CULTURAL - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

cpvsp.org.br

CULTURAL - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

TEATRO

AO

/ f

POR UM MUNDO MELHOR

PELA RENOVAÇÃO POPULAR

DA CULTURA NACIONAL

POR UMA ABERTURA

üi 11:

i^

CULTURAL ^%v

"COM UM ROTEIRO!

• DE COMPRAS

JOO RIO DE JANEIRI

21 FÊV1995

for os Occcmeniscão

Cr$ 0

MENSÁRIQ CULTURAL — RIO DE JANEIRO — NOVA FASE — ANO 2 — N. 0 23 — Em PORTUGAL 25 Escudos

O JORNAL DE OTTO E FLORENCE, DO TALES, RUIZ E BASTOS MELLO, DA BETÍ E DO DAVÍ.

DO NEIVA, LICO WAGNER E ANDRÉ, DA ALINA, DO PIRES. JADIR, GEORG, ACACIO VIEIRA E

GUSTAVO, DA HELENA, DO ELCIO E LUCIANO, O JORNAL DE VOCÊ - SIM DE VOCÊ TAMBÉM

POIS A ABERTURA É PARA VALER.

indiscutível*.

os direitos^

humanos são

uma evidência.

â missão

dos governos

é defender

a liberdade

individual.

o povo tem

para com seu país

a responsabilidade

de por fim

a um mau governo

para o bem da

maioria.

i ■ 1 1

Consideramos estas verdades evidentes

por si mesmas: que todos os homens são

criados iguais; que são dotados pelo Criador

de certos direitos inalienáveis; que entre

estes estão a vida, a liberdade e a busca da

felicidade; que para assegurar esses direitos

são instituídos governos entre os homens,

derivando seus justos poderes do consenti-

mento dos governados; que todas as vezes

que uma forma de governo se tornar uma

ameaça a esses objetivos, é direito do povo

alterá-la ou aboli-la e estabelecer novo

governo, fundamentando-o nestes princípios

e organizando seus poderes da forma que lhe

parecer mais adequada para alcançar segu-

rança e felicidade. A prudência certamente

ensinará que os governos de existência longa

não devem ser mudados por motivos sem

importância ou passageiros; e, na verdade,

toda a experiência tem demonstrado que a

humanidade está mais disposta a sofrer

enquanto os males são toleráveis, do que a

fazer justiça, abolindo as formas a que está

acostumada. Mas quando uma longa série de

abusos e usurpações, buscando invariavel-

mente o mesmo objetivo, evidencia o desíg-

nio de submeter o povo ao despotismo abso-

luto, é seu direito, é seu dever, derrubar esse

governo e nomear novos defensores para sua

segurança futura. Este tem sido o sofrimento

paciente dessas colônias; e esta é hoje a

necessidade que as obriga a alterar seus anti-

gos sistemas de governo . . .

nenhum Rei ou

Parlamento tem

Iqualquer direito de

subjugar ou

tirar a vida.

governo

que não defender

esses direitos

é injusto

e deve ser

mudado.

os americanos

estudaram

cuidadosamente sua

decisão...

r&o ee trafe de uma

deciáb apressada".


Página 2

TEREMOS QUE IR EMBORA

Sentia algo tão estranho que não con-

seguia explicar. Ao acordar, um arre-

pio, uma sensação de tristeza, brotando

qual fonte. De olhos fechados, enterrou

as mãos na lama.

Seria a Terra, com o fogo eterno nas

suas entranhas, estremencedo durante o

sono?

Ou os búfalos, nas planícies poeirentas,

de relvas murmurantes, que vinham mui-

tos, como uma trovoada que se aproxi-

ma?

Não. Não era nada disso. Nesse ca-

so, o que havia?

Abriu os olhos para ser de novo Ho-

awl, um jovem de uma tribo com nome

de pássaro, que vivia junto às colinas

verdejantes e junto ao vasto oceano,

num dia que não tinha nenhuma razão

para ser de maus augúrios.

Ho-awi olhou os panos das tendas que

estremeciam, como um animal friorento.

Só queria saber de onde vinha este

medo surdo, este sentimento de aban-

dono, diante de algo terrível que pressen-

tia? Alguém Iria ferir, matar?

Deixou a tenda e caminhou pela al-

deia. Um rapaz de malares salientes

nas faces morenas, cabelo preto, bem

liso. Seus olhos escuros viam um céu

coberto de nuvens, as orelhas pareciam

ouvir o rufar dos tambores da guerra,

mas a grande pergunta, o mistério con-

tinuava. Rápido caminhou até a orla da

aldeia.

Logo adiante as colinas se encontra-

vam com as praias do mar. As lendas

contavam que a partir das praias a terra

subia qual ondas até um outro mar. Mas

havia muita terra, tanta como as estrelas

no céu. Em algumas partes, enormes ma-

nadas de búfalos pisoteavam a erva.

Colinas, rios, lagos, tudo sem findar.

Mas Ho-awi sentia ainda o estômago se

contraindo, aguardando alguma coisa,

receoso, sem saber o porque.

— Também tu? — perguntou a som-

bra de um falcão.

Ho-awi se voltou.

Era a sombra da mão do avô que es-

crevia no vento.

O avô fez-lhe sinal para calar. A lín-

gua dele se movia suave, na boca des-

dentada. Os olhos eram pequenos la-

gos na paisagem pedregosa da face se-

ca, enrugada, dura.

Encontraram-se na maroem daquele

dia, ligados pelo desconhecido.

O velho repetiu o que o jovem já ti-

nha feito. Seus ouvidos procuravam cap-

tar o som, suas narinas palpitavam.

Também ele ansiava por uma resposta

1

■IUIMHIIM

iH

U

sussurrada, qualquer resposta, que ex-

plicasse o temporal que desabara num

céu distante. Mas o vento não respon-

dia, falava só consigo mesmo.

O jovem olhou o avô e este por sinais

dizia que deviam partir para a Grande

Caçada. O dia era bom, diziam as mãos

que falavam como bocas, para coelhos

novos e para pássaros velhos sem penas.

Nenhum guerreiro deveria acompanhá-

los. A lebre jovem e o falcão ressequi-

do, já quase no outro limiar da vida, de-

veriam seguir juntos a mesma pista.Pois

só os muito jovens conseguem distin-

guir a vida à sua frente e só os muito

velhos podem ver o que ficou para trás,

os outros estão tão ocupados com o dia-

a-dia que não conseguem divisar mais

nada.

O velho perscrutava lentamente todas

direções. Ele sabia, tinha certeza abso-

luta! Para levantar o véu que encobria

esta escuridão, para vislumbrar as som-

bras do mistério, precisaria a inocência

dos recém-nascidos, e a inocência dos

cegos para ver claramente.

— Vamos! — diziam os dedos trêmu-

los.

E o coelho balbucianie, receoso e o

falcão sejrn asas partiram qual sombras

cia aldeia, mergulhando nas sendas do

tempo incerto.

Subiram aos altos montes para ver se

as pedras continuavam umas em cima

das outras como antes. Deixaram suas

vistas vagueando sobre as planícies,

mas só viram os ventos brincando entre

si como as crianças da tribo. Entre pe-

dras, ramos caídos, torrões de terra se-

ca, encontraram também setas de guer-

ras passadas.

Não! A mão do velho falcão erguia ao

céu os homens desta nação e o fumo das

fogueiras lá longe, onde mulheres cor-

tavam lenha. Não! Aquilo que julgava

ouvir, não eram setas cortando o ar.

Quando afinal o Sol se escondeu, mer-

gulhando nas terras dos búfalos, o ve-

lho ergueu os olhos.

— Os pássaros — gritavam de repen-

te suas mãos — os pássaros voam para

o Sul! Acabou o Verão!

— Não — as mãos do jovem responde-

ram. — O Verão mal começou ainda!

Não vejo pássaros!

— Voam muito alto — responderam os

dedos longos do velho — Muito alto! Só

os cegos pressentem a passagem. A sua

sombra escurece mais o coração do que

a terra. Sinto-os no meu sangue, voan-

do para o Sul. O Verão vai embora. Po-

demos ir com ele. Talvez teremos que

M,M^ miM t^m Cozinhas Cinematográficas

PROJETOS E ORÇAMENTOS

SEM COMPROMISSO

TERÇAS E SEXTAS ATe 22 HORAS

AV. PRINCESA ISAB£L,245 A TEL 275-3295 COPACABANA

R.C0NDE DE BONFIM, 577-A TEL258-3822 TIJUCA

R.BARÃO OE SAO FRANCISCO,345 TEL.208-0248 VILA ISABEL

CAPA: Trecho da declaração de Independência dos Estados Unidos conformj

arranjo gráfico do «Correio da UNESCO»

EXPEDIENTE:

ABERTURA CULTURAL

Teatro ao Encontro do Povo

Publicação mensal da

Correspondência para:

CAIXA POSTAL 12.193 ZC-07 RIO

ABERTURA CULTURAL EDITORA LTDA.

Diretor responsável: ANDRÉ DELANO BUCHSBAUM

Brgão do movimento TEATRO AO ENCONTRO DO POVO

dirigido por OTTO e FLORENCE BUCHSBAUM

RIO DE JANEIRO — ANO 2 — N9 23 — 1976

Composto e impresso na Gráfica Castro Ltda.

Rua Pedro Ernesto, 85 - Tel.: 243-8565

Distribuído em todo território nacional.

Distribuído em Portugal, Ilhas, Angola, Moçambique, restante

Europa, África e AsIa — AGÊNCIA PORTUGUESA DE REVIS-

TAS — Rua Saraiva de Carvalho, 207 — Lisboa 3 — Portufl»'

Em Angola:

Rua de Malanga, 83 LUANDA.

RepúUHca Popular do Moçambique:

Prédio Negrfio 2? andar n9 7 Maputo

ir embora daqui.

— Não! — gritou o rapaz com voz

alta, assustado. — Ir embora? Porque?

Para onde? Por que razão?

— Quem sabe? — respondeu o velho

pensaiivo. Talvez ficamos aqui. Mas,

talvez, mesmo ficando, teremos que ir

embora.

— Não! Voltei — gritou o rapaz para o

céu deserto, para os pássaros invisíveis,

para o ar límpido, para o vento suave.

Não! Não vá embora Verão!

— Não adianta — respondeu um ges-

to do velho. Nem tu, nem eu, nem a

nossa gente podemos manter-nos com

este tempo. Foi uma estação que mudou,

um tempo diferente que chegou e que

veio viver nesta Terra para sempre.

— Mas veio de onde?

— Daqueles lados — o velho apon-

tou.

E ambos contemplaram no crepúsculo

a enorme extensão das águas, lá em

baixo, que se estendia até o limite do

mundo, onde ninguém jamais fora.

— Alt! a mão do velho falcão fechou-

se para estender o punho cerrado para

frente. — É ali que está!

Lá bem ionge ardia na praia uma luz

solitária.

Enquanto a lua nascia, o velho e o jo-

vom caminharam devagar pela areia, ou-

vindo vozes estranhas, abafadas pelo

marulhar das ondas e sentindo o cheiro

de fumo que vinha da fogueira, agora já

bem mais perto deles.

Aproximando-se mais, rastejaram pela

areia fofa. Invisíveis sob o manto das

sombras. E olharam a luz. Quanto mais

a olhava, Ho-awi se sentia mais gelado

por dentro, ao ver a raiz dos seus temo-

res e reconhecendo as verdades que o

velho dissera.

A luz dessa fogueira de ramos e mus-

çíO, que crepitava ao vento noturno, ago-

ra bem mais frio, embora fosse Verão,

viam figuras tão estranhas, como nun-

ca tinham visto igual.

Homens fortes, de ombros largos, com

rostos de um amarelo-rosado e olhos

azuis, cabelos amarelos ou casíanhos

que desciam pelo rosto e emolduravam

a boca. Um, que estava de pé, tinha

um raio erguido na mão e carregava na

cabeça uma grande meia-lua pontiagu-

da. Outros usavam carapaças que envol-

viam o peito e que soavam quando se

moviam. Ho-awi viu alguns tirar da ca-

beça estas coisas reluzentes e sonoras e

tirar também o revestimento do peito,

despindo as carapaças brilhantes. Jo-

garam estes estranhos pertences na

Boutique

fetitiep

R Xavier da Silveira, 23-A

Tela255-0980 - 235-2887

Copacabana

ABERTURA CULTURAL é o único

jornal em língua portuguesa filiado ao

ALTERNATIVE PRESS SYNDICATE,

P.O. Box 777 Cooper Station New York,

NY, 1003 USA sendo igualmente ligado ao

setor do Sindicato acima que coordena

a América Latina INDOU-ASP — Sin-

dicato de Ia Prensa Alternativa c/o Eco

Contemporâneo — C.C. Central 1933

— Buenos Aires — Argentina. Em am-

bos locais (Nova York e Buenos Aires),

poderão ser obtidos tanto os números

atrasados como o atual de ABERTURA

CULTURAL.

Pela presente fica estabelecido que

OTTO BUCHSBAUM assume expressa-

mente a responsabilidade com relação a

todo conteúdo deste jornal, tanto com

relação aos artigos assinados, quanto

as matérias sem assinatura.

ABE3TURA CULTURAL — ANO 2 N9 23

RAY BRADBURY

Tradução de OTTO BUCHSBAUM

areia, e riam enquanto esticavam per-

nas e braços para depois sentar junto

a fogueira crepitante. No meio da baía

VUí-Síí soore as águas uma forma es-

cura, grande e longa, como se fosse uma

enorme canoa que carregava sombras es-

voaçantes, qual nuvens rasgadas, presas

em estacas.

Uurame algum tempo, o velho e o jo-

vem ticuram ai siientes, deitados na areia,

ooservando. Olhando, vislumbrando o

escuro vulto do mar, com as ondas indo

e voltando. Depois, lentamente, o ve^-

lho falcão e a jovem lebre seguiram a

pista de volta, atasiando-se. Do alio da

colina viram a fogueira já bem pequena,

um ponto luminoso, cintilando qual es-

treia.

Continuaram subindo e já não a viam

mais. Mas, sem dúvida, estava lá.

— É este o grande acontecimento? É

isso o fim do Verão? — perguntou o jo-

vem.

A face enrugada do velho lembrava

uma águia abatida, revelava os anos vi-

vidos, as lembranças acumuladas e o

enorme peso de uma sabedoria que ele

desejaria não possuir. Os seus olhos

brilhavam intensamente, como poços

cheios de água fria e ciara, que tudo re-

fletia, como um rio que bebeu o céu e a

Terra, plenamente consciente de todos

resultados, aceitando em silêncio, sem

protesto, o transbordar inevitável, de

águas, poeiras, cascalhes e pedras, de

tempo, de formas, de sons, de destinos.

O velho falcão moveu a cabeça, ace-

nando.

Era este o momento, o terrível mo-

mento, que os pássaros invisíveis, lá «o.

alio tinham anunciado. Era assim que

terminaria o Verão. Era isso que impelia

os pássaros para o sul, sem fazerem

sombra na Terra magoada e lançando es-

curas sombras nos corações.

As mãos esquálidas não se moviam

mais. Terminara o tempo das perguntas.

Lá ao longe a fogueira reaparecia lançan-

do suas chamas para o alto. E ao lado

do fogo uma das estranhas criaturas se

moveu, a carapaça brilhante cintilou.

Um raio de luz? Um raio de sombra? Fot

como se uma seta abrisse uma ferida

na noite.

Então o jovem ergueu-se pelo espaço,

seguindo a águia e o falcão que habita-

vam no corpo seco, pedregoso do avô.

Lá em baixo, o mar recuou, estilha-

çando em milhões de fragmentos a enor-

me vaga, que se desfez silvando como

punhais cintilantes atirados a esmo pe-

las praias do continente.

DISCOS

NACIONAIS

E

IMPORTADOS

Barata Ribeiro. 602 Loja E

Tel. 257-2330

Aim. Gonçalves, 60 teia E

Tel. 236 1346

Rua Santa Clara. 115 3

Tel. 257 5370

Leia e Divulgue

Abertura Cultural


ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 23

DEIXEM A AMÉRICA

SER AMÉRICA DE NOVOI

OTTO BUCHSBAUM

O anti-americanismo, como atitude generalizada está

presente há tempos em ioda América Latina. Um sentimen-

to anti-yankee aberto e ruidoso ou em outros casos la-

tente. Há muitas contradições na evolução deste sentimen-

to. A evolução e independência norte-americana foram

na época exemplo e pedra de toque para as lutas de liber-

tação ao sul do Rio Grande. Foi o período de uma real so-

lidariedade interamericana. A admiração pela maturidade

política dos irmãos do norte, por seu exemplo de demo-

cracia, foi cedendo à medida que os Estados Unidos foram

usando seu poder e sua influência, o que culminou na polí-

tica do big stick, das imposições econônrvcas e militares

O Presidente do México Lázaro Cardenas definiu isso

muito bem quando desabafou: A desgraça do México é

que Deus está tão longe e os Estados Unidos tão perto.

Mas mesmo no mais extremado grito: Yankee go home!

há sentimentos multifacetados. É difícil encontrar um lí-

der p"iitico do nosso continente mais admirado do Alasca

à Terra do Fogo, que Franklin Delano Roosevelt. E quan-

ta dor e quanta lágrima não causou em toda América La-

tina o assassinato de Kennedy?

FRANKLIN DELANO ROOSEVELT

Agora novamente nossos clhos de latino-índio-negro-

americ&nos se voltam para o Norte — Jimmy Carter, o novo

presidente eleito dos Estados Unidos, é motivo de esperan-

ça.

O que é possível dizer sobre um tema tão vasto? A

própria Norte-América é tão contrastada em todos senti-

dos. Na paisagem: No quadro urbano o contraste entre

Nova Yorque metropolitana e a tranqüila Plains, com suas

270 casas e seis igrejas, que fica quase despercebida ao

lado da estrada que leva a Americus, com 15 mil habitantes,

e já com todas comodidades, como cinema, supermercado

etc.

São amplos os contrastes da Norte-América —

desertes e florestas, montanhas e planícies que se per-

dem no horizonte, os Everglades, pântanos brumosos, mis-

teriosos da Flórida, as tempestades de neve nas gélidas

paisagens de Alasca, os canyons, os enormes Parques Na-

cionais que protegem ainda o que resta da vida selva-

gem, enormes sequóias milenares como testemunhas de

mudanças, numa natureza que também é histórica. E a

multiplicidade dos tipos humanes, gente que veio de todos

recantos da terra, fugindo de reis ou ditadores, da intole-

rância e da miséria e perseguição, ou vindo com correntes

nos pés em navios apinhados, como escravos da África.

Muitos fugiram da Intclerância alheia e tornaram-se

intolerantes por sua vez. Para os índios que eram donos do

continente, havia a solução final, o extermínio, o genocídio.

Mes vejam o milagre: Os índios cavalgam de novo, res-

surgem das cinzas, erguem de novo suas cabeças altivas

e crescem em número e consciência. Os negros romperam

suas cadeias, vão exigindo e conquistando seu lugar na

sociedade americana. E vejam ainda, os negros deram

90% dos seus votos a Jimmy Carter, um branco do sul,

a southern batist, decidindo assim a eleição em seu favor.

Algo que seria impossível ainda há alguns anos atrás.

Norie-América uma terra que muda, um espírito pio-

neiro, para o bem, para o mal?

Que seja para o bem!

Já em 1903 quando Burghardt Du Bois, o primeiro gi-

gante entre os intelectuais, filósofos, sociólogos e poetas

negros norte-americanos publicou seu hoje clássico The

souls of Black Folk (As almas da Nação Negra) logo no

começo afirmou: The problem of lhe t\veníia"h century is

the problem of the color line — the relatlon of the darker

to the lighter races of men in Ásia, África, in America and

the islands of the sea. (O problema do século vinte é o

problema racial — a relação entre as raças mais escuras

e mais claras na Ásia, África, América e nas ilhas do mar).

Du Bois escreveu estas palavras proféticas em Atlanta,

na capital da Geórgia e continuou antecipando:

"A Geórgia é o ponto focai do problema, da Geórgia

surgirão as soluções." Não a solução — separados mas

iguais — slogans da segregação e discriminação. Jimmy

Carter lembrou esta faceta do problema quando no seu

comício no bairro negro de Watts em Los Angeles evocou

a figura de Martin Luther King: Ele era a consciência de

sua geração. O médico de uma sociedade enferma, melhor

do que ninguém, ele soube compreender que o grande

muro da segregação racial podia ser abatido pela força

do amor. Nós dois crescemos no Sul, ele filho de pastor,

eu de um fazendeiro. Ambos conhecemos as faces opos-

tas do muro invisível da segregação. A regra era então —

separados mas iguais. Ambcs sabíamos que não éramos

uma coisa nem outra: Nem separados, nem iguais. O Sul

se libertou de decênios de conflito racial. Devido a isso,

um sulista como eu pode hoje se apresentar diante de

vocês como candidato sério à Presidência dos Estados

Unidrs. Sem Martin Luther King eu não estaria aqui."

Du Bois em The Sculs cf Black Folk evoca Atlanta,

primeiro citando versos de Whittier: (John Greenleaf Whit-

tier — 1807 — 1892 — poeta e abolicionista americano)

O black boy of Atlanta!

But half was spoken,

The slave's chains and the master's

Aiike are broken;

The one curse of the races

Keld both in tether;

They are rising — ali are rising —

The black and white together.

Oh rapaz negro de Atlanta!

Só se falou a metade

As correntes dos escravos e dos senhores

também quebraram;

A maldição das raças

Mantinha todos presos

Agora eles se erguem — todos se erguem

Os pretos e brancos juntos.

ABRAHAM LINCOLN

Sim — pretos e brancos que se levantam juntos — é

a visão de um futuro comum, um futuro com acento revo-

lucionário, pois Du Bois não é um intelectual de gabinete,

nem um Uncle Tom, mas um profeta revolucionário da sua

raça. Ele descreve o cenário:

(Ccntinua na página 8)

pappiis

Página 3

General Roca, 858 - D - Tel. 288-3497

V. Pirajá, 444 - L. 123 - Tel. 227-0782

TUDO E«MALHA8 WotVVVSO

visconde de plrajâ, 580 JUOtWVSO

sub-soio 106 Ipanema

Macaé Campos Cabo Frio

LUVARIA 55

GOMES

um mundo de

sugestões para

o seu presente,

de NATAL

[80 UNOS DE TRADIÇÃO

'R. Barata Ribeiro, 639

Fones:

237-4069 e 237-6203

(B GYL

INDÚSTRIA E

COMÉRCIO DE

ROUPAS LTDA

CALÇAS

modelos jovens

Jeansdelaveacetlnadaetc,

ATACADO Pronta Entrega

VENDAS^ (237-9884

HND./903 1256-5953

AV. CGPACABANA,605 9- e 8- AND.RIO

TUDO PARA ELETRÔNICA í~"-'SSi;

VENDA DE

EQUIPAMENTOS

DE SOM

COMPONENTES

ELETRÔNICOS

RUA TONÉLEROS, 316'

LOJA O-TEL. 237-7327

ÜÉ

Elétrica - Ferragens POLLINO

Fios - Cabos - Lâmpadas - LUSTRES -Registros

Filtros Torneiras

Jogos Fluorescentes - Ferragens P/Banheíros

R TONÉLEROS, 316 - A TEL. 235-3477

DECORÁMARTE

Cortinas • Colchas • Forração

Tapetes • Cortinas Japonesas

Persianas • Pagamento facilitado

■HÀ SEMPRE NOVIDADE NA DECORÁMARTE

TEL,: 236-5049

R: SANTA CLARA, 115 SaOJA 202


Página 4 ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 23

Contra os riscos radioativos

por feijão, arroz, rapadura e cultura

Leio

* CULTURAL ^ X

UM MENSÁRiO

DIFERENTE

flfiO-E/TflBELECIDO

DE/-E/TflOELECIDO

Não solte os tecnocratas

no gramado

t^q^jj eles comemtudo.

CONTOS... 0es //lS-

NAS BANCAS

DO BRASIL E PORTUGAL

Junte-/c oo movimente

Resistência Ecológica

Tome conto to Caixa Postal 12.193

HC-07 RIO DE JANEIRO-BRASIL

CASA BEHAR Passagens

Turismo e Câmbio

fiv. Rio Branco, 43 A»fc233-8130-233-8031

Embratur 114~A • Rio de Janeiro

Feoffiers

VISCONDE DE PIRAJÂ,580 LOJA 204

MOLDURAS FINAS

PONTO DE ENCONTRO DOS ARTISTAS

VISCONDE PIRAJÁ.452 1/13e25 Tel.267-820fl

CSateria dos Correios

Primeiro de tudo, ao que se lembra,

tivera um câncer na garganta. Deu de

doer que nada acabava com aquela dor:

pastilhas, gargarejos, embrocação, o

diabo que seja. Parecia abafado naque-

la voz sufocada, que não era sua. Só

poderia ser câncer. Tinha de ser. Pro-

curou um médico na certeza de ver o

diagnóstico confirmado. Surpresa. La-

ríngite aguda: tome X mais Y, fume

menos e vá embora. Uma palmadlnha

nas costas e um sorriso irônico escon-

dido atrás dos óculos do médico.

Dal em diante nunca mais deixara

de ter câncer. Já nem se lembra de

quantos. Quantos médicos. Esperanças

e desilusões. A vida é bela nas manhãs.

Quando a cidade acorda e o dia come-

ça é como o engatinhar de uma crian-

ça. Para que pensar em morte? Por

que ter de morrer se o mais difícil é nas-

cer, ser nascido e viver? Descobrir o

vento nos cabelos das mulheres — amá-

las, não amar. Não, morrer, não.

Certa vez sentiu-se mesmo perdido.

Não havia salvação. Como os condena-

dos de San Quentin, foi para a câmara

de gás. Irremediável. Já nem respirava.

O peito arfava pressionado, doíam as

costas. — Fuma, burro velho. Fuma até

arrebentar. — Quando saiu da câmara

de gás, isto é, da sala de Raio X, pediu

ao radiologista:

— Não será possível o senhor fazer

uma revelação rápida? Estou aflito de-

mais.

O médico percebeu a natureza de sua

ansiedade e a revelação rápida fora fei-

ta. Revelação provisória, como dissera.

— Felizmente, meu amigo, como era

de se esperar, somente manchas de fu-

mo. Diminua o cigarro. E volte ama-

nhâo para pegar a radiografia.

Nunca voltou. Para que? Desta, es-

tava livre. Escapara. Mas, outras vi-

riam.

E vieram outros cânceies. Novamen-

te na garganta e no pulmão. Na língua,

na boca, na pele e no estômago e pê-

nis. Dias enormes que se penetravam

nas noites de Insônia. Surgindo a ver-

gonha de procurar um médico e confes-

sar o terror, em cada doença, maior. Irra-

cional. Era? Não era? Poderia ser mes-

mo. Humilde e vencido acabava por ir

a um consultório, dal aos exames —

sempre negativos. Por que não termi-

nar para sempre com tudo isso? Cortar

o mal pela raz; par exemplo, acabar

com o câncer. Descobrir sua cura seria

enterrar o cadáver do terror.

Tanto dinheiro gasto nas guerra.,

nas pesquisas do meio mais rápido de

matar e o câncer aí, cada vez matan-

do mais. A bomba «A», a bomba «K»,

a bomba da Morte, megatons, e nunca

a da Vida que não passava da de Co-

balto. Inútil. De quando em quando um

conhecido sucumbia. Ia, como um sol-

dado atingido no campo de batalha pe-

lo atirador invisível. Quando menos se

esperava e justamente nele achava-se

adormecido o espantalho.

— Você soube?

— O quê?

— Poucos sabem, mas, o Zeca — coi-

tado — câncer na cabeça.

No cérebro é horrível. Deforma tudo.

O pensamento também. Vem cegueira,

os olhos estufam. Morre-se sem viver a

própria morte.

A

OS MAIÇ NABEiS C

CONHECEOORES AR*

TlSTAA CM OBJETOS

rywojuÁ PE ARTE»

RESTAURADOR de

clrltlaüidcule-s ,

Atelier- R. Min. Viveiros de Castro,32 sala 105

Tel-266-0875 RIO

O CÂNCER

Quando afinal Zeca morreu, fora um

alívio. Acabou. Mas, lago — pensou —

quem será o próximo agora ? Serei eu ?

Até que um dia, manhã engatinhan-

do azul, ao fazer a barba, olhando-se

no espelho — sem que o desejasse, que

estas coisas não se desejam — deu com

um pequeno ponto branco na orelha, bem

em cima, na borda. Passou o dedo •—

devagarinho — e o tato contou-lhe que

era duro e estranho. Idêntico a uma

«cabeclnha de prego», mas, não era. Não

deu importância. Assobiando, depois de

beijar a mulher, foi para o serviço.

O dia transcorreu esquecido. Veio a

noite. De repente a orelha esfregou no

travesseiro e doeu. Uma dorzinha boba.

Na noite seguinte, no amor, a orelha

doeu novamente ao encostar-se no ros-

to da mulher. Ai estourou tudo; nem

acabou. Duplamente triste, não dormiu.

A morte destrói o amor. Não há como

aceitar que isto aconteça. Doíam a ore-

lha e a vida, que um dia, breve talvez,

poderia se extinguir no sofrimento de

uma doença infame. O homem, a partir

de quando teve consciência de si pró-

prio, deixou de ser feito para a morte,

para ser conquistado por um tumor que

o destrói sem remédo e salvação. Uma

ccisinha de nada, uma célula destruido-

ra capaz de causar um nunca mais, um

nunca antes ter sido. Isto, não é para

o Homem.

Quando surgiu a manhã e com ela

o dia, estava todo desespero, gerado na

insônia pela angústia da morte certa.

Decidindo com firmeza, de casa foi di-

reto ao consultório médico. Nem se lem.

breu do serviço que o aguardava. Es-

colheu um médico desconhecido, espe-

cialista, a quem com segurança expôs

sua suspeita. Este, diferente dos pre-

cedentes, examinou cuidadosa e detida-

mente sua orelha. Olhou-a de diversos

ângulos e distâncias, iluminando-a, às

vezes, com foco de luz direta. Silencio-

samente pesquisava. Seu coração es-

friou. Os pelos dos braços se eriçaram.

Inesperado, veio o diagnóstico.

— Nada de grave. Esteja tranqüilo.

O que o senhor tem na orelha é apenas

um pré-câncer, digamos assim.

Do coração o frio passou para o es-

tômago. Sentiu náuseas. Pensou que ia

desmaiar. A custo refez-se. O médico

atento esperando que falasse.

— Pré-câncer? que é isso? — per-

guntou com voz sumida.

— Já disse, não se assuste que não

é nada grave. Isto, quer dizer que isso

em sua orelha está sujeito a se transfor.

mar num câncer — vamos dizer, tanto

daqui a 10 anos, como em 2 meses. Im-

previsível. Apenas isto. Mas, também,

pode não se transformar, nada acon-

tecer.

— E que devo fazer?

— Por precaução, se o senhor quiser,

podemos extirpar. Se quiser. Medida

preventiva, não necessária.

Coisa de alguns minutos, a extirpa-

ção do pré-câncer foi feita.

—■ E não volta, doutor?

— De jeito algum — e, mudando o

tom da voz para blague, acrescentou

— também se voltar, o que tem ? cân.

cer na orelha é o mais banal conhecido,

li só cortar a orelha, faz-se uma plás-

tica e pronto. Vá tranqüilo.

BERLINER

Prateaçao, Consertos,

Ari, p/decoração e presentes finos

Copacabana:Rua Barata Ribeirc,593-B Tel. 256-4851

Botafogo: rtua Voluntários da Pátria, 244-A Tel.246-9201

Ipanema: R. Visconile de Piraja, 106-3/ Solo Tel 287-3326..

LINCOLN BORGES DE CARVALHO

Tranqüilo ? Quem diria ? Voltou para.

casa, pé ante pé, às escondidas da mu-

lher foi para o banheiro. Trancou-se DO'

ccniodo e pôs-se a olhar no espelho do

armarinho. Toda a orelha estava envol-

ta por um monte de gazes e esparadra-

poá. Agora sim, afinal t : nha o seu cân-

cer. «Nada grave», uma ova. Pura con-

versa aquela história de pré-câncer

Nunca antes ouvira tal expressão. Aqui-

lo era mesmo câncer. No duro. Sem

apelo. O médico deveria ter cortado

mais, extirpado tudo. Cortou pouco pa-

ra não impressioná-lo; evidente que o

netara nervoso. Que arrancasse a ore-

lha, mas deixasse a vida. A vida para

as manhãs e o amor. Inútil tentar ilu-

di-lí), a morte estava em si. Dos olhos

rclaram lágrimas. Surgiu uma grande

vontade de gritar, urrar desesperada-

mente. Porém, tinha de ser homem

Cabia agora, a ele, enfrentar a morte

e a si próprio. Teria coragem de fazei

o necessário para salvar-se — enquan-

to era tempo.

Lentamente tirou o curativo que co-

bria a parte seccionada, e tomou uma

lâmina do interior do armário Com san-

gui frio, aproveitando ainda o efeito da

anestesia, foi cortando a orelha, bem

baixo, no pé do ouvido, tirando-a todi-

nha. O sangue escorreu pelo pescoço su-

jou a camisa e nem deu por isso. Quan-

do terminou o corte, na mão ficou o pe-

daço ainda quente e ensangüentado da

orelha. Mirou-se profundamente no es-

pelho e nem se reconheceu no rosto

transtornado e alucinado que enxergou,

Não era mais ele, jamais o seria.

A dor, aos poucos veio vindo. Tor-

nou-se imensa. O pensamento embotou-

se. Não sabia retirar-se de frente ao^

espelho. Na mão a orelha cortada tor-

nava-se fria e incômoda. Olhou-a. lira

dele, ele próprio que existia fora de si,

Num gesto brusco e incompreendido le-

vou a mão à boca e mastigou Inútil sua

orelha fria e dura como um pedaço de

sela. Com esforço a engoliu, nem sabe

como, entre engasgos e soluços.

Quando conseguiu sair do banheiro,,

silenciosamente dirigiu-se pera seu quar-

to, indo para a cama. Suava frio e tre-

mia em repuxões violentos. O sangue

continuava escorrendo. Quente e ralo

por certo contaminado, era o rio condu-

tor de metastases a percorrer seu cor-

po. Justo o sangue, fluído de sua vida,,

tinha a seiva do veneno mortal. Que

estranha contradição! Se surgia da vida

o sêmen fatal, por que tanto apego a

esta mesma vida?

Da cama olhou o teto do quarto que

pareceu tâo longínquo, como um céu cin-

zento. As mãos perderam a força de se

moverem. O gesto também calava. Sen-

tiu no estômago a orelha engolida cres-

cer como uma bola de fogo. Crescia e o

queimava. Implacável, uma eólica enor-

me subiu do ventre até a garganta. Su-

focava. Então, compreendeu que era por-

tador, há muito, de um câncer que ago-

ra descoberto, tornara-se galopante e

irreversível. Contra o mesmo já não ca-

biam lutas. Bem o percebeu na última

lucidez. Apenas restava entregar-se,.

Cerrou os olhos. Apagou a dor. Esqueceu-

se. Deu um grande gemido e quase em

seguida — morreu para sempre.

Reproduzido de Convergência publica-

ção da Academia de Letras do Triângu-

lo Mineiro. Rua Alaor Prata, 55 — Uoe.

raba MG.

Estofaria Bairro Peixoto

^w Reforma e fabrica múveis estofados^

Nu de qualquer estilo ^«^

Rüpueiredo Maflalli5es,8?0-L e M - Tel.235-1238


ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 23

CAXAMBU,

S empre AXA MIMAf

É uma região privilegiada. Sobre colinas e vales

das serranias verdejantes, passam as brisas suaves,

um ar puro e vivificador, junto aos contrafortes da

Serra da Mantiqueira.

Aninhado num vale, rodeado de colinas co-

bertas por bosques, com a folhagem de um

verde profundo e algumas campinas floridas, pm-

talgadas de amarelo, azul, lilás, uma sinfo-

nia de cores, está a bela estância de Ca-

xambu. Cidade tranqüila, hospitaleira, onde boas

tradições e conforto moderno se harmonizam, Ca-

xambu, com mais de 900 metros de allitude, une às

vantagens do seu clima serrano a generosidade das

suas mundialmente famosas águas minerais.

Desde os tempos do Império, Caxambu se des-

taca como estância de veraneio e estância de cura.

Suas 12 fontes de águas minerais, tãa diferenciadas

entre si, que parece um milagre que tantas águas

curativas tâ:> diferentes brotam juntas, oferecem

Bssm toda gama de possibilidades de cura e revi-

talização. E para o cKadino de hoje, que vive a

tensão e poluição das metrópoles, as águas de Ca-

xambu oferecem literalmente condições de lavar de

uma vez só "corpo e alma".

Caxambu é uma cidade alegre, jovem, esporti-

va, seu esplendido Parque de Águas oferece bem

mais que "sombra e água fresca", tranqüilidade e

paz de espírito, ou "boas vibrações" como tantos

já disseram. Suas piscinas de água mineral corren-

te, sua hidroterapia, suas amplas instalações espor-

tivas, os dias ensolarados da serra, suas alamedas

arborizadas, tudo em conjunto forma uma amena

paisagem que estimula um convívio social, um novo

relacionamento humano, tão diferente do burburlnho

anônimo das metrópoles. Caxambu é sempre Ca-

xambu. As leves brisas perfumadas das suas tardes,

passam pelas ruas de árvores floridas e carregam

pétalas multicores qual gõndolas do ar. Há tantos

passeios: Bem perto tem o casario colonial da cl-

dadezlnha de Baependi, muitas chácaras com flori-

cultura, frutas, fabricação caseira de licores, doces,

queijos; o desafio dos morros com vistas caleidos-

cópicas. Passeios de charrete a cavalo, passeios de

barcos e pedalos pelo lago. Passeios para Inven-

tar, é um mundão sem porteiras à sua disposição e

em toda parte você encontrará a boa acolhida, a

lhaneza e hospitalidade mineira, que é tradição e

que os tempos não mudam.

Sim, a tradição vale! A cidade que no passado

.acolheu com fidalgula os Grandes do Império, que

soube criar um padrão de atendimento e fartura,

onde a boa e rica cozinha brasileira soube aceitar,

absorver e adaptar todos refinamentos da cozinha

francesa e internacional.

O GRANDE HOTEL DE CAXAMBU, uma oásis de

conforto e hospitalidade, com justiça afamado pe-

los seus altos padrões — sua alimentação boa, far-

ta, variada, com aquele toque especial, do cozinhei-

ro que é artista, onde a alimentação acima de tudo

é sadia, e vejam bem, (algo já estranho para o mo-

rador das grandes cidades que sabe que tudo que

come foi manipulado, com corantes, aditivos, sabe

Deus que mais)... uma alimentação natural. Cli-

ma, águas, conforto, espirito leve, junto com esta

alimentação farão de você em pouco tempo, um ser

humano novo, diferente... Lá no GRANDE HOTEL

DE CAXAMBU, loqo ao chegar você notará, será

recebido de maneira principesca — com gentileza

e cordialidade própria, espontânea.

O GRANDE HOTEL DE CAXAMBU, com seus

83 confortáveis apartamentos e suites, sua ampla

varanda na boa tradição brasileira, suas muitas sa-

ias, saias de jogo, de estar, de TV — em cores e

branco e preto, saias de bater papo, bares internos,

tudo confortável, de paredes altas e construção re-

lida, anti-acústica.

Mas não pensem que o Grande Hotel de Ca-

xambu se acomodou, se contentou com suas tradi-

ções, descansou nos louros da fama. Uma admi-

nistração dinâmica cuidou de renovar: Tcdos ba-

nheiros dos apartamentos rebrilham no azulejado novo

que vai até o teto e tem instalações das melhores

e mais modernas, tudo que o mais apurado con-

forto oferecer.

E a piscina suspensa?

Sim, o Grande Hotel de Caxambu oferece uma

piscina suspensa à altura do segundo andar. De

águas cristalinas e ao ar livre, de forma moderna,

irregular, rodeado de cadeiras confortáveis e guar-

da-sóis, com um bar completo e acolhedor junto.

Playground, sala de snooker, ping-pong, pátios

ajardinadas, um permanente serviço gratuito de café

e leite — e sempre, sempre, um atendimento de

primeira categoria. Logo de manhã, quando você

enfrenta a farta mesa de café, o garção, sempre efi-

ciente, se aproxima e pergunta de manelia atenciosa

e solícita: "E o filézlnho como quer? E os ovos?"

Página 3

R.DtViotti,438 )

Tél& DDD 035 34H099» 341-1023

Vida borbulhante que brota da terra

Pontes que esguicham

e que o vento beija.

Oh! Cidade — formosa e calma

que honra o passado

sorri hospitaleira no presente

prepara tranqüila o futuro

preservando valores imutáveis.

Cidade-Tradição — Cidade-Juventude

que lá encastelada na serra te espera

Caxambul Ontem, hoje, sempre! Caxambu!

Seja mal-passado ou bem-passado, com mais

temoero ou menos, seu desejo será caprichosamen-

te atendido.

Certamente a esta hora você se pergunta: E o

preço de tudo Isso? Pode ter a certeza, o preço no

GRANDE HOTEL DE CAXAMBU e os preços em ge-

ral na cidade, são bem razoáveis, com relação à

qualidade oferecida. Bem mais barato do que em

outras estâncias, onde no preço de tudo, a espe-

culação imobiliária transparece. E tem outro fator:

Caxambu é Minas. Mineiro é comedido, quer as coi-

sas não só para hoje, mas para sempre.

Voltando ao "filézlnho" e à gentileza

que começa logo de manhã.

cordial

É bom sentir-se atendido regiamente e começar

o dia bem, levantar "com o pé direito", pois Caxam-

bu, a amena Caxambu, oferece tanto para fazer,

tanto para aproveitar, dentro de toda sua calma,

há uma vida tão intensa, uma natureza tão exigente,

que chama para ser desfrutada, que é bom come-

çar o dia bem disposto e aproveitar Caxambu a ple-

nos pulmões.


Página 6

E chocante...E chocante Mesmo

_., Cara

SMFi 0>

Tudo para você

curtir o surf

«.Francisco Otavlano,67 Lis.20e21

Copacabana Posto 6 __,

In/trumento/ d* mú/ico

• /«u/ p*rt«ne*/.

violõe/ «te

Rüfi OA CARIOCA. 37 1.1.222-5721

UBLUE MAIMJT

confecçáe/'

'todas as ereaçães exelustvas w

l-ít em biquínis, males

e rsupas eslandes n« gener» pep.

,* SANTA CLABA,33 213

Fcathcrs

VISCONDE DE PIRAJA.580 LOJA 204

KOISABESSA confecções

moda jovem

Bíquinis em Silk-Screen-Colants e Blusas em Agilon

R. Francisco Sá, 88 s/509/20 Teí. 287 9049

Copacabana-Rio

.asca\ças

EXCLUSIVA EM

CALÇAS MULTISEX

coloridas

R. SANTA CL4RA, 33/ 1.114 TEL Hf.g

Rock-o-Cock

ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 23

Rock-o-Cock, o Rock-Galo rococó, muito adoldado, disposto a acolher colaborações de todos cs tipos,

poesia, prosa, desenho, comentário, aforismo, ou o que mais der na telha. Davi Alonso e Beti-da-Costa

coordenam.

MARTIN LUTHER

KiNG

MARIO DE OLIVEIRA

quando o vento das idéias

bate nas almas contrárias,

de uma equívoca janela

surge sempre alguma bala.

mas o vento das idéias

escapa à mão assassina

ganhando do corpo inerte

toda a força da vida.

e o que tomba nessa rixa

do direito contra o torto

por um passe de milagre

não morre nunca de todo.

deixa rastos de cometa

levitantes na memória;

a terra só tem seu corpo,

seu nome fica de fora.

e esse nome que se salva

do que se perde das horas

é que precede as noticias

de resgate e de vitória.

HOMENS

EDISON DA SILVA JARDIM FILHO

Há homens festejando

Aniversários Casamentos

Campeonaios Honrarias

Há fogos além dos trovões

Do tempo -

Por trás dos festejos . .

Há o tem^o

E eu chorando

Porque cnove a chuva

Ivie taz chorar

E os trovões

São os tiros que eu não

Huae dar

Há homens Entretanto

há homem felizes

Festejando

Razão

EDISON DA SILVA JARDIM FILHO

A mulher vê tanto

Livro de C-zinha

E não tem mais o marido.

O filho vê tanto

Livro de Direito

E não tem mais o pai.

E se perguniam:

Pra que? Pra que?

"Homens" e "Razão" de Edison da

Silva Jardim Filho, fazem parte do livro

de poemas "POEMA MORTO" editado

receniemente em Florianópolis. Cntatos

com o autor podem ser tomados por nos-

so intermédio.

Em Face da Bomba

Antimatéria

ANTÔNIO COUTO DE ANDRADE

Senhor:

Os SJIandes do mundo,

nos de.xam sem pão.

Os g.diiucã üO muiiuo,

nos ae.xam sem teu.

Os grandes do mundo,

nos deixam sem chão.

Vale-nos, Senhor!

pois, agora, eles,

os grandes do mundo,

querem nos deixar sem céu.

Sem pão...

Sem teto...

Sem chão...

Vivemos

e os séculos

varamos

Até Senhor,

ao atômico

cogumelo

sobrevivemos,

Tínhamos o céu!

E agora, Senhor?

Sem teu manto...

O que nos resta?

Pranto?!...

Vale-nos, Senhor!

CHOVE

CIRO BIGGI F ASSIS

Chove

E a chuva cai

Lava as antenas de televisão.

Chove.

E a água que chega

Lava as ruas do Atganietão.

Chove.

E eu não sei porque

A água que passa

Não molha os cabelos de João.

"Em face da bomba antimatéria" e

"Chove" foram reproduzidos da revista

internacional de poesia que Terezinka

Pereira edita nos Estados Unidos. Con-

tatos: Terezinka Pereira — University ot

Colorado. Dept. of Spanish & Port.

BOULDER, Colorado, 80302 USA,

TER UM JDEAL

E VIVER SCRR1NEO

É terrível ser pobre.

Muito mais terrível será se você an-

tes foi r.co.

É difícil avaliar com exatidão o que não

se iem se nunca se teve nada.

Infelizmenie estou no segundo caso:

agora sou porteiro de um mundo que me

peuenceu.

Sonhando, acabei de amar aquela dia-

ból.ca menina de Ghana,

Amor esie que, no mesmo sonho, co-

meçou com aquela meiga e linda mexi-

cana.

Tudo absolutamente puro, com aquela

pureza que o dinieiro compra e impinge.

Acabou o amor, acordei e vi minha

realidade tão comedida, tão policiada por

um dinheirinho modesto que pinga de

mês em mês.

Sadicamente.

Meu reino por uma garrafa de whisky!

Nem whisky nem reinado. Só aquele

sofrimento que vai, minuto à minuto, en-

velhecendo minha esperança.

ANDRÉ LUIZ LACE LOPES

A Chuva

LUIZ CARLOS LEME FRANCO

Pinga que pinga,

e eu simo que pinga.

Guerra.

Pingos grossos,

Ping.s esparsos.

Pinga que pmga,

pingos constamos,

pingos seguidos. Desalento.

rola, corre, deságua.

E a chuva cal

Pinga que pinga.

e eu vejo que pinga.

Pestes, misérias.

pingos bastantes,

pingos freqüentes.

Pinga que pinga

pinga em gotas,

gotas e pingos. De pobreza.

rega, goteja,

E a chuva esfria,

umedece e enlameia

o mundo.

Pinga que pinga,

e eu ouço pingar

Pingos barulhentos,

pingos e ventos (pranto)

Ventos de pingos,

E a chuva,..

continua a pingar,

a molhar, a destruir, a enlutar..,

chove (sangue) na terra!

Brazil Com "S"

Eu acho o Brasil.

Não o procuro, trago-o

em meus olhos diletantes.

E na flor da pele

um medo mal oculto. .

Acho o Brasil na curva

de sua enorme superfície,

nos olhos cavados da fome.

E na flor do medo

ameaçando mudar de nome.

O Brasil encontro

no prato do mendigo, .

nas cheias amazônicas.

E no medo de tudo

quando a ameaça explode.

O encontro prevejo

sob os varais do mocambo,

à s.mbra dos edifícios,

E no caminho longo

que tenho pela frente,

e no Brasü que acho e escondo.

HAMILTON CARVALHO DE MELO

PERSONALIDADE

FASCÍNIO E BELEZA

GSBSY

COM ÓCULOS DA

QUALIDADE MÁXIMA MELHORES PREÇOS

Novidades em receihiirio — Esporte

COPACABANA, 664 LOJA 14

TEL. 255-3281

GALERIA AAENESCAL


ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 23

Arte Postal

"Multas vezes a arte se vinga das ten-

dências culturais que geram a arte ofi-

cializada e esías formas superadas que

florescem dentro do sistema, sim, a arte

se vinga, reaiirmando o já conhecido e

usado, transformando apenas a função

dos meios de comunicação, modificando

a informação que transmitem, utilizando

as peculiaridades do meio para transmi-

tir as suas próprias mensagens: Este é

o caso dos cartões postais que, de obje-

tos comerciais, se transformaram, cons-

tituindo hoje também um importante meio

de comunicação artística, valendo-se da

rapidez e da extensão da sua comunica-

ção, da facilidade da sua fabricação, ar-

mazenamento, difusão e consumo. E

principalmente também, das inéditas pos-

sibilidefdes de expressão de comunicação

verbal e visual, ou como objeto artístico

autônomo, que cria sua própria lingua-

gem.

Nos cartões postais em questão é pos-

sível encsntrar todas as correntes artís-

ticas do momento: Desde as que usam a

expressão plásiica-verbal do concretismo

8 da poesia visual até as que registram

fatos e acontecimentos próprios de uma

linguagem de ação, desde as que fixam

as explosões neo-dada r stas do FIJXUS-

Art, até as mais racionalizadas do cons-

írutivismo e da arte c-mputacional, des-

de as que usam o próprio ve^ulo — o

postal ou o envelope — como obra em

si, até as mais ortodoxas real'zacões do

conceptualismo, os que se preocupam

sm desencadear processas de acordo

com o pensamento e repertório do es-

pectador e também os que tes*emunham

o acesso do corpo humano como f~nte-

ie processos artísticos (Body-Art). Mas

nas correntes de arte que se manifestam

através da Arte-Postal, há também os

que apelam para a participarão do re-

ceptor, com propostas e p^ietos o^e

abordam aspectos da vida diária, pouco

íocallzados por serem nvilto corriquei-

ros, ou ocultos mesmo pela eterna cor-

tina da alienação — ru tfirnh*m os m-e

se limitam a registrar atividades Posti-

ças de vanquarda — ei que util'7am

postais comerciais e arer


Página 8

Deixem a América Ser América de Novo!

(Continuação da Página 3)

Ao sul do Norte, como também ao norte do Sul, se

«stende a Cidade das Cem Colinas, emergindo das som-

bras do passado para as promessas do futuro: Atlanta

— Aí no passado era a terra dos Cherokees, esta valente na-

ção índia, que lutou arduamente durame muilo tempo pe-

ia sua terra, até que o Destino amargo e o governo norte-

americano os empurraram para além do Mississipi.

Atlanta — the city of the hundred hills — caminhando

um pouco em direção sudoeste chega-se ao lugar onde o

negro Sam Hose foi crucificado.

Sim, nesta terra vermelha da velha Geórgia multo san-

gue foi derramado, de índios, de negros, de combatentes

da guerra civil".

Du Bois nos dá uma visão poética e tão real do passa-

do que o tempo levou, mas que lançou as suas sombras,

as suas perguntas, os seus sonhos inacabados para den-

tro do presente: : I

O CHEFE ÍNDIO JOSEPH

Once, they say, even Atlanta slept dull and drowsy

at the foot-hills of the Alleghanies, until the iron baptism

of war awakened her with its sullen waters, aroused and

maddened her, and left her listening to the sea. And the

sea cried to the hills and the hills answered the sea, till the

city rose like a widow and cast away her weeds, and toi-

led for her daily bread; toiled steadlly, toiled cunnlngly —

. perhaps with some blttemess, with a touch of reclame —

and yet with real earnestness, and real sweat.

li is a hard thing to live haunted by the ghost of an un-

true dream; to see ihe wide vlsion of empire fade into real

ashes and dirt; to feel the pang of the conquered, and yet

know ihat with ali the Bad that fell on one black d'y

somemmg was vanquished ttiat deserved to lue, some-

thing killed that in justice had not dared to die; to know

ths; with the Right that trlumphed, triumphed something

of Wrong, someihing sordid and mean, something less than

the brcadest and best. AH this is bitter hard; and many a

man and city and pe-ple have found in it excuse for sul-

king, and brooding, and listless walting.

Such ore not men of sturdier make; they of Atlanta

tumed resoluíely toward the future; and that future held

alcfi vistas of purple and gold — Atlanta, Queen of the

coiton kingdom; Atlanta, Gateway to the Land of the Sun;

ou em tradução livre:

Há tempos atrás, dizem, mesmo Atlanta dormia entor-

pecida e sonolenta nos contrafortes dos Montes Allegha-

nies, até que o batismo de ferro da guerra acordou-a com

suas águas raivosas, despertando-a para a fúria e de.xou

escutá-la o mar. E o mar gritou para as colinas, as colinas

responderam ao mar, até que a cidade se ergueu de novo,

qual viúva, deixando o luto de lado, e trabalhou por seu

pão de cada dia, trabalhou com afinco, trabalhou com es-

perteza, talvez com algo de amargura, com um toque de

propaganda — e depois com seriedade real e esforço

genuíno.

Ê dureza viver perseguido pelo fantasma de um sonho

false, ver a visão ampla de um império murchar em cin-

zas e poeira, sentir a angústia do conquistado e saber ainda

que junto com todo Mal que tombou num dia escuro, al-

guma coisa que foi suprimida também merecia viver, al-

guma coisa morreu que pela justiça não devia morrer; sa-

OTTO BUCHSBAUM

bendo que junto com o Certo que triunfou, venceu também

algo Errado, algo sórdido e mesquinho, algo menos que o

mais tolerante e melhor. Tudo isso é amargo e duto; e

muito homem, cidade e gente encontraram nisso a descul-

pa pelo mau humor, por viver de cabeça baixa numa espe-

ra indiferente.

Isso não é para homens de feitio vigoroso, os de Atlanta

voltaram-se decididamente ao encontro do futuro, e este

futuro mostra visões de púrpura e ouro — Atlanta, rainha

do algodão; Atlania, pórtico da Terra do Sol..."

Eis a visão que Du Bois fixou em 1903.

Atlanta foi o Quartel Geral da campanha de Jimmy

Carter, e por este Gateway to the Land of the Sun (Pórti-

co da Terra do Sol) ele entrou pela América afora e ga-

nhou a eleição presidencial.

Mais de cem anos de amargura de um Sul, que se

sentia vencido e marginalizado, terminaram como por en-

canto .

depois da eleição de Jimmy Carter, só depois da

confirmação da vitória, quando a canção Happy times are

here again (Os tempos felizes voltaram) ressoava pelas

Américas, tomou-se consciência de um fato, um fato novo:

Agora, com a eleição de Jimmy Carter, a Guerra da Seces-

são finalmente terminou, as feridas cicatrizaram, as cica-

trizes desapareceram, a América já se pode levantar do

JIMMY CARTER ao encontro da Casa Branca

diva do psicanalista, o trauma que perturbou a vida da

nação f-i eliminado.

Esta perspectiva de recondiliação entre presente e

passado, esta vitória sobre a color line, a nova visão ética

do mundo que Jimmy Carter traz como expressão pessoal

dele, como Intérprete do Partido Democrata, e com a cons-

ciência de checar á Presidência nos ombros de longas

fileiras de homens e mulheres pretos, de fala espanhola,

de outras minorias e demais dos deserdados e marginali-

zados da sociedade afluente, tem um enorme significado

que "cs círculos responsáveis" dos Estados Unidos e do

Mundo levarão ainda tempo para absorver.

Nós temos confiança que Jimmy Carter torne a Amé-

rica — América de novo. E como não há espaço para

longas explanações confiemos novamente na síntese de

idéias de um grande poeta reproduzindo Let America be

America Again de Langston Hughes.

ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 23 ABERTURA CULTURAL — ANO 2 NV 23 Página fi

LET AMERICA BE AMERICA AGAIN

Langston Hughes

Let America be America again.

Let it be the dream it used to be.

Let it be the pioneer on the plain

Seeking a home where he himself is free.

(America never was America to me.)

Let America be the dream that dreamers dreamed—

Let it be that great strong land of love

Where never kings connive nor tyrants scheme

That any man be crushed by one above.

(It never was America to me.)

O, let my land be a land where Liberty

Is crowned with no false patriotic wreath,

But opportunity is real, and life is free, ,/

Equality is in the air we breathe.

(There's never been equality for me,

Nor freedom in this "homeland of the free.")

Say who are you that mumbles in the dark?

A nd who are you that drmvs your veit across the stars?

I am the poor white, fooled and pushed apart,

I am the Negro bearing slavery's scars.

I am the red man driven from the land,

I am the immigrant clutching the hope I seek— í

And finding only the same old stupid plan.

Of dog eat dog, of mighty crush the weak.

1 am the young man, full of strength and hope,

Tangled in that ancient endless chain

Of profit; power, gain, of grab the land!

Of grab the gold! Of grab the ways of satisfylng need

Of work the men! Of take the pay!

Of owning everything for one's own greedí

I am the farmer, bondsman to the soil.

I am the worker sold to the machine.

I am the Negro, servant to you ali.

I am the people, humble, hungry, mean—

Hungry yet today despite the dream.

Beaten yet today—O, Pioneers

I am the man who never got ahead,

The poorest worker bartered through the years,

Yet Lm the one who dreamt our basic dream

ín that Old World while still a serf of kings,

Who dreamt a dream so strong, so brave, so true»

That even yet its mighty daring sings

In every brick and stone, in every furrow tumed

That's made America the land it has become.

O, Lm the man who sailed those early seas

In search of what I meant to be my home—

For Fm the one who left dark Ireland's shore,

And Poland's plain, and England's grassy lea.

And tom from Black Africa's strand I carne J

To build a "homeland of the free."

The free?

Who said the free? Not me?

Surely not me? The millions on relief today?

The millions shot down when we strikc?

The millions who have nothing for our pay?

For ali the dreams we've dreamed

And ai! the songs we've sung

And ali the hopes we've held

And ali the flags we've hung,

The millions who have nothing for our pay—

Except the dream thafs almost dead today.

O, let America be America again—

The land that never has been yet—

And yet must be—the land where every man is free.

The land thafs mine—the poor man^, Indian's, Negro^,

ME—

Who made America.

Whose sweat and blood, whose faith and pain,

Whose hand at the foundry, whose plow in the rain,

Must bring back our mighty dream again.

Sure, cal! me any ugly name you choose—

The steel of freedom does not stain.

From those who live like leeches on the people's lives,

We must take back our land again,

America!

O, yes,

I say it plain,

America never was America to me,

And yet I swear this oath

America will be!

Out of the rack and min of our gangster death.

The rape and rot of graft, and stealth, and lies,

We, the people, must redeem

The land, the mines, the plants, the rivers,

The mountains and the endless plain—

AH, ali the stretch of these great green states—

And make America again!

DEIXEM A AMÉRICA SER AMÉRICA DE NOVO

Deixem a América ser América de novo

Deixem que seja o sonho que costumava ser

Deixem que seja o pioneiro das planícies

Buscando um lar onde pode ser livre.

(América nunca foi América para mim)

Deixem América ser o sonho que tantos sonharam

Deixem que seja este pais tãD grande e forte do amor

onde nunca reis nem tiranos conspiraram

para algum homem ser esmagado por outro.

(Nunca foi América para mim) ;

Oh, deixem meu país ser a terra onde a liberdade

nunca é coroada por um patriotismo falso

Mas onde a oportunidade é real, a vida livre,

e igualdade está no ar que respiramos.

(Nunca houve Igualdade para mim

nem liberdade nesta "pátria dos livres")

Diga, quem é você que resmunga no escuro?

e quem é você que traça um véu sobre as estrelas?

Eu sou o branco pobre, logrado e posto de lado,

Eu sou o negro marcado com as cicatrizes da escravidão,

Eu sou o índio despojado das minhas terras,

Eu sou o imigrante acalentando a esperança que procuro

e encontrando apenas o mesmo velho a estúpido sistema

Do cão que come cão, do forte que esmaga o fraco.

Eu sou um jovem, cheio de força e esperança

enroscado nesta antiga corrente sem fim:

Do lucro, poder, riqueza. Do roubo da terra!

Do roubo do ouro: Do roubo de tudo que os outros

[préóisaml

Do trabalho dos homens! Do furto dos seus salários!

Do querer possuir tudo que a ganância deseja!

Sou um lavrador, servo da terra,

Sou um operário vendido à máquina

Sou um negro, servente de todos.

Sou o povo, humilde, faminto, andrajoso.

Faminto ainda hoje, apesar do sonho,

Espancado ainda hoje—Oh, pioneiros,

Sou o homem que nunca foi para frente,

O trabalhador mais pobre, uma mercadoria barata.

Embora eu seja um que sonhou o nosso grande sonho.

No Velho Mundo ainda como servo de reis,

Um sonho tão forte, valente, verdadeiro,

Que mesmo agora suas audazes canções

ressoam em cada tijolo e pedra,

em cada sulco do arado,

Fazendo da América o país que se tornou.

Oh! Sou o homem que navegou pelos mares d'antanho

Na busca que julgava meu lar

Pois sou o homem que deixou os vales da Irlanda,

As planícies da Polônia, os gramados da Inglaterra

e arrancado dos me-is lares na Af'ica Negra eu vim

para construir "a pátria des livres".

Dos livres?

Quem falou nos livres? Eu?

Com certeza eu não!

Os milhões que vivem hoje do auxílio social?

Os milhões acossados nas greves?

Os milhões que nada possuem?

Por todos sonhos que sonhamos

E todos cantos que cantamos

E todas esperanças que tivemos

E todas bandeiras que desfraldamos

Há os milhões que nada possuem

Além do sonho que é hoje quase morto.

Oh, deixem a América ser América de novo.

O país que é meu — é ao poore, do índio, do negro

Mas agora precisa ser — o país onde lodo homem é livre.

O país qu eé meu — é do pobre, do índio,do negro

MEU —

Quem construiu a América.

Com seu suor e sangue, sua fé e dor.

Cuja mão na fábrica, cujo arado na chuva,

Piecisam trazer-nos de volta nosso sonho forte.

Certo, chamem-me por qualquer nome feio que quiserem.

O aço da liberdade não se macula.

Daqueles que vivem como parasitas da vida do povo

Precisamos tomar de volta nossa terra,

América!

Oh Sim,

Eu digo com franqueza

América nunca foi América para mim

E agora faço este juramento:

América será!

Saindo dos destroços e ruínas da morte dos nossos

[gangsters

Da extorsão, do lodo des subornos, dos segredos vis, e

[das mentiras,

Nós, o povo, precisamos redimir

O país, as minas, as plantas, os riosr

as montanhas e as planícies sem fim,

Tudo, todos vastos horij.on es destes grandes estados —

E construir a América de novo!

Esta visão poética de Langston Hughes data de 1938,

mas guarda uma imensa atualidade e mostra o grande

desafio que espera o governo de Jimmy Carter.

Um desafio muito amplo, que ultrapassa de longe o

problema dos contrastes existentes dentro da sociedade

JIMMY CARTER

afluente. Ao lado da.Inflação crônica, do» desemprego*ín-

quietante, os Estados Unidos enfrentam hoje, da mesma

maneira como o mundo todo a pergunta decisiva: Até quan-

do a Industrialização desenfreada e suas conseqüências

ambientais serão compatíveis com a sobrevivência hu-

mana.

Novamente Jimmy Carter poderá apelar para suas vi-

vências sulistas em busca de respostas.

Martin Luther King já dizia a respeito do Sul: "Não

sabemos o que queremos ser. Não sabemos o que sere-

mos. Mas, Graças a Deus, sabemos o que fomos." Sim,

no Sul apesar da crescente urbanização .industrialização

e também poluição, há ainda a continuidade de tradições

de vida agrária, mesmo o citadino tem ainda um conta-

to mais vivo c"m a natureza. O sulista mantém uma visão

clara de uma vida boa, tanto no sentido material como es-

piritual. Boa cozinha, hospitalidade, convivência humana,

e laços fortes, físicos e espirituais com a paisagem, com

rios e montanhas, bosques, lages e campinas. A vida no

Sul parece passar mais devagar, com menos pressa, e

com muito mais vontade de viver uma vida ao ar livre,

procurar recreação, assistir um festival de "country music",

participar de uma pescaria, reunir-se em torno de um fo-

go campestre na camaradagem de uma conversa cheia de

humor, algo mordaz e Irreverente, mas lambem amável,

pois a famosa gentileza sulista é ainda cultivada mesmo

nas mais humildes casas de pequenos lavradores.

Como diz Cas Walker de Knoxville (Tennessee): "Que

o céu nos ajude se nós chegarmos a ficar tão possessos

para ganhar dinheiro, que não possamos mais ficar junto

com velhos amigos e desfrutar a camaradagem que nos

uno e viver a vida e suas satisfações simples como nossa

gen^a sempre fez".

É da Plains tranqüila que Jimmy Carter traz suas re-

cordações de garoto e suas vivências como homem — é

a parnr de Atlanta, da cidade das cem colinas, que ele

governou a Geórgia, unificando o Estado, pretos e bran-

cos, no novo espírito do Sul, e desta mesma Atlanta que

ele partiu em busca da América.

E deste Sul, onde ele tem as raízes, ele herdou O amor

pela natureza. Inato nesta terra, que nele se desenvolveu

para uma verdadeira consciência ecológica, que se tornou

uma das principais molas da sua personalidade e atuação.

Ser Presidente dos Estados Unidos Implica, queira ou

não queira, numa responsabilidade que de longe ultrapassa

as fronteiras. Os Estados Unidos já fizeram amargas ex-

periências quando tentaram ser polícia do mundo, onipre-

sentes e confundindo censtantemente a ação nem sempre

ética das suas empresas no ex.enor, com o seu interesse

nacional. Mas também o contrário é Impossível, a presen-

ça e Influência norte-americana no mundo é um fato.

Guerra ou Paz, Miséria ou Prosperidade, Liberdade ou

Escravidão, Sobrevivência ou Derrocada, todas estas alter-

nativas e muitas outras, necessitam da colaboração da

Norte-América.

Dentro destas perspectivas, o que nós aqui na Amé-

rica Latina poderemos esperar de Jimmy Carter?

Ele já falou. Várias vezes se pronunciou. Primeiro

tentaram pôr as suas palavras de lado, dizendo que era

a fala de um candidato em campanha eleitoral.

Depois da sua vitória, depois que os acordes de Hap-

py days are here again ecoaram pelas Américas, houve at-

gun silêncio constrangido.

Pinochet soltou algumas centenas de prisioneiros po-

líticos. O Gen. Videla na Argentina assegurou que o úni-

co objetivo da sua "revolução" é levar o país a uma per-

feita "democracia". Do pequeno Uruguai surgiu a idéia de

uma Santa Aliança: Chile, Argentina, Brasil, Uruguai e ve-

jam quem mais — a África do Sul, juntariam as suas forças

contra a 'ameaça soviética". A proposta, fora do Uruguai,

encontrou pouca ressonância.

No Brasil apressados adesistas e patriotas de última

hora. hipotecaram a sua solidariedade ao governo para re-

sistir contra a "ilegítima" oposição de Jimmy Carter con-

tra o acordo nuclear Brasil-Alemanha.

O governo brasileiro que neste ínterim já recebeu far-

tas informações sobre as dificuldades da Indústria nuclear

no mundo todo, sobre os graves problemas ambientais que

mobilizam uma resistência cada vez maior contra a ener-

gia nuclear, olhou certamente estes mal-informados ade-

sistas com alguma surpresa e considerável constrangi-

mento ,

Evidentemente é muita precipitação, atacar o presiden-

te eleito Jimmy Carter por intenções que agora manifesta.

Criar uma tensão desde agora, já antes da posse, certa-

mente não corresponde ao interesse nacional.

O fator essencial nesta polêmica que não tem rece-

bido a devida atenção dos observadores é — que Jimmy

Carter não só é contra o acordo nuclear Brasil — Alema-

nha, mas se opõe também à crescente nuclearização dos

próprios Estados Unidos. Aliás lá, a quase totalidade da

comunidade científica independente, isto é, não comprome-

tida com a Indústria nuclear, é totalmente antl-nuclear.

A Alemanha,, que pres^urosamente está tllsposta a

vender ao Brasil e outros países do exterior equipamentos

nucleares, enfrenta atualmente enormes dificuldades com

sua própria população e está em vias de cessar a cons-

trução de usinas nucleares em seu território.

Falar em soberania nacional em assuntos como ener-

gia nuclear, poluição dos mares e do ar e na engenharia

genética em vírus, é totalmente deslocado e fora da época.

Diante de tais assuntos que põem em perigo a sobre-

vivência da humanidade toda, "cessa tudo quanto a antiga

musa canta".

Ninguém tem o direito de poluir suas águas territo-

riais, pois a poluição se espalha pelos mares todos.

Ninguém tem o direito de poluir o ar numa escala qus

afeta os países vizinhos.

Ninguém tem o direito de aumentar a poluição radio-

ativa e de arriscar catástrofes nucleares, nem fazer expe-

riências que podem modificar o clima ou fazer experiências

genéticas em vírus, que facilmente podem escapar do

controle e assim por em pergo não só a própria popula-

ção, como os vizinhos ou mesmo a humanidade toda.

As abelhas africanas que escaparam de um laborató-

rio em Piracicaba (SP) já se espalharam por todo Brasil

e alcançaram a Venezuela, Colômbia etc. e dentro de mais

algum tempo terão atravessado a América Central e o Mé-

xico e invadirão os Estados Unidos.

E abelha africana é uma coisa, com esta tem ainda con-

dições de conviver.

Se Jimmy Carter deseja para a América Latina um

respeito ao; idireltos humanes e governos surgidos do

consenso das Nações, é um desejo louvável, que deverá

desagradar muito mais as empresas multinacionais (multi-

americanas) do que aos povos da América Latina.

Se Jimmy Carter, que aliás é engenheiro nuclear, to-

ma posições contra a proliferação atômica ele sabe porque,

pois os Estados Unidos são o país que mais sofreu as con-

seqüências da nuclearização.

Saudámos Jimmy Carter como esperança das Améri-

cas, para que na presidência corresponda às espectatlvas

dos seus eleitores, e também para que se lembre da gen-

te sofrida da nossa América Latina e do mundo todo.


Página 10

OBIKINI DINAL

Xy ATACADO

R. Figueiredo Magalhães 286 s/SQT^

* Te!. 255-3419

Olhon voijôulerias

CreaçOes

exclusivas

Somente atacado

AuCopacabana, 680 s/405 e 406

Tel. 235-2561

ASLINDO

ALFAIATE

^ - ^ ^M Ca 1 ?» 8 «•«> *• hs.

CiUn e a c«eado * Sala 205

sala 201 tel.X55-3769- TeL 235-1591

av. coiMicaiMHia, 540

tem

modas infantis

AV. COPACABANA, 581-C

TÉL: 235-5325

CONFECÇÃO

PRÓPRIA

GESTANTES

E BEBES

MODAS

Crediário próprio

RUA MIGUEL LEMOS, 17-B

Telefone 255-1221

SATURAI

WSSM Gmsim

AVCORACABANA,450 GRUPO 401

Sob a direção de Luís Fernando

BIQUíNI Colherine

ATACADO.

R. Siqueira Compoi, 43 S/435 Tel. S5S-9099

Centro Comercial de Copacabana - Rio

CONFECÇÚES-PRONTA ENTREGA

Rua Xavier da Silveira,45 s/6ü4 - Copacáana-Rl

CORREIA ALFAIATE

• llfigwhdolMdQS81-ATél2S6-5238

Copacabana

Centro de Compras

Realité

MODAS

INFANTIS

Av, Copacabana, 1.063-A

TEL. 255-1218

buono stille

Confecções finas e exclusivas

Ampla variedade-pronü entrega

R. Figueiredo Magalhães, 226 s/301

Copacabana TeL255 8218

confecçõe/

Roupa jovem, gestante e criança

PRONTA ENTREGA

R.Xavier da Silveira, 45 s/504

e-S/1009.tel.236-3023 Copacabana

DE FCL1PPE

^íí^^^^^** AlFAIATERIA

Temos, Camisas e Calças sob medida

REFORMAS EM GERAL

R.Siqueira Campos, 143s/loja 105 TeLZ35 6482

RBarata Ribeiro, 302 Loja 14

^ROMULO-ALFAIATES

Av. Gomes Fn!Íre,196/603 Tel.232 99BG

L

* e

V

o

s

a

n

I

a

C

l

a

r

a

33

f/

724

Tel. 238-4042

ASSINE

CULTURAL

UM JORNAL DifEÍÍENTE

' UMA

ATITUDE

DIANTE

DA VIDA

Caba Peitif tim

ZC-07 «Rio

CONFECÇÕES

SENHORAS

HOMENS

CRIANÇAS

PRONTA ENTREGA

Xavier da Silveira, 45/804/5

MIC-MAC

BUOUTERIAS

Deixa lua sossegada... e olhe para mim I

AV.COPACABANA, 581-S LOJA 219

Av. Copacabana, 581-S, Loja 224 .

AV.COPACABANA.680- 1 S)S-10JA E

GALERIA GOLO STAR, 23 - NITERÓI

DECORAÇÕES ABREU LIDA.

Artigos Para Decorações

Tecidos para

Cortinas e Estofos

>

AV.COPACABANA.5OO-C'Tel237-0148

R. LUIZ DE CAMÕES. 114 • M224-8206

A\\ou QasXex

BUOUTERIAS

R. CONSTANTE RAMOS. 44

CONJ. 601 E 608 TEL: 255-3730

DDTIZACÂO

|\ ^JfclNSÉTISAN

Teto.

227-9797»228-9797

243-9797*246-9797*264-9797*247-9797

*SERCESA

Confecções femininas

^^H*—?^^

^* RUA SANTA CLARA,33/419

KGA

ANTIGÜIDADES QUADROS

OBJETOS DE ARTE MOLDURAS

^GALERIA BRASIL I

MATRIZ: Ay;CÜRftCAB/WA,1077-A TT,-) 255-1879

FUALR.LE0PQL00MIGUEZ,4aiDl ltu (256-6836

ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N9 23

•mETi

ATACADO VAREJO

PRONTA ENTREGA

Santa Clara,33 s/205 TeL236-0083

t^MtttJllSJTEZT TELS. {264-7010

ConféccSes \ 284-7249

RUA CEARA, 2gSl l 238-PRAÇA DA BANDEIRA

rt

HANO-BEUNARD

prfit á porter

PRONTA ENTREGA

RSIÇUBRA CAMPOS 15 SíLOJA 202

M255-70G7

|AAJO_2íS^ AÇÔÜ

RSiqueira Campos, 253-CTel. 235-1238

• • •

RSIqueita Campos, 271-ATel255-5850

mm

CALÇADOS SOB MEDIDA

R. SIQUEIRA CAMPOS 143 SOBRE-IDJA151

SHOPPING CENTER

Confecção KRAKAU

Rua Constante Kamos, 44 - Sala 1204

Copacabana Tel. 392-7068

FOTO STUDIO MARTINIQUE

FOTOGRAFIAS ARTÍSTICAS

ADULTOS E CRIANÇAS

FOTOS PARA DOCUMENTOS

RAPIDEZ E PERFEIÇÃO

AV. COPACABANA, 610/503

R*i>Mtag*n


ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 23

Y>€p8ie

Confecções finas

ATACADO

PRONTA ENTREGA

Av. Copacabana, 647 Grupo 1110 IP" 237-2465

__ i papel de parede ^%

O] importado

O l ■ vendas á prazo

honoré J

CORTIÇAl

ACÚSTICA > TÉRMICA » DECORATIVAj

VULCAT€X)

ACAB

REVESTIMENTOS

237-5757

Miguel Lemos,41/304

Papelaria e Tipografia Luka

IMPRESSOS EM GERAL

"'BOM GOSTO

PERFEIÇÃO

RAPIDEZ

Rua Siqueira Campos, 143 • Sohre-Uia 133

Tel. 235-7143 - Copacabana

CULTURA

ÉTUDO.

NÓS NOS PREOCUPAMOS

COM CULTURA

MIGUEL COUTO BAHIENSE

l o 1 S da classe

Fcathcrs

VISCONDE DE PIRAJÂ, 580 LOJA 204

V® ©yJi

SERVIÇOS DE CLASSE PARA SUA DISTINÇÃO 0

Limpeza de pele especializada OQ O

Corte de cabelo à navalha O O

O Tintura, massagens, manicure, pedicure

O Som total - Ar condicionado

RUA SANTA LUZIA.797 TeL252-59B6 RIO

Debandada Nuclear

A energia nuclear com seus proble-

mas, conseqüências, rentabii.dade eco-

nômica e.c. só e poss.vel discutir com

base, no que acon,.eceu em outros paí-

sei, pois nos não temos experiência pro-

piia. Vejamos alguns exemplos:

ESTADOS UNiüOS — A evoljção toda:

Primeiro euioria em torno dos "Atemos

para a paz". Depois lentamente acumu-

iando expenênciiaó. A SiStemáiica re-

yiravolia na opin.âo pública. Cescente

inquie.aião na comunidade cieniítica.

Òs piimeiros incidentes graves. As de-

sas.rosas experiências com usinas de re-

processamentos e guarda de resíduos

radioativos. A descoberta que a energia

n-c.ear não é só"uma ameaça ambientai

e à nossa herança genjlica, mas tam-

bém um logro econômico. General Ato-

mic consome todo capital e só não que-

bra por per.encer a GJIí e Shell. General

Ele.ric busca cobrir os prejuízos no se-

tor nuclear em outros ramos. Westin-

ghouse r.mpe unilaieralmnele coniratos

de fornecimentos de urânio e enfrenta

processo. Baixo rendimento de usinas.

Cresce a res.stência em escala nacional.

O National Council of Churches vota

moção contra a Plutonium Economy.

ALEMANHA — Os incidentes de Whyl.

Brokdorf etc. atestam a tesisiência ge-

ral. Em 1974 quase não havia resistên-

cia, hoje, mais familiarizado com a ener-

gia nuclear, tudo é lamúria. AEG-TELE-

FUNKEN sai da KWU. A situação geral

da indústria nuclear sob forte bombar-

deio da imprensa e opinião pública piora

mês por mês.

JAPÃO — Em meados de Novembro

de um total de 12 usinas nucleares em

operação somenie 5 estavam operando

(Fukushima Ní 1 2 e N? 3) (Mihama 2)

(Takahama 2) (SHIMANE). Em 24 de No-

vemb o parou o Fukushima 3. Pouco

depois entrou em funcionamento o 13?

reator japonês: Mihama 3 — Situação em

fins de Novembro: 13:5. De 13 reatores

em operação só 5 funcionam efetiva-

mente. O navio a',ômico MUTSU com

suas grandes desventuras, que nenhum

porto quer acolher parece uma novela.

Interessante os estudos do efeito do fun-

cionamenlo normal dos reatores sobre

as mudanças genéticas em plantas, efe-

tuadas por várias equipes univesitárias.

FRANÇA — Também na França encon-

tramos um início tardio da resistência

contra a indústria nuclear. Mas o desen-

volvimento é rápido. Alentados terroris-

tas contra as usinas mostram a vulnera-

bilidade. A resistência c r r»7e dentro dos

próprios organismos oficiais.

Em toda parte se enfrenta os mesmos

problemas: A energia nuclear é anti-

econômica. Não há solução para o pro-

blema dos resíduos e outras conseqüên-

cias ambientais. As Cias. de Seguro não

aceitam os riscos. É impossível separar

uso pacífico e feitura de bombas. Na

índia sem usinas de enriquecimento e de

reprocessamenlo fez-se bombas atômi-

cas. A tecnologia de uma bomba atômi-

ca primitiva, que não visa um aproveita-

mento máximo, está ao alcance de qual-

quer um com certos meios e conhecimen-

tos técnicos. Basta possuir plutônto ou

urânio altamente enriquecido.

Teatro no Rio de Janeiro

GATA EM TELHADO DE ZINCO QUEN-

TE — de Tennessee Williams. Direção

de Paulo José. Com Teresa Raquel,

Paulo Gracindo, Antônio Fagundes, Gra-

cinda Freire e outros Teatro Copacaba-

na — Av. Copacabana, 327 — Telefone

257-1818.

MAE CORAGEM — de Bertolt Brecht.

Direção de Maria Teresa Amaral. Com

Gilson Moura, Edgard Bandeira, Fernan-

do Palitot, Marco Ubiratan, João Wlamir,

Jair Arruda, Elaine Silveira, Maria Teresa

Amaral. Sala Corpo/Sem B do Museu

de Arte Moderna — Tel.: 231-1871.

AS PEQUENAS HISTÓRIAS DE LORCA

de Federico Garcia Lorca. Direção

de lio Krugli. Com Beto Coimbra, Eduar-

do Machado, lio Krugli, Silvia Aderne,

Sônia Piccinin, Xuxa Lopes e outros

Teatro Experimental Cacilda Becker —

Rua do Catete, 338 — Tel.: 265-9933.

O SANTO INQUÉRITO — de Dias Go-

mes. Direção de Flávio Rangel. Com Isa-

bel Ribeiro, Rubens de Falco, Cláudio

Marzo, Carlos Vereza, Jorge Chaia,

Waldir Mala. Teatro Teresa Raquel —

R. Siqueira Campos, 143, Tel. 235-1113.

QUARTETO — de Antônio Bivar. Di-

reção de Ziembinski. Com Ziembinski,

Louise Cardoso, Marlene e Roberto Pi-

rilo. Teatro Ipanema — Rua Prudente de

Morais, 824 — Tel. 247-9794.

DOSE PÁSSARO DA JUVENTUDE —

de Tennessee Williams. Direção de Car-

los Kroeber, com Tônia Carrero, Nuno

Leal Mala, Carlos K'oeber, Leina Crespi

e outres. Teatro Adolfo Bloch — Rua do

Russel, 804 — Tel. 285-1405.

À MARGEM DA ViDA — de Tennessee

Williams. Direção de Flávio Rangel. Ce-

nário de Túlio Costa. Com Beatriz Se-

gall, Ariciê Perez, Edwin Luisi e Fernan-

do Almeida. Peça notável que lançou

Williams no cenário internacional. Uma

garota que se refugia por trás de uma

CABELEIREIROS

ESPECIALIZADO

TODO EQUIPAMENTO MQDERNOy

MARCAR HORA: TEL.2361631

MIGUEL LEMOS, 21:A^

coleção de bichinhos de vidro, pois um

defeito físico alija-a emocionalmente do

mundo. Teatro Glàucio Gll — Praça Car-

deal Arco Verde — Tel. 237-7003.

OS FILHOS DE KENNEDY — de Ro-

bert Patrick. Direção de Sérgio Brito.

Com José Wilker, Susana Vieira, Vanda

Lacerda, Otávio Augusto, Maria Helena

der, Lionel Linhares- Cinco pessoas

recordam isoladamente num bar em New

York a sua vivência nos anos 60. Tea-

tro Senac — Rua Pompeu Loureiro, 45

— Tel. 256-2746.

A LONGA NOITE DE CRISTAL — de

Oduvaldo Viana Filho. Com Osvaldo

Loureiro, Denis Carvalho, Roberto Lo-

pes, Isabel Velasco, Sônia de Paula e ou-

tros. Tragédia de um locutor no mundo

da televisão. Teatro Glória — Rua do

Russel, 632 — Tel. 245-5527.

^ i = OE COZinHB E BflffflEIRO

IXMSIÇâlK v . ,

R. da passagem, 838 Tel 268 5263 Botafogo |

Matriz.RSãoMàíiM2Dtel.226-225T*226-23Dr

Página 11

Tem Coisa Grátis!

Mande 5 endereços de amigos e co-

nhecidos seus. do Brasil ou Exterior, en-

dereços completos e legíveis), gente

que se poderia interessar pelo jornal a

fazer assinatura. Cada um deles rece-

berá um exemplar Inteiramente grátis,

e você receberá como prêmio, um livro

de teatro.

Se você estiver a fim de conseguir

mais livros, você manda 15 endereços

mas por favor, gente que você conheça

mesmo) e mais dois cruzeiros em selos

e receberá 3 livros.

Junto com cada jornal remetido irá a

Informação: Oferta por indicação de.},

ai segue seu nome.

A nossa finalidade no caso, não é só

conseguir novos assinantes, mas tam-

bém lançar sementes, espalhar o nosso

Ideário, porque embora nosso jornal ho-

je esteja presente em milhares de bancas

do Brasil e do mundo, quanta gente nâo

passa Indiferente diante das coisas a

nem enxerga o que está diante do seu

nariz. Ou enxerga, e lê — ABERTURA

— e acha que está na hora do fecha-

mento, vai fechar o escritório para to-

mar uma caipirinha — ou perdão — um

uisqui on the rock.

Então gente vamos nesta — e se vo-

cês quiserem aproveitar e dizer algo so-

bre o jornal umas criticas construtivas ou

destrutivas, uns elogios rasgados, estão

convidados para esta também. A me-

lhor pixação e a melhor loa serão pre-

miados cada uma com um pacotfto da

livros! Tá?

PAULINHO

confecções

Moda Jovem

Pronta entrega

Av.Copacabana, 1072/902 Tel. 257-1729

t^mmanuelíe

Moda Jovem

MODERNAELEGANTE DESCONTRAÍDA

ESPORTE e HABILLÉE

Tamanhos de 38 a 48

a Xavier da Silveira,45 - D 255-1768

R TAPEÇARIA

"II" Cortinas Sob medida

JL PAINÉIS

Artigos para Decoração

(Rua 'ÇDias h (Ricka. 20 ■ Aja Q

lÕeletene*.: 255-3650 e 256-2382


Página 12

BOLSAS ***% UN1SSEX

atacado e varejo

I.SiqueiraEampís,U3s.íoJ« 118/128 • 6.B.

AUTO ESCOLA ARCOVERDE

•CURSO ESPECIALIZADO

PARA AMBOS OS SEXOS

AMADORES E PROFISSIONAIS

R. RODOIFO DANTAS, 110/20}

Tel.: 255-2506

Com apresenta;So deste

Boúnclo desconto de 10%

PARA

ANUNCIAR

TEL. 255-2506

RIO

OPACAIBAXMA

Loja das Fraldas

TUDO PARA O BEBÊ

COPACABANA: Rua Barata Ribeiro, 354-E m S37-8S43

IPANEMA: R.Vise. da Pirajâ,BB Lj.O "1^.267-3035

MADUREIRA:Av.M. Edgar Romero.BI BI.SSB Tel. 350-4533

TI JUCÁ: R. Desemb. Isidro. 5 Sobr. Tel. 558-5641

X móveis x,

ARMÁRIOS

EMBUTIDOS

Preço de Fábrica

VENDAS A CRÉDITO

r. ministro viveiro de castro, 72 a - fone 255-3621

COLCHÕES

0 Homem- «Um Macaco Degenerado^

Freqüentemente, as crianças desmontam seus

brinquedos para saber como eles estão por dentro

o assim os destroem; da mesma forma, os homens

adultos, formados técnica e cientificamente, desde

séculos estão a pesquisar, com assiduidade e calo-

roso esforço, a Terra com sua fauna e flora e a des-

trui-la — através das conclusões tiradas dessas pe-

qulsas. O simples impulso pesquisador das crianças

e dos adultos repousa sobre a mesma causa: a curio-

sidade. As conseqüências, porém, são muito diferen-

tes. A criança destrói um brinquedo que não é indis-

pensável à vida, infelizmente — o homem adulto,

com crescente rapidez, destrói a Terra que oferece

possibilidades de vida a ele, a seus próximos e às ge-

rações futuras. Com auxilio da nossa inteligência ex-

terminamos a nós próprios. Tudo está exageradamen-

te deformado. Pesquisamos o comportamento de

animais ameaçados de extinção; proibimos sob pena

de punição, através de leis e regulamentos, colher

flores e arrancar as plantas protegidas. Mas, ao mes-

mo tempo, por motivos pnonômicos e segundo o mais

moderno cabedal científico, empreendemos — por

meio 'de irrigação e drenagem — os "melhoramentos

do solo" agrícola e florestal, e, além disso, destruí-

mos — pulverizando com inseticidas e herbicidas,

por meio de canastras portáteis, de aerosol (veicules

automotores e aviões — animais, campos e flores-

tas. Como se extinguem cegonhas, gruas e muitas

outras aves (de rapina e canoras), do mesmo mo-

do, extinguem-se marmotas, ouriços, salamandras, 11-

cranços — sem falar sequer dos peixes no Reno e

no Lago Boden — porque os homens "pegaram a Na-

tureza na garra", na garra de uma criança irrefletida,

mas muito mais perigosa, porque essa atividade toda

é dirigida por meio de altos conhecimentos científicos

e técnicos.

O mundialmente famoso médico e biólogo Albert

Szent — Gyorgyi (laureado com prêmio Nobel) de-

signa o homem como "macaco degenerado" que não

é capaz de dar conta de suas tarefas. Tenho que lhe

dar razão. Tornamo-nos "bandarlogs" — macacos

de jângal de Kipling, que tudo querem mas nada po-

dem realizar, porque são sempre de novo desviadas

por novas Idéias e planos. Será que é absolutamente

ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 23

SPBGGHI0

boutiquo

macacões^biquinis

,. . , J. longos*jeam

personalíssimo, atual, diferente

flyi Copacabana, 978 Loja 101

AIKIDÔ • • JUDÔ

BUDO WADO-KAI

Única Academia

de AIKIDÔ

na Guanabara

V, GOERTLEFS (Jena Alemanha)

Tradução de ROBERTO TAMARA

necessário Investigar as condições na lua? mas se

preocupar só de passagem com o desenvolvimento

dos homens sobre a Terra, com a fome que cs asso-

la e a morte? com a vida dos animais ainda silves»

três? e utilizar industrialmente os chamados "animais

domésticos", no que concerne à mecanização e mi-

nistração de ferragem, por meio de aditivos c:nten-

do hormônios e de Inseminação arilficial? sendo que

a alimentação dessas "máquinas animais para indús-

tria", possivelmente, põe em perigo também a saú-

de humana? Segundo o "modelo' de alguns países,

que deveria ter efeito de inspirar medo, sã? criadas

em todas as partes da Terra as deploráveis mono-

culturas florestais para produção de celulose, isto é

de papelucho, e criados pastos para alimentação de

gado, porcos e ovelhas e que, depois de poucos de~

cênios viram desertos e não mais oferecem possibi-

lidades de sobrevivência nem aos animais domésticos,

nem aos silvestres. É um círculo diabólico! Os ho-

mens — através do seu empenho febril de modificar o

ambiente — agem de modo mais destruidor do que

?.s crianças.

CARTA DE UMA ÍNDIA

«Pernrta dirifpr a carta em nome dos

índios da tribo 'kaingangue, que habita-

ram toda a região Sul do pais, incluin-

do nosso querido Estado gaúcho. Em

primeiro lugar, ainda a apresentação:

sou índia da tribo íkaingangue, natural

do posto indígena Carreteiro, Município

de Tapejara — RS — atualmente tra-

balhando no pesto indígena Guarita co-

mo monitora bilingüe, alfabetizando

crianças índias na nossa língua ma-

terna»».

«Senhor Presidente, não seria talvez

por este meu povo falar e entender so-

mente sua língua materna e não com-

preender estes gritos — paz, amor e

compreensão. Não, Senhor Presidente,

tenho certeza que meu povo entende-

ria esta mensagem, embora em outras

'línguas, como entendeu a de paciência

até agora gritada aos seus ouvidos, pa-

ciência esta que chega agora aos limi-

tes, como chegaria a de qualquer povo,

fesse qual fosse o estágio de civiliza-

ção»,

«Senhor Presklente, V. Exa. há de

cenvir que o sangue do meu povo não

mais pode ser contido nas velas, vendo

que as pequenas reservas restantes,

comparadas com os 8 milhões de quilô-

metros quadrados dos quais todo o povo

índio deste querido Brasil tinha pleno

domino e posse, estão sendo usurpados

por brancos, anarquistas e destruido-

res, fantasiados de agricultores, mas de

espírito de vândalos».

A monitora referiu-se a um cacique

dos índios soux que há 120 anos preço-

nizou o destino e a sorte das coisas de

suas terras e, conseqüentemente de seu

(Excertos da) Carta da índia ikningangue — Andila Inácio ao Presidente da

República — General Ernesto Geisel, 7 de julho de 1975, 120 anos depois da

carta do cacique Duwamish Senthl ao Presidente dos Estados Unidos —

Frartkljn Pierce.

povo, «como o nosso povo o tem feito

desde os remotos tempos do Serviço de

Proteção aos índios, voz esta que jamais

ultrapassou além das barreiras dos ou-

vidos dos administradores relapsos no

dever de defesa de nossas coisas e de

nessas coisas e de nosso povo».

«Eis, Senhor Presidente, o resultado

de tais conformismos: tem hoje o meu

povo suas terras invadidas, suas flo-

restas extermnadas, seus animais ex-

tintos e seus corações dilacerados pela

arma rude que é a civilização. Isto pa-

ra o povo branco e civilizado, como se

julgam, talvez possa parecer roman-

tismo ou coisa que equivalha, mas para

o meu povo não. Para ele é estilo de vi-

da, é razão de viver e, conseqüentemen-

te, motivo bastante para morrer».

Acrescenta que a invasão de suas

terras tem para o povo em geral signi-

ficado simplesmente jurídico, «mas pa-

ra o meu povo, não, são problemas que

nós kangangues sentimos como feri-

das que nos atormentam no mais alto

dos sentimentos, fazendo-nos dinrnuí-

dos, oprimidos e transformando nossas

noites em vigílias, na esperança de ver

no amanhecer nossas terras desocupa-

das pelos brancos e, no entardecer, uma

nova esperança. . ., pois a cada dia que

passa, sentimos o nosso sangue mais

espesso e nossas veias cada vez mais

finss, quando então muitos dos nossos

encontram conformismo no terrível ví-

cio do alcoo"ismo».

«Os brancos já nos tomaram tudo e

de muitos a própra razão do viver; os

cue ainda restam clamam por justiça».


ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N 1 ? 23 Página 13

MOLDURAS FINAS

i Gravuras «Quadros* Exciusividades

«ACRÍLICO ftALUMÍNIO*

PONTO DE ENCONTRO 00S ARTISTAS

VISCONDE PIRAJÁ,tó2 1/13e25Tel.2B7-8200

Galeria dos Correios

Filial: Rua Miguel Lemos.51-F

ao lado do Teatro Miguel Lemos

iiHiiiiiiiiiiiniiiiiiniiiiiiiiiiiiiiiiiiiimiiiiiiiiiiiniiiiiiumiiitiMiiiimuiiiiuiiii

> % '*% %

boutlqve

Av, Copacabana, 581 Loja 309

Centro Comercial de Copacabana

1 N D. E COM. DE ROUPAS LTDA.

CONFECÇÕES FEMININAS

Rua Barata Ribeiro, 774 Sala 901

grande sortimento de artigos

nacionais e estrangeiros

bastOS alfaiate

r. cupertino durao,96-b

[esMlaiHfodepaiva]

tel. 294-2099

leblon rio

®^TÜD0

DEPOSITO: -""«wo

IPANEMA-RJANGADEIRQS.«-

COM CARGA DE ORIGINALIDADE

Jovem - modo - Jovem

ANCORADO NA

W.CaPACABANA,B47 s/loja 204*tel.2354416

Abat-jours em modelos exclusivos.

LacaPorcelana, etc. Decorações e Presentes

Laqueamos e fazemos cúpulas.

A. BAAflTR RIBEIRO.344 / ZOI

• Tel. 235-1858 RIO

LAU

confecções

R. HILÁRIO DE GGUVEIA,GG/616

CopOCQbanO Blo d« Jarxint

COHrECÇÕES

P- FHAHCIÍCO SÁ,83 S/320 TEL. 227-0803-RIO

MIÀWIIÍUJ

IN DICA

EMAIANUEIXE — chegam as festas

—■ convém esperar o novo ano com es-

phito leve — as esperanças se renovam.

EMMANTELLE tem estilo, você se

sentirá bem, descontraída, elegante.

Atenção também para os longos espor-

te, para as festas de fim de ano. EM-

MANTJELLE tem sempre algo para vo-

cê. — R. Xavier da Silveira, 45-D ■—

Tel. 255-1768 — Copacabana.

QUEBRALUZ — O abat-jour certo no

lugar certo — \im toque pessoal que

tranforma o ambiente. Com «engenho e

arte» cria abat-jours exclusivos. Em la-

ça, porcelana, cristal, ou talvez usando

um vaso antigo que veio de «além de

Taprobana». QUEBRALUZ — R. Ba-

rata Ribeiro, 344 S/201 Tel. 235-1858.

CASA — Objetos e decorações — Pe-

ças em madeira e tapeçarias de Gra-

mado — a famosa cidade das hortên-

cias do Sul. — Redes — Tapetes rús-

ticos — e sempre muitas novidades.

CASA Vise. de Pirajá, 281 s/lj. 219 —

Tel. 287-2143.

BERLINER — especializado em pra-

teação e restauração de objetos de me-

tal. Grande escolha em presentes finos

e artigos para decoração. BERLINER:

Copacabana: R. Barata Ribeiro, 593-B

Tel. 256-4851 — Botafogo: R. Vol. da

Pátria, 244-A — Tel. 246-9201. Ipane-

ma: R. Vise. de Pirajá, 106 S/Solo Tel.

287-3326.

IMANô — BERNARD CONFECÇÕES

— Grande escolha em esporte, esporte

chie, pesponto, shorts, calças, conjuntos

e blusas. Tudo em PRONTA ENTRE-

GA com renovação dos modelos cada 15

dias. A partir de janeiro também já tem

a coleção de inverno. MANô — BER-

NARD CONFECÇÕES R. Siqueira Cam-

pos, 16 S/Loja 202 Tel. 255-7067. Co-

pacabana.

JVIAJO DECORAÇÕES — Grande esco-

lha em móveis práticos e de qualidade.

Camas beliche, Duplex, Arcas, Mesas,

Cadeiras, certamente encontrará o que

procura. MAJO DECORAÇÕES R. Si-

queira Campos, 253-C e 271-A — Tels.:

235-1237 e 255-5850.

OVEE-JOY — Para vestir-se com ele-

gância, de acordo com seu gosto e sua

personalidade procure OVER-JOY. Ex-

clusividade criativa e qualidade, numa

Casa de Modas de Tradição, com pri-

moroso atendimetno e sempre uma

grande variedade ao seu dispor. OVER-

JOY. Av. Copacabana, 664 — Loja 22

Galeria Menescal — Tel. 235-5725.

1 rcad the news today oh boy

About a lucky man who inade the

grade

And though the nens was rather

sad ...

Oh boy, deixe-se embalar no som — no

CANTINHO SONORO — lá você en-

contra aparelhos nacionais e importados

e todos os serviços de sonorização.

CANTINHO SONORO — Studio — R.

Toneleros, 316 Loja D — Tel. 237-7327.

ATENÇÃO: Aí Kl Do agora também em

Niterói. Conheça a academia! Rua Au-

relino Leal, 51 — 4' and. No Rio a AS-

SOCIAÇÃO CARIOCA DE AIKIDÕ

centinua em Copacabana — R. Barata

Ribeiro, 810 — Tel. 255-6263.

O HOTEL SANS SOUCI de Nova Fri-

burgo, situado no meio de um parque

com árvores frondosas, oferece o máxi-

mo em conforto e primoroso atendimen-

to. Piscina, sauna, boate, esportes. Lem-

bre-se: Em Nova Friburgo HOTEL

SANS SOUCI.

LALI Confecções — Longos para Na-

tal — jérsey, algodão, bandagem etc.

também coleção completa de shorts, blu-

sas e conjuntos. LALI Confecções R.

Hilário de Gouveia, 66/616 — Copaca.

bana.

DDTIZAÇAO INSETISAN — um aten-

dimento perfeito, sempre na hora. Com

os seguintes telefones a suas ordens:

201-9797 — 205-9797 — 226-9797 —

227-9797 — 228-9797 — 243-9797 —

246-9797 — 247-9797 — 248-9797 —

249-9797 — 256-9797 — 260-9797 *-

261-9797 — 264-9797 — 268-9797 —

274-9797 — 280-9797 — 284-9797 —

287-9797 — 288-9797 — INSETISAN

DOMINO — Cozinhas Cinematográficas

— As mais luxuosas — mais bem pla-

nejadas —■ beleza — qualidade e fun-

cionalidade se combinam. Peça o seu

orçamento sem compromisso. DOMINO

— Av. Princesa Isabel, 245-A Tel.

275-3295 Copacabana. R. Conde de Bon-

fim,577-A Tel. 258-3822 — Tljuca. R.

Barão de São Francisco, 345 — Tel.

208-0248 — Vila Isabel.

PAPELARIA E TIPOGRAFIA LUKA

— Impressos com perfeição e rapidez.

O melhor atendimento. Serviços de qua-

lidade. PAPELARIA E TIPOGRAFIA

LUKA R. Siqueira Campos, 143 — So-

bre-loja 133 — Tel, 235-7143 — Copa-

cabana.

DR. ABRAM COZER' DR.RUY MARRA DA SILVA

CRO-2238 CRM-5095

Tratamento Dentário sob ANESTESIA CERAL em ÚNICA SESSÃO.

Atendimento dasBàs21 horas, inclusive Sábados e Domingos. HORA MARCADA.

> Av. Copacabana, 895-3 s -tel. 255-0234 e 255-1540 ^

pappiis

General Roca, 858 - D - Tel, 288-3497

V. Pirajá, 444 - L. 123 • Tel. 227-0782

A HE«'LIMPEZA DE PELE

MAOUIILAGE IMPLANTAÇÃO DE CÍLIOS MASSAGENS ELEIRÔNICtô

BANHO DE'ESCüMACÃO REVIIALIZAHTE

DEPIUCÀO PELA CERA OIIENTE E FRIA E.

DEFINITIVA E INDDLOR, PELA

ELETRO COAGULAÇAO

AV- C0PACABANA,583-5 a

TUD0EMJEANS

BUJE JEANS

k Copaca[iana,581 -Suü-Scto Lojas 10 ell

Centro CGmercíal CopacalHna M 255-30B

flOK>6S

PLANTAS OMMLNTAIS-DMCÕES LMDINS

í *% R.FRANCISC0SA,51LaiAS11e12 jfi

t ** Tel. 287-3096 COWCABANA ♦* £

Passport

Especializada em roupas de couro em geral

e para motociclistas

Rua Siqueira Canipos,122-B Copacabana

Matrícula

Grátis

auto escola

R BARATA RIBEIRa418a'103

%Uo TEL.255-4749

m- ~**&SSi*mm*r

Rua Xavier da Silveira. 45 s. 808. 809 Tel250 8M9

«■


Página 14 ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 23

/iGno s," 1 .:;;

rua visconde de pirajá, 580 ss-114

ijiriiiiiiiiiiiiiiiiiiiuiiiiiiiiiiiiiiiniiiiiiiniiiiiiiiiiiiitiiiiiiiiiiiniiiiiiniiiiiuiuiiit

GALERIA BAHIART

(ZITO TAPEÇARIA)

ARTES ANTIGÜIDADES

DECORAÇÕES

MOLDURAS

R. CARLOS G0ES.2J4-IJ/H - IEBL0N • RIO

'fllUUIIIIIIIIIIIIIIIIUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIUIIIIIIIIIIIIIII^

ÜTELIER

AipúM

PAPEI DE

P/IREDE

Papel de Parede Nacional e Importado TODO PA„A DECORAçSES EM UM sà IUSAR

CAMURÇA • CORTIÇA • TECIDOS • FOBBORAMA • LAJOTAS • CANHAMO • LANIFLEX • CORTINAS

PLACAS DE AÇO E COBRE • VULCATEX • PISOS RÚSTICOS • PERSIANAS • BOX • MOVEIS PISCINA

O MESOn PdECO DA PflACA

Rua Francisco Sá, 36 LOJA

(Entre N. S. Copacabana e Raul Pompeia) 247-4444 227-9946

IPANEMA ENTRE O MAR E A LAGOA

^^


ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N"? 23 Página 15

A tecnologia moderna não nasceu do nada.

Também não surgiu, simultaneamente, em todos os

paises. Apareceu primeiro na cultura européia e,

apesar de estar agora disseminada por todo o glo-

bo, suas principais fontes geradoras permanecem no

ocidente.

A origem e a liderança ocidentais da tecnologia,

principal agente poluidor do ambiente, levanta ine-

vitavelmente perguntas desagradáveis sobre a pró-

pria cultura ocidental. A formação religiosa judaico-

cristão não é essencialmente "antinatureza" como ago-

ra ^firmam certas pessoas indignadas. Mas, em con-

traste-com as religiões orienlais, ela separa claramen-

te sua idéia de Deus do conceito de natureza e enca-

ra o homem como tendo uma relação especial com o

Criador e um lugar especial na criação.

A tendência ocidental de encarar a natureza —

de observá-la do "lado de fora" — é sem dúvida res-

ponsável por muitas atitudes arrogantes e insensí-

veis no trato do mundo material. Todavia, não deve

ser esquecido que esta mesma atitude "separatista"

do homem em relação à natureza forma a base do

sempre crescente conhecimento da natureza pelo ho-

mem. Em séculos recentes, o homem ocidental con-

firmou empiricamente sua antiga noção de si mesmo

como único entre as criaturas: nenhuma espécie pos-

sui um vislumbre de sua capacidade de aprender a

respeito da natureza e de sobre ela atuar, para melhor

FABRICAÇÃO PRÓPRIA

Vendas a Crédito

0 Canhão e o

O presidente Co Zaire, Mobutu Sese

Seko surpreende o irundo a ca^a novo

pronunciamento.

Há alg-um tempo os jornais publica,

ram que a República do Zaire, na Áfri-

ca, aboliu as salvas de canhão nas ce-

rimônias cívicas e nas homenagens a

visitantes estrangeiros ilustres. Agora,

em lugar do estrondo das peças de arti-

lharia, é o som do tanta africano que

ecoa pelos ares nas sclenidades oficiais.

Um acontecimento «exótico como esse,

aparentemente com nenhuma importân-

cia, tem um s ! gnificado muito profun-

do: mostra que no continente africano

está ocorrendo uma tomada de cons-

ciência cultural de uma rüdicalidade

que mal chegamos a surpe ; tar. Ao que

tudo indica, a África começa a assumir

sua rlquíEsima herença cultui'al e, ao

mesmo tempo, questiona e recusa al-

guns princípios fundamentais que tém

caracterizado a cultura ocidental.

Nós, ocidentas, normalmente não so-

mos conscientes dos símbolos pelos

quais nossa cultura se expressa e do

significado que eles podem assumir

quando são transfigurados no contexto

de outras culturas. Afinal, o que é um

canhão? E uma arma feita para des-

truir e matar. Entretanto, mais do que

isso, o canhão é um símbolo privilegia-

do da cultura ocidental. Ele representa

todo um saber tecnológico voltado para

satisfazer os desejos e interesses da

mentalidade ocidental antropocêntrica e

etnocêntrica. Sim, porque toda a crise

ecológica que o mundo está vivendo

atualmente é o resultado do sucesso da

tecnologia ocidental em atingir os obje-

tivos implícitos na velha crença judai-

co-cristã, reforçada pelo humanismo

grego, de que o homem é o centro do

universo, o ser mais importante da

criação, separado do ambiente natural

e independente das leis ecológicas que re-

gem todos os seres vivos.

O canhão é um símbolo de toda a

concepção da tecnologia ocidental, vol-

tada para a dominação da natureza,

ou seja, para adaptar o mundo vivo e

não-vivo ao homem, sem levar em con-

ta os direitos, as necessidades e a se-

gurança das demais espécies. Além dis-

so, o canhão é a arma que o Ocidente

utilizou para conquistar, dominar e im-

por seus valores a outros povos, na. cren.

ça de que sua civilização era superior

às demais civilizações da Terra.

TECNOLOGIA MODERNA

ou pior. Certamente, não foi por acaso que quatro

séculos de ciência são atribuíveis quase exclusiva-

mente à cultura ocidental. Ampliando o modelo de

religião e de filosofia ocidentais que estabeleceu nítida

separação das idéias de Deus, homem e natureza, o

método científico começou por considerar isolada-

mente os diversos aspectos da natureza para fins de

estudo. Este método, bastante eficaz na descoberta

das verdades indiscutíveis, tende porém a ignorar tu-

do que fica fora de seu campo de atenção, justamente

devido ao seu forte enfoque.

A ciência, que apenas procura saber, não pode

ser culpada de agressão direta ao meio-ambiente.

Mas a tecnologia, voltada para ação, alimenta-se vo-

razmente das descobertas da ciência. Embora sejam

de categorias diversas, a tecnologia é também alta-

mente especializada e dirigida a objetivos estreita-

mente definidos. Na medida em que sua força cres-

ce, ou seus efeitos secundários", isto é, as conse-

qüências externas ao seu campo de ação,propagam-

se com sérios danos so meio-ambiente — entre ou-

tras vítimas involuntárias.

O homem ocidental estabeleceu também o princí-

pio de separação ou diferenciação em áreas da vida,

tais como psicologia e política, aparentemente afas-

tadas da ciência e da tecnologia. Essa tendência

contribuiu igualmente para nossos males ambientais.

A massa humana não diferenciada, digamos do

Armários embutidos Estantes Bi camas

Camas com gavetões. Estofados finos

e aquele móvel que você nâo encontra

pronto em lugar nenhum»

Até há algum temp:> atrás a maior

parte dos ocidentais cultos ainda alimen-

tava esta crença. Os sucessos da ciên-

cia e da tecnologia, essim como o as-

pecto sobrenatural do cristianismo, eram

provas incontestáveis da nessa super.o-

dade. Hoje em dia está claro que não foi

por falta de conhecimento qve as gran-

des civilizações do Extremo-Oriente e

1 utras partes do mundo deixaram de

desenvolver uma tecnologia nos moldes

ccidentais. Afinal, os chineses conhe-

ciam a pólvora, a bússola, a imprensa

e cutros inventos muito antes do Oci-

dente. A Ãsia não desenvolveu uma tec-

nologia e um estilo de vida agressivo em

relação à Natureza porque tinha uma

ctica mais ampla e mais evoluída que a

nossa, uma ótica ecológica que não co-

loca apenas o homem como o único ser

digno de respeito, mas inclui todos os

seres vivos. O mesmo pode ser dito em

lelação às culturas ditas primitivas da

América e da África.

Talvez o aspecto mais marcante da

civilização ocidental é que ela não re-

conhece que todas as espécies vivas têm

direitos iguais e inalienáveis à vida. E!

uma descoberta recente da ecologia o

fato de que a vida na Terra é mantida

psr todo o conjunto dos seres vivos, que

a diversidade biológica é um dos fa-

tores fundamentais para o equilíbrio

ecológico. Mas graças a essa ignorân-

cia fundamental, as nações desenvolvi-

das, que representam a concepção an-

trrpocêntrica levada às últimas conse-

qüências, como a poluição, o desperdí-

cio de energia e matérias-primas e a

ocupação dos espaços destinados às ou-

tras formas de vida, estão destruindo o

sistema de suporte de vida no planeta,

o resultado de bilhões de anos de evo-

lução orgânica, em busca de objetivos

imediatos e mesquinhos da sociedade

de consumo.

O canhão simbolizou tudo isso, toda

a postura ocidental diante do universo,

toda a sua conduta histórica: o alheia-

mento da Natureza, a violência e a mor-

te. E bastante revelador o fato das so-

ciedades ocidentais terem instituído o

costume de comemorar com o som mor-

tífero dos canhões e tudo o que isso sig-

nifica, o regozijo das suas datas mais

festivas e solenes.

Em contraposição, o que significa o

tanta para um africano? O tanta é um

meio de comunicação dos homens entre

MAX WAYS Tradução de ROBERTO TAMARA

Itlttam

laurmann Decoraçõu

RUA DO RIACHUELO. 44- A

3 pavimenteis com fábrica e exposição

mjstmâmmdm

si e dos homens com seus deuses tri-

bais. Seu som evoca a natureza luxu-

riante da África: o ritmo da melodia

dos pássaros dentro da mata, o ca-

minhar dos elefantes, o vôo das

aves selvagens, o salto do antílope,

a dança, a alegria, o amor à vida, a In-

tegração e a harmonia do mundo hu-

mano com o meio natural. Os ritmos im-

previsíveis e quentes que um tocador de

tambor africano tira do seu instrumen-

to e do passado sem tempo de sua ra-

ça, trazem de volta toda a velha sabe.

doria que por milênios e milênios mos-

trou e assegurou a inúmeras gerações

de africanos meios reais e seguros de

realizar os mais elevados ideais de cul-

tura e humanidade.

O toque do tanta do Zaire quer dizer

que a África está viva, livre e disposta

a mostrar ao mundo que possui outra

forma, talvez mais apta do que o mode-

Io ocidental, de fazer com que os ho-

mens e os demais seres vivos,, vivam

e tenham o máximo de realizações e fe-

licidade nesta curta passagem pela Ter-

ra. O tanta africano afirma também,

em alto e bom som, vindo do fundo do

coração da velha África, que os fins

últimos da vida humana, parte inte-

grante da Natureza, são inseparáveis

dos fins últimos de toda a vida, em toda

a sua variedade e multiplicidade de

seres, que o homem e a Natureza for-

mam uma unidade indissolúvel. E que

toda a vez que o homem volta-se contra

a Natureza querendo dominá-la, está

voltando-se contra si mesmo.

A África atingiu o momento de ma-

turidade para escolher seus próprios

caminhos e reassumir os valores de sua

cultura milenar. Por isso o Zaire co-

locou-se o problema da opção entre os

valores da civilização ocidental — que

escolheu uma forma de vida insusten-

tável e um relacionametno com a Na-

tureza inviável a médio e longo prazo

■— e os valores da velha cultura africa-

na que, pelo espaço de milhares de

anos, provou ser capaz de proporcionar

felicidade aos homens e uma convivên-

cia harmoniosa, sustentável indefinida-

mente, com o meio natural do qual o

homem depende para sobreviver.

Por isso o Zaire colocou-se o proble-

ma de optar entre o canhão e o tanta.

Existe um abismo imenso entre esses

dois símbolos culturais;' entre o troar

impessoal, carregado de violência e des-

antigo Egito, foi substituída por homens modernos

que se consideram —e de fato o são — individuali-

zados. A velho tendência ao Individualismo de ori-

gem grega e judaico-cristã acelerou-se nos séculos

modernos. Um de seus aspectos, a democracia, é

baseada na suposição de que as diversas necessida-

des, habilidades, interesses e opiniões dos indivíduos

não devem ser ignorados ou rudemente manipulados

pela cúpula, mas precisam ser de algum modo coor-

denados a partir da base. O último processo é bem

mais difícil, especialmente quando aplicado a pro-

blemas tão amplos como o de proteger o ambiente

físico do mau uso humano.

A sociedade faraônica empregou a sua mais po-

derosa tecnologia, a irrigação, sob a premissa de que

todos participavam do desejo comum de comer. O

conhecimento adquirido para operar o sistema foi re-

servado a um grupo sacerdptal de .intelectuais e o

direito de decisão concentrado na vontade do Fa-

raó. Com sua tecnologia centralizada, com poucos

conflitos ou complicações resultantes da diversidade

de habilidades, interesses .direitos e poder na co-

munidade, a sociedade faraônica pôde manter du-

rante séculos uma relação harmônica e estável com a

natureza e pôde também alcançar coerência funcio-

nal e de estilo dentro do seu ambiente artificial —

tal como era...

CELSO AQUINO MARQUES

truição, e os ritmos cheios de vida que

saem das mãos do tamboeiro em êxta-

se. De um lado está a destruição da Na-

tureza, a ideologia de crescimento per-

manente, do «progresso», do desperdí-

cio, desequilíbrio e entropia, da morte;

do outro lado está a Natureza, a Felici-

dade Nacional Bruta, o equilíbrio, a eco-

nomia ecológica que capitaliza economi-

camente sem descapitalizar ecologica-

mente, a vida. O Zaire escolheu o ten-

ta, a vida, a única opção que faz sen-

tido, uma opção que a maior parte das

nações «subdesenvolvidas», ainda não

teve a coragem de fazer.

Por tudo isso o discurso do preslden.

te Mobutu Sese Seko, que tanto impac-

to tem provocado entre os conservacio-

nistas e ecólogos do mundo inteiro, é

um dos principais pronunciamentos po-

líticos de nossa época: esse documento

mostra porque o Zaire optou pelo tanta.

dl ©GGhíaíí

a ciência esata na

9

moda eselustaa

Óculos com estrita execução das receitas mMicas

Visc.Pira]a,330 Cidade de Ipanema LojalM

tBÍ.287-8677

«

RIO-COR

noite e dia

Cardiologia - Pronto SocorrO'

"CHECK-UP"

tel- 227-0020

Equipes especializadas e o mais

moderno equipamento

Eletrocardiograma — Raios X

Laboratório CTI

Ginecoronáriografia-Cirurgia Cardíaca

Resp. DR, MÁRIO ANACHE

(CRM 5278)

DR, RAIMUNDO DIAS

CARNEIRO ( CRM (4585)

R. FARME DE AMOEDO, 86


A

'O subdesenvolvimento tem as suas vantagens.

Podemos nos alegrar em especial por não termos co-

metido alguns jsrros que as nações "desenvolvidas"

amargamente deploram.

Não temos- complexo de inferioridade por não

podermos mostrar aos nossos visitantes catedrais e

outros altos monumentos arquitetônicos.

Porque a herança que nos legaram os nossos an-

tepassados é a beleza natural do nosso País. São os

nossos rios caudalosos e cursos d^gua, nossas flo-

restas, nossas montanhas, nossos animais, nossos la-

gos, nossos vulcões, e nossas planicies. Numa pala-

vra: A Natureza é a parte iniegrante, inseparável e real,

do nosso ser peculiar.

Por isso recusamo-nos a seguir cegamente o ca-

minho dos países "desenvolvidos" que querem a pro-

dução a qualquer preço. A produção bruta, com fre-

qüência, realmente embrutece, no sentido espiritual.

Acreditamos consistir a nossa tarefa principal

em dirigir as 21,1/2 milhões de cidadãs e cidadãos

do Zaire de modo que vivam em paz e felizes.

Não cremos que a paz e a felicidade dependam

do número de carros na garagem, das antenas de te-

févisão no telhado ou do volume de barulho nos ou-

vidos, que os técnicos argutos denominam de "ainda

suportável".

Quem não conhece a sabedoria do velho lavrador

çm sua aldeia, que cresceu e trabalha na quietude da

Natureza? É quanto sofrimento humano vemos, pro-

vocado pela irritabilidade e agressividade nos países

intensamente industrializados; elas impregnam a al-

ma e o corpo do indivíduo.

Nós, cidadãos do Zaire lemos horrorizados que

numa cidade como New York o habitante com 25

anos de idade começa a ficar meio surdo. A um la-

vrador acontece isso só lá pelos setente, portanto no

período de vida em que a paulatina diminuição do

barulho no mundo exterior torna possível a concentra-

ção interior — um ensinamento que ao mesmo tempo

prepara o último período da existência terrena.

Que adianta possuir inúmeras fábricas, se as suas

chaminés dia e noite despejam em cima de nós as

suas substâncias tóxicas e embora ricos, andaríamos

com uma máscara contra gases no nariz e acabaría-

mos esmagados pelo fardo da nossa própria riqueza.

Jade Jóias

Jóias, souvenirs e presentes.

Modelos exclusivos.

Jewels and souvenirt

Exclusives Models

THE JEWELS 1 DREAMLAND

RXWKR DA SILVEIRM5 SALA 807

1*1235-0677 COPACABANA

* CULTURAL ^

E A NOSSA CULTURA

Não desejamos possuir nenhuma dessas indús-

trias deletérias que com seus detritos matam os pei-

xes dos nossos rios e privam o homem da alegria de

pescar ou mesmo do simples prazer de beber a água

potávej.

Muito bem conhecemos o contra-argumento de

que onde grassa a poluição cresce também a indús-

tria de combate à poluição — como flores num mon-

te de estéreo. Mas já que o veneno exige o contra-

veneno, não compreendemos nós, os cidadãos de

Zaire, que prazer pode proporcionar o fomento da

poluição só para depois fabricar os antídotos.

Porque não devemos preferir a priori os benefícios

da vida natural? — quando ficamos sabendo que os

pensadores das próprias sociedades industriais pre-

tendem abandonar a ambição pelo produto social

bruto, máximo possível — em favor do verdadeiro

bem-estar nacional.

Portanto, dificilmente causaremos aos Senhores

surpresa, ao incrementarmos nossos esforços no sen-

tido de tornar o Zaire — nosso formoso país, um pa-

raíso da Natureza.

Não vamos matar crocodilos para fabricar luvas,

sem promover previamente estudos de comportamen-

to na biologia desses répteis, notadamente no caso

de começarem a se tornar raros. Tampouco permiti-

remos a um turista visitar sem guia os nossos parques

nacionais e desviar seu automóvel das estradas de

rodagem. Pois queremos que haja no Zaire um re-

fúgio onde os homens possam encontrar a Natureza

intacta ainda quando os cientistas tiverem transfor-

mado o mundo dos organismos naturais num produto

técnico artificial! Nós protegemos as nossas águas e

em particular o rio Zaire, porque nem uma posterior

despoluição de um rio completamente poluído lhe res-

iítuiria a sua pureza e virgindade originais.

Quando nós próprios assim nos comportamos,

exigimos que todo mundo aja da mesma forma, por-

que alguns danos são transferíveis. Hoje em dia não

basta mais varrer na frente da própria porta para se

estar seguro contra a imundície. Pois quando as fir-

mas erigem em determinados iugares chaminés altís-

simas, contando com as condições de ventos para

espalhar os gases venenosos, na realidade empurram

a sua imundície para o lado dos vizinhos.

Elegância, Qualidade e Exclusividade

;-você sd encontra em

íV\ Av.Copacabana,664-Loja22

tVA Galeria Menescal-Tei.235-5725

CALÇAS E TERNOS SOB MEDIDA

ALFAIATE,

Av. Copacabana, 420 S/L 210 - Tel-235 0675

.-.4:

f

Hobiito Sese Seko

PRESIDENTE DA REPÚBLICA DO ZAIRE

As precipitações das bombas atômicas que ex-

plodem na atmosfera, não se distribuem no sentido

vertical. E tem que ser contaminada por elas a pobre

gente que nada tem a ver com o assunto?

Em tudo aquilo pensamos, ao pregarmos sobre a

genuinidade africana — a Natureza pura do Zaire.

Realço aí a nossa genuinidade africana. No en-

tanto, quero deixar ciaro que temos de aceitar o con-

ceito de "desenvolvimento", mas fiitrando-o segundo

nesso próprio modo de pensar e os nossos próprios

conceites de valores.

Pois os países jovens com demasiada freqüên-

cia manifestam a tendência de imitar servilmente os

l-aíses capitalistas ou socialistas, ou então viver se^

fiundo os dogmas ideológicos.

Nós — cidadãos do Zaire reservamo-nos o direü-

to de escolher no meio de todas essas possibilidades

o caminho que nos parece o mais sensato, mas com

a condição de o submeter aos nossos próprios va-

lores culturais.

Neste sentido vamos prosseguir e por sinai por

tanto tempo até que nos seja provado — com cer-

teza — não terem enveredado por um caminho er-

rado esses dois grandes sistemas, os quais alegam

poder regular a existência toda.

Por isso temos que criar nós próprios o nosso

modelo de sociedade que corresponda somente a

nossas aspirações.

Está claro, que também nós procuramos o cres-

cimento econômico. Mas sabemos também realizá-lo

da maneira humana e adaptá-lo a nosso modo de

pensar. Queremos dotá-lo de uma sensibilidade pe-

la Natureza, sem que o progresso econômico, mais

cedo, ou mais tarde, acarrete a decadência do homem.

Aqueles que se encontram na fase de industria-

lização estão correndo, constantemente, o perigo de

empobrecerem e de se desnortearem em vários ru-

mos. Talvez amanhã a riqueza de um povo seja me-

dida pelo seu empenho a favor da conservação da

Natureza, do seu ambiente natural, Numa palavra: pela

capacidade de conseguir conservar a sua própria alma.

TRADUÇÃO DE ROBERTO TAMARA

1^ ^©©lyiE ^ ^©©lül 1

B SHAMPOC) DE MEL VOGUE

i A Beleza e a Precisão dos RíVOS de Md

■BI H AIRSPR/S^ VOGUE TAMANHO ClãANTE

Pronta Entrega - Pedidos peto TeL252-5966

1 Rua Santa mzia, 797 Rio lei. 252-5966

IPANEMA-B6 R.Visconde de Pirajá

255 R. Gal Venancio Flores - LEBLON

More magazines by this user
Similar magazines