchetes confirmam:

as mudanças climáticas estão virando nosso

planeta de cabeça para baixo. Uma nova era

parece estar chegando. Tempestades e furacões

atingem regiões onde, até pouco tempo, não se

tinha notícias desse tipo de catástrofe. As secas

intermináveis aniquilam plantações e

maltratam animais de lugares antes com ciclos

de chuva bem definidos e o calor é intenso em

pleno inverno, em locais onde o normal, agora,

seria fazer frio, até mesmo nevar.

Uma realidade que nos alerta: é hora de

agir, de cuidar do que ainda temos e, assim,

evitar que, em um futuro próximo, a vida no

planeta fique insuportável e inviável. Nessa

edição mostramos uma reportagem especial

sobre mudanças climáticas e a agroenergia e

como se dá o começo de ações ordenadas para

tentar conter a destruição de nossos maiores

patrimônios: florestas, recursos hidrícos,

animais, etc.

A produção e o consumo crescentes de

biocombustíveis e outras energias renováveis

representam a solução mais inteligente e viável

para alterar o curso desse caminho que nos

levaria, fatalmente, à insustentabilidade.

O leitor ainda poderá conferir diversas

outras reportagens igualmente importantes

sobre o mercado de açúcar, produção de cana,

legislação trabalhista e, ainda, análises de

especialistas do setor. Na entrevista da edição,

o presidente executivo do Sifaeg/Sifaçúcar,

André Rocha, fala dos desafios inerentes ao

processo de expansão da atividade canavieira

no Estado de Goiás, perspectivas de safra e de

ampliação de mercados para o etanol e o

açúcar, entre vários outros assuntos.

Boa leitura e até a próxima edição!

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ENTREVISTA - André Rocha, presidente-executivo do Sifaeg/Sifaçúcar

O Estado da expansão

EXECUTIVO FALA SOBRE OS DESAFIOS INERENTES AO INTENSO CRESCIMENTO

QUE A ATIVIDADE SUCROENERGÉTICA EXPERIMENTA NO ESTADO DE GOIÁS

Evandro Bittencourt

Formado em engenharia civil,

André Luiz Baptista Lins

Rocha é presidente-executivo

dos sindicatos da Indústria

de Fabricação de Álcool e Açúcar

do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar);

foi presidente da Companhia

Energética de Goiás (Celg) e

diretor comercial da A.M. Engenharia

e Construção Ltda. Atua como

coordenador do GT de Bioeletricidade

da Câmara Setorial da Cana-de-

Açúcar do Ministério da Agricultura

Pecuária e Abastecimento (Mapa);

preside o Conselho Temático de

Agronegócio da Federação da Indústria

do Estado de Goiás (FIEG);

foi diretor do Sindicato da Indústria

da Construção do Estado de Goiás

(Sinduscon), membro dos conselhos

temáticos de Comércio Exterior e de

Infra-Estrutura da Fieg e é integrante

do Fórum Sucroenergético

Nacional. Desenvolveu, ainda, diversas

atividades na área de engenharia

e na administração pública.

Que avaliação o senhor faz da

atividade sucroenergética em

Goiás, considerando o expressivo

número de novas usinas que entraram

em operação no Estado

nos últimos anos?

O setor tem crescido muito. Em

1999 tínhamos 12 usinas e hoje já

temos 32. Devemos inaugurar, em

breve, a 33ª e temos outras duas

praticamente prontas, que também

podem ser inauguradas ainda

este ano ou já na próxima safra.

Isso significa que, em pouco mais

de 10 anos, crescemos três vezes

em quantidade de usinas. Hoje o

setor emprega mais de 60 mil pessoas

diretamente, somente no Estado

de Goiás. As usinas estão localizadas

no interior do Estado.

Desse modo, nós seguramos a migração

para os grande centros urbanos

e levamos renda para os pequenos

municípios.

Qual o impacto da chegada de uma

usina sucroenergética na economia

04 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

As usinas estão localizadas no interior de

Goiás. Desse modo, nós seguramos a

migração para os grande centros urbanos

dessas pequenas cidades?

O panorama da cidade muda, pela

arrecadação que a usina vai

proporcionar e pela movimentação

de toda a cadeia produtiva,

desde a abertura de oficinas, lojas,

revenda de tratores, hotéis,

restaurantes e outros, beneficiando

toda a região.

Quantas usinas entraram em operação

em Goiás este ano?

Este ano foram quatro, a Caçu, no

município de Vicentinópolis, a

Porto das Águas, em Chapadão do

Céu, a Floresta em Santo Antônio

da Barra e a ETH Rio Claro, no município

de Caçu. Temos mais uma

que vai ser inaugurada esse ano, a

Cosan, em Jataí e outras duas que

estão praticamente prontas, a

Central Energética de Morrinhos,

na cidade de mesmo nome, e a

Brenco, unidade Morro Vermelho,

no município de Mineiros.

O que tem determinado essa grande

quantidade de investimentos

em Goiás?

O setor sucroenergético recebeu

condições atrativas para poder

vir. Além disso, a safra no Nordeste

está praticamente estável,

não tem crescido, pois há dificuldade

de expansão, devido à topografia

e ao clima, que não é

favorável em algumas regiões. O

início da cana-de-açúcar se deu

na Região Nordeste, que já foi

maior produtora do País, mas hoje

não responde por mais do que

13% da produção nacional. Em

São Paulo, que responde por

quase 60% da produção, a cana

já ocupa 20% da área do Estado,

ou seja, eles têm uma dificuldade

de expansão.

Em Goiás, a cultura da cana

Niels Andreas

ocupa 1,15% da área do Estado,

o que significa um potencial para

crescer em termos de área

disponível. Essa área é praticamente

toda em pastagens, boa

parte degradada, o que possibilita

a condição de expandir sem

prejudicar a produção de grãos e

outros alimentos. Além disso,

temos uma topografia favorável,

terrenos planos que são adequados

para a mecanização da colheita,

uma necessidade do setor.

Em função disso e de programas

de incentivo, como o Fomentar

e o Produzir, o Estado

conseguiu atrair essas empresas,

uma compensação que proporciona

competitividade ao setor.

Já é possível mensurar o impacto

da crise financeira mundial no setor

sucroenergético nacional e,

ainda, dizer que o pior realmente

já passou?

A primeira maneira que ela nos

afetou foi em relação ao crédito.

Os fundos que estavam investindo

no setor interromperam esse

fluxo. Alguns adiaram e outros

cancelaram esses investimentos.

A contração do crédito pegou o

setor no contrapé, num momento

em que ele estava muito alavancado,

em plena atividade de expansão.

Nós não tivemos uma crise

de demanda, como ocorreu em

alguns setores. Simplesmente faltou

dinheiro para o nosso dia a

dia. Faltaram recursos para financiar

a safra. Ela dura seis a sete

meses e precisamos vender ao

longo de 1 ano. Por isso precisamos

de recursos para financiar os

estoques de passagem.

Empresas que estavam planejando

expansão, seja ampliando as unidades

existentes ou investindo em

mecanização de colheita, cogeração

ou em outras unidades foram

muito afetadas. Os créditos disponíveis

ficaram muito caros e isso

levou a se postergar investimentos

e ao atraso na inauguração de

usinas e criou algumas dificuldades

com fornecedores de equipamentos

e parceiros agrícolas.


E como está o acesso ao crédito,

atualmente?

O acesso ao crédito está melhor,

mas ainda não se pode dizer que

foi resolvido. Por outro lado nós já

temos esse ano um cenário melhor

para o açúcar. Isso deu um

novo alento para aquelas unidades

que fabricam esse produto.

Em Goiás, por exemplo, são 12

unidades, ao passo que 20 fazem,

exclusivamente, o etanol.

O mercado de açúcar tem sido um

alento para a indústria nacional.

Quais as perspectivas de crescimento

das exportações de etanol?

Pelo menos até o ano que vem teremos

um bom cenário para o açúcar,

em função da quebra de safra da Índia

e de o Brasil ter voltado à condição

de ser o principal player do

mercado de açúcar. Ao mesmo passo

temos, no ano que vem, a possibilidade

de os Estados Unidos flexibilizarem

as taxas para a importação

do etanol à base de cana-deaçúcar.

Nós tivemos algumas vitórias

importantes: os Estados Unidos

já consideram de segunda geração

o nosso etanol, em razão da baixa

emissão de CO2 e do ganho energético.

A diretriz do Estado da Califórnia

também é importante, porque

requer rapidez na oferta de um

etanol com melhores condições de

produção de energia. Como o milho

não dá conta de atender a essas solicitações

e, ao mesmo tempo, as

pesquisas com etanol celulósico

ainda não estão prontas, nós temos

essa janela.

E quanto aos mercados europeu e

interno?

Teremos novas oportunidades no

mercado europeu, pois há uma

O setor sucroenergético está maduro e quer,

cada vez mais, buscar melhores condições

de trabalho para os seus colaboradores

nova diretriz europeia que começa

a partir do próximo ano. Também

temos outros mercados sendo

abertos, a exemplo do mexicano,

no Caribe e na própria Ásia.

Temos um potencial externo que,

acreditamos, será cada vez mais

consolidado nos próximos 5 anos

e, por outro lado, estamos tendo o

crescimento do mercado interno,

devido ao aumento da frota flex,

que já representa 30% da frota

nacional. Hoje, 53% do combustível

consumido no Brasil já é o

etanol, somando o anidro e o hidratado,

ou seja, no Brasil a gasolina

é que o combustível alternativo.

E há uma previsão para,

em 2012, a frota flex chegar a

50% e, em 2020, 75%, momento

em deveremos ter cerca de 86%

do mercado doméstico de consumo

de etanol.

Além disso, temos outras perspectivas,

como o desenvolvimento de

motores para o consumo de etanol

em máquinas, tratores e ônibus (já

disponíveis em São Paulo e na Suécia).

A Prefeitura de São Paulo

aprovou uma lei que prevê aumento

de 10% ao ano do uso de

biocombustíveis em sua frota de

ônibus. Esperamos que esse exemplo

seja seguido por outras cidades

e,com isso, a gente possa, por meio

do etanol, atender a uma nova demanda

que está se criando com

esses veículos pesados.

Como aconteceu, em Goiás, a ade-

são ao Protocolo Trabalhista?

Essa iniciativa já mostra um

amadurecimento dos empresários

do setor, pois é o primeiro a

se reunir com o governo e os

trabalhadores para fazer esse

compromisso nacional e está

servindo de modelo para outros

setores da economia. O setor sucroenergético

brasileiro está

maduro e quer, cada vez mais,

buscar melhores condições de

trabalho para os seus colaboradores,

tanto que tivemos uma

adesão de mais de 75% num primeiro

momento. Hoje a adesão

está próxima de 340 usinas, o

que equivale a mais de 85% das

empresas, que são responsáveis

por mais de 90% da produção de

bioeletricidade, de açúcar e etanol

no Brasil.

Quantas unidades aderiram em

Goiás?

Aderiram 43 usinas, tanto as que

já estão instaladas quanto as que

estão em implantação, mas já

têm o cultivo da cana-de-açúcar.

Em números absolutos foi o segundo

Estado em adesão, só perdendo

para São Paulo, o que

mostra a nossa consciência. Nós

temos feito diversas reuniões para

tratarmos dessa implantação

e das auditorias do termo de

compromisso nacional. Nos próximos

dias vamos fazer um encontro

com os fornecedores de

cana e com os parceiros agríco-

las para levarmos para eles a importância

compromisso e, logicamente,

buscarmos também a

adesão deles que, temos a certeza,

também serão parceiros nesse

processo.

Qual é o nível de mecanização

nas lavouras de cana no Estado

de Goiás e como o setor tem enfrentado

o desafio de requalificar

os trabalhadores que fazem

o corte manual?

As novas unidades já estão começando

com 100% de colheita

da cana crua e, ao mesmo

tempo, várias outras unidades

já têm um porcentual bastante

adiantado de colheita mecanizada.

O índice de mecanização

da colheita goiana foi de 48%

na safra 2008/2009. Este ano,

nós teremos um aumento da

cana colhida mecanicamente,

podendo chegar a números próximos

de 60%, conforme o andamento

da safra. Nós temos

uma massa muito grande de

pessoas que trabalham hoje no

corte manual da cana e precisamos

requalificá-los para que

alguns possam ser aproveitados

como operadores de máquinas e

em outros postos de trabalho,

seja na indústria ou na própria

área agrícola. Temos de ver

também a responsabilidade do

governo federal, por meio do

Ministério do Trabalho e Emprego,

dos governos estaduais,

por meio das secretarias de trabalho

e também das indústrias,

por meio do Senar e do Senai,

para poder trabalhar a quatro

mãos, inclusive com os próprios

trabalhadores envolvidos, para

tratar desse problema.

CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009 05


As indústrias já estão fazendo

essas qualificações ?

Sim, isso tem isso feito de duas

maneiras. Várias de nossas associadas

desenvolvem projetos de

educação, de alfabetização e de

melhoria do grau de escolaridade,

o que já é um passo fundamental.

Além disso, elas já mantêm parcerias

com o Senar e com o Senai no

sentido de oferecer cursos, não só

para os operadores de colheitadeiras,

mecânicos, etc, mas também

para aqueles trabalhadores

que podem ser aproveitados nas

indústrias. Agora há também um

trabalho que faz parte desse termo

de compromisso nacional, pois

um dos pontos desse compromisso

é justamente as políticas públicas

para o setor e, dentro disso, a

principal delas é utilizar recursos

do Planseq (Plano Setorial de

Qualificação e Inserção Profissional)

e do FAT, justamente para podermos

trabalhar essa qualificação

e recolocação dos trabalhadores,

em alguns casos, inclusive,

com a participação de prefeituras

participando do processo.

Qual é a realidade da produção de

cana, açúcar e etanol, atualmente,

em Goiás. A safra deve chegar a

quanto?

A safra, com certeza, será superior

a 37 milhões de toneladas de cana-de-açúcar,

mas é preciso considerar

o rendimento industrial, pois

a cana processada está produzindo

menos. Estamos com a ATR três

pontos menor que a média do ano

passado, o que acontece em todo o

Centro-Sul. Na produção de açúcar

o crescimento deve ser superior a

30%, cerca de 1,3 milhão de toneladas

de açúcar e alguma coisa

próxima a 2 bilhões de litros de

06 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

A bioeletricidade faz muita diferença no

fluxo de caixa das empresas e, até 2020,

pode se tornar o segundo produto do setor

etanol. Na safra passada produzimos

954 mil toneladas de açúcar e

em torno de 1,7 bilhão de litros de

etanol. E estamos tendo um crescimento,

mas precisaremos esperar

mais alguns dias para termos os

números finais.

Qual é o potencial do setor sucroenergético

para cogeração de energia?

Em nível nacional temos um potencial

de geração equivalente ao

de uma Itaipu. São mais de 14 mil

MW, aproveitando 70% da palha

e 75% do bagaço. Em Goiás, se

novos projetos forem implantados

no Estado, temos condições

de cogerar em torno de 3 mil megawats

até 2013, sendo que um

terço desse total seria para consumo

interno e 2 mil megawats

para venda, tanto no mercado interno

quanto no mercado spot.

Para se ter uma ideia, o consumo

do sistema das Centrais Elétricas

de Goiás, atualmente, é de 700

mil megawats, ou seja, temos

condições de gerar mais do que

consumimos.

Qual é a atual situação tecnológica

das usinas para a produção da

bioletricidade?

Temos duas situações: a das usinas

antigas, que têm caldeiras insuficientes

no que diz respeito à

produção de vapor e energia, justamente

porque elas foram concebidas

somente para suprir o

consumo próprio. Existe um projeto

para estimular essas indústri-

as a trocarem caldeiras e geradores

por equipamento que tenham

maior eficiência energética e possam

produzir não apenas para

consumo próprio, mas também

para vender essa energia. Ao

mesmo tempo, as unidades novas

já estão sendo concebidas com

caldeiras com maior eficiência

energética.

Quais problemas ainda precisam

ser superados para que o potencial

da bioeletricidade seja aproveitado?

Algumas dificuldades estão sendo

superadas. Nos principais locais

de expansão, como Goiás e Mato

Grosso do Sul, por exemplo, não

se tinha rede básica para poder

receber essa energia. O sistema

integrado nacional começou a ser

ampliado agora, de forma a receber

a energia desses novos empreendedores.

Outro problema

está relacionado à própria remuneração,

à tarifa para a biomassa.

Não têm sido considerados os ganhos

ambientais da cogeração no

que diz respeito ao ciclo produtivo,

pois a cana absorve CO2 e o

etanol emite menos CO2 do que a

gasolina. E se uma usina de álcool

atrasa ou demora a entrar em

atividade você tem uma perda

muito pequena em relação a todas

as outras. Há ainda a vantagem

das nossas plantas estarem

próximas dos centros consumidores,

onde se faz uma cogeração

distribuída.

E o preço pago pela energia, pode

ser considerado justo?

Hoje as tarifas de compra de

energia na cogeração ainda são

baixas, é preciso mudar algumas

questões na regulação da Aneel

e criar uma cultura para se ter

vários leilões de energia, aproveitando

os potenciais da energia

da biomassa e eólica. Esses

leilões deveriam ser sistematizados

e anuais, não apenas ocasionais,

para que o empreendedor

seja estimulado a investir nesse

produto. A bioeletricidade faz

muita diferença no fluxo de caixa

das empresas e, até 2020, pode

se tornar o segundo produto

do setor, atrás apenas do etanol

e já à frente do açúcar.

Qual a sua avaliação dessa mobilização

coordenada pela Unica, por

por meio do Projeto Agora?

Esse projeto faz parte de um processo

iniciado desde 2007 e que

visa justamente a mudança da

imagem do setor, visando quebrar

o preconceito que existe. Nós estamos

dando um enfoque maior

para o quanto o etanol pode ser

benéfico nessa discussão que estamos

tendo a respeito das mudanças

climáticas. É um trabalho

que tem um aspecto educacional

e que está sendo feito pela rede

pública de oito Estados, mais o

Distrito Federal. Ele engloba um

concurso de redação e as cartilhas

onde a gente pode mostrar os ganhos

que a sociedade tem com o

etanol, um combustível renovável,

que polui menos e tem maior eficiência

energética. É um projeto

de médio de longo prazo que envolve

não só as entidades de representação

do setor, mas também

toda a cadeia produtiva.


MG tem nova

legislação florestal

O governo de Minas Gerais

sancionou esse mês a lei

18.365/2009 que altera a legislação

florestal e fixa, de maneira inédita

no País, limites que reduzem o

consumo legal de produtos ou

subprodutos originados da

vegetação nativa. O consumo de

produtos e subprodutos florestais de

matas nativas não deverá ser maior

do que 5%, a partir de 2018.A

legislação anterior permitia que as

indústrias suprissem sua demanda

por matéria-prima com produtos de

mata nativa, desde que houvesse

reposição florestal. Até 2013, as

indústrias devem utilizar, no

máximo, 15% de produtos

procedentes dessas florestas. De

2014 a 2017, o máximo permitido

será de 10%.

08 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

divulgação

Programa Inclusão Digital da Faeg/Senar

O Sistema Faeg/Senar

entregou 40 computadores para

Sindicatos Rurais.A ação faz parte

do Programa Inclusão Digital da

Confederação da Agricultura e

Pecuária do Brasil (CNA), com o

objetivo de qualificar produtores e

trabalhadores por meio de cursos

do Serviço Nacional de

Aprendizagem Rural. Em Goiás, a

perspectiva é de formar 44.582

Bunge vai escoar etanol por Itaqui

A Bunge vai escoar a

produção de álcool de sua usina

em construção em Pedro

Afonso, Tocantins, até o porto

de Itaqui (MA), a partir de 2010.

Acordo nesse sentido foi feito

entre a empresa e a Vale. No

pessoas em três anos. Para o

presidente da Federação da

Agricultura e Pecuária de Goiás

(Faeg), José Mário Schreiner, esta

é uma oportunidade dos

produtores rurais serem incluídos

no mundo da informação rápida.

"Os produtores rurais terão

acesso ao mundo on-line,

recebendo informações

relevantes ao setor” diz.

primeiro ano de operação, a

usina deverá moer cerca de 1,4

milhão de toneladas de cana. O

álcool será transportado pela

Vale, pelo trecho da ferrovia

Norte-Sul, até o porto de Itaqui,

de onde deverá ser exportado.

antônio pereira/faeg

Conferência

Datagro

Entre 19 e 20 de outubro a

Datagro realiza em São Paulo

a 9ª edição da Conferência

Internacional Sobre Açúcar e

Álcool. Com o tema "Saindo

da Crise: o que esperar

agora?", o evento vai reunir os

maiores especialistas do setor,

que vão abordar, entre outros

assuntos, a crise na produção

de açúcar e etanol, mudanças

geradas pela biotecnologia e

tendências do segmento para

os próximos anos. A

conferência discutirá questões

como: “as mudanças que a

biotecnologia pode trazer para

o mundo do açúcar e dos

biocombustíveis", "estratégias

de planejamento, inovação e

desenvolvimento no mercado

de biocombustíveis" e "o

cenário mundial do açúcar:

resistência em meio a crise?".

As inscrições podem ser feitas

no endereço:

www.conferencia.datagro.com.br


Mais um recorde de produção

A COLHEITA DE CANA, NA

SAFRA 2009/2010, SERÁ

DE 629,02 MILHÕES DE

TONELADAS, 10% A MAIS

QUE NA SAFRA PASSADA

SAFRA 2009/10

De acordo com o Levantamento Nacional

da Safra Sucroenergética, divulgado

no começo de setembro pela Companhia

Nacional de Abastecimento

(Conab), a colheita total de cana na safra

2009/2010 será de 629,02 milhões de toneladas,

10% a mais que na safra passada. Segundo a

Conab, o crescimento é resultado da melhor distribuição

de chuvas nas regiões produtoras e da

ampliação da área plantada, que atingirá 7,74

milhões de hectares. O estudo avalia ainda que,

com a manutenção do índice de produtividade,

cerca de 81 toneladas por hectare, uma das novidades

é o aumento da destinação da matériaprima

para a fabricação de açúcar, ou seja, cerca

de 45% da colheita total, quase 2% a mais que

no ano passado. Com isso, 280,46 milhões de toneladas

de cana serão transformadas em 734,5

milhões de sacas de 50 quilos cada, contra 632,4

milhões de sacas do período anterior.

A Conab diz, ainda, que o restante da colheita

(55%), ou 348,56 milhões toneladas, vai para

a produção de etanol, o que deve gerar 9,13 bilhões

de litros de combustível do tipo anidro

(misturado à gasolina) e 18,68 bilhões de litros

do hidratado. Isso significa, respectivamente,

uma redução de 9,30% e um aumento de

12,41%. No total, serão 27,80 bilhões de litros,

fotos: arquivo canal

ou 4,22% a mais que os 26,68 bilhões de litros da

temporada passada. O superintendente de Informações

do Agronegócio da Conab, Airton Camargo,

diz que o bom preço no mercado internacional

tem levado as indústrias a decidirem

pela fabricação do açúcar.

Nessa safra, em relação à anterior, acontece

um aumento da produção fora da região Sudeste,

onde está concentrada a maior parte da cultura.

No Centro-Oeste, o crescimento será de

33% (atingindo 88,44 milhões de toneladas) e,

no Sul, de 21,30% (totalizando 53,77 milhões de

toneladas). Também no Norte, a colheita crescerá

5,90%, chegando a 1,55 milhão de toneladas.

Apesar desta evolução, o Sudeste continua na liderança.

De cada 10 toneladas de cana colhidas

no País, cerca de sete sairão desta região, sendo

seis só do Estado de São Paulo. A safra paulista

será de 423,35 milhões toneladas, um crescimento

de 7,20%.

No Nordeste será registrada produção 3,90%

menor, o que deverá resultar em 61,90 milhões

de toneladas. De acordo com a Assessoria de Imprensa

da Conab, para realizar a pesquisa a companhia

enviou a campo 50 técnicos, entre os dias

2 e 15 de agosto. Eles entrevistaram representantes

de 389 usinas de todos os Estados. (CANAL

com Assessoria de Imprensa da Conab)

CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009 09


O caminho do diálogo

PRODUTORES DE CANA E TRABALHADORES CAMINHAM NA DIREÇÃO DO

CONSENSO E REVELAM MATURIDADE NA NOVA NORMATIVA QUE

REGULAMENTA TRANSPORTE DE TRABALHADORES RURAIS

Maiara Dourado

Já há algum tempo trabalhadores

rurais e donos de usinas

vêm mantendo um diálogo positivo.

A recente assinatura do

Protocolo Trabalhista é exemplo disso

e, antes mesmo dele, a Normativa

65 já fazia alusão a acordos entre

ambos os segmentos. Em maio desse

ano, a normativa que regulamenta o

transporte de trabalhadores rurais

sofreu mudanças com a publicação

da Normativa 76. O objetivo é desburocratizar

a obtenção da licença

para transportar os trabalhadores rurais

contratados em outros Estados.

Segundo o assessor da Secretaria

de Inspeção do Trabalho do Ministério

do Trabalho e Emprego (MTE),

Marcelo Gonçalves Campos, no modelo

anterior era necessário que o

empregador obtivesse uma Certidão

Liberatória, ou seja, uma autorização

para fazer o transporte dos trabalhadores

contratados. "Esse modelo

estava se mostrando muito burocrático

e penalizava os empregadores

que se esforçavam em cumprir a

lei. Já no novo modelo, basta que o

empregador comunique aos órgãos

regionais do MTE que irá transportar

os trabalhadores. Não dependerá de

prévia autorização", explica Campos.

10 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

LEGISLAÇÃO

A nova normativa substitui a antiga

Certidão Liberatória pela Certidão

Declaratória de Transporte de

Trabalhadores (CDTT), a qual autoriza

o transporte somente através da

apresentação de formulário comunicando

a realização do deslocamento

de trabalhadores, anexado de documentos

exigidos pela Normativa 76.

Segundo o vice-presidente da Federação

dos Trabalhadores na Agricultura

do Estado de Goiás (Fetaeg)

José Maria de Lima, a normativa veio

oficializar o que já era regra para as

empresas de transporte.

José Maria conta que, há 25 anos,

ocorre Convenção Coletiva do Trabalhado

no setor Sucroalcooleiro em

Goiás, na qual trabalhadores rurais e

produtores do setor se reúnem e discutem

problemas envolvendo ambos

os segmentos. "Nós nos reunimos

todo ano para estabelecer acordos e

todo ano ocorrem melhorias nas

condições de transporte dos trabalhadores",

afirma o vice-presidente.

No entanto, considera o transporte

de trabalhadores rurais do setor regular,

dando atenção a algumas melhorias

na qualidade dos veículos e

na segurança, como ônibus de boa

qualidade e cintos de segurança.

A União de Indústria de Cana de

Açúcar (Unica), entidade represen-

tativa do setor sucroenergético recebeu

bem as mudanças e se mostrou

aberta a realizar os ajustes

eventualmente necessários. A entidade

entende esse processo de regulamentação

como positivo, porém

a sua operacionalização ainda

precisa ser avaliada na prática.

OUTRAS MUDANÇAS

Além das mudanças na certidão

que autoriza o transporte dos trabalhadores

rurais de um Estado a

outro, a Normativa 76 prevê outras

modificações. Segundo a Unica,

agora o empregador pode optar por

realizar os exames médicos admissionais

na localidade onde será

prestado o serviço, caso não tenha

serviço médico adequado no local

da contratação. No entanto, é preciso

que os exames sejam realizados

antes do início de sua atividade.

Outra mudança interessante se

refere à desistência na contratação

do trabalhador. Caso o trabalhador

não seja considerado apto para o

trabalho, o empregador será responsável

pelo custeio das despesas

de transporte até o local de origem,

bem como pelo pagamento

das verbas salariais decorrentes do

encerramento antecipado do contrato

de trabalho.


Vivemos um momento crítico

da humanidade. Em todas

as regiões do mundo,

inclusive no Brasil, começaram a

acontecer períodos com grandes

ondas de calor, alterações do volume

e da periodicidade das chuvas,

mudança na rota das tormentas e

uma série de outras fatalidades ligadas

ao aquecimento global. A escassez

de alimentos e a proliferação

de doenças vão começar a afetar

fortemente a África e a Ásia já

nas próximas décadas. No Estado

do Alasca-EUA, próximo ao Polo

Norte, as regiões onde vivem a população

Inuit estão se tornando

inabitáveis rapidamente, devido

às erosões no gelo provocadas pelo

aumento da temperatura. No

Polo Sul já é possível enxergar o

verde das plantas brotando do solo

no verão do Continente Antártico,

que até então era completamente

coberto de espessa camada

de gelo. Cinco países que estão situados

em atóis – Kiribati, Maldivas,

ilhas Marshal, Tokelau e Tuvalu

– serão riscados do mapa ainda

nesse século em virtude da elevação

dos níveis dos mares e seus governos

já negociam direitos de migração

com países vizinhos. Todos

esses fatos graves e diversos outros

vão se intensificar muito mais

no decorrer deste século, porque

esses são apenas os primeiros sinais

do que ainda está por vir. Felizmente

nossos cientistas já contaram

que a única salvação possível

é a descarbonização da economia

e do meio ambiente do nosso

planeta. Mas estamos fazendo algo

a respeito?

Que papel os produtores de

energia e os sistemas de transporte

podem desempenhar nesse

processo de descarbonizar a

Terra? A resposta é óbvia: Desenvolver

tecnologias para [1] novos

produtos no segmento de energia

e [2] uma nova logística de transportes.

Isso vai custar muito dinheiro

e um trabalho colossal,

mas não há outra saída. No campo

da produção de energia, o

mais urgente é a redução significativa

do uso do carvão para a geração

termoelétrica de energia e

da utilização dos combustíveis

fósseis (petróleo e gás) para transporte

de pessoas e de cargas. O

cientista Tim Flannery, no instigante

livro Os Senhores do Clima,

diz que "Antes de 1800 existiam

280 ppm de CO2 na atmosfera,

o que equivale a 586 bilhões

de toneladas de CO2. Hoje em

dia, o número está em torno de

790 bilhões de toneladas de CO2"

e conclui lembrando que "foram

os nossos servos – os bilhões de

motores que construímos para

funcionar com combustíveis fósseis,

tais como carvão, gasolina e

combustíveis baseados no petróleo

e no gás – que desempenharam

o papel principal na produção

de CO2".

O petróleo e seus derivados são

responsáveis por mais de um terço

das emissões de gases-estufa.

Mas ainda pior do que o petróleo

é o carvão negro, também chamado

de antracito, que é usado largamente

no mundo para geração de

eletricidade, como combustível

das termoelétricas. O carvão, que

é a maior fonte de energia elétrica,

é também o maior contribuinte

de gases-estufa do planeta. O

cenário ruim é que, enquanto o

petróleo deve ser substituído até

o fim deste século, ainda existe

no mundo carvão suficiente para

durar mais alguns séculos. E a sôfrega

busca do homem por um

substituto da energia do petróleo,

pode levá-lo a uma escolha errada.

O ativista ambiental e jornalista

Mark Lynas, no seu premiado

livro Seis Graus, lembra que "o

carvão também pode ser transformado

em combustíveis sintéticos,

técnica cujos pioneiros foram os

nazistas e à qual, mais tarde, o regime

do apartheid da África do

Sul deu continuidade. Os 'synfuels'

(combustíveis sintéticos) ainda

atendem metade da demanda

por gasolina e diesel na África do

Sul e, com os altos preços do pe-

MUNDO DA BIOENERGIA

tróleo mundial, os synfuels de

carvão também estão se tornando

competitivos em outras partes do

mundo. A liquefação do carvão

produz muito mais CO2 do que o

refinamento convencional – e, assim,

o declínio do petróleo, nesse

caso, iria agravar o aquecimento

global. Aterrorizante, não?!

Não há mais tempo a perder. É

hora de pressionarmos governos

e companhias de combustíveis e

energia pela produção de energia

limpa. Podemos fazer isso com

nosso voto durante as eleições e

com nosso dinheiro quando compramos

combustíveis, carros e

energia para casa. Inovadoras tecnologias

e novos produtos da chamada

economia limpa já estão

disponíveis para os consumidores

em muitas partes do mundo. No

Brasil, os automóveis com tecnologia

bicombustível já tomaram

conta do mercado. Aqui também

temos o etanol de cana em todas

as bombas dos postos, esse produto

que é o maior caso de sucesso

de uso de biocombustíveis em larga

escala do mundo.

Usando o etanol de cana você

está reduzindo em até 90% as

emissões de gases-estufa em comparação

com a gasolina. Gigantes

do automobilismo nos EUA e no

Japão também apresentam as suas

armas contra o aquecimento

global. Tim Flannery diz que a

Ford americana está investindo

pesado no hidrogênio, mas ainda

não tem um carro comercial para

oferecer. A Toyota japonesa saiu

na frente, com o carro híbrido

Prius, que tem lado a lado um motor

a gasolina e outro motor elétrico,

que reduz em 70% o consumo

de gasolina e as emissões de C

O2. Na Europa, a Moteur Development

International, de Luxemburgo,

está desenvolvendo um revolucionário

carro a ar comprimido,

são os MiniCATS com 3 assentos

e preço de U$ 10.000,00 e os

CitiCATS de seis lugares e preço

de U$ 16.000,00 (CATS significa

Compressed Air Technology

Igor Montenegro Celestino Otto

Executivo do Grupo USJ

O desafio de descarbonizar os

sistemas de transporte no mundo

System). No futuro os CATS também

terão motores híbridos, o

que aumentará o seu alcance e desempenho.

Hoje, os CATS atingem

uma velocidade máxima de

120 quilômetros horários e tem

autonomia para andar até 300

quilômetros, gastando U$ 2,50 no

reabastecimento. É verdadeiramente

revolucionário.

Na geração de energia elétrica,

muitos de nós já podem escolher

energias limpas. No Brasil, que

tem uma matriz energética extremamente

limpa, os consumidores

podem pressionar as distribuidoras

para que comprem e forneçam

energia de fontes renováveis. Um

caso de sucesso é a energia termoelétrica,

produzida a partir do bagaço

da cana. Aqui também a maior

parte da energia é gerada por

hidroelétricas. Na Europa, há um

enorme investimento em energia

eólica, que também é basicamente

limpa. Nos EUA, cientistas como

James Lovelock defendem o retorno

dos investimentos em energia

nuclear. No Japão, se estuda investir

em termoelétricas a etanol.

Como afirmam Walker e King,

no livro O Tema Quente, que foi

elogiado inclusive por Al Gore:

"Não é tarde demais, e há sim, várias

coisas que podemos fazer agora.

Embora não possamos brecar

os efeitos iniciais da mudança climática,

alguns dos quais já estão

entre nós, ainda assim temos

chance de evitar os piores efeitos

que podem ser jogados sobre nós.

Não é hora de entrar em pânico,

nem de enterrar a cabeça no chão.

É hora de agir". É tempo de você

descarbonizar a sua vida, usando

combustíveis e energias limpas, de

fontes renováveis. Isso pode salvar

o futuro dos seus filhos e netos.

Foram pesquisados para a elaboração

deste artigo os seguintes

livros: "Os senhores do clima", de

Tim Flannery, Ed. Record, 2007;

"Seis Graus", de Mark Linas, Ed.

Zahar, 2009; "O tema quente", de

Gabrielle Walker e Sir David

King, Ed. Objetiva, 2008.

CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009 11


OPINIÃO

Quando o preço cai é

péssimo – quando sobe muito...

Nos últimos dois anos assistimos a momentos

opostos e igualmente estressantes nos

mercados de açúcar e álcool. Saímos de

uma situação de euforia em 2006 para uma crise de

preços em 2007 e 2008 e, atualmente, assistimos a

preços recordes de açúcar nos últimos 28 anos.

A partir de 2007, o setor sucroalcooleiro brasileiro

foi impactado pelo excesso de oferta de açúcar

da Índia, gerando uma crise à qual se somou o

colapso de liquidez a partir do segundo semestre

de 2008, com o desaparecimento do crédito barato.

Esta crise trouxe, dentre outros impactos, a aceleração

do processo de consolidação do setor.

A expectativa de déficit de 7,8 milhões de toneladas

de açúcar no ciclo 2008/09, prenunciado a

partir do final de 2008, foi o gatilho para a recente

alta de preços. A confirmação de uma safra

mais úmida no Brasil, aliada a uma forte estiagem

na Índia, acabou prejudicando ainda mais

as previsões de oferta de açúcar no mercado internacional.

A confirmação deste cenário climático

anormal, somada ao retorno de grandes posições

especulativas, explicam em boa parte os elevados

preços no mercado mundial de açúcar.

Neste ambiente, a estimativa da Datagropara o

rendimento industrial Brasil, na safra 09/10, é de

138,44 kilos de ATR por tonelada de cana (kg

ART/tc). O reflexo desta quebra de rendimento

faz com que a nossa expectativa de produção de

açúcar fique em 35,1 milhões de toneladas e a

produção de álcool em 26,75 bilhões de litros.

12 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

A expectativa de déficit de

7,8 milhões de toneladas de

açúcar no ciclo 2008/09,

prenunciada a partir do

final de 2008, foi o gatilho

para a recente alta de preços

Na casa dos 22 centavos de dólar por libra-peso

(cts/lb), o açúcar volta a ter muita força em relação

ao álcool e passa a ser o produto/mercado remunerador

do setor sucroalcooleiro no curto prazo. Com

custo de produção FOB para uma usina padrão da

região Centro-Sul estimado pela Datagro em 13,78

cts/lb (para uma taxa de câmbio de 1,85 R$/US$), o

Brasil ainda mantém boa margem de competitividade

no mercado internacional de açúcar. Países anteriormente

não competitivos também enxergam

oportunidades a estes níveis de preço. Tailândia,

Austrália, alguns centro-americanos e africanos atualmente

participam e possuem grandes incentivos

para continuar neste rally, embora de forma mais limitada

em termos de volume do que o Brasil.

Já em melhor situação, o mercado doméstico

de álcool, por equivalência de preços, busca os níveis

do mercado de açúcar. Estamos observando

o início da recuperação de preços e a volta das

ENERGIA RENOVÁVEL

Oparque energético brasileiro ganha mais uma usina

eólica no Estado do Ceará. Dessa vez o benefício

será para o município cearense de Beberibe, distante

100 quilômetros de Fortaleza. Com capacidade atual

de 28, 8 MW, o Parque Eólico de Praias de Parajuru

pode vir a atingir 443,8 MW. Dessa forma, o Ceará já

se posiciona como Estado com maior capacidade eólica

instalada. São 150,6 MW instalados, já ultrapassando

o Rio Grande do Sul, com 150 MW, produzidos por

apenas três usinas: Osório, Sangradouro e Índios.

Segundo Lauro Fiuzza Júnior, presidente da Associação

Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), a inauguração

de mais um parque confirma a viabilidade de

produção desse tipo de energia de forma complementar

à energia hidrelétrica no Brasil. E ainda reforça a

participação brasileira no cenário das nações que investem

em energia limpa e renovável.

GUILHERME NASTARI,

economista, é diretor da Datagro

operações acima do custo de produção. A frota

flex com participação dominante nos novos licenciamentos

funciona como equalizador de mercado

e tira o risco de excesso de oferta para os produtores

brasileiros. O crescente mercado interno

de álcool é a grande ancora do setor.

O interessante é que esta alta dos preços não

está melhorando de forma universal a situação

dos produtores de açúcar e álcool aqui no Brasil.

No final de julho e começo de agosto, alguns produtores

começaram a rezar para que os preços

não subissem mais, pois o custo de carregar suas

posições estava começando a absorver um montante

expressivo de capital de giro.

Algumas tradings também sofreram com este

enorme volume de fixação e troca de futuros, deixando

ainda mais sensível o interrelacionamento

entre produtores e comercializadores.

Quando o preço cai muito é péssimo, as margens

ficam negativas, aumenta o endividamento e

o risco do setor, embora preços baixos possam representar

também oportunidades. Mas a experiência

recente mostra que quando o preço sobe muito

– não necessariamente, e não para todos – isso

pode ser também um problema.

As consequências financeiras, advindas principalmente

das coberturas de margens, podem ficar

absurdamente elevadas e impactar a comercialização

dos produtos. Precisamos de um Santo bem

forte e com muita paciência para ouvir e atender

nossas preces!

Ceará inaugura mais um parque eólico

O Parque Eólico de Praias de Parajuru instalou-se em

uma fazenda de 325 ha e contou com um investimento

de R$550 milhões. O projeto foi financiado pela

Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Energimp

S.A, empresa do grupo Impsa, multinacional argentina

de energias renováveis. A usina possui 19 aerogeradores

e ofereceu cerca de três mil empregos diretos

e indiretos, somente durante sua construção.

Os 19 aerogeradores foram fabricados pela

Wind Power, também do Grupo Impsa. O Parque

Praias de Parajuru responderá por 23,65% da capacidade

instalada de energia eólica no Ceará e

foi contratado dentro das diretrizes do Programa

de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa), que

prevê a instalação total de 1423 MW eólicos até o

final do ano que vem. (CANAL com informações da asses-

soria da ABEEólica).

divulgação


Colhedoras mais baratas

NOVA LINHA DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS CHEGA AO MERCADO PARA ATENDER

PEQUENOS PRODUTORES E FORNECEDORES DE CANA-DE-AÇÚCAR

Rhudy Crysthian

De Sertãozinho (SP)

Quando as primeiras máquinas agrícolas

da Case IH foram criadas em 1904 talvez

os fundadores da empresa não

imaginassem que hoje uma em cada

quatro máquinas deste segmento vendidas no

mundo seria do consórcio CNH (Case New Holand),

empresas do Grupo Fiat.

Consolidado o sucesso neste setor de equipamentos

de grande porte, a empresa lança agora

a colhedora de cana A4000. Custando, em média,

40% menos que as máquinas maiores, como as

da série A7000, a A4000 foi desenvolvida para

áreas plantadas com espaçamento reduzido, a

partir de um metro.

A empresa investiu R$ 15 milhões em pesquisa

e tecnologia para chegar a um resultado final em

equipamentos que dará acesso à mecanização da

colheita em áreas com até 7,5% de declividade.

Planejada para operar uma linha por vez sem pisotear

as soqueiras, a A4000 promete aumentar a

qualidade do corte, reduzir os índices de perda e

ganhar maior longevidade para o canavial.

Para o especialista em marketing de produtos

da Case, Roberto Biasotto, a intenção da empre-

14 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

LANÇAMENTOS

sa não é substituir os produtos já existentes da

marca, mas atingir uma fatia nova no mercado.

Com o objetivo de proporcionar uma maior economia

em manutenção de máquinas para os

produtores que já possuem as colhedoras das séries

anteriores à A4000, Biasotto explica que o

lançamento possui diversas peças intercambiáveis

com as máquinas da série anterior.

“É a oportunidade para o pequeno produtor

conseguir mecanizar sua lavoura”, afirma Daniel

Campos, também especialista em marketing de

produtos da empresa. Questionado sobre os riscos

de lançar novos investimentos no setor em

período de crise financeira, Campos rebate ao dizer

que, “com crise ou não, a cana precisa ser colhida”.

Ele completa que a conjunção atual de fatores

da economia global a médio e longo prazos

é altamente favorável para o setor agrícola como

um todo. Portanto, na opinião do especialista,

a crise não assusta mais.

A nova máquina vai ser produzida na fábrica

de Sorocaba, São Paulo, parada há quase

dez anos. A reabertura da unidade representa

de 15% a 20% do investimento do Grupo no

Brasil, cerca de R$ 1 bilhão. A unidade é a maior

planta da empresa fora dos Estados Unidos.

GRANDE PORTE

Segundo César Di Luca, diretor comercial da

Case no Brasil, a empresa encabeça um recorde

de lançamentos em maquinário agrícola para a

safra 2008/09. Para engrossar o time de máquinas

novas, a Case anuncia também o lançamento

da A8000. A novidade pretende inaugurar

uma nova era de colhedoras maiores que, por

meio da tecnologia, proporcionam uma redução

de custos operacionais na lavoura.

A nova série traz duas opções de motor e duas

opções de modelo (pneus e esteira). A nova tecnologia

de arrefecimento é constituída por um sistema

de radiadores que minimizam o contato e a entrada

de impurezas no motor. “A empresa prepara

o que o produtor espera do futuro”, diz César.

Entre os benefícios da A8000 está a economia

com transporte, que representa em torno de

25% dos custos da lavoura. A eficiência no consumo

do combustível da máquina nova é 20%

superior à sua antecessora. “A A8000 possui ainda

uma maior área interna, que oferece melhores

condições de trabalho para o operador, uma

iluminação diferenciada, melhor gestão de dados,

computador de bordo e um sistema que gerencia

as paradas da máquina”, completa.

case/divulgação


Mais

novidades

A Case lança ainda outras

máquinas para incrementar a

família de tratores Maxxum

nos modelos 110 e 125. Disponíveis

também em dois

modelos de motores, os tratores

Maxxum são dotados

de transmissão mecânica

com seis marchas, maior potencia,

acionador hidráulico

e modificações na cabine

para melhorar a visibilidade,

duas portas e barra de volante

ajustável.

SANTAL

A Santal Equipamentos,

com sede em Ribeirão Preto

(SP), também traz novidades

para o mercado de máquinas.

A empresa lança uma

nova colhedora de cana-deaçúcar:

a Santal Tandem SII.

A máquina tem capacidade

de colheita para todo tipo de

canavial e vem com diferenciais

na cabine, novo circuito

hidráulico, maior número de

itens de série e caixa principal

com cinco saídas, para

atender colheitas em todos

os espaçamentos existentes.

A nova colhedora ainda

oferece um opcional específico

para a colheita de mudas: o kit

mudas. Segundo a empresa, o

kit mudas é um sistema patenteado

no qual todos os pontos

de contato da cana com a máquina

são protegidos por borracha,

minimizando o atrito e

aumentando a proteção às

gemas. (O repórter viajou a

convite da Case IH).

OPINIÃO

Poluidor–pagador versus preservador

Adiscussão acerca das questões

ambientais opõe o desenvolvimento

econômico

e a preservação e conservação ambientais.

De um lado ambientalistas

defendem, com razão, a proteção

de ecossistemas e da vida no planeta.

De outro, governos e empreendedores

discutem a necessidade

premente de geração de riqueza,

geração de emprego, de investimentos

em infra-estrutura básica,

do acesso à água tratada, à coleta de

esgoto, à habitação digna, à coleta e

ao tratamento de lixo e à energia

elétrica. E isso é fundamental.

Fundamental para a atração de

investimentos, para a promoção da

educação e da saúde. É o mínimo

essencial para que se promova a tão

sonhada inclusão social. E ainda

nem falamos da inclusão industrial,

da inclusão digital, da inclusão

tecnológica, pois estas requerem investimentos

mais sofisticados.

Nem se discute a inclusão de consumo,

ainda restrito.

Ninguém discute a urgência em

se alcançar o desenvolvimento e isto

é ponto pacifico. Discute-se, porém,

com a mesma urgência, a necessidade

de se preservar o meio

ambiente. Fala-se em redução de

emissão de CO2, na adoção de fontes

de energia renovável, no adequado

aproveitamento dos resíduos. Esta

discussão também é justa, todos

reconhecem.

A questão é que as políticas

voltadas para a sustentabilidade

ambiental são marcadas pela repressão,

parte-se do princípio de

que toda atividade econômica é

nociva ao meio ambiente e à sociedade.

Dito assim, parece que os

empreendedores destróem tudo

em nome do lucro fácil, que os governantes

são omissos e os ambientalistas

estão sempre certos.

Não é tão simples. A verdade é

que os ambientalistas nem sempre

acertam, que os governos

agem e que sem os empreendedores

não seria possível encontrar

soluções para o problema.

Por via transversa, o mercado

tem se encarregado de promover as

mudanças. Pressionadas pelo mercado

as empresas têm se aplicado

na solução do dilema. Através de

parcerias com comunidades e autoridades

locais inovam em soluções

que garantem lucratividade, sustentabilidade

ambiental, geração de

emprego e renda e, obviamente, inclusão

social. Seja financiando pesquisas

de novas técnicas e/ou produtos,

como as construções ecológicas,

apoiando políticas de educação

ambiental, estabelecendo parcerias

eficientes na requalificação de espaços

degradados ou implementando

novos modelos de gestão, os

agentes econômicos contribuem

decisivamente para esta mudança

de comportamento.

Deste modo, longe de ser o vilão

da questão, o mercado, mais do

que discutir, tem apontado soluções

sustentáveis para a preservação

e conservação ambiental, lição

que deveria ser aprendida e replicada

por governos e ambientalistas

em suas discussões.

MÁRCIA RODOVALHO, especialista em

Direito Ambiental e associada da

Rodovalho Advogados

Recentemente, o governo brasileiro

atentou para este fato e começa

a ensaiar uma mudança de paradigma

em relação à regulação ambiental

e ao tratamento dispensado

aos que constróem a riqueza do País.

Atualmente, três projetos em

tramitação no Congresso propõem

recompensar os empreendedores

que investem em preservação, conservação

e requalificação ambiental

através da concessão de incentivos

e benefícios fiscais, evoluindo

do princípio do poluidor–pagador

para o de preservador–pagador,

que merece ser incentivado.

É o primeiro passo. Ao mesmo

tempo são essenciais que se alterem

as legislações que regulamentam a

atividade rural, aonde o cálculo de

produtividade conduz, inexoravelmente,

à degradação ambiental sob

pena de o produtor se ver expropriado

por descumprir a função sócio-econômica

esculpida na Constituição

Federal. Além disso, urge o

estabelecimento de metas factíveis

e de um planejamento de médio e

longo prazos para a economia brasileira,

que contemple conjuntamente

a questão ambiental e o desenvolvimento

sócio-econômico.

Neste aspecto as parcerias, a

transferência e o compartilhamento

de tecnologia e o abandono da arrogância,

predominante no discurso

de salvação embutida nas negociações,

não apenas facilitariam o diálogo,

mas trariam o equilíbrio necessário

para que se atinjam as metas

lançadas pela ONU na carta do

Rio e no Protocolo de Kyoto.

CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009 15

divulgação


16 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

Fernando Dantas

De Curitiba (PR)

MUDANÇAS

As discussões sobre políticas públicas e

ações para viabilizar investimentos,

projetos e tecnologias, com o objetivo

de ampliar a utilização dos recursos

naturais de forma sustentável, reduzir o aquecimento

global e diversificar a matriz energética

estão sendo ampliadas em todo o mundo,

com a proximidade da reunião da ONU sobre

Mudanças Climáticas, que será realizada em

dezembro, em Copenhague, na Dinamarca.

A utilização de fontes alternativas para a

geração de energia é uma das soluções que

têm tido amplo debate de especialistas. O Brasil,

por exemplo, é referência por ser o maior

mercado mundial de energias renováveis, com

46% provenientes de fontes alternativas e renováveis,

com destaque para a enorme capacidade

hídrica, principal matriz energética

brasileira, e a utilização de biomassa, segundo

relatório das Nações Unidas. Até 2017, o País

produzirá 6,2 mil megawatts a partir de energia

proveniente da biomassa, do vento e de

pequenas hidrelétricas, de acordo com o plano

elaborado pelo governo federal.

No restante do mundo, principalmente nos

países desenvolvidos, o relatório aponta que a

utilização de fontes renováveis para a geração

de energia ainda é pequena, com 13%. Apesar

disso, a pesquisa revela que houve um aumento

de 16%, em 2008, na utilização de energias

renováveis em comparação com a capacidade

instalada em 2007, e que os Estados Unidos

e Europa instalaram maior capacidade de

geração proveniente de fontes alternativas do

que de fontes com tecnologia convencional.

O relatório aponta ainda que o crescimento

da energia renovável se deve à aprovação

de políticas favoráveis às fontes alternativas,

na busca por tentar reduzir as emissões de gases

do efeito estufa, satisfazer a procura crescente

por energia, aumentar a segurança

energética e estabilizar os custos. Eficiência

solar e eólica e possibilidades de oleaginosas

de gerar fontes de biomassa são características

que contribuem ainda para ampliar a utilização

de fontes renováveis de energia.

Todos estes temas e o cenário que se desenha

no País e no mundo para os próximos

anos foram debatidos por profissionais renomados,

representantes de entidades e especialistas

nas áreas de energia elétrica e bioenergia,

durante o 4º Congresso Internacional de

Bioenergia e 1º Congresso Brasileiro de Geração

Distribuída e Energias Renováveis, eventos

realizados entre os dias 18 e 21 de agosto, em

Curitiba (PR). O encontro teve ainda a participação

de estudantes, técnicos, jornalistas e

público em geral. Paralelo aos congressos, foram

realizados ainda workshops e a BioTech

Fair 2009 - Feira Internacional de Tecnologia

em Bioenergia e Biodiesel, que apresentou aos

visitantes tecnologias brasileiras adequadas a

diferentes regiões e padrões de projetos no

segmento de bioenergias e biocombustíveis.


CLIMÁTICAS

FONTES RENOVÁVEIS

O principal tema abordado no congresso foi

a utilização de fontes renováveis – biomassa,

eólica e solar, como complemento à geração de

energia hídrica. O presidente da Eletrobrás, José

Antônio Muniz Lopes, reconhece que o Brasil

passa por um momento histórico no setor

elétrico ao abordar e apresentar soluções que

buscam a sustentabilidade e utilização de fontes

renováveis para a geração de energia. "O

País já não tem mais novas fontes de reservatórios

para serem aproveitados. Todas as hidrelétricas

que nós fizermos no Brasil serão hidrelétricas

praticamente a fio d´água. A energia

eólica e biomassa têm a função de ser, em um

primeiro momento, reservatórios virtuais, principalmente

para períodos de seca em algumas

regiões do País", revela.

Segundo o presidente da Agência Nacional

de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, a

grande alternativa que se tem de complementariedade

de energia é por meio da biomassa,

que possui 31,1% do total de 46% das energias

renováveis. Outra alternativa é o biogás, que

em 2008 teve em funcionamento 4 mil usinas

e capacidade para gerar 1.400 megawatts. Entre

as vantagens está a transformação e utilização

de dejetos de animais em fontes energéticas,

com custos baixos ao produtor, além da

sustentabilidade ambiental.

Para a superintendente de Desenvolvimento

de Negócios da Wobben Windpower, Maria Regina

Araújo, a energia eólica surge como a mais

atraente e competitiva entre as fontes renováveis,

principalmente pelas vantagens econômicas

e de implantação, com destaque para o

baixo impacto ambiental, rapidez na instalação

de uma planta eólica e a integração com outras

formas de cultivo do solo, como agricultura e

pecuária. Para ela, o Brasil é o País com maior

potencial de aproveitamento da energia eólica,

devido às suas características de clima e a dis-

tribuição de ventos. O crescimento da energia

eólica depende, basicamente, de políticas de

incentivo. O primeiro passo já foi dado, segundo

ela, com o leilão de energia, que será realizado

em novembro, no País, e que já tem inscrito

cerca de 13.500 megawatts para a eólica.

"No Brasil, a hidrelétrica continuará sendo

a matriz energética. Para contribuir para a diversificação

energética, temos um potencial

eólico em certas regiões do País que é comparável

aos mais altos do mundo em termos de

fator de capacidade", acrescenta. A energia

solar também esteve em discussão durante o

Congresso. O presidente Nelson Huber afirma

que o Brasil tem grande potencial para a geração

desse tipo de energia, mas que deve demorar

alguns anos para se tornar mais viável,

por causa do custo elevado. "O Brasil deve criar

soluções para implantação de novas tecnologias,

já que o País tem um dos maiores índices

de incidência solar. Não temos dúvidas de

que chegará o momento dessa fonte deslanchar,

a preços adequados e competitivos", relata.

Segundo dados da Aneel, existem vários

projetos em curso ou em operação para aproveitamento

de energia solar no Brasil, particularmente

por meio de sistemas fotovoltaicos

de geração de eletricidade, visando o atendimento

de comunidades isoladas da rede de

energia elétrica no País.

O uso de microalgas como fonte de energia

limpa e renovável foi outra alternativa apresentada

por especialistas do setor. O desenvolvimento

de tecnologias de extração em larga

escala ainda é alvo de estudos, mas é uma opção

que vem reforçar e permitir a transformação

do CO2 em matérias-primas aplicáveis na

produção de biocombustíveis. A experiência da

produção de biomassa de microalgas utilizando

gases de exaustão de usinas termoelétricas em

Israel foi apresentada pelo Dr. Ami Bem-Amotz,

da empresa Seambiotic.

Créditos de carbono

Junto à discussão sobre a diversificação

da matriz energética, também estão temas

como a relação preço/custo e o equilíbrio

entre a produção e a sustentabilidade ambiental.

Para Nelson Hubner, antes de avaliar

qual fonte alternativa de geração de

energia é mais viável e vantajosa, é preciso

observar o custo de produção, já que estudos

mostram que, para oferecer um padrão

de vida de classe média para uma pessoa

que nasce no Brasil, é preciso instalar 400

quilowatts de potência elétrica. "Se a gente

não considerar o valor da energia gerada,

simplesmente nos poderíamos ter um

País totalmente tendente para aquela

energia, mas sem a possibilidade de consumo

pela população, que não conseguiria

pagar pelo preço da energia que ela deveria

utilizar", destaca.

Avaliando ainda a demanda crescente

por energia, o desafio é atender à população

sem comprometer ambientalmente

o planeta. O aumento no uso de energias

renováveis pode contribuir na redução

da emissão de gases poluentes na atmosfera.

Também beneficia outro importante

negócio: a venda de créditos de carbono.

A energia eólica e as pequenas centrais

hidrelétricas podem proporcionar

esse tipo de receita.

Até o final de 2008, somente o Proinfa –

Programa de Incentivo às Fontes Alternativas

de Energia Elétrica – já havia aprovado

144 projetos capazes de gerar energia suficiente

para evitar a emissão atmosférica de

2,8 milhões de toneladas de carbono anuais,

podendo valer R$ 100 milhões por ano

com a venda de créditos de carbono. Por

outro lado, no agronegócio o Brasil pode

ganhar, por ano, em torno de U$$ 160 milhões

com a venda de créditos de carbono,

obtidos pela utilização da biomassa para

gerar energia. O maior potencial está no

cultivo de cana, que hoje cobrem quase 7

milhões de hectares no País, com previsão

de aumentar 50% até 2015, em decorrência

da expansão do uso de biocombustíveis.

Cada megawatt por hora de energia produzida

pelo bagaço da cana evita que mais de

meia tonelada de CO2 seja lançado na atmosfera

– caso essa energia fosse obtida

por óleo combustível ou carvão mineral.

montagem sobre foto: stock.shcng/unica

CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009 17


montagem sobre foto: unica/arquivo canal/léo padilha stock.shcng/

18 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

RADIOGRAFIA DO MUNDO

O jornalista e ambientalista Washington Novaes

traçou, durante o congresso, um cenário

sobre a atual situação do planeta, quando se

trata da relação entre o ser humano e a natureza,

e o que ocorrerá se medidas urgentes não forem

tomadas por todos os países. Segundo Novaes,

parte da população acredita, erroneamente,

que a solução para os problemas do mundo

está no crescimento econômico, que é de aproximadamente

3,5% ao ano. "Se o produto bruto

mundial, que hoje está em torno de US$ 60 trilhões,

crescesse 3,5% ao ano, chegará em 2050

a US$ 158 trilhões. Só que não tem como chegar,

pois não vão existir recursos e produtos naturais

capazes de sustentar esse crescimento".

Washington cita um estudo realizado na Califórnia,

EUA, que buscou avaliar quanto valeria

os recursos naturais utilizados pela humanidade,

como por exemplo fertilidade do solo, regulação

do clima, regulação do fluxo hídrico, etc. O resultado,

segundo ele, é que o valor seria três vezes

maior que o produto bruto mundial a cada

ano. "Esse é o preço dos serviços que a natureza

nos presta. Mas a maioria segue fazendo de conta

que são inesgotáveis os recursos naturais, já

que nós estamos consumindo 30% além daquilo

que o planeta pode repor, segundo relatórios

dos programas das Nações Unidas", destaca.

Para ele, toda a insustentabilidade em matéria

de clima e de recursos naturais deve ampliar

a mudança dos padrões de energia, consumo,

matriz energética, matriz de transporte, e isso

em um tempo muito curto. Novaes revela que

há um diagnóstico da ONU de que o planeta

tem menos de uma década para encontrar soluções

para mudar os padrões atuais de vida e

consumo, senão poderá sofrer a maior recessão

econômica da história da humanidade. Para que

isso não ocorra, será preciso aplicar cerca de 2%

a 3% do produto bruto mundial para encontrar

soluções viáveis de sustentabilidade.

Outra medida urgente que deve ser realizada,

informa Washington, é a redução das emissões

de CO2 no mundo, entre 30% e 40%, até 2020,

e 80%, até 2050, para que a temperatura do

planeta não se eleve em mais de 2ºC. "A dificuldade

maior, hoje, é que os países chamados de

emergentes acham que a responsabilidade pela

redução das emissões deve ser dos países industrializados,

que emitem mais desde o início da

Revolução Industrial. Por isso não querem aceitar

metas. A China não quer aceitar metas, não

aceita o compromisso de redução. Índia, Brasil,

México e África também não", relata.

Em conseguência disso, o Instituto de Ener-

gias Renováveis na Alemanha revela que, no

ano passado, as emissões de CO2 subiram em

1,94% e atingiram 31,5 bilhões de toneladas

de carbono. Desde 1990, as emissões aumentaram

40% no mundo. A China aumentou

178%, a Indonésia 148%, a Índia 125%, o Brasil

79% e os Estados Unidos 17%. As reduções

importantes ocorreram na Alemanha, com

17%, e na Grã-Bretanha.

De acordo com o Instituto de Energias Renováveis,

o Brasil é o quarto emissor de gases poluentes,

com 1 bilhão de toneladas de carbono

por ano e mais de 10 milhões de toneladas de

metano. A China aparece em primeiro lugar na

lista e os Estados Unidos em segundo. A Agência

Internacional de Energia relata que o consumo

de energia no mundo, que é o maior responsável

pelas emissões, vai aumentar 70% até 2030.

"A questão política de distribuição do ônus realmente

é um impasse, porque os emergentes dizem

que os habitantes dos países industrializados

consomem 11 vezes mais energia do que um

habitante dos outros países. Como, então, exigir

desses países que não aumentem o seu consumo

de energia?", acrescenta o ambientalista.

Apesar das informações de agressão ao meio

ambiente, um dado importante que deve ser ressaltado,

informa Novaes, é que o relatório sobre

políticas de energia renováveis diz que as fontes

renováveis cresceram 16% em 2008 e chegaram

a 280 mil megawatts. Já os painéis fotovoltaicos

conectados às redes cresceram 70%, chegaram a

13 mil megawatts. Os biocombustíveis aumentaram

34%, a energia eólica 29%, e a geotérmica

cresceu mais de 10 gigawatts. Ele destaca que esse

é um caminho a ser seguido, além de outras

fontes de alternativas que estão em estudo, como

a geração de energia a partir das ondas do

mar, borra de café, microalgas, abacate, mamona

e resíduos agrícolas, entre outros.

Washington Novaes diz que o Brasil é um

país privilegiado do ponto de vista da oferta de

recursos naturais, já que possui 13% dos recursos

hídricos superficiais no mundo e de 15% a

20% da biodiversidade do planeta, além de todas

as possibilidades de produzir uma matriz

energética limpa e renovável. "Nós temos tudo

o que o mundo deseja e precisa. Mas temos

também a tarefa política de preservar tudo isso

e ser exemplo para o mundo. O brasileiro

precisa deixar de lado a retórica da indignação,

ou seja, parar de se indignar e reclamar, sem

fazer nada. É preciso aprender a discutir e formular

projetos e propostas na busca por um

planeta mais sustentável", conclui. (O repórter

viajou a convite dos organizadores do evento).


Acende Brasil discute propostas para COP-15

As evidências do aquecimento global estão

cada dia mais perceptíveis nos quatro cantos do

mundo, que sofrem com o aumento das médias

mundiais da temperatura do ar e dos oceanos,

com o degelo dos picos nevados e geleiras e com

o aumento do nível médio mundial do mar. É o

que atesta o Painel Intergovernamental sobre

Mudanças Climáticas (IPCC), órgão das Nações

Unidas responsável por produzir informações científicas

sobre mudanças climáticas.

O Painel apresenta um quadro de desafios

vinculados à mudança climática, à segurança

energética e ao uso eficiente dos recursos

energéticos e será discutido durante a 15ª

Conferência das Partes sobre Clima (COP-

15), em Copenhague (Dinamarca). A COP-15

irá substituir o Protocolo de Quioto, que

termina em 2012.

O Brasil será um dos países participantes da

COP-15 e já existem várias frentes de discussões

sobre as propostas a serem levadas pelos participantes

à Copenhague. O Instituto Acende Brasil

é uma das entidades que tem buscado saídas para

as questões de sustentabilidade energética e

também para o aquecimento global. No último

dia 25 de agosto, a entidade realizou o V Fórum

Instituto Acende Brasil "Mudanças Climáticas e o

Setor de Energia: Rumo a Copenhague", no Centro

de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília,

do qual foram tiradas várias propostas para o

novo protocolo.

O objetivo do evento foi mobilizar o poder

público, cientistas e a comunidade em geral para

a identificação de práticas mais eficazes para

garantir ao País uma matriz energética brasileira

com baixa emissão de carbono e, por

conseqüência, um processo ambiental e economicamente

sustentável para a implantação e

operação das usinas que suportem o crescimen-

Da esquerda para direita, Pedro Sirgado, Luiz Gylvan, Carlos Rittl, Branca Americano, Altino

Ventura, José Miguez e o mediador Sidney Rezende

to brasileiro. Além disso, foi discutida uma proposta

diferenciada de investimentos na redução

dos Gases de Efeito Estufa (GEE) para países em

desenvolvimento e desenvolvidos. Cinquenta e

quatro por cento das emissões de gases de efeito

estufa são resultado do desmatamento. A

geração de eletricidade, com 1,4%, ocupa a sétima

posição como fonte de emissão de gases

de efeito estufa no Brasil. Entre o primeiro e o

sétimo lugares, estão, pela ordem, Agropecuária

com 26,8%; Transporte, com 6,4%; Indústria do

Aço, com 3,2%; Setor de Óleo e Gás, com 1,8%;

Lixo, com 1,8% e Setor Químico com 1,4%.

Para o presidente do Instituto Acende Brasil,

Claudio Sales, os países desenvolvidos comprometam-se

com metas mais agressivas de redução

de GEE e em prazos menores que os países em

desenvolvimento. "As metas têm de ser diferenciadas,

de acordo com as emissões e respectivas

capacidades de cada país", afirma ele, que acredita

que os setores com maior potencial e custos

menores devem ter metas mais agressivas de redução

de GEE. Para ele, não se pode perder de

photon imagens

vista a análise do custo-benefício para limitar-se

a emissão de carbono. A questão do custo também

tem de ser contemplada quando se quer garantir

a transferência de tecnologia. A tese do

Instituto Acende Brasil é a de que se deve assegurar

que todos os países tenham acesso a tecnologias

boas para o clima e cujo custo seja suportável.

Para isso, afirma Sales, os países desenvolvidos

devem apoiar os países em desenvolvimento

por meio de financiamentos, da criação

de centros de pesquisa

No Plano Nacional de Mudanças Climáticas, o

governo estabelece como meta o aumento das

fontes renováveis na matriz energética brasileira

(hidrelétricas, biomassa, eólica, solar e pequenas

centrais hidrelétricas), hoje em torno de 80%. O

Instituto Acende Brasil defende o investimento

na definição de critérios para a participação de

fontes renováveis na matriz brasileira. De acordo

com Cláudio Sales, o País não pode ser dependente

total de fontes renováveis: precisa das

fontes térmicas como fontes complementares de

energia para garantia de abastecimento.

CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009 19


Entidades brasileiras

se unem pelo clima

O OBJETIVO É CONTRIBUIR

COM PROPOSTAS PARA AS

NEGOCIAÇÕES LIGADAS À

CONVENÇÃO-QUADRO DAS

NAÇÕES UNIDAS SOBRE

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

20 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

PARCERIA

Quatorze entidades do agronegócio se

uniram para formar a Aliança Brasileira

pelo Clima. O objetivo é contribuir

com propostas para as negociações ligadas

à Convenção Quadro das Nações Unidas

sobre Mudanças Climáticas. O foco é a agenda

que o governo brasileiro vem defendendo nas

negociações globais, que culminarão na 15ª

Conferência das Partes da Convenção (COP 15),

a ser realizada em dezembro próximo em Copenhague,

na Dinamarca.

A contribuição dos setores que compõem a Aliança

para a mitigação das mudanças climáticas é

enfatizada, especialmente por serem fontes de

energias renováveis, como o etanol, o biodiesel, a

bioeletricidade, as florestas plantadas, o carvão

vegetal renovável e outras formas de biomassa,

capazes de substituir combustíveis fósseis e altamente

poluentes. Juntos, os diversos produtos

dos setores que integram a Aliança representam

28% de toda a matriz energética brasileira.

"É essencial que o Brasil leve adiante propostas

que ampliem as possibilidades de captação de

créditos de carbono, algo a que o Brasil, injustamente,

tem tido pouco acesso. É como se fossemos

penalizados por ser pioneiros em várias iniciativas

que, claramente, ajudam na redução de

emissões de carbono, mas não são reconhecidas

pelos mecanismos existentes, como a própria

produção e uso em larga escala do etanol," diz o

presidente da União da Indústria de Cana-de-

Açúcar, Marcos Jank.

A Aliança Brasileira pelo Clima expõe seu posicionamento

em dois pilares: recomendações ligadas

ao regime internacional que deverá ser

definido pelas negociações no âmbito da Convenção

do Clima e recomendações para ações no

plano interno brasileiro. Entre as recomendações

de âmbito global vale destacar que “as reduções

no ritmo do desmatamento propostas no Plano

Nacional sobre Mudanças do Clima devem ser

assumidas pelo Brasil perante a comunidade internacional

como Ações de Mitigação Nacionalmente

Apropriadas, conhecidas como

NAMAs, que são compromissos assumidos voluntariamente

no âmbito da Convenção por

países em desenvolvimento para mitigação das

mudanças climáticas.”

Além disso é necessário reformar e tornar mais

prático o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

(MDL); é fundamental que as Ações de Mitigação

Nacionalmente Apropriadas, ou NAMAs, também

considerem as atividades agrícolas, de florestas

plantadas e de bioenergia que efetivamente contribuam

para a redução de emissões, ou para a

remoção de gases de efeito estufa da atmosfera.

E ainda: “o mecanismo conhecido como Redução

de Emissões de Desmatamento e Degradação

(REDD) deve ser estruturado de forma a

garantir que incentivos financeiros dele resultantes

alcancem diretamente os agentes responsáveis

pelas reduções.”

No tocante a ações específicas do Governo

brasileiro, a Aliança recomenda buscar um melhor

alinhamento da atuação das diversas

áreas e níveis governamentais envolvidos

com o tema, para evitar propostas contraditórias,

ou que não considerem as oportunidades

geradas por mecanismos internacionais

de mitigação, como o MDL e outros que venham

a ser criados. Recomenda, ainda, incrementar

a relação entre governo e setor privado,

por meio de um mecanismo permanente de

consulta sobre as negociações internacionais

relacionadas às mudanças climáticas.” (CANAL

com assessoria de imprensa da Unica).


ENTIDADES QUE PARTICIPAM DA ALIANÇA BRASILEIRA PELO CLIMA:

ABAG - Associação Brasileira de Agribusiness

ABAG/RP - Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto

ABIOVE - Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais

ABRAF - Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas

ABTCP - Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel

ALCOPAR - Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná

ARES - Instituto para o Agronegócio Responsável

BIOSUL - Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul

BRACELPA - Associação Brasileira de Celulose e Papel

ICONE (apoio técnico) - Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais

ORPLANA - Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil

SIAMIG - Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de Minas Gerais

SIFAEG - Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás

UNICA - União da Indústria de Cana-de-Açúcar

NEGÓCIOS

Fenasucro e

Agrocana 2009

Aedição 2009 da Fenasucro &

Agrocana, realizada de 1 a 4

de setembro, em Sertãozinho,

apresentou bons resultados. Os

negócios realizados durante o

evento e nos doze meses seguintes

alcançaram o valor estimado

pela organização, R$ 2,2

bilhões. Os 420 expositores, por

reconhecerem a projeção que as

feiras dão ao que é exposto,

aproveitaram para fazer importantes

lançamentos de máquinas

e produtos para a indústria

do açúcar, etanol e energia. "Tivemos

lançamentos nacionais e

mundiais de grandes fabricantes

de máquinas e equipamentos

agrícolas. A repercussão foi satisfatória

e muitos produtos foram

vendidos", afirma o diretor

de marketing da Multiplus, Augusto

Balieiro. O número de visitantes

chegou a 28, 5 mil pessoas,

que vieram de 24 países e

de mais 25 Estados do Brasil.

Representantes da África do Sul,

Alemanha, Argentina, Bolívia,

Colômbia, Coreia do Sul, Costa

Rica, Cuba, El Salvador, Equador,

Estados Unidos, França, Holanda,

Índia, Inglaterra, Itália, México,

Paraguai, Peru, Portugal,

República do Congo, Uruguai,

Venezuela e Zimbábue forma-

ram o grupo de visitantes estrangeiros.

Já no Brasil, quase

todos os Estados marcaram presença:

Acre, Alagoas, Amazonas,

Bahia, Ceará, Distrito Federal,

Espírito Santo, Goiás, Maranhão,

Mato Grosso, Mato Grosso do

Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba,

Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio

de Janeiro, Rio Grande do Norte,

Rio Grande do Sul, Rondônia,

Roraima, Santa Catarina, São

Paulo e Sergipe. Para Fernando

Barbosa, diretor comercial da

Multiplus, a visitação abrangente

já é uma marca das Feiras.

"Isso mostra a importância que

o evento tem para o setor no

mundo todo, há vários anos. A

representatividade da Fenasucro

& Agrocana dentro do contexto

sucroenergético traz para Sertãozinho

comitivas internacionais

de órgãos como o BID - Banco

Interamericano de Desenvolvimento,

por exemplo. A visitação

nacional e internacional qualificada,

formada por técnicos e

profissionais de açúcar e etanol,

gera contatos comerciais e negócios

importantes", afirmou

Barbosa. A próxima Fenasucro &

Agrocana já tem data marcada.

Será de 31 de agosto a 3 de setembro

de 2010.

CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009 21


MERCADO OFERECE AOS

PRODUTORES BRASILEIROS DE

AÇÚCAR UMA RARA

OPORTUNIDADE DE TER

GRANDES LUCROS COM A

VENDA DO PRODUTO

22 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

Evandro Bittencourt

AÇÚCAR

Preços firmes

animam produtores

Com preços e exportações em alta, o

açúcar tem proporcionando bons

ganhos ao setor sucroenergético

brasileiro. As vendas do produto ao

exterior cresceram 35% no mês de julho em

relação ao mesmo período do ano passado,

somando US$ 761 milhões. Em valores o au-

mento foi de 19% e o volume negociado teve

incremento de 13,4%. O bom desempenho

do açúcar brasileiro no mercado internacional

vem sendo observado desde o início

do ano, o que se deve, principalmente, à

quebra de safra na Índia, país que, de grande

produtor e exportador, tornou-se um um

grande comprador do açúcar nacional. Tomando-se

como referência o mês de julho,


as vendas para o País aumentaram 200% na

comparação com o mesmo período de 2008.

Os sinais de que uma fase de vacas gordas

para o açúcar brasileiro estava surgindo começaram

a ser observados nos meses de abril e

maio. “Os preços dos produtos começaram a

reagir quando ficou claro que a Índia estava

com sérios problemas de estiagem e o preço

começou a subir, a disparar, superando os 23

cents a libra/peso”, destaca Miguel Biegai,

consultor da Safras & Mercado.

A cotação do produto, a maior dos últimos

28 anos, é considerada espetacular e a recomendação

dos analistas, ainda que possa parecer

desnecessária nesse momento de euforia,

é de que as usinas vendam o máximo que

puderem e realizem contratos futuros para

travar o preço.

Sufocadas pela escassez de crédito determinada

pela crise financeira mundial e pelos baixos

preços do etanol, o mercado de açúcar

abriu um oportunidade única para as usinas

abastecerem seus caixas. Empreendedores que

montaram novas usinas focando apenas o etanol

agora, possivelmente, estão lamentando a

decisão de não investir também na produção

de açúcar.

DURAÇÃO INCERTA

Até quando vai durar esse bom momento? Certamento

não muito, já que, historicamente, o preço

do açúcar não se mantém em alta por longo

tempo. Para Miguel Biegai, os preços firmes para o

açúcar devem durar até março de 2010. Com a

chegada da safra 2010/2011 outros players tendem

a se entusiasmar e aumentar a produção de

açúcar. “ Com o produto cotado a 11, 12 centavos

de dólar a libra/peso, praticamente só o Brasil

consegue produzir bem. Mas a 20, 22 centavos,

os produtores de beterraba na Europa já se

animam, assim como o pessoal do xarope de milho

e os produtores de cana na Tailândia, na Austrália

e no Caribe.” Para Miguel Biegai, apenas

uma nova quebra de safra na Índia poderia sustentar

preços semelhantes ao atuais para o açúcar

na próxima safra.

Projeções à parte, o fato é que bom momento do

mercado de açúcar está alterando o mix de produção

nas usinas. As estimativas iniciais eram de que

40% da cana colhida no Centro-Sul seriam destinadas

à produção de açúcar, mas, ao que tudo indica,

esse porcentual deve chegar a 44%. A mudança

de rumo só não é mais acentuada, relembra Miguel

Biegai, porque muitas usinas construídas a

partir de 2006 produzem apenas o etanol.

stock.shcng

CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009 23


24 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

ALCOOLDUTO

Obra começa em 2010

AUniduto Logística S.A. anunciou o início da

construção de um duto para etanol em julho

do próximo ano. Com extensão de 618 quilômetros

e capacidade para transportar 21 bilhões

de litros do biocombustível por ano, o

projeto prevê a construção de três centros coletores

que cruzarão o Estado de São Paulo

pelo interior até o Porto de Santos, de onde sai

o maior volume de exportação.

A previsão para esta primeira etapa é um

gasto de aproximadamente 1 bilhão de dólares.

Já na segunda etapa, o projeto será expandido

para outros Estados produtores de etanol,

como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Mas

a construção só acontecerá quando a produção

atingir um maior volume.

Para começar as construções, a Uniduto

ainda precisa terminar o processo de aquisição

das terras e obtenção das licenças ambientais

exigidas pela lei. De acordo com o presidente

da empresa, Sérgio Van Klaveren, as compras

ocorrerão nos próximos dois meses e as regulamentações

se encerram até o final do ano.

Segundo o diretor-executivo da União da

Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo

Leão de Sousa, a obra será muito bem-vinda e

terá uma função estratégica para o setor sucroenergético.

"Na medida em que o mercado

internacional passa a ter uma importância

maior para o setor no Brasil, a logística tornase

fundamental para o aumento da nossa

competitividade".

Paralelo às providências de construção do

duto, a empresa e a CentroSul, da Brenco, começaram

a estudar a viabilidade de uma parceria

entre os projetos de dutos das duas em-

CONVÊNIO

unica

Embrapa vai ajudar Bolívia

na produção de biodiesel

Um convênio firmado entre o

governo departamental de

Santa Cruz (Bolívia), por meio do

Centro de Investigação em Agricultura

Tropical (Ciat), e a Embrapa,

vai viabilizar um diagnóstico

para a produção de biodiesel em

Santa Cruz. O pesquisador da Embrapa

Agroenergia (Brasília-DF),

Dilcio Rocha, especializado na produção

de biodiesel, já esteve em

Santa Cruz apresentando a metodologia

e as atividades a serem realizadas.

Ao lado de técnicos do

Ciat, o pesquisador visitou diversas

agroindústrias, como a Fino, Unagro

y Guabirá.

A comitiva esteve também na

zona de Guarayos para observar

as culturas utilizadas para a produção

de biodiesel. "O departamento

de Santa Cruz tem todas as

condições naturais para produzir

a matéria-prima, a exemplo dos

bosques da palmácea babaçu na

zona de Guarayos", disse o brasileiro,

após a visita. O diretor exe-

presas para aproveitar a sinergia. Ainda seria

parceiro também o consórcio PMCC, da Petrobras.

O objetivo é evitar duplicação de investimentos

nos trechos em comum, principalmente

nos ramais entre Mato Grosso e Goiás. "É

provável que os projetos sejam concluídos com

algum tipo de intervenção entre eles, que seja

estratégica para todos", afirmou Van Klaveren,

negando qualquer movimento de aquisição.

UNIDUTO

A Uniduto Logística S.A. foi criada em 2008

por um grupo de produtores de etanol preocupados

em contribuir com a melhora da infraestrutura

e da logística do combustível produzido

no Brasil. Baseada em transporte por dutos

e porto próprio, visa permitir aos seus usuários

maior competitividade, tanto no mercado

nacional como internacional. A empresa

terá uma rede de dutos com três centros coletores

localizados nas cidades de Sertãozinho

(SP), Juquiratiba (SP) e Conchas (SP) e três

centros de distribuição nas cidades de Paulínia

(SP), Taboão da Serra (SP) e Guarujá (SP), onde

terá um porto off-shore.

cutivo do Ciat, Hugo Serrate, destacou

a importância de trabalhar

pesquisa e transferência em parceria

com a Embrapa e interagir

com a agroindústria de Santa

Cruz. "A parceria nos ajudará a

mostrar ao país que é viável produzir

biodiesel", afirmou.

PRODUÇÃO COMPLEMENTAR

Daniel Ardaya, responsável pelos

estudos de biodiesel do Ciat, afirmou

que o projeto contempla a produção

modular do combustível, ou seja,

produzir para suprir a demanda em

época de pico de consumo. "Por esta

razão, o biodiesel não irá suplantar

o diesel de petróleo, apenas

complementando-o", enfatizou.

Cinco culturas de Santa Cruz

têm potencial para produção de

biodiesel. Apenas de babaçu, existem

cerca de 75 mil hectares já

aprovados para produção do biocombustível,

e cerca de 18, 3 mil

pequeno e médios produtores serão

beneficiados.


Vendas de carros flex

aumentam em 2009

A venda de carros flex no

Brasil cresceu 5% entre

janeiro a julho de 2009, em

relação ao mesmo período do

ano passado. Os dados são da

Anfavea. No período de

janeiro a julho, 1,474 milhão

de carros foram vendidos,

mais de 63 mil unidades

acima das vendas registradas

nos primeiros seis meses de

2008, quando foram

emplacados 1,411 milhão de

veículos.

fotos: niels andreas-unica/stock.xchng

Rally Dakar terá Categoria Etanol

O maior rally do mundo, o

Rally Dakar, terá em 2010 uma

categoria em que será utilizado

exclusivamente o etanol como

combustível. A nova categoria

será inaugurada pelo piloto

brasileiro Klever Kolberg com

patrocínio da União da

Indústria de Cana-de-Açúcar

(Unica). Para o presidente da

Unica, Marcos Jank, o apoio à

equipe de Kolberg tem

significado especial. "O etanol

já é utilizado como combustível

de uma das principais

categorias de automobilismo do

mundo, a Fórmula Indy, e está

sendo adotado por inúmeras

categorias competitivas do

Brasil e de vários outros

países", afirma.

Em 2010, o Rally Dakar será

disputado na Argentina e no

Chile, com a largada marcada

para o primeiro dia do ano em

Buenos Aires.

Matriz energética

mais limpa

O consumo de combustíveis

no mercado brasileiro foi 51,3

bilhões de litros no primeiro

semestre de 2009. Um aumento

de 0,3% em relação aos 51,1

bilhões de litros referentes ao

mesmo período de 2008. Os

dados são da ANP(Agência

Nacional do Petróleo). Segundo

a agência, a matriz energética

brasileira está mais limpa, com

a consolidação do etanol (anidro

e hidratado) como combustível

mais consumido no País, a

introdução do diesel menor

teor de enxofre (S-50) e o

aumento do percentual de

biodiesel misturado ao diesel. O

maior consumo de etanol

(anidro e hidratado) em relação

ao de gasolina “A” iniciado no

início de 2008 se manteve em

2009, passando de 9,1 bilhões

de litros para 10,71 bilhões de

litros. O biodiesel foi o produto

que registrou maior aumento:

42,7% na comparação entre

2008 e 2009.

CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009 25


26 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

EXPANSÃO

ETH inaugura

nova usina

ATÉ 2012 A UNIDADE RIO CLARO DEVERÁ TER CAPACIDADE DE

PROCESSAR 6 MILHÕES DE TONELADAS DE CANA-DE-AÇÚCAR

Carlos Alberto Pacheco

De Caçú

No dia 27 de

agosto, em

solenidade

que reuniu o

governador de Goiás,

Alcides Rodrigues, deputados

federais e estaduais,

prefeitos e empresários,

a ETH Bioenergia,

controlada pelo

grupo Odebrecht, iniciou

as operações da

unidade Rio Claro, em

Caçu. A usina foi construída

em tempo recorde,

apenas 13 meses.

A unidade tem capacidade

inicial de moagem

de 3 milhões de toneladas

de cana por safra.

De acordo com o

presidente da ETH, José

Carlos Grubisich, na safra 2010/11 a unidade

deverá produzir 190 milhões de litros de etanol.

Grubisich prometeu novos investimentos até

2012, visando elevar a capacidade instalada de

moagem para 6 milhões de toneladas por safra.

Boa parte do processamento de cana da

unidade será voltada para o etanol, enquanto

o açúcar deverá responder por 20% a 25% da

produção total. Foram investidos R$ 500 milhões.

O plantio e a colheita de safra própria

são totalmente mecanizados. "A escala de produção,

a competitividade e o emprego de alta

tecnologia são os nossos diferenciais", afirma

Presidente da ETH, José Carlos

Grubisich(à esquerda) e o governador

de Goiás, Alcides Rodrigues

eth/divulgação

Grubisich. A usina propiciou

a abertura de 1.500

empregos diretos.

COGERAÇÃO

A unidade Rio Claro

integra projeto de instalação

de greenfields localizados

em Goiás, São

Paulo e Mato Grosso do

Sul. A ETH já operava

com duas usinas: Alcídia,

na cidade paulista de Teodoro

Sampaio e Eldorado,

em Rio Brilhante

(MS). Assim, a empresa

iniciará a safra 2010/11

com capacidade instalada

de moagem de 13,2

milhões de toneladas de

cana-de-açúcar por safra,

podendo saltar para

18 milhões de toneladas.

Até 2012, a exemplo

de Rio Claro, as de-

mais ganharão novos aportes de recursos. Segundo

Grubisich, o investimento total em cada

unidade será de R$ 900 milhões.

Ainda neste terceiro trimestre, serão inauguradas

as unidades Conquista do Pontal (Teodoro

Sampaio) e Santa Luzia (Nova Alvorada do

Sul - MS). "O início das operações dos greenfields

é um marco na estratégia de crescimento

da ETH", afirma o presidente. As novas unidades

também serão cogeradoras de energia elétrica,

por meio do processamento do bagaço da

cana-de-açúcar. A partir de 2012, cada uma

terá capacidade de produzir 130 MW por ano.

Goiás terá 33 usinas

até o final do ano

Aprodução de etanol e açúcar no

País tem promovido o desenvolvimento,

com a abertura de

empregos e geração de renda. Essa é

uma tendência que irá prosseguir nos

próximos anos, segundo prognóstico

do presidente do Sindicato da Indústria

de Fabricação de etanol no Estado

de Goiás (Sifaeg), André Rocha. Goiás

é o quatro produtor nacional de cana

e o terceiro em etanol. Já são 32 unidades

industriais em operação no território

goiano e, até dezembro, prevêse

a inauguração da 33ª usina pelo

Grupo Cosan, em Jataí.

Segundo o presidente do Sifaeg,

Goiás apresenta condições favoráveis

para atrair investimentos na

área de produção de energia limpa,

tais como a topografia, o clima bom

e a grande quantidade de terras disponíveis.

"O Estado poderá receber

mais duas usinas em 2010. Estamos

trabalhando com essa possibilidade",

adiantou. Ele avisa que vários grupos

têm interesse em investir, sobretudo

no interior, onde observa-se um boom

de desenvolvimento. Somente

em Goiás, somando-se as usinas em

operação e as que deverão ficar

prontas até 2011, o potencial energético

será superior a 1.900 megawatts.

Rocha acredita que, dentro

de onze anos, a agroenergia irá impulsionar

mais de 3.000 MW.

unica/divulgação


Cálice de Pedra formação natural em Paraúna

Imagem do Cristo, visto na entrada da cidade

Centro de Vitivicultura, em Santa Helena

Cultivo de uvas em Paraúna

28 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

fotos: marcello jr/stock.xchng/divulgação a

Cerrado goiano

hora e a vez da uva

Clarissa Bezerra

Quem poderia

imaginar que, um

dia, o Cerrado

goiano também

produziria uva

para consumo e

até vinhos e sucos.

Talvez a ciência. A

mesma que, por

meio de pesquisas,

mostrou que a

fruta se adapta a

outros ambientes

e não apenas a

regiões frias. Após

certificar-se da

viabilidade de

plantar e colher,

alguns visionários

resolveram investir

na atividade.

Sebastião Ferro é médico.

Dono de um hospital em Goiânia

, foi prefeito da cidade onde

nasceu, Paraúna (à 150 quilômetros

da capital), onde é um

pecuarista tradicional. Ele acreditou

no cultivo dos parreirais

em suas fazendas. O risco se

tornou, na opinião dele, vitória.

Deu tão certo que o negócio

expandiu. O médico abriu, em

Paraúna, uma vinícola, em sociedade

com o especialista em vinhos,

Valdir Cristropholy, que

veio da cidade de Caxias do Sul

(RS) para investir na industrialização

da fruta em Goiás.

Assim nasceu a empresa Serra

Das Galés Ltda, localizada na

GO-320, bem na entrada do

município de Paraúna. A vinícola,

emoldurada pelas belas formações

rochosas que marcam o

local, produz bebida com uvas

do Cerrado e suas várias nuances

,como o vinho tinto, branco

e suave, também expandindo

para a fabricação do suco de

uva, que é uma das grandes

promessas.

"Apostamos no suco como

um investimento que será bem

aceito pelo consumidor ", afirma

Sebastião Ferro. Segundo

estatísticas do setor de Vitivinicultura

da Embrapa, no Brasil a

produção do suco de uvas integral,

em 2007, apresentou aumento

de 19,46% e a do suco

concentrado cresceu 10,51%.

PRODUÇÃO COM GOSTO

A uva é originária da Europa

e Oriente Médio. A videira apresenta

troncos retorcidos e flores

esverdeadas, uma planta própria

de regiões de clima temperado.

Alguns registros históricos

apontam que o cultivo se iniciou

no período Neolítico, na

região do Egito e Ásia Menor.

"É algo muito bonito de se

ver, principalmente, em terras

goianas", diz o médico e produtor.

Ele começou a investir na

cultura há 7 anos e, hoje, tem

17 hectares plantados. São variedades

normais e precoces

desenvolvidas pela Embrapa,

como a uva Cora, Violeta, Isabel

precoce, Rúbia e a Lorena, uma

uva com coloração branca. Vale

ressaltar que são duas as safras

anuais da maior parte das variedades

plantadas. O ponto

principal para que o cultivo obtenha

sucesso, segundo ele, é o

plantio da muda já enxertada,

para que não seja atacada por

pragas. Em apenas seis meses

começam a aparecer os primeiros

cachos.

No Brasil o cultivo da uva

começou por volta de 1535, na

então Capitania de São Vicente,

tendo grande impulso com

a imigração italiana nos Estados

de São Paulo e da Região

Sul. Entre os maiores Estados

produtores destacam-se São

Paulo, Paraná, Rio Grande do

Sul, Santa Catarina, Pernambuco

e Bahia.

SABOR DE CERRADO

O sonho de Sebastião Ferro é

conseguir extrair milhares de

litros da bebida, colocar Goiás

como referência na produção

de vinhos, figurando em publicações

especializadas, como a

do Instituto Brasileiro do Vinho

(Ibravin).

Um dos compradores mais assíduos

do vinho brasileiro é a

França. O volume de vinhos brasileiros

exportados para a terra

dos famosos perfumes saltou de

8,3 mil litros em 2007 para 13

mil litros em 2008.


Cultivo profissional

Profissionalizar é sempre necessário em qualquer

área. No cultivo e transformação da uva

não é diferente. Por isso, foi criado no município

de Santa Helena de Goiás o Centro Tecnológico

da Vitivinicultura Luiz Humberto de Menezes.

A ideia é apoiar e difundir o cultivo da fruta

e a produção de vinho no Estado. À frente deste

projeto está a Secretaria de Ciência e Tecnologia

(Sectec), comandada pelo secretário Joel

Braga Filho. O local, inaugurado durante a 2ª

Festa da Uva de Goiás, que aconteceu em agosto,

tem o desafio, segundo o secretário, de expandir

essa cultura no solo goiano, que já está

presente em 60 municípios, com cerca de 250

produtores. Estão sendo investidos no Centro

Tecnológico recursos da ordem de R$ 1 milhão,

provenientes do Estado e do Governo Federal.

Nesta entrevista, Joel Braga Filho fala das

perspectivas da uva em Goiás.

A uva é uma promessa no Estado de Goiás?

A uva já é uma realidade em Goiás, uma vez

que já existem mais de 250 produtores espalhados

por 60 municípios goianos. Todos entusiasmados

com a nova cultura, especialmente

agora, com o aporte científico e tecnológico

que será dado à cultura pelo Governo.

A cultura tem potencial para ocupar grandes

extensões de área cultivada no Estado?

Diferentemente da soja, por exemplo, a cultura

da uva não precisa de grandes extensões de

terra para se desenvolver. Neste aspecto é um

diferencial muito importante para o nosso Cerrado.

Não é preciso desmatar. É uma cultura

que abre muitas alternativas para os pequenos

proprietários, para a agricultura familiar, com

um valor social agregado altíssimo. Produz-se

muito em pequenas áreas, sem mecanização. É

uma cultura que requer, sim, muita disposição

do produtor em aprender e empregar novas

tecnologias. E, neste aspecto, estamos aprendendo

com quem tem mais de 40 anos de experiência,

a Embrapa Uva e Vinho, de Bento

Gonçalves, que topou o desafio de abrir uma

nova fronteira para a uva no Cerrado brasileiro.

Hoje, existem 500 hectares de

plantações. Qual a previsão para os

próximos 10 anos?

Queremos dar ao produtor toda segurança do

conhecimento e tecnologia apropriada. Também

pretendemos atrair empresas ligadas aos

diversos elos da cadeia da vitivinicultura. Já temos

aqui produtores industrializando e colocando

vinhos de mesa e sucos no mercado goiano

e de outros Estados. Nosso grande desafio

agora é o da excelência, uma vez que já provamos

que a cultura da uva é possível no Cerrado,

com índices altíssimos de produtividade,

bem superiores ao do Rio Grande do Sul, que é

o berço nacional da uva. A expectativa é de

que, em 10 anos, consigamos atingir a marca

de 5000 hectares de plantio. Já temos polos

consolidados, a exemplo de Santa Helena – que

será, com o Centro Tecnológico, uma referência

nacional –, Itaberaí e Paraúna. Mas a cultura

está disseminada em todo o Estado. Temos 60

municípios produzindo, inclusive Goiânia.

Uva sempre lembrou o Sul do País. A cultura

tem futuro garantido no Cerrado?

O Sul do País é o berço da uva. Nem mesmo os

técnicos acreditavam que era possível produzir

uva em regiões de condições climáticas como a

nossa, seca e quente. Mas esse tabu foi quebrado.

A Embrapa, por exemplo, está ajudando a

produzir uva em Roraima, Pernambuco, Bahia. E

Goiás é o pioneiro no Centro-Oeste. A Embrapa

acredita que Goiás será em breve uma vitrine.

Lucas Garrido, chefe geral da Embrapa Uva e Vinho

de Bento Gonçalves (RS), em visita recente

ao Estado, frisou que aqui possuímos todas as

condições para o sucesso do empreendimento.

Aqui temos duas colheitas ao ano. No Rio Grande

do Sul é apenas uma. O teor de açúcares da

nossa uva atinge índices superiores ao do Sul do

País. O que nos falta agora é adquirir esse conhecimento

acumulado pelos produtores do Rio

Grande do Sul e construirmos novos conhecimentos

e tecnologias adequadas ao cultivo no

Cerrado brasileiro. E isso o Centro Tecnológico

da Vitivinicultura do Cerrado vai fazer.

CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009 29


Poliron recebe

certificação UL

A Poliron,indústria de

fios e cabos especiais 100%

nacional,comemora mais

uma conquista.Obteve para

a sua linha Fieldbus (cabos de

instrumentação

e automação de processos

industriais) a certificação UL,

do Underwriters

Laboratories Inc.,dos EUA.Além de

proporcionar para a Poliron a entrada

dos produtos certificados no mercado

norte-americano, comprova a

preocupação da empresa com qualidade

e segurança.O cabo Poliron Fieldbus,

com diâmetro de 6,42mm,foi elaborado

para atender aos padrões de comunicação

com protocolos Fundation FieldbusTM

para rede H1."Para nós é uma vitória.

Significa que estamos no caminho

certo",observa Sergio Chammas,

diretor responsável pela área.

30 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

Filosofia sustentável marca participação

da Equipalcool na Fenasucro 2009

Para a Equipalcool, a

preocupação com a

sustentabilidade é uma

filosofia mercadológica

que já está se tornando

um conceito permanente

na sua gestão. Além dos

benefícios proporcionados

ao meio ambiente, a

empresa percebeu que a

gestão sustentável de

recursos é, também, muito

rentável. Assim, além dos

equipamentos já

existentes, que utilizam

biomassa como

combustível, a empresa

criou produtos que

utilizam resíduos

orgânicos para geração de

energia. Adotou, ainda, a

utilização de materiais

reciclados em seus

produtos de divulgação e

vem promovendo ações

para redução do impacto

ambiental. Duas destas

ações foram realizadas

durante a Fenasucro, por

meio de parcerias

sustentáveis.

Siemens apresenta soluções para eficiência energética e cogeração

A SIEMENS, líder mundial

em eficiência energética,

apresentou durante a feira um

pacote de produtos e soluções

voltados para o aumento da

produtividade das usinas

sucroenergéticas nas áreas de

processos de automação,

cogeração e eletrificação. Entre

as novidades destaque para o

inversor de frequência

SINAMICS S150 para aplicação

em centrífugas, o novo disjuntor

de Média Tensão a vácuo SION

e o Transformador GEAFOL.

leandro nunes/sri

O Gestor da Equipalcool,

Ademir Vieira, recebe o Selo

Elipse Plant Manager na

Fenasucro 2009

A Elipse Software participou da

17ª edição da Fenasucro 2009 e

apresentou alguns de seus principais

produtos. Entre eles, destaque para o

Elipse Plant Manager, produto

desenvolvido para facilitar a coleta e

visualização das informações

pertinentes ao ambiente de chão de

fábrica. Com lançamento previsto

para novembro, o historiador de

processos da Elipse foi criado para

facilitar o trabalho das equipes de

engenharia, manutenção e

tecnologia da informação (TI) de

uma planta industrial.

RAM automoção e controle

completa 15 anos

A RAM Automação e Controle está

comemorando 15 anos e participou mais

uma vez da Fenasucro/Agrocana,

apresentando inclusive suas novas

empresas:RAM Net System e RAM

Estaleiros."Mesmo com a crise econômica

mundial e seus desdobramentos,que

afetaram inclusive o setor sucroalcooleiro,a

empresa cresceu 10% este ano,o que reflete

nossa consolidação no mercado",afirma

Marco Alasmar,diretor técnico da RAM.

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