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Revista Ano 1 / Edição <strong>06</strong> / Nov-Dez 2008 / www.<strong>ed</strong>itorai9.com.br<br />
Graxaria Brasileira<br />
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Automação Industrial<br />
Pode Contribuir ainda mais<br />
para a Melhoria do Segmento<br />
Indústria de Farinha e Gordura Animal<br />
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Revista Ano 1 / Edição <strong>06</strong> / Nov-Dez 2008 / www.<strong>ed</strong>itorai9.com.br<br />
Graxaria Brasileira<br />
Indústria de Farinha e Gordura Animal<br />
Automação Industrial<br />
Pode Contribuir ainda mais<br />
para a Melhoria do Segmento<br />
Prezado Leitor,<br />
No setor da aviação, há uma pequena história que circula entre os<br />
especialistas do meio. Em um futuro breve, os aviões não vão precisar mais de<br />
pilotos. E se precisarem, haverá cachorros ao lado, treinados para evitar que<br />
eles apertem qualquer botão. Talvez seja exagero, mas a historinha em tons de<br />
piada dá a idéia do nível de automação no qual – possivelmente – vamos chegar.<br />
Os sistemas automatizados estão cada vez mais presentes em nossas vidas,<br />
seja em atividades do dia-a-dia como atravessar uma rua quando o farol<br />
fecha ou até mesmo dentro de nossas casas. Mas existe um lugar no qual a<br />
automação vem mudando as perspectivas há um bom tempo: as indústrias. O<br />
motivo é simples. Ao uniformizar os processos e dispensar a influência humana<br />
direta, diminui os erros e descontinuidades da linha de produção. O resultado<br />
é, entre outros, mais qualidade do produto final. No segmento das graxarias,<br />
o seu uso ainda é incipiente, é verdade. São poucas as graxarias no “estado<br />
da arte” da automação, com todos os seus processos, do começo ao fim,<br />
gerenciados por softwares e equipamentos. Mas, sim, isto é possível!<br />
A automação teve, como porta de entrada nas graxarias, as normativas do<br />
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Polêmicas à parte, muitos donos de<br />
graxarias já estão conhecendo o que o mundo da automação pode proporcionar<br />
às suas fábricas. Há uma série de fatores, motivos e considerações a servirem<br />
de reflexão antes de se optar por automatizar algum processo ou até mesmo<br />
a fábrica inteira. É o que buscamos mostrar em nossa matéria de capa deste<br />
número. Ainda na mesma reportagem, trazemos algumas das empresas que<br />
vêm ajudando as graxarias a se modernizarem. E, pelo visto, há todo um mundo<br />
– muito interessante – a ser descoberto pelos empresários do segmento.<br />
Aproveitando o momento, agradecemos a todos que fazem possível a Revista<br />
Graxaria Brasileira, desejando boas festas e que possamos dar grandes notícias<br />
em 2009.<br />
Boa leitura!<br />
Edição <strong>06</strong><br />
novembro/<strong>dezembro</strong> 2008<br />
Daniel Geraldes<br />
Editor Chefe<br />
Editorial<br />
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Sumário / Exp<strong>ed</strong>iente<br />
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notícias<br />
Em Foco 1<br />
capa<br />
Foco na qualidade<br />
Pet Food On Line<br />
entrevista<br />
caderno técnico 1<br />
caderno técnico 2<br />
caderno técnico 3<br />
Ponto de Vista<br />
Diretor<br />
Daniel Geraldes<br />
Editor Chefe<br />
Daniel Geraldes – MTB 41.523<br />
daniel@<strong>ed</strong>itorai9.com.br<br />
Jornalista Colaborador<br />
Paulo Celestino - MTB 998/RN<br />
Publicidade<br />
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R<strong>ed</strong>ação<br />
Lucas Priori<br />
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Direção de Arte e Produção<br />
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Conselho Editorial<br />
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Daniel Geraldes<br />
Luiz Guilherme Razzo<br />
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Comitê Tecnico<br />
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Fontes Seção “Notícias”<br />
BeefPoint, Avisite, Valor Econômico, Gazeta<br />
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Pecuarista.<br />
Impressão Gráfica<br />
Vox <strong>Editora</strong><br />
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A Revista Graxaria Brasileira é uma<br />
publicação bimestral da <strong>Editora</strong> i9.<br />
A Revista Graxaria Brasileira é uma publicação do mercado<br />
de Graxarias, clientes de graxarias, fornec<strong>ed</strong>ores de:<br />
máquinas, equipamentos, insumos, matérias-primas, biodisel,<br />
frigoríficos e prestadores de serviços, com tiragem<br />
de 4.000 exemplares.<br />
Distribuída entre as empresas nos setores de engenharia,<br />
projetos, manutenção, compras, diretoria, gerentes. É enviada<br />
aos executivos e especificadores destes segmentos.<br />
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores<br />
e não necessariamente refletem as opiniões da revista.<br />
Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias<br />
sem expressa autorização da <strong>Editora</strong>.<br />
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Notícias<br />
UE modifica idade para<br />
teste de EEB em bovinos<br />
Especialistas em saúde animal da União Européia (UE) aumentaram a idade<br />
mínima para que sejam feitos testes de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB),<br />
conhecida como doença da vaca louca, em bovinos nos 15 Países Membros mais<br />
antigos da UE para 48 meses de idade, considerando a r<strong>ed</strong>ução no número de<br />
casos da doença.<br />
Atualmente, todos os bovinos saudáveis abatidos com idade de mais 30 meses<br />
e todos os animais com mais de 24 meses, que sejam considerados em risco de ter<br />
a doença precisam ser testados. Os especialistas agora concordaram que o novo<br />
limite de idade para testes de EEB em animais saudáveis abatidos e em animais em<br />
risco seja de 48 meses, informou a Comissão Européia. Se for aprovada pelo Parlamento Europeu, a nova regra passará<br />
a valer a partir de janeiro de 2009.<br />
O número de casos positivos para EEB na UE tem caído significantemente nos últimos anos, embora a idade dos<br />
animais com resultado positivo tenha aumentado. Essa nova regra somente será aplicada aos 15 países que já eram<br />
membros da UE antes da sua ampliação de 2004, uma vez que estes já cumpriram com outros critérios. Por pelo menos<br />
seis anos, esses países tiveram uma barreira total ao uso de proteínas animais em ração de animais de produção,<br />
conduziram amplos testes de EEB, usaram um sistema completo de rastreabilidade e identificação animal e viram uma<br />
situação “favorável” para a EEB em termos de número de casos.<br />
Alguns dos novos membros da UE também fizeram esforços para cumprir com estes critérios antes de entrarem no<br />
bloco, disse a Comissão, certa de que em breve poderão aplicar essa nova regra referente a idade mínima para teste.<br />
Em 25 anos, participação das aves<br />
no abate inspecionado cresce 82%<br />
Breve retrospectiva nos dados do IBGE mostra que em 1983 (um quarto de século atrás), o maior volume de carnes<br />
produzidas em estabelecimentos sob inspeção (f<strong>ed</strong>eral, estadual ou municipal) provinha de bovinos - 56% do total, mais da<br />
metade das carnes produzidas sob inspeção. Então, as aves (cujos dados, naquela época, incluíam não só o frango, mas<br />
também galinhas, perus, patos, marrecos e codornas) respondiam por cerca de 29% das carnes produzidas, cabendo os<br />
restantes 15% aos suínos.<br />
Os dados relativos ao primeiro semestre de 2008 demonstram que houve mudanças bastante significativas nesse<br />
quadro. No período, a participação dos bovinos no abate inspecionado (tonelagem produzida) foi de 35% - um retrocesso,<br />
portanto, de 38% em 25 anos. A dos suínos também retroc<strong>ed</strong>eu, mas em nível mais moderado, 14% a menos. Dessa<br />
forma, o único ganho foi das aves (agora, exclusivamente frangos), cuja participação no abate inspecionado subiu de 29%<br />
para 52%, um incremento de participação de 82% em 25 anos.<br />
Tyson Foods quer aproveitar<br />
oportunidades e expandir<br />
A gigante Tyson Foods, líder mundial em alimentos, anunciou que tem disponível US$<br />
1,5 bilhão para aproveitar oportunidades com a crise e fazer aquisições a preços mais<br />
baixos. A empresa anunciou que as negociações estão abertas tanto nos Estados Unidos<br />
como no Brasil, na China e na Índia.<br />
A companhia, que entrou timidamente no país com a aquisição de três plantas<br />
pequenas de abate de aves, deve assumir um posicionamento mais agressivo no Brasil.<br />
“Temos perto de US$ 1,5 bilhão no banco prontos para aproveitar as oportunidades, quer sejam domésticas ou nos três<br />
países de crescimento: Brasil, China e Índia”, disse o chairman John Tyson à agência Bloomberg.<br />
JBS confirma aquisição da<br />
Smithfield Beef<br />
A JBS anunciou que completou a aquisição da unidade<br />
de carne bovina do Grupo Smithfield e também das suas<br />
operações de confinamento conhecidas como Five Rivers. A<br />
quantia total paga foi de US$565 milhões em dinheiro, não<br />
havendo nenhuma apropriação de dívida.<br />
A Smithfield Beef está s<strong>ed</strong>iada em Green Bay, Wisconsin e será chamada "JBS Packerland" de hoje em diante. A Five<br />
Rivers está s<strong>ed</strong>iada em Loveland, Colorado e de hoje em diante será chamada de "JBS Five Rivers".<br />
A JBS Packerland representa uma diversificação geográfica para a JBS, adicionando quatro plantas de abate às já operantes<br />
pela Companhia nos Estados Unidos. Além de operar no Centro-Oeste, a JBS agora possui também unidades importantes<br />
no Nordeste e no Sudoeste. Uma nova capacidade de 7.600 cabeças por dia será adicionada a já existente nos Estado<br />
Unidos de 20.500.<br />
A JBS Five Rivers já fez parte do Grupo Swift no passado e possui 10 confinamentos com capacidade simultânea de<br />
engorda de 820.000 cabeças de gado em quatro estados diferentes, adjacentes às unidades já existentes da JBS.<br />
A integração destas aquisições somada às unidades já existentes da JBS nos Estados Unidos proporciona a Companhia<br />
a oportunidade para continuar r<strong>ed</strong>uzindo custos e implementando sinergias que agregarão valor tanto para seus<br />
fornec<strong>ed</strong>ores quanto para seus clientes.<br />
Sadia reconhece que pode<br />
ter 1º prejuízo em 64 anos<br />
Pela primeira vez, em seus 64 anos de história, a<br />
Sadia deverá fechar o ano com prejuízo. Segundo Luiz<br />
Fernando Furlan, presidente do conselho da Sadia, “de<br />
repente, se não der para ganhar porque afundamos R$<br />
760 milhões [valor que se refere a perdas anunciadas no<br />
fim do mês passado em razão de operações financeiras<br />
com câmbio], pelo menos poderemos empatar.” Isso<br />
porque, além de as vendas do último trimestre serem<br />
geralmente mais fortes, a Sadia está tentando reverter<br />
pelo menos parte do prejuízo.<br />
Segundo Furlan, a auditoria em andamento irá<br />
responder se houve “conivência ou indução a essa<br />
falha por parte dos bancos internacionais”. “Estamos<br />
tomando todas as providências no sentido de preservar<br />
o interesse dos acionistas e dos funcionários,<br />
que foram prejudicados”, diz ele. Incluem-se nas<br />
iniciativas negociações com os bancos estrangeiros -<br />
além de m<strong>ed</strong>idas judiciais cabíveis, que poderão ser<br />
impetradas caso não se chegue a um acordo, tão logo<br />
o levantamento da consultoria KPMG seja concluído.<br />
O fundo de previdência Previ, um dos maiores<br />
investidores da Sadia, p<strong>ed</strong>iu esclarecimentos à<br />
empresa depois do prejuízo. Furlan, que esteve com<br />
o presidente Lula, afirmou ter lembrado a ele que a<br />
afirmação de que empresas exportadoras, como a<br />
Sadia, estariam especulando contra o real “foi infeliz”.<br />
“Os bancos internacionais que colocaram 200 empresas<br />
brasileiras numa situação de aperto especularam<br />
contra o real”, disse Furlan. “Quem especulava a favor<br />
acr<strong>ed</strong>itava na estabilidade da economia, na taxa de<br />
câmbio histórica e no que o próprio presidente falou,<br />
que a crise não chegaria ao país. Essas empresas é que<br />
levaram ferro.”<br />
A Sadia deverá postergar os investimentos em<br />
novas fábricas, previstos para o próximo ano. Nos<br />
novos projetos há duas fábricas no Brasil e a segunda<br />
unidade da empresa no exterior. No país, as fábricas<br />
cujos investimentos poderão ser postergados são um<br />
abat<strong>ed</strong>ouro de frangos em Campo Verde (MT) e um<br />
de suínos em Mafra (SC). Os investimentos previstos<br />
são da ordem de R$ 630 milhões e R$ 650 milhões,<br />
respectivamente. Já a fábrica de Abu Dhabi, nos<br />
Emirados Árabes, um dos principais mercados da<br />
Sadia, exigiria gastos de R$ 150 milhões. No Brasil,<br />
seriam geradas 8.000 vagas e, nos Emirados, 700.<br />
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Notícias<br />
Alta dos alimentos causa<br />
mudança de hábito alimentar<br />
Uma nova pesquisa encomendada pela BBC indica que 60% das pessoas em 26 países<br />
pesquisados estão sentindo muito os efeitos da alta global dos preços dos alimentos<br />
e quase metade (43%) se viram obrigadas a mudar seus hábitos alimentares por conta<br />
disso.<br />
A pesquisa ouviu 27.319 pessoas em Austrália, Brasil, Canadá, China, Costa Rica,<br />
Egito, Estados Unidos, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Quênia, Líbano,<br />
México, Nigéria, Paquistão, Panamá, Filipinas, Polônia, Rússia, Coréia do Sul, Espanha,<br />
Turquia, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.<br />
De acordo com o levantamento, muitas famílias, sobretudo aquelas que vivem em<br />
países em desenvolvimento, cortaram gastos com os alimentos porque consideram o<br />
custo muito alto. A situação mais preocupante foi encontrada nas Filipinas e no Panamá.<br />
Nos dois países, 63% das famílias ouvidas no estudo disseram que estão diminuindo o<br />
consumo de alimentos.<br />
A pesquisa também revelou que 70% das pessoas em todo o mundo estão insatisfeitas com as políticas de governo<br />
adotadas em seus países para tornar os preços dos alimentos mais acessíveis. O levantamento foi conduzido entre 8<br />
de julho e 15 de setembro pela empresa de pesquisas internacional GlobeScan com o Programa sobre Atitudes Políticas<br />
Internacionais, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.<br />
Um fato interessante e que deve amenizar a alta do alimentos é que com o agravamento da crise econômica global, o<br />
preço do barril de petróleo está caindo. Conseqüentemente, o valor das commodities agrícolas também deve recuar - já<br />
que um petróleo mais barato significa fertilizantes e custos de r<strong>ed</strong>istribuição menores.<br />
Diante de possível recessão<br />
frigoríficos refazem planos<br />
O Minerva é um dos que estão se adequando à nova<br />
realidade da economia mundial. O principal objetivo<br />
é proteger o caixa”, diz Fernando Galletti de Queiroz,<br />
presidente da empresa. Segundo ele, o plano para 2009<br />
previa a construção e possíveis aquisições de fábricas,<br />
mas no novo cenário a empresa está mais cautelosa.<br />
“Continuamos olhando [possíveis aquisições], mas mais<br />
na linha de diversificação geográfica, não de ampliação<br />
do que já temos”, afirma.<br />
Joesley Batista, presidente da JBS, a maior empresa de<br />
carne bovina do mundo, concorda que o arrendamento é<br />
uma alternativa. Mas não descarta ir às compras em 2009<br />
- no Brasil, se houver oportunidades.<br />
A Perdigão, outra que investiu bastante em aquisições<br />
recentemente, também mostra cautela. Segundo Nildemar<br />
Secches, presidente da empresa, o momento é de finalizar<br />
a integração das operações com a Eleva, forte em lácteos,<br />
comprada em outubro de 2007. No segmento de bovinos,<br />
a companhia fará o que chama de “parada técnica”. “A<br />
pior coisa para comprar numa liquidação é o que você<br />
não precisa”, compara José Antônio Fay, presidente da<br />
Perdigão.<br />
O Bertin, ainda não definiu seu plano de investimentos<br />
para os próximos cinco anos, mas a discussão em torno<br />
dele já é contagiada pela crise financeira. João Nogueira<br />
Batista, CEO da empresa, afirma que a maior parte dos<br />
aportes de R$ 1,8 bilhão previstos para 2008, já está<br />
aplicada. Um dos investimentos em curso é a construção<br />
de uma unidade em Diamantino (MT), que deve começar<br />
a operar em 2009. Se os valores dos ativos recuarem, o<br />
Bertin também não descarta aquisições.<br />
Para Batista, o consumo de alimentos sofre menos<br />
num ambiente de recessão, mas caso a crise se aprofunde<br />
pode ocorrer a substituição de produtos mais caros por<br />
itens mais baratos.<br />
“Ninguém vai parar de comer”, concorda Marcos<br />
Molina, presidente do Marfrig. O empresário acr<strong>ed</strong>ita que<br />
o consumidor pode optar por produtos mais baratos ou<br />
deixar de comer no restaurante para fazê-lo em casa por<br />
conta da crise. Segundo Fernando Queiroz, do Minerva,<br />
a demanda até agora não caiu no Brasil e em países de<br />
Oriente Médio, Leste Europeu e Extremo Oriente.<br />
Para Mauro Pilz, presidente do frigorífico Mercosul, uma<br />
eventual recessão - com aperto no crédito - pode até elevar a<br />
demanda por bens de consumo. “Numa recessão, o consumidor<br />
pode optar por não trocar o automóvel, por exemplo”.<br />
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Notícias<br />
Receosa com a crise Aurora adia<br />
investimentos<br />
A Coopercentral Aurora, central de cooperativas s<strong>ed</strong>iada em Chapecó (SC),<br />
informou que, em virtude da crise global, adiará investimentos e que essa<br />
postergação envolverá R$ 871 milhões em obras que estavam previstas para<br />
começar apenas em 2009. Além da construção de um novo frigorífico em Canoinhas<br />
(SC), orçado em cerca de R$ 400 milhões, e da ampliação da unidade de suínos<br />
em São Gabriel do Oeste (MS), em um total de R$ 71 milhões, a cooperativa adiará<br />
outros R$ 400 milhões que seriam aplicados em Carazinho (RS), em uma nova<br />
unidade cuja construção começaria somente no ano que vem.<br />
O prefeito de Carazinho/RS, Alexandre Goellner, deverá se reunir com o presidente da Cooperativa Aurora, Mário<br />
Lanznaster, para tratar sobre a suspensão do investimento de R$ 400 milhões. "É necessário fazer adequação do<br />
cronograma. Precisamos definir se devemos agilizar o processo de aquisição da área, que já está em andamento, ou<br />
aguardar para confirmar a compra".<br />
O prefeito afirmou que os compromissos serão mantidos e que o valor para aquisição da área está no orçamento<br />
de 2009. "É um momento de cautela. Algumas expectativas de Carazinho foram frustradas com a notícia, mas estamos<br />
otimistas que esta crise econômica será revertida e o investimento, confirmado", destacou.<br />
O presidente da Cotrijal e conselheiro da Aurora, Nei Mânica, disse que a decisão é prudente. "É preciso deixar<br />
claro que o investimento não saiu de pauta, apenas foi adiado", argumentou. O projeto da Aurora em Carazinho prevê<br />
instalação de abat<strong>ed</strong>ouro, incubatório, granjas e fábrica de rações. A unidade terá capacidade de abater 300 mil aves/dia<br />
e deverá gerar 3,2 mil empregos.<br />
MS: com oferta r<strong>ed</strong>uzida, número<br />
de abates continua baixo<br />
Os abates de bovinos de Mato Grosso do Sul tiveram<br />
reação de 6,2% em outubro na comparação com setembro<br />
último, mas ainda assim continuam abaixo do mesmo período<br />
do ano passado, segundo dados da SFA (Superintendência<br />
F<strong>ed</strong>eral de Agricultura).<br />
Foram abatidos em outubro 225.468 animais, contra<br />
212.300 em setembro. Naquele mês, os abates com SIF<br />
(Serviço de Inspeção F<strong>ed</strong>eral) atingiram o menor nível desde<br />
2005. Em outubro ano passado foram 228.233 abates de<br />
bovinos.<br />
No ano são 2.621.<strong>06</strong>3 bovinos abatidos, número 10,5% menor que o acumulado de janeiro a outubro de 2008, o que<br />
corresponde ao equivalente a um mês de abate.<br />
A r<strong>ed</strong>ução dos abates reflete a qu<strong>ed</strong>a de oferta de animais ofertados pelo produtor rural e do grande descarte de matrizes<br />
dos últimos anos.<br />
Na concorrência pelo produto, os frigoríficos maiores, geralmente exportadores, conseguem oferecer melhores preços<br />
ao criador e os menores acabam com capacidade ociosa. Vários já fecharam ou anunciaram a suspensão de atividades.<br />
Um caso é o Campo Oeste, em Campo Grande, que deixou dívida estimada em R$ 12 milhões com pecuaristas.<br />
Em novembro foi anunciado que o frigorífico Estrela, de Ribas do Rio Pardo, deve suspender as atividades.<br />
O presidente da Famasul (F<strong>ed</strong>eração da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Ademar Silva Junior, afirma que<br />
o momento é de "sinal amarelo" para os produtores devido aos problemas no setor. Ele explica que a Famasul tenta criar<br />
uma câmara de arbitragem para discutir mecanismos e acordos para evitar grandes perdas aos produtores.<br />
Em 25 anos, participação das<br />
aves no abate inspecionado<br />
cresce 82%<br />
Breve retrospectiva nos dados do IBGE<br />
mostra que em 1983 (um quarto de século<br />
atrás), o maior volume de carnes produzidas<br />
em estabelecimentos sob inspeção (f<strong>ed</strong>eral,<br />
estadual ou municipal) provinha de bovinos<br />
- 56% do total, mais da metade das carnes<br />
produzidas sob inspeção. Então, as aves<br />
(cujos dados, naquela época, incluíam não<br />
só o frango, mas também galinhas, perus,<br />
patos, marrecos e codornas) respondiam<br />
por cerca de 29% das carnes produzidas,<br />
cabendo os restantes 15% aos suínos.<br />
Os dados relativos ao primeiro semestre de 2008 demonstram que houve mudanças bastante significativas nesse<br />
quadro. No período, a participação dos bovinos no abate inspecionado (tonelagem produzida) foi de 35% - um retrocesso,<br />
portanto, de 38% em 25 anos. A dos suínos também retroc<strong>ed</strong>eu, mas em nível mais moderado, 14% a menos. Dessa<br />
forma, o único ganho foi das aves (agora, exclusivamente frangos), cuja participação no abate inspecionado subiu de 29%<br />
para 52%, um incremento de participação de 82% em 25 anos.<br />
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Notícias<br />
Carne de frango será a mais<br />
consumida pelos brasileiros<br />
também em 2009<br />
Se as previsões do Departamento de Agricultura dos<br />
EUA (USDA) estiverem corretas e as atuais turbulências da<br />
economia não atrapalharem, em 2009 os brasileiros deverão<br />
consumir, em média, 90,3 kg per capita das quatro principais<br />
carnes – bovina, suína, de frango e de peru. O consumo<br />
previsto corresponde a um adicional de 13,4 kg per capita<br />
(ou quase 17,5% a mais) que o estimado para 2003.<br />
A maior parte dessa expansão (58% do volume<br />
adicional, ou 7,8 kg) deve ser garantida pela carne de<br />
frango, cujo consumo per capita em 2009 deve chegar aos<br />
39 kg, quantidade que representa expansão de 25% sobre<br />
2003 e mantém o produto (pelo terceiro ano consecutivo)<br />
como a principal carne consumida pelos brasileiros.<br />
No acréscimo previsto, a contribuição da carne bovina<br />
será de 3,1 kg, volume 9% maior que o consumido em<br />
2003, vindo a seguir a carne suína, com expansão de<br />
cerca de 17%, o que significa adicional de 1,8 kg.<br />
De toda forma, o maior índice de expansão vem de<br />
outra carne avícola, a de peru, cujo consumo continua<br />
Carnes<br />
Evolução do consumo dos brasileiros entre 2003 e 2009<br />
(2008: preliminar; 2009: projeção)<br />
KG per capita<br />
Consumo<br />
Ano Bovina Suína De Frango De Peru total<br />
2003 34,2 10,6 31,2 0,9 76,9<br />
2004 34,4 10,6 32,1 1,0 78,1<br />
2005 36,0 10,3 35,0 1,1 82,4<br />
20<strong>06</strong> 36,4 11,4 35,8 1,0 84,6<br />
2007 36,8 11,7 38,1 1,4 88,0<br />
2008 37,2 12,1 38,5 1,5 89,3<br />
2009 37,3 12,4 39,0 1,6 90,3<br />
Var. 9,<strong>06</strong>% 16,98% 25,00% 77,78% 17,43%<br />
03/09 +3,1KG +1,8KG +7,8KG +0,7KG +13,4KG<br />
Fonte:USDA – Elaboração e análises: AVISITE<br />
pouco significativo, de cerca de 1,5 kg per capita em<br />
2008. Se no ano que vem tiver um consumo per capita de<br />
1,6 kg, como prevê o USDA, a expansão de consumo da<br />
carne de peru será de mais de 77%.<br />
UE: Brasil será “gigante<br />
exportador” agrícola até 2017<br />
A União Européia avalia que o Brasil consolidará seu status como “exportador gigante” de produtos agrícolas até 2017,<br />
visto seu domínio nas vendas de oleaginosas, açúcar, etanol, carnes bovina e de frango. Já a UE deve perder espaço nas<br />
vendas de grãos, açúcar, lácteos e carnes. A exceção será para o trigo, cujas exportações deverão aumentar. Os Estados<br />
Unidos continuarão líder no comércio de trigo e de milho, principalmente.<br />
A nova projeção européia para o comércio agrícola global prevê que o Brasil vai passar os Estados Unidos como maior<br />
produtor mundial de óleo de soja em 2016/17. O Brasil e a China (como importador) representarão mais da metade desse<br />
comércio em 2010. Argentina e EUA continuarão na liderança das exportações.<br />
A UE projeta para o etanol o domínio do Brasil como exportador e dos Estados Unidos como importador. O comércio<br />
internacional deve crescer velozmente, pelos cálculos de Bruxelas. As exportações brasileiras podem alcançar 13 bilhões<br />
de litros dentro de dez anos, pelo cenário europeu.<br />
O setor de carnes como um todo manterá sua expansão, graças ao aumento da população mundial e maior renda nos<br />
países em desenvolvimento. O comércio deve aumentar 2,5% ao ano. O Brasil ganhará mais da metade do crescimento,<br />
com 30% das exportações globais de carnes em 2017. Os Estados Unidos também ganharão fatias de mercado. A Rússia<br />
permanecerá como o maior importador líquido, seguido pelo Japão. A China representará mais de 40% do crescimento<br />
da demanda, mas isso terá menos impacto no comércio mundial porque o consumo pode ser atendido em grande parte<br />
pela produção doméstica.<br />
O Brasil continuará dominando o comércio de carne bovina, com 47% das exportações mundiais. Também poderá mais<br />
que dobrar suas exportações de carne de porco. E será o único país onde a produção de frango é prevista para aumentar<br />
significativamente mais rápido do que o consumo, consolidando sua posição de maior exportador, a frente dos EUA.<br />
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Notícias<br />
Frango ou automóvel?<br />
Quem merece mais apoio?<br />
“Tomamos essa decisão porque a indústria automobilística<br />
tem uma cadeia extraordinária e nós não queremos que deixe<br />
de ser um dos carros-chefe da economia brasileira”.<br />
Referindo-se à frase acima (atribuída pela imprensa ao<br />
Presidente Lula ao informar que o governo, através do Banco<br />
do Brasil, atuará no financiamento de automóveis), um<br />
empresário do setor avícola perguntava ontem se o Presidente<br />
da República não se equivocou, mencionando “indústria<br />
automobilística” em vez de “indústria avícola”. Porque –<br />
bradava o empresário – “a indústria avícola, sim, é que tem<br />
uma cadeia extraordinária; além de ser um dos carros-chefe<br />
mais importantes da economia brasileira”. Alinhava algumas<br />
razões para comprovar sua tese:<br />
1 – Só de frango in natura, a avicultura brasileira já exportou<br />
neste ano (até outubro) mais de US$5 bilhões. Trouxe para o<br />
Brasil, em receita cambial, um bilhão de dólares a mais que<br />
os automóveis. Sem precisar pagar “royalties”;<br />
2 – Ao contrário da indústria automobilística, concentrada<br />
em alguns pólos industriais, a avicultura está espalhada por<br />
todo o Brasil – e na área rural. Mas não se esgota na mera<br />
produção de aves ou ovos: sustenta um infindável número de<br />
atividades satélites e vêm gerando a riqueza de municípios<br />
que até recentemente eram extremamente pobres;<br />
3 – O contingente humano empregado pela avicultura é<br />
muitíssimo maior que o de toda a indústria automobilística<br />
reunida. Pegue-se o pessoal empregado por uma das líderes<br />
do mercado avícola e se constatará que supera o de muitas<br />
grandes montadoras. Porém, diferentemente da indústria<br />
automobilística, a mão de obra ocupada pela avicultura está<br />
no campo. Assim, o setor ajuda a evitar o inchaço ainda maior<br />
dos grandes centros urbanos – inclusive dos que abrigam a<br />
indústria automobilística;<br />
4 – Na indústria automobilística, paralisações não causam<br />
perdas maiores para as empresas: a matéria-prima não<br />
se perde, fica estocada. Na avicultura, vão simplesmente<br />
para o lixo investimentos (em animais de produção e<br />
reprodução) que, em alguns casos, datam de até três anos. E<br />
a perda ou interrupção desses investimentos não só afeta os<br />
proc<strong>ed</strong>imentos de uma longa cadeia, como também requer<br />
um longo prazo para recuperação plena;<br />
5 – O efeito final de uma paralisação na indústria<br />
automobilística será menos gente andando de carro zero<br />
quilômetro; o efeito de uma paralisação na indústria avícola<br />
pode ser a fome, porque além de ser a carne mais barata<br />
oferecida ao consumidor brasileiro, o frango é também a<br />
carne mais consumida no País, respondendo por mais de 40%<br />
do abastecimento nacional de carnes.<br />
Concluindo que o Brasil pode, momentaneamente, “viver<br />
sem novos automóveis, mas não pode viver um segundo<br />
sequer sem a produção do frango”, o empresário conclama o<br />
setor a requerer o indispensável apoio oficial neste momento<br />
de crise. “É absolutamente justo!”, entende.<br />
Regime especial do DIPOA<br />
agora tem apenas três<br />
estabelecimentos<br />
Como tem feito habitualmente a cada início de mês, o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal<br />
(DIPOA), do Ministério da Agricultura, divulgou Nota Técnica em que atualiza a relação de abat<strong>ed</strong>ouros avícolas mantidos<br />
sob “regime especial de fiscalização” por burlas à legislação ou não-conformidades com os regulamentos legais.<br />
Na lista atualizada, apenas três estabelecimentos permanecem sob o regime especial – um catarinense, um paulista e<br />
um paranaense. Dos três, o que se encontra há mais tempo sob vigilância restrita do DIPOA é o estabelecimento de Santa<br />
Catarina: há praticamente um ano, ou seja, desde 5 de <strong>dezembro</strong> de 2007.<br />
De toda forma, esse abat<strong>ed</strong>ouro, a exemplo do abat<strong>ed</strong>ouro paulista, apenas tem seus produtos sujeitos à análise<br />
prévia do DIPOA antes da liberação para comercialização. Já o estabelecimento paranaense permanece interditado desde<br />
30 de julho passado.<br />
MAPA: em 10 anos Brasil pode<br />
deter quase 90% do mercado de<br />
carne de frango<br />
Nas projeções que divulgou sobre as tendências<br />
de produção e exportação dos principais produtos do<br />
agronegócio brasileiro nos próximos 10 anos, o Ministério<br />
da Agricultura também fez projeções em torno da possível<br />
participação do Brasil no mercado internacional (leia-se:<br />
exportações) por volta de 2018/2019. E apontou, entre<br />
sete produtos agropecuários brasileiros hoje negociados<br />
internacionalmente, que a maior parcela de participação deve<br />
ser detida pela carne de aves – o que pressupõe carne de<br />
frango e de peru, mas principalmente a primeira.<br />
Pelas projeções do MAPA, em 2018 a participação da<br />
carne bovina no comércio mundial praticamente dobrará,<br />
passando de 31% para 60,6% do total. A participação da carne<br />
suína também dobrará, mas como ela alcança, no momento,<br />
apenas 10% do comércio mundial, sua participação no total<br />
comercializado será pouco superior a 20%. Já a carne de<br />
aves, cujas exportações neste ano devem representar 44,6%<br />
das exportações mundiais, pode se expandir a um nível que<br />
dobraria sua participação atual e que, nas projeções do MAPA,<br />
pode chegar a 89,7% do total comercializado mundialmente.<br />
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Notícias<br />
Em 10 anos produção de carne<br />
de frango cresce 56%, aponta<br />
projeção do MAPA<br />
As “Projeções do Agronegócio 2008/2009 a 2018/2019”,<br />
divulgadas pelo Ministro Reinhold Stephanes, da Agricultura,<br />
indicam que nos próximos 10 anos a produção brasileira de<br />
carnes deve registrar aumento de pelo menos 50%, o que<br />
significa passar dos 24,6 milhões de toneladas previstos para<br />
2008 pelo MAPA para cerca de 37,2 milhões de toneladas<br />
em 2018.<br />
Nessa expansão, a maior contribuição virá da carne<br />
de frango, cuja produção deve chegar aos 17,4 milhões<br />
de toneladas, 56,72% a mais que os 11,1 milhões de<br />
toneladas previstos para 2008. Vem a seguir a carne bovina,<br />
com expansão de 49,41% e, por fim, a carne suína, com<br />
perto de 37% de incremento. E se tudo isso se confirmar,<br />
a participação do frango na produção brasileira de carnes,<br />
atualmente da ordem de 45%, subirá para perto de 47%.<br />
O aumento de produção previsto vai servir, sobretudo,<br />
para atender as exportações que, na visão do MAPA, devem<br />
crescer pouco mais de 85%. Neste caso, a maior expansão<br />
deve ocorrer com a carne bovina, cujo volume exportado<br />
quase dobrará em relação a 2008. As vendas externas de<br />
carne suína também devem apresentar aumento significativo,<br />
da ordem de 78%, enquanto as de carne de frango poderão<br />
apresentar expansão média anual pouco superior a 6%, isto<br />
significando incremento de 82% até 2018.<br />
Porém, mesmo ampliando francamente as exportações,<br />
o setor produtor de carnes não deixará desabastecido<br />
o mercado interno, já que para o período é previsto um<br />
A Fenagra 2009 – Feira Nacional das Graxarias, em sua 4ª <strong>ed</strong>ição constitui o<br />
aumento na oferta interna da ordem de 38%. E, novamente,<br />
vem da carne de frango a maior contribuição: 44% de<br />
expansão, índice que corresponde a um incremento anual<br />
médio pouco superior a 3,5%.<br />
E que fatores podem influir nesses resultados? Segundo<br />
o MAPA, a recessão mundial, o protecionismo dos países e<br />
mudanças climáticas severas.<br />
Carnes<br />
Tendências de produção, exportação e oferta interna<br />
no Brasil entre 2008 e 2018<br />
Milhões de toneladas<br />
Frango<br />
2008 2018<br />
Produção<br />
11,130 17,443<br />
10,382 15,512<br />
3,107 4,252<br />
24,619 37,207<br />
Exportação<br />
3,615 6,602<br />
2,400 4,626<br />
0,625 1,113<br />
6,640 12,341<br />
Oferta Interna<br />
7,515 10,841<br />
7,982 10,886<br />
2,482 3,139<br />
17,979 24,866<br />
mais importante evento nacional do setor de graxarias no Brasi.<br />
Mesmo dobrando o número de expositores para 2009, já foram vendidos<br />
todos dos estandes para a <strong>ed</strong>ição do próximo ano, que será realizado nos dias<br />
26 e 27 de março.<br />
As chamadas para os trabalhos apresentandos já foram abertas pelo Sincobesp.<br />
Para a <strong>ed</strong>ição de 2009 já foram confirmados as presenças de diversas autoridades: Reinhold Stephanes (Ministro da Agricultura, Pecuária<br />
e Abastecimento), Roberto Rodrigues (Coordenador do Centro de Agronegócios FGV), Roberto Mangabeira Unger (Ministro Extraordinário<br />
de Assuntos Estratégicos) e Silvio Crestana (Presidente da Embrapa).<br />
Com a participação de empresas nacionais e internacionais, e visitantes de outros países da América Latina, da Itália e USA, o evento<br />
consolida o Brasil dentro do cenário mundial graxeiro. Durante dois dias a mais avançada tecnologia, as empresas mais significativas e os<br />
visitantes mais interessados encontrar-se-ão em São Paulo, a capital de negócios do país.<br />
Convidamo-os a participarem deste evento, mostrarem seus produtos aos profissionais, dirigentes, técnicos e compradores do mercado<br />
global que estarão presentes, realizando contatos e novos negócios.<br />
Com o apoio do Sincobesp – Sindicato Nacional dos Beneficiadores de Subprodutos de Origem Animal – o evento é direcionado a toda a cadeia<br />
produtiva do setor – graxarias, fabricantes de máquinas/equipamentos, produtos e matérias-primas, tecnologia, serviços e seus clientes.<br />
Bovina<br />
Suína<br />
Total<br />
Frango<br />
Bovina<br />
Suína<br />
Total<br />
Frango<br />
Bovina<br />
Suína<br />
Total<br />
Fonte: Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do MAPA<br />
Elaboração e análises: AVISITE<br />
Var.<br />
56,72%<br />
49,41%<br />
36,82%<br />
51,13%<br />
82,63%<br />
32,75%<br />
78,08%<br />
85,86%<br />
44,26%<br />
36,38%<br />
26,47%<br />
38,31%<br />
Maiores Informações:<br />
Daniel Geraldes<br />
Tel/Fax.: (55) 11 3213-0047<br />
daniel@<strong>ed</strong>itorai9.com.br<br />
Ruralistas p<strong>ed</strong>em mais R$ 3,5 bi<br />
para enfrentar a crise<br />
Considerado um dos setores prioritários na estratégia do governo de tentar minimizar o impacto da crise financeira<br />
mundial no crescimento do país no ano que vem, o agronegócio apresentou sua fatura à equipe econômica.<br />
Depois da injeção de R$ 13 bilhões neste ano, os agricultores p<strong>ed</strong>em mais R$ 3,5 bilhões até o início de 2009, além de<br />
uma solução para R$ 75 bilhões em dívidas das três últimas safras e a criação de um fundo com dinheiro do Orçamento da<br />
União para r<strong>ed</strong>uzir o risco atribuído ao setor pelos bancos e permitir que os produtores possam tomar novos empréstimos<br />
para a safra 2009/2010.<br />
Tudo isso, de acordo com a nova presidente da CNA (Conf<strong>ed</strong>eração da Agricultura e Pecuária do Brasil), senadora<br />
Kátia Abreu (DEM-TO), precisa ser acompanhado da definição “de uma política de abastecimento e renda”.<br />
Na prática, isso significa novas regras para os subsídios dados pelo governo para seguro rural, diminuição da carga<br />
de juros e garantia de um preço mínimo para os produtos na época da comercialização.<br />
O setor rural tem a seu favor o temor do governo de que a crise global interrompa a onda de crescimento econômico<br />
justamente nos dois últimos anos do governo Lula.<br />
“O cenário é preocupante e a população sentirá as conseqüências desta crise quando ela atingir a mesa”, afirmou<br />
a senadora, traçando quadro ameaçador. “Chegamos ao nosso limite. Máquinas estão sendo arrastadas, recursos para<br />
comercialização da safra atual são insuficientes e não há crédito para a safra 2009/2010”, diz.<br />
Bertin inicia operações na Europa<br />
Através da Bertin&Merlo (B&M), empresa de distribuição baseada na Itália, a<br />
Bertin Alimentos concluiu a aquisição de 50% da Riggamonti, a maior produtora<br />
italiana de bresaola, especialidade gastronômica, tradicional na Itália, feita com<br />
cortes de coxão mole. A Riggamonti tem 40% desse mercado e faturou 130<br />
milhões de euros em 2007.<br />
Aquisição foi concluída seguindo a estratégia da empresa de agregar valor a<br />
seus produtos, disse o presidente-executivo da Bertin, João Nogueira Batista. Pelos<br />
50% da companhia italiana, a B&M pagou 17 milhões de euros, conforme Batista.<br />
Segundo Claudio Merlo, sócio da B&M, antes das restrições da Europa à carne bovina in natura do Brasil, praticamente<br />
toda a matéria-prima para produzir a bresaola (90%) era brasileira. Agora, a fatia corresponde a 10% do total. Mas a<br />
expectativa de Merlo é que essa quantidade aumente.<br />
Com a operação, a Bertin inicia atividades de processamento na Europa. A empresa já está no Uruguai e Paraguai, com abate de<br />
bovinos, e China, com curtume. "É a primeira experiência [na Europa]. Vamos começar devagar", afirmou o presidente-executivo.<br />
Frigorífico vai suspender abate<br />
de aves por 6 meses<br />
A direção do frigorífico Diplomata (antigo Frango Vit/Comaves) anunciou que vai suspender os abates por seis meses.<br />
O motivo seria a reforma da unidade em Campo Grande, mas a informação já colocou os produtores de frango em alerta.<br />
O m<strong>ed</strong>o é de que os abates não sejam retomados depois deste período.<br />
A Diplomata já comunicou aos seus 40 parceiros da indústria, que criam os frangos, sobre a suspensão. Os produtores<br />
de aves integrados, muitos deles totalmente dependentes da atividade, estão preocupados.<br />
O produtor Claudemir Talgatti conta que a comunicação sobre a suspensão dos abates não foi feita por ofício, apenas<br />
verbalmente e gera preocupação aos integrados, que fizeram investimentos e que não podem ficar parados por meio ano.<br />
“Vamos buscar uma solução”, diz.<br />
Ele diz que alguns integrados diversificam a atividade e conseguirão se manter no período de suspensão de abates com<br />
outros produtos, como leite, por exemplo. “E quem depende só das aves?”, questiona. Há ainda receio de que a unidade não<br />
volte a abater após os seis meses de suspensão.<br />
Os produtores integrados também reclamam dos valores pagos pelos animais, cerca de R$ 0,20 por cabeça, quando<br />
para remunerar os custos, segundo eles, o ideal seria R$ 0,30.<br />
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Em Foco 1<br />
Subproduto<br />
Animal:<br />
indústria ou<br />
recicladora!?<br />
Nas últimas décadas experimentamos mudanças sig-<br />
nificativas quanto à consciência ambiental. O radical de<br />
bandeirinha deu lugar ao profissional do meio ambiente,<br />
ao técnico, ao científico, e a mudança surge através de novas<br />
formas de cobrança, legal ou competitiva. A primeira<br />
através de resoluções reguladoras, como as do Conselho<br />
Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, que estabelece<br />
critérios de padrões científicos para minimizar ou mitigar<br />
os impactos causados por esta ou aquela atividade<br />
produtiva. A segunda, focada na normatização International<br />
Organization for Standardization – ISO, como uma<br />
forma de pressão competitiva, um diferencial que garante<br />
o compromisso de preservar e respeitar o meio ambiente<br />
para esta e para as futuras gerações.<br />
Entretanto, identificamos uma atividade produtiva,<br />
que exerce um papel extremamente importante para a<br />
soci<strong>ed</strong>ade urbana, além de gerar empregos, a indústria de<br />
derivados e de subprodutos animais, a que recolhe os ossos,<br />
as vísceras e outros subprodutos animais que estão<br />
proibidos de serem depositados nos aterros sanitários,<br />
lixões ou em valas sépticas.<br />
Então não podendo ser depositado em aterros sanitário,<br />
deveriam ser montados mega-incineradores para<br />
atender a demanda de milhões de toneladas geradas diariamente<br />
em todo Brasil? E ainda, o Brasil sendo o maior<br />
exportador mundial de carne (não exporta ossos e nem<br />
vísceras) este volume aumentaria substancialmente. Esta<br />
responsabilidade de incinerar seria do governante? Então<br />
onde está o órgão f<strong>ed</strong>eral, os estaduais e os municipais<br />
de fiscalização que já deveriam exigir do próprio governo<br />
o cumprimento da legislação vigente?<br />
Caberia ai uma intervenção do ministério público f<strong>ed</strong>e-<br />
Por: Antonio Noca Freire –Auditor Ambiental<br />
ral e estadual, cobrando a omissão dos estados brasileiros<br />
ao cumprimento da legislação vigente.<br />
As “Graxarias”, denominação antiga para a atividade,<br />
como eram conhecidas são, hoje, fundamentais para os<br />
grandes aglomerados humanos, como as metrópoles e as<br />
megalópoles. Imaginem o que representaria a paralisação<br />
desta atividade, desse setor. Representaria um impacto<br />
de alguns milhões de toneladas de vísceras animais, sobras<br />
de aves, penas, ossadas e restos animais, em estado<br />
de putrefação. A conseqüência im<strong>ed</strong>iata seria o abandonados<br />
nas ruas, estradas, em terrenos esmos, lançados<br />
nas lagoas, provocando nuvens de urubus cobrindo os<br />
centros urbanos, a proliferação de uma série de doenças<br />
infectocontagiosas e o estado legal não tem, não teria<br />
condições im<strong>ed</strong>iata de realizar um contingenciamento<br />
para esta situação.<br />
A atividade, hoje é denominada de Reciclagem Animal,<br />
que recolhe todo esse resíduo impactante, tritura-o e o<br />
transforma em subproduto para outras atividades industriais,<br />
como insumo para a produção de sabão, ração animal<br />
e biodiesel.<br />
Como está evidenciado essa atividade realiza uma<br />
ação socioambiental, assim não estaria à legislação sendo<br />
injusta, cobrando-lhe impostos, sobretaxando de obrigações<br />
tributárias, fiscalizações rígidas e abusivas?<br />
Os legisladores e os governantes estariam propensos<br />
a mudar e corrigir essa falha e passar essa atividade industrial<br />
para atividade recicladora, inclusive isentando de<br />
impostos, e ao contrário do que ai está incentivar a produtividade<br />
de tal atividade, que realizar uma de mitigação<br />
e eliminação de um “Passivo Ambiental” para a Prefeitura,<br />
para os Estado e para a União?<br />
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Capa<br />
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Por: Paulo Celestino<br />
Quando o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)<br />
exigiu a implantação de esterilizadores com características<br />
automáticas, muitos empresários se depararam com um dilema.<br />
Os custos, eficiência e, até mesmo, a necessidade da<br />
esterilização da farinha são ainda hoje questionados. Polêmicas<br />
à parte, a normativa terminou levando um elemento<br />
novo para muitas graxarias: a automação. Hoje em dia, ela<br />
está em todo lugar, apesar de passar despercebida em muitos<br />
lugares. É só lembrar de coisas simples como o vidro<br />
elétrico do carro, o caixa eletrônico do banco ou as cancelas<br />
eletrônicas nas rodovias, que se utilizam da tecnologia.<br />
Há quem diga que até os aviões serão não-tripulados – isto<br />
é, não vão precisar de pilotos – no futuro não tão distante.<br />
Se em pequenas coisas do dia-a-dia a automação<br />
muda a nossa vida, dentro das indústrias se dá uma<br />
revolução que muitas vezes não é percebida. Grandes<br />
complexos industriais hoje são operados por sistemas<br />
eletrônicos e automáticos. No segmento das graxarias,<br />
a automação é uma área incipiente. A verdade é de que<br />
muitas das empresas ainda trabalham com sistemas antigos,<br />
com tempo estimado ou visual de processo. Em<br />
muitos casos, de forma precária. Mas os empresários do<br />
segmento já começam a conhecer mais o que a automação<br />
pode fazer por suas empresas. Não há números<br />
específicos de quantas plantas já se encontram automa-<br />
A A u t o m A ç ã o industriAl i n g r e s s A<br />
n A s g r A x A r i A s t e n d o A s n o r m A t i v A s<br />
d o mA p A c o m o p o r t A d e e n t r A d A,<br />
m A s e m p r e s A s e s p e c i A l i z A d A s q u e r e m<br />
m o s t r A r q u e p o d e m contribuir A i n d A<br />
m A i s p A r A A m e l h o r iA d o s e g m e n t o<br />
Um mundo a se descobrir<br />
tizadas. Porém, há uma certeza: a automação tem muito<br />
a contribuir com a melhoria de processos e a qualidade<br />
final dos produtos de qualquer área industrial.<br />
Nas graxarias, especificamente, o quadro está mudando<br />
e tem uma motivação muito clara. A grande porta de<br />
entrada da automação no segmento tem sido a implantação<br />
dos esterilizadores de farinha, a partir das adequações<br />
às instruções normativas nº 34, de m<strong>ed</strong>idas de precaução<br />
contra a Febre Aftosa, e nº 15, de Boas Práticas de Produção<br />
nas graxarias. Além dessa necessidade específica exigida<br />
por Lei, há ainda um grande leque de processos que podem<br />
ser automatizados de forma independente ou em conjunto<br />
com outras atuações dentro das graxarias.<br />
Algumas graxarias brasileiras estão até partindo para<br />
automatização completa da fábrica. E, para isto, contam<br />
com diversos tipos de soluções, até mesmo de empresas<br />
locais. Segundo o consultor Alexandre Ferreira, há uma<br />
transferência de conhecimento de outras áreas industriais<br />
que já utilizam a automação e as adaptações para as graxarias<br />
têm se dado de forma competente. Além disso, há empresas<br />
já especializadas no segmento. Mas ele alerta que,<br />
independente da empresa, é importante haver um conhecimento<br />
e interesse pelo “chão de fábrica”. “Há empresas que<br />
saíram na frente neste aspecto”, afirma.<br />
São vários e bons motivos para se investir na automação<br />
da empresa. Tornar o processo de produção muito mais homogêneo, r<strong>ed</strong>uzindo as<br />
falhas e interrupções da produção estão entre as principais motivações. A segurança<br />
é outro fator, ao deslocar a mão-de-obra para atividades gerenciais, em vez de manter<br />
operadores lidando diretamente com a produção. Uma eventual economia, tanto de<br />
energia, como de mão-de-obra, é ainda outro motivo para ser levado em consideração.<br />
Outros pontos defendidos pelos empresários do setor são a r<strong>ed</strong>ução dos custos de<br />
manutenção e o aumento do tempo de disponibilidade das máquinas.<br />
A área de automação é marcada pela vari<strong>ed</strong>ade, desde os produtos colocados pelas<br />
empresas do ramo, até soluções criadas por elas. A variação de preços também é<br />
grande. Por sua vez, os níveis de automação vão de sistemas mais simples aos mais<br />
complexos, dependendo do tamanho das plantas. Entre os processos nos quais a automação<br />
pode ser utilizada estão abertura e fechamento de válvulas; injeção de vapor;<br />
recepção e pesagem dos produtos; acompanhamento do tempo de processo de<br />
caldeiras e digestores; controle da velocidade dos processos para se obter a máxima<br />
eficiência, entre outros. “Em geral, os seus usos são indicados principalmente onde há<br />
processos constantes e repetidos, para que não haja a necessidade de trabalho físico,<br />
dispensando operadores diretos”, afirma Ferreira.<br />
Ainda segundo ele, para conduzir a automação dentro das empresas, há de se ter muito<br />
cuidado. Em primeiro lugar, o investimento é algo que exige uma reflexão dos empresários<br />
e depende muito do tamanho da empresa. Portanto, está diretamente ligado à escala de<br />
produção. O custo para automatizar uma pequena ou grande produção pode ser o mesmo.<br />
É necessário ainda avaliar bem antes de se investir. “É preciso perguntar para quê a graxaria<br />
necessita da automação, o que se espera dela. Há um retorno im<strong>ed</strong>iato, que pode ser agregado<br />
para a empresa, como um ambiente mais limpo, seguro e confiável. Com isso, sobra<br />
mais tempo para se ganhar dinheiro. Mas, financeiramente, é importante ter em mente que<br />
os retornos são a médio e longo prazo”, coloca o consultor.<br />
Uma coisa é fato: de forma geral, a indústria de automação registra um bom ano no<br />
exercício 2008, com muitas vendas e ampliação da carteira de clientes. As empresas<br />
utilizaram a normativa do Mapa como cartão de visitas para promover uma maior aproximação<br />
com as graxarias. Daí por diante, esperam ampliar o leque de produtos a serem<br />
fornecidos e também de projetos completos de automação nas graxarias. Mas os<br />
empresários já consideram um cenário de expectativa para 2009. Com menos crédito e<br />
financiamentos, a perspectiva é de que as graxarias invistam menos em equipamentos<br />
no próximo ano. Os executivos do setor já têm sentido sinais da crise. As empresas<br />
que utilizam linhas de crédito f<strong>ed</strong>erais já observam o alongamento de prazos para a<br />
liberação de recursos. Os financiamentos, como o Finame, do BNDES, já estão levando<br />
mais tempo para ser aprovados.<br />
Mas, no geral, acr<strong>ed</strong>itam que os investimentos não vão parar como um todo. Segundo<br />
os empresários e especialistas ouvidos, a médio e longo prazo, as graxarias terão<br />
de buscar situações de menor custo operacional, até como estratégia para voltar a<br />
ganhar o mais rápido possível assim que a tempestade passar e os ventos da economia<br />
voltarem a soprar mais calmamente. Os fabricantes acr<strong>ed</strong>itam nisto. “Como estamos<br />
no setor primário, devemos sentir menos os impactos da crise”, afirma o diretor da<br />
Hidromatic, Valter Toshio Fukunishi. Já o proprietário da Alphalink, Luis Alberto Castrucci,<br />
estima que 2009 será um ano difícil, mas ao mesmo tempo vê o período como<br />
uma oportunidade de explorar novos mercados. “Será um ano para as empresas se prepararem<br />
para o momento pós-crise. Quem sair na frente vai conseguir uma vantagem<br />
muito grande”, acr<strong>ed</strong>ita.<br />
Mesmo em meio a períodos de “vacas magras”, o que não se pode acr<strong>ed</strong>itar é em<br />
“qualquer” solução, amadora, sob o risco de trazer prejuízos, não só para as empresas,<br />
mas para todo o setor. A seguir, conheça algumas das empresas que vêm atuando<br />
junto às graxarias na implantação de projetos completos de automação ou, de forma<br />
separada, fornecendo produtos automatizados.
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Th o r Má q u i n a s e Pr o d u T o s<br />
Para o supervisor de vendas da Thor, Paulo Can<strong>ed</strong>a, a<br />
automação surge da necessidade de se buscar um padrão<br />
de qualidade nas fábricas de farinha, além de maior segurança.<br />
Na opinião dele, como a normativa do Mapa veio para<br />
disciplinar o processo produtivo nas fábricas, a automação<br />
tem muito a contribuir com isto. “A automação pressupõe<br />
uma disciplina de processos. Ela garante que o produto final<br />
terá a mesma forma e teor, com mais economia e mais<br />
qualidade. A automação é a ferramenta mais importante<br />
para tornar a indústria pecuária mais segura”, defende o<br />
supervisor.<br />
O setor de automação da empresa atua com todo o processo,<br />
desde a descarga da matéria-prima nas moegas de<br />
recebimento, passando pela trituração, carga dos digestores<br />
contínuos ou bateladas, prensas, moagem, esterilização,<br />
tratamento de gases, até os silos de armazenagem ou<br />
ensacados. Por meio do seu departamento de engenharia,<br />
a Thor realiza o próprio desenvolvimento de toda a sua tecnologia<br />
utilizando, para isto, simulações e protótipos instalados<br />
em clientes.<br />
Ainda na sua linha de produtos, a Thor oferece as prensas<br />
Expeller com PLC, nas quais o cone de prensagem da<br />
massa é móvel, atuado por pistões hidráulicos. A máquina<br />
tem a carga automática controlada para que não trabalhe<br />
na potência máxima, assim como os moinhos de farinhas,<br />
evitando paradas indesejáveis durante o processo. “Com<br />
isso, a máquina possui um força para extrair maior índice<br />
de sebo da massa, oferecendo maior rentabilidade do que<br />
as prensas mecânicas”, explica.<br />
Um software também foi desenvolvido para gerenciar<br />
processos como abrir e fechar válvulas, ligar ou desligar<br />
motores, injetar vapor de forma totalmente automática e<br />
gerenciar os processos, entre outras atividades. A Thor<br />
notou uma preocupação muito grande de parte dos empresários<br />
do setor de graxaria no que tange a área ambiental<br />
e o aproveitamento de energia. A partir disso, lançou<br />
dois novos produtos para a área de frigoríficos. O Sistema<br />
Trocador de Calor, para tratar gases dos processos de cozimento<br />
de resíduos com co-geração de energia térmica<br />
e o Sistema de Queima de Rúmen, que seca os resíduos<br />
intestinais e ruminais gerados nos frigoríficos que abatem<br />
bovinos, gerando matéria-prima a ser queimada na fornalha<br />
da caldeira.<br />
alPhalink au T o M a ç ã o<br />
Segundo o proprietário da Alphalink, Luiz Alberto Castrucci,<br />
a empresa teve os esterilizadores como carro-chefe<br />
dos produtos na busca do atendimento à normativa do<br />
Mapa. No balanço geral, Castrucci avalia que 2008 foi um<br />
ano “extremamente” positivo para a Alphalink, com aumento<br />
de faturamento e expansão da base de clientes.<br />
Uma das pioneiras no setor da automação, a empresa<br />
atua exclusivamente no desenvolvimento e implantação de<br />
sistemas de automação de indústrias há mais de vinte anos,<br />
em diversos tipos de plantas, principalmente no segmento<br />
de beleza e limpeza, como fábricas de sabão e sabonetes,<br />
glicerina e detergentes. Também acumula experiência em<br />
indústrias como produção de fertilizantes, ácido sulfúrico<br />
e cimento. Para as graxarias, a Alphalink engloba equipamentos<br />
e programas de automação do processo de esterilização<br />
exigidos pelo Mapa e também a automação como<br />
um todo, em processos como seqüenciamento da matériaprima,<br />
controle do cozimento nos digestores e segurança<br />
das caldeiras.<br />
Segundo informa Castrucci, um dos diferenciais da Alphalink<br />
é o atendimento. “Como estamos na linha de frente<br />
da automação nas indústrias, tendo contato direto tanto<br />
com os controladores quanto com o pessoal de operação,<br />
conseguimos entender e aprender rapidamente as necessidades<br />
específicas e adaptar nossos sistemas”, afirma. O<br />
desenvolvimento dos produtos é interno, portanto, não<br />
depende de terceiros. O software de supervisão é também<br />
desenvolvido pela própria empresa, cujo controle permite<br />
competitividade econômica, além de garantia de solução de<br />
novos desafios em prazos curtos.<br />
Be T a au T o M a ç ã o<br />
Para Rubens Amado Neto, diretor-executivo da Beta,<br />
a automação está ligada diretamente à qualidade do produto<br />
e à rentabilidade de uma empresa. “É cada vez mais<br />
crescente a demanda por soluções para viabilizar o fluxo<br />
do processo de forma econômica e com qualidade. Isso é<br />
um diferencial estratégico. E só a automação proporciona<br />
isso”, afirma. Na sua avaliação, as graxarias estão migrando<br />
aos poucos para os sistemas informatizados, principalmente<br />
aproveitando o cenário de liderança brasileira no<br />
setor de proteínas.<br />
Amado Neto define a empresa como jovem, com a missão<br />
de fornecer equipamentos de alta qualidade, inovando<br />
e criando soluções para seus clientes. Empresa 100% nacional<br />
e nova no segmento de graxarias, acumula grande<br />
experiência em diversos segmentos. “Esse nosso conhecimento<br />
está sendo colocado à disposição das graxarias”,<br />
afirma. Ainda segundo ele, no processo de busca por soluções<br />
práticas, a Beta busca um contato direto com o cliente,<br />
ouvindo suas necessidades. “Só no chão de fábrica se<br />
aprende”, disse.<br />
A Beta proporciona a opção de automação completa de<br />
plantas ou instalação separada de produtos, como esterilizadores<br />
de subprodutos e válvulas do tipo guilhotina automatizadas.<br />
Recentemente, lançou no mercado os kits para<br />
coleta automática de resíduos, que r<strong>ed</strong>uzem custo e mãode-obra,<br />
facilitando ainda o carregamento de caminhões<br />
nos pontos de coleta.<br />
O diretor ressalta a importância do pós-venda na Beta<br />
Automação. Ele cita como exemplo um momento crítico,<br />
mas que mostra a seri<strong>ed</strong>ade com que a empresa trata o<br />
segmento. Eles realizaram um recall de 74 máquinas comercializadas.<br />
A empresa detectou que as válvulas de entrada<br />
e saída de produto do esterilizador estavam com defeito.<br />
Segundo ele, foram gastos mais de R$ 2 milhões no<br />
recolhimento dos produtos, sem custos para os clientes.<br />
“Isso mostra que a seri<strong>ed</strong>ade não se m<strong>ed</strong>e pelos anos de<br />
existência e reafirma que a Beta, apesar de ter apenas quatro<br />
anos no mercado de graxaria, é uma empresa que veio<br />
para ficar”, diz.<br />
hi d r o M a T i c<br />
O diretor da Hidromatic, Valter Toshio Fukunishi, também<br />
aponta a automação como um diferencial em qualquer<br />
indústria. Segundo ele, a automação garante o perfeito funcionamento<br />
com a mínima ocorrência de erros, evitando<br />
ainda as paradas impróprias. Ao mesmo tempo, ele vê que<br />
a automação também proporciona uma maior segurança de<br />
bens materiais e das pessoas envolvidas no processo.<br />
Na avaliação do diretor, o nível de automação nas graxarias<br />
ainda é baixo, mas tem crescido significativamente<br />
devido à nova regulamentação. Para Fukunishi, a procura<br />
em 2008 foi diretamente proporcional às exigências do<br />
Mapa. Mas ele reforça que não é só o processo de esterilização<br />
que tem potencial para a automação. “Outros<br />
equipamentos como digestores (processo de cozimento),<br />
prensa (torta final) e decanter (separador de impurezas<br />
no óleo) podem entrar no processo”, ressalta.<br />
Com o perfil focado em soluções globais de automação<br />
industrial, a Hidromatic busca desenvolver parcerias com<br />
o cliente para resolver problemas de produção e melhorar<br />
a qualidade e a produtividade. A tecnologia empregada<br />
está disponível no mercado nacional, sendo adequadas<br />
às diversas aplicações. A empresa oferece o projeto completo<br />
de automação de plantas e também outros produtos<br />
de forma separada. Montam painéis de força e comando,<br />
vendem equipamentos como válvulas borboletas, guilhotinas<br />
esfera, posicionadores atuadores, transmissão de<br />
pressão, sensores de nível e fins de curso. Configuram<br />
ainda os PLC’s e sistemas supervisórios para a interface<br />
do operador.<br />
Mas o diretor destaca que há uma questão de segurança<br />
a se ter atenção no atendimento da Norma. Segundo<br />
ele, algumas graxarias buscam adaptar a esterilização no<br />
próprio digestor. Com isso, muitos digestores não funcionariam<br />
adequadamente. “Além disso, há falhas conceituais<br />
no projeto, inclusive oferecendo riscos para os operários,<br />
pois, normalmente, as válvulas de entrada e saída<br />
de produto são manuais e podem ser abertas a qualquer<br />
momento, estando o digestor-esterilizador pressurizado<br />
ou não”, afirma.<br />
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Foco na qualidade<br />
Claudio Bellaver<br />
M<strong>ed</strong>. Vet., PhD, ProEmbrapa e QualyFoco - Consultores<br />
Associados, Concórdia SC - bellaver@netcon.com.br<br />
Digestibilidade em Pepsina<br />
Ligando o artigo escrito para a <strong>ed</strong>ição passada,<br />
que definiu o significado da qualidade, abordaremos a<br />
seguir, em uma serie de artigos, variáveis identificadoras<br />
da qualidade das farinhas e gorduras animais.<br />
S abe-se que na alimentação animal é importante<br />
conhecer a digestibilidade dos nutrientes e energia<br />
dos alimentos. O meio mais adequado para isso é a<br />
determinação da digestibilidade diretamente no animal,<br />
havendo farta e conhecida literatura desse assunto<br />
da nutrição. Entretanto, os métodos in vivo, com<br />
vantagens de confiabilidade e boa repetibilidade, são<br />
caros e demorados. Por isso, as técnicas laboratoriais<br />
também são usadas para estimar o valor nutritivo<br />
dos ingr<strong>ed</strong>ientes. Um dos métodos para pr<strong>ed</strong>izer<br />
a digestibilidade de proteínas animais é através da<br />
Digestibilidade em Pepsina, analisando o Nitrogênio<br />
solubilizado pelo método. Esse proc<strong>ed</strong>imento guarda<br />
boa correlação com valores in vivo, é de rápida execução<br />
e relativamente barato. Em geral os laboratórios que<br />
executam essa análise, baseiam-se no método original<br />
do AOAC, que iniciou com Pepsina na concentração de<br />
0,2% e atividade de 1:10.000. Estudos recentes mostram<br />
que existem diferenças na solubilidade da proteína bruta<br />
(PB), quando comparado com as concentrações de 0,002%<br />
ou 0,0002% de Pepsina. Comparando na tabela abaixo,<br />
duas farinhas de carne e ossos, sendo uma de maior PB<br />
e de melhor qualidade que a outra, à m<strong>ed</strong>ida que diminui<br />
a concentração da Pepsina há menor solubilidade da PB<br />
Por: Claudio Bellaver<br />
em ambas as farinhas; mas, a diferença entre as duas<br />
farinhas aumenta à m<strong>ed</strong>ida que diminui a concentração<br />
de Pepsina. Portanto, embora haja uma diminuição<br />
da PB solúvel com menos Pepsina, há também maior<br />
diferenciação entre as duas farinhas.<br />
Assim, a concentração de 0,0002% de Pepsina, é melhor<br />
do que as outras concentrações para classificar a<br />
digestibilidade da PB de farinhas animais. Por outro lado,<br />
é preciso cuidado no laboratório, pois as quantidades de<br />
enzima usadas são muito pequenas e sujeitas ao erro.<br />
Por isso, recomenda-se o preparo de concentrações<br />
maiores (0,2%) para depois diluí-la, chegando a menor<br />
concentração (0,0002 %). Sugere-se ainda que a filtração<br />
que consta da técnica do AOAC, possa ser substituída<br />
pela centrifugação a 2500 RPM e análise do N solúvel no<br />
sobrenadante. Com isso, se ganha tempo sem perda de<br />
precisão, sendo que os demais passos do proc<strong>ed</strong>imento<br />
devem ser seguidos conforme o AOAC.<br />
Digestibilidade em Pepsina (%) de<br />
Farinhas de Carne e Ossos (FCO)<br />
Concentração FCO<br />
de Pepsina (%) de baixa PB<br />
0,0002 33,7616<br />
0,002 65,2901<br />
0,02 90,9477<br />
0,2 90,9562<br />
FCO<br />
de alta PB<br />
78,6777<br />
87,0494<br />
91,9651<br />
91,9653<br />
Diferença<br />
na<br />
digestibilidade<br />
44,92<br />
21,76<br />
1,02<br />
1,01
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Pet Food On Line<br />
A extrusão na sua história foi descrita por alguns<br />
pesquisadores como uma arte e em nossa atualidade sabemos<br />
que é uma ciência e encontramos grandes pesquisadores e<br />
indústrias de tecnologia a nível mundial trabalhando para<br />
aperfeiçoar e inovar cada vez mais este processo.<br />
Em linhas gerais pode- se definir o processo de extrusão<br />
como:<br />
“É o processo pelo qual amidos e/ou proteínas um<strong>ed</strong>ecidos,<br />
expansíveis, tomam forma plástica e são cozidos em um tubo<br />
sob uma combinação de umidade, pressão, temperatura e<br />
fricção mecânica”.<br />
A extrusão teve rápida aceitação como importante<br />
operação de processamento de alimentos devido a varias<br />
vantagens apresentada pelo processo.<br />
A versatilidade do processo de extrusão permite que uma<br />
ampla vari<strong>ed</strong>ade de produtos tais como, rações aquáticas,<br />
farinha de soja integral, rações para cães e gatos bem como<br />
outras especialidades de rações com diferentes formas,<br />
densidades e qualidades nutricionais e sensoriais sejam<br />
produzidas através de um único sistema básico variandose<br />
apenas os ingr<strong>ed</strong>ientes de formulação e as condições de<br />
extrusão.<br />
Por Claudio Mathias<br />
A EXTRUSÃO NO PREPARO DE<br />
ALIMENTOS PARA ANIMAIS DE<br />
ESTIMAÇÃO (PET FOOD)<br />
A extrusora realiza numerosas funções (todas<br />
elas simultaneamente), com tempo muito r<strong>ed</strong>uzido,<br />
caracterizando um processo bastante complexo.<br />
Para realizar este processo, as extrusoras dispõem de<br />
vários equipamentos e dispositivos cujo arranjo mecânico<br />
varia de acordo com o fabricante, porém pode-se dizer que<br />
os componentes ou sistemas básicos dos extrusoras são os<br />
seguintes:<br />
- Sistema de alimentação<br />
- Sistema de pré-condicionamento<br />
- Sistema de extrusão (canhão, eixo extrusora, roscas,<br />
camisas e matriz de formatação)<br />
- Sistema de corte<br />
Atualmente quatro tipos de extrusoras têm sido<br />
utilizados no processamento de alimentos para animais,<br />
são eles: extrusoras de cozimento STHT (short time/high<br />
temperature) de rosca simples, extrusoras de cozimento<br />
STHT de rosca dupla (twin-screw), extrusoras de cozimento<br />
por pressão e as extrusoras de cozimento a seco.<br />
Para melhor entender o processo não podemos resumir<br />
somente os aspectos do sistema de extrusão, pois para o<br />
processamento de alimentos para animais de estimação<br />
precisamos especificar todas as etapas envolvidas.<br />
As matérias-primas que compõe a formulação do produto<br />
e suas características físico-químicas bem como os padrões<br />
de qualidade das mesmas são na realidade o começo de<br />
tudo, pois é necessário definir quais matérias-primas serão<br />
utilizadas e conhecer qual a contribuição nutricional de<br />
cada uma delas e quais serão os efeitos da combinação das<br />
mesmas no processo de extrusão e na qualidade final do<br />
produto, pois muitas vezes nos deparamos com formulações<br />
onde todas as necessidades nutricionais são atendidas e<br />
com excelentes custos, mas em nível de processo não são<br />
viáveis.<br />
Ao ingressar na fábrica as matérias-primas devem ser<br />
avaliadas de acordo com padrões de qualidade previamente<br />
estabelecidos e após sua recepção devem ser estocadas<br />
adequadamente em silos ou em armazéns. Os grãos e os<br />
farelos peletizados devem passar por um processo de prémoagem<br />
antes de sua utilização no processo de mistura,<br />
pois para garantir uma boa qualidade de mistura, ou seja,<br />
uma mistura homogênea é importante que as partículas dos<br />
ingr<strong>ed</strong>ientes que compõe a formula possuam uma distribuição<br />
de tamanhos adequados.<br />
Após a pesagem e mistura dos ingr<strong>ed</strong>ientes a farinha<br />
resultante deve passar por um processo de moagem fina e<br />
nesta etapa não se deve pensar somente em produtividade<br />
de moagem em toneladas/h e consumo de energia em Kw/<br />
tonelada, mas também no tipo de curva granulométrica<br />
oferecida pelo sistema de moagem, pois uma farinha com<br />
uma curva granulométrica adequada, resulta em um produto<br />
de excelente aparência e com menor geração de finos, e<br />
melhora a performance do processo de extrusão, pois auxilia<br />
no cozimento do produto e ainda minimiza o desgaste dos<br />
componentes do sistema.<br />
Chegamos à etapa de extrusão e aí a grande pergunta<br />
é: é este o coração da fabrica? Depende do ponto de vista,<br />
pois se avaliarmos o processo é nesta fase que ocorre a<br />
grande transformação, onde os amidos são gelatinizados , as<br />
proteínas são modificadas e a farinha que era sólida tornase<br />
uma material semi-líquido e transforma-se em produtos<br />
com formatos, densidades e cores diferenciados mas não<br />
podemos esquecer que se as etapas citadas anteriormente<br />
não estiverem de acordo não será possível obter os resultados<br />
Claudio Mathias<br />
Consultor de Processos Industriais<br />
Especializado em Processos de<br />
Extrusão (Pet Food e Fish Fe<strong>ed</strong>)<br />
desejados.<br />
Na sequência do processo de produção de alimentos<br />
para animais é necessária uma etapa de secagem ,pois<br />
devido a utilização de água e vapor durante o cozimento<br />
no processo de extrusão o produto resultante possui uma<br />
alta umidade que deverá estar em torno de 22 a 25% e por<br />
segurança alimentar, ou seja, para garantir a estabilidade<br />
microbiológica do produto é necessário r<strong>ed</strong>uzir esta<br />
umidade a um limite máximo no qual se obtém um produto<br />
com baixa atividade de água (< 0.62) a qual não permite o<br />
crescimento de fungos, lev<strong>ed</strong>uras e bactérias.<br />
Para o processo de secagem existem muitas opções<br />
de secadores em relação a marcas e modelos fabricados,<br />
mas basicamente são utilizados secadores horizontais e<br />
verticais, sendo que atualmente no Brasil o maior número<br />
de secadores em operação são do tipo horizontal, utilizando<br />
sistemas de aquecimento proveniente de vapor ou gás,<br />
sendo que o principio e o objetivo de todos é o mesmo,<br />
ou seja, r<strong>ed</strong>uzir uniformemente a umidade do produto<br />
com a maior eficiência possível, lembrando que a umidade<br />
interferirá diretamente na palatabilidade,na estabilidade<br />
dos produtos extrusados e na rentabilidade do processo<br />
sendo que o ideal é manter a umidade o mais próximo<br />
possível de 10 % e com atividade de água abaixo de 0.62%.<br />
Neste processo existem uma série de variáveis envolvidas<br />
e a escolha e o dimensionamento correto do equipamento<br />
é o primeiro passo.<br />
Após a etapa de secagem o produto recebe uma<br />
aplicação externa de líquidos e/ou pós para melhorar a sua<br />
palatabilidade. Nesta etapa do processo é muito importante<br />
a aplicação uniforme de gorduras e palatabilizantes (<br />
líquidos e/ou pós) sobre toda a superfície do produtos ,<br />
sendo que para isso existem diversos sistemas de aplicação<br />
atmosféricos e / ou à vácuo.<br />
A última fase do processo antes do empacotamento do<br />
produto é o resfriamento, e não menos importante que as<br />
outras etapas muitas vezes é esquecido e estudos mostram<br />
que problemas com fungos em produtos podem ser<br />
originários de um sistema de resfriamento sem eficiência e<br />
sem controle.<br />
Na próxima <strong>ed</strong>ição estaremos nos aprofundando mais<br />
sobre cada etapa do processo.<br />
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Entrevista<br />
Salvador J.<br />
Grecco (Martec)<br />
de c A r o n A n o m u n d o d A s g r A x A r iA s. Assim o d i r e t o r<br />
c o m e r c iA l d A mA r t e c, sA l v A d o r J. gr e c c o v e m A c o m p A n h A n d o<br />
o segmento d e p e r t o h á pelo m e n o s 30 A n o s. A empresA<br />
n A q u A l t r A b A l h A f o r n e c e m o i n h o s e p e ç A s, e n t r e o u t r o s<br />
p r o d u t o s e s e r v i ç o s v o l t A d o s p A r A A s A t i v i dA d e s d e m o A g e m<br />
em d i v e r s o s setores A l é m d A s g r A x A r iA s. gr e c c o v ê o segmento<br />
c o m o u t r A “r o u p A g e m” q u A n d o c o m p A r A d o A t e m p o s p A s s A d o s.<br />
pA r A ele, t o r n o u-se m A i s o r g A n i zA d o, “c o m e m p r e s á r i o s c o m<br />
A u t o-senso e c o n s c i ê n c iA d A importânciA d A s u A A t i v i dA d e<br />
d e n t r o d A c A d e iA p r o d u t i vA d e p r o t e í nA A n i mA l”. gr e c c o<br />
A v A l iA q u e 2008 f o i u m A n o c o m p e r í o d o s b o n s, excelentes e<br />
r u i n s. Ap e s A r d A c r i s e, A p o s t A n A e s t A b i l i zA ç ã o d A t u r b u l ê n c iA<br />
e p l A n e J A c r e s c i m e n t o p A r A o p r ó x i m o A n o. A re v i s tA<br />
gr A x A r iA br A s i l e i r A t A m b é m discutiu o u t r o s Assuntos c o m o<br />
d i r e t o r, c o m o A q u e s t ã o d o biodiesel e o s diferenciAis d e s e u s<br />
p r o d u t o s.<br />
Por Paulo Celestino<br />
Revista Graxaria Brasileira - Que balanço o senhor<br />
faz do mercado de graxarias em 2008?<br />
Salvador J. Grecco - A graxaria, como qualquer outra<br />
atividade, é cíclica, tendo períodos bons, excelentes<br />
e ruins. Na minha opinião, o ano de 2008 teve três<br />
realidades diversas nos três quadrimestres. O primeiro,<br />
de janeiro a abril, foi de expectativas, com um mercado<br />
pouco demandado para sebo e farinha, mas com boas<br />
perspectivas para os meses seguintes. As empresas<br />
programaram grandes investimentos para atender a<br />
normas do Ministério da Agricultura e melhorias em<br />
suas plantas industriais. O segundo quadrimestre, de<br />
maio a agosto, foi um momento de euforia para o setor.<br />
As empresas passaram a colher os bons frutos de um<br />
trabalho que vinha sendo feito nos anos anteriores.<br />
O último quadrimestre, ainda em curso, está gerando<br />
grandes inquietações no setor. Por um lado, os preços<br />
da farinha e do sebo estão satisfatórios, por outro,<br />
houve uma r<strong>ed</strong>ução bastante acentuada no volume e na<br />
qualidade da matéria-prima processada, pois os abates<br />
estão r<strong>ed</strong>uzidos e os animais abatidos estão com o peso<br />
médio menor. E isto leva uma a uma matéria-prima de<br />
qualidade inferior e, conseqüentemente, a um menor<br />
rendimento da produção final de sebo e farinha, onerando<br />
assim as graxarias. A pouca oferta de boi gordo para<br />
abate é conseqüência, entre outras coisas, das chuvas<br />
escassas e irregulares dos anos anteriores, quando<br />
o produtor foi obrigado a enviar para o abate grande<br />
quantidade de vacas. E isso levou a um desequilíbrio na<br />
oferta do bezerro de reposição no pasto.<br />
RGB - O senhor acompanha o segmento das<br />
graxarias há bastante tempo. Como o avalia?<br />
Salvador - Hoje, o setor se apresenta com uma<br />
“roupagem” muito diferente da de tempos passados.<br />
Tornou-se mais organizado, tendo empresários com<br />
auto-senso e consciência da importância de sua<br />
atividade dentro da cadeia produtiva de proteína<br />
animal para o ser humano. Isso está ligado ao fato de<br />
o Brasil possuir uma posição de grande importância<br />
no cenário internacional, sendo o maior produtor de<br />
carne bovina do mundo.<br />
RGB - Qual foi o impacto da chegada do biodiesel?<br />
Salvador - O biodiesel teve um papel relevante<br />
no cenário. No entanto, alguns empresários mais<br />
afoitos deram início a uma concorrência pr<strong>ed</strong>atória<br />
na aquisição da matéria-prima, ampliando seus raios<br />
de atuação, fazendo coleta de matéria-prima acima<br />
de 500 quilômetros de suas plantas industriais. Isso<br />
onera a produção e minimiza resultados. Esta é uma<br />
prática antiga que os empresários têm que repensar.<br />
RGB - Havia uma expectativa de maior aquisição de<br />
máquinas e outros investimentos em processo em<br />
2008 com a disponibilidade de crédito. A r<strong>ed</strong>ução<br />
de crédito e de financiamentos é um dos primeiros<br />
efeitos da crise financeira mundial. Como a sua<br />
empresa vê o cenário a curto prazo?<br />
Salvador - A crise globalizada dos bancos é um<br />
fator inegável, que afeta toda esta cadeia produtiva<br />
e a economia como um todo. Até o momento, não<br />
sentimos o efeito da crise financeira mundial em nossa<br />
empresa, pois o mercado de fabricação de máquinas foi<br />
estável no ano vigente. Os empresários do setor estão<br />
confiantes, mas, como todos nós, estão cautelosos,<br />
revendo suas metas, r<strong>ed</strong>imensionando seus objetivos.<br />
RGB - E quais são as suas expectativas para 2009?<br />
Salvador - As expectativas para o ano de 2009 são<br />
de uma estabilização da crise mundial. Nossa empresa<br />
pretende alcançar um crescimento de cerca de 15%.<br />
RGB - Quais os produtos fabricados por sua empresa para o<br />
segmento de graxarias?<br />
Salvador - Somos especializados na área de moagem<br />
para farinha de carne e sub-produtos animais em geral.<br />
Fabricamos e comercializados moinhos a martelo,<br />
peneiras, chapas perfuradas para a caixa peculadora,<br />
pisos antiderrapantes, rotores, anéis, pinos e martelos<br />
para moinho. Contamos hoje com maquinário de alta<br />
tecnologia para balanceamento de rotores.<br />
RGB - Quais são os diferenciais dos produtos<br />
Martec para as graxarias?<br />
Salvador - O diferencial nos produtos para graxaria<br />
foi o desenvolvimento de modernos moinhos com<br />
alta tecnologia e aprimoramento na área de farinha<br />
de carne e sub-produtos em geral. O martelo é<br />
fabricado em aço especial, com dureza de 62 RC,<br />
usinado e cementado com camada de 1,8 mm, contra<br />
um padrão de mercado de 1 a 1,2 mm, o que confere<br />
ao moinho mais capacidade de ajuste e durabilidade<br />
entre 30 e 40% maior. Além disso, contando com o<br />
desenvolvimento em parceria de chapas perfuradas,<br />
oferecemos peneiras com maior aproximação entre<br />
as furações, o que pode aumentar a produtividade na<br />
área de moagem em até 50%.<br />
RGB - Como o senhor chegou a esses diferenciais? A<br />
sua empresa desenvolve tecnologia própria? Como<br />
se dá o processo de desenvolvimento de novas<br />
tecnologias em sua empresa?<br />
Salvador - Sim, desenvolvemos nossa própria<br />
tecnologia de produtos. Chegamos a esses diferenciais<br />
por meio de pesquisa e sugestões feitas por nossos<br />
clientes dentro das graxarias e frigoríficos, além<br />
de outros setores moageiros. O processo usado no<br />
desenvolvimento é efetuado pelo nosso competente<br />
departamento técnico. Nosso objetivo é oferecer maior<br />
produtividade, durabilidade e rendimento, aumentando<br />
assim o lucro de nossa clientela.<br />
RGB - Quais outros segmentos a Martec atende,<br />
além das graxarias?<br />
Salvador - A Martec desenvolveu materiais para<br />
manutenção de todos os segmentos na área de<br />
moagem, entre eles, alimentos, mineração e fábricas<br />
de ração.<br />
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Caderno Técnico 1<br />
A mídia continua repleta de relatórios<br />
salientando os problemas da cadeia alimentar nos<br />
Estados Unidos. Alguns <strong>ed</strong>itoriais sugeriram, nos<br />
últimos meses, que o atual sistema de segurança<br />
alimentar não consegue proteger os consumidores<br />
e é, em si mesmo, um risco. Críticos e advogados<br />
de consumidores mencionam o relatório do<br />
U.S. Government Accountability Office (GAO)<br />
que culpa o atual sistema f<strong>ed</strong>eral de inspeção<br />
alimentar citando, a partir deste relatório: “O atual<br />
sistema f<strong>ed</strong>eral fragmentado causou coordenação<br />
ineficaz e uso pouco eficiente de recursos… para<br />
ajudar a garantir a detecção e resposta rápidas a<br />
qualquer contaminação acidental ou propositada<br />
de alimentos antes que a segurança e saúde<br />
publica sejam comprometidas.”<br />
As preocupações expressas pela GAO são<br />
historicamente o cenário de pior dos casos, uma<br />
tradição naquele “escritório”. Mesmo assim, os<br />
achados publicados se tornam parte de registros<br />
públicos e são usados pelo Congresso como<br />
agentes de mudança para instituir m<strong>ed</strong>idas<br />
corretivas e estabelecer modificações (regulatórias<br />
ou políticas) para evitar recorrências de cabeçalhos<br />
Por Don A. Franco, DVM, MPH The Franco Foundation<br />
Segurança Alimentar:<br />
Uma obrigação da indústria<br />
de processamento<br />
embaraçosos que acentuam falhas na segurança<br />
alimentar e proteção ao consumidor.<br />
Além disto, relatórios tipo do governo, GAO<br />
ou semelhantes fornecem, aos advogados de<br />
consumidores, combustível para críticas e racional<br />
para algumas das reformas propostas. Isto mostra<br />
claramente o atributo de transparência praticado<br />
nos Estados Unidos e Canadá, fornecendo tanto<br />
aos que criticam como os que apóiam programas<br />
abertos para aumentar o debate sobre as varias<br />
perspectives de segurança alimentar nos dois<br />
países. No meio tempo, o publico continua<br />
preocupado, às vezes alarmado, freqüentemente<br />
sentindo-se mal informado e confuso pela miríade<br />
de temas que aparecem e contribuem para o que<br />
parece ser um continuo de diferentes desafios a<br />
segurança alimentar.<br />
O tema central de preocupação foi sempre<br />
descrito como uma ameaça à saúde pública. Isto<br />
tende a ser difícil de definir, freqüentemente<br />
exagerado e raramente ou nunca considerando<br />
as m<strong>ed</strong>idas protetoras tomadas pelas indústrias<br />
ou pelas agências regulatórias para mitigar ou<br />
evitar danos aos consumidores quando o “risco”<br />
é identificado, Esta é uma situação perfeitamente<br />
compreendida pela indústria produtora de<br />
alimentos, advogados de consumidores e outros<br />
ligados direta e indiretamente a alimentos,<br />
incluindo o pessoal técnico e profissional das<br />
agências e os políticos.<br />
O processo tornou-se basicamente político<br />
nas duas últimas décadas. É parte da realidade do<br />
mundo de políticas de segurança alimentar e das<br />
pressões para influenciar mudança em políticas e<br />
regulamentos. É litigioso e envolve a promoção<br />
de agendas por grupos de interesses especiais,<br />
tentando fazer com que seus vieses sejam<br />
ampliados, quer exista ou não apoio científico<br />
para afirmar ou validar suas posições.<br />
Isto não significa obrigatoriamente que<br />
algumas das preocupações com segurança<br />
de alimentos não tenham fundamentos, mas<br />
mostra também que alguns grupos se tornaram<br />
tão emocionalmente envolvidos pelo âmbito<br />
da segurança que eles não têm a paciência de<br />
examinar as nuances da ciência de risco, fator<br />
tão fundamental à objetividade e um pré requisito<br />
à tomada de decisões corretas. Freqüentemente<br />
a emoção acaba vencendo a razão e não se<br />
consegue chegar a um consenso.<br />
E isto é péssimo. A segurança dos alimentos<br />
e um empreendimento de sucesso quando as<br />
forcas trabalham com um programa único e em<br />
conjunto, respeitando as diferentes opiniões.<br />
Da mesma forma, a indústria produtora<br />
de alimentos deve continuar a procurar a<br />
transparência que evoluiu nas duas últimas<br />
décadas e manter o público informado sobre os<br />
inúmeros programas instituídos para garantir<br />
o fornecimento de alimentos seguros. Alguns<br />
regimes, como os programas de analise de risco e<br />
ponto de controle crítico (HACCP), foram tornados<br />
obrigatórios pelo governo, mas a maioria dos<br />
setores da cadeia alimentar implementaram<br />
voluntariamente m<strong>ed</strong>idas de prevenção e controle<br />
para aumentar a segurança, com grandes custos<br />
no processo e sem um requisito regulatório.<br />
Felizmente, a experiência demonstrou que<br />
a incorporação de m<strong>ed</strong>idas de segurança na<br />
produção de alimentos sempre resulta em<br />
benefícios de longo prazo que ultrapassam os<br />
custos. Assim, a abordagem proativa agregou<br />
valor à indústria de processamento.<br />
No começo de minha associação com<br />
a indústria de processamento, lembrei aos<br />
processadores que eles produziam alimentos. Sem<br />
duvidas, alguns continuam a pensar em termos<br />
de ingr<strong>ed</strong>ientes/suplementos de rações para<br />
gado, aves e aqüicultura e animais domésticos.<br />
Aceitando-se que seja verdade, e o pensamento<br />
da minoria do cohorte de processadores.<br />
De acordo com as leis e regulamentação, a<br />
indústria de processamento produz alimentos e<br />
está sujeita ao significado ampliado de adulteração<br />
de 1967 da Food and Drug Administration (FDA)<br />
que afirma que os artigos usados em alimentos<br />
para animais estão incluídos na definição de<br />
alimentos da Seção 201(f) da F<strong>ed</strong>eral Food, Drug,<br />
and Cosmetic Act (Lei F<strong>ed</strong>eral sobre Alimentos,<br />
Drogas e Cosméticos). Assim, aspectos de<br />
adulteração e contaminação de produtos<br />
processados são tratados da mesma forma que<br />
os alimentos para o homem – devem ob<strong>ed</strong>ecer as<br />
leis. Isto deve ser perfeitamente compreendido<br />
pela indústria de processamento quando agentes<br />
do governo intervêm para investigar ou realizar<br />
auditorias.<br />
A lei é clara e rigorosa. Felizmente, a indústria<br />
de processamento, tendo como base auditorias<br />
oficiais do governo tem um registro de ob<strong>ed</strong>iência<br />
que deveria ser inveja da indústria de alimentos,<br />
com uma média de 95 ou mais de percentagem de<br />
ob<strong>ed</strong>iência durante avaliações na ultima década.<br />
Comunicação bilateral entre a indústria e a<br />
FDA garantindo a ob<strong>ed</strong>iência contribuiu para o<br />
sucesso, Os processadores perceberam que a<br />
não ob<strong>ed</strong>iência custava um preço que eles não<br />
estavam preparados para pagar.<br />
as P e c T o s/co n c e iT o s d a Ga r a n T i a d e<br />
se G u r a n ç a d e al iM e n T o s :<br />
A função primeira da indústria de<br />
processamento é produzir e vender produtos<br />
seguros por meio de sistemas operacionais<br />
para ganhar dinheiro e continuar no negócio.<br />
Este objetivo reconhece que cada empresa é<br />
proprietária da produção, sendo responsável<br />
pela manutenção adequada e controles além e<br />
acima dos requisitos regulatórios impostos pelo<br />
governo.<br />
Isto não é diferente de qualquer outro setor<br />
da produção de alimentos. Em essência, cada<br />
companhia tem a única função de administrar<br />
e controlar qualquer falha em potencial da<br />
segurança dos alimentos. Assim toda indústria de<br />
processamento deve possuir:<br />
• um sistema que garanta a qualidade e segurança<br />
de todas as áreas de operação;<br />
• monitoramento da tecnologia e expertise<br />
necessária de inúmeros produtos e processos;<br />
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Caderno Técnico 1<br />
• gestão de dados e elementos para monitorar e<br />
melhorar a qualidade e segurança do produto;<br />
• manter-se a par de todas as facetas da indústria,<br />
incluindo requisitos regulatórios e políticos; e<br />
• treinar uma forca de trabalho para que se tornem<br />
lideres efetivos e parte integral da missão/visão<br />
da empresa.<br />
Os cinco grandes objetivos/garantias mencionados<br />
acima podem ser alcançados por meio de:<br />
• tornar o comprometimento da administração<br />
para com segurança de produtos por meio da<br />
adoção de programas como HACCP ou semelhante<br />
com os mesmos objetivos como o Código de<br />
Pratica da indústria de processamento;<br />
• organizar o sistema operacional com pessoal<br />
adequado de suporte técnico e cientifico;<br />
• estabelecer uma organização descentralizada<br />
que permita discussões próximas ao ponto de<br />
produção e operações;<br />
• criar uma unidade de negócios que seja central<br />
para o sucesso da organização e desempenhe um<br />
papel ativo na tomada de decisões;<br />
• desenvolver o melhor sistema funcional que<br />
seja simples, flexível e administrável, refletindo a<br />
visão/missão da empresa;<br />
• estabelecer sistemas bem suc<strong>ed</strong>idos e integrados<br />
de forma que todos os elementos da operação<br />
se relacionem a gerentes chave para manter o<br />
controle efetivo dos processos (integração interna<br />
da gestão);<br />
• garantir que a cultura da empresa e o braço<br />
comercial funcionem em conjunto para refletir<br />
o sistema e aumentar a confiança, conjunto e<br />
unidade de propósito;<br />
• colaborar abertamente e comunicar em todos<br />
os níveis do sistema e promover um esforço<br />
unificado para garantir a qualidade e segurança<br />
do produto; e<br />
• encorajar todos na empresa a ter uma atitude<br />
de aceitação - devem acr<strong>ed</strong>itar, dizer e fazer, do<br />
presidente ao zelador.<br />
o Pa P e l d o PrinciPal resPonsável<br />
Pela oP e r a ç ã o:<br />
• Colocar pessoas qualificadas em cargo de<br />
garantia de qualidade e segurança do produto.<br />
• Ouvir o conselho da equipe de apoio técnico e<br />
profissional na tomada de decisões que beneficiem<br />
o crescimento e desenvolvimento da empresa.<br />
• Exigir que os fornec<strong>ed</strong>ores ob<strong>ed</strong>eçam a<br />
especificações estabelecidas e acordadas – o<br />
produto é apenas tão seguro quanto seus<br />
componentes.<br />
• Integrar a gestão de informação como<br />
parte da política da empresa para aumentar a<br />
conscientização e a comunicação com a mídia e<br />
o governo.<br />
• Manter-se atualizado sobre leis e regulamentos<br />
que regem a produção, distribuição e manuseio<br />
dos produtos fabricados pela empresa.<br />
• Administrar e inspirar ao maior potencial a<br />
missão/visão da empresa.<br />
Recomendações para Criação de um Programa<br />
de Manutenção de Registros para Validar os<br />
Controles da Empresa:<br />
• Todo registro da empresa deve ter uma<br />
finalidade específica senão é desnecessário.<br />
• Determinar se o registro/arquivo possui um<br />
valor de curto ou longo prazo e quais suas<br />
implicações regulatórias.<br />
• Um documento deve ser completo e qualquer<br />
ação necessária deve ser realizada antes do<br />
preenchimento do mesmo.<br />
• A manutenção eletrônica de registros é aceitável<br />
se for protegida de mudanças não autorizadas.<br />
• Todos os registros de um lote ou remessa<br />
especial processados devem ter um sistema para<br />
ligá-los entre si, por ex., matéria prima e produto<br />
pronto.<br />
• Cada registro da empresa deve ter um nome<br />
e numero de versão e sempre ser datado,<br />
especialmente para ob<strong>ed</strong>ecer a auditorias<br />
regulatórias.<br />
• O arquivamento e manutenção devem ob<strong>ed</strong>ecer<br />
ao plano de controle de registros da empresa e<br />
os registros devem ser facilmente armazenados,<br />
identificados e recuperados.<br />
co M u n i c a ç õ e s Go v e r n o/in d ú s T r i a<br />
O Governo tem o mandato para formular<br />
políticas e estabelecer regulamentos para<br />
garantir a cadeia alimentar segura.Tanto nos<br />
Estados Unidos quanto no Canadá, as indústrias<br />
afetadas tem oportunidade de comunicar suas<br />
preocupações aos representantes do governo<br />
durante encontros marcados ou por escrito.<br />
Freqüentemente, desacordos em boa fé durante<br />
discussões políticas e regulatórias.<br />
Estas devem agregar valor ao debate, se<br />
sinceridade e profissionalismo forem pontos<br />
centrais e se ambos os lados estiverem se<br />
esforçando para garantir que o respeito mútuo<br />
pr<strong>ed</strong>omine enquanto fornecem informações<br />
para resolver os principais pontos da discussão.<br />
Confiança e respeito são elementos importantes<br />
nestes discursos. Isto se obtém quando ambos os<br />
lados se preparam cuidadosamente para<br />
as discussões e apresentam soluções e<br />
opções para consideração com racional<br />
e lógica. Quando aplicável, seria bom<br />
para a indústria, trazer uma curta<br />
apresentação aos representantes do<br />
governo para avaliação, principalmente<br />
nos primeiros estágios de qualquer<br />
processo regulatório em potencial.<br />
O acordo não é obrigatório. O que é<br />
necessário, no entanto, é um exame<br />
justo e completo do assunto, um<br />
ponto-contraponto profissional das<br />
diferenças, quando ocorrem, com<br />
maturidade e <strong>ed</strong>ucação, aceitando que<br />
a indústria possui direitos definidos<br />
e o governo a responsabilidade para<br />
garantir segurança para proteger a<br />
saúde humana e animal. Assim, não é<br />
surpreendente que freqüentemente as<br />
diferenças possam ser resolvidas em<br />
nível técnico, resultando na evolução de<br />
soluções mutuamente acordadas. Isto<br />
se alavanca melhor em uma atmosfera<br />
de negócios, já mencionada acima, onde<br />
todos os envolvidos têm a intenção<br />
de contribuir objetivamente para o<br />
debate, reconhecendo e respeitando<br />
a perspectiva e o ponto de vista dos<br />
outros. A indústria de processamento<br />
é bem representada por uma equipe<br />
profissional que compreende totalmente<br />
estes atributos durante as discussões<br />
com agências governamentais.<br />
co n c l u s ã o<br />
A correlação que torna a segurança<br />
dos alimentos uma obrigação<br />
de negócios para a indústria de<br />
processamento começou de diferentes<br />
maneiras a mais de 25 anos. Começou<br />
formalmente com o estabelecimento<br />
da Animal Protein Producers Industry<br />
(APPI) como um braço de biosegurança<br />
da indústria em 1984.<br />
Ainda que o objetivo inicial da<br />
APPI fosse a prevenção e controle<br />
de contaminação por Salmonella em<br />
Material técnico gentilmente c<strong>ed</strong>ido pela Revista Render (The<br />
National Magazine of Rendering), <strong>ed</strong>ição Outubro de 2008.<br />
Reprodução autorizada pelo autor.<br />
Tradução de Anna Maria Franco<br />
33<br />
produtos prontos (refeições à base<br />
de proteína), as metas da indústria se<br />
expandiram com o passar dos anos para<br />
programas holísticos de segurança, de<br />
acordo com os princípios da HACCP<br />
para todos os produtos processados a<br />
fim de garantir a segurança do produto<br />
final.<br />
A maioria dos tópicos apresentados<br />
neste artigo foi discutida de uma forma<br />
ou outra dentro da APPI durante os<br />
anos e subseqüentemente adotados<br />
pela maioria das empresas. Como todos<br />
os programas de controle preventivo<br />
podem ocorrer sobreposições e isto<br />
não é fora do comum em programas<br />
que garantem a segurança. E não é<br />
nada diferente do processamento de<br />
produtos para consume humano onde<br />
r<strong>ed</strong>undância e sobreposições são<br />
abundantes.<br />
Na verdade, não é nada de novo,<br />
exceto para melhorar e promover o<br />
atual Código de Prática da Indústria<br />
de Processamento que aumenta a<br />
segurança em todas as dimensões<br />
concebíveis.<br />
Mas o processo precisa também<br />
de controle de qualidade e estrutura<br />
e da habilidade de prever e planejar,<br />
organizar, comandar, coordenar e<br />
controlar. É a avaliação de prováveis<br />
cenários futuros, decidindo qual a<br />
melhor forma de reagir a eles, encontrar<br />
os recursos necessários para uma<br />
resposta bem suc<strong>ed</strong>ida e empregá-los da<br />
melhor forma possível. Qualquer coisa<br />
a menos poderia causar um fracasso<br />
do sistema que nenhuma companhia<br />
poderia suportar no mundo atual da<br />
indústria de alimentos. A indústria<br />
de processamento está totalmente<br />
consciente disto e, sem dúvida, a frente<br />
da curva, à m<strong>ed</strong>ida que continuamos<br />
a produzir ingr<strong>ed</strong>ientes seguros para<br />
garantir rações seguras, gado, aves,<br />
peixes e animais domésticos saudáveis<br />
e alimentos seguros.<br />
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Caderno Técnico 2<br />
Por Mike Bek<strong>ed</strong>am e James F. Williams, Industrial Steam<br />
Revisão do equilíbrio térmico<br />
para economia de dois digitos<br />
ci c l o c A l d e i r A/v A p o r/c o n d e n s A d o é A c h A v e p A r A e c o n o m iA d e e n e r g i A<br />
Reimpresso com permissão do número de junho de 2008<br />
do HPAC Engineering.<br />
Os dias em que se repassava aos consumidores o<br />
custo agora aparentemente negligenciável do preço do<br />
combustível é uma lembrança do passado. Para continuar<br />
competitivos nesta era de aumentos recorde de preços<br />
dos combustíveis, os usuários de energia devem avaliar<br />
seu consumo de combustível e encontrar formas de<br />
otimizá-lo.<br />
Economizadores, trocadores de calor, queimadores de<br />
baixo oxigênio, isolamentos etc., são meios excelentes<br />
de r<strong>ed</strong>uzir o consumo de combustível e devem ser<br />
considerados, mas, sem sombra de duvida, o local<br />
mais produtivo para começar a buscar o máximo de<br />
economia de combustível/energia – o que oferece<br />
maior retorno sobre investimentos- é o ciclo caldeira/<br />
vapor/condensado. A menos que o equilíbrio térmico da<br />
usina esteja correto, vapor e condensado não utilizados<br />
representam um quantidade significativa, na verdade a<br />
maior de todas, de perda de calor. Considere que a perda<br />
de combustível de um sistema aberto de condensado de<br />
15 libras por polegada quadrada (psig) pode chegar a 6%<br />
do combustível necessário para produzir o calor. Em um<br />
sistema de 100 psig, a perda de calor é de 19%. Com<br />
um sistema de condensado fechado bem desenhado o<br />
retorno pode se dar em questão de meses ou até menos.<br />
re q u i s iT o s d e e n e r G i a<br />
A forma mais fácil e lógica de revisar o equilíbrio<br />
térmico de uma planta é observar a operação da planta.<br />
Vá ao telhado e veja se há vapor sendo perdido na<br />
atmosfera; se este for o caso, determine a fonte. Verifique<br />
o(s) processo(s) procurando condensado potencialmente<br />
recuperável. Ainda que a observação da operação da<br />
planta possa revelar grandes “furos”, esta não é toda a<br />
história. Por exemplo, considere uma planta corrugadora<br />
de papel onde o vapor é utilizado a 175 psi por uma<br />
máquina que opera em ciclo fechado. O vapor é consumido<br />
para plasticização do papel antes da corrugação, mas o<br />
equilíbrio térmico é tal que há uma sobra considerável<br />
de pressão positiva. Não é raro ver-se uma fábrica deste<br />
tipo despejando vapor na atmosfera para manter seus<br />
processos de produção em funcionamento.<br />
Outro exemplo é uma planta enlatadora (de conservas)<br />
– onde o alimento é preparado dentro de grandes<br />
caldeirões de água quente. Antes de 1980, a água para os<br />
caldeirões era aquecida por injeção direta de vapor. Com a<br />
introdução dos trocadores de calor e a volta do condensado<br />
em um sistema fechado sem purgadores pode-se fazer<br />
uma economia de 18%. Quando o preço do combustível<br />
era 3,5 centavos por unidade calorimétrica, tal conversão<br />
era difícil de justificar em operações sazonais, mas com o<br />
preço de combustível chegando próximo de 70 centavos<br />
ou mais por unidade calorimétrica, o retorno pode ocorrer<br />
em semanas. Não tendo revisado seus requisitos de<br />
energia, muitas indústrias estão percebendo a quantidade<br />
de dólares/combustível jogados fora (condensado para o<br />
dreno) ou perdidos como fumaça (vapor rápido).<br />
Pe r d a s r e a i s<br />
A tabela 1 mostra o volume real, calor total e<br />
perdas de combustível em várias pressões. A coluna<br />
do “total de calor perdido pelo vapor rápido” indica a<br />
perda de calor que pode ser atribuída a necessidade de<br />
substituir o vapor perdido com retenção mínima a 60<br />
graus Fahrenheit (F). O que realmente chama a atenção<br />
é o combustível necessário para regenerar este calor<br />
perdido em uma caldeira operando a 80 % de eficiência<br />
(Coluna “Combustível perdido na substituição de calor<br />
perdido”). Com um sistema fechado estas porcentagens<br />
Tabela 1<br />
de combustível perdido representam economia direta de<br />
combustível. A tabela 1 não é totalmente precisa, pois<br />
não leva em consideração perdas incalculáveis como<br />
um aumento de descarga, aumento de uso de produtos<br />
químicos, custo da água de retenção mínima, custo de<br />
esgoto, e água e exigida por algumas municipalidades<br />
para esfriar a descarga.<br />
ca T e G o r i a s d e equilíBrio T é r M i c o<br />
Existem dois tipos de equilíbrio térmico: um baseado<br />
na condição de operação atual da planta e outro baseado<br />
no uso ótimo de energia pela planta. A maioria das plantas<br />
está em uma das seguintes categorias:<br />
• Categoria 1: Todo o vapor é usado pelo processo e é<br />
irrecuperável devido a injeção direta, contaminação ou<br />
por ser impraticável.Uma planta agregada, um jato de<br />
vapor no vácuo, uma panela de pressão com o vapor<br />
potencialmente contaminado são bons exemplos.<br />
• Categoria 2: A maioria ou todo o condensado é<br />
recuperável e a temperatura média da água de alimentação<br />
é consideravelmente mais alta do que a pressão<br />
de operação do sistema de alimentação. Plantas de<br />
processamento, plantas de compensados, corrugadoras<br />
e plantas de borracha são bons exemplos..<br />
• Categoria 3: Apenas uma porção do condensado é<br />
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Caderno Técnico 2<br />
recuperável e o equilíbrio térmico é menos de 212 graus<br />
F. Enlatadoras, plantas químicas e fábricas de papel são<br />
exemplos.<br />
Em plantas da categoria 1 é importante que seja<br />
considerada a transformação de ciclos irrecuperáveis em<br />
recuperáveis. Por exemplo, uma bomba de vácuo pode<br />
se pagar ao eliminar o jato de vapor perdido. Trocadores<br />
de calor podem ser usados no lugar de injeção direta de<br />
vapor. Condensado perdido atribuído a impraticabilidade<br />
pode, de repente, se tornar custoefetivo.<br />
Uma planta de categoria 2 p<strong>ed</strong>e um sistema de<br />
condensado fechado.<br />
Este tipo de planta geralmente produz uma grande<br />
quantidade de vapor rápido que, a menos que utilizado,<br />
resulta em alto grau de ineficiência.<br />
Muito cuidado é necessário não apenas para selecionar<br />
os componentes adequados às pressões e temperaturas<br />
envolvidas mas para individualizar o sistema à planta. É<br />
importante que o pessoal que trabalha com o sistema<br />
conheça o processo e o equipamento de produção<br />
envolvidos.<br />
Às vezes, o aumento de produção possível com<br />
um sistema fechado pode exc<strong>ed</strong>er a economia com<br />
combustível.<br />
Ainda que não pareça haver potencial de economia nas<br />
plantas de categoria 3, um exame cuidadoso revela perdas<br />
difíceis de detectar, tais como resfriadores de condensado<br />
e sistemas condensados de purgadores atmosféricos, que<br />
podem ser fechados para melhor utilização do calor.<br />
Além disto, um sistema fechado sem purgador bem<br />
desenhado pode aumentar a produção significativamente<br />
ao permitir drenagem sem restrição e remoção continua de<br />
gases não condensáveis para o máximo de transferência<br />
de calor.<br />
Ti P o s d e si sT e M a s<br />
Com tantos processos empregando vapor, não há um<br />
único sistema que possa resolver todas as variáveis. Seis<br />
sistemas relativamente básicos que podem ser usados<br />
individualmente ou em combinação para fechar um loop<br />
vapor/condensado e economizar todos os flashes de<br />
vapor disponíveis e as BTus perdidas na atmosfera estão<br />
nas Figuras 1 a 6.<br />
A Figura 1 ilustra uma abordagem para economizar<br />
calor pela qual o condensado é bombeado diretamente de<br />
volta para uma caldeira. Figure 1 illustrates an approach<br />
to saving heat by which condensate is pump<strong>ed</strong> directly<br />
back to a boiler. Esta abordagem não responde à remoção<br />
de gás, que e extremamente importante para a máxima<br />
transferência de calor. A bomba opera continuamente em<br />
uma condição de semi-vapor que geralmente resulta em<br />
manutenção considerável.<br />
A Figura 2 ilustra uma variação do conceito de<br />
Figura 1<br />
Figura 2<br />
bombeamento direto, com a descarga da bomba<br />
modulada em proporção exata ao fluxo de condensado<br />
e operando com sucção submersa (alagada, inundada)<br />
todo o tempo. Excelente remoção de gás maximiza a<br />
produção, enquanto a ausência de purgadores melhora<br />
o fluxo do condensado e acelera o startup. A seleção de<br />
uma bomba com um cabeçote de sucção liquida baixa é<br />
critica.<br />
As Figuras 3 a 6 ilustram os sistemas pressurizados<br />
de alimentação de água de caldeiras, que consistem de<br />
um receptor operando em pressão controlada geralmente<br />
igual ou um pouco mais alta que o equilíbrio térmico da<br />
planta. Estes sistemas economizam energia não apenas<br />
por conservar todo o condensado de alta pressão, mas<br />
também r<strong>ed</strong>uzindo os requisitos de CV da bomba com<br />
sua adicional pressão de sucção. A economia anual por<br />
CV é de ou quase de $ 500. Como a retenção é mínima<br />
em um sistema de condensado de loop fechado bem<br />
desenhado que use um sistema de água pressurizada<br />
para alimentação da caldeira, um pequeno deaerator,<br />
um tamanho para os requisitos reais é geralmente<br />
incorporado. Freqüentemente sistemas de alimentação<br />
de água existentes podem ser usados.<br />
equilíBrio T é r M i c o<br />
A Figura 3 ilustra um módulo de drenagem usada<br />
em um processo típico. O módulo incorpora um sistema<br />
insensível a pressão que sente o influxo e ajusta<br />
automaticamente a saída para combinar. Como o módulo<br />
não possui um orifício fixo como um purgador, qu<strong>ed</strong>as de<br />
alta-pressão não são necessárias para boa drenagem.<br />
Figura 3 Figura 4<br />
O módulo pode drenar para um sistema de alimentação<br />
de água pressurizado com pequeno diferencial.<br />
Dependendo dos processos envolvidos e da configuração<br />
da planta, vários módulos podem ser usados em conjunto<br />
com o sistema.<br />
O sistema na Figura 4 é semelhante ao que aparece na<br />
Figura 3, exceto que os módulos são equipados com bombas<br />
(para processos com pressões variáveis) ou controles de<br />
temperatura. As bombas evacuam continuadamente o<br />
condensado do processo, independente da pressão.<br />
No sistema ilustrado na Figura 5, vários processos<br />
operam sob a mesma pressão. O equipamento do processo<br />
é drenado primeiro para um receptor comum, depois para<br />
uma única linha para um sistema de alimentação de água<br />
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pressurizado em localização remota. Bom controle de<br />
pressão permite que esta única linha opere em posição<br />
elevada e drene para um receptor localizado acima grade.<br />
Excelente remoção de gás não condensável é característica<br />
deste tipo de sistema.<br />
A Figura 6 ilustra um processo típico que usa vapor<br />
em várias pressões. O vapor rápido vai em cascata do<br />
processo de alta pressão para o processo de baixa pressão<br />
permite o uso de um tipo de bomba menos dispendiosa<br />
no sistema de condensado.<br />
O vapor rápido do processo de alta pressão<br />
freqüentemente fornece uma porção significativa de<br />
vapor para o processo de baixa pressão.<br />
Os sistemas nas Figuras 1 a 6 são meramente a<br />
ponta do iceberg. Variações e combinações são<br />
inúmeras e impossíveis de aplicar sem um bom estudo<br />
da planta.<br />
in f o r M a ç ã o n e c e s s á r i a<br />
Um levantamento da planta exige informação em duas<br />
áreas básicas: operação da planta e sala de caldeira.<br />
Informação detalhada sobre a operação da planta<br />
é necessária para determinar o equilíbrio térmico e<br />
o equipamento necessário. Especialmente difícil de<br />
obter é a pressão real de operação do equipamento do<br />
processo.<br />
Se, por exemplo, uma caldeira operando a 150 psig<br />
fornece vapor a um processo sem r<strong>ed</strong>ução de pressão<br />
ou controle de temperatura, a pressão de operação<br />
é 150 psig. Se uma válvula de r<strong>ed</strong>ução de pressão for<br />
incluída, a pressão de operação será a pressão ajustada<br />
para válvula de alívio de pressão a jusante. Um controle<br />
de temperatura localizado na entrada de vapor do<br />
equipamento de processo funciona como um sistema de<br />
controle de pressão variável.<br />
A pressão do processo pode variar entre pressão<br />
de linha completa e pressão negativa, dependendo da<br />
carga, temperatura, etc., do processo. Às vezes, a única<br />
forma de determinar a pressão de operação média de um<br />
processo de temperatura controlada é marcar a pressão<br />
na entrada do purgador no equipamento em questão.<br />
E, ao fazer um levantamento da planta, é importante<br />
saber onde estão localizados os componentes, um em<br />
relação ao outro, e a sala de caldeira, o consumo de<br />
vapor de cada parte do equipamento e a altura da saída<br />
de condensado acima do soalho. A informação sobre a<br />
sala de caldeira é obrigatória se novo equipamento de<br />
condensado será incorporado à operação existente. A<br />
pressão de operação da caldeira, regulagem da água de<br />
alimentação, horas de operação, e custo do combustível<br />
são outras informações necessárias para o planejamento<br />
adequado de um sistema fechado de alimentação de<br />
água de caldeira.<br />
de T e r M i n a n d o o equilíBrio T é r M i c o<br />
O equilíbrio térmico não é difícil de determinar. É<br />
necessário conhecer a carga média de vapor e a porcentagem<br />
distribuída aos vários usuários.<br />
Considere, por exemplo, uma carga de vapor típica<br />
de 50.000 libras (lb.) por hora (1.500 CV) a uma pressão<br />
de operação de 150 psig, dos quais 20% é perdido para<br />
o processo, 60% retorna à pressão total e 20% retorna de<br />
um sistema de temperatura controlada com uma pressão<br />
média de 65 psig. Suponha que todo o condensado esteja<br />
sendo salvo.<br />
Conforme visto na Tabela 2, a temperatura média da<br />
água de alimentação é 181,6 graus F. Após o fechamento<br />
do ciclo é 328,3 graus F. Um aumento de cerca de 10<br />
graus da temperatura da água de alimentação resulta em<br />
economia de combustível de 1%. Isto pode ser considerado<br />
como um aumento de capacidade da caldeira ou r<strong>ed</strong>ução do<br />
aquecimento. Por exemplo, o cálculo da Tabela 2 indica:<br />
• uma economia de quase 15 % de combustível a 50.000<br />
lb. por hora, ou, em outras palavras, o mesmo montante de<br />
produção poderia ser realizado a 42.500 lb. por hora;<br />
• um aumento da capacidade da caldeira de até quase<br />
59.000 lb. por hora.<br />
Se a planta desperdiçava todo seu condensado no dreno<br />
(sem retornos) o total do calor perdido seria 31,5 % em vez<br />
de 15 %.<br />
ec o n o M i a d e c o M B u s T í v e l<br />
Dos resultados acima, é fácil calcular a economia em<br />
dólares. Considerando um custo de 80 centavos por unidade<br />
calorimétrica ($8 por milhão de Btu), a economia por hora<br />
seria:<br />
• Entrada (Btu por hora) × porcentagem de economia ×<br />
custo por unidade calorimétrica ÷ 100.000 Btu por unidade<br />
calorimétrica<br />
• Entrada = saída ÷ eficiência da caldeira (50.000.000 ÷<br />
0,80) × 0,15 × 0,80 ÷ 100.000 = $75<br />
Tabela 2<br />
Figura 5 Figura 6<br />
Presumindo uma média de 3.000 horas de operação por<br />
ano, a economia anual seria de $225.000.<br />
re s u M o<br />
Fechar um ciclo condensado para capturar todas as BTus<br />
disponíveis resulta tipicamente em economia de combustível<br />
de dois dígitos. A seleção adequada dos componentes<br />
do sistema de condensado é vital para maximizar a<br />
economia. Se aplicada corretamente, a drenagem eficiente<br />
do condensado ao lado da remoção contínua de gases<br />
pode aumentar a produção e causar economias acima das<br />
economias calculáveis de combustível.<br />
Bons sistemas sem purgadores resultam em startups<br />
mais rápidos, r<strong>ed</strong>ução do tempo de lotes, superfícies mais<br />
quentes e transferência de calor mensuravelmente melhor.<br />
Revise o equilíbrio térmico da planta em primeiro lugar,<br />
pois isto apresenta o maior potencial de economia de<br />
combustível de dois dígitos.<br />
Material técnico gentilmente c<strong>ed</strong>ido pela Revista<br />
Render (The National Magazine of Rendering),<br />
<strong>ed</strong>ição Outubro de 2008.<br />
Reprodução autorizada pelo autor.<br />
Tradução de Anna Maria Franco<br />
Martin “Mike” Bek<strong>ed</strong>am fundou a Industrial Steam<br />
em 1952.Logo depois, uniu-se a ele James F. Williams.<br />
Bek<strong>ed</strong>am faleceu em 16 de marco de 2008,com<br />
94 anos. Williams continua com a Industrial<br />
Steam,desempenhando um importante papel de<br />
monitoria e ensino.<br />
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Caderno Técnico 3 Por Claudio Bellaver<br />
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Qualidade Qualidade e aspectos aspectos técnicotécnicoeconômicoseconômicos do setor setor de farinhas farinhas<br />
e gorduras gorduras de origem origem animal animal<br />
1 – Pr o d u ç ã o de ca r n e s<br />
Nas três últimas décadas a produção de carnes e pro-<br />
dutos oriundos dessa produção, cresceu consideravelmente<br />
podendo ser visto pelas estatísticas da FAO para o ano<br />
de 2005, que enquanto a produção de carne bovina cresceu<br />
57,6% a de carnes suína e de aves cresceram respectivamente,<br />
186,4% e 436,5% nesse período. Dados globais<br />
de uma série de anos mais recentes tabulados pelo USDA<br />
sinalizam para a r<strong>ed</strong>ução global da produção e consumo<br />
de carne suína que pode se visualizar na tabela 1.<br />
Sumário<br />
Produção<br />
Bovinos<br />
Suínos<br />
Frangos e perus<br />
Total<br />
Consumo<br />
Bovinos<br />
Suínos<br />
Frangos e perus<br />
Total<br />
1 2 USDA (2007); Previsão<br />
2003<br />
50.089<br />
90.488<br />
59.888<br />
200.465<br />
49.097<br />
89.870<br />
58.329<br />
197.296<br />
Tabela 1 - Produção e consumos mundiais de carnes (mil toneladas) 1 .<br />
2004<br />
51.327<br />
92.801<br />
61.313<br />
205.441<br />
49.907<br />
91.790<br />
59.435<br />
201.132<br />
2005<br />
52.454<br />
96.139<br />
64.583<br />
213.176<br />
50.923<br />
94.891<br />
62.674<br />
208.488<br />
Essa r<strong>ed</strong>ução deve-se principalmente à China, não sendo<br />
o caso do Brasil, cuja produção se expande na taxa de 4%<br />
(USDA, 2007) com aumento de exportações. Portanto, esperase<br />
à longo prazo uma intensificação no comércio mundial de<br />
carnes prejudicados por eventos passados da vaca louca na<br />
América do Norte, da aftosa em bovinos no Brasil e da influenza<br />
aviária na Ásia. Por conseqüência, também há perspectivas de<br />
crescimento da oferta de subprodutos de origem animal no<br />
Brasil conforme trabalho de Bellaver e Zanotto (2008) durante<br />
o VII Workshop do Sincobesp (Tabela 2).<br />
20<strong>06</strong><br />
53.734<br />
98.504<br />
65.499<br />
217.737<br />
51.824<br />
97.263<br />
64.165<br />
213.252<br />
2007<br />
54.489<br />
94.678<br />
67.992<br />
217.159<br />
52.470<br />
93.595<br />
66.082<br />
212.147<br />
2008 2<br />
54.551<br />
92.992<br />
69.523<br />
217.<strong>06</strong>6<br />
52.231<br />
91.924<br />
67.137<br />
211.292<br />
% de mudança de<br />
20<strong>06</strong>:2008<br />
1,5<br />
-5,6<br />
6,1<br />
-0,3<br />
0,8<br />
-5,5<br />
4,6<br />
-0,9<br />
2 – su B P r o d u T o s de or i G e M an i M a l<br />
É possível demonstrar que o uso das farinhas de origem animal é<br />
vantajoso na formulação de rações, pois implica na r<strong>ed</strong>ução dos custos de<br />
produção de rações e por conseqüência no custo de produção animal, com<br />
grandes impactos na área ambiental (Bellaver et al., 2001 e Bellaver, 2005).<br />
Evidentemente que a qualidade das farinhas e gorduras animais deve ser<br />
assegurada e, portanto, no Brasil, deve ser aplicada a IN do MAPA no. 34 de<br />
Abril de 2008 (Brasil, 2008), a qual suc<strong>ed</strong>eu a IN 15 de 2003 (Brasil, 2003).<br />
Nessas normas estão vários princípios que permitem a r<strong>ed</strong>ução de risco à<br />
transmissão de doenças pelas farinhas animais. As exigências da norma<br />
estabelecem as boas práticas de fabricação (BPF) para estabelecimentos que<br />
processam resíduos de animais destinados à alimentação animal, o modelo<br />
de documento comercial e o roteiro de inspeção das BPF. São definidas<br />
as condições higiênico-sanitárias do local e construções, o processamento<br />
(não inclusão de animais mortos, processamento a 133oC, 3 Bars e 20<br />
min., não canibalismo, etc.), as embalagens, os rótulos, a documentação<br />
e registros, os POP's e o manual de produção. Assim sendo, é importante<br />
obter farinhas animais de produtores que tenham, pelo menos iniciado o<br />
trabalho de melhoria da qualidade, que contemplem a norma estabelecida<br />
pelo MAPA para produção de farinhas e gorduras animais.<br />
Por isso enfatiza-se a necessidade da implantação de um sistema de<br />
qualidade na produção desses ingr<strong>ed</strong>ientes, o qual depende da aplicação<br />
preliminar de boas práticas de fabricação (BPF) de farinhas e gorduras e mais<br />
adiante programas de análise de perigos e controle de pontos críticos (APPCC)<br />
e finalmente buscando a certificação de qualidade. Embora os sistemas<br />
tenham diferentes complexidades na implantação e desenvolvimento,<br />
são necessários ao final que sejam devidamente auditados por empresas<br />
independentes e com cr<strong>ed</strong>ibilidade pública, visando garantir a qualidade<br />
dos produtos para os mercados interno e externo. Também é necessária<br />
a compreensão por parte de setores do governo e privados para apoio aos<br />
programas <strong>ed</strong>ucativos, visando a realização de cursos sobre as normas que<br />
regem o setor, bem como financiando a modernização e pesquisas do setor<br />
de farinhas e gorduras animais. Considera-se também que é de fundamental<br />
importância a ação fiscalizadora e de monitoramento com sanções cabíveis<br />
para os casos em que a produção desses ingr<strong>ed</strong>ientes não atenda as<br />
especificações de qualidade normalizadas. Em adição, é inquestionável<br />
a importância ambiental da produção de farinhas e gorduras animais,<br />
Produção anual<br />
Abate (cabeças) *<br />
Peso médio de abate, kg<br />
Mat. prima p/ ind. farinhas, %<br />
Matéria prima, total T<br />
Rendim. na ind.de farinhas, %<br />
- % de FCO, FV, FOA **<br />
- % de gordura<br />
- % de farinha de penas<br />
Volume da produção/ano<br />
- FCO, FV (t/ano)<br />
- Gordura (t/ano)<br />
- Farinha de penas (t/ano)<br />
Frangos<br />
5.151.985.000<br />
2,20<br />
0,30<br />
3.400.310<br />
0,40<br />
0,53<br />
0,24<br />
0,23<br />
Frangos<br />
720.866<br />
326.430<br />
312.829<br />
Suínos<br />
34.317.191<br />
105,00<br />
0,30<br />
1.080.992<br />
0,40<br />
0,55<br />
0,45<br />
-<br />
Suínos<br />
238.553<br />
193.843<br />
-<br />
Bovinos<br />
47.143.8<strong>06</strong><br />
400,00<br />
0,45<br />
8.485.885<br />
0,40<br />
0,58<br />
0,42<br />
-<br />
Bovinos<br />
1.961.937<br />
1.432.417<br />
-<br />
*Anualpec, 2007; ** FCO - farinha de carne e ossos; FV- farinha de vísceras; FOA - farinha<br />
de origem animal<br />
Total<br />
12.967.187<br />
Total<br />
2.921.356<br />
1.952.691<br />
312.829
42<br />
R<br />
e<br />
v<br />
i<br />
s<br />
t<br />
a<br />
G<br />
r<br />
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r<br />
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l<br />
e<br />
i<br />
r<br />
a<br />
Caderno Técnico 3<br />
pois contribuem efetivamente para o mecanismo de<br />
produção mais limpa.<br />
No aspecto nutricional da fabricação de rações de<br />
alta qualidade a premissa máxima é que, ingr<strong>ed</strong>ientes de<br />
má qualidade geram rações de má qualidade na relação<br />
direta de participação na fórmula, independentemente<br />
de quaisquer outros fatores da produção. Portanto,<br />
a qualidade dos ingr<strong>ed</strong>ientes é o primeiro e mais<br />
importante item para ob<strong>ed</strong>ecer na produção de rações<br />
e para alcançá-lo, é preciso conhecer muito bem os<br />
ingr<strong>ed</strong>ientes. O conhecimento da origem do material<br />
a ser processado é essencial para indicar a qualidade<br />
e, se desconhecido, pode ser um problema para a<br />
formulação de rações. Para dar maior clareza a essa<br />
necessidade Bellaver e Zanotto (2004) e Sindirações<br />
(2005), descrevem as principais características dos<br />
ingr<strong>ed</strong>ientes de origem animal e definem variáveis<br />
analíticas necessárias para categorizar a qualidade dos<br />
ingr<strong>ed</strong>ientes. Embora os custos e as facilidades para<br />
analisar cada partida do ingr<strong>ed</strong>iente tornem a rotina de<br />
análise difícil de ser implementada, é preciso ter em<br />
mente que a qualidade das farinhas é perceptível por<br />
variáveis analíticas, entre as quais: a) contaminação<br />
bacteriana (Salmonelas, Coli), b) peroxidação das<br />
gorduras, c) presença de aminas tóxicas, d) composição<br />
química, e) digestibilidade dos aminoácidos e da<br />
energia, f) análise sensorial e ainda pela existência de<br />
um sistema de gestão da qualidade da produção de<br />
farinhas e gorduras.<br />
A discussão sobre destinação das matérias prima<br />
que são utilizadas para fabricação de farinhas e<br />
gorduras animais tem dois aspectos, sendo que ao<br />
final da discussão, o resultado deve ser sinérgico. Se<br />
por um lado o fator bioseguridade animal faz com que<br />
existam restrições legais nos processos de produção<br />
e barreiras técnicas internacionais são impostas; não<br />
menos importantes são as alternativas para destinação<br />
das matérias primas existentes e que devem ser<br />
processadas para atender a legislação, mas que ao<br />
mesmo tempo possam ser agregadoras de valor ao<br />
produto resultante.<br />
Os resíduos do abate são aqueles que se originam<br />
após o abate animal e que devem ser submetidos<br />
a processos de cocção resultando na produção de<br />
ingr<strong>ed</strong>ientes, os quais devem ser isentos de materiais<br />
estranhos à sua composição e microorganismos<br />
patogênicos. Os principais ingr<strong>ed</strong>ientes referidos no<br />
Compêndio de Alimentação Animal (Sindirações, 2005),<br />
são as farinhas de carnes, de carne e ossos, de sangue,<br />
de penas hidrolisadas, de vísceras e de resíduos de<br />
incubatório. No lado das gorduras, as mais importantes<br />
são o sebo bovino, a graxa suína e o óleo de frango.<br />
Também, em alguns processamentos é possível fazer a<br />
mistura de proporções conhecidas desses ingr<strong>ed</strong>ientes<br />
primários formando assim as farinhas mistas com<br />
possibilidade ainda de inclusão de sangue, ossos<br />
e cartilagens da desossa. A mais conhecida dessas<br />
misturas e a de sangue na farinha de penas. Dois<br />
resíduos da cadeia de carnes que também precisam ser<br />
considerados são os resíduos de água industrial servida<br />
e os resíduos de incubatório (Bellaver e Dai Pra, 2008).<br />
2.1 – re s í d u o s de áG u a se r v i d a (á G u a do fl o T a d o r )<br />
Devido a crescente produção mundial de carne visto<br />
anteriormente e que muitas empresas dispõem de<br />
sistemas conjuntos (aves e suínos) de processamento<br />
da água industrial são gerados anualmente cerca de<br />
150 milhões de toneladas de efluentes no abate dessas<br />
duas espécies. O efluente é constituído por água<br />
de processamento que carreia resíduos de sangue,<br />
gordura, líquidos fisiológicos, carne, ossos, vísceras,<br />
além da água de higienização. Por meio de tratamentos<br />
seqüenciais contínuos do efluente, floculação, flotação<br />
e centrifugação é possível obter um composto orgânico<br />
denominado flotado industrial (FI). Estima-se que<br />
sejam produzidos anualmente em torno de 1 milhão<br />
de toneladas de FI com 35% de matéria seca. Contendo<br />
44,03% de proteína bruta e 32,74% de extrato etéreo na<br />
matéria seca, o potencial de uso do FI na produção de<br />
farinhas animais deve ser explorado como alternativa<br />
desde que preenchidas condições de higiene e<br />
processamento im<strong>ed</strong>iato. A inclusão isométrica de<br />
10% de flotado industrial no processo de produção de<br />
farinha de carne e osso suína (FCO), não altera os teores<br />
de MS, EE e MM. Os valores médios de EMAn para FCO<br />
suina em dietas para frangos de corte foi de 2571 kcal/<br />
kg (Zanotto; Bellaver et al. 2007a e 2008b).<br />
2.2 – re s í d u o s de in c u B a T ó r i o<br />
A farinha de resíduos de incubatório é o produto<br />
resultante da cocção, secagem e moagem da mistura de<br />
cascas de ovos, ovos inférteis e não eclodidos, pintos<br />
não viáveis e os descartados, removida ou não a gordura<br />
por prensagem (Sindirações, 2005). Há sugestões de que<br />
25 % do peso dos ovos incubados resultem em resíduos<br />
de cascas, pintos mortos, refugos, ovos não eclodidos<br />
oriundos de uma taxa de inviabilidade de 15% dos ovos<br />
incubados. Considerando a produção de 5,26 bilhões<br />
de pintos de corte por ano, com peso médio de ovo de<br />
60g e 25 % do peso dos ovos incubados constituído por<br />
mortalidades embrionárias, inférteis e todas as cascas<br />
dos ovos, chega-se a produção de aproximadamente<br />
80 mil toneladas anuais de resíduos de incubatório.<br />
Esses devem ser submetidos ao processo de fabricação<br />
de farinhas em equipamentos adequados a essa<br />
finalidade visando a fabricação de farinha de resíduos<br />
de incubatório associada a coadjuvantes tecnológicos<br />
de processo. A opção da compostagem dos resíduos<br />
de incubatório precisa ser estudada e comparada com<br />
o processo anterior quando esse for elaborado com<br />
qualidade.<br />
3 – si s T e M a s de qu a l i d a d e Pa r a<br />
far i n h a s e Go r d u r a s aniMais<br />
Em segmentos da cadeia das carnes suína e de frango,<br />
algumas empresas de produção e industrialização têm<br />
seus sistemas internos de Controle da Qualidade, que<br />
são avaliados por dados operacionais e que deveriam<br />
ser pontuados de acordo com as conformidades e<br />
especificações dos processos e dos produtos a que se<br />
referem. Outras empresas têm sistemas de Certificação<br />
da Qualidade com auditorias periódicas independentes,<br />
proporcionando maior confiança entre os clientes e<br />
entidades relacionadas e, outras empresas estão à frente,<br />
pois estabeleceram processos de Gestão da Qualidade.<br />
Nesse, além do controle e da certificação são incluídos<br />
conceitos gerais de qualidade, segurança alimentar,<br />
saúde do consumidor, preservação do ambiente,<br />
políticas de <strong>ed</strong>ucação e desenvolvimento sustentado,<br />
sendo ativamente envolvidas em demonstrar a resposta<br />
global da empresa. Em todos os sistemas de busca de<br />
qualidade, são emitidos os certificados de qualidade,<br />
os quais podem variar de empresa para empresa, e.g.:<br />
certificações para frigoríficos sob Inspeção F<strong>ed</strong>eral<br />
(SIF), certificações da série ISO 9001 e outras séries<br />
(e.g. 14000), rastreabilidade, HACCP, BPF, produto<br />
de qualidade, granja e fábrica de processamento de<br />
produtos finais. Um sistema de qualidade, porém,<br />
não é somente a existência burocrática do mesmo e<br />
justificativo para atender as exigências de auditoria<br />
e certificação. Embora o manejo de fatores de risco<br />
seja crucial, ele não garante por si só a qualidade,<br />
sendo necessário que o sistema de qualidade atenda<br />
as especificações declaradas do produto final. Oliver<br />
(2003) define que um sistema de qualidade é um plano<br />
de trabalho ou ação projetado para inspirar confiança<br />
entre os clientes e consumidores. Liga-se a necessidade<br />
de sistemas de qualidade aos vários eventos ligados à<br />
segurança dos alimentos que corroboraram para que<br />
os governos e compradores internacionais impusessem<br />
suas restrições no comercio de carnes e ingr<strong>ed</strong>ientes de<br />
fabricação de rações. Assim, é muito importante ter em<br />
conta que as noticias negativas do setor agropecuário<br />
deram perspectivas diferentes na discussão sobre<br />
segurança dos alimentos e, por conseguinte, a busca<br />
pela gestão da qualidade de rações e ingr<strong>ed</strong>ientes é<br />
um ato continuo na segurança dos alimentos humanos,<br />
reforçando o conceito da “segurança do campo à mesa”.<br />
43<br />
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Caderno Técnico 3<br />
Especificamente com as farinhas e gorduras animais<br />
devem ser consideradas as perspectivas da qualidade<br />
nutricional; da qualidade técnica; da segurança para<br />
os animais, ambiente e consumidores e, finalmente,<br />
a qualidade emocional ligada aos consumidores;<br />
sendo que, o sucesso do empreendimento depende da<br />
harmonização destes conceitos. Além do uso nutricional<br />
de rotina é preciso ter em conta que a inovação pode<br />
determinar novas alternativas para as farinhas e<br />
gorduras animais. Entretanto, isso requer intuição,<br />
idéias e pesquisas com uso do método cientifico.<br />
Algumas das alternativas que podem ser consideradas<br />
para uso não nutricional das farinhas e gorduras animais<br />
são a incineração e/ou briquetagem, biodiesel, biogás,<br />
compostagem e produção de polímeros plásticos<br />
semelhantes (Barone e Schmidt, 2005; Barone, 20<strong>06</strong>;<br />
Bellaver, 2007; Brasil 2007; Garcia et al. 2004; Oliveira<br />
e Higarashi, 20<strong>06</strong>a e 20<strong>06</strong>b).<br />
4 – en e r G i a re n o v á v e l fo r T a l e c e d o r a da<br />
ind ú s T r i a an i M a l<br />
Grande parte da discussão atual sobre energia<br />
renovável está sendo direcionada para o bem suc<strong>ed</strong>ido<br />
programa do álcool no Brasil. Por exemplo, recentemente<br />
na Folha de São Paulo foi escrito um artigo intitulado:<br />
Bionegociações. O novo termo remete a uma discussão<br />
em andamento sobre posicionamentos das nações<br />
e a necessidade de certificar a produção de energia<br />
renovável de forma sustentável; isto é, relacionada<br />
com o econômico, o ambiental e o social. No aspecto<br />
ambiental é necessária uma relação de menor gasto para<br />
a produção de energia renovável em relação à energia<br />
fóssil, havendo, portanto um balanço favorável na<br />
r<strong>ed</strong>ução de emissões de carbono na atmosfera. Assim,<br />
para o caso do álcool produzido a partir da cana-deaçúcar<br />
a relação é plenamente alcançada, sendo estimada<br />
em 1:8,3 e, para o etanol, produzido a partir do milho,<br />
a relação é bem menos favorável e apenas satisfatória,<br />
ou seja 1:1,3. No aspecto social a certificação deve<br />
garantir condições de trabalho regulamentadas pelas<br />
leis f<strong>ed</strong>erais. Isso, harmonizado entre países, permitirá<br />
que o álcool se torne uma commodity, com menores<br />
chances de barreiras não alfandegárias. No aspecto de<br />
nutrição animal há uma serie de possibilidades oriundas<br />
do processamento e desenvolvimento de ingr<strong>ed</strong>ientes<br />
para rações, com destaque para a lev<strong>ed</strong>ura e o bagaço<br />
hidrolisado.<br />
Com a inclusão do biodiesel na matriz energética<br />
nacional , as distribuidoras de combustíveis colocaram<br />
no mercado em 01/2008 o B2, composto por 98% de<br />
diesel e 2% de biodiesel. Esse valor deverá atingir 5%<br />
em volume (B5), como mínimo obrigatório de adição de<br />
biodiesel ao diesel comercializado para o consumidor<br />
final, em qualquer parte do território nacional, conforme<br />
fixado pela mesma lei. Considerando apenas o valor de<br />
2% de biodiesel pela lei, serão necessários cerca de 782<br />
milhões de litros por ano (~ 800.000 t/ano). A produção<br />
de soja em 20<strong>06</strong> foi de 55 milhões de toneladas que,<br />
contendo 18% de óleo, resultam em aproximadamente<br />
10 milhões de toneladas de óleo bruto. A esterificação<br />
desse volume produziria cerca de 90 % de biodiesel<br />
e 10% de glicerina bruta, o suficiente para atender<br />
toda a demanda de biodiesel para dar conformidade à<br />
lei. Ocorre porém, que a soja é uma commodity com<br />
múltiplas aplicações e de acordo com Bellaver , com<br />
menores chances de sucesso quando o óleo vegetal for<br />
originalmente produzido para o consumo humano, o<br />
que eleva seu preço no mercado (e.g. óleos de soja,<br />
girassol, canola). Por isso, na dependência de preços de<br />
mercado o biodiesel demandado poderá derivar-se de<br />
outras fontes de gorduras como, por exemplo, a gordura<br />
animal ou, através da modificação do processamento<br />
para r<strong>ed</strong>ução do custo de produção do biodiesel. A<br />
modificação da extração de óleos por solventes pela<br />
via de transesterificação in situ com produção de metil/<br />
etil ésteres, glicerol, e laminados vegetais modificados<br />
com aplicações diferentes para a indústria de rações.<br />
Pesquisas são necessárias para o desenvolvimento dos<br />
novos processos nessa área, podendo haver impacto<br />
substancial na alimentação de aves com farelos<br />
originados da extração de óleo in situ.<br />
5 – oP o r T u n i d a d e s Pa r a o Bi o d i e s e l de<br />
Gor d u r a s aniMais<br />
Do ponto de vista das gorduras animais, somente no<br />
Brasil há um volume apreciável de cerca de 2,0 milhões<br />
de toneladas/ano. Essas gorduras terão destinações<br />
técnicas diferentes tais como, uso nas indústrias<br />
cosméticas, farmacêutica, tintas, resinas, rações e, uma<br />
parte, poderá ser destinada, na dependência de preços<br />
de mercado, à produção de biodiesel. A viabilidade do<br />
uso para produção de biocombustível é dependente do<br />
custo da matéria prima, do processamento e de despesas<br />
administrativas que não podem ultrapassar ao valor do<br />
diesel na bomba de distribuição. Portanto, o biodiesel<br />
obtido de gorduras animais requer, uma visão critica<br />
do funcionamento do setor de carnes e de subprodutos<br />
de origem animal, operados pelos grandes frigoríficos<br />
e por coletadores de matérias-prima residuais de<br />
abat<strong>ed</strong>ouros, açougues, casas de carne, supermercados<br />
e de resíduos graxos de cozinha.<br />
É preciso também verificar o que está acontecendo<br />
nos grandes mercados mundiais. Por exemplo, grandes<br />
frigoríficos como Tyson Foods estão se associando com<br />
empresas produtoras de biocombustíveis. A notícia não<br />
seria tão notável se não fosse anunciado que a parceria<br />
permitirá a produção de combustíveis de terceira<br />
geração, ou sintéticos, originários de gorduras animais<br />
de baixa qualidade. Biocombustíveis de segunda<br />
geração seriam aqueles derivados de gorduras animais<br />
e vegetais de alta qualidade; portanto, produzindo na<br />
refinaria, energia renovável na forma convencional de<br />
produção de biodiesel. A qualidade do combustível<br />
sintético é superior a qualquer outro combustível,<br />
tendo apelo para uso em motores a jato num amplo<br />
espectro de temperaturas. Destaca-se que foi calculado<br />
um investimento de US$ 150 milhões em uma primeira<br />
fabrica para produção de 285 milhões de litros de<br />
biodiesel em 2010. Também é importante notar que há<br />
um incentivo em r<strong>ed</strong>ução de impostos de 1 US$/galão<br />
de biodiesel produzido.<br />
Vários processos de produção de biodiesel e<br />
bióleos são possíveis, entre os quais o mais comum<br />
é o de transesterificação com metanol ou etanol e<br />
catalisadores básicos, ácidos ou heterogêneos. Outros<br />
processos que na seqüência levam a esterificação das<br />
gorduras purificadas, conversão em baixa temperatura,<br />
craqueamento/pirólise, destilação em alta pressão<br />
com separação por resinas filtrantes podem resultar<br />
em compostos energéticos com valor agregado maior.<br />
Entretanto, deve-se nesse momento, por prudência,<br />
manter cautela na implantação de plantas industriais<br />
que podem não ser as indicadas e adequadas para<br />
produção de biocombustíveis a partir de gorduras<br />
ácidas e borras residuais. A propósito, sobre processos<br />
e fontes de matérias primas, sugere-se a leitura do artigo<br />
“Seleção de processos para produção de biodiesel. –<br />
gorduras animais vs óleo de soja” de Singh et al. (2007),<br />
traduzido para a Revista do Sincobesp de Setembro de<br />
2007. Um projeto de bancada laboratorial está sendo<br />
conduzido por Higarashi (2008) na Embrapa Suínos e<br />
Aves, no qual se prevê a avaliação de alternativas de<br />
fontes de gordura animal na produção de biodiesel,<br />
buscando com isso a agregação de valor econômico das<br />
fontes.<br />
6 – co-Pr o d u T o Gl i c e r o l<br />
O processo de transesterificação de gorduras resulta<br />
na produção glicerol, glicerina ou propano-1,2,3-triol<br />
(IUPAC, 1993) que é um composto orgânico pertencente<br />
à função álcool. É líquido à temperatura ambiente (25 °C),<br />
higroscópico, inodoro, viscoso, com densidade de 1,261g/<br />
cm3 e de sabor adocicado. O termo Glicerina (Nº. CAS:<br />
56-81-5) refere-se ao produto na forma comercial, com<br />
pureza acima de 95% (Wikip<strong>ed</strong>ia, 2007). Entre as muitas<br />
possibilidades de aplicações para o glicerol podem-se<br />
agrupar em farmacêutica, cosmética, tintas e também<br />
na fabricação de rações animais, o que poderá ser uma<br />
opção para agregar valor ao ingr<strong>ed</strong>iente glicerol.<br />
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Caderno Técnico 3<br />
Em Janeiro de 2007 foi realizado um seminário para<br />
discussão do uso de glicerol na alimentação animal, com<br />
participação de diversas empresas e governo americano,<br />
tendo sido concluído que o glicerol poderá estar<br />
contaminado com Metanol, o qual tem seu limite máximo<br />
estabelecido em 150 ppm, pelo FDA para uso humano,<br />
havendo necessidade de outros estudos de toxicidade<br />
para mudança desse nível. Entretanto se o processo de<br />
transesterificação para produção de biodiesel for com<br />
etanol, não há problemas dessa natureza.<br />
O glicerol bruto (87% de pureza), derivado da<br />
produção de biodiesel foi testado por Lammers, et<br />
al. (2007a) em dietas basais para suínos, sendo que<br />
a digestibilidade da energia (ED) nas dietas das fases<br />
inicial (12 kg) e final (110 kg) foi respectivamente<br />
de 3386 ± 149 kcal/kg e 3772 ± 108 kcal/kg; tendo<br />
sido concluído que o glicerol é fonte de energia para<br />
suínos. Noutro experimento de desempenho de suínos,<br />
o glicerol incluído até 10% em dietas isocalóricas e<br />
isolisinicas na fase de creche proporcionou o mesmo<br />
desempenho e ganho de peso dos leitões controle,<br />
podendo ser adicionado como energético nas dietas de<br />
leitões (Lammers et al. 2007b).<br />
Kerr et al. (2007) determinaram que a EMAn do<br />
glicerol seja de 3.684 e 3.805 kcal/kg em frangos e<br />
aves de postura, respectivamente e de 3.207 kcal<br />
EM/kg em suínos. Assim, o glicerol bruto pode ser<br />
usado como uma excelente fonte de calorias para<br />
não-ruminantes. Outras experiências com suínos em<br />
crescimento indicam que 10% parece ter pouco impacto<br />
na performance de suínos, na composição das carcaças<br />
ou qualidade da carne. Níveis de outros compostos da<br />
glicerina bruta, como metanol sódio, potássio e AGL<br />
devem ser monitorados nos impactos sobre os valores<br />
de EM e desempenho do ingr<strong>ed</strong>iente glicerol. Outros<br />
aspectos de manejo e manufatura de rações devem ser<br />
observados dependendo da concentração de glicerina<br />
na dieta (fluidez das rações nos com<strong>ed</strong>ouros e umidade<br />
da cama de aviário).<br />
7 – iM P l i c a ç õ e s e co n c l u s õ e s<br />
As farinhas animais originadas dos resíduos do abate<br />
são importantes na nutrição animal por r<strong>ed</strong>uzirem os<br />
custos de produção e melhorarem aspectos ambientais,<br />
mas por outro lado há necessidade de se implantar com<br />
urgência, sistemas de qualidade visando a certificação e<br />
garantia de farinhas e gorduras animais de qualidade.<br />
As gorduras animais têm oportunidade de contribuir<br />
significativamente para a melhoria da matriz energética<br />
brasileira trazendo implícitas as vantagens de: a) utilizar<br />
matérias primas residuais para agregação de valor<br />
em produtos e co-produtos; b) contribuir com novas<br />
soluções para melhoria e r<strong>ed</strong>ução de riscos ambientais<br />
e, c) melhorar à biosegurança animal fruto da retirada<br />
de produtos sanitariamente problemáticos da cadeia de<br />
alimentação animal e de carnes.<br />
Em adição, o setor de produção industrial<br />
de farinhas e gorduras tem retardado a visão da<br />
necessidade de pesquisa e desenvolvimento para<br />
melhoria dos processos e de equipamentos na<br />
produção de alternativas; da participação junto ao<br />
governo e empresas de equipamentos e insumos e da<br />
transferência de tecnologia dentro do próprio setor.<br />
Seria vantajoso para a cadeia de carnes, estabelecer<br />
estratégias para a tomada de decisões e melhorias nos<br />
seguintes aspectos:<br />
7.1 – de s e n v o l v i M e n T o<br />
São necessários estudos sobre: a) processos industriais<br />
alternativos (e.g.: extrusão e extração de gordura<br />
de farinhas animais); b) processos de preparação de<br />
gorduras ácidas para o processamento na planta de biodiesel<br />
com definição dos parâmetros exigidos pela ANP;<br />
c) desenvolvimento de novos produtos com o uso dos<br />
subprodutos (ex. glicerina) da produção de biodiesel;<br />
d) produção de novas moléculas comerciais a partir de<br />
proteínas e gorduras animais; e) definição dos parâmetros<br />
significativos da qualidade das farinhas e gorduras<br />
para a alimentação animal e outros usos (classificação<br />
através de parâmetros analíticos); f) antioxidantes e anti-salmonelas;<br />
g) compostagem de resíduos do abate e<br />
do lodo de flotadores para uso fertilizante; h) produção<br />
de biogás de farinhas e efluentes industriais.<br />
7.2 – Té c n i c o e ad M i n i s T r a T i v o<br />
São necessárias ações nos seguintes pontos: a) uma<br />
sólida ação de formação de base de dados estatísticos,<br />
a exemplo do que faz o NRA dos EUA; b) uma forte<br />
participação das associações junto ao governo f<strong>ed</strong>eral<br />
nas áreas de meio-ambiente e agricultura na busca de<br />
apoio financeiro com taxas de juros atrativas junto ao<br />
BNDES, FINEP, e outros fundos de apoio empresarial; c)<br />
buscar a união da categoria de produtores de farinhas<br />
e gorduras nos objetivos comuns de fortalecimento do<br />
setor.<br />
7.3 – <strong>ed</strong> u c a ç ã o co n T i n u a d a<br />
É importante promover as parcerias com instituições<br />
apoiadoras da qualidade em programas <strong>ed</strong>ucativos de<br />
treinamento de pessoal das indústrias, visando com<br />
isso conhecer as normas e processos que regem a produção<br />
de qualidade e orientar melhor a sua aplicação<br />
nas indústrias. Ações de divulgação geral na mídia são<br />
importantes, ressaltando-se a necessidade de comunicar<br />
a importância do setor para a cadeia de carnes, para<br />
o ambiente e como geradora de empregos.<br />
8 – li T e r a T u r a c o n s u l T a d a<br />
Barone J. R. et al. 20<strong>06</strong>. Extrusion of feather keratin J. Appl. Poul. Sci. 100(2):1432-42.<br />
Barone, J. R. nd Schmidt, W. F. 2005. Polyethylene reinforc<strong>ed</strong> with keratin fibers obtain<strong>ed</strong><br />
from chicken feathers. Composites Science and Technology. 65:173–181.<br />
Bellaver, C. 2005. Limitações e vantagens do uso de farinhas de origem animal na alimentação<br />
de suínos e de aves. In: 2° Simpósio Brasileiro Alltech da Indústria de Alimentação Animal.<br />
Curitiba, Paraná, 28 a 30 de agosto de 2005. Visitado em 9/3/2007. http://www.cnpsa.<br />
embrapa.br/sgc/sgc_arquivos/palestras_r2v84s4u.pdf<br />
Bellaver, C. 2007. Gorduras animais para produção de biodiesel. Suinocultura Industrial.<br />
03/2007 (<strong>ed</strong>ição 204).<br />
Bellaver, C., Brum, P.A.R. de. et al. 2001.Utilização de dietas com base na proteína ideal para<br />
frangos de corte de 1 a 42 dias utilizando farinha de vísceras de aves. Revista Brasileira de<br />
Ciência Avícola. Suplemento 3. Trabalhos de Pesquisa. p.44-45. FACTA. Campinas.<br />
Bellaver, C. e Dai Pra, M. A. 2008 Aspectos técnico-econômicos dos resíduos gerados pela<br />
avicultura. Conferencia San Fernando, Lima – Peru. 23 de outubro de 2008<br />
Bellaver, C. e Zanotto, D.L. 2004. Parâmetros de qualidade em gorduras e subprodutos<br />
protéicos de origem animal. In: Conferencia Apinco de Ciencia e Tecnolgia Avicolas, 2004,<br />
Santos, SP. Anais... Campinas: FACTA, 2004. V.1, p.79-102.<br />
Bellaver, C. e Zanotto, D.L. 2008. Qualidade no setor de farinhas e gorduras animais e<br />
oportunidades para produção de biodiesel. VII Workshop do Sincobesp e III Feira Nacional<br />
das Graxarias (Fenagra) – São Paulo SP, 27 e 28/2/2008.<br />
Brasil. 2003. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa No.<br />
15 de 29/10/2003. Publicada no Diário Oficial da União Nº 211, em 30-10-2003, na Seção<br />
1, páginas 78-82.<br />
Brasil. 2007. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. LEI<br />
No 11.097, de 13 de janeiro de 2005. http://200.181.15.9/ccivil/_Ato2004-20<strong>06</strong>/2005/Lei/<br />
L11097.htm (consultado em 15/08/2008).<br />
Brasil. 2008. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa Nº<br />
34, de 28/5/2008. http://extranet.agricultura.gov.br/sislegis-consulta/consultarLegislacao.<br />
do?operacao=visualizar&id=18793. Consulta em 4/8/2008.<br />
Garcia, R. A. et al. 2004. Water Plasticization of Extrud<strong>ed</strong> Material Made from Meat and Bone<br />
Meal and Sodium Caseinate. J. Agric. Food Chem. 52, 3776-3779<br />
Higarashi, M.M. 2008. Avaliação de Alternativas Agroenergéticas para a Valoração de<br />
Resíduos da Produção Animal. Projeto MP2 na Embrapa Suínos e Aves. Concórdia SC.<br />
Kerr, B.J. et al. 2007. Nutritional value of crude glycerin for nonruminants. USDA-ARS,<br />
Mississippi State, MS; K. Bregendahl - Iowa State University, Ames, IA, USA. Proce<strong>ed</strong>ing: 68th<br />
Minnesota Nutrition Conference<br />
Lammers, P. et al. 2007a. Energy Value of Crude Glycerol F<strong>ed</strong> to Pigs In: Iowa State University<br />
Animal Industry Report 2007. A.S. Leaflet R2225.<br />
Lammers, P. et al. 2007b. Growth and Performance of Nursery Pigs F<strong>ed</strong> Crude Glycerol In:<br />
Iowa State University Animal Industry Report 2007. A.S. Leaflet R2224.<br />
Oliveira, P.A.V. de e Higarashi, M.M. 20<strong>06</strong>a. Unidade de compostagem para o tratamento<br />
dos dejetos de suínos. Concórdia. Embrapa Suínos e Aves, 39p. Documentos, 114.<br />
Oliveira, P.A.V. de e Higarashi, M.M. 20<strong>06</strong>b. Geração e utilização de biogás em unidades de<br />
produção de suínos. Concórdia. Embrapa Suínos e Aves, 42p. Documentos, 115.<br />
Oliver. The role of assurance schemes in animal fe<strong>ed</strong>. In: Recent Advances in Animal Nutrition.<br />
2003. Ed. Garnsworthy, P.C. e Wiseman, J. University of Nottingham. 2003. p.21-34<br />
Sindirações. 2005. Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal. São Paulo: Campinas.<br />
308p.<br />
Singh, A, Cobb, K., Peterson, M. Render Magazine. Feb. 2007. In: Revista do Sincobesp de<br />
Setembro de 2007. Seleção de processos para produção de biodiesel - gorduras animais vs<br />
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USDA. 2007. FAS. Livestock and Poultry. World Market and Trade. Circular Series DL&P 2-07.<br />
Nov 2007. http://www.fas.usda.gov/dlp/circular/2007/livestock_poultry_11-2007.pdf<br />
Wikip<strong>ed</strong>ia. 2007. Glicerol. http://pt.wikip<strong>ed</strong>ia.org/wiki/Glicerina (consultado em<br />
23/11/2007).<br />
Zanotto, D.L., Bellaver, C. et al. 2007a. Inclusão de flotado de efluente de frigorífico na<br />
produção de farinha de carne e osso suína (FCO). 1. Composição centesimal e energia<br />
metabolizável para frangos de corte. Revista Brasileira de Ciência Avícola - Suplemento 9,<br />
p149.<br />
Zanotto, D.L., Bellaver, C. et al. 2008b. Desempenho de frangos de corte submetidos a ração<br />
contendo farinha de carne e ossos com flotado industrial de frigorífico. Revista Brasileira de<br />
Ciência Avícola - Suplemento 10, p159.<br />
Claudio Bellaver é PhD, Qualyfoco Consultoria Ltda e ProEmbrapa<br />
- Concórdia, SC; bellaver@netcon.com.br<br />
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Agenda<br />
AVISULAT- I COnGRESSO SUL BRASILEIRO DE<br />
AVICULTURA, SUInOCULTURA E LATICínIOS<br />
Data: 19 a 21 de novembro de 2008<br />
Local: Centro de Exposições Fundaparque, Bento<br />
Gonçalves, RS<br />
Realização: ASGAV, SINDI-LAT, SIPS<br />
Telefone: (51) 3228-8844<br />
Site: www.avisulat.com.br<br />
InTERnATIOnAL POULTRy ExPO<br />
Data: 28 a 30 de Janeiro de 2009<br />
Local: Atlanta – USA<br />
Site: www.ipe09.org<br />
nATIOnAL BIODIESEL COnFEREnCE AnD ExPO<br />
Data: 01 a 04 de Fevereiro de 2009<br />
Local: San Francisco – USA<br />
Site: www.biodieselconference.org<br />
FEnAGRA 2009<br />
IV – Feira Nacional das Graxarias<br />
Data: 26 e 27 de março de 2009<br />
Local: São Paulo – SP<br />
Site: www.fenagra.com.br<br />
VIII WORKSHOP EMBRAPA / SInCOBESP<br />
Data: 26 e 27 de março de 2009<br />
Local: São Paulo – SP<br />
Site: www.fenagra.com.br<br />
FCE COMESTIQUE<br />
Data: 26 a 28 de maio de 2009<br />
Local: São Paulo - SP<br />
Site: www.fcecosmotique.com.br<br />
PET SOUTh AMERICA<br />
Data: 22 a 24 de julho de 2009<br />
Local: São Paulo - SP<br />
Site: www.petsa.com.br<br />
Por Alexandre Ferreira<br />
Certificados de<br />
Garantia<br />
Ao comprarmos qualquer bem, móvel ou<br />
imóvel, exigimos uma garantia. Hoje em dia<br />
a garantia passou a ser um item obrigatório<br />
para a confiabilidade de um produto.<br />
Há situações em que a própria garantia<br />
é vendida como algo à parte (garantia<br />
estendida).<br />
Como podemos “vender” garantia com<br />
os nossos Produtos? Como agregar valor<br />
aos mesmos desta forma?<br />
Na <strong>ed</strong>ição 05 de nossa revista o Dr.<br />
Claudio Bellaver apresenta o caminho: Devese<br />
investir em Qualidade. Como fazer?<br />
O primeiro passo é a capacitação<br />
dos recursos humanos da empresa, que<br />
pode ser feito através de cursos ou da<br />
contratação de consultoria especializada. É<br />
importante que haja consciência a respeito<br />
disto, pois as etapas de Controle, Garantia e<br />
Gestão da Qualidade são feitas por pessoas<br />
não por máquinas. Desta maneira para<br />
que os resultados sejam alcançados, além<br />
das diretrizes serem uma determinação<br />
da liderança da empresa, deve haver uma<br />
participação dos colaboradores que só<br />
acontece de maneira efetiva quando os<br />
mesmos são devidamente instruídos e<br />
incluídos em um planejamento estruturado.<br />
Após a implantação das primeiras etapas<br />
pode-se vislumbrar finalmente um instrumento<br />
concreto para que se possa oferecer produtos<br />
com Garantia de Qualidade.<br />
O Sincobesp desenvolveu há alguns<br />
anos um Programa de Certificação de<br />
Qualidade em Farinhas de Origem Animal<br />
com a SGS do Brasil visando à evolução do<br />
mercado com a disponibilização do Selo de<br />
Qualidade em FOA.<br />
Entre a documentação de referência para<br />
a obtenção deste Selo está a IN-34 e toda<br />
a questão das Boas Práticas de Fabricação<br />
(BPF), que estão no bojo das primeiras<br />
m<strong>ed</strong>idas de capacitação expostas acima,<br />
porém o Selo representa algo concreto para<br />
que qualquer fabricante possa estampar um<br />
Certificado de Garantia em seu produto.<br />
Como agregar valor aos produtos desta<br />
forma?<br />
Nossos clientes têm um custo relativamente<br />
alto para garantir que os ingr<strong>ed</strong>ientes<br />
comprados estejam em conformidade com<br />
os ingr<strong>ed</strong>ientes formulados. Em caso de<br />
inconformidade mesmo devolvendo os<br />
produtos, há prejuízos pela necessidade<br />
de reposição não planejada. Caso uma<br />
empresa possa garantir a conformidade dos<br />
produtos que vende, ela poderá negociar<br />
com seu cliente a r<strong>ed</strong>ução dos custos que o<br />
mesmo deverá ter.<br />
Para todo e qualquer investimento que<br />
se faça em uma indústria, um retorno é<br />
esperado. Investir em Qualidade certamente<br />
é retorno garantido, pois cada um de nós<br />
valoriza de alguma maneira os produtos<br />
que compramos. A classificação é simples:<br />
O produto/serviço MELhOR ou o MAIS<br />
BARATO ...<br />
Que tipo de produto é o seu?<br />
Até a próxima <strong>ed</strong>ição!<br />
Alexandre Ferreira<br />
Consultor Técnico em Processos Industriais.<br />
Ponto de Vista<br />
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Tel. (49) 3329-1111<br />
E-mail: tiagomp@nutract.com.br<br />
www.nutract.com.br<br />
Qualyfoco 41<br />
Tel. (49) 3444-1422<br />
E-mail: bellaver@netcon.com.br<br />
www.qualyfoco.netcon.com.br<br />
Razzo 35<br />
Tel. (11) 2164-1313<br />
E-mail: atendimento@razzo.com.br<br />
www.razzo.com.br<br />
Sincobesp 15<br />
Tel. (11) 3237-2860<br />
E-mail: sincobesp@uol.com.br<br />
www.sincobesp.com.br<br />
Thor Máquinas 9<br />
Tel. (55) 3211-1515<br />
E-mail: thor@thor.com.br<br />
www.thor.com.br<br />
União Caldeiraria 39<br />
Tel. (11) 4595-5077<br />
E-mail: uniao@uniao.srv.br<br />
www.uniao.srv.br<br />
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