harvard business review
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Jogo duro: cinco estratégias letais para trucidar a concorrência<br />
Um rival menos preparado vai fazer cena e<br />
posar de ofendido. para quem joga duro,<br />
issO nãO passa De<br />
chORaDeiRa.<br />
teligência. A história mostra que para uma força militar<br />
ter razoável certeza de sucesso num ataque direto, seu<br />
poderio deve ser várias vezes maior que o do adversário.<br />
Não é uma perspectiva que agrada o jogador que pega<br />
pesado. Ainda que tenha poder de fogo, ele prefere a força<br />
econômica inerente a um ataque indireto.<br />
O sucesso da Southwest Airlines com sua incomum estratégia<br />
de rotas é um caso clássico de ataque indireto.<br />
Companhias aéreas tradicionais concentram sua força<br />
competitiva em grandes eixos aeroportuários. A United<br />
Airlines, por exemplo, tem quase mil vôos chegando e<br />
saindo do aeroporto de O’Hare, em Chicago, todo dia. A<br />
Southwest decidiu não atacar as grandes empresas nesse<br />
campo já bem defendido. Preferiu fixar-se em aeroportos<br />
pequenos, mais distantes. Passou ao largo de Boston, por<br />
exemplo, ao oferecer vôos a partir de Manchester, em New<br />
Hampshire, e Providence, em Rhode Island. Em vez de<br />
tentar obter vagas no O’Hare ou no LaGuardia, de Nova<br />
York, foi se instalar no Midway, de Chicago, e em Islip, em<br />
Long Island. É claro que não houve batalhas sangrentas<br />
contra as grandes do setor pelo controle desses locais.<br />
Com a Southwest estabelecida nos aeroportos menores,<br />
as grandes enfrentavam um dilema: como reagir ao<br />
sucesso da rival em aeroportos pequenos sem perder sua<br />
cadeira cativa em aeroportos maiores? Seria sensato competir<br />
diretamente nos aeroportos pequenos, nos quais a<br />
Southwest já havia obtido uma vantagem competitiva?<br />
Ou seria melhor criar linhas próprias para concorrer, fora<br />
dos grandes centros? Seja qual fosse o caso, as grandes<br />
estariam jogando o jogo da Southwest. E, na verdade, até<br />
agora nenhuma grande empresa aérea conseguiu solucionar<br />
esse dilema. Inúmeras tentativas de enfrentar a Southwest<br />
diretamente já fracassaram — entre elas a da Continental<br />
Lite. Enquanto isso, a Southwest continua a avançar<br />
em cidades pequenas. Seu notório sucesso após a tragédia<br />
de 11 de setembro de 2001, quando muitas rivais entraram<br />
em colapso, só confirma a astúcia de sua estratégia.<br />
Explore a vontade de vencer das pessoas. Além de<br />
inteligência, jogar duro exige coragem. Em geral a vitória<br />
é de quem a deseja mais. Apesar da fachada pública de<br />
“não-estou-nem-aí” que exibe, o fundador da Southwest,<br />
Herb Kelleher, joga duro, e a Southwest é uma empresa<br />
que joga duro. Que ninguém se iluda ao ver sua imagem<br />
“sensível” na mídia ou seu símbolo na bolsa, LUV (que<br />
soa como “love”). É verdade que num meloso vídeo de<br />
treinamento, um personagem diz aos funcionários: “[Ter]<br />
espírito é envolver nossa mente, nosso coração e nossa<br />
alma para fazer a coisa certa. O espírito da Southwest é<br />
você”. Mas, num anúncio dirigido ao mundo inteiro —<br />
inclusive aos funcionários —, a Southwest certa vez alardeou:<br />
“Viemos. Vimos. E arrasamos.”<br />
É um grande mantra para o jogador agressivo. Para<br />
obter a vantagem competitiva e buscar a vantagem competitiva<br />
extrema, quem joga duro tem de ser voltado à<br />
ação e estar sempre impaciente com a situação atual. Felizmente,<br />
é possível cultivar o desejo de vencer e transformar<br />
um jogador comedido num jogador que joga duro.<br />
Para tanto, uma saída é adotar estratégias do gênero<br />
descrito abaixo. Isso em si já ajuda a liberar o natural<br />
desejo de vencer das pessoas. Mas, para realmente transformar<br />
um jogador comedido num jogador agressivo, é<br />
preciso criar e manter nas pessoas a atitude do jogo duro.<br />
E isso fica mais difícil à medida que aumenta sua vantagem<br />
sobre a concorrência e seu pessoal se acomoda.<br />
Como disse Kelleher numa carta a todos os funcionários<br />
no início dos anos 1990: “A ameaça número 1 somos nós<br />
mesmos. Não podemos deixar que o sucesso gere acomodação,<br />
arrogância, cobiça, preguiça, indiferença, preocupação<br />
com o que não seja essencial, burocracia, hierarquia,<br />
brigas internas ou cegueira diante das ameaças<br />
apresentadas pelo mundo exterior”.<br />
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michael miller