JORNAL dos BAIRROS

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JORNAL dos BAIRROS

JORNAL dos BAIRROS

ANO I - N 0 5 - RECIFE, DEZEMBRO DE 1978 PREÇO CR$ 2,00

POLUIÇÃO ATACA EM

GOIANA E CAMARAJIBE

ETEMPO

DE FESTAS.

MAS, CADÊ

A ALEGRIA

DO POVO

O Jornal dos Bairros

entrevistou muita gente

sobre o Natal.

Leia nas páginas 4 é S

©sfiairrosd

Duas fábricas, a Ponsa

em Goiana e a Cia.

Industrial Pernambucana

em Camarajibe, estão

prejudicando a vida de

milhares de pessoas.

Em Goiana, pescadores e

agricultores fizeram uma

Assembléia e em

Camarajibe já existe a

proposta de um

abaixo-assinado.

Leia nas páginas 2 e 7.

» c


Carta aos leitores Ponsa polui em Goiana- pescadores protestam

Temos um boa noticia para os nos-

sos amigos e leitores: conseguimos

term inar o ano fazendo o Jornal dos

Bairros no Recife. Agora não é mais

preciso mandar para o Rio ou São

Paulo, o que quer dizer que pode-

mos trabalhar com mais tempo e

melhore, ainda, eliminar os atrasos

que têm atrapalhado o Jornal.

Outra novidade é que o Jornal dos

Bairros está lançando uma cam-

panha de assinaturas: você paga

Cr$ 40,00 e recebe o jornal na sua

casa todo mês, durante um ano; ou

paga vinte e faz uma assinatura

semestral. Que tal dar uma assina-

tura do Jornal dos Bairros de pre-

sente neste Natal?

Outra inovação que o Jornal vai

apresentar já em janeiro de 1979 é

escolher um bairro todo mês e fazer

diversas reportagens sobre aquele

bairrora história do bairro, seus

problemas, suas festas, seus per-

sonagens famosos, tudo que inte-

ressar aos moradores e aos leitores

do Jornal dos Bairros.

Também pretendemos melhorar o

sistema de venda do Jornal, para

que, aliás,a sua colaboração é mui-

to importante. Hoje já estamos ven-

dendo uma média de sete mil jor-

nais por número, o que é muito bom

para um jornal que começou há seis

meses. Mas temos certeza que po-

demos chegar- a--muito, mais que

isso.

Enfim, 1979vai ser um ano de muito

trabalho

JORNAL DOS BAIRROS

COLABORADORES

Severina Ramos

Amadeu Nascimento

'Vicente Amado

Maria José Oliveira

Yolanda Carveret

Filomena Ramos

Platão

Vilson

Abimael Galindo

iJanina Adamenas

Paulo Santos

Maria José Lemos

Luiz Alves

Vera Regina Baroni

Augusto Pimentel

Homero ponseca

Manoel Inácio de Lira

Nila Cordeiro

Antônio Carlos

Eduardo Homem

Emerson Xavier da Silva

Severina Aliança

Claudionor Gomes

Edson de Lima

Maria da Penha Silva

Mareio di Pietro

Margarida Serpa

Valdecira Maria Vieira

Paulo Andrade

José Maria Andrade

(Editor Responsável)

Jornal dos Bairros - é uma publica-

ção da Editora Nossa Ltda. Redação

e Administração: Rua dos Coelhos,

317 - Recife - Pe - Diretores: Amadeu

Nascimento, Margarida Serpa, Ve-

ra Regjna Baroni. Composto e Im-

presso nas oficinas do Jornal da

Semana. Rua Prof. Andrade Bezer-

ra, 1442, Saígadinho, Olinda, Pe.

2 - Jornal dos Bairros

No domingo, dia 10 de dezem-

bro, pescadores e agricultores do

município de Goiana reuniram-se

na frente da sede da Colônia de

Pesca - que está sob intervenção há

mais de cinco anos - para protestar

contra a poluição do rio Goiana e do

litoral da região.

A Assembléia contou com o

apoio da Pastoral dos Pescadores e

estavam presentes pescadores de

diversas regiões, inclusive de João

Pessoa. Também compareceu o

bispo D. José Maria Pires e o presi-

dente da Companhia de Preserva-

ção dos Recursos Hídricos de Per-

nambuco, que foi prestar contas

aos pescadores e agricultores de

porque o governo não proíbe que

empresas industriais e usinas de

açúcar despejem seus detritos nas

águas dos rios e do mar, provocan-

do a mortandade dos peixes e a

miséria das pessoas que vivem da

pesca.

Durante a Assembléia falaram

diversos pescadores e agricultores

que contaram os problemas por que

estão passando. Segundo seus de-

poimentos, a maior responsável pe-

la poluição do rio Goiana é a Ponsa,

uma fábrica de papel do grupo in-

dustrial do senhor Israel Klabin. Ela

despeja soda cáustica no rio, que

mata peixes, camarões, caranque-

jos, e deixa um horrível cheiro nas

águas de Goiana.

Também durante a Assembléia

foi lido e aprovado o texto de uma

carta que os pescadores enviaram

para o presidente da República, ge-

neral Ernesto Geisel, solicitando

providências urgentes contra a po-

luição. Outras cartas já foram en-

Natal

Presadosamigos

Querem os conv idá-los, vocês da

equipe do Jornal, para a festa de

Natal que anossa Associação pro-

movera no dia 16 de dezembro pró-

ximo, às 20 horas. Haverá sorteio de

uma cesta de Natal e um jantar de

confraternização. Queríamos tam-

bém aproveitar do Jornal para con-

vidar a todasdomésticas para virem

também à nossa festinha, à rua

Conde da Boa Vista, 647.

Até lá.

Associação.das Empregadas

Domésticas do Recife

Não perderemos a ocasião de

estar presentes comemorando jun-

tos o Natal. Até lá e bom trabalho!

Puebla

Presado Editor

Saudações. A Editora Vozes acaba

de publicar o folheto intitulado

"Vamos Todos a Puebla", prepara-

do após ampla consulta, todo ilus-

trado, mostrando, através de um

"desafio" entre um peregrino e um

caminheiro, a diferença entre a I-

grejaantigaea Igreja nova que vai a

Puebla no ano que vem.

Este folheto pode ser encomenda-

do diretamente á Editora Vozes (Cx.

P. 23 - 26.000 - Petrópolis RJ). O

pacote de 100 unidades a Cr$ 3,00

cada com os descontos de praxe.

Adélia O, de Carvalho - Recife

viadas para autoridades do governo

federal, mas até aqui nada aconte-

ceu que aliviasse a situação dos

pescadores. Apenas a promessas

de que o senhor Israel Klabin está

com muito boa vontade de resolver

o problema. Mas, como não é ele

que pesca para sobreviver nem

quem está sentindo o cheiro do rio

Goiana, nem a sua mulher está im-

pedida de lavar roupa nas águas do

rio, não está com pressa de tomar

alguma providência.

O presidente da Companhia aqui

de Pernambuco encarregada de

controlar a poluição diz que não

pode fazer nada de um dia para

outro. Soque tem anos que a Ponsa

polui o Goiana. Ele alega também

que se a fábrica fechar vai deixar 800

pais de família sem emprego. Está

certo, os pescadores não querem

que os operários percam seus em-

pregos, mas eles, os pescadores,

sã o 3.500 e ninguém parece se preo-

cupar com a fome que estão pas-

sando.

Abaixo o Jornal dos Bairros

transcreve a carta que os pescado-

res de Goiana enviaram ao presi-

dente da República:

Ao Exm " Sr. Presidente da Repúbli-

ca e a todo o Povo de boa vontade

Nós, pescadores {homens e mu-

lheres) de toda a bacia do Rio Goia-

na, que abrange as localidades de

Goiana, Carne de Vaca, Tejucupapo

e São Lourenço (PE), Barreiras

Grande, Pitimbú e Acaú (PB), esta-

mos lhe escrevendo para lembrçros

nossos problemas de poluição do

Rio Goiana.

Descaso

Sou do Córrego do Genipapo e

venho observando, como também

sofrendo, as conseqüências das

coisas tão essenciais que nos fal-

tam.Que descaso,Deus meulFar-

mácia, coletor de lixo e posto de

saúde nem se fala. As ruas são um

eterno lamaçal de inverno. E sabe?

A Sunab deve dar umas voltinhas

por aqui, tem gente se aproveitan-

do. Passaram as eleições, quero ver

agora o que os pobres eleitores irão

ganhar com tudo isso. Espero que o

M DB agora mostre que irá cumprir

suas promessas. Afinal, somos to-

dos filhos de Deus e, quem prome-

te, deve. Parece que aqui é um lu-

garzinho esquecido, porém, eu es-

tou satisfeita com a vitória do Au-

gusto Lucena, ele merece. Na mi-

nha opinião, foi um dos melhores

prefeitos.

MariaJoséümadeOliveira-

Rua Doralice, 57- Macaxeira

Apelo

Companheiros

Venho por meio desta pedir para

fazer um apelo. No Pronto Socorro

Velho, vai uma pessoa humilde fa-

zer um Hemograma de Sangue ou

exame de urina, cobram Cx% 200,00.

Eu faço uma pergunta: - Quem faz

biscaite, como cuida da saúde?

José Ribeiro

Não é só nós, mas também to-

dos que precisam do peixe para

comer e atualmente não tem, como

acontece nas cidades vizinhas de

Caaporã, Alhandra etc.

Essa poluição de que falamos ó

causada principalmente pela fábri-

ca PONSA que solta no rio todas as

suas descargas de soda cáustica e

acaba com todos os nossos meios

de vida que é a pesca.

Ao mesmo tempo, Sr. Presiden-

te, essa poluição causa sérios pro-

blemas de saúde aos pescadores,

na pele e com um terrível mau

cheiro.

Também acusamos o recebi-

mento de uma carta do Secretário

do Meio Ambiente, Dr. Paulo No-

gueira Neto que nos escreve o se-

guinte:

"Falamos pessoalmente sobre o

problema da PONSA com o Enge-

nheiro Israel Klabin, Diretor do Gru-

po Econômico ao qual pertence a

fábrica. O Dr. Israel mostrou a

maior boa vontade em encontrar

uma solução para o caso..."

Foi isso que nos escreveu o ur.

Paulo Nogueira Neto. Mas, até aqui

nada foi feito contra a poluição. È

por essas injustiças que estamos

reunidos no Balde do Rio Goiana,

para um debate com várias autori-

dades sobre o problema da polui-

ção.

Esperamos que V. Excia. o mais

cedo possível tome as providências

necessárias contra essa poluição

criminosa que mata a gente á min-

gua.

Assinam esta carta pescadores e

o povo solieláriorr- * - „.„.

Olinda, 10 de dezembro de 1978.

Pedros e M árias

(Uma história)

Maria sonhou certo dia

que um dia iria casar

com Pedro; operário cansado,

sem dentes ou força pra amar

com Pedro, operário sem eira

nem beira. Besteira pensar...

Talvez Pedro pense que a vida

é o tempo de apenas trabalhar

talvez Pedro pense num samba

talvez nem enxergue a canção

que existe nos olhos de Maria

no seu rosto aflito de paixão.

Maria que lava no rio

Maria operária banguela

Maria ex-amante de João

Maria que é filha da terra

Maria GRANDEZA DA NAÇÃO

que ama seu Pedro faminto

um Pedro, um mulato danado,

um Pedro tão endividado

um Pedro que paga caução

um Pedro operário calado

um Pedro querido Patrão

um Pedro de samba de Chico

um Pedro que ergue construção.

Quem sabe se um dia esse Pedro -

medita Maria co'afeição -

se lembre que não é brinquedo

que não paga a pena o refrão

dum samba que efeito com sangue

com leite e suor do Pedrão.

Talvez Pedro pense na vida:

Maria trabalho e justo pão,

Maria alegria e uma canção,

Maria com Pedro e com nação.

Emerson Xav ler daSilva


J .B. - Desde quando a fábrica do

Zumbi está fechada?

Zé - Oficialmente fechou no dia

11 de novembro, mas já faziam 3

semanas que a gente carimbava o

cartão sem produzir. A direção da

fábrica todo dia prometia a chegada

do material oara o dia seguinte e

assim foi cozinhando a turma du-

rante todo esse tempo.

J B - Quantos operários a fábri-

ca tinha no dia que fechou?

Zé - A fábrica rodava com apro-

ximadamente 600 ooerários, porém

de novembro de 77 para cá começa-

ram as demissões. De mês em mes

saía uma turma, variava entre 30 e

60 demitidos de cada vez.

No dia li de novembro, dia do

fechamento, tinha 120 operários.

J.B. - Qual é a situação desses

operários agora?

Zé - Dos que saíram primeiro,

tem uma média de 250 que não foi

resolvido ainda a situação. Tem

gente que já fâz 1 ano que saiu e

ainda não recebeu nada. Muitos já

deram por perdido e deixaram de ir

na justiça. Estão trabalhando em

outrocantoou viajaram. Dos120de

agora, dos quais eu faço parte, a

questão ainda nem foi encaminha-

da para a justiça. O último salário

que a fábrica pagou foi no dia 21 de

outubro e ainda está devendo 2

meses de abono de família, sem

falar que tem uma questão na justi-

ça prá receber o abono de família de

Todo mundo sabe que a situação

está péssima.Que o salário, e até

mesmo três, quatro, cinco, salários

não estão dando pra nada.

Carne hoje em dia ô uma festa.

Quem tem casa própria corre

menos risco de morrer de fome.

Mas quantos têm casa própria?

Por essas coistas, e por muitas

outras mais, que 300 mil operários

de São Paulo,e de dois municípios

do lado da capital paulista, Osasco

e Guarulhos, entraram em greve no

dia 31 de outubro passado. Os tra-

balhadores metalúrgicos e seus

Sindicatos exigiam dos patrões

70% de aumento e o governo man-

dava dar pouco mais de 40% .

Como os patrões não aceitaram

as reivindicações dos trabalhado-

res, os operários, em cada fábrica,

realizaram suas Assembléias, que

decidiram decretar a greve pelos 70

% de aumento e estabilidade sindi-

cal para os operários membros das

comissões do fábrica.

Essas comissões de fábrica,es-

colhidas pelos trabalhadores de ca-

da uma delas, foram, aliás,uma das

maiores conquistas dos operários

de São Paulo. Elas foram a forma

que os trabalhadores encontraram

de organizar a discussão dos seus

problemas de cada indústria de en-

caminhar suas reinvindicações e

movimentos.

Greve em Osasco durou 7 DIAS.

AZumbMechou:

120famílias passam prhsaç jt^-t

novembro e dezembro do ano pas-

sado.

J.B. - Por que vocês ainda nas

entraram com a questão na justiça?

Zé - Tem um sr. de nome José

Silva que foi colocado na fábrica

como sindico pelo Juiz da RV^ncia.

Esse senhor, junto com alr , en-

carregados botou na cabeç,-, ■ po-

vo fazer um abaixo-assinadd para a

fábrica voltar a rodar. Mas. para ela

rodar, tem que sustar o processo de

falência e nisso perdemos muito

tempo com a história do roda-não-

^

roda. A nossa situação é calamito-

sa . São 120 pais de família passando

fome e não vendo decisão de nada,

Nem deram baixa nas nossas cartei-

ras. Disse o presidente do Sindicato

que só davam baixa nas carteiras

com ordem do Juiz e ninguém sabe

quando, nem ao menos a gente

pode procurar emprego em outro

canto.

J.B. - Vocês tem recebido alguma

ajuda?

Zé - No começo nós queríamos

sair em grupo para pedir nos Super-

mercados, nas feiras, mas para isso

precisava ter autorização de algu-

maautoridade. Nós combinávamos

para falarcom o presidente do Sindi

cato. A resposta foi essa: "Não digo

que peça nem que não peça, mas

vou telefonar para o Delegado Re-

gional do Trabalho para ver se ele

autoriza?" E ele disse que o Delega-

do disse que de jeito nenhum a

gente saísse na rua pedindo. Que

ele ia mandar uma ajuda. E essa

ajuda que tocou prá nós foi de Cr$

50,00 por semana. Tivemos noticias

que saiu num jornal que a gente

estava recebendo ajuda da Delega-

cia Regional do Trabalho, dos Su-

permercados, do Sindicato e tíos

Industriários, dando a entender cuc

a nossa feira estava garantida. 6

tudo mentira, a situação é ost."

são 120 famílias passando -- vacc.-

Fechou mais uma fábrica no Re-

cife e desta vez foi a Ca. Text.Scio

Santa Maria, conheciaa como Zum-

bi, que fazia sacos de linhagem. A

Zumbi empregava, no ano passado,

aproximadamente, 60C ooerários.

Quando fechou, em 11 de novem-

bro, só trabalhavam 120 pessoas,

que estão agora, como as que fo-

ram demitidas antes, quer dizer,

brigando na iustiça para receber os

seus direitos.

O Jornal dos Bairros entrevistou

o Delegado Sindical naZumbi, José

Antônio, que conta direitinho a si-

tuação.

300 mil operários em greve

A greve dos 300 mil metalúrgicos

paulistas foi a maior que aconteceu

no Brasil desde 1964. Se ela fosse vi-

toriosa, era capaz de todos os tra-

balhadores do pais exigirem 70 por

cento de aumento de seus patrões.

Por isso a reação dos industriais foi

muito forte e até meèmd violenta.

f4a Metalúrgica Alfa por exemplo,o

seü proprietário assassinou o ope-

rário Nelson Pereira de JesUs com

um tiro á queima roupa, fem Outras

indústrias, como na Brown Boveri e

na Toshiba, todas as duas estran-

geiras, alguns operários membros

das comissões de fábrica foram de-

mitidos.

Na metalúrgica Alfa, os operá-

rios, fem protesto pelo assassinato

do seu colega entraram ém greve é

fexigtfam a substituição dô direto-

ria.

Enquanto tudo isso acontecia

fias fábricas, o presidente do Sin-

dicato dos Metalúrgicos de São

Paulo, que só permitia voto aoá

operários sidicalizados,desrrespeitou

decisão de uma Assembléia e fez

um acordo com os patrões por 58%

de aumento, mais ainda permitia

que as indústrias descontassem os

aumentos do abono que os traba-

lhadores tinham conquistado em

junho.

Sem o apoio do Sindicato e pres-

sionados pelos patrões e pelo o

governo, os trabalhadores de São

Paulo foram voltando ao trabalho.

Logo depois o Sindicato dos Meta-

lúrgicos de Guarulhos também a-

ceitou oacordoficando somente os

operários de Osasco em greve. So-

zinhos, a pressão sobre eles era

muito maior, então, na segunda-feira

dia 6 de novembro último os operá-

rios decidiram aceitar os 58% de au-

mento e voltar ao trabalho.

O movimento não atingiu todos

os seus objetivos, mas demonstrou

aos trabalhadores de todo país que,

discutindo democraticamente os

seus problemas e reivindicações,

organizados de forma independen-

te nas comissões de fábrica e ten-

do um sindicato que os apoie. Os

trabalhadores falam de cabeça er-

guida com seus patrões. E, qUando

necessário, entram em grév/e para

defender os seus direitos, porque a

gVev/e é um direito dós trabalhado-

res no mundo todo.

Jornal dos Bairros - 3


Natal: Cadê a alegria do povo? Cadê a alegria •

O Natal é uma festa para todo

mundo, e alegria para todos. É o

nascimento de Jesus e cada um

festeja como pode. Antigamente,

toda casa tinha um Ceia de Natal,

isto era na casa do rico e do pobre.

Também neste tempo não se distin-

guia muito o rico do pobre, eles

eram mais parecidos. Os pobres

O sr. Arnaldo é operário e reside

em Estância.

È uma festividade de fim de ano,

que geralmente traz alegria para o

lar de toda pessoa de bom senso.

Para quem tem boas condições, o

Natal é bom em todas as épocas e

passa sempre muito bem. Se diz

que tempo bom era o de antiga-

mente, mas eu discordo disso.

Quando eu era criança a vida sem-

pre foi apertada, meus pais não

tinham condições de terem vida

boa. Hoje, vivendo por minha con-

ta, apesar de toda carestia, aindo

vivo um pouco melhor do que vivia

antigamente. Mas, a verdade fe que

em época nenhuma o pequeno teve

vez, prá dizer a verdade, nunca tive

vez, seja agora, seja antigamente.

também tinham suas mesas fartas,

as igrejas tinham suasfestinhas que

divertiam todo mundo: pastoril, a

queima da lapinha.

Mas hoje, sim, eles são muito

diferentes. Mcju a festa do pobre é

comprar uma galinha, trazer para

casa e encher a cara logo cedo. Está

< < O pequeno não tem vez

ytsA

0

pronta a festa do pobre. Hoje em dia

tirando o nascimento de Jesus, o

resto é uma merda. S6 tem propa-

ganda e publicidade; o verdadeiro

não existe mais: cadê a alegria do

povo".

Dona Gilvanete, dona de casa,

mora em Estância.

Natal para mime tempo de sacri-

fício. Tenho 6 netinhos em casa,

sou viúva; tudo é dobrado pelo Na-

tal. Os preços sobem que só avião.

Fico aperriada, tenho muitas dívi-

das, e vem os meninos pedindo

roupa nova, um brinquedinho..."

(D. Maria da Paz- Alto Santa Terezi-

nha)

O sr. Cordeifo é otimista:

Eu sinto na própria pele não

poder dar um conforto maior aos

meus familiares. Mas como sou

otimista, acho que os salários dos

brasileiros vão aumentar em 79.

Confiando no bom Deus e nos ho-

mens que governam, que o Natal 79

seja bem melhor que os anterio-

res."

Pobre só festeja Finados

D. Inalda, residente na Vila da

Sudene - IPSEP, costureira.

—"O Natal é uma festa muito

boa, muito bonita, é o nascimento

de Jesus, mas só é alegre para

quem tem dinheiro, para quem não

tem é triste. Aqui na Vila as pessoas

enfeitam as ruas, eu trabalho mui-

to, pois o que meu marido ganha

não dá. Quando vou sair da máqui-

na já são onze horas da noite e a

dona da roupa está do lado esperan-

do que eu termine pra ela vestir.

Que o próximo ano as coisas

melhores, pois, todo ano trabalho

muito e o dinheiro não dá para

nada. Que Deus ilumine o ano de 79.

Célia, mãe de 6 filhos, trabalha

que só:

—O meu Natal na parte senti-

mental, é uma reunião de família, e

jia minha casa tem que ter Ceia

segundo a tradição.

O Natal, hoje, acho que melho-

rou, porque agora nós temos mais

contacto com os vizinhos. Agora, o

nosso nível é melhor, é questão de

posição social, a gente tem mais

condições. Só prá mim não melho-

rou, eu trabalho que só, dou um

duro danado na cozinha.

Eu sei que pra o pobre não está

nada bem. A gente chega nas casas

e não vê oferecer nada. Q pessoal se

queixa muito do custo de vida.

Natal hoje é Pecado Rasgado

"Aptigamente o pessoal usava

lapinha com o nascimento de Je-

sus, as meninas ensaiavam e dança-

vam pastorife depois tinha a Missa

do Galo que era às zero horas

Também tinha folclore e bumba-

meu-boi, mas tudo e ícabou.

Hoje é nos clubes com o tal de

Pecado Rasgado. Ninguém se lem-

bra do Natal dos pobres que ficam a

mendigar pelas ruas; quantos pais

de família que vão à uiade pensan-

do no décimo que é pdra mil coisas,

e, quando chega janeiro vão devol-

ver as peças que compraram na

prestaçc a não vão poder pagar.

Fazem estas compras para não en-

vergonhar suas esposas diante das

outras companheiras e no fim aca-

bam perd ; ido metade d^ Hécimo e

a peça também. Mobiliar casa e

vestir bem é prá quem pode e não

prá quem quer. Isto é Natal?

A sociedade veio acabar com o

Natal, com essas discoteque Dan-

cin' Days. Hoje em dia ninguém

quer ser pobre. Aquela lapinha que

está na igreja de Santo Antônio,

aquilo é somente uma estátua, não

resolve a situação. Nem um rama-

Ihete de flores podemos comprar

mais para enfeitar nossas casas. O

custo de vida é muito caro.

O jeito que a gente está vendo

daqui a dez anos, se estivermos

sobrevividos, é que o Natal e o

salário são simples recordações."

(Maria Luiza - Rua Cabo Eutrôpio -

Coque)

Jfò*- '

1 ! s9m

M ária J osefa M endes, mãe de 7

filhos, doméstica residente " no

Monte-Qlinda.

J .d.B - Como é D. Zefa, está anima-

da para o Natal?

— Qlhe minha filha, animação

foi na campanha de Jarbas. Agora

só queria que chegasse janeiro. Por-

que, me diga, onde é que eu vou

arranjar dinheiro pra fazer as fes-

tas? O homem tá encostado, o Se-

verino ganha somente o salário prá

9 bocas...

J .d.B - Estão este ano não vai dar?

— Nem neste nem nos outros

que vão vir, se as coisas continua-

rem do jeito que estão. Acho que os

pobres só festejam Finados porque

no dia da morte a gente para de

sofrer desse jeito.

«Kl»

"Deixe nascer o Natal que existe

dentro de você"

D. Maria José, do Coque pergunta:

"- Quem pode festejar o Natal com

a carestia do jeito que está?

Elizabete Santos Costa, mora-

dora do Coque, acha que está ruim

e vai piorar. Antigamente o Natal

era de linho, hoje é de chita. Mas eu

sou muito diferente: tive dois ou

três vestidinhos de chita tá bom

demais, porque sei que daqui a

cinco anos nem esta chitinha pode-

remos comprar.

Ésó comércio

Ridete mora na Vila da Sudene -

IPSEP e tem uma opinião muito

crítica:

O Natal já não tem o espírito

cristão de antigamente, pois as fes-

tas que se fazia, como pastoril,

estão desaparecendo. O Natal de

hoje é lucro, pois a própria televisão

quando fala em Natal é em recla-

mes de casas comerciais.

O Natal é um troca-troca de pre-

sentes, quanto maior o valor do

presente, maior é a amizade; quan-

do não se recebe presente igual ao

dado ficam com raiva. As pessoas

faziam Ceia de Natal com parentes

e amigos vizinhos; hoje isto está se

tornando raro. À missa do gafo, só

vão as pessoas de idade, ,.ois os

jovens vão é para a discoteca."

Camarajibe faz festa popular

Quando chega o mes de outubro

o senhor Nias e o senhor Cordeiro,

juntamente com outras pessoas co-

meçam a trabalhar.Elas são encar-

regadas de organizar uma das maio-

res festas que se conhece em Ca-

marajibe. Eles são membros da co-

missão de festas que há mais de 10

anos vem mobilizando pessoas pa-

ra participar da festa máxima da

cristandade: o Natal.

O Jornal dos Bairros traz

para nossos leitores a história de

uma festa que já se tornou tradi-

cional em Camarajibe e quem vai

começar a nos contar é o próprio sr.

Cordeiro no relato que segue abai-

xo:

"Antigamente a Festa de Natal

era patrocinada pela Cia. Industrial

Pernambucana ou a Fabrica como

ela é conhecida no bairro, mas há 11

anos ela deixou de tomar a iniciati-

va de realizar a festa e aconteceu

qae chegou um Natal e não houve a

tào esperada comemoração. Então

o povo se organizou e até hoje não

houve Natal sem festa aqui em Ca-

marajibe.

Em outubro a comissão organi-

z ora se reúne e decide como vai

S8i a frente de arrecadação; geral-

rwnte é feita através de rifas, livro

de ouro e ofícios para o comércio

local, prefeitura, a fábrica, etc. O

povo participa comprando as rifas.

ajudando na arrecadação e na divul-

gação; mas o desejo maior da co-

missão é que houvesse maior parti-

cipação popular nas reuniões sema-

nais.

Mas a participação maior mes-

mo é durante a festa, que são oito

noites entre o Natal e o Ano Novo.

São pessoas passeando, participan-

do de Pastoril, ciranda ou se diver-

tindo no Parque de diversões. O

desejo da comissão é que o Natal

seja de todos, dos mais categoriza-

dos aos mais humildes.

Este ano a festa vai ser na gruta,

acrescenta o Sr. Nias, que é "um

lugar tradicional e existe um desejo

do povo que a própria Missa do

Galo seja celebrada no local da fes-

ta e este também é o pensamento

de toda a comissão, mas isto terá

que ser discutido em reunião. Tudo

é feito com o conhecimento da

Prefeitura e da Fábrica, a qual atual-

mente contribui com 25 a 30% nas

despesas da festa. Depois que se

realiza tudo a gente presta contas à

população através de reuniões, avi-

sos durante a missa e cartazes.

O que eu lamento neste Natal de

1978, como acontece em outros Na-

tais, são aqueles que estão vivendo

em condições precárias, os desem-

pregados; pois estes não tem condi-

ções de festejar o Natal, lamento

também pelos enfermos, por aque-

les que são injustiçados, pelos que

estão presos, impedidos de passar

o Natal com seus familiares."

• •

13° salário: Nem bem chega já

tá indo embora

Chegando o Natal, quem recebe

salário tem direito ao 13°, que é um

abono obrigatório das empresas.

Mas não adianta nada, com os pre-

ços como estão, pela hora da mor-

te! Ainda mais quando o salário

vem dividido, em parcelas, como é

o caso da maioria que pega no

batente, o Jornal dos Bairros ouviu

moradores da periferia e trouxe o

que eles disseram.

Seu Inocêncio Alves de Lima,

que trabalha em curtume, diz que,

com o 13° vai fazer um muro em sua

casa: "É de muita necessidade. Mi-

nha esposa também andou que-

brando uns galhos com umas cos-

turas para a gente poder realizar

esta tarefa tão necessária.

Seria bom a gente poder usar

este abono de Natal para preparar

uma festa bonita, comprar uns pre-

sentinhos, a roupa nova dos meni-

nos, mas... cadê que sobra dinheiro

prá isso? O que chega mal dá para

um concerto mais sério na casa,

pois durante o ano mesmo é que

não dá. É tanto aperreio!"

O metalúrgico Alberto Luiz mos-

tra que, apesar de ter vindo prá

ajudar, o 13° não resolve nada: "O

que tem de bom é que foi uma

conquista dos trabalhadores. No

tempo que o Parlamento fazia as

leis, foi um grupo de delegados dos

operários até lá para pressionar os

deputados que terminaram votan-

do esse abono de Natal. Lá em casa

quando ele chega, é tanta coisa

esperando que não dá prá quase

nada e o nosso Natal, se a gente não

faz uma viraçãozinha, fica por isso

mesmo".

i i

P CHEGANDO E SAINDO...

"'.' na Construtora tem um ne-

gócr que é ruim prá gente. Eles

pagiihi o 13° em duas parcelas. Ai a

gente fica apertado. Se tenho que

com- ar uma coisa de 200 cruzeiros

e só i^nho 100, não dá. Quando os

outros 100 cruzeiros chegam, já é

tarde demais, pois já gastei a pri-

meira parcela. Cadê gue pobre pode

guardar dinheiro? E chegando e

saindo..."

Antônio Manoel de Lima, operá-

rio em construção.

ODINHEIRO VAI PARA

OBANHEIRO...

"Lá na Telpe é a mesma coisa, só

que bem pior: a gente recebe uma

parcela do 13° quando tira férias e a

outra em dezembro. Ora minhas

ferias são no mês de São João... já

viu que deste dinheiro não sobra

nada para o tempo de Natal. Neste

ano o que vai chegar vai todinho

para o banheiro novo lá de casa."

Joaé Nascimento, da Telpe.

PEDREIRO NÃO PÔE A

MÃO NA MASSA...

Manoel Gomes dos Santos, pe-

dreiro, quase não faz uso do seu

salário e diz: "Assim que tiro meu

13°, boto logo no banco. Só separo

pouca coisa para mim. Com o di-

nheiro compro material para ir ajei-

tando a minha casa."

Tá chegando o fim do mundo

Maria Teodora dos Santos é ven-

dedora ambulante no mercado S.

José.

J.d.B. - Como vão indo suas ven-

das, D. Maria?

- Minha filha, o negócio não anda

bom não. Acho que ninguém tem

dinheiro.

J.d.B. - Nem pelo Natal?

• José Florêncio Sobrinho, é co-

merciante e sua loja fica no Coque.

Antigamente o Natal era me-

lhor. Nós podíamos dar uma lata de

doce ao freguês. Se hoje fazemos

isso; é prejuízo para nós.

Há dois anos atrás eu dei CrS

1.000,00 de presentes. Já no ano

passado e nesse eu não dei e nem

vou dar porque a situação não está

boa. Todos querem ganhar presen-

— Nesta ocasião melhora um

pouquinho mas é muito difícil.

J.d.B. - Foi sempre assim no Natal?

— Isso não, antes era melhor,

mas ag ora está cada vez mais fraco.

J.d.B - Por que será?

— O povo diz que a culpa é do

governo, mas não é não. É que

estão chegando os tempos do fim

mesmo.

tes, mas se a gente ganha pouco

não podemos presenteá-los.

Há uma diferença dos fregueses

de Afogados para os daqui do Co-

que. Os de Afogados fazem com-

pras e retalho mais graúdas do que

os daqui do Coque. As condições

aqui são muito fracas. Acho que

eles vivem do salário mínimo e ou-

tros vivem apenas de blscaites e por

isso se alimentam como devem."

J 5

l .~.._»l _j r» .


As plantas também curam

O Jornal dos Bairros continua rece-

bendo colaboraç&es para a coluna

"As Plantas Também Curam". Nes-

te Número, publicamos as colabo-

rações enviadas por Isabel Maria

Viana e Maria Severina da Silva.

Verga morta o chá serve para dor

em geral.

Arruda Miúda - muito bom para

dores musculares quando fervida

juntamente com azeite de oliveira.

Deixa-se esfriar e. quando estiver

morno, massageia-se o local dolo i-

do.

Ta/o de Jerimum - ótimo para solu-

ço forte.

Manga Espada ■ o chá da folha da

mangueira serve para inchação.

Mandacaru o chá é bom para os

rins. Assim como o chá de capim

santo.

Mastruço - Toma-se com leite para

combater os vermes. Tamarindo - o

chá da folha serve para tosse e

coqueluche.

Verga-morta três olhinhos dentro

de uma xícara com água fervendo,

todas as manhãs, é bom remédio

para o ovário.

Corona Branca - com hortelã c'a

folha grossa, cozinhada, coada e

misturada com açúcar, cura o ca-

tarro nos brônquios.

Chuchu - chá ou suco é bom para

pressão alta.

Casca de Atoeira - para incômodos

de senhoras: fazer a lavagem vagi-

5? .. *&■ ÇDUtAcio^r^

4p|i

Cantinho do Hélio

Tem os melhores tira-gosto para

CANA.

Mão de Vaca - Passarinha - Fígado

-Sururú - Galinha - Camarão - Maris-

co - Carangueiro - Salgadinhos, etc.

Endereço: Rua Fernandinho, 223 -

Córrego do Genipapo - Macaxeira -

Recife. HÉLIO agradece a preferên-

cia.

nal todas as noites; para garganta

inflamada: fazer o chá com a casca

e gagarejar. Serve também para

lavar a boca quando extrair dente

ou para lavar qualquer ferimento.

Casca do Cajueiro Roxo ■ o chá é

bom para acalmar o coração e tam-

bém para inflamções. Faz o mesmo

efeito que a aroeira.

Quixabeira - coloque dentro de á-

gua fria (não se faz o chá), depois de

algumas horas pode tomar. Serve

para pancadas violentas e quedas.

Raiz de Pega Pinto - o chá serve

para problemas urinários.

Abacate e Carambola - o chá dar;

folhas é bom nara os rins.

Erva Cidreira - o chá é indicado para

anemia.

Casca de Canela - o chá faz parar o

vômito.

Acônito - chá fira a febre.

Salsas do Campo - toma-se banho

com água das folhas fervidos. É

bom para o tratamento díis equi

zemas e írcitaç&es da pele.

FAÇA VOCÊ MESMO

Cássia Virginica - Raízes de mamii-

rroba misturadas com álcool, dei

xando de três a quatro dias enterra

da em uma garrafa e depois coada.

ElixirSanativo Misture canapu.an

gico, mandacaru ea entre-casca da

aroeira, com álcool. Deixe apurar

durante oito dias e depois coe.

Mas...

nem sempre

as plantas

curam

Jornal dos Bairros

Ê lido por mais de

50 mil pessoas

que moram no

Grande Recife

Anuncie no Jornal dos Bairros

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Página determinada

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Você pode colocar um anúncio pe-

queno, sobre um objeto que quer

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Baratinho mesmo. Converse com

nosso pessoal, com os distribuido-

res do Jornal ou em nossa sede, na

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TOPO P/A, PR A

PASSATEMPO Você é bom de música?

bnlâo coloque na coluna dos com-

positores e cantores as músicas de

que eles são autores ou que can-

iam.Depois mande sua respota pa-

t;i o Jornal dos Bairros, porque nós

vamos sor tear uma resposta e se ela

1 Pesadelo

2 Lamento

3 Sabiá

4- Gabriela

5 Cavalgada

6 Fantasia

7 Otelo

8 Sinal Fechado

9 Benvinda

10 Desafio

11 Menina

12 Trocando em Miúdos

13 Viola Enluarada

14 Universo em teu corpo

15 ■ Jura Secreta

16 Moca

17 Reza

18 Roda

19 Presepada

20 Fica Mau com Deus

estiver certa o autor vai ganhar um

discu de presente do Jornal dos

Bairros. Não deixe de concorrer.

No próximo número, o nome do

vencedor e a resposta certa. Não

P'írr,a.

( ) Maranhão e MPB-4

( ) Roberto Carlos e Éramos

( ) Maurício Tapajós e Paulo Pinheiro

( I Paulinho Nogueira

( ) Benito di Paula

( ) Chico Buarque de Holanda

( ) Taiguara

( I Alcione e Luiz Américo

( ) Pixinguínha e Vinícius de Moraes

( I Paulinho da Viola

( ) Antônio Carlos Jobim e Chico

( ) Simone e João Bosco

( ) Wando

( ) Francis Hime

() Marcos Valle e Milton Nascimento

( ) Antônio Carlos e Jocafi

( ) Sueli Costa e Simone

( ) Edu Lobo e Elis Regina

( I Gilberto Gil e Torquato Neto

( ) Geraldo Vandreè

Colaboração de Regínaldo -Duque de Caxias, 540 - Abreu e Lima

Resposta do Passatempo do número 3: 11,7,18,1,13;16,20 8 2 10 15 19 5

6,12,17,4,9,14,3.


vN«

,O v

Os moradores de

Camaragibe, há várias

semanas, estão sendo obri

gados a conviver com um

vizinho muito incômodo, que

várias vezes durante o dia lhes faz

visitas nada agradáveis.

Este vizinho é a fumaça expelida

pelas cinco chaminés das caldeiras

da Cia. Industrial Pernambucana -

Cl PER -, e que vem causando aos

moradores inúmeros problemas de

saúde e higiene. Começaram a apa-

recer as reclamações e a equipe do

Jornal dos Bairros foi até lá para

constatara realidade dos fatos, en-

trevistando pessoas, escutando as

histórias da tal da poluição da fábri-

ca, das pessoas doentes e também

os rumores da morte de uma crian-

ça de seis anos. Nós respiramos por

uns instantes a fumaça que aquele

povo infelizmente, tem que respirar

diariamente. Para você sentir me-

lhor o problema, eis os depoimen-

tos colhidos pela nossa equipe com

alguns dos moradores.

O Sr. Arlindo mora na rua M uniz

Machado e diz que a fumaça inco-

moda muito e que tem escutado

várias donas de casa comentarem

que assim que acabam de limpar a

casa vem a sujeira e estraga tudo,

principalmente a fumaçapTétarque

sai da caldeira de óleo.

"Conheço uma menina que teve

que ir ao médico, pois estava com

um problema na garganta e nunca

se curava. O médico perguntou á

mãe dela se havia alguma indústria

perto de sua casa pois a infecção é

provocada por algum tipo de polui-

ção."

"Um dos diretores da fábrica, o

sr. Antônio Carlos, diz que já con-

tratou técnicos de fora, alemães,

gente especializada, par? tentar re-

solver o problema da fumaça das

caldeiras, mas toda vez que eles

mexem em alguma coisa lá dentro a

fumaça parece que piora", finali-

zou o "seu" Arlindo.

V

V

$?

*&

Na edição passada do Jornal dos

Bairros, fizemos um debate com

vários candidatos a deputado fede-

ral e estadual, e a 15 de novembro

todo mundo foi e depositou seu

voto nas urnas, de acordo com os

programas apresentados pelos can-

didatos. Cinco dos que participa-

ram do debate foram eleitos: Ro-

berto Freire e Marcus Cunha, fede-

raisHugoMartins, Eduardo Pandol-

fi e Sérgio Longman, estaduais.

Todos eles foram unânimes ao

afirmar que o trabalho parlamentar

Eo filtro somos nós?

EOPOVOQUEM SOFRE

Outro morador da Rua Muniz

Machado, o Sr. Sebastião da Silva

já está indignado com a sitação em

que se encontra sua saúde e a de

seus vizinhos; "Desde que esta fu-

maça apareceu começaram imedia-

tamente ardeduras no nariz, muita

tosse e irritações na garganta e nos

olhos. A fumaça branca é a que

mais cheira e talvez a que faz mais

mal, e a preta suja tudo. Já ouvi

várias vezes que o pessoal estava

com vontade de fazer um abaixo-

assinado, mas eu não sei se isto

resolve, porque o abaixo-assinado

vai para o M insitério da Saúde, que

por sua vez manda algum funcioná-

rio aqui, na hora que não tem fuma-

ça e tem também o dono da fábrica,

que fala que vai resolver a situação

das caldeiras e dai fica tudo certo,

tudo resolvido e só não se resolve o

problema da fumaça que fica tudo

na mesma e é o povo quem sofre.

Lembrem o exemplo do açúcar Es-

trela, no Cais José Mariano, no

Recife. Durante muito tempo o pes-

soal se mobilizou e não consegui-

ram nada.Eu acho que quem tem

que forçar a barra são os repórteres

'mostrando o problema para a opi-

nião pública".

DEPOIS DE45ANOS...

Para explicar melhor ainda a si-

tuação entrevistamos um antigo o-

perário da fábrica, Humberto, que

também mora na Rua Muniz Ma-

chado.

"Trabalhei na fábrica durante 45

anos, desde os 16 anos de idade e

hoje sou proprietário desta casa

localizada bem em frente a estas

quatro chaminés. Veja se isto é vida

de gente? Passei os 15 aos 61 anos

indo e vindo, da casa para o traba-

lho, do trabalho para casa, enfurna-

A fumaça suja tudo, até o pulmão das pessoas.

do o tempo todo dentro de uma

fábrica. Isto é atraso, só faz empo-

brecer as pessoas, e agora depois

de tudo sou obrigado a agüentar

esta poluição danada. Cada caldei-

ra cuida de seis canos que vão dar

nas câmaras de compressão. No

fundo da fábrica tem outra caldeira

que cuida deIScâmaras. De madru-

gada, de 2 em 2 horas as caldeiras

são obrigadas a fazer descom pres-

são no pequeno riacho que ladeia a

fábrica. Nestas horas o barulho é

tão ensurdecedor que chega ao

ponto de assustar as pessoas desa-

visadas."

"Sei de um caso que aconteceu

com dona Lindalva, que mora perto

do riacho.Ela tinha dois carneiros e

um dia eles foram beber água, co-

mo sempre faziam, no riacho: pou-

co tempo depois os dois estavam

mortos".

E todo dia acontece o seguinte,

diz Humberto: "Quando a fábrica

solta a fumaça, chega a formar um

bolo de óleo e poeira nos cantos da

casa. Agoraeu pergunto". Porque a

fábrica não colocou ainda os filtros

da chaminés? Ou ela acha que o

filtro somos nós?"

È hora de c •

deve ter ligação direta com os seto-

res populares. Enfim, que têm de

trabalhar unidos com o povo e para

o povo. Poise, elesforam eleitose é

chegada a hora de ficarmos de olho

na atuação de cada um e cobrar o

que foi prometido.

"ESTA ELEIÇÃO FOI

UMA PALHAÇADA"

Esta eleição foi uma palhaçada,

porque não foi respeitada a vontade

do povo. Eu sou nascido e criado

aqui em Pernambuco e nunca vi

uma coisa dessa. Mas eu espero

chegar o dia de votar pra governo,

pra prefeito.

Benedito - operário - quatro filhos.

• rar

QUEM VAI ASSUMIRTENHOATÉ

VERGONHA DE DIZER O NOM E"

Estou danado da vida. Nunca

votei e, pela primeira vez que fui às

urnasvotei em Jarbas Vasconcelos

para senador porque ele no Senado

ia lutar contra a cerestia, por uma

constituinte imediata, pela liberda-

de sindical e o direito de greve.

Na mesma hora vi a maior cor-

rupção eleitoral. Jarbas, é nosso

senador, mas quem vai assumir te-

nho até vergonha de dizer o nome.

Vou rasgar meu titulo para não

participar pessoalmente de outra

situação destas. Viva nosso sena-

dor Jarbas!

José Ribeiro-Coelhos

ÉPRECISOUNIÃO

m wnmm

"Se as pessoas se reunissem e

fizessem um abaixo-assinado eu

acho que resolveria alguma coisa.

Como eu sou aposentado não tenho

medo, mas os outros moradores,

meusvizinhos que trabalham e de-

pendem dafábrica para poderviver,

pensam no que ela poderá então

fazer com eles. Como se não bas-

tasse o que já está fazendo."

outra moradora presta seu de-

poimento. É dona Maria Rodrigues

que mora na Ladeira da Gruta.

"Quando a fumaça começa a

sair imediatamente um cheiro forte

aparece e a casa toda fica cheia de

fuligem. Minha menina que tem

oito meses já teve branqueolite e

sof reconstantemente de gripe alér-

gica. O médico que cuida dela já

conselhou até que agente se mude

para outro lugar, antes que aconte-

ça alguma coisa pior, como um

caso de uma criança de seis anos,

que eu ouvi falar mas não presen-

ciei, que morreu de bronqueolite,

no pronto-socorro,por causa da po-

luição."

EUNÃOSEIDENADA...

— Achei a campanha muito fra-

ca aqui em Beberibe. Acho até que

o M DB nem sabia que a gente exis-

tia. Não tinha nenhum cartaz da-

queles grandôes aqui.

J.d.B. - Mas, e o comício final?

— Ah! Aí a gente botou pra que-

brar. Foi uma beleza. A gente tinha

se virado por aqui levando propa-

ganda pelas ruas, de casa em casa,

e o meu pessoal tava todo lá.

J .d.B - E depois, como é que foi?

— A sra. viu? Teve uma urna ali

no Pedro Celso que deu todos os

votos pra Jarbas. Todinhos, visse?

Não sei pçrque tão dizendo que ele

perdeu...É muito esquisito, mas eu

José Ferreira - estudante.

Jornal dos Bairros - 7


©s Bairros dão Notícia

Santana

Lata cfágua na cabeça

Em Santana, Casa Forte, os mo-

radores das ruas Henrique Macha-

do, Franco Gondim e Travessa Hen-

rique Machado, estão se reunindo e

discutindo o problema da falta de

água encanada.

O cano-mestre da COM PESA

passa por perto, mas a uma distân-

cia de pouco mais de 30 metros. Por

isso essa Cia. permite que os mora-

dores puxem os canos para suas

casas.

Através de um abaixo-assinado

estão reivindicando a instalação de

um cano-mestre junto daquelas

ruas, afim deque, em breve tempo,

possam deixar de carregar lata d'

água na cabeça.

Abreu e Lima

Cegos criam Associação

A C.A.C.N. (Cruzada de Assi-

tência aos Cegos do Norte/Nordes-

te) teve início em Abreu e Uma, no

dia 15 de março de 1977, com o

objetivo de atender à situação difí-

cil dos cegos.

Atualmente a Cruzada vem se

desenvolvendo com muita dificul-

dade. Não existe uma assistência

por parte das autoridades Munici-

pais, Estaduais ou Federais. Ela é

mantida pelos próprios deficientes

visuais pois alguns deles trabalham

e no fim do mês dividem o dinheiro

com todos. Por isso, seu presidente

Edson Maciel sempre diz: "No fim

do mês nossa conta no Banco sem-

pre fica a zero". A luta dos 300

associados da C.A.C.N. exige uma

força de vontade que merece uma

maior atenção daqueles que têm

visão perfeita e se sentem respon-

sáveis pelo sofrimento de cada um;

8-Jornal dos Bairros.

já que as autoridades não tomam

nenhuma providência. O povo em

geral pode ajudarem muitoaCruza-

da e para isso tem condições, dan-

do, em primeiro plano mais apoio e

confiança ao deficiente. Um defi-

ciente visual é uma pessoa normal

que precisa participar do quadro

social em que vivemos e nao ser

tratado como um inútil, como uma

pessoa à margem da sociedade.

A C.A.C.N. vem funcionando na

casa do seu presidente na rua da

Glória, n 0 72, em Abreu e Uma.

Para corpemorar o "Dia do Defi-

ciente Visual", realizou-se uma Ses-

são na Biblioteca Pública do Estado

com palestras, informações, músi-

ca e outras diversões. Tudo isso

com o objetivo de valorizar o defici-

ente visual lévando-o a participar

do que existe de bom na sociedade.

Morro da Conceição

Vamos ler

Está funcionando no horário das

8às12hs,edas14às22hs, aSalade

Leitura da Casa Paroquial da Matriz

de N. Sra. da Conceição. A Sala foi

inaugurada a 15 de julho passado,

idéia do Pe. Reginaldo, pertencente

a essa paróquia. A Sala dispõe de

livrosdidáticos, literatura, romance

e está à disposição de todos que

estão querendo aprender e se pre-

parar melhor a vida.

Camarajibe

Cadê a luz?

No loteamento Jardim Tabatin-

ga em Camaragibe, tem uma rua

que há mais de dez anos quando

passou a rede elétrica esta rua ficou

sem energia. Não sabemos porque.

Já fizemos abaixo-assinado para o

Prefeito e nada foi resolvido. Tem

casa com instalação há mais de um

ano esperando pela vontade dos

políticos que quando estão para se

eleger,prometem tudo ao povo, -

mas depois esquecem.

Em nome do povo do loteamento

Problemas na rua

A rua Eliza Cabral de Souza não

tem nenhuma assistência da Prefei-

tura nem parece ser a rua principal

de Camaragibe, pois, além da gran-

de quantidade de lixo ali existente,

os canos estão com entupimentos,

provocados pelo lixo, que só é reti-

rado por quinzena. Como resulta-

do, durante as chuvas, as nossas

casas são atingidas pelas águas. Já

fomosa prefeitura, pedimosajudae

não foi tomada nenhuma providên-

cia. Maria Guedes da Silva-

A BR 408 que liga São Lourenço a

Recife, é considerada a estrada da

M orte, devido a tantosacidentes de

veículos que ocorrem na mesma;

no começo da estrada está uma

ponte, que é conhecida como ponte

de Dondon, só dá para passar um

veiculo, esta ponte já é conhecida

como o cemitério de tanta morte

que se dá por ali. Quatro ocupantes

de um Volks morreram ali é tanta

morte que já perdemos a conta, a

estrada é muito estreita e não tem

acostamento, vamos numerar os

acidentes que vêm acontecendo ul-

timamente nesta estrada. Em fren-

te a oficina da Construtora Leão,

um taxi chocou-se com um ônibus

da Brasília, e morreu o motorista do

taxi. No antigo posto fiscal, um

caminhão atropelou e matou uma

criança. Em frente ao Mercado Pú-

blico de Camaragibe um motoci-

clista bateu em um ônibus da Brasí-

lia e faleceu no local. Em frente ao

posto médico da Prefeitura um ca-

minhão atropelou e matou um ra-

Tabatinga

Transporte difícil

Segundo a leitora M ária J osé de

Uma, a situação dos ônibus tá ruim

em Tabatinga. Os ônibus passam

duas horas e meia prá chegar, e

quando chegam cheios demais não

param nas paradas onde os passa-

geiros estão precisnado chegar. No

terminal, todo mundo fica esperan-

do duas horas que o fiscal mande

abrir a porta do ônibus pro povo

subir. Chega-se no terminal de 6,30

da manhã e na cidade de 9 horas.

Quase todo mundo perde a hora do

trabalho por causa dos motoristas e

fiscais. A estrada tem buracos para

esconder caminhão. O DETERPE

dev ia tomar providências junto aos

fiscaisque não estão se importando

em controlar o horário dos ônibus.

E o prefeito de São Lourenço que

ligue em asfaltar a avenida Lulza

Medeiros em Tabatinga.

Alto Sta. Terezinha

União faz a força

Um grupo de moradores do Al-

to, descobriu mais uma vez que a

união faz a força. Precisavam colo-

car um novo poste de luz diante da

casa de D. Maria da cocada, como

ela não tinha condições, juntaram-

se e conseguiram resolver o proble-

ma: fizeram uma quota, usaram o

dinheiro da caixinha do grupo (cada

um contribui com alguma coisa),

uns foram tratar da compra do pos-

te, outros de cavar o buraco, enfim

izeram a instalação elétrica. Todos

untos festejaram o término do tra-

salho numa reunião muito animada

unto com um representante do

Jornal dos Bairros.

São Lourenço

Estrada da Morte

paz, no mesmo local, um outro

carro atropelou e matou outra pes-

soa em frente ao loteamento P.S.

Francisco. Um outro carro atrope-

lou e matou uma senhora. No cruza-

mento da linha Fenia com a referida

estrada, um caminhão bateu no

trem e o motorista ficou em baga-

ços. Em outro cruzamento da linha

com a estrada; uma Kombi bateu no

trem e feriu todos que ocupavam a

mesma e matou um fotografo mui-

to conhecido em Camaragibe. A

parte mais perigosa da estrada é a

parte entre o mercado de Camaragi-

be e o Hospital Alberto Mala, isto

porque é muito estreito e não tem

sinalização, enfim são inúmeros os

acidentes ocorridos nesta estrada,

se andar na estrada 408, é andar

com a morte como companhia, por

isso é que batizamos a referida es-

trada como "A estrada da Morte".

Nós apelamos para as autorizadas

tomarem providências no sentido

de acabar com esta situação.

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