Visão Judaica

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Visão Judaica

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editorial

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

A falta que fará o Consulado de Israel

Publicação mensal independente da

EMPRESA JORNALÍSTICA VISÃO

JUDAICA LTDA.

Redação, Administração e Publicidade

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Fone/fax: 55 41 3018-8018

Diretora de Operações

e Marketing

SHEILLA FIGLARZ

Diretor de Redação

SZYJA B. LORBER

Diretora Comercial

HANA KLEINER

Criação e Diagramação

SONIA OLESKOVICZ

Colaboram nesta edição:

Adelaide Sprenger, Antonio Carlos

Coelho, Aristide Brodeschi, Daniela

Kresch, Dalton Catunda Rocha, Edda

Bergmann, Eugen Wilfried Sprenger,

Henrique Kuchnir (Neno), Jane

Bichimacher de Glasman, Kalman

Packouz, Marcos Wasserman, Rav

Berg, Sérgio Feldman, Shmuel Lemle,

Teja Fiedler e Yossi Groisseoign.

Os artigos assinados não representam

necessariamente a opinião do jornal

anunciado encerramento das atividades do

Consulado Geral de Israel em São Paulo,

por determinação do Ministério das Relações

Exteriores israelense, em função de

rigorosos cortes nas despesas governamentais

está causando uma movimentação sem

igual nas lideranças das entidades judaicas brasileiras,

na tentativa de obter a reversão da medida.

Mas preocupa sobremaneira aos judeus de

São Paulo e também os do resto do País a idéia

de ter que conviver sem a presença da representação

diplomática israelense, que os fortalece em

espírito e em corpo no sentimento de amor pela

terra de seus antepassados.

É certo que as dificuldades econômicas advindas

da Intifada nos dois últimos anos comprimiram

as finanças israelenses. E em conseqüência

dos bárbaros e covardes atentados perpetrados por

assassinos tresloucados o turismo reduziu sensivelmente

a entrada de divisas em Israel. Além disso,

o boicote comercial e institucional europeu,

comandado principalmente a partir da Bélgica, resultou

num quadro recessivo da economia de Israel.

Mas se nesse aspecto o panorama atual não

é promissor, a moral dos israelenses está firme e

inquebrantável. E não é o Road Map, que ainda

Nossa capa

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Acendimento

das velas de shabat

em Curitiba

constitui uma séria dúvida ao sonho de paz. É

pela própria natureza da alma do sabra, que mesmo

nos momentos mais difíceis não se deixa abater.

É típico do israelense não esmorecer nunca.

Mas voltemos ao Consulado. Ele tem um papel

preponderante na defesa de Israel, justamente

agora que recrudescem o anti-semitismo

e o anti-sionismo, no Brasil e no mundo. E o faz

isso de uma maneira muito mais direta e precisa

do que qualquer instituição judaica ou judeu

brasileiro, por melhor experiência ou conhecimento

que possuam. Querem um exemplo simples

disso? Recentemente a Veja On-line, que

edita um noticiário eletrônico para milhões de

leitores em todo o Brasil, veiculou material completamente

distorcido sobre Israel e seu primeiro-ministro

Ariel Sharon.

A reação não se fez esperar e veio fulminante

e enérgica, exatamente como deve ser nesses casos.

E a resposta partiu do cônsul de Israel, em

São Paulo, Medad Medina, que escreveu, entre

outras coisas o seguinte: “Causa-me estranheza

um veículo de comunicação de tanta repercussão

no Brasil, como Veja On-line, ter publicado informações

falsas do perfil do primeiro-ministro de

Israel Ariel Sharon” (...) “Sobre os lamentáveis

A capa reproduz o quadro cujo título é “Preparação

para Bar-Mitzvá”, pintado com a técnica

Crayon Conté sobre papel bege, e dimensões

32,5 x 46,5 cm, criação de Aristide Brodeschi

e que pertence a coleção particular da família

Sauerman, Antuérpia - Bélgica.

Aristide Brodeschi nasceu em Bucareste,

Romênia. É Arquiteto e Artista Plástico e vive

em Curitiba desde 1978. Já desenvolveu trabalhos

em várias técnicas, dentre elas pintura, gravura e tapeçaria. Recebeu

premiações por seus trabalhos no Brasil e nos EUA. Suas obras estão espalhadas

por vários países e tem no judaísmo, uma de suas principais fontes de inspiração.

É colaborador das capas do jornal Visão Judaica.

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julho e agosto

DATA HORA

18/7 17h25

25/7 17h28

1º/8 17h32

8/8 17h35

15/8 17h38

22/8 17h41

17 de julho

• Jejum de 17 de Tamuz

26 de julho

• Shabat Mevarechim - Chazak

30 de julho

• Rosh Chodesh (início do mês)

2 de agosto

• Shabat Chazon

6 de agosto

• Véspera de Tishá Be Av

7 de agosto

• Jejum de Tishá Be Av

9 de agosto

• Shabat Nachamu

Datas importantes

acontecimentos nos campos de refugiados Sabra

e Chatila, não houve nenhuma chacina por parte

do exército israelense. Confundir seus soldados

com os membros da Falange libanesa é outra distorção.

O Exército de Defesa de Israel não estava

ciente de que iria acontecer e foram os membros

da Falange os invasores dos campos”.

Sim, o Consulado fará muita falta. É ele quem

divulga e promove a cultura, as artes plásticas,

os espetáculos de música e dança, de teatro e de

cinema de Israel entre os brasileiros. É ele quem

patrocina e assiste a vinda de intelectuais israelenses,

como o historiador Ely Ben Gal, que proferiu

conferências em importantes universidades

brasileiras ajudando a mudar a opinião de professores

e estudantes acerca de Israel. E é o Consulado

que além dos serviços diplomáticos que

presta aos cidadãos israelenses no Brasil e aos

brasileiros que viajam a Israel, constitui parte

fundamental no intercâmbio tecnológico e científico

entre instituições dos dois países. É o consulado

que promove e estimula as missões oficiais

ou privadas que resultam na expansão do

comércio bilateral entre Israel e o Brasil. Do fundo

do coração, esperamos, sinceramente, que o nosso

consulado não seja fechado.

Falecimentos

A Redação

Faleceu no dia 4/7

a querida Fany

Grimberg

Schweidson. Deixa

saudades a muitas

gerações que

conviveram com ela

na Escola, no CIP e

na B’nai B’rith. À

família desejamos

nossos

sentimentos.

Dia 7/7 faleceu

Chaim Ejszis.

Deixou a

comunidade mais

triste, pois com sua

simpatia

contagiante

personificava a

figura do judeu

típico da velha

Europa. Nossos

sentimentos

também para sua

família.


grande dúvida de alguns

amigos meus é se a modernização

do Judaísmo

não levará ao seu desaparecimento.

Acreditam

que para conservá-lo, não

podemos alterá-lo e nem aceitar influências

do meio em que vivemos. O

que seria correto?

O judaísmo sobreviveu por dois

milênios de Diáspora e supõe-se que

exista há três ou quatro mil anos. Alguns

apologistas afirmariam que se

trata de uma capacidade judaica inata;

até mesmo, de uma predestinação

divina que gerou esta superioridade.

Pessoalmente, não creio e nunca acreditei

em superioridade de nenhum

tipo. O último que pregou tais diferenças

entre os seres humanos matou

seis milhões e meio de judeus e muitos

milhões de não judeus, a maioria

vítimas inocentes de um ideal de superioridade.

Acredito, sim, que há inúmeras

razões relativas e nenhuma resposta

absoluta a essa questão. Entre

as diversas razões e opiniões válidas,

gostaria de expor aquela que considero

a mais importante: a capacidade de

se transformar e evoluir nas suas formas,

sem alterar o seu conteúdo global

e nem a sua essência, que seria uma

parte fundamental desse enigma da sobrevivência

do Judaísmo. Em todos os

períodos da História, os judeus foram

defrontados com adversários de todos

os tipos. Alguns violentos

como Haman, Amalek e

Hitler; outros que seduziram

os judeus com os

valores de outras culturas.

É o caso do helenismo,

uma cultura de inegável

valor e de profundos

e avançados saberes.

A tradição judaica

tenta às vezes resumir o

encontro das duas culturas

(judaica e helenista),

na luta dos macabeus,

celebrada na festa de Chanuká, como

sendo a resistência e a vitória do Judaísmo

sobre o Helenismo. Isso é impreciso.

Os macabeus venceram de

maneira parcial e lenta os reis seleucidas

da Síria, helenizados e que tentavam

impor a sua cultura aos seus

súditos judeus. Os reis macabeus (ou

hashmoneus) vencem e expulsam os

seleucidas, mas em poucas décadas

seguem influenciados pela cultura

contra a qual lutaram. Um contato

tenso e repleto de contratempos, mas

que ao final resultou enriquecedor

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

Intolerância X evolução

Sérgio Feldman *

Baal Shem Tov

para as duas culturas.

O melhor exemplo é o que ocorreu

com os judeus de Alexandria. Os conflitos

entre judeus e egípcios helenizados

foram constantes. Houve até

choques armados e mortes. Em outro

ângulo da questão tivemos Fílon de

Alexandria, filósofo e exegeta judeu.

Conhecia profundamente a Torá e fez

uma tentativa de conciliar as idéias

metafísicas de Platão com a Torá e os

Profetas. Inúmeros sábios judeus e cristãos

farão o mesmo, a partir de Fílon,

no final do Mundo Antigo e por toda a

Idade Média. Haveria lógica e fundamentos

filosóficos na Lei divina?

Essa capacidade de síntese dialética

entre duas tendências opostas,

não foi feita com facilidade. Ocorreram

choques e dificuldades. A intolerância

e a tentativa de destruir o

Judaísmo não provinha só de inimigos

externos: os nossos radicais e

intolerantes exerciam uma força centrífuga

que objetivava que o judaísmo

não sofresse influências do mundo

externo. È irônico a gente ver algumas

pessoas que se declaram judias,

nos dias de hoje, argumentando

sobre a imutabilidade e defendendo

um monolitismo arcaico e retrógado

que é um antijudaísmo.

O radicalismo e a intolerância nunca

nos ajudou e nem fez evoluir. Geralmente

foi prejudicial. O caminho do

diálogo com o mundo não judaico,

através de sínteses que não jogassem

os valores básicos e a essência

judaica, foi o segredo

vital da sobrevivência

judaica.

Um exemplo inicial:

a revolta contra Roma

em 66-70 d.e.C. os romanos

estavam em vias

de destruir Jerusalém e

são auxiliados pelas lutas

fraticidas entre zelotes,

pacifistas, sicários e

outros dissidentes. O já

superado, mas sempre

utilizado Dubnow diz deste episódio:

“em vez de se aliarem todos esses

partidos em uma luta contra o inimigo

comum, travaram um combate violento

entre si mesmos...” (Dubnow

Historia Judaica, 1948, p. 232).

O segundo exemplo, encontrei em

1985 durante as celebrações do Ano

Internacional da Unesco. O tema foi

Maimônides, célebre rabino, médico e

filósofo. Um gênio da humanidade e

um judeu militante e respeitado até

hoje. Duas orações do Sidur (livro de

orações) têm sua autoria. O seu saber

era enciclopédico: Talmud, Medicina,

Astrologia e muito mais. Escreveu “Responsas”

(correspondência rabínica)

para inúmeras comunidades judaicas.

Muitos de seus contemporâneos consideravam-no

um herético. Por que? Por

ter feito uma síntese harmoniosa entre

o Judaísmo e a Filosofia

grega (mundo externo!).

Ele seguia a senda de

grandes rabinos como Saadia

Gaon e Fílon. O pior

sobreveio alguns anos após

sua morte, quando estalou

uma violenta crise no sul

da França em virtude da

propagação das idéias de

Maimônides e outros sábios

judeus que eram considerados

“livres pensadores”.

Numa absurda “caça às bruxas”

alguns rabinos tradicionalistas liderados

pelo rabino Salomão de Montpellier,

denunciaram os livros de

Maimônides aos frades dominicanos,

responsáveis pela Inquisição que na

época perseguia os hereges albigenses,

no sul da França. Como a Inquisição

não cuidava de judeus, mas sim

de hereges, os opositores de Maimônides

disseram que ele era um herético

judeu muito perigoso. Afirmaram

que se os dominicanos exterminavam

os hereges cristãos, deveriam exterminar

“também aos nossos, queimando-lhes

os livros daninhos” (Dubnow

Historia Judaica, 1948, p. 347). Com

o apoio de tão renomados rabinos,

houve busca, coleta e queima publica

do “Guia dos Perplexos” e do “Livro

da Ciência” em Montpellier em

1232 e mais tarde em Paris. Uma horrenda

aliança entre rabinos e inquisidores

contra as obras do genial Maimônides.

Tudo em nome da intolerância

e da crença que há apenas uma

única verdade: nada mais anti-judaico.

Na analise do autor Hans Borger,

essa queima de livros foi inspiradora

de outra: “Não tardou e, em 1242, já

não era mais Maimônides, mas o próprio

Talmud que era condenado à morte”

(Borger, Uma história do povo

judeu, 1999, p. 400). Sob a ridícula

acusação de blasfêmias contra Cristo,

o Talmud foi julgado e condenado:

grandes fogueiras foram ateadas

em pilhas de livros. Um “remake” será

feito de maneira tão trágica por Hitler.

O modelo e a inspiração foi a

intolerância anti Maimônides.

O terceiro e último caso é a intolerância

dos grandes sábios judeus

com o rabi Israel ben Eliezer, mais

conhecido como Baal Shem Tov, o

Maimônides

fundador do Chassidismo. Um grande

e inspirado rabino, repleto de uma

sensibilidade ímpar e da compreensão

das necessidades de seus irmãos

judeus da Polônia, realizando uma sutil

transformação da vida judaica. O

que eu chamaria de maneira simplista:

uma “popularização e

participação popular” dos

judeus empobrecidos na

cultura e na religião. A

miséria que grassava nas

aldeias judaicas após os

massacres dos cossacos

ocorridos na metade do

séc. XVII (c.1648/1650)

deixara uma amarga herança:

um vazio cultural

com altos índices de analfabetismo

e ignorância.

As massas miseráveis da Europa Oriental

não podiam mais estudar o dia

todos as Escrituras e os comentários

talmúdicos e rabínicos. Baal Shem Tov

propôs uma alternativa real a isto:

os líderes chassídicos, denominados

tsadikim intermediavam entre seus seguidores

e todo este saber, tratando

de fazê-lo acessível às massas empobrecidas

e ignorantes. A música e a

dança ajudavam o fiel na tentativa

de aproximação a D-us; a alegria era

indispensável; as parábolas chassídicas

passavam de maneira simples, os

valores e o saber judaico. Os rabinos

eruditos liderados pelo Gaon de Vilna

ficaram indignados: era uma vulgarização

do Judaísmo, uma heresia,

uma absurda simplificação da cultura

e da religião. Os chassidim foram

perseguidos e anatemizados.

Hoje o que vemos? Muitos defendem

visões monolíticas de uma verdade

única para o Judaísmo e para alguém

ser judeu. Negam posturas mais

modernas para entender e praticar o

Judaísmo. Optam por excluir a mulher

de participação igualitária nos serviços

religiosos; por manter relativa rigidez

de tradições negando a modernidade;

por tentar manter uma espécie

de gueto cultural e isolando o

Judaísmo do mundo. A sobrevivência

do Judaísmo não

se deve à rigidez e ao fa-

natismo, mas sim a capacidade

de seguir

com seus valores e

com sua essência,

mas sabendo modificar

sua forma, adequando-se

às novas

realidades: como Fílon,

Maimônides e Baal Shem

Tov. O debate está aberto.

* Sérgio Feldman é

professor adjunto de

História Antiga do

Curso de História da

Universidade Tuiuti do

Paraná e doutorando

em História

pela UFPR.

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VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

Alunos de escola municipal

aprendem a comer melhor

Pais e alunos de Santa Felicidade envolvidos no trabalho

sobre importância da alimentação e qualidade de vida

As férias de julho não são apenas tempo de brincadeiras

e diversão, mas também o período em que

os pais devem ficar atentos à alimentação correta

das crianças. O alerta foi feito no início deste mês

por alunos da Escola Municipal Santo Inácio, em

Santa Felicidade, durante exposição dos trabalhos

realizados no semestre. O tema foi qualidade de vida,

que teve como foco a alimentação e o caminho para

uma vida saudável.

Pais, professores e alunos participaram de peças

teatrais e apresentações de música e dança. O objetivo,

segundo a pedagoga da escola, Luci Francisca da

Silva, foi conscientizar as famílias sobre a importância

da continuidade do trabalho iniciado na escola.

“As famílias mudam de rotina durante as férias, e a

falta da disciplina escolar e o excesso de brincadeiras

acabam fazendo com que as crianças consumam mais

doces, salgadinhos ou lanches pouco nutritivos. Tentamos

fazer com que pais e filhos aprendessem a montar

cardápios saborosos, mas saudáveis”, disse Luci.

O trabalho envolveu todas as disciplinas. Em sala

de aula, as crianças conheceram formas de aproveitar

corretamente os alimentos. As folhas de beterraba,

por exemplo, serviram como ingrediente de uma omelete.

Depois de discutir a questão em sala, cada aluno

preparou a receita em casa para servir a família.

O prato virou o tema de pesquisa. Com a ajuda

dos computadores do Digitando o Futuro, os resultados

foram transformados em gráficos. “Das 78 pessoas

entrevistadas, 59 aprovaram a nossa receita e

apenas 19 não gostaram do sabor da folha da beterraba”,

disse o aluno Julio Staak, de 10 anos.

Cada professor trabalhou o tema relacionando-o

com a com a sua disciplina. Nas aulas de educação

artística, os alunos fizeram a leitura de obras e imagens

que retratam a alimentação, mostrando aos

alunos como a arte se apropriou do tema e inspirou

artistas consagrados como Van Gogh, Rembrandt e

Paul Klee. Nas aulas de educação física, atividades

corporais e jogos atuaram como apoio na conscientização

da importância do alimento no desenvolvimento

do corpo. Os alunos também assistiram filmes,

desenvolveram coreografias de dança, produziram

textos e gráficos.

“O trabalho realizado pela escola é fundamental

para prevenir e controlar a obesidade infantil, um

problema que está crescendo em todo o mundo. O

período escolar é o momento da formação dos hábitos

da criança”, disse a nutricionista da Secretaria

Municipal da Educação (SME), Sirlei Valaski. Segundo

ela, a família e a escola são prioridade no combate

à obesidade através de atenção à dieta alimentar

equilibrada, incentivo à atividade física diária e

cuidados gerais com a saúde.

A SME está planejando novo curso de alimentação

e nutrição para os professores da rede. Há dois

anos, representantes das escolas municipais participaram

de 20 horas de capacitação que possibilitou

aos professores, o desenvolvimento de ações

relacionadas ao tema.

Transporte coletivo

Pessoas com mais de 65 anos devem

renovar cartão até o fim deste mês

Quase 45 mil idosos

usuários da Rede Integrada

de Transporte (RIT) estão

embarcando nos ônibus com

o cartão-transporte vencido.

A Urbs, empresa que gerencia

a RIT, lembra que as pessoas

com 65 anos ou mais

que tenham feito o seu cartão

entre março e julho do

Idosos devem renovar o cartão

nas Ruas da Cidadania

ano passado devem renovar o documento até o fim deste mês.

Com o cartão-transporte os idosos de Curitiba embarcam nos

ônibus pela porta da frente como todos os passageiros.

“Cerca de 18 mil idosos já renovaram o cartão. É importante

que todos que fizeram o documento há um ano procurem

as Ruas da Cidadania para atualizar os dados”, disse Edson

Berleze, da Urbs. É necessário apenas levar o cartão e o

documento de identidade. Quem trocou de endereço deve

informar a mudança.

A renovação pode ser feita nas Ruas da Cidadania da Matriz,

Boa Vista, Carmo, Pinheirinho e Fazendinha, das 8h30

às 17h. Berleze informou que não é necessário chegar cedo

porque o atendimento é rápido e tranqüilo. O recadastramento

pode ser feito perto de casa e não é preciso ir ao

centro para isso.

Os dados dos usuários do cartão transporte com direito a

gratuidade devem ser confirmados anualmente. A revalidação

é necessária para que o benefício seja garantido exclusivamente

aos que têm direito a ele. Em Curitiba, 98.250 idosos

usam o cartão.

A partir de agosto, quem não tiver recadastrado verá no

validador do ônibus, no momento do embarque, uma mensagem

com o prazo para a renovação e poderá até perder o

direito à gratuidade se o cadastro não for renovado.

Cesar Brustolin/SMCS


VISÃOpanorâmica

Indenizações

• Yossi Groisseoign •

Sobreviventes do Holocausto da

Segunda Guerra Mundial, em 31 países,

receberão US$ 15 milhões em

ajuda, neste ano, de seguradoras alemãs.

Serão dez pagamentos anuais.

dinheiro deverá ser usado para pagar

atendimento médico domiciliar

e outros serviços para os sobreviventes

do Holocausto. Do total distribuído

neste ano, US$ 6 milhões irão

para Israel e US$ 2,4 milhões para

os Estados Unidos.

Ela não foi ao paraíso

A Autoridade Palestina divulgou

que evitou um ataque suicida. No relatório

dizem que uma moça de 18

anos de idade deixou um bilhete de

despedida para sua família dizendo

estar a caminho um ataque suicida

contra israelenses. A família chamou

a polícia palestina que iniciou uma

caçada de várias horas até encontrála

no posto de fronteira de Karni e

prender a moça com o cinturão de explosivos

dela. Pouco depois, a agência

Reuters divulgou uma nota onde

a polícia palestina soltou a coitadinha

que não conseguiu se explodir e

a mandou para casa.

Os “alvos militares”

Horas antes da entrada em vigor

do Road Map, um atentado feriu mortalmente

um motorista que dirigia seu

carro na região de Jerusalém. Nele estava

uma família de judeus norte-americanos

da qual Tzvi Goldstein, 47

anos, morreu e seu pais, idosos, com

73 anos foram gravemente feridos a

bala. Mesmo ferido, Tzvi acelerou e

conseguiu tirar o carro da zona de

matança, salvando a vida de sua esposa

e seus pais. Mas o tiro que tomou

no peito foi fatal e cerca de 8 km

depois Tzvi perdeu o controle do carro

e capotou. Estava a caminho do Holyland

Hotel, onde além da festa do

casamento de seu filho, haveria a festa

de 50 anos de casado de seus pais,

e os 27 anos de seu próprio casamento.

A emboscada covarde ocorreu perto

de Ofra, ao norte de Ramallah. Os

“heróis” da resistência do Hamas assumiram

a autoria e disseram tratarse

de...alvos militares...

Quem apóia o Hamas?

Sabe quem apóia o Hamas? É o

país da Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

Isso mesmo: a França. Ela

se posicionou contra a União Européia

quando esta quis colocar o Hamas

na lista dos fora-da-lei e cortar

a ajuda financeira; a França é palco

dos mais violentos incidentes contra

a comunidade judaica desde a década

de 1930 com a perseguição na Alemanha

Nazista. Nos últimos 3 anos,

mais de 1.800 incidentes violentos

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foram registrados (desde espancamento

e apedrejamento de judeus até

incêndios criminosos de sinagogas

que as queimaram até os alicerces);

o governo francês diz que não existe

anti-semitismo na França; a Meca-

Cola, manobra para financiar indiretamente

os grupos palestinos, ongs

de apoio e anti-americanas, patrocinar

manifestações anti-globalização,

anti-americanas e contra a guerra no

Iraque é produzida na França.

Palestinos anunciam

“cessar-fogo”

A Fatah, organização liderada por

Yasser Arafat anunciou sua adesão ao

Road Map, que também foi declarada

horas antes pelos grupos palestinos

radicais Hamas e Jihad Islâmica. Do

ramo da Fatah, só as Brigadas dos

Mártires da Al-Aksa não aceitaram o

cessar-fogo e executaram um ataque

no mesmo dia em que entrou em vigência,

matando um trabalhador búlgaro.

Além disso, foguetes continuam

sendo disparados e caindo em Israel.

Ainda assim, Israel retirou suas

tropas de Beit Hanun, no norte da

Faixa de Gaza e de Belém, dando novo

impulso ao plano de paz, o chamado

“Mapa da Estrada”. Apesar de saudarem

a trégua anunciada pelos três

movimentos palestinos, os EUA insistiram

que o desmantelamento da infra-estrutura

terrorista continua sendo

necessário. Nas declarações das

três organizações responsáveis pelos

atentados em Israel nenhuma palavra

à eliminação do terrorismo ou

mesmo de reconhecimento de Israel.

Aliah da Índia

(com informações das agências

AP, Reuters, AFP e EFE e

jornal Alef na internet)

Em 3 de junho foi realizada no Muro

das Lamentações uma cerimônia religiosa

especial pela chegada de 50 novos

imigrantes que dizem ser Bnei Menashe,

Filhos de Menashe, uma das 10

tribos perdidas. O grupo veio do Estado

de Mizoram, na Índia. Atualmente a

cerca de cinco mil integrantes deste

grupo vivem como judeus no Nordeste

da Índia. Com essa chegada dos novos

olim (imigrantes) essa comunidade em

Israel sobe para 750 pessoas.

Campeão europeu de judô

Arik Zeevi venceu o campeonato

europeu de judô na categoria de 100

kg, derrotando o campeão holandês

Elco van der Geest em 69 segundos de

luta. A final aconteceu no dia 28 de

maio em Weiseldorf, Alemanha.

Fechamento do consulado

A deputada Célia Leão, presidente

do Comitê de Assuntos Internacionais

da Assembléia Legislativa do

Estado de São Paulo e o vereador paulistano

Gilberto Natalini, do PSDB,

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autor do projeto de lei estabelecendo

laços de “cidades-irmãs” entre São

Paulo e Tel Aviv, como forma de promover

o intercâmbio no campo da

saúde, da educação e da gestão dos

recursos hídricos, manifestaram-se ao

Ministério das Relações Exteriores de

Israel contra o fechamento do consulado

israelense em São Paulo. Além

disso, dirigentes de entidades judaicas

de todo o Brasil e abaixo-assinados

percorrem as comunidades do País

na tentativa de reverter a decisão do

fechamento do consulado, considerado

importante ponto de apoio pelos

judeus brasileiros.

Sanções à BBC

O governo israelense anunciou ter

cortado contatos com a rede de rádio e

TV britânica BBC por causa do que qualificou

de cobertura comparável à “propaganda

nazista”. A decisão foi tomada

depois que um documentário da

rede, intitulado “A Arma Secreta de Israel”

e transmitido internacionalmente

no fim de semana, acusou o país de

armazenar secretamente armas químicas

e nucleares. Israel considera que o

documentário é o mais recente de uma

série de programas da BBC que questionam

o direito de Israel de existir.

A rede britânica respondeu que

apoiava seu programa e lamentava qualquer

resposta que imponha obstáculos

a seu jornalismo. O Escritório de Imprensa,

a Chancelaria e o escritório do

primeiro-ministro Ariel Sharon não vão

mais autorizar entrevistas exclusivas a

jornalistas da BBC nem lhes oferecer

serviços prestados a outros correspondentes

estrangeiros. A rede britânica,

entretanto, poderá continuar transmitindo

de Israel e acompanhando entrevistas

coletivas do governo.

E agora?

Israel saiu de Gaza e de Belém, deu

autonomia aos palestinos, libertou em

junho 70 presos e mais 300 estão sendo

libertados, exceto terroristas do Hamas

e Jihad Islâmica. Abu Mazen foi

convidado a visitar o Knesset pelo partido

Shinui e, em contrapartida o que

recebeu em troca? Os palestinos falam

em hudna (a mídia traduz como trégua),

a Jihad Islâmica quebra a “trégua”

e realiza atentado em Tel Aviv e

mata uma senhora de 65 anos, Arafat

recebe US$ 30 milhões dos EUA e mais

10 milhões de euros da Europa, Abu

Mazen ameaça renunciar depois de criticado

por Arafat e seu grupo Fatah.

Enquanto não soltarem os terroristas do

Jihad e Hamas a hudna persiste e o Irã

realiza teste de mísseis e diz abertamente

que é para atingir Israel. E agora?

Alguém viu por aí os pacifistas?

Que tal uma manifestação na porta

da casa do Arafat?

Pesquisas

O Instituto de Pesquisas Harry Truman

para o Avanço da Paz, da Universidade

Hebraica de Jerusalém e o

Centro Palestino de Pesquisas para Política

publicaram os resultados de

suas últimas pesquisas de opinião

pública israelense e palestina, mos-

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

trando grande apoio à solução de Dois

Estados para Dois Povos e ao Road

Map. Israelenses e palestinos foram

questionados sobre se haveria um reconhecimento

mútuo: 52% dos palestinos

concordaram e 46% discordaram

da proposta, enquanto 65% dos

israelenses concordaram e 33% discordaram.

Entre os palestinos 56%

querem o fim do incitamento contra

Israel e 36% apóiam a prisão dos que

conduzem ataques contra israelenses;

Entre os israelenses, 65% apóiam a

retirada do exército de Israel para

suas posições anteriores à Intifada e

a transferência da segurança dessas

áreas para a Autoridade Palestina;

54% apóia a reabertura de instituições

palestinas em Jerusalém Oriental

que foram fechadas; e 61% apóiam

o desmantelamento de postos avançados

de assentamentos.

É ou não é?

O ministro da Justiça Márcio Thomaz

Bastos ainda estuda o pedido de

extradição do governo paraguaio para

Assad Ahmad Barakat, apontado por

aquele país como líder do grupo xiita

Hezbollah na Tríplice Fronteira. Libanês

naturalizado paraguaio e residente

em Foz do Iguaçu, Barakat é um embaraço

ao Brasil. Na visita que fez em

junho ao país, o primeiro-ministro do

Líbano, Rafik Hariri, intercedeu por

Barakat. E disse que o Hezbollah não é

uma organização terrorista, mas um

partido político, uma entidade religiosa

e assistencialista. Mas não é a opinião

do Departamento de Estado americano,

que mantém o Hezbollah na lista

das organizações terroristas. Para os

EUA, Barakat é o caso mais concreto

do envolvimento com terrorismo de

membros da comunidade árabe da fronteira

Brasil-Paraguai-Argentina. Barakat

assume ter arrecadado dinheiro

para entidades de assistência aos familiares

de militantes mortos em ações

do Hezbollah. Ou seja, além de partido

político e entidade religiosa, promove

“ações”. Que ações? Terroristas, evidentemente.

As arrecadações teriam somado

milhões de dólares por ano.

Museu judaico

Quando esteve em Curitiba, em junho,

o rabino Simon Moguilevksy convocou

a comunidade e incentivou as

lideranças de Curitiba a preservar as

lembranças das famílias judaicas num

museu, nos moldes do existente em

Buenos Aires. A idéia é que as famílias

doem objetos cerimoniais e peças

como candelabros, chanukiót, baixelas,

toalhas de mesa toalhas que

cobrem chalót trazidas da Europa, livros

antigos, fotografias de época da

família, passaportes etc. O Museu

Judio de Buenos Aires “Dr. Salvador

Kibrick” que pertence á Congregação

Israelita Argentina existe desde 1967

e já tem inclusive um boletim quinzenal

de notícias e funciona com voluntários

sob o lema: “Museu é memória

ou esquecimento — você escolhe”.

Todos os visitantes, desde

escolares, até universitários e pesquisadores

recebem um folheto explicativo

bilíngüe. Resta saber qual a escolha

de Curitiba.

5


6

Sessão do

julgamento do STF

em que Ellwanger

recebeu mais votos

condenando-o por

crime de racismo:

placar de 7 a 1

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

STF nega habeas corpus a editor condenado por racismo

Após o pedido de vista do ministro

Carlos Ayres de Britto, o Supremo Tribunal

Federal interrompeu novamente,

no dia 26 de junho, o julgamento do

habeas corpus (HC 82424) requerido pela

defesa do editor Siegfried Ellwanger,

condenado pelo crime de racismo. A votação,

porém já tem maioria, com 7 vo-

STF

tos a 1. A maioria dos ministros já se

posicionou sobre o caso e negou o pedido

por entender que a prática de racismo

abrange a discriminação contra

os judeus. O relator do processo, Moreira

Alves — que já se aposentou, deixando

o STF — até o presente momento,

foi o único favorável à concessão da

ordem e declarar prescrito o crime.

Gilmar Mendes, Carlos Velloso, Nelson

Jobim, Ellen Gracie e Antonio Peluso,

que votaram dia 26/6, seguiram

os votos de Maurício Corrêa e Celso de

Mello, que abriram a dissidência, no

sentido de que o crime no caso foi

mesmo de racismo. O delito, portanto,

é imprescritível, conforme prevê o artigo

5º, inciso XLII da Constituição.

Ainda faltam votar os ministros Carlos

Britto, Marco Aurélio e Sepúlveda Pertence.

O ministro Joaquim Barbosa não

tem voto porque é o atual ocupante da

cadeira do relator, Moreira Alves.

Gilmar Mendes

Ao trazer os autos de volta ao Plenário

após o pedido de vista, o ministro

Gilmar Mendes iniciou seu voto abordando

o conceito de racismo. Ele citou

obras de diversos autores que apresentaram

reflexões sobre o racismo e o antisemitismo,

tais como Kevin

Boyle e Norberto Bobbio, e

lembrou que o Brasil é signatário

de tratados internacionais

“que não deixam dúvida

sobre o claro compromisso

no combate ao racismo

em todas as suas formas

de manifestação, inclusive o

anti-semitismo”. Sua interpretação

foi no sentido de

que a Constituição brasileira

compartilha desse sentido,

de que “o racismo configura

conceito histórico e cultural

assente em referências

supostamente raciais, aqui

incluído o anti-semitismo”.

Em seguida, o ministro

Gilmar passou a confrontar as

manifestações de caráter racista com a

direito à liberdade de expressão. “A liberdade

de expressão, em todas as suas

formas, constitui pedra angular do próprio

sistema democrático”, afirmou. Por

outro lado, “a discriminação racial levada

a efeito pelo exercício da liberdade

de expressão compromete um dos pilares

do sistema democrático, a própria

idéia de igualdade. (...) Em tese, é possível

o livro ser instrumento de discriminação,

não parece haver dúvida”.

A partir daí, Gilmar Mendes passou a

analisar a questão sob o ponto de vista

do princípio da proporcionalidade. Ele argumentou

que “a liberdade de expressão

não se afigura absoluta no nosso texto

constitucional”, pois houve ressalvas, por

exemplo quanto à liberdade de informação,

que deveria ser exercida de modo

compatível como o direito à imagem, à

honra e à vida privada (art. 5º, inciso

X). “Da mesma forma, não se pode atri-

buir primazia à liberdade de expressão,

no contexto de uma sociedade pluralista,

em face de valores outros como os da

igualdade e da dignidade humana. Daí

ter o texto constitucional de 1988 erigido,

de forma clara e inequívoca, o racismo

como crime inafiançável e imprescritível

(CF, art. 5º, XLII), além de ter determinado

que a lei estabelecesse outras

formas de repressão às manifestações

discriminatórias (art. 5º, XLI).”

Por fim, o ministro concluiu que a

decisão do Tribunal de Justiça do Rio

Grande do Sul (TJ/RS), de condenar

Siegfried Ellwanger, foi adequada e proporcional

e alcançou o fim almejado, que

é o de “salvaguarda de uma sociedade

pluralista, onde reine a tolerância”. Ele

disse estar evidente, pelo acórdão do

TJ/RS, que os livros publicados pelo

editor não continham simples discriminação,

mas são textos que, de maneira

reiterada, estimulam o ódio e a violência

contra os judeus.

Carlos Velloso

O ministro Carlos Velloso pediu antecipação

de voto e também foi pelo indeferimento

do habeas corpus. Ele fez um

histórico sobre a proteção dos direitos

humanos desde o advento da idéia de

Constituição, surgida a partir da segunda

metade do século XVIII até os dias

atuais e citou parecer do jurista Celso

Lafer ao conceituar o racismo, afirmando

que “ele constitui-se no atribuir aos

seres humanos características raciais para

instaurar a desigualdade e a discriminação.”

Ele entendeu que o anti-semitismo

é uma forma de racismo.

Segundo Velloso, nos livros publicados

por Ellwanger, os judeus são percebidos

como raça, porque há pontos

em que se fala em “inclinação racial e

parasitária dos judeus”, “tendências do

sangue judeu”, “judeus como culpados

e beneficiários da Segunda Guerra”,

entre outras. “Não tenho dúvidas

em afirmar que a conduta do paciente

implica prática de racismo, o que a

Constituição considera crime grave e

imprescritível”, disse.

Velloso também enfocou a matéria

sob o ponto de vista do direito à

liberdade de expressão, argumentando

que embora seja garantia consagrada

pela Constituição, não tem caráter

absoluto. “Se se tem conflito

aparente de direitos fundamentais, a

questão se resolve pela prevalência do

direito que melhor realiza o sistema

de proteção de direitos e garantias

inscritos na Lei Maior,” concluiu.

Nelson Jobim

O ministro Nelson Jobim também antecipou

seu voto e acompanhou o relator,

pelo indeferimento do habeas corpus.

Ele julgou que Siegfried Ellwenger

não editou os livros por motivos históricos,

mas como instrumentos para produzir

o anti-semitismo.

Rejeitou o ministro a linha proposta

pela defesa, segundo a qual, sendo

os judeus um povo e não uma raça,

não estariam amparados pela Constituição

Federal, em relação à imprescritibilidade

do suposto crime de racismo.

Conforme Jobim, a tese “parte

do pressuposto de que a expressão

racismo usada na Constituição teria

conotação e um conceito antropológico

que não existe”, disse.

O ministro considerou a matéria em

julgamento um “caso típico” de fomentação

do racismo. “Vejo nitidamente nas

condutas traduzidas no acórdão e aquilo

que está nos autos a evidente e clara

destinação da prática daquilo que está

coibido na Constituição. A Constituição

meramente determina que a legislação

infraconstitucional não pode tratar esse

tipo de ilícito com as regras da prescrição

(...)”, afirmou.

Ellen Gracie

A ministra iniciou seu voto pela definição

de raça, constante da Enciclopédia

Judaica, editada no Brasil pela editora

Tradição, do Rio de Janeiro. O verbete

lido por ela narra que “a concepção

de que a humanidade está dividida em

raças diferentes encontra-se de maneira

vaga e imprecisa na Bíblia, onde, no entanto,

como já acentuavam os rabinos, a

unidade essencial de todas as raças é

sugerida na narrativa da criação e da origem

comum de todos os homens. (...)”.

“É impossível, assim me parece, admitir-se

a argumentação segundo a qual

se não há raças, não é possível o delito

de racismo”, concluiu Ellen Gracie.

Cezar Peluso

O ministro recém-empossado Antonio

Cezar Peluso seguiu a maioria e votou

pela denegação do habeas corpus.

Ele disse concordar com o ministro Nelson

Jobim, para quem a definição de racismo

deve ser pragmática.

“A discriminação é uma perversão

moral, que põe em risco os fundamentos

de uma sociedade livre”, disse Peluso.

O ministro acentuou que, neste

caso, o que lhe chamou atenção foi o

fato de que o mesmo editor se tornou

especialista na publicação dos livros.

“Se ele se propusesse como um editor

de excentricidades eu até consideraria,

com alguma generosidade, este habeas

corpus. Mas ele, na verdade, se especializou

em editar e publicar, como autor,

uma série de livros que instigam a discriminação.

E, portanto, isso tem o significado

óbvio, do meu ponto de vista,

que se trata de uma prática que contraria

a tutela constitucional”.


VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

Entrevista com Celso Lafer O LEITOR

sobre decisão do Supremo ESCREVE

O ex-ministro das Relações Exteriores

do Brasil, Celso Lafer, cujo parecer foi citado

por diversos ministros do STF, entrevistado

logo após o julgamento do dia 26/

6, explicou seu ponto de vista acerca do

resultado sessão.

“Acho o resultado esplendido. O ponto

de partida de tudo foi o voto do ministro

Maurício Corrêa, foi ele que teve a

intuição da importância do caso, pediu

vista em dezembro, quando o ministro

Moreira Alves deu seu voto e concedeu o

habeas corpus solicitado por Elwabger. O

primeiro ponto a realçar é o sentido de

justiça e depois, a qualidade do voto do

ministro Mauricio Correa.

O voto dado também pelo ministro Celso

Mello foi muito importante. E agora nós

tivemos vários votos. O do ministro Gilmar

Mendes representa uma análise e uma construção

jurídica perfeita, seja sobre o crime

da prática de racismo, seja sobre o tema da

interpretação constitucional quando há mais

de um direito que precisa ser preservado, a

dignidade da pessoa humana, foi a opção

que ele com toda a clareza colocou.

Destaco também o voto do ministro

Velloso, que fez referência à toda temática

de direitos humanos e à relação entre

o direito interno e o direito internacional

nessa matéria. O voto do ministro

Jobim foi mais curto, mas foi preciso na

FILME

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

VJ INDICA

DVD - VHS

FOCUS

compreensão do que deve ser a interpretação

constitucional. O voto da ministra Ellen

foi de grande sensibilidade, muito agudo

na percepção daquilo que é um valor

muito importante para a comunidade judaica,

em toda a reflexão que fez sobre o antisemitismo

e o racismo. Creio que o voto do

novo ministro Cezar Peluso, foi um voto no

calor da hora, inclusive sem estudo prévio,

mas motivado por aquilo que é a prática de

racismo feita pelo editor Ellwanger, ou seja

não é a edição de um o livro ou de outro, é

uma organização de livros, inclusive de sua

própria autoria, deliberadamente voltados

para propagação do racismo e do anti-semitismo,

como racismo inequívoco.

Tivemos uma decisão que será um leading

case, em relação ao tema, que transcende à

comunidade judaica, sendo um voto importante

para todos aqueles que são ou podem vir a

ser objeto de discriminação e a mais perversa

delas todas que é a do racismo.

Entendo que a imprescritibilidade foi

deliberada como política de direito pelo

constituinte, com o objetivo de evitar a

reincidência, justamente como se deseja no

Brasil — e a Constituição de 1988 é clara

neste sentido — a construção de uma sociedade

fraterna sem discriminações, impedir

a reincidência através da imprescritibilidade

está de acordo com o espírito e

com a letra da Constituição.

Direção: Neal Slavin

Elenco : William H. Macy, Laura Dern, David Paymer, Meat Loaf, Kay Hawtrey,

Michael Copeman, Kenneth Welsh, Joseph Ziegler

Áudio e legendas: (no DVD) Português, inglês e espanhol

Duração: 107 minutos

Sinopse: Em Nova York, durante a

2ª Guerra, Lawrence Newman e sua

esposa Gertrude têm suas identidades

contestadas pelos vizinhos anti-semitas

do Brooklyn que os consideram judeus.

Excluídos gradativamente do bairro

onde moram e trabalham, eles aprendem

o valor do reconhecimento pessoal

e da solidariedade, enquanto lutam

para manter uma vida digna e encontrar

a tão sonhada felicidade. Um filme

denso, nada piegas, baseado no

romance de Arthur Miller e com interpretação

brilhante de William H. Macy.

O anti-semita Norberto Toedter

Aos Editores:

Acabei de receber Visão Judaica,

este excelente informativo

e gostaria de unir-me com esta

mensagem às opiniões sobre o

destaque que o jornal O Estado

do Paraná deu ao revisionista,

que só contribui para gerar mais

ódio e racismo neste nosso mundo

já tão intolerante.

“A cadela que o pariu está no

cio outra vez“. Esta frase de aparência

chula faz parte de uma das

falas do personagem principal da

famosa peça Arturo Ui, do teatrólogo

Bertold Brecht - uma parábola

do nazismo que faz uma alusão ao

renascimento das idéias de Hitler.

Esta obra foi escrita em 1941

e hoje em pleno ano de 2003 estamos

em trabalho de parto aliados

à inseminação artificial da intolerância

e racismo.

Skinheads matam e torturam no

Brasil e no mundo, sinagogas são

arrombadas e incendiadas; homensbomba

se lançam em pizzarias e

ônibus populares, matando dezenas

de inocentes, nazi-fascistas escrevem

livros negando o Holocausto e

fazendo com que a memória de seis

milhões de pessoas que tiveram

suas vidas ceifadas de forma cruel e

selvagem seja tripudiada

Como se não bastassem as

“obras” do revisionista Ellwanger,

cujo crime de discriminação racial

ainda transita no STF, surge agora

no cenário literário nacional o

paranaense de origem alemã Norberto

Troedter que com suas teses

e estatísticas escreve em seu

livro E a Guerra Continua, - uma

produção independente, pois nenhuma

editora quis bancar esta vil

literatura — que Hitler não passou

de um ingênuo, como ingênuo foi

todo o povo alemão nas questões

políticas e militares. Em outro trecho

do livro Troedter diz que “houve

sim perseguição de Hitler aos

judeus, mas era somente porque

eles ocupavam todo os cargos e

posições estratégicas na Alemanha

e sua intenção era apenas

acabar com esse domínio”. O que

o senhor Norberto não comenta,

entretanto, é que o meio mais eficaz

para fazer isso era exterminando

todos os judeus com a operação

chamada de Solução Final.

E à medida que o tempo nos

distancia do mais macabro episódio

da humanidade, que perdemos

7

nossos sobreviventes-testemunhas

vivas das máquinas de morte do

Terceiro Reich — espaços vão se

abrindo para os que tentam inverter

os papéis das vítimas, negam o

Holocausto e encontram respaldo

na má-fé daqueles que apregoam

a liberdade de expressão. Corremos

o risco de nos tornarmos vilões

de nossas próprias mazelas

Márcia Cherman Sasson

Rio de Janeiro

Um novo leitor

Prezados Senhores,

Sou membro da Sociedade Israelita

Brasileira Beth Jacob, de

Campinas, Estado de São Paulo.

Tendo lido Visão Judaica, gostaria

de pedir-lhes a gentileza de

recebê-la pelo correio.

Sérgio Rosvald Donaire

Campinas, São Paulo

Isac Nudelman

Aos editores do jornal:

Congratulamo-nos com Isac

Nudelman pelos quatro anos de

atuação brilhante e competente à

frente da entidade mantenedora da

Escola Israelita Brasileira Salomão

Guelmann. Fazer trabalho comunitário

não é fácil, exige dedicação,

amor e até sacrifício da vida pessoal

e profissional. Mas ele soube

enfrentar desafios e com coragem

conseguiu elevar o nome e o prestigio

da querida Escola Israelita.

Continue sua trajetória de vida

com muito sucesso e realizações.

Nosso muito obrigado. Kol Hacavod.

Na’Amat Pioneiras

Centro Curitiba

Uma obra que cresce

Prezados amigos:

É uma alegria renovada a cada

edição ver uma colaboração minha

pequena que seja no seu jornal,

que dá prazer de ler, além de

(voltando a afirmar) ver a continuidade

e crescimento de uma obra

que, sem ostentação, congrega

grandes escritores e artigos, lindíssimas

ilustrações, despertando

interesse e admiração de todos a

quem mostro. Mazal Tov!

Jane Bichmacher de Glasman

Professora e escritora

Rio de Janeiro

Para escrever ao jornal Visão Judaica basta

passar um fax pelo telefone 3018-8018 ou um

e-mail para visaojudaica@visaojudaica.com.br


8

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

17 de Tamuz a 9 de Av:

O pranto que se faz ouvir

As três semanas: 17 de julho a 7 de agosto de 2003

Três semanas inteiras de nosso ano —

as três semanas “entre os apertos” de 17

de Tamuz e 9 de Av — são designadas como

um período de luto pela destruição do

Templo Sagrado e o conseqüente exílio físico

e deslocamento espiritual — no qual

ainda nos encontramos.

17 de Tamuz: Quinta-feira, 17 de julho

Horário de jejum: de 5h47 à 18h02

O jejum de 17 de Tamuz, o dia em que

Moisés quebrou as Tábuas da Lei ao ver o

povo judeu adorando o bezerro de ouro,

“coincidentemente” provou ser o mesmo

dia em que os romanos irromperam pelas

muralhas de Jerusalém para dar início à

destruição do Segundo Templo.

Os nove dias: Quarta-feira, 30 de julho

a quinta-feira, 7 de agosto

“Quando começa o mês de Av, reduzimos

nosso júbilo...” (Talmud, Tratado Ta’anit 26).

Começando em 1º de Av, usualmente nos abstemos

de diversas atividades que estão associadas

à alegria.

9 de Av: Quinta-feira, 7 de agosto de 2003

O dia 9 de Av, Tish’á Beav, celebra uma

lista de catástrofes tão graves que é claramente

um dia especialmente amaldiçoado por

D-us. O Primeiro Templo foi destruído neste

dia. Cinco séculos mais tarde, conforme os

romanos se aproximavam do Segundo Templo,

prontos para incendiá-lo, os judeus ficaram

chocados ao perceber que o Segundo

Templo foi destruído no mesmo dia que o

Primeiro.

Quando os judeus se rebelaram contra o

governo romano, acreditavam que seu líder,

Shimon bar Kochba, preencheria suas ânsias

messiânicas. Mas suas esperanças foram cruelmente

destroçadas quando os judeus rebeldes

foram brutalmente esquartejados na batalha

final em Betar, em 9 de Av.

Os judeus foram expulsos da Inglaterra

também em Tish’á Beav. Em 1492, a Idade de

Ouro da Espanha terminou, quando a Rainha

Isabel e seu marido Fernando ordenaram que

os judeus fossem banidos do país. O decreto

de expulsão foi assinado em 31 de março de

1492, e os judeus tiveram exatamente três

meses para colocar seus negócios em ordem

e deixar o país. A data hebraica na qual nenhum

judeu mais teve permissão de permanecer

no país onde tinha desfrutado de receptividade

e prosperidade foi 9 de Av.

A Segunda Guerra Mundial e o Holocausto,

concluem os historiadores, foi na verdade

a finalização arrastada da Primeira Guerra.

E a Primeira Guerra Mundial começou, no

calendário hebraico, em 9 de Av - Tish’á Beav.

Os judeus vêem estes fatos como outra

confirmação da convicção profundamente enraizada

de que a História não ocorre por aca-

so; os acontecimentos — mesmo os terríveis

— são parte de um plano Divino, e têm um

significado espiritual. A mensagem do tempo

é que há um propósito racional, muito

embora não possamos entendê-lo.

7 de agosto de 2003 – 9 de Av – Início do

jejum às 17h45 (do dia 6) e término às

18h10 (do dia 7)

Tishá Beav

O dia 9 de Av – Tishá Beav – é um dia

de jejum publico (semelhante ao de Iom

Kipur) e luto pela destruição dos dois Templos

de Jerusalém.

Depois do Iom Kipur, Tishá Beav é o dia

de jejum mais importante do calendário judaico.

Ele marca o último dia do período

de três semanas de intenso luto nacional

pelos eventos que levaram à perda da independência

judaica.

Tal como no Iom Kipur, o jejum começa

antes do pôr-do-sol e termina após o pôrdo-sol

no dia seguinte. Nada pode ser comido

ou bebido, inclusive água. Na sinagoga a

cortina existente na frente da Arca é retirada.

No serviço do anoitecer, acendem-se velas

suficientes para a leitura do serviço e os

fiéis não se sentam em bancos ou cadeiras,

mas no chão ou em banquinhos baixos e descalços

que são sinal de luto.

Na ultima refeição antes do jejum,

come-se pãezinhos redondos e ovos e às

vezes se espalham cinzas sobre os ovos. O

círculo não tem começo nem fim, assim

como a eternidade. Portanto, estes alimentos

têm sido, desde longa data, associados

com o luto e a vida eterna.

Após o serviço ao anoitecer, lê-se o Livro

das Lamentações, e isto é seguido pela leitura

de elegias, hinos e preces de luto, que

são publicadas num livreto especial e mantidas

na sinagoga para este dia.

Há cinco coisas proibidas em Nove de Av:

comer e beber, lavar-se, untar-se com óleo,

vestir sapatos de couro e coabitar.

Todos devem jejuar em Nove de Av,

incluindo mulheres grávidas e mães em fase

de amamentação. Quem estiver doente, porém,

pode comer, mesmo se sua doença não

lhe ameaça a vida. Entretanto, uma pessoa

doente deve abster-se de comer iguarias e

deveria ingerir somente o que for absolutamente

necessário para seu bem-estar físico.

Costuma-se dizer que a pessoa que come

ou bebe em Nove de Av sem ter de fazê-lo

por razões de saúde não merecerá ver o júbilo

de Jerusalém. E quem prantear sobre

Jerusalém merecerá ver sua felicidade, como

promete o versículo (Yeshayahu 66:10): “Rejubile-se

grandemente com ela, todos que

por ela pranteiam.”

O que é a hudna?

Ela entrou em vigor dias atrás e deverá ser válida por três meses. Não

espere que os jornais e TVs digam a você o que é hudna. Para a grande mídia,

que não consegue traduzir nem Road Map to Peace para Roteiro da Paz, hudna

significa trégua. Só que “trégua” no sentindo ocidental da palavra, enquanto

ela é proferida por muçulmanos mais fundamentalistas ou menos fundamentalistas

no seu próprio conceito geopolítico e não no nosso.

Nas agências de notícias internacionais, hudna está sendo traduzida como

truce (em inglês) que significa claramente “suspensão (temporária) das hostilidades”.

“Trégua” em português tem o mesmo significado. No contexto militar

ocidental uma trégua é declarada para recolher feridos no campo de batalha, por

exemplo, para evacuar civis, ou num momento de exaustão das forças que leva

há um rendição e fim de conflito maior ou localizado. A Segunda Guerra Mundial,

por exemplo, não terminou após uma trégua: terminou a após a tomada da

capital da Alemanha e uma rendição incondicional. A guerra do Vietnã terminou

com a fuga do exército americano e a invasão de Saigon pelas tropas do Norte.

A Guerra da Coréia ainda não terminou... A Associated Press declarou que “o

sucesso do processo de paz pode ficar estagnado em um conceito legal datando

do nascimento do Islã: a hudna, ou trégua de duração fixa”.

O New York Times acrescentou que a hudna vai constituir “o maior avanço...

após 33 meses de violência”. Hudna tem um significado distinto para os

fundamentalistas islâmicos bem versados em sua própria história: o profeta

Maomé declarou uma lendária hudna de 10 anos com a tribo Quraysh que

controlava Meca no século VII. Durante os dois anos seguintes, Maomé rearmou

seu exército e usou uma desculpa de quebra da hudna por uma infração

cometida pela tribo Quraysh para lançar um ataque total e conquistar Meca, a

cidade mais sagrada para o Islã. Portanto, o significado islâmico de hudna é:

o meu lado fazer uma trégua para que o meu lado se prepare para a conquista

final do inimigo. Como um dos objetivos dos fundamentalistas islâmicos é a

idealização de uma sociedade islâmica como nos tempos do profeta, é por aí

que eles devem estar pensando. A hudna não é uma trégua técnica: é um

trégua estratégica. Para a mídia ocidental a declaração de uma hudna pelo

Hamas significa um compromisso com um resolução pacífica, quando na verdade

significa a preparação para esmagar o inimigo.

Essa não é a primeira hudna declarada no processo de paz entre israelenses

e palestinos. Em 1994, Yasser Arafat explicou, em árabe, para os palestinos

que os acordos de Oslo eram uma hudna no caminho para Jerusalém.

Depois, em 2000, usando como pretexto a visita de Ariel Sharon à Esplanada

das Mesquitas, criou a tal da “pequena infração inimiga” quebrando a hudna

e se lançando à nova guerra, conhecida como Intifada de Al Aqsa, ou Intifada

II. Em relação ao Hamas, a coisa não é muito diferente. Nos últimos 10

anos o grupo declarou 10 situações de cessar-fogo, mas nunca parou de

lutar. Essa é apenas a décima-primeira.

É claro que qualquer pessoa racional espera que os termos ocidentais da

“trégua” prevaleçam e é muito improvável que isso ocorra. Nestes próximos 3

meses deverão ser implementados outros itens e fases do Roteiro da Paz. Um

deles é a continuação da construção do muro de 350 km de extensão. Já pipocam

na mídia militante as comparações de que esse muro (dentro de Israel) e

que não cerca os territórios palestinos é pior que o muro de 14 km do Gueto de

Varsóvia, que enclausurava os judeus para o extermínio pela fome e doença

dentro da capital polonesa. Dentro do direito internacional, cada país cuida de

suas fronteiras, de seu lado, como quiser. Poucos se importam com os muros e

fossos entre os Estados Unidos e México para tentar conter a imigração ilegal.

Mas cá entre nós: quanto tempo você acha que a hudna vai durar? Três

meses? Uma semana? Um dia? Algumas horas? Agora se trata de achar o tal do

incidente catalisador da quebra da hudna. Como os israelenses não têm hudna

nenhuma, estão cumprindo sua parte do acordo e retirando o exército da Faixa

de Gaza imediatamente. E o que os palestinos fizeram?

No primeiro dia, depois da meia-noite, hora de Israel, com a hudna já em

vigor um morteiro atingiu Gush Katif, um míssil antitanque foi disparado contra

posições do Exército de Israel em Nvei Dekalim e outro posto do Exército

foi atacado a tiros em Rafiach. Pela manhã, os palestinos, num ato heróico de

sublime coragem atacaram um grupo de trabalhadores que asfaltava um trecho

de estrada perto de Kalkilya, matando Raskov Karisto, 45, trabalhador búlgaro

estrangeiro. Isso ocorreu algumas horas depois da Brigada dos Mártires de Al

Aqsa, parte da Fatah dirigida por Yasser Arafat declarar que vai aceitar a hudna.

Na sua declaração oficial de propaganda após o assassinato, este grupo

declarou que o ataque “é em resposta à hudna”. Você entendeu? Nem precisa:

os eles têm o direito de continuar assassinando quem bem quiserem enquanto

os ocidentais pensam em trégua e paz.

Às primeiras horas de segunda-feira, foram passando e a estrada Tancher,

em Gaza foi reaberta para a circulação de palestinos. Menos de quatro horas

depois da reabertura, posições do exército israelense foram atacadas a tiros

por palestinos a partir dessa estrada. Essa é a grande trégua pacífica islâmica.

Para os palestinos, o primeiro dia da hudna foi como qualquer outro. Será que

amanhã as coisas serão diferentes?


TURISMO

Porta de Sion – bairro judeu (1)

O Monte Sion guarda locais de importância para judeus e cristãos, conforme

vimos na última edição. Além disso, do monte pode-se ter ampla visão

das montanhas que cercam Jerusalém. Olhando-se a partir do oeste vê-se o

monte das oliveiras, o Monte Scopus, onde está a Universidade Hebraica de

Jerusalém (o monte tem o nome de Scopus porque foi de lá que Flavio Josefo

teve a última vista da cidade), a Augusta Vitória, a Viri Galilei ou Jardim do

Caçador, onde está o palácio do patriarca greco-ortodoxo, o Monte da Ascensão

e o Monte da Ofensa, local que, segundo conta-se, Salomão permitiu a

construção de um templo para os ídolos da sua mulher (1Reis 11:7).

A Porta de Sion é uma das sete entradas

da antiga Jerusalém. Esta porta

teve conservada a forma de L, sistema

que garantia maior segurança durante

ataques inimigos. Nela há uma mezuzah

de ferro e, se a minha memória não falha,

esta é a única das portas que possui

essa marca judaica. Pode-se ver ainda, nas

pedras que emolduram a porta, as marcas

dos combates da guerra de 48.

Entrando pela Porta de Sion, seguindo

à esquerda, pela rua Ha-Patriarkhiya

chega-se ao bairro armênio, um dos bairros

cristãos da cidade antiga; pela direita,

chega-se à rua Habad, uma das entradas

do bairro judeu. Este bairro foi

A Porta de Sion

totalmente destruído entre dezembro de

47 a maio de 48, na Guerra da Independência.

Em junho de 67, Israel o reconquistou, reconstruindo-o totalmente,

preservando a característica arquitetônica da cidade: traçado das ruas, desenho

dos edifícios, tipos de pedras, etc.

Muitos são os locais de interesse neste bairro. Temos o Museu da Antiga

Comunidade, que preserva relíquias da vida judaica no bairro, quando este

não passava de um gueto. Neste museu se pode também ver objetos que

mostram as diferenças de estilos artísticos entre as comunidades sefaradita e

asquenazita. Nas proximidades do museu está a Casa Habad e o Cardo Maximus

– a Champs Elysées do período romano e bizantino em Jerusalém.

O cardo (coração), rua principal da cidade romana – foi restaurado,

mantendo a forma tradicional das antigas ruas da Jerusalém conquistada

por Roma, quando passou a ser chamada de Aelia Capitolina. Passando pelo

cardo, pode-se imaginar como eram as antigas ruas do comércio. Na sua

parte coberta – uma galeria – encontram-se luxuosas lojas de artes, artigos

religiosos, moda, etc. No nível inferior do piso, pode-se ver as ruínas dos

séculos II e I a.e.c. Elas são um exemplo da influência helênica na cultura

hebraica durante dinastia hasmonea

(142-63 a.e.c). Há ainda, no nível

inferior do piso, restos do muro de

proteção da antiga cidade. Na diferença

das suas pedras é possível distinguir

os diferentes períodos de dominações

por que passou Jerusalém

ao longo dos seus 3007 anos.

Retornando-se do cardo, sentido

bairro judeu, pode-se comer um

bom falafel, um belo pedaço de pizza

ou uma bureka gigante numa das

lanchonetes situadas na praça vizinha

à Sinagoga Hurva.

A antiga sinagoga de Ramban, fundada

por Rabi Moshê ben Nachman –

Nachmanides (famoso exegeta que,

após ser exilado da Espanha, criou em

Jerusalém a mais antiga comunidade

judaica após a destruição do Templo),

O famoso arco da Sinagoga de Hurva

serviu de base para a construção da

Jerusalém (3)

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

Sinagoga Hurva. Esta sinagoga, que data do

princípio do século XVIII, foi idealizada pelo

Rabi Yehuda Hahasid (discípulo de Sabbatai

Zevi) que veio da Polônia acompanhado de um

pequeno grupo de seguidores para habitar em

Eretz Israel. Em 1721 foi destruída pelos otomanos

– quando passou a ser chamada de Hurva

(ruína – destruição). Foi reconstruída no início

do século XIX pela comunidade asquenazita,

tornando-se a mais importante sinagoga

de Israel. Em 1898, a sinagoga símbolo do retorno

a Sion, foi visitada por Theodor Herzl.

Após a Guerra da Independência, foi novamente

destruída pelos jordanianos.

Atualmente a antiga é lembrada

por um imenso arco que invade o azul do céu,

dominando a paisagem do bairro, simbolizando

a destruição no passado, o renascimento do presente

e a continuidade futura da vida judaica

em Jerusalém.

Antonio Carlos Coelho

Antônio Carlos Coelho da Costa é professor e diretor do Instituto Ciência e Fé

Brian Hendler

9

Ha Rová,

o Jewish

Quarter ou o

bairro judeu


10

Um grupo destemido

— Colonos judeus

defendem uma

colônia dos ataques

árabes em 1904, na

Galiléia

A Jerusalém no

tempo dos otomanos

— Uma visão da

“cidade eterna”, no

século 19. Na época

os judeus viviam na

parte antiga da cidade

desde séculos

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

A quem pertence a Terra Santa?

Diante do anti-semitismo da Europa

os judeus vão para a Palestina.

Para eles, a imigração significa

um direito bíblico, mas

para os árabes uma invasão.

Os conflitos sangrentos são

constantes. Enquanto isso, a política

pendular britânica na Palestina,

só agravou a situação.

Teja Fiedler*

“Nada os assustou,

nada os deteve,

nem o deserto, nem

a selvageria dos árabes,

e também não

o desconhecimento

da língua e dos costumes

locais”. Assim

descreve, numa carta

à sua família, um

colono judeu à luz

de uma lâmpada de

querosene sua situação

e a dos seus companheiros. “Ninguém,

longe daqui, pode imaginar como

é ficar dias sem uma gota de água, deitar

em barracas apertadas e ser incomodado

por répteis de todos os tipos.

Tão pouco consegue entender o que

nossas mulheres,

crianças e mães, sofrem

quando os árabes

nos atacam. Então

é esta a terra

prometida”? E a propaganda

em casa

queria nos fazer entender

que era, “um

país sem povo para

um povo sem país”.

Mesmo assim, alguns

milhares de judeus, a maioria deles da

Rússia, foram para Palestina no final do

século 19. Sua comunidade, em tempos

recentes, ainda sob o domínio dos czares,

havia sofrido pesadas perseguições.

Mais de dois milhões deles esco-

Voltando à sua terra natal e encontrando inimigos... de 1890 à 1939

lheram como sua terra prometida os

Estados Unidos. Mas uma pequena minoria

que imigrou para a Palestina

(que estava sob o domínio dos otomanos),

estava convencida de que

“para o povo de Israel não havia salvação

além de instalar um governo

próprio no país Israel”.

Durante alguns anos essa iniciativa

visionária vegetou na escassa

terra da Palestina. Até o surgimento

de Theodor Herzl, e com ele o Sionismo

político. Herzl, um jornalista de

Viena, que amava a ópera e que tinha

escrito algumas peças de teatro,

de algum sucesso, publicou em 1896

uma tese: “O Estado Judeu - a tentativa

de uma solução moderna para a

questão judaica”.

Desde a emigração da Judéia, depois

da destruição de Jerusalém pelos

romanos, no ano 70 e. C., as comunidades

judaicas na Europa viveram mais de

um milênio num equilíbrio extremamente

instável nesse ambiente. Vistos pelos

cristãos como “culpados pela morte

de Jesus na cruz”, eles foram empurrados

para a margem da sociedade.

Na Idade Média, por exemplo, foi

proibido aos judeus serem proprietários

de terras e casas, assim como

exercer um ofício, e foram obrigados

a morar em bairros próprios, chamados

guetos. Ao mesmo tempo, precisavam

deles como comerciantes e financistas

para empréstimos em dinheiro.

E eram excelentes bodes-expiatórios:

A convivência com seus

vizinhos cristãos foi sempre interrompida

por massacres e expulsões.

No final do século 19 o anti-semitismo

ganhou nova força: Pogroms na Rússia,

excessos na França, e um prefeito

popular, mas extremamente anti-semita

em Viena, a cidade natal de Herzl. Palavras

de ordem demagógica como: “Jüdische

Zinsknechtschaft” (domínio judaico

dos juros) e “Saujud” (judeu porco) viraram

palavrões e xingamentos.

“Nós sempre tentamos, honestamente,

nos assemelhar às comunidades

onde vivemos, e queríamos só

manter a fé (religião) de nossos pais.

Mas eles não deixam. Em vão, somos

patriotas fiéis e até exagerados patriotas

em alguns lugares, mas em vão

fazemos sacrifícios de sangue e de

bens, como nossos concidadãos”. Assim

escreveu Theodor Herzl em sua

tese. Só havia uma saída: Um Estado

independente para os judeus. Um Estado

que devia mudar por completo a

característica de um povo suprimido e

espalhado pelo mundo. Assim nasceria

uma maravilhosa nação de judeus. “Os

macabeus iriam ressuscitar”. (Os macabeus,

na Antigüidade tinham libertado

Israel do domínio estrangeiro).

Um Estado judaico na Argentina

Herzl tinha em vista dois possíveis

territórios, Argentina ou Palestina: “A

Argentina é, pela própria natureza, um

dos países mais ricos da terra, com

vastas extensões, com pouca população

e clima ameno”. Mas a Palestina

foi a alternativa que mais inspirou

Herzl: “A Palestina é nossa inesquecível

pátria histórica... Caso sua majestade

o sultão nos ceda a Palestina, poderíamos

regular as finanças de toda a

Turquia. Para a Europa iríamos representar

uma barreira contra a Ásia e seríamos

um posto avançado de cultura

contra a barbárie”.

Um ano depois, o primeiro Congresso

Sionista Mundial na Basiléia determinou

a Palestina como a velha e a

nova Pátria do Povo Judeu. Naquela

ocasião o jornalista liberal Herzl não

queria um Estado com caráter religioso

ou militar: “Nós saberemos manter

nossos sacerdotes em seus templos,

assim como saberemos manter também

nosso exército nos seus quartéis. Eles

não devem interferir nos assuntos de

Estado, porque assim iriam provocar

dificuldades externas e internas”.

Um categórico não foi a resposta

do sultão para o avançado posto judaico

de proteção contra a barbárie.

Mesmo assim, ele não conseguiu evitar

a imigração dos ativistas sionistas

vindos da Europa. A população

local sentiu-se ameaçada, na medida

em que crescia o número dos colonos,

porque esse não era o tipo de

judeus com o qual os árabes conviviam

desde séculos.

Com esses “judeus antigos” eles

geralmente conseguiam conviver muito

bem. Afinal, foram os muçulmanos

que (depois da conquista de Jerusalém

em 1638 e. C.) extinguiram a lei romana

que proibia os judeus de entrar em

Jerusalém. Eles respeitavam a fé judaica,

mas só mediante a obrigação do

pagamento de um sobrecarregado imposto

religioso.

Em 1881, pouco antes do surgimento

da manifestação de Herzl, viviam 450

mil árabes, mas só 24 mil judeus, na

maioria trabalhadores com seus ofícios

ou pequenos comércios.

A maioria muçulmana os tratava

– conforme o historiador Elie Kadourie

– com “desprezível tolerância”. Por

outro lado, temiam os “judeus novos”

porque esses vinham “da imoral Europa

e queriam apropriar-se das terras

e tirar da população local sua

pátria e sua cultura”.

Teodor Herzl não concordava com

isso. Entre árabes e judeus poderia reinar

a paz. A imigração judaica traria

também para os árabes vantagens –

escolas, pavimentação, hospitais. O

teórico do Estado Judeu Teodor Herzl

escreveu numa carta para o sábio islâmico

Yusuf Diya al-Khalidi: “Meu D-us,

o mundo é grande que chega, e ainda

existem países não de todo habitados

onde se poderia assentar milhões de

judeus. Em nome do Todo-Poderoso,

deixem a Palestina em Paz!”.

Khalidi se preocupava com a lenta

desapropriação de terras que começou

com a primeira onda de imigração.

Pelo menos no início, latifundiários

árabes colaboraram bastante

com isso. Eles venderam suas terras

a preços exorbitantes aos judeus. Os

arrendatários foram obrigados a se

retirar. “O medo da desapropriação e

expulsão seria o principal impulso da

resistência árabe contra o sionismo

até 1948 (quando houve a primeira

guerra)“, assim escreveu o professor

israelense de História Benny Morris.

No ano de 1900 existiam 60 mil judeus

na Palestina. Dificilmente os recém-chegados

da Europa tinham conflitos

de consciência. Para os religiosos,

a volta à Terra Prometida significava

a realização da promissão bíblica,

portanto a vontade de D-us, e fora de

qualquer crítica. Os outros viram os

árabes com os olhos do tempo, quer dizer,

com os olhos do colonialismo. “Não

podemos esquecer que se trata de um

povo semi-selvagem que possui idéias

extremamente primitivas. E isso faz parte

da sua natureza: quando o árabe sente

tua força, ele se submete e esconde o

seu ódio contra você. Quando ele sente

tua fraqueza, ele te dominará”, assim

Dia no gueto — Aspecto da cidade de

Wilna, na Letônia, onde os judeus do

Leste europeu viviam, muitas vezes,

segregados em bairros próprios. Por

isso, muita gente desconfiava deles


O Schtetl - um mundo

à parte - e o pogrom

Quando o poeta Heinrich Heine

viu as condições em que vivia a gente

do Schtetl, sentiu a principio asco

e em seguida compaixão. “Depois vi

mais de perto o estado em que as

pessoas se encontravam e os buracos

como chiqueiros onde moravam,

onde rezavam, faziam seus pequenos

negócios e viviam em verdadeira

miséria”, disse ele. Mesmo havendo

essa miséria, para os moradores

do Schtetl (vilarejo ou bairro judaico

dentro de uma cidade pequena)

isso significava um mundo intacto.

Ali havia sinagoga, cemitério e mikve

– (casa de banho ritual). Tudo

no Schtetl era judaico: as roupas, a

língua e os costumes.

No final do século 19 as leis russas

permitiam aos judeus somente

trabalhos restritos. Por isso, muitos

deles vagavam a procura de um emprego.

Só uma minoria deles saía de

seus bairros. Eles levavam sua vida

entre eles próprios.

Os judeus não tinham acesso à

sociedade e transformaram-se em

corpos estranhos —eram vistos com

desconfiança pelos russos, eles mesmo

vivendo na miséria. Na virada do

século 19 para o 20, essa desconfiança

desaguou em ódio e barbárie.

Por exemplo, em Kishinev, o dia

6 de abril de 1903 foi feriado. Enquanto

os cristãos russos–ortodoxos

festejavam o domingo de Páscoa, as

comunidades judaicas comemoravam

o último dia do Pessach. Foi um dia

excepcionalmente quente. Na praça

Chuflinski estavam montadas barracas

de venda e o carrossel. Após o

longo período de jejum, “jorrava”

novamente o álcool. Depois do almoço,

os primeiros cristãos já estavam

bêbados. Enquanto as crianças

davam voltas no carrossel, os adolescentes

começaram a cercar alguns

judeus, gritavam com eles e os ame-

escreveu Moshe Smilansky. Muitos colonos

que antes na Europa foram reprimidos,

desenvolveram agora contra seus

trabalhadores diaristas árabes, “uma

tendência de despotismo, que sempre

acontece, quando um escravo vira dono”

assim escreveu Ahad Haam, um dos poucos

críticos da época.

Os britânicos prometem

tudo a todos

Em 1909 um árabe mostrando e

balançando seu punhal, assaltou um

jovem colono no caminho acidentado

entre dois assentamentos judaicos:

Sejera e Yavniel. O agressor feriu sua

açavam, até estes conseguirem fugir

deles. Mais adultos se juntavam à

multidão. Quando não havia mais

judeus à vista, eles se mobilizavam

para procurar novos judeus. Pequenos

grupos de 10 a 15 homens se

dirigiram em direção dos bairros judeus.

Na frente iam os agitadores

apontando com os dedos as casas e

lojas que em seguida os outros atacavam

com pedras. Junto, ia uma

turba que saqueava as vitrines quebradas

e o que se encontrava atrás

das portas. Alguns policiais que tentaram

conter os agitadores simplesmente

foram empurrados. Tarde da

noite a multidão se dispersou.

Mas na manhã seguinte novamente

o bairro judeu foi invadido.

Quando saqueavam uma loja de roupas,

ainda na rua homens e mulheres

provavam calças e saias. Quando,

nas lojas de bebidas, eles bebiam

ali mesmo. Logo as ruas estavam

repletas de cacos de vidro e por

todos os lados voavam as penas dos

acolchoados dilacerados. Quando

encontravam um judeu, este era

puxado para fora de seu esconderijo

e surrado até desfalecer.

O balanço da festa de Páscoa de

Kishinev: 49 judeus mortos, 500 feridos,

700 casas saqueadas e destruídas,

700 lojas totalmente destruídas,

2000 famílias judaicas ficaram

desabrigadas.

Raramente um pogrom ficou tão

bem documentado como o de Kishinev.

Dos outros schtetls não existe lista

com os nomes dos mortos e das

existências destruídas. Cerca de 2,5

milhões de judeus do Leste europeu

fugiram entre 1881 e 1914 dos países

onde nasceram. Entre 80 e 85%

deles, emigraram para a América. Alguns

foram para o país de seus antepassados,

para Eretz Israel. Eles se

tornaram os primeiros pioneiros.

vítima levemente com pontadas do punhal,

arrancou dele sua pasta e fugiu

sem ser reconhecido por sua presa. O

assaltado chamava-se David Ben Gurion

e deveria mais tarde ser o grande condutor

da Independência de Israel. Já

semanas antes, Ben Gurion sentiu de

perto a guerra de guerrilhas entre árabes

e colonos judeus. Os árabes tinham

roubado o gado dos judeus e incendiaram

suas plantações. Havia mortes em

ambos os lados. O jovem participava

na perseguição dos agressores, munido

somente com uma pistola Browning.

Mas somente agora, quando ele estava

sangrando e sem sua pasta, uma coisa

ficou clara para Ben Gurion: “nossos

vizinhos árabes nos odeiam”. Tinha

nascido a resistência palestina.

Em 1913 um artigo na revista “Filastin”

exigiu dos governantes otomanos

medidas drásticas contra a compra

de terras realizadas pelos judeus.

“Os sionistas conseguem o domínio

sobre nossa terra, vilarejo por vilarejo,

cidade por cidade, amanhã

será vendida toda Jerusalém e depois

toda a Palestina”. Em 1914 um panfleto

jogado de avião, dava a palavra

de ordem que a partir disso determinou

a relação entre judeus e árabes:

“Concidadãos! Vocês querem ser escravos

dos sionistas, que vieram para

expulsar vocês de seu país, e que dizem

que este país lhes pertence?”

Como reação houve um aumento das

restrições contra judeus.

Então estourou a Primeira Guerra

Mundial. O império otomano ficou

do lado da Alemanha e da monarquia

dos Habsburgos. A Grã-Bretanha,

França e Rússia foram os principais

opositores. A Inglaterra procurava

aliados no Oriente Médio para

assegurar o Canal de Suez.

Os árabes se ofereceram, porque

queriam se livrar finalmente do domínio

otomano (os turcos). Em 1915,

numa carta dirigida ao Xerife de

Meca, os britânicos prometeram (de

uma forma vaga) como recompensa

para uma revolta a “independência

dos países árabes”.

Com receio de que o sionismo se

declarasse a favor do “Deutsches Kaiserreich”

(o Império alemão) o ministro

do exterior Balfour escreveu para a

comunidade judaica na Grã-Bretanha

uma carta parecida com a que ele tinha

escrito para o Xerife de Meca, a

famosa “Declaração Balfour”: “O governo

de sua majestade vê com satisfação

a criação de um estado nacional para

o povo judeu e faria o maior esforço

para alcançar este objetivo”.

Desde então, ambos os lados poderiam

crer, com razão, que isso significava

a aceitação de seus planos.

O que eles não sabiam é que numa negociação

secreta em 1916, a Inglaterra

e a França, o tal chamado “Acordo

Sykes-Picot”, concordaram em dividir

entre eles aquela região e que não

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

galvão

deveria haver estados nacionais independentes.

A política oportunista de

balançar de lá pra cá dos

britânicos tinha começado.

Ela foi fatídica.

Depois do desmantelamento

do império otomano

no final da Segunda

Guerra Mundial a região

foi ocupada pelos

britânicos e franceses. A

seguir, Faisal, o filho do

Xerife de Meca, encontrou-se

em janeiro de 1919 com

Chaim Weizmann, que nessa época era

o político sionista mais influente. Faisal

precisava de aliados para arrancar

o grande império árabe das mãos dos

britânicos, que o tinham prometido a

seu pai em 1915. Ele decidiu tomar uma

iniciativa, que Israel até hoje avalia

como prova de que os árabes inicialmente

eram favoráveis a um Estado judaico:

Caso os judeus estivessem a favor

dessa iniciativa, Faisal concordaria

em excluir a Palestina de um Estado

árabe e a deixaria aos

judeus como “Estado-Pátria”.

Faisal declarou: “Todas

as medidas necessárias

deviam ser tomadas,

para que a imigração judaica

à Palestina fosse

encorajada e apoiada em

grande escala”.

Faisal, em carta dirigida

à mulher de Weizmann,

disse: “Mostremlhes

desprezo, nós não

os vemos como árabes”.

Os palestinos amargaram

a experiência que seus irmãos

árabes, sem escrúpulos, fizeram passando

por cima deles e que simplesmente

os deixaram para trás em seus

direitos na Palestina.

Por precaução, o príncipe de Meca

adicionou, escrito a próprio punho e

em árabe, que esse acordo teria validade,

caso realmente resultasse um

Estado árabe independente. Em 1920,

conforme o acordo secreto, a França

recebeu o Líbano e a Síria sob “região

continua na página 12

11

Trabalho no campo

sob as armas — Um

veículo blindado

puxando um arado

num campo perto de

Haifa (em 1929).

Contra os constantes

ataques dos francoatiradores

árabes, os

colonos judeus se

protegeiam com

patrulhas e milícias

A luta por Nablus —

Essa cidade na

Cisjordânia é uma das

mais turbulentas. Ali

aconteceram mais

levantes e luta

armada nas ruas

entre revolucionários

árabes e o exército

britânico do que em

outros lugares. O

exercito britânico

contra-atacava os

palestinos com

tanques


12

Em 1896 o jornalista

Theodor Herzl

escreveu o

“Judenstaat “ (O

Estado Judeu) – o

livro virou o guia do

movimento sionista

Pogroms — Os

judeus eram

segregados nas

cidades e

perseguidos na

Europa. No final do

século 19 voltou o

anti-simetismo. Por

isso, muitos foram

embora. Estes

ataques eram

freqüentes no

império dos czares

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

continuação da página 11 seguiram mais ou menos, manter a paz.

de mandato”, enquanto a Grã–Bretanha

recebia o Iraque, a Transjordânia e a

Palestina. (a palavra “colônia” havia

então caído fora de moda). Os árabes

da região nunca concordaram com a iniciativa

particular de Faisal. Aos britânicos

eles protestaram contra o crescente

número de imigrantes judeus e

fundaram entidades como a “Mão-Preta“

para “matar a lesma sionista enquanto

jovem“. Um equilíbrio para eles

parecia impossível:

“Iremos jogar os judeus no mar ou

eles nos expulsarão para o deserto”, diziam.

O lado judeu compartilhou, a princípio,

esta avaliação: “Realmente não sei

qual árabe irá concordar com um Estado

judeu. Nós, como nação, queremos que

este país seja nosso. Os árabes como nação,

querem que seja deles”,

escreveu Ben Gurion em 1919.

Os ingleses acreditaram

num equilíbrio e seguiram

com seu “zigue–zague”. Por

um lado, eles repetitivamente

limitavam o número dos

imigrantes, e por outro, reconheceram

a Agência Judaica

como a associação oficial dos judeus

na Palestina. Winston Churchill,

na época ministro colonial, escreveu:

“Nós pensamos que ela é boa para o

mundo, boa para os judeus, boa para o

império britânico, mas também bom

para os árabes que vivem na Palestina.

Eles irão participar dos benefícios e

avanços do sionismo”.

Durante dez anos os britânicos con-

Mas o tempo trabalhava a favor dos judeus.

Em 1931 já se contavam 175 mil

imigrantes (e 880 mil palestinos). A

modernidade européia e a tradição árabe

se confrontavam visivelmente. Um

observador europeu escreveu: “Lá, o

árabe leva a safra em cima de um camelo

ou um burro. Aqui o judeu a leva de

caminhão. Entre os fellachen (tribo árabe)

as galinhas correm no pátio atrás

do muro, enquanto entre os judeus, as

galinhas vivem em galinheiros feitos

com chapas metálicas onduladas, cientificamente

aprovadas. Lá, o galo é de

cor e miúdo, e aqui a raça branca é poedeira.

Lá, sai um minúsculo ovo, enquanto

aqui, um produto agrícola de

primeira linha. Lá, tem estaganção, enquanto

aqui, o sucesso”.

Em 1929 as tensões se descarregaram

numa revolta generalizada. O ponto

de partida foi uma demonstração judaica

no Muro das Lamentações, em Jerusalém,

que para os árabes significa uma parte

do lugar sagrado chamado Mesquita de

Al-Aksa. O ápice dessa revolta foi o massacre

de Hebron. Uma multidão árabe

enfurecida matou ali 66 judeus. O relatório

do chefe da Polícia britânica dizia:

“Escutei um grito, subi correndo a escada

e vi um árabe que estava prestes a

degolar uma criança. Ele já havia atingido

por uma vez a cabeça da criança, e

queria, naquele momento, perpetrar o

segundo golpe. Quando me viu, quis me

golpear, mas como estava na frente do

meu rifle, consegui paralisá-lo com um

tiro na virilha”.

Estranhamente não foram massacra-

Os Husseini contra os sionistas

Quando Musa al-Husseini construía em

1897 seu palácio no monte Scopus, com uma

impressionante escada suspensa, iniciava a

primeira onda de

imigrantes judeus.

A cidade ainda estava

sob domínio

do sultão na distante

cidade de

Istambul. Seus

emissários se mostravamentusias-

Husseini apoiava o nazismo mados com tanto

e encontrava-se com Hitler

luxo oriental que o

pequeno castelo

da Rua Abu-Obeida mostrava. Até o monarca

Hailé Selassié, da Etiópia, e o imperador alemão

Guilherme II tomaram chá nessa vila, hoje

conhecida sob o nome “Casa do Oriente”, um

símbolo do passado na Palestina.

Até a primeira metade do século 20, os

Husseini dominavam o cenário em Jerusalém.

A família se dizia descendente de Hussein,

neto do profeta Maomé. Seus antepassados

teriam vindo 700 anos antes de Meca para

Jerusalém. Desde o século 17 foram eles chefes

supremos da parte santa da cidade. Quase

sempre o clã Husseini ocupava cargos religiosos

tão importante como o de mufti ou conselheiro

da justiça e possuía extensos latifúndios

na então Palestina. Muitas vezes o prefeito

também descendia dos Husseini. Bairros

inteiros, como o Monte das Oliveiras, pertenciam

à parentela que contava 3 mil membros.

Um membro da família contava orgu-

lhoso que “os judeus eram obrigados a sair da

calçada quando ali passava um Husseini”. Desde

o inicio, a família foi contra o sionismo. O mais

radical era Haj Amin al-Husseini, o fundador do

nacionalismo árabe. Quando em abril de 1920

estourou a revolta em Jerusalém, o brilhante pregador

foi condenado a 10 anos de reclusão pelo

governo do mandato britânico por causa dos motins

que insuflava. Mas esse homem de 27 anos

fugiu para a Síria e foi-lhe dado o perdão. Logo

era nomeado grão-mufti. Esse homem, magro, de

cara pálida e cabelos ruivos, sempre tentou internacionalizar

o conflito palestino. E para isso viajou

atravessando toda a Arábia. Sob seu domínio

sempre aconteciam massacres — até na revolta

contra os britânicos e judeus. Novamente o aristocrata

conseguiu se salvar através da fuga —

desta vez para Bagdá. Mas Haj Amin cometeu um

erro fatal: Em 1941 ele mudou-se para Berlim, elogiou

Hitler como “o guia admirado em todo mundo

árabe“, e em 1943 recrutou na Bósnia-Herzegovina

os “muçulgermânicos” para o exército das SS.

Em seguida ele exigiu dos nazistas ataques aéreos

contra Tel Aviv. Nunca mais o desprezado grão-mufti

voltou à Palestina. Solitário, morreu em 1974 em

Beirute. Nenhuma rua, nenhuma praça tem seu nome

porque ele foi responsabilizado pela “Nakba” – a

catástrofe da perda da terra palestina. Mas sua imagem

esta mudando. Até mesmo pesquisadores

israelenses vêem o descendente dos Husseini também

como um patriota palestino. E para os experts

árabes, Haj Amin-al Husseini não só fez o pacto

com os nazistas por causa de motivos ideológicos,

mas também simplesmente agiu conforme o lema: O

inimigo do meu inimigo é meu amigo.

dos os novos imigrantes, mas os “antigos

judeus” de Hebron. Até aí, eles viviam

passivamente com seus vizinhos

muçulmanos. O conflito da Terra Santa,

que até então fora uma disputa

entre imigrantes que precisavam de

terras e agricultores nativos, agora

ganhava uma nova dimensão: Judeus e

palestinos estavam em oposição.

O mufti de Jerusalém (que pertencia

ao clã dos Husseini), conclamou todos

os “guerreiros santos” para “a revolta

contra o inimigo que fere a honra

do Islã, que estupra nossas mulheres

e assassinam nossas viúvas e bebês”.

No Norte da Palestina Izzedin al-

Qassam pregava a Jihad contra os “invasores”.

As brigadas armadas do Hamas

fundamentalista, usam até hoje

este nome. No inicio dos anos 30, os

sacerdotes muçulmanos se opuseram à

reivindicação judaica às terras, declarando

a Palestina como “Waqf”, a terra

santa para todos os muçulmanos: “A

venda de terras islâmicas para um estrangeiro

não-muçulmano, não tem

valor nenhum e é uma traição para Dus

e seu profeta”. O abismo entre eles

ficara enorme.

Muitos judeus fogem

dos nazistas

Os britânicos também suspeitavam

disso. Assustados com a perseguição

aos judeus, principalmente na

Alemanha, eles começaram a retirar

as limitações da imigração dos judeus.

Logo a seguir, em 1936, estourou

a revolta árabe que se dirigiu contra

os judeus e britânicos que viraram

“protetores dos invasores”. Houve confrontos

sangrentos e uma greve geral

que se alastrou por meses.

A Grã–Bretanha reagiu como sempre:

Instalou uma Comissão de Inquérito

dirigida por Lord Peel. Ela mostrou

notavelmente uma clara visão:

“Aproximadamente um milhão de árabes

estão em luta aberta e latente

contra 400 mil judeus. Não coincidem

em nenhum ponto suas vidas cultural

e social, como sua maneira de pensar e

levar a vida, como seus esforços nacionais”.

Por isso, Peel propôs em 1937

uma divisão que deixaria aos judeus um

mini estado na costa entre Tel-Aviv,

Haifa e o Lago Genesaré (Kineret),

aproximadamente 1/5 da Palestina. O

restante ficaria nas mãos dos árabes.

Após algumas hesitações, David Ben

Gurion concordou: “Os judeus seriam tolos

se não concordassem mesmo se o país

cedido a eles tivesse só o tamanho de

uma toalha de mesa. Um estado judaico

numa parte da Palestina não significa o

fim, mas apenas um início”. Mas os árabes

o rejeitaram. Eles não viam razão para

entregar nem um palmo de terra e receavam

que Ben Gurion quisesse só por “um

pé na porta”, para mais tarde criar um

Israel maior. A revolta recomeçara.

De volta ao Muro das Lamentações —

Em 1918, sob a vigilância de soldados

britânicos, judeus rezam em Jerusalém

no lugar mais sagrado de sua religião

Os árabes ocuparam temporariamente

numerosos vilarejos e cidades,

e até por alguns dias Jerusalém. Os

britânicos reagiram com muito vigor.

Eles dinamitaram casas dos rebeldes e

destruíram as plantações de cítricos.

Mais de 100 árabes foram enforcados.

Para evitar sabotagem nos trens, foram

amarrados nas locomotivas os rebeldes

e seus parentes. Na primavera

de 1939 a revolta árabe fracassou. A

revolta custou mais de 6 mil mortos.

Seus líderes foram presos ou fugiram

para o exterior. Parecia que a causa

dos palestinos chegava ao fim. Aí o

governo britânico novamente mudou

seu curso político.

A Europa estava ameaçada por uma

segunda guerra mundial. Mais uma vez

a Grã–Bretanha não podia se dar ao

luxo de irritar os árabes. Porque sem o

petróleo do Oriente Médio não se podia

ganhar a guerra. “Subitamente os

árabes passavam a contar estratégica

e economicamente mais do que os colonos

judeus”, assim escreveu Benny

Morris. Uma nova declaração do governo

de Londres chocou os judeus. Mesmo

que seus irmãos fé fossem perseguidos

pelos nazistas, eles só deixariam entrar

nos 10 anos seguintes 75 mil judeus e

depois, só tantos quantos os árabes

concordassem, e ninguém mais.

“O governo de sua majestade, está

convicto que a Declaração Balfour não

tinha a intenção de que a Palestina

pudesse ficar contra a vontade de sua

população árabe, ser transformada num

Estado judeu”, assim dizia a frase principal

dessa manifestação britânica. Os

judeus juraram lutar contra essas medidas

com toda sua força. Aí Hitler atacou

a Polônia. A Segunda Guerra Mundial

havia começado.

Os árabes tinham esperança que a

Alemanha de Hitler fosse vencer os

ocupantes britânicos. Os judeus também

viam os britânicos como uma pedra

no caminho de seu próprio Estado.

Mas a ameaça nazista contra seu próprio

povo tinha mais peso em sua concepção.

Por isso, Ben Gurion deu a palavra

de ordem para os seis anos seguintes:

“Os judeus vão lutar nesta

guerra junto com a Grã–Bretanha como

se a manifestação britânica não existisse.

E lutar contra essa manifestação

como se não existisse a guerra”.

* Teja Fiedler escreve na revista semanal alemã Stern. O presente artigo foi

publicado na edição nº 21 de 16/5/2002. Tradução, adaptação e compilação de

Eugen Wilfried e Adelaide Sprenger


Não Matarás, óleo sobre tela, 1943, de

Samuel Bak

Jane Bichmacher de Glasman*

Arte e Judaísmo

conceito de arte judaica

pode parecer, a alguns, uma

contradição devido à proibição

explícita do quarto

mandamento: “Não farás

para ti imagem de escultura,

nem qualquer semelhança do que há em

cima, nos céus, nem embaixo, na terra,

nem nas águas abaixo da terra” (Êxodo

20:4), que em Deuteronômio 4:16-8, ao

proibir imagens esculpidas, particulariza

em termos que não deixam lugar a

ambigüidade: “à semelhança de macho

ou fêmea, de qualquer animal que esteja

na terra, de qualquer ave alada que

voa nos céus, de qualquer peixe que esteja

na água abaixo da terra.”

O Refugiado, óleo sobre tela pintado em

1939 por Felix Nusbaum

Esta interdição, vista como antagônica

a todo desenvolvimento artístico,

implicaria numa visão muito estreita do

escopo e funções da arte, pois nem toda

arte é representativa e, mesmo nesta, existem

motivos desvinculados de figura humana

ou animal. O certo é que nem sempre

foi interpretada assim, mesmo entre

judeus mais observantes. O próprio Pentateuco,

com as suas instruções detalhadas

a respeito do querubim que seria colocado

na Arca, sugere que a proibição do

Decálogo deveria ser lida em conjunção

com o versículo seguinte: “Não te curvarás

ante elas e não as servirás” – isto é,

que nenhuma imagem deve ser feita com

o propósito de idolatria, tanto representando

quanto substituindo a Divindade.

Através da história judaica atitudes

e interpretações variaram por regiões e

gerações. Às vezes a proibição era total;

em outras, chegava-se ao extremo

oposto, incorporando figuras humanas

até a objetos ritualísticos. Era mantida

somente no que se refere a “imagens

esculpidas” tridimensionais de seres

humanos, isto é, bustos e estátuas. Estes

só começam a aparecer nos séculos

17 e 18, embora, mesmo no período clássico,

ocorreressem algumas exceções

significativas, como belos exemplos de

mosaicos e afrescos em ruínas de sinagogas

dos seis primeiros séculos e.c.,

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

Holocausto e Arte

como Dura Europos.

Era também proibida a reprodução

dos utensílios do Templo. Por extensão,

não se poderia usar qualquer forma de

arte em partes do culto religioso.

No período medieval uma forma que

possibilitou aos judeus expressão artística

foi a dos manuscritos iluminados,

com variados tipos de ilustração, dependendo

da origem, por exemplo “páginas

de tapete” entre os judeus de países islâmicos,

ou figuras humanas (obviamente

chinesas) em Meguilot (Rolos, livros

bíblicos) usados pelos judeus da China.

Uma forma comum era a micrografia, que

consistia em escrever um texto em letras

minúsculas formando uma figura. Um

dos textos favoritos dos ilustradores era

a Hagadá de Pessach, pois, sendo lida

em casa não era levada à sinagoga, permitindo

ao artista maior liberdade de

criação. A invenção da imprensa marcou

o fim da iluminura, embora tenha permanecido

na decoração de Ketubot (contratos

matrimoniais) e até nas primeiras

versões impressas do Mahzor (livro de

orações para Iamim Noraim).

A atitude judaica era condicionada por

duas forças opostas: repulsão e atração.

O fato é que as artes foram desenvolvidas

e acompanharam o percurso do povo judeu,

em todas as formas de expressão.

Objetos ritualísticos artísticos são usados

no ciclo da vida judaica e adornam os lares,

identificando-os desde sua entrada,

com as mezuzot. Obras de artistas plásticos

judeus figuram nos museus do mundo,

além de crescerem os museus especificamente

judaicos. A literatura em hebraico,

idiomas e dialetos judaicos e outras

línguas é a base da religião além de

constituir a expressão da alma humana,

através dos tempos. “A área de maior criatividade

artística não foi a das artes plásticas,

mas a de expressão sonora: música,

canto e, em particular, a arte de contar

histórias, porque nelas a imaginação foi

capaz de voar livremente, sem limitações.”

(Unterman, p.32)

Todos estes aspectos marcam o testemunho

da presença judaica no mundo,

mesmo, ou principalmente, de onde fomos

banidos, expulsos ou massacrados.

Arte Judaica e Holocausto

Este tema desdobra-se em inúmeras

questões, desde o que foi preservado da

arte judaica após o abalo apocalíptico

nazista, o que foi produzido durante e

como o Holocausto foi representado nas

artes, por testemunhas, sobreviventes

e pelos que não viveram pessoalmente.

Há ainda o aspecto da múltipla representação

artística, em todas as suas

manifestações, das artes plásticas e

visuais, como pintura, escultura, arquitetura

e arte ritualística, até a literatura,

hebraica, judaica e universal.

O Prof. Salo Baron (1970) baseado

num memorando quando convidado a depor

no Processo Eichman em 1961 sobre

as comunidades judaicas destruídas pelos

nazistas, escreveu que: “Foi por reconhecer

a importância cultural dos judeus que

os nazistas, quase imediatamente após

terem chegado ao poder, procuraram combatê-los

intelectualmente.”Estabeleceram

uma divisão especial de pesquisa judaica

em Munique, no Reichsinstitut seguida

pelo lnstitut zur Erforschuing der Judenfrage

em Frankfurt, dirigido pelo ideólogo

do movimento nazista, Alfred Rosenberg,

que reuniu uma biblioteca judaica e

hebraica para utilizar no ataque aos judeus

e ao judaísmo, confiscando coleções

francesas e alemãs, incluindo os arquivos

Rothschild e a biblioteca da Alliance Israélite

Universelle. Com a expansão da Nova

Ordem, os alemães estabeleceram instituições

similares para o estudo da “questão

judaica” em Paris e em Lodz. Sob a pressão

nazista, a Itália criou instalações, em

1942, para o estudo da raça e das questões

judaicas nas universidades de Florença,

Bolonha, Trieste e Milão.

É difícil ser preciso acerca das perdas

totais judaicas na Europa, pois os

alemães destruíram não só o povo, mas

também os documentos em que cálculos

mais apurados poderiam ter-se baseado.

A maioria das estimativas converge ao

redor de seis milhões de judeus mortos,

número citado no processo dos criminosos

de guerra em Nuremberg.

A tragédia foi maior onde a vida

comunitária cultural judaica era mais

florescente. Tesouros culturais seculares,

3000 Kehilot e suas instituições

desapareceram. Grandes escolas de instrução

superior, jornais, revistas, editores

e centros artísticos foram arrasados.

Além da enorme porcentagem de

judeus mortos durante a Shoá, sua elite

intelectual estava tão dizimada, que

sobreviventes procurando realizar algo,

estavam privados de seus líderes, fossem

rabinos, literatos ou eruditos.

Atualmente o mundo tem participado

das pesquisas e debates sobre os

tesouros roubados pelos nazistas, além

do resgate (?) dos mesmos e da questão

das indenizações. Mas seria possível

atribuir qualquer tipo de valor material

à arte perdida, roubada ou destruída?

E a vida humana: tem preço?

Parece-me mais que óbvio que não.

Outra questão, mais complexa a meu

ver, é tentar compreender: como no seio

da barbárie, conseguia a alma humana

criar, pintar, escrever e até cantar?

A Fênix Judaica: Arte e Cinzas

Em um artigo sobre o Museu de Arte

do Holocausto, parte do Yad Vashem,

Yehudit Inbar escreveu que durante o

Holocausto, artistas registraram o que

testemunhavam e sentiam em sucatas de

papel, usando lápis, carvão ou qualquer

coisa que servisse para esboçar uma linha.

É difícil entender de onde eles tiravam

força psicológica para serem criativos,

quando sua preocupação precípua

era a sobrevivência imediata. Como eles

reuniram força expressiva que irrompe tão

poderosamente dos seus esboços desesperados?

Como tal arte foi produzida na

escuridão daquele período de horror?

Para alguns artistas a arte era um

modo de descrever o que eles e os ao

seu redor viam e vivenciavam. Sendo a

arte a única ferramenta documental

com a qual eles estavam familiarizados,

usaram-na para aquele fim.

Para outros, a arte foi um mecanis-

mo que tornou a sobrevivência

psicológica possível.

Era o seu modo pessoal

de confrontar-se com

a crise que os tinha acometido.

Alguns pintaram o

passado, para escapar do

presente por alguns momentos

passageiros; outros

pintaram para o futuro.

Todas estas obras de

arte têm uma qualidade notável, a

maioria manifesta no seu dualismo de

força e fragilidade.

O Museu de Arte de Yad Vashem possui

a maior coleção de Arte do Holocausto

no mundo. Arte criada

predominantemente por

artistas judeus que viveram

sob a ocupação alemã, em

cidades, guetos e campos de

concentração durante a Segunda

Guerra. Seu testemunho

permite, embora brevemente,

que nos aproximemos

de uma realidade que é

tão freqüentemente descrita

como indescritível. Estes

esboços, desenhos e pinturas

são acima de tudo a manifestação

de uma das formas

mais altas de heroísmo, um gesto

de desafio que proclama o triunfo do

espírito. Arte criada em condições onde

a simples tarefa de encontrar materiais

era uma realização maior e onde

habilidades eram usadas para sobreviver

é uma afirmação do ímpeto

criativo tão forte que não

sucumbiu sob as condições mais

atrozes. Para muitos, tal coragem

custou suas vidas. A preservação

destas obras de arte assume

uma feição milagrosa, bem

como sua recuperação.

O próximo dia 19 de agosto

(21 de Av) marca 50 anos da fundação

do Yad Vashem. Envie felicitações

para o e-mail international.relations@yadvashem.org.il

E visite o Museu on-line http://

www.yadvashem.org.il

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

UNTERMAN, Alen. Dicionário Judaico de Lendas

e Tradições. RJ: Zahar, 1992.

BARON, Salo. História e Historiografia. SP,

Perspectiva, 1974.

ENCICLOPÉDIA JUDAICA. RJ, Ed. Tradição, 1967.

INBAR, Yehudit. Art in the Face of Adversity:

The New Museum of Holocaust Art. Copyright

©2001 Yad Vashem The Holocaust Martyrs’ and

Heroes’ Remembrance Authority http://

www.yadvashem.org.il

The Art Institute of Chicago. Eileen Harakal,

Executive Director of Public Affairs Copyright © 2000

* Jane Bichmacher de Glasman é

doutora em Língua Hebraica,

Literaturas e Cultura Judaica-USP,

professora adjunta, fundadora e exdiretora

do Programa de Estudos

Judaicos–UERJ, professora e

coordenadora do Setor de Hebraico-

UFRJ (aposentada), coordenadora do

Grupo de Estudos Beer Miriam–ARI e

escritora. (janebg@hotmail.com ou

janeglasman@terra.com.br)

13

Taleskpten, técnica

mista (guache, carvão

e crayon sobre papel)

pintado em 1944 por

Zinovvi Tolkatcher

Em memória aos

tchecos

transportados para

as câmaras de gás,

1945, carvão, de

Yehuda Bacon

Resgate de um

ferido, pintado

em tinta sobre

papel, em 1943

por Alexander

Bogen

Telas da coleção

do Museu de Arte

do Holocausto

do Yad Vashem,

em Jerusalém


14

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

Dalton Catunda Rocha *

Supremo Tribunal Federal decidiu

em definitivo. O escritor

gaúcho Siegfried Ellwanger foi

condenado por crime de racismo.

Tal figura, que costuma assinar

os livros que escreve sob o

pseudônimo S. E. Castan foi condenado

em definitivo. Reconheço que o julgamento

não acabou, por causa do pedido

de vistas do processo, por parte de

um dos novos juízes do STF. Ainda assim,

o pseudo-historiador Ellwanger já foi condenado.

A maioria absoluta dos juízes do

STF já o condenou. Como disse antes, não

cabe recurso a esta condenação. O julgamento

não terminou, mas a maioria absoluta

dos juízes condenou Ellwanger.

Criou-se uma jurisprudência. A discriminação

contra grupo religioso, agora é

considerada racismo no Brasil.

Argumentavam os advogados de

Ellwanger, que judeus não são uma raça.

Há judeus pretos, brancos, mulatos. Judeus

são um grupo religioso e não racial.

Ainda assim, todas as instâncias da justiça

brasileira decidiram, pela condenação

do pseudo-historiador Ellwanger. Decidiram

eles que ao publicar livros, com

fatos falsos e absurdos sobre a História

judaica, Ellwanger cometeu crimes de racismo.

Ainda não sendo os atingidos de

uma raça, mas de um grupo religioso,

Ellwanger foi condenado. E a condenação

é definitiva, sem recurso.

Se o mesmo critério, de condenar pessoas

pelo fato delas difundirem farsas

absurdas e caluniosas, sobre povos,

Ellwanger teria que ser seguido por muitas

centenas de pseudo-historiadores.

Ellwanger não é nem de longe, o único

caluniador de povos que tem por aí.

Exemplo de caluniadores de povos,

são aqueles, que “garantem” que os brasileiros

massacraram mais de 1 milhão de

paraguaios, na guerra do Paraguai. Na

verdade, a população paraguaia, antes do

início daquela guerra, sequer chegava a

300 mil almas. Outra maluquice é a transformação

de Solano Lopez, em herói e

figura a ser admirada, até mesmo por

descendentes de parte das vítimas deles,

os brasileiros. O supostamente heróico

Solano Lopez, dentre outros feitos, mandou

prender e torturar a própria mãe. Para

completar, mandou matar dois cunhados,

por imaginárias traições. Livros que se

dizem didáticos dizem, que o Brasil entrou

em guerra contra o Paraguai, a fim

de agradar os imperialistas britânicos. Na

verdade, o Brasil entrou em guerra, contra

Lopez, não para agradar os imperialistas

britânicos, mas sim devido à não

provocada invasão de nosso território.

Há outros caluniadores de povos, que

preferem caluniar com base em farsas, da

História recente. Um exemplo são as dúzias

de caluniadores, que garantiram que

quem havia armado o Iraque, tinham sido

os americanos. Na verdade, menos de 1%

do arsenal do deposto ditador Saddam

Hussein, era de origem americana. A

maioria absoluta era de origem soviéti-

Discípulos de Ellwanger

ca. A França vinha em segundo lugar.

Usando o mesmo critério, de calunia

a povos, Ellwanger ficaria cercado

de centenas de companheiros

de pena. Brasileiros e americanos,

não são raças, mas sim povos. Há

brasileiros e americanos brancos,

negros, mulatos, etc.

Mesmo no caso de calúnias diretas

ou indiretas aos judeus, Ellwanger

tem muitos discípulos. A maioria

destes discípulos gosta de caluniar

Israel e os judeus que vivem

nele. A maioria das mentiras dirigidas

contra Israel é indireta.

A maioria liga-se ao suposto tratamento

dado aos palestinos pelos

governos de Israel. Sempre quando

um palestino, mesmo com uma ficha

quilométrica de crimes terroristas,

contra judeus, é eliminado ou

sofre ferimentos, a maioria da mídia

brasileira anuncia.

Quando muçulmanos massacram

em massa, outros muçulmanos ou

não muçulmanos, a maioria da mídia

brasileira cala a boca. Sim, o finado

ditador Hafez Assad da Síria, mandou

massacrar toda a população de

uma cidade síria por uma rebelião

contra ele. Quando tal ditador morreu

no poder, não vi nenhum grande

jornal brasileiro que lembrasse este

fato da vida de Assad.

Quando este ou aquele palestino

é morto, a mídia anuncia em coro.

Ao lado disto, há um silêncio sepulcral

sobre a escravidão de negros, por

parte de muçulmanos no Sudão. Quando

o regime talebã no Afeganistão

decretou pena de morte a crianças

que soltassem pipas ou mulheres que

pintassem as unhas, mal se falou

nisto. Toda vez que Israel resolve

controlar, com toque de recolher, os

palestinos, a mídia tece imensos

comentários. É aquilo que George

Orwell, em seu livro “1984”, chamou

de duplipensar, se manifesta.

Um exemplo do ódio da maioria

da imprensa brasileira, a Israel é o

eterno enfoque aos tiros e bombas,

que de fato ocorrem por lá. Considerando-se

as mortes totais de pessoas,

por causas violentas, em Israel e territórios

palestinos, tenho que dizer

que Israel é muito mais calmo que o

Rio de Janeiro. A revista “Força Aérea”

nº 31, que está nas bancas atualmente,

mostra que para o mesmo

período de tempo, houve mais de quatro

vezes mais mortes violentas no Rio

de Janeiro, que em Israel mais Gaza e

Cisjordânia. Quem duvide que leia a

página 101, da referida revista. O autor

do artigo é Carlos Lorch. A mídia

simplemente recusa-se a dizer, que o

Exército de Israel é uma criança inocente,

comparado ao comando vermelho

(CV) ou ao terceiro comando. Ambos

vampiros insaciáveis, tanto o CV,

como o terceiro comando, não têm

em geral, qualquer cuidado na escolha

de quem vão matar.

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

No entanto, a maioria da imprensa

brasileira condena sempre Israel.

Sempre destaca aquele país, como se

ele fosse o mais violento do mundo.

O que é uma clara mentira. E difundida

como se fosse verdade. Israel é

muitas vezes mais calmo que o Brasil,

embora jamais eu vi nenhum telejornal

importante dizer isto.

Um outro exemplo recente foi o

ataque terrorista à maior cidade judaica

do mundo, Nova York em 11/

09/2001. Mais de 3.600 mortos, sendo

muitos deles judeus. Ainda assim,

não faltaram aqueles que “garantiram”

serem as vítimas, os verdadeiros

culpados. Quando a reação americana

começou, um político brasileiro,

chamou tal reação de “injusta

agressão ao povo afegão”.

Mais recentemente, um outro conhecido

político brasileiro, declarou

que o terrorismo se deve à fome. Como

se Osama Bin Laden não fosse filho

de um bilionário saudita, tendo Bin

Laden herdado várias centenas de milhões

de dólares.

O mesmo conhecido político resolveu

reagir com todo um palavrório

contra a invasão americana ao Iraque

de Saddam Hussein. Vale lembrar que

o curriculum vitae de Saddam é horroroso.

Saddam mandou jogar gás venenoso

contra seu próprio povo, invadiu

e massacrou iranianos, Saddam

mandou enforcar em massa judeus em

praças públicas do Iraque, Saddam

torturou e matou pessoalmente judeus,

etc. No entanto, segundo este

conhecido político brasileiro, os americanos

tinham que ter o aval da ONU

VJ INDICA

LIVRO

para depor o anti-semita Saddam.

Nunca uma pessoa viu este mesmo

político brasileiro exigir aval da ONU

para a então URSS invadir a Hungria

(1956), a Tchecoslováquia (1968) ou o

Afeganistão (1979). Este mesmo político

brasileiro jamais exigiu aval da

ONU para Fidel Castro financiar e armar

guerrilhas no Brasil, Uruguai, Bolívia,

Argentina, Chile, Venezuela, etc.

Quando Fidel Castro enviou ajuda à Síria

na guerra contra Israel, em 1973,

não houve nenhuma resolução da ONU

apoiando isso. No entanto, este político

não exigiu de Fidel nenhuma resolução

da ONU para nenhuma das várias

intervenções patrocinadas pelo mais

antigo ditador do mundo ao longo de

mais de 44 anos de ditadura. Pelo contrário,

todos sabem que este político

brasileiro é o maior amigo de Fidel Castro

no mundo inteiro. Pelo que dá entender

este político, não é necessário

que nenhum país inimigo de Israel tenha

aval da ONU para intervir em qualquer

outro país. Quando se deseja depor

um inimigo de Israel, tem que haver

aval da ONU para tal. Dois pesos e

duas medidas: ambos contra Israel.

Ellwanger não faria melhor.

Concluindo: há menos o que comemorar

com a condenação definitiva

de Ellwanger do que se pensa. Gente

tão mentirosa quanto o pseudo-historiador

Ellwanger está por aí. Esta gente

repete todos os dias um monte de farsas

contra Israel. Eles difundem a farsa

de um Israel cruel, malvado, violento

e etc. Não poucos desses mentirosos

são pessoas respeitadas, poderosas

e em altos postos.

* Dalton Catunda é engenheiro-agrônomo desempregado.

E-mail:dalton@fortalnet.com.br

Guia dos Perplexos

Maimônides - Editora Sêfer

O pensamento de Maimônides, o grande Rambam, talmudista, filósofo,

codificador de leis, matemático e médico que

viveu de 1135 a 1204, passa a fazer parte da coleção

Clássicos da Editora Sêfer através desta edição

única, uma obra compilada e comentada dos temas

que compõem o famoso Guia dos Perplexos. O

trabalho desvenda de maneira fascinante as relações

que Maimônides estabelece entre filosofia e

judaísmo. Profundo e acessível a um só tempo,

apresenta a razão como caminho que leva o

homem a D-us.

A iniciativa encontrou obstáculos, mas o saber

ímpar do genial Rambam prevaleceu e, graças

a ele, estudiosos e leitores interessados puderam,

século após século, compreender a verdade

que tece os nítidos vínculos entre razão e

religião. O lançamento desta edição especial de O

Guia dos Perplexos em português permite que, a partir de agora,

também o público brasileiro desfrute, explore e discuta as idéias e conceitos

de um dos maiores luminares intelectuais da Humanidade – formulações

tão atuais hoje quanto há 800 anos, quando foram escritas.


Melancólico fim de

uma era romântica

Marcos Wasserman*

Como todo bom judeu da minha geração também

nasci no Bom Retiro. Fui aluno do Renascença,

na época da 2ª Guerra Mundial. Da minha casa até a

escola era uma boa caminhada, talvez uns dois quilômetros.

O caminho era cheio de perigos. Bandos

de moleques, entre eles filhos de lituanos e de outros

imigrantes, atacavam os meninos judeus, por

mero divertimento, ou para roubar a lancheira, ou

alguns míseros centavos que levávamos no bolso.

Ao término da guerra o Bom Retiro regurgitava

de jovens que ativavam em diferentes movimentos

sionistas. O trauma do Holocausto e a proclamação

do Estado de Israel foram dois acontecimentos que

causaram uma verdadeira revolução na vida judaica.

Para começar os jovens se organizaram, e os

perseguidos até então limparam as ruas do Bom

Retiro dos jovens hooligans anti-semitas. A proclamação

do Estado de Israel insuflou em todos

um misto sentimento de orgulho e de segurança.

O regozijo era enorme como se o próprio Messias

tivesse chegado.

Alguém se lembra da enorme manifestação realizada

no Estádio do Pacaembu, (sim em pleno Estádio)

onde milhares e milhares de judeus se aglomeravam

nas arquibancadas; e na pista, que marginava

o Campo de Futebol, desfilavam os jovens

dos movimentos sionistas, judeus que chegaram

de todos os cantos do Estado de São Paulo, desfilando

em delegações de todas as cidades, Santos,

Sorocaba, Itu, Ribeirão Preto, Santo André, São

Bernardo etc. etc.

Quando o primeiro navio israelense o Theodor

Herzl, encostou no cais do porto de Santos, um

público enorme invadiu o navio e quase o depredaram,

pois cada um queria levar consigo uma lembrança,

como se cada objeto que ali se encontrava

fosse um pedacinho de Israel.

A apoteose foi à chegada do primeiro Embaixador

de Israel no Brasil, e o coração dos judeus paulistas

se expandiu de felicidade, no dia em que foi

inaugurado o Consulado de Israel em São Paulo.

Mais de meio século depois o Consulado de Israel

em São Paulo está sendo fechado. Decisão

tomada em Israel, por alguns burocratas por questões

orçamentárias, decisão sancionada pelo Ministro

do Exterior de Israel. Uma decisão merecedora

de todas as críticas possíveis e imaginárias.

A comunidade judaica paulista, em sua maioria,

mantém-se apática e indiferente a tão triste

acontecimento. Tirando algumas tímidas cartas e

modestos abaixo-assinados não houve nenhuma

outra reação mais séria.

Quem “ganha” com o fechamento do Consulado?

Do lado israelense os funcionários frios e indiferentes

cumpriram ciosamente com a sua tarefa

de fazer cortes no orçamento. Do lado judaico

paulista “ganhou” a corrente cuja linha de pensamento,

entre outras, enfatiza pugnar pela continuidade

do povo judeu, desvinculada de Israel. Não

foi obra do acaso a discussão se deveriam ser mudados

os nomes das entidades denominadas “israelitas”,

para “judaicas”.

Quem perdeu? Na realidade muito são os que perderam.

Israel perde um importante Consulado, na mais

importante cidade da América Latina. A comunidade

fica órfã como se tivesse perdido um pai.

O fechamento do Consulado de Israel simboliza

o fim de uma era. O fim melancólico em São

Paulo, da era romântica do Sionismo.

* Marcos Wasserman é advogado e presidente do

Centro Cultural Israel-Brasil em Tel Aviv.

Email: mlwadvog@netvision.net.il

• Na’Amat Pioneiras convida a

comunidade para a inauguração

da sala Bella Chamecki Glock

z“l, no Cip, dia 3 de agosto

(domingo) as 17h. Homenagem

merecida a esta Pioneira.

• Em comemoração ao Dia dos

Pais, a Wizo programou para o

dia 2 de agosto um jantar jogo

(de cartas) no CIP, com sorteio

de prêmios para os pais

presentes.

Em 2002 o seminário foi muito animado

Fotos: Szyja Lorber

• De 15 a 17 de agosto estará

acontecendo o 3º Seminário do

Beit Chabad de Curitiba, no

Mata Atlântica Park Hotel. Este

ano o tema será “Saúde e

judaísmo: meu corpo e minha

alma”. O renomado Rabino

Avraham Beuthner, do Rio de

Janeiro, estará conosco para

falar sobre: “Energização

positiva do corpo”, “Shabat e o

judeu cardíaco”, “Alegria: terapia

mística anti-stress”,

“Alimentação saudável conforme

Maimônides” e muito mais neste

fim-de-semana em meio à

natureza e toda a infra-estrutura

do hotel, com atividades

especiais para as crianças, além

do encontro de novos e velhos

amigos. Reservas e informações

no Beit Chabad, tel. 243-0818 e

244-8266.

• Fani Lerner, ex-secretária da

Criança e Assuntos da Família

do Paraná, será homenageada

em com o Prêmio Hanna Neil,

oferecido pela

organização

americana

World of

Children. A

premiação é a

mais importante

do mundo na

área de ação

Fani Lerner social para a

saúde e o

desenvolvimento das crianças. É

a primeira vez que uma

brasileira receberá esta

homenagem. Fani foi

selecionada entre 140

candidatos de vários países de

todos os continentes. A

cerimônia de premiação será de

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

18 a 20 de novembro, em

Columbus, Ohio, cidade sede da

World of Children. Não é todo o

dia que um paranaense recebe

homenagem desse quilate. Em

qualquer outro estado brasileiro,

teríamos um mês de

comemorações. Aqui, silêncio e

autofagia. Shalom Fani, você

merece!

• A coluna da jornalista Ruth

Bolognese do dia 1º/7 em “O

Estado do Paraná” errou na nota

com o título ”Pragmatismo”

quando afirmou que o Jornal

Israelita do Paraná é “tradutor da

opinião da colônia”. Não é. Nem

nós somos! Todos sabem que

ninguém da comunidade recebe

essa publicação desde que seu

fundador Ben Ami Saltz faleceu,

embora vez por outra continue

sendo impresso e usando o

nome da colônia. O que se

estranha é o silêncio e a falta

de uma resposta dos dirigentes

da comunidade israelita a

respeito. Dizem que quem cala,

consente...

• No dia 9 de agosto, Alex

Grupenmacher lerá a haftará de

Shabat, em honra do seu Bar

Mitzvá. Aos pais, Betina e

Francisco, a coluna deseja

muitas “naches” do filho.

• Martha e Mauricio Schulman

comemoraram 46 anos de

casados. Mazal Tov.

• No período de 19 a 22 de junho

nosso time de futsal esteve no

Rio de Janeiro participando da

Seletiva de Futsal para os X

Jogos Pan-americanos

Macabeus que serão realizados

em Santiago no Chile em

dezembro de 2003. Os

resultados alcançados foram

excelentes. Ficamos com a 2ª

colocação nas duas categorias

que participamos. Obtivemos

sucesso também nas

convocações: André Camlot foi

convocado para jogar na

categoria Júnior, o atleta Pedro

London foi convocado para a

categoria Juvenil, o professor

Gustavo Meier Brasil foi

convocado para a Comissão

Técnica da categoria Juvenil.

• De 28 de julho a 1º de agosto o

CIP estará organizando a 2ª

Colônia de Férias da Kehilá

para crianças de 4 a 7 anos.

Horário: das 14 às 18h. Preço:

R$ 80,00 Informações na

secretaria do clube.

• No dia 7/7 aconteceu encontro

de confraternização do Grupo

Apoio, no salão de festas do

casal Alegre e Felipe Bronfman.

Apresentou-se o Grupo

15

Tunguendesse (Vem nos guiar)

de Angola. O grupo original

compõe-se de oito elementos,

mas nesta noite apresentaramse

seis. Cantaram musicas em

dialetos angolanos. Todos os

componentes do grupo estão

estudando em universidades

curitibanas. Encontro alto astral

e o ingresso, como sempre, foi

material de limpeza para o

Instituto Paranaense de Cegos.

Nelson Barbalat e Isac Nudelman

• Terminado o mandato de Isac

Nudelman frente à direção da

Escola Israelita, aliás, numa

bela gestão, assume Nelson

Barbalat, encabeçando a equipe

e sua diretoria: Ilana Lerner

Hofmann, Sally Reich, Silviane

Sasson Hass e o Joel Ilan

Paciornik, acompanhando a

distância e integrando a equipe

no início do ano que vem. Os

membros da atual diretoria

foram convidados a somar com

a nova equipe e a Esther deverá

ter participação mais

efetiva. Boa sorte a todos e

contem com Visão Judaica.

• Com o tema “Os desafios de

Israel hoje” Yoel Schwartz que

esteve em Curitiba dia 3 de

julho

ministrou

palestra no

Centro

Israelita do

Paraná

(CIP), em

evento

promovido

pelo Eitan.

Yoel é

sheliach da

Yoel Schwartz

Sochnut e

trabalha na

Congregação Israelita Paulista.

Foi madrich do machon le

madrichim. Na manhã do

mesmo dia ele esteve na escola

conversando com as crianças.

• O Dror fará realizar a machané

local de 14 a 18 de julho, para

crianças de 9 a 13 anos, que

freqüentam o movimento e o

preço será de R$ 160,00. De 23

a 31 de julho acontecerá

machané central, para jovens a

partir de 14 anos, com um custo

de R$ 360,00. Maiores

informações no Dror.


16

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

OLHAR

HIGH-TECH

Israel ajudará o ‘Fome Zero´

O Instituto Weizmann de Ciências, de Israel,

vai participar do programa Fome

Zero. Um convênio de cooperação mútua

com o governo brasileiro para a transferência

de conhecimentos tecnológicos nas

áreas agrícola e de energia, será assinado

este ano, com investimento israelense

que pode chegar a US$ 500 mil. Arie

Zehavi, vice-presidente de assuntos internacionais

e relações-públicas para

América Latina do Instituto Weizmann,

disse que o instituto vai ajudar o Brasil

no combate à fome através de técnicas

agrícolas de última geração. “São técnicas

modernas de adaptação de produtos

alimentícios a terrenos áridos”. Cientistas

israelenses trabalharão em conjunto

com brasileiros para transferir conhecimentos

científicos, especialmente na área

de engenharia genética. O Instituto Weizmann

também está oferecendo ao Brasil

técnicas para aproveitamento de energia

solar para abastecer populações que não

recebem energia elétrica.

Fome Zero 2

Zehavi chega ao Brasil no dia 4 de agosto.

Pretende agendar junto ao governo brasileiro

a data de assinatura do convênio entre

o presidente do instituto israelense, Ilan

Chet, e representantes do programa Fome

Zero. Segundo Zehavi, o instituto considera

o combate à fome uma “causa nobre”.

Na ocasião da assinatura entre os dois países,

Lula receberá do Instituto Weizmann

o prêmio de ciências e humanidades, uma

honraria já entregue a vários líderes mundiais,

mas pela primeira vez será dada a

um representante do Brasil. “´É uma homenagem

ao presidente Lula pela iniciativa

de combate e erradicação da fome no país,

que deve servir de exemplo para o mundo.

Gostaríamos de oferecer o prêmio durante

uma possível visita [de Lula] a Israel, mas

ainda não há confirmação de que isto aconteça”,

afirmou Zehavi.

Produto contra o Sars

A empresa israelense Medex Screen saiu

na frente na luta contra a Síndrome de

Imunodeficiência Respiratória (Sars) e desenvolveu

um produto que poderá identificar

a moléstia em seus estágios iniciais,

fornecendo, ainda, o diagnóstico em dez

minutos. Os primeiros testes já foram realizados

em pacientes internados num hospital

de Cingapura. Fundada na cidade de

Dimona em 1999, a Medex Screen tem se

dedicado ao desenvolvimento de instrumentos

não invasivos que permitam a detecção

de males nos órgãos internos.

Senac e Sapir College

O Senac de São Paulo e o Sapir College, de

Israel, firmam um acordo co-patrocinado

pelas câmaras de comércio e indústria Brasil-Israel

e Israel-Brasil. O objetivo é o

intercâmbio de tecnologias educacionais,

visitas de professores entre as diversas faculdades

do Senac São Paulo e do Sapir

College, troca de experiências entre profissionais

e educadores de ambas instituições

e convênios para projetos especiais,

principalmente nas áreas de Meio Ambiente,

Fotografia, Informática e Comunicações.

Abram Szajman, presidente da Federação

do Comércio do Estado de São Paulo,

e Tzvi Chazan, presidente da Câmara

de Comércio e Indústria Israel-Brasil, assinaram

o acordo, na presença de Luiz

Francisco de Assis Salgado, diretor regional,

e Luiz Carlos Dourado, superintendente

de Desenvolvimento, ambos do Senac

São Paulo; Nelson Grunebaum e Jayme

Pasmanik, vice-presidentes, e Francisco

Gotthilf, diretor, da Câmara Brasil-Israel

de Comércio e Indústria.

Uma pílula-câmera I

Pacientes com problemas

estomacais e

intestinais cansados

de fazer exames

“desconfortáveis”

como endoscopia já

podem respirar aliviados.

A empresa

israelense Given

Imaging está fazendo

sucesso com a M2A, pílula usada para

diagnosticar problemas de saúde nos estômagos

e intestinos de pacientes em

todo o mundo. Segundo a empresa, até

agora, cerca de 40 mil pessoas já usaram

a pílula sem problemas. Uma das organizações

mais criteriosas para aprovação de

medicamentos, a Food and Drug Administration

(FDA), deu sinal verde para a adoção

da M2A nos Estados Unidos, que usa

a pílula em exames desde 2002. O modo

de funcionamento da M2A é bem simples:

o paciente engole a cápsula, que contém

uma minúscula “câmera”. O transmissor

dentro da cápsula envia as imagens para

um computador que a exibe aos médicos

para análise e diagnósticos.

Pílula-câmera II

A M2A não é muito maior que uma aspirina,

com cerca de 11mm x 26mm e 4

gramas de peso. Apesar de bem pequena,

ela inclui uma fonte de luz, bateria, um

transmissor e uma antena. Depois de feito

o exame, a M2A é expelida naturalmente

e nunca é absorvida pelo corpo.

Para receber as imagens, o paciente usa

um gravador wireless de dados e imagens,

que fica preso ao seu corpo como um cinto,

bastante similar à um walkman portátil.

Os sinais enviados informam a trajetória

da pílula dentro do organismo, sem

causar nenhuma dor ou desconforto ao

paciente, que pode continuar com suas

atividades normais enquanto a câmera

trabalha internamente e os sensores do

cinto gravam os dados recebidos. O processo

dura cerca de oito horas.

Pílula-câmera III

Depois, um computador com software apropriado

processa os dados e produz um vídeo

que alia as imagens às informações de

cada região gravada. Com estes dados, os

médicos podem ver, editar e gravar as imagens

produzidas pela cápsula. Há informações

de que o Hospital Albert Einstein, em

São Paulo, já trabalha com esta cápsula.

Considerando a alta tecnologia, custa algo

em torno de US$ 500,00 nos EUA.

O Judaísmo acredita em

uma vida após a vida?

oshe Maimônides, o Rambam

(1135-1204) compilou os 13

Princípios Básicos do Judaísmo.

O décimo e o décimo-primeiro

princípio declaram que D-us sabe

de todas nossas ações e que Ele recompensa

e pune conforme nossas atitudes.

Uma vez que não enxergamos o mal ser sempre

punido ou o bem ser sempre recompensado,

é lógico que, se existe um D-us bom e

justo, deve existir um Mundo de Almas, uma

vida após a vida, que seja o grande equalizador.

Lá, o mal que não foi punido neste

mundo é castigado e os bons atos que não

foram recompensados são sim premiados.

Existem alusões à vida após a vida na

Torá, embora não explicitamente escritas ou

declaradas (o Talmud, no Tratado Sanhedrin,

capítulo 10, discute o assunto ‘vida após a

vida’). Quando o Patriarca Yaácov (Jacob)

faleceu, a Torá relata: “... ele morreu e uniuse

ao seu Povo (Gênesis 49:33)”. A Torá então

nos informa que os egípcios ficaram de

luto por Yaácov por 70 dias antes que seu

filho, Yossêf (José) recebesse permissão para

enterrar seu pai na Caverna Hamachpelá, em

Hebron, Israel. O que a Torá quis dizer com

“ele uniu-se ao seu Povo?” A resposta é que

esta é uma referência de que sua alma foi

levada para uma vida após a vida.

Mais adiante, no livro de Bamidbár (Números),

a Torá relata a história de Bilaam, o

diabólico profeta gentio, que foi contratado

pelo rei Balak para amaldiçoar o Povo de Israel.

Em meio à história, Bilaam manifestase

da seguinte maneira: “Permita-me morrer

a morte dos justos e que meu fim seja como

o deles (os Judeus justos) (Números 23:10)”.

Será que os justos morrem melhor que os

malvados? Na verdade Bilaam estava querendo

dizer: “Deixe-me viver minha vida nos

meus termos e segundo meus próprios desejos,

mas quando chegar para a vida após a

vida, permita que minha alma seja recompensada

como os justos são recompensados”.

Creio que estas duas alusões são válidas,

mas não emocionalmente convincentes. Se a

vida após a vida é uma parte tão essencial

da fé Judaica, por que a Torá a aborda de

uma maneira indireta? A Torá poderia ter

descrito o Mundo Vindouro em detalhes, mas

preferiu não fazê-lo. Por que?

Por dois motivos:

1) A Torá é um livro de instruções para

esta vida. Ela estabelece instruções sobre

como vivermos uma vida sagrada, elevada e

cheia de significado, e como melhorarmos a

nós e ao mundo em que vivemos. O Todo-

B”S

Kalman Packouz *

Poderoso deseja que foquemos nossos esforços

em nossas obrigações nesta vida. A vida

após a vida irá se manifestar por si só.

2) Mesmo se a Torá descrevesse detalhadamente

a vida após a vida, como alguém

poderia verificar sua existência? Ninguém

jamais retornou do Mundo Vindouro para

confirmar ou negar qualquer coisa.

Muitas pessoas e seitas fazem um retrato

da vida após a vida. O Talmud nos ensina:

“Aquele que quer mentir diz que suas testemunhas

estão em algum lugar longínquo”. Por

exemplo: Uma pessoa vai a um juiz alegando

que fulano está lhe devendo uma enorme

quantia de dinheiro. O fulano é intimado e

fala o seguinte para o juiz: “Já lhe devolvi o

dinheiro, mas acontece por acaso que minhas

testemunhas estão viajando pela Europa”. É

como alguém dizer: “Tenha fé em nós e você

ganhará o paraíso”. Em ambos os casos, não

há maneira de validar o que foi alegado.

Apesar de o Judaísmo crer na vida após a

vida, um Mundo Vindouro, a Torá não faz nenhuma

promessa ‘longínqua’. A Torá nos conta

sobre as recompensas e punições neste

mundo, em resposta às nossas ações e atitudes.

Na verdade não precisamos ir mais longe

do que o que está escrito nesta porção semanal

da Torá: “Se vocês seguirem Meus decretos

e cumprirem Meus mandamentos, Eu irei

prover-lhes chuvas no momento certo, e a

terra dará sua produção e as árvores darão

seus frutos ... e comerão pão até se saciarem

e morarão em segurança em sua terra. Garantirei

paz em sua terra e vocês poderão dormir

sem preocupações... Farei vocês florescerem

e se multiplicar... (Vaikrá 25:3-9)”

Por que a recompensa e a punição são

tão importantes para nós? O Rabino Yaácov

Weinberg, em seu livro ‘Fundamentals

and Faith’, nos responde: “Um mundo sem

recompensa ou punição é um mundo de absoluta

indiferença, e a indiferença é a

maior demonstração possível de rejeição.

Uma pessoa não pode viver com indiferença.

Para que haja um relacionamento entre

D-us e o homem, D-us precisa reagir às

ações do homem. Nosso reconhecimento

desta reação (através de recompensas ou

punições) nos informa que o Todo-Poderoso

se importa conosco e que nossas atitudes

realmente fazem diferença para ele.

Sem recompensa e punição a vida não tem

significado e também é injusta, pois o que

o homem faz ou deixa de fazer não fará

nenhuma diferença!”

Extraído do semanário Meor

Hashabat, de autoria do Rabino Kalman

Packouz, com permissão do autor

* Kalman Packouz é rabino, especialista em tecnologia e educador. Vive nos Estados

Unidos. Publicou livros e fundou o Serviço Judaico para Encontro de Casais via

Computador (the Jewish Computer Dating Service). Packouz é casado e pai de nove filhos.

Coordena as atividades da Organização Êsh Ha Torá a nível internacional como diretor

executivo e abriu um escritório americano para os programas mundiais do Êsh Ha Torá, de

onde escreve o Meór Ha Shabat Fax semanal, proporcionando uma visão moderna e

entusiasmante sobre a vida, crescimento pessoal e a Torá. Este boletim é lido hoje por mais

de 150 mil leitores via e-mail em todo o mundo, em inglês, português, persa e russo.


Ser terrorista – o direito dos povos

que não reconhecem os direitos

Edda Bergmann*

O terrorismo sempre inclui riscos individuais para quem o pratica,

mas nunca se transformou, com raríssimas exceções em destruição

do próprio eu, em sacrifício total de quem se envolve com ele.

Este é um fenômeno relativamente novo no Século 21,

com certeza novo na quantidade e qualidade dos seus praticantes,

assim como na extensão de suas ações e no alcance

de seus objetivos.

Trata-se de desvios mentais de comportamento incentivados

pelo ódio exacerbado e pelo furor mágico contra a vida, em detrimento

da vida terrestre e esperança da vida triunfal do Além.

Sempre houve seitas que pregaram o ódio e o fanatismo liderados

por fanáticos intransigentes, retrógrados e repressores da vida.

Sempre houve ódio sobre a face da Terra. Mas tanto ódio

reprimido por pessoas normais que saem da vida diária, de

uma vida aparentemente útil, de uma família aparentemente

constituída e numerosa, de uma casa e de um povoado ou

cidade onde sempre moraram, para cometer atos suicidas e

levar à morte inúmeras pessoas até então totalmente desconhecidas

tentando matar e ferir gravemente o maior número

possível delas para receber sua recompensa plena no paraíso,

isto realmente nunca houve.

Tamanho desvio de comportamento, tamanho desvio de relacionamento

humano de pessoas aparentemente normais e

esclarecidas, de pessoas que vivem em sociedade demonstram

a existência de uma sociedade doente, no mínimo com idéias

distorcidas sobre a existência do mundo, deste mundo caótico

que com certeza não é o preconizado por Maomé, que seria

o enviado de Alá na Terra.

Bater palmas ao terrorismo, acalentá-lo em seu berço e fazer

dele o ideal supremo da vida é tão caótico quanto irreal.

Quem poderia prever um novo século desta natureza desconhecida

e não palpável? Quem poderia admitir que isso fosse

acalentado em meio à globalização, aos computadores, às

viagens espaciais e à centena de médicos debruçados sobre

seus doentes a fim de prolongar a vida das pessoas e sua

permanência no planeta terra?

O avanço da vida humana, a 3ª, a 4ª e 5ª idade já se fazem

presentes nos dias de hoje com sua participação ainda ativa nas

atividades normais da vida e do cérebro. As tentativas de vencer

doenças até ontem incuráveis, todo o esforço para salvar uma

vida quando outras tantas são jogadas estupidamente fora.

Se formos verificar quantas crianças palestinas e árabes estão

em hospitais israelenses para sobreviver a doenças até ontem

mortais, e quantas já foram curadas veremos que a missão

da paz é muito superior à da guerra.

Numa guerra estúpida, sem presente nem futuro, que destrói

por destruir, que não cria e não recria nada, um povo que

diz não ao futuro, não pode dizer sim ao presente porque ele

simplesmente não o tem.

Mas será que o mundo todo perdeu a cabeça e não é mais

capaz de entender que isto não é caminho para nada?

É preciso que surja alguém que saiba sonhar, não no devaneio,

não no imprevisível, mas que saiba sonhar com uma

humanidade mais coesa, mais amiga, mais coerente e mais

afeiçoada a si mesma, pessoas que gostem de pessoas, pessoas

que respeitem pessoas que saibam que os destinos de

todos e o de cada um, são resolvidos por um ser superior e

não pelos seus ditames sanguinários e irreversíveis. Pessoas

que saibam dizer sim à paz, mesmo que ela seja precária,

difícil e complicada. A paz são três letras totalmente necessárias

à sobrevivência do ser humano no planeta Terra.

Saber sonhar é como dizia Theodor Herzl; “Se tu quiseres

será apenas um sonho, mas se realmente o quiseres poderás torná-lo

realidade”.

Isto não depende apenas de nós, mas também depende de

nós, de todos nós!!!

* Edda Bergmann é presidente da B’nai B’rith do Brasil

Rabi Isaac Luria

O Ari

O século 16 trouxe consigo o cabalista mais influente

na história: Rabi Isaac Luria.

Um estudioso brilhante com a idade de 13 anos, ele

era chamado de “Ari,” que significa “O Leão Sagrado.”

O Ari tinha o dom de explorar as profundezas internas

do Zohar. Ele viveu como um ermitão por 13 anos,

sondando seus mistérios. Não era incomum que o Ari

meditasse acerca de um versículo do Zohar durante muitos

meses, até que o sentido oculto lhe fosse revelado.

O Ari descobriu segredos extraordinários dentro das

palavras poéticas do Zohar. Ele descreveu um sistema

de evolução que ia muito além daquilo que Darwin viria

a explicar séculos depois. O Ari escreveu:

Chegará uma época em que homens da ciência irão,

em sua busca pelo elo perdido entre o homem e o animal,

tentar considerar o macaco como a forma vivente

da qual o homem evoluiu.

— Árvore da Vida, Portão 42, Cap. 1

O Ari explica, entretanto, que o macaco é uma “imagem

fraudulenta” do homem. Como o homem, o macaco

tem cinco dedos em cada mão. Mas diferentemente

do homem, ele não é capaz de usar a operação do polegar.

O polegar corresponde à dimensão mais elevada

numa realidade de dez dimensões — um nível conhecido

como Keter. O polegar é a chave para a inteligência

humana, de acordo com o Ari.

De fato, Keter é a fonte de toda a inteligência que

permeia o nosso mundo físico. Embora possamos nos

maravilhar com a inteligência do macaco, seu DNA físico

(e metafísico) é preestabelecido — um macaco não

é capaz de sair de sua categoria animal. Essa limitação

de inteligência é demonstrada por sua incapacidade de

operar seu polegar.

Surpreendentemente, os cientistas agora nos dizem

que a vantagem evolutiva do homem tinha origem no

“polegar oposto”. O polegar nos permitiu criar ferramentas

e portanto era a chave para o desenvolvimento

da inteligência humana.

O Ari revelou um código notável explicando a forma

como a energia espiritual do Messias começaria a se

expressar em nosso mundo físico no ano de 1948, numa

sexta-feira de tarde.

Cerca de 500 anos depois, o Estado de Israel nasceu

no ano de 1948. A posição de Israel como um estado

foi ratificada pela ONU numa sexta-feira de tarde.

O Ari demonstrou poderes misteriosos durante sua

vida. Foi relatado que em uma ocasião ele reuniu seus

discípulos para uma longa viagem até Jerusalém para

passar ali o sábado. Todos ficaram desconcertados so-

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

17

Rav Berg*

bre como poderiam chegar a tempo à cidade, pois faltava

pouco tempo até o sábado.

O Ari era um homem que vivia o conceito da mente

estar acima da matéria. Disse ele:

“Os elementos de tempo, espaço, e movimento são

meramente uma expressão das limitações impostas pelo

corpo físico sobre a alma. Quando a alma tem poder sobre

o corpo, esses fatores limitantes deixam de existir.

Vamos agora prosseguir até Jerusalém, pois nossos corpos

físicos perderam sua influência sobre nossas almas.”

Depois de entrarem em meditação e cantarem canções

místicas, o Ari e seus discípulos chegaram antes

do sol se pôr, para receber o sábado.

O maior legado do Ari foi sua composição cabalística

Os Escritos do Ari, compilados pelo seu aluno mais

prezado, Rabi Chaim Vital. Essa obra profunda gerou o

que é conhecido como Cabala Luriânica.

A Cabala Luriânica tornou-se a escola definitiva do

pensamento cabalístico, e teve um impacto dramático

sobre o mundo. Estudiosos contemporâneos eminentes

só agora estão descobrindo a profunda influência que

este grande cabalista da Renascença teve sobre intelectuais

notáveis como Sir Isaac Newton.

Professor Allison P. Coudert afirma em seu livro O

Impacto da Cabala no Século Dezessete:

“A Cabala Luriânica merece um lugar que nunca recebeu

nas histórias dos desenvolvimentos científico e

cultural do ocidente.”

O grande matemático e filósofo Leibniz, que inventou

o cálculo e, assim sendo, aquelas aulas cansativas de matemática

que tivemos que agüentar no colégio e na universidade,

foi profundamente influenciado pela Cabala. Isaac

Newton — considerado por muitos como o maior cientista

de todos os tempos — estudava Cabala secretamente, onde

ele encontrou idéias que carregam uma semelhança notável

com algumas de suas maiores descobertas científicas.

Todo o conhecimento e material que aparecem no website

www.kabbalah.com têm origem na Cabala Luriânica.

Com apenas 38 anos, Isaac Luria deixou este mundo

depois de causar um impacto impressionante sobre

a Cabala, no dia 5 de Av.

Ele deixou um sistema espiritual que, quando totalmente

desenredado e decifrado, capacitará à humanidade

tomar controle sobre seu destino individual e coletivo —

um mapa rodoviário e um guia para o corpo e a alma que

livrará as pessoas de seu caos, medo, dor e sofrimento.

Diz-se que Luria veio a este mundo por um único

propósito: instruir seu discípulo, Rabi Chaim Vital, no

sistema Luriânico de Cabala.

* Rav Berg é cabalista, diretor internacional do Centro de Cabala e escreveu Dos ensinamentos do cabalista Rav

Berg (www.kabbalah.com).Tradução e adaptação de Shmuel Lemle, professor do centro de Cabala do Rio de

Janeiro (shmuel.lemle@kabbalah.com).


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VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

Fundação Raoul Wallenberg

homenageou três religiosos

O rabino Simón Moguilevsky,

membro do Conselho

Diretivo da Fundação Raoul

Wallenberg, esteve em Curitiba

para homenagear

com a medalha Souza Dantas

três religiosos que se

empenham no combate ao

antijudaísmo, e visitou escola

municipal que leva o

nome do embaixador sueco, que salvou

centenas de vítimas do nazismo.

Moguilevsky, que foi rabino de Curitiba

por nove anos, e atualmente é rabino

na Congregação Israelita da República

Argentina (Templo Libertad),

rendeu tributo à memória de Luiz Martins

de Souza Dantas, diplomata brasi-

A diretora do CEI Raoul Wallenberg, no São Braz, Maria Agostinha Drulla Felipe, o

aluno com melhor média e o rabino Simón Moguilevsky

A Medalha

Souza Dantas

leiro que salvou judeus e outros perseguidos

durante o Holocausto.

Na ocasião do cabalat shabat do dia

13 de junho, as irmãs Adola e Nehamia,

religiosas Evangélicas de Maria, receberam

a medalha Souza Dantas, da

Fundação Raoul Wallenberg, pelo

importante trabalho que fazem

para a conscientização

dos cristãos quanto a

Shoá, combatendo o preconceito

e o antijudaísmo

existente no meio

cristão. A fundadora de

irmandade foi madre Basilea,

que assumiu uma

postura muito destemida

durante o regime de Hitler.

Como líder das estudantes cristãs

na Alemanha entre 1933 e 1935

a madre Basilea recusou-se a aderir à

política nazista que proibia a assistência

das cristãs de origem judias nas reuniões

da congregação. Arriscou sua vida

e carreira falando publicamente do singular

destino de Israel, o povo de Dus.

Presa duas vezes pela Gestapo, foi

libertada apesar de sua firme postura.

Por outro lado, outra das fundadoras,

madre Martiria, dirigia estudos bíblicos

para jovens a quem ensinava o Antigo

Testamento, atividade que era

proibida pelo regime de Hitler.

Além das duas irmãs evangélicas foi

homenageado, na segunda-feira, 16 de

junho, o padre claretiano Vitor Calixto

dos Santos, diretor do Studium Theologicum

de Curitiba, por seu empenho na

formação de religiosos dentro de uma

consciência aberta ao judaísmo, mantendo

no currículo regular as disciplinas

de Diálogo Religioso e freqüentes

seminários sobre a religião judaica. Padre

Vitor mantém na biblioteca do Studium

um invejável acervo de livros judaicos,

visando dar suporte à formação

dos futuros padres. Em 1998, ocasião

da realização da assembléia

anual da Comissão

Nacional de Diálogo Religioso

Católico Judaico,

o arcebispo de Curitiba,

Dom Pedro Fedalto e o

professor Antonio Carlos

Coelho receberam a medalha

Raoul Wallenberg.

Ainda na tarde do

dia 16 o rabino visitou

o Centro de Educação Integral

Raoul Wallenberg.

Na sua visita, o rabino

falou sobre a vida do diplomata

sueco e de Souza

Dantas, embaixador

brasileiro em Paris, que

salvou 425 judeus, concedendo

vistos para judeus

perseguidos pelo

regime nazista. O Centro de Educação Integral

Raoul Wallenberg, é uma escola

municipal que leva o nome do diplomata

sueco salvador de dezenas de milhares

de vidas na Hungria ocupada de 1944.

Ali foi recebido pela diretora da instituição,

Maria Agostinha Drulla Felipe.

O CEI Raoul Wallenberg se localiza

no bairro São Braz e atende a 410 alunos

durante todo o dia. Os alunos têm

aulas de português, matemática, história,

geografia e ciências, além de

participar de projetos de música, biblioteca,

xadrez, artes, laboratório de

matemática e educação ambiental.

A escola, construída e inaugurada

quando era prefeito Jaime Lerner, numa

gestão do rabino Moguilevsky, educa

jovens que vivem nas vizinhanças. Seu

objetivo é proporcionar aos alunos, além

de una educação formal, a possibilidade

de que desenvolvam suas potencialidades.

A escola também educa crianças

de nível pré-escolar provenientes

de áreas de poucos recursos econômicos

para que seus pais possam trabalhar.

Dedicando-se à educação escolar

integral para crianças da faixa etária dos

6 aos 10 anos a escola cumpre com sua

missão social de Educar para a vida.

Valdecir Galor/SMCS

Moguilevsky distinguiu o estabelecimento

educacional com a medalha

Raoul Wallenberg Um dos alunos com

melhor média foi o encarregado de receber

a láurea.

A Fundação Wallenberg é uma organização

privada, não-governamental,

dedicada a manter viva a memória do

diplomata sueco, difundindo o seu

exemplo por todo o mundo, desenvolvendo

projetos educativos baseados no

conceito de solidariedade e entendimento.

Com sedes em Jerusalém, Nova York,

Buenos Aires e Caracas, a fundação tem

por objetivo perpetuar e valorizar as

ações humanitárias, especialmente daqueles

que puseram suas vidas em risco

durante a Segunda Guerra Mundial, como

Raoul Wallenberg, Cardeal Angelo Roncalli,

Aristides Souza Mendes, Jan Karsky

e outros tantos.

Raoul Wallenberg

Raoul Wallenberg chegou a Budapeste

em 1944, portando um passaporte diplomático.

Sua missão era relatar a situação

dos judeus e outras minorias na

capital húngara. O governo sueco atendia

um pedido neste sentido feito, entre

outros, pelo Congresso Judaico Mundial.

Desde março daquele ano, os nazistas

haviam ocupado a Hungria.

As tropas chegaram acompanhadas

das famigeradas SS e Gestapo, que dominavam

à revelia das minorias. Adolf

Eichmann organizava a deportação de

judeus húngaros para os campos de

concentração. Até a chegada de Wallenberg,

já haviam sido levadas 437 mil

pessoas. O jovem sueco impôs-se a tarefa

de salvar os 200 mil que ainda restavam,

expedindo salvo-condutos em

nome da representação diplomática.

Para melhor atingir seus objetivos,

Wallenberg aproveitou-se da grande influência

de sua família (Scania). Esta,

Crianças em atividades no Cei Raoul Wallnberg, São Braz

O diplomata sueco Raoul Wallenberg

por seu lado, mantinha contatos com

a Alemanha nazista. Os negócios do tio

de Raoul, Jakob, beneficiavam a indústria

armamentista alemã. Estas ligações

eram acompanhadas pelo serviço de espionagem

russo.

Em janeiro de 1945, o governo sueco

foi informado por Moscou que Raoul

havia sido preso pelos russos em Budapeste.

Wallenberg foi visto em liberdade

pela última vez em 17 de janeiro

de 1945, em Budapeste, quando tinha

32 anos. O então Ministério russo do

Interior ordenou que ele fosse levado

imediatamente à capital soviética, onde

suas pistas se perderam nas malhas do

serviço de espionagem.

Em fevereiro de 1957, Gromiko informou

à embaixada da Suécia em Moscou

que Wallenberg morrera de enfarte

numa prisão do serviço secreto em

1947. Mais tarde, Alexander Iakovlev,

chefe da Comissão de Reabilitação da

presidência russa, confessou que o sueco

foi executado a tiros. O mistério,

entretanto, prossegue.

Durante muito tempo, acreditou-se

que ele ainda vivia e que estivesse internado

numa clínica psiquiátrica até

1989. Neste ano, o governo russo chamou

os familiares de Raoul a Moscou

para buscarem seus pertences pessoais:

passaporte, agenda de endereços, dinheiro

e uma cigarreira.

Em dezembro de 2000, a Rússia voltou

a admitir oficialmente que o diplomata

sueco foi erroneamente encarcerado

pelos soviéticos até sua morte. Uma


declaração de duas páginas da Procuradoria-Geral

russa revela em parte as

circunstâncias do misterioso desaparecimento

de Wallenberg em 1945.

A Procuradoria afirmou ter concluído

que Wallenberg e seu motorista

“foram reprimidos pelas autoridades

soviéticas’’. Eles foram detidos

por serem considerados, sem

justificativa, indivíduos “socialmente

perigosos’’. O termo repressão

compreende várias formas de perseguição

política da época soviética,

inclusive exílio, encarceramento

e execução de presos políticos.

O procurador-geral Vladimir Ustinov

assinou um veredicto póstumo

que reabilita Wallenberg e seu

motorista argentino, Vilmos Langfelder,

qualificando-os como “vítimas

da repressão política”. O documento

apenas confirma que morreram

em prisões soviéticas, sem esclarecer

maiores detalhes. Durante muito

tempo acreditou-se que estariam

internados num sanatório russo. Os

familiares de Wallenberg e o governo

sueco sustentam que eles foram

executados pelos soviéticos.

Um diplomata da chancelaria sueca,

Jan Lundvik, elogiou a decisão da

Rússia de “admitir o trágico erro cometido

naqueles momentos’’. Mas a

meia-irmã de Wallenberg, Nina Lagergren,

não ficou satisfeita com a confissão

e disse que aguarda mais detalhes

e provas dos fatos.

A partir da esquerda, Antonio Carlos

Coelho, padre Vítor Calixto dos

Santos, diretor do Studium

Theologicum e o rabino Simón

Moguilevsky entregando a Medalha

Souza Dantas

Luís Martins de Souza Dantas

Nos anos 40 o Estado Novo perseguia

a todos que desafiassem a

qualquer determinação do governo

de Getúlio Vargas. Conforme o

caso, eram inevitáveis a prisão e

a tortura. Na Europa a situação era

pior. O nazismo tinha estabelecido

o reino do terror.

Foi nessas circunstâncias que

se desenrolou o capítulo mais palpitante

da vida do embaixador

Luís Martins de Souza Dantas. Por

20 anos, Souza Dantas esteve à

frente da missão diplomática do

Brasil na França. Motivado, pelo

que chamou mais tarde de “sentimento

cristão de piedade”, ele

desafiou duas ditaduras ao mesmo

tempo, concedendo vistos di-

O Brasil teve seu

próprio Oscar Schindler.

Como o famoso

empresário retratado

no filme de Steven

Spielberg, o diplomata

Luiz Martins de

Souza Dantas (1876-

1954), embaixador

brasileiro em Paris de

1922 até 1942, foi

reconhecido oficialmente

pelo Museu do

Holocausto (Yad Vashem)

em Jerusalém,

por ter emitido centenas

de vistos durante

os anos mais

duros da repressão nazista na Europa.

Sem alarde e lutando contra recomendações

oficiais do governo

Getúlio Vargas, Souza Dantas salvou

comprovadamente 475 pessoas de

morrerem em campos de extermínio.

O número certo de pessoas —

judeus, homossexuais, comunistas e

outras vítimas do nazismo — que

encontraram a salvação graças à assinatura

de Souza Dantas não é conhecido.

O historiador carioca Fábio

Koifman, 38 anos, diretor de Pesquisas

da Universidade Estácio de Sá,

acredita que possa passar de mil. Foi

graças a Koifman e a seu livro Quixote

nas Trevas, que o diplomata foi

reconhecido, por unanimidade, com

meio século de atraso, pelo conselho

do museu, no dia 2 de junho.

Koifman deve ir a Jerusalém para a

cerimônia, a ser realizada ainda este

ano, na qual o diplomata receberá,

postumamente, honrarias.

Só 18 diplomatas foram reconhecidos,

até hoje, como ‘’Justos

entre as Nações’’ (denominação dada

aos que arriscaram suas vidas para

ajudar vítimas do Holocausto). Souza

Dantas é o 19º. Não fosse por

ele, o ator e teatrólogo polonês

Zbignew Ziembinski, por exemplo,

nunca teria chegado ao Brasil.

Outro que teria perecido na Europa

seria o ‘’anônimo’’ brasileiro,

nascido em Antuérpia, Raphael Zi-

metbaum, 75 anos, morador

do Rio.

— Ele falou para os

meus pais e tios que tinha

certeza de que estaria

salvando as nossas vidas

— conta Zimetbaum,

que nunca conheceu o diplomata

pessoalmente,

mas o idolatra.

Na lista dos 18 diplomatas

‘’justos’’ figura uma

brasileira: Aracy de Carvalho-Guimarães

Rosa, que

foi assistente do embaixador

brasileiro em Berlim

durante a Segunda Guerra

Mundial. Também pouco

conhecida, ela salvou cerca de 80 pessoas,

emitindo vistos por conta própria.

O feito de Souza Dantas, no entanto, é

considerado bem maior, não pela quantidade

de pessoas a quem conseguiu dar

asilo, mas pelo risco pessoal que correu.

Souza Dantas foi várias vezes advertido

pelo Ministério das Relações

Exteriores e ficou numa espécie de prisão

domiciliar alemã por 14 meses. Além

disso, escapou por pouco das penalidades

de um inquérito administrativo

aberto pessoalmente por Getúlio Vargas,

em outubro de 1941. O processo só não

foi até o fim porque, no ano seguinte,

o Brasil cortaria relações com a Alemanha

e Getúlio decidiu abafar o caso.

— Estamos muito felizes com o reconhecimento

oficial. Naquela época,

poucos governos estavam abertos a dar

asilo às vítimas dos nazistas — diz Eitan

Surkis, ministro conselheiro da Embaixada

de Israel em Brasília.

O historiador Fábio Koifman não esconde

sua admiração pelo personagem

que decidiu desvendar, há seis anos. Conversando

com a documentarista Kátia

Lerner, que ajudava na coleta de entrevistas

de sobreviventes do Holocausto

para a Fundação Shoá, do cineasta Steven

Spielberg, descobriu que o Brasil

teve seu próprio Oscar Schindler — o

empresário que salvou 1.200 judeus durante

a guerra. No caso brasileiro, tratava-se

de um diplomata: Luiz Martins de

VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

Schindler brasileiro é

reconhecido em Jerusalém

Embaixador salvou centenas de vidas durante o Holocausto

Souza Dantas nos anos 40

plomáticos para entrar no Brasil a

centenas de pessoas que, sob o

ponto de vista da política brasileira

de imigração, eram consideradas

indesejáveis: judeus, comunistas e

homossexuais que tentavam escapar

do horror nazista. Souza Dantas

livrou aproximadamente 800

pessoas do extermínio.

A nobreza dos atos praticados

pelo diplomata ficou esquecida durante

anos. Somente agora ganhou o seu

merecido lugar na história. O Museu do

Holocausto, de Jerusalém, reconheceuo

como um “Justo Entre as Nações”.

Souza Dantas é o 19 º herói a receber

tal distinção do Museu Yad Vashem.

Sua biografia, de recente publicação

em português esta relatada no livro

“Quixote nas trevas. O embaixador

Daniela Kresch*

Souza Dantas (1876-1954), embaixador

do Brasil na França de 1922 a 1944. Assinando

pessoalmente vistos e passaportes

diplomáticos, Souza Dantas salvou

comprovadamente 475 pessoas. Mas

o número pode passar dos mil.

— Sua humildade e humanismo fizeram

com que o embaixador não deixasse

muitos documentos — conta

Koifman, diretor de pesquisas da Universidade

Estácio de Sá.

‘’Fiz o que teria feito, com a nobreza

d’alma dos brasileiros, o mais frio

deles, movido pelos mais elementares

sentimentos de piedade cristã’’, diz

Souza Dantas, ao explicar por que dava

os vistos, num dos 7.500 documentos

arquivados por Koifman.

O embaixador, que não figura em nenhum

livro de História brasileiro, foi reconhecido

pelo Museu do Holocausto de

Jerusalém (Yad Vashem), como Justo entre

as Nações. Só quem preenche pelo

menos uma de três condições merece o

título concedido pelo museu: arriscar cargo

e posição social, arriscar a própria

vida e salvar um número expressivo de

pessoas. O diplomata não arriscou sua

vida, mas quase perdeu o emprego e o

status por assinar centenas de vistos para

perseguidos do nazismo

na França ocupada.

Na época, Souza Dantas

ficou conhecido como

um exemplo de diplomata.

Quando voltou ao Brasil,

em maio de 1944, planejou-se

uma grande festa

com desfile em carro

aberto pela Avenida Rio

Branco e decretação de

feriado nas escolas do

Rio. Assessores de Getú-

Fábio Koifman

lio Vargas, porém, desmobilizaram

as boas-vindas.

— O grande vilão da história é Getúlio

— diz Koifman. — Como esse humanista

pôde, até hoje, passar desapercebido

no hall dos heróis nacionais?

(Colaborou Pedro Malburg)

* Daniela Kresch é jornalista da

Folha de S. Paulo

Souza Dantas e os refugiados do nazismo”

(Editora Record, Rio de Janeiro

- São Paulo), do acadêmico brasileiro

Fabio Koifman.

Luís Martins de Souza Dantas morreu

em Paris em 1954. No seu quarto,

no Grand Hotel de Paris, foi encontrado

e registrado como sendo seu bem

mais valioso, um cordão de ouro com

uma medalha do Barão do Rio Branco.

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VISÃO JUDAICA • julho de 2003 • Av • 5763

Encontro reúne curitibanos em Israel

Por Henrique Kuchnir (Neno)

De Israel - Numa manhã ensolarada,

dia 28 de junho, lá vamos nós para

o Encontro dos Curitibanos. O encontro

é num parque natural às margens

de um riacho, o Mekorot

Hayarkon (nascente do rio Yarkon).

Vieram 110 adultos e um número

sem fim de crianças. Foi emocionante

encontrar aqueles que desde Curitiba

não vimos mais.

E até houve aqueles a quem tivemos

de perguntar quem seriam. Eis alguns

nomes dos presentes

e peço desculpas

pelos que não consigo

recordar. Começando

pelas visitas; a

Rosa (avó da Mihal), o

casal Hirsch, o casal

Kuperstein e mais outros

que não conheço.

Antes de mais

nada, a comissão organizadora

que merece

os nossos parabéns:

Gilberto e Billy, Fábio e Cybele,

Marcelo (Piupa) e Miri, Evelyn e Sérgio,

e David e Miriam (com a Mihal).

O pessoal de Bror Chail: Mina e Pedro,

Raquel e Schlomo, Fany e Bucki,

Mário e esposa, Zelio e esposa, e

... Eugenia e José Etrog, Ester e Akiva

Ronen (Bronfman), Ydel e Sonia

(Zukerman) Idan, Rebeca Daitchman,

Bracha (Gandelsman) e Arie Ben

Shemen, Ana e Moisés Fucks, Clara e

Marcos Guelmann, Limor e Marcelo

Guelmann, Eva (Miller) e o marido,

Fany (Mohamed) e o marido, a Sônia

irmã da Fany, Dina e Neno, Maiana

Laredo (Kuchnir), Avri e Guila

Kuchnir, Yossi Kuchnir, Ilana

(Zveibil) e Yoram Bialik, Íris (Zveibil),

Mauro e Ida Zveibil, Tito (Milgrom)

Rimon e esposa, Maurício (Milgrom)

Rimon e esposa, Suzi e Tzvi Rubinstein,

Arturo Rubinstein, Neni Rubinstein

e esposa, Beatriz (Lichtenstein)

e Yehuda e mais uns quarenta cujos

nomes não recordo.

A programação não foi extensa,

mas sempre tem aqueles que quiseram

contar as lembranças do passado.

Organizaram alguns jogos para a

criançada (alguns marmanjos também

participaram).

E na mesa central estavam as comidas

— variedade sem fim, um lindo

colorido, um cheiro apetitoso. Claro,

não faltou nem a famosa caipirinha de

cachaça (foram doze litros).

De tardezinha a debandada e a promessa

de que no ano que vem, de novo

estaremos nos encontrando.

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