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harvard business review

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Jogo duro: cinco estratégias letais para trucidar a concorrência<br />

de papel padronizado, que cortava, reembalava e agregava<br />

a sua linha de produtos — para a felicidade da concorrência.<br />

Com isso, a Wausau reduziu sua produção de papéis<br />

padronizados e aumentou a dependência que elas tinham<br />

desses produtos de baixas margens.<br />

Desfira um ataque maciço e arrasador. Embora o jogador<br />

que pega pesado prefira o ataque indireto, às vezes<br />

ele supera a concorrência com o tipo oposto de ataque.<br />

Um ataque maciço e arrasador deve ser equivalente a<br />

uma martelada: concentrado, direto e rápido. Logo, a empresa<br />

deve ter certeza absoluta de que está pronta para<br />

empregá-lo. Em tese pode haver uma vantagem competitiva<br />

substancial. Mas tal vantagem está disponível de<br />

imediato? A soma das divisões de uma empresa pode ser<br />

maior do que a do concorrente. Mas tais divisões conseguem<br />

agir em uníssono numa batalha?<br />

Assim, a empresa que se decide pelo ataque maciço<br />

deve estar pronta para mudar totalmente suas operações.<br />

Como a empresa talvez não enfrente a pressão competitiva<br />

aguda que em geral obriga à reformulação radical, o<br />

processo pode dar a impressão de uma grande virada de<br />

uma empresa já de sucesso. Essa situação paradoxal torna<br />

essa estratégia incômoda para líderes entrincheirados que<br />

não possuem visão nem coragem para jogar o jogo duro.<br />

No início da década de 1990, a Anheuser-Busch atacou<br />

a liderança da Frito-Lay em batatinhas fritas e salgadinhos<br />

de milho. A grande cervejaria havia notado que a Frito-<br />

Lay, uma divisão da PepsiCo, tinha se desviado da rota ao<br />

entrar no segmento de biscoitos e bolachas. Num exemplo<br />

clássico de ataque direto, a Anheuser-Busch começou a<br />

colocar sua nova marca de salgadinhos, a Eagle, nas prateleiras<br />

de tradicionais distribuidoras de cerveja, supermercados<br />

e lojas de bebidas, onde a Frito-Lay era comparativamente<br />

fraca.<br />

Infelizmente para a Anheuser-Busch, quem acabava de<br />

assumir a direção da Frito-Lay era Roger Enrico, já calejado<br />

pela batalha contra a Coca-Cola como chefe da Pepsi-<br />

Cola North America. Enrico percebeu que as fortes marcas<br />

da Frito-Lay e seu enorme porte lhe davam uma nítida<br />

vantagem econômica sobre a Anheuser-Busch. Mas, para<br />

aproveitar ao máximo essa vantagem competitiva, precisaria<br />

deixar a Frito-Lay pronta para a guerra, redirecionando<br />

pesados investimentos dentro da empresa.<br />

Enrico cortou pela metade o sortimento nas linhas de<br />

produtos da Frito-Lay — nada de bolachas, nada de biscoitos<br />

— e concentrou a energia da empresa, sem falar em<br />

seus 10 mil entregadores, na seção de salgadinhos de supermercados<br />

de todo o país. A considerável verba publicitária<br />

da Frito-Lay, que fora balcanizada em diversos feudos regionais,<br />

foi consolidada numa única soma colossal.<br />

Enrico investiu pesado na qualidade dos produtos, que<br />

estava perdendo terreno para a da Eagle. Numa reunião<br />

decisiva, ordenou ao pessoal de operações que descartasse<br />

uma partida de batatas de qualidade inferior no valor de<br />

US$ 30 milhões, em vez de utilizá-la na produção. Fez tam-<br />

bém as primeiras demissões em massa na história da empresa<br />

— mas contratou mais vendedores. E, como havia<br />

cortado custos, conseguiu reduzir os preços.<br />

Com todas essas armas na mão — produtos melhores,<br />

atendimento melhor e preços menores —, Enrico começou<br />

a pressionar um dos santuários de lucro da Eagle:<br />

batatinhas fritas vendidas em supermercados. A Frito-Lay<br />

soltou em campo o pelotão de vendas. Certos vendedores<br />

passavam o dia inteiro nos maiores supermercados,<br />

repondo sem parar o estoque de produtos da Frito-Lay.<br />

Em 1996, quando a poeira baixou, a Anheuser-Busch<br />

O melhor do jogo duro é<br />

veR seUs cOncORRentes<br />

se cOntORcenDO.<br />

havia fechado a divisão de salgadinhos Eagle. No fim, a<br />

Frito-Lay acabou comprando quatro fábricas da Eagle —<br />

a preços atraentes.<br />

Para empregar uma estratégia assim, a empresa muitas<br />

vezes libera forças que estão latentes na organização, como<br />

fez Enrico na Frito-Lay. Mas tais forças devem representar<br />

uma vantagem competitiva real, ainda que não concretizada.<br />

É preciso, por exemplo, ter uma nítida vantagem de<br />

custos antes de atacar. Do contrário, a concorrência pode<br />

revidar com cortes de preços e frustrar o ataque.<br />

É claro que raramente se deseja eliminar os concorrentes.<br />

Um concorrente fraco é melhor do que aquele que sai<br />

da concordata em melhores condições de lutar. É preciso<br />

estar preparado para o escrutínio público. A política de<br />

vendas da Frito-Lay em supermercados foi investigada<br />

— e isentada — pela Comissão Federal de Comércio dos<br />

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