Revista da - Controladoria-Geral da União

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Revista da - Controladoria-Geral da União

Sobre cartões

e jornalismo

Por que estes comentários sobre

jornalismo aparecem em uma revista

dedicada a artigos e estudos sobre o

combate e a prevenção da corrupção?

Porque o tema guarda relação,

ainda que indireta, com a corrupção:

trata-se de comentários de natureza

jornalística a respeito da cobertura

feita pela mídia sobre o uso dos

Cartões de Pagamento do Governo

Federal, com informações retiradas,

predominantemente, do Portal da

Transparência.

O tema “corrupção” está presente

no contexto do trabalho, mas o que

se pretende mesmo comentar é o ofício

de informar e a responsabilidade

que isso implica. Apenas por limitações

de ordem material e de tempo,

esses breves comentários – sem qualquer

pretensão acadêmica – se prendem,

predominantemente, à mídia

impressa, sem nominar qualquer veículo.

Mas é certo que as mesmas observações

e conclusões se aplicam à

grande maioria das emissoras de televisão

e de rádio, bem como aos portais

e blogs noticiosos, na internet.

Antigamente...

Aprendi desde cedo, primeiro nos

bancos escolares, como estudante

Revista da CGU

Pedro Formigli, jornalista e assessor especial do

ministro da Controladoria-Geral da União

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de jornalismo, e, depois, na prática,

nas redações por onde passei, que o

primeiro e principal atributo de qualquer

notícia jornalística é a sua veracidade.

Ensinei isso também, insistentemente,

durante os anos em que

lecionei jornalismo na Universidade

Federal da Bahia.

Características como o pitoresco

e o curioso também são atributos da

notícia, mas são meramente complementares,

e não garantem, sozinhos,

a condição de notícia jornalística a

um fato qualquer. É a veracidade,

secundada pela atualidade, alcance,

interesse público, entre outros atributos,

que confere a um fato o grau

de notícia. E para atestar a veracidade

de qualquer fato não há outro

caminho senão o da apuração responsável.

Como vêem, o jornalismo

tem suas regras. Ou tinha, antigamente.

No caso da cobertura sobre os

cartões, o apetite pelo pitoresco e a

falta de uma apuração minimamente

responsável comprometeu seriamente

o trabalho da mídia e desprezou

outra regra importante do jornalismo,

essa relacionada com a ética da

profissão: não se publica notícia sem

que todas as partes envolvidas tenham

sido ouvidas. Parece que hoje

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