Edição 55 - Revista Algomais

revistaalgomais.com.br

Edição 55 - Revista Algomais

Ano 5 | n o . 55 | outubro 2010

R$ 9,00

www.revistaalgomais.com.br

Praia

de Porto

de Galinhas

Ipojuca PE

A REVISTA ALGOMAIS

GARANTE O SEU DIREITO DE TER

DIFERENTES OPINIÕES.

A REVISTA ALGOMAIS

É A FAVOR DA LIBERDADE

DE IMPRENSA.

Rio Oil and Gas

Pernambuco é destaque em

evento no Rio de Janeiro

Polo médico

amplia o turismo

2010 outubro >

>

1


2 > >

outubro 2010


Carta do

Editor

O turismo da saúde

Este ano está sendo de excelentes realizações para o polo médico

de Pernambuco. Grandes negócios movimentaram o setor, particularmente

no último mês de setembro quando se revelaram os

investimentos em ampliação dos hospitais Português e Santa Joana;

a chegada ao polo de planos de saúde líderes no ranking nacional; a

implantação de unidades de saúde de alta complexidade (caso, por

exemplo, da recuperação e modernização do hospital João XXIII, na

Ilha do Leite). Os negócios médicos estão se voltando, igualmente,

para a região de Suape com unidades hospitalares, clínicas – enfim,

toda a estrutura do setor para atender a pujança de uma economia

cada vez mais próspera. O emprego para médico está em alta em

Pernambuco.

Algomais vem acompanhando esse desenvolvimento desde os

seus primeiros números. Registramos com o maior entusiasmo, na

edição de abril de 2007, a competência da gestão do Instituto Materno

Infantil Professor Fernando Figueira (IMIP). “O SUS que dá certo”,

dizia o título de Capa. E o IMIP continuou dando tão certo que o Governo

do Estado lhe entregou a gestão de novos hospitais e Unidades

de Pronto Atendimento (UPAs) implantados recentemente. O IMIP

recuperou o prédio do hospital Pedro II, dotando-o de equipamentos

e clínicas modernas. Seguimos depois registrando, em várias edições,

os avanços setoriais da área médica, mas sempre escolhendo anualmente

um tema para um trabalho especial sobre o setor.

O nosso polo médico, caro leitor, transbordou para o turismo. É

o que origina o novo nicho de mercado do turismo, que transforma

em turistas pessoas que chegam ao Recife para acompanhar parentes

e amigos doentes em tratamento nas unidades de saúde. Confira o

relato dessa parceria a partir da página 42.

E tem mais para conferir: a entrevista com o irmão Orlando

Cunha Lima, o grande educador da Congregação Marista; a estreia da

coluna Fuxicos Literários, do célebre médico pernambucano Rostand

Paraíso; na política, falamos dos desafios de gestão de quem se eleger

governador; sobre economia, José Neves Cabral foi ao Rio de Janeiro

cobrir o desempenho do estado na maior feira do mundo da indústria

naval; um texto do jornalista e historiador Leonardo Dantas Silva

esclarece sobre a igreja mais antiga do Brasil. Leonardo assegura que

não é a dos santos Cosme e Damião, em Igarassu; Marcella Sampaio,

por sua vez, descobriu que os semi-internatos, comuns no século passado,

estão voltando a fazer o maior sucesso; falamos também de

cidadania (“A revolta dos inconformados”, trabalho da jornalista Jaqueline

Saunders) e de mobilidade (“Recife pode parar”, alerta o economista

Miguel Romualdo de Medeiros); Francisco Cunha, defensor

da cidadania e do paisagismo, destaca as árvores do Espinheiro e relata

as dificuldades de quem pretende plantar uma muda no bairro.

E não estranhe, caro leitor, são 84 páginas, nas quais você ainda

encontrará um trabalho de Mirela Soane sobre como começou a pesquisa

astronômica no Recife, tema de um congresso internacional em

novembro. Boa leitura

Roberto Tavares

Editor Geral

Sumário

Ano 5 | n o . 55 | outubro 2010

R$ 9,00

www.revistaalgomais.com.br

Praia

de Porto

de Galinhas

Ipojuca PE

A REVISTA ALGOMAIS

GARANTE O SEU DIREITO DE TER

DIFERENTES OPINIÕES.

A REVISTA ALGOMAIS

É A FAVOR DA LIBERDADE

DE IMPRENSA.

Rio Oil and Gas

Pernambuco é destaque em

evento no Rio de Janeiro

Polo médico

amplia o turismo

2010 outubro >

> 1

Edição 55

Circulação

1.outubro.2010

Criação

Rivaldo Neto

Tiragem

18.000 exemplares

Seções

Carta do Leitor ........................................................... 4

Entrevista ................................................................... 10

Fuxicos Literários ......................................................... 14

De Olho ....................................................................... 16

Francamente .............................................................. 16

João Alberto ................................................................ 20

Pensando Bem ............................................................ 22

Palavra do ibef-pe ......................................................... 64

Economia ..................................................................... 68

Gestão Mais ................................................................. 74

Comer Bem .................................................................. 78

Memória Pernambucana ............................................ 80

Última Página .............................................................. 82

CAPA............................................. 33

De braços abertos para os turistas de saúde

Reportagens

Noite de gala................................................................ 18

De olho no futuro......................................................... 24

O destino de uma coleção sacra .................................. 28

Semi-internato retorna às escolas .............................. 30

A igreja mais antiga de Pernambuco........................... 53

Recife no ‘mundo da lua’................................................ 56

A revolta de uma inconformada.............................. 60

Recife pode parar ......................................................... 62

40 anos do Grupo Nordeste.......................................... 66

Pernambuco no Rio Oil and Gas ................................. 69

Cadê o português da padaria?..................................... 75

Cuba sem açucar .......................................................... 79

2010 outubro >

>

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Cartas

do

Leitor

Assédio moral

Quero parabenizar os jornalistas

Andréa de Carvalho e Luciana Leão,

bem como o advogado Marcos Alencar.

As duas primeiras pelo artigo

sobre o assédio moral e o advogado

pelos seus conceitos. Posso dizer que

combinam objetividade e pertinência

de conceitos, o que resultou em boa

qualidade jornalística, engrandecendo

a revista.

Geraldo Azoubel – Advogado azoubeladv@hotmail.com

Algomais I

Adoro a Algomais. Gostaria de

sugerir mais reportagens como a da

Camila Coutinho, em que se contassem

histórias de sucesso de empreendedores

pernambucanos como,

por exemplo, da estilista pernambucana

Aluska Brasileiro,cuja história

é bem bacana, pois começou com

uma “brincadeira” de um blog e hoje

tem um site que é uma loja virtualcujas

vendas vão até o exterior para

países como Estados Unidos, França

etc e uma loja física cujo atelier fica

em seu interior e atende tanto o público

masculino como o feminino do

Recife.

Eduardo Carvalho

Algomais II

Algomais cresce a cada novo

exemplar, tanto em conteúdo editorial

como em anunciantes. Reuniu

dois grandes nomes das artes. Hoje

saudosos, foram meus vizinhos fazendo-me

amigo de seus filhos em Boa

Viagem e no Derby. Refiro-me a Lula

Cardoso Ayres e Abelardo Rodrigues.

Um pintava como poucos e o outro

reuniu uma primorosa coleção de

santos. Andavam esquecidos e agora

com justiça foram revividos. Perde-

4 > > outubro 2010

mos temporariamente o Joca que,

com certeza de forma rápida, foi lavar

seu pano. Carlos Tigre (Cacá)

Cidadania I

Prezado Francisco Cunha. Somente

agora tive acesso ao seu artigo

“Cidadania Deambulatória”, que

defende uma volta dos cidadãos às

ruas, para conhecer a cidade e poder

reividicar. Sou, como você, um caminhante

permanente, e comungo da

sua tese. Receba meus parabens pelo

artigo. Luiz Helvécio

Cidadania II

A revista de junho está, assim

como as anteriores, excelente. Mas

uma matéria em especial merece

meu registro: “Perto do caos e longe

da consciência”. O jornalista Gilberto

Prado foi muito feliz nos enfoques

feitos nessa matéria. Os problemas

de nossa cidade são muitos, porém

o poder público municipal precisa entender

que a solução desses problemas

passa principalmente pela sua

responsabilidade de fazer com que as

leis sejam cumpridas. Faz-se necessário

mais rigor na aplicação das leis, articulação

e parcerias com instituições

que se preocupam realmente com

nossa cidade e que podem contribuir

para o desenvolvimento de ações

imediatas e possíveis de serem desenvolvidas.

Paulo Monteiro

Rio/Recife

Quem mora no Rio de Janeiro ou

já visitou aquela metrópole pode comprovar

a beleza do lugar. A limpeza das

ruas e a preservação do verde servem

de cartão de visita para todo mundo

ver. Existiu por parte dos prefeitos que

por lá passaram muito respeito e responsabilidade

com o patrimônio pú-

blico, difícil de se ver noutras cidades.

É fácil perceber a diferença cultural de

um povo a partir do seu relacionamento

com a cidade em que vive, o carinho

e o cuidado em procurar manter sempre

limpas ruas e alamedas sempre

verdes. Eu gostaria que os futuros prefeitos

do Recife cuidassem de nossa cidade

a exemplo dos bairros do Leblon,

Ipanema, Jardim Botânico e Arpoador

na “Cidade Maravilhosa”. Se o prefeito

João da Costa pudesse caminhar por

ruas e avenidas do Rio, Curitiba, Florianópolis,

Porto Alegre ou João Pessoa

certamente morreria de vergonha por

governar uma cidade que se encontra

completamente abandonada. O desvelo

com a cidade depende muito do

grau cultural de quem a dirige. Sei que

é demais transformar o Recife num Rio

de Janeiro. Mas nunca é vão sonhar

com um feliz amanhecer. Luiz Maia

Memória

Hoje me levantei as 3:15hs da

madrugada para ler a revista Veja,

porém antes de fazê-lo peguei a Revista

Algomais de junho, nº 51, por

conta da capa “Imprensa e Poder ,

eleições a vista`”. Pois bem, comecei

a folhear e entre uma página e outra

fui me deliciando e me entusiasmando

com seu conteúdo e em especial

pela matéria do Marcelo Alcoforado

- “Pernambucano até no nome”. Foi

primorosa sua matéria, seu conteúdo

nos trouxe com uma clareza extraordinária

a história do Hospital Ulisses

Pernambucano, onde li, aprendi e

enteni o que é o Hospital da Tamarineira

e quem foi dr.Ulisses. Quero

parabenizar toda equipe da Revista

Algomais, Pernambuco estava merecendo

uma revista com essa qualidade,

não só pelo conteúdo, como

também o profissionalismo de todos

os colaboradores.

Kenys Maziero u


2010 outubro >

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5


Cartas

do

Leitor

BR-232

A propósito do artigo “Longa

vida para BR 232”, na última edição

da Algomais, é necessário fazer algumas

considerações. Em primeiro

lugar discordo da afirmativa de que

a deterioração da rodovia deve-se

ao uso intenso por carros, caminhões,

ônibus ou outros veículos.

A BR 232, a exemplo de Benjamin

Button, personagem de filme recente,

já nasceu velha. O que teria

acontecido na sua construção? Má

qualidade do material, superfaturamento

ou falta de fiscalização adequada?

Como usuário frequente da

estrada verifico que a quantidade

de placas rachadas, desniveladas ou

afundadas é assustadora. Se compararmos

com as estradas feitas em

concreto armado nos governos Agamenon

Magalhães, Etelvino Lins e

Cordeiro de Farias na década de 50,

chegamos a um resultado estarrecedor.

Enquanto aquelas duraram 30

anos, a BR 232 não suportou 5 anos

de uso.É bom também ressaltar que

foi a única grande obra de um exgovernador

que, embora apoiasse

incondicionalmente o então presidente,

cujo vice era pernambucano,

não teve força política para

fazer com que o governo federal

duplicasse a BR, preferindo realizar

a obra de uma estrada federal com

dinheiro pernambucano oriundo da

venda da Celpe. Na mesma época, o

Expediente

Av. Domingos Ferreira, 890, sala 803

Boa Viagem | 51110-050 | Recife/PE

Fone: (81) 3327.3944

Fax: (81) 3466.1308

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6 > > outubro 2010

governador da Paraíba, José Maranhão,

conseguiu que o governo federal

duplicasse a BR que liga João

Pessoa a Campina Grande. Por fim,

seria o caso de se dizer que a obra

realizada por grande empreiteiras

nacionais é uma vergonha para a

engenharia brasileira? A sociedade

pernambucana antes de ser convocada

a pagar pedágios ou outras

taxas merece uma resposta.

Sylvio Belém

Recife

Patrimônio

Excelentes as considerações de

Francisco Cunha, intituladas de “Recife,

Patrimônio da Humanidade”.

Lembro-me do Recife Antigo quando

tudo acontecia no centro da cidade:

Praça Maciel Pinheiro, Rua da Imperatriz,

Rua Nova, Cais do Porto, cinemas,

grandes casas de negócios e muito

mais. Tudo era conservado. Na verdade,

precisamos de “algo mais” para se

recordar do nosso Recife Histórico.

Paulo Montezuma

p.montez@ig.com.br

De férias

Li no numero de agosto - versão

online - o artigo “De Ferias no Recife e

Refletindo...” Parabenizo o autor pelos

insights e à Algomais pela publicação.

Paulo G. Cysneiros - UFPE

Diretoria Executiva

Sérgio Moury Fernandes

sergiomoury@revistaalgomais.com.br

Francisco Carneiro da Cunha

franciscocunha@revistaalgomais.com.br

Diretoria Comercial

Luciano Moura

lucianomoura@revistaalgomais.com.br

Conselho Editorial

Francisco Carneiro da Cunha

presidente

Luciano Moura

Ricardo de Almeida

Sérgio Moury Fernandes

Doryan Bessa

Bruno Queiroz

Redação

Fone: (81) 3327.3944/4348

Fax: (81) 3466.1308

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Editor-geral

Roberto Tavares

robertotavares@revistaalgomais.com.br

Editor-executivo

José Neves Cabral

zeneves@revistaalgomais.com.br

Reportagens

Ivo Dantas

ivodantas@revistaalgomais.com.br

Marcella Sampaio

marcella@revistaalgomais.com.br

Rafaella Magna

rafaellamagna@revistaalgomais.com.br

Pedro II

Parabéns pela reportagem sobre

a recuperação do Hospital Pedro II e a

matéria sobre o centro do Recife. Temos

de valorizar a história da região.

Sugiro uma materia sobre a implantação

de um novo modelo de gestão no

Colégio de São José que está sendo

realizado e que trará benefícios ao

centro do Recife. A Av. Conde da Boa

Vista está evoluindo comercialmente,

com a construção de novas lojas e virando

um polo de educação. O prédio

centenário do Colégio de São José é

um marco da região. Parabéns em especial

também para Francisco Cunha

pelos livros “Um dia no Recife”e “Um

dia em Olinda”. Indico aos meus alunos

do Curso de Turismo da Fafire e a

todos os conhecidos que vêm ao Recife

e Olinda. São grandes obras para

apoiar o turismo em Pernambuco.

Eduardo da Costa Aguiar

Fim de ano

no interior

Aquelas pessoas que residiram, durante

muitos anos, em cidades interioranas,

temos certeza de que ainda

estão lembradas das inúmeras festividades

que eram ali promovidas por

ocasião do fim do ano. Os templos

católicos celebravam à noite, quando

chegava a véspera do Natal e fim do

Ano, vários atos litúrgicos. Os residentes

nas cidades também mandavam

Fotografia

Alexandre Albuquerque (81) 9212.9423

Editoria de Arte

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Rivaldo Neto

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u


2010 outubro >

>

7


Cartas

do

Leitor

“pintar” as fachadas das suas residências,

o que muito contribuía para um

melhor visual da Comuna. Quando

era chegado o final do ano,.duas feiras

eram realizadas , uma na véspera

do Natal e a outra era no dia 31, as

quais se prolongavam até altas horas

da noite. Dificilmente acreditamos

que acontecerá hoje em dia tal fato.

Nas cidades aonde havia uma banda

musical era realizada uma grande retreta

abrilhantando as festas.

Reinaldo Lessa – Recife

Última Página I

Prezado Francisco. Parabéns mais

uma vez pela versatilidade, conteúdo

e equilíbrio de seus artigos. Como

leitor assíduo da revista dirijo-me inicialmente

para “Última página”. Os

assuntos pertinentes às cidades me

interessam em particular já que estive

profissionalmente sempre ligado às

questões dos transportes. Salvo melhor

juízo, nesta área, que permeia as

demais, o que tenho observado é que

a gestão, talvez por razões políticas,

tem sido conduzida por pessoas esforçadas,

inteligentes mas com pouco ou

nenhum conhecimento especializado.

Daí, na minha opinião, o agravamento

acelerado dos problemas na RMR. Observe!

Wilson Aquino

Última Página II

Caro Francisco Cunha.Li com satisfação

sua “Última Página”, sob o

título “Recife - Patrimônio da Humanidade”.

Compartilho integralmente

de suas ideias. Faço parte daqueles

que ainda “arruam” pelo centro, o

verbo “arruar” no dizer de Mário Sette:

“pisar, e adivinhar quem pisou”.

A Revista AlgoMais cumprindo uma

função cultural importantíssima para

Pernambuco. Jacques Ribemboim

Presidente da ONG Civitate

Recuperando Espaços Urbanos

8 > > outubro 2010

Queremos Joca

Mais de uma dezena de leitores escreveu

à revista para opinar sobre o fim

da coluna “Pano Rápido” assinada por

Joca Souza Leão. São manifestações

carinhosas, e esperançosas de que

Joca resolva voltar a colaborar. “Joca

parou de escrever. Vocês não deveriam

ter permitido. Estou me sentindo

órfão”, brada o advogado e jurista José

Paulo Cavalcanti. Para Joel Posternak,

“Joca fechou o pano rápido demais!!!

A revista Algomais vai ficar com algo a

menos”. E arremata: “Como você diz

que pode voltar ‘mais adiante’, a gente

fica na torcida”. O médico Ian Pester

conta que foi surpreendido com a

despedida e responde a indagação de

Joca no último texto que escreveu para

a revista: Foi bom pra você também?”.

“Saiba que pra mim não foi bom não,

foi ótimo”, enfatiza o médico. Também

foi ótimo para Aníbal D’Alencastro:

“Se foi bom, Joca, foi ótimo”. E acrescenta,

esperançoso: “Saiba que não

acredito nem um pouco nessa história

de que ‘a fonte secou’. Pra mim, isso

tem outro nome: preguiça da grande”.

D’Alencastro quer que Joca volte

logo: “Apesar de você não ser Getúlio

Vargas, se quiser a gente faz um movimento

queremista: Queremos Joca!

Queremos Joca! Pano Rápido Já”.

Esse sentimento “queremista”

também inspirou o jornalista Garibaldi

Otávio: “Faço um apelo aos amigos Sérgio

Moury e Roberto Tavares para que

tentem, em nome dos leitores de Algomais,

convencê-lo a voltar atrás na sua

decisão lamentável e passe novamente

a nos encantar com suas histórias”.

Garibaldi propõe aos amigos e admiradores

do “cronista fujão” encher o seu

emeio com mensagens pedindo a sua

volta e prometendo, em compensação,

encher o seu arquivo com novas e velhas

histórias, “dessas que ouvimos no

passado e hoje gostamos de recriá-las

no impulso dos uisquinhos”.

Até parece que Plínio Duque, outro

admirador, adivinhou o apelo de Garibaldi:

“Eu, humilde e fugaz colaborador

desta, tenho ainda inúmeras histórias,

sabidas de muita vivência e ouvidas de

meu saudoso pai Augusto Duque, memória

excepcional, sempre atento ao

engraçado. Estou pronto a colaborar”,

enfatiza. Adolpho Batista de Britto, de

Aldeia, exalta as qualidades de cronista

de Joca: “Tudo que escreve, escreve

bem. Na minha modestíssima opinião,

não tem ninguém escrevendo melhor

na imprensa local. Tem o absoluto domínio

de um texto ágil, coloquial, leve,

bem-humorado (por vezes raivoso,

indignado), mas, também, escorreito,

culto e, até, vez por outra, erudito”.

Na opinião de Miguel Ettore o anúncio

da despedida de Joca foi uma tragédia.

“Infelizmente”, lamenta ele, “só tragédias

são anunciadas pela mídia atual”.

Elisa Schuler, no entanto, descrê que “a

fonte secou” e indaga ao cronista: “Será

que já está saturado dessa obrigação,

ou dos medíocres que questionam suas

histórias?” Idalina Gomes Grosky, de

Piedade, se manifesta de forma muito

bem homorada: “Se o senhor pensava

que nós, leitores de Algomais, não sobreviveríamos

ao final do ‘Pano Rápido’,

saiba que sobreviveremos. Não digo

que não vamos sentir falta, vamos. Mas

a revista tem muitas outras atrações.

Inclusive dr. Rostand Paraíso, que entra

para lhe substituir, contando histórias

do Recife. Bem-vindo, dr. Rostand”. E

complementa com um P.S.: “Brincadeirinha,

seu Joca, volte logo que a gente tá

esperando, viu?”


2010 outubro >

>

9


Entrevista

Orlando da Cunha Lima

“O Marista codificou

a pedagogia”

LITERATURA | “Escrever é eclosão”,

diz o escritor pernambucano

10 > > outubro 2010

irmão marista Orlando

O Cunha Lima, 79 anos,

marcou época como diretor do

tradicional colégio na Avenida

Conde da Boa Vista. Licenciado

em Ciências Matemáticas

pela Faculdade Católica e

Filosofia de Ciências e Letrada

Universidade do Ceará, ele fez

curso de Orientação Educacional

pela Universidade Católica de

Pernambuco e também estudou

planejamento pelo CELAM,

em Santiago do Chile, além de

ter sido diretor do Instituto

de Magistério Marcelino

Champagnat, em Apipucos, no

Recife em 1964 e 1965. Até

hoje é lembrando por ex-alunos

ilustres que o viam comandar

com sábia competência a unidade

escolar num dos períodos

mais conturbados da história

recente do Brasil. Formado em

matemática, inicialmente, irmão

Orlando fez vários outros cursos

dentro da linha educacional

e desenvolveu métodos

pedagógicos que ajudaram o

Marista a se tornar uma das

referências do ensino em várias

capitais brasileiras, como São Luís

e Fortaleza. Agora, já distante do

dia a dia, ele brinca, dizendo que

virou um “vagabundo”, referindose

a um termo usado pelo ex-

Alexandre Albuquerque

presidente Fernando Henrique

Cardoso numa polêmica com

aposentados durante sua gestão.

Pelo seu trabalho, já recebeu

homenagens em várias cidades

brasileiras. No Recife, recolhido

em Apipucos, preparando-se para

se mudar para Aracati, no Ceará,

ele é constantemente convidado

para almoçar com ex-alunos. E foi

lá em Apipucos que ele recebeu

a equipe da Algomais para falar

do seu trabalho, quando dirigiu

o Marista, e para contar histórias

daquela época. Também explica

por que o colégio fechou na Boa

Vista e lembra das dificuldades

que teve durante a repressão.


“Marista

só tinha

irmãos

dando

aula, não

havia a

sociedade

dentro dos

colégios ”

Algomais | Como se deu sua opção

pela vida religiosa?

Orlando Cunha Lima | Estudei na

minha infância no Colégio Pio X Marista

de João Pessoa. Pela forma como vivíamos

naquele colégio e também por

questão familiar, minha família é católica,

eu resolvi abraçar a vida religiosa e

toda a vida marista. Meu pai formouse

na Faculdade de Odontologia, em

1927, no prédio onde hoje é a Fundação

Joaquim Nabuco e onde também

funcionou a Escola Técnica. Meus avós

eram senhores de engenho, mas lá

pela década de 30, as usinas passaram

a comprar todos os engenhos. E então

meu pai passou a ser telegrafista. Em

1945, vim para o Recife, morar em Apipucos.

Por isso, digo que sou praticamente

pernambucano, pois já são 65

anos. E como também tenho o título

de Cidadão de Itamaracá – capitania

hereditária – me sinto pernambucano.

Não há rivalidade entre Pernambuco

e Paraíba. A rivalidade é mais entre

Pernambuco e Alagoas, porque aquele

território pertencia a Pernambuco,

mas com a revolta conhecida como

Confederação do Equador, em 1917,

Dom Pedro I tirou uma parte desse

território e criou a Província de Alagoas,

agora Estado de Alagoas.

AM | O ensino dos irmãos maristas

era considerado muito bom na

sua época. Que legado o senhor

acha que eles deixaram para o

ensino em Pernambuco e para a

educação atual?

OCL | É sobretudo o de respeitar a

pessoa humana. Formar a pessoa humana,

fazê-la capaz de construir sua

própria personalidade, sua vida, e não

se deixar conduzir. É isso o que a gente

procura fazer, para a pessoa não

ficar fazendo apenas o que os outros

mandam, pois isso não dá certo. A

gente codificou a pedagogia, porque

na realidade o Padre Champagnat

não codificou muita coisa, nós fomos

normatizando ao longo dos anos. Então,

hoje a pedagogia é voltada para a

pessoa humana.

AM | Ex-alunos do Marista nos falam

que o senhor era muito querido

tou medidas bastante avançadas,

pois muitos se escondiam no banheiro

para fumar. Quando o senhor

soube, estabeleceu um lugar onde

eles poderiam fumar. Isso na época

era um avanço.

OCL | Na realidade, o Marista da

Conde da Boa Vista foi o primeiro colégio

religioso misto. Fizemos um convênio

com o Vera Cruz, onde todos os

alunos que chegavam ao terceiro ano

iriam para o Marista. Depois, então,

ficou todo o colégio Marista misto.

Iniciamos um ciclo onde os alunos

começavam do primeiro ano ginasial.

Foi muito interessante essa transição.

Mas alguns colégios resistiram, inclusive

dentro da nossa província marista.

Mas o primeiro não foi o Marista e

sim o Colégio de Tabatinga em Brasília,

onde chegamos em 1960 com um

colégio já misto.

AM | Por que o Marista fechou na

Boa Vista, teve alguma coisa a ver

com as mensalidades?

OCL | Primeiro porque o colégio

religioso é público, mas não é governamental.

Mas nenhum secretário de

educação, nenhum prefeito, nenhum

governador considera a escola particular

serviço público. Considera como

Alexandre Albuquerque na época e lembram que até implan-

comércio. E se é comércio tem que

pagar professor, energia, material,

despesas administrativas, etc. E aí é

preciso cobrar a mensalidade, que é

uma estupidez, pois é um segundo

imposto sobre a família, que já paga

imposto ao governo. Aí quem queria,

naquele tempo, uma melhor educação

tinha de pagar mensalidade. E aí

veio o tempo da inadimplência, incentivada

pelo próprio governo. E então,

sem recursos, não se poderia manter

o colégio. A outra questão é que

a educação religiosa marista era de

panelinhas, Marista só tinha irmãos

dando aula, não havia a sociedade

dentro dos colégios. Aí, os colégios

precisaram crescer para se manter e

vieram os professores que nós chamávamos

de “leigos”. E as religiosas

começaram a abandonar o colégio

para servir aos pobres, porque rico

era quem tinha dinheiro para pagar

mensalidade. E havia também, para

contribuir, a questão urbana. O colégio

ficava ali na Boa Vista, fechado,

carro de todo lado, quem entrava não

podia sair. Tivemos de comprar uma

casa na Rua da Conceição por trás

do colégio e fizemos uma espécie de

túnel para que os carros entrassem

pela Boa Vista e saíssem por lá. Mas

as dificuldades eram grandes com

inadimplência.

AM | A mudança urbana e geográfica

também já está afastando os

quartéis do centro.

OCL | Vocês vejam: o Quartel General

já saiu dali. Onde hoje funciona o Shopping

Plaza era um quartel. Ou seja,

houve uma mudança geográfica. E nós

decidimos fechar o colégio da Conde

da Boa Vista e transferir para Paulista.,

no Janga. Na época, já havia pais que

diziam: “irmão, gostaria de colocar a

minha filha aqui, mas não tenho condições

de atravessar aquela ponte do

Pina às 11h para vir buscá-la, então

preferi colocar a menina num colégio

lá em Boa Viagem mesmo. A questão

geográfica desfavorável também influenciou

e vários colégios fecharam,

como o Padre Feliz, o Eucarístico. E até

alguns colégios estaduais fecharam

como o João Barbalho.

2010 outubro >

>

11

u


AM | O que se deve fazer para ter

um bom colégio hoje?

OCL | Bom, eu costumo dizer que

para fazer um bom colégio hoje você

precisa comprar um terreno grande,

plano, e montar lá várias lonas de circo.

Depois de uns dez anos as lonas já

estarão gastas, em farrapos. E o que

você deve fazer? Comprar outras?

Não! Você vende o terreno e se muda

para outro lugar.

AM | Como é que a relação com a

religião se processa nos colégios?

OCL | No Marista há uma preocupação,

já montamos uma Pastoral

Estudantil para fazer com que os estudantes

busquem e encontrem um

caminho. É muito mais na sua autenticidade

e no seu relacionamento

com Deus e com o outro.

AM | O senhor está indo para Aracati,

no Ceará. Qual será a sua missão lá?

OCL | Vagabundo (risos). A vida religiosa

é muito estendida quando é

comunitária e ao mesmo tempo nos

deixa como uma ostra quando isolados.

Então, a gente precisa de uma

vida comunitária para viver, debater,

estudar, rezar. Estou fazendo parte de

uma comunidade. E lá a gente sempre

tem essa convivência, no almoço,

no jantar, é uma vida de família.

AM | Nesse tempo todo como educador

passaram milhares de alunos pelas

suas mãos. Tem boas lembranças?

OCL | Tenho deles e eles têm de

mim. Ainda mantenho contato com

mais de 200 alunos do Recife. Dia desses

eu jantei na casa de uma antiga

aluna que é procuradora do estado e

ela juntou seis colegas dela e aí comemos

uma bacalhoada. Cheguei aqui lá

pela uma da madrugada. Isso porque

padre tem que chegar em casa cedo.

Se eu chegasse por volta das 23h ou

meia noite chegava tarde. Como cheguei

a uma da manhã, cheguei cedo.

Então, de manhã, eu já fui tomar café

com uma turma ali no Pimenta de

Cheiro e de lá já fui para casa de uma

outra ex-aluna e almocei. E ela veio

me trazer aqui, então já era domingo.

Disse já basta, hoje eu não saio mais.

12 > > outubro 2010

“Tenho

boas

lembranças

dos alunos e

eles têm de

mim. Ainda

mantenho

contato

com mais de

200 alunos

do Recife”

*Participaram da entrevista:

Roberto Tavares,

José Neves Cabral,

Marcella Sampaio,

Ivo Dantas e Rafaella Magna

Alexandre Albuquerque

É bom esse contato, porque trocamos

ideias e às vezes damos a mão por um

problema ou outro que aparece.

AM | O senhor era muito procurado

pelos jovens em busca de conselhos?

OCL | Inclusive, às vezes, em situação

difícil. Uma mãe prepotente

no relacionamento com uma filha

adolescente, por exemplo, era difícil.

Um dia desses, encontrei essa moça

e perguntei como estava a sua mãe.

Ela me respondeu que sempre a visitava,

mas não conseguia amá-la.

Isso é duro. Então, a gente procurava

fazer com que ela, como pessoa, não

se sentisse arrasada. Também havia

problemas pessoais e até políticos.

Você pega um Carlos Wilson, um

Cadoca, um Luís Piauhylino ou Armando

Monteiro Neto, um filho de

Sérgio Guerra. A gente vê aí uma lista

de ex-alunos políticos, isso às vezes

cria situações difíceis. Vou contar uma

anedota verdadeira de 1969: recebi

um ofício do IV Exército para celebrar

uma missa pelo quinto aniversário da

revolução aqui com os alunos. Passei

um mês encucado com aquilo. Numa

das turmas tinha uma filha de Nilo

Coelho, noutra o do Sérgio Guerra,

que estava cassado, preso. E Nilo Coelho

governador do estado. Tive um

estalo na noite que precedeu a solenidade.

Mandei hastear a bandeira do

Brasil e chamei dois alunos, que eram

candidatos na eleição interna, para

falarem. Um que não me lembro o

nome. O outro era Artur Valente, que

depois virou construtor. Eles se apre-

sentaram, falaram e depois mandei

tocar o hino da Bandeira. Em seguida

enviei um ofício ao Exército contando

como foi a solenidade. Resolvemos o

problema.

AM | Na repressão, como era o clima

no Marista?

OCL | Certa vez, numa visita que lhe

fiz, o coronel Ferraz disse que quem

lhe deu mais trabalho na morte do

Padre Henrique foi a mulher dele,

Nazaré, que queria por que queria ir

pro enterro. Ele também me contou

que o Marista era um dos colégios

mais visados na época. Pensaram

até em nomear um interventor. O

coronel Ferraz disse que foi contra,

argumentando que conhecia a

orientação pedagógica do Marista e

lembrando também que até a filha

do governador Nilo Coelho estudava

lá. E eu disse ao coronel nessa visita

que o que ele estava dizendo eu já

intuía, porque morava no primeiro

andar e quando ia me deitar fechava

as cortinas e olhava o outro lado da

rua, onde funcionou o Colégio Pernambucano

e depois a biblioteca da

Universidade. O SNI (Serviço Nacional

de Inteligência) ocupava o último

andar e eu via a movimentação lá à

noite. Ficava pensando: meu Deus

será que amanhã eu estarei aqui ou

em Fernando de Noronha? Não havia

segurança. Agora, chegava o 7 de

Setembro e o Exército armava o palanque

em frente ao colégio e pedia

para colocar atiradores deitados em

cima do telhado para fazer a segurança.

Uma vez, queriam até entrar

no meu quarto. Aí eu falei: “Aqui,

não. Aqui é responsabilidade minha.”

Na morte do Padre Henrique,

a Missa de 7ª Dia foi lá no colégio e

eu nem pude assistir porque fiquei

organizando.

AM | O senhor teve algum problema

com aluno?

OCL | Não, mas cheguei a dar atestado

a cinco alunos, afirmando que

eles não eram subversivos. Um deles

é César Cals Neto, neto do ex-ministro

das Minas e Energia, e que hoje é

candidato em Fortaleza.


Na Norvidro você encontra

qualidade do acabamento à

segurança. Maior distribuidora do

Norte/Nordeste e com o estoque

mais completo da região, a

Norvidro garante precisão

micrométrica ao seu projeto e

vidros com uma alta resistência.

Pernambuco: (81) 3376.4424

São Paulo: (11) 5021.4000

2010 outubro >

>

13


Fuxicos

Literários

Missão difícil a de substituir Joca Souza Leão

nesta revista. Numa terra de muitos bons

cronistas, ele é um dos melhores que já tivemos:

criativo, engraçado, irreverente. Já procurando

assimilar essa irreverência, diria ser quase impossível

tapar o buraco por ele deixado. Tentaremos

fazê-lo, Joca, se você me permitir.

Já lá se vão três anos publiquei um livreto intitulado

Fuxicos Literários, que tinha, como subtítulo,

A Boemia dos Cafés. A idéia, sugerida pelo

editor-geral, Roberto Tavares, é de reproduzir

aqui algumas das historietas ali contadas. Acontecidas

em tempos recifenses memoráveis, tempos

de Tobias Barreto, Castro Alves, Joaquim Nabuco,

Oliveira Lima, Mário Melo, Carlos Pena Filho, Valdemar

de Oliveira e, também, de Antônio Maria,

o popular Tomba. Homens que deixaram marcas

definitivas, perenizando suas épocas.

O Recife – alguém já disse – não é um lugar,

é um tempo. Melhor ainda, é a somação dos

seus vários tempos. Um deles – a sua belle époque

– aconteceu nos meados do século passado,

quando era uma cidade alegre, rica de grandes

boêmios, de poetas que se reuniam nos seus bares

prediletos, e que faziam versos brejeiros, satíricos,

às vezes, pornográficos, rabiscados, quase

sempre, em guardanapos de papel. Muitos deles

impossíveis de serem recitados em ambientes

mais elitizados, mas que nos faziam rir, como dizíamos

então, a bandeiras despregadas...

Historietas que, com a permissividade hoje

existente, já não assustam como antes e são

contadas nos salões sociais, livremente, sem

fazer a platéia corar. Eu, rapazola ainda, gostava

que me enroscava todo ao ouvir as histórias,

nem sempre verdadeiras – fantasiadas e romanceadas

na sua maioria –, principalmente as

que se passavam com os intelectuais da terra.

São essas histórias – que, ao longo dos

anos, nos colégios e nas faculdades, tanto nos

divertiram – que, agora, pretendo contar, sem

me preocupar que, ao fazê-lo, apenas reproduzo

o que já foi contado por outros e que acabou

caindo no domínio público. É importante frisar:

pelos eventuais palavrões não me cabe nenhuma

responsabilidade.

Cai o Pano Rápido. Com a sua permissão,

Joca, entram os Fuxicos Literários.

Rostand Paraíso

14 > > outubro 2010

Certa vez, no recinto da Assembleia

Legislativa do Estado, um deputado

desentendeu-se com um

famoso coronel do interior, também

deputado, chamando-o, no calor da

discussão, de Leão Desdentado e o

desafiando para um duelo.

O coronel, aceitando o desafio,

mandou-lhe um telegrama que ficaria

célebre nos anais da Asembleia:

De acordo com as normas do duelo,

o desafiado escolhe as armas. As

minhas serão as patas; as suas, os chifres,

aliás sua principal fonte de renda.

* * *

Emílio de Menezes tinha fama de

boêmio e desregrado. Cioso da imagem

da Academia que ajudara a fundar,

Machado de Assis sempre se opusera

às pretensões acadêmicas do poeta.

Numa ocasião, sabendo que alguns acadêmicos

cogitavam elegê-lo, Machado,

sem nada dizer, os levou a uma cervejaria

da Rua da Assembléia, no Centro

do Rio, e, simplesmente, apontou, na

parede, a enorme caricatura em que

Emílio, descabelado, empunhava um

formidável vaso de cerveja, a espuma

da bebida caindo-lhe pela boca.

Somente após a morte de Machado

de Assis, ele conseguiria ser

eleito (a 15 de agosto de 1941) para a

Academia Brasileira de Letras.

* * *

Para sua posse, Emílio escreveu

um discurso considerado não protocolar

e até mesmo inconveniente pelo

então presidente da Academia, Medeiros

e Albuquerque, que lhe sugeriu

cortar duas alusões feitas, respectivamente,

a Afrânio Peixoto, acusando-o

de ser um caçador de dotes, e a Oliveira

Lima, por conta de sua vaidade.

Emílio fez-lhe saber que leria tudo

que havia escrito. Medeiros ameaçou-o

de, nesse caso, suspender a sessão,

cortando, de imediato, a luz.

O escândalo foi evitado porque

Emílio morreu antes do dia da posse.

Rostand Paraíso

rparaiso@rhp.com.br

Tobias Barreto estava em sua

casa, no bairro recifense de Afogados,

lendo e balançando-se na

rede, quando chegou um contínuo,

trazendo-lhe o título de Sócio Efetivo

do Instituto Arqueológico.

Bote aí em cima da mesa.

Ao que o contínuo retrucou:

O Sr. precisa pagar os emolumentos.

Tobias não se conteve:

Que emolumentos que nada!

Ser besta de graça, vai. Mas, pagar

para ser besta, é demais!

* * *

Na redação do Diario, Mauro

Mota encarregou um jornalista

principiante de cobrir uma festa

de confraternização da Marinha

com a Aeronáutica, assunto considerado,

pelas implicações políticas,

da maior relevância. O iniciante

pôs o seguinte título na sua

reportagem:

Confraternização dos filhos de

Netuno com os filhos de Ícaro.

Demitido na hora.

* * *

Maciel Monteiro, o médico

pernambucano que, em 1841,

fundou a nossa Sociedade de Medicina,

sendo, inclusive, seu primeiro

presidente, tinha fama de

mulherengo. Vestia-se com apuro

e suas roupas trescalavam a finos

perfumes parisienses. O povo pôslhe

o codinome de Bode Cheiroso.

Eram conhecidas suas conquistas

das quais, aliás, ele se vangloriava,

dizendo, certa vez:

Tenho calos nas mãos de tanto

tocar em meias femininas.

Quando o nomearam diretor

da Faculdade de Direito do Recife,

declinou do cargo, alegando que

não tinha tempo a perder com rapazes

barbados...


2010 outubro >

>

15


De

olho

Era para ontem,

ficou para

amanhã

Previsto para dezembro de 2009,

o Plano de Mobilidade que complementaria

o Plano Diretor do Recife,

ainda não chegou às mãos dos vereadores.

Um problema que vai além

do descumprimento de uma emenda

aprovada ao Plano Diretor, pois

compromete todo o planejamento

da cidade. Não à toa, o Estatuto da

Cidade, em seu artigo 41, deixa claro

essa necessidade. “No caso de

cidades com mais de quinhentos mil

habitantes, deverá ser elaborado um

plano de transporte urbano integrado,

compatível com o Plano Diretor

ou nele inserido”.O fato é que o Plano

Diretor do Recife não possui esse

estudo e a cidade sofre estrangulada.

Fica a pergunta: onde está o tão falado

planejamento?

Francamente

Eleições

Nessa época de eleição, não

esqueço que no bairro onde eu

morava, no Rio de Janeiro, havia

um candidato a vereador que nunca

foi eleito. O simpático Cel. Farias

falava e abraçava a todos. Passadas

as eleições, e com votos à míngua,

ele respondia com sua franqueza

habitual a cada cidadão que o cumprimentava:

“Não sei estou falando

com um amigo ou com um filho da

p.” Ainda bem que o voto é secreto

e os candidatos de Pernambuco,

que são nossos amigos, não sabem

quem é realmente aquilo que o Coronel

Farias dizia.

16 > > outubro 2010

Aeroporto I

Lojistas do Aeroporto Internacional

dos Guararapes estão em situação

de litígio com a administração do

terminal por causa da renovação das

concessões de suas lojas. Eles acusam

a administração de não honrar a palavra

de que os investimentos realizados

para a construção das novas lojas,

há cinco anos, seriam amortizados

até 2015. Segundo o proprietário da

Pizza Pronta, a primeira unidade a ser

fechada no Aeroporto, no início de setembro,

o novo discurso da Infraero é

de abrir licitação ao invés de renovar

automaticamente a licença dos que

estão lá, como prometido.

No sul

O inquieto e dinâmico Marcelo

Santos, diretor da Bandeirantes

Mídia Exterior, fez palestra sobre

a área em que atua, e que conhece

muito bem, para um grupo de empresários

do setor de todo o país,

reunido no Rio Grande do Sul. Ó

nós aí mostrando nossos talentos

para outros brasileiros.

Aeroporto II

Com isso, diversos lojistas já entraram

na Justiça contra o novo processo

de licitação e centenas podem

ficar desempregados. A começar

pelo restaurante fechado, que pagava

R$ 10 mil mensais de aluguel

e empregava 28 pessoas, as lojas

devem fechar as portas ao longo dos

próximos meses. Com isso, o aeroporto,

que já recebe diversas críticas

da população por seu estacionamento

e pequena oferta de serviços pode

virar um terminal fantasma. Mais um

problema para quem deseja receber

uma Copa do Mundo e ser pólo turístico

do Brasil.

Vida Urbana

l O pessoal que trabalha no Recife Antigo sofre muito para guardar o

carro. Os estacionamentos cobram diária de dez reais.

l Ninguém respeita mais os horários de carga e descarga no Recife. Na

sempre congestionada Avenida Domingos Ferreira, por exemplo, faz-se o

serviço a qualquer hora.

TV Clube

Está na hora da TV Clube brigar

pela qualidade de sua programação

com a Band, especialmente na hora

de passar da grade nacional para a

local. O pior exemplo é o programa

do Datena cortado de qualquer jeito

para a entrada do Jornal da Clube,

esteja ou não no meio de uma

notícia interessante. Francamente.

Visual x Auditivo

Gosto de falar sobre os canais sensitivos nas minhas aulas e palestras. E digo

agora que se fossemos mais auditivo que visual, a candidata Marina Silva, por

exemplo, poderia estar melhor nas pesquisas. É que ao invés de prevalecer o

seu discurso sério, inteligente e coerente, até para brigar, parece que prevalece

a imagem de mulher simples que ela faz questão de manter. Uma pena.


Cursos da aspa

A Associação Pernambucana de Atacadistas e Distribuidores

(ASPA), em parceria com a Associação Pernambucana

de Supermercados (APES), realiza cursos de capacitação do

pequeno e médio varejo nas cidades do Cabo de Santo Agostinho

e Abreu e Lima. A iniciativa faz parte do projeto Varejo

em Ação , coordenado pela ASPA e que tem como proposta

modernizar as lojas do varejo de vizinhança no Estado, de

até cinco checkouts. Os cursos são realizados nos próprios

municípios entre os meses de agosto e setembro.

Reminiscências maristas

Realizando um sonho que anima muita gente, mensalmente

– sempre no terceiro sábado de cada mês – a turma

de 1972 do Colégio Marista se reúne em café da manhã no

restaurante Pimenta de Cheiro, na Rua dos Navegantes, em

Boa Viagem, no Recife. Mais que um momento para a troca

de reminiscências, esses encontros servem para colocar as

conversas em dia e oxigenar amizades surgidas há quarenta

anos. Este ano, como uma espécie de grand finale, a turma

programou um jantar de confraternização no mesmo restaurante

para o dia 18 de dezembro, dois dias depois da tradicional

missa que reúne os antigos alunos maristas na capela

da Faculdade Marista, em Apipucos.

Gigante

O outdoor da Stampa pelo Dia da Pátria passaria apenas

como uma peça de homenagem se a criação não tivesse

dado destaque a uma palavra do Hino Nacional que conceitua

o Brasil e, porque não, o próprio outdoor: GIGANTE pela

própria natureza. Muito bom o trabalho da Mart Pet aprovado

pelo Durval Neto.

Relacionamento

O Banorte Card, cartão de crédito do Banco Gerador, já

está no mercado para o consumo de bens essenciais, como

alimentação e higiene pessoal, para parcela economicamente

emergente da população. O uso é limitado ao estabelecimento

emissor e o crédito máximo é de R$ 600,00. A

premissa é que o dono do supermercado conhece bem a capacidade

de pagamento desse público, porque mantém um

relacionamento contínuo com a vizinhança. Grande idéia.

Luiz Carlos Costa

luizcarloscosta1@hotmail.com

Redação Algomais

deolho@revistaalgomais.com.br

Bellelis

Na entrevista com o presidente

do Estaleiro Atlântico Sul,

Angelo Bellelis, deixamos de revelar

a naturalidade do entrevistado,

o que despertou a curiosidade

de alguns leitores. Bellelis é

paulista, formado em Engenharia

Elétrica pela Fesp-S com cursos

de MBA e formação de executivos

nos EUA e na França. Tem 44

anos, com passagens por grandes

empresas como a Alstom, ABB

e Sulzer do Brasil, entrou no estaleiro

em março de 2009 como

vice-presidente executivo, assumindo

a presidência em outubro

do mesmo ano. A composição

societária do EAS é dividida entre

Camargo Corrêa (40%), Queiroz

Galvão (40%) e PJMR (10%). Além

desses, há a sócia internacional,

a sul-coreana Samsung Heavy Industries.

Rapidinhas:

l Muito boa a campanha de lançamento

do Rio Mar Shopping.

Criação da Italo Bianchi, que aliás,

vive o excelente momento criativo

da dupla 24 horas Luciano Melo e

Kika Saraiva.

l Ainda é tempo de registrar que

Queiroz Filho, da Ampla, foi eleito

Publicitário do Ano no Prêmio Colunistas

Norte e Nordeste 2010. O

Gruponove foi a Agência do Ano e

o Jornal do Commercio ganhou o

Gran Prix de Veículo do Ano. Muito

justo.

l E o MIMO hein? Cada ano melhor.

Imperdível.

O mundo não é mais o mesmo, a

economia não é mais a mesma. Há

oportunidades de negócios em muitas

frentes e você precisa de um aliado para

ampliar a visão de futuro.

A Deloitte coloca todo o seu

conhecimento para estender os

horizontes da sua empresa nesta

nova realidade do mercado. É possível

encontrar inúmeras formas diferenciadas

para trilhar a estrada do crescimento,

adaptando-se sempre.

Com criatividade, orientação,

planejamento, pensamento estratégico

e soluções ousadas, o momento atual,

de profunda adaptação, poderá ser um

caminho mais rápido para a conquista do

sucesso. Com a Deloitte sempre ao seu

lado.

A Deloitte refere-se a uma ou mais Deloitte Touche Tohmatsu,

uma verein (associação) estabelecida na Suíça, e sua rede de

firmas-membro, sendo cada uma delas uma entidade

independente e legalmente separada. Acesse

www.deloitte.com/about para a descrição detalhada da

estrutura legal da Deloitte Touche Tohmatsu e de suas firmasmembro

© 2010 Deloitte Touche Tohmatsu

2010 outubro >

>

17

u


Noite de gala

PROPAGANDA | Entrega do prêmio criado pelo Sinapro teve a

participação maciça dos profissionais em festa no Chevrolet Hall

Por Luiz Carlos Costa

Na parte externa do Chevrolet Hall,

manobristas ofereciam conforto

aos convidados, enquanto um tapete

vermelho mostrava que todos estavam

sendo recebidos como pessoas

especiais. Na entrada, recepcionistas

bonitas e elegantes, postas sob uma

decoração e luz agradáveis, saudavam

a todos com sorriso e simpatia.

A noite prometia.

Lá dentro, o grande salão ambientado

sem extravagância e com mesas

suficientes para todos os convidados,

mostrava um cenário moderno e

atraente. Garçons educados para um

serviço de buffet irreparável, assinado

pela La Cuisine, e alguns stands de veículos

e fornecedores – Folha de Pernambuco,

Top Bus da Bandeirantes,

Santa Marta e o lançamento do Portal

Neurônio, do JC – faziam o cenário

ideal da festa de entrega do I Prêmio

Pernambuco de Propaganda criado

pelo Sinapro – Sindicato das Agências

de Propaganda de Pernambuco. O

presidente Antônio Carlos Vieira, trazia

uma alegria que contagiava a todos

os presentes. Era noite de gala.

O mercado compareceu em peso.

Diretores e executivos das agências,

anunciantes, veículos e fornecedores

estavam felizes com o sucesso do

projeto que se transforma, agora, na

premiação oficial da publicidade de

Pernambuco e entra com o pé direito

no rol dos melhores prêmios da propaganda

brasileira. As 400 peças concorrentes

enviadas por 33 agências

confirmavam o sucesso do projeto.

Uma maravilha.

Outro fato de destaque da noite

foi constatar a renovação que se processa

na publicidade de Pernambuco.

Um grupo de jovens bonitos, bem

vestidos e educados são os novos

18 > > outubro 2010

profissionais da comunicação local.

Eles acompanhavam a tudo com

atenção e interesse. Felizmente foi-se

o tempo daqueles seres estranhos de

cabelos e roupas extravagantes que

eram ícones do segmento.

Ao microfone, Rafael Sampaio,

da Revista About, que veio de São

Paulo trazendo toda a experiência

adquirida em tantos outros eventos

similares pelo Brasil e que coordenou

todas as fases do projeto, deixou

um depoimento importante sobre

a propaganda de Pernambuco. Ele

destacou inicialmente a seriedade do

Prêmio e a gente sabe que este é o ingrediente

principal de qualquer premiação.

Enfatizou a seriedade dos jurados

e, ainda, a perfeita organização

o Prêmio e da festa, com elogios ao

trabalho da Officina de Promoções,

da Lilian Holanda.

O evento mostrou, realmente,

quem vem fazendo o melhor trabalho

criativo na propaganda pernambucana.

Ampla e Gruponove foram as

agências com maior número de prêmios.

Os vencedores dos Gran Prix

ganharam uma obra de arte exclusiva,

criada por Abelardo da Hora. Na

Mídia Exterior o prêmio foi para os

meninos de ouro da Plano B Comunicação

com a peça de São João instalada

na entrada do túnel que levava os

festeiros para Gravatá e Caruaru.

O Anúncio do Ano foi para o Gruponove

pelos 90 anos do JC, assim como o

título de Agência do Ano pelo conjunto

de peças premiadas. A turma liderada

pelo Giovanni de Carli ria à toa, mesmo

lamentando a ausência de Cecília Freitas

que não abre mão de suas férias de

setembro e este ano partiu num cruzeiro

marítimo pelo exterior.

O Comercial de TV premiado ficou

para a O&M, com o engraçadíssimo

filme do Dia das Mães assinado pela

Esposende. Os irmãos Oliveira estavam

lá, felizes da vida. O Grand Prix

de Campanha do Ano foi para a Casa

Comunicação com a campanha do

JC Pá Cum, de altíssimo recall. E para

mostrar que a “Casa é de Ferreiro e

o Espeto de Ferro” eles assinaram, no

dia seguinte da festa, anúncio de uma

página sobre o prêmio. Muito bom.

O Anunciante do Ano foi a Esposende

Calçados que há anos vem se

destacando no mercado publicitário,

e o cliente, muito simpático, subiu

ao palco para receber o prêmio junto

com sua agência O&M.

O Grand Prix de Produtora de Vídeo

ficou para a VDG Serviços Cinematográficos,

enquanto o de Produtora

de Som foi para a Onomatopéia, outra

campeã de prêmios publicitários.

Ao final, uma homenagem mais

do que justa foi prestada ao querido

de todos Cléo Nicéias, que recebeu o

prêmio de Profissional da Propaganda

do Ano. Entusiasta e um dos maiores

incentivadores de tudo o que se

faz por Pernambuco, especialmente

na área de comunicação, Cléo foi surpreendido,

no palco, com a presença

de sua família, escondida até então

pelos organizadores. E não segurou

a emoção. O velho sonhador, como

gosta de ser reconhecido, chorou e

registrou uma vez mais a sua mensagem

de otimismo e crença neste

mercado que ele continua a freqüentar

como consultor e empresário. Tivesse

eu que avaliar 10 itens da noite,

daria nota máxima, com louvor, para

9 deles e deixaria a sugestão de que,

para o próximo ano, o cerimonial da

entrega dos prêmios seja mais elaborado

para que a gente possa conhecer,

acompanhar melhor e aplaudir

ainda mais todos os premiados. Bela

festa. A noite foi de gala.


2010 outubro >

>

19


João

Alberto

Brilho na praia

Pernambuco continua brilhando

no setor de confecções, com

várias grifes que fazem sucesso

não só aqui como em outros

estados. É o caso da Satt, moda

praia, que lançou sua nova

coleção com tudo para aparecer

na próxima temporada de

verão.

Faturamento

extra

A eleição trouxe faturamento

inesperado para donos de alguns

espaços na cidade que estavam

com dificuldade de serem

alugados. Foram locados para

comitês de candidatos, sempre

com um detalhe: pagamento

antecipado. Nada de esperar

pelo fim do pleito. Receber de

derrotado pode ser uma tarefa

pra lá de inglória.

Queiroz Filho

20 > > outubro 2010

Em Noronha

Alguns dos chefs mais famosos

do país estarão em Fernando de

Noronha, entre os dias 8 e 12

de novembro, participando do

Congresso Nacional da Associação

dos Pratos da Boa Lembrança, que

reúne famosos restaurantes do país.

Reuniões acontecerão na Pousada

Zé Maria e César Santos passa a

presidência da entidade para outro

chef pernambucano: André Saburo.

Substituto

Como Joca Souza Leão resolveu

dar férias à sua excelente coluna

Pano rápido na Algomais, a

direção da revista conseguiu

um excelente substituto. Será o

acadêmico Rostand Paraíso, autor

de tantos livros, que vai assinar

página com o título “Fuxicos

Literários”. Não tenho a menor

dúvida de que terá o mesmo

sucesso de Joca.

Novo prêmio

Um dos mais premiados publicitários

pernambucanos, Queiroz Filho

acrescenta novo troféu à sua grande

galeria. Foi eleito o Publicitário do

Ano no Prêmio Colunistas Norte/

Nordeste e comemora ampliando

a sua Ampla. Depois de Vitória do

Espírito Santo, agora vai abrir filial

em São Paulo.

Carol Prestello

Chef César Santos: brilho em Noronha

Receita

do turismo

O deputado federal Otávio Leite,

do Rio, que é sergipano, destaca a

importância do Brasil investir forte

para atrair turistas estrangeiros.

A previsão da balança no setor

é muito ruim para este ano. Os

turistas brasileiros devem deixar

US$ 10 bilhões no exterior e os

estrangeiros gastarão menos da

metade no nosso país.


Luis Dório/Divulgação

Selo Algomais 5,5x2cm - op3.pdf 1 21/07/2010 15:07:21

Arlete Sales, brilho no teatro e na TV

Sucesso

pernambucano

Arlete Sales, que começou sua

carreira fazendo teleteatro na

extinta TV Rádio Clube, é mais

uma pernambucana a fazer

sucesso no eixo Rio-São Paulo.

Desde que se mudou para o Sul,

vem colecionando êxitos seja em

peças de teatro seja no elenco de

badaladas novelas da Rede Globo.

CRECI 8190-J

Idioma

Os brasileiros invadiram de tal

forma Buenos Aires que o português

passou a ser tão falado quanto o

espanhol nos principais pontos

turísticos, a começar da Calle Florida.

Com o real valendo o dobro do peso,

os turistas verde-amarelos fazem a

festa dos comerciantes argentinos.

Além dos preços muito em conta,

os brasileiros são compristas por

excelência.

Rodízio

O fato já vem de muitos e muitos anos. É o rodízio da vida noturna no

Recife. As boates abrem e fecham em pouco tempo. Agora mesmo

temos os exemplos da Nox e Downtown, que fecharam as portas. Para

compensar, o Ibiza Club está abrindo na sede do Internacional, com três

espaços: bar e restaurante, boate e ala vip.

joaoalberto@revistaalgomais.com.br

Angola

A Puma, empresa aérea do Pará,

conseguiu autorização para

fazer quatro voos semanais do

Brasil para Angola. No projeto

inicial um deles teria escala no

Recife, mas a empresa mudou

de planos. Todas as ligações

serão diretas de São Paulo para

Luanda. Em compensação, a

Ibéria confirmou para fevereiro

a implantação de três voos

semanais entre o Recife e

Madri.

O QUE SE

COMENTA...

QUE Maria Gadu será a grande

atração de réveillon na Estação

de Passageiros do Marco Zero. l

QUE finalmente a eleição chegou

e vamos ficar livres dos cartazes e

bandeiras dos candidatos. l QUE

o prefeito Renildo Calheiros vai

continuar investindo para levar

o Olinda para a primeira divisão

do futebol pernambucano. l QUE

Julião Konrad trouxe remessa de

carne kobe da Argentina para

servir nos seus restaurantes.

É simplesmente maravilhosa.

l QUE depois de fazer sucesso

na Avenida Recife o restaurante

Galletu’s está chegando a Boa

Viagem.

2010 outubro >

>

21


Pensando

bem

Cidadania. O que quase

não se vê por aqui

Jovem reúne parentes e amigos

para contar as aventuras e curiosidades

vividas e vistas em passeio de

turismo feito no exterior. Um quadro

muito comum, principalmente

envolvendo famílias de classe média,

após os períodos de férias, nos

quais o normalmente “marinheiro

de primeira viagem” exibe slides,

filmes, fotografias etc.

Caso tenha ido a Amsterdam

mostra, como exemplo de respeito

à dignidade alheia, as vitrines

de bordeis nas quais prostitutas

permanecem como mercadorias

e são observadas pelos prováveis

“clientes”. Ou então conta sobre

os mictórios ao ar livre, em praças

públicas onde os passantes urinam

à vista de todos, descobertos da cintura

para cima, evitando que façam

suas necessidades em postes, muros

ou outros locais inadequados.

Fala sobre o trânsito organizado,

com faixas de segurança pintadas

e obedecidas pelos veículos

(bicicletas em maioria), nunca seguindo

em sentido contrário, monitorados

por guardas especializados

no setor. Destaca ao mesmo tempo

o respeito ao pedestre.

O que foi a Londres diz-se surpreso

com a reverência do povo à

família real a ponto do crítico ser

obrigado a subir em um banco ou

caixão (o que caracteriza não estar

pisando em solo inglês), além dos

locais reservados para manifestações

de protestos, sem passeatas

pelas ruas interrompendo o trânsito.

Destaca ainda o rigor das autoridades

diante de qualquer desobediência.

22 > > outubro 2010

O mesmo rigor observado por

quem fez turismo nos Estados Unidos,

onde os gestores públicos ou

privados advertem até mesmo os

que falam alto e incomodam quem

se encontra próximo, “palitam”

dentes em restaurantes, jogam bolas

de papel ou “tocos” de cigarros

no chão. Há quem cite os sanitários

limpinhos do Museu Espacial, em

Washington, mesmo frequentado

por milhares de pessoas.

No fim da narrativa, uma frase

quase centenária:

- Parece que a gente está em

outro mundo.

Antes a locução apenas encerrava

uma comparação de costumes

entre continentes. Hoje, diante de

um cenário de desordem em que vivemos,

em várias cidades, ela é preocupante.

O “outro mundo” está

cada vez mais distante, na medida

em que a anticidadania, prima-irmã

da violência, ocupa quase todos os

espaços, no lado de cá.

O desrespeito aos direitos civis

e sociais do cidadão predomina

e atormenta desde os primeiros

passos. Na saída da residência ou

mesmo no seu interior, no abrir dos

olhos, após um sono nem sempre

reparador. A partir daí começam a

prevalecer duas leis: a dos mais fortes

e a dos mais espertos. Juntas ou

separadas. O verbo em destaque na

vida urbana é quase único: desobedecer.

O trânsito é caótico, sem demarcações

e com vigilância abstrata. Os

congestionamentos aparecem e

desaparecem sem que se saibam

as causas, a exceção dos provoca-

O

desrespeito

aos direitos

civis e

sociais do

cidadão

predomina

e atormenta

desde os

primeiros

passos

Gilberto Prado*

betoca1@bol.com.br

dos pelos quase eternos buracos. O

transporte coletivo segue o mesmo

caminho, tanto nos terminais integrados

quanto no interior dos veículos.

Ali se colocam os deficientes

que não têm lugares reservados: os

deficientes cívicos.

O direito de ir e vir é violentado

nas calçadas malcuidadas, que não

permitem uma caminhada segura.

Várias ocupadas por quiosques de

forma desordenada, inclusive restaurantes

improvisados sob toldos,

sem a mínima higiene, provocando

congestionamento urbano. E tudo

se torna desalentador, quando se

vê que a anomalia é progressiva.

Nada é feito pelos governantes

na busca do resgate à cidadania.

Pelo contrário, sobrepõem os

acertos políticos e escalam como

gestores quem não tem o menor

compromisso com o bem-estar da

sociedade. Não cumprem os seus

papéis e, em consequência, deseducam.

E isso não é de agora.

Entristece ainda mais é saber

que a cidadania já está a exigir um

ministério específico (como o da

Desburocratização, no passado) e

não se vê a questão ser tratada pelos

candidatos majoritários nas áreas

federal e estadual.

Tudo indica que vamos ler manchetes

de primeira página iguais a

publicada no “Jornal do Commercio”

de 30 de julho (uma aula de

jornalismo, diga-se de passagem),

destacando como fato inusitado o

que “no tal outro mundo”, o civilizado,

é uma rotina:

“Atropelou, matou e foi para a

cadeia”.

* Gilberto Prado é jornalista


2010 outubro >

>

23


De olho no futuro

DESAFIO | Políticos e especialistas mostram que nova legislatura

terá muito trabalho para preparar Pernambuco para os próximos anos

Por Ivo Dantas

Após meses de debate político e

diversas promessas para alavancar

o crescimento de Pernambuco,

uma coisa é certa, o estado tem muitos

gargalos a serem resolvidos pela

próxima legislatura, que se inicia em

janeiro de 2011 e deve tocar o barco

até a Copa do Mundo, em 2014.

Um desafio que não tem responsável

único. Depende de um crescente

diálogo entre as diversas esferas da

administração pública, independente

de seus partidos. “Não podemos

fazer disso uma disputa política. Tem

que ser algo que envolva prefeituras,

estado e Governo Federal. E, nesse

sentido, 2011 será um ano chave, já

que em 2012 teremos disputas municipais,

o que deve atrapalhar um

pouco os trabalhos”, analisa Isaltino

Nascimento (PT).

A começar pelo debate sobre a

urbanização das cidades, o diálogo

entre Assembleia Legislativa e prefeituras

deve gerar obras de grande

impacto na mobilidade urbana e

crescimento ordenado das cidades.

24 > > outubro 2010

A expectativa do desenvolvimento

de polos regionais, como Caruaru,

Garanhuns, além de Recife, Olinda,

Jaboatão, Ipojuca e São Lourenço da

Mata necessita de planos diretores

que garantam um crescimento sustentável

ao longo dos próximos anos.

Alepe terá papel fundamental na organização dos projetos

Suape continuará concentrando os investimentos ao longo dos próximos anos

Discussão

dos limites

entre os

municípios

da RM será

fundamental

para o

andamento

de projetos

que

resolvam

problemas

comuns a

todos

Outra questão que deve mexer

com muita gente é a discussão dos

limites entre os municípios da Região

Metropolitana do Recife, que

vem se arrastando há tempos e será

fundamental para o andamento de

projetos conjuntos que possam resolver

problemas municipais, mas

que afetam a todos. “Quem assumir

no próximo ano deverá ter em mente

que certas coisas, como o lixo e o

avanço do mar, apesar de serem de

responsabilidade das prefeituras, devem

ser vistos como um todo. Afinal,

um problema ecológico em uma área

afeta diversos outros espaços”, alerta

Priscila Krause (DEM).

Como em muitos desses municípios

o Plano Diretor, que regula

como a cidade deve crescer, ainda

engatinha, e, no Recife, espera ansiosamente

por seu tão prometido

complemento de mobilidade, o estado

deverá tomar as rédeas dessa


Copa do Mundo exige ações urgentes na área de desenvolvimento urbano

questão e pressionar os administradores

municipais a andarem com esses

projetos. “É preciso buscar alternativas

de forma que o poder público

como um todo seja coautor desses

processos. A mobilidade e o lixo,

por exemplo, são questões urgentes

e que merecem maior atenção de

quem assumir as cadeiras a partir de

janeiro”, diz Isaltino.

A mobilidade também é lembrada

por Raul Henry (PMDB) ao discutir

os desafios da bancada federal de

Pernambuco para os próximos anos.

“Tem que ser realizado um grande investimento

na questão da mobilidade.

As cidades estão parando e isso é

ruim para todos. Necessitamos rever

os modelos de transporte público e

analisar as soluções integradas. Tirando

Curitiba, todo o país vive esse

gargalo. Imagine uma Copa do Mun-

do em Pernambuco com a situação

do jeito que está hoje”, critica.

Consequência dos diversos Programas

de Aceleração do Crescimento

(PAC), o saneamento entrou de

vez na pauta de ação e deverá ser enfrentado

como prioridade durante os

próximos anos. Segundo pesquisa realizada

pela Fundação Getúlio Vargas

(FGV), apenas 37,3% dos moradores

do Recife são atendidos pela rede de

esgoto. A capital pernambucana ocupa

a 48ª posição no ranking que lista

a situação de 81 cidades brasileiras

com mais de 300 mil habitantes.

Ainda segundo a pesquisa, o aumento

da rede de saneamento básico

tem impacto até na produtividade do

pernambucano. Com os investimentos

nessa área, estima-se que a produção

do trabalhador possa crescer

até 4,4%, aumentando a geração de

riqueza para o estado. “A habitação,

o saneamento e tratamento de resíduos

sólidos exigem ações urgentes,

frente a novos instrumentos legais

no tocante a exigências ambientais e

tratamento de lixo. Tais ações precisam

de articulação das diversas esferas

de governo, integrando políticas

e distribuindo responsabilidades.

Construindo parcerias para dar conta

do desenvolvimento urbano. Para o

caso do Nordeste o fato de termos

capitais próximas como João Pessoa,

Natal, Maceió tornará necessário

o esforço crescente de integração

destes centros urbanos, para melhor

distribuir as oportunidades e os riscos

deste crescimento econômico”,

aponta Fernando Ferro (PT).

Quanto a Suape, polo que deverá

continuar concentrando os investimentos

que chegam à Pernambuco,

2010 outubro >

>

25

u


Cinco desafios econômicos

para 2014

1. Consolidar o ciclo de investimentos que veio para SUAPE, articulando

para que o máximo de impactos sejam internalizados no Estado

(o que significa que os novos empregos e as novas demandas por

produtos e serviços sejam em sua grande parte atendidas localmente).

Capacitação empresarial e laboral é a palavra de ordem neste

caso. Mobilizar competências e iniciativas empreendedoras será o

esforço - chave.

2. Implantar de fato o Pólo Famacoquímico, inserindo PE em um dos

segmentos estratégicos da Política Nacional de Desenvolvimento Industrial.

3. Captar para Pernambuco as oportunidades que se abrem com o

dinamismo previsto para o segmento Petróleo & Gás brasileiro com

a exploração do Pré-Sal. O segmento já lidera os investimentos industriais

no país. O projeto SUAPE GLOBAL tem este objetivo e deve

ser priorizado. Articulação das diversas iniciativas que se certamente

surgirão é a palavra de ordem, para que não haja conflitos ou superposições.

4. Implantar os projetos associados à Copa de 2014 fazendo de PE

uma referência de competência e cuidado com a sustentabilidade

deste bloco de investimentos.

5. Valorizar a capacidade empreendedora existente no interior do

Estado, para interiorizar ao máximo os impactos deste momento especial

vivido pela economia nacional e pernambucana.

Tânia Bacelar, sócia-diretora da Ceplan Consult

26 > > outubro 2010

Luta contra o avanço do mar deve ser feita a

partir de parcerias

o desenvolvimento da cadeia de

petróleo e gás, principalmente com

a exploração do Pré-Sal, deve gerar

novos empregos, que poderão ser

ocupados pela mão-de-obra local,

caso os investimentos em educação

ganhem uma maior atenção.

“Temos um desafio educacional

pela frente em todos os níveis. É

preciso criar uma lei de responsabilidade

na educação e estimular a

qualidade da formação. Somente

assim estaremos preparados para

o futuro”, alerta Raul Henry.

Outra briga que deverá se alastrar

ao longo da nova legislatura

é a disputa pelos royalties da exploração

do petróleo, e que pode

ser uma nova fonte de renda para

o estado, garantindo novos investimentos

em infraestrutura, como

melhora da malha de transportes

por todo o interior, interligando as

cadeias produtivas de Pernambuco.

“Não é possível continuar com

a atual legislação de royalties, por

isso, defendo uma nova Lei que

resguarde direitos de estados produtores

e que distribua de forma

democrática as partes distribuídas

originadas em áreas da União. O

petróleo é um recurso natural da

União, portanto deve ser fator de

desenvolvimento para todos os

membros da União. Claro que vamos

lutar para nosso Estado ter

os benefícios legítimos a que tem

direito pela produção e refino do

petróleo nacional”, defende Ferro.

Leia mais no artigo de Jorge Jatobá, “Novo

Governo, velhos desafios”, na pág. 60.


2010 outubro >

>

27


O destino de uma

coleção sacra

ARTE | Um acervo que José dos Santos gostaria de ver abrigada em

um museu, patrimônio histórico de Pernambuco e da humanidade

Por Rafaella Magna

Durante as viagens pelo mundo,

os navegantes portugueses

tinham a necessidade de transportar

oratório em nome da fé. A

peça de devoção religiosa, ligada

à prática católica, desembarcou

no litoral nordestino numa dessas

travessias. Na coleção de José dos

Santos pode-se encontrar a evolução

do oratório mais simples ao

espetacular exemplo do auge do

barroco brasileiro, como o oratório

feito em madeira policromada

e dourada, com passagens da Via

Sacra pintadas nas portas, datado

do século XVIII. Uma suntuosidade

estilística que pode ser apreciada

nos mais de 300 oratórios que integram

esta significativa coleção.

Mas o acervo não para por ai, é

possível conhecer parte da história

do passado colonial, imperial e republicano,

distribuída em mais de

3 mil peças.

José dos Santos, ou como é mais

conhecido, Zé Santeiro, não é

apenas colecionador, é também

restaurador. A casa onde mora é

história pura, refletida nas mesas

para refeições, cadeiras de palha,

bancos e consoles. Além dos oratórios,

uma viagem religiosa é feita

através das imagens sacras, esculturas,

pinturas, figuras de barro

levantadas por artistas populares.

Como a Nossa Senhora do Rosário

com nove cabeças de anjo na peanha,

feita em barro com policromia,

do século XVIII.

28 > > outubro 2010

Alexandre Albuquerque

Coleção: oratórios dos mais simples aos mais elaborados feitos em madeira policromada

Ainda é possível encontrar potes,

grades, pedaços de mármore, sinos

de bronze, luminárias antigas,

rodas de carros puxados por bois,

tachos de cobre, imensas peças em

cobre, resíduos dos antigos engenhos

de cana de açúcar, e centenas

de outros objetos. O Cristo Crucificado

em madeira com policromia

e cruz em jacarandá com adereços

em prata, originário da Bahia, da

metade do século XIX, é um exemplo.

No precioso acervo do antiquarista,

imagens em terracota, madeira,

pedra-sabão e marfim constituem o

universo santeiro, como a Santana

feita em madeira com policromia,

do século XVIII. Os resquícios das

casas grandes dos engenhos, fazendas

e sobrados urbanos, assim

como as casas populares e mocambos,

podem ser vistos nos oratórios

e santuários. Além das ferragens,

cristais, porcelanas, prataria, arte

popular em terracota e madeira. A

parte de uma pedra mó de moinho

de cana e também três almanjarras

prontas para serem montadas

estão entre as peças mais interessantes.

Uma forma de ensinar às

novas gerações como funcionavam


Alexandre Albuquerque

Carneiro Leão: imagens mostram em seus rostos sentimentos característicos de uma época

os primeiros engenhos.

Guardadas em seu poder, José

dos Santos gostaria de ver suas

peças abrigadas em um museu. O

fascínio da coleção está inserido

neste homem, colecionador e antiquário,

que teve a sensibilidade

de contemplar o mundo, através

do senso estético. “Um olhar que

o fez descobrir antes de qualquer

outro o trabalho de Nuca e o leva

ainda hoje a escolher pela beleza

da forma as peças de sua magnífica

coleção de arte popular”, diz a antropóloga

Maria Lúcia Montes.

As imagens em terracota, raras e

valiosas, devido ao tempo que as

destruía, são o forte da coleção,

como a Nossa Senhora de Belém

(1794) e um São José em atitude

de adoração, entre 30 e 40 centímetros.

“Imagens estas que mostram

em seus rostos sentimentos

característicos de uma época e a

habilidade de quem as criou em

expressão de dor na face das imagens

barrocas, talvez, revele as

incertezas da crise econômica por

que passou a Europa nessa época

como grande contribuição para a

expressividade criativa do período

barroco”, explica o historiador Reinaldo

Carneiro Leão.

A coleção de José dos Santos, a

quantidade, qualidade e excepcional

beleza das peças revelam a extraordinária

riqueza da imaginária

pernambucana. “Quando vejo uma

peça de importância histórica faço

tudo para comprá-la, mesmo dificultando

as coisas em casa. Faço

isso pensando em um dia deixar

num museu”, diz José dos Santos

que não quer abdicar do direito de

socializar esse bem cultural, que,

de fato, seria uma perda para o Estado

de Pernambuco.

Zé Santeiro e todos que os cerca

chamam a atenção das autoridades

para vislumbrar a importância

da aquisição e incorporação de

acervos particulares em instituições

públicas. “É uma forma de

renovar a cultura de Pernambuco,

educar os alunos nas escolas

com aulas práticas e com o direito

de tocar nos objetos do passado,

além de mostrar aos cidadãos uma

história do qual os antepassados

deles fizeram parte”, fala o filho de

Zé Santeiro e historiador, José Hercílio

dos Santos. É uma maneira de

desenvolvimento social econômico

para o Estado.

O coordenador do curso de museologia

da Universidade Federal de

Alexandre Albuquerque

Pernambuco (UFPR), Antônio Motta,

reconhece que nem toda coleção

tem por fim um museu. “Mas,

em geral, as grandes coleções acabam

em um museu, como deve ser

provável futuro da coleção José

dos Santos, de preferência no Recife,

cidade onde o seu proprietário

fincou raízes e construiu esse fabuloso

acervo”, fala, alertando, ainda,

para que o acervo não venha

a ter o mesmo destino da coleção

Abelardo Rodrigues.

2010 outubro >

>

29


Semi-internato

retorna às escolas

EDUCAÇÃO | Escolas oferecem atividades em tempo integral

para resolver a incompatibilidade de horários de pais e filhos

Por Marcella Sampaio

As mudanças da sociedade contemporânea

têm refletido na

rotina acadêmica das crianças. E a

solução para o problema é um conhecido

método de ensino bastante

utilizado no século passado: educação

em tempo integral. O que era denominado

de semi-internato ganha

uma nova roupagem para atender à

demanda dos pais que não têm mais

tempo para dedicar-se à educação

dos filhos, nem muito menos levá-los

para as atividades complementares,

como línguas estrangeiras e esportes.

Não mais limitada a um só turno,

a presença dos alunos na instituição

de ensino agora se dá durante todo

o dia, chegando geralmente às 7h da

manhã e saindo às 18h. A prática que

chega a causar espanto logo de início,

está cada vez mais comum, e tem ganhando

respaldo dos pais e da criançada.

No Recife, poucas são as escolas

que disponibilizam o acompanhamento

nos dois turnos. Mas as que

já possuem a opção têm investido na

estrutura para oferecer atividades

cada vez mais diversificadas e assim

positivar a experiência de ampliar o

turno escolar.

As opções vão da Zona Sul até a

Zona Norte, com a Escola Primeiro

Passo, Colégio Atual, Escola Internacional

de Aldeia e Colégio Saber Viver.

Em Boa Viagem, o Atual investe

em atividades tanto voltadas para o

lado pedagógico, quanto para o desenvolvimento

físico, criativo e social

da criança. Apesar do programa ain-

30 > > outubro 2010

Alexandre Albuquerque

Opções para semi-internato vão da Zona Norte à Zona Sul do Recife

da ser recente, por ter iniciado neste

ano, e só ser ofertado para alunos dos

cinco aos dez anos, a instituição já comemora

a procura pelo turno complementar

e projeta novas turmas

para os próximos anos. “Em 2011,

nós estendemos o programa para os

alunos de 11 e 12 anos. E em 2012, fechamos

o Ensino Fundamental II oferecendo

o horário ampliado para os

adolescentes de 13 e 14 anos”, adianta

a coordenadora do turno complementar,

Glória Marchi. Independente

da instituição escolhida, os alunos

têm todos os horários programados,

com espaço até para o descanso e

brincadeira.

A construção da formação adequada

é a principal preocupação dos

pais que optam pelo turno integral.

Com um mercado cada vez mais exigente,

onde o acesso à informação é

o diferencial, não dá mais para deixar

os filhos nas mãos das babás, além do

aprendizado ficar deficitário pela falta

de controle, a tranqüilidade, comodidade

e redução dos gastos são garantidas.

Na ponta do lápis, os custos

com babás e com transportes muitas

vezes não compensam e as escolas

acabam tendo um custo benefício

mais interessante para as famílias.

Atenta aos cálculos e à formação

da criança, a família de Letícia Manuela

resolveu trazê-la do interior da

Bahia para estudar no Recife, mas a

possibilidade só seria interessante se

a educação fosse completa. A opção

escolhida foi o integral do Colégio Saber

Viver. “Como não temos tempo

para estar com ela e dar a atenção e

o apoio pedagógico necessário, optamos

por deixá-la mais um turno na

escola. Lá ela tem espaço, esporte e


uma rotina controlada, o que é ótimo”,

disse a prima e responsável pela

criança, Leila Maniçoba.

Na escola de segunda à sexta-feira,

Letícia participa das mais diversas

atividades possíveis. Depois da aula

normal no turno da manhã, é hora de

refrescar-se, alimentar-se e relaxar.

Passados os minutinhos de descanso,

começam as experiências da tarde.

“Primeiro vem a orientação às tarefas

e estudos, com acompanhamento

em grupo e individual. Depois dão

uma paradinha para o recreio de mais

ou menos 30 minutos e aí começa o

trabalho lúdico, com conto, informática,

expressão corporal, oficinas,

momento do filme. Todo dia tem

uma programação diferente”, explica

a coordenadora do turno integral,

Fabíola Belém. Por volta das 17h, os

alunos começam a se preparar para ir

embora, tomam banho e ficam à espera

dos pais. Os que optam por fazer

algum esporte, já incluso dentro dos

cerca de R$ 850 da mensalidade do

turno integral, se estendem até 18h.

Pacote

integral

acaba

ajudando

famílias

a reduzir

custos com

babás

Guerra - 20,2x12,9 - Camp.2.pdf 1 22/09/2010 18:06:35

Alexandre Albuquerque

Modelo dá chances aos

alunos de adquirir novos

conhecimentos

Quando o acompanhamento

integral realmente cativa e oferece

as crianças a oportunidade de novos

aprendizados, o tempo parece não

surtir efeito. O vídeo-game nem tão

pouco é lembrado e no lugar dele surge

a oportunidade de novos conhecimentos

e uma significante melhoria

no desempenho do curso regular,

graças ao apoio diário. As professoras

são adoradas e a ida ao colégio tornase

prazerosa. Há até filas para as atividades

mais diferenciadas, como a

robótica.

E para quem pensa que a situação

implicará num distanciamento

da família, as instituições oferecem a

flexibilidade dos pais escolherem diária,

três dias na semana ou a semana

toda. Preocupada com a socialização

do filho, mas ao mesmo tempo com a

proximidade dele com o núcleo familiar,

Cláudia Rangel, antes de colocar

o caçula, Guilherme de sete anos, no

sistema procurou conversar com ele

e explicar os benefícios do programa.

“Mostrei que lá ele teria a oportunidade

de brincar e que também seria

uma opção de ocupar o tempo de forma

construtiva. Levei-o para um teste

e ele adorou, está no integral desde

março. Ele vai na segunda, quartas e

sextas-feiras, para também não perder

o vínculo com os parentes e não

ficar tanto tempo na escola, é tudo

2010 outubro >

> 31

Av. Conselheiro Aguiar, 172 - Boa Viagem www.guerrabrasil.com 81 3325.1984


Alexandre Albuquerque

bem dosado. Mas se dependesse

dele, ficaria todos os dias.”

Com uma proposta inovadora, o

Atual apostou na língua inglesa como

diferencial. Estudado diariamente

no turno integral, o idioma é visto a

partir de uma didática que mescla o

conhecimento gramatical ao cultural,

a partir de projetos de imersão em

inglês com ênfase na conversação. “O

aluno que passar por esse turno integral

ele sai proficiente em inglês no

final do período. E isso permite que o

nosso colégio seja, hoje, considerado

bilíngüe. Quando tomamos todas as

aulas que temos de inglês por semana,

alcançamos uma carga horária

acima de oito horas, e existe uma

regra informal que diz que qualquer

escola que tenha mais de seis horas

de atividade numa determinada língua

estrangeira, pode ser classificada

como bilíngüe”, conta o diretor da

instituição, Eduardo Sefer.

Além do inglês, os alunos do turno

integral recebem apoio nos estudos

e podem optar por participar das

atividades de música, artes plásticas,

artes cênicas, retórica, técnica-científica,

onde ele vai desenvolver projetos

de aeromodelismo, equipamentos e

abordar a astronomia. A sexta-feira

é reservada à educação ambiental,

jogos, esportes e brincadeiras. “Cultivamos

uma horta, onde os alunos

podem colher seus frutos e vegetais

e a partir deles elaborar comidas”, ex-

32 > > outubro 2010

plica Marchi. Na instituição, o regime

integral está saindo numa média de

R$ 900.

Em são Paulo, o regime integral

já é comum nas melhores escolas e

no Recife a procura cresce a cada dia.

Espelhado nessa mudança da sociedade,

o Colégio Atual passou por toda

uma reforma para que dentro de dois

a quatro anos, a instituição funcione

totalmente nessa didática. “Mas por

opção da clientela, não por imposição

nossa de que os alunos têm que

comprar o pacote integral, ou não estudam

aqui”, disse o diretor.

Sefer ainda explica que assim

como o Recife, Caruaru já sente essa

necessidade. E por isso, o Atual também

institui na unidade do Agreste o

sistema integral. “Metade dos nossos

alunos não moram em Caruaru, vem

das cidades do entorno, como Toritama

e Santa Cruz do Capibaribe. São

pessoas de alto poder aquisitivo e

que não tem na localidade que mora

uma escola que dê uma formação

ampla.”

Como a demanda vem crescendo

ao longo dos anos e ainda são poucas

as ofertas do sistema integral, as

escolas que saíram na frente com o

modelo estão abrindo espaço para

alunos de outras instituições. “Apesar

da escola da minha filha não oferecer

essa oportunidade do ensino complementar,

optamos por matriculá-la no

período da tarde em uma instituição

Alunos podem aprender a desenvolver projetos e até

cultivar hortas

Alexandre Albuquerque

Crianças têm aula de educação ambiental no

período integral

No turno

integral,

alunos

podem

aprender

outras

línguas

como o

inglês

que oferecesse educação diferenciada,

diversificada e enriquecedora,

com a comodidade de eu não precisar

me deslocar”, explica a mãe de

Brenda Melo, Michele Souza.

EDUCAÇÃO AMPLA

Pioneira em oferecer uma educação

ampla e diversificada, a Escola

Americana do Recife, também

oferece o horário integral, mas não

se encaixa no mesmo padrão das escolas

que estão adotando o modelo.

Diferenciada das demais existentes

no Estado, a instituição trabalha

com o credenciamento educacional

no Ministério de Educação (MEC) e

na organização americana Southern

Association of Colleges and Schools

(SACS-CASI), cumprindo assim todo

o currículo americano e brasileiro.

Bilíngüe, o ensino reflete as reais

necessidades que a globalização impõe.

Todo o trabalho gira em torno da

diversificação do currículo, que não

deve ater-se apenas as ofertas no espaço

físico, há mais de 250 disciplinas

online, além de matérias universitárias

pagas na escola, que valem como

crédito nas universidades americanas.


De braços abertos

para os turistas

de saúde

LAZER E MEDICINA | Com o segundo melhor polo médico

do país, Estado e iniciativa privada se unem para divulgar

qualidade de seus serviços e belezas de sua paisagem

2010 outubro >

>

33


Alberto Cherpak, da Amcham, coordena o projeto. Tatiana Menezes está confiante no trabalho em conjunto

polo médico de Pernambuco

O está consolidado como o segundo

melhor do Brasil. São mais

de 400 unidades, entre clínicas

e hospitais, com serviços de alta

qualidade tanto nos segmentos

de diagnóstico e tratamento. Mas

para captar mais clientes o polo

médico se uniu ao segmento turístico.

Surgiu daí o Projeto Turismo

de Saúde, que envolve Amcham

(Câmara Americana de Comércio

no Recife), Recife Convention e Visitor

Bureau, grandes hospitais do

Recife e as secretárias de Turismo

do Estado e da Capital.

No mês passado, um grupo de

empresários e representantes dos

dois segmentos seguiu para a II

Missão Empresarial Internacional

de Turismo de Saúde tendo como

destino Houston e Los Angeles, nos

Estados Unidos, onde participou do

3° World Medical Tourism & Global

Healthcare Congress, maior evento

internacional de turismo de saúde.

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outubro 2010

outubro 2010

“A ação visa mostrar o potencial

do nosso polo médico e as nossas

atrações para os visitantes”, explicou

a diretora comercial da Empresa

Pernambucana de Turismo,

Daniele Alecrim, em conversa com

a reportagem da Algomais pouco

antes da viagem.

Além de divulgar o Estado como

destino, o objetivo dessa ação é colocar

executivos de centros médicos,

hospitalares, clínicas de bem-estar e

empresas vinculadas ao setor, a par

de melhores práticas de divulgação

e promoção do turismo de saúde no

mundo. Na agenda, eles incluíram

visitas técnicas a hospitais americanos

especializados no recebimento

de pacientes estrangeiros, além de

reuniões com gestores e representantes

de entidades vinculadas ao

turismo internacional de saúde e

bem-estar.

De acordo com Tatiana Menezes,

executiva do Recife Convention

& Visitors Bureau, o projeto

Projeto

ganhou

força com

a chegada

dos voos da

American

Airlines

de divulgar Pernambuco como

destino de turismo e saúde ganhou

força a partir de 2008 com a

entrada dos vôos diretos da American

Airlines Recife-Estados Unidos.

Segundo ela, Recife aparece como

opção de destino brasileiro para os

turistas de saúde nacionais e internacionais.

“A cidade oferece atrativos

como sol, mar, cultura, gastronomia

e excelente infraestrutura

médica”, enfatiza Tatiana.

Segundo dados da Empetur

(Empresa Pernambucana de Turismo),

em 2008, 7% dos visitantes

que desembarcaram no Aeroporto

Internacional dos Guararapes

– Gilberto Freyre, no Recife, escolheram

a cidade como destino

motivado pelo turismo de saúde.

Em 2009, também de acordo com

a Empetur, o número subiu para

7,89% do total de turistas, cerca

de 298 mil visitantes. “Isso, sem

que houvesse qualquer ação para

atrair esse público. Com o projeto,


2010 outubro >

>

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a tendência é que este número seja

bastante ampliado”, acredita.

Dentro desta estratégia de estruturar

e divulgar Pernambuco

como destino internacional de turismo

de saúde e lazer, a Amcham,

a Secretaria de Turismo de Pernambuco

e o RCV vêm fazendo um

trabalho com o objetivo de promover

a capacitação para os hospitais

locais interessados em divulgar

seus procedimentos médicos no

mercado exterior.

“Pernambuco possui um polo

médico de excelente nível. O que

precisamos agora é divulgar esses

procedimentos no mercado internacional.

A realização do workshop

foi a primeira com esse objetivo”,

explica Alberto Cherpak, presidente

do comitê estratégico de Saúde

da Amcham-Recife e da Diagno São

Marcos e responsável pela coordenação

do projeto de turismo de

saúde do Estado.

De acordo com Cherpak, o polo

médico pernambucano atende a

todas as expectativas dos pacientes

que tradicionalmente recorrem ao

turismo de saúde. Além de custos

de procedimentos competitivos e

da rede de profissionais especiali-

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outubro 2010

outubro 2010

Pernambuco

possui um

polo médico

de excelente

nível. O que

precisamos

agora é divulgar

esses

procedimentos

no mercadointernacional

zados, o Estado conta com uma excelente

rede de hospitais, clínicas,

spas e outros equipamentos turísticos

para atrair esse público.

“O mercado de turismo entendeu

que Pernambuco, pelo nível

de seus hospitais e qualificação

de seus médicos, seria um destino

Durante o ano, vários eventos ligados à saúde são realizados no Estado

Daniele Alecrim, da Empetur, diz que ações em conjunto

mostram potencial do polo médico

natural para este tipo de serviço”,

comenta.

Cherpak explica que, então,

eles começaram a fazer uma série

de ações estruturadas para colocar

Pernambuco no mapa mundial

como um destino para tratamento

médico. “Resolvemos juntar os esforços.

Já existe o conhecimento

de que aqui temos hotéis de ótima

qualidade, assim como hospitais,

mas é preciso uma percepção internacional

disso. Então, se há um

mercado que nós podemos trabalhar

em conjunto, não adianta um

só hospital ir divulgar seu trabalho

no exterior, não adianta só a prefeitura,

ou só o governo do Estado

ou só uma agência de turismo. É

preciso que todos desenvolvam

ações em conjunto com este foco,

porque o alcance será maior. Isso

é extremamente positivo, essa

cooperação que está havendo”,

argumenta.

Já Tatiana Menezes enfatiza

que no ano passado, em Los

Angeles, alguns hospitais de São

Paulo participaram sozinhos do

Congresso de Turismo, enquanto

os pernambucanos já estavam

estruturados, com Pernambuco,


Biologia Molecular

mais um DIFERENCIAL do

PCR em tempo real

PNEUMOLOGIA

Mycobacterium tuberculosis,

avium e abscessus

Legionella pneumophila

Mycoplasma pneumoniae

Chlamydia pneumoniae

Bordetella pertussis

GINECOLOGIA / OBSTETRÍCIA

Chlamydia trachomatis

Neisseria gonorrhoeae

Herpes Simples I e II

HPV

Sexagem fetal

REUMATOLOGIA

HLA-B27

PCR em tempo real


Fone: 81-3421-5700

INFECTOLOGIA

Citomegalovírus

Carga viral do HIV e HBV

Epstein Barr

Toxoplasma gondii

Dengue

GASTRO/ HEPATOLOGIA

Helicobacter pylori

Hemocromatose

Carga viral e genotipagem

do vírus da hepatite C

TROMBOFILIAS

Fator V Leiden

Fator II - Protrombina

MTHFR

2010 outubro >

>

37


mais uma vez, unido em busca de

divulgar seus projetos no setor, o

que é muito positivo”.

Para Cherpak, o projeto só dará

certo com muito trabalho e profissionalismo

de todos os segmentos

envolvidos. “O turismo tem muitos

detalhes, é preciso uma ética médica,

a preparação dos hospitais.

A grande preocupação é a questão

médica. O paciente tem que

ser tratado, em qualquer lugar, do

ponto de vista médico. Os hotéis

devem estar preparados para receber

esse público, pois há procedimentos

médicos de alta complexidade,

e é preciso cada vez mais

melhorar a estrutura para adequála

àquele hospede que se recupera

de um tratamento, porque o médico

não vai ajudar na hospedagem,

então é preciso que se desenvolva

outras áreas.”

Números animadores

l Eventos: dos 76 mil

turistas que desembarcaram

no Estado para participar desse

tipo de encontro em 2009,

mais de 50% foram da área de

saúde.

l Em 2009, o segmento

gerou 192 mil diárias e injetou

R$ 127 milhões na economia

local.

l De maio a dezembro,

Pernambuco abrigará 17

eventos de saúde de grande

porte.

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outubro 2010

outubro 2010

“Existe uma estimativa de que

para cada dólar que o turista investe

em tratamento ele gasta oito

dólares com turismo. Isso é muito

importante para o Estado, primeiro

porque a gente está exportando

serviços, segundo porque está

l Esse calendário contabiliza apenas os que têm nossa

captação e apoio. Não inclui todos os congressos e seminários

menores realizados no estado

l Mercado cresce de 10 a 15% ao ano, devido à boa

infraestratura local. “Nosso Centro de Convenções, por

exemplo, é o maior do Norte/Nordeste e a rede hoteleira

está preparada para abrigar ações de pequeno e médio

porte”, informa Tatiana Menezes, do Recife Convention

Bureau.

O tratamento mais humano dos hospitais pernambucanos é um dos pontos

positivos para atrair pacientes de outros países

trazendo a público um reconhecimento

pelo trabalho dos médicos

locais”, acentua.

Em maio deste ano, a Empresa

Pernambucana de Turismo (Empetur),

a Amcham e o Recife CVB realizaram

o I Workshop de Turismo de

Saúde de Pernambuco, com o objetivo

de reunir os hospitais interessados

em divulgar seus procedimentos médicos

no mercado mundial.

No encontro, a Associação Global

de Saúde (MTA) apresentou estratégias

de como desenvolver destinos

para esse segmento. Segundo

Tatiana Menezes, a expectativa é

que o trabalho traga resultados a

médio e longo prazos, pois envolve

o setor hospitalar, hoteleiro e até

logístico: “É fundamental que os

hospitais tenham um padrão de

atendimento internacional, com

pessoas treinadas para receber

quem vem cuidar da saúde”.

Para Samuel Oliveira, secretário

de Turismo do Recife, o segmento

de saúde tem proporcionado

um grande fluxo de visitantes

em busca do profissionalismo de

nossos médicos e da qualidade e

infraestrutura de nossos hospitais.

De acordo com ele, o turismo é

uma das atividades que mais movimentam

o dia a dia da população.

“Estudiosos do setor apontam que

esse efeito multiplicador da atividade

alcança cerca de 50 setores

da economia. Com isso, provocase

um ciclo de oportunidades para

toda a cadeia produtiva.”


2010 outubro >

>

39


Odonto-Cape e Rede Ortoestética

são referências para visitantes

A recepção aos turistas em busca

de tratamento dentário já é uma

realidade há alguns anos nos centros

odontológicos do Recife. Dois

bons exemplos são a Odonto-Cape

e a Rede Ortoestética, empresas que

vem se tornando uma referência

neste segmento no Estado.

A diretora administrativa do centro,

Anabela Lacet, explica que cada

vez mais pacientes das mais variadas

nacionalidades procuram as clínicas

do centro para tratamento da Odonto-Cape

para tratamento.

De acordo com ela, naturalmente,

a clínica atrai pacientes pela qualidade

dos serviços que oferece

Suas unidades possuem recursos

tecnológicos de ponta, equipe multidisciplinar,

que trabalha de forma integrada,

oferecendo antes do início

de qualquer tratamento um rigososo

processo de diagnóstico.

Anabela acredita que a estratégia

de hospitais, clínicas, hotéis e governo

do Estado se unirem para trabalhar

em conjunto a fim de divulgar as

potencialidades do polo médico e do

segmento turístico de Pernambuco é

um ótimo caminho para atrair sócios.

“Os preços dos tratamentos

médicos em Pernambuco são muito

competitivos em relação aos de

outros países, e isso, naturalmente,

contribui para atrair pacientes. Nossa

intenção é buscar cada vez mais

a profissionalização e a qualificação

para manter o segmento sempre em

crescimento. Todos trabalhando em

conjunto torna a tarefa de cada um

mais fácil.”

A diretora do Odonto-Cape lembra

também que alguns países já

saíram na frente neste segmento,

como a Indonésia, mas que o Brasil

tem muito a crescer. “É importante

ressaltar que fora a questão do valor

dos tratamentos, há também o tratamento

mais humano, que agrada

bastante os pacientes que procuram

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outubro 2010

outubro 2010

Com ótimas clínicas, Recife atrai muitos pacientes estrangeiros para tratamento

o segmento médico no Brasil”, esclarece.

Na Rede Ortoestética, que possui

unidades em Recife e João Pessoa,

os turistas de saúde poderão

contar com apoio para hospedagem

e traslados, facilitando e pondo em

prática um moderno conceito. Para

Manoel Alvino, um dos diretores

da empresa, turismo de saúde já é

uma realidade há cerca de três anos,

quando o grupo começou a receber

pacientes vindos de outros estados

e do exterior. “Com as parcerias que

Roger Mcleod satisfeito com

o tratamento no Recife

temos, eles realizam todo o tratamento

e desfrutam das encantadoras

belezas naturais destas capitais.

Sendo a Rede OrtoEstética pioneira

neste tipo de atividade em todo o

Nordeste, já tendo realizado vários

tratamentos de reabilitação do sorriso

em pacientes de vários estados

do Brasil, e de países como Itália,

França, Espanha, Portugal e EUA.

O professor universitário americano

Roger Mcleod, 58 anos, foii indicado

por amigos recifenses e uma

californiana que é casada com um

brasileiro. “Todos me indicaram a

Odonto-Cape. Estou muito feliz com

o tratamento. O time da odonto-

Cape foi responsável por uma grande

melhora na minha aparência e

saúde”, garante. Para ele, foi mais

do que uma vantagem financeira,

pois teve que fazer uma coroa em

duas ocasiões nos EUA. “Em ambas

os tratamentos foram muito caros e

que me deixaram com mais custos

ainda porque foram seguidos por

dois dentes com problemas. Já no

Recife o tratamento foi mais rápido

e menos doloroso. Com o plus de

não ter tido nenhuma consequência

negativa para a minha saúde.”


2010 outubro >

>

41


42 > > outubro 2010

Empresa de atendimento

domiciliar também

envolvida no projeto

O Projeto Turismo de Saúde em

Pernambuco não envolve apenas

hospitais e hotéis. Entre esses dois

segmentos também atua a Interne

Home Care, empresa especializada

em atendimento domiciliar, que atua

dando apoio aos hotéis que recebem

pacientes em fase de tratamento pré

ou pós-cirúrgico. Com a projeto, a

empresa passou a integrar o comitê

da Ancham.

Home Care é o trabalho de continuidade

dos cuidados recebidos

durante a internação hospitalar ou

prescritos por um médico, administrados

por profissionais de saúde na

residência do paciente ou no hotel

em que está internado. Envolve o

trabalho de fisioterapeutas, fonoaudiólogos,

nutricionistas e profissionais

da área farmacêutica.

Segundo Gabriela Meira, gerente

de Inteligência de Mercado da Interne,

na experiência da empresa organizadora

o apoio de uma empresa

de home care deve estar incluído no

“cluster” para que o paciente possa

continuar o tratamento de saúde

fora do ambiente hospitalar ( no caso

hotel ) com a garantia do melhores

padrões.

Na recente viagem da comitiva

pernambucana aos Estados Unidos,

Gabriela integrou a comissão de

visita a hospitais americanos e ao

congresso em Los Angeles. A Interne

Home Care tem 13 anos de atuação

na área de home care com mais de

9 mil pacientes atendidos ao longo

destes anos e com outras soluções

em saúde ,além do home care, a internação

ou assistência domiciliar.

Também trabalha com o Fiqbem,

programa de medicina preventiva

com gerenciamento de crônicos; o

Curabem; programa de recuperação

de lesões na pele; Durmabem; programa

de pollissonografia em domicilio

e oserviços de ambulâncias para

urgências, eventos, montagem de

posto medico e remoções.


A Interne é especializada em cuidar dos pacientes fora do ambiente hospitalar

2010 outubro >

>

43


Grandes hospitais trabalham em busca

do selo de qualidade internacional

Cuidar de pacientes de outros

Estados e países já é uma realidade

nos grandes hospitais de Recife.

De acordo com dados da Embratur,

tratamentos são responsáveis pela

vinda de mais de 200 mil turistas

estrangeiros ao Brasil e motivam

também 42 milhões de viagens domésticas

anuais no país. Em Pernambuco,

hospitais como o Esperança,

Real Português e Santa Joana estão

sempre recebendo pessoas em busca

de tratamento, ora por motivos

circunstanciais, alguém que sofre de

um mal súbito em passagem pela

cidade, ora por uma viagem programada

e definida pelas boas referências

dos hospitais locais.

Um dos motivos para hospitais

e trade se envolverem na especialização

do atendimento a este

público é a boa estimativa do Banco

Mundial de que as viagens em

busca de tratamento de saúde devem

registrar um crescimento de

30% nos próximos anos e o Brasil

44 > >

44 > >

outubro 2010

outubro 2010

Fundado a um pouco mais de dez anos Esperança é um case de sucesso na

Ilha do Leite

apresenta-se como um destino extremamente

atraente.

Outro fato que vai contribuir

para o crescimento do número de

turistas em atendimento nos hospitais

locais é a conquista de selos

de qualidade internacional, como

o Joint Commission Internacional

Alexandre Loback, diretor executivo do Esperança, diz que instituição já atende pacientes

de outros países


SaúdeA Fórmula é a farmácia

de manipulação do Recife.

Para atender o Pólo Médico que é destaque no Brasil,

uma farmácia de manipulação com alto padrão de

qualidade. A Fórmula possui farmacêuticos

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2010 outubro >

>

45


(JCI), presente em mais de 40 países

e em 300 instituições de saúde

do mundo. No Brasil, cerca de

60 hospitais estão em processo de

acreditação, alguns de Pernambuco,

como o Santa Joana e o Real

Português.

“A partir do momento em que o

governo do estado através da Empetur,

a Câmara Americana de Comércio

e a iniciativa privada entenderam

que a viabilidade do Turismo médico

no Estado dependia de um esforço

conjunto, cada segmento ao seu

modo mas de forma sincronizada,

vem se empenhando no desenvolvimento

de ações diretamente relacionadas

ao fomento do projeto”,

afirma o diretor técnico do Hospital

Santa Joana, Filipe Lima.

Em depoimento para a Algomais,

ele conta que nos contatos

preliminares com empresas e seguradoras

de saúde internacionais,

a primeira pergunta era sempre

a mesma, os Hospitais no Recife

possuem certificação internacional

pela Joint Commission Internacional

(JCI)? “A JCI é a organização de

acreditação com maior experiência

no mundo, avaliando regularmente

hospitais, laboratórios, serviços de

assistência domiciliar (home care)

e outras organizações de saúde

nos Estados Unidos”, explica.

E este passou a ser o grande

desafio dos hospitais pernambucanos:

buscar a acreditação internacional

através do selo de qualidade

da JCI. Segundo Filipe Lima,

o modelo de certificação baseia-se

em rotinas que visam a segurança

do paciente. “Da porta de entrada

à alta hospitalar todas as fases do

atendimento médico devem ser

monitoradas e regularmente avaliadas

como forma de que haja a

garantia de um padrão de excelência

na assistência multidisciplinar.

Dificilmente um paciente procurará

assistência médica em uma instituição

que não possua o ‘selo de

qualidade’ da JCI”, afirma.

Filipe Lima explica que com

este diagnóstico, e estimulados

pela convicção que o turismo mé-

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outubro 2010

outubro 2010

Santa Joana deve receber selo do JCI até o final do ano

dico atingirá quantitativos crescentes,

o Hospital Santa Joana está em

busca da certificação no padrão

mais rigoroso que uma unidade

hospitalar possa ser submetida.

E que o projeto, iniciado há cerca

de 2 anos, tornou-se um dos pilares

do planejamento estratégico

da instituição e espera-se que nos

próximos 6 meses o Hospital Santa

Joana possa apresentar-se como

a primeira instituição acreditada

pela JCI fora do eixo Sul - Sudeste.

Nesse período, o médico informa

que alguns requisitos do

processo já foram cumpridos: a seleção

e o cadastro de profissionais,

estruturação de uma central de

acolhimento bilingue, implantação

de protocolos de rastreabilidade

de medicamentos até o paciente,

gestão clinica por indicadores de

desempenho e qualificação, entre

outros. “Muito esforço tem sido

Filipe Lima, diretor do Santa Joana, diz que hospital está fazendo a sua parte


2010 outubro >

>

47


O Real Hospital Português tem uma das melhores estruturas do NE

demandado durante todo este período,

mas os resultados são cristalinos

e palpáveis. O turismo médico

é uma realidade. O Hospital Santa

Joana está fazendo a sua parte.”

Para a gerente de relações

internacionais do Hospital Portu-

Imagens do folder bilíngue feito pro RHP e apresentado em eventos no exterior

48 > >

48 > >

outubro 2010

outubro 2010

guês, Ana Luisa Castro, a direção

da instituição está alinhada com a

proposta da Secretaria de Turismo

de Pernambuco, e vê a busca da

acreditação internacional como

uma estratégia de marketing para

conquistar o público estrangeiro.

O provedor do Real Hospital Português

do Recife, Alberto Ferreira da

Costa, lembra que a instituição também

já entrou no processo de acreditação

internacional, o que deve ser

efetivado muito em breve.

“Estamos há pouco mais de

um ano envolvidos nesse projeto

de divulgar o turismo de saúde de

Pernambuco, buscando também

oferecer serviços econômicos,

eficientes e competitivos. Normalmente,

atendemos suíços, angolanos,

americanos e ingleses”,

comenta. Ele lembra que no ano

passado viajou com a comitiva pernambucana

para Los Angeles, nos

Estados Unidos, a fim de participar

de evento empresarial do setor e

divulgar Pernambuco. “Lá é tudo

mais caro, então precisamos nos

credenciar para ter o selo JCI e tornar

fortalecer este projeto. “Dispomos

aqui de uma equipe médica

muito qualificada e equipamentos

de última geração”, afirma.

Este ano, na 2ª Missão Empresarial

Internacional pernambucana,

em Los Angeles, o Português foi representado

por Ana Luisa Santos,

responsável pela implantação do

Setor de Relações Internacionais

da instituição. E também enviou

mais dois médicos, a geriatra Maria

Lencastre e o cirurgião Eduardo

Ferraz. O objetivo é conhecer novos

procedimentos hospitalares e desenvolver

estratégias de marketing

a fim de qualificar o atendimento

aos turistas de saúde e tornar mais

regular a entrada desses pacientes

no hospital, pois o que ocorre, atualmente,

são tratamentos vindos de

forma aleatória. O projeto do Português

prevê a realização de pacotes

internacionais, trazendo grupos de

pacientes em busca de tratamento.

Como estrutura para trabalhar

melhor este segmento, o hospital

já dispõe de um setor exclusivo

para oferecer mais comodidade

aos visitantes. “O Hospital Português

é uma grande marca de Pernambuco

e não poderíamos deixar

de nos envolver neste projeto”,

completa o provedor.


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Tibério Moreno de Siqueira, junto a uma equipe

de especialistas em urologia avançada e uma

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2010 outubro >

>

49


No Hospital Esperança, cerca

de 20% das pessoas atendidas são

oriundas de municípios do interior

de Pernambuco e de outros Estados.

O médico e diretor executivo

do Esperança, Alexandre Loback,

diz que, embora não esteja diretamente

envolvida no projeto

Turismo de Saúde do governo do

Estado, a instituição enxerga o movimento

como uma oportunidade

de novos negócios.

Loback explica que pela localização,

na Ilha do Leite, estrutura que

oferece e pela qualidade de seus profissionais,

o Esperança já é uma referência

neste segmento, atendendo

pacientes de vários países, inclusive

artistas de outros Estados que recorrem

ao hospital para realizar tratamentos.

“Já fomos, inclusive, abordados

por serviço de divulgação da Inglaterra”,

acrescenta. Ele lembra que, no

momento, a instituição está trabalhando

para receber o selo da ONA

(Organização Nacional de Acreditação),

para a partir daí trabalhar pelo

selo de uma organização internacional

canadense.

“Devemos contar com o selo da

ONA até novembro próximo”, afirma.

O Esperança é um dos mais jovens

hospitais de Pernambuco. Fundado

no ano 2000, em pouco mais

de dez anos, consolidou sua posição

como um dos mais avançados centros

médicos do país, com emergência

geral e anestesia 24 horas, UTIs

humanizadas, centro cirúrgico para

procedimentos de alta complexidade,

diagnóstico por imagem e equipe

multidisciplinar de alto nível.

50 > > outubro 2010

O provedor do Real Hospital Português, Alberto Ferreira

da Costa, diz que acreditação internacional virá em breve


2010 outubro >

>

51


52 > >

outubro 2010


A Igreja mais antiga

de Pernambuco

HISTóRIA | A igreja de Nossa Senhora do Monte, de Olinda,

antecedeu em dez anos a dos Santos Cosme e Damião, de Igarassu

Por Leonardo Dantas Silva *

Ao se indagar sobre a antiguidade

das igrejas em Pernambuco, logo

vem a menção ao templo dos Santos

Cosme e Damião de Igarassu, assim

consagrado pela tradição que vem do

frei Rafael de Jesus quando da publicação

do seu livro O Castrioto Lusitano

(1675).

A afirmativa do cronista, no entanto,

vai de encontro ao texto da

Carta Foral da Vila de Olinda, assinada

pelo donatário Duarte Coelho em

12 de março de 1537; isto é, dois anos

após o seu desembarque no Sítio dos

Marcos, às margens do Canal de

Santa Cruz, vindo de Lisboa com um

grande número de famílias do Norte

de Portugal.

Ao outorgar a carta Foral da Vila

de Olinda, o primeiro donatário, Duarte

Coelho Pereira, reservou para

os habitantes da nova povoação as

terras do outeiro do monte, com

exceção das cem braças situadas ao

redor da igreja de Nossa Senhora do

Monte, que já existia naquele local:

“O monte de Nossa Senhora do Monte

águas vertentes para toda a parte,

tudo será para serviço da vila e povo

dela, tirando aquilo que se achar ser

da casa de Nossa Senhora do Monte

que é cem braças da casa ao redor de

toda a parte, e assim o valinho que é

da banda do norte rodeia o dito Monte

pelo pé até o caminho que vai da

vila para Val de Fontes para o curral

velho das vacas, e isto é da dita casa

de Nossa Senhora do Monte”.

Assegura José Antônio Gonsalves

de Mello ser “esta a única referência

A igreja dos Montes: Pioneira no Brasil?

à igreja constante do Foral e a simples

menção da sua existência faz dela a

mais antiga de Pernambuco, com certidão

de nascimento por documento

contemporâneo. Essa primazia tem

sido atribuída até agora a uma igreja

de Igarassu, atual matriz dos santos

Cosme e Damião”.

Confirma o mesmo autor que

“a indicação do ano da chegada de

Duarte Coelho [1535] como sendo

o mesmo da construção da Igreja de

Igarassu é do frei Rafael de Jesus, que

escreveu em 1675 [com base nos originais

de Diogo Lopes Santiago] e não

abona a sua afirmativa. Ao contrário,

a igreja olindense – a casa de Nossa

Senhora do Monte – tem em seu favor

um documento de autenticidade

estabelecida e de data conhecida,

campeando ela há quase quatro séculos

e meio no alto de um dos morros

da cidade”.

Um segundo documento, também

do século XVI, vem comprovar a

antigüidade daquele templo. Trata-se

de certidão passada pela então viúva

do primeiro donatário, dona Brites de

Albuquerque, que, em 16 de fevereiro

de 1582, reitera a doação daquelas

terras, a pedido do ermitão João Martins,

que, ao entrar na posse da igreja

do Monte, “não achou até agora carta

nem data que fosse para a dita casa

de Nossa Senhora”.

Assim, dentre as igrejas de Pernambuco,

é a de Nossa Senhora do

Monte de Olinda a que possui a mais

antiga documentação de sua existência.

Em 1596, a igreja de Nossa Senhora

do Monte passou para a posse dos

monges beneditinos, por provisão do

bispo do Brasil, dom frei Antônio Barreiros,

que, antes de iniciarem a construção

do seu mosteiro no Varadouro

da Galeota, em 1602, permaneceram

naquele sítio distante.

Em sua provisão, datada de 7 de

setembro de 1596, declara o prelado:

“para que as pessoas, assim homens

como mulheres, que vão em romaria,

ou têm moradas em a ermida de

Nossa Senhora do Monte, o possam

2010 outubro >

>

53


fazer com mais devoção, piedade e

honestidade, concedemos e damos a

dita ermida aos religiosos do Mosteiro

de São Bento, para ali fazerem seu

recolhimento e mosteiro”.

Transferindo-se para o novo mosteiro,

os beneditinos se mantiveram

na posse da igreja de Nossa Senhora

do Monte que foi transformada, com

suas hortas e sítio ao seu redor, numa

espécie de hospício que assim o mantiveram

até os dias atuais.

Após a expulsão dos holandeses,

em 1654, veio a ser abandonado pelos

beneditinos, assinalando Loreto

Couto como “célebre santuário da

Senhora do Monte, com hospício

para os religiosos...” Com a decadência

dos beneditinos, fica a capela

aos cuidados dos poucos moradores

do local e romeiros. A sua completa

restauração se dá pelos esforços do

clérigo Juvenal David Madeira, que

celebra solenemente a festa inaugural

em 26 de janeiro de 1890.

Depois de passar por inúmeras

reformas no século XIX, foi o

mosteirinho de Nossa Senhora do

Monte entregue, no início do século

XX, aos cuidados das freiras da

Ordem de São Bento, que chegaram

da Alemanha, em Pernambuco,

em 1903, para ocupar o Hospital

da Misericórdia, com sua igreja

e casas anexas, onde instalaram a

Academia de Santa Gertrudes.

O conjunto, em sua simplicidade,

destaca-se no alto do monte. A

quietude do ambiente é, por vezes,

embalada pelo coro de vozes das

irmãs que, no recato da clausura,

se dedicam à confecção de produtos

artesanais, como biscoitos e

licores, bem como à confecção de

bordados dos paramentos religiosos.

Na sua arquitetura simplória, o

especialista Germain Bazin encontrou

elementos antigos do primitivo

templo: Conserva elementos

antigos. Na sacristia, um lavabo esculpido

em calcário do século XVII

tem o par correspondente, de autoria

do mesmo escultor, no Mosteiro

de São Bento. No fundo da

nave, tocando a capela-mor, há em

54 > > outubro 2010

Dentre as

igrejas de

Pernambuco,

é a de Nossa

senhora do

Monte de

Olinda a

que possui a

mais antiga

documentação

de sua

existência

*Leonardo Dantas Silva,

escritor e jornalista,

é autor, dentre outros,

do livro Pernambuco

Preservado – Histórico

dos Bens Tombados

no Estado de Pernambuco

(Recife: 2008).

cada parede dois nichos de altar

contíguos, emoldurados por arcos

de pilastras de ordem toscana. A

fachada, ladeada por um campanário

anão do século XVII, é arrematada

por um frontão mais tardio. A

porta de entrada é do século XVII.

A simplicidade do templo não impediu

que viesse a ter o seu interior

descrito por Maria Elisa Carrazoni: O

interior é requintado, as paredes têm

pinturas em paineis e fingimento. As

tribunas são de madeira trabalhada

e o púlpito, adornado em motivos

florais, é apoiado por cachorros de

pedra e encimado por dossel e baldaquino.

Os altares laterais, com nichos

em arco pleno. A capela-mor tem

pinturas nas paredes e tribunas com

gradil de ferro. O altar-mor e retábulos

mostram influência de diversos

estilos. Mesa de comunhão em balaústres

torneados de jacarandá.

A presença dos portugueses no

litoral de Pernambuco e Itamaracá

data dos primeiros anos da colonização,

ainda quando da instalação

da Feitoria de Cristóvão Jacques, em

dezembro de 1516, de onde, dez

anos mais tarde, era embarcada para

Lisboa a primeira remessa de açúcar

produzido no Brasil.

Bem presente em telas e desenhos

assinados por Frans Post, pintor

holandês que esteve em Pernambuco

a serviço do conde João Maurício de

Nassau entre 1637 e 1644, a igreja dos

Santos Cosme e Damião de Igarassu

disputa com o mosteiro de Nossa Senhora

do Monte, em Olinda, o primado

de igreja mais antiga do Brasil.

José Antônio Gonsalves de

Mello, no entanto, confirma a possibilidade

de a igreja olindense de

Nossa Senhora do Monte, referida

expressamente na Carta Foral de

Olinda, outorgada por Duarte Coelho

em 12 de março de 1537, preceder

em antigüidade à da Matriz de

Igarassu, que só tem o seu primeiro

documento, revelando a sua existência,

datado de cerca de dez anos

depois: 10 de maio de 1548.

É desta data a carta de Afonso Gonçalves

enviada ao rei de Portugal, D.

João III, na qual declara “... eu quisera os

dízimos desta igreja para os gastar nela

e em coisas necessárias para o culto divino

e ornamentos, pois sou fundador

dela e a fiz à minha custa própria, e a tenho

feito a melhor que há nestas terras

[...], e assim folgaria que tivesse todas

as coisas e ornamentos bons [...] tive

nela sempre um padre que é obrigado

a dizer missa e confessar...” os habitantes

da povoação que chegavam a “bem

duzentas almas”.

A igreja dos santos Cosme e Damião

de Igarassu foi, desde o século

XVI, um dos centros de romaria de

Pernambuco, conforme observa em

1585 o padre José de Anchieta: “de

grande devoção e se fazerem nela

muitos milagres pelos merecimentos

destes santos mártires”.

O seu primeiro vigário foi o padre

Pedro da Mesquita, cuja ratificação

foi proposta na carta de 10 de maio

de 1548, substituído em 1559 pelo

padre Pedro Anes do Vale, cuja confirmação

data de 22 de agosto daquele

ano. A lista de vigários de Igarassu

tem sequência com o padre Tomás

Leitão (1580-1591), cujo nome aparece

nos autos da primeira visitação

do Santo Ofício a Pernambuco (1593-

1595) e depois como cônego do Cabido

da Bahia, seguindo-se do padre

Miguel Alfar (1591-1608) que, por

ordem régia, recebia um ordenado

maior do que outros vigários.

Na primeira metade do século

XVII era a igreja matriz de Igarassu

uma pequena capela, com uma só

porta e um óculo sobreposto, tendo

ao lado, servindo de campanário,

duas vigas com um travessão no alto,

onde estava pendurado um sino, conforme

aparece na gravura assinada

por Frans Post e publicada no livro de

Gaspar Barlaeus (1647).

O templo teve a sua forma definida

no século XVIII, passando por reformas

no século XIX, conservando em sua fachada

a porta central, anterior a 1630,

“com frontispício sobre o quadrado,

encimado por frontão triangular. A

torre sineira traz cúpula em forma de

coroa e foi construída no século XVIII.

O interior é sóbrio, as paredes nuas e

brancas de cal, onde se destacam as

cantarias de perfis delicados”.


2010 outubro >

>

55


Os astros sempre aguçaram a curiosidade e a imaginação humanas. Observar uma constelação é sempre um privilégio

Recife no

‘mundo da Lua’

ASTRONOMIA | Capital pernambucana foi palco

para importantes marcos e descobertas astronômicas

56 > > outubro 2010

Quem nunca se pegou observando

o céu noturno, identificando

as estrelas e seus variados brilhos e

cores? Quem não teve a experiência

de ver uma “estrela cadente” ou

presenciar algum fenômeno no céu

como a passagem de um satélite ou

um eclipse? Os astros sempre aguçaram

a curiosidade e a imaginação

humanas. O fato é que a necessidade

de localizar e identificar objetos no

céu acompanha a civilização desde o

seu início. Para isso, existe a Astronomia.

Mas o que poucos sabem é que

Recife tem uma estreita relação com

essa ciência exata que se preocupa

com a origem, evolução, composição,

classificação e dinâmica dos corpos

celestes.

Durante a administração de Maurício

de Nassau foi instalado no Recife

o primeiro observatório astronômico

das Américas e do Hemisfério Sul, em

1639, localizado na atualmente chamada

Rua do Imperador D. Pedro II,

na esquina com a Rua 1º de Março,

no bairro de Santo Antônio. O responsável

pelo empreendimento foi o

pintor, cartógrafo, aquarelista, astrônomo,

naturalista e desenhista Georg

Marcgrave, um contemporâneo de

Albert Eckhout e de Franz Post que

integrou a expedição científica e militar

de Nassau. Antes mesmo do observatório

ser construído por completo,

o alemão estudou o eclipse total

da lua, em 20 de dezembro de 1638

- o primeiro eclipse lunar observado

cientificamente no Brasil, talvez nas

Américas, e a ocultação de Mercúrio

pela lua, em 28 de setembro de 1639.

Marcgrave também pode observar o

eclipse parcial do sol, em 13 de novembro

de 1640, e a conjunção de

Vênus com Saturno, em 18 de janeiro

de 1641.

Georg Marcgrave permaneceu

no Recife até 1644 dedicando-se às

atividades científicas e realizando um

dos mais ricos trabalhos de descrição

e classificação de plantas, animais,

habitantes e idiomas brasileiros, além

do estudo das estrelas do hemisfério

Sul. Entre as obras produzidas em

terras pernambucanas estão várias

aquarelas que foram publicadas no

Historia Naturalis Brasiliae e pinturas

para o livro Theatrum Rerum Naturalium

Brasiliae com Eckhout, Wagener

e Schmalkalden, além de cartas e mapas

da regiãoNordeste.

Outromarco importante na história

da Astronomia no Recife foi a

criação da Sociedade Astronômica do

Recife (SAR) pelo padre Jorge Polman,

em1973. Essa foi a primeira entidade

de Astronomia em Pernambuco registrada

oficialmente em cartório, com

estatuto próprio e cadastro de CGC

como uma instituição legal diante da

Receita Federal. Polman traz em seu

vasto currículo inúmeras iniciativas

na área. O envolvimento com a Astronomia

começou quando ele era professor

de Ciências Físicas e Biológicas

do antigo Colégio São João, localizado

no bairro da Várzea. Com um telescópio

newtoniano de quatro polegadas


trazido da Holanda, em 1971, padre

Jorge Polman deu início a realização

de práticas observacionais com os

alunos. Graças ao pioneirismo desse

holandês, Recife teve o primeiro micro-observatório

do Nordeste. Além

disso, Polman motivou a formação do

Clube Estudantil de Astronomia (CEA)

e diante do crescente interesse dos

estudantes, promoveu uma série de

cursos de Iniciação em Astronomia.

Atualmente,os únicos cursos de

graduação em Astronomia existentes

no Brasil são nas universidades Federal

do Rio de Janeiro (UFRJ) e de São-

Paulo (USP). No país, a maioria dos

pesquisadores em Astronomia possui

bacharelado em Física ou em áreas

afins, com pós-graduação,mestrado

ou doutorado em Astronomia. A universidade

mais próxima do Recife e

única no Nordeste a oferecer essas

especializações é a Universidade do

Rio Grande do Norte (UFRN). Mas, os

interessados em aprender um pouco

mais sobre o assunto de forma amadora,

podem iniciar suas observações

Eduardo, do

Portal de

Gravatá: interesse

de crianças e

adolescentes para

a observação

astronômica é

crescente

Inst3 Algo Mais - Guerra Rocha.pdf 1 22/09/2010 19:32:42

com um binóculo. O equipamento

custa em média R$ 450. Com um

pouco mais de experiência é possível

partir para um telescópio. Entretanto,

os especialistas aconselham aos leigos,

antes de iniciar o estudo prático,

ler alguns livros sobre o tema e observar

primeiramente o céu a olho nu, reconhecendo

as estrelas mais brilhantes

e principais constelações.

Há muito para se observar. Desde

a sua formação, há 4,6 bilhões de

anos, a Terra é bombardeada por

objetos provenientes do espaço.Diariamente,

uma quantidade estimada

em 100 toneladas de rocha e poeira

atingem o nosso planeta. Alguns fenômenos

podem ser observados a

olho nu. Entretanto, alguns deles são

raros e podem levar décadas ou centenas

de anos para acontecerem novamente.

Em um intervalo de tempo

curto, é possível observar uma chuva

de meteoro (quando poeiras do Sistema

Solar entram na atmosfera terrestre

deixando no céu um rastro luminoso);

a passagem de cometas - duas

vezes a cada dez anos, mas a maioria

só pode ser visualizada com binóculo

ou telescópio -, conjunções planetárias

(dois ou mais corpos celestiais

alinhados no céu); eclipses solares e

lunares; e ocultações (quando um objeto,

oculto por outro, passa entre ele

e o observador).

Esses dados científicos fascinavam

Everaldo Faustino desde os dez

anos de idade. As revistas científicas

cheias de fatos curiosos e cartas celestes,

de certa forma cultivaram os sonhos

e nortearam o futuro do jovem

de 28 anos que hoje é astrônomo graduado

pela Universidade Federal do

Rio de Janeiro (UFRJ). “Ainda criança,

aos 12 anos, comecei a adquirir meus

equipamentos. Aos 13, comprei meu

primeiro binóculo e aos 16, uma luneta.

Trabalhei no observatório da Torre

Malakoff, no Recife Antigo, e comecei

a fazer pesquisas na área. A partir

daí, não parei mais”, conta Everaldo,

que desde 2003 faz parte da Sociedade

Astronômica do Recife (SAR) e

integrou a única equipe no mundo a

2010 outubro >

>

57


observar a ocultação de uma estrela

pelo asteróide Varuna.

A iniciativa surgiu a partir da convocação

feita à Sociedade Astronômica

do Recife (SAR) pelo Observatório

Nacional para integrar a campanha

nacional de ocultação de uma estrela

pelo trans-netuniano Varuna. Com

isso, a SAR deslocou a equipe formada

por Everaldo Faustino, Aldemário

Prazeres e Mitsuo Albuquerque para

realizar a observação a partir da cidade

de Camalaú, sertão da Paraíba, já

que as condições do tempo no litoral

pernambucano não estavam propícias.

Foi então que no dia 19 de fevereiro,

pela primeira vez, houve o registro

de um objeto além da órbita de

Netuno, onde Varuna está situada, a

cerca de 6,4 milhões de km daTerra,

o equivalente a quase 17 vezes a distância

da Terra à Lua. O feito possibilitará

a definição do diâmetro do asteroide,

sua órbita e constituição, além

contribuir com o aprimoramento do

conhecimento do Sistema Solar.

Espera-se que muitas outras

descobertas surjam a partir de observações

feitas em Pernambuco, já

que a cidade de Itacuruba, a 481 quilômetros

do Recife,foi escolhida pelo

Observatório Nacional para receber o

programa Impacton para monitoramento

de asteróides e cometas que

possam estar em rota de colisão com

a Terra. O telescópio usado no projeto

foi importado da Alemanha e está

instalado dentro de uma cúpula de

sete metros de diâmetro, importada

da Austrália. Com um espelho de um

metro de diâmetro, o telescópio será

operado à distância, a partir do centro

de controle do Observatório Nacional,

no Rio de Janeiro. O Impacton

conta ainda com a parceria de instituições

de pesquisa da França, Itália e

Estados Unidos para a troca de informações,

acompanhamento e cálculo

da trajetória e dos possíveis locais de

impacto de um objeto que esteja na

rota decolisão com o planeta.

Entretanto devido a acontecimentos

de repercussão mundial e

uma trajetória histórica repleta de

marcos na Astronomia, algo parece

estar desconexo no Recife. A cidade

58 > > outubro 2010

Para ver as estrelas: público curioso só lota e faz fila

nos observatórios

não dispõe de observatórios em funcionamento

para visitação pública,

embora exista demanda, principalmente

na área de turismo pedagógico.

“O que se pode encontrar são

ações itinerantes em praças, colégios

e cidades do interior promovidas pelas

sociedades astronômicas de Pernambuco

e de Olinda, além de projetos

como o Astronomia ao Alcance de

Todos e o Céu de Pernambuco”, explica

o astrônomo e tecnólogo Tony

Carvalho.

Visandoatender a esse público,

Eduardo Cavalcanti está desenvolvendo

um projeto para a instalação

de um planetário no Portal de

Gravatá e pretende colocá-lo em

funcionamento até dezembro. O

empresário esteve em Buenos Aires

e em João Pessoa para conhecer a

estruturados planetários locais e assim

definir e levantar o orçamento

do seu projeto. “O volume de crianças

e adolescentes que recebemos

para observação astronômica cresce

a cada ano. Nos meses de outubro

e novembro do ano passado,

recebemos cerca de 1.500 alunos

com essa finalidade”, explica Eduardo,

que para desenvolver a ação realiza

parcerias com entidades como

a SAR para a disponibilização dos

equipamentos.

Para movimentar o assunto entre

o público científico e amador, bem

como promover a troca de experiências,

a SAR - juntamente com o Centro

de Estudos Astronômicos (CEA),

Céu de Pernambuco, Sociedade

Astronômica de Pernambuco (SAP),

iSOFTY e prof. Antônio Miranda – vai

realizar uma série de eventos entre

13 e 15 de novembro, na Universidade

Rural de Pernambuco (UFRPE). Serão

palestras, cursos, oficinas e rodadas de

parcerias abrigados no 13º Encontro

Nacional de Astronomia (ENAST), VI

Encontro Interestadual Nordestino de

Astronomia (EINA) e 2º Encontro Brasileiro

de Observadores de Cometas

(EBOC). Celebridades da Astronomia

nacional confirmaram presença no

encontro, entre eles, João Canalle,

Oscar Matsuura, Sueli Viegas e Nelson

Travnik.

Serão abordados assuntos

como: Construção de Telescópios;

Turismo e Astronomia; Meio Ambiente

e Astronomia; Entretenimento

e Astronomia; Evolução Estelar;

Galáxias; Cosmologia; Astrobiologia;

Astrofísica; Radioastronomia; Meio

interestelar; História da Astronomia

e Etnoastronomia; Astrofotografia;

Cometas; Tecnologia da Informação.

Além disso, haverá o lançamento de

réplicas de foguetes e apresentações

culturais. As inscrições para os

eventos, que juntos são o maior na

área de Astronomia já realizado no

país, são gratuitas e podem ser feitas

através do site www.enast.com.br.

São 500 vagas presenciais e mais 800

virtuais para quem deseja assistir asprincipais

palestras pela internet.

Antecedendo os três eventos,

haverá ainda o XII Encontro Regional

do Ensino da Astronomia (EREA),

nos dias 10, 11 e 12 de novembro,

na Universidade Federal de Pernambuco

(UFPE), em parceria com as secretarias

de edução dos municípios

da região metropolitana do Recife e

de cidades circunvizinhas. O objetivo

é capacitar educadores do ensino

médio e fundamental para que Astronomia

seja aplicada nas salas de

aulas, causando repercussão no âmbito

experimental da física, meio ambiente

e demais disciplinas. Durante

o encontro serão distribuídas lunetas

para cada representante de escola.

As inscrições podem serrealizadas

nas secretarias de educação.


2010 outubro >

>

59


A revolta de

uma inconformada

CIDADANIA | Um povo conhecido como eloquente, contestador,

se mostra conformado e se submete a situações inacreditáveis

Por Jacqueline Saunders

Já de algum tempo tenho pensado

em criar um movimento, cujo

nome ainda não sei bem qual seria. De

pronto, poderia chamar-se “A Revolta

dos Inconformados”. Como se diz, andorinha

só não faz verão, e eu tenho

sentido isso na pele, ainda mais por ter

sido uma pessoa engajada em movimentos

políticos e sociais desde muito

cedo, mas que viu-se forçada a seguir

o caminho da formação acadêmica e

profissional, na busca por reconhecimento

e estabilidade.

Inspiraram-me a escrever este

texto artigos publicados na Algomais,

que leio atentamente, por refletir

preocupações e constatações dos que

têm a real noção de cidadania e de respeito

à história de sua terra e de seu

povo. Os autores falam do descaso

com a cidade, com a limpeza urbana,

a falta de conservação do patrimônio

público, notadamente o arquitetônico

e histórico. Minha abordagem segue

caminho diverso, mas que, ao final,

resvala no mesmo problema: a falta de

60 > > outubro 2010

educação, desrespeito à coisa pública

e pouca consciência de cidadania.

Indigna-me que um povo conhecido

como eloquente, contestador,

vanguardista na política e em tantas

áreas do conhecimento, se mostre

tão conformado (ou conformista) e

se submeta a situações que, em minha

opinião, são inaceitáveis.

E isso se demonstra em circunstâncias

até banais, cotidianas, que

vão desde momentos de lazer até

na prestação de serviços os mais diversos,

na esfera pública ou privada.

Apenas como exemplos, cito a sujeira

dos banheiros, tanto dos espaços

públicos, quanto de vários bares,

restaurantes, lojas, clubes, mercados.

A falta de profissionalismo dos que

atendem ao público, as longas esperas;

a recusa em acolher e atender a

uma reclamação do cliente.

O preço, no entanto, é inversamente

proporcional ao que se oferece.

É excessivo, em muitos lugares

“da moda”, o que se cobra pela comida,

por uma garrafa de vinho, sobre

os quais incidem lucros além do ra-

zoável. E a falta de gentileza? Parece

que quem nos atende está a nos fazer

um favor, e olhe lá!

Mas as pessoas pagam o preço

que é cobrado, continuam a frequentar

o lugar, aceitam usar o banheiro

em péssimas condições (muitas vezes

nem reclamam a falta de papel).

Como não reclamam também pela

má prestação do serviço público.

Para ilustrar, recentemente estive na

agência dos Correios de Casa Amarela.

Uma enorme e confortável agência

que, no entanto (não sei se naquele

dia), estava funcionando com

um guichê de atendimento, com um

sistema de informática falho, provocando

o crescimento de uma fila de

pessoas que não reclamavam, apenas

assistiam passivas a um senhor

cuja função, confesso, não consegui

identificar, pois, de dentro do balcão,

restringia-se a mostrar as cadeiras

onde os clientes poderiam sentar –

para esperar mais confortavelmente

–, e a uma atendente que não conseguia

finalizar o atendimento porque o

computador travava.


Depois que reclamei, apareceram

mais dois atendentes, que estavam

numa sala, fazendo não sei o quê.

Havia na fila, inclusive, pessoas cujo

atendimento deveria ser preferencial,

mas guichê para isso, nem pensar!

Observei, também ali, a submissão e

o conformismo das pessoas. O mesmo

acontece quando é servida uma

comida malfeita ou diferente da que

foi pedida. Cansei de ver pessoas aceitarem

e não devolverem. Ou pedirem

a conta e ficarem esperando até que

o garçom se disponha a trazê-la, porque

o lugar está cheio e o dono não

coloca uma estrutura física e humana

que comporte. Mas as pessoas se

submetem!

Incentiva-se o uso de transporte

coletivo, mas as frotas são insuficientes.

No fim de semana, então... A

Lei Seca, inclusive, também provoca

aumento na demanda de usuários

de transporte coletivo, sobretudo

porque usar táxi regularmente não

é acessível a grande parte da população.

Ademais, até os táxis, em

certas ocasiões, são escassos, como

nas festas de São João e Carnaval;

procura-se um táxi livre como agulha

no palheiro.

Belo Horizonte tem um sistema

que funciona muito bem, complementando

o serviço de ônibus. Há pontos

de táxi em alguns locais da cidade em

que o passageiro paga o valor da passagem

de ônibus e vai até um ponto

fixo de chegada, no centro. No percurso,

o táxi pega outros passageiros até

completar as vagas no carro. Lá também

todos os ônibus têm lixeira!

Fala-se da precariedade da limpeza

urbana, e aí defendo o Poder

Público, pois o que se vê são pessoas

jogando copos e garrafas descartáveis

na rua (para não dizer outras

coisas), pela janela do carro, nos parques.

Por outro lado, faltam lixeiras

nos espaços públicos, nas feiras e

mercados, nos eventos de rua, até

nos ônibus, para estimular as pessoas

a manter sua cidade limpa, como

sua casa.

Contraditoriamente, as pessoas

estão intolerantes, agressivas, revoltadas.

Externam sua insatisfação e

Alexandre Albuquerque

frustração no trânsito ou numa simples

discussão sobre futebol. Falta

cortesia, gentileza, solidariedade.

Digo sempre que se a energia que

é despendida por uma torcida num

estádio de futebol, ou pelos fãs num

grande show musical, fosse canalizada

com uma maior participação

e engajamento em movimentos

transformadores e construtivos, este

País estaria diferente. Nada contra o

futebol ou os bons shows, pelo contrário!

Mas, somos testemunhas de

momentos da nossa história em que

o povo resolveu ir às ruas contestar e

reivindicar, da diferença que fez e dos

resultados positivos conquistados.

Vemos nos noticiários, todos os

dias, manifestações de desrespeito

ao próximo e à própria vida. Por

motivo banal se mata alguém. É um

marido que não se conforma com a

separação; uma batida de trânsito...

E isso amedronta e nos faz recuar em

certas situações, por mais razão que

tenhamos. Pensamos: “vou calar porque

não sei qual será a reação do outro”.

Mas isso nada tem a ver com a

postura crítica e consciente que aqui

defendo, pois, neste caso, devemos

tratar nos locais e momentos oportunos,

não transformando a queixa em

bate-boca, insulto ou briga, nem em

desculpa para extravasarmos nossas

demandas emocionais reprimidas.

É preciso exercer a cidadania, e

Fala-se da

precariedade

da limpeza

urbana, e

aí defendo

o Poder

Público, pois

o que se vê

são pessoas

jogando

copos e

garrafas

descartáveis

na rua, pela

janela do

carro, nos

parques

isto acontece nas atitudes individuais

também. Não digo que tenhamos

que nos tornar, como diz minha mãe,

a palmatória do mundo, e tenho a

compreensão de que não é possível –

nem saudável – reclamar de tudo, a

todo tempo e de qualquer forma, sob

pena de nos tornarmos chatos, arrogantes

e companhias indesejáveis. A

forma e a oportunidade devem ser

consideradas, para não agredirmos e

destratarmos as pessoas. Mas é preciso

agir, registrar a discordância, exigir

a contrapartida do que pagamos,

inclusive – e principalmente – os altos

e inúmeros tributos.

Enquanto cliente, consumidor,

contribuinte, enfim, cidadã, que tenho

acesso à informação, à instrução

formal, que recebi formação ética e

moral e transmito aos meus, tenho

o dever de exercer a cidadania, e

uma das formas é não me submeter

ao que está errado, não me sujeitar

ao que não condiz com o bom atendimento,

ao fornecimento de um

produto diferente ou inferior ao que

paguei, a uma prestação de serviço

e um ambiente discrepante das propagandas

e dos valores cobrados.

Penso em tornar oficial este movimento,

quem sabe criando um blog,

usando sites de relacionamento, email...

Por ora, deixo o recado neste

espaço, esperando ter provocado, no

mínimo, o pensamento e a reflexão.

2010 outubro >

>

61


Recife

pode parar

CAOS | A frota de veículos da RMR passou de quase 204 mil

veículos em 1990 para 881 mil em 2010, mais de 50% só no Recife

Por Miguel R. Medeiros

Nas situações mais críticas do,

por vezes caótico, trânsito do

Recife, deve vir à mente de muita

gente um jingle institucional do início

dos anos 80 que se costumava

escutar: “Faça o trânsito andar não

deixe o Recife parar”.

A frota de veículos da RMR cresceu

três vezes e meia de 1990 para

2010, tendo hoje registrados mais de

881 mil veículos. Na cidade do Recife,

nesse período, a frota passou de quase

204 mil para mais de 502 mil veículos.

Nos primeiros cinco meses deste ano

a média mensal de novos veículos registrados

no Recife passou dos 3400,

ou seja, mais de 50% maior que média

de registros do ano passado, de pouco

mais de 2200 novos veículos. Não é

fácil saber quanto dessa frota, assim

como veículos de outros municípios

do Estado circulam por aqui a cada dia,

mas, os que diariamente necessitam

locomover-se nesta cidade sentem,

muito fortemente, os efeitos da quantidade

de veículos que abarrotam nossas

vias, tornando o cotidiano do recifense,

no mínimo, um purgatório.

A despeito dos investimentos

governamentais em obras viárias e

outras ações, para solucionar o problema,

acredita-se que há muito mais a

ser feito e com urgência, principalmente

no campo do ordenamento urbano

em geral e do trânsito, assim como na

disciplina e, sobretudo, na educação.

A passagem da administração

62 > > outubro 2010

Alexandre Albuquerque


do trânsito para a esfera municipal

carece ser avaliada. Além de insuficiente

em número, os agentes municipais

de trânsito têm, ao que parece,

como função primordial a aplicação

de multas. Chama a atenção em

certos cruzamentos de vias com a

Agamenon Magalhães os agentes

“escondidos” a aplicar multas em vez

de assumirem a administração do

trânsito evitando o fechamento de

cruzamentos. Os pontos críticos nesta

via e noutras mais, são por demais

conhecidos por todos os motoristas

e, com certeza, pela CTTU que dispõe

de câmeras instaladas em vários pontos

para monitoramento.

Para o observador atento, parece

claro que o volume de veículos hoje em

circulação no Recife associado a outros

fatores da dinâmica urbana apontam

para a necessidade de novas e/ou revisão

das medidas ou regulamentação

em vigor. O retorno em determinadas

vias de grande fluxo, a circulação de

veículos pesados ou de tração inadequada

em alguns horários e áreas da

Alexandre Albuquerque

cidade, assim como estacionamento

e mesmo execução e/ou prestação de

serviços, etc. são elementos a serem

considerados. Como admitir-se, por

exemplo, que em horário de tráfego

intenso a Av. Domingos Ferreira seja

parcialmente interditada para poda de

árvores, não emergencial, capinação,

pintura de meio fio, carrego e descarrego

colocação ou retirada de “container”

de metralha, etc. E o que dizer

do estacionamento de veículos, em

ambos os lados, em vias como a Dr.

José Maria de trafego em mão dupla,

inclusive de ônibus?

Falta espaço para enumerar muitos

outros fatores que cada recifense

constata no dia a dia e que contribuem

para seu stress no trânsito. Alguns são

de caráter social e têm como agravante

constituírem risco para a vida de

todos. Pedintes de todas as idades,

vendedores, catadores, e ciclistas que

não contam com via apropriada, limpadores

de para-brisas etc. Outros dizem

respeito à educação, como o uso

do “pisca-alerta” para estacionamento

em locais proibidos ou em fila dupla e

por vezes tripla; o desrespeito ao uso

da faixa para ultrapassagem, impondo

lentidão desgastante ao trânsito etc.

A intensificação da parceria entre

as administrações municipal e estadual,

em diversas ações, para melhorar a

mobilidade no Recife é fundamental.

Uma dessas ações, os palhacinhos (arte-educadores)

do Detran, seria bem

mais profícua se menos engraçados e

mais orientadores e educadores. Além

disso, a sociedade organizada, empresas

do setor, escolas, seguradoras etc.

podem ser mobilizadas.

Enfim, há muito a ser feito. Possivelmente

boa parte requeira mais

vontade e decisão política além de

capacidade de mobilização, que dinheiro.

Os estacionamentos periféricos

dos anos 80 e, mais recentemente,

o disciplinamento do transporte

alternativo e a inversão da Domingos

Ferreira são exemplos a serem lembrados.

Acima de tudo há que agir urgentemente,

pois o Recife, qualquer

dia, pode parar.

2010 outubro >

>

63


Palavra

do

ibef-pe

Informação: o segredo da boa gestão

Quando uma empresa decide por

implantar um sistema integrado de

gestão empresarial, normalmente ela se

depara com os mais diversos tipos de problemas,

dentre eles, um dos mais difíceis

de solucionar: as resistências provocadas

pelos próprios funcionários, incluindo-se

neste rol os gestores e executivos. Essas

resistências muitas vezes culminam em

reclamações, insatisfações e discussões,

que podem comprometer seriamente o

projeto de implantação.

Essas resistências, embora consideradas

normais por alguns especialistas no

assunto, pois o ser humano por natureza

é resistente às mudanças, nos leva a fazer

algumas reflexões: O que será que está

acontecendo? Por que será que este tipo

de decisão gera tanto desconforto numa

empresa?

Empresas, acentuadamente as que

têm administração de cunho familiar,

sempre tiveram por hábito, ter células,

departamentos, gestões e informações

isoladas. Cada departamento gera e controla

suas informações, de forma que estas

se concentram nas mãos de algumas

pessoas.

Observamos pessoas trabalhando

numa mesma empresa e que pouco ou

quase nunca se comunicam. O interessante

é que são departamentos interdependentes,

mas que não se conhecem

um ao outro, não sabem exatamente

quais são as atividades executadas por

cada um. Este tipo de comportamento,

muitas vezes, traz como conseqüências

diversos tipos problemas que, em sua

maioria, poderiam ser resolvidos apenas

com uma conversa.

Quem perde com tudo isto? TODOS!

A implantação de um sistema integrado

de informações gerenciais requer

algumas mudanças de procedimentos,

algumas mudanças de postura, de comportamento

e de atitude. Ao decidir implantar

um sistema integrado, deve–se

64 > > outubro 2010

ter a consciência que as informações

passarão a ser COMPARTILHADAS e em

tempo real.

Ou seja, o objetivo de uma mudança

como esta é ter informações confiáveis

com o mínimo de movimentação de documentos

entre os departamentos, evitando

assim o retrabalho, comumente

denominados digitações e planilhamentos.

A regra é simples: o primeiro departamento

que utilizar um determinado

documento é que irá inserir todas as informações

necessárias no sistema. Logo,

este processo terá que ser feito de forma

correta, precisa e responsável, pois a partir

deste momento a informação segue

seu caminho, sendo utilizada e/ou adaptada

por outros departamentos. De forma

que, se identificada uma informação

errada, o seu processo de regularização

torna-se complexo, pois todas as informações

poderão ter que ser desfeitas,

retroagindo etapa por etapa.....

Inserir uma informação no sistema é

mais do que cumprir uma atividade burocrática,

é alimentar toda uma cadeia de

informações e, neste contexto, é importante

que se passe a criar, adotar e cobrar

rotinas de procedimentos, isto fará reduzir

sensivelmente a ocorrência de erros,

quando da inserção de alguma informação.

Definir a regra “antes do jogo” reduz

a margem de dúvidas, ou seja, ao fazer

uma operação já terá que ter consciência

do seu começo, meio e fim, independente

de quem a execute.

Tenho visto algumas vezes pessoas

irritadas com o sistema, pois “ele não é

flexível”. Até já ouvi comentários de que

o sistema é “burro”, não aceita mudanças

nas regras. Ora, pasmem, estas regras de

que falam, são as regras que foram previamente

definidas.....

Vejam, seria um sistema confiável, se

fosse possível mudar as regras no meio da

execução de uma operação? Se as regras

já foram previamente definidas, qual o

Otávio Duarte*

E-mail: duarte@grupojb.com.br

objetivo em mudá-las? Foram mal feitas?

Mal avaliadas?

A decisão de implantar um sistema

de gestão precisa, sim, que os profissionais

da empresa deixem de lado as informalidades,

os vícios na forma de trabalhar

com a informação “informal”, sob o

argumento de que o trabalho anda mais

rápido. A preocupação deve passar a ser

outra: “municiar” o sistema com informações

precisas, que permitam melhor

conhecer o desempenho da empresa,

quer seja na área comercial, industrial

ou administrativa. Conhecer é o primeiro

passo para controlar, e este é um dos, se

não o maior, benefícios quando nos referimos

a custos e despesas. Somente com

o correto conhecimento é que se torna

possível a elaboração de um planejamento

e/ou orçamento confiável. Conhecer

as tendências de resultado, com antecedência,

permitirá adoção de medidas

mais eficazes.

Chegamos a conclusão, então, que

na maioria das vezes, o problema não

está no sistema e sim em quem alimentou

a informação. E é este o segredo do

sucesso da implantação: treinamentos

contínuos e profissionais comprometidos

com a qualidade e com os resultados.

A implantação de um sistema integrado

de gestão visa aproximar os profissionais

que trabalham na organização,

visa o compartilhamento da informação,

a discussão técnica e respeitosa, a preocupação

com a etapa seguinte. Neste

contexto devemos abolir o “eu fiz a minha

parte”, ou “o problema não é meu”.

Uma Empresa é feita por profissionais e

pelas informações que eles geram e/ou

administram. Gerenciar sem informações

confiáveis é como andar em uma

cidade desconhecida e sem sinalizações,

ou usamos nosso instinto ou confiamos

nas orientações de outras pessoas. Agora

imaginem gerenciar uma empresa utilizando

o instinto....

Otavio Duarte é Controller do Grupo JB e vice-presidente para relacionamentos com entidades privadas do IBEF-PE.


2010 outubro >

>

65


40 anos

do Grupo Nordeste

FÉ NO FUTURO | Uma das maiores empresas

pernambucanas nasceu em 1970 quando a ideia

de segurança privada ainda era pouco acreditada

Por Cecília Freitas*

Quarenta anos de historia, de empreendedorismo,

de inovação

tecnológica e de responsabilidade social.

Os conceitos se confundem com

a trajetória do Grupo Nordeste, que

nasceu do idealismo de seu fundador,

o major Hilson Macedo, ganhou

força com sua visão empresarial, e

hoje é uma das maiores empresas

de segurança privada do Brasil. É um

orgulho para nós pernambucanos e,

sobretudo para nós do Gruponove

que acompanhamos de perto boa

parte dessa trajetória.

Lembro que na década de 70,

quando o major Hilson Macêdo decidiu

abrir a empresa, a ideia era pouco

acreditada, inclusive por seus sócios,

que pouco a pouco foram saindo da

empreitada. A dúvida era: Para que

proteger algo que dificilmente seria

roubado? A realidade daquele tempo

era diferente da que vivemos agora.

Esse segmento não existia porque

os bancos não tinham segurança

armada até o ano de 70, quando a

Polícia Militar passou a fazer a proteção

das agências. Foi de olho nesse

mercado que o major assumiu seu

lado empreendedor e investiu em

segurança patrimonial e transporte

de valores. Após quatro décadas da

primeira empresa, o Grupo Nordeste

composto ainda pelas empresas

Transbank, que atua no mesmo segmento

de segurança no Sul e Sudeste,

e a Soservi, comandada por Dona

66 > > outubro 2010

Zélia Macêdo e responsável por serviços

de limpeza e conservação. Ao

todo são 15 estados brasileiros que

contam com a atuação desse grande

Grupo.

O ano era 1982. A Copa do Mundo

tinha sido na Espanha e a seleção

de Telê Santana decepcionou os brasileiros

ainda nas quartas de final. Nas

telas dos grandes cinemas eram projetadas

as cenas do novo filme de Steven

Spielberg, E.T.- O Extraterrestre.

As eleições para governadores de

Estado seriam diretas pela primeira

vez depois do golpe militar.

Em Pernambuco, Roberto Magalhães

assumiria o cargo, en-

quanto eu encontraria pela primeira

vez o major Hilson Macêdo, fundador

da Pernambuco Segurança de

Valores, hoje Nordeste Segurança

de Valores, empresa que deu origem

ao Grupo Nordeste. Passaram-se 28

anos desse encontro e desde então o

Gruponove atende as questões de

marketing e publicidade de todo

o grupo.

É um orgulho poder ter

assistido esse crescimento

de perto. Quando o Gruponove

conquistou a conta da

Nordeste nossa principal

preocupação era em como

trabalhar um tema aparentemente

duro, como

Hilson Macedo, o fundador: empreededorismo num setor que no ano 70 ainda engatinhava


Parte da frota da Nordeste: expandindo-se pelo país

segurança, de maneira leve, transmitindo

os valores da empresa. Por sorte

sempre contamos com a ajuda do

major Hilson – o comandante - e posteriormente

de seu filho, Paulo Sérgio

Macêdo. Envolvidos em todos os

projetos e propostas de campanhas,

pai e filho sempre fizeram questão

de contribuir com nosso trabalho e

tratar a publicidade como ferramenta

de gestão e não só como propaganda.

Passamos por duas gerações

de atendimento. Inicialmente feito

por mim e há 14 anos comandado

por Giovanni Di Carlli, primeiro com

Paulo Dalla Nora Macedo e hoje com

Cecília Macedo, sempre seguindo a

mesma premissa: o respeito mútuo.

Por isso que contamos também com

a confiança da família, que encarregou

o Gruponove de cuidar da Nordeste

em sua expansão para o Norte.

Criar a campanha de 40 anos

de uma das maiores empresas pernambucanas

não foi fácil. Queríamos

reforçar não a marca, mas o compromisso

social do Grupo Nordeste, que

sempre apoiou projetos culturais,

como o Arte em Toda Parte e o Atitude

Cidadã, fundou o Instituto Arte

e Vida com a preocupação de formar

caráter e personalidade do cidadão

através da arte, e atende mais de 100

crianças e adolescentes entre sete e

17 anos das comunidades do Coque,

Pilar e Santo Amaro.

Esse cuidado com o cidadão foi

às ruas e foi demonstrado através

da adoção de praças no Recife e

outras capitais do Nordeste e, este

ano, mais fortemente pela campanha

O Bem faz bem, idealizada

por nossa equipe, imediatamente

apropriada por eles e que veio justamente

para trazer os valores do

grupo como um todo, onde com

um pequeno gesto você pode fazer

uma boa ação, ajudando o outro.

Além da divulgação na grande mídia,

investimos nas redes sociais,

como site da empresa e twitter,

porque assim as pessoas não precisariam

nem sair de casa para participar.

Instalamos também um painel

com contador de boas ações na

AV. Agamenon Magalhães e, mais

recentemente, um totem no Shopping

Recife, que também aceita

as “doações” de boas ações. Além

do prazer de criar essa campanha,

hoje o Gruponove comemora várias

deferências à mesma por parte

da sociedade, além de peças

agraciadas com prêmios relevantes

de publicidade. Estamos agora às

vésperas de assistir e participar do

lançamento do registro que ficará

para o amanhã, o livro dos 40 anos

do Grupo e fazer parte dessa bela

história nos enche de orgulho.

* Ditetora do Gruponove

DEPOIMENTOS

Sérgio Kano (Tecon Suape)

“A Nordeste é

sinônimo de segurança,

não

sendo apenas um

fornecedor, mas

um parceiro na

nossa operação. Dentro da empresa

é responsável pelo alto padrão

de qualidade da nossa Central de

Segurança”.

Paulo Pugliesi

(Folha de Pernambuco)

“A Nordeste representa

tudo o

que pode ser falado

sobre seriedade

na prestação

de serviços, se

destacando pela

qualidade em todos os segmentos

em que atua. Tudo isso passa pela

competência comprovada de seus

administradores”.

Luís Lacombe

(Shopping Recife)

“A Nordeste e o

Shopping Recife

desenvolvem essa

parceria desde o

início primando,

ao longo de todos

esses anos, pela

qualidade. Ambos trilham o mesmo

caminho em busca da excelência”.

Samuel Pimentel

(Aplick Seguros)

“A Nordeste é uma

empresa referência

na prestação de serviços.

O seu modelo

de investimentos,

principalmente na

área de tecnologia,

indo até buscar novidades lá fora, deveria

ser copiado por outras empresas.

Foi uma marca que ousou inovar

na prestação de serviços e atingiu um

alto padrão de qualidade”.

2010 outubro >

>

67


Economia

68 > > outubro 2010

Jorge Jatobá

jorgejatoba@revistaalgomais.com.br

Novo Governo, velhos desafios

Quando os candidatos saírem dos

palanques e assumirem suas cadeiras

como governantes, os espera

uma realidade muito mais desafiadora

do que aquela desenhada nas promessas

eleitorais. A primeira dureza

é que os recursos são escassos e as

necessidades abundantes. Portanto,

escolhas vão ter que ser feitas. Governos

fazem escolhas e, como na

vida, vão ter que arcar com as consequências

de suas opções e de suas

omissões. No caso de Pernambuco há

uma nova realidade econômica que

precisa ser consolidada e uma dura

e antiga realidade social e educacional

que precisa ser enfrentada. Neste

espaço destaco quatro desafios, três

antigos e um mais recente.

O primeiro é educação. A educação

é vitima da falta de engenhosidade,

coragem e determinação de várias

gerações de governantes em todos

os níveis. O IBGE (2009) revela para

Pernambuco a grandeza de nossa

ignorância com taxas de analfabetismo,

estrito e funcional, da ordem de

50% para a população jovem e adulta

(15 anos ou mais). Todo governante

afirma solenemente que a educação

é prioritária, mas termina sendo refém

de corporativismos, sindicatos

conservadores, falsos dilemas ideológicos,

e vítima de velhos modelos organizacionais

e gerenciais. Os novos

governantes precisam descobrir que

as nossas carências educacionais não

derivam apenas da falta de recursos

financeiros. Essa nem sequer se constitui

na maior dificuldade.

A despeito do avanço recente na

política de segurança, reconhecido

pelos pernambucanos, a violência

ainda se constitui em enorme desafio.

As estatísticas melhoraram,

mas os números de crimes letais e

intencionais ainda são chocantes por

quaisquer parâmetros, nacionais ou

internacionais. Não dá para se sentir

nem seguro nem confortável, muito

menos acomodado. Houve progresso

na abordagem do problema e inovouse

na compreensão multifacetada de

suas causas, na captura e no uso das

informações, na aplicação de ações

de inteligência, enfim no desenho

da política de segurança, sobremodo

porque não se isolou esta da política

social. Mas é preciso continuar e

aprofundar esse trabalho.

Turismo é outro grande desafio,

constituindo-se em uma das vitimas

econômicas da violência. Recife e

Olinda têm história, arquitetura, cultura,

e patrimônio artístico, religioso

e natural. Por que essas cidades não

atraem tantos turistas, nacionais e

internacionais, quanto Fortaleza,

por exemplo? Mas como os outros

desafios, o da indústria do turismo

também é multifacetado exigindo

profissionalização da gerência do

aparelho estatal, eliminação de restrições

à entrada de novos empre-

endedores no mercado local, melhor

logística dos transportes e da rede de

hotelaria, mão de obra qualificada e

um agressivo marketing no contexto

do trade turístico global. Não vale colocar

a culpa pelo fracasso do turismo

local nos tubarões.

Finalmente, mas sem colocá-la

por último em ordem de importância,

ressalto a necessidade de consolidar

a nova industrialização de Pernambuco

que encontra em Suape seu

polo estratégico. Está surgindo uma

indústria com uma nova estrutura,

tecnologia e formas de gestão, projetando

um cenário próspero para a

economia pernambucana. O desafio

consiste em transformar progresso

econômico em progresso social. Para

isso é preciso internalizar os efeitos da

presença dessa indústria emergente,

consolidando as cadeias produtivas

que possam criar mais empregos e

fornecedores locais.

O Complexo Industrial-Portuário

de Suape- emblemático dessa nova

economia- é um dos poucos e bem

sucedidos projetos de desenvolvimento

onde se reconhece o trabalho

cumulativo e dedicação sucessiva

dos governantes do Estado, desde

Eraldo Gueiros. Como tal deve se

tornar também em um ícone que

compromisse os novos e futuros

governantes com o progresso econômico

e social de todos os pernambucanos.


Davi Fernandes/RJ

Sílvio Leimig (D), diretor do Projeto Suape Global, explica aos visitantes as potencialidades do complexo

Pernambuco

no Rio Oil and Gas

FEIRA | Estado participou com destaque do principal evento de

petróleo e gás do mundo, que atraiu representantes de 23 países

Por José Neves Cabral

Do Rio de Janeiro

here is Suape?” Um ca-

“Wpacete amarelo exibia

num dos lados a pergunta. No outro

lado, a resposta: Pernambuco.

Executivos, empresários e estudantes

de outros estados e países,

que passavam em frente ao estande

Pavilhão Pernambuco, paravam,

comentavam e entravam

para ouvir palestras e conhecer as

potencialidades do Estado. Saíam Eduardo Campos (C) visitou o estande pernambucano

Davi Fernandes/RJ

2010 outubro >

>

69


Davi Fernandes/RJ

com os capacetes, despertavam

a curiosidade de mais visitantes,

que se interessavam em ir até os

estandes pernambucanos. Aproximadamente

50 mil pessoas visitaram

o Riocentro durante a feira.

Foi assim nos quatro dias de

exposição dos pernambucanos no

Rio Oil And Gas, evento realizado

entre os dias 13 e 16 de setembro

e que reuniu os protagonistas da

indústria de óleo e gás do mundo,

onde cada um apresentou

suas potencialidades para atrair

parceiros e novos negócios. E

Pernambuco apareceu com destaque.

Montou o estande Suape

Global na entrada do Riocentro,

no Pavilhão 1, mostrando os

atrativos do Complexo Portuário

e Industrial. A maquete do complexo

localizada na entrada do

estande chamou a atenção, pois

era grande o número de pessoas

que paravam para observar o

trabalho. Acima da maquete, um

vídeo com informações sobre a

infraestrutura que Suape oferece

para os empreendedores explicava

detalhes do projeto.

Já no Pavilhão 3, que teve

como responsável o coordenador

estadual do Prominp (Programa de

Mobilização da Indústria Nacional

de Petróleo e Gás Natural), Antonio

Sotero, Pernambuco apresen-

70 > > outubro 2010

Davi Fernandes/RJ

Durante visita, Eduardo Campos anunciou

novo empreendimento em Suape

tou-se com as empresas parceiras

do projeto, um total de 25. Um

de seus vizinhos ilustres nesse

pavilhão era a Shell, cujo estande

exibia um exemplar da Ferrari,

utilizado nas provas de Fórmula-1.

“Viemos para marcar presença,

Nilo Simões representou o Sebrae-PE e elogiou iniciativa do Estado

mostrar as nossas potencialidades.

Planejamos para ter os dois

estandes em locais estratégicos,

um na entrada principal e outro

no Pavilhão 3, que é o centro da

feira, próximo à multinacionais

de petróleo e gás”, explicou Sílvio

Leimig, diretor do projeto Suape

Global e responsável pelo estande

de Suape.

O secretário de Desenvolvimento

Econômico, Fernando Bezerra

Coelho, esteve presente na

feira, e mostrou-se muito otimista

com os resultados que Pernambuco

poderá obter a partir de uma

participação destacada no evento.

“Não só a presença de Pernambuco,

mas das empresas pernambucanas

no evento mostra

nosso otimismo e nossa confiança

em inserir o estado no mercado

de petróleo e gás. Pernambuco se

consolida como o novo endereço

desse segmento.”

Bezerra Coelho disse ainda

que a feira foi uma grande oportunidade

para estabelecer contatos

e fazer negócios com fornecedores

da indústria naval mundial,

pois o estado tem o melhor porto

público do país e tem como meta

transformar-se num polo provedor

de bens e serviços da indústria

de petróleo, gás, offshore e

naval.

No estande Suape Global,

uma equipe de técnicos e diretores

sob o comando de Bezerra

Coelho recebia empresários e visitantes

interessados em conhecer

ou investir em Pernambuco. No

Pavilhão 3, Sílvio Leimig fez várias

palestras na sala de convenções

montada dentro do estande –

para empresários da Dinamarca,

Inglaterra, Canadá, Estados Unidos,

Alemanha e China.

“A presença de Suape na feira

reforça a vocação que Pernambuco

tem para se tornar um hub

port do Brasil. Suape é uma dádiva

divina”, avaliou o diretor da

área de óleo e gás da Camargo

Corrêa e membro do conselho de

administração do Estaleiro Atlân-


tico Sul, Carlos Reynaldo Camerato,

lembrando a excelência da posição

geográfica de Pernambuco,

que está localizado no centro da

Região Nordeste, transformando

Suape em um centro internacional

concentrador e distribuidor de

cargas.

Durante o evento, Bezerra

Coelho conversou sobre insumos

e equipamentos de soldas com a

Bohler Welding, com a holandesa

MokveldValves, de produção de

válvulas; com a Tyco, um dos mais

importantes players da indústria

petrolífera, detentora de produtos

de automação e controles

eletro-eletrônicos; Liebher Brasil,

Alstom Grid e Clariant.A delegação

pernambucana também assistiu

palestras nos estandes da Dinamarca,

China, Canadá, França,

Inglaterra e Noruega.

Na visita que fez a Rio Oil and

Gas, na quarta-feira, 15, o governador

de Pernambuco, Eduardo

Campos, anunciou, ao lado de Fer-

Representantes

de

Pernambuco

fizeram

várias

palestras

para

empresários

e executivos

de outros

países

durante

evento

Davi Fernandes/RJ

Hubert, da Copergás: “ótima

oportunidade”

nando Bezerra Coelho, mais um

empreendimento para a ser instalado

em Suape: a Meermagen

– especializada em exportações

e importações ligadas aos segmentos

de Óleo e Gás, Offshore,

Químico, Naval e Papel e Celulose.

A empresa vai gerar entre 100

e 150 empregos diretos e deverá

dar prioridade à formação de mão

de obra especializada no Estado.

O investimento inicial é estimado

em R$ 10 milhões.

GARRA

Apesar de a Refinaria Abreu e Lima

ainda não estar pronta, a empresa

marcou presença no Pavilhão 3

com o gerente de relações institucionais

Marco Petkovic. Engenheiro

naval pela Politécnica-SP,

mestre em Engenharia Oceânica

e advogado, com experiência

de mais de 30 anos na área, ele

também fez palestras para os visitantes

falando do potencial de

crescimento do complexo de Suape

e das condições favoráveis em

termos de localização e infraestrutura

para os interessados em

montar empresas em Pernambuco.

No final, elogiou o desempenho

da delegação pernambucana.

“Todos vieram com muita garra.

É muito gratificante estar aqui fazendo

este trabalho. Estou muito

2010 outubro >

>

71


impressionado com a capacidade

de aprender e de trabalho dos

pernambucanos.”

QUEIROZ GALVÃO

Além dos dois estandes organizados

pelo governo do Estado, Pernambuco

também marcou presença

no Rio Oil and Gas com a Queiroz

Galvão. Sócia da Camargo Corrêa e

A presença de dois estandes

de Pernambuco na Rio Oil and Gas

foi destacada por todos os executivos

e empresários ouvidos pela

Algomais. O presidente do Estaleiro

Atlântico Sul, Angelo Bellelis,

destacou que o evento é o mais

importante do mundo em relação

à cadeia de petróleo e gás. “Os dois

estandes são uma demonstração

clara da força de Pernambuco para

se inserir neste mercado”, comentou.

Para Otávio Carvalho, presidente

da Rede Petro em Pernambuco,

cada vez mais as empresas vêm se

agregando, criando um sentimento

de cooperativismo. “Com essa mudança

de pensamento, estão preparadas

para se inserir neste novo

mercado. Todo mundo está de olho

em Pernambuco. Estamos promovendo

reuniões com empresas da

Holanda e do Canadá interessadas

em parcerias e representações. “O

mercado está aberto para aqueles

que chegarem com qualificação”,

comentou.

Josias Souza, diretor administrativo

e financeiro da Rede Petro,

mostrou-se impressionado com a

curiosidade em torno de Suape.

“De empresários a estudantes

que passam pelo estande, todos

querem saber de Suape. Estamos

explodindo em todos os segmentos.”

Pela Copergás, o diretor técnico,

Jaílson Galvão, elogiou a

delegação de Pernambuco que,

segundo ele, foi bastante representativa.

Para Hubert Hirschle,

72 > > outubro 2010

da Sansung no projeto do Estaleiro

Atlântico Sul, a empresa articulouse

para mostrar suas novas potencialidades

no segmento de óleo e

gás com a QGOG em um estande

no Pavilhão 3, a cerca de 50 metros

do Pavilhão Pernambuco.

Para o diretor de Contratos

da Construtora, Bergson Cajueiro,

levando-se em conta os vultosos

O estande Suape Global localizado na entrada

da Pavilhão 1 do Riocentro

investimentos do Brasil nos segmentos

de óleo e gás, o panorama

não poderia ser melhor. Para

ele, as maiores oportunidades de

crescimento do setor estão na

modernização e construção de

novas refinarias, de plataformas,

assim como na construção de

redes de transporte e armazenamento.

Presença de Pernambuco é elogiada

Davi Fernandes/RJ

coordenador de novos negócios da

empresa, a feira foi uma oportunidade

para todos enxergarem potenciais

clientes. “É importante as

empresas de Pernambuco estarem

presentes”, comentou, lembrando

que o ambiente de negócios no Estado

tende a crescer bastante com

a implantação da Refinaria Abreu

e Lima. “Atualmente, fornecemos

1,5 milhão de metros cúbicos de

gás em Pernambuco. Só a refinaria,

quando entrar em funcionamento,

vai consumir 2,5 milhões de metros

cúbicos”.

Luiz Alberto Bardal, presidente

do Consórcio Ipojuca, ressaltou

que a presença na Rio Oil and Gás

é uma oportunidade ímpar e Pernambuco

virou um polo de desenvolvimento,

por isso tinha de se

apresentar com destaque, como

o fez.

O prefeito de Rio Formoso,

Hely Farias, destacou a importância

das empresas de Pernambuco

se apresentarem unidas. “A

“Estandes

são uma

demonstração

da

força de

Pernambuco

para

se inserir

neste mercado”.

De

Angelo

Bellelis,

presidente

do EAS

participação de Pernambuco está

sendo muito boa. E nós, de Rio

Formoso, já conseguimos inserir

o município no território estratégico

de Suape, pois pretendemos

tornar a cidade um polo do eletroeletrônico.

Para isso, reservamos

uma área de 100 hectares para

empresas interessadas em se instalar

no município.”

Havia representantes de todos

os segmentos econômicos. Manoel

Amorim, diretor executivo

da Facilit, empresa ligada ao Polo

Digital, disse que a ideia é fazer a

empresa se aproximar dos novos

empreendimentos para se inserir

no contexto, buscando inovações

para o setor.

O diretor superintendente do

SEBRAE-PE, Nilo Simões, lembrou

que Pernambuco vem vivendo um

momento de crescimento extraordinário

e que o papel da instituição

que representa é fazer com que os

micro e pequenos empresários se

aproximem das grandes empresas.

“Em primeiro lugar, o evento tem

um objetivo muito claro para o SE-

BRAE, que é trazer essas empresas

para que conheçam esse mercado

do petróleo e gás, fazer com que

percam a timidez.

Simões destacou a importância

da participação de Pernambuco

no Rio Oil and Gas e a competência

como se apresentou. “Estamos

mostrando ao mundo o que está

acontecendo lá com muita qualidade,

e isso com certeza vai contribuir

para que o ambiente de crescimento

seja estimulado.”


Davi Fernandes/RJ

Davi Fernandes/RJ

Angelo Bellelis (E) com Antônio Sotero (C), do Prominp

Evento também atraiu

estudantes da UFPE

Se os empresários pernambucanos

investem no crescimento do

Complexo Portuário e Industrial

de Suape como um novo polo do

mercado de gás e petróleo, o meio

acadêmico também acompanha,

vislumbrando a demanda por em-

Professores e

alunos da UFPE

marcaram

presença no

evento. A

professora

Celmy

Barbosa (C):

“Pernambuco

se apresentou

muito bem”

pregos. A professora da Universidade

Federal de Pernambuco Celmy

Barbosa, coordenadora do Programa

de Recursos Humanos na Área

de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis

da Agência Nacional de

Petróleo, organizou um grupo de

estudantes da instituição para visitar

o evento.

Entre alunos dos cursos de Química,

Engenharia Química e Química

Industrial, em nível de graduação,

mestrado e doutorado, o grupo

contava com 28 componentes. Para

ela, o evento foi uma grande oportunidade

para o estado mostrar suas

potencialidades ao mundo. “E Pernambuco

se apresentou maravilhosamente

bem, pois está despertando

para este segmento. O cenário

nos dá condições de enxergar boas

oportunidades no futuro e a meninada

está empolgada”, declarou.

Além de executivos e empresários,

o Rio Oil and Gas, em parceria

com o Programa Descobrindo Profissionais

do Futuro, também recebeu

1.750 estudantes universitários de

20 instituições de ensino. Eles participaram

da programação especial

com palestras e mesas-redondas. O

programa é desenvolvido pelo IBP

(Instituto Brasileiro de Petróleo).

2010 outubro >

>

73


Gestão

Mais

Muitos gestores têm se queixado

da dificuldade em

manter profissionais estratégicos

nas empresas. O aumento da

concorrência, resultado natural

do bom momento econômico

pelo qual passa Pernambuco, vem

agravando um problema comum:

a alta rotatividade. Mal chega à

empresa, após um processo seletivo,

o profissional é atraído por

uma proposta “mais promissora”

e não hesita em trocar de emprego,

deixando, muitas vezes, a antiga

empresa na mão.

Para compreender esse fenômeno,

ajuda voltar ao tema da

última edição da coluna Gestão

Mais — a Geração Y. Ao contrário

das gerações anteriores, que

encaravam o emprego como algo

permanente, às vezes “para a

toda vida”, os jovens profissionais

de hoje vêem sua carreira de forma

bastante diferente. Nascida na

era do tempo real e da tecnologia,

a Geração Y quer tudo “aqui” e

“agora”. Não aprendeu a adiar o

desejo, nem a valorizar a construção

da carreira no longo prazo. Ao

pensar no seu projeto profissional,

a agilidade se transforma em

pressa e o tempo “ótimo” passa a

ser o mais rápido possível.

O profissional da Geração Y

chega à empresa com uma expectativa

alta —crescer profissio-

74 > > outubro 2010

De galho em galho

“É importante que o jovem saiba

que algumas de suas melhores

escolhas são decorrentes da

experiência. Isto só se alcança

com paciência, pois experiência

não pode ser acelerada, precisa

ser vivida para ser conquistada.”

Sidnei Oliveira, autor do livro

“Geração Y – O nascimento de

uma nova versão de líderes”.

nalmente, se possível em pouco

tempo. Um dos fatores que mais

o inquieta é não ter visibilidade

de como esse crescimento poderá

ocorrer. Daí um sentimento muito

comum: “Já estou há seis meses

nessa empresa, não tenho mais

nada a aprender, nem para onde

crescer”. E lá vai ele mais uma vez,

pulando de galho em galho, em

busca de novas oportunidades no

mercado.

O primeiro passo para o gestor

enfrentar o problema da alta rotatividade

é deixar claro para o profissional

o caminho que ele tem a

percorrer, para onde e em quanto

tempo pode crescer na empresa.

É importante estabelecer um diálogo

franco e transparente, para

nivelar a expectativa do profissional

com o que a organização pode

e tem a oferecer.

Embora ainda não seja uma

prática muito consolidada nas

empresas, o diálogo é um princípio

básico para que o gestor

possa saber o que pensa e deseja

sua equipe e, dentro do possível,

adotar medidas para estimular a

satisfação e o comprometimento.

Sem esquecer a importância

de outras ferramentas de gestão

de pessoas, capazes de tornar a

empresa um local atrativo para

os profissionais, independente de

sua geração.


Alexandre Albuquerque

Padaria ou delicatessen: computadores, frios e bebidas fazem o cenário moderno

Cadê o português

da padaria?

PÃO | As padarias com o simpático português no balcão mudaram.

Hoje as delicatessens tomaram o espaço, guiadas por administradores

Hum... Aquele cheirinho permanente

de café com leite, o

francês quentinho saindo na hora e

sugerindo um generoso pedaço de

queijo bem derretido no interior do

pãozinho. E o sotaque português por

trás do balcão? A caneta atrás da orelha

e a caderneta sempre em mãos

para fazer as contas. É, encontrar os

clássicos estabelecimentos comandados,

primeiramente, pelos joaquins

e manueis está cada vez mais difícil.

Observem, mas já não temos a padaria

de antigamente. Elas viraram

delicatessens elegantes e bastante

convenientes.

Nas antigas padarias o cliente

chegava apenas na hora em que o

pão estava saindo, conduzido pelo

insistente cheiro de salgadinhos,

sonhos, bolinhos na bacia nas vitrines

- provocando aquele desejo que

remetia à infância-, e o queijo e presunto

sempre fatiados à vista do fre-

guês. Já nas delicatessens: pão preto,

frios, queijos e um tinto português.

Sem falar da grande diversidade das

especiarias e importados. Os administradores

comandam a produção

de brioches, croissants, e misturas

nobres de farinha e água.

Com a abertura da economia a

partir do final dos anos 80, o brasileiro

passou a ter acesso aos produtos

importados e de qualidade. Com o

bloco econômico do Mercosul, che-

2010 outubro >

>

75


Alexandre Albuquerque

garam ao país os melhores queijos

importados e vinhos. A maior igualdade

da moeda fez com que houvesse

um desenvolvimento. As pessoas

passaram a viajar mais e conhecer

outras culturas, o que resultou na

melhor identificação dos sabores,

aprendendo a degustar e a buscar

por artigos elaborados.

Os proprietários das padarias

perceberam que apenas o pão francês

e o litro de leite do dia a dia não

trariam mais tantos resultados. Foi

quando o setor começou a alterar

sua gama de produtos, ampliando o

negócio. O simpático português, que

apenas vendia seu pãozinho, precisou

se adaptar. Uma mudança geral,

que mexeu tanto na forma de administrar,

como de colocar a mão na

massa. Para atingir o objetivo: novos

equipamentos, novos fornecedores,

busca por cursos de especialização

na área de panificação e mudança da

gestão do seu negócio.

Essa sofisticação pode ser notada

na Deluca Delicatessen, na Zona

Norte do Recife. Com um curto tempo

de inserção no mercado (inaugurada

em junho deste ano), a padaria

já tem uma clientela pra lá de fiel.

O atrativo? Uma carta de vinhos diversificada

e preços variados: de R$

15,90 a R$ 116,90. Além das massas,

queijos nobres, e as especiarias, entre

elas geleias importadas, produtos

diet e azeites. O cliente também encontra

da cerveja nacional à alemã,

do chocolate trivial ao suíço. Tem opções

para todos os gostos e bolsos.

Para o proprietário da Deluca,

76 > > outubro 2010

Os donos

das padarias

perceberam

que apenas

o pão

francês e

o litro de

leite do

dia a dia

não mais

trariam

tantos

resultados

Sortimento de dar água na boca: bons resultados

em mercado concorrido

Marcelo Silva, com o novo conceito

de padaria quem sai ganhando é o

cliente. “Se falta algum produto na

geladeira, ele não precisa se deslocar

ao supermercado porque vai encontrar

na padaria”, explica. Além disso,

as delicatessens tornaram-se pontos

de encontro para conversas entre

pessoas de todas as idades, das crianças

aos idosos. “Um ambiente social,

onde as pessoas se juntam para falar

sobre diversos assuntos, tomar um

café e conhecer os novos produtos”,

diz Marcelo.

A verdade é que as pessoas estão

sempre em busca de um diferencial.

“Quando criamos produtos refinados

eles são bem mais aceitos, porque

são de ótima qualidade, e é por

isso que os clientes estão em busca”,

diz. A Deluca tem 200 produtos de

fabricação própria, tanto na padaria

quanto na confeitaria e estão entre

eles: pães, torradas, tortas e doces.

Os 30 funcionários da delicatessen

garantem o sucesso através de um

atendimento exclusivo. Motivo para

atrair e reforçar os laços com os clientes.

Antigamente, as tortas das padarias

tinham fama de serem bonitas

e não saborosas. Os bolos de

aniversário eram feitos em casa.

Hoje há um grande investimento

no setor de confeitaria, pastelaria e

padaria da delicatessen. São profissionais

diferenciados e qualificados

que produzem pães especiais, como

o pão português feito com azeite da

Deluca. “Trabalhamos, ainda, desenvolvendo

uma linha especial com sopas,

pães e pizzas”, fala o empresário

que também é dono da Parla Pizza.

Já o Portal de Piedade, localizado

na Zona Sul do Recife, desde 2006 faz

o serviço de coffee brake para as empresas,

além de servir café da manhã,

almoço e jantar. Tudo feito de acordo

com o gosto do cliente. Assim como a

Deluca, o Portal tem uma variedade

imensa de produtos. “São mais de

100 tipos de pães, assim como diversos

molhos, especiarias, bebidas de

todos os países, especiarias exóticas

e massas importadas são os nossos

produtos diferenciados que não se

Alexandre Albuquerque

Nas novas prateleiras, frios e

bebidas de luxo

encontram nos supermercados”,

explica a dona do estabelecimento,

Dália Vazquez Gomes.

O gerente da casa, Orlando Correia,

que há 20 anos está mergulhado

nesse ambiente de importados, diz

que a maioria dos clientes procura

pelos frios, queijos importados e vinhos.

Ele garante que o atendimento

na delicatessen é exclusivo, o que faz

a diferença dos supermercados. “Se a

pessoa quer comprar um vinho, precisa

saber com qual comida combina

e onde foi fabricado, por exemplo,

vai ter um funcionário acompanhando

para dar este suporte”, fala.

José Alexandre Chaves, empreendedor

da Engenho Casa Forte,

também na Zona Norte do Recife,

não acredita na competição das delicatessens

com os supermercados.

“O nosso cliente é extremamente

fiel. A qualidade está no produto que

ele vai escolher desde o que ele vai

beber até o que vai comer”, analisa.

Apesar de o preço ser um pouco acima

do esperado, o consumidor vai

pagar por algo que vai receber e que

faça a necessidade dele.

O sucesso de uma padaria é ter


Alexandre Albuquerque

Alexandre Albuquerque

Alexandre Chaves não acredita na competição das delicatessens

com os supermercados

uma loja que atenda ao consumidor

mais sofisticado sem abrir mão do

cliente do dia-a-dia. Para isso o nível

dos profissionais também é outro.

Eles são preparados e estão sempre

fazendo novos cursos. “Se o meu funcionário

não souber explicar, o cliente

não vai comprar. Então eles estão

sempre em contínuo treinamento”,

explica Alexandre. “Eles precisam

saber explicar qual é o gosto que o

produto tem”, completa.

EM ALTA

Segundo levantamento feito

pelo Programa de Apoio à Panificação,

em 2009, foi registrado um

crescimento de 12,61% nas vendas

das padarias de todo o país. Só no

ano passado, o faturamento do

setor chegou a R$ 49,52 bilhões

contra os R$ 43,98 bilhões de

2008. Não há como negar, o segmento

está mais maduro depois

da modernidade e cara nova das

padarias, oferecendo aos clientes

maiores opções de produtos e serviços.

De acordo com a Associação

Brasileira da Indústria de Panificação

e Confeitaria (ABIP), o setor de panificação

tem gerado também mais

empregos e renda. O grande desafio

está mesmo em investir na qualificação

e capacitação desses profissionais

a fim de manter o ciclo de crescimento

do mercado em ascendência.

Se depender de empreendedores

como os da Deluca Delicatessen,

Portal de Piedade e Engenho Casa

Forte, tudo indica que esse setor só

tende a crescer.

A Deluca de Marcelo Silva: 200 produtos de fabricação própria

na padaria e na confeitaria

O grande

desafio

está

mesmo

em

investir na

qualificação

e

capacitação

do pessoal

para

manter o

mercado

em ascendência

2010 outubro >

>

77


Dante Barros

Comer

Bem

Carne de sol com cogumelo

Rogério

Costa

O chef é o que se

pode chamar de

ouro da casa. Foi

no Mingus que o

jovem profissional

estreou no mundo

da alta gastronomia

e, desde então,

aperfeiçoou suas

técnicas com cursos

de especialização

na escola Laurent

de Gastronomia,

comandada pelo

mestre Laurent

Suaudeau, além de

vivências com chefs

de restaurantes das

grandes metrópoles

brasileiras. Sua

principal inspiração

é oferecer aos

comensais uma

experiência única

e um momento de

satisfação plena

através da alquimia

dos alimentos.

78 > > outubro 2010

Ingredientes

Produto

Carne de sol desfiada

Cebola Roxa

Purê de Jerimum

Molho shoyo

Shitake

Azeite extra

Sal e

Molho de pimenta Palmeiron

Salsa fresca picada

Qtde

0,070

0,005

0,060

0,010

0,030

0,005

0,002

0,002

Ref

Gr

Gr

Gr

Lt

Gr

Lt

Qb

Qb

Preparo

Em uma frigideira, aquecida

coloque o azeite adicione a cebola

cortada em tiras bem finas e os

cogumelos shitake. Em seguida a

carne de sol desfiada, adicione o

tempero com sal, molho shoyo e

molho de pimenta Palmeiron a

gosto e as ervas frescas, reserve

em uma panela pequena coloque

o purê de jerimum para aquecer e

reserve.

Em um prato médio coloque a

carne de sol com a ajuda de um

aro de metal para montagem,

no centro do prato em seguida

coloque o purê de jerimum sobre

a carne de sol e decore com azeite

de ervas e um broto de manjericão

sobre o purê.

Porção

1 pessoa


Cuba sem açúcar

REPORTAGEM | Escritor mostra o difícil cotidiano

dos cubanos e chega à final do Prêmio Jabuti

No final dos anos 80, Samarone

Lima pediu emancipação aos pais,

no Ceará, para vir morar e estudar no

Recife. Fez jornalismo na Universidade

Católica à noite. Durante o dia trabalhava.

Ganhou as redações dos jornais

locais e depois rodou pelo Sul, trabalhando

no Diário Popular-SP e na Veja,

entre outros. Voltou, virou professor

da Unicap, abriu dois bares, quebrou.

Apaixonou-se pela pernambucana Sílvia,

pelo bucólico Poço da Panela, criou

uma troça carnavalesca (Os barba) e

reencontrou-se com o Santa Cruz. Sempre

trabalhando e, nas “horas vagas”,

escrevendo livros. Ou crônicas no seu

blog Estuário (www.estuario.com.br).

No mês passado, uma façanha

desse cearense radicado em Pernambuco:

seu livro Viagem ao Crepúsculo,

lançado em 2009, Editora Casa das

Musas, ficou entre os dez finalistas do

Jabuti, categoria reportagem, entre

mais de 2 mil inscritos. Samarone também

já lançou Clamor, Zé e Estuário.

Em 2007, juntou mochilas e foi a

Cuba, não para perguntar, mas para

ouvir os cubanos e descrever o que

estava acontecendo na mais famosa

ilha caribenha quase meio século

após a revolução. Passou mais de um

mês rodando. E revelou uma Cuba

não tão doce, como a sua cana-deaçúcar,

o que, segundo Samarone,

em relato feito no seu blog, desagradou

a alguns simpatizantes do regime

implantado por Fidel Castro.

Com orelha de Sérgio Buarque e

foto de Beto Figueiroa, na capa, o livro

já superou a marca dos dois mil exemplares

vendidos e tem sido muito procurado

na Livraria Cultura. Samarone

comemora o feito e a indicação para o

prêmio, mas revela que fazer um livro,

publicá-lo e distribuí-lo não é um conto

de fadas. Confira entrevista à Algomais.

Algomais | Na época em que havia

Direita e Esquerda, qual era a sua

posição?

Samarone Lima | Sempre fui militante

político de esquerda. Com meu

irmão Antônio, com uns 16 anos, fiz a

primeira grande boca de urna da minha

vida, em Fortaleza, elegendo Maria

Luiza Fontenele a primeira prefeita

do Brasil, pelo PT. Em toda campanha

trabalho como voluntário e continuo

acreditando que existem forças políticas

à esquerda mesmo.

Am | Quais suas impressões sobre

Cuba?

SL | Foram várias impressões, ao

longo da viagem, num turbilhão. Os

cubanos têm uma necessidade compulsiva

de falar sobre suas vidas, e

isso me jogou na cara logo um drama,

que é a sobrevivência. Sobreviver, em

Cuba, é a grande luta, a maior de todas.

Com o passar dos dias, vi muita

raiva, inconformismo, uma falta muito

grande de perspectivas, muitos

sonhos frustrados. Por último, a máquina

repressiva muito azeitada, bem

como o controle absoluto dos meios

de comunicação por parte do estado.

Isso, para quem é jornalista, é muito

impactante.

Am | Além da indicação, podemos

dizer que o livro já é um sucesso de

vendas.

SL | Vender dois mil exemplares,

por uma pequena e modesta editora,

é motivo de festa mesmo. Não sei

quantas vezes fui à livraria Cultura,

com minha mochila cheia de livros.

Mas era uma alegria saber que estavam

comprando, indicando. Meu

blog foi um canal de comunicação

aberto com os leitores. Recebi muito

texto emocionante.

Am | Como você avalia a transição

de Fidel Castro para o irmão Raul?

SL | Trocou seis por meia dúzia. Não

mudou nada. Quando estive em Cuba,

todo mundo na ilha já sabia disso.

Am | O povo cubano é feliz?

SL | Vi muita tristeza, desolação, um

grau de precariedade imenso no cotidiano.

Talvez, se eu tivesse ficado

nos hoteis cinco estrelas, nos Meliá da

vida, nas praias badaladas, eu tivesse

encontrado mais gente feliz. O cubano,

em geral, tem uma alegria interior

enorme, mas felicidade, ali, é para

poucos.

Am | Já há planos para o próximo

livro?

SL | Tenho sim, um livro de poesias.

Estou terminando a seleção, com a

ajuda de um leitor.

Am | O que você poderia dizer aos

críticos do livro?

SL | Quando leu os originais, o escritor

Homero Fonseca ficou muito

empolgado, mas alertou para que

eu preparasse o lombo, porque iria

ser castigado pela esquerda, aquela

que idealiza Cuba há décadas. Estranhamente,

houve um silêncio quase

total da esquerda. A maior parte das

críticas foram extremamente positivas,

especialmente dos leitores. Só

na Bienal Internacional do Livro, ano

passado, um debatedor arrasou meu

livro da orelha ao ponto final. Mas era

uma crítica tão vazada de ideologia

que ele chegou a sugerir que eu tinha

sido contratado para escrever. Essa

mania de conspiração. Tenho muito

orgulho de ter viajado, ter levantado

um pouco a pouco a cortina, de ter escrito.

Foi uma bela aventura literária

e humana.

2010 outubro >

>

79


Memória

pernambucana

O outro Rodrigues

TALENTO MÚLTIPLO | Augusto foi educador, desenhista,

gravador, ilustrador, caricaturista, fotógrafo e pintor

Mês passado, Memória Pernambucana

abordou a trajetória do

advogado, paisagista, poeta, pintor e,

sobretudo, grande colecionador de

arte sacra Abelardo Rodrigues, o homem

que deu origem à guerra santa

entre Pernambuco e a Bahia.

Fale-se agora do seu irmão, o

educador, desenhista, gravador,

ilustrador, caricaturista, fotógrafo,

poeta e pintor Augusto Rodrigues,

esse talento tão precoce quanto

intenso que, já aos dezesseis anos

de idade, em companhia dos artistas

Hélio Feijó, Percy Lau, Carlos

de Holanda e Nestor Silva criou o

Grupo dos Independentes e organizou

o I Salão de Arte Moderna

no Estado. Três anos depois, aos

dezenove anos de idade, organizou

o Ateliê de Artes Plásticas. Aos

vinte estreou como chargista no

Diario de Pernambuco, revelando

especial predileção por ironizar os

poderosos, e realizou sua primeira

exposição individual no Recife. Em

1934, aos vinte e dois anos, ao lado

de Guignard e Portinari, expôs na

Associação dos Artistas Brasileiros,

no Rio de Janeiro. Quatro anos

depois, transferiu-se para aquela

cidade, centro político e cultural

do Brasil, onde teve publicadas

charges e caricaturas em vários veículos

da imprensa, como A Nota,

O Jornal, Diário de São Paulo, O

Estado de São Paulo e O Cruzeiro,

além de ilustrar diversos livros e

participar do planejamento e da

fundação dos jornais Folha Carioca,

Diretrizes e Última Hora.

80 > > outubro 2010

Augusto: espírito inquieto e grande figura humana

Como se vê, tanto quanto ser contemplativo,

pendor tão necessário à

formulação das reinterpretações cotidianas,

o múltiplo Augusto Rodrigues

era, além do mais, ativo. Não parava.

Parecia querer deixar, como de fato

deixou, um grande legado. E assim,

com ao vigor dos seus múltiplos talentos

e a energia inesgotável, prosseguiu

na sua nobre missão de elevar as artes.

Em 1942 realizou exposição individual,

com aproximadamente cem

desenhos, no Museu Nacional de Belas

Artes. Em 1948 juntou-se a Lúcia Alencastro,

Oswaldo Goeldi, Vera Tormenta,

Fernando Pamplona e Humberto

Branco, e fundou e passou a dirigir no

Rio de Janeiro a Escolinha de Arte do

Brasil, um marco fundamental da sua

vida e das práticas pedagógicas então

utilizadas no País. Em meio às suas

propostas, a renovação dos métodos

de educação das crianças brasileiras e

a irradiação da ideia do ensino da arte

como parte fundamental da educação,

tema que, a propósito, foi uma

das grandes paixões da sua vida.

Sobre escolas, aliás, dizia ele:

“Detesto a escola repressiva... eu

tinha também a minha vida fora da

escola, e muito plena. A vida onde

havia o devaneio, a exploração do rio,

a natureza, os jogos onde a fantasia

estava muito presente. “


É fácil entender os seus motivos.

Sua noção de escola era baseada na

própria infância — quando criança

não se deu muito bem nas escolas,

não por falta de inteligência, mas

porque desde cedo com sua visão de

artista enxergava as coisas de modo

diferente. Não se adaptava às regras

das escolas convencionais.

Palavras da escritora e artista

plástica Marly Mota, que, ainda criança,

foi retratada pelo artista.

Augusto Rodrigues, não precisou

da geometria para marcar os seus

caminhos, porque as oportunidades

surgiram. Esteve sempre atento às novas

ideias, apoiando-as como artista

plástico, ilustrador, poeta, gravador,

caricaturista. Para atravessar o tempo,

Augusto ou Augustinho, como

muitos o chamavam, teve espaço

para se identificar como mestre e foi

um artista de linguagem límpida, com

acesso às artes, à literatura, e destacou-se

como educador dinâmico. Foi

o precursor do modelo das Escolinhas

de Artes no Brasil, com filial no Recife

apoiando sempre as gerações que

iam despontando. Foi colaborador do

Diário de Pernambuco, como caricaturista,

em 1933. Além de um espírito

inquieto era uma encantadora figura

humana. Foi o descobridor do Mestre

Vitalino em Caruaru, convidando-o em

1947 para uma exposição de Cerâmica

Popular no Rio de Janeiro. Vestia-se

de maneira informal, gostava de passarinhos,

dos amigos, e de casa cheia.

Morou no Rio de Janeiro, no Largo do

Boticário, no Cosme Velho. Um belo

recanto com jardins de Burle Marx,

de casas estilo colonial. Numa delas

morou por anos. Com Mauro Mota e

a nossa filha Luciana frequentávamos.

Foi vizinho da crítica teatral, Bárbara

Heliodora, que mora no Boticário, até

hoje. Augusto foi casado com a educadora

Suzana Rodrigues. Separados,

embora cercado de amigas, ele nunca

Marcelo Alcoforado

marceloalcoforado@surfix.com.br

mais se casou. Era um galanteador,

un bon vivant. Nasceu em 1913 e

morreu em 1993 com 80 anos. Filho

de tradicional família pernambucana.

Irmão de Abelardo Rodrigues, paisagista,

pintor, um dos maiores colecionadores

de arte sacra do Brasil,

primo de Nelson Rodrigues, o criador

do moderno teatro brasileiro.

Mas voltando às atividades do artista,

em 1953 ele participou da II Bienal

Internacional de São Paulo, além

de, com Geza Heller e Marcelo Grassman,

expor na Petite Galerie e no II

Salão Nacional de Arte Moderna, onde

conquistou o prêmio de viagem ao exterior,

na categoria Desenho. Passou

um ano na Europa, onde aprimorou

ainda mais sua técnica e suas tantas

artes. Em 1971, integrou a mostra Panorama

do Desenho Brasileiro, organizada

pelo Museu de Arte Moderna de

São Paulo, e editou seu primeiro livro

de poesias, intitulado “27 Poemas”. O

segundo livro, de título “A Fé entre os

Desencantos”, foi publicado em 1980,

e em 1989 o terceiro, “Largo do Boticário

- Em Preto e Branco”, com oitenta

fotografias produzidas no decorrer de

muitos anos de talento e criatividade.

E assim, com seu talento borbulhante,

Augusto Rodrigues ilustrou,

chargeou, ensinou, desenhou, pintou,

e com isso ajudou a tornar esta

vida melhor e mais bonita. Ganhou

inúmeros prêmios, participou ativamente

da política cultural do país,

viveu intensamente. Acima de tudo,

inscreveu de forma indelével o seu

nome no rol dos pernambucanos que

elevam o nome desta terra.

Augusto Rodrigues, o homem

que apreciava, especialmente, desenhar

mulheres — mais especificamente,

cabeças de mulheres

— captando a sutileza e os mistérios

do universo feminino, teve o

primeiro traço de seu desenho mais

importante, a própria vida, no dia

21 de dezembro de 1913, no Recife,

quando nasceu, e a obra concluída

em 9 de abril de 1993, em Rezende,

Rio de Janeiro.

Registram os dicionários que o

adjetivo augusto, significa venerável,

magnífico, elevado, grandioso...

Pensando bem, o adjetivo augusto

tem tudo a ver com o substantivo

Augusto, concorda?

Escritores e pintores de sucesso publicada em junho/1950

2010 outubro >

>

81


Última

página

As árvores do Espinheiro

Quando nasci, meus pais moravam

na Rua Ricardo Salazar, no

Prado. Mas logo quando eu tinha três

anos eles se mudaram para a casa do

meu avô na Av. João de Barros 1647,

Espinheiro, já perto da Encruzilhada,

onde vivi mais de 20 anos. Assim,

embora sendo “natural” do Prado,

sempre me considerei, desde que

me entendo de gente, espinheirense

de carteirinha. Estudei (no Instituto

Recife e no Colégio Regina Coeli),

voltei a morar depois de adulto e,

hoje, trabalho no bairro (a TGI fica na

Rua Barão de Itamaracá, no coração

do Espinheiro).

Desde criancinha, uma coisa

sempre me chamou muita atenção

por lá: as árvores, os famosos oitizeiros.

Grandes e frondosos, formavam,

nos tempos áureos, imensos

túneis verdes fornecendo sombra

farta para quem morava e transitava

no bairro. Os únicos “inconvenientes”

eram/são os oitis que, na

época da safra (início de cada ano),

forram romanticamente de dourado

as ruas, calçadas e jardins das

residências, edifícios e endereços

comerciais. Os famosos frutos já

inspiraram, inclusive, um bloco carnavalesco

chamado “Bloco do Oiti”

cujo hino tem como refrão: “Oiti

pra lá, hei! Oiti pra cá, hei! É tanto

oiti que não dá nem pra contar...”.

A favor dos oitis, posso dizer que, a

despeito de sempre ter andado mui-

82 > > outubro 2010

to a pé pelas ruas do bairro, nunca

levei nenhum deles na cabeça (nem

em nenhuma outra parte do corpo).

É verdade que caem, às vezes, nos

carros, mas o prejuízo é mínimo

face ao enorme ganho ambiental

que as árvores proporcionam.

Pois bem, esse valioso patrimônio

paisagístico do Espinheiro (e de

parte das Graças e da Boa Vista), um

ativo ambiental inestimável do próprio

Recife, vem sendo, nos últimos

tempos, paulatina e aceleradamente

dilapidado pela ação predatória privada

e a conivência pública na extirpação

pura e simples de árvores. Experimente

o leitor observar, andando

pelo Espinheiro, Graças e Boa Vista,

os intervalos entre as árvores nas

calçadas e perceberá, nitidamente,

os “vazios” que foram abertos com

as derrubadas criminosas. A alegação

mais frequente para a insanidade é

que árvore estaria “velha, prestes a

cair”. Todavia, tenho fortes razões

para suspeitar que o inconfessável

motivo é mais prosaico: na verdade,

a árvore estaria obstruindo alguma

nova entrada de estacionamento...

Já presenciei diversas vezes o espetáculo

ritual de derrubada oficial de

um “velho” oitizeiro: uma parafernália

em que diversas máquinas e especialistas

da prefeitura ou contratados

por ela interrompem o trânsito e atuam

operosa e rapidamente até que a

finada árvore esteja esquartejada e

Francisco Cunha

franciscocunha@revistaalgomais.com.br e twitter.com/cunha_francisco

triturada em cima dos caminhões e

reste apenas, além de algumas folhas

verdes pela rua, o buraco na calçada

onde ela existia minutos atrás. Buraco

que, diga-se de passagem, será celeremente

fechado pelo sujeito oculto

interessado na derrubada.

Paradoxalmente, é muito mais

fácil extirpar um oitizeiro enorme do

que plantar um novo, por menor que

seja. Eu mesmo solicitei que a secretária

da TGI telefonasse diariamente

durante meses para os órgãos competentes

da municipalidade na tentativa

de replantar uma árvore derrubada

do modo descrito, na frente da TGI,

sem absolutamente nenhum sucesso.

Resultado: eu mesmo comprei a

muda numa sementeira da prefeitura

e mandei replantar. Diante da omissão

pública já fiz isso quase uma dezena

de vezes e os oitizeiros replantados

vão, por sinal, muito bem, obrigado.

É inacreditável que numa época

onde o meio ambiente e o clima são

os temas onipresentes da preocupação

dos governos, das empresas

e da mídia, uma solução ambiental

implantada há quase um século seja

transformada em problema urbano

novo. Vamos colocar a mão na consciência

(pública e privada) e não só

reverter a tendência de erradicação

como ir além e estabelecer uma política

ativa de replantio de árvores. Não

vejo nenhuma impossibilidade nisso.

É só (?) querer.


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outubro 2010

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