região norte - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

cpvsp.org.br

região norte - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

T6< U'l ^

K


\ ASSUMIR

Boletim Nacional da ACO Ano XVII - Maio/Agosto - 96 - N 0 45

Lançamento, no Secretariado Nacional da ACO,

do 6 o Caderno da História da Classe Operária, de

1.9.78 a 1.9.88. "O GRANDE DESAFIO" como

sub-título, mostra bem o novo sindicalismo

fortalecido com a participação da base.


ASSUMIR

(IMSTRIHUIÇAO INTHRNA)

BOLETIM FORMATIVO E INFORMATIVO DA

ACO Q VINCULADA AO SETOR LEIGOS LI-

NHA I - CNBB - ENDEREÇO PARA PEDIDOS:

AÇÃO CATÓLICA OPERÁRIA - Rua Van Erven,

26 Catumbi - Cep. 20211-320 - Rio de Janeiro-

RJ - Fax e Tel.: (021) 502-223! □ Programação

Visual/Composição a laser/artes: LOBA PROPA-

GANDA S (021) 263-1029 □ Fotolitos/Impres-

são: REPROARTE S (021) 263-4249

d EDITORIAL

□ IGREJA E POLÍTICA

Normando ( ayouette

ÍNDICE

LEIA, REFLITA

E DIVULGUE

□ O COMPROMISSO COMO CANDIDATO NAS ELEIÇÕES DE OUTLBRO/96

Comissão Coordenadora Nacional

□ MULHER

ACO Regional Norte

□ FRATERNIDADE E POLÍTICA

ACO Juiz de Fora (Md)

O GESTO CONCRETO

Sem Fronte irax 06'96

□ MANIFESTO ACO / JOC

Regional Norte (PA)

n MORTE DOS TRABALHADORES RURAIS

Região Norte

n POESIA - "PASSADO E PRESENTE"

Hrito - Equipe Jatobá (FE)

□ LIBERADO NACIONAL

João Joaquim

d DEUS E O DIABO NA TERRA DO LATIFÚNDIO

Frei Betto

O A VIDA NAS BASES DA ACO

1 - Região Norte 2 - Região Nordeste I 3 - Rio de Janeiro

4 - Minas Gerais 5 - São Paulo 6 - Rio Grande do Sul

O INTERCÂMBIO BRASIL / ALEMANHA

Mariléa Dama.iio

□ ASSEMBLÉIA MUNDIAL - MMTC

Mariléa Damasio

□ HOMENAGEM DA DIOCESE A DOM ADRIANO

□ MANIFESTOS ^MMTC)

Contra atos de violência a Sindicalistas de São Paulo.

Contra o massacre dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Brasil;


EDITORIAL

'Igreja e Política" de Normando Cayouetíe - onde nos apresenta o desenvolvimento das

atividades realizadas pela Igreja na América Latina, assumindo um papel de colaboração com o

poder.

Mulher - Belém nos conta sobre a vida da mulher, onde ela pode romper as cadeias e voar

para conseguir seu espaço.

ACO de Juiz de Fora - Fraternidade e política discute sobre a relação huinana na fraternidade

e na política.

Gesto Concreto - enviado por Nazaré (MG). Onde o bispo Rino em Assembléia realizada

convoca os presentes para ajudar os Sem Terra de Eldorado dos Carajás (PA).

Manifesto ACO I JOC - não ao desemprego'. Reforma Agrária já. Como podemos falar em

democracia e liberdade quando a impunidade existe em nosso estado.

Morte dos Trabalhadores Rurais (Belém). O sem terra, José Nunes nos relata a triste cena

no assassinato de seus companheiros em Eldorado dos Carajás.

A poesia de Brito (Equipe Jatobá - PE) - "Passado e Presente". Até quando Senhor Deus isto

vai permanecer?

Liberado Nacional - João Joaquim nos conta sobre o trabalho de formação realizado no mês

de junho/96, nas regiões de São Paulo e Minas Gerais.

De Frei Betto - "Deus e o diabo na terra do latifúndio" Nos fala da terra onde se enterra

quem quer terra. Ao longe um pequeno bole navega em sua direção; gravado em seu casco, um

nome JUSTIÇA.

A vida nas regiões.

Região Norte - Apresenta o trabalho de expansão e as dificuldades.

No Boletim Informativo - Contexto sócio-econômico e político.

Na poesia "Sonho de um camponês".

Região Nordeste I - Com o seu plano de Expansão - Buscar a participação para garantir a

existência do Movimento.

Região Minas Gerais - Com o seu Seminário Mística do Militante e do Movimento ACO

Região Rio de Janeiro Relata "O Desemprego e o Mercado Informal" apontam para o

enfrentamento ao desemprego.

Região São Paulo "Que Política Econômica é o caminho para o Emprego''" Lutar para

ter um espírito de equipe

Região Sul "Política. Justiça e Paz se abraçarão" Nos pergunta: O que é Justiça'.' O que

é Paz' Como a Justiça e a Paz se abraçarão?

Intercâmbio Brasil e Alemanha Assembléia Mundial Mariléa relata um pouco da experiência

vivida pelos militantes

Os manifestos enviados ao Brasil pelos Trabalhadores do mundo inteiro que participaram da

VIII Assembléia Mundial contra a violência feita com Trabalhadores Rurais e Urbanos


IGREJA E POLÍTICA

Normando Cayouette

l - Há muitos séculos, a Igreja tem marcado sua presença no mundo

por inúmeras obras assistenciais, como construção e manutenção de hos-

pitais, colégios, orfanatos, asilos e outras obras de atendimento às neces-

sidades do povo. E geralmente essas obras foram edificadas e mantidas com

o consentimento e a colaboração do Poder Público, seja qual for o país

observado. Assim fazendo a Igreja ajudou alfabetizar crianças, cuidar dos

doentes etc... contribuindo para construir a cidadania se não de todos, pelo

menos de uma parte significativa da população no mundo. Quem não sabe

da imensa rede de instituições assistenciais que a igreja criou pelo mundo

afora nos últimos séculos: colégios de ensino primário, secundário, univer-

sitário, casas de saúde e hospitais famosos, instituições as mais variadas,

adaptadas às necessidades das crianças, das mulheres, dos idosos... É claro

que Ela não atendeu a todos, nem poderia, por não ter recursos humanos

nem financeiros para tanto, e também por não ser a primeira responsável

dessas tarefas, próprias do Estado.

Mas a Igreja assumiu este papel em estreita colaboração com o poder,

apostando na boa vontade das elites para a busca de soluções em relação

aos problemas do povo... E em troca dessa colaboração, a Igreja recebeu

apoio financeiro, cobertura, prestígio, segurança e uma certa participação

direta no poder das classes dominantes! Afinal, as elites sempre gostaram

de uma Igreja amiga e colaboradora. E por isso sempre a trataram como

uma amiga fiel.

Este modelo tradicional de Igreja o chamaremos simplesmente de "Modelo

de Aliança com o Poder". Neste modelo a Igreja é aceita e respeitada como

um poder, e participa da organização da sociedade como tal: com as


vantagens e privilégios que isso traz, e também com os riscos e as travas

como veremos adiante.

2 - Os Bispos da América Latina reunidos em Medelin (1968) questi-

onaram severamente esta aliança entre Poder e Igreja... ou se deixaram

questionar por seus frutos: fome, miséria, analfabetismo, desigualdade

gritante, corrupção generalizada, especialmente na administração pública,

e todas as outras conseqüências de uma situação generalizada de injustiça

que corrói as estruturas políticas e sociais do continente. É uma situação

crônica de pecado.

E a Igreja de Deus no meio disso tudo? É justo Ela se agarrar a esta

aliança histórica? E viável Ela continuar apostando na aliança com o poder

como caminho para transformar a sociedade, para reverter esta situação de

pecado?

"Eu vi, eu vi a miséria do meu povo, que está no Egito, ouvi o seu

clamor por causa dos seus opressores... Por isso desci a fim de libertá-lo..."

Ex 3,7-8.

A reflexão dos nossos Pastores sobre os povos da América Latina, sobre

a sua História e sobre suas condições de vida, sobre seu exílio permanente

na terra dominada por uns poucos, como os Hebreus no Egito, trouxe um

questionamento radical para a Assembléia. O que fazer??

- Aí houve uma virada. Um grupo significativo de Bispos avaliaram que

algo estava errado e que era preciso mudar. Não há como defender o povo

se aliando com o seu capataz; não há como continuar pregando a justiça

e ficar colaborando com os injustos; não há como escapar do julgamento

da História, e este vai ser duro!... A nossa Igreja - uma parte dela! - tomou

consciência de que estava mal inserida na realidade latino-americana e que

Ela precisava mudar. Ela precisava se converter ao povo, e para tanto tinha

que romper a sua aliança histórica com o Poder.

3 - A partir daí, a Igreja saiu ao encontro do povo. E começaram a

nascer as comunidades de base, espaço previlegiado de conscientização e

de educação da fé e da cidadania. A luta pelos direitos básicos, as mani-

festações populares, o fortalecimento dos sindicatos, a participação do povo

na política, tudo isso passou a contar com a presença e o apoio da Igreja.

Ela oferecia espaço físico, assessoria, quadros para as organizações do

povo, para fortalecer a resistência ao autoritarismo secular, ao militarismo

entranhado na cultura latino-americana.


A nossa Igreja descobria assim um novo compromisso histórico, liber-

tador, afinado, este sim, ao ideal do Evangelho de Jesus. Não mais de mãos

dadas com o Poder opressor, mas empenhada na costura de uma aliança,

com o povo organizado, com o oprimido, com o construtor paciente e

sofrido da nova sociedade. A Igreja, que prega a libertação a partir do

Evangelho, redescobria que sua presença no mundo há de ser uma contri-

buição para a transformação radical da sociedade, e que esta transformação

radical passa pelo fortalecimento das organizações que o povo oprimido cria

para se libertar do opressor. O povo organizado acabava de ganhar um

poderoso aliado.

4 - Não é difícil imaginar as conseqüências desta nova opção para a

parcela da Igreja que abraçou este caminho... como também não é difícil

entender porque uma grande parte da Igreja se negou e continua se negando

a entrar nesta batalha: quantos privilégios sacrificados, quanta segurança,

quanto prestígio e tranqüilidade, que a proximidade com o poder garante,

tranqüilidade econômica, política, social... etc.

Enquanto isso, ao mergulhar na caminhada do pobre e do trabalhador,

a Igreja se sujeita à mesma insegurança e intranqüilidade que estes sempre

encontraram no seu dia a dia... O sangue derramado é semente do Reino.

E a Igreja acredita que é do meio do povo simples e sofrido, que resiste

à opressão e se organiza para sair dela que Deus faz brotar seu projeto de

mundo novo... não dos palacetes daqueles que querem um mundo para si.

5 - Nesta perspectiva não há como pedir distância entre Fé e Política!

Muito pelo contrário! A Política aparece como um espaço onde o cristão,

todo cristão, vai poder curtir o bem comum e colaborar para sua defesa,

sem o que não se pode nem pensar em Reino de Deus. É através da

participação política, nos mais diversos níveis possíveis, que o cristão vai

poder jogar as sementes do Reino que passa pela construção da justiça, da

solidariedade, da partilha e do respeito aos direitos da pessoa humana.

Uma coisa porém, importa muito nesta opção de fé: o motivo desta

opção não tem nada a ver com a busca do poder para si. E na evangélica

opção pelos pobres que a Igreja vai tirar sua única motivação para levar

adiante seu compromisso de luta e de solidariedade com o povo e com suas

organizações. E por acreditar que os sinais do Reino que aparecem no

discurso inaugural de Jesus na sinagoga de Nazaré (Lc 4,16-21), continuam

verdadeiros e devem pautar ainda hoje a ação da Igreja de Deus no mundo.

Os cristãos têm a missão de construir estes sinais. É o que Cristo nos pede!

- 6 -


O COMPROMISSO COMO

CANDIDATO NAS

ELEIÇÕES OUTUBRO-96

Querido(a) Conipanlieiro(a),

Aos membros da ACO - candidatos às

eleições de outubro de 1996.

Você está participando do pleito eleito-

ral do 03 de outubro de 1996. como candi-

dato do seu partido.

A Coordenação Nacional da Ação Ca-

tólica Operária - ACO, reunida no Rio de

Janeiro, nos dias 27 e 28 de abril, quer

saudar e parabenizar você e sua família pela

confiança que os companheiros(as) do Par-

tido depositou na sua candidatura.

Conhecendo bem sua vida, sua

militância em prol de uma sociedade radi-

calmente diferente, em favor e com os ex-

cluídos, queremos com esta carta, apoiar a

confiança depositada em você.

O Pe. Lebret, escrevia há anos que a

política é ciência, arte e compromisso em

favor do "bem comum". Ciência e arte,

muitos políticos tem, compromisso muito

menos, quanto ao "bem comum", nem se

fala!!! Nós da ACO, homens e mulheres, da

Classe Trabalhadora, temos compromisso

para que o Povo assuma cada vez mais li-

vremente os seus destinos... arte e ciência,

a gente aprende na luta, caminhando desde

anos com os injustiçados do campo e da

cidade.

Você, querido(a) conipanheiro(a) não é

um profissional da política é um "perito em

humanidade" como dizia o saudoso Papa

Paulo VI. Por isso mesmo reafirmamos a

nossa total confiança em você e acreditamos

que o povo se reconhecerá na sua candida-

tura.

Esperamos que você e sua família, en-

contrem junto às instâncias do seu partido

e da população, todo o devido apoio moral,

material e espiritual.

Firmeza na luta e esperança na Vitória.

COMISSÃO COORDUNADORA NACIONAI

- 7

'"féJJ

MULHER

Mulheres que são homenageíulas os 365

dias do uno e a sociedade que homenagea

pelo que a mulher aparenta destacando

assim - Dia das Mães - Dia da Secretária

- "Dia da Mulher". O verdadeiro dia está

aí todos os dias do nascer ao por do sol e

na calada da noite, mulher 24 horas no ar.

A mulher que caiu, que levantou, gri-

tou, sorriu. A tudo viu, consentiu, que é

explorada.

Mulher ingênua, imatura, insegura, que

sonha, que espera e o sonho que sonha, e

espera e o sonho não vem ou não se realiza.

Mulher que luta, ganha, perde, rece-

be, que entrega e morre cada dia.

O tempo passa, lento, veloz. doce.

amargo, sufocante, e a mulher continua

lutando entre as correntes tão fortes da

discriminação: pobreza e exclusão, enfim,

quanto mais se luta mais temos desafios.

E a mulher foi vendo que precisava

alguma coisa a fazer.

- Parou, refletiu, decidiu.

Chega de escravidão, sofrimento, dor

e saudade, falta de amor.

Era preciso romper as cadeias e voar

para conseguir seu espaço, para sua liber-

dade alcançar. Cabe somente a mulher, seu

caminho encontrar, utilizando de todos

nossos direitos, toda nossa força de dentro

de si mesma e dar um salto bem calculado

para fora do passado e ressurgir para uma

nova vida, encarar cada dia, cada momen-

to nuüs útil da sua vida.

Abrir os braços para assumir os nossos

365 dias do ano. Abraços a todas as mulhe-

res!

Belém, 08 de Março de 1996.


l«»^#liMi jlJlnjItWii

FRATERNIDADE E POLÍTICA

PARTICIPANTES: 42 pessoas

ACO de Juiz de Fora com assessoria de Tiago Lara

O assessor inicia a Palestra com 2 dinâmicas interessantes, contando

com a participação de todos. A partir das dinâmicas, fomos descobrindo

o sentido da POLIS = CIDADE.

JUIZ DE FORA, como as outras cidades, é uma teia de relações

humanas. POLIS, CIDADE = caminhos que se cruzam, conjunto de

forças que se contrabalançam. A "POLIS" é coisa mais complicada do que

pensamos. Precisamos saber de que a CIDADE está sempre num processo

e é um complexo de relacionamentos: com a natureza, com as pessoas,

com o que se produz, etc...

Então, POLÍTICA (de POLIS) é a arte do relacionamento humano.

Muitos pensam que POLÍTICA é só enfrentar o patrão, o Prefeito...

mas não é só isso... É importante saber como nos relacionamos em casa,

na família, com os companheiros de trabalho, com os vizinhos... É inútil

querer trabalhar a MACRO-POLÍTICA (contexto maior: econômico, po-

lítico, social), se não trabalharmos a MICRO-POLÍTICA (casa, família,

trabalho, bairro...).

Podemos ser bom ou mau político no país, no estado, no município,

no bairro, no trabalho, em casa...

É tolice pensar em transformar a GRANDE POLÍTICA, se não trans-

formarmos a POLÍTICA em nossa casa...

A POLÍTICA é convivência humana, é "jogo de PODER".

Eu POSSO, logo, eu existo... Eu tenho PODER, eu caminho, eu

penso... Toda pessoa tem PODER, independente de idade, raça, cor, sexo

- 8 -


ou credo. Ex: uma criancinha "manipula" a mãe com suas birras... sabe

fazer política.

POLÍTICA - dimensão social que envolve uma constante luta pelo

PODER. Temos que lutar para termos o PODER na Sociedade, para que

haja a IGUALDADE.

Não basta votar no bom candidato. Temos que ir às ruas para defender

as boas propostas.

Temos o PODER de falar e convencer, temos o PODER de imaginar

"coisas novas". A Sociedade perde a capacidade de imaginar. Por exemplo

"sonhar"; se o trabalhador no lugar de trabalhar 14 horas por dia, tivesse

4 horas de trabalho, 3 vezes por semana? O restante do tempo seria dedi-

cado ao trabalho livre, ao estudo, para fazer atividades artísticas, visitas,

cuidar de velhos, das crianças, participar das reuniões da Câmara, das

SPM... Assim tantos não estariam desempregados e o povo teria... "MAIS

VIDA"... Uma das condições para a melhor qualidade de vida é reduzir

a jornada de trabalho. Muitas vezes, o trabalho, em vez de libertar, escra-

viza.

O PODER passa pelas várias coisas da vida:

JUIZ DE FORA, e as outras CIDADES, têm:

* Seres humanos concretos que se relacionam com a NATUREZA.

Produzem bens materiais para sobreviver - ECONOMIA.

* Seres humanos concretosque se relacionam entre si. Produzem

bens organizacionais, organizações, instituições: POLÍTICA.

* Seres humanos concretos que são inteligentes e livres. Produzem

idéias e ideais que vão fixar a maneira de organizar o mundo. Usam para

isso, principalmente os Meios de COMUNICAÇÃO - Mídia. IDEOLO-

GIA.

A questão central de nossa vida é o PODER. Isso não é mau, mas bom:

PENSO, POSSO, portanto. VIVO, EXISTO!!!

POLÍTICA é lutar para ter PODER para influenciar na ECONOMIA,

POLÍTICA e na IDEOLOGIA. Temos que lutar para ter PODER a fim de

mudar a situação. Precisamos lutar para conseguir o PODER POPULAR.

E, foi isso que Jesus fez; foi para mudar a situação que Ele lutou. O

PODER, no seu tempo estava nas mãos de um grupinho: o povo não tinha

nenhum PODER. Jesus queria que, no seu povo, todos fossem iguais.

CAMPANHA DA FRATERNIDADE = Lutar para criar a

FRATERNIDADE. A deste ano nos convoca para abraçar a luta pela saúde.


educação, moradia, lazer, trabalho digno para todos. Temos que lutar pelo

PODHR para transformar a cidade, o estado, o país, numa SOCÍHDADE

JUSTA E DEMOCRÁTICA.

Isso é um sonho, uma UTOPIA, mas, como cristãos, acreditamos que

é isso mesmo que Deus quer. O que levou Jesus à Cruz foi pregar uma

nova forma de convivência aqui na terra; temos que viver como iguais,

como irmãos... A POLÍTICA tem que passar pela conversão... a partir

de cada um de nós...

Conclusão dos grupos

FORMAÇÃO:

- Persistir na formação de novos grupos ou de grupos maiores.

- Conscientizar-se e conscientizar o povo. no trabalho, reuniões, con-

versas.

- Educar-se e ensinar para um voto consciente. Política na própria casa.

- Participar para aprender. Fazer o "novo" acontecer.

- Aprofundamento político nas reuniões da ACO.

- Procurar menos o material, mais o cultural. Formação Psico-socioló-

gica.

- Tomar consciência da estrutura política atual para saber:

* Escolher os partidos que representam o povo.

* Alimentar a fé e acreditar que éjíossível a mudança. Ver os sinais

positivos. Contribuir para a FORMAÇÃO POLÍTICA (Análise da conjun-

tura) e saber o quanto a mídia dispersa e distorce.

- Ter claro na cabeça quais os partidos que representam a elite e quais

representam o povo. Ajudar ao povo saber quem é quem na política.

- Buscar meios de ter acesso aos meios de Comunicação.

PARTICIPAÇÃO

- Ampliar a participação dos cristãos na política.

- Participar mais dos sindicatos, de associações de bairro, de pastorais

e de outras organizações da Comunidade.

- Na hora da eleição, procurar os partidos que representam o povo,

tendo clareza do que queremos com a eleição.

- Saber identificar as palavras difíceis que são colocadas para o povo

e fugir do clientelismo, fisiologismo, paternalismo e nepotismo.

- Saber quais os nossos direitos e defendê-los. Entender para não se

alienar, enxergando os sinais positivos.

- A Elite se organiza para defender seus interesses econômicos. Poder

livre, ditatorial e vitalício, dificultando a ascenção do Povo. Nós precisa-

mos organizarmo-nos melhor para fazer frente a quem nos oprime.

- 10 -


GESTO CONCRETO

Rino Carlesi, 73 anos, bispo de

Balsas - MA. é todo coração. Ele

também se comoveu muito, no

encerramento da 34. Assembléia

Geral da CNBB (Itaicí, 16 a 27 de

abril), ao ouvir o relato do bispo

José Vieira de Lima, da Diocese de

Marabá, que esteve presente no

sepultamento dos sem-terra assassi-

nados em Eldorado dos Carajás, no

Paraná.

Rino então se levantou para falar ao microfone, mas o tempo era

escasso, havia mil pequenos avisos a dar, depois viria a celebração final.

Não quiseram deixar. Rino insistiu... e falou.

Disse que não bastava a emoção, nem palavras bonitas. Era preciso

fazer um "gesto concreto".

- Senhores bispos, vamos mandar um dinheirinho lá pras famílias dos

sem-terra.

Desceu, passou a mão na primeira lixeira que encontrou pela frente,

despejou o lixo numa outra lixeira, e começou a arrecadação.

Conseguiram convencê-lo a deixar para depois, durante a celebração.

EraTfnais bonito. Mais significativo.

- Você acha que eu exagerei? - Ele perguntou ao amigo Franco, também

bispo e seu auxiliar em Balsas. - Olhe que tem um monte de bispos que

me apoiou, viu?

Mais contente ele ficou depois, quando soube o resultado do "gesto

concreto": 10 mil reais para os sem-terra do Pará.

Sem Fronteiras - 06/96

Artigo enviado por Nazaré, militante da ACO MC

- 11


MANIFESTO DA ACO - JOC (PA)

Não ao desemprego! Reforma Agrária já!

O Estado do Pará, recordista em massacre aos trabalhadores rurais.

Por centenas de vezes assistimos companheiros tombarem, vítimas da

omissão e ação do governo e da ganância de latifundiários e políticos

inescrupulosos que concentram as terras, na maioria das vezes, terras do

Estado.

O massacre ocorrido no dia 17/04/96, é o resultado de uma política

neoliberal, onde o governo Almir Gabriel assume publicamente o seu

compromisso com os interesses da coletividade capitalista do país e em

defesa de seus próprios interesses.

Como podemos falar em democracia e liberdade quando a impunida-

de existe em nosso Estado, quando ainda hoje existe trabalho escravo no

Pará e na Amazônia, quando o tráfico de crianças, adolescentes e mu-

lheres nos garimpos e para outros países engordam os bolsos de

atravessadores e traficantes, quando madeireiras escravizam a mão-de-

obra barata, devastando florestas, invandindo as terras indígenas, e ex-

portam madeiras sem que nenhuma providência seja tomada.

A dívida externa, a concentração de renda: terra e poder, estão

relacionados ao projeto neoliberal o qual está muito bem representado

pelo Sr. Almir, FHC, FMI e as multinacionais que reciclam, exploram

a mão-de-obra através do investimento em tecnologia.

Um país que não investe em educação, saúde, moradia e trabalho é

um país sem cidadania, onde uma capital como o Pará conta com mais

de 70 mil desempregados, onde jovens não tem perspectiva de trabalho

e por falta de oportunidade ou de opção, ou ainda por falta de qualificação

de mão-de-obra é um Estado sem identidade própria.

Não à impunidade, cadeia para os criminosos. Saúde e Educação de

qualidade e gratuita. Não ao desemprego e Reforma Agrária já!

- 12 -


MORTE DE

TRABALHADORES RURAIS

(Região Norte)

Lavrador testemunhou morte de 3 mulheres

O sem-terra José Nunes, de 56 anos, um dos que estavam presen-

tes no momento do massacre no PA - 150, disse ontem durante o

sepultamento dos seus companheiros, em Curionópolis, que viu quan-

do uma criança foi morta por um tiro disparado por um policial

militar. Segundo ele, o tiro destroçou a cabeça da criança, que estava

sob a sua mãe, já morta por vários tiros. O soldado autor do disparo

retirou a menor debaixo da mãe para executá-la, garantiu o sem-terra.

Ele disse que a Polícia Militar começou o ataque por volta das 16

horas, atirando bombas de gás lacrimogênio e atirando para o alto.

O relato dele é impressionante! "A reação nossa começou quando

eles iniciaram o ataque. Eu não pude sair de onde estava, e comecei

a rolar pelo chão e eles atirando em mim. Como eu vi que ia morrer

fiquei quieto dentro de uma vala, junto com um bocado de gente

morta. Nessa hora eu vi eles matarem três mulheres que estavam junto

de mim" - ele não sabe dizer para onde levaram os corpos.

"Foi por ter-se fingido de morto que Nunes escapou de ser alve-

jado à queima-roupa."

"Depois eu vi que eles (os PMs) começaram a arrastar os defuntos

para cima de u/ caminhão-caçamba amarelo. Aí eu saí de onde estava

para não ser morto. Eu corri e eles começaram a gritar: "lá vai um

dos terroristas...", afirma Nunes, se embrenhou na mata, escapando

de uma saraivada de balas."

13 -


Btki noite povo irmão:

que nos abençoes Maria.

Deus esteja a nossa frente:

Jesus seja nosso guia:

vou falar para os presentes

de um pouco de antigamente

e das coisas de hoje em dia

O povo tinha sossego:

viviam mais como irmãos:

não se falava em emprego

e nem tão pouco em patrão:

se plantar fosse um assunto

se fazia um adjunto:

trabalhava em mutirão

A chuva naquele tempo

por muitas vezes caía

ao chegar o mês de maio:

era a maior alegria

era festa pro roceiro

trabalhar o dia inteiro

e a noite louvar Maria

Se aparece trabalho

o salário Deus me livre:

se o rico tem demais

o pobre diz nunca tive:

com mil o rico tá mal

e com 112 reais como é

que o pobre vive ?

PASSADO E PRESENTE

14

Do tempo que foi passado

minha vó já me contava

cada um tinha uma roça

todo mundo trabalhava

e um ajudava o outro

confonne necessitava

Essa gente trabalhava

com fé e animação:

plantava-se mandioca

batata, milho e feijão

e na união perfeita

se dividia a colheita

de todo bom coração

Mas hoje tudo mudou

e eu mesmo vejo assim

na matemática do homem,

é um pra tu dez pra mim

é rico em apartamento

e pobre num sofrimento

que parece não ter fim

(Brito - Equipe Jatobá)


£ um pobre inalando outro

pra roubar um trancilim;

é outros passando fome

dizendo Deus quer assim;

e aí Deus diz de novo

é eu ajudando o povo

e eles pondo a culpa em mim

Se quer plantar uma roça

logo o fazendeiro berra:

se junta com o governo

e contra o pobre faz guerra

e impiedosamente derrama o

sangue inocente

por um pedaço de terra

E nós o que é que fazemos ?

perante a situação

muitas vezes escolhemos;

quem mata nossos irmãos

por falta de experiência

pesa a nossa consciência

será que somos cristãos?

15

Os velhos aposentados

vivem nas filas penando;

é velho tremendo as pernas

é as velhas desmaiando;

tudo isso na espera

de um salário de miséria

que nem pra comer tá dando

Se o pobre vai para o sul

O desemprego está lá

nem bem o coitado chega

já tá pensando em voltar

e no maior desespero

correndo atrás do dinheiro

não sabe onde vai parar

Corrupto só vive rindo

procurando ganhar nome;

diz togo: não tô fingindo!

comigo a pobreza come

e pra cumprir sua fala

a criança come bala

e o velho morre de fome

Até quando Senhor Deus

isto vai permanecer?

responde ele: até quando

o pobre não perceber

que um fraco unido a outro

a tudo pode vencer.


LIBERADO

NACIONAL

São Paulo/Minas Gerais - Junho/96

João Joaquim

01 a 05: visita aos militantes da Equipe de

Osasco.

Luiza e Cezídio estão contentíssimos

com o nascimento de mais um tílhinho,

Rafael que chegou no dia 02/05/96; até

então, o caçula estava com 17 anos. Na

casa do casal a alegria é geral!

Chicão e Ercília, estão enfrentando

uma "barra terrível"; Chicão é tesoureiro

do Sindicato da Alimentação do Estado de

São Paulo, onde a Força Sindical tem a

maioria na direção da diretoria. Chicão há

meses vem sofrendo ameaças para

compactuar com as mazelas dos pelegos.

Recentemente elementos desconhecidos

deram tiros de revolver no carro do Chicão

quando estava estacionado na garagem de sua residência. Chicão é funcionário da SANBRA

há 22 anos.

Sônia e Joaquim Miranda, estão enfrentando um grande desafio, com 4 filhos, 2 netos;

Sônia acaba de ser eleita vice-presidente do MMTC. Parabéns Sônia! Confiamos no seu

talento.

Joaquim Miranda, presidente do Sindicato dos Derivados do Petróleo, é candidato a

vereador pelo Partido dos Trabalhadores com grandes chances de ser eleito. As eleições

em outubro para prefeito e vereadores em Osasco, mobilizam a população. Todos os

militantes de nossa equipe estão envolvidos em torno de duas candidaturas; Miranda e

Marcos que já foi da ACO, é vereador de dois mandatos e tentam o terceiro.

Em São Paulo, as perspectivas são boas para o PT. Erundina lidera as pesquisas de

opinião pública, no desespero os "tucanos" forçaram a saída de José Serra do Ministério

do Planejamento para disputar a prefeitura; é bem notável que FHC vai jogar pesado na

candidatura de José Serra.

08 e 09: participei do Seminário Regional da ACO/SP: achei um fracasso, o número de

participantes; Botucatu, Campinas, São Vicente, Guaracicaba e Santo André não partici-

param. Osasco, Sorocaba, São Mateus e Jardim Santo André marcaram presença. A

previsão era de mais ou menos 35 pessoas, só compareceram 16, acho que é um problema

a ser refletido com muita seriedade.

O tema e o conteúdo foi muito bom: "Desemprego e a Política Neoliberal de FHC,

os assessores Ivan Valente, deputado federal (PT/SP) e Expedito, sindicalista da constru-

ção civil (Mogi das Cruzes), tiveram um ótimo desempenho na abordagem e nos escla-

recimentos dos problemas levantados nas discussões.

- 16 -


Chegou-se à conclusão de que o MST é o Movimento de Trabalhadores mais orga-

nizado na América Latina, apesar dos massacres e da ofensiva do governador para desmoralizá-

los.

12 a 22: estive em Belo Horizonte. Contagem e Betim; onde os militantes estão bastante

empenhados na Questão Política. Associação de Moradores. Medicina Alternativa. Grupos

de Geração de Emprego e Renda, etc...

O companheiro Benedito Gilson Diogo, o Bené do Conselho Nacional da ACO, é

candidato a vereador pelo PT. Está trabalhando muito no sentido de organizar o povo em

torno das eleições com participação popular.

15 e 16: participei de um Seminário Regional da ACO/MG, com participação de 60

pessoas, com ausência apenas dos militantes da ACO de Sete Lagoas, que não justificaram.

Havia militantes de Juiz de Fora, Conselheiro Lafaiete, Uberlândia, Contagem, Belo

Horizonte e de vários bairros da grande Belo Horizonte.

O tema do Seminário foi. Economia Informal e Campanha da Fraternidade. Os asses-

sores Durval (deputado estadual - PT) e Marina, filha da companheira Nazaré, apresen-

taram uma dinâmica muito interessante com quatro oficinas de trabalho e plenária.

- Geração de Trabalho e Renda;

- Educação Popular;

- Comunicação Alternativa;

- Novos Movimentos Políticos.

A participação nas oficinas era por interesse dos participantes.

Tiãozinho fez um relato de sua participação do Encontro em Bogotá (Colômbia) e

Zuleima do Intercâmbio na Alemanha.

- Duas pessoas, catadoras de papel em Belo Horizonte, deram depoimento. Elas

relataram a vida das pessoas que fazem esse trabalho e colocaram fatos sobre a fundação

e organização da Associação dos Catadores de Papel de Belo Horizonte, que abriga 189

pessoas com muita solidariedade. Entre eles, o endereço desta associação: Av. do Contor-

no, 10.555 - Belo Horizonte - MG.

Tel: (031) 201-0717 (Fumaça ou Maria).

OBS: o Pe. Normando, Assistente Nacional da ACO, participou deste seminário dando sua

contribuição e solidariedade aos companheiros de Minas Gerais.

Foi eleita a nova coordenação para o biênio 96/98: coordenadora: Sônia; secretária:

Corária; publicações: Soares e José Ferreira; assistentes: Ir. Emflia.

Senti um avanço na ACO de Minas Gerais em relação à participação nos Movimentos

Populares, Política e Expansão Numérica com a presença de Uberlândia e Venda Nova.

A greve geral em Belo Horizonte, teve muita repressão; só na parte da manhã foram

presos 16 sindicalistas. Havia aproximadamente 6 mil policiais militares no Centro e

arredores de Belo Horizonte prontos a reprimir qualquer tipo de manifestação.

Dia 28: participei da reunião da Executiva Regional SP, onde foi feita uma RVO sobre

a vida e o trabalho do Liberado Nacional e ACO de São Paulo; irmã Odete fará o relatório

e enviará às equipes e para o Secretariado Nacional.

Dia 29: estive em São Vicente, São Paulo, participei da celebração do casamento do Jota

(Barra Mansa/RJ) e Francisca (São Vicente/SP), ambos militantes da ACO; estavam

presentes companheiros de Volta Redonda, Barra Mansa, Sorocaba, Osasco, São Mateus

e todos da Equipe São Vicente. Ao casal mil felicidades. Tenham certeza que Francisca

contribuirá muito com a ACO de Barra Mansa e conseqüentemente com a ACO do RJ.

Um abraço fraterno a todos os companheiros e companheiras.

- 17 -


DEUS E O DIABO

NA TERRA DO

LATIFÚNDIO

Frei Betto

Nos primórdios da Criação, disse o

Senhor aos anjos: "esta terra será bati-

zada Brasil". E deu um imenso territó-

rio um nome ecológico, extraído de

árvore perfumada. "Será uma terra sem

males. Nela não haverá terremotos ou

vulcões, desertos ou furacões, neve ou

geleiras. Todo o solo será fértil e seus

frutos, abundantes".

Bilhões de anos mais tarde, as

caravelas de Cabral aportaram no lito-

ral do Brasil. E o escrivinhador de

bordo, Pero Vaz de Caminha, confir-

mou a promessa divina: "aqui, em se

plantando, dá".

Mal sabia ele que. ao criar Deus o

mar, defronte o diabo abrira um bar. E

as terras do Brasil foram retalhadas pela

única reforma agrária havida em toda a

história do país: sua divisão em capita-

nias hereditárias.

Herdeiro das capitanias, o litifúndio

massacrou índios, importou escravos.

expulsou posseiros e impôs,

sobre 600 milhões de hecta-

res, o privilégio da proprie-

dade de uns poucos sobre o

direito a vida de milhões.

Deus, no entanto, não pas-

sara escritura de latifúndio.

Criara a terra para todos.

Desta consciência nasceu a

indignação e, dela. a reação.

Expulsos da terra, os agri-

cultores se recusam a engros-

sar o cinturão de favelas que

cerca as cidades. Postaram-

se em acampamentos, promoveram ocu-

pações, plantaram assentamentos.

O diabo viu crescer seus chifres.

Tornou-se grileiro, corrompeu juizes,

sonegou impostos, elegeu deputados,

arrendou subvenções, armou pistoleiros,

jogou policiais contra os sem-terra. os

sem-teto. os sem-liberdade.

Então, a terra chamada Brasil tor-

nou-se Santa Cruz. De tantas cruzes

cravadas em seu corpo esplêndido:

Palmares. Vila Rica, Canudos,

Carandiru, Corumbiara, Eldorado dos

Carajás...

Terra onde se enterra quem quer

terra. Vale de lágrimas para a maioria,

montanha paradisíaca de prosperidade

para os latifúndios e seus sócios.

Do alto de suas riquezas, eles con-

templam o panorama pelo monóculo da

globalização.

Descobrem, aterrorizados, que vi-

vem numa ilha de opulência cercada de

sangue por todos os lados.

Ao longe, um pequeno bote navega

em sua direção. Gravado em seu casco,

um nome: Justiça.

l-rei Hélio é escritor, aulor tio ('olidiano & Mistério,

que a eilitimi Ollui Dágiui fez chegar em maio as

livrarias.

18


A VIDA NAS BASES DA ACO

1 - REGIÃO NORTE

2 - REGIÃO NORDESTE I

3 - RIO DE JANEIRO

4 - MINAS GERAIS

5 - SÃO PAULO

6 - RIO GRANDE DO SUL

O Regional Norte cumprindo sua

programação de visita e expansão,

que vem programado de Seminários

e Encontros da Coordenação Regio-

nal. Como esta foi a minha vez, eu

Abraão M. de Souza, nos dias 29 e

30 de abril estive em Novo Breu

visitando os companheiros militan-

tes da ACO.

Chegando a casa da Irmã Gildete,

ela afirmou que os militantes estão

desarticulados sem programa de reu-

nião, mas acha que os companheiros

querem levar o movimento para fren-

te. A seguir a acompanhei até a casa

do Pedro Araújo da Silva; ele é o

tesoureiro da equipe e confirmou que

não estão se reunindo, mas querem

se organizar. Foi programada uma

reunião para a noite; mesmo com a

falta de energia nos sentamos (4

pessoas), conversamos um pouco o

Pedro e o Ananias falaram que estão

interessados em continuar a organi-

zar o movimento.

1 - REGIÃO NORTE

No dia seguinte, visitei a Meire

e o esposo Francisco, Dona Maria e

o esposo Dionisio. Não foi possível

conversar com Roberto, ele estava

trabalhando. Todos os outros fala-

ram das dificuldades de trabalho e

para se reunirem; até mesmo pelo

afastamento de dois "braços fortes",

que são Luzia e Marlene, eram da

frente das frentes de lutas. Isto fez

enfraquecer os outros companheiros

que estão interessados em levar o

movimento a frente; mesmo com o

incentivo da Irmã Gildete estão pro-

curando em que se agarrarem.

Incentivei os companheiros a se

organizarem na Associação de Mo-

radores e no Sindicato, isto porque

em Breu Branco, cresce a popula-

ção. O emprego é nas madeireiras e

com o Plano Real estão falindo,

mesmo assim tem necessidade de um

sindicato para organizar os trabalha-

dores. Tem incentivo, mas o proble-

ma é que as lutas são demais e como

19 -


tem companheiros que querem levar

a luta para frente, acho que a ACO

tem que colaborar com o seu "espí-

rito de transformação dos sofridos".

Como já passei pessoalmente isto

para vocês, isto é mais para ficar

registrado na história do nosso regi-

onal e do nacional.

O dinheiro para viagem para

Breu e Repartimento, veio do regi-

onal enviado pela companheira

Raimunda Reis, o valor é R$40,00

(quarenta reais). Com este valor

programei a ida para Repartimento,

Tucuruí e Breu: por falta de tempo

só fui até Breu a passagem custou:

R$19,00 / auto-financiamento foi o

lanche: 4,00 / dois dias de trabalho:

30,00. O restante do valor enviado

ficou para visita a Repartimento.

Companheiros, está aí um pou-

co da colaboração de Marabá para

com o regional, para que a Justiça e

a Paz se abracem e nós mesmo de

longe vamos estender as mãos aos

que estão querendo se abraçar.

Do amigo de sempre,

Abraão Martins de Souza.

20

CONTEXTO

SÓCIO-POLÍTICO E

ECONÔMICO DA

REGIÃO NORTE

Política de desemprego:

- 17 mil crianças e adolescentes

no mercado de trabalho (formal e

informal)

- 7 mil foram demitidos no co-

mércio no período de Janeiro e Fe-

vereiro de 96 (trabalhadores adultos)

- 80 mil trabalhadores estão de-

sempregados só em Belém, Capital

do Estado do PA.

- 45 mil passam fome em Belém,

divulgado pelo IBGE ou vivem em

extrema pobreza.

Violência no Campo:

- Segundo os dados da CPT; 478

mortos nos conflitos de terra, sendo

a maioria lideranças rurais no perí-

odo de 80 a 96.

- Trabalho escravo; homens, mu-

lheres e crianças nos: garimpos, fa-

zendas, madeireiras no Sul do PA e

Selva Amazônica.

- 19 mil casos de violência con-

tra a mulher no ano de 95 (estupros,

mortes, espancamentos, tráficos de

mulheres e adolescentes para a pros-

tituição em outros Países.

Massacre de Eldorado - Carajás:

- O movimento contava com 4

mil trabalhadores rurais, depois do


massacre permanecem 2 mil que

estão dispostos a continuar haja o

que houver. "19 mortos" o que a

imprensa divulga, mas segundo os

depoimentos foram muito mais os

que estão desaparecidos, entre es-

tes: mulheres, crianças e adolescen-

tes.

Estas famílias estão à 400 km

dentro da mata, sem alimentação,

roupas, ou remédios; muitas doen-

tes, inclusive com ferimentos ainda

do massacre, moram em cabanas e

comem apenas arroz, feijão e

milharina doada pelo governo e fora

do prazo de validade.

- Em Belém as Entidades estão

fazendo campanhas de arrecadação

de alimentos e roupas, remédios para

os sem terra e ainda tentando mon-

tar uma Escola para as crianças e

trabalhadores com voluntários da

região e dos Movimentos afins, in-

clusive tem um militante da ACO de

Marabá-PA.

Há cada mil crianças que nas-

cem 25 % morrem antes de comple-

tar um ano, conseqüência da fome,

falta de saneamento básico e serviço

de atendimento à saúde.

Educação: de cada 10 alunos na

faixa de 8 a 20 anos 1 apenas con-

segue concluir o 2 o grau e entrar

para a faculdade, com isso 80% da

população é analfabeta ou semi-anal-

fabeta entre jovens e adultos, sendo

que a maioria fez até a 3 o série pri-

mária.

21

É cada vez maior o n 0 de escolas

particulares e o governo acabou com

os convênios de 2 o grau por conta

dos "cursinhos" pré-vestibulares, com

isso cai a qualidade da Educação e só

estuda quem pode pagar uma escola;

assim sendo a oferta de mercado de

trabalho é cada vez menor por falta

de qualificação de mão de obra.

Privatizar a UFPA e investir nas

faculdades particulares é a meta do

governo do FHC.

Saúde: não existe investimento;

postos de saúde é para dizer existem

mas não funcionam, no entanto cres-

ce o n 0 de planos de saúde; quem

pode faz quem não pode morre ou

morre nas filas do SUS, IPASEP...

COMO A ACO TEM

REAGIDO A TUDO ISSO

- Participando nas organizaçõs

dos trabalhadores, discutindo e bus-

cando alternativas que melhore a

qualidade de vida dos trabalhadores,

de suas famílias, denunciando e re-

pudiando a atitude do governo, do

plano de morte do Neoliberalismo

em nossa região.

- Sendo presença na luta dos: Sin-

dicatos, Mov. Popular, Partido dos

Trabalhadores, Associações, Igreja,

a partir de ações concretas que ga-

rantam a vida com Cidadania.


SONHO DE

UM CAMPONÊS

Walkyria Conceição

Grupo Jovem SUNE

- Semente de Uma Nova Era

ACO - Belém - PA - Regional Norte

Queremos viver no mundo sem guer-

ra, onde a terra sirva para produzir

alimentos com amor.

- E que eles tenham sabor da PAZ.

Queremos ver as crianças estudan-

do, brincando no campo com seus

amigos.

- Sem o medo de ver o sangue jor-

rar, sobre a terra.

A terra que hoje é de poucos, mas

que todos tem o direito de nela pro-

duzir e morar.

- Hoje, lutamos por REFORMA

AGRÁRIA, sonhamos com o dia em

que trabalhadores, não sejam mais

massacrados pela Polícia Militar.

- Queremos a Liberdade de Lutar, e

o Direito de Morar.

- Queremos justiça para todos, e não

apenas para quem cansa de esperar,

e recebe tiros por não se acomodar.

- Queremos chorar a alegria de ven-

cer, e não a tristeza de ver, mais um

COMPANHEIRO TOMBAR.

2 - REGIÃO NORDESTE I

PLANO DE

EXPANSÃO

DA ACO DE

TERESINA

1 - Objetivo Geral: Buscar a

participação de novos militantes para

garantir a existência do Movimento

a curto e longo prazos, numa pers-

pectiva de maior organização e for-

talecimento da Classe Operária e do

Reino de Deus junto a Seu povo.

2 - Objetivos Específicos:

2.1 Buscar a participação de novos

militantes.

2.2 Qualificar a militânciados mem-

bros de ACO.

- 22

2.3 Difundir a presença da ACO no

seio da Classe Operária.

2.4 Criar novos grupos e/ou equipes

a partir dos já existentes.

3 - Mapeamento: Atuar nas se-

guintes áreas geográficas, contatos e

categorias profissionais:

3.1 Vilas:

*São Francisco: Mariquinha,

zeladora, casada; Mesquita, Const.

Civil, casado.

*Pantanal: José Carlos, biscateiro,

const. civil, casado.

*Carlos Feitosa: Karina, professora.

*Pe. Eduardo: Luis Pereira, casado,

ambulante. Rosângela, casada, estu-

dante e educadora popular.

*Apolônia: Maria José, dona-de-casa.


3.2 Conjuntos:

*Mocambinho: Pedro, casado, se-

gurança; Socorro, casada, professo-

ra; Edmilson, casado, metalúrgico;

Cruz, casada, professora; Graça

Araújo, solteira, professora;

Francisca, professora; João, casa-

do, comerciário; Conceição, casa-

da, professora.

*São Joaquim: Rosemita, solteira,

professora; Teresa, solteira, profes-

sora.

3.3 Bairros:

*Dirceu Arcoverde: Toinho, casa-

do, const. civil.

*Piçarra: Luzia, professora, soltei-

ra.

*Nova Brasília: Toinho, biscateiro,

casado; Assis Silva, casado, const.

civil; biscateiro; Francisca (D.

Chica), casada, feirante; Antônio

Carlos, casado, ambulante; Baica;

desquitada, lavadeira, biscateira;

Luzinete, solteira, estudante de pe-

dagogia.

*Poty Velho: Verinha, casada, pro-

fessora; Ângelo, casado, serigrafista;

Francis, ambulante; Erisvanda, de-

sempregada; Elenilda, casada, pes-

cadora; Lisboa, casado, pescador;

Luzeide, professora, desempregada;

Paulo, viúvo, vigilante; Antônio,

solteiro, artesão; Raimundo, soltei-

ro, carroceiro.

*São Joaquim das Olarias: Paulo,

solteiro, estudante; Benedita, estu-

dante; Francisco, motorista; Lúcia,

solteira, estudante; Raimunda, casa-

da, zeladora; Pedrinho, casado, gari;

Valdir, casado, vazanteiro, oleiro;

Maria, casada, oleira; Valdilene,

monitora do projeto periferia.

- 23

3.4 Cidades:

*Altos: Francisco Gomes, casado,

técnico agrícola; Jesus, casada, dona-

de-casa.

*Batalha: Antônio, solteiro, estudan-

te.

***Resumo: 13 áreas geográficas;

47 contatos; 25 categorias profissio-

nais.***

4 - Suporte Básico: militantes

antigos, assistentes, coordenações,

liberados e conselheiros, titulares e/

ou adjuntos.

5 - Meta: o mínimo de 01 mili-

tante novo por cada militante em

ação, até 1998.

6 - Pedagogia: visitas, acompa-

nhamentos, reuniões, festinhas de

aniversário, confraternizações, etc.

utilizando estrategicamente o méto-

do Ver, Julgar, Agir.

7 - Recursos:

7.1 Humanos: os próprios militan-

tes.

7.2 Financeiros: suporte para possi-

bilitar a operacionalização deste pla-

no.

7.3 Didáticos/pedagógicos: utiliza-

ção de publicações, cartazes, vídeos,

panfletos, boletins, lazer, visitas,

encontros, seminários, etc.

8 - Viabilidade: condicionada ao

empenho de cada militante envolvi-

do no processo.

9 - Dificuldades Previstas: dis-

tâncias, ativismo, questões familia-

res, situação financeira de militan-

tes/contatos, etc.

10 - Período de Avaliação: a

cada três meses.


EQUIPE REGIONAL

AMPLIADA-MG

MÍSTICA DO

MILITANTE E DO

MOVIMENTO-ACO

Equipes presentes: Monte Castelo,

Esperança, Recriar, Renascer,

Centro, Lindéia I, Venda Nova,

Lindéia II e Juiz de Fora.

Oração: Lucas cap.18 vers.9-14.

Iniciamos com uma dinâmica.

Vários pedaços de papel com letras

formando palavras, sílabas

misturadas.

Foram formadas as palavras:

pessoa - trabalhador (a) - missão -

conjuntura - mística - Jesus.

Fazemos um tecido ligando

palavra por palavra, costurando o

mesmo.

"Pessoa do trabalhador, inserida

numa conjuntura, tem uma missão

própria, sustentada pela mística, cujo

centro é Jesus Cristo."

Pessoa: não é enigma, não é

charada, não é problema. É mistério

que a gente acolhe, trata como deve

ser tratada. É mistério, porque é

imagem e semelhança de Deus,

3 - MINAS GERAIS

trabalhador(a), que descobre que

pertence a uma classe trabalhadora e

se compromete com ela, segundo as

exigências evangélicas.

Missão: é algo que está presente

em nossa vida. E dom dado pelo

próprio Jesus Cristo e da Missão que

a Igreja recebeu d'Ele. Fermento no

mundo e luz para tudo transformar.

Trata-se de uma missão profética e

evangelizadora, porque visa a

transformação de pessoas e de

estruturas opressoras. Na missão, a

gente atua através do engajamento,

lugar privilegiado para se viver a

fidelidade a Jesus e à Classe

Trabalhadora.

Trabalhador(a): "situação de

trabalhador - Folha de São Paulo -

Caderno Mais - de 03/03/96 - Fim

do trabalho encerra o século".

O mundo discute saída para a

crise do emprego que atinge 800

milhões de pessoas no mundo. Que

futuro está sendo tecido por um

sistema econômico que gera miséria

e tudo globaliza, levando a todos os

cantos do planeta os ideais do

mercado, do Estado Mínimo, do

aumento da produtividade e da

modernização tecnológica?

Na Europa, a tentativa de se

reduzir a jornada de trabalho e o

custo do emprego.

24


No Brasil a mão-de-obra é

considerada pouco qualificada, de

difícil absorção num quadro de

avanços tecnológicos.

Nos próximos 50 anos será muito

difícil evitar taxas altíssimas de

desemprego (do livro "O fim dos

empregos" - de Rifkim).

Conjuntura: a análise de

conjuntura serve para a gente

perceber, compreender uma

determinada realidade que desejamos

transformar. A conjuntura só pode

ser entendida a partir do

conhecimento da estrutura numa

determinada sociedade em seus

objetivos econômicos, sociais,

políticos e culturais. Para tanto

precisamos uma informação mais

qualificada e precisa.

PONTOS QUE NOS AJUDAM

A FAZER UMA ANÁLISE

OBJETIVA

Método de Análise Dialético.

1 - Tudo está em movimento;

2 - Tudo está interligado, em relação;

3 - Não existem verdades eternas,

absolutas;

4 - O conflito e a contradição está

no centro das atividades que atuamos.

Mística: é uma mola, uma

alavanca que nos impulsiona, nos

lança, nos atira longe em vista de

uma causa. É uma força interior que

nos ajuda a ser fiel ao Pai e a seu

Projeto, apesar das dificuldades que

25

encontramos. E algo que não sabemos

explicar, mas que nos ajuda a

continuar com o pé firme no caminho

de Jesus. Mística da Resistência na

esperança ativa e a partir de dentro

do conflito da cruz da luta pela

sobrevivência, da luta pela

organização da classe. Mística e fé.

Jesus Cristo: é o centro. Só Ele

é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Através d'Ele somos pessoas

trabalhadoras, inseridas numa

conjuntura política, temos uma

missão sustentada por uma mística,

cujo centro é JESUS CRISTO.

Vise encerrou sua colocação no

final da tarde com a exposição do

gráfico abaixo, fazendo uma relação

com todo o conteúdo visto neste dia.

")

narja de ser no

t

'^r X

miversai L^ ■■tfirnizhc- Sf no iinor

-ncontfir-se .3e unir-se

X

} .-mp eu -uier-ia sue a rainna


Tivemos ainda neste dia a

Celebração Eucarística presidida por

Pe. Ferreira e a apresentação do

deo "Cuidado, isto vai dar bolo".

Iniciamos o dia com a oração

preparada em tom de celebração da

vida.

Aniversariantes: Maria Emília,

Raquel (filha da Sônia), Vise e

aniversário de casamento de

Joãozinho e Osmir.

A seguir passamos para os

informes do Regional - Equipes.

Questionamentos:

- Como ficará a nossa

participação no 1° de Maio. Ainda

não recebemos nenhum comunicado

para a preparação...

- Equipe Renascer ganha mais

um membro de um grupo de novos

que acabou por motivo de mudança

de muitos de seus membros;

- Grupo de Novos II do Monte

Castelo passou a ser Equipe -

Recriar;

- Abertura da CF/96 na Paróquia

Cristo Salvador com a participação

das Equipes do Monte Castelo e Novo

Riacho. Também com a presença de

Joãozinho do Lindéia;

- Seminário sobre Formação

Política no Lindéia;

- Conselho Político do Durval

repassou verbas para a aquisição de

um aparelho de TV e Vídeo para a

ACO do Lindéia;

- Equipe Centro participa do

Fórum Político hiter-Religioso.

Também ganhou um novo membro.

Juiz de Fora:

- A Comunidade Santo Antônio

consegue um patrocinador para a

impressão de panfletos manifesto da

ACO;

- Missa com encerramento e

alusão ao 1° de Maio;

- Planejamento de encontros para'

discutir eleições 96;

- 1° Retiro Espiritual em julho/

96.

4 - RIO DE JANEIRO

SEMINÁRIO REGIONAL/RJ

O DESEMPREGO E

MERCADO INFORMAL

A AÇÃO CATÓLICA OPERÁRIA

- ACO, realizou nos dias 01 e 02 de

junho de 1996 um estudo sobre o

Desemprego e o Mercado Informal.

A metodologia do VER - JULGAR

AGIR, foi a grande ferramenta de

trabalho dos militantes na aborda-

gem do tema atual.

Para o VER, contamos com a

presença de representantes das Asso-

ciações de Feirantes, representada

pelo Sr. Cícero Amorim; da parte

dos camelôs da região os Srs. Norival

Poeta e Josemir Silva. Apresentaram

o panorama da realidade atual em

que vivem, dificuldades e os confli

tos, sobretudo com o poder público

no que tange a repressão e a falta de

política de emprego para os desem-

pregados.

26


No JULGAR, as colocações

oriundas do primeiro debate; foi feita

uma análise à luz do projeto neo-

liberal e da globalização da econo-

mia, suas constatações foram feitas,

entendendo assim o fenômeno da

exclusão dos trabalhadores.

Já à Luz do Evangelho de Jesus

localizou-se que Ele, o Cristo nos

exige uma postura. Com as

constatações os 50 militantes pre-

sentes, apontaram propostas alter-

nativas para o enfrentamento do

Desemprego e o Mercado Informal.

AÇÕES PRIORITÁRIAS

Procurar de imediato estabele-

cer contatos com os trabalhadores

do Mercado Informal e junto com

SEMINÁRIO REGIONAL SÃO

PAULO: 08/09/JUNHO 1996

QUE POLÍTICA

ECONÔMICA É

CAMINHO PARA O

EMPREGO?

"Quando os trabalhadores partici-

pam de Movimentos Sociais, Sindi-

catos, Associação ou Organizações

de Base para melhorar suas condi-

ções de vida e de trabalho, seus

atos ganham um novo caráter, pas-

sa a ser uma preocupação pelo bem

5 - SAO PAULO

eles aprofundar a realidade desta nova

classe.

Como suporte a esta prioridade o

movimento vai lançar mãos de re-

cursos que venham melhor atender a

ação prioritária como:

- Buscar dados em pesquisa só-

cio-econômica nas cidades;

- Levantamento de dados a nível

da ACO, de números militantes dos

seus quadros;

- Participar de fóruns de desem-

prego nas cidades.

Ao final do encontro ficou a

grande recomendação, que faz parte

do plano de metas da ACO do Bra-

sil, buscar cada vez mais a expansão

do movimento, tendo como meta a

fidelidade a Jesus Cristo e Classe

Trabalhadora.

comum, passa a ser uma política

coletiva. O trabalhador se torna

"ator" de um ato político.

REFAZER CAMINHOS, significa

encontro, participação, solidarieda-

de, futuro, VIDA... isto é refazendo

os caminhos da sobrevivência pesso-

al ou familiar, ampliando nossa luta

para a dimensão do coletivo. É ne-

cessário estar atentos às possibilida-

des novas que a realidade das mi-

grações vai criando. Por trás dos

caminhos há também sonhos e pro-

jetos.

Para caminhar precisamos colocar os

pés na esperança, apesar de todas as

dificuldades.

27


É preciso refazer caminhos, cami-

nhos de justiça, de terra partilhada,

e participar de uma imensa rede de

direitos respeitados".

Estas palavras emprestadas a Pasto-

ral dos Migrantes preparando a Se-

mana do Migrante (16/23/06) têm

muito a ver com a realidade vivida

pela Classe Trabalhadora em seu

conjunto.

Podemos refazer caminhos? Temos

forças para isso? Temos propostas

novas?

O José Gatelier lembrou algumas das

convicções que foram normas para

ele em "dez anos na caminhada com

a ACO no Brasil", (Assumir n 0 44).

Elas podem nos ajudar a "refazer

caminhos":

"Lutar para ter um espírito de equi-

pe... isso diz respeito à sociedade

nova que queremos construir e ao

evangelho libertador que queremos

promover com os trabalhadores, na

sociedade e na igreja..."

"Nestes dez anos... a ACO aprofun-

dou bastante algumas dimensões

políticas... Estamos num período em

que as lutas e as contradições do

sistema capitalista vão se acirrando

não só no Brasil, mas no mundo

inteiro. Isso vai requerer mais traba-

lho de formação da Classe e evan-

gélico com os militantes."

Nós podemos procurar em nosso agir

quais são os caminhos que aponta-

mos neste seminário. Refazer os

caminhos não é diferente da propos-

ta de Jesus:

"Jesus tinha uma preocupação cen-

tral: revelar o Amor libertador de

Deus-Pai a toda e qualquer pessoa,

inaugurando o Reino da Justiça,

Misericórdia e Reconciliação entre

todos os seres humanos. Neste sen-

tido, Jesus não procurou criar um

novo partido, mas sim um Movi-

mento aberto a todos, onde os

trabalhadores excluídos e os inúteis

descartáveis deste mundo fossem os

principais artesãos" (História do Povo

de Deus - 3° vol. p. 109-mais fo-

lha).

Pedro Casaldaliga introduzindo o

último caderno da "História da Clas-

se Operária no Brasil" dizia:

"O Caderno termina afirmando "A

Caminhada continua" e avisa: "o

novo ator (a classe trabalhadora; na

Cidade e no Campo, acrescento) não

está disposto a deixar o lugar... "E

para esse novo ator, hoje mais do

que nunca, ocupar esse lugar, fazer

lugar para todos e todas, é o desa-

fio, "o grande desafio". Quando o

sistema decreta a exclusão das mai-

orias, a inclusão de todos e todas é

o programa, a obsessão, a causa, a

vida de quantos e quantas acredita-

mos numa Humanidade só, filha de

Deus, família de iguais".

De fato, a caminhada continua,

cheia de dificuldades, mas nos cha-

mando a viver uma fé ativa e cons-

trutora de novos caminhos.

28


6 - RIO GRANDE DO SUL

SEMINÁRIO REGIONAL/RS

31/03/96

POLÍTICA, JUSTIÇA

EPAZ

SE ABRAÇARÃO

Introdução: a importância fundamen-

tal da política sobre a vida das pes-

soas.

VER

O que é a Justiça?

- Igualdade de direitos e deveres

fundamentais para todos (trabalho -

moradia - educação - salário - diá-

logo- saúde - dignidade);

- Liberdade de expressão, sem limi-

tes e com respeito aos companhei-

ros;

- Ser respeitado no trabalho;

- Direito de reivindicar sem repres-

são;

- Direito a vida digna com as con-

dições necessárias;

- Garantia de direitos básicos (ali-

mentação, cooparticipação,

politização, coletividade, saúde,

melhor distribuição de renda e soli-

dariedade).

- Deve haver mudança de estrutura

da sociedade, através do voto cons-

ciente de cada um.

O que é a Paz?

- A tranqüilidade - maturidade -

convívio fraterno - prática da

vivência do amor - reflexão interior

- estado de espírito;

29

- Paz é harmonia interior como re-

sultado de reflexões sociais;

- Construção de relações sociais com

os outros;

- E o que estamos fazendo hoje com

o seminário? Estamos conscientes que

estamos tentando transformar para

termos uma sociedade justa, na luta

por conquistas?

- Quando a sociedade disputar me-

nos;

- Quando os poderosos reprimirem

menos;

- Paz é um estado de serenidade, se

houver justiça na família, na socie-

dade, enfim, se o ser humano tiver

seus direitos garantidos.

Não existe paz sem justiça...

JULGAR

Como a justiça e a paz se abraçarão?

A Justiça e a Paz se abraçarão por

serem complementos.

- A Paz é conseqüência da Justiça;

- Sem a mudança da sociedade não

haverá Justiça e conseqüentemente

não haverá Paz;

- O trabalho é fato de importância na

sociedade para alcançarmos a Paz;

- Somos todos responsáveis no tra-

balho, família, política, sindicato,

escola, igreja;

- A unificação de movimentos e da

igreja é caminho;

- Vivendo o projeto de Cristo;

- E lutando para termos Justiça e

Paz;

- A Paz e a Justiça se abraçarão

quando realmente existir Justiça;


- Não existe abraço, sem Justiça;

- Tudo isto parece fácil, então por

que não acontece?

- Quando aqueles que buscam, se

derem as mãos e perseguir sempre a

UTOPIA.

O que é Paz?

A Paz é um conjunto de conquistas.

Quais as conquistas?

- A organização do PT;

- O MST;

- Os assentamentos que vão garan-

tindo milhares de vida?

- O avanço de noções de cidadania

de que é preciso políticas públicas e

não mais assistencialismo, o avanço

das lutas das mulheres;

- A unidade dos movimentos;

- Avanços históricos: redução da

carga dos trabalhadores - conquistas

trabalhistas - perceber o movimento

das coisas - entender que é um pro-

cesso, e que temos que transformar

as injustiças em Justiça.

AGIR

Como fazer a Paz e a Justiça acon-

tecer?

A Justiça e a Paz se abraçarão quan-

do existir construção de diálogo e de

espaços democráticos - União - par-

ticipação - testemunho vivo - vencer

os meios (expressar o voto - partici-

par - se expor - falar - continuar na

luta dos poderosos, dos superiores,

do desconhecido, do renovar) - ven-

cer o comodismo - ocupar seus pa-

péis - desde a família até o mais

amplo dos movimentos - valores

básicos - princípios - grande carga

de valores.

- Avançar na organização dos pe-

quenos grupos;

- Mudar para a igualdade de relação

de gênero;

- Formação de uma consciência crí-

tica e construtiva;

- A disputa pelo "espaço de poder"

em todos os movimentos e lugares

(igrejas, teatros, escolas, partidos,

sindicatos, movimentos populares).

INTERCÂMBIO BRASIL-ALEMANHA

Mariléa Damasio

Realizou-se na cidade de Osnahruck - Alemanha

de 17 a 31 de maio o intercâmbio entre militantes da

ACO do Brasil e militantes da KAB de Osnahruck.

Participaram deste intercâmbio Francisco Ferraz

de Aquino (Norte), Cícera Josefa Rodrigues (Nordeste

II), Marcelino Teodoro Vidal (Nordeste III), Geraldo

Francisco Barhosa (Sete Lagoas), Zuleima França (Belo

Horizonte), Luiz Gonzaga da Silva e Geralda Helena

Martins (Nova Iguaçu) RJ.

Este intercâmbio foi importante para o conhecimento da realidade a nível de

Brasil e Alemanha e para a troca de experiências das lutas por uma justiça social.

Com o acolhimento que tivemos nos sentimos em casa, como uma verdadeira

família.

30


Percebemos que eles querem realmente criar um laço fraterno de igualdade

e solidariedade.

Os militantes da KAB, apresentaram uma grande preocupação referente ao

projeto neoliheral que se expande pelo mundo inteiro e é uma ameaça à vida

humana. Com eles discutimos questões políticas, econômicas, sociais e ideológi-

cas.

1 - A política sindical está acima dos partidos. É um sindicato único, está

organizado por categorias em suas bases, com total autonomia.

1.1 A política do governo na globalização e as privatizações são preocupantes.

A Ferrovia foi privatizada: o desemprego é alarmante; até o ano 2000 entre 50

e 60 (mil) trabalhadores da ferrovia estarão desempregados.

2 - As grandes empresas estão comprando as pequenas empresas para fechar e

assim não há concorrente.

3 - No setor bancário, nestes últimos 2 anos já há mais de 100.000 desempre-

gados.

A INJUSTIÇA - Para o Alemão por uma hora de trabalho são pagos (25) vinte

e cinco marcos epara os estrangeiros são pagos entre (8) oito e (12) doze marcos.

O governo quer modificar a lei que beneficia os trabalhadores. No momento a

grande luta dos trabalhadores é estarem contra.

Em Osnabruck e nas redondezas a população é de 280.000 (duzentos e oitenta

mil). Preparados para o trabalho 180.000 (cento e oitenta mil). No mercado

informar 152.000 (cento e cinqüenta e dois mil). Quem está no mercado informal

não sente vontade de se organizar.

Para o sistema Previdenciário só contribuem os trabalhadores que ganham mais

de $ 590,00 (quinhentos e noventa marcos).

Existem os Conselhos de empresas, são deliberativos. A Justiça pode concordar

ou não, mas a lei os obriga a se preocuparem em benefício do trabalhador.

Há uma grade preocupação com a informática porque está individualizando os

trabalhadores.

CONCLUSÃO: A luta hoje dos trabalhadores alemães é pela preservação dos

direitos sociais. Pois têm consciência que este projeto neoliberal esmaga a vida

humana.

ASSEMBLÉIA MUNDIAL - MMTC

Mariléa Damasio

Realizou-se na cidade de Porto, em Portugal de 03 a 17 de maio a Assembléia

Mundial. O tema: REALIZAR A SOLIDARIEDADE PARA VIVER DIGNA-

MENTE.

Participaram deste encontro 150 militantes de diversos países do mundo. Do

nosso Movimento a nível nacional participaram Sônia Maria Bulhões Miranda

(SP), Francisco Antônio Cruz de Teresina (NEI) Conselheiro do MOAC e

Lázaro Silvano Ferreira de Campinas (SP) representante do MMTC na Amé-

rica Latina.

Neste encontro foram tiradas as seguintes resoluções:

- 31 -


1- DIREITO DOS TRABALHADORES EMIGRANTES

1.1 Sensibilizar os movimentos.

Sensibilizar os membros de nossos movimentos sobre a situação dos trabalha-

dores emigrantes.

2 - SEMANA INTERNACIONAL DE SOLIDARIEDADE

2.1 Reforçar a dimensão internacional do MMTC e promover a solidariedade

entre os movimentos membros.

2.2 Promover uma cultura de solidariedade que permita a transformação social.

3 - A FORMAÇÃO

O MMTC tem de promover a formação de valores que ponham o homem e a

mulher no centro de todas as decisões econômicas e políticas. A pessoa humana

tem de estar acima do lucro, do dinheiro.

3.1 Promover a formação de formadores (lideranças de responsáveis e igual-

mente à todos os membros da base).

4 - DESENVOLVIMENTO SOLIDÁRIO

4.1 Desenvolver a dignidade humana, a solidariedade com a melhor das con-

dições de trabalho, a luta contra o desemprego e o trabalho precário.

4.2 Desenvolver na sociedade, no mundo do trabalho e na Igreja a consciência

da necessidade da partilha do trabalho e das riquezas.

Determinar (tornar real) a solidariedade Norte-Sul...

5 - COMUNICAÇÃO

O MMTC é o fermento, o sal que permite os trabalhadores(as) AGIR.

Deve desenvolver esta vocação trabalhando com outras organizações ou sendo

crítico perante elas (principalmente com as instituições internacionais).

6 - SOBRE O TRABALHO INFANTIL

Nosso objetivo final é a abolição do trabalho infantil, referindo-nos principal-

mente aos artigos 18 e 59 do Projeto do Plano de quatro anos.

7 - SOBRE A ECONOMIA INFORMAL

Devemos promover a criação de uma rede da economia popular para ser

solidária, com o fim de que se converta em uma força alternativa para combater

o sistema neoliberal e que desenvolva a solidariedade em todos os níveis.

8 - SOBRE AS CONDIÇÕES DE TRABALHO

O MMTC tem que intensificar sua ação de conscientização dos trabalhadores

e em particular os das Zonas Francas, sobre suas condições de trabalho.

Também terá que agir em relação aos problemas de contaminação do meio

ambiente que afetam as condições de trabalho.

9 - ASSISTENTES

O MMTC e os movimentos necessitam de Assistentes espirituais competentes

e dedicados a seu serviço. Tem de ter a preocupação de buscá-los e de ajudá-

los a adquirir um conhecimento adequado da realidade do mundo do trabalho

e de formá-lo à luz do Evangelho e da doutrina social da Igreja.

- 32 -


HOMENAGEM DA DIOCESE A

DOM ADRIANO

Este momento é mais propí-

eio ao silêncio. As palavras não

conseguem expressar a grande dor e

imensa saudade que sentimos ao nos

despedir da presença física de Dom

Adriano, aquele que por vinte e oito

anos foi o nosso Pastor e gostava de

assinar e fazer-se chamar de Innão-

Bispo.

Dom Oscar Romero, o Bispo

Mártir de El Salvador, diante das

ameaças costumava dizer: "Podem

me matar, eu ressuscitarei no meio

do meu povo".

Não será difícil para nós en-

contrarmos o rosto de Dom Adriano

pela Diocese: Nas casas Diocesanas

de Formação, nos Centros Comuni-

tários, nas Paróquias, nas centenas

de Comunidades, no Seminário

Diocesano, no Mosteiro que ele

Dom Adriano Mandarino HypólUo, OFM construiu ou incentivou construir


casa foi saqueada e uma vez foi vítima dos assaltantes. Mas passado o susto, retomava sua

caminhada com fé e esperança, pois ele amava, de verdade, o seu Povo e sua Igreja.

Dom Adriano se orgulhava muito de seu Clero, mesmo se nem sempre fomos motivo

de alegria. Sempre fomos acolhidos com amor de pai e respeito de verdadeiro irmão. Ele

soube construir um presbitério unido. Agradecemos a Deus por termos trabalhado com ele

ao longo destes anos.

Estamos tristes. Mas. se é verdade que perdemos um pai e um irmão, a Fé nos diz

que ganhamos lá no céu um grande protetor.

Concluímos com a saudação que Dom Adriano costumava fechar, com o povo, as

nossas grandes celebrações: Viva Jesus Cristo... Viva Maria nossa Mãe Santíssima... Viva

o nosso povo sofrido da Baixada ! ! !

VIVA DOM ADRIANO !!!

Manifesto de Protesto aos Atos de Violência

Contra Sindicalistas em São Paulo - Brasil

Porto, maio de 1996

APELO POR JUSTIÇA

Nós, representantes de trabalhadores e trabalhadoras reunidos em nossa VIII Assembléia

Mundial do MMTC que realizou-se na cidade de Porto, em Portugal, tomamos conhecimen-

to de que o Sr. Francisco Rodrigues Brito (Chicão), Membro da ACO do Brasil, diretor do

Sindicato da Alimentação de São Paulo, vem sofrendo violência física e psicológica sendo

vítima de constrangimentos explícitos e velados no exercício de seu legítimo mandato

sindicai, que partem de organização paramilitar que possue quadrilhas de gangsters para

intimidar dirigentes sindicais verdadeiramente comprometidos com a transformação das

relações de trabalho em meio de suas categorias. Não se trata de um caso isolado e as

organizações dos Direitos Humanos detêm o número dos assassinatos de dirigentes sin-

dicais nos últimos anos no Brasil.

Diante destes fatos que chegaram ao nosso conhecimento, APELAMOS para o vosso poder

legal, seja ele sindical, parlamentar ou governamental para que ponha um fim nessas

violências registradas no 9 8 Distrito Policial da Cidade de Osasco, São Paulo.

EXIGIMOS:

- Um Basta a esta violência! • Segurança ao nosso companheiro Francisco Rodrigues

Brito (Chicão) e a sua família.

Lembramos aos senhores, que um outro Chico líder sindical dos Seringueiros e dos Povos

da Floresta Amazônica, o Chico Mendes, foi igualmente ameaçado até cair morto por

defender causa semelhante.

Jesus, o nosso modelo de justiça e amor nos dá exemplos de vida em abundância e não

de morte! Assim, este nosso apelo segue em nome da JUSTIÇA E DA VERDADE.

Peto MMTC

Cleuza Chamon Michel Roncin

Secretária Geral Adjunta Assistente Mundial

Cópia transmitida aos senhores: Mário Covas/Governador do Estado de São Paulo. Nelson Jobim'Ministro da

Justiça. Hélio Bicudo/Pres. Com. Direitos Humanos Câmara dos Deputados. Luiz Antônio Medeiros/Pres. da

Central Força Sindical. Paulo Pereira/Pres. Sind. Metalúrgicos de SP. Melquiades Araújo/Pres. Fed. dos Sind.

Alimentação SP. J. Folha de São Paulo (Folha Emergência). Revista Veja/Seção Cartas.

- 34


Manifesto do Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos (MMTC)

contra o massacre dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Brasil.

Porto, maio de 1996

Senhor Professor Fernando Henrique Cardoso

Presidente da República Federativa do Brasil

Palácio da Alvorada • Brasília ■ Distrito Federal

Nós, que infra-assinamos este documento, somos representantes dos Trabalhadores Cris-

tãos dos quatro continentes, reunidos em VIII Assembléia Mundial do MMTC que realizou-

se na cidade do Porto em Portugal.

Registramos o nosso veemente repúdio e nossa indignação ao governo brasileiro pelo

vergonhoso, horripilante e brutal massacre dos Trabalhadores Rurais Sem Terra ocorrido

no dia 17 de abril próximo passado, em Eldorado de Carajás, no estado do Pará. A cena

horripilante foi mostrada ao mundo Inteiro.

Traduzimos como cinismo a declaração do Senhor Presidente do Brasil de que "desta vez

será mesmo investigado e apurado".

Perguntamos ao Sr. Presidente Fernando Henrique Cardoso: com referência aos massa-

cres anteriores, como Xapuri, Vigário Geral, Candelária, Carandiru, Corumbiara entre outros,

a investigação era de brincadeira?

Pela impunidade tudo leva a acreditar que era jogo de cena! Não basta investigar, há que

acabar com esta prática macabra. Há que punir com a severidade que os fatos exigem.

Não aceitamos justificativas de que houve excesso da polícia por que sabemos que o que

está por trás desse cenário antropofagia), sangrento contra os pobres é a falta de coragem

e vontade política de resolver o problema da escandabsa concentração de terra e tem a

finalidade de intimidar, impedir e a abafar a marcha irreversível da iminente Reforma

Agrária no Brasil, que está surgindo como alternativa do próprio povo.

Por oportuno, aconselhamos ao governo brasileiro evitar outro possível massacre e resol-

ver de forma pacífica e justa o assentamento das 700 (setecentas) famílias acampadas na

Fazenda da Barriga, em Buritis - Minas Gerais, que aguardam a decisão do governo.

Não aceitamos sob nenhuma hipótese a situação de miséria e pobreza num país com a

extensão da do Brasil. Não aceitamos igualmente, que pessoas quaisquer que sejam elas,

venham a morrer friamente assassinadas por defenderem o Direito Universal da vida e o

direito de se organizarem por melhores condições de moradia, de trabalho e outros direitos

essenciais para defender o povo brasileiro em geral. São direitos Senhor Presidente, que

o senhor bem o sabe, deveriam ser automáticos, dispensando lutas ou mortes para o

conseguir.

Tendo a pessoa de Jesus Cristo como nosso modelo, EXIGIMOS do governo brasileiro uma

ação concreta que acabe com a violência latente no país e principalmente contra os povos

da floresta, trabalhadores rurais, sindicalistas, idosos, adolescentes e crianças, enfim,

todos os organismos populares, comprometidos com a causa de uma Sociedade Justa em

todo significado da palavra e tenha a coragem histórica de FAZER A REFORMA AGRÁRIA

plena e efetiva como um dos meios de resgatar a dignidade, a esperança, e a alegria de

toda a Nação Brasileira.

Pelo MMTC

Cleuza Chamon Michel Roncm

Secretána Geral Adjunta Assistente Mundial

- 35 -


£3 PUBLICAÇÕES DA AÇÃO CATÓLICA OPERÁRIA - ACO

As publicações da Ação Católica Operária - ACO são todas de linguagem simples e do ponto de vista

dos trabalhadores. Têm como objetivo a formação de militantes comprometidos com a construção de

uma sociedade justa, igualitária e fraterna.

Dividiremos nossas publicações em três coleções para os interessados perceberem o conteúdo das

mesmas:

• COLEÇÃO VER, JULGAR, AGIR pelos quatro lados à luz da Bíblia

Fa/.em parte desta coleção:

1 Conhecer as Sociedades (31 pág.) - Explica o método pelos quatro lados - 2 a edição.

2. História do Povo de Deus - I o volume (180 pág.) - Tem como subtítulo "Introdução para uma

Leitura da Bíblia"^ 4 a edição. Mostra a participação dos trabalhadores na organização do povo

de Deus no tempo da Bíblia, desde Abraão até o exílio pelo ano 500 a.C.

3A História do Povo de Deus - 2 o volume - Abrange o período do exílio até o final dos Macabeus

- 2 a edição.

3B História do Povo de Deus - Do ano 64 a.C. ao ano 100 d C

4 Jesus: Sua Terra, Seu Povo, Sua Proposta (112 pág.) - 7 a edição.

5 Revisão de Vida: Conhecer para Transformar (132 pág.) 2 a edição.

Um Movimento de Crianças - Incluímos nesta coleção este livro publicado em conjunto com o

MAC (Movimento de Adolescentes e Crianças) porque segue o mesmo método: Ver, Julgar, Agir

adaptado para autoformação de crianças e adolescentes.

• COLEÇÃO CADERNOS DA HISTÓRIA DA CLASSE OPERÁRIA

A idéia de se escrever a História da Classe Operária surgiu no Congresso da ACO de 1971, em plena

ditadura, quando a grande imprensa declarava nunca ler existido a classe operária. E a História do

Brasil do ponto de vista dos trabalhadores.

Caderno 1 - Gestação e Nascimento de 1500 a 1888 (50 pág.) - 4 a edição

Caderno 2 - Infância Dura de 1889 a 1919 (104 pág.) . 4 a edição

Caderno 3 - Idade Difícil de 1920 a 1945 (120 pág.) - 4 a edição

Caderno 4 - Amadurecimento de 1945 a 1964 (120 pág.) - 2 a edição

Caderno 5 - Resistindo à Ditadura (108 pág.) - I a edição

Caderno 6 - O Grande Desafio (100 pág.) - I a edição

• COLEÇÃO DOS DOCUMENTOS DA ACO

1. História da ACO (169 pág.) - Conta a história da Ação Católica Operária, sua resistência frente

à ditadura, sua expansão, método e conteúdo.

2. Declaração de Princípios

3. Regimento Interno

4. Estatutos Sociais

5. Folhetos para grupos novos, sob o título "Missão e Pedagogia da ACO"

6. ASSUMIR - Boletim de formação para militantes da ACO e outros. Sai de quatro em quatro

meses. Traz experiências de Base e artigos de orientação operária, política e de lutas no meio

popular. O pedido pode ser por assinatura ou número avulso.

7. Cantando Nossa Libertação - Cancioneiro da ACO, com 175 cânticos, dividido em três partes:

I - Vida e luta do povo;

II - Cânticos religiosos;

III -Cânticos populares e folclóricos.

Mais dois suplementos novos, I e II. Há cinco fitas gravadas para o ensaio dos mesmos.

8. INFOR - Revista de Informação e Formação para trabalhadores numa dimensão internacional.

Para pedidos: AÇÃO CATÓLICA OPERÁRIA - ACO

Rua Van Erven, 26 - Catumbi - 20211-320 - Rio de Janeiro - RJ - Tel.: (021) 502-2231

More magazines by this user
Similar magazines