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harvard business review

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Jogo duro: cinco estratégias letais para trucidar a concorrência<br />

epCo. Seus executivos examinaram tudo na rival — produtos,<br />

preços, design, distribuição — e por fim encontraram<br />

o que queriam numa fábrica da SweepCo em Iowa.<br />

Lá era fabricado um modelo horizontal de aspirador, que<br />

repousa sobre rodinhas, tem uma longa mangueira e um<br />

fio que parece estar sempre enroscado. Como a maioria<br />

dos fabricantes não fazia mais esse modelo, para a SweepCo<br />

era um rico santuário de lucros. Pelos cálculos da<br />

VacuCorp, o aspirador, que gerava apenas 25% da receita<br />

da SweepCo, trazia 80% do lucro.<br />

Era tudo que a VacuCorp precisava saber. A empresa<br />

rojetou um modelo horizontal com menos peças e componentes<br />

mais baratos que os da SweepCo e lançou o aspirador<br />

a um preço inferior ao da rival. Em seguida, esperou.<br />

Toda vez que a SweepCo tentava abocanhar uma<br />

das contas nacionais da VacuCorp com preços menores,<br />

a VacuCorp atacava uma das grandes contas da SweepCo<br />

com seu próprio modelo de preço inferior. Depois de várias<br />

escaramuças, a SweepCo captou a mensagem. Parou<br />

de tentar roubar a clientela da VacuCorp. E a paz reinou<br />

sobre o setor de aspiradores de pó.<br />

Para devastar o santuário de lucros do concorrente, é<br />

preciso estar bem informado. Você deve saber, entre outras<br />

coisas, quais os custos e qual a rentabilidade — os seus<br />

e os do concorrente — por categoria, por divisão geográfica<br />

e por conta. Isso permitirá que você burile a estratégia<br />

de ataque, ajustando os preços para infligir o maior dano<br />

possível.<br />

É preciso atenção aos limites legais da estratégia de<br />

preços. Uma linha sutil, porém real, separa uma política<br />

de preços agressiva de outra predatória. Saiba, acima de<br />

tudo, que o ataque a um santuário de lucros do concorrente<br />

deve provocar uma forte reação. Fique extremamente<br />

atento aos primeiros indícios de fracasso ou sucesso,<br />

pois a reação de seu rival pode ser atacar os seus<br />

santuários de lucro. Talvez ele tenha mais recursos financeiros<br />

do que você supunha, ou um “padrinho” que o proteja.<br />

Quando decidir atacar a fera, não seja imprudente.<br />

Plagie, com orgulho. Quem joga com brandura costuma<br />

achar que suas idéias brilhantes são sagradas. Quem<br />

joga duro não cai nessa. Esse jogador está disposto a roubar<br />

e a usar qualquer boa idéia que encontrar pela frente,<br />

desde que não esteja protegida por robustas patentes. Ray<br />

Kroc não inventou o McDonald’s, mas pegou a idéia de<br />

Dick e Maurice McDonald ao comprar a pequena rede<br />

de lanchonetes da dupla. Os fundadores da Home Depot,<br />

Arthur Blank e Bernie Marcus, não inventaram a primeira<br />

rede de lojas de material de construção dos EUA, mas<br />

adotaram o conceito do grande armazém da Handy Dan<br />

Home Improvement, na qual trabalhavam.<br />

Mas o plagiarismo linha-dura não consiste apenas em<br />

se apropriar de uma boa idéia. É preciso aprimorá-la.<br />

Harry Cunningham, fundador da Kmart, teria certa vez<br />

admitido que Sam Walton “não só copiou nossos conceitos,<br />

como os fortaleceu”.<br />

Também é importante que você tome para si a idéia.<br />

É preciso incorporá-la a sua organização e fazer com que<br />

seu pessoal a adote. Não basta reproduzir os detalhes — é<br />

só perguntar às companhias aéreas que tentaram, em vão,<br />

imitar a Southwest. Tudo isso significa que plagiar não é<br />

tão fácil como parece.<br />

No fim da década de 1990, caía a procura por serviços<br />

de manutenção nas revendedoras Ford. A montadora, que<br />

tinha margens bastante altas nas peças de reposição instaladas<br />

pelos mecânicos das revendas, não conseguia entender<br />

o porquê. Enviou uma equipe para sondar a concorrência e<br />

descobriu que uma montadora, a Honda, erguera um braço<br />

de serviços especialmente forte. O segredo compunha-se<br />

de duas partes: vincular a compra de um novo veículo ao<br />

atendimento pós-venda e condensar as centenas de reparos<br />

possíveis num menu único, simples e fácil de entender.<br />

Com base em suas preferências e quilometragem, os clientes<br />

Honda podiam escolher um pacote de serviços de manutenção<br />

com tanta facilidade como pedir um combinado<br />

no McDonald’s. A Ford decidiu fazer o mesmo.<br />

Mas o problema é que os revendedores e os engenheiros<br />

da Ford eram grupos entrincheirados. Havia engenheiros<br />

de alto cacife que julgavam que se uma peça precisava de<br />

vistoria a cada 53.247 quilômetros, era isso e ponto. Nada<br />

de arredondar prazos para aglutinar a manutenção como<br />

num cardápio de lanchonete! Já os revendedores, também<br />

de espírito independente, tinham um único objetivo em<br />

mente: vender carros novos, em geral negligenciando a<br />

área de serviços. No fim, a Ford copiou e aprimorou o programa<br />

da Honda e fez um marketing agressivo direcionado<br />

a compradores de carros novos. Mas não foram os<br />

detalhes do programa que garantiram o sucesso. Foi o empenho<br />

da Ford para convencer seus engenheiros e, sobretudo,<br />

a enorme rede de 5 mil concessionárias.<br />

Há quem não goste de ser chamado de imitador pela<br />

concorrência ou pela imprensa, mas quem joga duro não<br />

dá a mínima. É gente que sabe que se Steve Jobs tivesse<br />

ignorado a interface do usuário que viu nos laboratórios<br />

da Xerox PARC a Apple Computer não teria nascido. Sabe<br />

que se Kiichiro Toyoda não tivesse aprendido com a Ford<br />

as técnicas precursoras do sistema just-in-time a Toyota<br />

não teria ultrapassado a rival Nissan na década de 1950<br />

nem se tornado a tremenda rival que é para as montadoras<br />

americanas.<br />

E não é só a concorrência que se pode imitar. É possível<br />

pegar idéias de uma região e transplantá-la para outra,<br />

como fez a Ryanair ao adotar na Europa o modelo da Southwest.<br />

Também é possível transplantar um modelo de<br />

um setor para outro, como fez a Hillenbrand, que aplicou<br />

os métodos do Sistema de Produção Toyota à fabricação<br />

de caixões e transformou o segmento funerário.<br />

Engane a concorrência. Você tem uma ótima estratégia,<br />

mas julga que não tem tempo para implantá-la<br />

antes que a concorrência consiga neutralizá-la ou resistir<br />

a ela. Quem joga duro sabe enganar os rivais para ganhar<br />

42 <strong>harvard</strong> <strong>business</strong> <strong>review</strong>

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