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Revista Ano 1 / Edição <strong>06</strong> / Nov-Dez 2008 / www.<strong>ed</strong>itorai9.com.br<br />

Graxaria Brasileira<br />

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Automação Industrial<br />

Pode Contribuir ainda mais<br />

para a Melhoria do Segmento<br />

Indústria de Farinha e Gordura Animal<br />

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Revista Ano 1 / Edição <strong>06</strong> / Nov-Dez 2008 / www.<strong>ed</strong>itorai9.com.br<br />

Graxaria Brasileira<br />

Indústria de Farinha e Gordura Animal<br />

Automação Industrial<br />

Pode Contribuir ainda mais<br />

para a Melhoria do Segmento<br />

Prezado Leitor,<br />

No setor da aviação, há uma pequena história que circula entre os<br />

especialistas do meio. Em um futuro breve, os aviões não vão precisar mais de<br />

pilotos. E se precisarem, haverá cachorros ao lado, treinados para evitar que<br />

eles apertem qualquer botão. Talvez seja exagero, mas a historinha em tons de<br />

piada dá a idéia do nível de automação no qual – possivelmente – vamos chegar.<br />

Os sistemas automatizados estão cada vez mais presentes em nossas vidas,<br />

seja em atividades do dia-a-dia como atravessar uma rua quando o farol<br />

fecha ou até mesmo dentro de nossas casas. Mas existe um lugar no qual a<br />

automação vem mudando as perspectivas há um bom tempo: as indústrias. O<br />

motivo é simples. Ao uniformizar os processos e dispensar a influência humana<br />

direta, diminui os erros e descontinuidades da linha de produção. O resultado<br />

é, entre outros, mais qualidade do produto final. No segmento das graxarias,<br />

o seu uso ainda é incipiente, é verdade. São poucas as graxarias no “estado<br />

da arte” da automação, com todos os seus processos, do começo ao fim,<br />

gerenciados por softwares e equipamentos. Mas, sim, isto é possível!<br />

A automação teve, como porta de entrada nas graxarias, as normativas do<br />

Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Polêmicas à parte, muitos donos de<br />

graxarias já estão conhecendo o que o mundo da automação pode proporcionar<br />

às suas fábricas. Há uma série de fatores, motivos e considerações a servirem<br />

de reflexão antes de se optar por automatizar algum processo ou até mesmo<br />

a fábrica inteira. É o que buscamos mostrar em nossa matéria de capa deste<br />

número. Ainda na mesma reportagem, trazemos algumas das empresas que<br />

vêm ajudando as graxarias a se modernizarem. E, pelo visto, há todo um mundo<br />

– muito interessante – a ser descoberto pelos empresários do segmento.<br />

Aproveitando o momento, agradecemos a todos que fazem possível a Revista<br />

Graxaria Brasileira, desejando boas festas e que possamos dar grandes notícias<br />

em 2009.<br />

Boa leitura!<br />

Edição <strong>06</strong><br />

novembro/<strong>dezembro</strong> 2008<br />

Daniel Geraldes<br />

Editor Chefe<br />

Editorial<br />

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Sumário / Exp<strong>ed</strong>iente<br />

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notícias<br />

Em Foco 1<br />

capa<br />

Foco na qualidade<br />

Pet Food On Line<br />

entrevista<br />

caderno técnico 1<br />

caderno técnico 2<br />

caderno técnico 3<br />

Ponto de Vista<br />

Diretor<br />

Daniel Geraldes<br />

Editor Chefe<br />

Daniel Geraldes – MTB 41.523<br />

daniel@<strong>ed</strong>itorai9.com.br<br />

Jornalista Colaborador<br />

Paulo Celestino - MTB 998/RN<br />

Publicidade<br />

comercial@<strong>ed</strong>itorai9.com.br<br />

publicidade@<strong>ed</strong>itorai9.com.br<br />

R<strong>ed</strong>ação<br />

Lucas Priori<br />

r<strong>ed</strong>acao@<strong>ed</strong>itorai9.com.br<br />

Direção de Arte e Produção<br />

Leonardo Piva<br />

graxaria@leonardopiva.com.br<br />

Conselho Editorial<br />

Bruno Montero<br />

Claudio Mathias<br />

Clênio Antonio Gonçalves<br />

Daniel Geraldes<br />

Luiz Guilherme Razzo<br />

Valdirene Dalmas<br />

Comitê Tecnico<br />

Cláudio Bellaver<br />

Dirceu Zanotto<br />

Lucas Cypriano<br />

Fontes Seção “Notícias”<br />

BeefPoint, Avisite, Valor Econômico, Gazeta<br />

Mercantil, Sincobesp, Abra, Sindirações, National<br />

Render, Embrapa, Biodiesel, AgriPoint, Aliança<br />

Pecuarista.<br />

Impressão Gráfica<br />

Vox <strong>Editora</strong><br />

Distribuição<br />

ACF Alfonso Bovero<br />

<strong>Editora</strong> i9<br />

Rua Leôncio de Carvalho, 303 / Conj. 101<br />

Cep: 04003-010 / São Paulo - SP<br />

Tel/Fax. (11) 3213-0047<br />

A Revista Graxaria Brasileira é uma<br />

publicação bimestral da <strong>Editora</strong> i9.<br />

A Revista Graxaria Brasileira é uma publicação do mercado<br />

de Graxarias, clientes de graxarias, fornec<strong>ed</strong>ores de:<br />

máquinas, equipamentos, insumos, matérias-primas, biodisel,<br />

frigoríficos e prestadores de serviços, com tiragem<br />

de 4.000 exemplares.<br />

Distribuída entre as empresas nos setores de engenharia,<br />

projetos, manutenção, compras, diretoria, gerentes. É enviada<br />

aos executivos e especificadores destes segmentos.<br />

Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores<br />

e não necessariamente refletem as opiniões da revista.<br />

Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias<br />

sem expressa autorização da <strong>Editora</strong>.<br />

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Notícias<br />

UE modifica idade para<br />

teste de EEB em bovinos<br />

Especialistas em saúde animal da União Européia (UE) aumentaram a idade<br />

mínima para que sejam feitos testes de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB),<br />

conhecida como doença da vaca louca, em bovinos nos 15 Países Membros mais<br />

antigos da UE para 48 meses de idade, considerando a r<strong>ed</strong>ução no número de<br />

casos da doença.<br />

Atualmente, todos os bovinos saudáveis abatidos com idade de mais 30 meses<br />

e todos os animais com mais de 24 meses, que sejam considerados em risco de ter<br />

a doença precisam ser testados. Os especialistas agora concordaram que o novo<br />

limite de idade para testes de EEB em animais saudáveis abatidos e em animais em<br />

risco seja de 48 meses, informou a Comissão Européia. Se for aprovada pelo Parlamento Europeu, a nova regra passará<br />

a valer a partir de janeiro de 2009.<br />

O número de casos positivos para EEB na UE tem caído significantemente nos últimos anos, embora a idade dos<br />

animais com resultado positivo tenha aumentado. Essa nova regra somente será aplicada aos 15 países que já eram<br />

membros da UE antes da sua ampliação de 2004, uma vez que estes já cumpriram com outros critérios. Por pelo menos<br />

seis anos, esses países tiveram uma barreira total ao uso de proteínas animais em ração de animais de produção,<br />

conduziram amplos testes de EEB, usaram um sistema completo de rastreabilidade e identificação animal e viram uma<br />

situação “favorável” para a EEB em termos de número de casos.<br />

Alguns dos novos membros da UE também fizeram esforços para cumprir com estes critérios antes de entrarem no<br />

bloco, disse a Comissão, certa de que em breve poderão aplicar essa nova regra referente a idade mínima para teste.<br />

Em 25 anos, participação das aves<br />

no abate inspecionado cresce 82%<br />

Breve retrospectiva nos dados do IBGE mostra que em 1983 (um quarto de século atrás), o maior volume de carnes<br />

produzidas em estabelecimentos sob inspeção (f<strong>ed</strong>eral, estadual ou municipal) provinha de bovinos - 56% do total, mais da<br />

metade das carnes produzidas sob inspeção. Então, as aves (cujos dados, naquela época, incluíam não só o frango, mas<br />

também galinhas, perus, patos, marrecos e codornas) respondiam por cerca de 29% das carnes produzidas, cabendo os<br />

restantes 15% aos suínos.<br />

Os dados relativos ao primeiro semestre de 2008 demonstram que houve mudanças bastante significativas nesse<br />

quadro. No período, a participação dos bovinos no abate inspecionado (tonelagem produzida) foi de 35% - um retrocesso,<br />

portanto, de 38% em 25 anos. A dos suínos também retroc<strong>ed</strong>eu, mas em nível mais moderado, 14% a menos. Dessa<br />

forma, o único ganho foi das aves (agora, exclusivamente frangos), cuja participação no abate inspecionado subiu de 29%<br />

para 52%, um incremento de participação de 82% em 25 anos.<br />

Tyson Foods quer aproveitar<br />

oportunidades e expandir<br />

A gigante Tyson Foods, líder mundial em alimentos, anunciou que tem disponível US$<br />

1,5 bilhão para aproveitar oportunidades com a crise e fazer aquisições a preços mais<br />

baixos. A empresa anunciou que as negociações estão abertas tanto nos Estados Unidos<br />

como no Brasil, na China e na Índia.<br />

A companhia, que entrou timidamente no país com a aquisição de três plantas<br />

pequenas de abate de aves, deve assumir um posicionamento mais agressivo no Brasil.<br />

“Temos perto de US$ 1,5 bilhão no banco prontos para aproveitar as oportunidades, quer sejam domésticas ou nos três<br />

países de crescimento: Brasil, China e Índia”, disse o chairman John Tyson à agência Bloomberg.<br />

JBS confirma aquisição da<br />

Smithfield Beef<br />

A JBS anunciou que completou a aquisição da unidade<br />

de carne bovina do Grupo Smithfield e também das suas<br />

operações de confinamento conhecidas como Five Rivers. A<br />

quantia total paga foi de US$565 milhões em dinheiro, não<br />

havendo nenhuma apropriação de dívida.<br />

A Smithfield Beef está s<strong>ed</strong>iada em Green Bay, Wisconsin e será chamada "JBS Packerland" de hoje em diante. A Five<br />

Rivers está s<strong>ed</strong>iada em Loveland, Colorado e de hoje em diante será chamada de "JBS Five Rivers".<br />

A JBS Packerland representa uma diversificação geográfica para a JBS, adicionando quatro plantas de abate às já operantes<br />

pela Companhia nos Estados Unidos. Além de operar no Centro-Oeste, a JBS agora possui também unidades importantes<br />

no Nordeste e no Sudoeste. Uma nova capacidade de 7.600 cabeças por dia será adicionada a já existente nos Estado<br />

Unidos de 20.500.<br />

A JBS Five Rivers já fez parte do Grupo Swift no passado e possui 10 confinamentos com capacidade simultânea de<br />

engorda de 820.000 cabeças de gado em quatro estados diferentes, adjacentes às unidades já existentes da JBS.<br />

A integração destas aquisições somada às unidades já existentes da JBS nos Estados Unidos proporciona a Companhia<br />

a oportunidade para continuar r<strong>ed</strong>uzindo custos e implementando sinergias que agregarão valor tanto para seus<br />

fornec<strong>ed</strong>ores quanto para seus clientes.<br />

Sadia reconhece que pode<br />

ter 1º prejuízo em 64 anos<br />

Pela primeira vez, em seus 64 anos de história, a<br />

Sadia deverá fechar o ano com prejuízo. Segundo Luiz<br />

Fernando Furlan, presidente do conselho da Sadia, “de<br />

repente, se não der para ganhar porque afundamos R$<br />

760 milhões [valor que se refere a perdas anunciadas no<br />

fim do mês passado em razão de operações financeiras<br />

com câmbio], pelo menos poderemos empatar.” Isso<br />

porque, além de as vendas do último trimestre serem<br />

geralmente mais fortes, a Sadia está tentando reverter<br />

pelo menos parte do prejuízo.<br />

Segundo Furlan, a auditoria em andamento irá<br />

responder se houve “conivência ou indução a essa<br />

falha por parte dos bancos internacionais”. “Estamos<br />

tomando todas as providências no sentido de preservar<br />

o interesse dos acionistas e dos funcionários,<br />

que foram prejudicados”, diz ele. Incluem-se nas<br />

iniciativas negociações com os bancos estrangeiros -<br />

além de m<strong>ed</strong>idas judiciais cabíveis, que poderão ser<br />

impetradas caso não se chegue a um acordo, tão logo<br />

o levantamento da consultoria KPMG seja concluído.<br />

O fundo de previdência Previ, um dos maiores<br />

investidores da Sadia, p<strong>ed</strong>iu esclarecimentos à<br />

empresa depois do prejuízo. Furlan, que esteve com<br />

o presidente Lula, afirmou ter lembrado a ele que a<br />

afirmação de que empresas exportadoras, como a<br />

Sadia, estariam especulando contra o real “foi infeliz”.<br />

“Os bancos internacionais que colocaram 200 empresas<br />

brasileiras numa situação de aperto especularam<br />

contra o real”, disse Furlan. “Quem especulava a favor<br />

acr<strong>ed</strong>itava na estabilidade da economia, na taxa de<br />

câmbio histórica e no que o próprio presidente falou,<br />

que a crise não chegaria ao país. Essas empresas é que<br />

levaram ferro.”<br />

A Sadia deverá postergar os investimentos em<br />

novas fábricas, previstos para o próximo ano. Nos<br />

novos projetos há duas fábricas no Brasil e a segunda<br />

unidade da empresa no exterior. No país, as fábricas<br />

cujos investimentos poderão ser postergados são um<br />

abat<strong>ed</strong>ouro de frangos em Campo Verde (MT) e um<br />

de suínos em Mafra (SC). Os investimentos previstos<br />

são da ordem de R$ 630 milhões e R$ 650 milhões,<br />

respectivamente. Já a fábrica de Abu Dhabi, nos<br />

Emirados Árabes, um dos principais mercados da<br />

Sadia, exigiria gastos de R$ 150 milhões. No Brasil,<br />

seriam geradas 8.000 vagas e, nos Emirados, 700.<br />

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Notícias<br />

Alta dos alimentos causa<br />

mudança de hábito alimentar<br />

Uma nova pesquisa encomendada pela BBC indica que 60% das pessoas em 26 países<br />

pesquisados estão sentindo muito os efeitos da alta global dos preços dos alimentos<br />

e quase metade (43%) se viram obrigadas a mudar seus hábitos alimentares por conta<br />

disso.<br />

A pesquisa ouviu 27.319 pessoas em Austrália, Brasil, Canadá, China, Costa Rica,<br />

Egito, Estados Unidos, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Quênia, Líbano,<br />

México, Nigéria, Paquistão, Panamá, Filipinas, Polônia, Rússia, Coréia do Sul, Espanha,<br />

Turquia, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.<br />

De acordo com o levantamento, muitas famílias, sobretudo aquelas que vivem em<br />

países em desenvolvimento, cortaram gastos com os alimentos porque consideram o<br />

custo muito alto. A situação mais preocupante foi encontrada nas Filipinas e no Panamá.<br />

Nos dois países, 63% das famílias ouvidas no estudo disseram que estão diminuindo o<br />

consumo de alimentos.<br />

A pesquisa também revelou que 70% das pessoas em todo o mundo estão insatisfeitas com as políticas de governo<br />

adotadas em seus países para tornar os preços dos alimentos mais acessíveis. O levantamento foi conduzido entre 8<br />

de julho e 15 de setembro pela empresa de pesquisas internacional GlobeScan com o Programa sobre Atitudes Políticas<br />

Internacionais, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.<br />

Um fato interessante e que deve amenizar a alta do alimentos é que com o agravamento da crise econômica global, o<br />

preço do barril de petróleo está caindo. Conseqüentemente, o valor das commodities agrícolas também deve recuar - já<br />

que um petróleo mais barato significa fertilizantes e custos de r<strong>ed</strong>istribuição menores.<br />

Diante de possível recessão<br />

frigoríficos refazem planos<br />

O Minerva é um dos que estão se adequando à nova<br />

realidade da economia mundial. O principal objetivo<br />

é proteger o caixa”, diz Fernando Galletti de Queiroz,<br />

presidente da empresa. Segundo ele, o plano para 2009<br />

previa a construção e possíveis aquisições de fábricas,<br />

mas no novo cenário a empresa está mais cautelosa.<br />

“Continuamos olhando [possíveis aquisições], mas mais<br />

na linha de diversificação geográfica, não de ampliação<br />

do que já temos”, afirma.<br />

Joesley Batista, presidente da JBS, a maior empresa de<br />

carne bovina do mundo, concorda que o arrendamento é<br />

uma alternativa. Mas não descarta ir às compras em 2009<br />

- no Brasil, se houver oportunidades.<br />

A Perdigão, outra que investiu bastante em aquisições<br />

recentemente, também mostra cautela. Segundo Nildemar<br />

Secches, presidente da empresa, o momento é de finalizar<br />

a integração das operações com a Eleva, forte em lácteos,<br />

comprada em outubro de 2007. No segmento de bovinos,<br />

a companhia fará o que chama de “parada técnica”. “A<br />

pior coisa para comprar numa liquidação é o que você<br />

não precisa”, compara José Antônio Fay, presidente da<br />

Perdigão.<br />

O Bertin, ainda não definiu seu plano de investimentos<br />

para os próximos cinco anos, mas a discussão em torno<br />

dele já é contagiada pela crise financeira. João Nogueira<br />

Batista, CEO da empresa, afirma que a maior parte dos<br />

aportes de R$ 1,8 bilhão previstos para 2008, já está<br />

aplicada. Um dos investimentos em curso é a construção<br />

de uma unidade em Diamantino (MT), que deve começar<br />

a operar em 2009. Se os valores dos ativos recuarem, o<br />

Bertin também não descarta aquisições.<br />

Para Batista, o consumo de alimentos sofre menos<br />

num ambiente de recessão, mas caso a crise se aprofunde<br />

pode ocorrer a substituição de produtos mais caros por<br />

itens mais baratos.<br />

“Ninguém vai parar de comer”, concorda Marcos<br />

Molina, presidente do Marfrig. O empresário acr<strong>ed</strong>ita que<br />

o consumidor pode optar por produtos mais baratos ou<br />

deixar de comer no restaurante para fazê-lo em casa por<br />

conta da crise. Segundo Fernando Queiroz, do Minerva,<br />

a demanda até agora não caiu no Brasil e em países de<br />

Oriente Médio, Leste Europeu e Extremo Oriente.<br />

Para Mauro Pilz, presidente do frigorífico Mercosul, uma<br />

eventual recessão - com aperto no crédito - pode até elevar a<br />

demanda por bens de consumo. “Numa recessão, o consumidor<br />

pode optar por não trocar o automóvel, por exemplo”.<br />

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Notícias<br />

Receosa com a crise Aurora adia<br />

investimentos<br />

A Coopercentral Aurora, central de cooperativas s<strong>ed</strong>iada em Chapecó (SC),<br />

informou que, em virtude da crise global, adiará investimentos e que essa<br />

postergação envolverá R$ 871 milhões em obras que estavam previstas para<br />

começar apenas em 2009. Além da construção de um novo frigorífico em Canoinhas<br />

(SC), orçado em cerca de R$ 400 milhões, e da ampliação da unidade de suínos<br />

em São Gabriel do Oeste (MS), em um total de R$ 71 milhões, a cooperativa adiará<br />

outros R$ 400 milhões que seriam aplicados em Carazinho (RS), em uma nova<br />

unidade cuja construção começaria somente no ano que vem.<br />

O prefeito de Carazinho/RS, Alexandre Goellner, deverá se reunir com o presidente da Cooperativa Aurora, Mário<br />

Lanznaster, para tratar sobre a suspensão do investimento de R$ 400 milhões. "É necessário fazer adequação do<br />

cronograma. Precisamos definir se devemos agilizar o processo de aquisição da área, que já está em andamento, ou<br />

aguardar para confirmar a compra".<br />

O prefeito afirmou que os compromissos serão mantidos e que o valor para aquisição da área está no orçamento<br />

de 2009. "É um momento de cautela. Algumas expectativas de Carazinho foram frustradas com a notícia, mas estamos<br />

otimistas que esta crise econômica será revertida e o investimento, confirmado", destacou.<br />

O presidente da Cotrijal e conselheiro da Aurora, Nei Mânica, disse que a decisão é prudente. "É preciso deixar<br />

claro que o investimento não saiu de pauta, apenas foi adiado", argumentou. O projeto da Aurora em Carazinho prevê<br />

instalação de abat<strong>ed</strong>ouro, incubatório, granjas e fábrica de rações. A unidade terá capacidade de abater 300 mil aves/dia<br />

e deverá gerar 3,2 mil empregos.<br />

MS: com oferta r<strong>ed</strong>uzida, número<br />

de abates continua baixo<br />

Os abates de bovinos de Mato Grosso do Sul tiveram<br />

reação de 6,2% em outubro na comparação com setembro<br />

último, mas ainda assim continuam abaixo do mesmo período<br />

do ano passado, segundo dados da SFA (Superintendência<br />

F<strong>ed</strong>eral de Agricultura).<br />

Foram abatidos em outubro 225.468 animais, contra<br />

212.300 em setembro. Naquele mês, os abates com SIF<br />

(Serviço de Inspeção F<strong>ed</strong>eral) atingiram o menor nível desde<br />

2005. Em outubro ano passado foram 228.233 abates de<br />

bovinos.<br />

No ano são 2.621.<strong>06</strong>3 bovinos abatidos, número 10,5% menor que o acumulado de janeiro a outubro de 2008, o que<br />

corresponde ao equivalente a um mês de abate.<br />

A r<strong>ed</strong>ução dos abates reflete a qu<strong>ed</strong>a de oferta de animais ofertados pelo produtor rural e do grande descarte de matrizes<br />

dos últimos anos.<br />

Na concorrência pelo produto, os frigoríficos maiores, geralmente exportadores, conseguem oferecer melhores preços<br />

ao criador e os menores acabam com capacidade ociosa. Vários já fecharam ou anunciaram a suspensão de atividades.<br />

Um caso é o Campo Oeste, em Campo Grande, que deixou dívida estimada em R$ 12 milhões com pecuaristas.<br />

Em novembro foi anunciado que o frigorífico Estrela, de Ribas do Rio Pardo, deve suspender as atividades.<br />

O presidente da Famasul (F<strong>ed</strong>eração da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Ademar Silva Junior, afirma que<br />

o momento é de "sinal amarelo" para os produtores devido aos problemas no setor. Ele explica que a Famasul tenta criar<br />

uma câmara de arbitragem para discutir mecanismos e acordos para evitar grandes perdas aos produtores.<br />

Em 25 anos, participação das<br />

aves no abate inspecionado<br />

cresce 82%<br />

Breve retrospectiva nos dados do IBGE<br />

mostra que em 1983 (um quarto de século<br />

atrás), o maior volume de carnes produzidas<br />

em estabelecimentos sob inspeção (f<strong>ed</strong>eral,<br />

estadual ou municipal) provinha de bovinos<br />

- 56% do total, mais da metade das carnes<br />

produzidas sob inspeção. Então, as aves<br />

(cujos dados, naquela época, incluíam não<br />

só o frango, mas também galinhas, perus,<br />

patos, marrecos e codornas) respondiam<br />

por cerca de 29% das carnes produzidas,<br />

cabendo os restantes 15% aos suínos.<br />

Os dados relativos ao primeiro semestre de 2008 demonstram que houve mudanças bastante significativas nesse<br />

quadro. No período, a participação dos bovinos no abate inspecionado (tonelagem produzida) foi de 35% - um retrocesso,<br />

portanto, de 38% em 25 anos. A dos suínos também retroc<strong>ed</strong>eu, mas em nível mais moderado, 14% a menos. Dessa<br />

forma, o único ganho foi das aves (agora, exclusivamente frangos), cuja participação no abate inspecionado subiu de 29%<br />

para 52%, um incremento de participação de 82% em 25 anos.<br />

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Notícias<br />

Carne de frango será a mais<br />

consumida pelos brasileiros<br />

também em 2009<br />

Se as previsões do Departamento de Agricultura dos<br />

EUA (USDA) estiverem corretas e as atuais turbulências da<br />

economia não atrapalharem, em 2009 os brasileiros deverão<br />

consumir, em média, 90,3 kg per capita das quatro principais<br />

carnes – bovina, suína, de frango e de peru. O consumo<br />

previsto corresponde a um adicional de 13,4 kg per capita<br />

(ou quase 17,5% a mais) que o estimado para 2003.<br />

A maior parte dessa expansão (58% do volume<br />

adicional, ou 7,8 kg) deve ser garantida pela carne de<br />

frango, cujo consumo per capita em 2009 deve chegar aos<br />

39 kg, quantidade que representa expansão de 25% sobre<br />

2003 e mantém o produto (pelo terceiro ano consecutivo)<br />

como a principal carne consumida pelos brasileiros.<br />

No acréscimo previsto, a contribuição da carne bovina<br />

será de 3,1 kg, volume 9% maior que o consumido em<br />

2003, vindo a seguir a carne suína, com expansão de<br />

cerca de 17%, o que significa adicional de 1,8 kg.<br />

De toda forma, o maior índice de expansão vem de<br />

outra carne avícola, a de peru, cujo consumo continua<br />

Carnes<br />

Evolução do consumo dos brasileiros entre 2003 e 2009<br />

(2008: preliminar; 2009: projeção)<br />

KG per capita<br />

Consumo<br />

Ano Bovina Suína De Frango De Peru total<br />

2003 34,2 10,6 31,2 0,9 76,9<br />

2004 34,4 10,6 32,1 1,0 78,1<br />

2005 36,0 10,3 35,0 1,1 82,4<br />

20<strong>06</strong> 36,4 11,4 35,8 1,0 84,6<br />

2007 36,8 11,7 38,1 1,4 88,0<br />

2008 37,2 12,1 38,5 1,5 89,3<br />

2009 37,3 12,4 39,0 1,6 90,3<br />

Var. 9,<strong>06</strong>% 16,98% 25,00% 77,78% 17,43%<br />

03/09 +3,1KG +1,8KG +7,8KG +0,7KG +13,4KG<br />

Fonte:USDA – Elaboração e análises: AVISITE<br />

pouco significativo, de cerca de 1,5 kg per capita em<br />

2008. Se no ano que vem tiver um consumo per capita de<br />

1,6 kg, como prevê o USDA, a expansão de consumo da<br />

carne de peru será de mais de 77%.<br />

UE: Brasil será “gigante<br />

exportador” agrícola até 2017<br />

A União Européia avalia que o Brasil consolidará seu status como “exportador gigante” de produtos agrícolas até 2017,<br />

visto seu domínio nas vendas de oleaginosas, açúcar, etanol, carnes bovina e de frango. Já a UE deve perder espaço nas<br />

vendas de grãos, açúcar, lácteos e carnes. A exceção será para o trigo, cujas exportações deverão aumentar. Os Estados<br />

Unidos continuarão líder no comércio de trigo e de milho, principalmente.<br />

A nova projeção européia para o comércio agrícola global prevê que o Brasil vai passar os Estados Unidos como maior<br />

produtor mundial de óleo de soja em 2016/17. O Brasil e a China (como importador) representarão mais da metade desse<br />

comércio em 2010. Argentina e EUA continuarão na liderança das exportações.<br />

A UE projeta para o etanol o domínio do Brasil como exportador e dos Estados Unidos como importador. O comércio<br />

internacional deve crescer velozmente, pelos cálculos de Bruxelas. As exportações brasileiras podem alcançar 13 bilhões<br />

de litros dentro de dez anos, pelo cenário europeu.<br />

O setor de carnes como um todo manterá sua expansão, graças ao aumento da população mundial e maior renda nos<br />

países em desenvolvimento. O comércio deve aumentar 2,5% ao ano. O Brasil ganhará mais da metade do crescimento,<br />

com 30% das exportações globais de carnes em 2017. Os Estados Unidos também ganharão fatias de mercado. A Rússia<br />

permanecerá como o maior importador líquido, seguido pelo Japão. A China representará mais de 40% do crescimento<br />

da demanda, mas isso terá menos impacto no comércio mundial porque o consumo pode ser atendido em grande parte<br />

pela produção doméstica.<br />

O Brasil continuará dominando o comércio de carne bovina, com 47% das exportações mundiais. Também poderá mais<br />

que dobrar suas exportações de carne de porco. E será o único país onde a produção de frango é prevista para aumentar<br />

significativamente mais rápido do que o consumo, consolidando sua posição de maior exportador, a frente dos EUA.<br />

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Notícias<br />

Frango ou automóvel?<br />

Quem merece mais apoio?<br />

“Tomamos essa decisão porque a indústria automobilística<br />

tem uma cadeia extraordinária e nós não queremos que deixe<br />

de ser um dos carros-chefe da economia brasileira”.<br />

Referindo-se à frase acima (atribuída pela imprensa ao<br />

Presidente Lula ao informar que o governo, através do Banco<br />

do Brasil, atuará no financiamento de automóveis), um<br />

empresário do setor avícola perguntava ontem se o Presidente<br />

da República não se equivocou, mencionando “indústria<br />

automobilística” em vez de “indústria avícola”. Porque –<br />

bradava o empresário – “a indústria avícola, sim, é que tem<br />

uma cadeia extraordinária; além de ser um dos carros-chefe<br />

mais importantes da economia brasileira”. Alinhava algumas<br />

razões para comprovar sua tese:<br />

1 – Só de frango in natura, a avicultura brasileira já exportou<br />

neste ano (até outubro) mais de US$5 bilhões. Trouxe para o<br />

Brasil, em receita cambial, um bilhão de dólares a mais que<br />

os automóveis. Sem precisar pagar “royalties”;<br />

2 – Ao contrário da indústria automobilística, concentrada<br />

em alguns pólos industriais, a avicultura está espalhada por<br />

todo o Brasil – e na área rural. Mas não se esgota na mera<br />

produção de aves ou ovos: sustenta um infindável número de<br />

atividades satélites e vêm gerando a riqueza de municípios<br />

que até recentemente eram extremamente pobres;<br />

3 – O contingente humano empregado pela avicultura é<br />

muitíssimo maior que o de toda a indústria automobilística<br />

reunida. Pegue-se o pessoal empregado por uma das líderes<br />

do mercado avícola e se constatará que supera o de muitas<br />

grandes montadoras. Porém, diferentemente da indústria<br />

automobilística, a mão de obra ocupada pela avicultura está<br />

no campo. Assim, o setor ajuda a evitar o inchaço ainda maior<br />

dos grandes centros urbanos – inclusive dos que abrigam a<br />

indústria automobilística;<br />

4 – Na indústria automobilística, paralisações não causam<br />

perdas maiores para as empresas: a matéria-prima não<br />

se perde, fica estocada. Na avicultura, vão simplesmente<br />

para o lixo investimentos (em animais de produção e<br />

reprodução) que, em alguns casos, datam de até três anos. E<br />

a perda ou interrupção desses investimentos não só afeta os<br />

proc<strong>ed</strong>imentos de uma longa cadeia, como também requer<br />

um longo prazo para recuperação plena;<br />

5 – O efeito final de uma paralisação na indústria<br />

automobilística será menos gente andando de carro zero<br />

quilômetro; o efeito de uma paralisação na indústria avícola<br />

pode ser a fome, porque além de ser a carne mais barata<br />

oferecida ao consumidor brasileiro, o frango é também a<br />

carne mais consumida no País, respondendo por mais de 40%<br />

do abastecimento nacional de carnes.<br />

Concluindo que o Brasil pode, momentaneamente, “viver<br />

sem novos automóveis, mas não pode viver um segundo<br />

sequer sem a produção do frango”, o empresário conclama o<br />

setor a requerer o indispensável apoio oficial neste momento<br />

de crise. “É absolutamente justo!”, entende.<br />

Regime especial do DIPOA<br />

agora tem apenas três<br />

estabelecimentos<br />

Como tem feito habitualmente a cada início de mês, o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal<br />

(DIPOA), do Ministério da Agricultura, divulgou Nota Técnica em que atualiza a relação de abat<strong>ed</strong>ouros avícolas mantidos<br />

sob “regime especial de fiscalização” por burlas à legislação ou não-conformidades com os regulamentos legais.<br />

Na lista atualizada, apenas três estabelecimentos permanecem sob o regime especial – um catarinense, um paulista e<br />

um paranaense. Dos três, o que se encontra há mais tempo sob vigilância restrita do DIPOA é o estabelecimento de Santa<br />

Catarina: há praticamente um ano, ou seja, desde 5 de <strong>dezembro</strong> de 2007.<br />

De toda forma, esse abat<strong>ed</strong>ouro, a exemplo do abat<strong>ed</strong>ouro paulista, apenas tem seus produtos sujeitos à análise<br />

prévia do DIPOA antes da liberação para comercialização. Já o estabelecimento paranaense permanece interditado desde<br />

30 de julho passado.<br />

MAPA: em 10 anos Brasil pode<br />

deter quase 90% do mercado de<br />

carne de frango<br />

Nas projeções que divulgou sobre as tendências<br />

de produção e exportação dos principais produtos do<br />

agronegócio brasileiro nos próximos 10 anos, o Ministério<br />

da Agricultura também fez projeções em torno da possível<br />

participação do Brasil no mercado internacional (leia-se:<br />

exportações) por volta de 2018/2019. E apontou, entre<br />

sete produtos agropecuários brasileiros hoje negociados<br />

internacionalmente, que a maior parcela de participação deve<br />

ser detida pela carne de aves – o que pressupõe carne de<br />

frango e de peru, mas principalmente a primeira.<br />

Pelas projeções do MAPA, em 2018 a participação da<br />

carne bovina no comércio mundial praticamente dobrará,<br />

passando de 31% para 60,6% do total. A participação da carne<br />

suína também dobrará, mas como ela alcança, no momento,<br />

apenas 10% do comércio mundial, sua participação no total<br />

comercializado será pouco superior a 20%. Já a carne de<br />

aves, cujas exportações neste ano devem representar 44,6%<br />

das exportações mundiais, pode se expandir a um nível que<br />

dobraria sua participação atual e que, nas projeções do MAPA,<br />

pode chegar a 89,7% do total comercializado mundialmente.<br />

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Notícias<br />

Em 10 anos produção de carne<br />

de frango cresce 56%, aponta<br />

projeção do MAPA<br />

As “Projeções do Agronegócio 2008/2009 a 2018/2019”,<br />

divulgadas pelo Ministro Reinhold Stephanes, da Agricultura,<br />

indicam que nos próximos 10 anos a produção brasileira de<br />

carnes deve registrar aumento de pelo menos 50%, o que<br />

significa passar dos 24,6 milhões de toneladas previstos para<br />

2008 pelo MAPA para cerca de 37,2 milhões de toneladas<br />

em 2018.<br />

Nessa expansão, a maior contribuição virá da carne<br />

de frango, cuja produção deve chegar aos 17,4 milhões<br />

de toneladas, 56,72% a mais que os 11,1 milhões de<br />

toneladas previstos para 2008. Vem a seguir a carne bovina,<br />

com expansão de 49,41% e, por fim, a carne suína, com<br />

perto de 37% de incremento. E se tudo isso se confirmar,<br />

a participação do frango na produção brasileira de carnes,<br />

atualmente da ordem de 45%, subirá para perto de 47%.<br />

O aumento de produção previsto vai servir, sobretudo,<br />

para atender as exportações que, na visão do MAPA, devem<br />

crescer pouco mais de 85%. Neste caso, a maior expansão<br />

deve ocorrer com a carne bovina, cujo volume exportado<br />

quase dobrará em relação a 2008. As vendas externas de<br />

carne suína também devem apresentar aumento significativo,<br />

da ordem de 78%, enquanto as de carne de frango poderão<br />

apresentar expansão média anual pouco superior a 6%, isto<br />

significando incremento de 82% até 2018.<br />

Porém, mesmo ampliando francamente as exportações,<br />

o setor produtor de carnes não deixará desabastecido<br />

o mercado interno, já que para o período é previsto um<br />

A Fenagra 2009 – Feira Nacional das Graxarias, em sua 4ª <strong>ed</strong>ição constitui o<br />

aumento na oferta interna da ordem de 38%. E, novamente,<br />

vem da carne de frango a maior contribuição: 44% de<br />

expansão, índice que corresponde a um incremento anual<br />

médio pouco superior a 3,5%.<br />

E que fatores podem influir nesses resultados? Segundo<br />

o MAPA, a recessão mundial, o protecionismo dos países e<br />

mudanças climáticas severas.<br />

Carnes<br />

Tendências de produção, exportação e oferta interna<br />

no Brasil entre 2008 e 2018<br />

Milhões de toneladas<br />

Frango<br />

2008 2018<br />

Produção<br />

11,130 17,443<br />

10,382 15,512<br />

3,107 4,252<br />

24,619 37,207<br />

Exportação<br />

3,615 6,602<br />

2,400 4,626<br />

0,625 1,113<br />

6,640 12,341<br />

Oferta Interna<br />

7,515 10,841<br />

7,982 10,886<br />

2,482 3,139<br />

17,979 24,866<br />

mais importante evento nacional do setor de graxarias no Brasi.<br />

Mesmo dobrando o número de expositores para 2009, já foram vendidos<br />

todos dos estandes para a <strong>ed</strong>ição do próximo ano, que será realizado nos dias<br />

26 e 27 de março.<br />

As chamadas para os trabalhos apresentandos já foram abertas pelo Sincobesp.<br />

Para a <strong>ed</strong>ição de 2009 já foram confirmados as presenças de diversas autoridades: Reinhold Stephanes (Ministro da Agricultura, Pecuária<br />

e Abastecimento), Roberto Rodrigues (Coordenador do Centro de Agronegócios FGV), Roberto Mangabeira Unger (Ministro Extraordinário<br />

de Assuntos Estratégicos) e Silvio Crestana (Presidente da Embrapa).<br />

Com a participação de empresas nacionais e internacionais, e visitantes de outros países da América Latina, da Itália e USA, o evento<br />

consolida o Brasil dentro do cenário mundial graxeiro. Durante dois dias a mais avançada tecnologia, as empresas mais significativas e os<br />

visitantes mais interessados encontrar-se-ão em São Paulo, a capital de negócios do país.<br />

Convidamo-os a participarem deste evento, mostrarem seus produtos aos profissionais, dirigentes, técnicos e compradores do mercado<br />

global que estarão presentes, realizando contatos e novos negócios.<br />

Com o apoio do Sincobesp – Sindicato Nacional dos Beneficiadores de Subprodutos de Origem Animal – o evento é direcionado a toda a cadeia<br />

produtiva do setor – graxarias, fabricantes de máquinas/equipamentos, produtos e matérias-primas, tecnologia, serviços e seus clientes.<br />

Bovina<br />

Suína<br />

Total<br />

Frango<br />

Bovina<br />

Suína<br />

Total<br />

Frango<br />

Bovina<br />

Suína<br />

Total<br />

Fonte: Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do MAPA<br />

Elaboração e análises: AVISITE<br />

Var.<br />

56,72%<br />

49,41%<br />

36,82%<br />

51,13%<br />

82,63%<br />

32,75%<br />

78,08%<br />

85,86%<br />

44,26%<br />

36,38%<br />

26,47%<br />

38,31%<br />

Maiores Informações:<br />

Daniel Geraldes<br />

Tel/Fax.: (55) 11 3213-0047<br />

daniel@<strong>ed</strong>itorai9.com.br<br />

Ruralistas p<strong>ed</strong>em mais R$ 3,5 bi<br />

para enfrentar a crise<br />

Considerado um dos setores prioritários na estratégia do governo de tentar minimizar o impacto da crise financeira<br />

mundial no crescimento do país no ano que vem, o agronegócio apresentou sua fatura à equipe econômica.<br />

Depois da injeção de R$ 13 bilhões neste ano, os agricultores p<strong>ed</strong>em mais R$ 3,5 bilhões até o início de 2009, além de<br />

uma solução para R$ 75 bilhões em dívidas das três últimas safras e a criação de um fundo com dinheiro do Orçamento da<br />

União para r<strong>ed</strong>uzir o risco atribuído ao setor pelos bancos e permitir que os produtores possam tomar novos empréstimos<br />

para a safra 2009/2010.<br />

Tudo isso, de acordo com a nova presidente da CNA (Conf<strong>ed</strong>eração da Agricultura e Pecuária do Brasil), senadora<br />

Kátia Abreu (DEM-TO), precisa ser acompanhado da definição “de uma política de abastecimento e renda”.<br />

Na prática, isso significa novas regras para os subsídios dados pelo governo para seguro rural, diminuição da carga<br />

de juros e garantia de um preço mínimo para os produtos na época da comercialização.<br />

O setor rural tem a seu favor o temor do governo de que a crise global interrompa a onda de crescimento econômico<br />

justamente nos dois últimos anos do governo Lula.<br />

“O cenário é preocupante e a população sentirá as conseqüências desta crise quando ela atingir a mesa”, afirmou<br />

a senadora, traçando quadro ameaçador. “Chegamos ao nosso limite. Máquinas estão sendo arrastadas, recursos para<br />

comercialização da safra atual são insuficientes e não há crédito para a safra 2009/2010”, diz.<br />

Bertin inicia operações na Europa<br />

Através da Bertin&Merlo (B&M), empresa de distribuição baseada na Itália, a<br />

Bertin Alimentos concluiu a aquisição de 50% da Riggamonti, a maior produtora<br />

italiana de bresaola, especialidade gastronômica, tradicional na Itália, feita com<br />

cortes de coxão mole. A Riggamonti tem 40% desse mercado e faturou 130<br />

milhões de euros em 2007.<br />

Aquisição foi concluída seguindo a estratégia da empresa de agregar valor a<br />

seus produtos, disse o presidente-executivo da Bertin, João Nogueira Batista. Pelos<br />

50% da companhia italiana, a B&M pagou 17 milhões de euros, conforme Batista.<br />

Segundo Claudio Merlo, sócio da B&M, antes das restrições da Europa à carne bovina in natura do Brasil, praticamente<br />

toda a matéria-prima para produzir a bresaola (90%) era brasileira. Agora, a fatia corresponde a 10% do total. Mas a<br />

expectativa de Merlo é que essa quantidade aumente.<br />

Com a operação, a Bertin inicia atividades de processamento na Europa. A empresa já está no Uruguai e Paraguai, com abate de<br />

bovinos, e China, com curtume. "É a primeira experiência [na Europa]. Vamos começar devagar", afirmou o presidente-executivo.<br />

Frigorífico vai suspender abate<br />

de aves por 6 meses<br />

A direção do frigorífico Diplomata (antigo Frango Vit/Comaves) anunciou que vai suspender os abates por seis meses.<br />

O motivo seria a reforma da unidade em Campo Grande, mas a informação já colocou os produtores de frango em alerta.<br />

O m<strong>ed</strong>o é de que os abates não sejam retomados depois deste período.<br />

A Diplomata já comunicou aos seus 40 parceiros da indústria, que criam os frangos, sobre a suspensão. Os produtores<br />

de aves integrados, muitos deles totalmente dependentes da atividade, estão preocupados.<br />

O produtor Claudemir Talgatti conta que a comunicação sobre a suspensão dos abates não foi feita por ofício, apenas<br />

verbalmente e gera preocupação aos integrados, que fizeram investimentos e que não podem ficar parados por meio ano.<br />

“Vamos buscar uma solução”, diz.<br />

Ele diz que alguns integrados diversificam a atividade e conseguirão se manter no período de suspensão de abates com<br />

outros produtos, como leite, por exemplo. “E quem depende só das aves?”, questiona. Há ainda receio de que a unidade não<br />

volte a abater após os seis meses de suspensão.<br />

Os produtores integrados também reclamam dos valores pagos pelos animais, cerca de R$ 0,20 por cabeça, quando<br />

para remunerar os custos, segundo eles, o ideal seria R$ 0,30.<br />

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Em Foco 1<br />

Subproduto<br />

Animal:<br />

indústria ou<br />

recicladora!?<br />

Nas últimas décadas experimentamos mudanças sig-<br />

nificativas quanto à consciência ambiental. O radical de<br />

bandeirinha deu lugar ao profissional do meio ambiente,<br />

ao técnico, ao científico, e a mudança surge através de novas<br />

formas de cobrança, legal ou competitiva. A primeira<br />

através de resoluções reguladoras, como as do Conselho<br />

Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, que estabelece<br />

critérios de padrões científicos para minimizar ou mitigar<br />

os impactos causados por esta ou aquela atividade<br />

produtiva. A segunda, focada na normatização International<br />

Organization for Standardization – ISO, como uma<br />

forma de pressão competitiva, um diferencial que garante<br />

o compromisso de preservar e respeitar o meio ambiente<br />

para esta e para as futuras gerações.<br />

Entretanto, identificamos uma atividade produtiva,<br />

que exerce um papel extremamente importante para a<br />

soci<strong>ed</strong>ade urbana, além de gerar empregos, a indústria de<br />

derivados e de subprodutos animais, a que recolhe os ossos,<br />

as vísceras e outros subprodutos animais que estão<br />

proibidos de serem depositados nos aterros sanitários,<br />

lixões ou em valas sépticas.<br />

Então não podendo ser depositado em aterros sanitário,<br />

deveriam ser montados mega-incineradores para<br />

atender a demanda de milhões de toneladas geradas diariamente<br />

em todo Brasil? E ainda, o Brasil sendo o maior<br />

exportador mundial de carne (não exporta ossos e nem<br />

vísceras) este volume aumentaria substancialmente. Esta<br />

responsabilidade de incinerar seria do governante? Então<br />

onde está o órgão f<strong>ed</strong>eral, os estaduais e os municipais<br />

de fiscalização que já deveriam exigir do próprio governo<br />

o cumprimento da legislação vigente?<br />

Caberia ai uma intervenção do ministério público f<strong>ed</strong>e-<br />

Por: Antonio Noca Freire –Auditor Ambiental<br />

ral e estadual, cobrando a omissão dos estados brasileiros<br />

ao cumprimento da legislação vigente.<br />

As “Graxarias”, denominação antiga para a atividade,<br />

como eram conhecidas são, hoje, fundamentais para os<br />

grandes aglomerados humanos, como as metrópoles e as<br />

megalópoles. Imaginem o que representaria a paralisação<br />

desta atividade, desse setor. Representaria um impacto<br />

de alguns milhões de toneladas de vísceras animais, sobras<br />

de aves, penas, ossadas e restos animais, em estado<br />

de putrefação. A conseqüência im<strong>ed</strong>iata seria o abandonados<br />

nas ruas, estradas, em terrenos esmos, lançados<br />

nas lagoas, provocando nuvens de urubus cobrindo os<br />

centros urbanos, a proliferação de uma série de doenças<br />

infectocontagiosas e o estado legal não tem, não teria<br />

condições im<strong>ed</strong>iata de realizar um contingenciamento<br />

para esta situação.<br />

A atividade, hoje é denominada de Reciclagem Animal,<br />

que recolhe todo esse resíduo impactante, tritura-o e o<br />

transforma em subproduto para outras atividades industriais,<br />

como insumo para a produção de sabão, ração animal<br />

e biodiesel.<br />

Como está evidenciado essa atividade realiza uma<br />

ação socioambiental, assim não estaria à legislação sendo<br />

injusta, cobrando-lhe impostos, sobretaxando de obrigações<br />

tributárias, fiscalizações rígidas e abusivas?<br />

Os legisladores e os governantes estariam propensos<br />

a mudar e corrigir essa falha e passar essa atividade industrial<br />

para atividade recicladora, inclusive isentando de<br />

impostos, e ao contrário do que ai está incentivar a produtividade<br />

de tal atividade, que realizar uma de mitigação<br />

e eliminação de um “Passivo Ambiental” para a Prefeitura,<br />

para os Estado e para a União?<br />

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Capa<br />

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Por: Paulo Celestino<br />

Quando o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)<br />

exigiu a implantação de esterilizadores com características<br />

automáticas, muitos empresários se depararam com um dilema.<br />

Os custos, eficiência e, até mesmo, a necessidade da<br />

esterilização da farinha são ainda hoje questionados. Polêmicas<br />

à parte, a normativa terminou levando um elemento<br />

novo para muitas graxarias: a automação. Hoje em dia, ela<br />

está em todo lugar, apesar de passar despercebida em muitos<br />

lugares. É só lembrar de coisas simples como o vidro<br />

elétrico do carro, o caixa eletrônico do banco ou as cancelas<br />

eletrônicas nas rodovias, que se utilizam da tecnologia.<br />

Há quem diga que até os aviões serão não-tripulados – isto<br />

é, não vão precisar de pilotos – no futuro não tão distante.<br />

Se em pequenas coisas do dia-a-dia a automação<br />

muda a nossa vida, dentro das indústrias se dá uma<br />

revolução que muitas vezes não é percebida. Grandes<br />

complexos industriais hoje são operados por sistemas<br />

eletrônicos e automáticos. No segmento das graxarias,<br />

a automação é uma área incipiente. A verdade é de que<br />

muitas das empresas ainda trabalham com sistemas antigos,<br />

com tempo estimado ou visual de processo. Em<br />

muitos casos, de forma precária. Mas os empresários do<br />

segmento já começam a conhecer mais o que a automação<br />

pode fazer por suas empresas. Não há números<br />

específicos de quantas plantas já se encontram automa-<br />

A A u t o m A ç ã o industriAl i n g r e s s A<br />

n A s g r A x A r i A s t e n d o A s n o r m A t i v A s<br />

d o mA p A c o m o p o r t A d e e n t r A d A,<br />

m A s e m p r e s A s e s p e c i A l i z A d A s q u e r e m<br />

m o s t r A r q u e p o d e m contribuir A i n d A<br />

m A i s p A r A A m e l h o r iA d o s e g m e n t o<br />

Um mundo a se descobrir<br />

tizadas. Porém, há uma certeza: a automação tem muito<br />

a contribuir com a melhoria de processos e a qualidade<br />

final dos produtos de qualquer área industrial.<br />

Nas graxarias, especificamente, o quadro está mudando<br />

e tem uma motivação muito clara. A grande porta de<br />

entrada da automação no segmento tem sido a implantação<br />

dos esterilizadores de farinha, a partir das adequações<br />

às instruções normativas nº 34, de m<strong>ed</strong>idas de precaução<br />

contra a Febre Aftosa, e nº 15, de Boas Práticas de Produção<br />

nas graxarias. Além dessa necessidade específica exigida<br />

por Lei, há ainda um grande leque de processos que podem<br />

ser automatizados de forma independente ou em conjunto<br />

com outras atuações dentro das graxarias.<br />

Algumas graxarias brasileiras estão até partindo para<br />

automatização completa da fábrica. E, para isto, contam<br />

com diversos tipos de soluções, até mesmo de empresas<br />

locais. Segundo o consultor Alexandre Ferreira, há uma<br />

transferência de conhecimento de outras áreas industriais<br />

que já utilizam a automação e as adaptações para as graxarias<br />

têm se dado de forma competente. Além disso, há empresas<br />

já especializadas no segmento. Mas ele alerta que,<br />

independente da empresa, é importante haver um conhecimento<br />

e interesse pelo “chão de fábrica”. “Há empresas que<br />

saíram na frente neste aspecto”, afirma.<br />

São vários e bons motivos para se investir na automação<br />

da empresa. Tornar o processo de produção muito mais homogêneo, r<strong>ed</strong>uzindo as<br />

falhas e interrupções da produção estão entre as principais motivações. A segurança<br />

é outro fator, ao deslocar a mão-de-obra para atividades gerenciais, em vez de manter<br />

operadores lidando diretamente com a produção. Uma eventual economia, tanto de<br />

energia, como de mão-de-obra, é ainda outro motivo para ser levado em consideração.<br />

Outros pontos defendidos pelos empresários do setor são a r<strong>ed</strong>ução dos custos de<br />

manutenção e o aumento do tempo de disponibilidade das máquinas.<br />

A área de automação é marcada pela vari<strong>ed</strong>ade, desde os produtos colocados pelas<br />

empresas do ramo, até soluções criadas por elas. A variação de preços também é<br />

grande. Por sua vez, os níveis de automação vão de sistemas mais simples aos mais<br />

complexos, dependendo do tamanho das plantas. Entre os processos nos quais a automação<br />

pode ser utilizada estão abertura e fechamento de válvulas; injeção de vapor;<br />

recepção e pesagem dos produtos; acompanhamento do tempo de processo de<br />

caldeiras e digestores; controle da velocidade dos processos para se obter a máxima<br />

eficiência, entre outros. “Em geral, os seus usos são indicados principalmente onde há<br />

processos constantes e repetidos, para que não haja a necessidade de trabalho físico,<br />

dispensando operadores diretos”, afirma Ferreira.<br />

Ainda segundo ele, para conduzir a automação dentro das empresas, há de se ter muito<br />

cuidado. Em primeiro lugar, o investimento é algo que exige uma reflexão dos empresários<br />

e depende muito do tamanho da empresa. Portanto, está diretamente ligado à escala de<br />

produção. O custo para automatizar uma pequena ou grande produção pode ser o mesmo.<br />

É necessário ainda avaliar bem antes de se investir. “É preciso perguntar para quê a graxaria<br />

necessita da automação, o que se espera dela. Há um retorno im<strong>ed</strong>iato, que pode ser agregado<br />

para a empresa, como um ambiente mais limpo, seguro e confiável. Com isso, sobra<br />

mais tempo para se ganhar dinheiro. Mas, financeiramente, é importante ter em mente que<br />

os retornos são a médio e longo prazo”, coloca o consultor.<br />

Uma coisa é fato: de forma geral, a indústria de automação registra um bom ano no<br />

exercício 2008, com muitas vendas e ampliação da carteira de clientes. As empresas<br />

utilizaram a normativa do Mapa como cartão de visitas para promover uma maior aproximação<br />

com as graxarias. Daí por diante, esperam ampliar o leque de produtos a serem<br />

fornecidos e também de projetos completos de automação nas graxarias. Mas os<br />

empresários já consideram um cenário de expectativa para 2009. Com menos crédito e<br />

financiamentos, a perspectiva é de que as graxarias invistam menos em equipamentos<br />

no próximo ano. Os executivos do setor já têm sentido sinais da crise. As empresas<br />

que utilizam linhas de crédito f<strong>ed</strong>erais já observam o alongamento de prazos para a<br />

liberação de recursos. Os financiamentos, como o Finame, do BNDES, já estão levando<br />

mais tempo para ser aprovados.<br />

Mas, no geral, acr<strong>ed</strong>itam que os investimentos não vão parar como um todo. Segundo<br />

os empresários e especialistas ouvidos, a médio e longo prazo, as graxarias terão<br />

de buscar situações de menor custo operacional, até como estratégia para voltar a<br />

ganhar o mais rápido possível assim que a tempestade passar e os ventos da economia<br />

voltarem a soprar mais calmamente. Os fabricantes acr<strong>ed</strong>itam nisto. “Como estamos<br />

no setor primário, devemos sentir menos os impactos da crise”, afirma o diretor da<br />

Hidromatic, Valter Toshio Fukunishi. Já o proprietário da Alphalink, Luis Alberto Castrucci,<br />

estima que 2009 será um ano difícil, mas ao mesmo tempo vê o período como<br />

uma oportunidade de explorar novos mercados. “Será um ano para as empresas se prepararem<br />

para o momento pós-crise. Quem sair na frente vai conseguir uma vantagem<br />

muito grande”, acr<strong>ed</strong>ita.<br />

Mesmo em meio a períodos de “vacas magras”, o que não se pode acr<strong>ed</strong>itar é em<br />

“qualquer” solução, amadora, sob o risco de trazer prejuízos, não só para as empresas,<br />

mas para todo o setor. A seguir, conheça algumas das empresas que vêm atuando<br />

junto às graxarias na implantação de projetos completos de automação ou, de forma<br />

separada, fornecendo produtos automatizados.


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Th o r Má q u i n a s e Pr o d u T o s<br />

Para o supervisor de vendas da Thor, Paulo Can<strong>ed</strong>a, a<br />

automação surge da necessidade de se buscar um padrão<br />

de qualidade nas fábricas de farinha, além de maior segurança.<br />

Na opinião dele, como a normativa do Mapa veio para<br />

disciplinar o processo produtivo nas fábricas, a automação<br />

tem muito a contribuir com isto. “A automação pressupõe<br />

uma disciplina de processos. Ela garante que o produto final<br />

terá a mesma forma e teor, com mais economia e mais<br />

qualidade. A automação é a ferramenta mais importante<br />

para tornar a indústria pecuária mais segura”, defende o<br />

supervisor.<br />

O setor de automação da empresa atua com todo o processo,<br />

desde a descarga da matéria-prima nas moegas de<br />

recebimento, passando pela trituração, carga dos digestores<br />

contínuos ou bateladas, prensas, moagem, esterilização,<br />

tratamento de gases, até os silos de armazenagem ou<br />

ensacados. Por meio do seu departamento de engenharia,<br />

a Thor realiza o próprio desenvolvimento de toda a sua tecnologia<br />

utilizando, para isto, simulações e protótipos instalados<br />

em clientes.<br />

Ainda na sua linha de produtos, a Thor oferece as prensas<br />

Expeller com PLC, nas quais o cone de prensagem da<br />

massa é móvel, atuado por pistões hidráulicos. A máquina<br />

tem a carga automática controlada para que não trabalhe<br />

na potência máxima, assim como os moinhos de farinhas,<br />

evitando paradas indesejáveis durante o processo. “Com<br />

isso, a máquina possui um força para extrair maior índice<br />

de sebo da massa, oferecendo maior rentabilidade do que<br />

as prensas mecânicas”, explica.<br />

Um software também foi desenvolvido para gerenciar<br />

processos como abrir e fechar válvulas, ligar ou desligar<br />

motores, injetar vapor de forma totalmente automática e<br />

gerenciar os processos, entre outras atividades. A Thor<br />

notou uma preocupação muito grande de parte dos empresários<br />

do setor de graxaria no que tange a área ambiental<br />

e o aproveitamento de energia. A partir disso, lançou<br />

dois novos produtos para a área de frigoríficos. O Sistema<br />

Trocador de Calor, para tratar gases dos processos de cozimento<br />

de resíduos com co-geração de energia térmica<br />

e o Sistema de Queima de Rúmen, que seca os resíduos<br />

intestinais e ruminais gerados nos frigoríficos que abatem<br />

bovinos, gerando matéria-prima a ser queimada na fornalha<br />

da caldeira.<br />

alPhalink au T o M a ç ã o<br />

Segundo o proprietário da Alphalink, Luiz Alberto Castrucci,<br />

a empresa teve os esterilizadores como carro-chefe<br />

dos produtos na busca do atendimento à normativa do<br />

Mapa. No balanço geral, Castrucci avalia que 2008 foi um<br />

ano “extremamente” positivo para a Alphalink, com aumento<br />

de faturamento e expansão da base de clientes.<br />

Uma das pioneiras no setor da automação, a empresa<br />

atua exclusivamente no desenvolvimento e implantação de<br />

sistemas de automação de indústrias há mais de vinte anos,<br />

em diversos tipos de plantas, principalmente no segmento<br />

de beleza e limpeza, como fábricas de sabão e sabonetes,<br />

glicerina e detergentes. Também acumula experiência em<br />

indústrias como produção de fertilizantes, ácido sulfúrico<br />

e cimento. Para as graxarias, a Alphalink engloba equipamentos<br />

e programas de automação do processo de esterilização<br />

exigidos pelo Mapa e também a automação como<br />

um todo, em processos como seqüenciamento da matériaprima,<br />

controle do cozimento nos digestores e segurança<br />

das caldeiras.<br />

Segundo informa Castrucci, um dos diferenciais da Alphalink<br />

é o atendimento. “Como estamos na linha de frente<br />

da automação nas indústrias, tendo contato direto tanto<br />

com os controladores quanto com o pessoal de operação,<br />

conseguimos entender e aprender rapidamente as necessidades<br />

específicas e adaptar nossos sistemas”, afirma. O<br />

desenvolvimento dos produtos é interno, portanto, não<br />

depende de terceiros. O software de supervisão é também<br />

desenvolvido pela própria empresa, cujo controle permite<br />

competitividade econômica, além de garantia de solução de<br />

novos desafios em prazos curtos.<br />

Be T a au T o M a ç ã o<br />

Para Rubens Amado Neto, diretor-executivo da Beta,<br />

a automação está ligada diretamente à qualidade do produto<br />

e à rentabilidade de uma empresa. “É cada vez mais<br />

crescente a demanda por soluções para viabilizar o fluxo<br />

do processo de forma econômica e com qualidade. Isso é<br />

um diferencial estratégico. E só a automação proporciona<br />

isso”, afirma. Na sua avaliação, as graxarias estão migrando<br />

aos poucos para os sistemas informatizados, principalmente<br />

aproveitando o cenário de liderança brasileira no<br />

setor de proteínas.<br />

Amado Neto define a empresa como jovem, com a missão<br />

de fornecer equipamentos de alta qualidade, inovando<br />

e criando soluções para seus clientes. Empresa 100% nacional<br />

e nova no segmento de graxarias, acumula grande<br />

experiência em diversos segmentos. “Esse nosso conhecimento<br />

está sendo colocado à disposição das graxarias”,<br />

afirma. Ainda segundo ele, no processo de busca por soluções<br />

práticas, a Beta busca um contato direto com o cliente,<br />

ouvindo suas necessidades. “Só no chão de fábrica se<br />

aprende”, disse.<br />

A Beta proporciona a opção de automação completa de<br />

plantas ou instalação separada de produtos, como esterilizadores<br />

de subprodutos e válvulas do tipo guilhotina automatizadas.<br />

Recentemente, lançou no mercado os kits para<br />

coleta automática de resíduos, que r<strong>ed</strong>uzem custo e mãode-obra,<br />

facilitando ainda o carregamento de caminhões<br />

nos pontos de coleta.<br />

O diretor ressalta a importância do pós-venda na Beta<br />

Automação. Ele cita como exemplo um momento crítico,<br />

mas que mostra a seri<strong>ed</strong>ade com que a empresa trata o<br />

segmento. Eles realizaram um recall de 74 máquinas comercializadas.<br />

A empresa detectou que as válvulas de entrada<br />

e saída de produto do esterilizador estavam com defeito.<br />

Segundo ele, foram gastos mais de R$ 2 milhões no<br />

recolhimento dos produtos, sem custos para os clientes.<br />

“Isso mostra que a seri<strong>ed</strong>ade não se m<strong>ed</strong>e pelos anos de<br />

existência e reafirma que a Beta, apesar de ter apenas quatro<br />

anos no mercado de graxaria, é uma empresa que veio<br />

para ficar”, diz.<br />

hi d r o M a T i c<br />

O diretor da Hidromatic, Valter Toshio Fukunishi, também<br />

aponta a automação como um diferencial em qualquer<br />

indústria. Segundo ele, a automação garante o perfeito funcionamento<br />

com a mínima ocorrência de erros, evitando<br />

ainda as paradas impróprias. Ao mesmo tempo, ele vê que<br />

a automação também proporciona uma maior segurança de<br />

bens materiais e das pessoas envolvidas no processo.<br />

Na avaliação do diretor, o nível de automação nas graxarias<br />

ainda é baixo, mas tem crescido significativamente<br />

devido à nova regulamentação. Para Fukunishi, a procura<br />

em 2008 foi diretamente proporcional às exigências do<br />

Mapa. Mas ele reforça que não é só o processo de esterilização<br />

que tem potencial para a automação. “Outros<br />

equipamentos como digestores (processo de cozimento),<br />

prensa (torta final) e decanter (separador de impurezas<br />

no óleo) podem entrar no processo”, ressalta.<br />

Com o perfil focado em soluções globais de automação<br />

industrial, a Hidromatic busca desenvolver parcerias com<br />

o cliente para resolver problemas de produção e melhorar<br />

a qualidade e a produtividade. A tecnologia empregada<br />

está disponível no mercado nacional, sendo adequadas<br />

às diversas aplicações. A empresa oferece o projeto completo<br />

de automação de plantas e também outros produtos<br />

de forma separada. Montam painéis de força e comando,<br />

vendem equipamentos como válvulas borboletas, guilhotinas<br />

esfera, posicionadores atuadores, transmissão de<br />

pressão, sensores de nível e fins de curso. Configuram<br />

ainda os PLC’s e sistemas supervisórios para a interface<br />

do operador.<br />

Mas o diretor destaca que há uma questão de segurança<br />

a se ter atenção no atendimento da Norma. Segundo<br />

ele, algumas graxarias buscam adaptar a esterilização no<br />

próprio digestor. Com isso, muitos digestores não funcionariam<br />

adequadamente. “Além disso, há falhas conceituais<br />

no projeto, inclusive oferecendo riscos para os operários,<br />

pois, normalmente, as válvulas de entrada e saída<br />

de produto são manuais e podem ser abertas a qualquer<br />

momento, estando o digestor-esterilizador pressurizado<br />

ou não”, afirma.<br />

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Foco na qualidade<br />

Claudio Bellaver<br />

M<strong>ed</strong>. Vet., PhD, ProEmbrapa e QualyFoco - Consultores<br />

Associados, Concórdia SC - bellaver@netcon.com.br<br />

Digestibilidade em Pepsina<br />

Ligando o artigo escrito para a <strong>ed</strong>ição passada,<br />

que definiu o significado da qualidade, abordaremos a<br />

seguir, em uma serie de artigos, variáveis identificadoras<br />

da qualidade das farinhas e gorduras animais.<br />

S abe-se que na alimentação animal é importante<br />

conhecer a digestibilidade dos nutrientes e energia<br />

dos alimentos. O meio mais adequado para isso é a<br />

determinação da digestibilidade diretamente no animal,<br />

havendo farta e conhecida literatura desse assunto<br />

da nutrição. Entretanto, os métodos in vivo, com<br />

vantagens de confiabilidade e boa repetibilidade, são<br />

caros e demorados. Por isso, as técnicas laboratoriais<br />

também são usadas para estimar o valor nutritivo<br />

dos ingr<strong>ed</strong>ientes. Um dos métodos para pr<strong>ed</strong>izer<br />

a digestibilidade de proteínas animais é através da<br />

Digestibilidade em Pepsina, analisando o Nitrogênio<br />

solubilizado pelo método. Esse proc<strong>ed</strong>imento guarda<br />

boa correlação com valores in vivo, é de rápida execução<br />

e relativamente barato. Em geral os laboratórios que<br />

executam essa análise, baseiam-se no método original<br />

do AOAC, que iniciou com Pepsina na concentração de<br />

0,2% e atividade de 1:10.000. Estudos recentes mostram<br />

que existem diferenças na solubilidade da proteína bruta<br />

(PB), quando comparado com as concentrações de 0,002%<br />

ou 0,0002% de Pepsina. Comparando na tabela abaixo,<br />

duas farinhas de carne e ossos, sendo uma de maior PB<br />

e de melhor qualidade que a outra, à m<strong>ed</strong>ida que diminui<br />

a concentração da Pepsina há menor solubilidade da PB<br />

Por: Claudio Bellaver<br />

em ambas as farinhas; mas, a diferença entre as duas<br />

farinhas aumenta à m<strong>ed</strong>ida que diminui a concentração<br />

de Pepsina. Portanto, embora haja uma diminuição<br />

da PB solúvel com menos Pepsina, há também maior<br />

diferenciação entre as duas farinhas.<br />

Assim, a concentração de 0,0002% de Pepsina, é melhor<br />

do que as outras concentrações para classificar a<br />

digestibilidade da PB de farinhas animais. Por outro lado,<br />

é preciso cuidado no laboratório, pois as quantidades de<br />

enzima usadas são muito pequenas e sujeitas ao erro.<br />

Por isso, recomenda-se o preparo de concentrações<br />

maiores (0,2%) para depois diluí-la, chegando a menor<br />

concentração (0,0002 %). Sugere-se ainda que a filtração<br />

que consta da técnica do AOAC, possa ser substituída<br />

pela centrifugação a 2500 RPM e análise do N solúvel no<br />

sobrenadante. Com isso, se ganha tempo sem perda de<br />

precisão, sendo que os demais passos do proc<strong>ed</strong>imento<br />

devem ser seguidos conforme o AOAC.<br />

Digestibilidade em Pepsina (%) de<br />

Farinhas de Carne e Ossos (FCO)<br />

Concentração FCO<br />

de Pepsina (%) de baixa PB<br />

0,0002 33,7616<br />

0,002 65,2901<br />

0,02 90,9477<br />

0,2 90,9562<br />

FCO<br />

de alta PB<br />

78,6777<br />

87,0494<br />

91,9651<br />

91,9653<br />

Diferença<br />

na<br />

digestibilidade<br />

44,92<br />

21,76<br />

1,02<br />

1,01


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Pet Food On Line<br />

A extrusão na sua história foi descrita por alguns<br />

pesquisadores como uma arte e em nossa atualidade sabemos<br />

que é uma ciência e encontramos grandes pesquisadores e<br />

indústrias de tecnologia a nível mundial trabalhando para<br />

aperfeiçoar e inovar cada vez mais este processo.<br />

Em linhas gerais pode- se definir o processo de extrusão<br />

como:<br />

“É o processo pelo qual amidos e/ou proteínas um<strong>ed</strong>ecidos,<br />

expansíveis, tomam forma plástica e são cozidos em um tubo<br />

sob uma combinação de umidade, pressão, temperatura e<br />

fricção mecânica”.<br />

A extrusão teve rápida aceitação como importante<br />

operação de processamento de alimentos devido a varias<br />

vantagens apresentada pelo processo.<br />

A versatilidade do processo de extrusão permite que uma<br />

ampla vari<strong>ed</strong>ade de produtos tais como, rações aquáticas,<br />

farinha de soja integral, rações para cães e gatos bem como<br />

outras especialidades de rações com diferentes formas,<br />

densidades e qualidades nutricionais e sensoriais sejam<br />

produzidas através de um único sistema básico variandose<br />

apenas os ingr<strong>ed</strong>ientes de formulação e as condições de<br />

extrusão.<br />

Por Claudio Mathias<br />

A EXTRUSÃO NO PREPARO DE<br />

ALIMENTOS PARA ANIMAIS DE<br />

ESTIMAÇÃO (PET FOOD)<br />

A extrusora realiza numerosas funções (todas<br />

elas simultaneamente), com tempo muito r<strong>ed</strong>uzido,<br />

caracterizando um processo bastante complexo.<br />

Para realizar este processo, as extrusoras dispõem de<br />

vários equipamentos e dispositivos cujo arranjo mecânico<br />

varia de acordo com o fabricante, porém pode-se dizer que<br />

os componentes ou sistemas básicos dos extrusoras são os<br />

seguintes:<br />

- Sistema de alimentação<br />

- Sistema de pré-condicionamento<br />

- Sistema de extrusão (canhão, eixo extrusora, roscas,<br />

camisas e matriz de formatação)<br />

- Sistema de corte<br />

Atualmente quatro tipos de extrusoras têm sido<br />

utilizados no processamento de alimentos para animais,<br />

são eles: extrusoras de cozimento STHT (short time/high<br />

temperature) de rosca simples, extrusoras de cozimento<br />

STHT de rosca dupla (twin-screw), extrusoras de cozimento<br />

por pressão e as extrusoras de cozimento a seco.<br />

Para melhor entender o processo não podemos resumir<br />

somente os aspectos do sistema de extrusão, pois para o<br />

processamento de alimentos para animais de estimação<br />

precisamos especificar todas as etapas envolvidas.<br />

As matérias-primas que compõe a formulação do produto<br />

e suas características físico-químicas bem como os padrões<br />

de qualidade das mesmas são na realidade o começo de<br />

tudo, pois é necessário definir quais matérias-primas serão<br />

utilizadas e conhecer qual a contribuição nutricional de<br />

cada uma delas e quais serão os efeitos da combinação das<br />

mesmas no processo de extrusão e na qualidade final do<br />

produto, pois muitas vezes nos deparamos com formulações<br />

onde todas as necessidades nutricionais são atendidas e<br />

com excelentes custos, mas em nível de processo não são<br />

viáveis.<br />

Ao ingressar na fábrica as matérias-primas devem ser<br />

avaliadas de acordo com padrões de qualidade previamente<br />

estabelecidos e após sua recepção devem ser estocadas<br />

adequadamente em silos ou em armazéns. Os grãos e os<br />

farelos peletizados devem passar por um processo de prémoagem<br />

antes de sua utilização no processo de mistura,<br />

pois para garantir uma boa qualidade de mistura, ou seja,<br />

uma mistura homogênea é importante que as partículas dos<br />

ingr<strong>ed</strong>ientes que compõe a formula possuam uma distribuição<br />

de tamanhos adequados.<br />

Após a pesagem e mistura dos ingr<strong>ed</strong>ientes a farinha<br />

resultante deve passar por um processo de moagem fina e<br />

nesta etapa não se deve pensar somente em produtividade<br />

de moagem em toneladas/h e consumo de energia em Kw/<br />

tonelada, mas também no tipo de curva granulométrica<br />

oferecida pelo sistema de moagem, pois uma farinha com<br />

uma curva granulométrica adequada, resulta em um produto<br />

de excelente aparência e com menor geração de finos, e<br />

melhora a performance do processo de extrusão, pois auxilia<br />

no cozimento do produto e ainda minimiza o desgaste dos<br />

componentes do sistema.<br />

Chegamos à etapa de extrusão e aí a grande pergunta<br />

é: é este o coração da fabrica? Depende do ponto de vista,<br />

pois se avaliarmos o processo é nesta fase que ocorre a<br />

grande transformação, onde os amidos são gelatinizados , as<br />

proteínas são modificadas e a farinha que era sólida tornase<br />

uma material semi-líquido e transforma-se em produtos<br />

com formatos, densidades e cores diferenciados mas não<br />

podemos esquecer que se as etapas citadas anteriormente<br />

não estiverem de acordo não será possível obter os resultados<br />

Claudio Mathias<br />

Consultor de Processos Industriais<br />

Especializado em Processos de<br />

Extrusão (Pet Food e Fish Fe<strong>ed</strong>)<br />

desejados.<br />

Na sequência do processo de produção de alimentos<br />

para animais é necessária uma etapa de secagem ,pois<br />

devido a utilização de água e vapor durante o cozimento<br />

no processo de extrusão o produto resultante possui uma<br />

alta umidade que deverá estar em torno de 22 a 25% e por<br />

segurança alimentar, ou seja, para garantir a estabilidade<br />

microbiológica do produto é necessário r<strong>ed</strong>uzir esta<br />

umidade a um limite máximo no qual se obtém um produto<br />

com baixa atividade de água (< 0.62) a qual não permite o<br />

crescimento de fungos, lev<strong>ed</strong>uras e bactérias.<br />

Para o processo de secagem existem muitas opções<br />

de secadores em relação a marcas e modelos fabricados,<br />

mas basicamente são utilizados secadores horizontais e<br />

verticais, sendo que atualmente no Brasil o maior número<br />

de secadores em operação são do tipo horizontal, utilizando<br />

sistemas de aquecimento proveniente de vapor ou gás,<br />

sendo que o principio e o objetivo de todos é o mesmo,<br />

ou seja, r<strong>ed</strong>uzir uniformemente a umidade do produto<br />

com a maior eficiência possível, lembrando que a umidade<br />

interferirá diretamente na palatabilidade,na estabilidade<br />

dos produtos extrusados e na rentabilidade do processo<br />

sendo que o ideal é manter a umidade o mais próximo<br />

possível de 10 % e com atividade de água abaixo de 0.62%.<br />

Neste processo existem uma série de variáveis envolvidas<br />

e a escolha e o dimensionamento correto do equipamento<br />

é o primeiro passo.<br />

Após a etapa de secagem o produto recebe uma<br />

aplicação externa de líquidos e/ou pós para melhorar a sua<br />

palatabilidade. Nesta etapa do processo é muito importante<br />

a aplicação uniforme de gorduras e palatabilizantes (<br />

líquidos e/ou pós) sobre toda a superfície do produtos ,<br />

sendo que para isso existem diversos sistemas de aplicação<br />

atmosféricos e / ou à vácuo.<br />

A última fase do processo antes do empacotamento do<br />

produto é o resfriamento, e não menos importante que as<br />

outras etapas muitas vezes é esquecido e estudos mostram<br />

que problemas com fungos em produtos podem ser<br />

originários de um sistema de resfriamento sem eficiência e<br />

sem controle.<br />

Na próxima <strong>ed</strong>ição estaremos nos aprofundando mais<br />

sobre cada etapa do processo.<br />

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Entrevista<br />

Salvador J.<br />

Grecco (Martec)<br />

de c A r o n A n o m u n d o d A s g r A x A r iA s. Assim o d i r e t o r<br />

c o m e r c iA l d A mA r t e c, sA l v A d o r J. gr e c c o v e m A c o m p A n h A n d o<br />

o segmento d e p e r t o h á pelo m e n o s 30 A n o s. A empresA<br />

n A q u A l t r A b A l h A f o r n e c e m o i n h o s e p e ç A s, e n t r e o u t r o s<br />

p r o d u t o s e s e r v i ç o s v o l t A d o s p A r A A s A t i v i dA d e s d e m o A g e m<br />

em d i v e r s o s setores A l é m d A s g r A x A r iA s. gr e c c o v ê o segmento<br />

c o m o u t r A “r o u p A g e m” q u A n d o c o m p A r A d o A t e m p o s p A s s A d o s.<br />

pA r A ele, t o r n o u-se m A i s o r g A n i zA d o, “c o m e m p r e s á r i o s c o m<br />

A u t o-senso e c o n s c i ê n c iA d A importânciA d A s u A A t i v i dA d e<br />

d e n t r o d A c A d e iA p r o d u t i vA d e p r o t e í nA A n i mA l”. gr e c c o<br />

A v A l iA q u e 2008 f o i u m A n o c o m p e r í o d o s b o n s, excelentes e<br />

r u i n s. Ap e s A r d A c r i s e, A p o s t A n A e s t A b i l i zA ç ã o d A t u r b u l ê n c iA<br />

e p l A n e J A c r e s c i m e n t o p A r A o p r ó x i m o A n o. A re v i s tA<br />

gr A x A r iA br A s i l e i r A t A m b é m discutiu o u t r o s Assuntos c o m o<br />

d i r e t o r, c o m o A q u e s t ã o d o biodiesel e o s diferenciAis d e s e u s<br />

p r o d u t o s.<br />

Por Paulo Celestino<br />

Revista Graxaria Brasileira - Que balanço o senhor<br />

faz do mercado de graxarias em 2008?<br />

Salvador J. Grecco - A graxaria, como qualquer outra<br />

atividade, é cíclica, tendo períodos bons, excelentes<br />

e ruins. Na minha opinião, o ano de 2008 teve três<br />

realidades diversas nos três quadrimestres. O primeiro,<br />

de janeiro a abril, foi de expectativas, com um mercado<br />

pouco demandado para sebo e farinha, mas com boas<br />

perspectivas para os meses seguintes. As empresas<br />

programaram grandes investimentos para atender a<br />

normas do Ministério da Agricultura e melhorias em<br />

suas plantas industriais. O segundo quadrimestre, de<br />

maio a agosto, foi um momento de euforia para o setor.<br />

As empresas passaram a colher os bons frutos de um<br />

trabalho que vinha sendo feito nos anos anteriores.<br />

O último quadrimestre, ainda em curso, está gerando<br />

grandes inquietações no setor. Por um lado, os preços<br />

da farinha e do sebo estão satisfatórios, por outro,<br />

houve uma r<strong>ed</strong>ução bastante acentuada no volume e na<br />

qualidade da matéria-prima processada, pois os abates<br />

estão r<strong>ed</strong>uzidos e os animais abatidos estão com o peso<br />

médio menor. E isto leva uma a uma matéria-prima de<br />

qualidade inferior e, conseqüentemente, a um menor<br />

rendimento da produção final de sebo e farinha, onerando<br />

assim as graxarias. A pouca oferta de boi gordo para<br />

abate é conseqüência, entre outras coisas, das chuvas<br />

escassas e irregulares dos anos anteriores, quando<br />

o produtor foi obrigado a enviar para o abate grande<br />

quantidade de vacas. E isso levou a um desequilíbrio na<br />

oferta do bezerro de reposição no pasto.<br />

RGB - O senhor acompanha o segmento das<br />

graxarias há bastante tempo. Como o avalia?<br />

Salvador - Hoje, o setor se apresenta com uma<br />

“roupagem” muito diferente da de tempos passados.<br />

Tornou-se mais organizado, tendo empresários com<br />

auto-senso e consciência da importância de sua<br />

atividade dentro da cadeia produtiva de proteína<br />

animal para o ser humano. Isso está ligado ao fato de<br />

o Brasil possuir uma posição de grande importância<br />

no cenário internacional, sendo o maior produtor de<br />

carne bovina do mundo.<br />

RGB - Qual foi o impacto da chegada do biodiesel?<br />

Salvador - O biodiesel teve um papel relevante<br />

no cenário. No entanto, alguns empresários mais<br />

afoitos deram início a uma concorrência pr<strong>ed</strong>atória<br />

na aquisição da matéria-prima, ampliando seus raios<br />

de atuação, fazendo coleta de matéria-prima acima<br />

de 500 quilômetros de suas plantas industriais. Isso<br />

onera a produção e minimiza resultados. Esta é uma<br />

prática antiga que os empresários têm que repensar.<br />

RGB - Havia uma expectativa de maior aquisição de<br />

máquinas e outros investimentos em processo em<br />

2008 com a disponibilidade de crédito. A r<strong>ed</strong>ução<br />

de crédito e de financiamentos é um dos primeiros<br />

efeitos da crise financeira mundial. Como a sua<br />

empresa vê o cenário a curto prazo?<br />

Salvador - A crise globalizada dos bancos é um<br />

fator inegável, que afeta toda esta cadeia produtiva<br />

e a economia como um todo. Até o momento, não<br />

sentimos o efeito da crise financeira mundial em nossa<br />

empresa, pois o mercado de fabricação de máquinas foi<br />

estável no ano vigente. Os empresários do setor estão<br />

confiantes, mas, como todos nós, estão cautelosos,<br />

revendo suas metas, r<strong>ed</strong>imensionando seus objetivos.<br />

RGB - E quais são as suas expectativas para 2009?<br />

Salvador - As expectativas para o ano de 2009 são<br />

de uma estabilização da crise mundial. Nossa empresa<br />

pretende alcançar um crescimento de cerca de 15%.<br />

RGB - Quais os produtos fabricados por sua empresa para o<br />

segmento de graxarias?<br />

Salvador - Somos especializados na área de moagem<br />

para farinha de carne e sub-produtos animais em geral.<br />

Fabricamos e comercializados moinhos a martelo,<br />

peneiras, chapas perfuradas para a caixa peculadora,<br />

pisos antiderrapantes, rotores, anéis, pinos e martelos<br />

para moinho. Contamos hoje com maquinário de alta<br />

tecnologia para balanceamento de rotores.<br />

RGB - Quais são os diferenciais dos produtos<br />

Martec para as graxarias?<br />

Salvador - O diferencial nos produtos para graxaria<br />

foi o desenvolvimento de modernos moinhos com<br />

alta tecnologia e aprimoramento na área de farinha<br />

de carne e sub-produtos em geral. O martelo é<br />

fabricado em aço especial, com dureza de 62 RC,<br />

usinado e cementado com camada de 1,8 mm, contra<br />

um padrão de mercado de 1 a 1,2 mm, o que confere<br />

ao moinho mais capacidade de ajuste e durabilidade<br />

entre 30 e 40% maior. Além disso, contando com o<br />

desenvolvimento em parceria de chapas perfuradas,<br />

oferecemos peneiras com maior aproximação entre<br />

as furações, o que pode aumentar a produtividade na<br />

área de moagem em até 50%.<br />

RGB - Como o senhor chegou a esses diferenciais? A<br />

sua empresa desenvolve tecnologia própria? Como<br />

se dá o processo de desenvolvimento de novas<br />

tecnologias em sua empresa?<br />

Salvador - Sim, desenvolvemos nossa própria<br />

tecnologia de produtos. Chegamos a esses diferenciais<br />

por meio de pesquisa e sugestões feitas por nossos<br />

clientes dentro das graxarias e frigoríficos, além<br />

de outros setores moageiros. O processo usado no<br />

desenvolvimento é efetuado pelo nosso competente<br />

departamento técnico. Nosso objetivo é oferecer maior<br />

produtividade, durabilidade e rendimento, aumentando<br />

assim o lucro de nossa clientela.<br />

RGB - Quais outros segmentos a Martec atende,<br />

além das graxarias?<br />

Salvador - A Martec desenvolveu materiais para<br />

manutenção de todos os segmentos na área de<br />

moagem, entre eles, alimentos, mineração e fábricas<br />

de ração.<br />

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Caderno Técnico 1<br />

A mídia continua repleta de relatórios<br />

salientando os problemas da cadeia alimentar nos<br />

Estados Unidos. Alguns <strong>ed</strong>itoriais sugeriram, nos<br />

últimos meses, que o atual sistema de segurança<br />

alimentar não consegue proteger os consumidores<br />

e é, em si mesmo, um risco. Críticos e advogados<br />

de consumidores mencionam o relatório do<br />

U.S. Government Accountability Office (GAO)<br />

que culpa o atual sistema f<strong>ed</strong>eral de inspeção<br />

alimentar citando, a partir deste relatório: “O atual<br />

sistema f<strong>ed</strong>eral fragmentado causou coordenação<br />

ineficaz e uso pouco eficiente de recursos… para<br />

ajudar a garantir a detecção e resposta rápidas a<br />

qualquer contaminação acidental ou propositada<br />

de alimentos antes que a segurança e saúde<br />

publica sejam comprometidas.”<br />

As preocupações expressas pela GAO são<br />

historicamente o cenário de pior dos casos, uma<br />

tradição naquele “escritório”. Mesmo assim, os<br />

achados publicados se tornam parte de registros<br />

públicos e são usados pelo Congresso como<br />

agentes de mudança para instituir m<strong>ed</strong>idas<br />

corretivas e estabelecer modificações (regulatórias<br />

ou políticas) para evitar recorrências de cabeçalhos<br />

Por Don A. Franco, DVM, MPH The Franco Foundation<br />

Segurança Alimentar:<br />

Uma obrigação da indústria<br />

de processamento<br />

embaraçosos que acentuam falhas na segurança<br />

alimentar e proteção ao consumidor.<br />

Além disto, relatórios tipo do governo, GAO<br />

ou semelhantes fornecem, aos advogados de<br />

consumidores, combustível para críticas e racional<br />

para algumas das reformas propostas. Isto mostra<br />

claramente o atributo de transparência praticado<br />

nos Estados Unidos e Canadá, fornecendo tanto<br />

aos que criticam como os que apóiam programas<br />

abertos para aumentar o debate sobre as varias<br />

perspectives de segurança alimentar nos dois<br />

países. No meio tempo, o publico continua<br />

preocupado, às vezes alarmado, freqüentemente<br />

sentindo-se mal informado e confuso pela miríade<br />

de temas que aparecem e contribuem para o que<br />

parece ser um continuo de diferentes desafios a<br />

segurança alimentar.<br />

O tema central de preocupação foi sempre<br />

descrito como uma ameaça à saúde pública. Isto<br />

tende a ser difícil de definir, freqüentemente<br />

exagerado e raramente ou nunca considerando<br />

as m<strong>ed</strong>idas protetoras tomadas pelas indústrias<br />

ou pelas agências regulatórias para mitigar ou<br />

evitar danos aos consumidores quando o “risco”<br />

é identificado, Esta é uma situação perfeitamente<br />

compreendida pela indústria produtora de<br />

alimentos, advogados de consumidores e outros<br />

ligados direta e indiretamente a alimentos,<br />

incluindo o pessoal técnico e profissional das<br />

agências e os políticos.<br />

O processo tornou-se basicamente político<br />

nas duas últimas décadas. É parte da realidade do<br />

mundo de políticas de segurança alimentar e das<br />

pressões para influenciar mudança em políticas e<br />

regulamentos. É litigioso e envolve a promoção<br />

de agendas por grupos de interesses especiais,<br />

tentando fazer com que seus vieses sejam<br />

ampliados, quer exista ou não apoio científico<br />

para afirmar ou validar suas posições.<br />

Isto não significa obrigatoriamente que<br />

algumas das preocupações com segurança<br />

de alimentos não tenham fundamentos, mas<br />

mostra também que alguns grupos se tornaram<br />

tão emocionalmente envolvidos pelo âmbito<br />

da segurança que eles não têm a paciência de<br />

examinar as nuances da ciência de risco, fator<br />

tão fundamental à objetividade e um pré requisito<br />

à tomada de decisões corretas. Freqüentemente<br />

a emoção acaba vencendo a razão e não se<br />

consegue chegar a um consenso.<br />

E isto é péssimo. A segurança dos alimentos<br />

e um empreendimento de sucesso quando as<br />

forcas trabalham com um programa único e em<br />

conjunto, respeitando as diferentes opiniões.<br />

Da mesma forma, a indústria produtora<br />

de alimentos deve continuar a procurar a<br />

transparência que evoluiu nas duas últimas<br />

décadas e manter o público informado sobre os<br />

inúmeros programas instituídos para garantir<br />

o fornecimento de alimentos seguros. Alguns<br />

regimes, como os programas de analise de risco e<br />

ponto de controle crítico (HACCP), foram tornados<br />

obrigatórios pelo governo, mas a maioria dos<br />

setores da cadeia alimentar implementaram<br />

voluntariamente m<strong>ed</strong>idas de prevenção e controle<br />

para aumentar a segurança, com grandes custos<br />

no processo e sem um requisito regulatório.<br />

Felizmente, a experiência demonstrou que<br />

a incorporação de m<strong>ed</strong>idas de segurança na<br />

produção de alimentos sempre resulta em<br />

benefícios de longo prazo que ultrapassam os<br />

custos. Assim, a abordagem proativa agregou<br />

valor à indústria de processamento.<br />

No começo de minha associação com<br />

a indústria de processamento, lembrei aos<br />

processadores que eles produziam alimentos. Sem<br />

duvidas, alguns continuam a pensar em termos<br />

de ingr<strong>ed</strong>ientes/suplementos de rações para<br />

gado, aves e aqüicultura e animais domésticos.<br />

Aceitando-se que seja verdade, e o pensamento<br />

da minoria do cohorte de processadores.<br />

De acordo com as leis e regulamentação, a<br />

indústria de processamento produz alimentos e<br />

está sujeita ao significado ampliado de adulteração<br />

de 1967 da Food and Drug Administration (FDA)<br />

que afirma que os artigos usados em alimentos<br />

para animais estão incluídos na definição de<br />

alimentos da Seção 201(f) da F<strong>ed</strong>eral Food, Drug,<br />

and Cosmetic Act (Lei F<strong>ed</strong>eral sobre Alimentos,<br />

Drogas e Cosméticos). Assim, aspectos de<br />

adulteração e contaminação de produtos<br />

processados são tratados da mesma forma que<br />

os alimentos para o homem – devem ob<strong>ed</strong>ecer as<br />

leis. Isto deve ser perfeitamente compreendido<br />

pela indústria de processamento quando agentes<br />

do governo intervêm para investigar ou realizar<br />

auditorias.<br />

A lei é clara e rigorosa. Felizmente, a indústria<br />

de processamento, tendo como base auditorias<br />

oficiais do governo tem um registro de ob<strong>ed</strong>iência<br />

que deveria ser inveja da indústria de alimentos,<br />

com uma média de 95 ou mais de percentagem de<br />

ob<strong>ed</strong>iência durante avaliações na ultima década.<br />

Comunicação bilateral entre a indústria e a<br />

FDA garantindo a ob<strong>ed</strong>iência contribuiu para o<br />

sucesso, Os processadores perceberam que a<br />

não ob<strong>ed</strong>iência custava um preço que eles não<br />

estavam preparados para pagar.<br />

as P e c T o s/co n c e iT o s d a Ga r a n T i a d e<br />

se G u r a n ç a d e al iM e n T o s :<br />

A função primeira da indústria de<br />

processamento é produzir e vender produtos<br />

seguros por meio de sistemas operacionais<br />

para ganhar dinheiro e continuar no negócio.<br />

Este objetivo reconhece que cada empresa é<br />

proprietária da produção, sendo responsável<br />

pela manutenção adequada e controles além e<br />

acima dos requisitos regulatórios impostos pelo<br />

governo.<br />

Isto não é diferente de qualquer outro setor<br />

da produção de alimentos. Em essência, cada<br />

companhia tem a única função de administrar<br />

e controlar qualquer falha em potencial da<br />

segurança dos alimentos. Assim toda indústria de<br />

processamento deve possuir:<br />

• um sistema que garanta a qualidade e segurança<br />

de todas as áreas de operação;<br />

• monitoramento da tecnologia e expertise<br />

necessária de inúmeros produtos e processos;<br />

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Caderno Técnico 1<br />

• gestão de dados e elementos para monitorar e<br />

melhorar a qualidade e segurança do produto;<br />

• manter-se a par de todas as facetas da indústria,<br />

incluindo requisitos regulatórios e políticos; e<br />

• treinar uma forca de trabalho para que se tornem<br />

lideres efetivos e parte integral da missão/visão<br />

da empresa.<br />

Os cinco grandes objetivos/garantias mencionados<br />

acima podem ser alcançados por meio de:<br />

• tornar o comprometimento da administração<br />

para com segurança de produtos por meio da<br />

adoção de programas como HACCP ou semelhante<br />

com os mesmos objetivos como o Código de<br />

Pratica da indústria de processamento;<br />

• organizar o sistema operacional com pessoal<br />

adequado de suporte técnico e cientifico;<br />

• estabelecer uma organização descentralizada<br />

que permita discussões próximas ao ponto de<br />

produção e operações;<br />

• criar uma unidade de negócios que seja central<br />

para o sucesso da organização e desempenhe um<br />

papel ativo na tomada de decisões;<br />

• desenvolver o melhor sistema funcional que<br />

seja simples, flexível e administrável, refletindo a<br />

visão/missão da empresa;<br />

• estabelecer sistemas bem suc<strong>ed</strong>idos e integrados<br />

de forma que todos os elementos da operação<br />

se relacionem a gerentes chave para manter o<br />

controle efetivo dos processos (integração interna<br />

da gestão);<br />

• garantir que a cultura da empresa e o braço<br />

comercial funcionem em conjunto para refletir<br />

o sistema e aumentar a confiança, conjunto e<br />

unidade de propósito;<br />

• colaborar abertamente e comunicar em todos<br />

os níveis do sistema e promover um esforço<br />

unificado para garantir a qualidade e segurança<br />

do produto; e<br />

• encorajar todos na empresa a ter uma atitude<br />

de aceitação - devem acr<strong>ed</strong>itar, dizer e fazer, do<br />

presidente ao zelador.<br />

o Pa P e l d o PrinciPal resPonsável<br />

Pela oP e r a ç ã o:<br />

• Colocar pessoas qualificadas em cargo de<br />

garantia de qualidade e segurança do produto.<br />

• Ouvir o conselho da equipe de apoio técnico e<br />

profissional na tomada de decisões que beneficiem<br />

o crescimento e desenvolvimento da empresa.<br />

• Exigir que os fornec<strong>ed</strong>ores ob<strong>ed</strong>eçam a<br />

especificações estabelecidas e acordadas – o<br />

produto é apenas tão seguro quanto seus<br />

componentes.<br />

• Integrar a gestão de informação como<br />

parte da política da empresa para aumentar a<br />

conscientização e a comunicação com a mídia e<br />

o governo.<br />

• Manter-se atualizado sobre leis e regulamentos<br />

que regem a produção, distribuição e manuseio<br />

dos produtos fabricados pela empresa.<br />

• Administrar e inspirar ao maior potencial a<br />

missão/visão da empresa.<br />

Recomendações para Criação de um Programa<br />

de Manutenção de Registros para Validar os<br />

Controles da Empresa:<br />

• Todo registro da empresa deve ter uma<br />

finalidade específica senão é desnecessário.<br />

• Determinar se o registro/arquivo possui um<br />

valor de curto ou longo prazo e quais suas<br />

implicações regulatórias.<br />

• Um documento deve ser completo e qualquer<br />

ação necessária deve ser realizada antes do<br />

preenchimento do mesmo.<br />

• A manutenção eletrônica de registros é aceitável<br />

se for protegida de mudanças não autorizadas.<br />

• Todos os registros de um lote ou remessa<br />

especial processados devem ter um sistema para<br />

ligá-los entre si, por ex., matéria prima e produto<br />

pronto.<br />

• Cada registro da empresa deve ter um nome<br />

e numero de versão e sempre ser datado,<br />

especialmente para ob<strong>ed</strong>ecer a auditorias<br />

regulatórias.<br />

• O arquivamento e manutenção devem ob<strong>ed</strong>ecer<br />

ao plano de controle de registros da empresa e<br />

os registros devem ser facilmente armazenados,<br />

identificados e recuperados.<br />

co M u n i c a ç õ e s Go v e r n o/in d ú s T r i a<br />

O Governo tem o mandato para formular<br />

políticas e estabelecer regulamentos para<br />

garantir a cadeia alimentar segura.Tanto nos<br />

Estados Unidos quanto no Canadá, as indústrias<br />

afetadas tem oportunidade de comunicar suas<br />

preocupações aos representantes do governo<br />

durante encontros marcados ou por escrito.<br />

Freqüentemente, desacordos em boa fé durante<br />

discussões políticas e regulatórias.<br />

Estas devem agregar valor ao debate, se<br />

sinceridade e profissionalismo forem pontos<br />

centrais e se ambos os lados estiverem se<br />

esforçando para garantir que o respeito mútuo<br />

pr<strong>ed</strong>omine enquanto fornecem informações<br />

para resolver os principais pontos da discussão.<br />

Confiança e respeito são elementos importantes<br />

nestes discursos. Isto se obtém quando ambos os<br />

lados se preparam cuidadosamente para<br />

as discussões e apresentam soluções e<br />

opções para consideração com racional<br />

e lógica. Quando aplicável, seria bom<br />

para a indústria, trazer uma curta<br />

apresentação aos representantes do<br />

governo para avaliação, principalmente<br />

nos primeiros estágios de qualquer<br />

processo regulatório em potencial.<br />

O acordo não é obrigatório. O que é<br />

necessário, no entanto, é um exame<br />

justo e completo do assunto, um<br />

ponto-contraponto profissional das<br />

diferenças, quando ocorrem, com<br />

maturidade e <strong>ed</strong>ucação, aceitando que<br />

a indústria possui direitos definidos<br />

e o governo a responsabilidade para<br />

garantir segurança para proteger a<br />

saúde humana e animal. Assim, não é<br />

surpreendente que freqüentemente as<br />

diferenças possam ser resolvidas em<br />

nível técnico, resultando na evolução de<br />

soluções mutuamente acordadas. Isto<br />

se alavanca melhor em uma atmosfera<br />

de negócios, já mencionada acima, onde<br />

todos os envolvidos têm a intenção<br />

de contribuir objetivamente para o<br />

debate, reconhecendo e respeitando<br />

a perspectiva e o ponto de vista dos<br />

outros. A indústria de processamento<br />

é bem representada por uma equipe<br />

profissional que compreende totalmente<br />

estes atributos durante as discussões<br />

com agências governamentais.<br />

co n c l u s ã o<br />

A correlação que torna a segurança<br />

dos alimentos uma obrigação<br />

de negócios para a indústria de<br />

processamento começou de diferentes<br />

maneiras a mais de 25 anos. Começou<br />

formalmente com o estabelecimento<br />

da Animal Protein Producers Industry<br />

(APPI) como um braço de biosegurança<br />

da indústria em 1984.<br />

Ainda que o objetivo inicial da<br />

APPI fosse a prevenção e controle<br />

de contaminação por Salmonella em<br />

Material técnico gentilmente c<strong>ed</strong>ido pela Revista Render (The<br />

National Magazine of Rendering), <strong>ed</strong>ição Outubro de 2008.<br />

Reprodução autorizada pelo autor.<br />

Tradução de Anna Maria Franco<br />

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produtos prontos (refeições à base<br />

de proteína), as metas da indústria se<br />

expandiram com o passar dos anos para<br />

programas holísticos de segurança, de<br />

acordo com os princípios da HACCP<br />

para todos os produtos processados a<br />

fim de garantir a segurança do produto<br />

final.<br />

A maioria dos tópicos apresentados<br />

neste artigo foi discutida de uma forma<br />

ou outra dentro da APPI durante os<br />

anos e subseqüentemente adotados<br />

pela maioria das empresas. Como todos<br />

os programas de controle preventivo<br />

podem ocorrer sobreposições e isto<br />

não é fora do comum em programas<br />

que garantem a segurança. E não é<br />

nada diferente do processamento de<br />

produtos para consume humano onde<br />

r<strong>ed</strong>undância e sobreposições são<br />

abundantes.<br />

Na verdade, não é nada de novo,<br />

exceto para melhorar e promover o<br />

atual Código de Prática da Indústria<br />

de Processamento que aumenta a<br />

segurança em todas as dimensões<br />

concebíveis.<br />

Mas o processo precisa também<br />

de controle de qualidade e estrutura<br />

e da habilidade de prever e planejar,<br />

organizar, comandar, coordenar e<br />

controlar. É a avaliação de prováveis<br />

cenários futuros, decidindo qual a<br />

melhor forma de reagir a eles, encontrar<br />

os recursos necessários para uma<br />

resposta bem suc<strong>ed</strong>ida e empregá-los da<br />

melhor forma possível. Qualquer coisa<br />

a menos poderia causar um fracasso<br />

do sistema que nenhuma companhia<br />

poderia suportar no mundo atual da<br />

indústria de alimentos. A indústria<br />

de processamento está totalmente<br />

consciente disto e, sem dúvida, a frente<br />

da curva, à m<strong>ed</strong>ida que continuamos<br />

a produzir ingr<strong>ed</strong>ientes seguros para<br />

garantir rações seguras, gado, aves,<br />

peixes e animais domésticos saudáveis<br />

e alimentos seguros.<br />

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Caderno Técnico 2<br />

Por Mike Bek<strong>ed</strong>am e James F. Williams, Industrial Steam<br />

Revisão do equilíbrio térmico<br />

para economia de dois digitos<br />

ci c l o c A l d e i r A/v A p o r/c o n d e n s A d o é A c h A v e p A r A e c o n o m iA d e e n e r g i A<br />

Reimpresso com permissão do número de junho de 2008<br />

do HPAC Engineering.<br />

Os dias em que se repassava aos consumidores o<br />

custo agora aparentemente negligenciável do preço do<br />

combustível é uma lembrança do passado. Para continuar<br />

competitivos nesta era de aumentos recorde de preços<br />

dos combustíveis, os usuários de energia devem avaliar<br />

seu consumo de combustível e encontrar formas de<br />

otimizá-lo.<br />

Economizadores, trocadores de calor, queimadores de<br />

baixo oxigênio, isolamentos etc., são meios excelentes<br />

de r<strong>ed</strong>uzir o consumo de combustível e devem ser<br />

considerados, mas, sem sombra de duvida, o local<br />

mais produtivo para começar a buscar o máximo de<br />

economia de combustível/energia – o que oferece<br />

maior retorno sobre investimentos- é o ciclo caldeira/<br />

vapor/condensado. A menos que o equilíbrio térmico da<br />

usina esteja correto, vapor e condensado não utilizados<br />

representam um quantidade significativa, na verdade a<br />

maior de todas, de perda de calor. Considere que a perda<br />

de combustível de um sistema aberto de condensado de<br />

15 libras por polegada quadrada (psig) pode chegar a 6%<br />

do combustível necessário para produzir o calor. Em um<br />

sistema de 100 psig, a perda de calor é de 19%. Com<br />

um sistema de condensado fechado bem desenhado o<br />

retorno pode se dar em questão de meses ou até menos.<br />

re q u i s iT o s d e e n e r G i a<br />

A forma mais fácil e lógica de revisar o equilíbrio<br />

térmico de uma planta é observar a operação da planta.<br />

Vá ao telhado e veja se há vapor sendo perdido na<br />

atmosfera; se este for o caso, determine a fonte. Verifique<br />

o(s) processo(s) procurando condensado potencialmente<br />

recuperável. Ainda que a observação da operação da<br />

planta possa revelar grandes “furos”, esta não é toda a<br />

história. Por exemplo, considere uma planta corrugadora<br />

de papel onde o vapor é utilizado a 175 psi por uma<br />

máquina que opera em ciclo fechado. O vapor é consumido<br />

para plasticização do papel antes da corrugação, mas o<br />

equilíbrio térmico é tal que há uma sobra considerável<br />

de pressão positiva. Não é raro ver-se uma fábrica deste<br />

tipo despejando vapor na atmosfera para manter seus<br />

processos de produção em funcionamento.<br />

Outro exemplo é uma planta enlatadora (de conservas)<br />

– onde o alimento é preparado dentro de grandes<br />

caldeirões de água quente. Antes de 1980, a água para os<br />

caldeirões era aquecida por injeção direta de vapor. Com a<br />

introdução dos trocadores de calor e a volta do condensado<br />

em um sistema fechado sem purgadores pode-se fazer<br />

uma economia de 18%. Quando o preço do combustível<br />

era 3,5 centavos por unidade calorimétrica, tal conversão<br />

era difícil de justificar em operações sazonais, mas com o<br />

preço de combustível chegando próximo de 70 centavos<br />

ou mais por unidade calorimétrica, o retorno pode ocorrer<br />

em semanas. Não tendo revisado seus requisitos de<br />

energia, muitas indústrias estão percebendo a quantidade<br />

de dólares/combustível jogados fora (condensado para o<br />

dreno) ou perdidos como fumaça (vapor rápido).<br />

Pe r d a s r e a i s<br />

A tabela 1 mostra o volume real, calor total e<br />

perdas de combustível em várias pressões. A coluna<br />

do “total de calor perdido pelo vapor rápido” indica a<br />

perda de calor que pode ser atribuída a necessidade de<br />

substituir o vapor perdido com retenção mínima a 60<br />

graus Fahrenheit (F). O que realmente chama a atenção<br />

é o combustível necessário para regenerar este calor<br />

perdido em uma caldeira operando a 80 % de eficiência<br />

(Coluna “Combustível perdido na substituição de calor<br />

perdido”). Com um sistema fechado estas porcentagens<br />

Tabela 1<br />

de combustível perdido representam economia direta de<br />

combustível. A tabela 1 não é totalmente precisa, pois<br />

não leva em consideração perdas incalculáveis como<br />

um aumento de descarga, aumento de uso de produtos<br />

químicos, custo da água de retenção mínima, custo de<br />

esgoto, e água e exigida por algumas municipalidades<br />

para esfriar a descarga.<br />

ca T e G o r i a s d e equilíBrio T é r M i c o<br />

Existem dois tipos de equilíbrio térmico: um baseado<br />

na condição de operação atual da planta e outro baseado<br />

no uso ótimo de energia pela planta. A maioria das plantas<br />

está em uma das seguintes categorias:<br />

• Categoria 1: Todo o vapor é usado pelo processo e é<br />

irrecuperável devido a injeção direta, contaminação ou<br />

por ser impraticável.Uma planta agregada, um jato de<br />

vapor no vácuo, uma panela de pressão com o vapor<br />

potencialmente contaminado são bons exemplos.<br />

• Categoria 2: A maioria ou todo o condensado é<br />

recuperável e a temperatura média da água de alimentação<br />

é consideravelmente mais alta do que a pressão<br />

de operação do sistema de alimentação. Plantas de<br />

processamento, plantas de compensados, corrugadoras<br />

e plantas de borracha são bons exemplos..<br />

• Categoria 3: Apenas uma porção do condensado é<br />

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Caderno Técnico 2<br />

recuperável e o equilíbrio térmico é menos de 212 graus<br />

F. Enlatadoras, plantas químicas e fábricas de papel são<br />

exemplos.<br />

Em plantas da categoria 1 é importante que seja<br />

considerada a transformação de ciclos irrecuperáveis em<br />

recuperáveis. Por exemplo, uma bomba de vácuo pode<br />

se pagar ao eliminar o jato de vapor perdido. Trocadores<br />

de calor podem ser usados no lugar de injeção direta de<br />

vapor. Condensado perdido atribuído a impraticabilidade<br />

pode, de repente, se tornar custoefetivo.<br />

Uma planta de categoria 2 p<strong>ed</strong>e um sistema de<br />

condensado fechado.<br />

Este tipo de planta geralmente produz uma grande<br />

quantidade de vapor rápido que, a menos que utilizado,<br />

resulta em alto grau de ineficiência.<br />

Muito cuidado é necessário não apenas para selecionar<br />

os componentes adequados às pressões e temperaturas<br />

envolvidas mas para individualizar o sistema à planta. É<br />

importante que o pessoal que trabalha com o sistema<br />

conheça o processo e o equipamento de produção<br />

envolvidos.<br />

Às vezes, o aumento de produção possível com<br />

um sistema fechado pode exc<strong>ed</strong>er a economia com<br />

combustível.<br />

Ainda que não pareça haver potencial de economia nas<br />

plantas de categoria 3, um exame cuidadoso revela perdas<br />

difíceis de detectar, tais como resfriadores de condensado<br />

e sistemas condensados de purgadores atmosféricos, que<br />

podem ser fechados para melhor utilização do calor.<br />

Além disto, um sistema fechado sem purgador bem<br />

desenhado pode aumentar a produção significativamente<br />

ao permitir drenagem sem restrição e remoção continua de<br />

gases não condensáveis para o máximo de transferência<br />

de calor.<br />

Ti P o s d e si sT e M a s<br />

Com tantos processos empregando vapor, não há um<br />

único sistema que possa resolver todas as variáveis. Seis<br />

sistemas relativamente básicos que podem ser usados<br />

individualmente ou em combinação para fechar um loop<br />

vapor/condensado e economizar todos os flashes de<br />

vapor disponíveis e as BTus perdidas na atmosfera estão<br />

nas Figuras 1 a 6.<br />

A Figura 1 ilustra uma abordagem para economizar<br />

calor pela qual o condensado é bombeado diretamente de<br />

volta para uma caldeira. Figure 1 illustrates an approach<br />

to saving heat by which condensate is pump<strong>ed</strong> directly<br />

back to a boiler. Esta abordagem não responde à remoção<br />

de gás, que e extremamente importante para a máxima<br />

transferência de calor. A bomba opera continuamente em<br />

uma condição de semi-vapor que geralmente resulta em<br />

manutenção considerável.<br />

A Figura 2 ilustra uma variação do conceito de<br />

Figura 1<br />

Figura 2<br />

bombeamento direto, com a descarga da bomba<br />

modulada em proporção exata ao fluxo de condensado<br />

e operando com sucção submersa (alagada, inundada)<br />

todo o tempo. Excelente remoção de gás maximiza a<br />

produção, enquanto a ausência de purgadores melhora<br />

o fluxo do condensado e acelera o startup. A seleção de<br />

uma bomba com um cabeçote de sucção liquida baixa é<br />

critica.<br />

As Figuras 3 a 6 ilustram os sistemas pressurizados<br />

de alimentação de água de caldeiras, que consistem de<br />

um receptor operando em pressão controlada geralmente<br />

igual ou um pouco mais alta que o equilíbrio térmico da<br />

planta. Estes sistemas economizam energia não apenas<br />

por conservar todo o condensado de alta pressão, mas<br />

também r<strong>ed</strong>uzindo os requisitos de CV da bomba com<br />

sua adicional pressão de sucção. A economia anual por<br />

CV é de ou quase de $ 500. Como a retenção é mínima<br />

em um sistema de condensado de loop fechado bem<br />

desenhado que use um sistema de água pressurizada<br />

para alimentação da caldeira, um pequeno deaerator,<br />

um tamanho para os requisitos reais é geralmente<br />

incorporado. Freqüentemente sistemas de alimentação<br />

de água existentes podem ser usados.<br />

equilíBrio T é r M i c o<br />

A Figura 3 ilustra um módulo de drenagem usada<br />

em um processo típico. O módulo incorpora um sistema<br />

insensível a pressão que sente o influxo e ajusta<br />

automaticamente a saída para combinar. Como o módulo<br />

não possui um orifício fixo como um purgador, qu<strong>ed</strong>as de<br />

alta-pressão não são necessárias para boa drenagem.<br />

Figura 3 Figura 4<br />

O módulo pode drenar para um sistema de alimentação<br />

de água pressurizado com pequeno diferencial.<br />

Dependendo dos processos envolvidos e da configuração<br />

da planta, vários módulos podem ser usados em conjunto<br />

com o sistema.<br />

O sistema na Figura 4 é semelhante ao que aparece na<br />

Figura 3, exceto que os módulos são equipados com bombas<br />

(para processos com pressões variáveis) ou controles de<br />

temperatura. As bombas evacuam continuadamente o<br />

condensado do processo, independente da pressão.<br />

No sistema ilustrado na Figura 5, vários processos<br />

operam sob a mesma pressão. O equipamento do processo<br />

é drenado primeiro para um receptor comum, depois para<br />

uma única linha para um sistema de alimentação de água<br />

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pressurizado em localização remota. Bom controle de<br />

pressão permite que esta única linha opere em posição<br />

elevada e drene para um receptor localizado acima grade.<br />

Excelente remoção de gás não condensável é característica<br />

deste tipo de sistema.<br />

A Figura 6 ilustra um processo típico que usa vapor<br />

em várias pressões. O vapor rápido vai em cascata do<br />

processo de alta pressão para o processo de baixa pressão<br />

permite o uso de um tipo de bomba menos dispendiosa<br />

no sistema de condensado.<br />

O vapor rápido do processo de alta pressão<br />

freqüentemente fornece uma porção significativa de<br />

vapor para o processo de baixa pressão.<br />

Os sistemas nas Figuras 1 a 6 são meramente a<br />

ponta do iceberg. Variações e combinações são<br />

inúmeras e impossíveis de aplicar sem um bom estudo<br />

da planta.<br />

in f o r M a ç ã o n e c e s s á r i a<br />

Um levantamento da planta exige informação em duas<br />

áreas básicas: operação da planta e sala de caldeira.<br />

Informação detalhada sobre a operação da planta<br />

é necessária para determinar o equilíbrio térmico e<br />

o equipamento necessário. Especialmente difícil de<br />

obter é a pressão real de operação do equipamento do<br />

processo.<br />

Se, por exemplo, uma caldeira operando a 150 psig<br />

fornece vapor a um processo sem r<strong>ed</strong>ução de pressão<br />

ou controle de temperatura, a pressão de operação<br />

é 150 psig. Se uma válvula de r<strong>ed</strong>ução de pressão for<br />

incluída, a pressão de operação será a pressão ajustada<br />

para válvula de alívio de pressão a jusante. Um controle<br />

de temperatura localizado na entrada de vapor do<br />

equipamento de processo funciona como um sistema de<br />

controle de pressão variável.<br />

A pressão do processo pode variar entre pressão<br />

de linha completa e pressão negativa, dependendo da<br />

carga, temperatura, etc., do processo. Às vezes, a única<br />

forma de determinar a pressão de operação média de um<br />

processo de temperatura controlada é marcar a pressão<br />

na entrada do purgador no equipamento em questão.<br />

E, ao fazer um levantamento da planta, é importante<br />

saber onde estão localizados os componentes, um em<br />

relação ao outro, e a sala de caldeira, o consumo de<br />

vapor de cada parte do equipamento e a altura da saída<br />

de condensado acima do soalho. A informação sobre a<br />

sala de caldeira é obrigatória se novo equipamento de<br />

condensado será incorporado à operação existente. A<br />

pressão de operação da caldeira, regulagem da água de<br />

alimentação, horas de operação, e custo do combustível<br />

são outras informações necessárias para o planejamento<br />

adequado de um sistema fechado de alimentação de<br />

água de caldeira.<br />

de T e r M i n a n d o o equilíBrio T é r M i c o<br />

O equilíbrio térmico não é difícil de determinar. É<br />

necessário conhecer a carga média de vapor e a porcentagem<br />

distribuída aos vários usuários.<br />

Considere, por exemplo, uma carga de vapor típica<br />

de 50.000 libras (lb.) por hora (1.500 CV) a uma pressão<br />

de operação de 150 psig, dos quais 20% é perdido para<br />

o processo, 60% retorna à pressão total e 20% retorna de<br />

um sistema de temperatura controlada com uma pressão<br />

média de 65 psig. Suponha que todo o condensado esteja<br />

sendo salvo.<br />

Conforme visto na Tabela 2, a temperatura média da<br />

água de alimentação é 181,6 graus F. Após o fechamento<br />

do ciclo é 328,3 graus F. Um aumento de cerca de 10<br />

graus da temperatura da água de alimentação resulta em<br />

economia de combustível de 1%. Isto pode ser considerado<br />

como um aumento de capacidade da caldeira ou r<strong>ed</strong>ução do<br />

aquecimento. Por exemplo, o cálculo da Tabela 2 indica:<br />

• uma economia de quase 15 % de combustível a 50.000<br />

lb. por hora, ou, em outras palavras, o mesmo montante de<br />

produção poderia ser realizado a 42.500 lb. por hora;<br />

• um aumento da capacidade da caldeira de até quase<br />

59.000 lb. por hora.<br />

Se a planta desperdiçava todo seu condensado no dreno<br />

(sem retornos) o total do calor perdido seria 31,5 % em vez<br />

de 15 %.<br />

ec o n o M i a d e c o M B u s T í v e l<br />

Dos resultados acima, é fácil calcular a economia em<br />

dólares. Considerando um custo de 80 centavos por unidade<br />

calorimétrica ($8 por milhão de Btu), a economia por hora<br />

seria:<br />

• Entrada (Btu por hora) × porcentagem de economia ×<br />

custo por unidade calorimétrica ÷ 100.000 Btu por unidade<br />

calorimétrica<br />

• Entrada = saída ÷ eficiência da caldeira (50.000.000 ÷<br />

0,80) × 0,15 × 0,80 ÷ 100.000 = $75<br />

Tabela 2<br />

Figura 5 Figura 6<br />

Presumindo uma média de 3.000 horas de operação por<br />

ano, a economia anual seria de $225.000.<br />

re s u M o<br />

Fechar um ciclo condensado para capturar todas as BTus<br />

disponíveis resulta tipicamente em economia de combustível<br />

de dois dígitos. A seleção adequada dos componentes<br />

do sistema de condensado é vital para maximizar a<br />

economia. Se aplicada corretamente, a drenagem eficiente<br />

do condensado ao lado da remoção contínua de gases<br />

pode aumentar a produção e causar economias acima das<br />

economias calculáveis de combustível.<br />

Bons sistemas sem purgadores resultam em startups<br />

mais rápidos, r<strong>ed</strong>ução do tempo de lotes, superfícies mais<br />

quentes e transferência de calor mensuravelmente melhor.<br />

Revise o equilíbrio térmico da planta em primeiro lugar,<br />

pois isto apresenta o maior potencial de economia de<br />

combustível de dois dígitos.<br />

Material técnico gentilmente c<strong>ed</strong>ido pela Revista<br />

Render (The National Magazine of Rendering),<br />

<strong>ed</strong>ição Outubro de 2008.<br />

Reprodução autorizada pelo autor.<br />

Tradução de Anna Maria Franco<br />

Martin “Mike” Bek<strong>ed</strong>am fundou a Industrial Steam<br />

em 1952.Logo depois, uniu-se a ele James F. Williams.<br />

Bek<strong>ed</strong>am faleceu em 16 de marco de 2008,com<br />

94 anos. Williams continua com a Industrial<br />

Steam,desempenhando um importante papel de<br />

monitoria e ensino.<br />

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Caderno Técnico 3 Por Claudio Bellaver<br />

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Qualidade Qualidade e aspectos aspectos técnicotécnicoeconômicoseconômicos do setor setor de farinhas farinhas<br />

e gorduras gorduras de origem origem animal animal<br />

1 – Pr o d u ç ã o de ca r n e s<br />

Nas três últimas décadas a produção de carnes e pro-<br />

dutos oriundos dessa produção, cresceu consideravelmente<br />

podendo ser visto pelas estatísticas da FAO para o ano<br />

de 2005, que enquanto a produção de carne bovina cresceu<br />

57,6% a de carnes suína e de aves cresceram respectivamente,<br />

186,4% e 436,5% nesse período. Dados globais<br />

de uma série de anos mais recentes tabulados pelo USDA<br />

sinalizam para a r<strong>ed</strong>ução global da produção e consumo<br />

de carne suína que pode se visualizar na tabela 1.<br />

Sumário<br />

Produção<br />

Bovinos<br />

Suínos<br />

Frangos e perus<br />

Total<br />

Consumo<br />

Bovinos<br />

Suínos<br />

Frangos e perus<br />

Total<br />

1 2 USDA (2007); Previsão<br />

2003<br />

50.089<br />

90.488<br />

59.888<br />

200.465<br />

49.097<br />

89.870<br />

58.329<br />

197.296<br />

Tabela 1 - Produção e consumos mundiais de carnes (mil toneladas) 1 .<br />

2004<br />

51.327<br />

92.801<br />

61.313<br />

205.441<br />

49.907<br />

91.790<br />

59.435<br />

201.132<br />

2005<br />

52.454<br />

96.139<br />

64.583<br />

213.176<br />

50.923<br />

94.891<br />

62.674<br />

208.488<br />

Essa r<strong>ed</strong>ução deve-se principalmente à China, não sendo<br />

o caso do Brasil, cuja produção se expande na taxa de 4%<br />

(USDA, 2007) com aumento de exportações. Portanto, esperase<br />

à longo prazo uma intensificação no comércio mundial de<br />

carnes prejudicados por eventos passados da vaca louca na<br />

América do Norte, da aftosa em bovinos no Brasil e da influenza<br />

aviária na Ásia. Por conseqüência, também há perspectivas de<br />

crescimento da oferta de subprodutos de origem animal no<br />

Brasil conforme trabalho de Bellaver e Zanotto (2008) durante<br />

o VII Workshop do Sincobesp (Tabela 2).<br />

20<strong>06</strong><br />

53.734<br />

98.504<br />

65.499<br />

217.737<br />

51.824<br />

97.263<br />

64.165<br />

213.252<br />

2007<br />

54.489<br />

94.678<br />

67.992<br />

217.159<br />

52.470<br />

93.595<br />

66.082<br />

212.147<br />

2008 2<br />

54.551<br />

92.992<br />

69.523<br />

217.<strong>06</strong>6<br />

52.231<br />

91.924<br />

67.137<br />

211.292<br />

% de mudança de<br />

20<strong>06</strong>:2008<br />

1,5<br />

-5,6<br />

6,1<br />

-0,3<br />

0,8<br />

-5,5<br />

4,6<br />

-0,9<br />

2 – su B P r o d u T o s de or i G e M an i M a l<br />

É possível demonstrar que o uso das farinhas de origem animal é<br />

vantajoso na formulação de rações, pois implica na r<strong>ed</strong>ução dos custos de<br />

produção de rações e por conseqüência no custo de produção animal, com<br />

grandes impactos na área ambiental (Bellaver et al., 2001 e Bellaver, 2005).<br />

Evidentemente que a qualidade das farinhas e gorduras animais deve ser<br />

assegurada e, portanto, no Brasil, deve ser aplicada a IN do MAPA no. 34 de<br />

Abril de 2008 (Brasil, 2008), a qual suc<strong>ed</strong>eu a IN 15 de 2003 (Brasil, 2003).<br />

Nessas normas estão vários princípios que permitem a r<strong>ed</strong>ução de risco à<br />

transmissão de doenças pelas farinhas animais. As exigências da norma<br />

estabelecem as boas práticas de fabricação (BPF) para estabelecimentos que<br />

processam resíduos de animais destinados à alimentação animal, o modelo<br />

de documento comercial e o roteiro de inspeção das BPF. São definidas<br />

as condições higiênico-sanitárias do local e construções, o processamento<br />

(não inclusão de animais mortos, processamento a 133oC, 3 Bars e 20<br />

min., não canibalismo, etc.), as embalagens, os rótulos, a documentação<br />

e registros, os POP's e o manual de produção. Assim sendo, é importante<br />

obter farinhas animais de produtores que tenham, pelo menos iniciado o<br />

trabalho de melhoria da qualidade, que contemplem a norma estabelecida<br />

pelo MAPA para produção de farinhas e gorduras animais.<br />

Por isso enfatiza-se a necessidade da implantação de um sistema de<br />

qualidade na produção desses ingr<strong>ed</strong>ientes, o qual depende da aplicação<br />

preliminar de boas práticas de fabricação (BPF) de farinhas e gorduras e mais<br />

adiante programas de análise de perigos e controle de pontos críticos (APPCC)<br />

e finalmente buscando a certificação de qualidade. Embora os sistemas<br />

tenham diferentes complexidades na implantação e desenvolvimento,<br />

são necessários ao final que sejam devidamente auditados por empresas<br />

independentes e com cr<strong>ed</strong>ibilidade pública, visando garantir a qualidade<br />

dos produtos para os mercados interno e externo. Também é necessária<br />

a compreensão por parte de setores do governo e privados para apoio aos<br />

programas <strong>ed</strong>ucativos, visando a realização de cursos sobre as normas que<br />

regem o setor, bem como financiando a modernização e pesquisas do setor<br />

de farinhas e gorduras animais. Considera-se também que é de fundamental<br />

importância a ação fiscalizadora e de monitoramento com sanções cabíveis<br />

para os casos em que a produção desses ingr<strong>ed</strong>ientes não atenda as<br />

especificações de qualidade normalizadas. Em adição, é inquestionável<br />

a importância ambiental da produção de farinhas e gorduras animais,<br />

Produção anual<br />

Abate (cabeças) *<br />

Peso médio de abate, kg<br />

Mat. prima p/ ind. farinhas, %<br />

Matéria prima, total T<br />

Rendim. na ind.de farinhas, %<br />

- % de FCO, FV, FOA **<br />

- % de gordura<br />

- % de farinha de penas<br />

Volume da produção/ano<br />

- FCO, FV (t/ano)<br />

- Gordura (t/ano)<br />

- Farinha de penas (t/ano)<br />

Frangos<br />

5.151.985.000<br />

2,20<br />

0,30<br />

3.400.310<br />

0,40<br />

0,53<br />

0,24<br />

0,23<br />

Frangos<br />

720.866<br />

326.430<br />

312.829<br />

Suínos<br />

34.317.191<br />

105,00<br />

0,30<br />

1.080.992<br />

0,40<br />

0,55<br />

0,45<br />

-<br />

Suínos<br />

238.553<br />

193.843<br />

-<br />

Bovinos<br />

47.143.8<strong>06</strong><br />

400,00<br />

0,45<br />

8.485.885<br />

0,40<br />

0,58<br />

0,42<br />

-<br />

Bovinos<br />

1.961.937<br />

1.432.417<br />

-<br />

*Anualpec, 2007; ** FCO - farinha de carne e ossos; FV- farinha de vísceras; FOA - farinha<br />

de origem animal<br />

Total<br />

12.967.187<br />

Total<br />

2.921.356<br />

1.952.691<br />

312.829


42<br />

R<br />

e<br />

v<br />

i<br />

s<br />

t<br />

a<br />

G<br />

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l<br />

e<br />

i<br />

r<br />

a<br />

Caderno Técnico 3<br />

pois contribuem efetivamente para o mecanismo de<br />

produção mais limpa.<br />

No aspecto nutricional da fabricação de rações de<br />

alta qualidade a premissa máxima é que, ingr<strong>ed</strong>ientes de<br />

má qualidade geram rações de má qualidade na relação<br />

direta de participação na fórmula, independentemente<br />

de quaisquer outros fatores da produção. Portanto,<br />

a qualidade dos ingr<strong>ed</strong>ientes é o primeiro e mais<br />

importante item para ob<strong>ed</strong>ecer na produção de rações<br />

e para alcançá-lo, é preciso conhecer muito bem os<br />

ingr<strong>ed</strong>ientes. O conhecimento da origem do material<br />

a ser processado é essencial para indicar a qualidade<br />

e, se desconhecido, pode ser um problema para a<br />

formulação de rações. Para dar maior clareza a essa<br />

necessidade Bellaver e Zanotto (2004) e Sindirações<br />

(2005), descrevem as principais características dos<br />

ingr<strong>ed</strong>ientes de origem animal e definem variáveis<br />

analíticas necessárias para categorizar a qualidade dos<br />

ingr<strong>ed</strong>ientes. Embora os custos e as facilidades para<br />

analisar cada partida do ingr<strong>ed</strong>iente tornem a rotina de<br />

análise difícil de ser implementada, é preciso ter em<br />

mente que a qualidade das farinhas é perceptível por<br />

variáveis analíticas, entre as quais: a) contaminação<br />

bacteriana (Salmonelas, Coli), b) peroxidação das<br />

gorduras, c) presença de aminas tóxicas, d) composição<br />

química, e) digestibilidade dos aminoácidos e da<br />

energia, f) análise sensorial e ainda pela existência de<br />

um sistema de gestão da qualidade da produção de<br />

farinhas e gorduras.<br />

A discussão sobre destinação das matérias prima<br />

que são utilizadas para fabricação de farinhas e<br />

gorduras animais tem dois aspectos, sendo que ao<br />

final da discussão, o resultado deve ser sinérgico. Se<br />

por um lado o fator bioseguridade animal faz com que<br />

existam restrições legais nos processos de produção<br />

e barreiras técnicas internacionais são impostas; não<br />

menos importantes são as alternativas para destinação<br />

das matérias primas existentes e que devem ser<br />

processadas para atender a legislação, mas que ao<br />

mesmo tempo possam ser agregadoras de valor ao<br />

produto resultante.<br />

Os resíduos do abate são aqueles que se originam<br />

após o abate animal e que devem ser submetidos<br />

a processos de cocção resultando na produção de<br />

ingr<strong>ed</strong>ientes, os quais devem ser isentos de materiais<br />

estranhos à sua composição e microorganismos<br />

patogênicos. Os principais ingr<strong>ed</strong>ientes referidos no<br />

Compêndio de Alimentação Animal (Sindirações, 2005),<br />

são as farinhas de carnes, de carne e ossos, de sangue,<br />

de penas hidrolisadas, de vísceras e de resíduos de<br />

incubatório. No lado das gorduras, as mais importantes<br />

são o sebo bovino, a graxa suína e o óleo de frango.<br />

Também, em alguns processamentos é possível fazer a<br />

mistura de proporções conhecidas desses ingr<strong>ed</strong>ientes<br />

primários formando assim as farinhas mistas com<br />

possibilidade ainda de inclusão de sangue, ossos<br />

e cartilagens da desossa. A mais conhecida dessas<br />

misturas e a de sangue na farinha de penas. Dois<br />

resíduos da cadeia de carnes que também precisam ser<br />

considerados são os resíduos de água industrial servida<br />

e os resíduos de incubatório (Bellaver e Dai Pra, 2008).<br />

2.1 – re s í d u o s de áG u a se r v i d a (á G u a do fl o T a d o r )<br />

Devido a crescente produção mundial de carne visto<br />

anteriormente e que muitas empresas dispõem de<br />

sistemas conjuntos (aves e suínos) de processamento<br />

da água industrial são gerados anualmente cerca de<br />

150 milhões de toneladas de efluentes no abate dessas<br />

duas espécies. O efluente é constituído por água<br />

de processamento que carreia resíduos de sangue,<br />

gordura, líquidos fisiológicos, carne, ossos, vísceras,<br />

além da água de higienização. Por meio de tratamentos<br />

seqüenciais contínuos do efluente, floculação, flotação<br />

e centrifugação é possível obter um composto orgânico<br />

denominado flotado industrial (FI). Estima-se que<br />

sejam produzidos anualmente em torno de 1 milhão<br />

de toneladas de FI com 35% de matéria seca. Contendo<br />

44,03% de proteína bruta e 32,74% de extrato etéreo na<br />

matéria seca, o potencial de uso do FI na produção de<br />

farinhas animais deve ser explorado como alternativa<br />

desde que preenchidas condições de higiene e<br />

processamento im<strong>ed</strong>iato. A inclusão isométrica de<br />

10% de flotado industrial no processo de produção de<br />

farinha de carne e osso suína (FCO), não altera os teores<br />

de MS, EE e MM. Os valores médios de EMAn para FCO<br />

suina em dietas para frangos de corte foi de 2571 kcal/<br />

kg (Zanotto; Bellaver et al. 2007a e 2008b).<br />

2.2 – re s í d u o s de in c u B a T ó r i o<br />

A farinha de resíduos de incubatório é o produto<br />

resultante da cocção, secagem e moagem da mistura de<br />

cascas de ovos, ovos inférteis e não eclodidos, pintos<br />

não viáveis e os descartados, removida ou não a gordura<br />

por prensagem (Sindirações, 2005). Há sugestões de que<br />

25 % do peso dos ovos incubados resultem em resíduos<br />

de cascas, pintos mortos, refugos, ovos não eclodidos<br />

oriundos de uma taxa de inviabilidade de 15% dos ovos<br />

incubados. Considerando a produção de 5,26 bilhões<br />

de pintos de corte por ano, com peso médio de ovo de<br />

60g e 25 % do peso dos ovos incubados constituído por<br />

mortalidades embrionárias, inférteis e todas as cascas<br />

dos ovos, chega-se a produção de aproximadamente<br />

80 mil toneladas anuais de resíduos de incubatório.<br />

Esses devem ser submetidos ao processo de fabricação<br />

de farinhas em equipamentos adequados a essa<br />

finalidade visando a fabricação de farinha de resíduos<br />

de incubatório associada a coadjuvantes tecnológicos<br />

de processo. A opção da compostagem dos resíduos<br />

de incubatório precisa ser estudada e comparada com<br />

o processo anterior quando esse for elaborado com<br />

qualidade.<br />

3 – si s T e M a s de qu a l i d a d e Pa r a<br />

far i n h a s e Go r d u r a s aniMais<br />

Em segmentos da cadeia das carnes suína e de frango,<br />

algumas empresas de produção e industrialização têm<br />

seus sistemas internos de Controle da Qualidade, que<br />

são avaliados por dados operacionais e que deveriam<br />

ser pontuados de acordo com as conformidades e<br />

especificações dos processos e dos produtos a que se<br />

referem. Outras empresas têm sistemas de Certificação<br />

da Qualidade com auditorias periódicas independentes,<br />

proporcionando maior confiança entre os clientes e<br />

entidades relacionadas e, outras empresas estão à frente,<br />

pois estabeleceram processos de Gestão da Qualidade.<br />

Nesse, além do controle e da certificação são incluídos<br />

conceitos gerais de qualidade, segurança alimentar,<br />

saúde do consumidor, preservação do ambiente,<br />

políticas de <strong>ed</strong>ucação e desenvolvimento sustentado,<br />

sendo ativamente envolvidas em demonstrar a resposta<br />

global da empresa. Em todos os sistemas de busca de<br />

qualidade, são emitidos os certificados de qualidade,<br />

os quais podem variar de empresa para empresa, e.g.:<br />

certificações para frigoríficos sob Inspeção F<strong>ed</strong>eral<br />

(SIF), certificações da série ISO 9001 e outras séries<br />

(e.g. 14000), rastreabilidade, HACCP, BPF, produto<br />

de qualidade, granja e fábrica de processamento de<br />

produtos finais. Um sistema de qualidade, porém,<br />

não é somente a existência burocrática do mesmo e<br />

justificativo para atender as exigências de auditoria<br />

e certificação. Embora o manejo de fatores de risco<br />

seja crucial, ele não garante por si só a qualidade,<br />

sendo necessário que o sistema de qualidade atenda<br />

as especificações declaradas do produto final. Oliver<br />

(2003) define que um sistema de qualidade é um plano<br />

de trabalho ou ação projetado para inspirar confiança<br />

entre os clientes e consumidores. Liga-se a necessidade<br />

de sistemas de qualidade aos vários eventos ligados à<br />

segurança dos alimentos que corroboraram para que<br />

os governos e compradores internacionais impusessem<br />

suas restrições no comercio de carnes e ingr<strong>ed</strong>ientes de<br />

fabricação de rações. Assim, é muito importante ter em<br />

conta que as noticias negativas do setor agropecuário<br />

deram perspectivas diferentes na discussão sobre<br />

segurança dos alimentos e, por conseguinte, a busca<br />

pela gestão da qualidade de rações e ingr<strong>ed</strong>ientes é<br />

um ato continuo na segurança dos alimentos humanos,<br />

reforçando o conceito da “segurança do campo à mesa”.<br />

43<br />

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44<br />

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Caderno Técnico 3<br />

Especificamente com as farinhas e gorduras animais<br />

devem ser consideradas as perspectivas da qualidade<br />

nutricional; da qualidade técnica; da segurança para<br />

os animais, ambiente e consumidores e, finalmente,<br />

a qualidade emocional ligada aos consumidores;<br />

sendo que, o sucesso do empreendimento depende da<br />

harmonização destes conceitos. Além do uso nutricional<br />

de rotina é preciso ter em conta que a inovação pode<br />

determinar novas alternativas para as farinhas e<br />

gorduras animais. Entretanto, isso requer intuição,<br />

idéias e pesquisas com uso do método cientifico.<br />

Algumas das alternativas que podem ser consideradas<br />

para uso não nutricional das farinhas e gorduras animais<br />

são a incineração e/ou briquetagem, biodiesel, biogás,<br />

compostagem e produção de polímeros plásticos<br />

semelhantes (Barone e Schmidt, 2005; Barone, 20<strong>06</strong>;<br />

Bellaver, 2007; Brasil 2007; Garcia et al. 2004; Oliveira<br />

e Higarashi, 20<strong>06</strong>a e 20<strong>06</strong>b).<br />

4 – en e r G i a re n o v á v e l fo r T a l e c e d o r a da<br />

ind ú s T r i a an i M a l<br />

Grande parte da discussão atual sobre energia<br />

renovável está sendo direcionada para o bem suc<strong>ed</strong>ido<br />

programa do álcool no Brasil. Por exemplo, recentemente<br />

na Folha de São Paulo foi escrito um artigo intitulado:<br />

Bionegociações. O novo termo remete a uma discussão<br />

em andamento sobre posicionamentos das nações<br />

e a necessidade de certificar a produção de energia<br />

renovável de forma sustentável; isto é, relacionada<br />

com o econômico, o ambiental e o social. No aspecto<br />

ambiental é necessária uma relação de menor gasto para<br />

a produção de energia renovável em relação à energia<br />

fóssil, havendo, portanto um balanço favorável na<br />

r<strong>ed</strong>ução de emissões de carbono na atmosfera. Assim,<br />

para o caso do álcool produzido a partir da cana-deaçúcar<br />

a relação é plenamente alcançada, sendo estimada<br />

em 1:8,3 e, para o etanol, produzido a partir do milho,<br />

a relação é bem menos favorável e apenas satisfatória,<br />

ou seja 1:1,3. No aspecto social a certificação deve<br />

garantir condições de trabalho regulamentadas pelas<br />

leis f<strong>ed</strong>erais. Isso, harmonizado entre países, permitirá<br />

que o álcool se torne uma commodity, com menores<br />

chances de barreiras não alfandegárias. No aspecto de<br />

nutrição animal há uma serie de possibilidades oriundas<br />

do processamento e desenvolvimento de ingr<strong>ed</strong>ientes<br />

para rações, com destaque para a lev<strong>ed</strong>ura e o bagaço<br />

hidrolisado.<br />

Com a inclusão do biodiesel na matriz energética<br />

nacional , as distribuidoras de combustíveis colocaram<br />

no mercado em 01/2008 o B2, composto por 98% de<br />

diesel e 2% de biodiesel. Esse valor deverá atingir 5%<br />

em volume (B5), como mínimo obrigatório de adição de<br />

biodiesel ao diesel comercializado para o consumidor<br />

final, em qualquer parte do território nacional, conforme<br />

fixado pela mesma lei. Considerando apenas o valor de<br />

2% de biodiesel pela lei, serão necessários cerca de 782<br />

milhões de litros por ano (~ 800.000 t/ano). A produção<br />

de soja em 20<strong>06</strong> foi de 55 milhões de toneladas que,<br />

contendo 18% de óleo, resultam em aproximadamente<br />

10 milhões de toneladas de óleo bruto. A esterificação<br />

desse volume produziria cerca de 90 % de biodiesel<br />

e 10% de glicerina bruta, o suficiente para atender<br />

toda a demanda de biodiesel para dar conformidade à<br />

lei. Ocorre porém, que a soja é uma commodity com<br />

múltiplas aplicações e de acordo com Bellaver , com<br />

menores chances de sucesso quando o óleo vegetal for<br />

originalmente produzido para o consumo humano, o<br />

que eleva seu preço no mercado (e.g. óleos de soja,<br />

girassol, canola). Por isso, na dependência de preços de<br />

mercado o biodiesel demandado poderá derivar-se de<br />

outras fontes de gorduras como, por exemplo, a gordura<br />

animal ou, através da modificação do processamento<br />

para r<strong>ed</strong>ução do custo de produção do biodiesel. A<br />

modificação da extração de óleos por solventes pela<br />

via de transesterificação in situ com produção de metil/<br />

etil ésteres, glicerol, e laminados vegetais modificados<br />

com aplicações diferentes para a indústria de rações.<br />

Pesquisas são necessárias para o desenvolvimento dos<br />

novos processos nessa área, podendo haver impacto<br />

substancial na alimentação de aves com farelos<br />

originados da extração de óleo in situ.<br />

5 – oP o r T u n i d a d e s Pa r a o Bi o d i e s e l de<br />

Gor d u r a s aniMais<br />

Do ponto de vista das gorduras animais, somente no<br />

Brasil há um volume apreciável de cerca de 2,0 milhões<br />

de toneladas/ano. Essas gorduras terão destinações<br />

técnicas diferentes tais como, uso nas indústrias<br />

cosméticas, farmacêutica, tintas, resinas, rações e, uma<br />

parte, poderá ser destinada, na dependência de preços<br />

de mercado, à produção de biodiesel. A viabilidade do<br />

uso para produção de biocombustível é dependente do<br />

custo da matéria prima, do processamento e de despesas<br />

administrativas que não podem ultrapassar ao valor do<br />

diesel na bomba de distribuição. Portanto, o biodiesel<br />

obtido de gorduras animais requer, uma visão critica<br />

do funcionamento do setor de carnes e de subprodutos<br />

de origem animal, operados pelos grandes frigoríficos<br />

e por coletadores de matérias-prima residuais de<br />

abat<strong>ed</strong>ouros, açougues, casas de carne, supermercados<br />

e de resíduos graxos de cozinha.<br />

É preciso também verificar o que está acontecendo<br />

nos grandes mercados mundiais. Por exemplo, grandes<br />

frigoríficos como Tyson Foods estão se associando com<br />

empresas produtoras de biocombustíveis. A notícia não<br />

seria tão notável se não fosse anunciado que a parceria<br />

permitirá a produção de combustíveis de terceira<br />

geração, ou sintéticos, originários de gorduras animais<br />

de baixa qualidade. Biocombustíveis de segunda<br />

geração seriam aqueles derivados de gorduras animais<br />

e vegetais de alta qualidade; portanto, produzindo na<br />

refinaria, energia renovável na forma convencional de<br />

produção de biodiesel. A qualidade do combustível<br />

sintético é superior a qualquer outro combustível,<br />

tendo apelo para uso em motores a jato num amplo<br />

espectro de temperaturas. Destaca-se que foi calculado<br />

um investimento de US$ 150 milhões em uma primeira<br />

fabrica para produção de 285 milhões de litros de<br />

biodiesel em 2010. Também é importante notar que há<br />

um incentivo em r<strong>ed</strong>ução de impostos de 1 US$/galão<br />

de biodiesel produzido.<br />

Vários processos de produção de biodiesel e<br />

bióleos são possíveis, entre os quais o mais comum<br />

é o de transesterificação com metanol ou etanol e<br />

catalisadores básicos, ácidos ou heterogêneos. Outros<br />

processos que na seqüência levam a esterificação das<br />

gorduras purificadas, conversão em baixa temperatura,<br />

craqueamento/pirólise, destilação em alta pressão<br />

com separação por resinas filtrantes podem resultar<br />

em compostos energéticos com valor agregado maior.<br />

Entretanto, deve-se nesse momento, por prudência,<br />

manter cautela na implantação de plantas industriais<br />

que podem não ser as indicadas e adequadas para<br />

produção de biocombustíveis a partir de gorduras<br />

ácidas e borras residuais. A propósito, sobre processos<br />

e fontes de matérias primas, sugere-se a leitura do artigo<br />

“Seleção de processos para produção de biodiesel. –<br />

gorduras animais vs óleo de soja” de Singh et al. (2007),<br />

traduzido para a Revista do Sincobesp de Setembro de<br />

2007. Um projeto de bancada laboratorial está sendo<br />

conduzido por Higarashi (2008) na Embrapa Suínos e<br />

Aves, no qual se prevê a avaliação de alternativas de<br />

fontes de gordura animal na produção de biodiesel,<br />

buscando com isso a agregação de valor econômico das<br />

fontes.<br />

6 – co-Pr o d u T o Gl i c e r o l<br />

O processo de transesterificação de gorduras resulta<br />

na produção glicerol, glicerina ou propano-1,2,3-triol<br />

(IUPAC, 1993) que é um composto orgânico pertencente<br />

à função álcool. É líquido à temperatura ambiente (25 °C),<br />

higroscópico, inodoro, viscoso, com densidade de 1,261g/<br />

cm3 e de sabor adocicado. O termo Glicerina (Nº. CAS:<br />

56-81-5) refere-se ao produto na forma comercial, com<br />

pureza acima de 95% (Wikip<strong>ed</strong>ia, 2007). Entre as muitas<br />

possibilidades de aplicações para o glicerol podem-se<br />

agrupar em farmacêutica, cosmética, tintas e também<br />

na fabricação de rações animais, o que poderá ser uma<br />

opção para agregar valor ao ingr<strong>ed</strong>iente glicerol.<br />

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Caderno Técnico 3<br />

Em Janeiro de 2007 foi realizado um seminário para<br />

discussão do uso de glicerol na alimentação animal, com<br />

participação de diversas empresas e governo americano,<br />

tendo sido concluído que o glicerol poderá estar<br />

contaminado com Metanol, o qual tem seu limite máximo<br />

estabelecido em 150 ppm, pelo FDA para uso humano,<br />

havendo necessidade de outros estudos de toxicidade<br />

para mudança desse nível. Entretanto se o processo de<br />

transesterificação para produção de biodiesel for com<br />

etanol, não há problemas dessa natureza.<br />

O glicerol bruto (87% de pureza), derivado da<br />

produção de biodiesel foi testado por Lammers, et<br />

al. (2007a) em dietas basais para suínos, sendo que<br />

a digestibilidade da energia (ED) nas dietas das fases<br />

inicial (12 kg) e final (110 kg) foi respectivamente<br />

de 3386 ± 149 kcal/kg e 3772 ± 108 kcal/kg; tendo<br />

sido concluído que o glicerol é fonte de energia para<br />

suínos. Noutro experimento de desempenho de suínos,<br />

o glicerol incluído até 10% em dietas isocalóricas e<br />

isolisinicas na fase de creche proporcionou o mesmo<br />

desempenho e ganho de peso dos leitões controle,<br />

podendo ser adicionado como energético nas dietas de<br />

leitões (Lammers et al. 2007b).<br />

Kerr et al. (2007) determinaram que a EMAn do<br />

glicerol seja de 3.684 e 3.805 kcal/kg em frangos e<br />

aves de postura, respectivamente e de 3.207 kcal<br />

EM/kg em suínos. Assim, o glicerol bruto pode ser<br />

usado como uma excelente fonte de calorias para<br />

não-ruminantes. Outras experiências com suínos em<br />

crescimento indicam que 10% parece ter pouco impacto<br />

na performance de suínos, na composição das carcaças<br />

ou qualidade da carne. Níveis de outros compostos da<br />

glicerina bruta, como metanol sódio, potássio e AGL<br />

devem ser monitorados nos impactos sobre os valores<br />

de EM e desempenho do ingr<strong>ed</strong>iente glicerol. Outros<br />

aspectos de manejo e manufatura de rações devem ser<br />

observados dependendo da concentração de glicerina<br />

na dieta (fluidez das rações nos com<strong>ed</strong>ouros e umidade<br />

da cama de aviário).<br />

7 – iM P l i c a ç õ e s e co n c l u s õ e s<br />

As farinhas animais originadas dos resíduos do abate<br />

são importantes na nutrição animal por r<strong>ed</strong>uzirem os<br />

custos de produção e melhorarem aspectos ambientais,<br />

mas por outro lado há necessidade de se implantar com<br />

urgência, sistemas de qualidade visando a certificação e<br />

garantia de farinhas e gorduras animais de qualidade.<br />

As gorduras animais têm oportunidade de contribuir<br />

significativamente para a melhoria da matriz energética<br />

brasileira trazendo implícitas as vantagens de: a) utilizar<br />

matérias primas residuais para agregação de valor<br />

em produtos e co-produtos; b) contribuir com novas<br />

soluções para melhoria e r<strong>ed</strong>ução de riscos ambientais<br />

e, c) melhorar à biosegurança animal fruto da retirada<br />

de produtos sanitariamente problemáticos da cadeia de<br />

alimentação animal e de carnes.<br />

Em adição, o setor de produção industrial<br />

de farinhas e gorduras tem retardado a visão da<br />

necessidade de pesquisa e desenvolvimento para<br />

melhoria dos processos e de equipamentos na<br />

produção de alternativas; da participação junto ao<br />

governo e empresas de equipamentos e insumos e da<br />

transferência de tecnologia dentro do próprio setor.<br />

Seria vantajoso para a cadeia de carnes, estabelecer<br />

estratégias para a tomada de decisões e melhorias nos<br />

seguintes aspectos:<br />

7.1 – de s e n v o l v i M e n T o<br />

São necessários estudos sobre: a) processos industriais<br />

alternativos (e.g.: extrusão e extração de gordura<br />

de farinhas animais); b) processos de preparação de<br />

gorduras ácidas para o processamento na planta de biodiesel<br />

com definição dos parâmetros exigidos pela ANP;<br />

c) desenvolvimento de novos produtos com o uso dos<br />

subprodutos (ex. glicerina) da produção de biodiesel;<br />

d) produção de novas moléculas comerciais a partir de<br />

proteínas e gorduras animais; e) definição dos parâmetros<br />

significativos da qualidade das farinhas e gorduras<br />

para a alimentação animal e outros usos (classificação<br />

através de parâmetros analíticos); f) antioxidantes e anti-salmonelas;<br />

g) compostagem de resíduos do abate e<br />

do lodo de flotadores para uso fertilizante; h) produção<br />

de biogás de farinhas e efluentes industriais.<br />

7.2 – Té c n i c o e ad M i n i s T r a T i v o<br />

São necessárias ações nos seguintes pontos: a) uma<br />

sólida ação de formação de base de dados estatísticos,<br />

a exemplo do que faz o NRA dos EUA; b) uma forte<br />

participação das associações junto ao governo f<strong>ed</strong>eral<br />

nas áreas de meio-ambiente e agricultura na busca de<br />

apoio financeiro com taxas de juros atrativas junto ao<br />

BNDES, FINEP, e outros fundos de apoio empresarial; c)<br />

buscar a união da categoria de produtores de farinhas<br />

e gorduras nos objetivos comuns de fortalecimento do<br />

setor.<br />

7.3 – <strong>ed</strong> u c a ç ã o co n T i n u a d a<br />

É importante promover as parcerias com instituições<br />

apoiadoras da qualidade em programas <strong>ed</strong>ucativos de<br />

treinamento de pessoal das indústrias, visando com<br />

isso conhecer as normas e processos que regem a produção<br />

de qualidade e orientar melhor a sua aplicação<br />

nas indústrias. Ações de divulgação geral na mídia são<br />

importantes, ressaltando-se a necessidade de comunicar<br />

a importância do setor para a cadeia de carnes, para<br />

o ambiente e como geradora de empregos.<br />

8 – li T e r a T u r a c o n s u l T a d a<br />

Barone J. R. et al. 20<strong>06</strong>. Extrusion of feather keratin J. Appl. Poul. Sci. 100(2):1432-42.<br />

Barone, J. R. nd Schmidt, W. F. 2005. Polyethylene reinforc<strong>ed</strong> with keratin fibers obtain<strong>ed</strong><br />

from chicken feathers. Composites Science and Technology. 65:173–181.<br />

Bellaver, C. 2005. Limitações e vantagens do uso de farinhas de origem animal na alimentação<br />

de suínos e de aves. In: 2° Simpósio Brasileiro Alltech da Indústria de Alimentação Animal.<br />

Curitiba, Paraná, 28 a 30 de agosto de 2005. Visitado em 9/3/2007. http://www.cnpsa.<br />

embrapa.br/sgc/sgc_arquivos/palestras_r2v84s4u.pdf<br />

Bellaver, C. 2007. Gorduras animais para produção de biodiesel. Suinocultura Industrial.<br />

03/2007 (<strong>ed</strong>ição 204).<br />

Bellaver, C., Brum, P.A.R. de. et al. 2001.Utilização de dietas com base na proteína ideal para<br />

frangos de corte de 1 a 42 dias utilizando farinha de vísceras de aves. Revista Brasileira de<br />

Ciência Avícola. Suplemento 3. Trabalhos de Pesquisa. p.44-45. FACTA. Campinas.<br />

Bellaver, C. e Dai Pra, M. A. 2008 Aspectos técnico-econômicos dos resíduos gerados pela<br />

avicultura. Conferencia San Fernando, Lima – Peru. 23 de outubro de 2008<br />

Bellaver, C. e Zanotto, D.L. 2004. Parâmetros de qualidade em gorduras e subprodutos<br />

protéicos de origem animal. In: Conferencia Apinco de Ciencia e Tecnolgia Avicolas, 2004,<br />

Santos, SP. Anais... Campinas: FACTA, 2004. V.1, p.79-102.<br />

Bellaver, C. e Zanotto, D.L. 2008. Qualidade no setor de farinhas e gorduras animais e<br />

oportunidades para produção de biodiesel. VII Workshop do Sincobesp e III Feira Nacional<br />

das Graxarias (Fenagra) – São Paulo SP, 27 e 28/2/2008.<br />

Brasil. 2003. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa No.<br />

15 de 29/10/2003. Publicada no Diário Oficial da União Nº 211, em 30-10-2003, na Seção<br />

1, páginas 78-82.<br />

Brasil. 2007. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. LEI<br />

No 11.097, de 13 de janeiro de 2005. http://200.181.15.9/ccivil/_Ato2004-20<strong>06</strong>/2005/Lei/<br />

L11097.htm (consultado em 15/08/2008).<br />

Brasil. 2008. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa Nº<br />

34, de 28/5/2008. http://extranet.agricultura.gov.br/sislegis-consulta/consultarLegislacao.<br />

do?operacao=visualizar&id=18793. Consulta em 4/8/2008.<br />

Garcia, R. A. et al. 2004. Water Plasticization of Extrud<strong>ed</strong> Material Made from Meat and Bone<br />

Meal and Sodium Caseinate. J. Agric. Food Chem. 52, 3776-3779<br />

Higarashi, M.M. 2008. Avaliação de Alternativas Agroenergéticas para a Valoração de<br />

Resíduos da Produção Animal. Projeto MP2 na Embrapa Suínos e Aves. Concórdia SC.<br />

Kerr, B.J. et al. 2007. Nutritional value of crude glycerin for nonruminants. USDA-ARS,<br />

Mississippi State, MS; K. Bregendahl - Iowa State University, Ames, IA, USA. Proce<strong>ed</strong>ing: 68th<br />

Minnesota Nutrition Conference<br />

Lammers, P. et al. 2007a. Energy Value of Crude Glycerol F<strong>ed</strong> to Pigs In: Iowa State University<br />

Animal Industry Report 2007. A.S. Leaflet R2225.<br />

Lammers, P. et al. 2007b. Growth and Performance of Nursery Pigs F<strong>ed</strong> Crude Glycerol In:<br />

Iowa State University Animal Industry Report 2007. A.S. Leaflet R2224.<br />

Oliveira, P.A.V. de e Higarashi, M.M. 20<strong>06</strong>a. Unidade de compostagem para o tratamento<br />

dos dejetos de suínos. Concórdia. Embrapa Suínos e Aves, 39p. Documentos, 114.<br />

Oliveira, P.A.V. de e Higarashi, M.M. 20<strong>06</strong>b. Geração e utilização de biogás em unidades de<br />

produção de suínos. Concórdia. Embrapa Suínos e Aves, 42p. Documentos, 115.<br />

Oliver. The role of assurance schemes in animal fe<strong>ed</strong>. In: Recent Advances in Animal Nutrition.<br />

2003. Ed. Garnsworthy, P.C. e Wiseman, J. University of Nottingham. 2003. p.21-34<br />

Sindirações. 2005. Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal. São Paulo: Campinas.<br />

308p.<br />

Singh, A, Cobb, K., Peterson, M. Render Magazine. Feb. 2007. In: Revista do Sincobesp de<br />

Setembro de 2007. Seleção de processos para produção de biodiesel - gorduras animais vs<br />

óleo de soja. Tradução.<br />

USDA. 2007. FAS. Livestock and Poultry. World Market and Trade. Circular Series DL&P 2-07.<br />

Nov 2007. http://www.fas.usda.gov/dlp/circular/2007/livestock_poultry_11-2007.pdf<br />

Wikip<strong>ed</strong>ia. 2007. Glicerol. http://pt.wikip<strong>ed</strong>ia.org/wiki/Glicerina (consultado em<br />

23/11/2007).<br />

Zanotto, D.L., Bellaver, C. et al. 2007a. Inclusão de flotado de efluente de frigorífico na<br />

produção de farinha de carne e osso suína (FCO). 1. Composição centesimal e energia<br />

metabolizável para frangos de corte. Revista Brasileira de Ciência Avícola - Suplemento 9,<br />

p149.<br />

Zanotto, D.L., Bellaver, C. et al. 2008b. Desempenho de frangos de corte submetidos a ração<br />

contendo farinha de carne e ossos com flotado industrial de frigorífico. Revista Brasileira de<br />

Ciência Avícola - Suplemento 10, p159.<br />

Claudio Bellaver é PhD, Qualyfoco Consultoria Ltda e ProEmbrapa<br />

- Concórdia, SC; bellaver@netcon.com.br<br />

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Agenda<br />

AVISULAT- I COnGRESSO SUL BRASILEIRO DE<br />

AVICULTURA, SUInOCULTURA E LATICínIOS<br />

Data: 19 a 21 de novembro de 2008<br />

Local: Centro de Exposições Fundaparque, Bento<br />

Gonçalves, RS<br />

Realização: ASGAV, SINDI-LAT, SIPS<br />

Telefone: (51) 3228-8844<br />

Site: www.avisulat.com.br<br />

InTERnATIOnAL POULTRy ExPO<br />

Data: 28 a 30 de Janeiro de 2009<br />

Local: Atlanta – USA<br />

Site: www.ipe09.org<br />

nATIOnAL BIODIESEL COnFEREnCE AnD ExPO<br />

Data: 01 a 04 de Fevereiro de 2009<br />

Local: San Francisco – USA<br />

Site: www.biodieselconference.org<br />

FEnAGRA 2009<br />

IV – Feira Nacional das Graxarias<br />

Data: 26 e 27 de março de 2009<br />

Local: São Paulo – SP<br />

Site: www.fenagra.com.br<br />

VIII WORKSHOP EMBRAPA / SInCOBESP<br />

Data: 26 e 27 de março de 2009<br />

Local: São Paulo – SP<br />

Site: www.fenagra.com.br<br />

FCE COMESTIQUE<br />

Data: 26 a 28 de maio de 2009<br />

Local: São Paulo - SP<br />

Site: www.fcecosmotique.com.br<br />

PET SOUTh AMERICA<br />

Data: 22 a 24 de julho de 2009<br />

Local: São Paulo - SP<br />

Site: www.petsa.com.br<br />

Por Alexandre Ferreira<br />

Certificados de<br />

Garantia<br />

Ao comprarmos qualquer bem, móvel ou<br />

imóvel, exigimos uma garantia. Hoje em dia<br />

a garantia passou a ser um item obrigatório<br />

para a confiabilidade de um produto.<br />

Há situações em que a própria garantia<br />

é vendida como algo à parte (garantia<br />

estendida).<br />

Como podemos “vender” garantia com<br />

os nossos Produtos? Como agregar valor<br />

aos mesmos desta forma?<br />

Na <strong>ed</strong>ição 05 de nossa revista o Dr.<br />

Claudio Bellaver apresenta o caminho: Devese<br />

investir em Qualidade. Como fazer?<br />

O primeiro passo é a capacitação<br />

dos recursos humanos da empresa, que<br />

pode ser feito através de cursos ou da<br />

contratação de consultoria especializada. É<br />

importante que haja consciência a respeito<br />

disto, pois as etapas de Controle, Garantia e<br />

Gestão da Qualidade são feitas por pessoas<br />

não por máquinas. Desta maneira para<br />

que os resultados sejam alcançados, além<br />

das diretrizes serem uma determinação<br />

da liderança da empresa, deve haver uma<br />

participação dos colaboradores que só<br />

acontece de maneira efetiva quando os<br />

mesmos são devidamente instruídos e<br />

incluídos em um planejamento estruturado.<br />

Após a implantação das primeiras etapas<br />

pode-se vislumbrar finalmente um instrumento<br />

concreto para que se possa oferecer produtos<br />

com Garantia de Qualidade.<br />

O Sincobesp desenvolveu há alguns<br />

anos um Programa de Certificação de<br />

Qualidade em Farinhas de Origem Animal<br />

com a SGS do Brasil visando à evolução do<br />

mercado com a disponibilização do Selo de<br />

Qualidade em FOA.<br />

Entre a documentação de referência para<br />

a obtenção deste Selo está a IN-34 e toda<br />

a questão das Boas Práticas de Fabricação<br />

(BPF), que estão no bojo das primeiras<br />

m<strong>ed</strong>idas de capacitação expostas acima,<br />

porém o Selo representa algo concreto para<br />

que qualquer fabricante possa estampar um<br />

Certificado de Garantia em seu produto.<br />

Como agregar valor aos produtos desta<br />

forma?<br />

Nossos clientes têm um custo relativamente<br />

alto para garantir que os ingr<strong>ed</strong>ientes<br />

comprados estejam em conformidade com<br />

os ingr<strong>ed</strong>ientes formulados. Em caso de<br />

inconformidade mesmo devolvendo os<br />

produtos, há prejuízos pela necessidade<br />

de reposição não planejada. Caso uma<br />

empresa possa garantir a conformidade dos<br />

produtos que vende, ela poderá negociar<br />

com seu cliente a r<strong>ed</strong>ução dos custos que o<br />

mesmo deverá ter.<br />

Para todo e qualquer investimento que<br />

se faça em uma indústria, um retorno é<br />

esperado. Investir em Qualidade certamente<br />

é retorno garantido, pois cada um de nós<br />

valoriza de alguma maneira os produtos<br />

que compramos. A classificação é simples:<br />

O produto/serviço MELhOR ou o MAIS<br />

BARATO ...<br />

Que tipo de produto é o seu?<br />

Até a próxima <strong>ed</strong>ição!<br />

Alexandre Ferreira<br />

Consultor Técnico em Processos Industriais.<br />

Ponto de Vista<br />

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Nutract 25<br />

Tel. (49) 3329-1111<br />

E-mail: tiagomp@nutract.com.br<br />

www.nutract.com.br<br />

Qualyfoco 41<br />

Tel. (49) 3444-1422<br />

E-mail: bellaver@netcon.com.br<br />

www.qualyfoco.netcon.com.br<br />

Razzo 35<br />

Tel. (11) 2164-1313<br />

E-mail: atendimento@razzo.com.br<br />

www.razzo.com.br<br />

Sincobesp 15<br />

Tel. (11) 3237-2860<br />

E-mail: sincobesp@uol.com.br<br />

www.sincobesp.com.br<br />

Thor Máquinas 9<br />

Tel. (55) 3211-1515<br />

E-mail: thor@thor.com.br<br />

www.thor.com.br<br />

União Caldeiraria 39<br />

Tel. (11) 4595-5077<br />

E-mail: uniao@uniao.srv.br<br />

www.uniao.srv.br<br />

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