CULTURAL. - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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CULTURAL. - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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TEATRO

AO

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'UTll

CULTURAL.

POR UMA ABERTURA CULTURAL

PELA RENOVAÇÃO POPULAR

DO TEATRO NACIONAL

POR UM MUNDO MELHOR

c P v

21 PEV1995

Sittr da DoccrnsMiiücao

MENSÂRIO CULTURAL — RIO DE JANEIRO — NOVA FASE — ANO 1 — N. e 4 — Cr$

B POLUIÇÃO 00 HOMEM

OS MITOS 00 PRESENTE

MUDAR A FACE 00 TEATRO


Página 2

Mudar a Face de Teatro

"A satisfação plena das aspirações

das massas é um dos mitos mais per-

sistentes do nosso tempo. Os caminhos

que as diversas sociedades percorrem

em busca deste objetivo, diferem de ma-

neira fundamental. Os filósofos sociais

continuam suas pesquisas, os futurólo-

gos, profetas armados de réguas de cál-

culo, que confundem a audácia das suas

extrapolações com a ciência exata, pin-

tam o quadro das sociedades futuras em

cores fortes, alegres ou sombrias.

O denominador comum, o objetivo

máximo, é a aberturo da sociedade para

todos, a distribuição justa dos benefícios,

a preocupação com o bem comum, a

vontade de pôr tudo a serviço da socie-

dade.

Assim é, ou deveria ser, e as socie-

dades Industrializadas percorreram um

bom pedaço de caminho ao encontro des-

tes objetivos. Nas sociedades subdesen-

volvidas, este processo é mais lento,

mas, em resumo, para onde sempre olha-

mos, o século das massas está chegan-

do, com seu cortejo de mudanças, com

sua lógica Intrínseca.

A abertura da sociedade para as mas-

sas populares, a incorporação do povo,

como um todo no processo social, reali-

za-se de maneira simultânea nos mais

diversos campos. Não se trata apenas

de uma redistribulção de rendas, de

acesso a escolas, a Instrução, a cargos;

o caminho para uma sociedade realmen-

te aberta tem exigências ainda mais

amplas".

Quem expõe estes pontos de vista

é Otto Buchsbaum, ao explicar porque

o teatro deve Ir ao encontro do povo.

Ele acha que nesta jornada em busco da

sociedade aberta, também o teatro de-

ve achar seu caminho de volta ao povo.

Realmente, o teatro de hoje tornou-

se privilégio de uma minoria. "Os efei-

tos desta situação são múltiplos. De

um lado privou-se as camadas populares

de um poderoso instrumento de comu-

nicação cultural e de outro lado, o tea-

tro ficou fechado no estreito círculo de

Interesse de uma camada privilegiada,

cujo gosto e concepção afastam o teatro

das realidades sociais, numa alienação

cada vez mais flagrante".

Para modificar esta situação, "para

mudar a face do teatro nacional", OTTO

e FLORENCE BUCHSBAUM idealizaram

há mais de 7 anos o movimento "TEA-

TRO AO ENCONTRO DO POVO".

Teatro para o povo — significa teatro

na praça pública, espetáculos ao ar li-

vre, levados ao povo gratuitamente.

Otto e Florence Buchsbaum não se per-

deram em considerações teóricas. Co-

meçaram com a renovação teatral atra-

vés da ação, percorrendo com o primeira

grupo de teatro popular, fundado em

1967, os morros e os bairros populares

de Santos.

A adesão de outros grupos, em outras

cidades e outros estados, garantiu ao

movimento uma rápida espansão. O

novo teatro popular, em contato com o

povo na rua foi moldando suas formas,

achando seus caminhos.

Assim, os grupos de teatro popular

vão para a praça pública, não só fazer

teatro, oferecer um espetáculo, mas tam-

bém para aprender, para junto ao povo

encontrar os caminhos de uma nova co-

municação.

Florence afirma a respeito: "Um verda-

deiro espetáculo popular precisa Ir ao

TALES LIMA

encontro das aspirações do povo. Não

deve tentar algo de cima para baixo, mas

na base do respeito às tradições popu-

lares, deve-se procurar novos caminhos

para uma comunicação mais Intensa. Na

minha opinião um caminho bem válido

para um espetáculo popular, é come-

çar com uma balada, uma dança — para

disso nascer a história. E esta história

deve de preferência falar sobre algo que

de perto toca à assistência, discutir seus

problemas, enriquecer sua vida. O tex-

to de caráter popular necessita de uma

encenação forte, direta, vibrante, sem

sutilezas dispensáveis, sem subterfúgios,

sem primarismo — além da coragem de

reduzir a montagem a sua essencialida-

de".

Otto e Florence Buchsbaum tem

percorrido o Brasil fazendo conferên-

cias a convite de Governos de Estado,

Prefeitura, Universidades, Diretórios Aca-

dêmicos e outras instituições. Realizam

ciclos de conferências sobre temas co-

mo "História do Teatro Mundial", "Pano-

rama do Teatro Moderna", "Drama e

Povo" etc, sempre ilustradas por cenas

de peça, para as quais treinam elemen-

tos locais.

Estas conferências tem contribuído

para uma compreensão mais ampla do

teatro em todas suas facetas e também

tem sido um grande fator de expansão

do movimento "TEATRO AO ENCONTRO

00 POVO" através da fundação de no-

vos grupos teatrais.

Apela-se para uma colaboração mais

intensa de todos. Quem quiser colabo-

rar, pode tomar contato através deste

jornal.

E vamos todos juntos — mudar a face

do teatro nacional.

Na Rua: A Confraternização

A Confraternização Nacional do Tea-

tro de Rua trouxe até agora apenas cinco

grupos .representando os mais diversos

Estados, para o Rio, mostrando aos su-

búrbios cariocas, as mais diversas fa-

cetas de teatro popular. Não consegui-

mos dar a este congraçamento a am-

plitude que pretendíamos. Até agora só

vieram grupos que montaram peças com

poucas personagens, sendo com exce-

ção de um, que recebeu apoio de enti-

dades locais, todos vieram por sua pró-

pria conta, arcando com as despesas

de viagem. Muitos grupos que se tinham

Inscrito, exatamente os de montagens

mais ambiciosas e caravanas maiores,

não puderam vir. Não encontraram o

apoio local por parte de prefeituras, fa-

culdades e outras entidades para custear

as viagens.

Os grupos que vieram trouxeram as

suas experiências, a sua visão peculiar

de como se deve fazer teatro de rua.

EXPEDIENTE:

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Teatro ao Encontro do Povo

Publicação mensal da

ABERTURA CULTURAL EDITORA LTDA.

Dos espetáculos apresentados um mere-

ce um destaque especial, trata-se de

"Responda José!" apresentado pelo

grupo "AÇÃO TEATRAL" de Belo Hori-

zonte. A peça com duração de apenas

12 minutos, com quatro atores em ação,

discute o cotidiano e consegue alcan-

çar uma densidade dramática extraordi-

nária, atingindo a assistência com um

verdadeiro Impacto. Todas as suas apre-

sentações, sendo três seguidas em

pontos diferentes da Zona Norte numa

manhã de domingo, tiveram real sucesso

e grande participação do público. O

ponto de vista do grupo é favorável a

peças curtas, que alcançam no máximo

meia hora. Eles consideram os espetá-

culos longos, de às vezes até duas ho-

ras, uma herança do teatro de palco.

São pontos de vista que devem ser le-

vados em consideração.

Rua Senador Dantas, 117 - Sala 511

Tel.: 232-3285 — Rio — GB.

Diretor responsável: ANDRÉ DELANO BUCHSBAUM

Órgão do movimento TEATRO AO ENCONTRO DO POVO

dirigido por OTTO e FLORENCE BUCHSBAUM

Rio de Janeiro, FEVEREIRO DE 1975 - Ano 1 - N? 4

Correspondência para: CAIXA POSTAL 12.193 ZC-07 GB.

Composto e impresso na Gráfica Castro Ltda.

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Distribuído em todo território nacional pela

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Av. Afonso de Taunay, 143 — Rio — GB.

Também a ausência de tantos grupos

que queriam vir precisa ser analisada.

O fato de faltar na última hora o apoio

local de Prefeitura e de outras organiza-

ções, para despesas de viagem que em

muitos casos eram bem módicas, prova

que falta ainda muita compreensão com

relação à importância do teatro de rua

e de seu papel de vanguarda na evolu-

ção teatral. Houve naturalmente também

faltas nossas. Deveríamos ter em todos

casos de inscrição de grupos, ter man-

dado um amplo material para as autori-

dades locais, quem sabe isso poderia

ter ajudado.

A Confraternização ainda prossegue,

depois do Carnaval deverão vir ainda

alguns grupos. No próximo número, já

vamos poder dar um balanço da Primeira

Confraternização Nacional do Teatro de

Rua e vamos começar pensar na Segun-

da, melhor organizada, aproveitando as

experiências colhidas.

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Os Mitos do Presente

Toda época tem seus mitos. Nós nos libertamos dos mi-

tos de ontem, para adotar os mitos de hoje e buscar os mitos

de amanhã.

É impossível, para nós dispensar os mitos como siste-

ma de pensamento. Nós pensamos em imagens e contamos

histórias. Nossa própria Língua é mitologia, e os assim cha-

mados conceitos abstratos como liberdade, beleza, justiça,

arte e personalidade — são nomes — nomes de deuses de

uma nova mitologia, nomes de deuses que substituem um Zeus,

Apoio, Dionisos ou Tupã.

s A palavra mito aplica-se hoje aos mitos mortos que se

tornaram símbolo e lenda. Os mitos vivos que formam nossa

estrutura de pensamentos, não reconhecemos como tais. Mi-

to -originalmente significava "fala verdadeira" e abrangia as

tradições sobre forças em ação através das quais os antigos

explicavam seu mundo. Quando a crença nas velhas lendas

começou a empalidecer e as verdades de então se transmuta-

ram em um jogo poético com símbolos, aí o mito de "fala ver-

dadeira" tornou-se crença morta.

Os mitos do presente são, ao contrário, bem vivos, em

boa parle ancorados dentro da nossa própria língua e aceitos

por nós com a mesma naturalidade com que um egípcio acei-

tava as lendas de Osíris e Isis.

Os mitos do presente, que hoje são mais do que tudo

"fala verdadeira", são os mitos científicos, o mito da ciên-

cia em si e mitos como a teoria da relatividade, teoria dos

quanta, as teorias psico-analíticas e outras.

Estas teorias científicas aceitas como "fala verdadeira"

mesmo ( ou especialmente), pelos que não entendem sua

linguagem, pretendem descrever e explicar o mundo e de-

vem seu prestígio ao fato de serem relativamente operacionais,

isto é, que as observações feitas e os engenhos fabricados

de acordo com estas teorias têm dado certo na prática. Aí

temos incontestavelmente uma superioridade dos mitos mo-

dernos sobre os mitos antigos, pois duvida-se que os rituais

derivados das mitologias antigas apresentassem tantos resulta-

dos práticos.

Qual, no entanto, a relação entre o mundo físico real e

a imagem que resulta dele através da teoria de relatividade

e da teoria dos quanta?

O que se pode dizer é que a relação é principalmente ope-

racional, pois funcionam razoavelmente na prática. Mas pre-

tender que estas teorias descrevem realmente o mundo, que

correspondam a uma realidade qualquer, é decisivamente de-

mais.

A teoria da relatividade, a teoria dos quanta e a anterior

mecânica de Newton representam sistemas fechados e estes

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sistemas tem sua verdade e coerência interior. O mundo

retratado pela visão de Newton é imaginável. Já o mundo

criado por Maxwell, Lorentz e Einstein, através da sua eletro-

dinâmica dos corpos em movimento, que resultou na teoria da

relatividade, pode ser retratado apenas por símbolos mate-

máticos. O mesmo acontece com o universo das mlnl-massas

que Planck criou na teoria dos quanta — a representação é

apenas matemática — o sistema não é imaginável ou apenas

grosseiramente imaginável, pois nossa língua e nossa ima-

ginação continuam ligados (indissoluvelmente como parece) ao

Universo da mecânica de Newton.

Estes sistemas fechados se cruzam, e onde se cruzam,

entram em contradição, o provado de ontem, hoje é abando-

nado, e assim por diante.

Com todas estas contradições, como todas teorias ondu-

iatórias, com todas as explicações de hoje que abandonam

as conclusões de ontem (qual é o escore do. momento entre

os que aprovam a Interpretação de Copenhague da teoria dos

quanta, contra os que a rejeitam?) as teorias científicas são a

"fala verdadeira" do momento, são a rocha sobre a qual pa-

rece que estamos erguendo a nossa vida tão anti-científica,

tão empírica, tão irracional.

"A ciência acaba resolvendo todos os problemas", isto

é o mito central, o olimpo dos mitos científicos de hoje. A

ciência moderna racionalizando os processos produtivos con-

duz ao lazer — e os homens vão trabalhando cada vez mais,

em cada vez maior número de empregos, arrastando um cada

maior cansaço. — O homem está na Lua— (alguns poucos

por poucas horas) e os milhões vivem em barracos, comem

arroz, farinha e napalm e arrotam falta de instrução. A idade

de ouro da ciência, a cidade do sol de Campanella e todas

idades e cidades que o mito pode criar, vão assombrando o

mundo.

No nível das coisas simples o homem vive a realidade

(deixando de lado as teorias filosóficas da crítica do conhe-

cimento) . No nível das coisas simples e naturais o homem

chega à vivência, à praxis da luta diária. Neste nível de rea-

lidade, onde pão é pão e pedra — pedra o homem pode con-

quistar sua posição no mundo, pode moldar o mundo e trans-

formá-lo.

Não podemos viver sem os mitos, mas também podemos

colocá-los a nosso serviço em vez de ficarmos ao serviço

deles.

Será que é possível uma geração reconhecer realmente

os mitos do seu tempo, denunciá-los e servir-se deles?

Será que somos esta geração?

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ESQUILO

0 TEATRO ENGAJADO

DA VELHA ATENAS

O ciclo histórico do teatro grego tem

eeu início em Esquilo. Tudo antes de

Esquilo é impreciso, é pré-história. Mas

não estamos apenas diante de um come-

ço, mas de um eclodir de um ciclo de

ouro.

Atenas e os demais estados gregos es-

tão no século 5 A.C., diante de uma

reviravolta. A pequena Grécia enfrenta

o poderio dos Invencíveis persas. As vi-

tórias de Maratona e Salamlna afastam

as ameaças militares e permitem uma

tranqüila expansão comercial. O orgu-

lho nacional grego e o crescente desen-

volvimento comercial criam o clima para

levar o teatro épico grego às suas cul-

mlnâncias.

Esquilo participou pessoalmente das

vitórias decisivas e atribui a estas uma

enorme importância. Quando no fim da

vida, sentindo a morte se aproximar, re-

dige para si mesmo um epitáflo, não

menciona suas vitórias em concursos

dramáticos, só exalta os seus feitos mili-

tares, quando diz: "Aqui jaz Esquilo, fi-

lho de Euforion, debaixo do solo fértil de

Gela (cidade da Slcilia) um hóspede

vindo de Atenas. De seus nobres feitos

podem falar os bosques de Maratona e

os persas de longos cabelos".

Esquilo é o poeta de uma era, na qual

religião, estado e família se confundem

num todo uno. Do choque da consciên-

cia humana com esta ordem rígida, com

o destino inexorável, nasce a imensa

força trágica dos seus dramas. A preo-

cupação central são os grandes confli-

tos, os destinos coletivos, as razões do

estado. Os problemas colocados são

resolvidos pela relnterpretação dos mi-

tos.

As fontes litúrgicas prevalecem na

dramaturgia de Esquilo. O coro, herda-

do dos ditlrambos, tem papel predomi-

nante, representando a coletividade, que

vive em função da validez dos mitos.

O mito é a base da sociedade grega,

através do mito estabelece-se a ligação

entre o mundo divino e humano.

A primeira peça de Esquilo "As Su-

pllcantes (490 A.C.), é ao mesmo tem-

po a primeira peça cujo texto integral

conhecemos, em toda história do teatro.

É o único exemplo que temos da forma

arcaica do drama grego. O verdadeiro

protagonista da peça é o coro ainda

composto de 50 figuras, o mesmo coro

dos ditlrambos. Nas peças seguintes de

Esquilo, temos uma diminuição gradual

OTTO BUCHSBAUM

da Importância do coro e um recuo da

poesia lírica.

"As Supllcantes" é a primeira peça de

uma trilogia que se completa com "Os

Egípcios" e "As Danaídas", peças que

se perderam. Esta trilogia participou das

Grandes DionIslãs do ano de 490 A.C.

(março), e no mesmo ano (setembro)

Esquilo participou da batalha de Mara-

tona.

Muitas vezes na atualidade condena-se

o teatro de tese, o teatro engajado, o

teatro político. Pugna-se pela predomi-

nância da forma e cita-se exemplos do

passado, querendo provar que o grande

teatro de todos os tempos era apenas lí-

rico, existencial, artístico. Para quem

cultua esta linha de pensamento deve

ser surpreendente tomar conhecimento,

de que a primeira peça do teatro da nos-

sa história já é uma peça política. E

realmente 'As Supllcantes" é uma peça

na qual Esquilo desenrola uma série de

Idéias políticas e apresenta suas solu-

ções. Examinando em seqüência, a his-

tória do teatro verificaremos que a se-

gunda peça e a maioria das subsequen-

tes são também teatro engajado à luz da

sua época, só que na atualidade seu

conteúdo político não é sempre evidente.

"As Supllcantes" representa a tomada

de posição de Esquilo com referência

a uma série de temas, e parece ter sido

escrita sob a Impressão do desastre de

Argos, infllngldo pelo rei espartano Cleó-

menes.

As teses, principais tratadas na peça,

são: O direito de asilo — Esquilo pro-

nuncia-se pelo asilo político, e mostra

como os pelasgos de Argos dão asilo às

Danaídas, por temer menos a guerra do

que o castigo divino. Mas mostra tam-

bém como este é frágil diante das reali-

dades políticas. Esquilo levanta também

a pergunta: "Deve um governante (um

rei) para defender um Interesse seu,

pessoal, e atentar contra os Interesses

do país? Esquilo em "As Supllcantes"

e no resto da trilogia (conhece-se o as-

sunto) responde que não. O Interesse

nacional deve prevalecer. "O recurso à

violência, à guerra, é o único meio para

saber, para que lado se Inclinam os Deu-

ses? "é nova pergunta lançada. Mas as

tomadas de posição de Esquilo vão bem

além. Na posição das Danaídas que re-

cusam casar, o poeta trágico aborda o

"women's lib" na perspectiva do seu sé-

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Na seqüência do texto da trilogia (nas

peças perdidas) as cinqüentas danaídas

forçadas a casar com seus primos, por

ordem do seu pai matam seus maridos

na noite de núpcias, só uma, Hipermes-

tre desobedece à ordem e poupa seu

marido, pois deseja ser mãe. Sua estirpe

funda a casa real de Argos.

Esquilo dá uma solução salomônlca

ao conflito, as danaídas não são casti-

gadas pelo assassinato, é uma maneira

de apoiar os direitos da mulher. Mas

Hipermestra é recompensada por dar ori-

gem a uma descendência gloriosa, pois

Esquilo comenta que a natureza é cle-

mente aos que se submetem com simpli-

cidade aos seus desígnios.

A segunda peça de Esquilo (das sete

peças que chegaram até nós), "Os Per-

sas" é ainda mais claramente política,

e ainda mais, refere-se a fatos políticos

recentes. O assunto é a batalha de Sala-

mlna. Normalmente a temática de todas

tragédias gregas era a mitologia, e atra-

vés desta, procurava-se discutir os pro-

blemas do dia.

Com "Os Persas", Esquilo segue o

exemplo de Frinicos, que em "Queda de

Mileto" e "As Feníclas" (peças que se

perderam), aborda termos da guerra com

a Pérsia.

"As Feníclas" também versa sobre a

batalha de Salamlna. As feníclas são

um coro de mulheres que lamentam a

sorte dos seus filhos e maridos que su-

cumbiram lutando no exército multl-na-

clonal dos persas contra os gregos.

O ângulo de visão de Esquilo é bem

diferente. Seu coro é formado por ve-

lhos conselheiros do rei persa. São ho-

mens capazes de avaliar a importância

histórica dos eventos e admitir o vulto do

desastre que atingiu o maior exército já

reunido na história.

Este enquadramento histórico é o que

Esquilo procura na sua peça, quando en-

cara estes acontecimento recentes, com

olímpica serenidade, sob um prisma de

altiva Independência.

Quando o mensageiro chega a Susa

e traz a notícia da derrota de Salamlna

e recita uma longa lista de nobres per-

sas caldos em combate, a rainha-mãe

Atossa pergunta: "Quem escapou à mor-

te? Teremos que chorar por algum dos

deres que empunharam o cetro régio,

tenha deixado na orfandade os seus?"

O mensageiro replica: "Xerxes vive e

vê a luz do dia". Vislumbramos nesta

ABERTURA CULTURAL — ANO 1 N9 4

passagem que Esquilo acha que Isso é

um fraco consolo quando a flor da ju-

ventude persa pereceu.

Depois de um extenso canto fúnebre-

do coro, Atossa Invoca o espírito do seu

marido, o rei Dárlo, e o fantasma do rei

morto levanta da tumba. O primeiro fan-

tasma da história do teatro.

Quando o coro dos velhos persas enu-

mera as cidades dá Trácia e das ilhas

do mar Egeu que Dárlo conquistara e

que agora Xerxes perdeu, a peça se

transforma num verdadeiro canto de

triunfo.

Esquilo trata na peça os persas venci-

dos, com nobreza e simpatia. Ele realça

que seu desastre foi causado pelo orgu-

lho arrogante e pela ambição. O próprio

fantasma do rei Dárlo se penitencia e

adverte que o poder e a glória sâo efê-

meros. Esta passagem representa um.

aviso do dramaturgo para que os gre-

gos não calam nos mesmos erros.

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ABERTURA CULTURAL — ANO 1 N9 4 Página 5

ESQUILO

A Rcinterpretação

dos Mitos

Esquilo é o dramaturgo de lin-

•guagem sempre grandiosa, poéti-

ca e forte. Seus pontos de vista

pessoais são expostos com con-

vicção e destemer. Pela boca dos

seus personagens falam céus e

infernos, povos, continentes, ma-

res e abismos. É a voz da Grécia

do seu tempo que se eleva, mas

é também a consciência da sua

raça que clama e adverte.

"Os Sete contra Tebas" é a

mais trágica das suas peças. Tra-

ta-se no caso da última parte de

uma trilogia, cujos dramas ini-

ciais "Laio" e "Édipo" se perde-

ram. Na época, há a luta dos fi-

lhos de Édipo por sua sucessão.

Predomina a figura trágica de

Etéocles, herói maldito, sobre

quem pesa não somente a morte

próxima, mas também o crime

inevitável, o fratricídio, que ele

de cometer.

Enquanto Laio, Édipo e Políni-

ce pecam pelo egoísmo, sacrifi-

cando seu país às suas paixões,

temos em Etéocles a encarnação

do patriotismo. Como todas per-

sonagens de Esquilo, Etéocles é

também uma idealização. Através

dele cumpre-se o mito de manei-

ra trágica, mas pelo bem da co-

munidade.

As tomadas de posição de Es-

quilo são sempre peculiares, o

poeta repele todos os ismos e to-

do servilismo. Seus pronuncia-

mentos e pontos de vista são al-

gumas vezes profundamente con-

servadores e outras vezes franca-

mente heréticos e subversivos.

Seu "Prometeu Acorrentado" é

um grito de rebeldia de inconfor-

mismo.

"Prometeu Acorrentado" é a

primeira parte de uma trilogia,

que prossegue com "Prometeu li-

berto" do qual temos fragmentos

e "Prometeu, portador do fogo",

que se perdeu. Todas as perso-

nagens de "Prometeu Acorrenta-

do" são divinas, é um drama de

deuses no qual se discute pro-

blemas humanos. A posição do

homem diante do universo, a re-

volta do homem contra as forças

do destino, a rebeldia contra o

pensamento tradicional são algu-

mas das questões fundamentais

em discussão.

Otto Buchsbaum

O ponto máximo da dramatur-

gia de Esquilo é sua Orestia, a

única trilogia completa que nos

resta do teatro da velha Grécia.

Esquilo escreveu a "Orestia" em

Siracusa. Em 458 A.G., dois anos

antes da sua morte, a trilogia foi

apresentada nas Grandes Dioni-

sias em Atenas.

A "Orestia" se compõe de

"Agamemnon", "Portadoras de

Oferendas" e "Eumênides". Al-

guns grandes temas perpassam a

obra: A violência que gera vio-

lência — o orgulho que precede

a queda — a justiça da história

que faz os filhos expiar a culpa

dos pais e que leva tudo ao fim

predeterminado, pois o passado

contém os germes do futuro,

A "Orestia" pressupõe o co-

nhecimento pela assistência, dos

antecedentes da história. Para o

grego daquela época, o conheci-

mento daquelas lendas, que para

eles eram história, era necessá-

rio. Pois estes mitos eram a base

da religião, política, literatura e

arte.

As figuras centrais da Orestia

são o rei aqueu Agamemnon, sua

mulher Clitemnestra, seus filhos

Orestes e Electra e seu primo

Egisto. Mas a dinastia dos aqueus

já estava condenada pelas culpas

e maldições do passado.

Na origem de todos estes ma-

les e desgraças temos Tântalo,

filho de Zeus e rei da Lídia. Tân-

talo era comensal dos deuses de

cuja confiança abusou, rouban-

do-lhes néctar e ambrosia.

Os suplícios de Tântalo, que

foram seu castigo, tornaram-se

proverbiais, Tântalo foi precipi-

tado ao Hades, onde ficou até o

pescoço dentro da água, mesmo

assim sofre sede, pois cada vez

que tenta beber, a água recua fu-

gindo da sua boca. Por cima da

sua cabeça há frutas sumarentas

que se afastam quando tenta

agarrá-las.

Seu filho Péiops, foi até o Pe-

loponeso, assim denominado em

sua honra. Lá casou com a filha

do rei de Elida, usando subterfú-

gios, e contando com a cumpli-

cidade de Mírtilo, a quem prome-

tera metade do reino. O resulta-

do da conjura é a morte do rei e

a ascenção de Péiops ao trono.

Mírtilo, o cúmplice não recebe

recompensa alguma. Péiops man-

da jogá-los ao mar. Antes de

morrer, Mírtilo lança uma maldi-

ção contra Péiops e sua estirpe.

As conseqüências se atropelam

já na geração seguinte: Atreu e

Tiestes, filhos de Péiops, matam

seu meio-irmão Crísipo, para apo-

derar-se do trono. Tiestes seduz

a mulher de Atreu, que mais tar-

de num banquete, serve a Tiestes

a carne dos seus filhos. Tiestes

jura vingança.

No começo da Orestia temos

frente à frente, Agamemnon, filho

de Atreu e Egisto, filho de Ties-

tes. As culpas do passado se

acumulam sobre a dinastia. Aos

crimes de Tântalo, Péiops e

Atreu, somam-se as maldições de

Mírtilo e Tiestes.

Esquilo não se limita a levar

este trágico enredo ao seu fim

inevitável. Enquanto Agamemnon,

Clitemnestra e Egisto sucumbem,

o poeta toma posição contra a

violência estéril, que gera violên-

cia. Orestes, o filho de Agamem-

non e vingador do pai, é julgado

pelo Aerópago, a mando de Apo-

lo e com voto de desempate da

deusa Atena. Esquilo desta ma-

neira proclama o conselho de

Aerópago, como suprema instân-

cia de Atenas, para assim com

equilibradas decisões judiciais

evitar as vinganças de sangue,

tão em moda em Atenas.

No tempo de Esquilo declina a

importância do coro, crescendo

ao mesmo tempo o destaque dos

atores individuais. Em Téspis, só

um ator dialogava com o coro,

Esquilo introduziu o segundo ator

e ao mesmo tempo diminuiu o

coro depois de "As Suplicantes"

para apenas 12 componentes.

Esquilo teve na dramaturgia

ateniense um papel pioneiro, pois

só no seu tempo a tragédia foi

fixando suas formas. Neste tempo

de lutas pela sobrevivência grega

do avanço dos persas. Esquilo

moldou sua personalidade. Era

um tempo de incertezas políticas

e certezas religiosas. Do caos da

Atenas destruída, ergue-se a Gré-

cia vitoriosa em Salamina. E Es-

quilo torna-se o arauto e crítico

da nova grandeza.

O contemporâneo e sucessor

imediato é Sófocles, de uma ge-

ração beneficiária das vitórias

que a geração anterior alcançou,

o poeta trágico mais clássico de

todos os tempos.

Quando Esquilo, homem de 45

anos voltou de Salamina, com o

dever cumprido, Sófocles um jo-

vem de 16 anos dirigia o coro do§

moços que cantaram um peã em

honra aos deuses para comemo-

rar a vitória.

O presente artigo tem como

base a obra em elaboração: "His-

tória do Teatro Mundial", de Otto

Buchsbaum, prosseguindo no pró-

ximo número com "Sófocles —

Paz e Amor" e "Sófocles — Guer-

ra e Peste".


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NADA SERÁ COMO ANTES!

Um Homem Lê Um Jornal

Um homem lê um jornal: "Luta-se à margem do

rio Mekong. As tropas de Slhanouk avançam em di-

reção a Phom Penh. Moderadas perdas de ambos os

lados". A realidade, com seu cheiro de sangue e de

dssgraças, aparece nesta notícia, como fato higieni-

zado.

Fatos deste tipo são a essência do noticiário de

todo dia. O leitor de jornal e o consumidor de tele-

jornal recebe o noticiário em forma de total abstra-

ção. O conteúdo, em notícias deste tipo, desapareceu

por inteiro. Ficaram fatos, sem sentido, sem essên-

cia. Uma pseudo-estrutura de realidade, divorciada

da Realidade.

Por isso aceitamos com tanta facilidade, as notí-

cias de perdas em vidas humanas, seja em operações

militares, seja em desastres ou em execuções.

"Oito atropelamentos na Avenida Brasil. Dois ca-

sos fatais". Recebemos a informação e quem sabe en-

tre dois goles de café retransmllimos a notícia. Gen-

te morta em batalhas, gente estraçalhada nas ruas

por nossos meios de transportes, gente fuzilada, mal-

tratada... tudo isso são fatos estatísticos, são núme-

ros, são dados, que não perturbam o apetite de nin-

guém.

O jornal; na brevidade das suas notícias, reflete

um mundo asséptico, sem emoção, sem realidade hu-

PIRES SA

mana e, em geral, sem possibilidade nenhuma do lei-

tor através de imaginação criativa, suprir as lacunas,

humanizar as notícias, injetar suas próprias experiên-

cias nos fatos nus para dar-lhes um conteúdo de san-

gue que pulsa, e de sofrimento e de dor.

Qualquer produto de ficção, seja romance, seja

poesia, seja drama tem maior carga de realidade hu-

mana que os fatos (verificáveis) das notícias diárias.

Na medida em que começamos viver além do

círculo da nossa própria existência, deixamos de vi-

ver no mundo real.

O mundo real é este que diretamente percebe-

mos, fragmentos do mundo real vêm a nós também,

através da ficção que retrata mundos reais vistos por

outros olhos.

No chamado noticiário, especialmente no noti-

ciário sucinto, o mundo vira um esquema de nomes,

números e fórmulas. É um mundo desencarnado, que

finge realidade.

Imaginem então qual o mundo deste mar de gente

que lê manchetes, vê tele-notícias e consome espor-

te, música e arte nas vinte e poucas polegadas de

uma tela.

Qual será o destino do mundo à medida em qua

a experiência direta é substituída por informações

sintéticas?

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quem está acostumado com as lutas po-

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A maioria das pessoas que pertencem

atualmente ao eslablishment freqüenta-

ram Eton e outras public schools e em

seguida freqüentaram Oxford ou Cam-

bridge. Por isso nenhum país do mundo

no século vinte, teve tantos governantes

versados em latim e grego, em história

antiga e literatura clássica.

Mas evidentemente não só estas es-

colas dão acesso ao eslablishment. Po-

de-se verificar facilmente que se em to-

dos ministérios conservadores há 80 a

90% de ex-alunos de Eton, num minis-

tério trabalhista existe quase igual por-

centagem de ex-alunos de Winchester.

O eslablishment se compõe de pessoas

"razoáveis". Nada de fanatismo. São

raros os vegetarianos e não há nudistas

(confessos). Com relação à religião são

ultramoderados, julga-se que não apre-

ciariam a realização do "reino de Deus

na Terra". A posição do establlshment

diante da Igreja parece bem definida na

íase do contista Sako: "O bispo não vê

motivo, porque não havia de ser possí-

vel ser cristão e gentleman ao mesmo

tempo".

O eslablishment na sua expressão ori-

ginal é algo profundamente britânico,

mas seus equivalentes, elites de poder,

elites nacionais, existem no mundo to-

do. Seu exame, sua definição, sua dis

secação podem constituir uma contribui-

ção bem útil à compreensão da realida

de em volta.

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Página 10 ABERTURA CULTURAL — ANO 1 N9 4 ABERTURA CULTURAL — ANO 1 N9 4 Página 11

Um Programa para a Humanidade

Década Internacional

Contra a Fome e a Miséria

Aumenta cada vez mais o número de cientistas

sociais, de entidades dedicadas à pesquisa e mes-

mo de organizações governamentais que se con-

vencem de que a nossa atual sociedade de pro-

dução e consumo é totalmente Inviável. É aliás mui-

to fácil chegar a esta conclusão.

1) O Desgaste das Matérias Primas

Devido ao ritmo acelerado do desenvolvimen-

to da sociedade de consumo, a humanidade gastou

nos últimos 30 anos, isto é, desde o fim da segun-

da guerra mundial até hoje, mais matérias primas

essenciais do que em toda anterior história da hu-

manidade. Neste contexto precisa ainda conside-

rar, que somente uma pequena parcela da huma-

nidade está realmente com ritmo de consumo ace-

lerado. Os Estados Unidos que abrigam apenas

5% da população mundial consomem mais de 30%

das matérias primas essenciais. Dos aproximada-

mente 4 bilhões da população mundial do momen-

to, 1,1 bilhão habita países desenvolvidos, gas-

tando cerca de 80% das matérias primas essen-

ciais, sendo que para os 2,9 bilhões de habitantes

que vivem no chamado terceiro mundo, restam só

20% das matérias primas.

Por isso, quando os Estados Unidos convo-

cam o resto do mundo a adotar o "american way

of llfe" (se isso fosse possível), Isto Iria apenas

significar, que, se o mundo entrasse neste ritmo

de desperdício em mais 5 anos iria-se gastar mais

matérias primas que em toda história pregressa da

humanidade e que dentro de 10 anos os principais

recursos energéticos e minerais estariam totalmen-

te esgotados.

De qualquer maneira, mesmo se os países de-

senvolvidos continuarem no seu ritmo de consumo,

enquanto os outros prosseguem curtindo seu sub-

desenvolvimento, a sociedade de consumo levará

ao rápido desaparecimento de todos recursos na-

turais, e iremos assim consumir em mais uma

geração, toda a herança destinada aos nossos des-

cendentes.

Se a humanidade prosseguir por este caminho

e se a sociedade de consumo só descobrir a che-

gada da derrocada inevitável, depois de ter pas-

sado o "polnt of no retum", a catástrofe atômica

final, será quase inevitável. Será a tentativa final

de reservar os recursos restantes da terra para um

pequeno grupo de privilegiados.

2) A Poluição

Mas o rápido esgotamento dos recursos na-

turais é apenas uma das facetas negativas da so-

ciedade de consumo. Pois no mesmo ritmo em

que gasta as matérias primas, a sociedade de

consumo acumula detritos e espalha poluição.

Os defensores dos rumos atuais sempre res-

pondem que a técnica resolve tudo. As matérias

primas que se esgotam serão substituídas por ou-

tras, o que é Idiotice, pois a totalidade da indús-

tria de materiais de substituição utiliza para seus

duvidosos milagres, ou petróleo, ou carvão, ou

madeira — quer dizer somente substâncias em

acelerada extinção.

No caso da poluição há realmente a possibili-

dade de aparelhagens especiais, que reduzem a

poluição a índices mínimos. Mas o problema é

bem mais grave do que parece. Numa sociedade

onde o que é absolutamente vital, não tem valor

comercial, evidentemente tudo tem que ficar de

pernas para o ar. Vejamos: O mais fundamental-

mente vital para a espécie humana e para a vida

na terra é oxigênio e água, duas coisas sem valor

comercial.

3) O Problema do Oxigênio

A totalidade do oxigênio existente na nossa

atmosfera é resultado da fotossintese. A atmosfe-

ra original da terra em eras remotas, não conti-

nha oxigênio livre, mas apenas dióxido de carbo-

no (C02). Os primeiros seres vivos foram anaeró-

blos. Quando surgiram as primeiras algas e de-

pois outras plantas com capacidade de realizar a

fotossintese, consumindo dióxido de carbono e

produzindo oxigênio livre, lentamente a porcen-

tagem de oxigênio na atmosfera foi crescendo,

até permitir a vida animal, Isto é, a vida de seres

que consomem oxigênio e expiram dióxido de car

bono.

Durante muitos milhões de anos, o equilíbrio

biológico entre animais e plantas foi mantido pa-

ra proveito mútuo. O aparecimento do homem, sua

expansão demográfica, suas derrubadas de matas

e suas primeiras industrias, não modificaram este

equilíbrio. No entanto, os últimos 20 anos da evo-

lução humana, com a aceleração dos processos

da sociedade de consumo já conseguiram modi-

ficações medíveis. A porcentagem do oxigênio no

ar já diminuiu e a porcentagem do dióxido de car-

bono já aumentou. Isto, conforme medições não

nas superpoluídas regiões industriais, mas nas re-

giões polares e no meio dos oceanos. Trata-se

portanto não de fenômenos locais, mas de tendên-

cials globais.

Vamos examinar os motivos: Só a indústria si-

derúrgica atual, sem falar nas outras industriais,

consome quase o dobro do oxigênio gasto por to-

dos quatro bilhões de habitantes da terra em con-

junto. De outro lado a substituição do oxigênio

consumido continua sendo realizada pela fotossin-

tese. Calcula-se que cerca de 67% do oxigênio

produzido pela fotossintese se deve às algas e

demais plantas aquáticas dos oceanos. 25% é a

produção do cinturão de florestas tropicais e sub-

troplcals ainda preservadas. E os 8% restantes

resultam da fotossintese das florestas e demais

plantas das regiões temperadas. Calcula-se que

um quilômetro quadrado de floresta equatorial pro-

duz cerca de 15 vezes mais oxigênio, do que Igual

área florestal em região temperada.

Acontece no entanto o seguinte: A progressi-

va poluição dos mares está afetando em cada vez

maior escala a vida das algas. A produção de oxi-

gênio pelas plantas dos oceanos já está em de-

clínio. Isto é fato medido e provado. O transpor-

te de petróleo por via marítima causa uma polui-

ção constante e cumulativa. Há vazamento, há la-

vagens de tanques de petroleiros que na viagem

de volta carregam outros produtos e há acidentes

com petroleiros, entre os quais vários de grandes

proporções. A poluição dos mares pelos petro-

leiros é praticamente Inevitável e com o aumento

constante das frotas petrolíferas terá que crescer

ainda mais. A eliminação do óleo derramado nos

oceanos é muitíssimo mais vagarosa do que o

ritmo do derrame. O efeito é pois, cumulativo. O

segundo fator de poluição dos oceanos é o aumen-

to vertiginoso da exploração petrolífera nas pla-

taformas continentais e a perfuração de poços em

áreas marítimas cada vez mais profundas. Os Es-

tados Unidos Iniciaram um ciclo sem precedentes

de explorações petrolíferas subaquáticas. Muitos

outros países estão trilhando o mesmo caminho,

Inclusive o Brasil, que está descobrindo cada vez

mais jazidas na sua plataforma continental.

Bastos Mello

Na perfuração de poços em áreas marítimas é

totalmente Impossível exltar o escape de óleo e a

conseqüente poluição dos mares. É evidente que

o Brasil baseado em tais considerações não pode

parar suas atuais perfurações, que correspondem

ao Interesse nacional, e além disso a poluição

causada pelos poços brasileiros, é Insignificante

quando comparada aos rios de óleo que as nações

Industriais despejam nos mares.

Em que ritmo esta poluição crescente Irá afe-

tar a fotossintese das plantas aquáticas? Esta

pergunta ainda não encontrou resposta. Mas a

resposta correta, é de vital Importância para os

destinos da humanidade.

4) Países Exportadores de Oxigênio

A segunda fonte em Importância na produção

de oxigênio são as florestas tropicais e subtro-

picals. Aí, logo constatamos uma coisa: Há países

exportadores de oxigênio. Isto é, com multas flo-

restas situadas em áreas altamente ensolaradas e

relativamente poucas Indústrias que consomem oxi-

gênio. Neste caso temos o Brasil, Zaire, Venezue-

la, Indonésia, índia, Colômbia, Bolívia etc. — sen-

do todos esses países, situados entre os dois tró-

picos. De outro lado, temos países Importadores

de oxigênio, que são todos os países Industriali-

zados, cujas florestas pouco exuberantes e pouco

ensolaradas produzem muitíssimo menos oxigê-

nio do que o consumo por seus habitantes e suas

Indústrias.

O Interessante é que todos países exportado-

res de oxigênio são países do terceiro mundo,

com grandes problemas sociais aos quais se ape-

la para que conservem suas reservas florestais,

•com frases como "a Amazônia é o pulmão do mun-

do", e ninguém, mas ninguém mesmo, cogita de

pagar royaltles a todos estes países, pela con-

servação das suas florestas, totalmente Indispen-

sáveis para o equilíbrio biológico do mundo.

Já verificamos pois que a voracidade da so-

ciedade de produção e consumo ameaça simul-

taneamente as reservas de matérias primas e a

estabilidade biológica do mundo. Incluindo o In-

dispensável abastecimento com oxigênio.

5) A Poluição do Homem

Mas os malefícios deste sistema social não

param aí. Ao lado destes efeitos materiais e am-

bientais, a sociedade de consumo significa a de-

gradação do homem. A eterna luta pelo status, o

desligamento do ambiente natural causado pelas

grandes cidades, a destruição da criatividade, a

robotização, a Inversão de valores... tudo Isso e

multo mais, leva a um constante declínio na qua-

lidade da vida.

Quanto à vida nas grandes cidades, já foi pro-

vado que o homem é psicologicamente Incapaz de

viver como anônimo nas grandes aglomerações,

onde sofre de solidão, de falta de calor humano

— onde seu tempo se esgota entre trabalho — via-

gem para casa, um pouco de televisão, comida en-

gullda às pressas, pequenas enüoções e multa

rotina.

Há as sociedades de consumo maduras, nos

países altamente Industrializados. Nestas, o pro-

blema central é fazer todo mundo consumir, con-

sumir o que precisa, e principalmente o que não

precisa. Institutos de pesquisa orientam as políti-

cas de mercado e os consumidores docilmente se

adaptam a estas economias de alta rotatividade,

onde tudo rapidamente se torna obsoleto e todo

mundo precisa ser up-to-date por uma questão de

status. É um mundo de competição, de corrida,

de angústia — a tendência é simplificar as coisas.

A cultuha seriada, o sexo, a caridade — tudo vira

indústria e artigo de consumo. Quanto ao sexo, em

cada vez maior escala, as tendências da socieda-

de, as revistas, as festlnhas das convenções co-

merciais, propagam o abandono de todos preli-

minares. Sexo é algo que deve ser consumido

diretamente, sem corte prévia, sem namoro, sem

preliminar algum... Time Is Money... não perca-

mos tempo... Deve-se lembrar neste sentido, que

todos animais superiores, tem sexo com prelimi-

nares, com corridas, folguedos, perseguições,

com as danças nupclals das aves etc, etc. Só os

animais domésticos, já degradados pelo contato

humano adotam este "sexo direto", apanágio da

gente avançada, deste século das luzes, que Ilu-

minam o bezerro de ouro.

6) As Sociedades de Consumo

Adiantadas

Nestas sociedades de consumo avançadas, en-

troniza-se o especialista, o lecnólogo, o marke-

tlng-man. Cerca de 80% dos membros destas

sociedades colhem os duvidosos benefícios de

poder co-consumir, de participar plenamente da

partilha da produção. Para esta maioria, não le-

vando em consideração a corrida eterna para au-

mentar o status e as angústias resultantes, a vi-

da oferece poucos contrastes. Poucas dores e

muitos remédios para combater qualquer dor, ra-

ras sltuações-llmlte de luta e perigo, prazeres pe-

quenos, constantes e rotineiros. Os grandes con-

trastes que blologlcamente estimularam o homem

na sua jornada através da história, desapareceram,

a vida é uma enorme planície, e o comum dos ho-

mens destas maiorias (silenciosas?) está razoa-

velmente satisfeito, mas raramente feliz. Pois a

felicidade (uma palavra arcaica nas sociedades

de consumo) é uma estranha mistura de dores e

sofrimentos com objetivos alcançados.

E os outros 20%, marginalizados, miserá»-

vels, que não são admitidos na orgia do consumo

geral. Porque a sociedade de consumo não absor-

ve também esta parcela? Este ideal (?) parece

que não é possível alcançar. Os 20% de margi-

nais, em parte servem para fazer as tarefas mais

desagradáveis e humildes que a maioria não quer

executar e de outro lado servem como esporas

para manter a sociedade em galope, mostrando

o que acontece aos xiue não sabem se alinhar.

Estas sociedades de consumo superlnduslrla-

lizadas, onde se pode permitir a 80% da popula-

ção co-consumlr, são geralmente democráticas,

Isto é o domínio político é exercido pelo voto da

maioria. Para a minoria de marginalizados falta

qualquer instrumento de ação política.

Em muitos países industrializados recorreu-se

ao expediente de Importar trabalhadores estran-

geiros. Estes são os novos párias das sociedades

afluentes. Realizam as tarefas mais penosas e hu-

mildes, por salários bem abaixo dos vigentes no

país, muitos são mantidos num status permanente

de clandestinidade e por isso sujeitos a maior ex-

ploração por parte dos empregadores e mesmo dos

locadores de Imóveis. Como estrangeiros, não vo-

tam e são cuidadosamente mantidos à margem de

tudo.

Nos Estados Unidos, a posição de porto-rique-

nhos e chlcanos é algo parecida, só que a Inte-

gração política é muito mais fácil e a coesão e so-

lidariedade mútua destas colônias, facilita sua

Integração e eventual ascenção social.

7) As Sociedades de Consumo

Incipientes

Nos países do terceiro mundo a situação é di-

ferente, as sociedades de consumo são Incipien-

tes, a fatia de população privilegiada é minoritá-

ria. Mesmo para os privilegiados, a vida não é tão

plácida com poucas exceções e por Isso a desu-

manlzação da vida não é tão flagrante e a alie-

nação da natureza e das tradições humanas e bio-

lógicas não progrediu tanto. Em multas destas na-

ções, há situações de fome e de miséria cuja erra-

dicação fica totalmente além da capacidade na-

cional. A situação política nestes países raramen-

te é estável, são sociedades que tem dificuldade

de adotar soluções democráticas, pela Impossi-

bilidade material de distribuir o bolo da produção

de maneira a satisfazer a maioria.

8) Não pode continuar assim

A Inviabilidade total da sociedade de produ-

ção e consumo se torna cada vez mais evidente.

Dentro de poucos anos, qualquer computador que

se preza, recebendo os dados completos sobre a

situação atual, vai Informar: "É impossiveíl conti-

nuar assim!"

Por enquanto as soluções cogitadas são Ime-

dlatlstas e muitíssimo teóricas. As opções da hu-

manidade não se resumem em capitalismo e so-

cialismo, que são sistemas que giram em torno dl

distribuição do bolo da produção.

O essencial para a sobrevivência da espécie

humana é virar as costas para a sociedade de

produção e consumo. Inaugurando uma de equi-

líbrio entre o homem e seu ambiente vital. Só as-

sim se dará um fim ao desperdício, ao consumo

desnecessário, à luta vitalícia pelo status, à polui-

ção, à fome e à miséria.

Trata-se de achar o caminho de volta para

uma vida mais simples, mais feliz, de menores ne-

cessidades, com um convívio humano mais natural,

mais caloroso, com tempo para o lazer, com a

substituição da domesticação escolar, pela trans-

missão dos valores e experiências humanas.

9) Reformulação da Ética Internacional

Para chegar a Isso é necessário antes de tudo

uma radical reformulação da ética Internacional.

Em primeiro lugar, a aceitação internacional dos

quatro direitos fundamentais de todo ser humano:

1) O direito a uma alimentação suficiente e

condigna.

2) O direito a uma moradia com os requisi-

tos básicos, junto ao local de trabalho.

3) O direito a uma vida saudável e plena

assistência sanitária

4) O direito ao Lazer e a participação na

vida cultural comunitária.

E agora o fundamental: A satisfação destes

direitos fundamentais de todos seres humanos,

não é assunto dos respectivos países, mas é tarefa

para a humanidade de maneira global.

Para alcançar estes objetivos deverá ser esta-

belecido um cronograma de eliminação total da

miséria do globo. Todos os países do mundo, sem

considerações políticas e sem restrições devem

assumir a obrigação de satisfazer em escala mun-

dial estas quatro exigências básicas.

Todos os países desenvolvidos assumirão os

seus compromissos, contribuindo na escala exi-

gida do programa. Qualquer país que egoístlca-

mente fora dos ditames da ética Internacional

fabricar armas, promover aventuras espaciais

gastar matérias primas na fabricação de artigos

supérfluos em detrimento do programa de erradi-

cação da miséria, será considerado ato de pirata-

ria Internacional e terá a condenação da opinião

pública.

A execução deste programa, que Introduzirá

profundas modificações no modo de vida e na

concepção do mundo de todos os homens, pode

ficar a cargo da ONU, que a esta hora conta com

uma sólida maioria de países pobres. Se a ONU

não se mostrar operacional devido a sua estrutura,

deverá ser criado um parlamento mundial, onde os

povos serão representados diretamente, Indepen-

dente dos governos nacionais.

10) Década Internacional contra a Fome

e a Miséria

O importante é estabelecer as metas, e co-

meçar caminhando ao encontro das soluções. Se

a humanidade estabelecer uma nova ética inter-

nacional, ninguém vai poder levantar-se contra

esta. Se os governos hesitarem, o povo e em es-

pecial a juventude (principalmente nos Estados

Unidos) cuidará para terminar as hesitações.

Já tivemos os mais diversos anos Internacio-

nais proclamados pela ONU: Ano Internacional do

Livro — Ano Internacional da Cultura e quanta

coisa mais.

O ESSENCIAL AGORA É A DÉCADA INTERNA-

CIONAL CONTRA A FOME E A MISÉRIA.

É preciso assumir as responsabilidades. Va-

mos erradicar estes males como se erradicou a

peste e a febre amarela.

E as responsabilidades terão que ser globais.

A fome no Bengla Desh não é assunto do governo

deste país que é totalmente impossibilitado de

resolvê-lo — mas da comunidade Internacional

como um todo — que poderá resolver facilmente

todos problemas sociais no cinturão de fome, mi-

séria e degradação que existem até nas nações

mais adiantadas.

Não são produzidos mais alimentos, não por

faltar capacidade de produzi-los, mas porque os

famintos não tem capacidade aquisitiva. Em vez

de produzir alimentos, fabricam-se artigos supér-

fluos, que rapidamente se tornam obsoletos

para atender às exigências do mercado. Isto é,

para produzir só para quem dispõe de dinheiro

para pagar. É necessário que a humanidade to-

da comece a entender que produzir alimentos

para os famintos, não é um problema comercial,

mas um Imperativo moral. Aí não se trata de ca-

ridade — os quatro direitos fundamentais do ho-

mem — são Inseparáveis da sua condição humana

e sua satisfação é obrigação da humanidade como

um todo.

11) Genocídio

Permitir que nas mais diversas regiões do

mundo haja gente morrendo de fome — é genocí-

dio.

Os genocídios praticados por Hitler, por mais

abomináveis que sejam, desaparecem em impor-

tância diante do genocídio praticado, dia após dia,

pela humanidade toda, que não quer assumir suas

responsabilidades.

Também a mortalidade Infantií (Intimamente

ligada à violação dos quatro direitos fundamentais

do homem), quando ultrapassa um certo índice

blologlcamente admissível — representa um ge-

nocídio.

A erradicação total da fome e da miséria no

mundo lodo, depende apenas do capital que as

grandes nações industriais queiram dedicar a este

propósito.

E este capital automaticamente existe, desde

que se reconheça que a sociedade de consumo

está morta, e que o mundo não vai mais admitir

que os países Industrializados monopolizem para

si 80% das matérias primas, para produzir inuti-

lidades, em cuja feitura já está previsto o rápido

desgaste. Os americanos se precisam conscienti-

zar que a região do Vietnam, Laos e Camboja

não necessita de Napalm, tanques, chumbo e her-

bicida — mas de arroz, de proteínas, de paz.

Tanto os Estados Unidos como a União Sovié-

tica precisam se convencer que o Oriente Médio

não necessita nem de tanques, nem de aviões, nem

de foguetes — mas de paz e de trabalho, de co-

mida para todos.

Estabelecendo os novos princípios da ética

internacional os conflitos locais desaparecem.

Ao mesmo tempo será necessário em escala

Internacional programar a reformulação da vida da

humanidade.

12) Reformulação da Vida Urbana

Um ponto Importante é a reorganização total

da vida urbana. O objetivo final é que toda pes-

soa viva junto ao seu trabalho. Para isso é neces-

sário gradativamente subdividir as cidades em

unidades comunitárias autosuflclentes, que reunam

moradia, trabalho, escolas, áreas de lazer, de

comércio. Unidades cujo tamanho deveria variar

entre cinco e vinte mil habitantes. Todos pontos

de cada unidade comunitária devem ser facilmente

alcançáveis a pé, numa caminhada de no máximo

10 minutos, atravessando jardins. Atualmente cerca

de 25% dos orçamentos públicos e particulares

giram em torno do automóvel. Sua aquisição, ma-

nutenção, estacionamento e suas pistas de movi-

mentação, viadutos e pontes.

Naturalmente haverá comunicações interco-

munldades e Interbairros. Mas com a vida autô-

noma de cada comunidade, mais de 90% do trá-

fego atual seria eliminado.

O efeito da reorganização urbana sobre a po-

pulação será multo grande. Desaparecerá o sofri-

mento da Ida e volta ao trabalho. Em muitos casos

a viagem Ida e volta é bem mais penosa do que

toda jornada de trabalho. Os homens terão nova-

mente tempo para viver. A vida familiar e a vida

social comunitária será fortalecida. Vivendo em

unidades comunitárias, desaparecerá o anonimato

das grandes cidades. Os contatos humanos serão

mais fáceis e naturais. A vida cultural comunitá-

ria será muito ativa. Todo tempo gasto anterior-

mente em condução ficará disponível para o lazer.

Toda comunidade poderá e deverá ter sua biblio-

teca, seu grupo de teatro, seu clube de cinema,

seus times de futebol, de volley, suas academias

de ginástica, suas igrejas, templos, locais de me-

ditação, suas piscinas, suas quadras de tenls, suas

associações. Não haverá mais a Intolerável soli-

dão das grandes cidades, e os índices de violên-

cia, de neuroses, de intolerância cairão radical-

mente.

13) Execução Gradativa

Naturalmente um programa assim não se rea-

liza de uma hora para outra por decreto. As mu-

danças terão que ser gradativas. As reformulações

urbanas terão que começar com os novos projetos

de expansão das cidades. Em vez de construir

desordenadamente indústrias e áreas habitacio-

nais, começa-se na periferia da cidade, a planejar

as novas unidades Integradas i

O próprio sucesso destas unidades integra-

das, com suas modificações profundas na vida e

no corportamento humano, facilitará a expansão

planejada para as áreas já construídas das cida-

des, onde se procurará formar novas unidades

comunitárias, aproveitando ao máximo as constru-

ções já existentes.

A erradicação da fome e miséria do globo

todo pode ser facilmente realizada em uma só

década, desde que se torne, como há muito tempo

deveria ser, objetivo prioritário de toda a huma-

nidade. A diminuição radical de todas formas de

poluição e do desgaste desmedido de matérias

primas, será uma conseqüência natural desta evo-

lução. Basta a humanidade começar a entender

sua responsabilidade global-por tudo que acontece

e também sua responsabilidade para com as gera-

ções futuras, e tudo tomará um novo rumo.

14) É possível uma sociedade sem

Conflitos?

Vão perguntar se essa será uma sociedade

sem conflitos. Logicamente que não, muitos serão

inicialmente os desafios para transformar uma so-

ciedade desumanlzada, acovardada, violenta, do-

mesticada, Idlotlzada numa sociedade comunitária

de seres livres e tolerantes.

Atingidos estes objetivos, novos desafios hão

de surgir. Faz parte da natureza do homem de

necessitar conflitos, perigos, dores e acima de tu-

do objetivos — metas a alcançar — metas que fa-

zem o homem aceitar os conflitos, os perigos e as

dores como coisa natural. A vida é feita de con-

trastes, nada mais abominável que a planície da

pequena burguesia decadente, com seus minús-

culos prazeres, suas diminutas dores, seus peque-

nos pecados e suas sutis virtudes. O ser humano

blologlcamente não pode viver assim, o ser huma-

no gosta ouvir o chamado, o chamado para o

embate...

E nós estamos chamando agora...

PELA DÉCADA INTERNACIONAL CONTRA A

FOME E A MISÉRIA.

Avante para o MUTIRÃO fW ABERTURA CUL-

TURAL.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Certamente alguém há de dizer que tudo Isso

é utópico. Mas não é assim que nós encaramos o

assunto. Julgamos que a primeira providência con-

creta seria apresentar e aprovar na Assembléia Ge-

ral das Nações Unidas uma moção, que estabele-

ce de uma vez para sempre que os problemas de

fome e miséria em qualquer parte do globo, são

uma responsabilidade da humanidade como um

todo.

Não será difícil aprovar esta moção e esta-

belecer ao mesmo tempo uma sistemática inter-

nacional como o programa da erradicação da fo-

me e da miséria que terá de ser cumprido. Acre-

dito que a maioria na Assembléia Geral é certa.

Mais difícil será evidentemente compelir às noções

super-desenvolvldas carregar a maior parte do

ônus deste programa.

Mas há neste contexto vários pontos favorá-

veis a encarar. No momento cresce cada vez mais

o desemprego nas nações industriais mais prós-

peras. Na sua bitolada maneira de pensar, os eco-

nomistas julgam poder vencer o desemprego fa-

bricando principalmente armas. Armas que podem

ser vendidas para os diversos beligerantes em

ação e em perspectiva por este mundo afora. E

armas que também podem ser utilizadas em vá-

rios conflitos locais devidamente escolhidos. Os

economistas norte-americanos já suspiram saudo-

sos dos prósperos tempos da guerra do Vietnam

(eis uma nova onda de nostalgia que vem chegan-

do.)

Mas gente, não só fabricando armas, pode-se

criar empregos, fabricar Implementos agrícolas,

adubos, comida, construir estradas na África, um

porto em Bengla Desh, Irrigar as regiões áridas da

Ásia, África e América Latina — tudo isso ocupa

gente também. Será que a humanidade não pode

fazer um mutirão em torno de um objetivo nobre?

Será que não é exatamente este objetivo, o que

falta para dinamizar os esforços humanos?

O petro-dolar também está benvlndo nesta

batalha contra a fome e a miséria. E os países

subdesenvolvidos também não só esperarão aju-

da, mas se ajudarão a si mesmo.

Para os países super-industrializados não há

mesmo mais muito tempo para frente. As matérias

primas principais escasseando cada vez mais, os

países produtores vão querer conservar estes re-

cursos naturais para si. E aí, o que vai acontecer?

Os desenvolvidos vão Invadir os sub-desenvolvi-

dos, para ocupar as minas etc?

Não creio que Isso deva ser o caminho da hu-

manidade. Vamos parar para pensar, vamos er-

radicar a fome e a miséria do mundo todo e depois

vamos procurar transformar este globo na pátria

dos homens. Há enormes reservas de boa von-

tade, de altruísmo, de espírito de sacrifício, em

todos países do mundo. Basta um despertar, basta

unir estas energias...

Nós estamos mandando estas considerações

em tradução inglesa e francesa para dezenas de

delegações de países do terceiro mundo nas Na-

ções Unidas, além de diversas entidades, como

Unesco, Fao etc.

Tudo é só utopia? Vamos ver. Queremos fa-

zer nossa parte.


Página 12

NO PRÓXIMO NUMERO:

VIOLÊNCIA

De RUIZ LIABRES

SOCIEDADE PERMISSIVA

de Acácio

Teatro e Revolução

de Tales Lima

JESUS CRISTO E A GERAÇÃO SEM NOME

de Neiva

Sofocles - Paz e Amor

de Otto Buchsbaum

Fronteiras do Eu

de Pires Sá

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ABERTURA CULTURAL — ANO 1 N? 4 Página 13

ESQUELETO NO ARMÁRIO

"Todo mundo tem um esqueleto no armário" di-

zia Roberto para Marieta. "Sim, mas não um verda-

deiro, como nós temos". Há anos ela se queixava da

presença incômoda. Nunca abria o tal armário e da-

va até uma volta para não se aproximar. Parecia te-

mer que qualquer dia a porta do armário se abrisse

e o esqueleto estendesse sua mão, sua garra ossuda...

O esqueleto era uma remanescência dos tempos

de estudante de Medicina. Roberto comprara a os-

sada de um colega e casando ainda antes de se for-

mar, trouxe também este mórbido pertence para den-

tro do casamento.

Marieta odiou o esqueleto desde o primeira dia.

A presença constante do intruso causava-lhe asco

e medo, formando com ela e o marido um estranho

triângulo.

Roberto ao especializar-se em Psiquiatria, afastava-

se cada vez mais das preocupações com a anatomia

humana. Assim, o esqueleto (guardado no armário)

tornava-se seu último liame com a realidade corpórea

do homem.

"Todo mundo tem um esqueleto no armário" di-

zia Roberto sempre. Evidentemente, agora ele já se

referia às suas experiências psiquiátricas. O fantas-

ma de cada um, escondido num recanto da mente,

pode assustar bem mais que multo esqueleto.

Mas Marieta não pensava assim. Nunca passava

perto do armário ;nenhuma mão ossuda que saísse

do maldito armário poderia alcança-la.

Viverem seis anos de calmaria, Roberto e Marie-

ACACIO

Acácio, meu Xará Acácio, é profes-

sor universitário. E vejam bem, é um

professor universitário que se respeita.

Nada de uivar com os lobos, nem com

os urubus, nada de gargalhar com as

hienas, nem ganir com as raposas, nem

boca-fechar com as ostras. Acácio não

deseja desfrutar uma popularidade fá-

cil. Ele é todo austeridade e rigor cien-

tífico.

Já pelos trajes, o ilustre professor dis-

tingue-se neste nosso mundo desenfrea-

do. Sim, nele temos a distinção feita ho-

mem. Uma distinção em linhas clássicas,

uma distinção em cinza. Pois saibam

vocês basbaques, Acácio sempre se tra-

ja de cinza, cinza escuro no terno de

corte severo, cinza claro, claríssimo, a

camissa Importada, cinza azulada a gra-

vata de seda, para formar um leve e dis-

tinto contraste.

Mas não pensem, que ele, o Profes-

sor Acácio, seja uma figura cinzenta,

apagada, sem brilho, sem ressonância.

Nunca, nunca, nuncal Ao contrário, ele

é luminoso, brilhante, é um destes cumes

solitários, sempre banhados pelo sol (ou

mesmo pela lua).

O Professor Acácio é na lingüística o

que Einsteln era na Física, um gigante

cujo crânio calvo perfura os cumulus

nlmbus, indiferente a tempestades, raios

e trovões.

Não pensem que Isto é apenas uma

Imagem poética ou um ensaio para um

prefácio laudatório, de jeito nenhum.

Pensem bem na repercussão da última

crítico da fenomenologia asslntótica na

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ta e o esqueleto. Um triângulo sul generls (que não

ofende a moral de ninguém).

Um dia (um dia sempre as coisas acontecem)

Marieta estava pacificamente sentada diante da má-

quina de costura, pois gostava de fazer seus próprios

vestidos.

Aí, do quarto vizinho, do escritório de Roberto,

ouviu umas batidas insistentes.

Levantou, foi até à porta, parou para escutar...

toc-toc-toc — bem nítido ouviu três batidas em se-

qüência, três batidas na porta do armário. Marieta

gelou — "o esqueleto queria sair".

Nem por um instante cogitou enfrentar o enigma.

Sem dar as costas ao armário, ela foi recuando, re-

cuando — fechou a porta — trancou, continuou fu-

gindo para o outro extremo da casa — onde se tran-

cou no banheiro dos fundos.

Depois de conviver durante tanto tempo com o

esqueleto, esperava da parte dele qualquer maldade,

sempre pensara na ossada ,como num hóspede ma-

cabro, uma pessoa descarada e maldosa. As batidas

na porta não foram nenhuma surpresa — há tempos

ela sabia, sabia sim, que o esqueleto queria sair.

Ficou mais de três horas trancada no banheiro,

remoendo seus pensamentos, discutindo com seus

temores.

Na volta de Roberto, mal ele entrara pela porta,

ela já corria ao seu encontro. "Roberto, o esqueleto

está batendo na porta do armário".

Não diga tolices, Marieta, não diga tolices".

obra do insígne professor "Estudo diacrí-

tico da fenomenologia asslntótica na lin-

güística monopoli e pluri-camparada'. Es-

ta obra genial foi uma verdadeira bomba

de cobalto a cair nas hostes já bem teme-

rosas dos lingüistas menores, que conti-

nuam circulando sub-reptícios e impunes

pela sombra gigantesca da figura ímpar

do Professor Acácio.

Acácio é um lutador. A última e mais

encantadora flor de Lácio, multo deve a

ele. Devemos a ele, esta luminosa fra-

se que define um programa e resume uma

doutrina: "A língua por ser o mais po-

tente meio de comunicação que herda-

mos dos nossos maiores, deve ser pre-

servada da desestruturação por parte de

teorias novidadeiras, lingüistas Improvi-

sados e arrivlstas ambiciosos".

Infelizmente as nossas universidades

em má hora abriram suas portas para ra-

pazes e moças que pelo estrato social

de que provém deveriam dedicar-se a

trabalhos manuais ou seja mesmo ati-

vidades comerciais.

Esta enxurrada de mai-nascidos tem

engolfado o Professor Acácio num mar

de incompreensão; suas teorias sublimes

e frases bem formuladas não tiveram en-

tre a estudantesca a necessária reper-

percussão. Mas nem por isso o Profes-

sor Acácio pretende gargalhar com as

hienas, isto nunca. Acácio é fogo, ele

marca pênalti, é pronto, podem berrar

e jogar pedras.

Estou naturalmente falando uma lin-

guagem simbóülca ("Os símbolos são

MAMO de ótico/

mais Importantes que os significados",

diz Acácio), pois o Professor Acácio não

é juiz de futebol e nem pensa em correr

de bermudas pelos campos lamacentos

do nosso pé-bollsmo televisado.

Não, Acácio não almeja popularida-

de fácil. Ele se contenta com o devido

destaque dos suplementos literários que

acolhem sôfregos suas teses e seus ar-

tigos e goza apenas o espanto de lei-

tores desavisados diante da superiorida-

de de sua expressão vocabular e da

sua audácia Intelectual, que torna seus

escritos acessíveis apenas para a elite

das elites.

Acácio sabe, Acácio tem consciência,

que influenciando os melhores, os me-

lhores dos melhores, ele influência todos,

pois a massa ignara vem à esteira da

história.

O Professor Acácio, por motivos téc-

nicos, vai deixar a universidade onde

lecionava. Mas o esplendor do seu pen-

sar não se perderá pois outra universi-

dade o acolherá de braços abertos.

Atenção estudante, talvez seja a sua.

Saiba receber o Profesor Acácio condig-

namente, saiba sorver dos seus lábios a

Verdade com V maúscuio, esta Verdade

única e última que só está ao alcance

dos espíritos de escol, sim, esta Ver-

dade que é única, embora como tão bem

diz Acácio de espírito aberto. "A lin-

güística pode ser monopoli e plurl-com-

parada".

E que cada um cuide do seu próprio

xará. Tenho dito.

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Marieta tremia de medo e indignação: "Mas, Ro-

berto tenho certeza, ouvi nitidamente".

Roberto olhou sua mulher com calma, a calma do

profissional para quem a vida não tem mais segredos:

"Bam, Marieta, vamos verificar, sei que você abomi-

na o esqueleto, por isso faz tempo que nem abro

mais a porta do armário. Pode ter uns ratos lá den-

tro — fazendo barulho — causando Isso que você

chama batidas. Vou verificar".

Marieta ficou paralisada de medo, mal conseguin-

do dizer: "Roberto, por favor, não abra a porta deste

armário, por favor".

Roberto, calmo e superior, erguendo as sobran-

celhas, perguntou: "Ora por quê?".

— "Mas, Roberto, não deixe o esqueleto sairl"

— "Não diga tolices, fique calma, sente af, nfio

tem nada".

E Roberto dirigiu-se ao seu escritório, em frente

ao armário, hesitou um momento, olhou em torno,

tudo, estava em ordem. Tudo estava bem em sua vi-

da metódica e regrada.

Ai ele abriu a porta do armário, o esqueleto es-

tava na sua frente, de pé, como sempre, com este

sorriso sardõnlco tão habitual, nos esqueletos.

Tudo estava em ordem.

Um grito lancinante vem da sala, em seguida a

porta da frente bateu. Roberto rápido foi até a Ja-

nela.

E Marieta corria pela rua, louca, louca — gri-

tando, gritando...

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Rock-o-Cock

Rock-o-Cock, o Rock-Galo rococó, muito adoidado, uma seção para falar do mundo, da gen-

te, do som, da arte, do nada, de hoje e de amanhã.

Davi Alonso e Betí-da-Costa coordenam esta doidice e aceitam colaborações de bichos-muito-

ioucos, com a lógica em frangalhos.

Galáxia de Flores

Meu jardim é um universo fechado,

onde as flores

tem sempre razão...

Apure seus ouvidos

e ouça

as cantigas das pétalas,

o silvar das ervas,

ora, ora, ouça o trompetar verde

deste arbusto orgulhoso

as suaves floras azuis

slnging the blues.

plano, planíssimo

até que a brisa morna

agita a orquestra...

Será que lodo ser humano

tem seu jardim?

Junto à casa,

enredado na memória

Giram as rodas do trem

giram a -bem girar.

Gemem os trilhos

o peso é muito...

Quanto pesa o desespero?

A fome ocupa lugar?

Cidade-dormitório

cidade que toda madrigada

em sístoie selvagem

despeja obrei ros

para as obras distantes.

Marmltinha amassada,

estômago encolhido...

ora, ora, onde cabem cem

mais cinqüenta hão de caber

e sempre cabe mais um.

Trem de subúrbio

trem do destino

os trilhos gemem

e as rodas giram.

Levantar às cinco da matina,

se Deus quiser.

para chegar às oito,

Ó bem- amada civilização Industrial

como cuidas bem dos teus servos!

Gado não se transporta assim,

pois gado tem valor,

dá carne rica e sangrenta

para rico comer

e navio-frigorífico

exportar.

BETÍ - DA - COSTA

ou, ao menos

inventado

peia massa cinzenta,

peia imaginação que liberta

que nâo conhece fronteiras?

Uma galáxia de flores

que cintiia

que canta

que rompe os cinzas

com cores selvagens

com o odor das florestas

com a força das raízes.

Meu jardim é um universo fechado,

de nostaigia e lágrimas contidas.

Num universo fechado

em fuga constante,

que minha memória

sempre tenta captar.

7iTn mm

PIN - GENTE EL HOMBRE DE

DAVÍ ALONSO

Sempre cabe mais um,

são vagões elásticos

que transportam

passageiros ocos

fáceis de comprimir.

E quando todos cantos

já estão preenchidos

de carne humana

para o mercado de trabalho,

resta o pingente,

que as vezes cai,

quai fruta madura.

Pois maduros todos estão,

as cidades- dormitórios

são estufas

que ajudam amadurecer.

Pingente,

que às vezes pinga

pelos trilhos,

Pingente,

Pín-gente —

é gente também.

É uma espécie

de pin-up-man

que vê as pin-up-girls

do alto das construções

que ergue.

As rodas giram

os triihos gemem.

Quanto pesa a fome?

o desespero ocupa lugar?

GIACOMETTI

apunta

a través de ia galeria

descansa, pálido, tieso

sin nariz, descabeliado

ei brazo izquierdo amputado

(Tóquenio! Tóquenio!)

Nuestro poeta

Su mano derecha sujeta un rolio

de innumerabies ilneas

que pendem secretamente ahf donde

nadie logra alcanzar

no aquei ojo directo y suave

como ia cascara de un huevo.

Ha cerrado ei museo esta noche

Ninguna nube reconocia

su ropa gris, destenida.

Tal vez será posibie empezar

de nuevo, desde ia piedra.

TRADUZIDO POR

NEIL BALDWIN

MARTHA MALDONADO

EM COLABORAÇÃO COM

O AUTOR

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ABCaTURA CULTURAL — ANO 1 N? 4

MOMENTO DO MUNDO SANTOS MORAES

No momento em que escrevo este poema

todas as ruas do mundo estão cheias de

gente

homens mulheres velhos crianças

escutai os corações como palpitam!

São todos vivos e aos milhares andam

dobram a esquina encontram-se conversam

sorriem lêm os jornais falam da vida

e se desconhecem entre si.

No entanto possuem coração

escutai como palpitam num só ritmo

corações estranhos múltiplos cardíacos

nas avenidas nos bondes nos teatros

palpitando violentos.

Corações de nós todos suportando as

tristezas

as amarguras do tempo alimentando a vida

frágil

prestes a estourarem num soluço.

Tantos homens no mundo

tantos e tantos na Europa

na Ásia África Oceania!

Quantas mulheres tantas!

Quantas dores recolhidas

quantas alegrias mortas

em tantas pessoas vivas

e eu conheço tão poucas!

No momento em que escrevo este poema

todas as ruas do mundo estão cheias de

gente.

Quantas ruas haverá no grande mundo?

Ruas escondidas perdidas na sargeta

íta Para Poetar Infantaria Intelectual

Tristan Tzara, pintor e poeta

romeno, co-fundador do movi-

mento Dada criou a seguinte re-

ceita para produzir poesias:

Pega-se um jornal, recorta-se

um artigo, e deste artigo tira-se

verbos, substantivos, adjetivos e

advérbios. As palavras recortadas

são postas numa caixa, mexe-se

levemente com o dedo. Depois

sem escolher e olhar, tira-se as

palavras da caixa, anotando-as

na seqüência em que foram tira-

das. Depois reescreve-se tudo,

juntando artigos, preposições,

pronomes etc. acertando ao mes-

mo tempo as concordâncias e

conjugações. Querendo, dá-se ao

conjunto uma estrutura gráfica e

acrescenta-se a pontuação. A

poesia está pronta. Ao lado te-

mos "INFANTERIA INTELECTUAL",

uma poesia que resultou desta re-

ceita.

Se

STUO/O GEMINI

Barata Ribeiro,391/201

u o - de alunos limitado

para maior dedicacgo exclusiva

País da infantaria intelectual. Assistiram idosas?

pedindo comentou

pelo combate.

MANIFESTANTES DO MUNDO

ali compreendem, presentes,

acenou: A noção das obras.

Pessoal, diziam: Ouve, viu mostrar a direção

esses lourinhos caminhando

dentro dos sentimentos.

A divisão da relação das cadeiras,

dificilmenle podia, se havia humanosll?

RACIAL? TODA AMÉRICA EM GUERRA,

outros Jovens chegam,

ressinto ainda morte particular.

Poucos ancestrais

Altos seres

DUAS ATITUDES

OPORTUNIDADE DE COSTURAS

CABELOS NACIONAIS

Fora a Instrução do lado social,

ressinto outro quarto.

apenas sentimentos.

vocês.

Página 17

ruas largas de altos edifícios iluminados

onde os homens se sucedem lutam

desesperam

irmãos que não conheço tão distantes

e poderíamos viver tão próximos uns dos

outros.

No momento em que escrevo este poema

os oceanos estão cheios de homens mortos

os campos povoados de fantasmas

braços soltos crânios decepados órbitas

vazias

raios de sol brilhando nas hélices metálicas.

Tudo está transbordando de vida e de morte

mas ninguém está só nem a noite nem os

homens

uma grande esperança acompanha os

gemidos do mundo.

Dizem?

Esquecem.

Não dizem?

Dissessem.

Fazem?

Fatal.

Não Fazem?

Igual.

DIZEM?

FERNANDO PESSOA

Por que esperar?

Tudo é sonhar.

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os tambores chamam.

A labuta do dia

ficou longe, irreal.

A hora é dos tambores

da magia dos sons

das velhas palavras

sempre repelidas.

Uma roda de cachaça

almas que se irmanam.

O grito do galo,

solitário, triste...

Exu salta, brinca, se esconde

e gargalha pela casa.

As sombras tremem,

os tambores ressoam

pela noite adentro

para com a força da magia

mudar os dias

os dias

os dias que precisam mudar.

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Página 18

LÍNGUA:

Lendo a Bíblia encontrou a frase

"se teu olho te aborrece, arran-

que-o" — e há tantas línguas que

aborrecem.

Era locutor. Lendo McLuhan des-

cobriu que o microfone é uma ex-

tensão da língua. E que toda ex-

tensão implica numa auto-ampu-

tação. Tirou as conseqüências.

Ele já tinha dito tudo...

O silêncio é de ouro...

Recitou a poesia, era tão bela.

Não convinha dizer mais nada.

ABERTURA CULTURAL — ANO 1 N9 4

A auto-censura é a mais perfeita

das censuras.

Pensei que era poliglota...

1984 já chegou!

ATOR: DOMINIQUE DARD FOTOS: JOÃO CARLOS GOLDBERG TEXTO: PAULO LIPKE

Muitas vezes é preferível silenciar do que abrir a

boca e deixar que a língua sacie seus desejos; urge

que esteja "na ponta da língua" seja bem utilizado.

É, como dizia PLUTARCO: "antes de falar, faça com

que a sua língua dê sete voltas na boca". Quando tal

não acontece, até os chamados sete pecados capitais

podem ser cometidos.

A língua, este órgão muscular, oblongo, carnudo,

alongado, bem móvel, entrincheirando no assoalho da

cavidade bucal, é tão Importante em sua simboloola,

que através de sua mímica e pantomímica a Humani-

dade "sábia e careta" se comunica, participando ora

das dádivas do NIRVANA, ora de um "bavard enfer"

"Dans Ia place de Ia langue" se refugiam gran-

des segredos da história, e como todo segredo da vi-

da consiste em se interessar por uma coisa profunda-

mente e saber calar moderadamente, enquanto a Hu-

manidade existir, tem de coexistir em paz com as

"línguas".

Teríamos multa "papa" na língua para falar dela;

é língua demais para um falador. Falar por exem-

plo, da língua nacional, culta, franca, literária, extinta,

chula, viperina, afetiva, conotativa, denotativa, ex-

pressiva, intelectual, da língua do boi, da língua de

palmo (do maldizente) ou do palmo e meio (do fala-

dor íncorrigivel); e quando a língua se refererir a

lingüística (aplicada, comparativa, descritiva, diacrô-

nica, histórica, sincrônica).

Muita língua sendo maior que a da calúnia e Inve-

ja, não daria no papel.

Da mesma maneira que a língua vai aos oráculos

que respondem por uma divindade, não faltam as

línguas de trapos, serpentinas, ou como escreveu a

história, as "línguas de areia, de lobo" que em laba-

redas baixaram sobre a cabeça dos discípulos de

Jesus Cristo no dia de Pentecostes. E a língua não

poderia deixar de virar as páginas da história, a lín-

gua dos profetas, guerreiros, dos déspotas, dos anar-

quistas, dos sadomasoquistas da política etc Pela

língua, a humanidade cria a fama. E há os que que-

rem unificar, criar uma linguagem universal, o latim,

conforme sugestão de Leibniz; o volapuque inventado

TEATRO AO ENCONTRO DO POVO

Faça Sua Assinatura

Um mensário cultural em

luta pela renovação v

por Schleyer que tinha como lema "Menade bal pukl

bal" (Para uma humanidade única uma língua única),

e o esperanto criado por Zamenhof.

Voltando à sábia Grécia, veremos a história con-

tada pela língua de Planudes. O filósofo Xantho cha-

( ma seu escravo Esopo e dá ordens para que compre

' no mercado o que há de melhor porque receberia no-

bres e filósofos para uma reunião. Esopo comprou lín-

guas e mandou prepará-las da melhor maneira possí-

vel. Os convivas se fartaram de tanta língua, co-

meram tudo e saíram elogiando o banquete. Xantho,

Intrigado chamou Esopo, e perguntou porque afinal

tanta língua ;este responde — "porque a língua é o

laço da vida civilizada, a chave das crenças, órgão da

verdade, da razão e da sabedoria". No dia seguinte,

Xantho iria receber outros convidados, uma turma

de chatos... por isso Xantho diz a Esopo para trazer

o que há de pior no mercado. Esopo traz novamente

línguas, e explica, para não ser punido: "A língua é

a mãe de todas as desgraças, a causa de todos pro-

cessos, a origem de todas as divisões, de todas as

guerras". •

Bem, e aí está o artista que presta homenagem

à língua que se expande e se prolonga, e com os ten-

táculos da arte se incorpora e penetra dentro de nós.

Muitos ao verem estas fotos se sentirão choca-

dos, outros divertidos. Porque afinal não é assim que

se deve usar ou desusar a sua própria língua. Em

torno destas fotos caberia um universo de considera-

ções psicológicas — talvez a língua no mundo atual

seja o super-ego castrador (Ueber-ich). Cabe neste

contexto uma rica simbologia e uma seqüência de

perguntas.

As considerações que a seqüência de fotografias

fez surgir em mim, esboçarei em seguida num decá-

logo. Os leitores que me acompanharam até aí, e

que tem ainda sua boa e fiel língua perfeitamente

intacta, poderão usá-la, acrescentando outros itens:

1) A língua não se escondeu (saiu da boca) e

contrariou Henry Thoreau ("se quiseres um escudo

impenetrável, fica dentro de ti mesmo");

2) A língua mostra a idade emocional das pessoas

(já dizia Cícero que as pessoas são como os vinhos;

a idade azeda os maus e apura os bons);

3) O homem Inteligente usa o diálogo (o ho-

mem que numa discussão dá o primeiro soco, confes-

sa que já lhe acabaram as Idéias — ó uma língua

mole).

4) Não adianta envelhecer cedo e tagarelar

pseudo-puritanice (pois poucos vivem o presente,

guardando energias para utilizar mais tarde).

•5) O pecado é o pensar deturpado ("de toda á

parte da terra, há a mesma distância para ojnferno,

quando adulteramos as coisas" — Anaxágoras);

6) O problema da língua faladora é de cons-

ciência, aliás o mundo anda precisando de um bom

auto-falante para a voz da consciência.

7) Eu e o fotógrafo não nos preocupamos com

a crítica; quando seu trabalho fala por si mesmo (lín-

gua fala) não o Interrompa, diz a sabedoria. Muitos

que criticam não sabem, como, e porque metem a

língua...

8) Que é preciso ter cuidado com a língua das

esposas, pois estas podem sofrer em silencia, mas

que geralmente tem uma porção de coisas a dizer

na ponta da língua mais tarde, e podem até virar man-

chetes.

9) LÍNGUA e GUERRA são duas palavras de

seis letras. Que a língua dos dirigentes do mundo

não cale a língua da humanidade, com a profusão de

cogumelos que também tem sua língua, pois trazem

dentro de si escritos "The End".

10) Por fim, antes de falar mal do trabalho, apli-

que em você um provérbio milenar:

— Aquele que não sabe, e não sabe que não

sabe é cretino — matai-o (a língua manda)

— Aquele que não sabe, e sabe que não sabe, é

um Ignorante, instruí-o (a língua ajuda)

— Aquele que sabe, e não sabe que sabe, é um

sonhador, acordai-o (a língua fala)

— Aquele que sabe, e sabe que sabe é um sá-

bio, imital-o (difícil, pois não há uma língua igual a

outra)

Terminei, "metam a língua..."

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Paschoal Carlos Magno (Rio de Ja- Alexandre Mendes (Rio de Janeiro —

neiro — GB) Nesta véspera de Natal GB). Gostei muito do jornal. O Abertura

quero dizer-lhes obrigado pela remessa tem artigos de excelente qualidade e é

de sua bela publicação, e de levar o um jornal que ao contrário dos demais,

teatro ao povo, obrigado pela perseve- não chafurda na mediocridade. Não sai

rança de seu idealismo, apontando a in- sangue quando se o expreme, nem tamdiferença

de tantos, a incredulidade de pouco vive de mentir, de deturpar. O

muitos. Lembro-me de quando dirigia mensário de vocês também não alimenta

as colunas de teatro do "Correio da a falsa imagem de seriedade. É um jor-

Manhã" — o grande jornal recém desa- nal que nos comunica multo mais do que

!

parecido — abriguei com entusiasmo e a maioria absoluta da imprensa brasileirespeito

o trabalho de vocês em Santos, ra. Teria ao lado disso, umas ressafe/as

representando "Pedro Mico" do nossol ha acrescentar. A seção de cartas é muigrande

Antônio Cailado. Desde entãol to pequena; acho eu, que esta deveria

acompanho a luta de ambos, com admi-J i'ocupar pelo menos duas páginas. Digo

ração. v isto porque a comunicação leitores-jortinai

Abertura é muito importante. Abertu-

— Obrigado, Paschoal. Nós também

|ra Cultural pode tirar muitas lições deste

conhecemos sua luta pelo teatro e ins-

Idiálogo, que em outros jornais é praticapiramos-nos

no seu exemplo e adoramos

|mente inexistente.

aquela sua entrevista no Pasquim. Per-

—Nós vemos estudar tuas sugesmaneça

em contato conosco.

tões. Não podemos, como você sugeriu

também, dedicar todo o jornal ao teatro.

ABERTURA CULTURAL é um jornal aberjto

(o pleonasmo não me assusta) na me-

|dida do possível, a todos assuntos. Nós

jqueremos comunicar com o maior número

possível de pessoas e não apenas

com aqueles que se interessam por teatro.

Quanto às duas páginas da seção

de cartas, isso se tornará possível na

medida em que não ficar repetitivo.

Lú (Petròpolis — RJ)... um dia, pas-

sando por uma banca de jornais, vi um

jornaleco falando a respeito de missa

negra. Pô, eu pensei, isso me interessa

e fui comprando. Quando abri o mes-

mo, babei, caras, era Isto o que faltava,

até que enfim pintou alguém falando da

maneira que era preciso falar, chamando

as pessoas. Daí comprei o outro número

e tô a fim de conseguir o n"? 1.

— Para conseguir o n? 1, você pode

mandar o seu endereço, e mais Cr$ 3,00

em selos. Quanto às suas poesias, ainda

falta nelas somelhing. Continue poetan-

do e quando tiver coisa melhor, pode

mandar que a gente pública.

Renato César Lopes (Rio de Janeiro

— GB) Estou iniciando um novo traba-

lho teatral, e peço ao pessoal do Aber-

tura para me colocar em contato com

jovens Interessados em formar um grupo

amador. Meu nome é Renato César Lo-

pes, moro na rua Barão do Bom Retiro,

606-505. Tel.: 281-0951.

— Quem quiser entrar em contato

com o Renato, já possui todos os dados.

Petrarca Maranhão (Rio de Janeiro —

GB) Com prazer acudo ao convite para

colaborar como assinante e articulista

com esse excelente jornal. Junto, vai

esse artigo. Parabéns.

— Estamos aí, Petrarca.

José Carlos B. de Castro (Uberlândia

— MG) Boa noite. Aqui está falando

mais uma pessoa que se amarrou no

ABERTURA CULTURAL. Pô, que sarro!

Esse jornal é a coisa mais doida. Para-

béns, mais parabéns mesmo a todos vo-

cês por terem conseguido botar esse

bloco na rua. Gostei do A.C., porque a

gente pode participar dela numa boa,

sem ninguém para gozar-nos ou para

pichar-nos. Eu quero ter toda a coleção

do A.C., um jornal que merece ser

guardado, para um dia podermos mos-

trar a nossos filhos, o que de mais doido

pintou nas cucas da gente. E a seção

Rock-o-Cock, é uma seção livre? Vocês

aceitam artigos para publicar na mesma?

Vou ficando por aqui, aquele abraço à

maçada (very crazy) do A.C. e até

mais. Thafs ali I have to write.

— Para você conseguir o n? 1, basta

mandar Cr$ 3,00 em selo. O Rock-o-

Cock (e o resto do jornal também) está

aberto a quaisquer loucuras enviadas pe-

los leitores, desde que sejam loucuras

inspiradas.

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Mauro Betti (São Pauio — SP) Envio

yalgumas poesias para a secção Rock-o-

gCock de Davi Alonso e Beti-da-Costa.

— No próximo número poderá sair

ijuma poesia tua, no Rock-o-Cock. Con-

Utinue escrevendo prá gente.

| Cândida Moreira (Vitória — ES) Acho

30 Abertura genial, inclusive, tenho pas<

jsado adiante para ser lido. No meu trabalho

há participação de jovens estudantes

a nível voluntário e eles de monstram

«muito interesse pelo jornal. A equipe

'toda pode ficar tranqüila que o ABERTU

IRA CULTURAL é uma harmonia de voizes.

1 — É isso aí. Cândida. Tuas Cartas dão

força prá gente. Mante-nha-se em contato

^conosco.

j André Luis Cavalcanti (Rio de Janei-

Iro) — GB) Permitam-me expressar pu-

blicamente o meu regozijo por ter en-

í centrado nas bancas um jornal de alto

'nível literário. Além de chamar a aten-

ção para uma questão premente, isto

|l, a marginailzação de um teatro que é

| confinado às saias de espetáculo, as

'quais, somente podem ser freqüentadas

■por membras da alta burguesia, indica-

nos uma nova maneira de viver. Sinto

'que agora tenha disponível um porta-

-voz para divulgar meus anseios.

— Nós já reparamos pelo número de

'"cartas recebidas que ABERTURA CUL-

I TURAL está dizendo o que muita gente

i queria dizer, mas não conseguia. Real-

\ mente achamos, e isto não é falta de mo-

i déstia, que nós viemos preencher um

vazio existente na imprensa.

Teresinha Alves Pereira (Bioomlngton

— USA) Acabo de receber sua carta

anunciando sua revista e aguardo a che-

gada do n? 3 dela, como promete estar

a caminho, para dar uma notinha sobre

ela na minha resenha (cópia incluída) e

também na LATIN AMERICAN THEATRE

REVIEW de onde sou um dos editores.

— Tá certo, Teresinha. Se você qui-

ser mais Informações a respeito do nosso

movimento,estamos à disposição.

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«.»?

A descoberta de que certos macacos

conseguem desenhar e pintar é relati-

vamente nova. O primeiro caso de que

se tem conhecimento é do chimpanzé

Joni de Moscou, que em 1913 iniciou-se

nas artes do desenho, estimulado por

Nadjejeta Kohts, a qual escreveu a res-

peito, um livro, comparando os desenhos

do macaco com desenhos de crianças.

Mas só multo mais tarde, a partir de

1954, o grande público Começou tomar

conhecimento das façanhas de macacos

pintores. Naquela época surgiu na tele-

visão de Londres, o chimpanzé Congo,

que fazia suas pinturas sob as vistas dos

tele-espectadores. Mais ao menos ao

mesmo tempo, no Jardim Zoológico de

Baltimore, também começaram a des-

tacar-se dois chlmpanzés-plntores: A fê-

mea Betsy e o macho Dr. Tom. As pin-

turas de ambos foram mostrados para

dois psicólogos Infantis para análises.

Segundo estes psicólogos, Dr. Tom era

um rapaz um tanto agressivo de 7 a 8

anos de Idade com tendências paranól-

des. Quanto aos trabalhos de Betsy, os

psicólogos acharam que eram obras de

uma mocinha, com cerca de 10 anos,

de tipo esquizóide, mostrando forte Iden-

tificação paterna.

Em ambos os casos os psicólogos

acertaram no sexo, errando nas idades

(Dr. Tom tinha na época 3 anos e Bet-

sy 1 ano). Mas nenhum psicólogo duvi-

dou que se tratasse de obras de origem

humana. Posteriormente, o trabalho de

Betsy foi divulgado em grande escala pe-

la televisão americana. O êxito comer-

cial das pinturas de Betsy foi muito

grande, alcançando altos preços no mer-

cado de arte norte-americano, o que evi-

dentemente prejudicou o desenvolvimen-

to de um programa experimental sério.

A crescente fama de Congo na In-

glaterra e a de Betsy nos Estados Uni-

dos levou fatalmente a uma exposição

conjunta. Esta se realizou em 1957 em

Londres reunindo 24 quadros de cada

um dos macacos pintores. Desmond

Morris, responsável pela evolução artís-

tica de Congo comentou a respeito:

O inglês médio ama animais e detesta

arte abstrata. Não surpreende, pois, que

um animai que pinta quadros abstratos

provoque um conflito mental muito Irri-

tante. Deve-se no caso elogiar o animal

ou amaldiçoar as pinturas?

De qualquer maneira, a exposição cau-

sou sensação. Reailzou-se no instituto

de Arte Contemporânea de Londres, sen-

Macacos Pintam,

Homens Também.

LUCIANO FREDERICK

SPARSBROD

ATENÇÃO PARTICIPE DO CONCURSO:

IDENTIFICANDO OS QUADROS

do á mostra inaugurada por Sir Jullan

Huxley.

O Instituto de Arte Contemporânea e o

Jardim Zoológico de Londres, que era a

residência habituai de Congo, foram

inundados com pedidos de que as pin-

turas de Congo fossem postos à venda.

O Jardim Zoológico de Londres não

tinha nenhuma pretensão de se desfazer

destas pinturas. De acordo com a com-

binação com os norte-americanos, a ex-

posição deveria depois seguir para os

Estados Unidos e além disso, pretendia-

se conservar o acervo de pinturas, por

interesse científico. Mas para não se

mostrar intranslgertte diante de tantos

pedidos de compra por parte de multas

pessoas de destaque na política, na aris-

tocracia, nas finanças e na arte, con-

cordaram em vpnder as pinturas, colo-

cando no entanto preços fantásticamen-

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