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EFEITO DA INCLUSÃO DO SUBPRODUTO DE CAJU (ANACARDIUM OCCIDENTALE L.)

SOBRE O CONSUMO DE NUTRIENTES EM DIETAS PARA OVINOS 1

RICARDO FONTENELE LIMA 2 , MARCOS CLÁUDIO PINHEIRO ROGÉRIO 3 , IRAN BORGES 4 ,

JOSÉ NEUMAN MIRANDA NEIVA 5 , JOSÉ CARLOS MACHADO PIMENTEL 6 , SALETE ALVES

DE MORAES 7 , GABRIMAR ARAÚJO MARTINS 3 , NORBERTO MARIO RODRIGUEZ 4 , ELOISA

DE OLIVEIRA SIMÕES SALIBA 4

1 CNPq, FUNCAP/PROCAD, Banco do Nordeste

2 Estudante do curso de Zootecnia da Universidade Estadual Vale do Acaraú, Sobral-CE, e-mail:

ricfl2003@yahoo.com.br

3 Professor do curso de Zootecnia da Universidade Estadual Vale do Acaraú, Sobral-CE

4 Professor do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo

Horizonte-MG

5 Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Tocantins, Araguaína-TO

6 Pesquisador da EMBRAPA Agroindústria Tropical, Fortaleza-CE

7 Doutoranda em Ciência Animal-UFMG, Belo Horizonte-Minas Gerais

RESUMO: O presente estudo foi conduzido objetivando avaliar a influência da inclusão do subproduto de caju

(Anacardium occidentale L.) sobre os consumos de nutrientes (por unidade de tamanho metabólico – UTM) de dietas

experimentais isofibrosas e isoprotéicas contendo este subproduto. Vinte ovinos machos e inteiros foram submetidos a

dietas contendo quatro níveis de inclusão do subproduto (zero; 19%; 38%; 52%), em delineamento inteiramente ao

acaso, com cinco repeticões. Maiores consumos de matéria seca (MS), matéria orgânica (MO), proteína bruta (PB), fibra

em detergente neutro (FDN), hemiceluloses (HCEL) e de energia metabolizável EM) foram evidenciados para o

tratamento que incluiu 19% do subproduto.

O subproduto de caju apresenta potencialidade como alimento para ruminantes. Em se tratando da fibra consumida,

houve prejuízo particularmente para o consumo de energia metabolizável em concentrações de subproduto de caju

superiores a 19% do total dietético.

PALAVRAS-CHAVE: fibra, frutas, nutrição, ruminantes

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EFFECT OF THE INCLUSION OF CASHEW'S BY-PRODUCT (ANACARDIUM OCCIDENTALE L.) ON THE INTAKE OF

NUTRIENTS IN DIETS FOR SHEEP

ABSTRACT: The study aimed to evaluate the influence of inclusion of cashew's by-product (Anacardium occidentale L.)

on the intake of nutrients (unit metabolic size - UMS) of isofibrous and isoproteics experimental diets containing this byproduct.

Twenty rams were randomly to four levels of inclusion of cashew's by-product (zero; 19%; 38%; 52%) in a

completely randomized design with five replications. Higher intakes of dry matter (DM), crude protein (CP), neutral

detergent fiber (NDF), hemicelluloses (HCEL) and metabolizable energy (ME) were evidenced for treatment that included

19% of the by-product. The cashew's by-product presented potential as food for ruminants. There was damage

particularly for the intake of metabolizable energy when the inclusionin of cashew's by-product was higher than 19% of

total diet.

file://D:\8_Ruminantes\1519.htm

17/08/00


KEYWORDS: fiber, fruits, nutrition, ruminants

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INTRODUÇÃO

O cajueiro (Anacardium occidentale) é originário do continente americano e ocupa lugar de destaque

entre as plantas frutíferas tropicais, em face da crescente comercialização da amêndoa e do líquido

de castanha de caju. A castanha é o verdadeiro fruto. O pseudofruto é o pedúnculo hipertrofiado,

rico em vitamina C e usado na fabricação de doces e bebidas. Os principais subprodutos do caju

para uso na alimentação animal são o farelo de castanha de caju e o farelo de bagaço de caju. O

farelo de castanha de caju é um subproduto da industrialização da amêndoa e o farelo do bagaço é

o subproduto da industrialização do pedúnculo do caju após a extração do suco. Com o presente

estudo avaliou-se o consumo de nutrientes de dietas experimentais, fornecidas a cordeiros em

crescimento, contendo o farelo do bagaço de caju.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no Setor de Forragicultura do Centro de Ciências Agrárias da

Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, Ceará. O subproduto de caju (Anacardium

occidentale L.) compunha-se basicamente de bagaço do pseudofruto após a extração do suco, que

após secagem ao sol foi picado grosseiramente. O feno do capim elefante (Pennisetum purpureum)

fornecido era proveniente de capineira existente na Fazenda Experimental da Universidade Federal

do Ceará, localizada em Pentecoste - Ceará, obtido por corte manual diário e idade ao corte

aproximada de 57 dias. Pretendeu-se a inclusão do subproduto de caju nos níveis zero, 18, 37 e 56

% a uma dieta básica composta de feno de capim elefante, milho e farelo de soja. Procurou-se

atender o requisito de proteína bruta (14,7%), prescrito pelo NRC (1985), para cordeiros em

terminação com 30Kg de peso vivo e ganho de peso diário superior a 200g e estabelecer um nível

de fibra dietético máximo, idêntico para os quatro tratamentos, de modo que os níveis de energia se

aproximassem daquele prescrito pelo NRC (1985), ou seja, 72% de nutrientes digestíveis totais

(NDT). Foram utilizados 20 cordeiros machos e inteiros com seis meses de idade e peso vivo médio

de 24 kg que foram previamente desverminados e alojados em gaiolas de metabolismo com

bebedouros, comedouros e saleiros plásticos, dotados de dispositivos apropriados para colheita de

urina e fezes. As dietas foram divididas em duas refeições iguais e oferecidas bem misturadas aos

ovinos, às 7 h e 30 min e a outra às 17 h e 30 min. Água e sal mineralizado estiveram disponíveis à

vontade. Amostras do alimento oferecido e das sobras foram retiradas e pesadas diariamente às

sete horas. A colheita total de fezes também foi diária. Para as determinações de matéria seca (MS),

matéria orgânica (MO) e cinzas, extrato etéreo (EE), proteína bruta (PB), cálcio e fósforo do material

analisado seguiu-se à metodologia proposta por AOAC (1980). Já para a quantificação da fibra em

detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), celulose (CEL), hemiceluloses (HCEL) e

ligninas, utilizou-se a metodologia proposta por Van Soest et al. (1991). O delineamento

experimental foi o inteiramente ao acaso, com quatro tratamentos (quatro níveis de inclusão do

subproduto) e cinco repetições (animais) por tratamento. As análises estatísticas foram feitas

mediante o uso dos softwares SAEG (Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas) (Ribeiro Júnior,

2001) e SAS (Statistical Analyses System) (Littell et al., 1991). As médias foram comparadas

utilizando-se os testes t e SNK (P


presença de altos níveis de ligninas especialmente na dieta com maior inclusão do subproduto

(52%). A presença de ligninas elevou as concentrações de Nitrogênio Insolúvel em Detergente Ácido

(NIDA), parâmetro de análise que pode refletir a baixa disponibilidade da proteína aos

microrganismos ruminais. Particularmente nos tratamentos 38 e 52% os valores de NIDA foram

bastante elevados. O tratamento que incluiu 19 % de subproduto de caju, apresentou consumo de

MS/UTM superior aos encontrados para os demais níveis de inclusão (Tabela 2). Para o NRC

(1985), a exigência nutricional para ovinos em terminação com 30 kg de peso vivo é de 101,42

gramas de MS/kg 0,75 /dia, portanto apenas com 19% de inclusão foi possível atender tal ingestão,

ficando marginal quando se acrescentou 38%. Baixo consumo foi observado nos cordeiros que

consumiram dieta com 52% de subproduto de caju, que assemelhou-se a consumos de palhadas

(Jarrige, 1981). Os consumos de MO e de PB tiveram o mesmo tipo de resposta que o consumo de

MS. Foram superiores no tratamento que incluiu 19% de subproduto de caju em relação aos

encontrados para as demais dietas. O consumo de proteína bruta digestível foi semelhante entre os

tratamentos controle e com 19% de subproduto,com superioridade em relação aos demais. Altas

correlações foram encontradas entre os consumos de MS e de PB (r=0,9896; P


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Matéria Seca (%) 89,10 89,75 81,58 86,89

Proteína Bruta (%) 13,78 6,81 9,15 44,68

PBVD (%)* 2,89 3,97 8,95 41,33

NIDN (%)* 5,19 0,94 1,87 2,62

PBIDN (%)* 32,44 5,88 11,69 16,38

NIDA (%)* 2,87 0,49 0,08 1,34

PBIDA (%)* 17,94 3,06 0,50 8,38

DIVMS (%)* 45,85 52,45 86,29 79,42

Extrato Etéreo (%) 3,91 1,42 4,51 4,87

AGVD (%)* 2,91 0,42 3,51 3,87

Fibra em Detergente Neutro (%) 79,23 78,71 15,28 51,46

FDNVD (%)* 0,00 42,46 0,14 12,75

Fibra em Detergente Ácido (%) 68,59 43,67 3,78 32,67

Hemiceluloses (%) 10,64 35,11 11,50 18,79

Celulose (%) 30,81 46,86 5,76 22,52

Ligninas (%) 37,76 5,81 1,66 7,08

Cinzas (%) 2,78 13,02 1,70 2,39

Ca (%) 0,53 0,76 0,14 0,33

P (%) 0,043 0,034 0,052 0,048

Carboidratos Totais (%) 79,53 78,75 84,64 48,06

CNFVD (%) 32,08 5,80 79,43 12,72

Energia Bruta (Mcal/kg) 4,34 3,92 4,37 4,47

NDT (%)* 47,20 52,49 81,18 75,48

*PBVD=Proteína Bruta Verdadeiramente Digestível; NIDN=Nitrogênio Insolúvel em Detergente Neutro; PBIDN=Proteína

Bruta Insolúvel em Detergente Neutro; NIDA=Nitrogênio Insolúvel em Detergente Ácido; PBIDA=Proteína Bruta Insolúvel

em Detergente Ácido; DIVMS=Digestibilidade in vitro da matéria seca; AGVD=Ácidos Graxos Verdadeiramente

Digestíveis; FDNVD=Fibra em Detergente Neutro Verdadeiramente Digestível; CNFVD=Carboidratos Não Fibrosos

Verdadeiramente Digestíveis; NDT=Nutrientes Digestíveis Totais

Tabela 2 - Médias de consumo diário (g/kg0,75 , % do peso vivo, g/dia) das frações matéria seca, matéria seca digestível,

matéria orgânica, proteína bruta, proteína bruta digestível das dietas contendo quantidades crescentes de subproduto de

caju fornecidas a ovinos

Frações Dietas Coeficientes de

analisadas 0% 19% 38% 52% Variação (%)

Matéria Seca (g/kg

a Médias com letras iguais na mesma linha não diferem significativamente pelo teste t (P>0,05)

0,75 ) 90,21b 135,06a 95,49b 39,56c 23,58

Matéria Seca (% PV) 4,12b 6,15a 4,32b 1,79c 23,03

Matéria Seca Digestível (g/kg0,75 ) 59,19b 80,82a 56,96b 23,83c 23,84

Matéria Seca (g/dia) 984,5b 1435,6a 1035,2b 431,0c 27,51

Matéria Orgânica (g/kg0,75 ) 85,93b 132,68a 96,11b 44,54c 22,86

Matéria Orgânica Digestível (g/kg0,75 ) 62,00b 88,46a 64,37b 31,22c 22,96

Proteína Bruta (g/kg0,75 ) 12,54b 18,46a 12,71b 5,41c 24,73

Proteína Bruta Digestível (g/kg0,75 ) 7,86a 8,32a 4,84b 1,56c 30,22

Proteína Bruta (g/dia) 131,96b 196,30a 138,03b 58,79c 28,56

file://D:\8_Ruminantes\1519.htm

17/08/00

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