harvard business review
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Para evitar essa acomodação, é preciso cultivar um sentido<br />
de urgência. Certa vez, em resposta ao lançamento<br />
de vôos rivais da United em várias cidades da Califórnia<br />
servidas pela Southwest, Kelleher despachou uma carta<br />
aos funcionários com o título “Início das hostilidades”.<br />
Ao observar que a United tinha mais de 100 aviões que<br />
poderiam ser “lançados contra nós” nas rotas disputadas,<br />
ele advertia: “A cotação de nossas ações, nossos salários,<br />
nossos benefícios, a segurança do nosso emprego, nossas<br />
oportunidades de expansão (...) tudo isso está em jogo”.<br />
Em várias cidades onde a competição era mais feroz, o<br />
pessoal da Southwest vinha trabalhar com uniforme de<br />
guerra — de capacete, até.<br />
Conheça a zona de cautela. Jogar duro inclui explorar<br />
os limites, sondar a estreita faixa — tão rica em possibilidades<br />
— entre zonas nas quais a sociedade diz claramente<br />
que se pode jogar o jogo dos negócios e zonas claramente<br />
proibidas. O jogador que joga duro se aventura perto da<br />
fronteira, seja fixada por leis, seja por convenções sociais,<br />
e avança mais do que qualquer adversário ousaria.<br />
Para explorar os limites, porém, é preciso saber onde<br />
eles estão. Esse talvez seja o aspecto mais complexo e intimidador<br />
do jogo duro. Logo, quem joga duro faz a lição<br />
de casa. Esse jogador conhece seu setor como a palma da<br />
mão. Tem assessores jurídicos e contábeis para ajudá-lo a<br />
decidir o que pode ou não pode fazer. Mas as respostas<br />
muitas vezes não são nada claras.<br />
Antes de agir, um punhado de diretrizes pode ajudá-lo<br />
a manobrar pela zona de cautela:<br />
• Sua ação infringe alguma lei? Nem é preciso dizer que<br />
jogar duro não significa jogar sujo: você arremessa uma<br />
bola para bem perto de um rebatedor, mas não mira a<br />
cabeça dele; você arremessa forte, mas não cospe na bola<br />
para que ganhe efeito. Tenha em mente, porém, que muitos<br />
estatutos legais não são de clareza cristalina. Ao forçar<br />
agressivamente os limites da legislação corrente, por<br />
exemplo, o jogador que pega pesado pode às vezes obter<br />
tremendas vantagens competitivas.<br />
• Sua iniciativa será boa para os clientes? Se for, ainda<br />
que seja alvo de objeções, pode ser considerada aceitável<br />
por tribunais ou legisladores. Se não for, corre o risco de<br />
criar um exército de insatisfeitos ansiosos para derrubá-lo.<br />
• A concorrência será atingida diretamente? Colocar um<br />
concorrente numa situação na qual ele cause danos a si<br />
mesmo é aceitável. Um exemplo é induzir um rival a investir<br />
numa área na qual ele não tem chances de vitória.<br />
Por outro lado, prejudicar abertamente um rival — como<br />
ao comprar um importante fornecedor e cortar o suprimento<br />
daquele rival — pode atrair a ira de outros entes<br />
do setor, ainda que o ato tenha sido legal.<br />
• A ação vai incomodar certos grupos especiais? Organizações<br />
formadas por indivíduos que não querem ser<br />
clientes mas desejam impor seu ponto de vista sobre possíveis<br />
clientes podem criar onerosos fiascos de relações<br />
públicas para uma empresa. Foi o caso de ecoterroristas<br />
abril 2004<br />
Jogo duro: cinco estratégias letais para trucidar a concorrência<br />
americanos que puseram fogo num punhado de Hummers<br />
e outros utilitários esportivos.<br />
A Microsoft costuma jogar na zona de cautela. Ora<br />
ganha, ora perde. Vive atolada em processos por seu aparente<br />
desprezo pelo prejuízo que é capaz de infringir aos<br />
concorrentes ao se recusar a compartilhar a área de trabalho,<br />
ou desktop, do computador. Mas sua defesa, apoiada<br />
por muitos, alega que tal filosofia beneficia o consumidor,<br />
o que sem dúvida reduziu o impacto dos numerosos ataques<br />
legais desfechados por concorrentes e autoridades.<br />
Ainda que soe repetitivo, voltamos a afirmar que jogar<br />
duro não significa desobedecer a lei, nem mesmo explorar<br />
brechas nela. Não se trata de maquiar balanços, violar<br />
contratos, roubar segredos industriais ou adotar uma política<br />
de preços predatória. Não se trata de ser cruel.<br />
Quer dizer, não muito. O melhor do jogo duro é ver<br />
seus concorrentes se contorcendo.<br />
estRatéGias<br />
DO JOGO DURO<br />
Como se tornar um jogador agressivo? Embora haja incontáveis<br />
maneiras de jogar duro, há um punhado de estratégias<br />
clássicas de uma eficiência atemporal para gerar<br />
a vantagem competitiva. Esses métodos funcionam melhor<br />
quando empregados em surtos de intensidade implacável<br />
com o objetivo de efetuar uma mudança dramática<br />
em sua posição competitiva — seguida da consolidação<br />
dos ganhos e da preparação para o próximo ataque.<br />
Devaste os santuários de lucro das rivais. Santuários<br />
de lucro são áreas nas quais uma empresa ganha mais<br />
dinheiro, nas quais pode acumular riqueza em silêncio,<br />
tal como um urso armazena gordura para o inverno. Se<br />
uma rival tenta invadir um território seu, sua resposta é<br />
um ataque à parte mais gorda desse invasor, que não deve<br />
tardar a captar a mensagem.<br />
Há inúmeras maneiras de devastar um santuário de lucros<br />
de um concorrente — inundando o mercado de anúncios,<br />
por exemplo, ou com um corte generalizado de preços.<br />
Mas os golpes mais eficientes são os cirúrgicos. Alguns<br />
deles podem levá-lo às profundezas da zona de cautela, e<br />
é preciso ponderar a legalidade de cada iniciativa. Por ser<br />
uma estratégia competitiva muito delicada, é natural que<br />
empresas que a usaram com sucesso não estejam dispostas<br />
a descrever detalhes. O seguinte exemplo, modificado,<br />
representa um caso assim.<br />
Há alguns anos a fabricante de aspiradores de pó VacuCorp<br />
enfrentava um problema: uma rival, a SweepCo,<br />
estava invadindo seu mais polpudo santuário de lucros, a<br />
linha de produtos vendidos a grandes cadeias varejistas.<br />
Para isso, vendia a preço menor aos mesmos compradores.<br />
A VacuCorp resolveu dissecar as operações da Swe-<br />
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