Abertura - Laboratório Territorial de Manguinhos - Fiocruz

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Abertura - Laboratório Territorial de Manguinhos - Fiocruz

Apenas essa valorização possibilita que a leitura do PAC Manguinhos supere a

influência exercida por grandes agentes econômicos e pelo marketing político na

interpretação dos investimentos, permitindo o respeito pela vida de relações que

reelabora, diariamente, práticas coletivas. Manguinhos, neste relato/narrativa, emerge

como espaço portador de uma história de reivindicações e conquistas e, assim,

como espaço conformado por múltiplas instituições, territorialidades e sociabilidades.

Sem dúvida, as imagens reunidas neste livro impedem o esquecimento dos diferentes

imaginários e experiências que disputam os sentidos do PAC. Uma disputa que é

necessária à participação na defesa de projetos socialmente justos para o futuro

do lugar.

Ana Clara Torres Ribeiro

(em memória)

Professora adjunta do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano – IPPUR/UFRJ

Coordenadora do Laboratório da Conjuntura Social: Tecnologia e Território – LASTRO

Certa vez, lá pelos idos de 2001 (não sei, com precisão, o dia e a data certa), eu

caminhava pela rua Dr. Luiz Gregório de Sá, em direção à RedeCCAP. Aproximava-se da

hora do crepúsculo, quando, por detrás das casas subia uma fumaça que, ao se espalhar

no ar, denunciava um cheiro forte de carne queimada. A origem daquela fumaça era o

corpo de alguém assassinado lançado numa lixeira e ao qual atearam fogo.

Essa lembrança ocorre-me agora, ao passar os olhos no original de “PAC Manguinhos:

um relato fotográfico”. Tenho a sensação de que esse material tende a

fortalecer a ideia de final de ciclo das trevas em Manguinhos, mesmo que, aqui e

ali, no desenrolar da narrativa, o livro aluda a questões críticas de ordem políticoadministrativa,

algo democraticamente permissível num processo de transformação

ambiental pelo qual Manguinhos, por entre tradições e contradições, passa.

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Relatar fotograficamente o PAC Manguinhos é como tentar penetrar nos meandros

de um corpo estranho, por muito tempo ignorado e submetido à sua própria sorte,

uma vez que, na sua naturalidade geográfica, Manguinhos ainda continua sendo

uma região de manguezal, depositária de vida animal no âmbito da doente baía

de Guanabara, para a qual vertem as águas mortas dos agredidos rios Faria Timbó

e Jacaré. No sonho da Arte de Ver Manguinhos, esses rios aparecem totalmente

despoluídos, materializados na maquete que retrata Manguinhos enquanto uma

comunidade auto-sustentável e nos painéis pintados pelas crianças da Oficina

Portinari de Manguinhos.

As fotografias, ornamentadas com textos sucintos, sem dúvida elevam a presente

publicação ao nível do discernimento da maioria da população (desacostumada a

ler), pois falam por si só.

Ubirajara Rodrigues

Artista plástico, historiador, coordenador da Oficina Portinari de Manguinhos

A importância no registrar e no relatar é.... impressionar ..., deixar marcas e lembranças

de grande relevância para a história do indivíduo e da coletividade. E, além disso,

trazer identidade e perpetuação das experiências e dinâmicas da vida.

Da mesma forma que reafirma laços e compromissos no desenvolvimento de um

território e considerando que “Território é um lugar onde a vida acontece. conforme

Milton Santos”, ao reafirmar nossos laços e compromissos fortalecemos o indivíduo

e o coletivo, Istoé: Eu e a Comunidade.

Elizabeth Campos

Coordenadora do Casa Viva – RedeCCAP

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