Medidas morfométricas de ovinos mestiços Morada Nova ...

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Medidas morfométricas de ovinos mestiços Morada Nova ...

Medidas morfométricas de ovinos mestiços Morada Nova alimentados com fontes protéicas

alternativas na ração concentrada

Igo Renan Albuquerque de Andrade 1 , Magno José Duarte Cândido 2 , Jayana Martins Barbosa 3 ,

Monalisa Eva Santos Evangelista 4 , Leane Veras da Silva 5 , Ítalo Cordeiro Silva Lima 6

Parte da dissertação do primeiro autor. Pesquisa financiada pelo FUNDECI/Banco do Nordeste.

1

Zootecnista, Mestrando em Zootecnia, Bolsista da CAPES/DS – UFC/Fortaleza.email: igo.renan1@gmail.com

2

Professor, Dep. de Zootecnia, Universidade Federal do Ceará. Tutor do PET Zootecnia da UFC. Pesquisador do CNPQ. email:

magno@ufc.br

3

Graduanda em Medicina Veterinária – UECE/Fortaleza: email: jayana_martins@hotmail.com

4

Graduanda em Zootecnia – UFC/Fortaleza: email: monalisaeva@hotmail.com

5

Graduanda em Zootecnia (Bolsista ITI/CNPQ) – UFC/Fortaleza: email: leaneveras@zootecnista.com.br

6

Mestrando em Zootecnia (Bolsista CNPQ) – UFC/Fortaleza: email: italo.zootecnia@gmail.com

Resumo: O presente estudo foi conduzido com o objetivo de avaliar o desempenho corporal de ovinos

mestiços Morada Nova, alimentados com fontes alternativas de proteína na ração concentrada, através de

medidas morfométricas e peso corporal. Os animais foram confinados em baias coletivas de alvenaria,

providas de comedouros e bebedouros, distribuídos em um delineamento inteiramente casualizado,

alocando-se cinco animais por baia, onde cada animal representa uma repetição e cada baia representa

um tratamento. Semanalmente os mesmos foram pesados e tiveram suas medidas morfométricas obtidas

periodicamente durante todo o experimento, tendo assim uma avaliação completa do desenvolvimento

corporal. Durante o período experimental, os animais foram pesados, determinando os respectivos pesos

corporais e tiveram suas medidas morfométricas obtidas periodicamente, tendo assim uma avaliação

completa do desenvolvimento corporal. Este período experimental consistiu de 14 dias de adaptação e 77

dias de coletas de dados, que foram realizadas até o primeiro lote (tratamento) obtivesse o peso de abate

(aproximadamente 30 kg). Para a análise estatística utilizou-se o delineamento experimental de parcelas

subdivididas com medidas repetidas no tempo. Os dados foram submetidos à análise de variância e

comparação de médias através do teste de Tukey (P


can replace soybean meal up to 51.8%, showing better final weight, without compromising the growth

pattern of animals.

Keywords: Feedlot, Leucaena leucocephala, Morada Nova, Morphometry, Pennisetum purpureum.

Introdução

No Nordeste do Brasil, a ovinocultura é uma atividade de importância econômica e social, sendo

exercida para produção de carne e pele (Barros et al., 2003). Dentre as raças utilizadas destaca-se a

Morada Nova por ser um animal nativo, apresentando boa adaptabilidade às condições edafoclimáticas

do semi-árido brasileiro.

Dentre as diversas características apresentadas pela espécie está o seu tamanho corporal, que se

caracteriza por ser um porte pequeno, bem conformado, que permite a boa locomoção dos animais na

caatinga, quando criados em sistemas extensivos e semi-intensivos. Em sistema intensivo o Morada

Nova apresenta um bom desenvolvimento muscular, quando comparados com outras raças.

Ovinos em crescimento apresentam alta exigência em nutrientes que, geralmente, não são

encontrados em níveis adequados em dietas constituídas somente por volumosos. Portanto, é necessária a

suplementação com concentrados, que, normalmente, têm preço elevado, aumentando o custo de

produção (Véras et, al., 2005).

Durante um confinamento os maiores custos contabilizados é com a alimentação dos animais,

principalmente devido aos custos com as rações concentradas Uma das principais fontes protéicas

utilizadas na ração concentrada é o farelo de soja, porém devido ao seu alto valor de mercado, muitas

vezes chega a inviabilizar o sistema de confinamento organizado pelo pequeno produtor, o que acarreta

uma grande queda na produção de carne ovina no semi-árido nordestino, pois a agropecuária nesta região

é praticada principalmente por estes produtores. Neste sentido alimentos alternativos vem sendo

estudados visando permitir a substituição deste insumo por um de menor valor econômico, produzido na

própria região, sem afetar o desenvolvimento corporal dos animais confinados.

Portanto neste contexto surge a necessidade de se encontrar uma fonte protéica alternativa que

possa vir a ser utilizada na ração concentrada de ovinos em confinamento, permitindo um desempenho

corporal semelhante a ovinos alimentados com farelo de soja com um menor custo de utilização,

tornando assim o confinamento mais rentável para o produtor. Assim, o presente estudo foi conduzido

com o objetivo avaliar o desempenho corporal de ovinos mestiços Morada Nova, alimentados com fontes

alternativas de proteína na ração concentrada, através de medidas morfométricas e peso corporal.

Material e Métodos

O trabalho foi conduzido no Núcleo de Ensino e Estudos em Forragicultura-NEEF/DZ/CCA/UFC

(www.neef.ufc.br) em Fortaleza, Ceará, no período de janeiro a abril de 2010. O município de Fortaleza

situa-se na zona litorânea a 15,49 m de altitude, 30º43’02” de latitude sul, e 38º32’35” de longitude

oeste. Foram avaliadas três diferentes fontes protéicas na ração concentrada em substituição a fonte

protéica padrão, o farelo de soja (SOJ100), são elas: feno do folíolo da Leucena (LEU100), uréia (UR100),

ambas substituindo 100% da soja e torta de algodão (TA51,8), substituindo em 51,8%, sendo o máximo de

substituição alcançada para que não afetasse a composição químico-bromatológica da ração.

Os animais experimentais foram adquiridos do próprio rebanho do Núcleo de Ensino e Estudos

em Forragicultura, contando de 20 ovinos mestiços Morada Nova, machos, não castrados, provenientes

de um mesmo reprodutor, com peso vivo inicial de 18,54 ± 1,13 kg e idade de aproximadamente quatro

meses, onde antes do início do experimento os animais selecionados foram vermifugados e receberam

suplementação injetável de vitaminas A, D e E. Os mesmos foram confinados em baias coletivas de

alvenaria, providas de comedouros e bebedouros, distribuídos em um delineamento inteiramente

casualizado, alocando-se cinco animais por baia, onde cada animal representa uma repetição e cada baia

representa um tratamento.

As rações experimentais foram formuladas atendendo as exigências dos ovinos, de acordo com o

NRC (2007) para um ganho de peso aproximado de 100 g diárias, sendo assim o fornecido total nos

diferentes tratamentos apresentou características isoprotéicas e isoenergéticas com média de 11% de

proteína bruta (PB) e 68% de nutrientes digestíveis totais (NDT), com uma relação

volumoso:concentrado de 50:50. O alimento foi fornecido diariamente em duas refeições, às 8 h (40% do

total ofertado ao dia) e outra às 16 h (60% do total ofertado ao dia), coletando-se no dia seguinte as


sobras, que foram pesadas, mantendo-as em torno de 10%. A composição químico-bromatológica das

diferentes rações experimentais e do volumoso padrão podem ser observadas na Tabela 1.

Tabela 1: Composição químico-bromatológica das diferentes rações experimentais e do volumoso

padrão

Rações MS MM PB EE FDN FDA

LEU100 88,063 5,15 12,67 4,00 40,48 7,62

TA 51,8 88,43 4,96 14,11 3,31 42,37 8,97

SOJ100 87,91 3,86 14,39 3,82 31,89 4,12

UR100 86,64 3,75 14,29 3,27 31,76 3,00

Capim-elefante 85,51 12,94 5,89 2,49 85,52 50,29

Durante o período experimental, os animais foram pesados, determinando os respectivos pesos

corporais (PC) e tiveram suas medidas morfométricas obtidas periodicamente, tendo assim uma

avaliação completa do desenvolvimento corporal. Este período experimental consistiu de 14 dias de

adaptação e 77 dias de coletas de dados, que foram realizadas até o primeiro lote (tratamento) obtivesse o

peso de abate (aproximadamente 30 kg).

As medidas morfométricas foram realizadas em todos os animais, com auxílio de fita métrica e

régua antropométrica (utilizada para medições de crianças), nas diferentes partes do corpo do animal

como perímetro torácico (PT), altura da cernelha (AC), altura da garupa (AG), comprimento corpóreo

(CC), comprimento da garupa (CG) e escore de condição corporal (ECC).

No tocante a análise estatística, utilizou-se o delineamento experimental de parcelas

subdivididas com medidas repetidas no tempo. Os dados foram submetidos à análise de variância e

comparação de médias através do teste de Tukey a um nível de significância de 5%. Como ferramenta de

auxílio às análises estatísticas, adotou-se o procedimento Mixed, do programa computacional de auxílio

estatístico SAS (SAS INSTITUTE, 2003).

Resultados e Discussão

Os resultados das medidas morfométricas observadas em cada tratamento estão apresentados nas

Tabelas 2 e 3.

No tocante à variável PC houve diferença (P0,05) daqueles alimentados com SOJ100 que obteve 23,11 kg, diferindo (P


Tabela 2: Médias de Peso Corporal, Perímetro Toráxico e Altura de Cernelha nos diferentes tratamentos

durante os diversos períodos de medição

Período (dias)

Trat.

35 77 Média

1

Peso Corporal (kg), C.V = 15,94%

LEU100 18,0 Ac 21,6 Bb 27,0 Ba 21,85

TA51,8 19,8 Ac 24,3 Ab 31,4 Aa 24,50

SOJ100 18,5 Ac 23,2 ABb 28,5 Ba 23,11

UR100 18,4 Ac 22,7 ABb 27,6 Ba 22,45

Média 18,68 22,96 28,63

Perímetro Toráxico (cm), C.V = 4,66%

LEU100 61,2 Ac 64,4 Bb 68,3 Ba 64,08

TA51,8 63,0 Ac 66,9 Ab 71,8 Aa 66,86

SOJ100 62,3 Ac 65,3 ABb 70,0 ABa 65,54

UR100 61,2 Ac 64,9 ABb 68,9 Ba 64,50

Média 61,92 65,37 69,74

Altura da Cernelha (cm), C.V = 4,52%

LEU100 53,4 Ac 56,1 Ab 58,6 Aa 56,04

TA51,8 54,3 Ac 57,5 Ab 60,3 Aa 57,27

SOJ100 54,4 Ac 57,0 Ab 60,2 Aa 57,25

UR100 53,6 Ac 55,8 Ab 59,8 Aa 55,91

Média 53,92 56,6 59,7

Altura da Garupa (cm) C.V = 4,57%

LEU100 55,7 Ac 58,4 Ab 60,7 Aa 58,21

TA51,8 57,2 Ac 60,0 Ab 62,3 Aa 59,62

SOJ100 56,7 Ac 59,6 Ab 62,8 Aa 59,78

UR100 55,6 Ac 57,7 Ab 62,0 Aa 58,15

Média 56,3 58,93 61,94

Letras maiúsculas representam comparação entre linhas e letras minúsculas entre as colunas para um nível de

significância de 5% de acordo com o teste de Tukey

No tocante a variável ECC, observou-se uma maior média nos animais alimentados com TA51,8,

diferindo significativamente dos animais mantidos nos demais tratamentos, o que também foi observado

no período de 77 dias, entretanto, ao início do experimento, no primeiro dia de medição, os animais que

obtiveram menor ECC foram os alimentados com LEU100, diferindo significativamente dos demais

tratamentos, que não diferiram significativamente entre si. Isso pode ter ocorrido devido a um ensaio

prévio de digestibilidade que ocorreu antes do início do experimento de desempenho, durante um período

de 21 dias, o que não foi suficiente para afetar as outras variáveis.


Tabela 3: Médias de Altura da Garupa, Comprimento Corpóreo, Comprimento da Garupa e Escore de

Condição Corporal nos diferentes tratamentos durante os diversos períodos de medição

Período (dias)

Trat.

1 35 77 Média

Comprimento Corpóreo (cm) C.V = 5,80%

LEU 100 49,7 Ac 54,7 Ab 60,0 Aa 54,45

TA 51,8 51,1 Ac 55,9 Ab 58,5 Aa 55,09

SOJ 100 51,0 Ac 54,1 Ab 59,0 Aa 54,61

UR 100 51,0 Ac 54,8 Ab 59,0 Aa 54,69

Média 50,7 54,9 59,1

Comprimento da Garupa (cm) C.V = 6,67%

LEU 100 13,8 Ac 14,3 Cb 16,0 Aa 14,48

TA 51,8 13,3 Ac 15,3 Ab 16,0 Aa 14,73

SOJ 100 13,4 Ac 14,9 ABb 16,0 Aa 14,69

UR 100 13,4 Ac 14,5 BCb 16,0 Aa 14,51

Média 13,48 14,74 16,00

Escore de Condição Corporal C.V = 23,35%

LEU 100 1,5 Bc 2,0 Bb 2,9 Ba 2,15

TA 51,8 2,0 Ac 2,38 Ab 3,5 Aa 2,55

SOJ 100 1,9 Ac 2,2 ABb 3,1 Ba 2,29

UR 100 1,9 Ac 2,3 ABb 3,0 Ba 2,31

Média 1,83 2,22 3,13

Letras maiúsculas representam comparação entre linhas e letras minúsculas entre as colunas para um nível de

significância de 5% de acordo com o teste de Tukey

Conclusões

Conclui-se que a torta de algodão pode substituir o farelo de soja em até 51,8%, apresentando

melhor peso final, sem comprometer o padrão de crescimento dos animais.

Agradecimentos

Ao Núcleo de Ensino e Estudos em Forragicultura (NEEF) – UFC pela disponibilidade dos animais e do

espaço físico para a condução do experimento e ao FUNDECI/Banco do Nordeste pelo apoio financeiro

à pesquisa.

Literatura citada

BARROS, N.N.; VASCONCELOS, V.R.; ARAÚJO, M.R.A.; MARTINS, E.C. Influência do grupo

genético e da alimentação sobre o desempenho de cordeiros em confinamento. Pesquisa

Agropecuária Brasileira, v.38, p.1111-1116, 2003.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL – NRC. Nutrient Requirements of Small Ruminants: Sheep,

Goats, Cervids, and New World Camelids. National Academy of Science, Washintgton, D.C.

2007. 347p.

SAS INSTITUTE. Version 9.0. Cary: SAS Institute Inc. 2003. CD-ROM.

VÉRAS, R.M.L.; FERREIRA, M.A.; CAVALCANTI, C.V.A; VÉRAS, A.S.C.; CARVALHO, F.F.R.;

SANTOS, G.R.A.; ALVES, K.S.; MAIOR JÚNIOR, R.J.S. Substituição do milho por farelo de

palma forrageira em dietas de ovinos em crescimento. Desempenho. Revista brasileira de

Zootecnia, v.34, n.1, p.249-256, 2005.

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