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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha

Edição outubro/2008

Gerência de Comunicação

Ana Paula Costa

Transcrição:

Else Albuquerque

Copidesque:

Revisão:

Adriana Santos

Ana Paula Costa e Marcelo Ferreira

Capa e Diagramação:

Luciano Buchacra


1ª Parte

A JUSTIÇA DE

DEUS

Introdução

Amado leitor, nesta edição falaremos sobre dois

favores de Deus para a nossa vida: a justiça e a bênção.

É tão bom quando podemos meditar na Palavra

do Senhor. Não estudamos a Bíblia por estudar,

o propósito pelo qual Deus nos deu o seu Livro foi

para sermos semelhantes a Ele e para fazermos as

obras dele. Isto está escrito em 2 Timóteo, capítulo

5


3, versículos 16 e 17: “Toda a Escritura é inspirada por

Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a

correção, para a educação na justiça, a fim de que o

homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado

para toda a boa obra.”

A nossa oração é que, ao término deste estudo,

cada pessoa esteja bem parecida com Jesus. Que

o Pai venha vivificar a Palavra ao coração de cada

leitor. Que a unção do Espírito Santo possa quebrar

todo jugo, para a glória do nome do Senhor.

Boa leitura!

VIVendo na justIça

“Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a

terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade.

Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força,

por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o

inimigo e o vingador. Quando contemplo os teus céus, obra

dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que

é o homem que dele te lembres e o filho do homem, que o

visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que

Deus e de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio

sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste:

ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as

aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas

dos mares. Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em

toda a terra é o teu nome! (Salmo 8).

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Conta-se que em certa ocasião, um missionário

realizou, durante muitos anos, o trabalho com índios

em uma determinada tribo. Mas este missionário

veio a falecer. Anos se passaram, até que um

outro missionário chegou à aldeia. Quando este começou

a falar de Jesus, a pregar o Evangelho, imediatamente

os índios disseram para o missionário:

“O que você está nos contando não é novidade, pois

Jesus morou aqui. Ele viveu entre nós”. O missionário

então falou: “Mas como? Jesus viveu aqui?” Os índios

disseram: “Sim, ele viveu entre nós. Esta pessoa que

você descreve, o caráter e os atos são do homem que

morou conosco”. Para eles, o missionário que morrera

na tribo era Jesus. Ou seja, a vida dele refletiu

a imagem de Cristo. O missionário fora, de fato, um

cristão semelhante a Jesus. Por isso, todos diziam:

“Jesus morou aqui”.

Ao lermos na Palavra que “toda a Escritura é inspirada

por Deus e útil para o ensino, para a repreensão,

para a correção, para a educação na justiça”, precisamos

ter a compreensão do propósito pelo qual

Deus nos deu a Bíblia. Não foi simplesmente para

a estudarmos, mas para absorvermos as verdades

contidas nela, “a fim de que o homem de Deus seja

perfeito”, como dissera o apóstolo Paulo em sua carta

ao seu filho na fé, Timóteo.

Quem é o homem de Deus? Nós, que fomos gerados

pela semente divina – “A fim de que o homem

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de Deus seja perfeito [...]” Quem é perfeito? O Pai. Por

isto Jesus, em várias ocasiões, disse: “Portanto, sede

vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mateus

5.48).

Você poderia dizer: “Mas isto é uma utopia! Como

ser perfeito aqui na Terra?” Acontece que este é exatamente

o propósito do Senhor. À medida que a

Palavra de Deus e o Espírito Santo agem em nossa

vida, caminhamos para atingir a perfeição – “A fim

de que o homem seja perfeito e perfeitamente habilitado

para toda boa obra”; para que o homem seja

semelhante a Deus e faça as mesmas obras que Ele.

Em 1 João, capítulo 3, verso 7, percebemos a

obra gloriosa do Senhor. Como Ele deseja, realmente,

se manifestar por meio da nossa vida, o modo

pelo qual devemos passar aos outros a realidade do

Evangelho. “Filhinhos, não vos deixeis enganar por

ninguém.” Fique atento para não ser enganado. Há

muitas pessoas que dizem ser enviados por Deus,

mas que na verdade não passam de falsos profetas.

Quero aqui abrir um parêntese. Certa vez, recebi a

ligação de um irmão que me disse o seguinte: “Pastor,

estou atendendo em minha empresa o ‘Fulano de Tal’ que

quer ir para um outro país, como missionário. Ele veio pedir

uma oferta, uma ajuda. O que o senhor diz a respeito disso?”

Eu disse: “Mande que ele venha falar comigo”.

Não seja enganado. Muitos têm sido enganados

facilmente. Muitas vezes, o coração da pessoa está

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cheio de Jesus, mas é preciso que o coração tenha

também sabedoria. Não se deixe levar pela aparência

de ninguém, e nem pelas palavras. Muitos dizem

ter orado por alguém e que a cura aconteceu, mas a

vida do que orou não está de acordo com os mandamentos

de Deus. A Palavra nos revela que em nome

de Deus, muitos expelirão demônios e até curarão

(Marcos 16.17), mas também que muitos desses

sinais e “prodígios” serão de engano e não vindos

da parte de Deus. Muitos são mentirosos, adúlteros,

enganadores. Portanto, não deposite inteiramente

a confiança. Confie e descanse no poder que existe

na Palavra. Fecho o parêntese.

Como fIlhos da justIça

Assim lemos na primeira Carta de João (3.7): “Filhinhos,

não vos deixeis enganar por ninguém; aquele

que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo.”

Jesus nos mandou buscar o Reino de Deus em primeiro

lugar, e também a sua justiça (Mateus 6.33).

Mas é a justiça dele e não a nossa. A nossa justiça

deve ser a justiça semelhante à do Senhor Jesus. Por

isso afirmamos que a nossa fé não é uma religião,

mas um relacionamento. É algo que se traduz no

dia a dia. É viver do mesmo modo, em testemunho

de vida, caráter e fé, tanto em casa como fora dela.

Quantas esposas me dizem: “Pastor, como eu gostaria

que meu marido fosse crente em casa como ele é

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na igreja! Na igreja, ele é tão gentil, trata as pessoas

com tanta delicadeza, mas em casa é tão diferente!”

Querido, não podem existir dois tipos de vida,

ou seja, uma dentro da igreja e a outra, fora. Vejamos

o que está escrito em João, capítulo 15, do verso

10 ao verso 14. Vamos perceber a graça da nossa

identificação com o Senhor:

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis

no meu amor; assim como também eu tenho

guardado os mandamentos do meu Pai e no seu amor

permaneço. Tenho-vos dito estas coisas para que o

meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo.

O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos

outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior

amor do que este: de dar a própria vida em favor de

seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu

vos mando.”

A característica da Igreja do Senhor é a característica

do amor. Posso dizer que o amor é a carteira de

identidade do cristão. Algo que é tão bonito entre os

irmãos é exatamente o fluir do amor do Senhor. Temos

orado para que a Igreja da Lagoinha seja uma usina

de saúde, de amor, de graça e de misericórdia para a

nossa cidade; que as pessoas, ao chegarem aqui, ao se

defrontarem com você, em qualquer lugar, sintam um

impacto grande do amor do Senhor.

Algo que não pode existir na vida do cristão é o

preconceito, preconceito que traduz o orgulho, pois

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ele é uma injustiça. Oro para que Lagoinha seja uma

igreja heterogênea, para que qualquer pessoa que

entrar pelas nossas portas possa sentir-se acolhido,

a despeito da cor da pele, da estatura, da classe social,

entre outros. Todos precisam ter o coração lavado

pelo sangue de Jesus. Vejamos o que a Palavra

nos diz em Efésios, capítulo 4, versículo 6: “Um só

Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio

de todos e está em todos.”

Deus não faz acepção de pessoas. Se Ele não o

faz, tampouco nós devemos fazê-lo. Então, tenha

cuidado no falar. Se no passado você acreditou ser

melhor que alguém por algum motivo, vigie, porque

o Soberano Deus não faz acepção de pessoas.

Jesus, o nosso modelo a ser seguido, rompeu paradigmas

e quebrou todo tipo de preconceito. Os

samaritanos eram totalmente desprezados pelos

judeus por levarem no sangue mistura de raças.

Quando os judeus foram levados para o cativeiro,

eles se misturaram com os povos que vieram da

Síria. Surgiu, então, uma raça mesclada. Tinham

costumes diferentes, a cor da pele era diferente, o

sotaque era diferente.

A fim de ilustrar o quão importante deve ser a

nossa atitude de amor para com todos, Jesus conta

a parábola do bom samaritano, registrada por

Lucas, que, por sinal, era médico e se preocupava

com as pessoas. Na parábola é dito (Lucas 10.25-37)

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que certo homem fora maltratado, largado à beira

do caminho e, passara por ali um religioso que não

fizera nada; também um levita, cumpridor da lei,

que igualmente tivera a mesmíssima atitude: a de

não prestar socorro, de não ajudar ao homem caído,

necessitado. Contudo, o bom samaritano parara e o

socorrera.

Um detalhe é muito curioso nessa história. Tanto

o homem religioso como o levita, não só teriam conhecimento

da Lei, da Palavra, como também intimidade

com Deus, dada a função que exerciam ou a

posição que ocupavam – coisa que Jesus deixa claro

na parábola –, deveriam ser os primeiros a ajudar o

homem caído por serem os mais próximos dele. Mas

não o fizeram. Foi justo um samaritano que exercera

a misericórdia para com o necessitado. Segundo

a Bíblia Anotada Expandida (Revista Atualizada, Ed.

Mundo Cristão, 2006, pg. 997 – com comentários

do estudioso erudito Charles C. Ryrie), “os samaritanos

eram os descendentes de colonos gentios que os

reis assírios haviam enviado para a Palestina depois

da queda de Samaria, em 722 a.C. Eram desprezados

pelos judeus por causa de seu sangue misturado com

os gentios e pela religião distinta, cujo centro de culto

ficava no monte Gerizim”. Ou seja, esse samaritano

teria todas as razões para não prestar socorro ao

homem caído na estrada, visto que poderia sofrer

conseqüências pelos seus atos, e nem por isso se

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deixara intimidar, prestando todo socorro ao homem

desvalido, prostrado.

Ao contar a parábola do bom samaritano, Jesus

exemplificou alguém que era semelhante a ele. Com

isto, os judeus ficaram com os “cabelos em pé”, pois

tinham uma verdadeira aversão aos samaritanos. E

Jesus usara de propósito da figura do samaritano,

porque Ele estava dizendo: “Não tenho preconceito

algum”. Olhe o que está escrito em Tiago, capítulo

2, os treze primeiros versículos: “Meus irmãos, não

tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da

glória, em acepção de pessoas. Se, portanto, entrar na

vossa sinagoga algum homem com anéis de ouro nos

dedos, em trajos de luxo, e entrar também algum pobre

andrajoso, e tratardes com deferência o que tem

os trajos de luxo e lhe disserdes: Tu, assenta-te aqui em

lugar de honra; e disserdes ao pobre: Tu, fica ali em pé

ou assenta-te aqui abaixo do estrado dos meus pés,

não fizestes distinção entre vós mesmos e não vos

tornastes juízes tomados de perversos pensamentos?

Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que

para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e

herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam?

Entretanto, vós outros menosprezastes o pobre. Não

são os ricos que vos oprimem e não são eles que vos

arrastam para tribunais? Não são eles os que blasfemam

o bom nome que sobre vós foi invocado? Se

vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura:

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Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem;

se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado,

sendo argüidos pela lei como transgressores. Pois

qualquer que guarda toda lei, mas tropeça em um só

ponto, se torna culpado de todos. Porquanto, aquele

que disse: Não adulterarás também ordenou: Não

matarás. Ora, se não adulteras, porém matas, vens

a ser transgressor da lei. Falai de tal maneira e de tal

maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados

pela lei da liberdade. Porque o juízo é sem misericórdia

para com aquele que não usou de misericórdia.

A misericórdia triunfa sobre o juízo.”

Se esse alguém que estiver ao seu lado possuir

um anel de ouro ou um carro importado, ou tiver

uma bela casa, não há problema algum. Porém,

pelo fato de possuir algo que outro não possui, não

o faz melhor do que aquele que possui um anel de

plástico, ou ande a pé, ou more em um casebre. A

beleza da Igreja consiste, também, na mistura de

raças, na condição social e na maneira de ser, agir e

pensar de cada um. A Igreja não é uma associação,

um clube, e nem tampouco as quatro paredes de

um belo templo. Ela é um organismo vivo e, dentro

do aspecto do Senhor, Ele deseja exatamente isto:

que ninguém faça acepção de pessoas. É verdade

que, muitas vezes, na reunião, as pessoas vão se

assentar, por questão de convivência ou afinidade,

perto de irmãos de uma mesma célula. Porém, você

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precisa ficar não apenas perto dos irmãos conhecidos,

mas também se misturar a outros irmãos. É

importante encontrarmos outras pessoas, pois você

tem tanto para oferecer a elas! Todos somos obrasprimas

de Deus. Deus fez você e aquele que está ao

seu lado de modo peculiar, glorioso! Então, passe

esta verdade para o outro e transmita toda a realidade

das Escrituras.

e maIs justIça

Falamos de justiça. E Jesus se transformou em

nossa justiça. Veja o que o apóstolo Paulo escreveu:

“Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual nos tornou,

da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação,

e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se

gloria, glorie-se no Senhor.” (1Co 1.30-31).

Pode parecer estranho, mas antes que o mundo

existisse, antes que Deus fizesse qualquer coisa, ele

escolheu você. Ou seja, Deus não está preso ao tempo,

a um momento. A idade de Deus é a eternidade;

não tem começo ou fim. É um círculo completo. Vejamos

Efésios, capítulo 1, verso 4: “Assim como nos

escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para

sermos santos e irrepreensíveis perante ele.” Antes de

o mundo existir, Deus o escolheu. Escolheu para

quê? Para sermos santos e irrepreensíveis. Meus irmãos,

a Palavra de Deus nos foi dada para nos corrigir,

nos exortar, nos transformar, e o propósito de

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Deus é nos apresentar santos e irrepreensíveis. O Espírito

Santo opera para aperfeiçoar a Igreja e Deus

está nos dando a Palavra para aperfeiçoá-la. “Para

a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula,

nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem

defeito.” (Efésios 5.27).

Existem pessoas que têm preconceito de igreja.

Consideram uma melhor do que a outra. Isto é

infantilidade. O propósito do Senhor é exatamente

esta realidade: “Para a apresentar a si mesmo igreja

gloriosa, sem mácula nem ruga, e irrepreensível.” Você

pode estar com a pele enrugada, mas por dentro,

o coração está novo, cheio da graça, do amor, da

vida. O mundo está aí fora e quando a Bíblia fala em

mundo, ela não se refere ao mundo cheio de montanhas

e árvores, mas acerca do sistema em que o

inimigo reina. O sistema que está descrito em João,

capítulo 17, versículo 14. “Eu lhes tenho dado a tua

palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do

mundo, como também eu não sou.” Mas a boa notícia

é que Jesus Cristo veio exatamente para nos tirar

desse mundo, e para que saiamos dele, o Pai tem

nos dado a Palavra.

Quando escolhemos viver segundo a Palavra de

Deus, colhemos os resultados: As pessoas irão nos

odiar gratuitamente, não porque vamos feri-las ou

machucá-las; muito pelo contrário, mas por causa

da vida do Senhor em nós. Para aquele que ainda

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não tem Cristo, isso pode parecer repugnante, algo

que embrulha o estômago. Quando vamos a um lugar

onde muitos estão se embriagando, tomamos

água. Isto causa deboche, pois o lema do mundo é:

“Todo mundo faz assim; deixa de ser trouxa!” O mundo

está aí, com todo o glamour e atrativos, mas o

cristão é e deve ser diferente.

“Eu lhes tenho dado a palavra.” Paute, então, a

sua vida pela Palavra. Crente não bebe porque tem

outros prazeres. Muitas vezes, as pessoas que se

embriagam, não se tornaram alcoólatras da noite

para o dia. Tudo começou com um simples gole.

E se você cair nessa, de tomar apenas um golinho

para não fazer desfeita, como poderá levar a Palavra

a elas? Que autoridade terá perante elas? Como

poderá dizer que Jesus liberta, que Ele o satisfaz?

Isso sem levar em conta a brecha que abrirá para Satanás

agir e transformá-lo em um dependente químico

e destruir a sua vida. A única razão pela qual

você existe hoje é para conhecer a Deus e fazê-lo

conhecido também.

“Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os

odiou.” A moça começa a namorar, o rapaz quer ter

uma intimidade ainda maior com ela, com o seu

corpo, mas ela diz não a ele, pois sabe que o corpo

é templo do Espírito Santo e que a relação sexual

só pode acontecer após o casamento. Hoje, o termo

“namoro” mudou de sentido. Anos atrás, se dizia que

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“Fulano” era “amante” de “Cicrano”. Hoje, quando se

diz namorado, é namorado de cama, de motel. Há

raras e honrosas exceções, claro.

É um princípio diferente. Mesmo que o namoro

venha romper, o que importa é obedecer aos mandamentos

do Senhor. Deus estabeleceu que só após

o casamento poderá acontecer a relação sexual. E o

não de Deus é não, assim como o sim, pois Ele não

relativiza os seus absolutos.

O cristão tem uma vida pura, não importa se antes

ele tinha uma vida podre. No momento em que

aceitou a Jesus (na verdade, foi Jesus que o aceitara),

“zerou” tudo. Ele é uma nova criatura. “E, assim,

se alguém está em Cristo, é nova criatura.” (2 Coríntios

5.17). Porém, é preciso viver os princípios estabelecidos

por Deus. Quando o cristão decide viver

segundo a Palavra, ele sofrerá oposição, pressões,

críticas, perseguições, perdas (segundo os valores

mundanos). Porém, terá recompensas eternas, pois

de que vale ganhar o mundo e perder a salvação?

Como está escrito aqui: “Eu lhes tenho dado a tua

palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do

mundo, como também eu não sou.” (João 17.14).

Ninguém viverá o tempo todo cantando, orando,

louvando, não. Você fará tudo normalmente.

Tomará banho, dormirá, almoçará, negociará, comprará,

venderá; porém, fará tudo isso com a graça,

com a vida do Senhor. Você está aqui, mas você não

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é daqui. No verso 15 de João 17, Jesus orando, disse

assim: “Não peço que os tire do mundo, e sim que os

guarde do mal.” Que os guarde do maligno. “Eles não

são do mundo, como eu também não sou. Santificaos

na verdade; a tua palavra é a verdade.”

Nossa fé não é uma religião, mas um relacionamento

com Jesus. E quanto mais intenso for o relacionamento,

a intimidade com o Senhor, o que para

muitos é algo atrativo, prazeroso, tornará insignificante,

sem valor, pois você saberá o que realmente

é valoroso. Quando viajamos de avião, ao entrarmos

nele, tudo obviamente está no tamanho natural.

Mas, à medida que o avião levanta vôo, tudo

parece diminuir, até se tornar irreconhecível. Assim

acontece espiritualmente. Quanto mais você crescer

no conhecimento do Senhor, as outras coisas

diminuirão. E quanto mais você diminuir, mais o Senhor

crescerá em você e por meio de você. “Convém

que ele cresça e que eu diminua.” (João 3.30). Não há

nada melhor, mais precioso, que conhecer o Senhor,

a sua Palavra, a vida dele, de modo a exalar o amor e

o próprio Deus em nós, pois Ele é amor.

Vejamos o que o apóstolo Paulo escreveu aos

Romanos, no capítulo 12, versos 1 e 2. Ele fez um

pedido. E saiba, querido, que quando fazemos um

pedido a Deus, Ele tem prazer em nos atender. Por

isso, a recíproca deve existir: estejamos prontos em

atender ao Mestre. “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas mi-

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sericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por

sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso

culto racional. E não vos conformeis com este século,

mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,

para que experimenteis qual seja a boa, agradável e

perfeita vontade de Deus.”

A vontade de Deus é boa. Algumas pessoas imaginam

que fazer a vontade de Deus é um sacrifício horrendo.

Não! A vontade de Deus é perfeita e agradável. Mas

para conhecer a vontade de Deus, é necessário “que apresenteis

o vosso corpo por sacrifício vivo [...]” Vamos entender

o que significa apresentar o corpo por sacrifício vivo.

No Velho Testamento, as pessoas pegavam animais,

ovelha ou pomba, para serem entregues ao

sacerdote. A entrega do animal ao sacerdote significava

o fim do trabalho daquela pessoa. O animal

já não era mais dele. Então, o sacerdote poderia

preservar o animal na mesma hora, como poderia

matá-lo dois dias depois, ou um mês. Por isso, quando

a pessoa vem para Jesus, dizemos que ela entregou

a vida para Jesus. Entregou a alma, o espírito,

o corpo, os sonhos, os ideais, a vontade, tudo. Mas

alguns querem entregar apenas os problemas, as

dificuldades, as doenças, apenas o lixo para Jesus.

Porém, não é isso que a Palavra nos ensina. “Sacrifício

vivo” quer dizer que enquanto o nosso coração

estiver batendo, deveremos entregar não só as coisas

ruins, mas o que temos de melhor.

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“Por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus que

é o vosso culto racional.” Isso quer dizer que o nosso

culto ao Senhor não é um culto fora da razão. É um

culto vivo, segundo os preceitos da Bíblia. A pessoa

mais equilibrada do mundo é aquela que pauta a

vida na Palavra do Senhor. Podemos dizer que as

pessoas que são enganadas pelo mundo são aquelas

desequilibradas, infantis na fé, que não querem

levar a vida a sério diante do Senhor. Estes podem

ser enganados. Mas aqueles que escolhem viver segundo

os princípios bíblicos, não são enganados.

“Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos

pela renovação da vossa mente.”

À medida que somos transformados, a nossa

mente também precisa ser transformada. Conforme

foi dito anteriormente, a pessoa que tinha preconceitos,

não mais poderá tê-los após conhecer Jesus

Cristo. A mente dela precisa ser mudada, transformada.

Muitas vezes, a pessoa aceita o preconceito

sem nenhuma reflexão. Outros, por orgulho, sabendo

que aquilo vai machucar e quebrar a alegria da

comunhão.

Algo bonito de se contemplar é a comunhão entre

irmãos. Como é prazeroso poder abraçar, abençoar

os irmãos sem nenhum preconceito. Vemos

que Jesus tocou àqueles que eram rejeitados pela

sociedade, seja por uma enfermidade ou qualquer

outra questão. E quantos vivem uma situação de

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solidão, abandono. Porém, nós como Igreja, não devemos

nos conformar com este século, com o preconceito,

com a injustiça, com o pecado, mas transformar

tudo isso pela renovação da nossa mente.

Filhos, precisamos viver, não apenas como celebração

ao Senhor, mas como família e família de Deus.

ConClusão

jesus é nosso modelo maior de justiça

Amado leitor, o mundo está aí. Mas procure viver

de modo diferente, tendo como prazer agradar

o coração do Pai. Por isto, a fé não é uma religião. É

preciso sentir prazer em ler a Bíblia, prazer em orar.

Se você já namorou alguém de quem não gostava,

ao ir à casa da pessoa, ia por obrigação, não é? Mas

quando se refere ao grande amor da sua vida, toda

hora é hora. Assim também é na vida cristã quando

há amor, prazer.

A nossa fé é uma dinâmica linda e transformadora.

Transmite amor, carinho, boa vontade, paciência, longanimidade,

mansidão. Transmite a imagem de Jesus.

Amado, que as pessoas possam olhar para você e dizer:

“Como você se parece com Jesus!” Não me refiro à

aparência física, mas ser parecido interiormente.

Isso também é justiça. A justiça que procede do

alto, e que agrada aquele que sempre foi e será justo:

Jesus.

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2ª Parte

A BÊNÇÃO

Introdução

Existem muitas palavras que traduzem, expressam,

significam muitas coisas boas. Existe uma em

especial que serve para tudo e se encontra na Bíblia.

Ela aparece desde o primeiro até o último livro da

Escritura. Envolve tudo aquilo que nos faz mais ricos

espiritualmente. É a palavra “bênção”. Bênção inclui

saúde, alegria, paz, prosperidade, vida. Tudo de

bom que você desejar para a outra pessoa, poderá

dizer por meio da palavra bênção. Amado, deixe

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o coração absorver esta palavra: bênção. Que o Pai

possa trazer sobre a vida de cada leitor graça e unção

para que não venha a ser destruídos pela falta

da compreensão sobre a bênção, mas que o Senhor

venha edificar, consolar e exortar por meio da Palavra,

para que no final desta leitura, todos estejam

mais parecidos com o Senhor. Em nome de Jesus.

Amém!

os elementos da bênção

O livro de Gênesis é o livro dos começos. Tudo o

que Deus fez, Ele fez perfeito. Nada incompleto das

mãos dele. Tudo com o toque final de Deus, com a

bênção. A bênção é algo que invocamos, verbalizamos.

É algo que podemos tocar. É pena que essa palavra

bênção, perdeu um pouco o sentido. Anteriormente,

os filhos pediam a bênção aos pais quando

se deitavam e quando se levantavam, quando saíam

e quando chegavam, e os pais os abençoavam.

Hoje, muitos pais não fazem isso. Não ensinam este

princípio aos filhos. E até na hora das refeições, muitas

vezes, não param para abençoar o alimento.

Mas não é assim que devemos proceder. Então

quero mostrar para os irmãos alguns elementos

concernentes à bênção.

No primeiro livro, o livro de Gênesis, capítulo

1, a partir do versículo 21, está escrito: “Criou, pois,

Deus os grandes animais marinhos e todos os seres

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viventes, que rastejam, os quais povoam as águas,

segundo as suas espécies; e todas as aves, segundo

as suas espécies. E viu Deus que isto era bom.” Deus

não se engana e ninguém pode enganar a Deus,

pois Ele sabe todas as coisas. Ele viu que era bom.

Mas Ele não parou aí: “E Deus os abençoou.” Aquilo

que já era bom, com a bênção dele, ficou melhor. A

bênção traz uma qualidade superior. A bênção faz

a diferença.

Podemos dizer que a vida está dividida entre

aqueles que têm a bênção e aqueles que não a têm.

A diferença maior é exatamente a bênção. A bênção

muda, transforma. Entendamos que a bênção

precisa ser verbalizada, declarada, assim como o

Criador nos ensinou desde o princípio: “E Deus os

abençoou.”

A expressão maior da bênção de Deus é Jesus. Está

escrito em João 1.14: “E o Verbo se fez carne e habitou

entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória,

glória como do unigênito do Pai.” Ou seja, a bênção,

a Palavra, tomou forma humana. A Palavra veio como

Filho de Deus, para que pudéssemos ter, hoje, uma

qualidade de vida diferente. Também está escrito que

o Senhor abençoou os animais dizendo: “Sede fecundos,

multiplicai-vos e enchei as águas dos mares; e, na

terra, se multipliquem as aves.”

Se Deus abençoou os animais, igualmente devemos

proceder. Sabe que você pode abençoar um

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gato, um cachorro, um peixinho de aquário, um

passarinho? Não apenas pode, como deve. Somos

chamados para sermos abençoadores. A função da

Igreja é ser abençoadora. Não pense que devemos

abençoar aquilo que parecer ser etéreo, ou seja,

passageiro. Não! Quando digo: “Eu o abençôo”, flui

algo. Jesus disse que ao entrarmos numa casa, antes

de tudo, devemos abençoá-la (Lucas 10.5). Ao

entrar, você deve dizer assim: “Paz seja nesta casa!”

Isso é uma bênção, e se as pessoas receberem a

bênção, tudo bem, mas se não receberem, ela volta

para você. Quando abençoamos, transmitimos algo,

mais do que uma invocação ou proclamação.

A bênção do Senhor se estende, ela é um selo.

É algo que Ele traz sobre os animais e sobre os homens.

“Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à

imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E

Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos,

enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre

os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo

animal que rasteja pela a terra.” (Gn 27.28).

a bênção do dIa e o dIa da bênção

No capítulo 2 de Gênesis, o versículo 3 começa

dizendo assim: “E abençoou Deus o dia sétimo e o

santificou.” Você deve, também, abençoar o dia. Já

percebeu que alguns dias parecem ser dias em que

a bênção não está cantando? Tudo foi difícil, desde

26


o início até o fim. Sabe por quê? Faltou a bênção.

Faltou você abrir a boca e abençoar o seu dia. Tenha

este hábito em sua vida e verá a diferença. Mesmo

que a dificuldade venha, haverá uma diferença tremenda

em como lidar com os problemas.

Algumas pessoas amaldiçoam a segunda-feira

porque é o dia depois do sábado e do domingo, dia

de voltar à labuta do trabalho, dos problemas. Mas

você pode dizer: “Senhor, eu abençôo este dia; que

ele seja para o louvor da tua glória. Este dia não foi

feito apenas para eu ficar mais velho, mas o Senhor o

fez para manifestar o teu poder, por isso, Senhor, eu o

abençôo”. Ao levantar pela manhã, abençoe o dia,

abençoe o marido, abençoe a esposa, abençoe os filhos,

tudo ao seu redor. Filho, fomos chamados para

abençoar, assim como o nosso Pai o é!

Observe o que está escrito em Gênesis, capítulo

9, versículo 1: “Abençoou Deus a Noé e a seus filhos

e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a

terra.” Existem bênçãos que se repetem e uma delas

é esta: “Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a

terra.” Deus não tem filhos prediletos. Ele não tem

escolhido uns para abençoar e outros para amaldiçoar.

Fomos chamados para sermos transformadores

da sociedade por meio da bênção. “Abençoai e

não amaldiçoeis.” (Romanos 12.14).

“Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da

tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra

27


que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te

abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma

bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei

os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas

todas as famílias da terra.” (Gn 12.1-3). Esta bênção

viria por meio de Jesus Cristo, que é da descendência

de Abraão. Hoje, sou abençoado porque Abraão

foi abençoado.

“Sê tu uma bênção.” Depois desta declaração, há

um ponto, porque ser uma bênção é uma escolha,

receber a bênção é uma escolha, ser um canal de

bênção é uma escolha; por isto o Senhor disse a

Abraão: “Sê tu uma bênção.” Isso também nos mostra

que fomos chamados não apenas para sermos

alvos das bênçãos, mas para sermos uma bênção.

Se eu escolher ser uma bênção, eu serei uma bênção.

Minha vida fará diferença. E eu quero ser uma

bênção.

Filho, você não deve ir aos cultos apenas atrás

de uma bênção; o Senhor tem a bênção, mas, acima

de tudo, Ele quer fazer de você uma bênção. Isso é o

melhor de tudo. Nossa fé não é pautada pela contabilidade

de bênçãos, mas no relacionamento com o

abençoador, que é Jesus Cristo.

A Bíblia registra a história de um homem que

teve muitos bens, muitos filhos; ele possuía muitas

coisas. Mas houve um instante na sua história,

quando ele disse: “O que eu tenho não satisfaz os

28


anseios da minha alma”. Ele queria algo mais. Este

homem era Jacó, também chamado de “o suplantador”,

“o enganador”. Ele precisava de algo diferente.

Não queria mais viver do mesmo modo. Precisava

de uma nova experiência.

O relato está em Gênesis 32, versículo 26. O anjo

do Senhor lutava com Jacó: “Disse este: Deixa-me ir,

pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei

ir se não me abençoares.” Jacó agarrou anjo e disse:

“Eu não o solto, eu preciso ter a bênção”. Jacó tinha

muitos bens materiais; era um homem riquíssimo,

possuía um patrimônio incalculável, mas lhe faltava

algo. Faltava-lhe a bênção. Muitos vivem como

Jacó. Possuem mansões, saem nas colunas sócias,

tem carros magníficos, mas estão infelizes, pois não

têm a bênção. Você pode ter uma casa, não importa

o tamanho, mas ela precisa ter a bênção. Sem a

bênção, nada funciona. Muitas pessoas pensam:

“Ah, quando eu tiver uma casa maior, será tão diferente!”

Mas quando conseguem a casa, a vida parece

um inferno. O salário é significativo, mas não dá

para as despesas necessárias. Surge então o pensamento

de que é preciso um novo emprego para ganhar

o dobro. Consegue-se então o emprego, mas

o dinheiro ainda não é suficiente. O casamento está

em crise, pensa-se no divórcio, que outro casamento

trará a felicidade. Casa-se pela terceira vez, mas a

felicidade desejada está muito longe de acontecer.

29


Tudo isso porque não há a bênção do Senhor, pois é

ela que pode mudar e transformar.

Quando meu filho, André, estava morando nos Estados

Unidos, fui visitá-lo. Visitei também uma igreja, e

nesta ouvi um testemunho de uma senhora. Ela disse

que havia se casado três vezes e para aquelas que estavam

pensando em separação, ficava o aviso de que

o segundo marido é bem pior do que o primeiro, mas

o terceiro é pior ainda do que os outros dois. Que tristeza

não é mesmo? Esta senhora não havia aprendido

nada sobre a bênção. Jacó levou tantas bordoadas,

apanhou tanto, até chegar à conclusão de que o que

ele precisava era da bênção. Por isto que no vau de Jaboque

ele lutou com o anjo e disse: “Eu não te deixarei

se não me abençoares.”

a bênção do toque e o toque da bênção

Todos nós precisamos e gostamos de receber

um toque, um afago. Mas existem pessoas que não

sabem o que é isso. Em nossa igreja, damos uma ênfase

à visão de termos e sermos uma igreja família,

de vivermos em comunhão. Queremos viver como

família. Por mais que o espaço da nossa igreja seja

grande, naturalmente falando, ele precisa ser pequeno,

porque queremos ficar próximos uns dos

outros, assim como toda família deve viver.

Veja como Jesus agia. Em Marcos, capítulo 1, a

partir do versículo 40, encontramos a história de

30


um homem que vivia um momento delicado na

vida. Ele era portador da Hanseníase. E por falta de

conhecimento ou mesmo por temor do contágio

pela doença ou do que iriam pensar caso alguém

o tocasse (já que seria tido como impuro, pelos preceitos

da Lei), ninguém abraçava uma pessoa com

a referida doença. Há dois mil anos, as pessoas atiravam

pedras nestes enfermos quando eles se aproximavam.

Para andar nas estradas, o doente tinha um

sino para sinalizar que ele era portador da doença.

Por onde ele passava, as pessoas colocavam fogo.

E por mais que o corpo estivesse marcado pela doença,

a marca maior era na alma, que mais do que

nunca, precisava de afago, de carinho. Ele precisava

desse amor.

Agora observe como Jesus o tratou: “Aproximando-se

dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres,

podes purificar-me. Jesus, profundamente compadecido,

estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero,

fica limpo! No mesmo instante, lhe desapareceu a

lepra, e ficou limpo.” Jesus não ficou de longe. O homem

veio, se prostrou e disse: “Se quiseres, podes

purificar-me, e Jesus, profundamente compadecido,

estendeu a mão.” (verso 41). Porém, Cristo não apenas

estendeu-lhe a mão, como o tocou. Ninguém

o tocava, mas Jesus lhe tocou. O único que é puro,

santo, perfeito, que pode todas as coisas, tocou em

um desprezado pela sociedade da época. A bênção

31


veio por meio de um toque. Naquele momento, o

que o homem mais precisava era mesmo de um toque.

Hoje não é tão diferente. Existem pessoas que

não precisam tanto de uma palavra, mas de um

toque, de um abraço, de um afago. Independentemente

da circunstância, temos mais facilidade em

falar do que tocar. Podemos pensar que por vivermos

dentro de uma cultura lasciva, somos impedidos

de tocar. Acontece que o toque do verdadeiro

cristão é santo, puro, sem intenção impura. E assim

deve ser. Quantos adolescentes vivem uma vida

desgraçada, promíscua! Entregam-se à primeira

pessoa que lhe fazem convites sexuais. Por quê? Talvez

quando crianças, os pais não o abraçaram, não

o beijaram, e o primeiro que aparece, enche-os de

carinhos, mesmo que intencionais, para aproveitar

da carência. Na vida desses adolescentes pode ter

faltado o toque como forma de bênção.

Não é vergonhoso, meu irmão, de forma alguma,

um pai beijar o filho ou a filha. Dê carinho aos

filhos, principalmente na infância e adolescência.

Saiba que este gesto poderá fazer muita diferença

no futuro de uma pessoa.

Na cultura dos Estados Unidos não é comum homens

andarem abraçados. Quando lá eu estava com

o meu filho André, saíamos abraçados pelas ruas.

Dentro de casa, eu o colocava no meu colo. Imagine

32


a cena, aquele homenzarrão sentado no meu colo!

Havia dois colegas dele que estavam entre nós, e

nos olhavam de soslaio, em desconfiança. Mas não

me importava com isso. Eu tocava o André com o

toque santo, abençoador. E afinal de contas, o André

sempre será o meu filhinho, o meu menino!

Quantas meninas são enganadas pelo primeiro

que as chama de “bonitinha”. Faz um convite indecoroso,

e na inocência ou no engano, elas aceitam.

Mas quando a menina cresce ouvindo o pai dizer

que ela é uma princesa, ao ouvir outro homem

elogiá-la de maneira maliciosa, ela responderá com

firmeza: “Eu sei que sou linda! O meu pai me diz isso

todos os dias”. Por isso, pai, seja uma bênção na vida

da sua filha!

Quantas vezes, só de chegar à igreja e ao passar

pelos nossos queridos diáconos, você recebe um

abraço fraternal! Isso é tão bom! Não é uma bênção

este toque? Precisamos, então, saber abençoar. O

toque comunica graça, vida. Deus deseja que você

abençoe, em nome de Jesus. Igreja é família!

Como os da “melhor idade” precisam de um toque!

Há duas épocas na vida em que precisamos de muito

toque: na infância e na velhice. Na velhice voltamos

a ser criança. Olha o que está escrito em Marcos, capítulo

10, versículo 13: “Então, lhe trouxeram algumas

crianças para que as tocasse.” As crianças foram trazidas

para Jesus para que Ele as tocasse. Elas não foram tra-

33


zidas para serem mostradas, mas para receberem um

toque do Mestre. “[...] mas os discípulos os repreendiam.

Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai

vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos

tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não

receber o reino de Deus como uma criança de maneira

nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços

e impondo-lhes as mãos, as abençoava.” (Versos 13b

a 16, de Marcos 10). Jesus as tomou nos braços e as

abençoou.

Seus filhos vêem as suas mãos somente para

puxar a orelha, para bater? Ou conhecem as suas

mãos como mãos que abençoam? Esta bênção,

este toque, é algo que se estende, que deixa marcas

fortes na vida. Vamos voltar para Gênesis 27, versos

26 e 27: “Então, lhe disse Isaque, seu pai: Chega-te e

dá-me um beijo, meu filho. Ele se chegou e o beijou.

Então, o pai aspirou o cheiro da roupa dele, e o abençoou,

e disse: Eis que o cheiro do meu filho é como o

cheiro do campo, que o Senhor abençoou.” E ele vai

descrevendo a bênção. Jacó beijou o seu pai. Filho,

qual foi a última vez que você beijou o seu pai? Pai,

qual foi a última vez que você beijou o seu filho?

Saiba que o toque é uma bênção.

No capítulo 48 de Gênesis, versículos 9 e 10, está

escrito: “Respondeu José a seu pai: São meus filhos,

que Deus me deu aqui. Faze-os chegar a mim, disse

ele, para que eu os abençoe. Os olhos de Israel já se

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tinham escurecido por causa da velhice, de modo que

não podia ver bem. José, pois, fê-los chegar a ele; e ele

os beijou e os abraçou.” Aqui vemos o avô trazendo a

bênção, de maneira clara e objetiva.

a bênção Pela PalaVra e a PalaVra de

bênção

“Disse Deus: Haja luz, e houve luz.” (Gn 1.3). Vemos

uma proclamação vinda por meio da boca de Deus.

Mas, infelizmente, muitos abrem a boca para amaldiçoar

em vez de abençoar. Tiago nos fala sobre esta

atitude de maneira bem consistente. Veja o que registra

o capítulo 3, versos de 4 a 6, do livro de Tiago:

“Observai, igualmente, os navios que, sendo tão

grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo

leme são dirigidos para onde queira o impulso do

timoneiro. Assim, também a língua, pequeno órgão,

se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha

põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua é fogo;

é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os

membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro,

e não só põe em chamas toda a carreira da existência

humana, como também é posta ela mesma em chamas

pelo inferno.” Versículo 9: “Com ela, bendizemos

ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos

os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só

boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é

conveniente que estas coisas sejam assim.”

35


Deus lhe concedeu a capacidade de falar para

que você possa ser um abençoador. “De uma só boca

procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente

que estas coisas sejam assim.” Quando você diz

que abençoa em nome de Jesus, você está, também,

abençoando com saúde, paz, prosperidade, alegria.

Ao invocar a bênção, não pense que será algo falado

apenas ao vento. Como se fosse um microfone que

capta as ondas sonoras. Pessoas que estão bem distantes,

poderão “captar” esse som, poderão ouvi-lo.

São invisíveis, mas há um poder nelas. O mundo espiritual

é tão real quanto o mundo natural, apesar de ser

uma dimensão diferente do mundo natural.

É verdade que percebemos o mundo natural por

meio dos cinco sentidos, mas contatamos o mundo

espiritual por meio da fé. Por isto, quando você diz:

“Eu abençôo”, a bênção sai. É muito mais que palavras;

é uma realidade, algo que é comunicado, que

flui. Em Provérbios, capítulo 18, versículo 21, está

escrito assim: “A morte e a vida estão no poder da

língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.” Se o

marido só fala coisas ruins acerca da mulher, ele ministrará

maldição sobre a vida dela. Mas, se ao contrário,

ele abrir a boca para abençoá-la, dizendo que

ela é linda, inteligente, valorosa, o relacionamento

entre os dois se tornará uma bênção.

As pessoas não são perfeitas. Não falo de bajulação.

Mas o esposo ou a esposa que só sabe denegrir

36


a imagem do outro, poderá esperar o quê do casamento?

Apenas coisas ruins. Pois a Palavra afirma

que “a morte e a vida estão no poder da língua; o que

bem a utiliza come do seu fruto”. Não assassine o seu

casamento com a sua língua. Lance sementes boas

por meio das suas palavras, e você colherá o melhor

de Deus nesta Terra. Provérbios, capítulo 10, versículo

6, diz: “Sobre a cabeça do justo há bênçãos, mas

na boca dos perversos mora a violência.” Você crê nisto?

Pois está escrito!

Querido, tenha aquilo que Deus diz que você

tem. Seja aquilo que Deus diz que você é e você

poderá fazer aquilo que Deus diz que você pode

fazer. Aleluia! Que coisa linda! O que seria do povo

de Deus se tomasse posse de tudo aquilo que Deus

diz que ele tem? Quantas vezes as pessoas falam:

“Eu nasci assim, meu pai era assim, não tem jeito, para

mim nada dá certo?” Proclama maldições sobre elas

mesmas e não se voltam para o que o Senhor diz,

pois a Palavra diz que nós temos a mente de Cristo.

No capítulo 10, ainda, de Provérbios, no versículo

22, Salomão afirma: “A bênção do Senhor enriquece,

e, com ela, ele não traz desgosto.” No capítulo 11

de Provérbios, no versículo 26, está escrito: “Ao que

retém o trigo, o povo o amaldiçoa, mas bênção haverá

sobre a cabeça do seu vendedor.” Comece a doar, seja

generoso, coloque as necessidades alheias acima

dos seus próprios interesses e você verá a diferen-

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ça, pois quem irá recompensá-lo é o próprio Deus.

Pois “mais bem-aventurado é dar que receber” (Atos

20.35).

Ainda em Provérbios, no capítulo 28, versículo

20, lemos: “O homem fiel será cumulado de bênçãos,

mas o que se apressa a enriquecer não passará sem

castigo.” Não priorize as riquezas; priorize a fé e a sabedoria

e você será ricamente abençoado.

a bênção – não Pela metade, mas Por

InteIra

Em 1 Crônicas, capítulo 4, a partir do versículo

9, encontra-se a história de um homem que acreditava

que seu destino era viver sem a bênção de

Deus: “Foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; sua

mãe chamou-lhe Jabez, dizendo: Porque com dores o

dei à luz.” O significado do nome Jabez era “aquele

que provoca dor”.

Muitos recebem um nome cujo significado não

é tão bom. Mas Deus é aquele que muda tudo. O

que é um significado de um nome para Deus? A

bênção do Senhor estaria presa há um significado?

Não! Graças a Deus, não! Pois Ele faz novas todas as

coisas; muda nome, caráter, previsões, diagnósticos

(negativos). Ele é Soberano a tudo isso! Aleluia!

Mas Jabes poderia pensar que por causa do

nome que recebera, o seu destino seria a derrota, o

fracasso. Porém, ele ouvira falar da bênção, que ela

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pode mudar, transformar qualquer situação. Então,

“Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara

que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja

comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo

que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu

o que lhe havia pedido.” (Verso 10).

Amados irmãos, não existe o que algumas pessoas

chamam de “destino”, “fatalismo”. Não existe

nenhum registro na Bíblia afirmando que o nosso

“destino está escrito nas estrelas”. A nossa vida é uma

escolha. Deus disse a Abraão: “Sê tu uma bênção”,

e Abraão escolheu ser uma bênção. Jabez escolheu

ser uma bênção, a despeito do significado do seu

nome. Ele “invocou o Deus de Israel dizendo: Oh! Tomara

que me abençoes e me alargues as fronteiras,

que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de

modo que não me sobrevenha aflição”. Posso afiançar

que Deus espera que você faça esta mesma oração,

hoje.

Se você tem vivido como Jabez, se sua história

tem sido apenas de provocar a dor nos outros,

saiba que tudo pode mudar. Quem sabe as suas

fronteiras estão estreitas, seu espaço tão pequeno,

sua vida tão raquítica? Mas o Senhor diz: “E Deus lhe

concedeu o que lhe havia pedido.” Deus já “nos tem

abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas

regiões celestiais” (Efésios 1.3). A Bíblia registra que

Deus pode transformar a maldição em bênção. Se

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a maldição tem sido invocada sobre a sua vida, se

a maldição tem sido algo constante na sua história,

Deus pode transformar a maldição em bênção. Está

escrito na Bíblia, e eu vou mostrar a você.

Em Deuteronômio, capítulo 23, versículo 5, vemos

um homem que era um profeta, mas que trouxe sobre

Israel não a bênção, mas a maldição. E veja o que o Senhor

Deus fez: “Porém o Senhor, teu Deus, não quis ouvir

a Balaão; antes, trocou em bênção a maldição, porquanto

o Senhor, teu Deus, te amava.” Talvez alguém amaldiçoou

o seu casamento, seu patrão o tem amaldiçoado,

seus colegas o tem amaldiçoado, tantas maldições

têm sido invocadas sobre a sua vida. Mas está escrito:

“Porém o Senhor, teu Deus, não quis ouvir a Balaão; antes,

trocou em bênção a maldição, porquanto o Senhor

teu Deus te amava.”

ConClusão

a escolha da bênção e a bênção da escolha

O Senhor escolheu nos amar. Normalmente,

amamos por meio de condições. Amamos se, quando,

porque... Mas o amor de Deus é sempre um

amor incondicional. Ele escolheu nos amar gratuitamente.

Ele não nos amou pelo nosso desempenho.

Ele não nos amou em razão da nossa santidade. Ele

simplesmente escolheu nos amar.

O que seria de mim e de você se não estivesse

assim escrito: “Porém o Senhor, teu Deus, não quis

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ouvir, antes, trocou em bênção a maldição, porquanto

o Senhor teu Deus te amava?” Dizem as Escrituras:

“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado

por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de

Deus.” (2 Coríntios 5.21).

Filho, não olhe para as circunstâncias, mas para

o que Deus pode fazer por você e por meio de você.

Escolha ser uma bênção onde quer que você esteja.

Não corra atrás de bênçãos, mas corra para o

Abençoador, Jesus Cristo, e assim todas as bênçãos

o alcançarão. “O Senhor te porá por cabeça e não por

cauda; e só estarás em cima e não debaixo, se obedeceres

aos mandamentos do Senhor, teu Deus, que

hoje te ordeno, para guardar e cumprir.” (Deuteronômio

28.13 – grifo meu).

Sê tu uma bênção!

E que Deus o abençoe!

Pr. Márcio Valadão

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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha

Gerência de Comunicação

Rua Manoel Macedo, 360 - São Cristóvão

CEP 31110-440 - Belo Horizonte - MG

www.lagoinha.com

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