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Outubro-Novèmbro/92 - N? 184

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AV. GAL.OSÓRIO, 500- CX. POSTAL. 124 - Foneí0465)23n744r FRANCISCO. BELTRÃO ■ P.

^^ #v

Associativlsmo e

as Centrais de

Associações

pág3

Temos pouco

tempo para salvar

o mundo

págs 4 e 5

De olho nas

patentes

A vida e a natureza

não podem ser

propriedade

privada

págs 6 e 7

Lembretes para

uma boa

alimentação

pág8

de desenvolvimento


02 - CAMBOTA - Editorial

OS DEDOS

SIM, MAS

NÃO OS ANÉIS

Este é um momento muito

especial para que a sociedade

civil (o povo) avance no controle

do estado e de seus governantes.

As conquistas são sempre fruto

da mobilização popular. Sem esta

permanente vigilância

democrática, os outros PCs que

escaparam da CPI e os novos

Coüors continuarão a se

aproveitar da Nação como um

latifúndio particular.

Não podemos nos deixar

enganar sobre os motivos dos

quais partiu as mobilizações

finais para a derrubada do

presidente Collor.

De um lado, a maioria da

Nação, inicialmente assustada,

depois indignada e mobilizada

em favor da ética e da

moralização ha política. De

outro, parcelas das próprias

elites dominantes, interessadas

em ceder os dedos (ou seja, o

próprio Collor) para não

perderem os anéis, diante das

investigações da CPf do caso PC.

Muitos oportunistas, deixaram o

barco na hora que ete afundava

para salvar seu próprio couro.

A máscara dos políticos de

carreira, dos compradores de

mandatos, dos corruptos que a

anos se beneficiam do poder,

começou a cair com a CPI do PC.

Aos poucos, eles cairão também.

O povo está acordando e

acordado não se deixará enganar.

Caras pintadas, multidões

nas ruas. Até a Globo aplaudiu.

Mas tudo muito controlado, sem

exageros. Nada de exigir, por

exemplo, reforma agrária, Isso já

é baderna para as elites que

apesar de Collor e PC querem

continuar mandando e se

beneficiando do poder.

Mas com ou sem o

consentimento das elites

dominantes, boje estamos

convencidos de que somente a

mobilização da maioria tem o

poder de restabelecer a

moralização nas administrações

publicas e restaurar a justiça e o

direito em nosso Brasil.

NA CHINA, HÁ 2 MIL ANOS

ATRÁS

Confúcio, um grande estadista

chinês, há mais de 2 mil anos atrás, já

era a favor do impeachment de Collor,

veja porque.

Certo dia, Zigong perguntou para

Confúcio:

- O que é governar?

Confúcio respondeu:

- É zelar para que o povo tenha

três coisas: comida suficiente, forças

armadas para a segurança e confiança

no governo.

Zigong perguntou ainda:

- Se não fosse possível ter as três

coisas, a qual delas poder-se-ia

renunciar?

Disse Confúcio:

- Às forças armadas.

Zigong continuou:

- E se fosse necessário renunciar

a mais uma coisa?

Confúcio respondeu:

- Pode-se renunciar à comida

suficiente. Desde sempre, os homens

estão sujeitos à morte, não raramente

vitimas da fome. Mas nenhum país pode

sobreviver, se o povo não confia no

governo (de Diálogos 12.7).

Atualmente, o povo brasileiro

carece de segurança, comida e

confiança no governo, sendo esta última

a carência mais grave. Para o país

sobreviver, é preciso e urgente remover

a causa principal da descrença do povo

no governo, isto é remover o presidente.

Resta agora dizer como Collor

ganhou o descrédito do povo. De novo

Confúcio nos ajuda.

"É a honestidade que confere a

confiança geral" (Diálogos 17.6). "Sé

antes de tudo, fiel à tua palavra" (9.24).

Collor mostrou a falta de honestidade e

de fidelidade à palavra dada.

É preciso também reconhecer

que o povo que votou em Collor tem sua

parte de culpa. Com efeito, Confúcio

alerta: "Deve-se acreditar na fala de

alguém só após observar suas obras"

(5.9). E ainda: "Cara muito boa e belas

palavras raramente são sinais de

virtude verdadeira" (17.17). O povo não

cuidou de conhecer o passado de Collor

e de comparar suas palavras com seus

atos.

Parece mesmo que a China do

tempo de Confúcio sofreu problemas

parecidos com o nosso. Confúcio alerta

as autoridades do seu tempo: "O

presidente não se curve diante de

qualquer presente enviado por um

amigo, mesmo que se trate de um

carro com os respectivos cavalos"

(10.14). "Não escolha para amigos

senão aqueles que partilham suas

exigências" (9.24). "A bravura sem o

sentido da justiça leva o homem de

bem ao desrespeito à leis" (17.23).

"Sempre pensei que o homem de bem

procurasse socorrer os pobres, e não

acrescentar a fortuna dos ricos" (6.3).

"De quatro coisas procure ser isento:

idéias sem fundamento, afirmações

categóricas, obstinação e

egocentrismo" (9.5).

Com seus descalabros, Collor

arruinou o povo que pusera nele sua

confiança: "Ele quis um dia a vida do

povo e, no dia seguinte, a sua morte.

Isto provocou a atual decepção!"

(12.10).

Você quer receber o CAMBOTA em sua casa?

AGEN - 230

Então preencha este cupom e envie, com cheque nominal ou

vale postai, à ASSESOAR - Cx.Postal 124 - Cango - 85604-240 -

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Associativismo - CAMBOJA - 03

ASSOCIATIVISMO E CENTRAIS DE

ASSOCIAÇÕES

No Sudoeste, no mês de

setembro deste ano, ocorreu a fundação

de quatro Centrais de Associações de

Pequenos Agricultores, representando

um total de 75 associações. A CAPAF

(Central das Associações dos Pequenos

Agricultores da Fronteira, envolvendo os

municípios de Capanema, Pérola

D'Oeste e Planalto), CAFASFI (Central

das Associações Familiares dos

Agricultores de Salgado Filho), CIAPA

(Central Intermunicipal das Associações

dos Pequenos Agricultores de Francisco

Beltrão, Renascença, Marmeleiro e Flor

da Serra), e a C AP AVI (Central das

Associações de Pequenos Agricultores

do Vale do Iguaçu dos municípios de

Verê, Dois Vizinhos, Nova Prata do

Iguaçu, Salto do Lontra, Cruzeiro do

Iguaçu e Boa Esperança do Iguaçu) são

Centrais de Associações recém

fundadas. A CAPAM (Central das

Associações de Pequenos Agricultores

de Mangueirinha), já se encontra

desenvolvendo atividades junto às

Associações.

A estruturação das Centrais de

Associações é resultado da necessidade

de constituir nas micro regiões uma

entidade que congregue o conjunto das

associações (no espaço municipal e

intermunicipal), buscando coordenar e

apoiar todas as atividades a serem

desenvolvidas com o Associativismo,

em conjunto com entidades e

instituições públicas.

As Centrais de Associações,

dentro da sua área de abrangência, terá

como seu principal objetivo desenvolver

um Plano de Trabalho que busque

consolidar o Associativismo como uma

forma de organização da Produção, com

base na estratégia do desenvolvimento

da Agricultura Familiar da região.

Porém é importante salientar que

as Centrais de Associações se

desenvolverão na medida em que as

Associações de Pequenos Agricultores,

que são a unidade organizativa

fundamental da Central, construírem no

seu interior, valores que se tornarão os

pilares de sustentação do

Associativismo. Os valores de uma

organização (democracia, transpa-

rência, liberdade, cooperação, vontade

de melhorar de vida, entre outros), não

se constituirão com paternalismo e/ou

clientelismo, mas sim, na luta do

dia-a-dia, contra as forças da sociedade

que buscam oprimir e marginalizar.

Portanto, as Centrais de

Associações tem o compromisso maior

que é o de buscar aglutinar todas as

forças possíveis, entidades e instituições

públicas e privadas, na perspectiva de

construir um modelo de desenvol-

vimento para a Agricultura Familiar.

Buscando assim, dias melhores para

todos os trabalhadores e em particular

os agricultores.

Dirceu Basso

FUNDO ROTATIVO: um crédito simples e confiável

1. E simples porque:

Não tem juros. Isto é, se o grupo

de agricultores solicitar 1000 sacas de

milho emprestados, deverá pagar 80

sacas (8%) como taxa de administração

e não mais serão acrescentados juros à

dívida dessas 1000 sacas.Se,

dependendo do tipo de investimento,

tiver um prazo de 4 anos, poderá pagar

150 sacas no primeiro, 150 sacas no

segundo, 300 sacas no terceiro e 400

sacas no quarto ano. E isto

independentemente da época do ano

em que efetuar o pagamento. O valor da

saca de milho a ser pago é o equivalente

ao último preço mínimo do governo,

atualizado pela Taxa Referencial Diária

(TRD).

Pode financiar qualquer atividade

produtiva de um projeto, desde que seja

considerada viável.

A própria organização, ou seja, o

grupo de agricultores, é avalista do

financiamento.

Basta elaborar um projeto para o

grupo todo, ou seja, não há necessidade

de projetos individuais.

2. E confiável porque:

Os problemas de cada agri-

cultor são discutidos em grupo e os do

grupo, nas Centrais de Associações.

Caso haja um imprevisto ou

problemas para pagar na data prevista,

o grupo pode parcelar o pagamento ao

longo do ano, conforme as receitas das

propriedades.

Caso o preço mínimo fique aci-

ma do preço de mercado, pode-se

aguardar até que o comércio se torne

mais favorável. Assim, o grupo não se

obriga vender o milho para saldar a

dívida.

O melhor fiscal é o vizinho. Isto

quer dizer que no grupo ou na Central de

Associações, não há como um devedor

esconder a sua situação ou a forma

como realizou os investimentos.

3. Para refletir:

O que acha da proposta do Fundo

Rotativo quando comparada com as

outras propostas de crédito agrícola?

Poderia o gove no simplificar o

crédito rural e confiar mais nas

organizações dos agricultores, no

processo de liberação dos

financiamentos?

Se tiver sugestões para melhorar

a nossa proposta de crédito, escreva

para a Caixa Postal 124 - 85604-240 -

Francisco Beltrão - PR.

EXPEDIENTE

Christophe de Lannoy

O CAMBOTA é um informativo da Associação

de Estudos, Orientação e Assistência Rural -

ASSESOAR.

CONSELHO ADMINISTRATIVO

Assis M. do Couto, Ademir Dalazem, Avelino

Calegari, Aores da Silva, Celso Mumbach, José

S. Sobrinho, Valdir Ftech, Kacir Vargas, Jair

Cozerski, Osmar Cândido da Silva, José Lino

Sebold, Euclides Gritti de Morais.

COLABORADORES

Christophe de Lannoy, Dirceu Basso, Vanderlei

Dambros, Valdete de F. Hang, Ronis Bariviera,

Clínica Natureza Viva

EQUIPE GRÁFICA

Ademir, Ronis, Danilo e Marilda

COMPOSTO E IMPRESSO

Gráfica ASSESOAR

Av. General Osório, 500

Caixa Postal -124

95604-209 - Francisco Beltrão - PR


04 - CAMBOTA - Ecologia

TEMOS POUCO TEMPO PARA SALVAR O

MUNDO

Se continuarmos com este modelo de desenvolvimento, produtivista e consumista, estaremos

decretando o fim do planeta terra em pouco tempo. Urgentemente temos que fazer alguma

coisa. Enquanto o "eu" tiver prioridade sobre o "nós", a solução estará distante. Sobre este

assunto conversou conosco, de forma objetiva e sincera, MARCOS ARRUDA, que é economista

e educador; trabalha com o Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul - PACS-RJ, e é

professor de Filosofia da Educação, na Fundação Getúlio Vargas.

Mundo Jovem: Quando se fala

em ecologia, muitas vezes se

considera a natureza, sem

incluir o homem. Não é isto?

Marcos Arruda: Exatamente. O

tema ecologia é tratado de uma

forma muito separada do ser

humano. Se ecologia significa

estudo da casa, a casa é de

alguém. Ora, o sujeito que está

destruindo esta casa é o ser

humano. Não é que não possa

haver alguma destruição por

fenômenos naturais. Há uma

série de elementos da própria

natureza que estão sempre

desequilibrando o meio

ambiente. Porém, a própria

natureza se encarrega de

reequilibrar o que ela destrói. O

planeta existe há cerca de 15

bilhões de anos, enquanto que

da espécie humana temos

conhecimento há uns dois e meio

milhões de anos. E nesta

pequena fração de tempo de

existência, estamos fazendo um

desastre tão grande que ameaça

a desaparição do planeta terra.

Principalmente nos últimos 200

anos estamos criando

circunstâncias que tornam

impossível a vida humana. Se a

gente criasse a consciência de

que a terra é nossa mãe, como

um ser sagrado que gerou o ser

humano, não a trataríamos como

violentadores, como estamos

fazendo atualmente.

MJ: Isto significaria parar com

o progresso?

Marcos: Não. Devem continuar

as invenções, novas formas de

economizar energia, sjmplificar

mais o trabalho etc. É preciso

continuar com o processo de

evolução, porém de uma outra

forma, que venha a beneficiar

outros. Acontece que o

desenvolvimento que

conhecemos e aceitamos no

Brasil não foi criado por nós. É

imposto por uma elite que foi

formada com idéias da Europa e

Estados Unidos, mas é

inadequado para nossa

realidade. Nosso modelo de

desenvolvimento é produtivista,

consumista: produzir coisas que

não tenham muita duração para

o capitalismo se reproduzir e

crescer cada vez mais. É um

modelo que privilegia uma

pequena elite, uns 20 milhões de

brasileiros. O resto, que são 130

milhões, não participam dos

benefícios. Somos um país

socialmente doente. E a gente

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olha a relação, deste país doente,

com a natureza, e nós vemos

uma natureza também doente.

Nós precisamos, portanto, de um

outro caminho para salvar a

própria terra e a humanidade.

MJ: E o que temos que fazer?

Marcos: Nós precisamos adotar

uma outra visão de

desenvolvimento. O que

queremos desenvolver, a

economia ou a sociedade?

Temos que centrar de novo a

atividade produtiva e econômica

no ser humano. Na totalidade do

ser humano do país, da América

Latina e do mundo. Em segundo

lugar, isso obriga a gente a

perguntar: quais são as reais

necessidades? Com que

recursos nós vamos responder a

estas necessidades? Como

responder a estas necessidades

não só hoje, mas amanhã, daqui

a dez anos, 50 anos?

Nós precisamos de uma

economia suficiente. Isto significa

sair da economia do crescimento

ilimitado. Hoje, a economia é

controlada por grandes grupos

que nos dizem "comprem,

comprem, comprem...", e eles

vendem. Temos que comprar

aquilo de que precisamos e não

o que não precisamos.

MJ: Mas isto implica em

mudança de comportamento

das pessoas.

Marcos: Exatamente. É preciso

uma mudança no próprio estilo

de vida. Aqueles que consomem

devem mudar para permitir que

os bens que existem sejam

consumidos também por aqueles

que estão privados de

praticamente tudo na vida. Nós

precisamos de uma economia

que distribua os benefícios do

desenvolvimento de uma forma

justa, equilibrada. É preciso

mudar a mentalidade das elites,

mas é preciso que o povo

também adquira consciência,

pressione e saiba escolher cada

vez melhor seus representantes.

É preciso fazer com que o direito

à vida, ao trabalho, à

sobrevivência alcance a

totalidade da humanidade. Isto,

sem destruir a personalidade, a

individualidade, a singularidade

de cada ser humano que compõe

esta comunidade que é a

humanidade.

MJ: E a gente pode ter

esperança de que isto vá

acontecer proximamente?

Marcos: Eu tenho muita

esperança. Só que por enquanto

aqueles que vêem o, mundo

assim são uma minoria. É preciso

contaminar outra gente com esta

visão para que possa acontecer


a mudança. E o maior obstáculo

para uma mudança não são* os

Estados, os grupos econômicos,

nem o capital. O maior problema

é como esta lógica do

individualismo está plantada

dentro de nós, com um

comportamento de disputa, de

competição, de predação dos

outros e do mundo em favor de si

próprio e de seu pequeno grupo.

Até nós que falamos um discurso

bonito, na nossa prática do

dia-a-dia, somos apanhados

caindo em contradição com esse

discurso. É uma luta contra um

inimigo invisível, mas forte. É uma

luta cultural, de valores. Se a

gente ficar parado, esperando

que aconteça, ou ficar esperando

um presidente que vá mudar,

nunca vai mudar. Porque aí a

gente vai ter uma sociedade dita

nova, sem sujeitos novos. É

preciso construir novos sujeitos

para a nova sociedade; superar o

velho dentro de nós, construir o

novo, novas mulheres, novos

homens, novas crianças a cada

momento.

MJ: E se a gente não mudar, a

terra será destruída em pouco

tempo?

Marcos: Nós temos cada vez

menos tempo para salvar a

humanidade e a terra. A ecologia

e o meio ambiente só vão ser

salvos se a gente conseguir

redemocratizar cada espaço da

nossa existência, desde a nossa

casa, a nossa família, até o

planeta terra como um todo. Este

é um trabalho que exige tempo.

Não sei se nós temos tempo

suficiente para inverter o

movimento que nós temos hoje.

Porém, nós somos quase 400

milhões de latino-americanos. Se

a gente pegar cada pessoa, com

sua cultura, as idéias, os desejos,

os anseios, a criatividade e mais

tudo o que a América Latina ainda

é de riqueza e potencial de

energia acumulada, nós

podemos fazer alguma coisa

nova e muito diferente, partindo

do que existe e não de um sonho.

Tudo isso é possível se o nosso

ponto de apoio for o ser humano

e não só o capital. Cada um de

nós precisa acender sua velinha

e levar pra frente e com a luz

empurrar pra longe esta

escuridão. Vamos lá!

Mundo Jovem - 23S

DIA NACIONAL DA

JUVENTUDE -1992

OUÇA 0 ECO DA VIDA

Com o tema "JUVENTUDE

E ECOLOGIA" e o lema "OUÇA O

ECO-LOGIA DA VIDA" a Pastoral

da Juventude, de Norte a Sul do

Brasil comemorou o Dia Nacional

da Juventude, no dia 25 de

outubro.

"A JUVENTUDE É A

ESPERANÇA DO NOVO". Pelas

mãos, pelo coração e pelos pés

do jovem, circula o sangue do

desejo de transformar. Em suas

bocas se ouve o grito pela justiça

(basta recordar os movimentos

dos anos 60 contra a ditadura

militar, dos anos 80 pelas diretas

já, e dos anos 90, fora Collor,

etc).

É no "ventre" da juventude

que vemos a Vida sendo gerada.

Assim disseram nossos Bispos

no Documento n2 44 da CNBB:

"VOCÊS JOVENS, SÃO A

ESPERANÇA DA IGREJA E DA

SOCIEDADE, DEVEIS, COM

VOSSAS FACES, MOLDAR A

NOVA SOCIEDADE". E o Papa

João Paulo II em seu discurso

aos jovens em Belo Horizonte em

1992: "JOVENS, NÃO VOS

DEIXEIS INSTRUMENTALIZAR.

VÓS SOIS O BELO HORIZONTE

DA VIDA".

Ouvir o ECO-logia da vida

significa dar mais valor à pessoa

humana. Não é possível defender

a árvore, os animais: a flor, sem

pensar que a vida humana está

sendo ameaçada pela fome, o

desemprego, a exploração, o

Juventude - CAMBOTA - 05

desgoverno de politiqueiros que

permitem a corrupção, o salário

injusto, o acúmulo de riquezas, a

compra e venda de votos, etc.

O pulmão do mundo é a

Amazônia, mas o coração do

universo é o SER HUMANO,

criado para servir-se da natureza,

sem destruí-la; para amar a terra

como se ama a própria Mãe. No

entanto, nestes 500 anos de

colonização (invasão) do

continente Latino-Americano, a

terra vem sendo cativeira na mão

do capital estrangeiro e com ela

seus filhos: índios, negros,

brancos, mulatos, expulsos ou

mortos por tiranos.

Ecologia significa também a

"CASA DE TODOS". Como disse

Leonardo Boff no filme "Pé na

Caminhada": "não é esta a casa

que Deus quis para seus filhos.

Aqui tudo se mistura: lixo, porcos,

crianças..."

No Sudoeste do Paraná, a

Pastoral da Juventude

comemorou o dia Nacional da

Juventude, com um congresso

realizado em Pato Branco.

Foram mais de 10 mil jovens

que com alegria e entusiasmo,

manifestaram sua indignação

diante de tantos sinais de morte

que vem ocorrendo por esse

Brasil e América Latina, desde

sua invasão em 1500. Os jovens

do Sudoeste também apontaram

saídas para esses problemas e se

comprometeram lutar por elas

onde quer que estejam.

Como símbolo do

compromisso em defesa da vida,

os jovens levaram para suas

casas, 10 mil mudas de pinheiros

para serem plantadas. Quando

olharem para o pinheiro que

cresce, esses jovens recordarão

do compromisso assumido.

No cartaz do Dia Nacional

da Juventude, uma criança

abandonada com os olhos fixos

no horizonte da esperança e o

broto da vida na terra árida,

teimosamente cresce,

apontando o céu da Libertação.

Valdete de Fátima Hang

Pastoral da Juventude


06 - CAMBOJA - Tecnologia

DE OLHO NAS PATENTES

Institutos de pesquisa,

Igrejas e organizações não

governamentais estão

intensificando a mobilização

diante do projeto do governo

Collor de Mello para a nova Lei de

Propriedade Industrial, que

estabelece a possibilidade de

patenteamento de seres vivos. A

votação do projeto adquiriu uma

nova dimensão, depois do

pronunciamento do presidente

Collor, a 30 de agosto, em cadeia

nacional de rádio e televisão,

culpando o Congresso Nacional

pela paralização de matérias que,

segundo ele, levarão o Brasil aos

caminhos da modernidade. Entre

essas matérias, Collor citou o

projeto da nova Lei de

Propriedade Industrial.

O presidente Collor

encaminhou o projeto, sob o

número 824/91, em abril do ano

passado, ao Congresso

Nacional. A matéria foi

inicialmente analisada por uma

Comissão Especial Mista,

presidida pelo deputado Roberto

Campos (PDS-RJ), apontado

pelo DIAP como "defensor dos

interesses estrangeiros no

Congresso".

De fato, tem sido grande a

pressão do lobby de grupos

estrangeiros em torno da

tramitação da matéria. Segundo

denunciou na época a SBPC, os

termos do projeto 824/91, antes

de divulgado á opinião pública

nacional, já era do conhecimento

do advogado norte-americano

Robert M. Sherwood. A SBPC

alegou que Sherwool, "um

conhecido lobista de importantes

empresas norte-americanas",

enviou a um funcionário do

Instituto Nacional de Propriedade

Industrial (Impi) fax datado de 27

de fevereiro de 1991 com

sugestões ao projeto do

governo, que seria levado ao

Congresso apenas dois meses

depois, Sherwood graduou-se na

Universidade de Harvard,

epicentro do terremoto

provocado pelos avanços da

biotecnologia, e que constituem o

AaS&Li><

pano de fundo da discussão

sobre o patenteamento de seres

vivos.

MICROORGANISMOS

O projeto 824/91 abria as

portas para o patenteamento de

microorganismos, de acordo

com o parágrafo I 5 do artigo 18.

Em função dos avanços da

biotecnologia. O conceito atual

de microorganismos pode ser de

toda célula de ser vivo - planta,

animal, ser humano - isolado em

laboratório. "A não conceituação

do que é microorganismos no

projeto seria a possibilidade de

patenteamento de todo ser vivo,

'inclusive humanos, adverte

Carlos Jorge Rossetto,

pesquisador do Instituto

Agronômico de Campinas (IAC),

uma das instituições que tem

participado ativamente dos

debates sobre o projeto das

patentes.

A reação à possibilidade de

patenteamento dos

microorganismos recebeu a

oposição imediata da

Conferência Nacional dos Bispos

do Brasil (CNBB), da Igreja

Evangélica de Confissão

Luterana (IECLB) e de Igrejas e

grupos sociais. A pressão foi

eficaz, e o novo relator do projeto,

deputado Ney Lopes (PFL-RN),

retirou a possibilidade de

patenteamento dos

microorganismos do seu

substitutivo, que deve ir à

votação até o final do ano pelo

Congresso.

Entretanto, como denuncia

Carlos Jorge Rossetto, a

possibilidade de patenteamento

de seres vivos continua no

substitutivo, que prevê as

patentes sobre processos

biotecnológicos. Lembra o

pesquisador do IAC que a

questão das patentes sobre

seres vivos tornou a Convenção

sobre a Biodiversidade um dos

temas mais polêmicos da

Conferência das Nações Unidas

sobre o Meio Ambiente e

Desenvolvimento, a Rio/92. A

Convenção que acabou não

sendo assinada pelo presidente

norte-americano George Bush,

prevê uma série de benefícios

aos países detentores da

biodiversidade, em sua grande

maioria localizados no Terceiro

Mundo. O Brasil, em função da

Amazônia, é o país com maior

biodiversidade do mundo e é,

portanto teoricamente o principal

beneficiado com a Convenção.

Por outro lado, o projeto do

governo, e agora o substitutivo

de Ney Lopes, nota Rossetto, é

frontalmente contrário à própria

Convenção da Biodiversidade,

ao permitir o patenteamento, sem

grandes benefícios para o país,

por parte dos grandes grupos

internacionais que controlam as

pesquisas em biotecnologia.

"Com o patenteamento, um

agricultor brasileiro ou mesmo

um centro de pesquisa terá de

pagar royalties (taxas) sobre uma

espécie vegetal natural do Brasil

e que foi patenteada por grupo

multinacional", adverte o

pesquisador do IAC. Por todos

esses motivos, o projeto das

patentes tende a ser um dos mais

polêmicos no Congresso.

Texto Extraído da AGEN-230


PARECE PIADA,

MAS NÃO É?

Se essa lei de patentes, ou lei

de propriedade industrial for

aprovada pelos deputados, veja o

que poderá acontecer:

Primeiro, um "doutor"

qualquer pode chegar na casa de

um agricultor, achar bonitinho o

milho palha-roxa (poderia ser

qualquer outra planta ou ser vivo,

o milho é só um exemplo) e levar

umas espigas com ele;

Segundo, ele inventa um

nome "enfeitado", como "cargilrox

470" que até o milho se assusta;

Terceiro, o tal "doutor" vai

até o cartório e registra o

"cargilrox 470" como invenção e

propriedade sua e a partir daí,

ninguém mais poderá por a mão

naquele milho sem pagar

royaltles (taxas, aluguel...) para o

dito "nó cego" do "doutor";

Por fim, o tal "nó cego", com

vergonha na cara, manda seu

sócio voltar na casa do agricultor,

onde ele pegou as espigas de

milho, para proibi-lo de

continuar plantando o

palha-roxa ou cobrar o aluguel

(royaltles) porque agora o

palha-roxa é "cargilrox 470" e é

propriedade particular do tal

"doutor".

Parece piada, mas não é. Se

aprovada pelos deputados, essa

lei dará o direito de empresas

nacionais e multinacionais se

apropriarem de milhares de

espécies naturais (animais e

vegetais), existentes por esse

Brasil.

Se a gente se descuidar,

farão Isso também com os seres

humanos. Você já pensou um

supermercado de bebes: você

escolhe o teu tipo e compra.

Parece piada, mas não é. A lei de

patentes ou de propriedade

Industrial de seres vivos prevê

isso.

Essa lei é um projeto do

"finado" Collor, e tem muitos

deputados que concordam com

ele. É preciso ficar de olho e dar

um fora nella também.

Pesquisa - CAMBOTA - 07

RESULTADOS DA PRIMEIRA PESQUISA

O documento final da

pesquisa sobre a realidade

sócio-econômica da agricultura

familiar do Sudoeste do Paraná

está pronto e estará, em breve, à

disposição dos interessados.

Além do documento final,

esta pesquisa coloca à

disposição dos interessados,

vários outros frutos que foram

elaborados no decorrer do

processo: a) todos os

instrumentos criados para a

pesquisa sócio-econômica:

projetos, questionários, roteiro

para coleta de dados a nível de

município, roteiro de entrevistas

gravadas; b) dados cadastrais

coletados, principalmente junto

ao ÍPARDES: preços, produção,

população, etc, por município e

sub-regiões; c) o resultado dos

599 questionários, em tabulação

originai (o que permite realizar

cruzamentos e combinações) e

totalizados em números,

percentagens e respostas; d)

dados sobre cada município, com

base nos instrumentos: fichas e

roteiros para coleta de

informações nos municípios, que

foi criado especialmente com a

finalidade de organizar

informações, geralmente

dispersas, de interesse das

entidades, lideranças e técnicos;

e) as 24 entrevistas realizadas

com base em roteiro e registradas

em fita magnética, parte delas

transcritas, constituindo-se em

fonte para análise sobre questões

postas pela pesquisa; f)

documentos sistematizados,

relatórios, informações

bibliográficas, coletados durante

o processo investigatório.

Essas informações todas

estão organizadas na ASSESOAR

e à disposição dos interessados.

A VIOLÊNCIA TOMA CONTA

A violência sempre foi uma

constante na vida do povo. No

caso brasileiro, ela é um produto

ou subproduto - de um sistema

sócio-econômico injusto e

perverso na sua essência e que

contamina todas as atividades

do ser humano.

O povo do Brasil sempre foi

vítima da violência: dos

colonizadores sobre os índios,

dos senhores sobre os escravos,

dos fazendeiros sobre os

"bóias-frias", dos latifundiários

sobre os posseiros e

agricultores, dos patrões sobre

os operários, dos poderosos

sobre os que lutam por vida e

justiça, da polícia sobre o povo,

dos ricos sobre os pobres.

Essas violências que há

500 anos vem sendo praticadas

no Brasil e na América Latina,

normalmente não aparecem nas

manchetes dos jornais, rádios e

TVs. Esse tipo de violência chega

a ser encarado como normal, até

pela própria população que aos

poucos se acostuma e acha que

é assim mesmo e )ão se pode

fazer nada.

Até parece que existe uma

violência permitida (a dos ricos)

e uma condenada (a dos

pobres). As infinitas violências

cometidas pelos ricos contra os

pobres, normalmente, não são

motivo de indignação por parte

da sociedade, mas as violências

cometidas pelos pobres contra

os ricos, sempre são

condenadas e até penalizadas

com a morte. Nunca se viu, por

exemplo, um rico ser condenado

por enriquecer às custas do

sangue, sofrimento e morte dos

seus empregados, posseiros ou

"bóias-frias", mas muito se vê,

crianças serem espancadas,

presas, condenadas e mortas

por "roubar" uma banana ou uma

galinha para matar a fome.

Para se ter uma sociedade

melhor, mais tranqüila há que se

ter a coragem de condenar

também os ricos e não somente

os pobres que descem dos

morros, ocupam as praias

fazendo arrastões de

sobrevivência.

Não haverá no mundo

policiamento que controle um

povo desempregado e faminto.


08 - CAlviBOTA - Saúde

LEMBRETES PARA UMA BOA

ALIMENTAÇÃO

Procure manter horários

regulares para as refeições.

Entre uma e outra refeição deve

haver um intervalo de

aproximadamente 5 a 6 horas.

Não lambisque entre as

refeições. Se houver fome, tome

um suco de frutas natural ou chá

adoçado com mel.

Beber água junto com a

comida é hábito comum mas

não saudável. Os sucos

digestivos sofrem um grau de

diluição e que altera o

aproveitamento do alimento.

Tomar líquidos até 30 minutos

antes e uma hora e meia depois

das primeiras refeições.

Evite sobremesas

requintadas e mesmo as de

frutas. Use nozes, castanha,

coco, abacate, coalhada ou

batata-doce. Melhor mesmo

seria dispensar a sobremesa.

Coma apenas o suficiente

satisfazer a fome. Domine

tite e saia da mesa

o-se "leve".

astigar calmamente é

básica. Não tenha pressa

ra comer.

Comece qualquer refeição

com os alimentos crus.

Comê-los primeiro e separados

CENTRO DE PASTORAL VERGUEIRO

CX.P. 65.107

01390-000 - SAO PAULO - SP

BRÁS IL

dos cozidos. Coma em cada

refeição (almoço) no mínimo

uma folha, uma raiz e uma

leguminosa.

Varie os alimentos dia após

dia, mas não use grande

variedade de alimentos numa

mesma refeição. Duas a três

espécies diferentes.

Aguarde algumas horas

após as refeições para tomar

banho.

Espere pelo menos três

horas após o jantar antes de

deitar para dormir.

Andar ou movimentar-se

após as refeições.

Comer com calma. Evite

estar nervoso, cansado, agitado

durante as refeições.

Não misture frutas com

verduras.

A CURA PELAS

ERVAS E

PLANTAS

QUAL E O MELHOR HORÁRIO

PARA TOMAR OS REMÉDIOS

A BASE DE ERVAS E

PLANTAS?

Os chás ou os preparados para

despertar o apetite toma-se meia hora ou

uma hora antes das refeições.

Os chás ou os preparados

digestivos, calmantes e para a vesícula

toma-se após as refeições.

Os chás ou os preparados para

outras finalidades toma-se entre ou fora

das refeições.

Outras informações sobre a cura

pelas ervas e plantas você encontra no

Manual Ampliado Plantas Medicinais do Ir.

Cirilo. São mais de 6.460 receitas

botânicas. Com ele você vai saber como

coletar e preparar as plantas e ervas;

secagem e conservação; propriedades,

seu uso nas doenças e outras

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