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harvard business review

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evaporou. Já quem joga duro está sempre lutando para<br />

aumentar a distância entre seu desempenho e o da<br />

concorrência. São empresas que não se saciam com a<br />

vantagem competitiva de hoje. Querem a de amanhã.<br />

Muito se fala sobre a vantagem competitiva, mas<br />

poucas empresas sabem definir exatamente qual a<br />

vantagem que possuem, e muito menos quantificá-la.<br />

Já quem joga um jogo duro sabe, empiricamente, qual<br />

a sua vantagem, e a explora de forma impiedosa.<br />

Uma empresa que busca incessantemente a vantagem<br />

competitiva é algo de admirar. A Wal-Mart é,<br />

acima de tudo, uma empresa de logística. Nos anos<br />

1970, firmou sua vantagem no varejo popular com<br />

uma rede de armazéns operando no sistema cross-docking.<br />

Mercadorias oriundas de fornecedores só eram<br />

aceitas em cargas que enchessem todo um caminhão.<br />

Cruzado o pátio de desembarque, eram embarcadas<br />

nos caminhões da Wal-Mart, que partiam para as lojas<br />

sem nenhum espaço de carga ocioso.<br />

Mas a Wal-Mart não se contentou com essa drástica<br />

redução nos custos de transporte. Adotou a filosofia do<br />

preço baixo para estabilizar a demanda e reduzir mais<br />

os custos. Instalou supercomputadores para monitorar<br />

e analisar as compras do público, os preços da concorrência<br />

e outras informações. Os dados eram enviados<br />

via satélite das lojas para fornecedores e para depósitos,<br />

ajudando a manter os caminhões sempre cheios e<br />

as prateleiras abastecidas. Fornecedores tinham hora<br />

certa para entregar a carga nos depósitos; se perdessem<br />

a vaga, a carga podia ser devolvida até que surgisse<br />

outra — ou recusada. A Wal-Mart também usou dados<br />

de vendas e estoque para avisar a empresas como a Rubbermaid<br />

que produtos iria comprar — seja qual fosse a<br />

opinião delas sobre o merchandising de sua linha.<br />

A Wal-Mart continua a burilar o sistema, que ainda não<br />

dá sinais de desgaste. Com seu esforço intenso e incessante<br />

para aumentar a eficiência, espera-se que o custo de fornecedores<br />

e os preços para o público declinem sem cessar.<br />

Busque a vantagem competitiva “extrema”. Para quem<br />

joga duro, há algo muito mais importante do que a vantagem<br />

competitiva. É a vantagem competitiva extrema, algo<br />

que determina o desfecho da história. Diferentemente<br />

da vantagem simples, que pode ser efêmera, a vantagem<br />

extrema coloca sua empresa além do alcance das adversárias,<br />

que provavelmente vão acusar de injusta essa vantagem<br />

— não porque seja, mas porque por mais que tentem,<br />

não conseguem equipará-la. Muitas vezes, quem joga o<br />

jogo duro tem um sistema econômico invencível ou uma<br />

relação especial com um cliente, ou fornecedor, fora do<br />

alcance da concorrência. Ou, ainda, competências como a<br />

rapidez no desenvolvimento de produtos ou um conhecimento<br />

superior da clientela que é impossível imitar.<br />

O sistema de produção da Toyota, por exemplo, é tão<br />

melhor que o de qualquer montadora que a empresa faz<br />

propaganda dele. Ele permite à Toyota produzir, em volu-<br />

abril 2004<br />

JOGO DURO<br />

O<br />

manifestO<br />

Reaprenda os comportamentos fundamentais<br />

para vencer:<br />

• concentre-se incessantemente na vantagem<br />

competitiva<br />

• Busque a vantagem competitiva “extrema”<br />

• evite atacar diretamente<br />

• explore a vontade de vencer das pessoas<br />

• conheça a zona de cautela<br />

as<br />

estRatéGias<br />

aplique os golpes em surtos de intensidade<br />

implacável:<br />

• arrase os santuários de lucro da concorrência<br />

• plagie com orgulho<br />

• engane a concorrência<br />

• Desfira um ataque maciço e arrasador<br />

• eleve os custos da concorrência<br />

mes tanto altos como baixos, uma grande variedade de<br />

veículos de alta qualidade a custos muito reduzidos. A<br />

Toyota tem tanta confiança de que seu sistema não pode<br />

ser imitado que convida os concorrentes a visitarem suas<br />

fábricas. Seus executivos já disseram: “Podem nos estudar<br />

o quanto quiserem”. Depois de décadas de tentativas, nenhum<br />

rival igualou o sistema Toyota. Ela continua ampliando<br />

as fronteiras dessa sua vantagem com um novo<br />

tipo de linha de montagem flexível. Chamada Global<br />

Body Line, custa 50% menos para ser instalada e pode ser<br />

modificada para adaptar-se a um novo modelo por uma<br />

cifra 70% inferior à do sistema anterior.<br />

O retorno da Toyota foi espetacular. Sua fatia global<br />

do mercado subiu de 5% em 1980 para mais de 10% hoje,<br />

com cada ponto valendo cerca de US$ 10 bilhões em faturamento.<br />

A Toyota, que há pouco desbancou a Ford do<br />

posto de segunda maior montadora do mundo (em termos<br />

de volume), diz que sua meta de participação no mercado<br />

global é de 15% até 2010. Alguém duvida?<br />

Evite atacar diretamente. Pode ser um paradoxo, mas<br />

quem joga duro evita o confronto direto. É sinal de in-<br />

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