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Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis ... - UFSC

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porém a sobrecarga de

porém a sobrecarga de múltiplos papéis também pode desencadear desde frustrações leves até doenças psicossomáticas mais graves. Sobre os motivos que levaram as mulheres a se inserirem em um movimento social e, posteriormente, a assumirem cargos de liderança, foi constatado que na maioria dos casos a motivação principal foi a de solucionar demandas do próprio bairro onde viviam. E após sua inserção, movidas por um sentimento de justiça, e necessidade de “cuidar” daquela região, foram se dedicando e se engajando, até que adquiriram legitimidade e puderam então assumir postos de liderança. Constatamos na pesquisa realizada que os desafios são muitos. Para adentrarem este mundo público e político, tido como masculino “por excelência”, elas precisam superar o machismo, as discriminações decorrentes deste tipo de socialização, o sentimento de culpa por deixarem seus filhos sem tantos cuidados, a falta de tempo, o cansaço decorrente das duplas e triplas jornadas, as discussões conjugais, ou, ainda, abdicar de uma vida conjugal pela impossibilidade de conciliá-la com o movimento. Não é à toa que muitas das mulheres só se inseriram em um movimento quando seus filhos já estavam “grandes” ou relataram que para militar é preciso ser solteira ou separada, se não quiser enfrentar problemas em casa. Tudo isto faz destas lideranças verdadeiras guerreiras. Propomos-nos também a reconhecer se existem, no entender das mulheres entrevistadas, diferenças entre as lideranças masculinas e as femininas, e o que constatamos foi que esta diferença não só existe como demarca um novo estilo de liderança, marcado por valores éticos e democráticos, entendido aqui como liderança transformadora. A diferença constatada através dos depoimentos das mulheres sobre “estilo” de liderança aponta para uma outra lógica, que não a atual lógica do mercado que impõe um padrão societal individualista, competitivo, e que desrespeita a ética democrática. Ao contrário, vimos um estilo de liderança, pautado pela ética e com forte apelo democrático e participativo. Trata-se de um estilo de liderança diferenciado, mais voltado para a harmonia e união, que coloca as pessoas como foco principal, transformando interesses individuais em interesses de grupo, mobilizando os sujeitos a buscarem com entusiasmo os objetivos definidos, sem que sejam esquecidos princípios como a ética a justiça e a eqüidade. Finalmente a pesquisa desenvolvida constatou, de modo a reafirmar, que a inserção das mulheres no meio político e público representa uma série de rupturas com o universo privado. Adentrar este novo espaço impõe desafios e coloca as mulheres diante de novas relações de poder, até então desconhecidas ou ignoradas por elas. E ainda, são alteradas as relações familiares, ou para ir ao encontro dos relatos, são justamente as alterações familiares, tais como a separação ou o crescimento dos filhos que permite que a mulher se insira em um movimento social. 6

REFERÊNCIAS GOHN, Maria da Glória Marcondes. Movimentos populares urbanos e democracia. Serviço Social e Sociedade, São Paulo, n. 17, p. 15 - 28, abr.1985. __________. Conselhos gestores e participação sociopolítica. 2.ed. São Paulo: Cortez, 2003. HOLA, Eugenia; PISCHEDDA, Gabriela. Mujeres, poder y política: nuevas tensiones para viejas estructuras. Santiago de Chile: Centro de Estudios de la Mujer, Ediciones – CE,. 1993. MASSIAH, Gustave. Os Movimentos Sociais Urbanos. 2005. Disponível em: http://www.oidc.org.br/oidc/img/img_downloads/Os%20movimentos%20sociais%20urbanos.pdf . Acesso em: 2 jan. 2008. SOUZA-LOBO, Elizabeth. A Classe Operária tem dois Sexos: trabalho, dominação e resistência. São Paulo: Brasiliense, 1991. 7

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