harvard business review
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Jogo duro: cinco estratégias letais para trucidar a concorrência<br />
Pouquíssima gente negaria que nomes como Toyota,<br />
Dell e Wal-Mart simbolizam o sucesso empresarial na última<br />
década. Mas as ressalvas que provocam — capas recentes<br />
na BusinessWeek traziam títulos como “É possível<br />
parar a Toyota?”, “A Wal-Mart é poderosa demais?” e “O<br />
que você não sabe sobre a Dell” — sugerem que nem tudo<br />
é pureza em sua escalada para o sucesso.<br />
É que a Toyota, a Dell e a Wal-Mart jogam duro. O que<br />
queremos dizer com isso? Quem joga duro busca única e<br />
exclusivamente a vantagem competitiva e os benefícios<br />
que ela traz: maior fatia de mercado do que a concorrência,<br />
grandes margens, rápido crescimento e todo o valor<br />
intangível de estar no comando. São empresas que dão as<br />
cartas, vão em busca de confrontos com a concorrência,<br />
marcam o ritmo da inovação, testam as fronteiras do possível.<br />
Jogam para ganhar — e ganham.<br />
Já quem joga com mais comedimento pode fazer boa<br />
figura — pode registrar lucros decentes e até receber menções<br />
favoráveis na imprensa especializada —, mas não<br />
tem aquela determinação intensa de ganhar o jogo. Não<br />
aceita que às vezes é preciso ferir os rivais, e correr o risco<br />
de sair ferido, para conseguir o que se quer. Em vez de<br />
correr — com rapidez e inteligência —, parece parado,<br />
só observando. Joga por jogar. Pode não sair totalmente<br />
derrotado, mas com certeza não vence o jogo.<br />
Talvez seja um reflexo das tendências recentes da ciência<br />
da administração, que agora também amoleceu o<br />
discurso. Com efeito, a retórica em torno de uma constelação<br />
de questões menos tangíveis — liderança, cultura<br />
corporativa, cuidados com o cliente, gestão do conhecimento,<br />
gestão de talentos, empowerment e afins — é que<br />
estimulou o surgimento do jogador sensível.<br />
Vejamos o título de um punhado de livros de negócios<br />
recentes: Quem Mexeu no Meu Queijo? (ora, você é um<br />
homem ou um rato?); Fish! A Remarkable Way to Boost<br />
Morale and Improve Results; Servant Leader. Hug Your Customers.<br />
Obras de temática sensível responderam provavelmente<br />
por quatro de cada cinco títulos na lista de bestsellers<br />
americana dos últimos dez anos — e mais ainda<br />
nos últimos cinco anos. Não é uma tendência boa para<br />
o pessoal de sua empresa que lê esse tipo de coisa ou é<br />
despachado para ouvir palestras dos autores.<br />
Digamos que a expressão jogo duro seja difícil de engolir<br />
para alguns. No mundo dos negócios, lembra um<br />
industrialismo troglodita — como o de Andrew Carnegie<br />
despachando milícias e embarcações armadas para combater<br />
sindicatos em cidades operárias. Lembra a era dos<br />
magnatas. Soa como o jogo jogado pelo antigo presidente<br />
da Sunbeam, Al Dunlap, que respondia pelo apelido<br />
“Chainsaw” (moto-serra), batizou as memórias de Mean<br />
Business (“negócio mesquinho”) e foi proibido pela comissão<br />
de valores americana de voltar a ocupar qualquer<br />
posto executivo numa empresa de capital aberto.<br />
Mas jogar duro não significa ir além do que a lei permite.<br />
Enron e WorldCom podem ter dado a impressão de<br />
que jogavam duro, mas na verdade usavam uma tática<br />
clássica do jogo mais brando: manipular (legal ou ilegalmente)<br />
os resultados para sair melhor na foto. Quem joga<br />
um jogo duro não trapaceia.<br />
Mas pode incomodar. Afinal, jogar duro num esporte<br />
como o beisebol significa ameaçar um rebatedor agressivo<br />
arremessando a bola a 160 quilômetros por hora muito<br />
perto do corpo dele. No boxe, significa lutar sem luvas,<br />
como um John L. Sullivan. No basquete, é fazer uma finta<br />
desconcertante que deixe o adversário estatelado no chão<br />
de uma quadra coberta de cacos de vidro.<br />
O jogo duro não é só intenso. É eficiente. Limpa o mercado.<br />
Torna a empresa forte e vibrante. Gera produtos e<br />
serviços de custo mais acessível e clientes mais satisfeitos.<br />
Faz a concorrência suar. Um rival menos preparado vai<br />
chiar, vai dizer que quem joga duro pega pesado demais,<br />
que sua vantagem não é justa, que prejudica a concorrência.<br />
Pode até exigir restrições comerciais. Pode levar sua<br />
queixa à imprensa — ou à Justiça. Pode fazer cena e posar<br />
de ofendido. Enquanto isso, bilhões de dólares de seus<br />
acionistas estarão escorrendo sem parar pelo ralo.<br />
Quem joga duro é imune a essas coisas. Para tal tipo de<br />
jogador, tudo isso não passa de choradeira.<br />
manifestO<br />
DO JOGO DURO<br />
A nosso ver, chegou a hora de reequilibrar esses dois tipos<br />
de jogo. Jogadores comedidos que sobreviveram até aqui<br />
— a maioria das companhias aéreas, a indústria automobilística<br />
nos Estados Unidos, a indústria fonográfica, para<br />
dar alguns exemplos — estão em sérios apuros. A turma<br />
do jogo duro vem tomando seu lugar a um ritmo inusitado.<br />
O entra-e-sai de empresas do ranking Fortune 100<br />
nunca foi tão rápido. Nesse mundo mais veloz e mais implacável,<br />
jogar duro não é uma opção: é um requisito imprescindível<br />
para vencer.<br />
Pronto para reaprender as regras básicas para ganhar e<br />
perder? Comece com o Manifesto do Jogo Duro, que traz as<br />
linhas mestras para quem quer se tornar um bom jogador.<br />
Busque incessantemente a vantagem competitiva. O<br />
mundo dos negócios está cheio de ruínas de empresas cuja<br />
vantagem competitiva, outrora robusta, simplesmente<br />
George Stalk, Jr., (stalk.george@bcg.com) é vice-presidente<br />
sênior do Boston Consulting Group e autor de inúmeros livros<br />
e artigos, incluindo “Time — The Next Source of Competitive<br />
Advantage” (HBR July–August 1988), vencedor do McKinsey<br />
Award. Rob Lachenauer (lachenauer.rob@bcg.com) é<br />
vice-presidente do Boston Consulting Group. Os autores, que<br />
estão finalizando um livro sobre estratégias de jogo duro, já<br />
deram consultoria a diversas empresas citadas no artigo.<br />
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