Revista Frutas e derivados - Edição 05 - Ibraf

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Revista Frutas e derivados - Edição 05 - Ibraf

CAPA

PRODUÇÃO: PerformanceCG

FOTO: Banco de Imagens do

Ibraf

07

ENTREVISTA

07 À FRENTE DE DESAFIOS

Secretário de Agricultura do Estado de São Paulo,

João de Almeida Sampaio Filho, fala sobre

fruticultura paulista.

FRUTAS FRESCAS

14 FRUTAS FINAS

Frutas finas ainda têm produção limitada por causa

do alto custo de produção.

CERTIFICAÇÃO

18 PASSAPORTE PARA EXPORTAÇÃO

Comércio internacional exige certificação e

segurança do alimento. Projeto Fruta Paulista segue

as normas.

AGROINDÚSTRIA

27 TENDÊNCIA MUNDIAL

Frutas minimamente processadas começam a

fazer parte do cotidiano das redes de varejo.

MEIO AMBIENTE

33 PERIGO VIAJANTE

A introdução de espécies exóticas altera o

ambiente e traz perigos ao homem do campo.

14

38

SEÇÕES

SUMÁRIO

MARÇO 2007

04 editorial

06 espaço do leitor

10 campo de notícias

Panorama dos principais acontecimentos do trimestre.

12 no pomar

Lançamentos, dicas, normas e leis do setor.

30 tecnologia

Pesquisador desenvolve processo inovador que garante mais

sabor e aroma no processamento de sucos.

36 opinião

Osvaldo Dias: a força do associativismo mudou a história de

Junqueirópolis/SP.

37 agenda

Acontecimentos do trimestre.

27

38 eventos

Fechamento de negócios e divulgação no país europeu que

mais consome frutas brasileiras e no mercado promissor dos

Emirados Árabes.

41 artigo técnico

Abacaxi minimamente processado requer cuidados para manter

qualidade e sabor.

48 campo & culturap

44 produtos e serviços

46 fruta na mesa

Delicadeza do figo.


CUIDANDO DO FUTURO

editorial

Na vida de uma cultura perene, o primeiro ano é determinante para sua

produção futura. Muito há para se fazer até colher os primeiros frutos. Os

cuidados com solo, fertilização, controle de pragas e doenças e a correta

irrigação para a pequena árvore precisam ser constantes. Traçando um

paralelo, assim é com o ‘plantio’ de uma publicação. Seu primeiro ano é de

cuidados intensos para que não se perca a semente da informação plantada.

Foi assim que caminhamos nos primeiros 365 dias da Frutas e Derivados,

que se completam em março: cuidando da ‘fruteira’ da notícia para que, no

seu devido tempo, dê frutos abundantes de informação. O seu retorno,

leitor, nos dá a segurança de que o tratamento está certo. E é, para você,

que preparamos uma edição apontando caminhos para maior rentabilidade.

O passaporte para exportar está na certificação, que ampliam mercados à

sua colheita, além de ajudá-lo na organização da propriedade. O

processamento mínimo de frutas, tendência mundial, começa a ganhar espaço

no País, principalmente, nos grandes centros urbanos, devido à procura

do consumidor por produtos que ofereçam praticidade e sejam saudáveis.

Para que esse consumidor tenha praticidade, sem perder a delícia do

sabor, a pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro desenvolveu

método inovador de processamento de sucos de frutas, outro segmento em

crescimento contínuo na cadeia frutícola. Em se tratando de crescimento, as

frutas no Estado de São Paulo são o maior exemplo. O Estado mais industrial

da Nação é também a maior plataforma frutícola e, para valorizar esse fruticultor

e sua colheita, o Instituto Brasileiro de Frutas, em parceria com o

Sebrae-SP, lançou o programa Fruta Paulista.

Vale ressaltar que todos os esforços para o aprimoramento do setor cairão

por terra, se não houver os devidos cuidados ambientais e os bioinvasores

continuarem entrando no País. Hoje, a fruticultura luta para manter sob controle

e erradicar as espécies exóticas invasoras cydia pomonella, mosca-dafruta,

sigatoka negra e a mosca-da-carambola, um desafio atual. O setor e as

autoridades do País precisam estar alertas: a questão ambiental, mais do que

uma bandeira, é questão de sobrevivência econômica e das espécies.

Uma ótima leitura e obrigada pelo apoio em nosso primeiro ano!

fale conosco

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necessário solicitar autorização dos autores.

A reprodução das demais matérias publicadas pela revista é permitida,

desde que citados os nomes dos autores, a fonte e a devida data de

publicação.


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ESPAÇO DO LEITOR

“A revista é ótima, supera as expectativas,

com temas atuais e dinâmicos.

Deixo uma sugestão para que vocês aumentem

o espaço que traz publicações

sobre a fruticultura e os endereços de

onde adquiri-las.”

Waldemar Domingos de Santana Júnior

Produtor Rural, Itumbiara – GO

“Gostaria de parabenizá-los pela excelente

qualidade da revista e seu conteúdo

técnico. Sem sombra de dúvidas, a revista

é de grande importância para o desenvolvimento

da fruticultura nacional.”

Fernando Augusto de Souza

Gerente Geral da Korin Agricultura Natural

“Sou pesquisadora-científica do

Fruthotec/Ital na área de tecnologia de

frutas. Acho as reportagens da Revista Frutas

e Derivados muito esclarecedoras e bem

acessíveis ao público leigo.”

Ms. Silvia Cristina Sobottka Rolim de Moura

Campinas - SP

“Ao visitar a empresa Frutas Boutim, de

Porto Amazonas/PR, minha esposa,

Suzana M. R. Gorniski, encontrou um

exemplar da revista Frutas e Derivados e

elogiou as matérias abordadas e as bemelaboradas

composição e arte, além de uma

impressão sofisticada. Parabéns à equipe.”

Aramis Gorniski

Editor do jornal “A Tribuna Regional” e da

revista “Informação”, Lapa - PR

“Foi uma satisfação receber a revista Frutas

e Derivados e deparar com artigos que

atendam diferenciados segmentos da cadeia

frutícola. Assim como o amigo Professor

Pesquisador Dr. Rafael Pio, concordamos

que existam muitos entraves para

podermos conquistar recursos públicos

para fins científicos. Como opção, buscamos

os produtores como parceiros, que nos

apoiam e se beneficiam diretamente de

nossas pesquisas.”

Prof. Adjunto Fabio del Monte Cocozza

Universidade Estadual da Bahia

Campus IX - Barreiras

ERRATA

Na matéria de capa Altos e Baixos,

publicada na edição 4, de dezembro

de 2006, a informação sobre o volume

de exportação de figos está errada.

Onde se lê “no acumulado de janeiro

a outubro, o Brasil exportou

482 mil toneladas da fruta”, leia-se

482 toneladas.

Agradecemos o alerta sobre os números

referentes à exportação, enviado

pelo produtor e exportador

Maurício Brotto, de Campinas/SP.

ESCREVA PARA

Endereço:

Avenida Ipiranga, 952 • 12º

andar • CEP 01040-906 • São

Paulo • SP

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revista@frutasederivados.com.br


João de Almeida Sampaio Filho, 41 anos,

nasceu na capital paulista, cidade onde a zona rural

praticamente acabou, mas sua história de vida está

associada à agricultura. Economista e produtor

rural nos Estados de São Paulo, Mato Grosso e

Paraná, esteve à frente de diversas entidades ligadas

ao agronegócio. Foi presidente da Associação

dos Produtores de Borracha do Estado do Mato

Grosso e vice-presidente da Associação Paulista do

Setor. Ocupou, também, a presidência da Câmara

Setorial Nacional de Borracha e da Comissão Na-

ENTREVISTA JOÃO SAMPAIO

À FRENTE DE

DESAFIOS

JOÃO LUIZ - SAA/COMUNICAÇÃO

cional da Borracha da CNA (Confederação Nacional

da Agricultura). Foi vice-presidente na Associação

Comercial do Estado de São Paulo, conselheiro

da Associação Brasileira do Agronegócio de

Ribeirão Preto e, a partir de 2002, ocupou a presidência

da Sociedade Rural Brasileira, função que

deixou para assumir a Secretaria de Agricultura e

Abastecimento do Estado de São Paulo. À frente

do Estado, detentor da maior plataforma agrícola

do País, ele fala de projetos para sua gestão, iniciada

este ano.

7


8

ENTREVISTA JOÃO SAMPAIO

Frutas e Derivados - Qual é plano de governo

para a agricultura nesta nova gestão?

João Sampaio - São Paulo, apesar de pouco sabido,

é a maior plataforma agrícola do País, responsável

por 17% do valor bruto da produção

agropecuária brasileira. No entanto, nosso maior

trunfo não está tão somente dentro da porteira, e,

sim, em nossa capacidade de multiplicar o valor da

produção fora das fazendas. Agregamos valor aos

produtos, graças à infra-estrutura de industrialização,

à logística de exportação e ao grande mercado

consumidor. Nosso plano está concentrado em

ampliar e melhorar a renda do produtor, apostando

na agregação de valor aos produtos.

“A fruticultura paulista é das mais

diversificadas e das mais fortes.”

Frutas e Derivados - O novo governo implica em

direcionamento de novos projetos da Secretaria

focados na agricultura do Estado mais industrial da

Nação? Quais? Por quê?

João Sampaio - Como disse anteriormente, o

Estado de São Paulo sintetiza esta capacidade de

unir a indústria e a agricultura; processamos os produtos

agrícolas com eficiência industrial. Trabalhar

as cadeias produtivas e apostar nas vocações agrícolas

e agroindustriais de cada região é o caminho

para otimizar recursos e ampliar a renda.

Frutas e Derivados - Investir em programas para

melhorar a renda e a vida do produtor rural paulista

está entre os planos do governo? O que pretende?

Como acredita ser possível?

João Sampaio - O governador José Serra, quando

me chamou para a Secretaria de Agricultura,

disse-me exatamente o objetivo número 1 deste

governo: o crescimento econômico.Precisamos

gerar trabalho e renda e como podemos fazer isto?

Por meio de programas e parcerias com a iniciativa

privada, que trabalhem na direção de unir o produtor

e o consumidor. Entre estas duas pontas é

onde está a chance de crescermos. A Secretaria de

Agricultura possui seis institutos de pesquisa, alguns

deles centenários, com larga experiência em pes-

quisa, desenvolvimento e produção de novas variedades

agrícolas e na adaptação de tecnologias.

Temos uma rede de extensionistas, que está à disposição

do produtor e do empreendedor rural e

precisa ser melhor utilizada. A melhor integração

entre a pesquisa, a extensão e a iniciativa privada

pode render ótimos frutos, com o perdão do trocadilho.

A agricultura tem mostrado, pelos consecutivos

superávits da balança comercial, que é a

vocação do nosso País. E mais que agricultura, o

agronegócio, esta rede, que envolve produção, industrialização,

comercialização e serviços, geradora

de 37% dos empregos no País, será a responsável

pelo crescimento econômico tão esperado e

prometido nos últimos anos.

Frutas e Derivados - Quais são os projetos para

a fruticultura no Estado, cuja atividade gera muitos

postos de trabalho por hectare no campo?

João Sampaio - A fruticultura paulista é das mais

diversificadas. Por incrível que pareça, não produzimos

somente laranja para indústria, onde somos

os maiores produtores e exportadores de suco de

laranja do mundo. Essa atividade importante é nosso

terceiro item na pauta de exportações do

agronegócio; perde apenas para cana (açúcar e álcool)

e carne bovina. São Paulo produz frutas frescas

com alto valor agregado e baseado na pequena

propriedade – reside nestas características o grande

potencial de crescimento econômico. Regiões,

como a do Circuito das Frutas, compreendendo

municípios de Valinhos, Jundiaí, Louveira, Vinhedo,

entre outros; Jales, com uva e parte do sudoeste

do Estado de São Paulo são pólos de produção que

precisam de uma concentração de atendimento e,

assim, ampliaremos o poder de geração de empregos.

A Secretaria de Agricultura possui o Centro

Apta de Frutas, em Jundiaí/SP, um centro de

pesquisa totalmente dedicado à fruticultura, onde

foram geradas as principais variedades desenvolvidas

no Estado. Temos o Instituto de Tecnologia dos

Alimentos (Ital), que se dedica a novas embalagens,

rotulagens, conservação dos alimentos e frutas processadas.

E ainda temos o Instituto Agronômico,

onde a última novidade é o desenvolvimento de

variedades de tangerinas sem semente, já com fazendas

em produção no sudoeste do Estado. Estas

oportunidades estão aí para serem aproveitadas. A

Câmara Setorial de Frutas, da Secretaria, tem estas

ferramentas à mão. Precisamos melhor aproveitá-las


e utilizá-las, conjuntamente, com empresas do setor

em projetos diferenciados e adequados a cada região.

Frutas e Derivados - Quanto ao seguro rural,

haverá alguma subvenção do Estado?

João Sampaio - Já temos um projeto de 50%

de subvenção ao prêmio do seguro rural no Estado

de São Paulo. Começamos em 2003 com um

projeto piloto e estamos no quarto ciclo agrícola.

São 23 culturas envolvidas no projeto e grande parte

delas é de frutas. É um projeto voltado para o

pequeno produtor com renda bruta anual de até

R$ 215 mil. Nele, o produtor faz o seguro junto a

uma das seguradoras credenciadas. De posse da

apólice, e dentro das especificações técnicas do

projeto, ele pleiteia a subvenção. Se aprovada, em

menos de um mês, ele recebe metade do valor

que pagou do prêmio do seguro por intermédio

do Banco Nossa Caixa. Este projeto é um sucesso,

principalmente entre os fruticultores, por se tratar de

culturas mais susceptíveis às intempéries climáticas.

Nossos maiores beneficiados são produtores de uva,

caqui e figo, nas regiões de Campinas. Queremos que

produtores de todo o Estado participem. Para isso,

basta procurar a Casa de Agricultura local e se informar

mais detalhadamente sobre o projeto. É um instrumento

de proteção à disposição do produtor. E mais:

é um projeto pioneiro em todo o País.

Frutas e Derivados - Sebrae-SP e Ibraf acabam

de lançar o Projeto Fruta Paulista. Como analisa essa

parceria para os fruticultores de São Paulo?

João Sampaio - Este é o caminho para a fruticultura

paulista: unir a cadeia produtiva desde o

produtor até o consumidor, apostando na capacidade

destas instituições de agregar valor aos produtos.

A Secretaria não só apóia como é co-participante

deste projeto. A Câmara Setorial de Frutas

participa de todo o processo. A nossa estrutura,

enquanto instituição de pesquisa e assistência

técnica, adaptadora de tecnologia, vai participar

ativamente deste projeto, colaborando na

certificação e normatização da produção até a mesa

do consumidor, seja ele paulista, brasileiro ou dos

países importadores.

Frutas e Derivados - Em sua opinião, quais as

maiores necessidades da fruticultura paulista?

João Sampaio - O mercado consumidor é dinâmico

e alcançar sucesso junto ao consumidor de-

ENTREVISTA JOÃO SAMPAIO

pende da capacidade de leitura destas mudanças e

o poder de adaptação e incorporação de novas

tecnologias. A fruticultura paulista passa pelos mesmos

desafios que outros setores. A seleção e o

processamento das frutas com embalagens apropriadas

que dêem durabilidade e frescor às frutas,

assim como o desenvolvimento de variedades agrícolas,

cada vez mais condizentes com as demandas

de consumo, são as principais necessidades da fruticultura

paulista. A certificação, sanidade e adequação

aos mercados são os grandes desafios.

“Trabalhar a imagem da fruta

paulista passa por certificação

na produção, padronização dos

processos, combinado com

campanha de marketing.”

Frutas e Derivados - Como a Secretaria pode

contribuir para saná-las?

João Sampaio - A Secretaria de Agricultura,

como enumerado anteriormente, possui várias das

ferramentas necessárias para que estas dificuldades

possam ser superadas. A articulação dentro da cadeia

produtiva é um dos caminhos e, para isto, a

Câmara Setorial de Frutas é o foro adequado.

Frutas e Derivados - Mesmo produzindo quase

metade das frutas nacionais (47% do total nacional),

e sendo exportador, São Paulo é pouco reconhecido

como pólo de fruticultura. A Secretaria tem algum

plano para reverter essa imagem?

João Sampaio - A fruticultura paulista é das mais

fortes do País. Com grande rentabilidade, é responsável

por uma distribuição e ampliação de renda

nos seus pólos de produção. Trabalhar a imagem

da fruta paulista passa pela certificação na produção,

padronização dos processos e da embalagem,

combinado com uma campanha de marketing.

O caminho já foi iniciado pelo Projeto Fruta Paulista,

que é criar a marca e o selo do produto de

São Paulo. Isto deve ser ampliado para que alcancemos

maior visibilidade e consolidação da marca

fruta paulista.

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10

CAMPO DE NOTÍCIAS

Luciana Pacheco

Brasil Recupera Registro

da Marca Açaí

O açaí, que desde 2003 estava registrado

no Japão como marca de

propriedade da empresa K.K. Eyela

Corporation, é de novo brasileiro.

O Departamento de Patrimônio

Genético, do Ministério do Meio

Ambiente, informou, em fevereiro,

que o registro da marca “açaí” foi

cancelado por ordem do Japan

Patent Office, o escritório de registro

de marcas do Japão. Porém, a

empresa ainda tem 30 dias para

recorrer da decisão.

Para coibir o registro indevido de

componentes da biodiversidade nacional,

o governo formulou lista com

3 mil nomes científicos de plantas brasileiras

e distribuiu para escritórios de

registro de marcas no mundo inteiro.

Produtos típicos, como cupuaçu,

rapadura e até escapulário já foram

registrados indevidamente como

marcas fora do País.

Embrapa Lança Processo

Agroindustrial de Passas

de Mamão

A Embrapa Mandioca e Fruticultura

Tropical (Cruz das Almas/BA)

lançou em dezembro o processo

agroindustrial “passas de mamão”,

sem o uso de conservantes, que demanda

baixo investimento em equipamentos

- basta um secador para

que a temperatura durante o processo

de secagem seja controlada.

O aspecto do produto é um grande

diferencial, pois possui textura

e cor brilhantes, diferente dos produtos

disponíveis no mercado, que

são geralmente escuros, cristalizados

na superfície e com textura rígida.

Esta tecnologia, segundo a

Embrapa, terá impactos significati-

vos no aproveitamento do mamão,

além de gerar receitas para a

agroindústria de pequena escala,

pois requer baixo investimento.

Mais informações: Embrapa Mandioca

e Fruticultura Tropical,

telefone (75) 3621-8076, fax (75)

3621-8015, e-mail: leacunha@

cnpmf.embrapa.br.

Usos Sustentáveis da

Casca de Coco

Segundo dados da Embrapa

Agroindústria Tropical, cerca de

70% do lixo gerado na orla das

grandes cidades brasileiras é composto

por cascas de coco verde,

material de difícil degradação e foco

de proliferação de doenças, que

diminui a vida útil de aterros sanitários

e lixões. Em Fortaleza/CE,

nos meses de alta estação, só a

Avenida Beira-Mar e a Praia do Futuro

recebem 40 toneladas por dia

do resíduo.

Para reduzir este efeito e aproveitar

a matéria-prima, a Embrapa

Agroindústria Tropical desenvolveu

uma tecnologia e um conjunto de

equipamentos para processamento

da casca de coco verde, transformando

o resíduo em pó e fibra. O

trabalho viabilizou a implantação de

uma unidade de beneficiamento no

bairro do Jangurussu, em Fortaleza,

com recursos do Banco Mundial,

em parceria com diversas instituições

públicas e privadas. O projeto

pretende instalar cercas verticais

de contenção, feitas a partir das

mantas de coco verde. As mantas

ajudarão a barrar a ação do vento,

evitando que as partículas de areia

invadam as residências dos moradores

da Praia do Serviluz. Elas

também serão usadas como cobertura

de solo para a plantação de

espécies adaptadas ao ambiente,

como cactáceas (palma forrageira),

arbustivas (murici, guajiru e nim), frutíferas

(cajueiro e goiabeira) e herbáceas

(salsa e amendoim), além de

canteiros com 14 espécies de plantas

medicinais, como, por exemplo,

alecrim-pimenta, malvarisco, confrei,

chambá, capim-santo, hortelã

japonesa e alfavaca.

A casca do coco também está sendo

transformada em vasos e placas

por uma empresa de Fortaleza/CE.

Confeccionados à base de

fibra de coco, os produtos atendem

ao critério de similaridade ao

xaxim, espécie em extinção, devido

à sua extração para paisagismo.

A fibra de coco consegue reter umidade

e deixa as plantas ultrapassarem

as paredes dos vasos e das placas,

permitindo, assim, que se desenvolvam

conforme suas necessidades

e funções.

Embalagens de Madeira

Ganham Novas Regras

O Brasil passará a exigir dos seus

parceiros comerciais mercadorias

acondicionadas em embalagens de

madeiras certificadas. A medida

objetiva reduzir o risco de introdução

de pragas exóticas no Brasil

e manter o País livre das principais

pragas quarentenárias florestais

com ocorrência em países da

Ásia, Europa e dos Estados Unidos.

Nesse sentido, o Ministério

da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

(Mapa) publicou Portaria,

que coloca em consulta pública

por um prazo de 60 dias o projeto

da Instrução Normativa, que

visa adotar diretrizes e recomendações

para certificação fitossanitária

das embalagens e dos suportes

de madeira, usados no


acondicionamento e transporte de

quaisquer mercadorias destinadas

ao comércio internacional.

A nova norma estabelecerá critérios

de rastreabilidade, emissão de

certificados, exportação, inspeção

e fiscalização, e medidas fitossanitárias

cabíveis para essas embalagens

e os suportes de madeira.

A madeira deverá, por exemplo,

estar livre de insetos vivos e sem

sinal de infestação de pragas. A

responsabilidade de cumprimento

das regras recairá sobre a empresa

exportadora e importadora, que

deve estar em concordância com as

regras da Instrução Normativa.

A certificação será necessária para

embalagens e suportes de madeira

em bruto - aqueles que não sofreram

processamento, nem foram

submetidos a tratamento -,

que inclui caixas, engradados,

paletes, madeira de estiva, lastros

e calços. Estão isentos das exigências

de certificação, as embalagens

e os suportes de madeira industrializados,

processados ou que,

no processo de fabricação, tenham

sido submetidos ao calor, colagem

ou pressão, a exemplo de compensados

e aglomerados de partículas,

fibras orientadas ou folhas com espessura

de 6 mm ou menos.

Para mais informações, consulte a

Portaria de nº 7, publicada na edição

de 17/01/07 no Diário Oficial da

União, disponível no site da Imprensa

Nacional, no endereço eletrônico

www.in.gov.br.

Castanhas do Rio Grande

do Norte Acessam o

Mercado Externo

Exportação para Europa e preços

de venda melhores, com aumen-

to da rentabilidade do negócio são

os resultados das ações, promovidas

pelo Sebrae, há três anos,

para fortalecer e desenvolver a

cultura empreendedora entre os

produtores de castanha de caju,

organizados em 11 municípios do

Rio Grande do Norte. No ano

passado, foi criado um projeto

para promover a ocupação e o aumento

das vendas das castanhas

de forma competitiva e sustentável,

fundamentadas na cultura de

cooperação. Desde então, foram

construídas e revitalizadas dezenas

de indústrias que, juntas, são responsáveis

por quase 20% da produção

de castanhas de caju de

todo o Brasil.

Nos períodos de safra, entre os

meses de outubro e janeiro, as indústrias

chegam a empregar 280

famílias, beneficiando 600 pessoas

diretamente e 3 mil indiretamente.

De acordo com o gestor

do projeto no Estado, Lecy Carlos

Gadelha Júnior, em 2006, as

minifábricas produziram 90 toneladas

de castanhas de caju, das

quais 75 foram enviadas para Itália

e Alemanha e 15 toneladas foram

vendidas para o mercado interno.

Além disso, os produtores aumentaram

o preço do quilo das castanhas

de R$ 0,70 para R$ 1,10,

melhorando sua rentabilidade.

Com a implantação das unidades

familiares nas minifábricas e acompanhamento

do Sebrae, os produtores

se organizaram, investiram

em embalagens novas e mais

modernas, reduziram a sua

dependência sobre os atravessadores

na comercialização

e aumentaram a oferta para os

mercados interno e externo da

castanha e dos subprodutos do

caju, inclusive o orgânico.

Fazenda de Goiaba

Conquista Certificação

Rainforest Alliance

O Sítio São Nicolau, da empresa Val

Frutas, produtora e processadora de

goiaba de Vista Alegre do Alto/SP, foi

a primeira fazenda de goiaba do

mundo a receber autorização para

utilizar o selo Rainforest Alliance

Certified em seus produtos.

Roberto Rossi, supervisor de

Marketing da empresa, explica que

“este é um selo reconhecido internacionalmente

e, no intuito da

melhoria contínua de suas práticas

agrícolas, a Val Frutas encontrou

nesta certificação os requisitos

ideais para a promoção da

agricultura sustentável”. A

certificação garante que a empresa

respeita o meio ambiente, os

trabalhadores e a região onde está

inserida. Para conquistar a

certificação, a propriedade se

comprometeu com as regras da

Rede de Agricultura Sustentável,

rede internacional de organizações

sem fins lucrativos, que estabelece,

entre outras normas, a conservação

dos rios, dos solos e do

meio ambiente. Além disso, as propriedades

devem garantir que os trabalhadores

e suas famílias sejam respeitados,

recebendo um salário digno

e tendo acesso à saúde e à educação.

Para o Imaflora, organização

sem fins lucrativos,responsável pelo

processo de certificação Rainforest

Alliance no Brasil, a conquista da Val

Frutas representa o primeiro passo

para a ampliação do segmmento de

certificação para frutas. Além da

goiaba, outros cultivos possuem o

selo Rainforest Alliance, como

café, banana, laranja e flores, em

diversos países da América Latina

e mais recentemente na África.

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NO POMAR

Marlene Simarelli

BANANA RESISTENTE

A SIGATOKA NEGRA

Quando o fungo Mycosphaerella fijiensis Morelet, causador da Sigatoka negra, atinge

os bananais, com variedades suscetíveis em condições de clima quente e úmido, as

perdas chegam a 100% da produção. Para ajudar na solução do problema, a Embrapa

Mandioca e Fruticultura Tropical lançou as novas cultivares de bananeira Japira e Pacovan

Ken, resistentes à doença. O pesquisador Sebastião de Oliveira e Silva, responsável

pelo melhoramento de bananeira, afirma que “o uso das duas variedades evita a

aplicação de fungicidas no controle das sigatokas amarela e negra, prática de elevado

custo e com implicações ambientais”.

A cultivar Japira produz 25 toneladas por hectare; apresenta a maioria das características

de desenvolvimento e de rendimento superior à Prata e bastante semelhante a

Pacovan. Mas é superior na reação às doenças, sendo resistente a Sigatoka amarela, a

Sigatoka negra e ao mal-do-Panamá. Foi lançada no Espírito Santo e avaliada em diferentes

ecossistemas na Bahia, no Amazonas e no Acre.

A Pacovan Ken tem porte de médio a alto, ciclo médio e se destaca das demais por

apresentar produção de 30 toneladas por hectare. Os cachos, de frutos mais doces,

podem chegar a 28 quilos, com sete a dez pencas por unidade. Apresenta também

resistência a Sigatoka amarela e ao mal-do-Panamá. Lançada na Bahia, a Pacovan Ken

foi testada e recomendada para outros estados da região Norte.

Informações sobre as mudas das novas variedades podem ser obtidas na Campo

Biotecnologia, telefone (75) 3621-2584, email: fernando@campo.com.br.

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CUIDADOS COM O MAMOEIRO

A partir de março, quando diminuem as chuvas e a temperatura cai, a cultura do mamoeiro, de produção contínua, exige que os

produtores fiquem atentos, principalmente para os problemas fitossanitários, como o ácaro-rajado e as doenças viróticas meleira e

mosaico do mamoeiro. Isto porque sua ocorrência fica favorecida com a entrada do período da seca.

O pesquisador David Martins, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper –, explica que “os

ácaros-rajados (Tetranychus urticae) surgem com o início da seca. São pequenos indivíduos, pouco perceptíveis a olho nu, encontrados

associados às folhas mais velhas do mamoeiro, geralmente na parte inferior do limbo, formando colônias entre as nervuras mais

próximas do pecíolo, onde tecem teias e depositam seus ovos. Quando as folhas são intensamente atacadas, secam e caem, prematuramente,

provocando redução da área foliar. A queda das folhas afeta o desenvolvimento e a produtividade da planta e deprecia a

qualidade dos frutos pela sua exposição à ação direta

dos raios solares”. O ataque do ácaro-rajado aos pés de

mamoeiro normalmente surge em reboleiras. “E é nas

FOTOS INCAPER/ES

O clima mais ameno e seco

favorece o aparecimento de pragas

e doenças como ácaro rajado

(acima) e meleira (ao lado).

Japira (acima) e Pacovan Ken são

resistentes a sigatoka negra.

reboleiras que a praga deve ser combatida antes que se

disseminem pela lavoura”, enfatiza Martins.

As duas doenças viróticas meleira e mosaico do mamoeiro

aparecem com o final do verão, em condições de

temperaturas mais amenas. Essas condições climáticas

favorecem o aparecimento dos sintomas com maior rapidez,

ou seja, ficam mais evidentes. Como para essas

doenças não há controle, o pesquisador recomenda que

as plantas atacadas sejam erradicadas, tão logo apareçam

os primeiros sintomas, para evitar que se disseminem

pela lavoura.

EMBRAPA CNPMF


MUDAS DE MORANGO

EM CÂMARA FRIA

As mudas de morango da cultivar Camarosa, uma das mais plantadas no País e a mais

importante no Rio Grande do Sul, produzem mais quando vernalizadas em câmara fria. A

vernalização, técnica que consiste em colocar as mudas em câmara fria durante uma fase de

seu crescimento, fez com que a produtividade fosse de 1,07 kg por planta por ano, o

equivalente a 117% superior em relação a muda sem vernalização. As mudas oriundas do

Chile, também usadas para comparação, tiveram produção semelhante a muda nacional

vernalizada. “Os resultados da pesquisa tornam competitivas as mudas produzidas no Brasil,

sendo possível reduzir a importação e oferecer uma alternativa de renda aos produtores

nacionais”, afirma Roberto Pedroso de Oliveira, da Embrapa Clima Temperado, Pelotas/RS,

coordenador do estudo. Para se ter uma idéia do mercado, mais de 80% das mudas de

morango utilizadas no Rio Grande do Sul, provêm do Chile e da Argentina. O pesquisador

explica que “a vernalização das mudas foi feita por 24 dias em câmara fria, sob condições de

temperatura de 4±1oC e umidade relativa de 94±2%”.

A produção e a qualidade dos frutos do morangueiro estão diretamente relacionadas ao

número de horas de frio que as mudas recebem no viveiro. Em sua maioria, as mudas

produzidas no País não atingem o padrão de certificação, apresentando produtividade inferior

às importadas dos Estados Unidos, do Chile e da Argentina. O experimento foi realizado

no sítio Simon, município de Pelotas/RS, utilizando sistema de produção sob túneis com Produtor de mudas Pedro Signorini tes-

mudas de morango da cultivar Camarosa, produzidas em viveiro da região de Pelotas. Para tou e aprovou a tecnologia desenvolvida.

a vernalização, as folhas foram removidas, mantendo-se as raízes intactas, sendo realizado

um tratamento preventivo com fungicida tiofanato metil. Em seguida, as mudas foram dispostas em câmara fria no interior de sacos

plásticos transparentes de 0,05 mm de espessura, contendo 20 plantas cada. O transplantio das mudas foi realizado de acordo com

as técnicas de produção em uso no País. Mais informações sobre a pesquisa com Roberto Pedroso de Oliveira, email:

rpedroso@cpact.embrapa.br, telefone (53) 3275-8100.

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ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO/INCAPER

ABACAXI VITÓRIA

PARA ENFRENTAR FUSARIOSE

Resistência a fusariose é a principal característica do abacaxi Vitória, nova cultivar lançada

pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper -,

em parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. A doença, causada

pelo fungo Fusarium subglutinans f.sp. ananás, é o problema fitossanitário que mais

ataca a cultura. A nova cultivar, com folhas sem espinhos, é destinada ao consumo in

natura e à agroindústria. Seus frutos têm polpa branca, boa suculência, eixo central de

tamanho reduzido e elevado teor de açúcares (média de 15,8 °Brix). Outras características

favoráveis para produção são a cor amarela da casca, o formato cilíndrico e o

peso dos frutos, em torno de 1,5 kg. De acordo com as instituições, o abacaxi Vitória

é 30% mais produtivo, dispensa o uso de fungicidas para controle da doença, possibilitando

a redução do impacto ambiental e dos custos de produção. Apresenta, tam-

Vitória chega ao mercado depois de

bém, maior resistência ao transporte e ao pós-colheita. As recomendações técnicas

uma década de pesquisa.

de cultivo são as mesmas usadas para as cultivares Pérola e Smooth Cayenne.

O Programa de Melhoramento Genético do Abacaxizeiro da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical começou em 1984. Os

híbridos gerados passaram por avaliações e seleção em diferentes regiões produtoras. Deles, três híbridos foram introduzidos nas

fazendas experimentais do Incaper, onde, nos últimos 10 anos, realizou-se a seleção, que originou o Vitória. Para outras informações

e locais de aquisição de mudas, contatar Aureliano Nogueira da Costa, na coordenação do Programa Estadual de Fruticultura do

Incaper, telefone (27)3137-9887, email: aureliano@incaper.es.gov.br.

EMBRAPA CPACT

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FRUTAS FRESCAS

NICEBERRY

FRUTAS FINAS

Empresas apostam na

produção e comercialização de

frutas finas e delicadas como

mirtilo e physalis, exigentes em

cultivo, colheita e transporte,

cujo alto valor agregado é o

principal diferencial.

Beth Pereira

Embora representem um grande potencial econômico,

frutas finas como mirtilo, framboesa, cereja,

amora, pitaya e physalis, têm consumo restrito

por causa do alto valor agregado, em decorrência

da produção limitada, do manejo da difícil colheita,

da exigência em mão-de-obra, dos cuidados no

transporte e armazenagem e por serem altamente

perecíveis. Os preços elevados fazem com que seu

consumo fique praticamente restrito às pessoas com

maior poder aquisitivo. Júlio Cesar Zanardi, gerente

de importação da Irmãos Benassi, concorda que

a demanda por frutas finas no País ainda é bastante

limitada às pessoas da classe A. “Apenas no pico da


FOTOS NICEBERRY

safra, quando os preços caem, elas ficam mais acessíveis

também às classes B, C e D”, observa. Ele

lembra que a amora é a que apresenta maior produção

e preço mais reduzido, principalmente no

pico da safra. Segundo Zanardi, as frutas finas são

muito sensíveis, apresentando bastante dificuldade

de manuseio. Isso faz que o preço do mirtilo, por

exemplo, seja muito alto, tornando praticamente

impossível consumi-lo fresco. No geral, essa fruta

é comercializada congelada, sob a forma de polpa

ou utilizada no preparo de doces e geléias.

Outra fruta difícil de ser comercializada fresca,

na opinião de Zanardi, é a framboesa. “É muito sensível

para ser comercializada fresca, exige cuidados

na colheita e na pós-colheita, além de uma estrutura

muito boa de armazenagem e refrigeração”, explica.

Já a pitaya, embora seja uma fruta nova no

mercado, tem tido o consumo aumentado aos poucos,

mas os preços ainda estão elevados. “Se aumentar

a produção, a tendência é o preço cair e o

consumo ampliar”, analisa. Enquanto isso, para a

physalis, a demanda é reprimida, por ser uma fruta

pouco divulgada e pouco conhecida. “A venda é

quase irrisória. O consumo tem aumentado, porém

de forma insignificante.”

EXCLUSIVO

A empresa Irmãos Benassi é distribuidora de frutas

finas para o Brasil da italiana Italbras, com sede

em Vacaria/RS. São Paulo responde pelo maior consumo

dessas frutas, por uma questão de logística.

Na safra, a empresa recebe remessas de frutas diariamente.

Agora, porém, com a colheita chegando

ao fim, o recebimento ocorre apenas duas vezes

por semana. Para Zanardi, a forma de tornar

essas frutas acessíveis ao consumidor brasileiro é

reduzir o valor agregado, o que ele considera difícil,

por causa do alto custo de produção e da alta

exigência em mão-de-obra. “Daí a preferência por

congelar a fruta”, observa. “Um quilo de framboe-

sa vale mais do que o quilo de filé mignon”, compara,

lembrando que, atualmente, na Ceasa, o quilo

chega a R$ 35,00, o mesmo vale para a physalis.

Enquanto isso, o preço do quilo da amora é R$

30,00, atualmente, e, na safra, R$ 10,00; e da

pitaya, R$ 10,00.

Há algumas frutas, porém, as quais o Brasil importa

praticamente toda a necessidade de consumo.

É o caso da cereja e da pêra, porque o clima

não favorece o cultivo. Zanardi afirma que há testes

em andamento, mas ainda não foram encontradas

variedades que se adaptem ao nosso clima, até

porque muitas delas precisam de muito frio. O Brasil

produz uma ou outra variedade de pêra, mas, para

atender à demanda, importa a fruta dos Estados

Unidos, Chile, Espanha, Argentina, Itália e Portugal.

“É uma fruta produzida e importada em escala,

portanto, de preço barato”, diz Zanardi.

INCENTIVO

Há três anos, a Nice Berry, empresa do Grupo

Hathor, está incentivando o cultivo de frutas finas

no Brasil. Possui pomares de physalis, blue berry

(mirtilo), framboesa e amora nos municípios

catarinenses de Itá e Bom Retiro, e nas cidades argentinas

de Santa Isabel e Concórdia. Segundo Débora

Schäfer, responsável pela área de Marketing

de empresa, os 22 hectares cultivados no País com

frutas finas produzem 60 toneladas, sendo a maior

produção de amora e framboesa, cuja colheita se

concentra de outubro a janeiro, com exceção do

physalis, que produz o ano todo, cerca de 17 toneladas.

Na Argentina, onde a produção é maior,

90% da colheita é exportada para os Estados

Unidos e a Europa. Débora diz que o maior mercado

de frutas finas é São Paulo, mas a idéia é trabalhar

o Brasil como um todo. “O consumidor brasileiro

aprecia frutas e acreditamos que a divulgação

das propriedades e do sabor das frutas finas vai

aumentar a demanda e, ao mesmo tempo, baixar

Physalis e mirtilo têm

alto valor agregado e

são acessíveis apenas

aos consumidores de

maior poder aquisitivo.

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FRUTAS FRESCAS

os preços, tornando-as mais acessíveis”, observa.

“Já existe uma demanda, embora pequena. Temos

realizado ações promocionais, que incluem

degustação nos pontos-de-vendas, anúncios em

revista e folders.”

As frutas finas exigem cuidados na

colheita, e estrutura de armazenagem

e refrigeração.

Débora aponta uma demanda mundial crescente

por mirtilo. Ela conta que a Argentina deve produzir

140 toneladas este ano. Outra fruta com

bom potencial de mercado é a framboesa, muito

procurada pelo sabor e pela cor. “Grandes empresas

a têm utilizado para enriquecer outros alimentos,

principalmente sobremesas e lácteos”, afirma

e acrescenta que a demanda por amora também

vai aumentar bastante. “A oferta está crescendo e o

preço está ficando mais acessível para as empresas

industrializarem os produtos.”

A venda da produção da Nice Berry no Brasil é

feita por meio de distribuidores nas Ceasas e no

Ceagesp, em São Paulo, principalmente. A empresa

vende as frutas in natura, em embalagens de 125

gramas, e também congeladas (IQF), visando à produção

de geléias, iogurtes, tortas e sucos. Conhecido

como fonte da juventude, pelo seu poder

antioxidante, além de propriedades nutricionais, o

blue berry (mirtilo) é comercializado em embalagens

de 125 gramas, por cerca de R$ 8,00. “O

ROBERTO PEDROSO DE OLIVEIRA/EMBRAPA CLIMA TEMPERADO

mirtilo exige muita mão-de-obra porque os frutos

têm de ser colhidos com bastante cuidado, para

não se romperem, vão direto na embalagem com

gelo no fundo.” Segundo Débora, no ano passado,

foram colhidas seis toneladas da fruta. “A idéia é

dobrar a produção de mirtilo este ano”, planeja e

acrescenta que os pomares são novos e a planta

entra no seu pico de produção a partir do quinto

ano, produzindo até 15 anos.

A embalagem de amora é comercializada

por R$ 4,00. “Além de maior produtividade, comparada

a outras frutas finas, é mais fácil de conduzir.”

A framboesa é vendida por R$ 7,00 a embalagem

de 125 gramas, o mesmo preço da sofisticada

physalis, de sabor único e incomparável, que une o

ácido e o adocicado, e é apreciada pelos grandes

chefs da cozinha internacional. “Tem sido muito utilizada

na decoração de pratos e na elaboração de

bombons”, diz Débora. Também, é consumida na

forma de doces, sucos, sorvetes, geléias ou como

acompanhamento de vinhos. Originária da Amazônia

e dos Andes, possui alto teor de vitaminas A,

C, fósforo e ferro, licopeno e betacaroteno, que

tem efeito antioxidante. De olho no mercado internacional,

a produção já está em fase de

certificação. “A idéia é ter o EurepGap para exportar

para o mercado europeu”, diz Débora. Por enquanto,

o foco da empresa é consolidar o mercado

interno. “Apenas quando a oferta for maior do que

a demanda, passaremos a exportar.” Embora não

seja orgânica, a produção não utiliza agrotóxicos.

“Como as frutas são colhidas direto na embalagem,

que vai para o processo de refrigeração, o consumidor

tem à sua disposição uma fruta de excelente

qualidade”, diz.

POTENCIAL

O Programa Estadual de Fruticultura do Rio

Grande do Sul tem estimulado o cultivo de frutas

finas. Na região, as mais importantes são morango,

amora e framboesa, mas já começam a despontar

espécies como physalis e mirtilo. Mercado existe,

há o interesse de compradores estrangeiros, mas

ainda não há uma estrutura de logística no aeroporto,

segundo o coordenador do programa, Paulo

Lipp João. “Falta estrutura de câmara fria para o

embarque dessas frutas congeladas via aérea. O aeroporto

não está preparado para essa finalidade”,

afirma João. Ele acrescenta que, por essa razão, o

fruticultor tem de preparar a carga e levar na hora

País já dominou tecnologia para produção

e comercialização do delicado morango.


para o aeroporto. “Além disso, muitas vezes, é preciso

disputar lugar com outros produtos. Quando

tem lugar no avião, a fruta é embarcada, caso contrário,

volta para a propriedade. Por essa razão, a

produção tem sido direcionada principalmente ao

mercado de São Paulo, em especial para os sacolões

de frutas finas.”

Entre as frutas finas, a mais popular, segundo

João, é o morango, com produção anual de 12 mil

toneladas, direcionada basicamente para o mercado

interno e muito pouco para exportação à Europa.

Ele conta que “há cerca de cinco anos, produtores

da Serra Gaúcha começaram a exportar a

fruta, mas as vendas não avançaram mais por causa

da baixa taxa cambial”. Segundo ele, são 450 hectares

cultivados com morango, cuja produtividade

tem aumentado, graças ao uso da fertirrigação. Além

disso, ele conta que há variedades americanas e

espanholas que podem ser plantadas e colhidas o

ano inteiro. De amora, são 120 hectares e produção

anual de 1.000 toneladas e, de framboesa, cerca

de 10 hectares e produção de 50 toneladas. O cultivo

da framboesa vem crescendo na região de Va-

caria, visando à exportação – principalmente para

a Itália, por meio de empresas italianas sediadas na

região, como a Italbras – e também para o mercado

interno, principalmente São Paulo.

De acordo com João, a argentina Nice Berry

tem fomentado o physalis, de forma ainda incipiente;

além de mirtilo, na Serra Gaúcha, em Vacaria e

Caxias do Sul, e no Alto Uruguai, em Erechim, onde

está surgindo um novo pólo de cultivo de mirtilo.

”Graças ao incentivo da Nice Berry, são 22 hectares

de frutas finas e produção de 60 toneladas. Ele

também lembra que “na região de Farroupilha está

começando o cultivo de pitaia.”

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PASSAPORTE

PARA EXPORTAR

Sistema garante a qualidade e a procedência da fruta, facilitando a

entrada e a abertura de novos mercados para o produto brasileiro

no Exterior, mas não é garantia de preços melhores.

Beth Pereira


Segurança alimentar é uma das maiores preocupações

mundiais, tanto que países e blocos comerciais

têm criado legislações especiais para proteger

o consumidor, que, a cada dia, aumenta o nível

de exigências em relação a rastreabilidade dos

alimentos. Com as frutas não é diferente. Na Europa,

a maioria das grandes redes de varejo exige o

EurepGap (Euro Retailer Produce Working Group),

criado por grandes grupos varejistas desse continente.

Mas há outros protocolos de certificação voltados

para a fruticultura, como o GAP (Good

Agricultural Practices), para o mercado americano;

o TNC (Tesco Nature’s Choice) para os países onde

a rede atua, mas principalmente para a Inglaterra; e

o HACCP (Hazard Analysis and Critical Control

Points), sendo este último recomendado pela Organização

Mundial de Saúde (OMS), além do programa

brasileiro Produção Integrada de Frutas (PIF).

“Enquanto no sudeste asiático o alvará para a entrada

de frutas é a declaração de boas práticas agrícolas,

nos Estados Unidos, além da legislação sobre

contaminações microbiológicas (Lei Clinton), os exportadores

têm de cumprir as determinações da Lei

Antiterror do presidente Bush”, destaca o presidente

do Conselho do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf)

e da Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação

da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA),

Luiz Borges Junior. De acordo com Borges, o cerco

está se fechando e a União Européia (UE) está se

estruturando para implementar as normas de produção

integrada de frutas em todos os países do

bloco. Ele lembra que a Itália, Espanha, Alemanha,

França e Bélgica já se adequaram ao programa, porém,

os novos integrantes dos blocos da União Européia

(UE) ainda estão se preparando para essa

finalidade. “Quando esses novos países estiveram

adequados, eles vão exigir que todos os exportadores

estejam dentro das premissas do PIF”, diz.

Neste mês de março, uma missão da UE virá

ao Brasil para vistoriar a produção de melão, manga

e outras frutas da pauta de exportação. “Certamente

vão exigir a análise de resíduos, como já ocorre

com a maçã e o mamão”, acredita Borges Junior.

Ele conta que o País está se estruturando com laboratórios

para atender a essa nova demanda. Além

disso, laboratórios internacionais estão se instalando

no território nacional para essa finalidade. Segundo

Borges Junior, vale a pena adotar a

certificação, até porque no futuro todos os mercados

vão exigir rastreabilidade. “A pressão será maior

e as exigências, também”, salienta. Ele acrescenta

que “a segurança do alimento é o princípio básico

para acesso aos mercados internacionais, inclusive

para o mercado interno”.

CONSUMO CONSCIENTE

Gustavo Sanches Bacchi, da certificadora BCS

Öko-Garantie - Brasil, considera que há vários tipos

de exigências dos mercados importadores, entre

elas as relacionadas às preferências do consumidor,

como tamanho, cor, sabor; e as que se referem

ao atendimento das mais diversas legislações

vigentes no Brasil e nos países para os quais são

exportadas as frutas brasileiras. “Além disso, há normas

decorrentes do ‘consumo consciente’, que exige

garantias sobre o cumprimento de padrões sociais

e ambientais mínimos por parte dos fruticultores

e distribuidores”, destaca. Bacchi lembra que um

exemplo bastante importante de exigência do consumo

consciente, que ganha cada vez mais relevância

em muitos países, é a certificação orgânica. “O

consumo dos produtos orgânicos ampliou-se nas

últimas décadas na mesma proporção em que aumentou

a consciência do consumidor sobre os benefícios

da produção e do consumo das frutas orgânicas”,

observa. Embora reconheça a necessidade

e as vantagens da certificação, Bacchi afirma que há

alguns mitos em torno do assunto. Um deles é a

crença de que a certificação de uma propriedade,

uma vez obtida, resolve todos os problemas de

comercialização do produto em questão, o que não

é verdade. “Muita gente também acredita que o

esforço necessário para conseguir o certificado termina

quando o mesmo é emitido pela certificadora.

Isso, porém, não é real, até porque a maioria dos programas

de certificação

demanda uma melhoria

contínua do

produtor”,

CERTIFICAÇÃO

19 19


AGROECOLOGIA

20

CERTIFICAÇÃO

Daniel Velloso, Agroecologia.

ressalta. “Na prática, isso significa que o produtor

precisa se organizar para conquistar a certificação e

para mantê-la (ou seja aprimorá-la) nos anos seguintes.

Além disso, também precisa atender às

demais exigências dos mercados em questão.”

Para Bacchi, outro aspecto interessante da

certificação de propriedades agrícolas é o fato de

que os produtores foram apresentados a esse tipo

de serviço muito recentemente e, por esse motivo,

ainda não há uma cultura de certificação bem consolidada

no meio rural. “Conceitos fundamentais

para uma certificação de alto nível, como por exemplo,

conflito de interesses, independência, imparcialidade,

transparência são, em muitos casos, completamente

desconhecidos por parte dos produtores”,

enfatiza. Ele acrescenta que pouco se sabe,

também, sobre o rigor dos processos de acreditação

aos quais são submetidas as certificadoras. “Nos

processos de acreditação, as certificadoras são fiscalizadas

constantemente, demandando, de forma

permanente, a capacitação técnica dos seus funcionários,

organização e muitas outras exigências que

são pouco conhecidas pelos produtores rurais e

pelos consumidores das suas frutas certificadas.”

Soma-se a isso o fato de que cada país possui uma

legislação própria, com variações conforme as diferentes

espécies de frutas. “A própria União Européia,

que tem realizado um grande esforço para

harmonizar a legislação entre os países-membros,

ainda possui diferenças na legislação de produtos

fitossanitários referentes a produtos agroquímicos

banidos e/ou limites máximos de resíduos”, analisa.

Embora acredite que vale a pena investir na

certificação, Bacchi destaca a importância de um

bom plano de negócio, no qual todas as variáveis são

estimadas e projetadas. “Os projetos de fruticultura certificados

com a maior longevidade que conheço estão

bem apoiados num bom planejamento”, salienta.

Ele lembra que alguns aspectos relacionados

à certificação tornam-se cada vez mais

evidentes. “O enriquecimento da experiência

dos produtores em conhecimento, organização,

capacitação e outros quesitos exigidos

pelos diferentes programas de certificação

são bastante significativos”, afirma. “Talvez a

avaliação econômica de curto prazo da relação

entre os investimentos e os benefícios

de um processo de certificação não

consigam captar os ganhos em termos

de produtividade, de eficiência administrativa,

de redução de passivos

ambientais, de saúde do consumidor

e de tantos outros aspectos requeri-

dos pelos diferentes programas de certificação e que

se mantêm no longo prazo.”

SEGURIDADE E

BOAS PRÁTICAS

O presidente do Instituto Agroecologia, Daniel

Velloso, afirma que as principais premissas dos importadores

de frutas são a comprovação da

seguridade alimentar e a adoção das boas práticas

agrícolas. Além de protocolos internacionais como

EurepGap, US GAP e Tesco Natures Choice, ele

afirma que outros países exportadores estão definindo

legislações próprias. Caso do Chile, que criou

o Chilegap, com benchmarking - técnica que consiste

em acompanhar processos de organizações que

sejam reconhecidas como representantes das melhores

práticas administrativas. “Outros países exportadores

estão buscando o benchmarking, ou seja,

a equivalência e o reconhecimento com o

EurepGap, a exemplo do México, China GAP, Kenia,

Japão (J-GAP) e outros”, explica.

Como representante do oficial da EurepGap no

Brasil, Velloso destaca como as principais exigências

desse selo requisitos da rastreabilidade, de

sustentabilidade ambiental, seguridade alimentar e

viabilidade econômica, mediante a aplicação das

boas práticas agrícolas. Nessas práticas, está proibida

a utilização de tecnologias agressivas ao ambiente

e à saúde humana, segurança e bem-estar dos

trabalhadores. “Isso implica em uso racional e exclusivo

de produtos oficialmente registrados para

Principais Pontos para

Obter Certificação

Fazer controle de agroquímicos;

Cuidar da higiene na colheita e pós-colheita;

Oferecer condições de trabalho adequadas

à legislação trabalhista;

Proteger o Meio Ambiente;

Uma vez conquistada a certificação é

necessário fazer uma melhoria contínua

da propriedade para mantê-la;

O tempo e o preço da certificação variam

de acordo com o estágio em que se encontra

a propriedade e tempo que o produtor leva

para corrigir os pontos não conformes.


Compradores preocupam-se com questões

ambientais e bem estar dos trabalhadores -

Katia Leal Nogueira, SGS do Brasil.

cada cultivo, respeitando-se os intervalos de segurança;

conservação do solo, aplicação de fertilizantes, recursos

hídricos, recursos naturais de maneira geral,

análise de resíduos, colheita, pós-colheita”, detalha.

PREOCUPAÇÃO

DOS COMPRADORES

Katia Leal Nogueira, gerente comercial da SGS

do Brasil, também ressalta que há, atualmente, por

parte dos compradores, uma preocupação muito

grande com as questões relacionadas a resíduos

químicos, ambiente e bem-estar dos trabalhadores.

“O reflexo dessas preocupações está nas principais

normas de certificação que, na maioria das vezes,

são elaboradas pelas próprias redes varejistas ou entidades

criadas por eles, caso do EurepGap e Tesco

Natures Choice”, cita. “As exigências estabelecidas

nessas normas visam a garantir a produção de fruta

sustentável, de qualidade, livre de resíduos, respeitando

o ambiente e os trabalhadores.”

Ela chama a atenção para as questões relacionadas

ao cumprimento do limite máximo de resíduo

(LMR) permitido e a não-utilização de produtos proi-

bidos, o que, na

sua opinião, é de

suma importância

e pode comprometer

a aceitação

da fruta.

Além disso, lembra

que alguns

países estabelecem

regras de

produção e

empacotamento

para o controle

da mosca-dafruta.

“Dentro desse contexto, percebe-se que a

certificação pode ser um fator determinante para

alguns compradores e mercados, aliada ao atendimento

às especificações estabelecidas por cada importador

(cor, tamanho, etc.).” Na opinião de Katia,

vale a pena investir na certificação de frutas, principalmente

porque pode facilitar o acesso do produtor

certificado a mercados mais exigentes e, em alguns

casos, que melhor remuneram. “O investimen-

SGS DO BRASIL

21


22

to em certificação é rapidamente recuperado, haja vista o

aumento da produtividade e a melhora da qualidade dos

frutos”, pondera.

Katia destaca como vantagens da certificação de frutas

a redução do uso de agroquímicos, melhora do controle

da produção, adequação à legislação quanto ao armazenamento,

uso e descarte de agrotóxicos e maior qualificação

dos funcionários. “Com a diminuição da necessidade

de ações corretivas no solo e de controle de pragas

e doenças, há uma economia de até 40% no uso de

insumos agrícolas, diante da menor necessidade de ações

corretivas no solo e do controle de pragas e doenças”,

salienta. “Na parte administrativa, há uma melhor gestão

da propriedade, entre outras vantagens.”

PREOCUPAÇÕES RELEVANTES

O engenheiro agrônomo da certificadora OIA (Organização

Internacional Agropecuária) Edegar de Oliveira Rosa,

destaca que, quem está comprando a fruta, quer ter a certeza

de não estar trazendo nenhuma praga. “Para exportar limão

para a Europa, é necessário dar um banho de hipoclorito

na fruta, para evitar o tráfego de patógenos”, exemplifica.

“Outra exigência é com a segurança do alimento (que não

faça mal para quem o consome). As legislações começam a

ser mais rígidas em relação a isso”, diz.

A condição ambiental é outra preocupação, principalmente,

no sentido de reduzir o risco de contaminação do ambiente

e garantir um nível de justiça social, o que passa pela

proibição do trabalho escravo e do uso de mão-de-obra infantil,

além de garantias de condições mínimas para os funci-

Quando se pensa em exportações de frutas, um dos assuntos

mais preocupantes para o produto brasileiro é a

questão dos limites mínimos de resíduos (LMR) de pesticidas.

Segundo o coordenador do Comitê de Defensivos Agrícolas

do Fundecitrus, Eliseu Nonino, atualmente, existem, apenas

normas relativa a limites de resíduos para produtos in natura.

“O Codex ainda não definiu sobre limites de resíduos para

alimentos processados”, explica e acrescenta que esse assunto

será discutido, na China, em maio, durante reunião.

Em relação às frutas in natura, Nonino observa que cada

país define quais são os defensivos permitidos e tem sua

legislação sobre esse assunto. “Caso um produto seja aprovado

para determinada cultura, é estabelecido um mínimo

permitido de resíduos”, diz. No Brasil, ele lembra que são

três os órgãos reguladores: o Mapa (Ministério da Agricultura,

Pecuária e Abastecimento); a Anvisa (Agência de Vigilância

Sanitária) e o Ministério do Meio Ambiente.

Produtos certificados têm

maior aceitação no Exterior.

onáriosligados à produção

da fruta.

“Essa exigência

está vindo

de duas formas:

por meio dos protocolos da iniciativa privada e dos governos,

que prevê boas práticas agrícolas, e, ao mesmo tempo,

está crescendo as legislações de orgânicos, cuja diferença

principal é a proibição de uso de agrotóxicos”, enfatiza. Ele

lembra que, no pólo brasileiro de Mossoró, exportador de

melão, além das certificações exigidas pelos importadores, já

há um movimento em torno da certificação orgânica.

De acordo com Oliveira Rosa, atualmente, a primeira

questão levantada na mesa de negociação com um produtor,

que pensa em exportar frutas, é sobre a certificação que ele

tem. Segundo ele, no passado alguns produtores aderiam à

certificação de forma equivocada, acreditando que isso seria

garantia de venda da produção, o que não é verdade. “É

uma ferramenta comercial, mas não é salvação da lavoura,

não é uma garantia de venda”, observa e lembra que o papel

da certificação é garantir qualidade ou por produto ou por

processo de produção. “Hoje, isso já está mais claro”, pondera.

“Outro ponto é a melhoria no sistema de gestão da

propriedade, muitas vezes até acompanhada de uma redução

do custo de produção.” Ele aponta também um ganho

financeiro, por dois motivos: é possível vender melhor o produto

e obter mais lucro ou ter acesso a mercados antes restritos.

“No caso da certificação orgânica, indiscutivelmente,

há uma vantagem com relação ao preço.”

LIMITES MÍNIMOS DOS RESÍDUOS

Em nível internacional, Nonino lembra que há o Codex

Alimentarius, programa conjunto da Organização das

Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e

da Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem instâncias

para cada tipo de alimento na comercialização internacional

entre países. “Dentre essas instâncias alimentares,

há também os limites de resíduos de pesticidas permitidos,

válidos para o comércio internacional. Hoje há

uma lista composta por 52 substâncias, que são aprovadas

no Brasil, pelos importadores e pelo Codex”, explica.

“No âmbito da citricultura brasileira há um comitê ligado

ao Fundecitrus com a participação de vários órgãos.

Trabalhamos com uma lista de defensivos apro-vados para

uso no Brasil e pelos países que importam produtos

cítricos brasileiros”, observa e acrescenta que

“no País há 108 substâncias permitidas pelos mercados

externos”.

NYKLAURITZENCOOL DO BRASIL - PORTO DE NATAL/RN


PROGRAMA

BRASILEIRO

Atualmente, o Brasil tem 40,4

mil hectares de frutas cultivados

dentro do programa Produção Integrada

de Frutas (PIF), cerca de

cinco mil hectares a mais do que

2005. O PIF tem como meta a produção

de frutas de qualidade, de

maneira segura para alimentação,

sem resíduos danosos à saúde humana.

Desta maneira, as frutas são

produzidas sem insumos poluentes,

com monitoramento dos procedimentos

e rastreabilidade do campo

à mesa do consumidor, em

condições socialmente e ecologicamente

justas e sustentáveis.

Instrução Normativa, publicada

em outubro de 2006 pelo Mapa,

criou novas regras para a exportação

de frutas. Segundo a medida,

os produtores devem fazer

parte do Plano Nacional de Segurança

e Qualidade dos Produtos

de Origem Vegetal (PNSQV),

do Mapa. De acordo com o coordenador-geral

do Sistema de Produção

Integrada e Rastreabilidade

do Mapa, José Rosalvo

Andrigueto, além de garantir a

qualidade dos alimentos, o programa

tem a preocupação de produzir

sem agredir o ambiente. “É

uma melhoria do processo produtivo

para se obter um alimento

seguro, que não tenha contaminações.

O sistema também é

econômico, pois reduz o custo da

produção ao usar menos

agrotóxicos e fertilizantes.”

LIVRO DE CAMPO

Há três anos, a Daros-BR, de

Mogi Mirim (SP), iniciou as exportações

de papaia, limão, mamão

formosa, figo, goiaba, manga,

banana e abacaxi para a Europa.

Na época, apenas um dos

produtores que entrega frutas

tinha o pomar certificado com o

EurepGap. Segundo o diretor da

empresa, Marcio Eduardo Bertin,

nesse período, muitos conseguiram

o selo, outros, porém, estão

em fase de validação. Embora o selo

não signifique valor agregado, mas

apenas o atendimento a uma barreira,

Bertim garante que o mesmo

favorece a conscientização no meio

em que a pessoa trabalha. “O produtor

visualiza problemas que ele

não percebia anteriormente,

como, por exemplo, o uso de defensivos”,

afirma e acrescenta que

a empresa recebe frutas da região

e de outros Estados, de produtores

e packing houses certificados

ou em validação.

A Andrad Sun Farms, também de

Mogi Mirim, tem o EurepGap e o

selo orgânico americano NOP. A

certificação orgânica foi conquistada

há sete anos e segundo a gerente

comercial e administradora

da empresa, Aline Fátima Andrade

Rosai, a principal mudança foi a

adoção dos procedimentos de descrição

de tudo que é realizado na

lavoura, até porque a propriedade

já não utilizava defensivos químicos.

“Depois do selo, começamos a

anotar e a descrever no livro de campo

o dia-a-dia do sítio; os funcionários

foram treinados para não cometer

erros no manuseio de produtos

autorizados pelo protocolo e

passamos a fazer a rastreabilidade

do pomar”, enumera.

A Sun Farm vende a produção para

empresas parceiras que fazem o

processamento de suco e do óleo

de limão orgânico, exportados

para os Estados Unidos e, em pequena

quantidade, para a Europa.

No entanto, não consegue vender

a fruta in natura, como orgânica,

para o mercado europeu, por causa

do banho de hipoclorito de

sódio, que é uma barreira para

aquele mercado. “Exportamos

limão orgânico como convencional

para a Europa.” Segundo Aline,

as principais adaptações da

propriedade para atender ao

EurepGap foram a construção de

sanitários e de depósito de defensivos;

a adequação do packing

house; o plantio de cercas-vivas;

a realização periódica de análises

de resíduos; o treinamento

da equipe de trabalho e a

implementação de uso de EPI.

“Com o selo, não conseguimos

vantagem com relação aos preços,

mas ajudou bastante no cotidiano

da propriedade. Além de

reduzir custos, melhorou a qualidade

da fruta.”

CARTA DE

CONFORMIDADE

A Associação Paulista dos Produtores

de Caqui (APPC) exporta a

fruta para a Europa desde 2001.

Todos os associados estão em

fase de certificação da produção

como o EurepGap. Segundo o assistente

administrativo da APPC,

Fábio Válio de Camargo, o único

problema é que não há, no País,

uma lista de defensivos autorizados

para a cultura. Por essa

razão, ele afirma que a

certificadora vai dar uma carta

de conformidade, informando sobre

o cumprimento de todos os

itens, com exceção do que trata

de defensivos autorizados.

“O governo precisa ter defensivos

autorizados, afinal, esse é

um dos itens principais do

EurepGap”, afirma o produtor de

caqui, Paulo Shigueru Toyoda, de

Pilar do Sul (SP), que considera

essa a principal dificuldade para

receber o selo para a fruta.

Ele não espera vantagens

econômicas ou de preços com o

selo. “É apenas uma forma de

garantir mercado”, resume o

dono do Sítio Toyoda, que cultiva

caqui há 10 anos. Desde 2004,

exporta a fruta para a Europa,

via APCC, e está adequando a

propriedade às normas EurepGap.

Para ele, as principais mudanças

em função da adequação à certi

ficação são as anotações sobre

defensivos, o uso correto e o respeito

à carência dos produtos.

23


24

CERTIFICAÇÃO

FRUTA

PAULISTA

Projeto enriquecerá a experiência dos produtores em conhecimento,

organização e capacitação exigidos pelos diferentes programas

internacionais de certificação, levando maior rentabilidade ao campo.

Marlene Simarelli

Fotos Sebrae-SP

Os pomares de acerola, caqui, figo, goiaba, laranja,

limão, pêssego, uva, morango, entre outras, fazem do

Estado de São Paulo o detentor de 47% da produção

brasileira de 40 milhões de toneladas de frutas, distribuídas

em 2,3 milhões de hectares. Mesmo com quase

metade da produção nacional, e sendo exportador, São

Paulo é pouco reconhecido como pólo nacional de fruticultura.

Nesse contexto, foi lançado o projeto de Boas

Práticas Agrícolas e promoção comercial Fruta Paulista,

uma parceria entre o Instituto Brasileiro de FrutasIbraf,

e o Sebrae–São Paulo, com a participação de cerca de

400 fruticultores das diversas regiões produtoras do Estado.

O projeto pretende preparar os fruticultores para

atender e superar as exigências dos mercados interno e

externo quanto à rastreabilidade e à segurança dos alimentos.

Assim como no restante do País, a fruticultura

paulista está fundamentada em micro, pequena e média

propriedades e gera de 2 a 5 postos de trabalho na cadeia.

“O mercado das frutas nacionais, hoje, é o de longa

distância, formado por países da Europa, sendo a Alemanha

o maior consumidor. Emirados Árabes e outros

do Oriente Médio surgem como nova alternativa”, afirma

Moacyr Saraiva Fernandes, presidente do Ibraf. “Esse

projeto é importante porque promove a integração dos

pequenos agricultores. A grande vantagem do Brasil é

produzir quase tudo e a grande força do País é o produtor”,

ressalta o presidente do Sebrae-SP, Fábio Meirelles.

O Fruta Paulista abrangerá as plantações das regiões

de Araçatuba com abacaxi; de Araraquara, com goiaba,

limão e manga; de Botucatu, com frutas de caroço; de

Campinas, com figo e goiaba; de Itapeva, com caqui; de

Presidente Prudente, com acerola e manga; e de

Frutas paulistas serão valorizadas com convênio entre Ibraf

e Sebrae.

Da esq. para dir. Paulo Arruda, diretor técnico do Sebrae,

Moacyr Saraiva Fernandes, presidente do Ibraf, Fábio

Meireles, presidente do Sebrae-SP e Ricardo Tortorella, diretor

superintendente do Sebrae, assinam convênio.


26

CERTIFICAÇÃO

Sorocaba, com caqui e uva. O projeto

terá três grandes frentes de atuação: aumento

da competitividade da fruta por

meio da melhoria da qualidade na produção,

realização de ações de divulgação no

mercado interno e abertura de mercados

externos. Para tanto, deverão ser promovidas

ações de capacitação de produtores

em Boas Práticas Agrícolas, de gestão da

propriedade, implantação de novas

tecnologias e de manejo sustentável, com

o intuito de melhorar a qualidade da fruta.

“Vamos preparar as cadeias produtivas

das frutas paulistas selecionadas para

atender às novas exigências de qualidade,

agregando valor, garantindo os mercados

atuais e possibilitando acesso a novos”, afirmou

o gerente do Ibraf, Mauricio de Sá

Ferraz, durante o lançamento, em fevereiro,

em São Paulo/SP. Para atingir esse

objetivo, os participantes receberão trei-

As regiões Sudeste e

Sul consomem 66,6%

das frutas produzidas

no País, sendo que

São Paulo consome

25,53%.

Fonte: Ibraf

namento e capacitação em Boas Práticas

Agrícolas. “A meta é certificar produtores

que atingirem as exigências dos protocolos

internacionais de certificação, visando

à exportação”, diz Sá Ferraz. “Desenvolveremos

ferramentas para a

rastreabilidade, importante para a

comercialização, e para oferecer alimentos

seguros, em respeito à sociedade”,

assegura Saraiva Fernandes. Ele acrescenta

que “os consumidores, a distribuição e

as instituições públicas cada vez mostram

mais preocupação pela qualidade e segurança

das frutas e demais alimentos”.

COMERCIALIZAÇÃO

E VALORIZAÇÃO

O projeto não pára no campo, pois é

preciso que a fruta paulista seja

comercializada e valorizada. “Por isso, depois

do campo, haverá ações de

marketing, com abrangência nacional e internacional.

Internamente, vamos fazer

campanhas de degustação, decoração e

distribuição de folhetos em parceria com

supermercados para atrair os consumidores

e aumentar as vendas das frutas

paulistas”, explica Sá Ferraz. A campanha

para o mercado internacional inclui, entre

outras ações, a participação em feiras e

eventos, além de campanhas de promoção

com redes de supermercados dentro

do programa Brazilian Fruit, de divulgação

e valorização da fruta brasileira no exterior.

As estratégias de marketing internacional

e acesso a mercados também

contam com o apoio da Apex-Brasil –

Agência de Promoção de Exportação

e Investimentos.

Saraiva Fernandes lembra que o produtor

precisa ser mais empresário e reduzir

os custos de produção para ganhar

competitividade. Segundo ele, a fruticultura

rentável passa por diversificação, investimento

em pós-colheita e logística,

agroindustrialização, acesso dos pequenos

ao crédito e à infra-estrutura; otimização

dos custos controláveis, promoção e propaganda,

etc. “É o que pretendemos com

o projeto, que terá como juiz a D. Maria

(consumidora). Se ela se convencer do

que fizemos, a fruta será vendida e valorizada”,

conclui Saraiva Fernandes.


ROGÉRIO LOPES VIEITES/UNESP BOTUCATU/SP

AGROINDÚSTRIA

TENDÊNCIA

MUNDIAL

As frutas minimamente processadas começam a fazer parte

do cotidiano nacional, principalmente dos grandes centros

urbanos, e têm condições técnicas necessárias para desenvolver

e ampliar o segmento.

Beth Pereira

A mudança nos hábitos, ocorrida nos últimos

anos, está abrindo espaço para o consumo de alimentos

frescos, dentro do conceito de produtos

saudáveis. Neste cenário, surge um novo nicho para

a comercialização de frutas minimamente processadas

(fresh cut), prontas para consumo. Os Estados

Unidos são o maior consumidor de frutas minimamente

processadas, com venda anual destes itens

na faixa de US$ 8 milhões a US$ 10 milhões, segundo

a International Fresh-Cut Produce Association

(IFPA - http://www.fresh-cuts.org/fcf.html). No Brasil,

ainda não há estatísticas oficiais, porém, quando

se fala em tecnologia, o País não fica atrás de nenhum

outro nesse segmento. “Temos pesquisadores

qualificados, técnicas apropriadas, laboratórios

bem montados e todas as condições necessárias para

Kiwi, manga, melão, melancia estão entre as frutas

indicadas para processamento mínimo.

desenvolver esses produtos”, afirma o pesquisador

Murillo Freire Junior, da Embrapa Agroindústria de

Alimentos, de Guaratiba/RJ, que esteve em

Montpellier, na França, em 2004, fazendo seu pósdoutorado

em manga pré-cortada, embalada com

revestimentos comestíveis.

O professor José Fernando Durigan, do Departamento

de Tecnologia da Unesp, campus de

Jaboticabal/SP, considera que o potencial de venda

de frutas minimamente processadas é grande no

País, embora o consumo seja relativamente novo.

“Seja em residências, em restaurantes ou em locais

de refeições coletivas, essa tecnologia oferece

praticidade por causa da economia de tempo e de

trabalho”, diz. Durigan cita pesquisa do Instituto Nielsen,

segundo a qual, desde 1996, o consumo desse tipo de

produto tem aumentado 80% ao ano.

Porém, ele aponta um desafio: a falta

de conhecimento sobre o comportamento

fisiológico, químico e

bioquímico do produto. Um dos problemas,

explica, é a curta vida útil desses

produtos, de 3 a 4 dias.

De acordo com o professor, o

processamento mínimo de frutas

tem contribuído para a diversificação

das indústrias regionais, reduzindo

as perdas pós-colheita, melhorando

o manejo de resíduos dentro

da propriedade, facilitando o

27


28

AGROINDÚSTRIA

transporte e eliminando problemas sanitários. “A

tecnologia fresh cut permite maior aproveitamento

da produção e agrega valor às frutas”, afirma.

O professor, no entanto, observa que falta uma

legislação sanitária sobre produtos minimamente

processados, que, em sua opinião, deve abranger

produção, colheita, preparo, manipulação,

embalagem e transporte ao mercado e exposição

em balcões para a venda.

REDUÇÃO DE PERDAS

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados

(Abras), Sussumu Honda, acredita que

o consumo de frutas minimamente processadas

pode ajudar a reduzir as perdas de frutas. “O Brasil

produz um volume muito grande de frutas, mas

perde muito também. Assim, nesse modelo, quando

você tem operações adequadas, evita-se perdas”,

observa. Na opinião de Honda, o consumo

de frutas minimamente processadas é uma tendência

mundial. “Atende aos requisitos de praticidade e

de racionalização de tempo”, afirma e acrescenta

que o mercado americano é gigantesco. “Lá, o consumidor

tem um bom poder aquisitivo e pode pagar pelo

produto, que tem valor agregado.” Lembra que nos

aeroportos americanos, as frutas minimamente processadas

estão à disposição, para consumo imediato.

“Atende ao apelo de alimento mais saudável e substitui

os fast-foods e outros alimentos processados.”

Processamento mínimo deve seguir

normas rigorosas de higiene e

tecnologia apropriada, para garantir

qualidade e seguridade no consumo.

Ele lembra que nos Estados Unidos, a tecnologia

de frutas minimamente processadas está bastante

avançada. “No caso de maçã, que se oxida rapidamente,

já há tecnologia para impedir o processo”,

conta. Segundo Honda, os supermercados brasileiros

começam a oferecer frutas preparadas - melão,

mamão, melancia, uva, abacaxi, além de salada e

até uma mix de frutas - prontas para consumo. “Nos

grandes centros urbanos do País, isso já começa a

se apresentar como tendência”, diz e lembra que

há outra opção, com menor valor agregado, ideal

para frutas grandes, que são cortadas pela metade,

para atender às famílias menores, o que é uma forma

de evitar o desperdício. O presidente da Abras,

porém, observa que o processamento mínimo requer

EMBRAPA CTAA

uma manipulação cuidadosa. “O produto

é fresco, pronto para consumo e

tem vida de prateleira bastante curta.

Além de cuidado na manipulação e no

ambiente onde se faz o processamento,

a questão de higiene e seguridade é

fundamental”, afirma.

REALIDADE

O consumo de frutas minimamente processadas

não é mais uma tendência futura, mas uma realidade

visível nas gôndolas dos supermercados,

onde as áreas destinadas a esses itens estão cada

vez maiores. A diversificação de produtos é grande,

o volume de produção tem aumentado e o preço

está baixando, analisa Freire Junior, da Embrapa

Agroindústria de Alimentos. Em sua opinião, as frutas

minimamente processadas apresentam a conveniência

de não requerer qualquer preparação significativa

por parte do consumidor, em termos de

seleção, limpeza, lavagem ou cortes. “Além disto, o

valor agregado ao produto, pelo processamento,

aumenta a competitividade e propicia meios alternativos

para a comercialização. O sucesso deste empreendimento

depende do uso de matérias-primas de

alta qualidade, manuseadas e processadas em condições

adequadas de higiene”, explica o pesquisador.

Freire Junior afirma que, atualmente, o consumidor

tem à sua disposição uma boa variedade de

frutas minimamente processadas, tais como abacaxi,

melão, kiwi, melancia, manga, além de salada de

frutas. São vários os tipos de apresentação, em pedaços

pequenos ou em pedaços maiores, de acordo

com as frutas, já prontos para consumo. As frutas

selecionadas são previamente higienizadas,

descascadas, pré-cortadas, embaladas em bandejas

transparentes PET (polietileno tereftalato) e armazenadas

sob refrigeração.

“A proposta é atender à demanda da mulher

moderna que cada vez mais está trabalhando fora”,

afirma. E cita, como principais vantagens do consumo,

a conveniência, a praticidade e a seguridade.

Pesquisador

Murilo Freire,

tecnologia

mantém gosto

original da fruta.


“As frutas são processadas segundo as normas

de higiene e com tecnologia apropriada,

o que garante a qualidade e a seguridade

no consumo do produto”, explica.

“Graças à tecnologia, o gosto original da fruta

se mantém.” Outros segmentos potenciais

que podem ser beneficiados com essa

tecnologia são os de refeições coletivas,

catering, hospitais e restaurantes que não

possuem grandes áreas de cozinha.

O ponto crítico, porém, é a temperatura.

De acordo com o pesquisador, a condição

ideal para a conservação desses produtos,

é em torno de 2°C, mas nem sempre os

supermercados mantêm a cadeia do frio. Enquanto

nas gôndolas dos supermercados, o

tempo médio de vida útil é de três a quatro

dias, com a aplicação de revestimentos naturais

comestíveis pode-se chegar a sete dias,

sem afetar a qualidade do produto.

LINHAS DE PESQUISA

A Embrapa Agroindústria de Alimentos

desenvolve algumas linhas de pesquisa relacionadas

ao processamento mínimo de

frutas. Em convênio com a Fundação de

Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro

(Faperj) está pesquisando a utilização

de filmes comestíveis em mangas pré-cortadas

e, em projeto financiado pela

Embrapa, a aplicação da tecnologia em abacaxi

e melão.

Freire Junior afirma que a técnica consiste

basicamente em imergir as frutas précortadas,

por dois minutos, em algumas soluções

refrigeradas de quitosana ou de

alginato de sódio (obtidos de algas) ou de

carboximetilcelulose (derivado da celulose).

“Essas substâncias formam um filme protetor

comestível”, explica. O abacaxi, por exemplo,

é descascado, cortado em rodelas de dois centímetros

de espessura, retirado o miolo, cortado

em oito partes e levado à imersão. Depois,

é embalado em bandejas PET. Também

pode ser embalado em sacos plásticos a vácuo

e armazenado sob refrigeração.

Há também em andamento um outro

projeto de nanotecnologia em parceria com

a Embrapa Instrumentação Agropecuária (São

Carlos/SP). Trata-se da utilização de embalagens

ativas, que liberam uma substância com

função antimicrobiana (que impede o crescimento

de microrganismos) ou antioxidantes

(que evitam o escurecimento da fruta).

EMBRAPA AGROINDÚSTRIA DE ALIMENTOS

Demanda é

crescente

Nas lojas da OBA Hortifrúti, na capital e no interior de

São Paulo, a procura por frutas minimamente processadas

tem aumentado, segundo o gerente de Marketing

da rede, Luciano Scherer. Ele acrescenta que a dona de

casa adora comprar produtos já manipulados, graças

ao apelo de praticidade. Contudo, ele considera que as

opções ainda são poucas, por causa da perecibilidade

das frutas. “Esse mercado está crescendo e existem algumas

frutas que, atualmente, já são comercializadas

com sucesso, como abacaxi, melancia e melão. No entanto,

como as frutas são extremamente perecíveis, a

manipulação pode prejudicar seu sabor”, acredita. “Apesar

de a tecnologia ter avançado muito rapidamente, ainda

é difícil encontrar algo no mercado que faça uma fruta

ser conservada após a manipulação, sem perder seu principal

atributo, o sabor”, avalia.

Na opinião de Scherer, os produtos minimamente processados

são um hábito dos grandes centros, onde há

concentração de pessoas e a correria do dia-a-dia faz

com que o consumidor busque a praticidade. No entanto,

ele afirma que no Brasil o consumo ainda é baixo

por vários fatores: alto custo na manipulação dos produtos,

dificuldade no preparo aliado à alta perecibilidade

dos produtos. “Isso torna o processo oneroso, refletindo

no preço final ao consumidor, conseqüentemente, gerando

dificuldades na comercialização dos mesmos.”

A rede OBA possui 26 lojas, distribuídas na capital

paulista e no interior do Estado, em Jundiaí, Campinas,

Americana e Limeira, além de Brasília/DF e Belo

Horizonte/MG. Scherer afirma que, nas lojas OBA, as

frutas são abertas ou cortadas e embaladas com PVC.

“Também há potes com os produtos descascados para

degustação”, conta.

29


30

TECNOLOGIA

MAIS

SABOR

Processo inovador permite a obtenção de suco concentrado de frutas,

com teores de sabor e de aroma elevados, usando equipamentos mais

compactos e de operação mais simples, que podem ser instalados em

qualquer unidade industrial.

Marlene Simarelli


Os sucos de frutas processados

estão por toda parte: restaurantes,

refeitórios, hospitais, cantinas de

escola e até em carrinhos de lanches.

A tendência do mercado é de

crescimento, mas, mesmo deliciosos,

alguns não guardam o sabor

real da fruta, principalmente, quando

o suco é de laranja. Essa realidade

poderá ser diferente a partir das

novas técnicas descobertas para recuperar

aromas e concentrar sucos,

resultado da tese de doutorado do

engenheiro químico Cláudio Patrício

Ribeiro Júnior, no Programa de

Engenharia Química da Coordenação

dos Programas de Pós-graduação

em Engenharia – COPPE, da

Universidade Federal do Rio de Janeiro

- UFRJ. Desenvolvido com foco

no suco de laranja, devido a sua importância

na economia nacional, o

processo pode ser usado também

para processar outras frutas tropicais.

O Brasil é o segundo maior produtor

de suco concentrado de laranja

no mundo e possui grande

potencial para produção de suco de

outras. Ribeiro Júnior acredita que

“a nova rota de processamento desenvolvida,

ao minimizar as alterações

de sabor, pode fornecer um

diferencial de qualidade para o suco

de laranja nacional, aumentando sua

competitividade no mercado externo”.

O país responde atualmente

pela exportação de US$1,3 bilhões

de suco de laranja. Para o pesquisador,

“a melhoria na qualidade do

produto pode possibilitar a abertura

do mercado interno para o suco

de laranja concentrado, que não é

bem aceito pelo consumidor brasileiro,

habituado ao consumo do

suco fresco, com características

organolépticas superiores. Além disso,

um processo mais ameno de

concentração pode ampliar a variedade

de sucos produzidos,

viabilizando a disseminação da grande

gama de frutas tropicais cultivadas

no País”.

O processo, vencedor do grande

prêmio Capes César Lates de

2006, já teve sua patente depositada.

Poderá ser usado em qualquer

unidade industrial de produção de

suco concentrado, pois utiliza equipamentos

mais compactos e de

operação mais simples, aplicável a

qualquer tipo de fruta. Os principais

equipamentos usados são o

evaporador por contato direto e o

módulo de membranas seletivas. O

pesquisador observa que “as duas

técnicas que aplicamos são usadas

em nível industrial para outras aplicações,

de modo que ambos os

equipamentos já existem no mercado.

É só uma questão de

dimensioná-los”. Em relação aos

custos de operação e manutenção,

tanto do módulo de membranas

quanto do evaporador por contato

direto, ele supõe que sejam mais

baixos do que os associados aos

equipamentos usados, mas ainda

não se tem um valor exato para a

montagem de montar uma nova

unidade. A próxima etapa do processo,

hoje restrita a laboratório, é

um aumento de escala, com a construção

de uma unidade piloto para

avaliação do desempenho da técnica

para maior capacidade de

processamento e posterior aplicação

industrial. Três empresas já estão em

negociação para a implantação.

NOVA ROTA

O suco processado passa por

duas etapas principais: a concentração

e a recuperação de aromas. A

concentração é uma fase primordial

na produção, influindo diretamente

na qualidade do suco e,

consequentemente, na aceitação

pelo mercado consumidor. Outro

fator importante no processamento

é a perda de aromas, compostos

orgânicos responsáveis pelo sabor

e odor de um suco, presentes em

concentrações baixas e voláteis. O

grande desafio é conseguir um suco

processado com características superiores

de paladar e de aroma.

“Sabemos que o principal fator para

a compra no setor alimentício é o

31


32

TECNOLOGIA

gosto, principalmente, o suco cuja

referência é o sabor natural das

frutas”, explica o pesquisador.

O processo de Ribeiro Júnior

aplica uma nova rota para a produção

de sucos de frutas concentrados

envolvendo as técnicas de

evaporação por contato direto e

permeação de vapor com membranas

seletivas. “Todo mundo

que já tomou um suco de laranja

reconstituído de caixinha sabe

muito bem que o gosto é bem

diferente do suco fresco. A técnica

de evaporação por contato direto,

aplicada na nossa rota, tem

a grande vantagem de permitir a

vaporização da água a temperaturas

mais baixas, minimizando a

degradação térmica dos compostos

do suco, e garantindo um sabor

mais próximo do suco real”,

assegura o pesquisador. O equipamento

do novo processo é

considerado de fácil construção,

constituído basicamente por uma

coluna de líquido através da qual

borbulha um gás superaquecido. O

contato direto entre os fluidos,

quente e frio, permite maior eficiência

de transmissão de calor, possibilitando

a utilização de temperaturas

moderadas.

O trabalho desenvolvido

em Coppe/UFRJ possibilita

a redução de custos no

processo industrial.

“A rota proposta envolve duas

etapas: o arraste com gás inerte dos

compostos responsáveis pelo aroma

do suco, que são recuperados

pela técnica de permeação de vapor

empregando-se membranas

de silicone, permitindo a passagem

dos aromas, mas retendo a água e

o gás inerte. Em seguida, o suco

segue para concentração no

evaporador por contato direto,

onde faz-se basicamente o

borbulhamento de um gás inerte

Cláudio Ribeiro Júnior, COPPE/UFRJ, desenvolveu processo inovador de

processamento de sucos que preserva sabor e aromas.

quente através do suco para remoção

da água. Ao final da concentração,

os aromas recuperados

são re-adicionados ao suco

concentrado”, detalha o pesquisador.

O processo atual de concentração

aplicado nas indústrias,

segundo ele, “utilizam os chamados

evaporadores de película

descendente, com temperaturas

de operação para a vaporização da

água suficientemente altas para

modificações químicas, em alguns

compostos do suco, resultando em

alterações indesejáveis de cor e sabor

no produto final”. Além das

modificações por degradação térmica,

com a vaporização da água,

são removidos os chamados aromas

do suco, compostos orgânicos

responsáveis pelo odor e sabor

característicos do suco da fruta.

Esses compostos devem ser

recuperados para evitar alterações

de sabor, mas estão presentes

em concentrações muito baixas,

dificultando a recuperação.

CONCENTRADO

DE AROMAS

Ribeiro Júnior explica que “na

indústria, a recuperação dos aromas

é feita por destilação e/ou

condensação parcial, em sistemas

que, para serem eficientes, são

relativamente complexos. Com a

adoção das membranas seletivas,

não só simplificamos esses sistemas,

mas melhoramos sobremaneira

a eficiência de recuperação

dos aromas, o que também contribui

positivamente para a obtenção

de um suco concentrado com

sabor mais próximo do suco natural”.

Para se ter uma idéia, o

suco de laranja tem mais de 200

substâncias na composição do

aroma e o suco de morango, mais

de 360.Outra grande vantagem

no novo processo, segundo o

pesquisador, é a obtenção de um

concentrado de aromas do suco

processado, produto de alto valor

agregado, atualmente perdido

em grande parte das indústrias

de concentração de sucos.

Os interessados em implantar a

nova tecnologia desenvolvida no

Coppe/UFRJ, que trabalha há mais

de 10 anos com separação de aromas,

devem entrar em contato com

o pesquisador Cláudio Patrício Ribeiro

Júnior, pelo telefone (21)

2562-7162 ou pelo e-mail:

cprj@peq.coppe.ufrj.br. Para conhecer

mais detalhes sobre o processo,

pode ser feita uma consulta

à tese de doutorado disponível na

Internet no endereço http://

teses.ufrj.br/coppe_d/

ClaudioPatricioRibeiroJunior.pdf.

COPPE/UFRJ


Plantas, insetos, flores e frutos fora de seu habitat podem

se transformar num grande problema e trazer impactos

econômicos e ambientais.

Marlene Simarelli

Quando se trata de biodiversidade, há o orgulho

nacional latente por causa da riqueza brasileira

na diversidade de espécies. Porém, desde os

primórdios, espécies exóticas entram no País com

conseqüências ao ambiente e reflexos econômicos

na cadeia atingida. São os bioinvasores, que podem

chegar na mala de um viajante, saudoso da terra

natal ou encantado pela novidade; nas embalagens

de importação e exportação ou até mesmo ser

inserida propositalmente visando a um prejuízo econômico

premeditado. As pragas e doenças vindas

do Exterior causam danos nos mais variados setores

como o bicudo, no algodão; o geminivirus, no

tomate; o retorno da febre aftosa no gado, após

erradicação, só para citar alguns. Na fruticultura, são

conhecidos a Sigatoka Negra, nos bananais; o

greening, nos laranjais e a mosca do Mediterrâneo

Ceratitis capitata, que atinge várias fruteiras, cujo

registro de invasão data de 1901, entre outros.

A pesquisadora, Maria Regina Vilarinho, da

Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, explica

que “a entrada de pragas em áreas do sistema

produtivo traz conseqüências dramáticas e muitas

vezes irreversíveis para a agricultura, além de gastos

da ordem de milhões de reais para controle e

erradicação desses organismos, perdas na

biodiversidade, nos recursos biológicos e genéticos,

impacto na indústria alimentícia pela falta dos produtos

primários e ainda desemprego na área rural.

Nos últimos anos, mais de 11 mil espécies invasoras

entraram no Brasil, de acordo com levantamentos

de pesquisadores internacionais”. Olinda Maria

Martins, pesquisadora da mesma unidade Embrapa,

acrescenta que “a contenção de uma praga introduzida

num país de extensão continental, como o Brasil, é

muito difícil. As diferentes condições climáticas favorecem

a adaptação de pragas exóticas, importantes para

a fruticultura tropical e de clima temperado”.

NO COTIDIANO DO CAMPO

Para manter a competitividade, os produtores

precisam estar atentos, pois o bioinvasor não tem

predadores - elemento responsável pelo equilíbrio

na natureza -, e, por isso, prolifera rapidamente. É

o caso do caramujo gigante africano, símbolo de um

problema que atinge vários Estados e se dispersa

rapidamente mundo afora. Voraz, ele se alimenta

de, pelo menos, 500 tipos de plantas, como frutapão,

mandioca, cacau, mamão, amendoim, seringueira,

feijão, ervilha, pepino, melão, abóbora, repolho,

alface, batata, cebola, girassol, eucalipto,

citros, plantas ornamentais, etc.

MEIO AMBIENTE

O fruticultor deve manter-se informado

sobre os perigos da introdução de

pragas exóticas.

Os fruticultores podem atuar para minimizar a

bioinvasão. A pesquisadora Olinda sugere algumas medidas.

“A adoção de sistemas de alerta, quando existente,

é uma medida que auxilia na prognose de doenças

e permite planejar o seu controle. A introdução de

mudas deve ser rigorosamente inspecionada, pois por

meio destas ocorre a introdução de pragas. A aquisição

de mudas sadias é fundamental para garantir a exclusão

de pragas do pomar. O fruticultor deve manter-

MOSCAMED BRASIL

33


34

MEIO AMBIENTE

FOTOS ABPM

se informado sobre os perigos da introdução de pragas

exóticas. As importações de material vegetal para

enxertia ou mudas devem obedecer rigorosamente às

instruções normativas estabelecidas pelo Ministério da

Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).”

A pesquisadora chama a atenção para o momento

da compra de mudas. “Em caso da praga já se

encontrar em determinadas regiões, os produtores

não devem adquirir material vegetal proveniente

dessas áreas infestadas, sem a devida quarentena.”

Ela lembra que “as opções de utilização de cultivares

resistentes são desfavoráveis ao estabelecimento

de pragas e doenças e as substituições de portaenxertos

suscetíveis pelos resistentes são importantes

meios de evitar doenças. Para Olinda, “o diagnóstico

rápido de pragas e doenças ajuda na tomada de decisões

para erradicação e controle, antes de sua dispersão.

Existem mapas de zonas de risco, zoneamento

agroclimático, acoplados a modelos de simulação que

podem ser úteis para indicar as áreas geográficas de

maior probabilidade de ocorrência de doenças”.

CONVIVENDO COM INIMIGOS

A exportação enfrenta exigências e restrições

rigorosas dos importadores para frutas in natura e

industrializadas. Os fruticultores têm aprimorado

sistemas de produção e estabelecido regras para

garantir a sanidade e qualidade das frutas frente a

bioinvasores. “Haja vista a organização dos produtores

de maçã, que fez do país um exportador,”

observa Olinda. A organização dos pomicultores

inclui ações no campo e na cidade com o desenvolvimento,

inclusive, de campanhas de erradicação,

como a da cidade de Lages/SC. Lá, folhetos ensinam

a população a substituir fruteiras hospedeiras

da mariposa e alertam para o perigo da praga para

a fruticultura do Sul, hoje sob controle.

Em 1998, constatou-se a ocorrência da Sigatoka

Negra, causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis var.

difformis, em plantios de banana no Amazonas e Acre.

O fungo, originário da República de Fiji (Ásia), causa

prejuízos em Rondônia, Mato Grosso e outras regiões

produtoras. Para controlá-lo, Olinda sugere “a inspeção,

o treinamento de técnicos para reconhecer os

sintomas da doença, o controle cultural, os cuidados

na aquisição e no transporte de mudas como medidas

que auxiliam para que não atinja outros Estados. Ela

destaca ainda a seleção de variedades resistentes feita

pela pesquisa, mas, em sua opinião, “é um entrave

impactante, pois as desenvolvidas atualmente não

atendem o mercado consumidor”.

Na citricultura, Olinda relata a ocorrência da mosca

negra dos citros (Aleurocanthus woglumi), detectada

no Pará em 2001, vinda do sudoeste da Ásia. Já dispersa

em cinco Estados da região Norte, é praga

quarentenária A2, sob controle oficial. Outra doença

introduzida da China, é o Greening ou Huanglongbing,

cujo vetor é a bactéria Candidatus Liberibacter. “Em

todos os casos, na maioria das vezes, recorre-se ao

controle químico das pragas e doenças. Além do alto

custo dos agroquímicos, salientam-se os efeitos indesejáveis

destes no meio ambiente, na saúde humana e

animal”, observa a pesquisadora.

De acordo com Vilarinho, “muitos organismos apresentam

uma evolução lenta de crescimento e podem

passar despercebidos por horas ou dias. É importante

lembrar que os que atacam plantas e animais não atuam

sobre os seres humanos, podendo, portanto, ser

facilmente transportados junto ao corpo, em maletas

ou malas”. Para a pesquisadora, “a segurança de áreas

importantes de produção agrícola deve ser levada em

consideração em qualquer país que depende do

agronegócio. No Brasil, segundo ela, são considerados

produtos de risco a soja, as frutas, a carne e seus derivados

e todos os outros itens que compõem a pauta

de exportação agrícola do mercado brasileiro”.

A bioinvasora Cydia Pomonella, sob controle, é resultado da união dos pomicultores.


Mosca-da-Carambola

A mosca-da-carambola, Bactrocera carambolae, foi detectada em

fevereiro na divisa do Pará e Amapá, saindo da região do Oiapoque/

AP, onde foi identificada há 10 anos. Considerando o risco para a

economia brasileira, a Superintendência Federal da Agricultura,

Pecuária e Abastecimento do Pará publicou, em fevereiro, no Diário

Oficial da União, a proibição da saída de frutas frescas de

espécies hospedeiras da praga, em especial carambola, jambo,

goiaba e acerola, do distrito de Monte Dourado, município de

Almerin/PA, para quaisquer outras áreas onde não ocorra a praga.

Os prejuízos causados, caso seja disseminada, vão desde perdas na

produção, contaminação ambiental até a proibição de exportação

de frutas. O diretor da Associação Brasileira das Empresas de Tratamento

Fitossanitário e Quarentenário (Abrafit), João Luiz Duarte

Alvarez, alerta: “se não houver inspeção de 100% das cargas que

entram no País, o risco da introdução de novas pragas tão nocivas

quanto essa é enorme”.

A mosca-da-carambola entrou no Brasil vinda do Suriname, mas

sua origem é a Indonésia. “É uma praga muito séria, pois ataca os

frutos nos primeiros estágios de formação, tornando sem efeito o

controle por meio de ensacamento, feito quando as frutas estão

maiores”, comenta a pesquisadora Maria Regina Vilarinho. Ela ressalta

que “os resultados da pesquisa apontam que a goiaba é o

hospedeiro preferencial, no Amapá, quando se compara com a

carambola, tornando ainda mais sério o problema, já que a goiabeira

pode ser encontrada em quintais nas cidades brasileiras. De

acordo com estudos de

pesquisadores brasileiros,

além das perdas

no campo, a interrupção

das exportações de

frutas frescas, causada

pela presença da

mosca, pode levar o

Brasil a prejuízos de

US$60 milhões, apenas no primeiro ano de dispersão da praga,

caso ela se estabeleça em áreas de produção de goiaba, carambola,

manga, acerola, citros, banana, etc”. A praga ainda não se difundiu

pelo País devido à ação do Programa de Erradicação da mosca-da-carambola,

sob coordenação do Ministério da Agricultura.

No final de 2006, o programa ganhou uma rede de pesquisa de

apoio, a ser conduzida pela Embrapa Amapá, para avaliar riscos

de difusão e impactos na exportação de frutas. O coordenador,

Ricardo Adaime, explica que “durante os três anos do projeto

haverá palestras sobre a mosca-da-carambola. Como se trata de

uma rede regional, haverá campanhas de educação fitossanitária

nos Estados do Amapá, Pará, Acre, Amazonas, Maranhão, Rondônia,

Roraima e Tocantins”.

Mais informações sobre a mosca-da-carambola podem ser obtidas

pelo telefone (11) 5668-7444 ou www.abrafit.org.br.

WILSON RODRIGUES DA SILVA

35


36

OPINIÃO

Nos anos 80, a economia de

Junqueirópolis/SP era baseada no café,

cultivado em sua maioria por pequenos

agricultores. Quando a cultura entrou

em declínio, no final daquela década,

a cidade viveu uma crise sem precedentes

e assistiu à migração para os

grandes centros, de cerca de 13 mil dos

seus 27 mil moradores. Alguns agricultores

decidiram, então, cultivar maracujá.

Por causa do preço pago para a

fruta, optou-se por formar uma associação,

cujo grande incentivador foi um

padre espanhol. Em junho de 1990,

nascia a Associação Agrícola

Junqueirópolis – AAJ - com quarenta e

quatro associados.

Quando se fala em associativismo,

pensa-se que ele só funciona bem porque

está ligado ao poder público. Em

relação à AAJ, inicialmente, a Prefeitura

Municipal cedeu um terreno e a mãode-obra

para construção de um barracão.

Posteriormente, houve dificuldades

com a administração municipal. Mas

essas dificuldades impulsionaram para o

crescimento. Os sindicatos locais foram

mobilizados e a Associação Comercial

transformou-se numa grande parceira.

A associação ganhou vida própria e se

valorizou. Mais tarde, introduziu o cultivo

da acerola no município. A partir

de 97, a Prefeitura Municipal retomou

o apoio inicial, porém, hoje, a associação

tem receita e vida próprias. São 91

produtores, dos quais 65 de acerola,

sendo os demais de uva e café. Há 6

câmaras frias, avaliadas em mais de um

milhão de reais, financiadas e pagas pelos

produtores. Há ainda salão para cursos

e cozinha industrial onde as mulheres

fazem licores, doces e geléias, que

são comercializadas na feira livre da cidade

e na própria sede. A associação

investiu na formação técnica do produtor,

necessária para a transição do plantio

do café para frutas. Investiu, também,

na formação humana com palestras sobre

saúde, motivação, etc.

O maior desafio para uma associação

é a consciência da importância da

soma de idéias, do capital de inteligência.

Esse é um ponto chave. Outro ponto

fundamental é a representatividade

do grupo. Sendo representativo, passa

a ser alvo de interesse dos órgãos de

pesquisa. É o caso da AAJ, que tem um

produto diferenciado: Junqueirópolis é

a campeã da acerola em São Paulo. A

fruta segue para o Japão, Estados Unidos

e Europa, onde os consumidores

são exigentes. A produção atende às regras

do mercado internacional. A associação

têm contado com o apoio do

Ibraf, Sebrae, Cati e universidades, que

pesquisam e indicam os melhores caminhos.

A política do governo atual

também colabora com linhas de crédito

a juros baixos e programas como o

Venda Antecipada, da Conab, que adianta

o valor da transação em conta exclusiva.

O projeto da AAJ, de venda de

polpa - que tem maior valor agregado

-, é o sexto assinado no Estado. É um

projeto que cria oportunidades para os

produtores associados, pois a forma de

ajudar através de grupos organizados é

mais barata e mais eficiente.

O atual governo tem enfatizado a

importância do associativismo, cuja força

o País ainda desconhece. À medida

que as pessoas se organizam, todos ganham

porque cada um coloca o seu

conhecimento, o que tem de melhor,

à disposição. Em meu caso, tenho somente

4 anos de escola. Para suprir as

deficiências, há uma boa equipe, com

qualidades e habilidades diferentes das

minhas. Quem participa de uma associação

deve dar o melhor de si, da sua

essência, do seu tempo, da sua experiência

de vida. O dinheiro não é o diferencial,

mas o capital da experiência à

disposição de todos. Com a grande escola

de vida no associativismo, nós associados

aprendemos também a acreditar

mais em Deus, pois nos propusemos

a mobilizar a cidade inteira e a cidade

se mobilizou, graças a Ele. As grandes

mudanças vêm da base e não de

A falta de sucesso das cooperativas é a falta de participação dos sócios.

cima. O associativismo ajudou, e muito,

a cidade a se recuperar, inclusive,

voltou a crescer, pois está hoje com 18

mil habitantes.

A falta de sucesso das cooperativas

decorre da falta de participação dos

sócios, que, geralmente, abandonam a

equipe eleita e, então, a cooperativa

acaba. Associação é comprometimento;

é participação. Não tem outra forma

para melhorar as condições existentes.

Quando sou convidado a fazer palestras,

sempre digo: viver em comunidade

é difícil, viver sozinho é impossível.

Até em casa há dificuldade, quando

se isola. Quando o homem descobrir a

importância da comunidade se organizará

em todas as áreas, não somente

para produção. O associativismo ganhará

força à medida que o homem evoluir

no sentido humano, deixar do “eu”

e tiver humildade para viver junto.

Osvaldo Dias

Presidente da Associação Agrícola

Junqueirópolis/SP


nacionais

abr

jun mai

01 a 30 • V FEPAGRI - Feira do Pq. Agricultor (Sind. Rural de Araraquara)

CEAR - Centro de Eventos de Araraquara (Araraquara/SP)

Info: Sindicato Rural Patronal de Araraquara (16) 3335-9100

fepagri@fepagri.com.br

10 a 12 • III Workshop Internacional de Pós-Colheita de Citros e

II Workshop Internacional de Pós-Colheita de Frutas

Instituto Agronômico (IAC) - Av. Barão de Itapura, 1.481 (Campinas/SP)

Info: Instituto Agronômico (19) 3231-5422 • chris@iac.sp.gov.br

www.iac.sp.gov.br

11 a 14 • TECNOHORT

Parque de Exposições de Teresópolis (Teresópolis/RJ)

Info: Versão BR Comunicação e Marketing • comercial@versaobr.com.br

www.tecnohort.com.br

30/04 a 05/05 • AGRISHOW Ribeirão Preto 2007 (Abimaq)

Pólo de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Centro-

Leste Anel Viário Km 321 (Ribeirão Preto/SP)

Info: Publiê Publicações e Eventos (11) 5591-6300

agrishow@agrishow.com.br • www.agrishow.com.br

03 a 06 • Bio Brazil Fair 2007 - 3ª Feira Intl. de Prods. Orgânicos e

Agroecologia (Assoc. de Prod. e Processadores de Orgânicos do Brasil)

Pavilhão da Bienal - Parque Ibirapuera, portão 3 (São Paulo/SP)

Info: Francal Feiras (11) 4689-3100 • feiras@francal.com.br

www.biobrasilfair.com.br

10 • 9º Dia da Tangerina (Centro Apta Citros Sylvio Moreira)

Centro Apta Citros “Sylvio Moreira” - Inst Agronômico (Cordeirópolis/SP)

Info: Centro Apta Citros Sylvio Moreira (19) 3546 -1399

rose@centrodecitricultura.br • www.centrodecitricultura.br

10 a 11 • ETECPONKAN (Centro Apta Citros Sylvio Moreira)

Parque Municipal de Exposições(Teresópolis/SP)

Info: Versão Br Comunicações e Marketing • comercial@versaobr.com.br

www.etecponkan.com.br

13 a 16 • 14ª HORTITEC (RBB Promoções & Eventos e Flortec

Consultoria)

Recinto de Exposições de Holambra (Holambra/SP)

Info: RBB Promoções & Eventos (19) 3802-4196 • hortitec@hortitec.com.br

www.hortitec.com.br

20 a 23 • FRUTAL Amazônia (Instituto de Desenvolvimento da

Fruticultura e Agroindústria - Frutal)

Hangar de Convenções (Belém/PR)

Info: Inst Frutal (85) 3246-8126 • geral@frutal.org.br • www.frutal.org.br

23 a 26 • Agrotecnologia 2007 (Instituto Agrotecnologia)

Sítio Pavilhão de Eventos da Nova Sede do SENAI (Petrolina/PE)

Info: Nelbe Assessoria (87) 3862-1892 • nelbe@veloxmail.com.br

www.agrotecnologia.org.br/evento2007

28 e 29 • 6º Congresso Brasileiro de Agribusiness (ABAG –

Associação Brasileira de Agribusiness)

Hotel Transamérica (São Paulo/SP)

Info: Wenter Eventos e ABAG (11) 5181-2905 • cba@wenter.com.br

www.abag.com.br

internacionais

abr

mai

jun

AGENDA

10 a 13 • ALIMENTARIA 2007

FIA - LISBOA (Lisboa/Portugal)

Info: Conceito Congressos e Eventos - Tereza Rodrigues (34 93) 452-

0722 • (34 93) 451-6637 • trodrigues@conceitocongressos.com.br

www.conceitobrazil.com.br

14 e 15 • Food Expo 2007

Centro de Convenções de Porto Rico (San Juan/Porto Rico)

Info: Serviço Comercial dos Estados Unidos - Renato Sabaine

(11) 5186-7300 • (11) 5186-7399 • renato.sabaine@mail.doc.gov

www.focusbrazil.org.br

18 a 20 • Foodnews Juice Asia 2007 & Technical Seminar

Shanghai Convention Center (Shanghai/China)

Info: Agra Net 44 (0) 207 017 7496 • conferences@agra-net.com

www.agra-net.com/juiceasia

22 a 26 • Intervitis Interfructa

Messe Stuttgart (Stuttgart/Alemanha)

Info: Câmara Brasil-Alemanha (11) 5187-5215 • (11) 5181-7013

feiras@ahkbrasil.com • www.intervitis-interfructa.de

26 a 28 • Mac Frut

Cesena Fiera (Cesena/Itália)

Info: Ibraf - Paulo Passos (11) 3223-8766 • paulopassos@ibraf.org

www.brazilianfruit.com.br • www.macfrut.com.br

07 a 10 • Rebulid Iraq 2007 - 4 ª Feira Intl p/ Reconstrução do Iraque

Al Abdali Project (Omã/Jordania)

Info: Ibraf - Paulo Passos (11) 3223-8766 • paulopassos@ibraf.org

www.rebuild-iraq-expo.com

08 a 11 • SAL - Salón de la Alimentación

Feira de Madrid (Madri/Espanha)

Info: Expotrade Consultoria Ltda (11) 3284-0069 • (11) 3171-0736

ifemabrasil@terra.com.br • www.sal.ifema.es

09 a 10 • Foodnews Juice Latin America

Hotel Sofitel (São Paulo/Brasil)

Info: IBC Brasil (11) 3017 6888 • customer.service@ ibcbrasil.com.br

www.ibcbrasil.com.br/juice

21 a 23 • V Cong. Iberoamericano de Tec. Agroexportaciones

Escuela Técnica Superior de Ingenierie Agronómica (Cartagena, Mucia/

Espanha)

Info: Depto. Ing.de los Alimentos y del Equip. Agricola - Francisco Artés

Calero (34 96) 832-5510 • (34 96) 832-5435 • fr.artes@upct.es

www.upct.es/gpostref/congresoAITEP/index.php

13 a 15 • 16ª Feira Internacional de Alimentos, Bebidas e Food Services

China World trade Center (Beijimg/China)

Info: Ferias Alimentarias - Irene Salazar (54 11) 4555-0195 • (54 11)

4554-7455 • irene@feriasalimentarias.com • www.feriasalimentarias.com

28 a 30 • Asia Natural & Organic Products

Suntec City Hall 6 (Singapura/Singapura)

Info: HQ Link Pte. Ltda. (65) 6534-3588 • (65) 6534-2330

lauriechin@hqlink.com/ chin.laurie@gmail.com • www.npoasia.com

37


38

EVENTOS

COLHEITA

FARTA

Empresários brasileiros apostam em eventos para

compradores e consumidores na Alemanha e Emirados

Árabes, para aumentar as exportações diretas, e colhem

resultados animadores para os próximos meses.

Fotos Ibraf

Na Semana Verde de Berlim consumidores

conheceram os sucos do Brasil.

Quase cinco mil copos de sucos de frutas oferecidos

para os visitantes e negócios da ordem de

US$27,9 milhões são o balanço principal da participação

brasileira na Semana Verde de Berlim e na

Fruit Logística, realizadas na Alemanha, que é responsável

pela importação de 13,3 milhões de toneladas

frutas (FAO). Além disso, o consumo per capita

de frutas frescas e processadas naquele país é de

122,5 quilos, segundo o GFK – organização alemã

de pesquisa sobre o consumidor - sendo maçã, banana,

laranja, tangerina e uva as frutas mais

consumidas. A participação nos dois maiores eventos

de alimentos alemães foi uma promoção do Instituto

Brasileiro de Frutas (Ibraf), com o apoio da Apex-

Brasil (Agência de Promoção de Exportação e Investimentos),

que contou com a presença do embaixador

do Brasil em Berlim, Luiz Felipe de Seixas Corrêa.

O objetivo do Ibraf foi atingir duas frentes ao mesmo

tempo. Na Semana Verde, houve contato direto

com consumidor final, que provou o suco brasileiro

e participou de pesquisa qualitativa. Já, a Fruit

Logística é uma das maiores vitrines para expor produtos

a compradores do mundo inteiro, que conta

com a participação brasileira desde 2003. Para

Valeska Oliveira, gerente executiva do Ibraf, “as duas

feiras têm focos distintos, mas são eventos-chave para

entender e atender o mercado alemão. Na Semana


Verde, foi possível traçar o perfil do consumidor diante

do produto brasileiro e oferecer uma ferramenta às

empresas, que permitirá estabelecer estratégias para

acessar esse mercado. Por outro lado, os compradores

precisam continuamente estar informados sobre o

potencial de suprimento do Brasil, como fornecedor

de frutas frescas e processadas”. A gerente executiva

ressalta ainda que “os expositores brasileiros na Fruit

Logística inovaram ao apresentar frutas menos conhecidas,

como carambola, atemóia e goiaba, além de

produtos conhecidos internacionalmente, mas pouco

tradicionais no Brasil, como o mirtilo e a amora”.

EFETIVAÇÃO DE NEGÓCIOS

A Fruit Logística, realizada em fevereiro, gerou muitos

frutos às 46 empresas brasileiras. Foram US$27,9

milhões em negócios contra US$2,4 milhões realizados

no ano passado, o que gerará cerca de 4,4 mil novos

postos de trabalho nas empresas exportadoras. A participação

deve proporcionar, ainda, mais US$ 28,8 milhões

em negócios nos próximos 12 meses, resultado dos 1251

contatos de 43 países, realizados durante o evento.

Na edição deste ano, a feira inovou com a criação

do Hall das Américas, onde ficou o Pavilhão brasileiro.

O espaço foi criado especialmente para os países americanos,

em função da importância das frutas provindas

deste continente e do crescimento do evento, com

15% a mais no número de expositores. Houve um

aumento também no número de compradores. Segundo

dados da Messe Berlim, organizadora do evento, circularam

no local 42 mil compradores de 120 países, um

incremento de 12% comparado com o ano anterior.

Abpel e Coex promoveram limão e melão na Feira Alemã.

EVENTOS

A Messe Berlim realiza, de 5 a 7 de setembro, a 1ª

edição da Ásia Fruit Logística, feira de negócios, que

acontecerá junto ao Congresso de mesmo nome, em

Bangkok. Em 2008, Berlim também será palco para os

produtos minimamente processados e de conveniência,

no Freshconex, feira a ser realizada paralelamente

à Fruit Logística, voltada para o setor de fresh cut e

para as indústrias de produtos de conveniência.

SUCO BRASILEIRO:

PROVADO E APROVADO

A degustação de 4.832 copos de sucos de goiaba,

maracujá, caju, manga, limão e água de coco, além de

marmelada, goiabada, geléia e caipirinha foi a principal

ação dos brasileiros durante a Semana Verde de Berlim,

ocorrida em janeiro. A feira recebeu 430 mil visitantes,

6% a mais do que no ano anterior, dentre eles

100 mil compradores. Nos dez dias de feira, foram

realizadas 971 pesquisas de opinião para diagnosticar

se o consumidor daquele país conhece os sucos brasileiros

e se aprova o seu sabor. “O público gostou bastante

dos produtos degustados e ficou interessado em

saber quando e onde poderia encontrar os sucos brasileiros”,

afirma Paulo Passos, representante do Ibraf

no evento. O público entrevistado, em sua maioria,

era adulto (88%) e do sexo feminino (77%). Foi constatado

que 66% dos entrevistados não tinham conhecimento

das frutas e nem dos sucos do Brasil, e 88%

nunca tinham provado sucos ou bebidas à base de frutas

nacionais, porém, ao degustar o produto, 90% dos

entrevistados avaliaram como ótimo e bom.

Fruit Logística é vitrine para as frutas nacionais na Alemanha.

39


40

EVENTOS

LIMÃO E MELÃO

Paralelamente à Fruit Logística, a Abpel (Associação Brasileira

dos Produtores e Exportadores de Limão) e o Coex

(Comitê Executivo de Fitossanidade do Rio Grande do Norte),

em parceria com a Apex-Brasil, promoveram o limão

taiti e melão brasileiros em Berlim. A promoção foi na

Kadewe, uma das maiores lojas de departamento; no Aero-

Mercado Promissor

Para acessar um mercado altamente demandante de alimentos

e aumentar as exportações de frutas e derivados, o

Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), em parceria com a

Apex-Brasil, levou cinco empresas brasileiras à Gulfood,

feira de negócios para os segmentos de alimentação, bebidas,

food service e equipamentos de hospitalidade que

abrange o Oriente Médio, África e Índia. Atlântica Foods,

Itacitrus, Predilecta Alimentos, RBR Trading e ASTN (Associação

das Indústrias Processadoras de Frutos Tropicais), efetivaram

negócios de US$400 mil e prevêem mais US$3 milhões

para os próximos 12 meses. O evento, realizado em fevereiro,

em Dubai, nos Emirados Árabes, gerou oportunidade de negociar

com compradores de países não tradicionais, como

Emirados Árabes, Paquistão, Síria, Jordânia, Somália, Índia,

Iraque, Irã, Palestina, Marrocos, Tanzânia, Malásia e Arábia

Saudita. Luis Curado, representante da ASTN no evento, acredita

que “a região tem forte potencial para os sucos, sendo

que houve muita procura pelos sabores do Brasil, como o

caju”. A goiaba vermelha, oferecida como suco, foi a grande

atração para os compradores da região, que conhecem apenas

a variedade branca.

A Gulfood é uma feira de

negócios em plena evolução.

Segundo dados dos

organizadores, houve aumento

de 40% no espaço

de exposição comparado

com a edição anterior, refletindo

o incremento do

mercado de alimentos na

região. Para Moacyr Saraiva

Fernandes, presidente

do Ibraf, “este é um evento-chave

para acesso e ampliação

das exportações de

frutas frescas e processadas

a este mercado”.

Fernandes ressalta que “os

Emirados Árabes, e os de-

porto Tegel; numa escola de culinária para futuros formadores

de opinião; e na Churrascaria Brazil, localizada na principal

avenida da cidade. A ação compreendeu a degustação do

melão e entrega de “kits limão”. Conforme Waldyr Promicia,

presidente da Abpel, como o limão precisa ser preparado

para degustação, “o consumidor levou o limão, acompanhado

de folheto com informações nutricionais e de preparo,

para poder prová-lo”, ressalta Promicia.

mais países árabes, têm tido crescimento expressivo no

consumo de frutas e sucos, por causa do clima quente,

alto poder aquisitivo e restrições governamentais para consumo

de refrigerantes para combater a obesidade”.

PARCERIAS

Público presente saboreou sucos brasileiros em estande na Gulfood.

O Ibraf também promoveu, em parceria com a Abiec (Associação

Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne),

a divulgação dos sucos de frutas brasileiros a cerca de 240

convidados de redes de varejo, representantes do governo,

empresas de cattering, rede hoteleira e formadores de

opinião. A Abiec ofereceu aos convidados um workshop

com degustação de churrasco e sucos de goiaba, manga,

abacaxi e maracujá, além de goiabada, no Hotel Jumeirah

Beach, em Dubai. Fernandes considera esta fórmula de parceria

muito interessante e planeja expandir o modelo com

novas parcerias.

Foram realizados também encontros com redes de supermercados

visando a promoção da fruta nacional e seus derivados

no varejo do Exterior por meio do projeto Brazilian

Fruit Festival. Lívia Marques,

coordenadora do

projeto, comenta que

“não foram encontradas

nenhuma variedade de

frutas brasileiras nas

principais lojas da região,

o que demonstra oportunidades

de novos negócios

para este mercado”. Os

frutos da visita já podem

ser contabilizados. Segundo

a coordenadora, “o

projeto será levado para

uma rede de supermercados

indiana de Dubai, no

segundo semestre, e há

outras negociações em

andamento”.


ABACAXI

MINIMAMENTE

PROCESSADO

Considerada uma

das melhores frutas

para processamento

mínimo, o abacaxi

permite vários

tipos de preparo.

O abacaxi, também chamado de ananás, é nativo da América

do Sul. Seu fruto é, na verdade, uma frutescência: cada

gominho é um fruto independente, que se juntou com os

demais durante o processo de crescimento. É rico em vitamina

C, contém boas quantidades de sais minerais como cálcio,

fósforo e ferro e vitamina A. O abacaxi facilita a digestão

de produtos protéicos como carnes, peixes e aves pela alta

porcentagem de celulose. Cem gramas de abacaxi fornecem

52 calorias. Nos últimos anos, tem-se enfatizado a necessidade

do consumo de frutas e hortaliças frescas para uma dieta

saudável. Ao mesmo tempo, há uma demanda crescente

de alimentos mais convenientes, frescos, que sejam menos

processados e prontos para o consumo.

O abacaxi é considerado o “rei dos frutos” devido sua

excelente qualidade sensorial. Os maiores problemas com

abacaxi minimamente processado são a alteração de cor,

perda de “flavor” (sabor e aroma) e textura. Isto acontece

devido ao estresse das operações para o processamento mínimo

(eliminação das partes não comestíveis, seguida de cortes

em tamanhos menores). Esse estresse causa um aumento

no metabolismo das frutas e hortaliças, levando à sua deterioração.

Técnicas que retardam estes problemas incluem

armazenamento em baixas temperaturas, atmosfera modificada,

usando baixa concentração de O 2 e alta concentração

de CO 2 . A sanitização com cloro (100 ppm por no mínimo 5

minutos) é amplamente recomendada para as frutas minimamente

processadas, entre elas o abacaxi. Também tem sido

demonstrado que, em produtos que possam perder a quali-

41


Bolhas de ar

denigrem

imagem e

qualidade dos

produtos

minimamente

processados.

42

ARTIGO TÉCNICO

dade por escurecimento enzimático, tratamentos de

lavagem com ácido ascórbico podem reduzir o

escurecimento observado em fatias de maçã, batata

e abacaxi. Com relação ao emprego de cloro

como sanitizante em unidades de processamento

mínimo do abacaxi, sugere-se para saladas cubetadas

uma concentração ótima de cloro ativo de 100 ppm.

Convém salientar entretanto que o cloro simplesmente

retarda a alteração microbiana, porém não

mostra nenhum efeito benéfico sobre as desordens

bioquímicas e fisiológicas .

PATÓGENOS IMPORTANTES

Na indústria, o manuseio impróprio, o uso de

equipamentos mal-sanitizados e algumas etapas do

processamento mínimo, como o fatiamento, geralmente,

promovem aumento na população de microrganismos

em frutas e hortaliças e podem comprometer

a qualidade e a segurança do produto final

ou diminuir o tempo de conservação. Por outro

lado, as técnicas para estender a vida útil desses produtos

podem aumentar o risco potencial de desenvolvimento

de patógenos e, portanto, devem ser

cuidadosamente avaliados. Durante o

descascamento, corte e fatiamento, a superfície do

abacaxi é exposta ao ar e, com isso, é possível a

contaminação com bactérias, leveduras e mofos.

A microbiota de produtos frescos consiste, em

geral, de espécies de Enterobactérias e Pseudomonas,

enquanto bactérias do ácido lático e fungos podem estar

presentes em números relativamente baixos. Ocasionalmente,

patógenos podem ocorrer em razão do uso

de água para irrigação ou fertilizantes contaminados,

durante o cultivo ou como consequência da falta de

higiene durante o processamento. Embora o crescimento

de microrganismos patogênicos e

deterioradores, em produtos minimamente processados,

possa ser inibido ou retardado pela combinação

adequada de atmosfera modifica e temperatura. Dentre

os patógenos psicotróficos encontrados em produtos

minimamente processados destacam-se L.

ROGÉRIO LOPES VIEITES/UNESP BOTUCATU/SP

monocytogenes, Yersinia enterocolitica e Aeromonas

hydrophyla, que são capazes de crescer em certos produtos

minimamente processados, mantidos sob refrigeração.

Entretanto outros microrganismos patogênicos

são de relevância nesses produtos e incluem:

Salmonella, Shigella, Campylobacter, Escherichia coli,

Staphylococcus aureus, C. botulinium, Bacillus cereus,

espécies de Vibrio, vírus da hepatite A e Norwalk, além

de parasitas como Cryptosporidium e Cyclospora.

O abacaxi minimamente processado deve ser

mantido entre 3 e 6 o C durante o processamento,

o transporte e o armazenamento até o consumo.

Temperaturas mais baixas, como 0 o C, durante o

processamento podem causar injúrias no tecido das

frutas. A compreensão dos efeitos que os principais

gases presentes em embalagens sob atmosfera modificada

exercem sobre a microbiota do produto é

fundamental para prever o comportamento dessa

microbota e, dessa forma, estimar o tempo de conservação

do produto. O oxigênio, em geral, permite

o crescimento de bactérias aeróbias e pode inibir

o crescimento dos anaeróbios estritos, embora

exista uma grande variação na sensibilidade dos

aeróbios ao O 2 . A redução do oxigênio no interior

da embalagem, inibe a proliferação da microbiota

aeróbia presente mas vai estimular o crescimento

de microaerófilos e anaeróbios.

CONDIÇÕES ADEQUADAS

O gás carbônico, solúvel em água e lipídeos, é

o principal responsável pelo efeito bacteriostático

observado em microrganismos nos produtos minimamente

processados embalados sob atmosfera

modificada. No entanto, concentrações altas possibilitam

o estabelecimento de condições onde microrganismos

patogênicos aeróbios, tais como

Clostridium botulinum , possam crescer. Deve-se

considerar também que a exposição de produtos

frescos a concentrações de O e CO , respectiva-

2 2

mente, abaixo de 2,0 % e acima de 10 % , limites

de tolerância, pode aumentar a respiração anaeróbia

e acelerar o desenvolvimento de odores desagradáveis,

pelo aumento de etanol e acetaldeído. As

combinações requeridas de temperatura, concentrações

de O e CO variam com o tipo de pro-

2 2

duto vegetal, variedade, origem, maturação e a

estação em que foi colhido.

O armazenamento do abacaxi minimamente

processado em condições adequadas é um

ponto fundamental para o sucesso dessa

tecnologia. Temperatura, umidade relativa e

composição atmosférica no interior da embalagem

são condições ambientais que podem

ser manipuladas para diminuir a respiração.


ARTIGO TÉCNICO

Processamento passo-a-passo

O abacaxi permite vários tipos de preparo, como cortado em

cubos, em rodelas sem o cilindro central, em metades longitudinais

com a casca ou em metades transversais. O

processamento mínimo pode também ser feito para aproveitamento

de partes de frutos que não estejam lesionados ou

deformados. Seu processamento mínimo envolve várias etapas:

Colheita e transporte: Os frutos de abacaxi devem ser

colhidos ao atingirem o ponto de amadurecimento “pintado”,

pois neste estádio apresentam as melhores características

para o consumo. Os frutos devem ser transportados

para o local de processamento em, no máximo, 24

horas após a colheita.

Recepção: Os frutos, por ocasião do recebimento devem

ser selecionados, para tornar o lote mais uniforme quanto

ao grau de maturação e de danos mecânicos ou podridões.

Em seguida, as coroas são cortadas, deixando-se

um “talo” de aproximadamente 2,0 cm, para evitar a entrada

de patógenos e minimizar o estresse.

Lavagem: Os frutos selecionados são então lavados em

água corrente utilizando detergente neutro comum, que

tem como ingrediente ativo o alquil benzeno sulfonato

de sódio.

Enxágüe: Após a lavagem, os frutos são imersos por cinco

minutos em água fria a 5ºC contendo 200 mg de cloro. L-1 (100 mL de água sanitária em 10 L de água), para desinfecção

e remoção do calor de campo (Toda Fruta, 2003).

Depois da diminuição de temperatura dos produtos vegetais,

considera-se que a embalagem em atmosfera modificada

é o método mais eficaz para prolongar a vida útil de

vegetais frescos e pré-processados. A aplicação efetiva de

tecnologia para o processamento mínimo do abacaxi, depende,

portanto, do conhecimento das características intrínsecas

da fruta e das transformações bioquímicas específicas

que ocorram nelas. O controle dessas transformações

através do manuseio adequado do produto e das condições

do ambiente (notadamente temperatura, umidade e concentração

de gases) durante o processamento, armazenamento,

distribuição e comercialização é a melhor forma para a obtenção

de produtos com boa qualidade, maior tempo de vida útil

e com segurança para o consumo.

Prof. Dr. Rogério Lopes Vieites

UNESP - Faculdade de Ciências Agronômicas - Botucatu/SP;

Departamento de Gestão e Tecnologia Agroindustrial

Tel (14) 3811-7172 • vieites@fca.unesp.br

Câmara fria: Em seguida os frutos devem ser mantidos

em câmara fria a 10ºC, previamente lavada e higienizada

com solução de cloro a 200 mg.L-1 , por um período de 12

horas, para o abaixamento da temperatura.

Processamento mínimo: Deve ser feito a 10ºC, com os

utensílios (facas, baldes, escorredores etc.) previamente

higienizados. Os operadores devem usar luvas, aventais,

gorros e máscaras, procurando proteger ao máximo o produto

de prováveis contaminações. Os frutos podem ser

submetidos a vários tipos de preparo, com destaque para

os descascados e cortados em rodelas de 1,5 cm de espessura

ou descascados e cortados em metades longitudinais.

Enxágüe com água clorada: Para eliminar o suco celular

extravasado, os pedaços devem ser enxaguados com água

clorada, a 20 mg de cloro.L-1 .

Escorrimento: Os pedaços devem ser escorridos por dois

a três minutos, para se eliminar o excesso de umidade.

Embalagem: Podem ser utilizadas embalagens de

polietileno tereftalatado (PET), plásticas ou bandejas de

isopor recobertas com filme de cloreto de polivinila (PVC)

esticável.

Armazenamento: Os produtos devem ser armazenados em

condições refrigeradas. Esta temperatura deve ser mantida

durante o transporte e a comercialização. Indica-se temperaturas

entre 3ºC e 6ºC.

artigos técnicos podem ser enviados para redacao@frutasederivados.com.br

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44

CAMPO & CULTURA

FRUTAS BRASILEIRAS E

EXÓTICAS CULTIVADAS

A publicação “Frutas Brasileiras e Exóticas Cultivadas

de consumo in natura” contempla 827 tipos diferentes

de frutas nativas e exóticas e é resultado de ampla

pesquisa sobre o assunto nos últimos cinco anos em

todo o território brasileiro. O livro aborda principalmente

o grupo das espécies nativas, no qual são discutidos

vários aspectos do cultivo das plantas frutíferas, sua

importância econômica, seu valor nutricional como

alimento e detalhes sobre sua multiplicação.

Na primeira parte do livro são apresentadas apenas

espécies nativas no território brasileiro, tanto as

cultivadas comercialmente, quanto as domésticas ou

as encontradas na natureza. Na segunda parte são

tratadas apenas as espécies exóticas ou as introduzidas

de outros países e cultivadas comercialmente ou

em pomar doméstico no Brasil. Dos 827 diferentes

tipos de frutas abordados no livro, 312 são nativas e

515 exóticas.

Cada fruta é apresentada em uma única página inteira,

com indicações de sua origem ou habitat natural,

descrição resumida de suas características morfológicas,

época de floração e frutificação. Sob o título

“Utilidades”, é descrito o modo de consumo dos frutos

e, sob o título “Multiplicação”, é apresentada a forma

de propagação da planta.

Autores: Harri Lorenzi, Luis Bacher, Marco Lacerda e

Sergio Sartori

Editora: Plantarum

Páginas: 627

Onde encontrar:

Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda.

Avenida Brasil, 2.000 - Distrito Industrial

CEP 13460-000 - Nova Odessa/SP

Fone: (19) 3466-5587

Fax: (19) 3466-6160

Site: www.plantarum.com.br

E-mail: vendas@plantarum.com.br

POMAR DOMÉSTICO

CASEIRO - FAMILIAR

Frutas de primeira qualidade na família 365 dias do

ano, para você e sua família plantar e cuidar estão

em Pomar Doméstico - Caseiro – Familiar. O livro

orienta na escolha de mudas, local do pomar, preparo

do solo, variedades, época e maneira correta de

plantar, adubar, tratos culturais e ponto de colheita

dos frutos maduros para o consumo da família.

Aborda ainda a indicação para o controle de doenças

e das pragas com o uso de produtos mais naturais

para garantir a melhor qualidade na produção e no

consumo de frutas de primeira qualidade.

As frutas colhidas têm ótimo ponto de maturação,

garantia de qualidade, sem a presença de produtos

químicos prejudiciais à saúde, equilíbrio entre acidez,

sólidos solúveis, muitas vitaminas, sais minerais e

fibras. Estão disponíveis, diariamente, e permitem seu

consumo ao natural, em receitas especiais, na forma

de suco, no preparo de geléias, suco concentrado,

doce de massa, cristalizados, polpa concentrada e

congelada.

As plantas frutíferas melhoram o visual, embelezam

e valorizam a propriedade, além de absorver o excesso

de água das chuvas, contribuir para diminuir a erosão,

melhorar o microclima, regularizar as temperaturas

extremas, aumentar a microflora e criar um ambiente

saudável, contribuindo para a melhoria e manutenção

da qualidade de vida dos seus moradores.

Autores: Ivo Manica, Ivone M. Icuma, Keize P.

Junqueira e Nilton T. V. Junqueira

Editora: Cinco Continentes Editora

Páginas: 112

Onde encontrar:

Rua Buarque de Macedo, 480 - bairro São Geraldo -

Porto Alegre/RS - CEP 90.230-250

Fone: (51) 3264-1377

Fax: (51) 3019-8768

E-mail:5continentes@5continentes.com.br


PRODUTOS E SERVIÇOS

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FRUTA NA MESA

DELICADEZA DO

FIGO

Marlene Simarelli

O fruto carnoso da figueira (Fícus

carica) é conhecido desde os

primórdios da humanidade, com relatos

na Bíblia. Pesquisadores estimam

que sua procedência seja do sul da

Arábia, de onde se espalhou para o

mundo. No Brasil, chegou com os portugueses

no século 16. A variedade Figo

Roxo foi introduzida pelo italiano Lino

Busato, em 1900, em Valinhos/SP. Imigrantes

italianos ali radicados começaram

a produção comercial no País. A

cultura se tornou tão importante para

o município que a variedade é conhecida,

hoje, como “De Valinhos”. “Existem

mais de 150 variedades de figos,

com cores que vão do branco ao verde,

marrom, vermelho, roxo e até o

preto”, relata o professor Rogério

Lopes Vieites, do Departamento de

Gestão e Tecnologia Agroindustrial da

Faculdade de Ciências Agronômicas, da

Unesp, em Botucatu/SP. Seu cultivo se

dá em São Paulo, Minas Gerais, Rio

Grande do Sul e, mais recentemente,

nas serras do Ceará.

O figo é consumido verde, na forma

de doces, e maduro ao natural. Vieites

explica que “o valor nutritivo muda conforme

a variedade. É rico em açúcar,

contém sais minerais, sendo um dos

frutos de clima temperado que possui

mais cálcio. Possui ainda cobre, potássio,

magnésio, sódio e traços de

zinco”. Uma curiosidade, segundo

Vieites, “é o uso do látex do figo verde

para coalhar o leite, sendo de 30 a

100 vezes mais potente do que

outros coalhos”.

RECEITAS DA PRODUTORA

ANTONIA BROTTO

SORVETE DE FIGO

Ingredientes: 10 figos maduros descascados, 2 xícaras (chá)

de água, 2 xícaras (chá) de açúcar, 2 claras em neve e 1 lata de

creme de leite.

Modo de preparo: bata no liquidificador 8 figos e a água.

Passe pela peneira, acrescente o açúcar, misture bem e leve

ao fogo até formar uma calda grossa. Adicione a calda quente

às claras em neve, aos poucos, mexendo sempre até misturar

bem. Acrescente o creme de leite e os 2 figos restantes picadinhos,

misturando bem até formar um creme homogêneo. Leve

ao congelador. Remexa o sorvete de vez em quando para que

gele por igual.

DOCE RAMI

Ingredientes: 2 ½ quilos de figo quase no ponto de comer,

2 copos de açúcar, 2 copos de água, algumas folhas novas

da fruta.

Modo de preparo: coloque os figos para aferventar durante

uma hora, trocando a água duas vezes. À parte, prepare uma

calda de espessura média com 2 copos de açúcar, 2 copos de

água e as folhas do figo. Pegue os figos aferventados e passe

para a calda, deixando apurar por 1 ½ hora. Retire, coloque

numa assadeira e leve ao forno por mais 1 hora. Sirva as unidades

uma a uma.

Antonia Brotto é produtora de figo em Campinas/SP, onde clima e solo

favorecem o cultivo. Sua família planta figos desde 1965. Para ela, o maior

desafio da cultura é o controle da mosca-da-fruta na época de chuva, feita

com armadilhas. Parte da produção de Brotto é exportada para a Europa,

seguindo os princípios exigidos pelo EurepGap. Ela conta que “a colheita é manual,

com pessoal treinado, pois o figo é uma fruta muito delicada”.

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