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Encyclopedia republicana : revista de sciencias e litteratura (ao ...

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18 ENGYCLOPEDIA

18 ENGYCLOPEDIA REPUBLICANA (los pescaflores. que andam no mar largo, correm em grandes cho- ros á capella e atordoam os ares com ameaças ao santo para elle lhes trazer a são e salvo os seus maridos, os seus filhos, os seus parentes. Se o máu tempo se prolonga e os pescadores não podem sair ao mar, lá vão elles ameaçar S. Pedro para que lhes dê bom tempo. Se falia o peixe, se a pesca se torna insignificante, o pobre do santo tem de providenciar, quando não... no dia da festa paga tudo por junto. Chega o dia 29 ; põem o santo sobre um andor e em procissão solemne, acompanhada por todo o povo de Pia- via vestido com os seus trajes de gala, pelo clero, por musicas e foguetes, etc, dirigem-se todos para os lados do mar; á frente do an^clor vae um homem espadaúdo, de fatos carnavalescos, manejando um enorme sabre com movimentos de antigo tambor-mòr e com esgares ridículos. Chegado o cortejo ao estremo do seu gyro, á beira-mar, depõem a imagem no chão, e então começa o povo a formular em alta grita as accusações, as faltas que imputam ao santo, uns a morte do pae, outros a morte de um irmão ou de um filho, ainda outros a perda do barco ou qualquer transtorno soffrido durante o anno. A cada accusação o homem do sabre descarrega valentes golpes sobre o pobre S. Pedro; se o povo acha que é pequeno o castigo pede em brados atroadores maior sova que de ordinário faz saltar algumas bastilhas da imagem, e por fim ainda exige que lhe dêem um ou mais mergulhos; n'este caso alam uma corda ao pescoço do santo e aliram-o ao mar, uma, duas ou mais vezes. Em seguida tornam a collocar a imagem sobre o andor cobrem-no de flores e a procissão recolhe à capella com a mesma solemnidade cómica com que saiu. Aqui têm um exemplo bem vivo de felichismo, similhante ao fetichismo das tribus africanas, na nossa península e que prova o estado de alrazo mental em que ainda se acha actualmente a maio- ria do povo mesmo nas nações civilisadas. Õrineni nrovaveí aas reuniões Teixeira Bastos. Em meio dos grandes problemas da vida e da morte; em frente do terror do ignoto, e da consciência da iuopportunidade das averiguações sobre assumpto tão ermo de phases elucidadoras, o espirito acanhado das sociedades infantis creou o ideal divino, com todo o seu cortejo de inepcias ignaras e prejudiciaes. Comprebeade-se sem esforço algum o terror, a admiração vaga,

ORIGEM PROVÁVEL DAS RELIGIÕES 19 a curiosidade receiosa que invadiu os primeiros seres humanos em face dos esplendores de uma flora e fauna em todo o vigor da sua superabundância luxuosa e viridente. O sol que lhes destendia os músculos entorpecidos pelo frio e desabrigo das noutes hibernicas; a chuva frigida e torrencial dos climas ricos, coando-lhes no corpo o desalento e o soífrer material; as esplendidas manifestações tempestuosas da electricidade athmospherica, as vibrações aspérrimas do ribombar do trovão; os tons poéticos e vagamente melancólicos que os raios da lua imprimem ás paisagens outomnaes deviam actuar-lhes no systema nervoso do modo mais enei'gico e extraordinário. Foi sem duvida dos diveisos modos de ser das manifestações naturaes que brotou a utopia da religião, que partindo da latria, devia terminar no monotheismo puro, O atrazo do intellecto das gerações primarias, como os perigos que as rodeavam constantemente, sobretudo durante as horas nocturnas em que as feras sabiam a atacal-as, deram-lhes naturalmente o horror da sombra e a gratidão da luz. D"aqui partiu a adoração do Sol, peculiar a cada raça, reproduzida em todos os povos em dados momentos de recuada historia. Mais tarde a descoberta do fogo, por um meio que é ignorado de todo, despertou-lhes no cérebro a idéa da comparação, e os foi conduzindo a cogitações que muito significam relativamente á sua imperfeição mental. O lume pro- duzia resultados idênticos ao Sol ; mas tinha a vantagem de perpetuar o calor, e afugentar o inimigo durante a noute : o fogo era pois a imagem do bem, como a treva era a factora do mal. Todavia o Sol occultava-se por vezes durante o dia, e períodos de desolação se lhe seguiam, durante os quaes as fructas minguavam, e os arvoredos gigantescos escondiam a coma entre as neblinas húmidas, que similham o crepe luctuoso da natureza, E então o homem prosternava-se, e na sua ignorância aterrada, lançava pelo espaço os gritos guturaes da linguagem imperfeita que deviam usar. Era o egoismo, era o terror do ignoto, era acima de tudo o ins- tincto da conservação que o impelliam á prece. Como porém nem sempre havia Sol, transportou-se, ou antes evolou-se á adoração do astro creador, e breve vemos entre os selvagens a adoração do fogo. Estava pois lançado no espirito humano o gérmen dos futuros Iheologismos, Se porém piocurarmos em todos os povos o ideal primitivo da religião, achamol-a invariavelmente representando o Bem pela luz — o Mal pela sombra. O Mar e Arimane — entre os antigos magos ; Osíris e Tijphon — no Egyplo ; Ormurd e Ahriman — na Pérsia; Witrilíputrili e Tescalipuca — no México ; Pachacamac e Cupai— no Peru ; o So/ e o Tova na Florida, etc, provam abundantemente a idéa que todos os povos hão ligado aos dois factos puramente naturaes da visibilidade ou ausência da luz solar.

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