Homenagem Especial a este grande Brasileiro; t - Pagina Principal

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Homenagem Especial a este grande Brasileiro; t - Pagina Principal

Revista

Cult - Pop Editora

almanaque de CultuRa PoPulaR

ano 01 Julho - 2009 nº01

Homenagem Especial a este grande Brasileiro;

“Rei PeLé”

Chapada Diamantina uma verdadeira miragem!!!

t

Estrela

1


Esta Revista é mais uma

iniciativa Senac!


Você Sabia?

Artistas do Brasil

Eles Mandam muito bem!!!

Paginas Verdes

Cult - Pop

almanaque de CultuRa PoPulaR

Caro Leitor...

Desejando aumentar o Nível de Brasilidade

de nossos leitores, nasce à revista

“CULT-POP”; Revista inspirada nos Antigos

Almanaques ,com textos curtos curiosos, tem

a proposta de resgatar a memoria nacional e

injetar brasilidade em seus leitores.

Espero assim, caros amigos que vocês

gostem e virem nossos assinantes

Um abraço.

Entrevista

Designers da Natureza

Nossas

Personalidades

Domingos de Castro Ramos

Editor/Presidente

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Você Sabia?

Conto-do-vigário

abril de 2009

Duas paróquias de Ouro Preto disputavam uma mesma imagem sagrada. Um dos vigários sugeriu, ardilosamente,

colocá-la no lombo de um burro e deixá-lo decidir. Deu paróquia de Nossa Senhora do Pilar porque,

dizem, o burro era dali e conhecia o caminho. Desde então, cair no conto-do-vigário passou a significar

acreditar em uma enganação ou mentira.

Amizade

julho de 2000

Vem do latim vulgar amicitate, que vem de amicitia, que vem de amico, que vem de amare

(amar). O dicionarista Caldas Aulete amplia o conceito de amizade: sentimento de afeição

que une pais e filhos, pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes ou até simpatia entre

humanos e certos animais.

Cultura

novembro de 2001

Vem do latim cultura, derivado do verbo colere: cuidar, tratar, proteger, querer bem, respeitar, referindo-se a

algo (a terra, p. ex.: agricultura); ou ao espírito (instrução, educação). No último caso, a palavra nos chega

por meio do alemão Kultur, que o Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro define como estudo, elegância,

esmero, adiantamento, civilização.

Brasil

abril de 2000

O nome de nosso país torna-se oficial em 1530. Tratase

de adjetivo que virou substantivo: pau brasil. Era

árvore citada sete séculos antes do descobrimento,

uma leguminosa, portanto parente do feijão.

Participe do Concurso sobre Brasilidade

Acesse:www.cultpop.com.br


Entrevista

“É preciso ter orgulho de ser Brasileiro

Ele dispensa apresentações - e estamos falando de todo o planeta. Apesar de ter encerrado a carreira

há mais de 30 anos, em qualquer lugar do mundo em que pisar, sua presença será notada. É, provavelmente,

a personalidade brasileira mais conhecida de todos os tempos. Não à toa. Seus gols desconcertaram adversários

mundo afora. Seus dribles, passes e chutes giraram o planeta num tempo em que a tevê dava os primeiros

passos. Mas, além do mito, o que impressiona em Pelé é sua capacidade de mostrar-se humano, ainda que o

mundo todo o veja como sobre-humano. Nesta edição de 10 anos do Almanaque, ninguém melhor que ele -

que transformou o número 10 em símbolo - para representar o orgulho de ser brasileiro.

Na sua infância em Bauru, antes de ir para o Santos, você recebeu propostas de outros times? Qual equipe

poderia ter tido Pelé?

Propostas, não. Mas o técnico do Bangu, Tim, disse ao técnico do Baquinho [equipe júnior do Bauru Atlético

Clube], Waldemar de Brito, que procurava novos garotos para jogar na equipe carioca. O Waldemar respondeu:

“Tem um crioulinho aí, filho do Dondinho, que é bom de bola”. Quase acertaram de eu ir pro Bangu.

Mas foram três em meu lugar: Dufi, Canjerê e o ponta-direita, Picão. Esse Dufi, inclusive, era muito bom

jogador. Até tentei levá-lo para o Santos mais tarde.

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Desde pequeno você era muito melhor que

seus amigos?

Sim, tanto que eu jogava com atletas mais

velhos. Entrei no Baquinho com uns 12, 13

anos. Quando teve o primeiro campeonato

de futebol de salão, meu pai falou: “Você vai

se machucar, só tem gente mais velha. Tem

até profissional!”. Fui artilheiro do campeonato

com cerca de 15 gols. Também jogava

aos sábados, na várzea, pelo São Paulinho

de Curuçá. Hoje vejo as fotos e me assusto.

Jogava com uns barbados… O impressionante

é que eu não tinha medo. Talvez seja

esse o motivo de não ter me assustado ao

chegar ao Santos.

Dizem que, ao ver seu pai sofrer pela derrota do Brasil na Copa de 1950, você teria prometido que ganharia

uma Copa para ele. É verdade?

Em 1950 eu tinha apenas 10 anos. Meu pai, ao lado dos amigo de time, estava ouvindo a partida pelo rádio.

Todos com a certeza da vitória. Fizeram até bolo. Meus amiguinhos estavam lá, correndo pela casa. A gente,

garoto, nem ligava muito pra Copa. Quando acabou, todo mundo ficou quieto, e meu pai começou a chorar.

Foi quando eu disse, com a mão em seu ombro, de um jeito descompromissado: “Chora, não, Dondinho. Eu

vou ganhar uma Copa para o senhor”. Oito anos depois, no mesmo rádio em que Dondinho ouviu essa derrota

no estádio do Maracanã, ele me ouviu ser campeão na Suécia, em 1958. Tenho esse aparelho de rádio

até hoje.

Seu pai foi importante para a sua carreira?

Muito. Primeiro por corrigir vários dos meus defeitos. Teve uma época

em que fui gandula. Quando chutava uma bola para reposição, ele

falava: “Pô, você não sabe que não pode chutar assim, com o corpo

pra trás?”. Ele me obrigava a cabecear de olho aberto. Para aprender,

me fazia cabecear a bola 10 vezes na parede. Me ensinou também

a respeitar o adversário: “Quer menosprezar? Então vai lá e faz

cinco gols neles. Não fica com drible à toa!”. Dondinho sempre me

lembrava que ser melhor do que os outros era um presente de Deus,

e que eu tinha que cuidar desse dom, não podia esnobar ninguém.

Ele também foi um grande jogador. Era centroavante, fazia gols pra

chuchu. Os jornalistas o chamavam de “o Baltazar do interior”, em

referência ao goleador do Corinthians, também um grande cabeceador.

Quando comecei a aparecer, ele dizia pra mim: há um tempo,

você era o filho do Dondinho; agora eu é que sou o pai do Pelé

Como você foi parar no Santos?

O Santos estava dando oportunidade a jovens jogadores e eu fui,

depois de meu pai convencer minha mãe. Ela não queria que eu saísse

de Bauru… A linha de ataque que depois ficou célebre – Dorval,

Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe – era reserva. Só que a gente não perdia uma partida no treino. A Vila

Belmiro ficava cheia às quartas e quintas para ver a gente treinar. E todos foram ganhando confiança nas

partidas de aspirantes, que eram as preliminares dos jogos principais. Uma coisa que não entendo é por que a

CBF deixou de promover os jogos de aspirantes antes das partidas. Era esse o momento que jovens jogadores

se expunham, eram experimentados, ficavam frente a frente com a torcida. O jogador chegava mais maduro

ao profissional. Quando comecei, já tinha mais experiência.


Da onde vinha essa birra contra o Corinthians? No seu período, o time não ganhou nada

Que é isso? Eu adorava o Corinthians. Tem garoto aí que diz: “Pô, meu pai falou que você tinha raiva do

Timão!”. Eu respondo: “Seu pai está errado. É mentira. Eu adorava o Corinthians. Foram 18 anos me deixando

ganhar, me deixando fazer gol, nunca me tratando mal…”. Não dá pra explicar. Dava tudo certo. Eles

vinham com tudo, mas a bola batia na trave, o nosso goleiro pegava pênalti… A bola não entrava de jeito

nenhum. Aí, no finzinho do jogo, a gente ia lá e marcava: 1 a 0

Mas dizem que você era corintiano na infância…

É uma lenda que se criou. Minha tia, irmã do meu pai, morava em São Paulo. Todos os feriados ia para Bauru.

Ela era meio bem de vida e levava presentes pra gente, como bolas de capotão. Na época, saiu uma série

de times de botão das grandes equipes da capital. Ela levou dois: um do Palmeiras e outro do Corinthians.

Como meu irmão tinha simpatia pelo Palmeiras, escolheu primeiro. E qual time sobrou pra mim? Justamente

o Corinthians. Por isso começaram a falar que eu era corintiano.

Há ainda quem diga que foi recusado numa peneira corintiana.

No Baquinho tinha um garoto que se parecia muito comigo, que se chamava Tiãozinho. Como éramos campeões

infanto-juvenis do interior, fomos jogar contra o Juventus, campeão da capital na categoria. Goleamos

o Moleque Travesso. O Corinthians pediu um jogador emprestado, e o Waldemar recomendou o Tiãozinho.

Treinou um tempo lá e voltou. Além da semelhança, ele jogava com a 10. Aí criou-se a lenda que treinei no

Parque São Jorge, fui mandado embora e peguei raiva do Corinthians.

Para qual time, afinal, você torcia na infância?

Torcia para o Atlético Mineiro. Meu pai jogou lá…

Você tremeu antes dos jogos da Copa de 1958? Só tinha 17 anos…

Era uma responsabilidade grande, mas já tinha maturidade como jogador. Pela própria seleção eu já tinha

jogado a Copa Rocca, já tinha jogado finais pelo Santos, torneios no Maracanã. Isso me dava mais confiança.

Mas claro que entrava em campo com frio na barriga. Até mesmo em 1970 foi assim. Mas, logo que o hino

acabava, a preocupação ia embora.

Como foi o episódio de ter de jogar a final de 1958 de azul?

É verdade que os jogadores, por superstição, ficaram preocupados?

Não pudemos jogar de amarelo porque a Suécia tinha a mesma cor, e um sorteio definiu que eles entrariam

com a camisa principal. Teve jogador que ficou preocupado. Mas é sempre assim. Pouca gente percebeu,

mas na final de 1970 jogamos de meias azuis, e teve atleta que reclamou. Azul é a minha cor preferida. Todo

lugar que passo peço pra pintar de azul. O nome da minha mãe é Celeste, o da minha filha é Celeste. Outra

grande coincidência dessa Copa é que os números dos jogadores foram escolhidos aleatoriamente. E eu fiquei

com a 10. Outro dia, em Santos, me fizeram uma homenagem e escreveram: “Antes dele, o 10 era apenas um

número”.

Você é considerado um jogador completo. Tinha algum ponto fraco?

Ponto fraco, diria que não. Mas eu era perfeccionista. Gostava de melhorar o cabeceio. Eu treinava com a

bola pendurada numa forca. Cada vez ia apurando a impulsão e o tempo da bola.

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Também era conhecido por artimanhas

além-bola. Que malandragens

era capaz de fazer

para ganhar?

Inúmeras. Os beques do interior

batiam demais. Eu chegava

no ouvido de um deles e falava:

“Pô, agora que o Santos tá querendo

te contratar, você fica aí

me dando pancada?”. Aí eles

aliviavam. Na hora do tiro-demeta,

o goleiro tinha a mania

de rolar pro beque, que devolvia

para o goleiro pegar com a

mão. Eu perdi a conta das vezes

que, quando o goleiro rolava a

bola para o zagueiro, eu corria

gritando: “Falta, falta! Para,

para!”. O beque se assustava,

eu roubava a bola e fazia o gol.

Outra que gostava de fazer é trançar o braço com o braço do zagueiro e cair. Em geral, o juiz dava pênalti.

Às vezes eu fingia estar machucado para, de repente, dar um arranque e fazer o gol.

Falta esse tipo de esperteza para os jogadores atuais

Falta, e muito. Veja só na hora que alguém vai bater uma falta na intermediária. Fica aquele agarra-agarra

na área. Eu chamo aquilo de besteirol coletivo. Ninguém olha para a bola, ninguém finge que está amarrando

a chuteira para sair no impulso, ninguém fica no bico da área para esperar um toque rápido. O Waldemar

de Brito já me ensinava: “Finja que não está vendo a bola, olhe para o nada, porque, se olhar pra bola, o

marcador prestará atenção em você. Deixa a bola sair primeiro e aja com inteligência”. Eu não vejo ninguém

fazer isso. Eu já falei para o Robinho pra fazer algo diferente. Porque habilidade todo brasileiro tem, mas tem

que saber fazer coisas fora do esperado.

Você conversou com Ronaldo após a volta aos gramados?

Sim. Fiz um pedido, de brincadeira: “Ronaldo, tem uns 10 anos que você não faz um gol de

cabeça. Vê se faz um pra mim agora”. E não é que o primeiro gol dele foi numa cabeçada?

Você fala com Ronaldo sempre?

A gente procura dar uma força. Tem outra história curiosa. Eu estava falando com Ronaldo pelo celular,

quando ele disse: “Tem um jogador do Corinthians aqui que disse que você não era nada disso que se fala

por aí”, e passou o telefone para o rapaz. Quando ouviu a minha voz, coitado… Ficou nervoso pra caramba:

“Pô, Pelé, é mentira dele! Eu não falei nada disso, não!”

Você sente falta de jogar futebol? Sonha que está em campo?

Se sonho com isso? Dou até bicicletas na cama! Às vezes até grito gol. Mas agora eu, com outros companheiros,

assumi a direção do Jabaquara, de Santos. Duas vezes por semana apareço lá e dá pra matar a saudade

de estar em campo. Mas ainda sofro pra caramba ao ver jogos, principalmente os da seleção.


Qual foi o seu melhor marcador?

Houve muitos marcadores competentes. Mas, em geral, felizmente, o time deles

perdia no fim. Entre os estrangeiros, o melhor foi Beckenbauer. Ele não

era exatamente meu marcador, pois jogava na armação, como terceiro homem.

Mas, nos jogos contra a seleção brasileira, costumava desempenhar esse papel.

Ele era chato pra caramba: jogava bem, não dava pontapé e era muito

inteligente. Outro que destaco era o inglês Bobby Moore. Entre os brasileiros,

dois marcadores chatos e inteligentes eram o Roberto Dias, do São Paulo, e o

Dudu, do Palmeiras. Ainda tinha um quarto-zagueiro do Sorocaba que era bom

marcador pra chuchu. Mas não era muito lembrado porque o Santos sempre

ganhava deles.

Há uma lenda na Itália de que o Trapattoni, ex-técnico da seleção italiana,

teria sido o seu melhor marcador. Que história é essa?

Sabe quantas vezes joguei contra o Trapattoni? Uma. A seleção brasileira estava

fazendo amistosos pela Europa e enfrentamos os italianos. Passei em branco, não marquei nenhum gol.

E aí surgiu esse mito meio sem sentido. Depois nos tornamos amigos.

Há uma nova leva de jogadores habilidosos surgindo. Como você vê as novas promessas do futebol brasileiro?

Se o cara é bom de bola mesmo, acho ótimo. Mas há jogadores que passam o pé em cima da bola, não fazem

mais nada e se tornam famosos. Eu apostei com um amigo há uns anos quando iríamos ver um lançamento da

intermediária que alguém faça o gol. Antigamente tinha o Didi, o Rivellino, o Gérson… Não se vê mais isso. E

boa parte dos lances não são objetivos. Naquele tempo, eu dava dribles, o Rivellino gostava de dar elásticos,

mas sempre em busca do gol. O próprio Garrincha era driblador, fazia lances inusitados, mas fazia gols.

Vocês nunca perderam jogando juntos?

Ficamos 12 anos jogando pela seleção sem perder pra ninguém. O Garrincha era objetivo, mas tinha vezes

que matava a gente. Quando o Didi fazia um lançamento e caía certinho no pé do Mané na ponta-direita, já

íamos correndo para a área, pois era certeza que passaria pelo marcador. Aí, quando chegava em cima da

linha, com todo o time esperando o lançamento, ele puxava a bola pra trás. Só faltava o time inteiro se enrolar

nas redes de dentro do gol… A gente xingava ele de tudo que era nome. Mas como o Brasil só ganhava, tudo

virava graça.

Você acaba de lançar um cd e já gravou com importantes músicos. Se não fosse jogador, seria músico?

Poderia ser. Sempre gostei de música. Vivia tocando violão nas concentrações. Tenho até um violão dado pelo

Baden Powell. Não sou bom no instrumento, mas gosto muito. Porque saber tocar mesmo é com o Toquinho,

o Paulinho da Viola. O cd que fiz tem 12 músicas, todas com letra e melodia minhas. O arranjo ficou a cargo

do maestro Ruriá Duprat, que, inclusive, já ganhou um prêmio Grammy

Você conhece muitos músicos? Tem boa relação com eles?

Tenho. E boa parte deles fala que é craque: Chico Buarque, Jair Rodrigues, Toquinho, Chitãozinho, Alexandre

Pires, Leonardo… Um dia fui ao campo do Chico e disse: “Só jogo se for no gol”. Não deixaram. O Chico

é fogo, rapaz. Se não jogar ao lado dele, não tem como ganhar. O juiz rouba e o escambau. Ninguém ganha

dele por isso. Aí preferi ficar de fora e esperar pela hora da música…

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Costuma dizer que seu gol mais bonito foi contra o Juventus, da Mooca. E o mais importante?

Não acho justo escolher um só. Destaco alguns: contra o Corinthians de Santo André, na minha estreia; o da

Copa de 1958 contra o País de Gales; o milésimo gol. Esse falam que não foi tão importante por ser de pênalti.

Pô, quero ver bater um pênalti naquela situação. Foi a única vez na vida que tremi em campo. Uma coisa

que pouca gente percebeu é que, na hora do pênalti, os jogadores do Santos foram para o meio de campo. E

se a bola batesse na trave? E se o goleiro rebatesse? Ainda chamei o Carlos Alberto pra bater. Ele respondeu:

“Não, não”, e virou as costas. Foi bem complicado. Vale a máxima: pênalti é tão importante que deveria ser

batido pelo presidente do clube.

A pergunta inevitável: quem ganha a Copa de 2010?

Muita gente pode estranhar, mas acho que serão ou os Estados Unidos ou uma seleção africana.

Desde os tempos do Cosmos eu dizia que os Estados Unidos estavam evoluindo, que

iríamos vê-los na Copa. E estiveram nas três últimas. Em 2002, só não estiveram na final

porque meteram a mão na semifinal contra a Alemanha: não deram dois pênaltis e teve um

gol anulado. Já os jogadores africanos têm boas participações na Europa nos últimos anos.

Acredito que, com boa administração interna, as seleções podem ir longe

E pra finalizar: o que é brasilidade para você?

Em primeiro lugar, tenho que agradecer a Deus por ter nascido no Brasil. Na minha opinião, brasilidade é

acreditar que, sem dúvida nenhuma, este é o país do futuro. É acreditar neste país, trabalhar por ele e ter orgulho

de ser brasileiro.


Artistas do Brasil

A Arte de ver o belo como niguém vê

Em Sergipe, artistas põem em suas obras imagens poéticas

e imprimem traços autorais. Seus ateliês ajudam a entender

como se forma e se manifesta a gigantesca cultura de nosso povo.

Na recriação da cultura popular, da qual o sertão é fonte inspiradora e biblioteca, encontramos

José Roberto Freitas, o Beto Pezão. O apelido nasceu de sua marca - esculturas modeladas no barro que

representam figuras sertanejas com enormes pés. Estão enraizadas na paisagem fantástica e alegórica. Com olhar

humanista, ele não apóia o julgamento de suas obras por críticos de arte que vêem nelas o simbolismo do caboclo

e sua obstinação de fincar os pés no Nordeste árido. Na sua franqueza e numa tacada de mestre, vem a explicação:

“Fiz os pés extravagantes porque assim as esculturas paravam de pé melhor; com pezinhos elas sempre caíam.”

É bela e deliciosamente complexa nossa

arte popular. Complexa, mas não complicada.

Conversando com um artista,

podemos voltar às suas origens e sentir

como nascem as obras de arte, desde os

primeiros passos até a maturidade. Assim

foi com Ismael Pereira e José Alves Siqueira,

o Zeus. Ismael, autodidata como

todos, com o dinheiro da merenda comprava

material de pintura. “Esse menino

vai longe”, diziam quando viam suas

interferências em retratos, ou nas águias

pintadas nas carrocerias dos caminhões.

“Uma vez, adolescente, fiz uma grande

arte, pintei toda a lateral de uma fábrica.

Enquanto de longe admirava meu trabalho

e no auge da satisfação me comparava

ao grande muralista mexicano Siqueiros,

vi o proprietário se aproximar e exclamar:

‘Ah-ah, muito bonito, hein?!’ Ele queria de volta a parede toda branca e a mãe teve que ressarcir a cal.”

Hoje, Ismael é admirado pelas figuras de cerâmica que retratam guerreiros, bois, cavalos, galinhas, corujas,

recobertas de um acabamento individualizado, com retalhos de chita, espelhos, miçangas e muito brilho. Resultado:

efeitos de cores fortes que fazem as figuras adquirir luz própria e contraponto para o monocronismo

do sertão.

Ele reafirma sua cultura artística nas santas, cujos mantos

têm movimentos solenes e detalhes que evocam elaborados

pontos de renda, ou ainda nas figuras que expressam melhor

a região, como o cangaceiro, o Conselheiro e o Padre Cícero.

Não são poucas as oportunidades de contato com uma arte autenticamente

nossa, mas Sergipe expõe sua diversidade com artistas

que exercem o eterno fascínio de ver a beleza onde outros nada

vêem e que grafaram o nome do Estado no mapa artístico brasileiro.

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Designers da Natureza

Wajãpis

Os índios do Tumucumaque, no Amapá, entraram na lista do patrimônio cultural “imaterial”

da humanidade, da Unesco. Eles pintam e se pintam para celebrar a harmonia céu-homem.

Freqüentes são os elogios à vida cultural dos wajãpis; diversidade é um de seus principais atrativos. A arte

gráfica e oral desses índios que habitam o Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque, no Amapá,

constitui a primeira obra-prima do Brasil a fazer parte da lista do Patrimônio Cultural Imaterial da

Humanidade, da Unesco. Não apenas monumentos construídos pelo homem formam esse patrimônio. A

Unesco comprometeu-se a proteger valores ligados a memória dos povos, paisagens, literatura oral, música,

dança, jogos, costumes. Recentemente, distinguiu também o samba-de-roda do Recôncavo Baiano.

A arte gráfica wajãpi está presente na pintura corporal, cerâmica, cestaria ou madeira dos utensílios.

Sua arte finca-se na paisagem fantástica e alegórica da floresta. Observadores natos, notaram

a unidade que reveste a natureza nas nervuras de folhas, pele, escamas, chifres, penas.

Longe do figurativo, prefiguraram a arte abstrata, e somente com a delicadeza dos traços e a

pureza da cor resumiram a beleza e a vibração da natureza. Muitos anos mais tarde, artistas modernos

como Klee, Miró e Picasso, desejando alcançar essa síntese, beberam na fonte dos “artistas primitivos”.

Os desenhos feitos com tintas à base de sementes de urucum e suco de jenipapo, misturados a resinas perfumadas,

representam de animais - jaguar, serpente, borboleta, peixe - a complexas composições. Esses padrões

gráficos se apresentam em 21 modelos, cada qual com suas versões, chamados kusiwa (caminhos do risco).

Desenham com pincéis de bambu.


Celebração da Harmonia

As pinturas aplicadas no corpo não são tatuagens nem decalques,

nem são marcas étnicas ou símbolos rituais. É sua tradição

decorar corpos e objetos, por prazer estético e desafio criativo”,

diz a antropóloga Dominique Gallois, do Núcleo de História

Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo.es materiais,

Eles recriam a natureza

para celebrar a harmonia

entre céu e homem.

No aprofundamento dessa

nova reflexão sobre patrimônio da humanidade invisível,

porque se encontra no espírito de certas civilizações

que não se exprimiram por intermédio de grandes realizaçõvale

lembrar o escritor Claude Fabrizio. Ele acredita

que os seres humanos constituem os monumentos mais importantes

de sua própria cultura e que o verdadeiro patrimônio

comum da humanidade é a diversidade criadora.

As obras wajãpis podem ser admiradas no Museu Sacacá

e no Iepé, Instituto de Pesquisas e Formação em Educação

Indígena, em Macapá, Amapá; e no Museu do Índio, no Rio.

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Eles Mandam muito bem!!!

Prédio ocupado tem mais de 6 mil livros em sua Biblioteca

Na fachada do prédio 911 da Avenida Prestes Maia, em São Paulo,

uma placa questiona os passantes: Oi. Está tudo bem com você? Com a gente,

não. Abaixo, um convite: Venha conhecer nossa biblioteca. Trata-se da

Ocupação Prestes Maia, do Movimento dos Sem-Teto do Centro, o MSTC.

Quem aceita o convite desce por uma escada de cimento bruto, as paredes cheias

de infiltrações.

Atravessando a

última portinha,

surge inesperado

espaço, misto

de garagem e

porão. Nele se

espalham obras

de artistas que lá

montaram uma

sala para a Bienal

de Havana.

A biblioteca não faz feio: 5.900 títulos, organizados

pelo casal Severino Souza e Roberta

Conceição, uma das 468 famílias do prédio. Consultada por moradores e vizinhos, possui no acervo obras de

grandes autores, principalmente nacionais, cuidadosamente destacadas; e seção infantil, com prateleira baixa.

Severino é uma liderança por lá: foi ele quem começou a montar o acervo, com 600 livros que haviam sido enviados

para reciclagem, e é quem coordena as ações culturais. Costuma visitar a Pinacoteca do Estado, mas jamais

entrou no Museu da Língua Portuguesa, a uma centena de metros do prédio. Severino tem sua justificativa:

“Com esse dinheiro poderiam ter construído uma faculdade e, nela, um museu.”A faculdade não veio. Mas a

Escola Popular Prestes Maia foi implantada na ocupação no final de maio.


Nossas

Personalidades

Rinair

Nair de Teffé, primeira mulher caricaturista do País, fez

teatro, tocou violão e, à frente de seu tempo, usou calças

compridas. Filha do Barão de Teffé,

nasceu no Rio a 10 de junho

de 1886. Aos nove anos, desenha

o nariz de uma freira, num internato

francês. As colegas riem.

Ganha castigo em quarto escuro.

Sob o pseudônimo Rian, inversão de

Nair, critica autoridades em revistas

como Fon-Fon, Careta, Revista

da Semana, O Malho. Publica desenhos

em Paris. Aos 27 anos, apaixona-se

pelo então viúvo e presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, 31

anos mais velho. Casa em 1913. Jovem e irreverente, revoluciona a vida no Palácio do

Catete. Introduz música popular nos salões. Inclui o Corta Jaca, de Chiquinha Gonzaga,

no repertório de festa a rigor. Provoca irado discurso do senador Rui Barbosa:

“Certas mocinhas se divertem fazendo gracejos à custa de homens sérios como eu.”

Com a morte de Hermes em 1923, Nair diz: “Enterrei meu retrato favorito com o

homem que amei.” Fica 20 anos sem desenhar. Adota três crianças. Morre aos 85

anos, no Rio.

O homem que fala todas as

línguas do mundo

Ziad Youssef Fazah nasce na Libéria, África, em 10 de junho

de 1954. Aos 11 anos, já falava árabe, inglês e francês. Hoje fala 58 idiomas.

Disciplinado e autodidata, assimilava de três a quatro línguas em três

meses. Método: ler as gramáticas. Acha o mandarim a língua mais difícil.

Em 1971, chega ao Brasil. Naturalizado, casa e tem um filho. Em 1993,

entra para o Livro dos Recordes como o maior poliglota vivo do mundo.

Ensina: “Falando em voz alta, você se acostuma ao som das palavras.”

O vocabulário de Fazah tem cerca de 100 mil palavras. Freqüentemente

participa de programas de tv fora do Brasil. Não há idioma reconhecido

pela ONU que não domine: albanês, alemão, árabe, armênio, azerbaijanês,

bengali, birmanês, búlgaro, cambojano, chinês, coreano, dinamarquês,

grego, holandês, húngaro, italiano, japonês, persa, polonês, quirguiz, russo, sueco, tcheco, tibetano,

uzbequistanês, vietnamita etc

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Paginas Verdes

Miragem!

Vista geral Chapada Diamantina

A Chapada Diamantina aparece no horizonte como efeito especial: pedras, águas e flores no meio dos tons apagados e secos do sertão.

Quem se aventura pela Chapada Diamantina aprende logo que seu brilho, como o diamante que lhe

em pres tou o nome, tem muitas faces. É preciso pa ci ên cia e sen si bi li da de para des ven dar as formas da Serra

do Sincorá, a 400 km de Salvador, no coração do sertão bai a no.

Rochas de arenito, quart zi to e calcário, esculpidas pelas águas há milhões de anos. Pa re ce cenário do

início do mundo. Horizonte com mor ros e paredões de pedra cris ta li na, cercado por vales flo ri dos e rios de água

límpida e fresca. A paisagem hoje pertence ao Parque Na ci o nal, cri a do em 1985, com 154 mil hectares; abrange

os mu ni cí pi os de Lençóis, Andaraí, Mu cu gê e os vi la re jos de Xique-Xique do Igatu, Vale do Capão, Remanso.

A região foi povoada no século 19, durante garimpo do ouro, e a partir do século 20 com a extração de dia

man te. Com a descoberta de valiosas pedras, a região atraiu ga rim pei ros, com pra do res e aventureiros. Na

década de 1980, instalou-se o garimpo mecanizado, fechado pela Polícia Federal em 1996.

Tendas de pano bran co armadas por garimpeiros, vistas da serra, pareciam len çóis estendidos sobre

pedras. A imagem batizou a cidade. Lençóis é porta de entrada da Chapada e ponto de partida para quem

quer se em bre nhar pelas trilhas e conhecer as belezas que os ga rim pei ros deixaram para trás. Preserva ruelas

de pa ra le le pí pe dos, emolduradas por casarões co lo ni ais coloridos da época do ciclo do ouro e do di a mante.

Charme tombado pelo Instituto Pa tri mô nio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).


O vilarejo de Iga tu, encarapitado na serra, abre porta para o passado. Ca sas, em ruínas, cons tru í das

com pedras da região sem ar ga mas sa ou reboco, formam estilo raro de arquitetura es pon tâ nea, conhecido

como “pedra viva

Para conhecer a Cha pa da, o viajante tem de fazer como os antigos ga rim pei ros: enfrentar, a pé ou

em lombo de bur ro, muita areia e cas ca lho. Verdade seja dita, pernas pra que vos quero! Há uma infinidade

de trilhas e estradas de di fe ren tes ex ten sões e graus de dificuldade. Al gu mas aven tu ras pe dem guia e pernoites

em tocas naturais e casas de na ti vos.

Perto de Lençóis, sa lões de areias coloridas, serrano, lei to de formação vul câ ni ca que de se nha piscinas

naturais; Ribeirão do Meio, com tobogã.

A Chapada é boa de se admirar do alto. No Mor ro do Pai Inácio, a beleza se per de de vista. Con ta

len da que o es cra vo Inácio se en ra bi chou com filha de si nho zi nho. Para escapar da morte, o fa cei ro pu lou do

morro com guarda-chuva na mão. Ou tros mirantes: Morrão e Morro do Ca me lo.

Cachoeira da Fumaça, das maiores do Brasil, no alto de seus 380 m encontra o vento no meio da

que da e nem chega a pingar no chão. O ven to car re ga pra cima a fumaça molhada, for man do arco-íris. Cachoeira

do Sossego, o nome diz tudo. Compensa a travessia.

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Gruta da Lapa Doce, na re gião de Ira qua ra, tem gran des salões com es ta lac ti tes e estalagmites raras

nos 21 km mapeados. Per to, na Gruta da Pra ti nha, ba nha da pelo Rio Pra ti nha, você pode mer gu lhar nas

águas trans pa ren tes, ver ba gre al bi no, ca ma rão de água doce e rochas sub mer sas. Gruta do La pão, uma das

mai o res de quart zi to da Amé ri ca do Sul, tem mil metros de ex ten são. Si lên cio e breu absolutos.

Fantastico

Além dos passeios ecológicos, há manifestações

populares na Chapada Diamantina. La men ta ção das Almas,

durante a Se ma na San ta. Tradicional festa de São

João e San to An tô nio, cavalgada. Em agos to, tem Festival

de In ver no, evento mu si cal. Em se tem bro, tem Jarê,

de ori gem afri ca na, mis tu ra ri tu ais in dí ge nas e ca tó li cos

e festa de Xan gô e São Cos me e Damião.

Surreal

Poço Encantado, espetáculo a 60 m de pro fun dida

de e 98 m de ex ten são. A altura equivale a prédio de 20

andares; a extensão, ao com pri men to de um campo de fute

bol. A água brota de lençol fre á ti co, a ilu mi na ção entra

por uma fen da, a água se torna azul gra ças à for ma ção

de cal cá rio, mag né sio e car bo na to de cál cio. O jogo de

luz cria um espelho.


H

i

n

o

N

a

c

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o

n

a

l

OUVIRAM DO IPIRANGA AS MARGENS PLÁCIDAS

DE UM POVO HERÓICO O BRADO RETUMBANTE,

E O SOL DA LIBERDADE, EM RAIOS FÚLGIDOS,,

BRILHOU NO CÉU DA PÁTRIA NESSE INSTANTE.

SE O PENHOR DESSA IGUALDADE

CONSEGUIMOS CONQUISTAR COM BRAÇO FORTE,

EM TEU SEIO, Ó LIBERDADE,

DESAFIA O NOSSO PEITO A PRÓPRIA MORTE!

Ó PÁTRIA AMADA,

IDOLATRADA,

SALVE! SALVE!

BRASIL, UM SONHO INTENSO, UM RAIO VÍVIDO

DE AMOR E DE ESPERANÇA À TERRA DESCE,

SE EM TEU FORMOSO CÉU, RISONHO E LÍMPIDO,

A IMAGEM DO CRUZEIRO RESPLANDECE.

GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA,

ÉS BELO, ÉS FORTE, IMPÁVIDO COLOSSO,

E O TEU FUTURO ESPELHA ESSA GRANDEZA.

TERRA ADORADA,

ENTRE OUTRAS MIL,

ÉS TU,BRASIL,

Ó PÁTRIA AMADA!

DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,

PÁTRIA AMADA,

BRASIL!

II

DEITADO ETERNAMENTE EM BERÇO ESPLÊNDIDO,

AO SOM DO MAR E À LUZ DO CÉU PROFUNDO,

FULGURAS, Ó BRASIL, FLORÃO DA AMÉRICA,

ILUMINADO AO SOL DO NOVO MUNDO!

DO QUE A TERRA MAIS GARRIDA,

TEUS RISONHOS, LINDOS CAMPOS TÊM MAIS FLORES;

“NOSSOS BOSQUES TEM MAIS VIDA,”

“NOSSA VIDA” NO TEU SEIO “MAIS AMORES”.

Ó PÁTRIA AMADA,

IDOLATRADA,

SALVE! SALVE!.

BRASIL, DE AMOR ETERNO SEJA SÍMBOLO

O LÁBARO QUE OSTENTAS ESTRELADO,

E DIGA O VERDE-LOURO DESSA FLÂMULA

-PAZ NO FUTURO E GLÓRIA NO PASSADO.

MAS, SE ERGUES DA JUSTIÇA A CLAVA FORTE,

VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA,

NEM TEME, QUEM TE ADORA, A PRÓPRIA MORTE.

TERRA ADORADA,

ENTRE OUTRAS MIL,

ÉS TU, BRASIL,

Ó PÁTRIA AMADA!

DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,

PÁTRIA AMADA,

BRASIL!

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