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V Feira Medieval de Santiago da Guarda

17 e 18 de Julho de 2010

PROGRAMA dos FESTEJOS

Primeira Jornada (Sábado)

15h – Arruada musical pelas praças da Feira

Um bando de mendigos e maltrapilhos consola-se ao sol, partilhando

alarvemente um osso de presunto aparecido por artes do demo junto a uma

barrica de vinho verde. Há um cheiro de festa no ar. Sacudiram-se as palhas

das enxergas, afastaram-se as teias de aranha, enxotaram-se as lêndeas

para o terreiro e até água quase cristalina se vê a escorrer das cabeças

acabadas de lavar. As atalaias já lançaram o alerta e todos acorrem às

bermas do caminho para tocar e quiçá beijar as santas vestes do prelado. Por

ocasião da chegada do visitador do Arcebispado ao termo de Santiago, saindo

os monges beneditinos a receber sua Iminência junto à sombria frescura dos

muros, o senhor de Santiago manda aparelhar todos os seus validos na

praça de armas.

15h30 – Cortejo de recebimento ao visitador do Arcebispado ao termo de

Santiago

Haverá, em singelo preito ao visitador, um torneio de armas apeado na liça.

E como de alguns mais hábeis escudeiros se fará adubamento de cavalaria

para serviço de defesa do Reino, assim se aproveita a presença de tão ilustre

clerezia para abençoar as lides castrenses, premiando-se a singular destreza

no manejo das ditas e a boa cortesia no trato. E ao torneio acorrerão as

gentes dos povoados em redor, refrescando as goelas nas tendas de vinhos e

os ávidos olhares nas bancas dos mesteirais e nas recheadas carroças dos

almocreves. Os homens bons do conto de besteiros acorrem a receber as

alfaias para disputarem as pontarias no cibo. Virão também os Arqueiros do

concelho de Ansião fazendo-se acompanhar pelos Monteiros e suas matilhas.


Após estas provas de habilidade com o Arco e a Bésta, serão apurados os

melhores para o Torneio de Arco do dia seguinte. Por ora, os Falcoeiros da

Alcaidaria mostrarão as habilidades das suas aves de caça.

Desejando agradar ao visitador, o senhor de Santiago manda que se façam

alguns jogos populares entre os camponeses com o intuito de se escolherem

os mais capazes para incorporar a comitiva de homens de armas do arcebispo.

Jogos de força, de destreza, de habilidade e de bravura põem à prova alguns

homens desejosos de melhorar as suas condições de vida.

Um arauto corre a anunciar que uma comitiva sarracena do Reino do

Algarbe vem apresentar os seus respeitos e preito de vassalagem a El-Rei

D. Diniz.

18h - Uma comitiva de homens das terras do Sul apresenta-se no terreiro.

Trazem riquezas e pedrarias, dromedários, encantadores de serpentes e

bailarinas exóticas. O visitador do arcebispado franze o sobrolho mas nada

diz. Os recém-chegados são recebidos e agasalhados. Amanhã, com a chegada

de El-rei farão as suas apresentações.

E eis que chegou a hora de os cavaleiros e infanções mostrarem a sua perícia

em justas de cortesia. As amadas donzelas ofertam lenços bordados aos seus

paladinos. O único prémio será cortês e os pares não guardarão rancores.

Por enquanto. Que outras horas de maior azedume hão-de romper na

aurora.

Quanto aos escudeiros, os mais afortunados terão a honra de contar com o

apadrinhamento e apoio dos seus senhores, procurando por todos os meios,

exibir as suas afoitas qualidades e destreza no manejo das armas. Haverá

bênção e adubamento de cavaleiros. E antes ainda de anoitecer, far-se-á festa

ao som dos menestréis e jograis, bailando-se em redor com muita

parcimónia. O vinho escorrerá dos odres para as escudelas e o povo lamberá

os beiços sôfregos enquanto gargalha, alarve, com as momices dos bufões.

22h - Pela noite haverá esbulhamento de olhares com os malabarismos de

fogo com que os saltimbancos contarão as suas histórias de encantar. Há-de

depois alçar-se o senhor e retirar-se-ão as damas para descanso na

alcáçova, esvaziando-se o terreiro.


Segunda Jornada (Domingo)

15h – Arruada musical pelas praças do burgo

Já o visitador fez as suas abluções, já rezou missa e já todos se benzeram em

dia santo. Aproveitando a presença do ilustre prelado, o tabelião anuncia a

sua erudição lendo a boa voz os termos e prazos de Santiago da Guarda. O

alcaide concede audiência a dois vizinhos que pretendem resolver um

diferendo de águas de regadio. Após breve ponderação, a justiça é

solenemente ditada perante todos, com agravamento de corveias nas terras do

Senhor. O visitador aquiesce e dá o seu douto parecer. Há alguns

burburinhos entre o povo mas a guarnição de homens de armas impõe

respeito. Uma carroça de saltimbancos galegos irrompe pela multidão.

Trazem histórias de arremedilhos, de esgrimadores, de titiriteiros e de

nigromantes. O povo esquece o agravo das águas e cerca a carroça,

impaciente e curioso, querendo desfrutar dos poucos e raros divertimentos

profanos a que tem acesso. Os senhores instalam-se confortavelmente para

assistir à função. Servos acorrem com bancos e peles, trazem bilhas de água

fresca, jarras de vinho, fatias de pão com mel e azeite.

Os saltimbancos atropelam as histórias, nervosos com a presença do

prelado. Terminada a função, são apupados pelo povo descontente. Ouve-se

ao longe uma gaita-de-foles. Moças e moçoilas entregam-se alegremente às

bailias.

O Arauto faz-se preceder pelo troante toque da trombeta.

16h – Cortejo Régio

A chegada de El-Rei D. Diniz é anunciada. Grandes e miúdos acorrem a

formar o préstito que virá receber o Cortejo Régio. Os Espatários de

Santiago alinham as bandeiras e pendões procurando assim agraciar a real

presença. O Nobre Senhor de Ansião apresta-se a protestar a sua fiel

vassalagem a El-Rei enviando-lhe as chaves do Paço. Após o Cortejo, é

recebida a delegação do Reino do Algarbe que se congratula com o tratado de

Badajoz em que El-Rei D. Afonso X de Castela reconhece os direitos do seu

neto D. Diniz sobre o Reino do Algarbe e anunciam-se os Torneios.

Primeiramente, anuncia-se o Torneio de Armas a Cavalo para

agraciamento e preito de homenagem a El-Rei D. Diniz.


18h - Torneio de Armas a cavalo com provas de perícia entremeando com

combates apeados e terminando no frente a frente com o derrube de um dos

cavaleiros da sua montada.

De seguida é anunciado o Torneio de Arco. Os apurados da véspera

apresentam-se, ufanos. Não estão todos. O arauto anuncia que serão

admitidos mais seis candidatos. Alguns braços erguem-se por entre a

multidão. São apurados somente os arqueiros que tenham ambas as pernas

e todos os dedos em cada mão. Antes de começarem as provas, há falcoaria e

cetraria. Alguns populares, procurando incentivar os arqueiros, disputam

uma prova de força e habilidade rachando um tronco em dois. Tem lugar o

Torneio de Arco. As duas primeiras eliminatórias são à distância de uma

pedra com meio braço e com o braço todo. A prova final será disputada à

distância de uma lança. Ao vencedor será dado o cargo de couteiro-mor do

castelo e deverá jurar obediência e fidelidade ao Senhor de Santiago, não

podendo pactuar com caçadores furtivos, nem que seja por lobo, urso ou

javali, sob pena da própria vida. Aplausos entusiastas da multidão.

Aclamações populares e vivas a El-Rei.

21h – Juízo de malfeitorias e heresias

E chegando ao ocaso a breve detenção do real visitador por estas terras,

prontamente se fazem as despedidas e se dizem os encómios, rumando

também a clerical comitiva para as terras do norte em acompanhamento a El-

Rei D. Diniz. O Alcaide manda que se mande debandar o povo e termina a

festa.

22h – Encerramento

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