Julho de 2008 A Liahona

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Julho de 2008 A Liahona

A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS • JULHO DE 2008

A Liahona

De Nossas Mãos

para as Suas,

p. 38

Conheça o Presidente Eyring e o

Presidente Uchtdorf, pp. 6, 14

Uma Caminhada de 40 Quilômetros

até a Igreja, p. 22

Deus É Capaz de Guiar as Nações —

Ele Pode Guiar Você, p. 30

Um Missionário de Nove Anos,

p. A12

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Mai o Matou

Lima i o Outou

Aao, i. 38

Feiloai ia Peresitene Eyring ma

Peresitene Uchtdorf, i. 6, 14

40-Kilomita e Savali ai i le Lotu,

i. 22

E Mafai e le Atua Ona Taiala Malo—

E Mafai ona Ia Taialaina Oe, i. 30

O Se Faifeautalai e Iva Tausaga

le Matua, i. U12


Julho de 2008 Vol. 61 Nº. 7

A LIAHONA 02287 059

Publicação oficial em português de A Igreja de Jesus Cristo

dos Santos dos Últimos Dias

A Primeira Presidência: Thomas S. Monson, Henry B. Eyring,

Dieter F. Uchtdorf

Quórum dos Doze Apóstolos: Boyd K. Packer,

L. Tom Perry, Russell M. Nelson, Dallin H. Oaks,

M. Russell Ballard, Joseph B. Wirthlin, Richard G. Scott,

Robert D. Hales, Jeffrey R. Holland, David A. Bednar,

Quentin L. Cook, D. Todd Christofferson

Editor: Jay E. Jensen

Consultores: Gary J. Coleman, Yoshihiko Kikuchi,

Gerald N. Lund, W. Douglas Shumway

Diretor Gerente: David L. Frischknecht

Diretor Editorial: Victor D. Cave

Editor Sênior: Larry Hiller

Diretor Gráfico: Allan R. Loyborg

Gerente Editorial: R. Val Johnson

Gerente Editorial Assistente: Jenifer L. Greenwood

Editores Associados: Ryan Carr, Adam C. Olson

Editor(a) Adjunto: Susan Barrett

Equipe Editorial: Christy Banz, Linda Stahle Cooper,

David A. Edwards, LaRene Porter Gaunt, Carrie Kasten, Jennifer

Maddy, Melissa Merrill, Michael R. Morris, Sally J. Odekirk, Judith

M. Paller, Joshua J. Perkey, Jan U. Pinborough, Richard M.

Romney, Don L. Searle, Janet Thomas, Paul VanDenBerghe,

Julie Wardell

Secretário(a) Sênior: Laurel Teuscher

Gerente Gráfico da Revista: M. M. Kawasaki

Diretor de Arte: Scott Van Kampen

Gerente de Produção: Jane Ann Peters

Equipe de Diagramação e Produção: Cali R. Arroyo, Collette

Nebeker Aune, Howard G. Brown, Julie Burdett, Thomas S.

Child, Kim Fenstermaker, Reginald J. Christensen, Kathleen

Howard, Eric P. Johnsen, Denise Kirby, Scott M. Mooy,

Ginny J. Nilson

Pré-impressão: Jeff L. Martin

Diretor de Impressão: Craig K. Sedgwick

Diretor de Distribuição: Randy J. Benson

A Liahona:

Diretor Responsável: André B. Silveira

Produção Gráfica: Eleonora Bahia

Editor: Luiz Alberto A. Silva (Reg. 17.605)

Tradução: Edson Lopes

Assinaturas: Marco A. Vizaco

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Impresso no Brasil.

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9-11-1930. Impressa no Brasil por Prol – Editora Gráfica –

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2420, 50 East North Temple Street, Salt Lake City,

UT 84150-3220, USA; ou mande e-mail para:

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A “Liahona”, termo do Livro de Mórmon que significa

“bússola” ou “orientador”, é publicada em albanês,

alemão, armênio, bislama, búlgaro, cambojano, cebuano,

chinês, coreano, croata, dinamarquês, esloveno, espanhol,

estoniano, fijiano, finlandês, francês, grego, haitiano, hindi,

húngaro, holandês, indonésio, inglês, islandês, italiano,

japonês, letão, lituano, malgaxe, marshallês, mongol,

norueguês, polonês, português, quiribati, romeno, russo,

samoano, sinhala, sueco, tagalo, tailandês, taitiano, tâmil,

tcheco, télugo, tonganês, ucraniano, urdu e vietnamita.

(A periodicidade varia de um idioma para outro.)

A LIAHONA, JULHO DE 2008

6 Chamado por Deus

14 Um Homem de Família,

um Homem de Fé, um

Homem Preordenado

IDÉIAS PARA A NOITE FAMILIAR

Estas idéias podem ser usadas

em sala de aula ou para

ensinar em casa.

“Receita para um Lar

Feliz,” p. 26: Conte a

história da família Ronndahl,

que procura os ingredientes

para fazer seu

lar feliz. Sugere-se uma refeição

especial para a família antes da

noite familiar. Ao prepararem essa

refeição, conversem sobre como

cada ingrediente contribui para

que a comida fique gostosa, e compare

a como cada membro da

PARA OS ADULTOS

2 Mensagem da Primeira Presidência:

Dar Ouvidos à Voz dos Profetas

Presidente Dieter F. Uchtdorf

6 Presidente Henry B. Eyring: Chamado por Deus

Élder Robert D. Hales

14 Presidente Dieter F. Uchtdorf: Um Homem de

Família, um Homem de Fé, um Homem

Preordenado Élder Russell M. Nelson

22 Fé a Cada Passo … e o Cântico no Coração

Deirdre M. Paulsen

25 Mensagem das Professoras Visitantes: Todos os

Seres Humanos Foram Criados à Imagem de Deus

38 A Criação das Revistas da Igreja

44 Vozes da Igreja

Samaritano com Chave de Fenda

Heidi Bartle

À Sombra de Suas Asas Paul B. Hatch

A Moedinha do Muchacho Natalie Ross

Jesus Visitou Mesmo as Américas?

Carlos René Romero

48 Comentários

38

A Criação das

Revistas da Igreja

família é necessário para que o lar

seja feliz.

“A Mão Orientadora de

Deus”, p. 30: Começe contando

algumas das experiências

que o Élder Paul teve

com a oração. Leia em

voz alta as promessas

que ele fez na seção “Guiar a

Vida das Pessoas”. Leia Alma

34:18–26 e converse sobre o que

Amuleque ensinou aos Zoramitas

sobre a oração. Peça aos membros

da família que contem experiências

nas quais a oração os ajudou.


30

A Mão Orientadora

de Deus

PARA OS JOVENS

26 Receita para um Lar Feliz Paul VanDenBerghe

30 A Mão Orientadora de Deus Élder Wolfgang H. Paul

34 Agora É o Momento Janessa Cloward

NA CAPA

Ilustrações fotográficas: John Luke.

CAPA DE O AMIGO

Travessia do Sweetwater: David

Koch, reprodução proibida.

Enquanto você procura pelo anel indonésio do

CTR que está escondido nesta edição, pense no

que poderia fazer para escolher o que é certo e

partilhar o evangelho.

“Agora É o Momento,” p. 34:

Falem das três maneiras que

Sasha utilizou para ler o Livro

de Mórmon. Em que a terceira

maneira era diferente das outras

duas? Leiam Morôni 10:4–5, e discutam

a promessa de Morôni.

“Quer Ir à Primária Comigo?”

p. A12: Converse com os seus

filhos sobre o que eles gostam na

Primária. Resuma a história desse

artigo junto com sua família. Será

que existe alguém que seus filhos

gostariam de convidar para ir à

Primária? Façam a meta de convidar

26 Receita para um Lar Feliz

A12 Quer Ir à Primária

Comigo?

alguém para ir à reunião dominical

da Primária ou a uma de suas

atividades.

“Jejum da Família”, p. A15:

Leia o artigo e considere a possibilidade

de criar uma “jarra da cortesia”

com sua família. Conversem

sobre como o sacrifício e o jejum

de Leonardo e de Mariana foram

uma bênção para eles e para

outras pessoas. Outra idéia seria

jejuar em família por alguém que

precisa de uma bênção especial e,

depois, fazer algo para ajudar a

pessoa.

A8 Crie o Seu Próprio

Carrinho de Mão

O AMIGO: PARA AS CRIANÇAS

A2 Vinde ao Profeta Escutar: A Dádiva do Evangelho

Presidente Henry B. Eyring

A5 Tempo de Compartilhar: Um Missionário Já Eu

Posso Ser Linda Christensen

A6 Da Vida do Profeta Joseph Smith:

Joseph Muda-se para Ohio

A8 Crie o Seu Próprio Carrinho de Mão

A10 De um Amigo para Outro: Filhos e Filhas de Deus

Élder Paul K. Sybrowsky

A12 Quer Ir à Primária Comigo? Reneé Harding

A15 Procurar Ser Como Jesus: Jejum da Família

Regina Moreira Monteiro

A16 Página para Colorir

TÓPICOS NESTA EDIÇÃO

Os números representam a primeira página de cada artigo.

A=O Amigo

Noite familiar, 1, 26

Batismo, 34

O Livro de Mórmon, 47

Bênçãos, 30

Obra missionária, 22, 34,

Conversão, A12

46, A2, A4, A10, A12,

Corpo, 25

A16

Criação, 25

Oferta de jejum, 46

Criatividade, 38

Oração, 30, 45, 47, A10

Dedicação, 22

Pioneiros, A8

Espírito Santo, 44, 45, 47 Primária. A12

Exemplo, 34

Profetas, 2

Família, 2, 26

Sacerdócio, A10

Fé, 30, 34

Serviço, 34, 44

Inspiração, 38, 44, 45 Smith, Joseph, A6

Jejum, A15

Templo, A6

Jesus Cristo, 47

Natureza divina, 25, A10

Testemunho, 34, 47

A LIAHONA JULHO DE 2008 1


FOTOGRAFIA: CRAIG DIMOND

MENSAGEM DA PRIMEIRA PRESIDÊNCIA

Dar Ouvidos à

Voz dos Profetas

PRESIDENTE DIETER F. UCHTDORF

Segundo Conselheiro na Primeira Presidência

Que alegria e privilégio é fazermos

parte desta Igreja mundial e sermos

ensinados e edificados por profetas,

videntes e reveladores! Nós, membros da

Igreja, falamos muitos idiomas diferentes e

somos procedentes das mais diversas culturas,

mas desfrutamos as mesmas bênçãos do

evangelho.

A Igreja é verdadeiramente universal,

com membros espalhados pelas nações a

proclamar a mensagem universal do evangelho

de Jesus Cristo a todos, sem distinção de

língua, raça ou origem étnica. Somos todos

filhos espirituais de um Deus vivo e amoroso,

nosso Pai Celestial, que deseja que

tenhamos sucesso em nossa jornada de

volta à presença Dele.

Em Sua bondade, concedeu-nos profetas

para nos ensinar Suas verdades eternas e

guiar-nos para que soubéssemos como

seguir Seu evangelho. Este ano, despedimonos

de um profeta amado, o Presidente

Gordon B. Hinckley (1910–2008), que nos

liderou durante muitos anos até que o

Senhor o chamou para junto de Si. Agora

prosseguimos sob a direção do novo profeta

que o Senhor chamou para nos conduzir,

o Presidente Thomas S. Monson. Devido

a Seu grande amor por nós, o Pai nos mandou

profetas em nossa época para nos dirigir

numa sucessão ininterrupta desde a

Restauração desta obra grandiosa, realizada

por intermédio do Profeta Joseph Smith

no início do século XIX. Sempre recordaremos

com carinho e gratidão os pioneiros da

Restauração: seus sacrifícios, pesares e lágrimas,

mas também sua coragem, fé e confiança

no Senhor ao seguirem o profeta

Dele em sua época.

Não tenho antepassados entre os pioneiros

do século XIX. Contudo, desde que me

tornei membro da Igreja, senti-me muito

próximo desses santos que atravessaram as

planícies norte-americanas. São meus antepassados

espirituais, como o são para todos

os membros da Igreja, seja qual for sua

nacionalidade, língua ou cultura. Eles não

só estabeleceram um refúgio no Oeste, mas

firmaram também os alicerces para a edificação

do reino de Deus em todo o mundo.

Somos Todos Pioneiros

À medida que a mensagem do evangelho

restaurado é aceita mundo afora, somos

todos pioneiros em nossa própria esfera e

circunstância. Eu vivia na Alemanha nos tempos

conturbados que se seguiram à II Guerra

Mundial quando minha família conheceu A

Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos

Dias. George Albert Smith (1870–1951) era o

presidente na época. Eu era criança, e minha

família perdera todos os bens materiais duas

Devido ao

grande amor

que nos tem, o

Pai deu-nos profetas

para liderar-nos em

nossa época em uma

sucessão ininterrupta

desde a

Restauração desta

obra grandiosa no

início do século XIX

por meio do Profeta

Joseph Smith.

A LIAHONA JULHO DE 2008 3


4

vezes no espaço de apenas sete anos. Éramos

refugiados e tínhamos um futuro incerto. No

entanto, durante esses mesmos sete anos,

ganhamos algo cujo valor transcende o de

qualquer tesouro terreno. Encontramos um

maravilhoso refúgio, um antídoto contra o

desespero: o evangelho restaurado de Jesus

Cristo e Sua Igreja, dirigida por um profeta

verdadeiro e vivo.

As boas novas de que Jesus Cristo realizara

a Expiação perfeita por toda a humanidade,

redimindo todos da morte física e recompensando

cada um segundo suas obras, foram o bálsamo benigno

que devolveu esperança e paz a minha vida.

Sejam quais forem os desafios da nossa vida, nossos fardos

podem ser aliviados se crermos em Cristo e em Sua

capacidade e poder de nos purificar e consolar. Nossa vida

é curada ao aceitarmos Sua paz.

O Presidente David O. McKay (1873–1970) era o profeta

durante a minha adolescência. Tinha a impressão de

conhecê-lo pessoalmente. Sentia seu amor, sua bondade e

dignidade; ele me inspirou confiança e coragem na minha

mocidade. Embora morasse na Europa, a milhares de quilômetros

de distância, eu sentia que ele confiava em mim

e não queria decepcioná-lo.

Outra fonte de revigoramento era a epístola redigida

pelo Apóstolo Paulo na prisão e destinada a Timóteo, seu

assistente e amigo mais leal. Ele escreveu:

“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de

fortaleza, e de amor, e de moderação.

Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso

Senhor” (II Timóteo 1:7–8).

Essas palavras de um dos antigos apóstolos do nosso

Salvador tiveram uma importância toda especial para mim

no pós-guerra e ainda têm hoje. Contudo, quantos de nós

Estamos

seguindo

os conselhos

inspirados

dos profetas? O

fortalecimento

de nossa própria

família é um

exemplo muito

benéfico a ser

deixado para a

humanidade

como um todo.

permitem que nossos temores assumam o controle de

nossa vida nesta época de tensão internacional, incertezas

econômicas e políticas e desafios pessoais?

Uma Voz Constante

Deus nos fala constantemente. Interage

igualmente com toda a família humana. Pode

ser que pertençamos a uma ala grande ou um

pequeno ramo, o clima ou a vegetação pode

mudar, a origem cultural e a língua podem

variar e a cor da nossa pele pode diferir. Mas

o poder e as bênçãos universais do evangelho

restaurado estão ao alcance de todos, independentemente

de cultura, nacionalidade, sistema

político, tradições, idioma, situação econômica

ou grau de instrução.

Hoje em dia, temos mais uma vez apóstolos,

videntes e reveladores que são atalaias na

torre, mensageiros da sublime e alentadora

verdade. Deus fala conosco por intermédio deles. Eles

conhecem a fundo as diferentes circunstâncias vividas

por nós membros. Estão neste mundo, mas não são

dele. Mostram o caminho e oferecem auxílio para nossas

dificuldades — não por meio da sabedoria do mundo, mas

da que provém de uma Fonte divina.

Há poucos anos, numa Mensagem da Primeira

Presidência, o Presidente Thomas S. Monson afirmou:

“Os problemas de nossos dias pendem ameaçadoramente

sobre nós. Cercados pela sofisticação da vida

moderna, olhamos para o céu para encontrar aquele

infalível senso de direção a fim de traçarmos e seguirmos

um curso sábio e adequado. Aquele a quem chamamos

de nosso Pai Celestial não deixará nossa sincera solicitação

sem resposta”. 1

Temos novamente um profeta vivo na Terra, sim, o

Presidente Thomas S. Monson. Ele conhece nossos desafios

e receios. Tem respostas inspiradas. Não há motivo

para temer. Podemos ter paz no coração e no lar. Cada de

um de nós pode exercer influência positiva no mundo

guardando os mandamentos de Deus e valendo-se do

verdadeiro arrependimento, do poder da Expiação e do

milagre do perdão.

Os profetas falam a nós em nome do Senhor e com

ILUSTRAÇÃO FOTOGRÁFICA: MATTHEW REIER


simplicidade divina. Como confirma o Livro de Mórmon:

“Pois o Senhor Deus dá luz ao entendimento; porque fala

aos homens de acordo com sua língua, para que compreendam”

(2 Néfi 31:3).

Cabe a nós não só ouvir, mas também agir de acordo

com Sua palavra a fim de fazermos jus às bênçãos associadas

às ordenanças e aos convênios do evangelho restaurado.

Ele garantiu: “Eu, o Senhor, estou obrigado quando

fazeis o que eu digo; mas quando não o fazeis, não tendes

promessa alguma” (D&C 82:10).

Há momentos em que nos sentimos sobrecarregados,

magoados ou desanimados em nosso grande empenho de

ser membros perfeitos da Igreja. Mas não se preocupem:

há bálsamo em Gileade. Demos ouvidos aos profetas de

nossa época, que nos ajudam a nos concentrar nos aspectos

primordiais do plano do Criador para o destino eterno

de Seus filhos. O Senhor nos conhece, nos ama, deseja

que tenhamos sucesso e nos incentiva, dizendo: “E vede

que todas [as] coisas sejam feitas com sabedoria e ordem;

porque não se exige que o homem [ou a mulher] corra

mais rapidamente do que suas forças o permitam. (…)

[Mas] é necessário que (…) seja diligente” (Mosias 4:27).

Seguir os Conselhos Deles

Será que somos diligentes na observância dos mandamentos

de Deus, sem darmos passos maiores que as pernas?

Ou estamos oferecendo menos do que poderíamos?

Estamos utilizando nosso tempo, talentos e recursos

com sabedoria? Dedicamos a devida atenção ao que é

mais importante? Acatamos os conselhos inspirados dos

profetas?

O fortalecimento de nossa própria família é um exemplo

muito benéfico a ser deixado para a humanidade

como um todo. O princípio da noite familiar nos foi apresentado

em 1915. O Presidente McKay relembrou os pais

em 1964: “Nenhum sucesso na vida compensa o fracasso

no lar”. 2 Em 1995, os profetas modernos convidaram o

mundo inteiro a fortalecer a família como unidade fundamental

da sociedade. 3 E em 1999, a Primeira Presidência

e o Quórum dos Doze Apóstolos nos exortaram com

amor: “Aconselhamos os pais e os filhos a darem o

máximo de prioridade à oração familiar, noite familiar,

estudo e ensino do evangelho e atividades familiares

sadias. A despeito de quão dignas e adequadas sejam

outras exigências ou atividades, não se deve permitir que

substituam os deveres divinamente determinados que só

podem ser desempenhados adequadamente pelos pais e

pelas famílias”. 4

Renovemos, com humildade e fé, nossa dedicação e

comprometimento na obediência diligente aos profetas,

videntes e reveladores. Escutemos aqueles que possuem

todas as chaves do reino e sejamos instruídos e edificados

por eles. À medida que lhes damos ouvidos e os seguimos,

que nosso coração se transforme a ponto de termos

o grande desejo de fazer o bem continuamente (ver Alma

19:33). Assim, seremos pioneiros na edificação de um alicerce

espiritual sobre o qual a Igreja se estabelecerá em

todo o mundo, a fim de que o evangelho de Jesus Cristo

se torne uma bênção para cada filho de Deus e una e fortaleça

a nossa família. ■

NOTAS

1. “Navegando em Segurança pelos Mares da Vida”, A Liahona,

novembro de 1999, p. 7.

2. Citado em J. E. McCulloch, Home: The Savior of Civilization, 1924,

p. 42; Conference Report, abril de 1964, p. 5.

3. Ver “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 2004,

p. 49.

4. “Carta da Primeira Presidência”, A Liahona, dezembro de 1999, p. 1.

IDÉIAS PARA OS MESTRES FAMILIARES

Em espírito de oração, estude esta mensagem e transmita-a

usando um método que incentive a participação das pessoas que

você estiver ensinando. Seguem-se alguns exemplos:

1. Pergunte às crianças o que precisariam fazer se estivessem

num local distante e tivessem de viajar de volta para casa. Mostre

como um mapa e um guia podem ser úteis. Explique-lhes que os

profetas são guias mandados pelo Pai Celestial para nos ajudar a

regressar à Sua presença. Leia um trecho da mensagem que

saliente essa idéia.

2. Relate uma lembrança sua sobre o homem que era presidente

da Igreja na época da sua infância ou adolescência. Diga

como os ensinamentos dos profetas vivos o guiaram no decorrer

da sua vida.

A LIAHONA JULHO DE 2008 5


6

Presidente

Henry B. Eyring

Chamado por Deus

ÉLDER ROBERT D. HALES

Do Quórum dos Doze Apóstolos

Alguns anos depois de se

tornar reitor da Ricks

College (hoje Universidade

Brigham Young – Idaho), Henry

Bennion Eyring recebeu uma proposta

de emprego de elevada

remuneração e prestígio no sul

da Califórnia.

“Parece uma oportunidade

excelente”, comentou o Presidente Spencer W. Kimball

quando Henry descreveu a oferta e seus benefícios.

“Se um dia precisarmos de você, saberemos onde o

encontrar”.

Henry achava que o Presidente Kimball, seu tio, lhe

pediria que ficasse na Ricks. Na verdade, ficou óbvio

que caberia a Henry e sua esposa, Kathleen, orar e

jejuar para tomar a decisão, e foi o que fizeram.

Dentro de uma semana, o Espírito sussurrou a Henry

que ele teria o privilégio de ficar na Ricks College

“por mais algum tempo”.

Assim, telefonou para Jeffrey R. Holland, na época

Comissário do Sistema Educacional da Igreja, e contou-lhe

que recusara a proposta. Na mesma noite,

Henry recebeu um telefonema do Presidente

Kimball.

“Vejo que decidiu ficar”, constatou o

Presidente Kimball.

“É verdade”, respondeu Henry.

“Acha que fez um sacrifício?”,

perguntou o Presidente Kimball.

“Não”, replicou Henry.

“Tem razão!”, tranqüilizou-o o

Presidente Kimball. Com isso, o

Presidente Kimball encerrou a

conversa.

Para quem conhece Henry B.

Eyring, sua disposição de seguir

os sussurros do Espírito (mesmo

quando isso significa abrir mão

do que o mundo considera importante) não constitui

surpresa alguma. Ele aprendeu por si mesmo que a fé e

a humildade, aliadas à obediência,

tornam os filhos de Deus

dignos de bênçãos mais preciosas

do que todas as riquezas do

mundo.

Após o falecimento do

Presidente Gordon B. Hinckley

em 27 de janeiro de 2008, o

Presidente Thomas S. Monson

chamou o Presidente Eyring para servir como

primeiro conselheiro na Primeira Presidência.

Anteriormente, o Presidente Eyring servira

como segundo conselheiro durante quatro

meses, ocupando a vaga deixada pela morte

do Presidente James E. Faust.

“Hal”, como é conhecido pelos familiares e

amigos, nasceu em 31 de março de 1933, em

EMBAIXO, à ESQUERDA: FOTOGRAFIAS CEDIDAS PELA EAST HIGH SCHOOL DE SALT LAKE CITY; à DIREITA: à DIREITA: FOTOGRAFIA TIRADA POR CRAIG DIMOND; FOTOGRAFIAS DE HENRY

EYRING E MARY BOMMELI CEDIDAS PELOS LDS CHURCH ARCHIVES; AO FUNDO: FOTOGRAFIAS TIRADAS POR J. SCOTT KNUDSEN E ALLAN DAVEY/MASTERFILE


Página ao lado, a partir do alto: A família do Presidente

Eyring. A partir da esquerda: seu pai, Henry; seus irmãos,

Ted e Harden; o jovem Henry ou “Hal”; e a mãe, Mildred.

Hal, num anuário da escola secundária de 1951. À direita:

Os bisavós, Henry Eyring e Mary Bommeli.

Princeton, Nova Jersey. Foi o segundo dos três filhos de

Henry Eyring e Mildred Bennion Eyring, sua família dava

grande valor tanto à instrução secular como à espiritual.

Seu pai era um químico renomado que lecionava na

Universidade de Princeton. A mãe, professora adjunta que

chefiara o departamento feminino de Educação Física na

Universidade de Utah, tirara licença para fazer um doutorado

na Universidade de Wisconsin quando conheceu o

futuro marido. Juntos, transmitiram aos filhos sua confiança

no Senhor e a fé em Seu evangelho.

Legado de

O Presidente Eyring atribui a origem do legado de

da família a antepassados que ouviram e seguiram os

sussurros do Espírito e a orientação dos líderes do sacerdócio.

Seu bisavô, Henry Eyring, que saíra da Alemanha

em 1853 aos 18 anos de idade, conheceu a Igreja no ano

seguinte em St. Louis, Missouri. Seu desejo de receber

uma revelação sobre a Igreja foi concedido em um

sonho no qual o Élder Erastus Snow, do Quórum

dos Doze Apóstolos, que só viria a conhecer mais

tarde, ordenava a ele que se batizasse. Um

sonho semelhante, no qual viu o Presidente

Brigham Young pela primeira vez, adveio

depois em 1860, durante a época em que

servia como missionário na área que

hoje é constituída pelos estados de

Oklahoma e Arkansas. 1

Após a missão, esse seu bisavô conheceu

a imigrante suíça Mary Bommeli ao se

integrar à mesma companhia de pioneiros

que ela, a caminho de Utah. Mary, cuja família

se filiara à Igreja quando ela estava com 24

anos, fora presa em Berlim, Alemanha,

por pregar o evangelho. Na noite em que

foi detida, escreveu uma carta ao juiz

responsável por seu caso. Falou a ele

(que era “um homem do mundo”) sobre

a Ressurreição e o mundo espiritual,

incentivando-o a arrepender-se para poupar

“grande pesar” a ele e a sua família. Logo

depois o juiz arquivou o caso e Mary foi posta em

liberdade. 2 Henry e Mary se casaram pouco depois de

chegarem ao Vale do Lago Salgado.

Da Europa aos desertos do sul de Utah e do Arizona

às colônias do norte do México, os antepassados do

Presidente Eyring desbravaram o deserto, propagaram o

evangelho, fugiram de perseguições, fundaram escolas e

educaram os filhos.

A Influência da Esposa

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o racionamento

de gasolina impedia a família Eyring de fazer o trajeto

de 27 quilômetros até o Ramo de New Brunswick

para as reuniões dominicais. Assim, receberam autorização

para fazer as reuniões em casa, em Princeton, Nova

Jersey. Hal dizia em tom de brincadeira que nunca faltou a

A LIAHONA JULHO DE 2008 7


8

uma reunião da Primária lá — uma façanha não tão difícil,

pois ela foi realizada apenas uma vez na casa deles.

O Presidente Eyring sempre recorda o agradável Espírito

que reinava nas reuniões sacramentais desse pequeno

ramo, composto por sua família e visitantes ocasionais. Ele

não se importava que seus familiares fossem os únicos presentes

às reuniões ou que ele e seus irmãos constituíssem

a totalidade do Sacerdócio Aarônico do ramo. Contudo, à

medida que os meninos chegavam à adolescência, sua mãe

passou a almejar

viver com a família

num local com

maior concentração

de membros

da Igreja.

Em 1946,

Henry estava

feliz com sua

vida profissional e

o sucesso que alcançara em Princeton.

Recebera vários títulos de doutor honoris

causa e a maior parte dos grandes prêmios

de química. Graças a seu aplicado trabalho

acadêmico com cientistas de renome internacional,

tinha excelentes chances de ser indicado

ao Prêmio Nobel.

Nessa época, Henry recebeu um telefonema

de A. Ray Olpin, reitor da Universidade

de Utah, que o convidava para ser o coordenador

da pós-graduação lá e continuar suas pesquisas na área

da química. Sua esposa, Mildred, deixou a decisão nas mãos

de Henry, mas lembrou-o de uma promessa que ele lhe

fizera anos antes: mudar-se com a família para mais perto da

sede da Igreja quando os meninos crescessem. Quando

Henry recusou a proposta, Mildred, que se criara em Utah,

pediu-lhe que orasse a respeito da decisão e entregou-lhe

uma carta para que lesse ao chegar ao laboratório.

Depois de ler a carta, na qual Mildred expressava sua

decepção, e depois de orar e ponderar, Henry telefonou

para o reitor e aceitou a missão de reforçar o departamento

de ciências da Universidade de Utah. O aparente

sacrifício de deixar Princeton revelou-se uma bênção para

ele e a família. Uma dessas bênçãos foi a disposição de Hal

de seguir o exemplo do pai quando se deparou com um

dilema semelhante, anos depois.

Preparação para o Futuro

“Na adolescência, percebi o quanto meu irmão era diferente

dos demais jovens”, conta Harden Eyring, que considera

o irmão mais velho tanto um mentor quanto um

amigo. Na época da escola secundária, lembra Harden,

Hal mergulhou nas escrituras e leu o Livro de Mórmon

cinco vezes.

Hal não se considerava superior aos outros, mas recusava-se

a participar de atividades que perturbassem sua

espiritualidade. Apesar de jogar basquetebol no time da

escola (a East High School em Salt Lake City), sua prioridade

eram os estudos.

“Quando adolescente, eu ia às sorveterias

que eram o ponto de encontro dos jovens”,

recorda Harden. “Hal, por sua vez, não saía à

noite com os amigos. Preferia ler e estudar”.

Seu irmão mais velho, Ted (hoje professor

de Química na Universidade de Utah),

estava no último ano de estudos na instituição

quando cursou algumas disciplinas com

Hal. Observou que o jovem Hal não ficava

atrás de ninguém na classe. “Quando Hal se

dedica, consegue qualquer coisa”, ressalta.

“Ele é muito divertido e mantém o bom

humor mesmo em situações sérias e difíceis.

É muito parecido com o nosso pai”.

Com o passar dos anos, porém, Hal descobriu uma

grande diferença entre ele e o pai.

Henry Eyring incentivou os filhos a estudarem física e a

se prepararem para uma carreira científica. Obediente, Hal

matriculou-se nesse curso na Universidade de Utah, mas

certo dia, quando pediu ajuda ao pai para um complexo

problema matemático, Henry percebeu claramente que

Hal não partilhava sua paixão.

“Meu pai estava escrevendo no quadro-negro que tínhamos

no porão”, lembra o Presidente Eyring. “De repente,

parou. ‘Hal’, disse ele, ‘lidamos com o mesmo tipo de problema

semana passada. Não me parece que esteja entendendo

melhor agora. Não estudou nesse meio tempo?’”

Hal disse que não. Então, admitiu ao pai que a física não

À ESQUERDA: QUADRO CEDIDO PELA UNIVERSIDADE DE UTAH; FOTOGRAFIA CEDIDA PELA FAMÍLIA EYRING; À DIREITA: FOTOGRAFIA COM O PRESIDENTE E A IRMÃ PACKER CEDIDA PELA BYU–IDAHO


ocupava seus pensamentos

constantemente.

O pai fez uma pausa e, em

seguida, com palavras ternas

que liberavam o filho

para seguir seu próprio

caminho profissional,

declarou: “Escolha uma

área que o atraia a tal

ponto que, quando não

tiver nada para pensar, seja

ela que lhe venha à mente”. 3

Ainda assim, Hal se formou em física em

1955 antes de ingressar na Força Aérea americana.

A Guerra da Coréia acabara fazia pouco

tempo e o número de rapazes chamados para

serem missionários de tempo integral em

cada ala fora limitado. A Casa da Missão de

Salt Lake City permaneceu fechada durante

algum tempo e nenhum missionário partiu

para o campo. Contudo, numa bênção, seu

bispo prometeu-lhe que o serviço militar

seria sua missão. Duas semanas depois de

chegar à Base Sandia perto de Albuquerque,

Novo México, Hal foi chamado para ser missionário

de distrito na Missão dos Estados do

Oeste — um chamado que cumpriu à noite e

nos fins de semana durante os dois anos de

serviço militar.

Depois de dar baixa da Força Aérea, Hal

matriculou-se na Escola de Pós-Graduação

em Administração de Harvard, onde obteve o

mestrado em 1959 e o doutorado em 1963,

ambos em Administração de Empresas.

Embora tivesse capacidade intelectual para

brilhar numa carreira científica, Hal descobriu

que sua paixão era ensinar, inspirar e fortalecer

os outros.

Dar Ouvidos ao

Espírito

Quando ainda estudava

em Harvard, no

semestre de verão de 1961,

Hal conheceu Kathleen Johnson, filha de

J. Cyril e LaPrele Lindsay Johnson, de Palo

Alto, Califórnia. Ela estava fazendo um curso

de férias em Boston e, para Hal, foi amor à

primeira vista. Na presença dela, sentia o

desejo instantâneo de dar o melhor de si —

e esse desejo não esmoreceu ao longo de

sua vida em comum.

Eles namoraram no verão e continuaram o

relacionamento por telefone e cartas depois

do retorno de Kathleen à Califórnia. Casaramse

em julho de 1962 no Templo de Logan, e

o selador foi o Élder Spencer W. Kimball. No

mesmo ano, Hal tornou-se professor adjunto

na Escola de Pós-Graduação em Administração

de Stanford.

Nove anos depois, Hal era professor titular

em Stanford e servia como bispo da Ala

Stanford I; e, como os familiares da esposa

moravam nas redondezas, “tudo parecia perfeitamente

nos eixos”, recorda. Contudo, em

1971, Kathleen o acordou no meio da noite

com duas perguntas inusitadas. A primeira:

“Tem certeza de estar fazendo a coisa certa

com a sua vida?”

Sem saber como poderiam ser ainda mais

Página ao lado: Os pais

do Presidente Eyring e

um retrato de seu pai

em 1969. No alto: Na

época em que era reitor

da Ricks College. À

esquerda: Com a esposa,

Kathleen, na recepção de

seu casamento. No alto,

à esquerda: Como reitor

da Ricks College na

entrega do Prêmio Mulher

Exemplar do Ano à Irmã

Donna Packer, em 1973.

Na foto também se

encontram o Presidente

Boyd K. Packer e Denece

Hansen Johnson, na

época presidente da

Associated Women

Students.

A LIAHONA JULHO DE 2008 9


10

No alto: Como membro

do Quórum dos Doze

Apóstolos em 1997. À

direita: Durante uma

visita recente ao sul de

Utah. Na extrema direita:

Com o Élder M. Russell

Ballard, do Quórum dos

Doze Apóstolos numa reunião

mundial de treinamento

de liderança em

junho de 2004. Página ao

lado: Retrato da família

em 1995. Sentados, a

partir da esquerda: Mary

Kathleen, o Presidente e

a esposa, e Elizabeth. Em

pé, a partir da esquerda:

John, Matthew, Stuart e

Henry.

felizes, Hal indagou: “O que quer dizer com

isso?”

Kathleen respondeu: “Não poderia fazer

estudos para Neal Maxwell?”

Neal A. Maxwell acabara de ser nomeado

Comissário do Sistema Educacional da

Igreja. Nem Hal nem Kathleen o conheciam,

mas Kathleen sentiu que talvez o marido

pudesse fazer mais para mudar a vida das

pessoas.

“Fazer estudos para Neal Maxwell neste

estágio da minha carreira?”, admirou-se Hal.

“Afinal de contas”, pensou, “‘fazer estudos’ é

coisa para os jovens pós-graduandos”.

Depois de alguns instantes de silêncio,

Kathleen pediu: “Vai orar a respeito?”

A essa altura de seu casamento, Hal sabia

muito bem que não devia ignorar os conselhos

da esposa. Levantou-se da cama, ajoelhou-se

e fez uma oração. “Não obtive

resposta”, conta ele, “e adorei, pois não

tinha vontade de ir para lugar algum”.

No dia seguinte, durante a reunião de

bispado, Hal ouviu mentalmente uma voz

que viria a conhecer muito bem e que o

repreendeu por não levar a sério a inspiração

da esposa. “Não sabes o que te aguarda em

tua carreira”, foi-lhe dito. “Caso recebas outra

proposta de emprego, apresenta-a a mim”.

Desconcertado com a experiência, Hal voltou

imediatamente para casa. “Temos um problema”,

anunciou ele a Kathleen. Achava que

errara ao recusar várias propostas de trabalho

recebidas enquanto estava em Stanford.

“Nunca orei a respeito de nenhuma delas”,

admitiu. Consciente de seus limites, começou

a orar acerca de seu futuro.

Menos de uma semana depois dos questionamentos

levantados por Kathleen no

meio da noite, o Comissário Maxwell telefonou

para Hal e o convidou para uma reunião

em Salt Lake City. Ele pegou o avião na

manhã seguinte, e os dois homens se


À ESQUERDA: FOTOGRAFIAS TIRADAS POR JED A. CLARK E CHRISTINA SMITH

encontraram na casa dos pais de Hal. As

primeiras palavras saídas da boca do

Comissário Maxwell foram: “Gostaria de

convidá-lo para ser o reitor da Ricks College”.

Nem mesmo a inspiração da esposa ou a

censura espiritual que recebera o haviam preparado

para tal surpresa. Avisou ao Comissário

Maxwell que precisaria orar a respeito. Afinal,

sabia muito pouco sobre a Ricks College. Na

manhã seguinte, reuniu-se com a Primeira

Presidência. Depois disso, o Comissário Maxwell confirmou

que a vaga seria dele caso a aceitasse.

Ao voltar para a Califórnia, Hal continuou a orar com

fervor. A resposta veio, mas por pouco não passou despercebida.

“Ouvi uma voz tão sutil que mal lhe dera atenção”,

recorda. “A voz dizia: ‘É minha escola’.” Telefonou para o

Comissário Maxwell e anunciou: “Estou a caminho”.

Sem hesitar, Hal abriu mão de sua situação confortável

como professor titular em Stanford para viver num trailer

em Rexburg, Idaho. Só depois da posse como reitor da

Ricks College, em 10 de dezembro de 1971, é que se mudou

com a família para a nova casa, que ajudara a construir.

“Fui para Ricks consciente de algumas coisas”, conta.

“Uma delas é que eu não era tão importante quanto

achava devido a minha posição de destaque em Stanford.

Outra é que eu tinha ciência de que minha esposa recebera

a revelação antes de mim. E, por fim, sabia que tinha

sorte de estar ali. Assim, não respondo à pergunta: ‘Como

eu poderia abandonar minha carreira em Stanford?’ Na verdade,

digo: ‘O Pai Celestial está por trás disso. Nunca tive a

impressão de que foi um sacrifício’”.

Os seis anos que o Presidente Eyring foi reitor em

Rexburg revelaram-se uma bênção para sua família e a faculdade.

Os conselhos sábios de um humilde mestre familiar

ajudaram a tornar esse período memorável. O mestre familiar,

um fazendeiro de grande fé, incentivou-o a sair de seu

gabinete na reitoria para conhecer e incentivar os professores,

funcionários e alunos e para expressar-lhes sua gratidão.

Hal orou acerca desse conselho, sentiu-se inspirado a

segui-lo e começou a passar mais tempo com os alunos,

professores e funcionários dedicados da faculdade. Com a

ajuda de outro professor, até deu aulas de religião. Em seu

empenho diligente para moldar os alicerces espirituais e

acadêmicos da instituição, ele e Kathleen aprenderam a

amar a comunidade do campus e os moradores de

Rexburg.

A Família em Primeiro Lugar

Durante os anos que passou em Rexburg, a família

Eyring tornou-se ainda mais unida. A essa altura, Hal e

Kathleen tinham quatro filhos: Henry J., Stuart, Matthew e

John. Depois foram abençoados com duas filhas: Elizabeth

e Mary Kathleen. Mesmo numa cidadezinha da zona rural,

Hal e Kathleen precisavam ser vigilantes. Uma das preocupações

era a quantidade e a qualidade da programação a

que os filhos assistiam na televisão. Henry J., o filho mais

velho, lembra-se de uma experiência que fez uma diferença

significativa no espírito da família Eyring.

“Eu e meu irmão estávamos assistindo à televisão numa

noite de sábado por volta da meia-noite”, conta Henry J.

“Era um programa humorístico de gosto duvidoso que não

deveríamos ver. Estávamos no escuro: a única luz no porão

era a do televisor. Nossa mãe chegou sem avisar. Estava

usando uma camisola branca e esvoaçante, com uma

tesoura na mão. Sem fazer barulho, foi para trás do televisor,

pegou o fio e então cortou-o com um único golpe.

Voaram faíscas e o aparelho parou de funcionar, mas antes,

ela já dera meia volta e se retirara sorrateiramente”.

Sem se alterar, Henry J. se preparou para ir deitar-se.

Contudo, seu criativo irmão cortou o fio de um aspirador

quebrado e ligou-o à televisão. Pouco depois, os meninos

estavam de novo sentados em frente à televisão, sem

terem perdido quase nada do programa.

“Porém, foi nossa mãe que riu por último”, conta Henry J.

“Ao voltarmos da escola na segunda-feira seguinte, achamos

o televisor no chão com um uma rachadura enorme

A LIAHONA JULHO DE 2008 11


12

no espesso vidro da tela. Desconfiamos imediatamente da

nossa mãe. Quando a consultamos, respondeu com a

expressão mais séria do mundo: ‘Estava passando o espanador

embaixo da televisão, e ela escorregou’”.

O Presidente Eyring atendeu ao desejo da esposa; e

os filhos, o da mãe.

E esse foi o fim da

televisão na casa da

família Eyring. “Em

geral, nossa mãe

lidera pelo exemplo

sereno”, observa

Henry J. “Contudo,

também é inspirada e destemida.

Sua firmeza é uma grande bênção

para seus filhos e netos.

Tanto em momentos críticos

como no dia-a-dia, ela mudou para

sempre o curso de nossa vida”.

O Presidente Eyring também

ressalta que foi a esposa que despertou

nele o desejo de dar sempre

o máximo de si e ser o melhor possível

como pessoa, e é grato por ela ter suscitado

nos filhos o mesmo desejo. Ele sempre reconhece e elogia

o seu exemplo e a influência espiritual que ela exerce

sobre a família. E ela faz o mesmo, externando gratidão

pela sensibilidade dele ao Espírito e seu modo eficaz de

ensinar e viver o evangelho no lar.

“Não havia dúvidas na mente de Hal sobre quem tinha

prioridade em seu coração”, garante ela. “Ele trabalhava

num ambiente competitivo e cheio de colegas competentes

em Stanford, mas sempre colocava a família em primeiro

lugar. Ao fim de cada dia, quando nos encontrávamos ao

cair da noite, ele perguntava: ‘Para quem não telefonamos?’

Então, guiado pelo Espírito, ia ao telefone e falava com um

membro da família que precisava de contato naquela noite”.

Sem televisão em casa, os membros da família tinham

mais tempo para se dedicar uns aos outros e a interesses

diversos, desenvolver talentos, praticar esportes e realizar

outras atividades em família. Ao longo dos anos, o

Presidente Eyring aperfeiçoou suas aptidões culinárias

(faz seu próprio pão), descobriu um talento para a

escultura em madeira e aprendeu a pintar aquarelas. Às

vezes, manda um cartão de agradecimento ou uma aquarela

como lembrança.

Hoje, a casa da família Eyring é cheia de quadros, esculturas

e móveis que ele criou com o auxílio de mestres

talentosos. Muitos desses objetos foram inspirados por

conceitos morais ou impressões espirituais. Além disso, ele

acha tempo para mandar e-mails todos os dias, algo que

chama afetuosamente de “Placas Menores”, para a família,

que hoje conta com 25 netos.

“O diário da família redigido por nosso

pai e enviado por e-mail diariamente com

fotos e contribuições dos filhos nos dá a

impressão de estarmos juntos à mesa do

jantar todas as noites, contando histórias”,

declara Henry J.

Disposição para Servir

Na época, o Presidente Eyring

ainda não sabia, mas ao aceitar o

cargo de reitor da Ricks College abandonara

definitivamente sua carreira secular. Sua atuação na reitoria

e o serviço simultâneo como representante regional e

membro da Junta Geral da Escola Dominical propiciaram

maior contato entre ele e os líderes da Igreja, que reconheceram

seus talentos e dons espirituais. O Senhor, por Sua

vez, conhecia a disposição dele para servir.

Ao confiarem ao Presidente Eyring importantes chamados

após seus seis anos na Ricks College, os líderes da

Igreja simplesmente seguiram a inspiração que pediram a

Deus. Durante o período de preparação para esses chamados,

ele era instruído pelo Espírito ao trabalhar, buscava

conhecer a vontade do Senhor, ouvia respostas e, como

seus antepassados, agia segundo a inspiração recebida.

Quando os chamados chegavam, ele estava pronto.

Em 1977, Jeffrey R. Holland, novo Comissário do SEI,

chamou o Presidente Eyring para servir como Comissário

Adjunto. Três anos depois, quando o Comissário Holland se

tornou reitor da Universidade Brigham Young, Hal substituiu-o

como Comissário do SEI. Serviu nesse cargo até ser

chamado para ser o primeiro conselheiro no Bispado

Presidente em abril de 1985. Nessa atribuição, usou seus

muitos talentos para fazer contribuições importantes nas


À ESQUERDA: FOTOGRAFIAS CEDIDAS PELA FAMÍLIA EYRING

áreas de administração e supervisão de propriedades,

planejamento, projetos, construção

de templos e outros assuntos temporais. Em

setembro de 1992, voltou a ser o Comissário

do SEI e, um mês depois, foi chamado para o

Primeiro Quórum dos Setenta.

Em 1° de abril de 1995, Henry B. Eyring foi

apoiado para integrar o Quórum dos Doze

Apóstolos. Desde essa época, vem buscando

uma porção maior do Espírito do Senhor e

vem abençoando os membros da Igreja em

todo o mundo com seus discursos sinceros,

serviço amoroso e testemunho contundente

do Salvador e de Seu evangelho.

Uma Qualificação Única

Na conferência geral de outubro de 2007,

ao dar testemunho das bênçãos resultantes

de buscarmos a mão de Deus em nossa

vida, o Presidente Eyring falou

por experiência própria.

Ele manteve um diário

das intervenções do Pai

Celestial em sua vida e,

com isso, sentiu seu testemunho

crescer e adquiriu

“uma certeza ainda maior de

que o Pai Celestial ouve e responde

a nossas orações”. 4

A chave para ouvir essas

respostas e saber que Deus

Se interessa por nossa vida,

realça ele, é desenvolvermos

um ouvido atento. “Devemos

ficar calmos, em silêncio, e

ouvir. Sempre que deixei de

receber uma impressão inequívoca

ou de ouvir a voz do

Espírito é porque estava demasiado

ocupado, com os pensamentos

muito inquietos ou

imerso em meu próprio

mundo”.

O Presidente Eyring sempre viveu os

preceitos da décima terceira regra de fé.

Os membros da Igreja têm mesmo muita

sorte por contarem com ele para servir ao

lado do Presidente Thomas S. Monson e

do Presidente Dieter F. Uchtdorf. Uma rara

combinação de talentos, seu legado de fé,

sua vida de preparação, sua dedicação ao

serviço e determinação de buscar a Deus

e Sua vontade o qualificam de modo único

para servir na Primeira Presidência. ■

NOTAS

1. Ver Henry J. Eyring, Mormon Scientist: The Life and

Faith of Henry Eyring (2007), pp. 127–130.

2. Ver Henry B. Eyring, “A Força da Doutrina”,

A Liahona, julho de 1999, pp. 85–88.

3. Ver Gerald N. Lund, “Élder Henry B. Eyring:

Moldado por ‘Influências Determinantes’”,

A Liahona, abril de 1996, p. 28.

4. Henry B. Eyring, “Oh! Lembrai-vos, Lembrai-vos”,

A Liahona, novembro de 2007, p. 67.

Página ao lado: Cópia

impressa das “Placas

Menores” da família,

busto de madeira

talhado pelo Presidente

Eyring e algumas de

suas aquarelas. No alto:

Com a esposa, após a

conferência geral de

outubro de 2007. À

esquerda: A Primeira

Presidência: o Presidente

Thomas S. Monson (no

centro); o Presidente

Henry B. Eyring,

Primeiro Conselheiro;

e o Presidente Dieter F.

Uchtdorf, Segundo

Conselheiro.

A LIAHONA JULHO DE 2008 13


14

Presidente

Dieter F. Uchtdorf

Um Homem de Família, um Homem

de Fé, um Homem Preordenado

ÉLDER RUSSELL M. NELSON

Do Quórum dos Doze Apóstolos

Conseguem imaginar o terror no coração de

Dieter Uchtdorf aos 11 anos de idade quando

sua família abandonou sua

casa na Alemanha Oriental 1 em

1952 em busca de liberdade na

Alemanha Ocidental? Por motivos

políticos, a vida de seu pai corria

extremo perigo. Teria de fugir sozinho

para diminuir os riscos para a

esposa e os filhos. Para não levantar

suspeitas, os outros membros

da família não poderiam viajar

juntos, mas fariam a tentativa

separadamente.

Assim, elaboraram um plano. Os dois irmãos

mais velhos de Dieter, Wolfgang e Karl-Heinz,

tomaram o rumo norte ao saírem de sua cidade

natal de Zwickau. A irmã, Christel, embarcou com duas

outras jovens num trem que faria uma breve passagem

pela Alemanha Ocidental a caminho do destino final na

Alemanha Oriental. Quando o trem passou pela Alemanha

Ocidental, elas convenceram o condutor a abrir a porta e

saltaram.

Dieter, o caçula, que na época tinha 11 anos de idade,

seguiu uma rota diferente com a corajosa mãe. Levaram

apenas um pouco de comida e preciosos retratos de

família que tinham sido preservados

da destruição durante a II

Guerra Mundial. Depois de andarem

longas horas, os joelhos da

mãe de Dieter começaram a se

enfraquecer. Dieter carregou os

pertences de ambos e ajudou a

mãe a subir a última colina rumo

à liberdade. Pararam então para

fazer uma parca refeição e foi

aí que perceberam, ao verem

militares russos, que ainda não

haviam cruzado a fronteira.

Mãe e filho terminaram o

lanche, pegaram as bagagens

e subiram ainda mais alto

antes de atingirem sua meta.

Dieter e a mãe continuaram

a jornada como refugiados, pedindo

carona e caminhando até chegarem ao destino: um

subúrbio perto de Frankfurt. Depois de muitos longos e

perigosos dias de separação, a família finalmente estava

reunida. Os irmãos chegaram primeiro e o pai veio logo

depois. Dieter e a mãe chegaram em seguida e a irmã foi

a última a unir-se a eles. A grandiosa reunião da família

foi um momento de júbilo.

O fato de terem deixado para trás quase todos os seus

bens era para eles secundário.

FOTOGRAFIAS CEDIDAS GENTILMENTE PELA FAMÍLIA UCHTDORF, EXCETO QUANDO INDICADO EM CONTRÁRIO; NO ALTO:

FOTOGRAFIA TIRADA POR CRAIG DIMOND; AO FUNDO: FOTOGRAFIAS TIRADAS POR MATTHEW REIER E J. SCOTT KNUDSEN


À esquerda, a partir do alto: Os pais do Presidente Uchtdorf,

Hildegard e Karl, no Templo de Berna Suíça. Aos 12 anos de

idade. Aos 2 anos de idade (o segundo a partir da direita)

com a irmã, Christel (à direita) e dois amigos. À direita, a

partir do alto: Dieter (à direita) com amigos na frente da

capela de Frankfurt. Numa reunião de jovens adultos solteiros

(fileira de trás, na extrema esquerda); Harriet, sua futura

esposa, está na frente, a segunda a partir da esquerda. Com

o carro de um amigo em Frankfurt.

Sete anos antes, perto do fim da II Guerra Mundial, já

tinham fugido uma vez, devido à aproximação de tropas

estrangeiras. Agora eram refugiados de novo.

Mais uma vez, estavam totalmente privados

de recursos materiais. Mais uma vez, tinham

que começar do nada. Mas tinham uns aos

outros. Tinham também profunda fé em

Deus e tinham A Igreja de Jesus Cristo dos

Santos dos Últimos Dias, da qual eram

membros havia apenas cinco anos.

O apartamento de um cômodo da família perto de

Frankfurt era pequeno e infestado de ratos. O jovem

Dieter ficava intrigado com esses roedores que circulavam

pela casa. Os transportes coletivos em Frankfurt eram relativamente

baratos, mas as condições da família não permitiam

que todos fossem à Igreja todas as semanas. Assim,

revezavam-se.

Não é de admirar que o Presidente Uchtdorf tenha sentimentos

tão fortes pela instituição sagrada da família. Com

grande sinceridade, testifica que a família foi ordenada por

Deus. A família tem suma importância para ele. Foi no seio

da família que as sementes da sua fé inabalável foram plantadas,

germinaram e cresceram. Com ela, começou a se

preparar para o cumprimento

de sua preordenação para

der do sacerdócio na Igreja

de Deus.

Um Homem de Família

Dieter Friedrich Uchtdorf

nasceu de bons pais,

Karl Albert e Hildegard

Else Opelt Uchtdorf,

no dia 6 de novembro

de 1940 em Mährisch-

Ostrau, Tchecoslováquia.

A família saiu desse país

em 1944 e mudou-se

para Zwickau, na

Alemanha. Entre 1949 e

1990, a cidade de Zwickau

pertenceu à Alemanha Oriental e era um centro de produção

de carvão. Devido a sua importância estratégica

durante a II Guerra Mundial, tornou-se um dos principais

alvos dos bombardeios dos aliados. Dieter, aos quatro

anos de idade, sentia medo, mas também fascinação

ao ver a luz dos aviões

que sobrevoavam a cidade.

Recorda-se de sua mãe levando-o

a abrigos antiaéreos para se protegerem.

O marido da Irmã

Uchtdorf fora convocado pelo

exército alemão, e ela cuidou

A LIAHONA JULHO DE 2008 15


16

corajosamente da família enquanto a guerra na Europa

seguia seu curso implacável.

Depois da guerra, o pai de Dieter trabalhou nas minas

de carvão e urânio de Zwickau em condições insalubres, o

que o predispôs a uma enfermidade maligna que lhe tirou

a vida aos 62 anos de idade, na Alemanha. O Presidente

Uchtdorf recorda que o pai era um homem afável e amoroso,

forte e terno, um portador do sacerdócio

que honrou suas responsabilidades de diácono,

mestre, sacerdote e élder.

Sua mãe, Hildegard, falecida em

1991, não era apenas corajosa, mas

também uma verdadeira conversa ao

evangelho e uma discípula dedicada

que serviu em inúmeros chamados

na Igreja.

A família foi selada no Templo de

Berna, na Suíça em 1956. De lá para cá,

Wolfgang e Karl-Heinz, seus irmãos,

faleceram. A irmã, Christel Uchtdorf

Ash, que serviu como missionária na

Alemanha, atualmente reside no Texas, no

sul dos Estados Unidos.

O Presidente Uchtdorf conheceu sua

futura esposa, Harriet Reich, nas reuniões da

Associação de Melhoramentos Mútuos da Igreja.

Harriet foi batizada com quase 13 anos de

idade, juntamente com a mãe e

a irmã, depois de os missionários

baterem a sua porta e

lhes ensinarem o evangelho.

O pai de Harriet morrera de

câncer apenas oito meses antes. Tanto a mãe como a

irmã já são falecidas.

Uma bênção notável adveio ao Élder Gary Jenkins,

um dos missionários que ensinaram e batizaram a família

Reich. Que imensa alegria sentiu quando, décadas

depois, no dia 16 de fevereiro de 2008, sua neta, Crystal,

foi selada ao marido, Steven, no Templo de Salt Lake

por um membro da Primeira Presidência, o Presidente

Dieter F. Uchtdorf.

Harriet e Dieter foram selados em

14 de dezembro de 1962, no Templo de

Berna, na Suíça. Ele diz que Harriet é

o sol da sua vida. O apoio dela é uma

fonte contínua de força. Ela é o amor

da vida dele. Harriet diz que o marido

tem um grande coração. “Ele é bondoso.

É um líder bom e compassivo.

Esse elogio é feito com freqüência

por seus antigos colegas de trabalho

e também por amigos da Igreja.

É um marido maravilhoso, sempre

em busca de maneiras de me apoiar.

É um homem de grande humor e

perspicácia. Sou muito abençoada

por ser sua

esposa.”

Os Uchtdorf têm

dois filhos. Antje, a

filha, é casada com

David A. Evans e o

casal tem três filhos:

os gêmeos Daniel e


Patrick, de 19 anos, e Eric, de oito anos.

Vivem em Darmstadt, Alemanha.

O filho do casal Uchtdorf, Guido, serviu na

Missão Washington D.C. Sul. Casou-se com

Carolyn Waldner, de Basiléia, na Suíça. Guido

e Carolyn hoje moram perto de Zurique, na

Suíça, onde ele é o bispo da Ala Wetzikon,

da Estaca St. Gallen Suíça. São pais de três

filhos: Jasmim, de sete anos de idade; Robin,

de cinco; e Niklas Ivan, de um ano.

Ao lhe perguntarem sobre seu pai e o

novo chamado que recebeu, Antje declarou:

“Somos abençoados por termos pais tão

maravilhosos. Quando eu era mais nova,

nem me dava conta do quanto meu pai era

atarefado, pois sempre tinha tempo para

nós. Nunca éramos relegados ao segundo

plano. Quando temos um problema, pedimos

conselhos a ele e nossos filhos sentem

que seu Opa (avô) terá resposta para qualquer

pergunta. Agora que ele faz parte da

Primeira Presidência, sentimos uma responsabilidade

ainda maior de dar o melhor

de nós”.

Guido tem lembranças semelhantes. Cita

uma ocasião há muitos anos em que ele, a

irmã, a mãe e o pai fizeram aulas de esqui. Foi

o início de uma agradável tradição familiar:

esquiar juntos. Guido sabia que a profissão

de aviador exigia que seu pai se ausentasse

por longos períodos. “Mas quando nosso pai

voltava para casa, brincávamos, conversávamos

e ríamos juntos”, ressalta Guido. “Isso

é que era tempo de qualidade!”

Guido e Antje aprenderam com os pais

a importância de dedicar tempo à família.

Instrutivos ou recreativos, os passeios ajudavam

a fortalecer os laços familiares. A atuação

de Dieter e Harriet Uchtdorf como pais e

avós à distância agora é facilitada pela tecnologia

moderna. A troca de e-mails e telefonemas

é complementada pela transmissão de

clipes dedeo e fotografias pela Internet.

No entanto, continuam a valorizar os

momentos passados juntos. Algo de significado

especial para Guido foi comparecer à

conferência geral de abril de 2008 e ver o

pai ao púlpito do Centro de Conferências.

Ao ensinar a família, o Presidente

Uchtdorf sempre salientou os princípios

fundamentais. Como explicou Guido:

“Nosso pai nos ensina quais as bênçãos

advindas da oração, do estudo das escrituras,

da obediência aos mandamentos e de

uma atitude positiva. Isso é muito mais

importante para ele do que conjecturas

sobre a localização de Colobe”.

Por ocasião de seu aniversário de 40

anos de casamento, o Presidente e a Irmã

Página ao lado: Depois

de seis anos na Força

Aérea Alemã, Dieter foi

também credenciado

como piloto pela Força

Aérea dos Estados

Unidos e recebeu o

Troféu de Comandante.

No alto: Embora a profissão

de piloto exigisse

longos períodos de

ausência, seus dois

filhos (na fotografia

com os pais) lembram

que o pai sempre dava

prioridade a ficar com

a família.

A LIAHONA JULHO DE 2008 17


18

Antes de ser chamado

para o Primeiro

Quórum dos Setenta

em 1996, o Presidente

Uchtdorf trabalhava

para a companhia

aérea Lufthansa.

Página ao lado: A

família Uchtdorf em

2006. De pé, a partir

da esquerda: Patrick

Evans (neto), Harriet,

Dieter e Daniel Evans

(neto). Sentados: David

Evans (genro), Antje

Evans (filha), Eric

Evans (neto), Robin

Uchtdorf (neto), Carolyn

Uchtdorf (nora), Guido

Uchtdorf (filho) e

Jasmin Uchtdorf (neta).

O neto mais novo do

Presidente e da Irmã

Uchtdorf, Niklas Ivan

Uchtdorf, nasceu em

2007.

Uchtdorf se reuniram no Templo de Berna

Suíça com os filhos, o genro, a nora e os

netos mais velhos para realizarem juntos

ordenanças sagradas. Harriet e Dieter têm

enorme carinho por esse templo, pois

seus pais, eles e seus filhos foram todos

selados nele.

Um Homem de

Não se pode estudar a vida desse grande

homem sem perceber sua fé única e inabalável.

Ele tem fé absoluta em Deus, fé no

Senhor Jesus Cristo, fé na Igreja e fé em

que receberá auxílio celeste quando

necessário.

Seus pais arriscaram a própria vida por

sua liberdade e fé. Seu pai honrou o sacerdócio

que lhe fora confiado. Aprendeu com a

mãe — principalmente durante a arriscada

fuga da Alemanha Oriental — a orar e a confiar

no Senhor.

O Presidente Uchtdorf qualifica sua mãe

de brilhante. Explica que ela era capaz de

efetuar mentalmente cálculos matemáticos

e ensinou-o a fazer o mesmo. Embora por

duas vezes, na condição de refugiados de

guerra, tivessem perdido todos os bens

materiais, observavam a lei do dízimo.

Sabiam que o Senhor abriria as janelas do

céu e derramaria bênçãos sobre os cumpridores

fiéis desse mandamento. 2

O Presidente Uchtdorf tem um afeto

especial pelo falecido Élder Theodore M.

Burton (1907–1989), que foi presidente da

Missão Alemã Ocidental. Numa época em

que muitos bons membros da Igreja estavam

emigrando, a família Uchtdorf deu ouvidos

ao conselho do Élder Burton de ficar na

Alemanha e edificar a Igreja ali. Foi o Élder

Burton que ordenou Dieter F. Uchtdorf ao

ofício de élder e deu instruções memoráveis

que Dieter seguiu à risca. A Irmã Harriet

Uchtdorf compreendeu a importância de

seguir o conselho do Élder Burton e permanecer

na Europa com a família para fortalecer

a Igreja local. Eles levaram a sério esse

conselho, bem como seus filhos. Agora, em

tom de brincadeira, os filhos repreendem

os pais por terem ido morar nos Estados

Unidos, enquanto eles ficaram na Europa.


À ESQUERDA: FOTOGRAFIAS DO DIÁRIO DE BORDO DA LUFTHANSA, CEDIDAS GENTILMENTE PELA FAMÍLIA UCHTDORF; À DIREITA: FOTOGRAFIA: WELDEN C. ANDERSEN

É claro que o Élder Burton não foi o único líder a

exercer uma influência determinante sobre o Presidente

Uchtdorf. Dieter se lembra de seu presidente de ramo na

época em que foi designado presidente do quórum de diáconos.

O presidente do ramo deu instruções detalhadas

sobre os deveres e responsabilidades de um novo presidente

de quórum. Dieter recorda o grande impacto que

tiveram esses ensinamentos, algo que um líder menos

dedicado teria simplesmente negligenciado, pois havia

somente mais um membro no quórum de diáconos.

A fé dessa família é exemplificada pela fé da avó do

Presidente Uchtdorf. Ela estava numa fila para conseguir

comida após a II Guerra Mundial quando uma irmã solteira

idosa, que não tinha família, a convidou para uma

reunião sacramental. A avó e os pais dele aceitaram o convite.

Foram à Igreja, sentiram o Espírito, foram edificados

pela bondade e gentileza dos membros e inspirados pelos

hinos da Restauração. 3 Em 1947, os pais de Dieter se batizaram

em Zwickau; Dieter foi batizado quase dois anos

depois, aos oito anos de idade. O compromisso da família

para com a Igreja tornou-se sólido e duradouro.

O alicerce dede Dieter contribuiu para sua confiança

em sua capacidade de ter êxito. Sua carreira começou

com estudos de engenharia e, depois, seis anos na

Força Aérea alemã. Em seguida, graças a acordos firmados

entre o governo da Alemanha e dos Estados Unidos,

fez curso de piloto em Big Spring, no Texas, onde recebeu

credenciamento de aviador na força aérea de ambos

os países. Ganhou o cobiçado Troféu de Comandante por

ser o aluno de destaque da classe. Em 1970, aos 29 anos

de idade, Dieter F. Uchtdorf recebeu o grau de capitão

na companhia aérea Lufthansa. Com o passar do tempo,

tornou-se piloto-chefe e vice-presidente sênior das

operações aéreas da companhia.

Em 2004, antes de ser chamado para o Quórum dos

Doze e por pura coincidência, eu e o Élder Uchtdorf viajamos

juntos num vôo da Lufthansa para a Europa. Não é

raro que passageiros reconheçam e venham cumprimentar

uma autoridade geral presente no mesmo vôo. Mas

dessa vez, as saudações foram bem diferentes. Quase

todos os membros da tripulação da Lufthansa vieram

cumprimentar entusiasticamente o antigo piloto-chefe.

A LIAHONA JULHO DE 2008 19


20

Fizeram fila para ter o privilégio de apertar-lhe a mão.

Ficou clara para mim a profunda e merecida admiração

que eles tinham a ele. Pareciam perceber sua grande fé,

bem como o carinho que nutria por eles.

A fé do Presidente Uchtdorf no Senhor transparecia

à medida que aceitava chamados para servir na Igreja.

Em 1985, foi chamado para ser o presidente da

Estaca Frankfurt Alemanha. Em seguida, quando os

limites mudaram, foi chamado para presidir a Estaca

Mannheim Alemanha. Em 1994, foi chamado para o

Segundo Quórum dos Setenta, embora tenha continuado

na Alemanha e à frente de suas responsabilidades

profissionais na Lufthansa. Em 1996, tornou-se autoridade

geral em tempo integral para servir no Primeiro

Quórum dos Setenta. Três anos depois, o Élder e a Irmã

Uchtdorf mudaram-se para Utah, algo que encararam

como sua vez de receber um “cargo no exterior”.

Quando o Élder Uchtdorf foi chamado para o santo

apostolado em outubro de 2004, alguns veículos de

imprensa o chamaram de “Apóstolo alemão”. Mas ele

salientou, com toda a razão, que foi chamado para representar

o Senhor perante as pessoas, e não o contrário.

Essa é de fato a sua missão sagrada. Ele deve ensinar e

dar testemunho do Senhor Jesus Cristo a “toda nação,

tribo, língua e povo”. 4

O Élder David A. Bednar foi chamado para o Quórum

dos Doze Apóstolos na mesma época que o Élder

Uchtdorf. Quando o Presidente Uchtdorf foi chamado

para a Primeira Presidência, o Élder Bednar comentou:

“Sentar-me ao lado do Presidente Uchtdorf e servir e

aprender com ele foram bênçãos grandiosas na minha

vida. Seus ensinamentos e sua personalidade envolvente

e afável me inspiram a trabalhar com maior diligência e a

me aperfeiçoar. Amo e apóio o Presidente Uchtdorf em

suas responsabilidades sagradas”.

Um Homem Preordenado

Não é possível estudar a vida desse grande homem sem

também se dar conta de sua preordenação para as grandes

responsabilidades a ele confiadas. Essa doutrina é ensinada

por profetas antigos e modernos. Alma afirmou que o os

deres do sacerdócio “foram ordenados — sendo chamados

e preparados desde a fundação do mundo, segundo a

presciência de Deus”. 5

O Presidente Joseph F. Smith (1838–1918) revelou que

os líderes (como o Presidente Uchtdorf) “também estavam

entre os grandes e nobres que foram escolhidos no princípio

para serem governantes na Igreja de Deus.

Mesmo antes de nascerem, eles, com muitos outros,

receberam suas primeiras lições no mundo dos espíritos

e foram preparados para nascer no devido tempo do

Senhor, a fim de trabalharem em sua vinha pela salvação

da alma dos homens”. 6

Não seria interessante poder perguntar à mãe do

Presidente Uchtdorf se pressentira que seu filho mais

novo viria um dia a servir na Primeira Presidência da

Igreja? O que será que ela sentiu ao criá-lo, proporcionar-lhe

a liberdade e salvar-lhe a vida? Certa vez, ela e os

filhos estavam num auditório público. Ela foi inspirada a

retirar-se imediatamente. Por causa desse sentimento

urgente, pegou um carrinho, colocou Dieter dentro e

saiu correndo com as crianças o mais rápido possível.

Pouco depois, o edifício foi destruído por um bombardeio

durante a guerra. A maioria dos ocupantes do

auditório morreu. A Irmã Uchtdorf e seus filhos foram

poupados.


À ESQUERDA: FOTOGRAFIA: WELDEN C. ANDERSEN; À DIREITA: FOTOGRAFIA: CRAIG DIMOND

Como passou a infância no pós-guerra, o

Presidente Uchtdorf se lembra de brincar em

ruínas de casas e descobrir pistolas, munição

e outras armas na floresta próxima. Todos

esses anos, conviveu com os efeitos onipresentes

da II Guerra Mundial e a consciência

de que seu próprio país infligira terríveis

aflições a outras nações. E ele e sua família

foram igualmente vítimas de uma ditadura

opressora.

Tempos depois, quase perdeu a vida

quando, ao pilotar um avião, o manche

parou de funcionar como deveria. Se não

fosse solucionado, esse problema faria o

avião perder totalmente o controle e cair.

Ele fez várias tentativas infrutíferas de destravar

o manche. Repetidas vezes, seu instrutor

de vôo lhe deu a ordem de saltar. Por

fim, Dieter F. Uchtdorf, um piloto de força

fora do comum, conseguiu vencer a resistência

e fez uma aterrissagem de emergência

bem-sucedida. O Presidente Uchtdorf

reconhece a mão do Senhor, que lhe permitiu

sobreviver a tal provação. 7

A probabilidade matemática de um

menino nascido na Tchecoslováquia numa

família de conversos e que sobreviveu a uma

vida cheia de riscos ser chamado na fase

adulta para servir na Primeira Presidência é

ínfima. Mas o Senhor conhece e ama esse

homem extraordinário desde antes da criação

do mundo. Sim, ele foi preordenado

para seus deveres como líder na Igreja de

Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Agora ele está ao lado do Presidente

Thomas S. Monson em seu chamado

sagrado. O Presidente Henry B. Eyring e o

Presidente Dieter F. Uchtdorf são grandes

servos do Senhor, dedicados e capazes de

aconselhar o Presidente da Igreja. Esses

três sumos sacerdotes presidentes se

complementam. Os membros da Igreja

seguirão com alegria e gratidão sua liderança

inspirada. ■

NOTAS

1. O nome oficial do país era República Democrática

Alemã.

2. Ver Malaquias 3:10; 3 Néfi 24:10.

3. Ver Dieter F. Uchtdorf, “A Oportunidade de

Testificar”, A Liahona, novembro de 2004, p. 74.

4. Mosias 3:20; ver também Apocalipse 14:6; 1 Néfi

19:17; 2 Néfi 26:13; Mosias 15:28; 16:1; Alma 37:4;

D&C 133:37.

5. Alma 13:3.

6. D&C 138:55–56.

7. Ver Jeffrey R. Holland, “Élder Dieter F. Uchtdorf:

Rumo a Novos Horizontes”, A Liahona, março de

2005, p. 13.

Página ao lado: O

Presidente Uchtdorf e o

Élder David A. Bednar

foram chamados para

o Quórum dos Doze

Apóstolos em outubro

de 2004. No alto:

A nova Primeira

Presidência foi anunciada

numa entrevista

coletiva em Salt Lake

City no dia 4 de fevereiro

de 2008.

A LIAHONA JULHO DE 2008 21


22Fé a Cada Passo...


FOTOGRAFIAS: JOHN KENDALL, EXCETO QUANDO INDICADO EM CONTRÁRIO

...e o Cântico

no Coração

Quarenta quilômetros de caminhada

não era o bastante para impedir o

membro brasileiro Paulo Tvuarte de

freqüentar a Igreja.

DEIRDRE M. PAULSEN

Sempre que canto ou ouço as palavras “Semeando dia a

dia, semeando o bem e o mal” ou “Aonde mandares

irei, Senhor”, é impossível não pensar em Paulo

Tvuarde.

Conheci o Paulo num dia quente no Sul do Brasil. As

reuniões da Igreja tinham acabado, e a capela estava quase

vazia, com exceção de alguns membros sentados no

saguão. Meu marido, que na época servia como presidente

da Missão Brasil Curitiba, estava reunido com Edson

Lustoza Araújo, presidente do Distrito de Guarapuava,

Paraná.

“Irmã Paulsen”, disse o Irmão Jason Sousa, que servia

como conselheiro do meu marido, “viu o irmão sentado

na entrada com as botas cheias de lama?”

Há muitas estradas de terra vermelha no Sul do Brasil,

assim não é incomum ter lama nos sapatos.

“Refere-se ao homem magro e moreno com pouco

menos de 30 anos?”, indaguei.

“Exatamente. O nome dele é Paulo Tvuarde. Ele vem a

pé para a Igreja quase todos os domingos, exceto quando

a lama está espessa demais e o impede de caminhar. Ele

faz isso há 14 anos: desde os 15 anos de idade.”

“Que distância ele percorre?”, perguntei, sem fazer a

menor idéia da resposta que ouviria do Irmão Sousa.

“Ah, 40 quilômetros”, respondeu ele sem se alterar. “Ele

sai de casa às 3h da madrugada para chegar na hora às reuniões.

Leva oito horas.”

Ao converter rapidamente quilômetros em milhas,

Ao arar seus campos no Sul do Brasil, Paulo Tvuarde planta

sementes do evangelho cantando hinos da Igreja “a plenos

pulmões”, o que desperta o interesse dos vizinhos.

percebi que o Irmão Tvuarde andava 25 milhas para assistir

às reuniões da Igreja em Guarapuava!

“Por que ele faz isso?”, perguntei, incrédula.

“Por acreditar que a Igreja é verdadeira.”

“Claro”, respondi, um pouco constrangida por ter formulado

uma pergunta tão óbvia. “O que eu queria dizer

era: por que ele tem de andar tanto?”

A LIAHONA JULHO DE 2008 23


24

O Irmão Sousa explicou que Paulo morava no interior,

administrando a fazenda da família para permitir que sua

mãe, de 74 anos de idade e com problemas cardíacos,

morasse em Guarapuava a fim de receber atendimento

médico. O Presidente Lustoza era o cardiologista dela.

“O Paulo mora sozinho, cuida da lavoura e alimenta os

poucos animais que eles possuem”, prosseguiu o Irmão

Sousa. “A fazenda não tem eletricidade nem água encanada

e fica a oito quilômetros do ponto de ônibus mais próximo.

Mas o pior é que não há ônibus no sábado ou

domingo. Então ele vem a pé para a Igreja.”

O Presidente Lustoza, que estava em reunião com meu

marido, disse que o Paulo costumava comparecer pelo

menos três domingos por mês. “Ele nunca falta, a menos

que as estradas estejam intransitáveis”, contou. “Ele pernoita

na cidade no domingo para voltar de ônibus na

segunda.”

Se Paulo ia à Igreja

pelo menos três domingos

por mês, passava por

ano mais de 300 horas

andando quase 1.600

quilômetros só para freqüentar

as reuniões!

Quando está na

Paulo e Rita Tvuarde com o fazenda, Paulo achou

filho, Saulo.

uma maneira de partilhar

o evangelho. “Decidi

que, ao arar a terra com meu cavalo, cantaria hinos a plenos

pulmões”, disse, sorrindo. “Os vizinhos que estão trabalhando

em seus campos me ouvem e perguntam o que

estou cantando. Assim posso falar do evangelho.”

A caminhada para a Igreja não era o único trajeto regular

que Paulo fazia como demonstração de sua fé. Duas

vezes por ano, viajava 530 quilômetros para freqüentar

o Templo de São Paulo Brasil. Numa dessas viagens, foi

apresentado a Rita de Cássia de Oliveira, que trabalhava

no templo. A Irmã Odete, esposa do Presidente Lustoza,

conhecera Rita anteriormente no templo e incentivara

Paulo a escrever para ela.

Rita estava acostumada com a vida na cidade grande e

gostava de seus amigos e das bênçãos de ser membro de

Paulo estuda o evangelho à luz do lampião em sua fazenda,

situada a 40 quilômetros da capela da Igreja mais próxima.

uma ala com uma capela próxima. Contudo, depois de um

namoro à distância que culminou com seu casamento com

Paulo no Templo de São Paulo em 2003, Rita foi morar com

ele na fazenda.

Ela se adaptou bem à vida no interior e é grata pela bênção

de um casamento no templo. “O mais difícil foi achar

um marido”, conta. “Posso me habituar ao restante.”

Hoje, ao trabalhar em sua propriedade, Paulo ainda

tenta plantar sementes do evangelho cantando hinos

para os vizinhos. E continua a percorrer 40 quilômetros

até a capela em Guarapuava. Mas agora, viaja

acompanhado de Rita e do filho, Saulo. Em vez de saírem

domingo de madrugada, tomam o último ônibus

da semana na sexta-feira à noite. Depois de um fim

de semana de reuniões e convívio com os membros

da Igreja, tomam a condução de volta para a fazenda

segunda-feira de manhã — felizes por terem indo

aonde mandou o Senhor. ■

NOTAS

1. “Semeando”, Hinos, 165.

2. “Aonde Mandares Irei”, Hinos, 167.

FOTOGRAFIA DE FAMÍLIA DE MARIA ODETE G. ARAÚJO


ILUSTRAÇÃO FOTOGRÁFICA: DANILO SOLETA; NO CANTO: DETALHE DE JESUS CRISTO, DE HARRY ANDERSON

Ensine as escrituras e

citações que atendam

às necessidades das

irmãs que você for

visitar. Preste testemunho da doutrina.

Convide as irmãs visitadas

a externarem o que sentiram e

aprenderam.

O que Sabemos sobre o Fato de

Sermos “Criados à Imagem de

Deus”?

Moisés 2:27: “E eu, Deus, criei o

homem a minha própria imagem, na

imagem de meu Unigênito criei-o;

homem e mulher criei-os”.

Presidente Gordon B. Hinckley

(1910–2008): “Nosso corpo é

sagrado. Foi criado à imagem de

Deus. É maravilhoso, o ápice da criação

divina. Câmera alguma jamais

se igualou à maravilha que é o olho

humano. Nunca se fabricou uma

bomba capaz de funcionar por tanto

tempo e de modo tão intenso como

o coração humano. O ouvido e o

cérebro são um milagre. (…) Esses

órgãos, juntamente com as outras

partes do corpo, exemplificam o

gênio divino e onipotente de Deus”

(“Be Ye Clean”, Ensign, maio de

1996, p. 48).

Presidente Thomas S. Monson:

“Deus, nosso Pai, tem ouvidos para

escutar nossas orações. Tem olhos

para ver nossos atos. Tem boca para

falar conosco. Tem coração para sentir

compaixão e amor. Ele é real. Ele

MENSAGEM DAS PROFESSORAS VISITANTES

Todos os Seres Humanos Foram

Criados à Imagem de Deus

vive. Somos Seus filhos, criados a

Sua imagem. Parecemo-nos com Ele,

e Ele Se parece conosco”. (“I Know

That My Redeemer Lives”, Tambuli,

abril de 1988, p. 6).

Como o Fato de Saber que Fui

Criada à Imagem de Deus Pode Ter

uma Influência Positiva na Minha

Vida?

Élder LeGrand Richards (1886—

1983), do Quórum dos Doze

Apóstolos: “Muitos acham que o

corpo lhes pertence e que podem

fazer com ele o que bem entenderem,

mas Paulo esclareceu que não

é o caso, pois fomos comprados

por bom preço. Ensinou ainda: ‘Se

alguém destruir o templo de Deus,

Deus o destruirá; porque o templo

de Deus, que sois vós, é santo’

[I Coríntios 3:17]” (A Marvelous

Work and a Wonder, edição revisada

em 1966, p. 380).

Élder Joseph B. Wirthlin, do

Quórum dos Doze Apóstolos:

“Devemos conhecer o ‘único Deus

verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem

[Ele enviou]’ (João 17:3)’. (…)

Conhecer a Deus é pensar como

Ele pensa, sentir como Ele sente, ter

o poder que Ele tem, compreender

as verdades que Ele compreende e

fazer o que Ele faz. Quem conhece

Deus se torna semelhante a Ele e

tem o tipo de vida que Ele tem, ou

seja, a vida eterna. (…) Ele ensinou

a Seus discípulos nefitas: ‘Que tipo

de homens devereis ser? Em verdade

vos digo que devereis ser como eu

sou’ (3 Néfi 27:27)” (“Our Lord and

Savior”, Ensign, novembro de 1993,

p. 7).

Susan W. Tanner, ex-presidente

geral das Moças: “Sua mãe ou seu

pai alguma vez já lhes disse, (…)

‘lembre-se de que você é filha de

Deus e precisa agir de modo condizente’[?]

Os missionários usam uma

plaqueta como constante lembrete

(…) [de] que devem vestir-se de

modo recatado e asseado. Tratar as

pessoas com educação e esforçar-se

para ter a imagem de Cristo em seu

semblante. (…) Por convênio, todos

também tomamos sobre nós o nome

de Cristo. Seu nome deveria estar

gravado em nosso coração. Da

mesma forma, espera-se que ajamos

como filhas dignas do Pai Celestial,

que nos enviou à Terra com esta

admoestação, ao menos figurativamente:

‘Lembrem-se de quem vocês

são!’” (“Filhas do Pai Celestial”, A

Liahona, maio de 2007, p. 107).

Para aprofundar o estudo, ver Jó

7:17; D&C 110:2–3; Joseph Smith —

História 1:17. ■

A LIAHONA JULHO DE 2008 25


Receita para um

Lar Feliz

26

A união, o evangelho e a

diversão em conjunto: eis

os ingredientes desta

família sueca para um

bem-sucedido modelo

de amor.

PAUL VANDENBERGHE

Revistas da Igreja

Suponha que acorde de manhã ao

som de uma música cantada em

falsete por uma vozinha fina e estranha

na cozinha. É bem provável que fique um

pouco confuso e pense numa das seguintes

possibilidades: (1) “É a minha irmãzinha procurando

bolachas na cozinha” ou (2) “Vim parar na

casa errada”. Mas se por acaso você pertencer à família

Ronndahl em Kavlinge, Suécia, não há motivo para

espanto. Na verdade, você aguarda com ansiedade esse

momento todas as semanas: não necessariamente a

música, mas o que a família chama dedesjejum de hotel”.

“Adoro o desjejum do sábado de manhã”, entusiasmase

Isabelle Ronndahl, de 14 anos, quando lhe perguntam

quais são algumas das coisas de que mais gosta na sua

família. “É o meu pai que sempre prepara, e toda vez é

delicioso.” Os outros filhos da família Ronndahl dizem

que sim em coro, confirmando entusiasmados.

“Acordamos com nosso pai cantando”, explica Andreas,

de 16 anos. Alguns dos irmãos logo se encarregam de

imitar, e todos riem, inclusive os pais, Brynolf e Kristina.

Na casa da família

Ronndahl as risadas são uma constante. Descrevem então

como, depois da música, o cheiro de bacon e ovos frescos

impele a família a saltar da cama todos os sábados de

manhã. Ainda mais do que partilhar a refeição, eles

gostam de simplesmente estar juntos.


FOTOGRAFIAS DA FAMÍLIA RONNDAHL:

PAUL VANDENBERGHE; OUTRAS FOTOGRAFIAS: JOHN LUKE

Citam outro ingrediente para a sua receita

de lar feliz: a noite familiar. Mas nem sempre

foi tão simples. “Recordo quando nossas noites

familiares se resumiam a longas aulas”,

conta Christoffer, de 18 anos, lançando um

olhar maroto para a mãe.

“Às vezes, eu ficava entediado e dormia”,

acrescenta Andreas, que na época tinha apenas

cinco anos. “Mas depois, acordava para o

lanche.”

O irmão Ronndahl explica que,

quando os filhos eram pequenos, a

esposa costumava preparar lições

de mais de uma hora de duração,

e as crianças pequenas tinham

dificuldade para acompanhar.

Agora, a família Ronndahl tem

oito filhos, com idades entre 8 e 23

anos. A mais velha, Rebecka, serviu como

missionária de tempo integral e agora faz

faculdade nos Estados Unidos.

Os pais decidiram mudar a maneira

de realizar a noite familiar. “Reunimos a

família e perguntamos: ‘O que gostariam

de fazer?’”, conta a irmã Ronndahl. Os pais

não ficaram nada surpresos ao verificarem

que as crianças gostavam do lanche, das

brincadeiras e dos hinos. Elas até gostavam

da idéia de uma lição, desde que fosse

curta. O irmão Ronndahl resume bem a

situação ao dizer que os ingredientes certos

estavam presentes, mas talvez não na

quantidade correta. “Constatamos que era

preciso também enfocar o lado divertido”,

afirma.

A irmã Ronndahl decidiu preparar um

jantar mais caprichado do que o de costume

para que a noite de segunda-feira

já começasse de uma maneira especial.

CARIDADE

A escritura favorita de

Isabelle, de 14 anos, é

Morôni 7:45–48. São versículos

que tratam da

caridade, o puro amor de

Cristo. “E gosto principalmente

do versículo 45”,

diz Isabelle. “Nele aprendemos

sobre as qualidades

maravilhosas da

caridade e do amor. Isso

me ajuda a lembrar que

a caridade é o que realmente

importa para voltarmos

à presença do

Pai Celestial.”

A LIAHONA JULHO DE 2008 27


COMO BRINCAR

DE GUIA CEGO

A brincadeira favorita da

noite familiar de Josefin,

de 12 anos, é simples e

muito divertida. Todos

formam um círculo, e

uma pessoa é escolhida

para ser o “guia”. Recebe

uma venda nos olhos e

vai para o centro da roda.

Apontando o dedo, o guia

manda as pessoas do

círculo andarem para a

direita ou para a esquerda

— mudando o sentido de

rotação do círculo sempre

que mudar a direção de

seu dedo. Quando o guia

levanta as mãos, todos

param. Então, o guia

aponta, às cegas, para

o círculo. A pessoa que

o guia apontar precisa

fazer um barulho qualquer:

forte ou fraco,

engraçado ou o que seja.

Se o guia adivinhar quem

foi a pessoa que fez o

ruído, ela se torna o

novo guia. Caso não

acerte, o jogo continua

com o mesmo guia.

28

Acrescentaram também muitas brincadeiras,

canções e hinos. Além disso, diminuíram

a lição para uns 10 minutos. A receita

deu certo. “As crianças começaram a aguardar

a segunda-feira com ansiedade”, rejubila-se

Kristina. “Todos passaram a adorar.”

Agora que os filhos estão maiores, as

lições ficaram um pouco mais longas e

profundas. Rosanna, de 20 anos, comenta:

“Hoje conseguimos dar lições excelentes.

Adoramos falar do evangelho e outros

assuntos. É empolgante, pois temos muitas

opiniões e idéias. É mais interessante agora

porque falamos sobre o que temos vontade

de falar”. Mas a música, as brincadeiras e

o lanche ainda fazem parte integrante da

receita.

“Minhas partes prediletas

são o lanche e as brincadeiras”,

revela Josefin, de 12

anos.

“O lanche e as brincadeiras,

sem dúvidas”, concorda

Christoffer.

“Para mim, a melhor parte

é a música”, diz Rosanna.

“A lição”, sugere Isabelle

timidamente. De imediato, os

irmãos põem em dúvida, em

tom de brincadeira, a sinceridade

de Isabelle. “Mas é verdade”,

garante ela, séria.

“A minha parte preferida é a noite familiar

inteira”, afirma Andreas. “A lição, as músicas,

as brincadeiras, o lanche — tudo junto é

muito divertido. Se fizéssemos a noite familiar

sem lição ou sem brincadeiras ou hinos,

pareceria estar faltando algo.”

“Adoro quando eu e o Brynolf não temos

nenhuma incumbência na

noite familiar”, diz a irmã

Ronndahl. “Podemos, então, ser

meros espectadores enquanto as crianças

dirigem, dão aula e se encarregam do

lanche. Eles fazem tudo. São meus dias

preferidos.”

Outro ingrediente essencial na receita

da família Ronndahl para um lar feliz é o

conselho de família que realizam todos os

domingos depois das reuniões da Igreja. Eles

tratam das atribuições de cada pessoa para

a noite familiar seguinte. Como alternam os

encargos, todos têm a oportunidade de fazer

tudo — da lição ao lanche, passando pelas

escrituras. Nessa ocasião, falam também das

tarefas domésticas regulares e de como está

cada membro da família.

Contudo, as reuniões não acontecem

só no domingo e na segunda-feira. Tanto

Samuel, de 10 anos, como Johannes, de


8 (o caçula), declaram que gostam

dos passeios e piqueniques em

família. O pai concorda. “Todos

nós adoramos nadar, seja onde

for: lagos, mar, rios”, conta o irmão

Ronndahl. Também se reúnem para

cantar e tocar instrumentos, formando

um conjunto musical, pois

quase todos tocam um ou mais

instrumentos.

Toda essa união acabou por transformá-los

em melhores amigos, e

não apenas membros da mesma

família. Eles se amam e se apóiam

mutuamente. Fortalecem uns aos

outros. Talvez seja por isso que passam

tanto tempo juntos.

Ao se fortificarem mutuamente,

os membros da família Ronndahl

também fortalecem a ala e a estaca.

“Vamos a todas as atividades da estaca e todos os passeios

e conferências para os jovens”, ressalta o irmão Ronndahl.

“Incentivamos nossos filhos a participarem de todos os

eventos da estaca e ala. Como as alas aqui não são muito

grandes, há atividades de estaca para reunir os jovens

com a maior freqüência possível.” Os filhos mais velhos

UNIÃO

FAMILIAR

“A família deve orar junta,

ajoelhando-se à noite e de

manhã para agradecer pelas

bênçãos e fazer pedidos relativos a problemas

comuns a todos.

A família deve adorar o Senhor junta, participando

das reuniões da Igreja e devocionais

da família.

Os membros da família devem estudar e

aprender juntos. (…)

A família deve trabalhar em conjunto. (…)

Deve também se divertir em conjunto, para que

experiências recreativas felizes sejam associadas

às atividades familiares.

A família deve reunir-se em conselho, abordando

todos os assuntos que digam respeito a

ela e seus integrantes.

A família deve fazer as refeições reunida. A

hora das refeições é um momento privilegiado

para a família se reunir e se comunicar.”

Élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze

Apóstolos, “Parental Leadership in the Family”,

Ensign, junho de 1985, pp. 10–11.

também freqüentam o seminário.

No passado, tanto o pai como a

mãe serviram como professores

desse programa, e é claro que também

participam ativamente de suas

classes e quóruns na Igreja.

Esses são os ingredientes que,

misturados com cuidado, ajudam

essa família a ter tanta harmonia.

Do mais novo ao mais velho, de

pai a filho, todos adoram estar

juntos, pois se amam. E são inúmeras

as atividades familiares

preferidas, como nadar no mar

ou brincar de guia cego na noite

familiar (ver detalhe). “Uma

das coisas de que mais gosto na

nossa família é a música”,

revela a irmã Ronndahl.

“Somos uma família

musical. Adoramos cantar.”

É verdade: todos na família Ronndahl

adoram cantar. Gostam também de ouvir os

outros cantarem — principalmente a hilária

vozinha em falsete que ecoa na cozinha no

sábado de manhã. ■

A LIAHONA JULHO DE 2008 29


30

A Mão

Orientadora

de Deus

O Senhor moldará a

sua vida segundo os

propósitos Dele, se

você permitir. E

grandes bênçãos

resultarão.

ÉLDER WOLFGANG H. PAUL

Dos Setenta

Como vai ser a sua vida daqui a 10 ou

20 anos? Que tipo de emprego ou

carreira você vai ter? Que chamados

vai receber na Igreja? Como vai ser a sua

família?

Posso responder a todas essas perguntas

com certeza absoluta: tenho certeza de que

não sei. Mas estou igualmente convicto de

que Deus, por Sua vez, o sabe. E se você

confiar Nele e entregar sua vida nas mãos

Dele, verá que Ele o levará em direções inesperadas,

dando-lhe experiências e oportunidades

maravilhosas.

“Confia no Senhor de todo o teu coração,

e não te estribes no teu próprio entendimento.

Reconhece-o em todos os teus caminhos,

e ele endireitará as tuas veredas” (Provérbios

3:5–6).

O mesmo Deus que comanda o destino

das nações Se importa o bastante com

você, um de Seus filhos, para abençoá-lo

individualmente. Testemunhei e vivenciei

esses dois exemplos da mão orientadora de

Deus.

Abençoar Nações Inteiras

Na minha infância e adolescência, a

Alemanha era uma nação dividida. A parte

ocidental, onde eu vivia, era livre e democrática

e se tornou próspera. A metade

oriental era governada por um regime

comunista aliado à União Soviética. Uma

fronteira separava a Alemanha Oriental da

Alemanha Ocidental, com muros, arame farpado,

campos minados e torres vigiadas por

guardas com metralhadoras. Encurralados

no Leste e separados por essa fronteira

havia vários santos dos últimos dias que

ansiavam por liberdade de culto e pelas

bênçãos do templo.

Nós, membros da Igreja, sabíamos que

THORKELSON

um dia — como cumprimento de profecias

— o evangelho seria pregado em todas as

GREGG

nações (ver Mateus 24:14). Mas como os

exércitos pareciam tão poderosos e os ILUSTRAÇÕES:


32

Omesmo Deus

que fala aos

profetas e

altera o curso das

nações está disposto

a falar a seu coração

por meio de Seu

Espírito. Ele guiará

a sua vida e o ajudará

a tornar-se

algo maior do que

jamais seria capaz

sozinho.

governos, tão duros de coração, temíamos

que somente um grande conflito internacional

ou outra calamidade planetária

pudesse provocar as mudanças necessárias

na Alemanha Oriental, Polônia e demais países

sob dominação soviética.

Mas o Senhor sabia que não seria assim. O

Presidente Spencer W. Kimball (1895–1985)

desafiou todos os membros da Igreja a orarem

para que as fronteiras se abrissem.

E de modo lento, mas decerto miraculoso,

as coisas começaram a mudar. O governo

da Alemanha Oriental permitiu a construção

de um templo em seu território, e o Templo

de Freiberg Alemanha foi dedicado em 1985.

Então, em 1988, depois de solicitações dos

deres da Igreja, o governo concordou em

deixar os missionários entrarem no país e

os missionários da Alemanha Oriental servirem

no exterior. Em novembro de 1989, o

governo da Alemanha Oriental abriu o Muro

de Berlim, que logo foi demolido. O governo

caiu, e a Alemanha se reunificou sob um

regime democrático.

Os historiadores apontam muitas causas

para esses eventos extraordinários. Contudo,

não tenho dúvidas de que, por trás de tudo

isso, o Senhor estava guiando o destino dessas

nações a fim de cumprir Seus desígnios.

Guiar a Vida das Pessoas

Esse mesmo Deus Se interessa por você

pessoalmente e guiará e moldará a sua vida

para a sua própria bênção e a de outras pessoas

— caso você O convide a fazê-lo. Sei

disso porque Ele transformou a minha vida

e cumprirá Sua promessa de que, se eu O

puser em primeiro lugar, Ele me abençoará

com as coisas de que necessitar. Vi isso acontecer

muitas vezes ao longo dos anos.

Nossa família era a única da Igreja em

nossa cidade de 60.000 habitantes. Fazíamos

o melhor possível para viver o evangelho.

Eu sentia o Espírito com freqüência, e nunca

duvidava da veracidade do evangelho.

Contudo, ao fazer o serviço militar, senti o

forte desejo de saber por mim mesmo se o

Livro de Mórmon era verdadeiro. Assim, isolei-me

num local e fiz exatamente o que

aconselha o Livro de Mórmon (ver Morôni

10:4–5): perguntei a Deus. E recebi um testemunho

— uma cálida sensação espiritual de

consolo, paz e grande felicidade que jamais

esquecerei.

Depois do serviço militar, fiz estudos

de administração militar no governo da

Alemanha Ocidental. Foi muito difícil, mas

adquiri uma sólida formação em áreas

como finanças, imóveis, direito e assim

por diante. Tinha também um chamado

na presidência do distrito. Enquanto meus

colegas estudavam intensivamente aos

domingos, eu cumpria responsabilidades

da Igreja e me dedicava à família. Foi

penoso, mas as promessas do Senhor são

verdadeiras e podemos confiar nelas. Saíme

tão bem quanto meus colegas.

Depois de me formar, trabalhei para o

governo durante oito anos. Tinha um

emprego estável e um ótimo plano de aposentadoria.

Estava numa situação confortável

e meu futuro parecia garantido. Então,

o Bispado Presidente da Igreja me perguntou

se estaria disposto a mudar-me


para Frankfurt para trabalhar como representante de

área para a Europa. Teria de abandonar o emprego

seguro e a vantajosa aposentadoria. Mas quando orei a

respeito com minha esposa, sentimos que era a decisão

certa. A partir de então, minha vida seguiu um curso

diferente, mas muito abençoado.

Minha experiência anterior como funcionário público

me preparou para muitas das minhas novas responsabilidades,

e aceitar aquele emprego me permitiu servir

posteriormente como presidente de missão, algo que

seria impossível se eu tivesse permanecido no serviço

público.

Conto essas coisas com profunda gratidão. Não o

faço para me vangloriar, mas para mostrar que o Senhor

mudará a sua vida segundo os propósitos Dele, se você

permitir. E grandes bênçãos resultarão. Posso prometerlhe

que Ele não somente o

abençoará em questões

importantes como a

carreira, mas caso O

busque em oração,

concederá auxílio

também nos pequenos

desafios do

dia-a-dia. Constatei

isso em inúmeras

ocasiões.

Abençoados Dia a Dia

Lembro-me de quando servia como presidente de

ramo e estava preenchendo nosso relatório anual de

dízimo. Era um belo dia de inverno, e minha esposa

estava à minha espera para um passeio. Eu tinha o

hábito de fazer relatórios financeiros no serviço público,

assim não havia mistérios para mim. Mas a cada vez que

eu comparava os valores, o total não batia. Fiz várias tentativas,

mas nada funcionou, e comecei a ficar frustrado.

Pedi ajuda ao Pai Celestial.

Depois de me ajoelhar e orar, não percebi mudança

nenhuma. Mas me senti inspirado a reexaminar uma parte

específica do arquivo de recibos de doações. Naquela

época, as papeletas vinham coladas em blocos, e verifiquei

então que dois recibos tinham ficado grudados e pareciam

um único. O problema estava resolvido.

Os seus desafios podem ser tão corriqueiros quanto o

que enfrentei recentemente. Comprei um modem de alta

velocidade para o meu computador, mas quando conectei

todos os cabos de acordo com as instruções, o aparelho

não funcionou. Consultei a seção de dúvidas, reconectei

tudo e telefonei para a central de atendimento, mas ainda

assim não deu certo. Até levei o equipamento de volta à

loja, mas os testes não detectaram nenhum problema.

Assim, levei o modem de novo para casa. Mas dessa vez

me lembrei de orar. Foi a única coisa de diferente que

fiz. Então o aparelho funcionou e continua em boas condições

até agora.

Alguns eventos afetam nações inteiras. Alguns alteraram

por completo os rumos da minha vida. Já outros são

bem pequenos, se mantivermos a perspectiva correta.

Mas é justamente isso que desejo

ressaltar. O mesmo Deus que fala

aos profetas e muda o curso da

história das nações está disposto

a falar a seu coração por meio de

Seu Espírito. Ele guiará a sua vida

e o ajudará a tornar-se algo maior

do que jamais seria capaz sozinho,

e Ele o ajudará com seus desafios

cotidianos caso confie e se apóie

Nele.

Ele o conhece, Ele o ama e Suas

promessas são certas. ■

A LIAHONA JULHO DE 2008 33


34

Agora É o M

Ser santo dos últimos dias na Ucrânia significa

servir e liderar na Igreja — agora.

JANESSA CLOWARD

Imagine que seja membro da Igreja num local em que

todos são conversos. Os missionários chegaram ao país

há poucos anos. E ao fazer 17 anos, em vez de se tornar

presidente das Lauréis, é chamada como presidente da

Primária.

Para Oksana Fersanova, a Igreja é exatamente assim.

Oksana, que mora em Khmelnitski, Ucrânia, foi uma das

primeiras pessoas a serem batizadas quando sua cidade

foi aberta para a obra

missionária em 2006.

Pouco tempo após seu

batismo, foi chamada

para servir como presidente

da Primária do

pequeno grupo que se

reúne na sua cidade.

Oksana é bem

representativa dos

adolescentes da Igreja locais: profundamente envolvidos

no serviço e ávidos para partilhar o evangelho num país

onde a mensagem do evangelho começa agora a se estabelecer.

Em áreas como Khmelnitski, os jovens conversos

são cheios de energia, otimismo e um testemunho

inabalável do evangelho, o que fortalece a Igreja na

Ucrânia.

Esperando o Evangelho

Oksana tinha um testemunho de Jesus Cristo, mas foi

só quando amigos lhe deram um Livro de Mórmon que

adquiriu um testemunho de Seu evangelho restaurado.

“Ao ler as palavras de Jesus Cristo aos nefitas, tive um

sentimento muito forte, e soube que Ele me amava. Orei e

recebi um testemunho de que Ele é o meu Salvador e de

que o Livro de Mórmon é verdadeiro”, relata Oksana.

“Eu sabia que, se Joseph traduzira o Livro de Mórmon e

o Livro de Mórmon era verdadeiro, ele era incontestavelmente

um profeta de Deus e restaurara o evangelho de

Jesus Cristo”, conclui.

Seus amigos lhe ensinaram mais sobre o evangelho

porque não havia na época missionários em Khmelnitski.

Durante quatro anos, ela estudou o evangelho e viveu os

princípios da melhor forma possível, orando pela vinda

dos missionários.

Por fim, em março de 2006, eles chegaram. Oksana e

seu amigo Sasha Kubatov foram as primeiras pessoas batizadas

em Khmelnitski.

Sasha tinha apenas 14 anos quando ganhou um Livro

de Mórmon de suas irmãs mais velhas, que tinham se

filiado à Igreja em outra cidade.

“Elas chamaram atenção para o fato de que eu tinha

14 anos, assim como Joseph Smith ao receber a Primeira

Visão. Ele fora imensamente abençoado ainda bem jovem,


omento

FOTOGRAFIAS CEDIDAS GENTILMENTE POR MYREEL LINTON

e o mesmo poderia acontecer comigo”, diz.

Assim, começou a ler. Leu até chegar

aos capítulos relativos a Isaías em 2 Néfi e

depois parou. Um ano depois, releu o Livro

de Mórmon, mas como documento histórico,

e não com o desejo de saber se era

verdadeiro.

Contudo, quando leu o Livro de Mórmon

pela terceira vez, Sasha se concentrou

menos nos aspectos

históricos e mais na

obra de Deus nele

registrada.

“Ao ler o livro, soube

que era verdadeiro,

mas ainda não tinha

um testemunho firme”,

admite. “Queria conversar

com os missionários.”

Quando os élderes

chegaram alguns anos

depois, sanaram todas

Polônia

•Lviv

Eslováquia •

Khmelnitski

Hungria

Romênia

as suas dúvidas e o ajudaram a se preparar

para ser batizado e confirmado.

“Ao entrar nas águas do batismo, todos os

meus questionamentos desapareceram, e

soube que Joseph Smith era um profeta e

que o evangelho é verdadeiro”, relata. “Não

senti medo, embora soubesse que o restante

da minha vida seria diferente.”

E, de fato, a vida dele agora está muito

diferente. Como mestre familiar, Sasha está

aprendendo a magnificar o sacerdócio que

possui e a servir no reino do Senhor.

Menos de um ano depois de seu

batismo, Sasha batizou a mãe e o avô.

Agora toda a sua família entrou para a

Igreja, e Sasha está animado para levar o

evangelho a outras pessoas.

“Estou preenchendo os papéis para a

missão a fim de pregar o evangelho aonde

for chamado e conduzir as pessoas a

Deus”, entusiasma-se. “Sua obra deve

seguir avante.”

Bielorrússia

Moldávia

•Chernihiv

•Kiev

UCRÂNIA

Mar Negro

Página ao lado:

Oksana Fersanova,

conversa à Igreja

que adora ensinar na

Primária. Um grupo de

crianças em Chernihiv

segura números da

Liahona. À esquerda:

Sasha Kubatov levou o

evangelho à família e

agora está se preparando

para a missão.

Abaixo: O centro da

cidade de Lviv.

Rússia


36

No alto: Depois de ser

batizado aos 16 anos

de idade, Misha contou

o seguinte sobre a confirmação:

“Senti um

poder recair sobre

mim quando as mãos

se impuseram sobre

a minha cabeça, e foi

uma sensação maravilhosa”.

À direita: Misha

batizou a mãe, Olga,

seis meses após seu

próprio batismo.

Abaixo: Os missionários,

membros do ramo

e familiares foram

apoiar Olga no dia de

seu batismo. Página ao

lado: Yuri Voynarovich

adora servir como líder

da missão do ramo e

secretário.

Seguir a Liderança do Senhor

Misha Sukonosov nunca imaginou que,

ao assistir a aulas de inglês dos missionários

em Chernihiv, acabaria sendo conduzido ao

evangelho restaurado de Jesus Cristo. Mas a

mudança ocorreu depois de vários meses

de curso.

Misha adorava o espírito que sentia

ao aprender inglês com os missionários.

E quando, por fim, aceitou o convite de

acompanhá-los às reuniões dominicais,

ficou surpreso ao sentir esse mesmo

espírito na Igreja.

Finalmente, um dos élderes o convidou

a simplesmente fazer o que sabia

ser certo e batizar-se.

Misha sabia que precisaria de muita

coragem para ir de encontro às tradições

familiares. Na Ucrânia, as pessoas são, em

sua maioria, membros desde o nascimento

da religião apoiada pelas autoridades. E a

família dele não era a exceção.

Sua mãe queria que ele adiasse o batismo

por alguns anos, assim ele concordou em

esperar completar 16 anos. Nesse meio

tempo, freqüentou a Igreja semanalmente e

começou a servir como pianista do ramo.

“Isso me motivava a ir todos os domingos,

pois se não comparecesse não haveria ninguém

para tocar”, conta Misha.

Quando a espera finalmente acabou,

Misha foi batizado no Rio Desna, em 1 o de

julho de 2006. Naquela altura, nem fazia

idéia da velocidade com a qual sua família

seguiria o seu exemplo.

Sua mãe, Olga, começou a freqüentar a

Igreja para aprender mais sobre a nova religião

do filho. Ia com tanta freqüência que o

presidente do ramo lhe pediu que tocasse

órgão na reunião sacramental para que o

Misha fosse chamado como regente.


Depois de ouvir por seis meses o testemunho dos

membros, inclusive o do filho, Olga adquiriu o seu próprio

testemunho. Misha batizou a mãe em dezembro de 2006.

Olga ainda toca órgão todas as semanas. Misha, agora

com 17 anos, está sempre atarefado ajudando a presidência

do ramo, servindo como missionário de ramo e

regendo os hinos na sacramental.

“Sei que a Igreja precisa de mim”, reconhece ele. “Sou

muito grato por essas oportunidades de servir. A Igreja me

ajuda quando ajudo os outros.”

Achar a Fé

Em Lviv, cidade do Oeste da Ucrânia, Yuri Voynarovich

e sua família começaram a buscar a verdade quando ele

tinha apenas 10 anos de idade. Ao longo dos anos, visitaram

diversas igrejas. Então, seu tio os convidou às reuniões

de um ramo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos

Últimos Dias, e os pais de Yuri logo foram batizados e confirmados.

“No início, não os acompanhei”, conta Yuri. “Prossegui

minha busca sozinho.”

Mas os pais, que sabiam que a Igreja era verdadeira, não

desistiram do filho. Sempre convidaram Yuri para as aulas

de inglês e atividades dos jovens, bem como para as reuniões

dominicais. Por fim, os próprios missionários o convidaram

para as aulas de inglês.

“Não consegui dizer ‘não’ para eles”, conta Yuri. Assim,

foi. Depois, visitou também a Igreja. E acabou sendo

batizado.

“Desde esse dia, passei por muitas experiências

que fortaleceram e moldaram meu testemunho

e caráter e me transformaram em quem

sou hoje”, declara.

“Vejo muitas pessoas que sofrem

devido a más escolhas que fizeram”,

constata. “Entendo que às vezes é difícil,

devido às tentações e pressão dos amigos,

mas não devemos desistir. No

futuro colhemos as bênçãos resultantes

da obediência.”

Yuri, agora com 17 anos de idade,

serve como líder da missão e secretário

do Ramo de Lviv.

“Sou muito grato pela Igreja e

tudo o que fez por mim”, diz Yuri.

“Amo esta Igreja. Exorto todos a se

apegarem à barra de ferro e nunca a

soltarem.” ■

A LIAHONA JULHO DE 2008 37


Um ano antes da data de publicação de A Liahona: inicia-se

o planejamento. Os artigos são selecionados ou escritos.

38

Já se perguntou como é produzida

A Liahona? Ao examinar

a revista que tem em

mãos, já teve a curiosidade de

saber quem a criou e como foi

esse processo?

Vamos conduzi-lo a uma visita

pelos bastidores das revistas da

Igreja, para que conheça como

são criadas essas publicações.

Enquanto você lê esta revista, já estão sendo feitos planos

para a edição que será impressa daqui a um ano. Na

fase de preparação, os redatores seguem a orientação de

vários membros dos Setenta que, por sua vez, transmitem

os conselhos do Quórum dos Doze Apóstolos e da

Primeira Presidência sobre os

assuntos a serem abordados

para fortalecer os

membros. Com base

na orientação das

Autoridades Gerais,

são escolhidos ou

criados os artigos

para a revista.

Dez meses antes da data de publicação: os artigos escritos por membros da

equipe de redação e por membros das presidências de auxiliares ou por

Autoridades Gerais são editorados. As contribuições dos leitores também são

editoradas nessa fase.

A CRIAÇÃO

das Revis

Os gerentes editoriais de A Liahona e da Ensign conversam

sobre um artigo a ser usado em uma futura edição.

Um redator das revistas

da Igreja em geral tem

curso superior, normalmente

Jornalismo ou

Letras, e vários anos de

experiência em redação,

edição ou publicação.


Nove meses antes da data de publicação:

os artigos são examinados por um comitê

encarregado e pelas Autoridades Gerais.

Os discursos ou escritos do profeta

e outras Autoridades Gerais e líderes

da Igreja podem ser transformados

em artigos.

Membros dos Setenta e da presidência

das auxiliares redigem

artigos para dar suporte aos programas

de estudo da Igreja.

Planejamento de uma Edição

O planejamento sempre começa pela revista

A Liahona, que é publicada em 51 idiomas.

Mensalmente, ela circula em 21 línguas. Nos

idiomas com menos assinantes, a periodicidade

é de quatro a seis vezes por ano. Nas línguas

com um público ainda menor, a revista é

publicada uma, duas ou três vezes por ano.

A Liahona traz artigos para adultos, jovens

e crianças e uma seção local que inclui, entre

outras coisas, notícias voltadas para os membros

de determinada área da Igreja.

Os líderes da Igreja pedem que, na

medida do possível, o conteúdo usado

Oito meses antes da data de publicação: define-se a posição dos artigos na

revista. (O prazo para as revistas Friend, New Era e Ensign são dois ou três

meses mais tarde.)

da Igreja

FOTOGRAFIAS: WELDEN C. ANDERSEN tas

Quatro Principais Fontes de Artigos das Revistas

Os redatores das revistas da Igreja

redigem artigos depois de pesquisarem

um tema ou visitarem os membros

da Igreja de determinado local.

em A Liahona corresponda ao que

figura nas revistas da Igreja publicadas

exclusivamente em língua inglesa:

Ensign, New Era e Friend. Ao planejarem

as edições mensais de A Liahona,

os redatores procuram determinar,

em espírito de oração, quais artigos

são mais necessários para os membros

da Igreja do mundo inteiro. A escolha

dos artigos é submetida à aprovação

das Autoridades Gerais que servem

de consultores no Departamento de

Currículo.

Vocês, leitores, escrevem artigos.

Suas contribuições permitem

que a voz de santos dos

últimos dias do mundo inteiro

seja ouvida nas revistas.

A LIAHONA JULHO DE 2008 39


CONHECER O

PÚBLICO-ALVO

Os membros da equipe

de redação que escrevem e

editoram os artigos para

adultos, jovens e crianças

precisam ter em mente as

diferenças básicas entre os

diversos grupos de nossos

leitores. Quem prepara artigos

para as crianças sabe

que, entre os 6 e os 12 anos

de idade, elas passam por

grandes mudanças em sua

capacidade intelectual e

desenvolvimento emocional.

Os redatores estão cientes

de que isso também acontece

à medida que os adolescentes

amadurecem. Os

produtores de artigos para

adultos procuram lembrar

que seus leitores diferem em

idade, fase da vida, estado

civil e situação familiar.

Além disso, como é

muito complexo procurar

atender às necessidades

de leitores do mundo inteiro,

nossa missão parece quase

impossível. Embora seja

impraticável contemplar

todos os leitores em uma

única edição, empenhamonos

ao longo das edições

de cada ano para fornecer

materiais úteis e inspiradores

para todos os nossos assinantes

em diferentes fases

da vida ou faixas etárias.

40

Sete a oito meses antes da data de publicação: a equipe de design gráfico elabora o projeto visual e faz a

diagramação; desenhos, gravuras e fotografias são encomendados a ilustradores e fotógrafos.

Composição Gráfica e Produção

Redatores de A Liahona e da Ensign

discutem a inclusão e ordem de artigos

em uma futura edição.

Produção

Em qualquer dia do ano, encontramos os

funcionários da equipe de redação preparando

várias edições diferentes para meses

futuros. Vemos diferentes etapas desse trabalho:

desde o planejamento inicial até a revisão

das provas da edição do mês seguinte.

(O centro gráfico da Igreja em Salt Lake City,

Utah, imprime as revistas de língua inglesa e

a maioria das edições de A Liahona.) A redação

e a edição dos artigos de cada número da

revista são concluídas aproximadamente oito

meses antes da data de publicação. Contudo,

se nos três ou quatro meses seguintes houver

eventos que mereçam ser abordados nas

revistas da Igreja, os redatores podem retirar

um artigo que constava da programação prévia

e substituí-lo por um novo.

Todas as revistas da Igreja passam por

várias fases de revisão de conteúdo. Depois

de editorados, os artigos são lidos pelos revisores

encarregados, que incluem membros

dos Setenta. Depois de aprovado, o texto é

Os designers escolhem um formato,

as fotografias e outras obras de arte

para ensinar os princípios espirituais

abordados nos artigos. Aqui, o diretor

de arte de A Liahona mostra

layouts propostos a redatores e

artefinalistas do escritório.

Ao diagramarem os artigos, os

designers gráficos encomendam

ilustrações ou fotografias, conforme

a necessidade, a desenhistas

e fotógrafos profissionais.

encaminhado para a equipe de design gráfico,

que faz a diagramação. Eles podem

escolher fotografias e outras obras de arte já

existentes ou encomendar novas. Como as

páginas da revista A Liahona precisam levar

em conta o fato de que ao ser traduzido para

diversos idiomas o texto pode ficar maior,

cada artigo é concebido com espaço adicional.

Ao fim do projeto gráfico, as páginas são

submetidas à aprovação de membros dos

Setenta e de um ou mais membros do

Quórum dos Doze Apóstolos.

O processo de produção reserva

aproximadamente um mês para a

tradução dos artigos da revista

A Liahona. Os tradutores são

membros da Igreja que moram

em diversos lugares do mundo.

A partir da sede da Igreja, os artigos

de A Liahona são enviados

para os tradutores e recebidos de

volta por meio eletrônico.


Seis meses antes da data de publicação: várias

Autoridades Gerais aprovam o layout dos artigos

de A Liahona. Os artigos são enviados aos

tradutores.

Na extrema direita: Trabalhando por e-mail, os artistas

de produção comunicam-se com tradutores do

mundo inteiro e recebem a aprovação da diagramação

das páginas. À direita: A produção das revistas

em até 51 línguas exige que as páginas sejam diagramadas

no computador e que se faça a revisão

das provas em cada idioma.

Um designer das revistas

da Igreja costuma

ter diploma universitário,

vários anos de

experiência num estúdio

de design e domínio

de vários programas de

computação gráfica e

produção.

Seis meses antes da data de publicação: versões eletrônicas das páginas de

A Liahona, em inglês, começam a ser encaminhadas aos encarregados da préimpressão.

As versões das páginas nos demais idiomas seguem depois de traduzidas

e diagramadas.

Os designers gráficos das revistas da Igreja criam eletronicamente

o layout das páginas de cada artigo em inglês. Os artistas da produção

reproduzem então esses layouts com o texto traduzido.


Dois meses antes da data de publicação: começa a impressão.

As revistas Friend, New Era e Ensign são enviadas depois de

A Liahona às impressoras do centro gráfico da Igreja em

Salt Lake City, Utah.

A impressora digital do centro

gráfico da Igreja, em Salt

Lake City, pode imprimir de 8

a 64 páginas frente e verso,

depois cortar e dobrar as

páginas impressas em “cadernos”

(grandes folhas impressas

de páginas múltiplas que

se dobram, formando as páginas

individuais). Em média, a

impressora digital faz 3.000

impressões por hora. Funciona

24 horas por dia, de segunda

a sábado, com equipes de

quatro pessoas que trabalham

em turnos rotativos.

Esse operador desdobrou um

caderno de 16 páginas e o

está inspecionando para

“registro” adequado (garantir

que as placas de impressão

estejam alinhadas corretamente)

e correspondência

cromática. Essa máquina

imprime todas as cores vistas

nas revistas combinando apenas

quatro cores: azul, vermelho,

amarelo e preto.

42

Um a dois meses antes da data de publicação: algumas edições de

A Liahona são impressas no país de distribuição.

A impressora digital imprime em rolos de papel de mais de 1.200 quilos que contêm

cerca de 24 quilômetros de papel. A impressão da Ensign de junho de 2008 precisou

de 105 rolos de papel — cerca de 2.560 quilômetros. O papel mostrado abaixo está

passando por uma secadora ao sair da

impressora. O papel aparece desfocado

por estar-se movendo em alta velocidade.

Exige-se de um operador

de impressora do centro

gráfico da Igreja pelo

menos cinco anos de

experiência e a conclusão

de um curso de seis

meses a um ano na

Graphic Arts Technical

Foundation.

Idiomas de A Liahona (2008)

Albanês

Alemão

Armênio

Bislama

Búlgaro

Cambojano

Cebuano

Chinês

Cingalês

Coreano

Croata

Dinamarquês

Esloveno

Espanhol

Estoniano

Fijiano

Finlandês

Francês

Grego

Haitiano

Híndi

Holandês

Húngaro

Indonésio

Inglês

Islandês

Italiano

Japonês

Letão

Lituano

Malgaxe

Marshallês

Mongol

Norueguês

Polonês

Português

Quiribati

Romeno

Russo

Samoano

Sueco

Tagalo

Tailandês

Taitiano

Tâmil

Tcheco

Télugo

Tonganês

Ucraniano

Urdu

Vietnamita


Um a dois meses antes da data de publicação: começa a impressão, o armazenamento e a distribuição. As

revistas são enviadas primeiramente para os locais mais distantes de Salt Lake City. Em muitos países, elas

são entregues aos assinantes pelo correio local. Em outros, elas são distribuídas pelas alas e ramos.

Impressão e Distribuição

Os cadernos impressos passam por

uma máquina que os intercala, adiciona

a capa e depois os grampeia.

Em seguida, corta-se o excesso de

papel de cada revista.

Distribuição

As páginas da revista com a diagramação

final são entregues aos redatores para a revisão

das provas impressas. Em seguida, são

enviadas eletronicamente ao centro gráfico,

cinco meses antes da data de circulação, no

caso da revista Liahona em inglês, dois

meses antes, no caso das

edições de A Liahona em

outras línguas, e dois meses antes,

no caso das revistas Ensign, New

Era e Friend. As seções de notícias de

A Liahona vão para o prelo uns dois

meses antes da data de lançamento e, no

caso da Ensign, por volta de um mês antes.

As revistas impressas são acondicionadas e

remetidas para fora dos Estados Unidos e distribuídas

por diversos meios, inclusive pelo

serviço postal local. Nos Estados Unidos, elas

são entregues pelo correio. As revistas são

enviadas, em primeiro lugar, para áreas distantes

e, por último, para os leitores de Utah.

As revistas prontas são acondicionadas

para serem enviadas, por via

aérea ou marítima, do centro de

distribuição central da Igreja em

Salt Lake City.

No armazém em que são

estocados outros materiais

impressos da Igreja, um

empregado inspeciona as

revistas acondicionadas

para envio.

O planejamento prevê que as revistas cheguem

aos destinatários antes do primeiro

domingo do mês da edição, mas pode haver

variações.

Agora que você está com esta revista em

mãos, esperamos que a considere proveitosa

para seu crescimento espiritual. Os artigos

podem versar sobre a saúde física, as finanças

ou outros temas que digam respeito a todos

nesta vida mortal, mas o objetivo principal é

fortalecer os membros da Igreja espiritualmente.

Se tiver comentários sobre os artigos que

ler, teremos a satisfação de recebê-los (ver

nosso endereço à direita). Caso tenha sugestões

sobre como podemos atender melhor

a suas necessidades espirituais, também gostaríamos

de ouvi-las. Tudo o que pudermos

aprender para servir melhor os leitores se

reverterá no seu benefício e igualmente no

nosso. ■

COMO

CONTRIBUIR

COM SEUS

ARTIGOS

Muitos membros não

sabem como enviar contribuições

às revistas da Igreja.

Você pode nos enviar manuscritos

sobre assuntos variados,

mas já deve ter notado

que os artigos que ensinam

o significado da doutrina ou

das escrituras geralmente

são escritos por Autoridades

Gerais.

Seu artigo terá mais chance

de ser publicado se abordar

suas reflexões ou experiências

espirituais. Quando você

escreve sobre coisas que

conheceu e vivenciou, suas

palavras se revestem de veracidade

e autenticidade. Lembrese

de que sua contribuição

deve, via de regra, aplicar-se a

leitores de muitas nações e

culturas.

Se desejar, entre em contato

conosco para saber de

nosso interesse, antes de

escrever um artigo. Dessa

forma, poderemos informarlhe

se o tema condiz com

nossos planos editoriais. O

endereço postal das revistas

da Igreja é Liahona (ou Ensign

ou New Era ou Friend), 50 E.

North Temple St., Rm. 2420,

Salt Lake City, UT 84150-

3220, USA. O endereço

eletrônico é o nome da revista

seguido de @ldschurch.org,

por exemplo:

liahona@ldschurch.org.

A LIAHONA JULHO DE 2008 43


Eu estava ocupada arrumando

minhas coisas, depois de dar

aula para as Meninas-Moças, e

meu marido, Garry, estava no fundo

da sala, com nosso bebê de um ano

no colo. Nosso filho de três anos,

Zach, escapou de nossa vista, foi parar

no corredor cheio de gente e seguiu

alguém até as portas da capela. Como

tanto eu quanto o meu marido achássemos

que o Zach estivesse com o

outro, demoramos alguns minutos

para nos dar conta de sua ausência.

Assim que demos pela falta do

Zach, nós o avistamos no final do

corredor. Mas havia algo de

errado. Seu rosto estava vermelho,

e ele estava chorando

e apertando a mão direita.

Nosso bispo, que tentava

conduzi-lo até onde estávamos,

parecia preocupado.

Tive um profundo

sentimento de culpa. Meu

filho se machucara, e eu não

estava por perto para socorrê-lo.

O bispo ouvira os gritos aflitos

de Zach e correra para acudir.

Imediatamente percebeu o problema,

mas não sabia o que fazer.

Zach havia prendido os dedos no

vão da pesada porta externa da

capela. Tentar abrir ou fechar a porta

apenas piorava a situação: o movimento

apertava ainda mais seus

dedos, prensando-lhe a mãozinha e

provocando imensa dor.

44

VOZES DA IGREJA

Samaritano com

Chave de Fenda

Heidi Bartle

Enquanto o bispo

e um casal da ala tentavamdesesperadamente

achar um meio de

soltar os dedos do Zach,

um irmão de outra ala que

se reunia na nossa capela viu

o que estava acontecendo.

Tirou uma chave de fenda do

bolso e a inseriu no vão entre a

porta e o batente. Depois, usando a

chave de fenda como alavanca, alargou

a fenda o suficiente para soltar

a mão do Zach.

Em meio a suspiros de alívio, o

irmão explicou que, ao se preparar

pela manhã para as reuniões dominicais,

tivera a estranha inspiração de

que devia levar uma chave de fenda

para a Igreja. A impressão fora tão

forte e clara que ele pôs a ferramenta

no bolso da calça do terno.

Aquele bondoso ato de serviço

resultante de uma inspiração celestial

me tocou profundamente e me

encheu o coração de agradecimento.

Oirmão

explicou

que, ao se

preparar pela

manhã para as

reuniões dominicais,

tivera a estranha

inspiração de

que devia levar

uma chave de

fenda para a

Igreja.

O Pai Celestial estava velando por

meu filho de três anos e inspirou

um bom irmão a agir. ■

À Sombra de

Suas Asas

Paul B. Hatch

Logo após haver terminado

meu treinamento básico de

piloto em Phoenix, Arizona,

e de ter cumprido as horas de vôo

solo, recebi permissão para atravessar

o estado, pela primeira vez, desacompanhado.

Isso significaria um trajeto

de duas horas, de Phoenix até

Tucson, e depois, o retorno.

Entusiasmado com a idéia de

FAKKEL

voar sozinho a 3.000 metros de altitude,

contemplando a beleza das

DOUG

nuvens, montanhas, vales e deserto,

nem pensei muito na minha falta de ILUSTRAÇÕES:


experiência e nos possíveis perigos

que poderia enfrentar.

Consultei as previsões meteorológicas,

registrei meu plano de vôo

e peguei o rádio, a bússola e os instrumentos

básicos de vôo. Como

costuma acontecer nessa fase de

treinamento de pilotagem, ainda

não havia recebido instruções sobre

o uso de instrumentos avançados.

No entanto, o velho avião que eu

pilotaria não utilizava nenhum dos

instrumentos sofisticados que permitem

voar sem referências visuais.

Fiquei um pouco nervoso ao decolar

sozinho em meu monoplano

monomotor, mas o vôo de Phoenix

até Tucson transcorreu bem. Vibrei

com minhas novas habilidades.

Eufórico e confiante e com apenas

mais 190 quilômetros pela

Segundos

depois, o

Espírito me

sussurrou: “Confie

no rádio, na bússola

e em seu

painel de instrumentos

e diminua

a altitude”.

frente, decolei de Tucson para

Phoenix ao final da tarde. Contudo,

pouco depois de alçar vôo, fui surpreendido

por fortes ventanias que

dificultavam o controle do avião.

Uma tempestade de areia logo me

envolveu, e não consegui enxergar

mais nada. Impelido de um lado

para outro, perdi o controle e fiquei

totalmente desorientado e em

pânico, pois sabia estar perigosamente

próximo da cadeia de montanhas

Catalina.

Aflito, pensei em minha vida.

Estava noivo e com casamento marcado

para o mês seguinte no Templo

de Mesa Arizona. Cumprira uma

honrosa missão de tempo integral.

Sempre me empenhara para guardar

os mandamentos e ouvir os sussurros

do Espírito Santo. Mais do que

nunca, naquele momento, estava

precisando de orientação divina.

Quase em desespero, fiz uma oração

silenciosa. Segundos depois, o

Espírito me sussurrou: “Confie no

rádio, na bússola e em seu painel de

instrumentos e diminua a altitude”.

Sem tardar, desci várias dezenas

de metros. A visibilidade ainda

estava ruim, mas consegui enxergar,

lá embaixo, uma rodovia e uma ferrovia.

Usando meus instrumentos

e seguindo pontos de referência

visual, por fim consegui aterrissar

no aeroporto de Phoenix após uma

experiência angustiante de duas

horas.

Sempre serei grato pelos sussurros

do Espírito Santo e pela promessa

em Salmos: “À sombra das tuas asas

me abrigo” (Salmos 57:1). ■


A Moedinha do

Muchacho

Natalie Ross

Eu e minha companheira missionária

estávamos decidindo

onde fazer contatos porta a

porta quando vimos uma senhora

entrando em uma casa. Tínhamos

certeza de que estava chegando

para preparar o almoço, pois àquela

hora o subúrbio de Buenos Aires,

Argentina, já estava em peso

fechando as portas para a sesta.

Quase sem nos darmos conta,

minha companheira já estava a ensinar-lhe

um princípio do evangelho,

e eu estava prestando testemunho

de sua veracidade. Narda gostou do

que ouviu e convidou-nos para voltar

na semana seguinte.

Quando chegamos à casa de

Narda, seus cinco filhos estavam

sentados em volta da mesa nos

aguardando. Nem o pai nem a

mãe tinham emprego fixo, e sentimos

um aperto no coração ao

46

percebermos que

mal tinham o bastante

para a sobrevivência.

O chão era de terra batida, não

havia água encanada, e as paredes

consistiam em tábuas unidas precariamente

com pregos. A única fonte

de calor era um pequeno fogão de

uma só boca.

Por mais pobres que fossem,

eram ricos no desejo de aprender

mais sobre Deus. Narda tinha amor

à Bíblia e a estudava, e queria que

os filhos também tivessem

esse alicerce. Cristian, de

doze anos, era um dos que

mais gostava de ouvir as

lições missionárias. Depois

de deixarmos um Livro de

Mórmon com a família,

ele leu os primeiros livros

com grande entusiasmo. O

marido de Narda também

se interessou, mas era

tímido e ouvia do quarto.

Em virtude da situação

financeira deles, relutamos

em ensinar sobre as ofertas

de jejum e o dízimo.

Queríamos que tivessem

um firme testemunho de Jesus

Cristo e da Restauração antes de

apresentarmos princípios que exigissem

mais fé. Mas como os filhos

Sempre que

acho que

não tenho

condições de fazer

as ofertas de

jejum, lembro-me

do Cristian e de

sua fidelidade e

percebo que tenho

mais do que o suficiente

para doar.

mais velhos haviam começado a ler

o Livro de Mórmon e a freqüentar a

Igreja, tinham perguntas que precisavam

ser respondidas.

“Irmã”, perguntou o Cristian, “na

Igreja e no Livro de Mórmon, todos

falam do jejum. O que significa

jejuar?” Ensinamos e testificamos

sobre a importância do jejum e

depois fizemos uma oração silenciosa

para que a família aceitasse

aquele mandamento.

Algum tempo depois, Cristian

nos contou seu testemunho: “Há

poucos dias, minha mãe me deu

dinheiro para comprar doces. A

caminho da loja, lembrei da lição

sobre o jejum e tive vontade de

experimentar. Mas tinha apenas

20 centavos. Decidi jejuar assim

mesmo e guardar aquelas moedinhas

para minha oferta”.

Narda tentou dis-

suadir Cristian, por se

tratar de uma quantia

tão pequena, mas ele

estava determinado.

Queria viver todos os

mandamentos de Deus

e dar o que podia.

Algumas semanas

depois, ele e dois dos

seus irmãos foram batizados.

Os pais se filiaram

à Igreja no ano

seguinte.

Hoje, sempre que

acho que não tenho

condições de fazer as

ofertas de jejum, lembro-me do

Cristian e de sua fidelidade e percebo

que tenho mais do que o suficiente

para doar. A oferta dele me faz pensar


na moeda da viúva (ver Marcos

12:42–44). A contribuição pode ter

sido pequena, mas Cristian a fez porque

verdadeiramente amava a Deus e

queria obedecer. ■

Jesus Visitou

Mesmo as

Américas?

Carlos René Romero

Em 1960, conheci numa festa

um rapaz que me disse

que Jesus Cristo visitara as

Américas após a Ressurreição. Achei

a idéia incrível e quis saber mais,

de modo que comecei a pesquisar

em bibliotecas e a consultar várias

denominações religiosas da minha

cidade de San Miguel, El Salvador.

Procurei durante quase três anos,

mas sem sucesso. Ao comentar com

vários líderes religiosos que ouvira

falar da visita de Cristo às Américas,

disseram-me que eu havia sido enganado.

Como minhas buscas foram

infrutíferas, acabei achando que eles

tivessem razão.

Certo dia, dois missionários da

Igreja de Jesus Cristo dos Santos

dos Últimos Dias vieram à minha

casa e disseram que tinham uma

mensagem importante para a minha

família. Recordei de imediato meus

questionamentos anteriores e perguntei:

“Sabem se Jesus Cristo veio

às Américas?”

Um dos rapazes respondeu:

“Testificamos que sim”.

Naquele momento, senti grande

entusiasmo na mente e no coração e

perguntei: “Como sabem disso?”

Ele tirou um livro da bolsa e

declarou: “Sabemos que Cristo

esteve aqui por causa deste livro,

o Livro de Mórmon”.

O que os missionários ensinaram

naquela primeira palestra me deixou

perturbado, e duvidei do relato da

visão do Pai e do Filho feito pelo

Profeta Joseph Smith. Contudo, o

Livro de Mórmon me intrigava,

e os missionários continuaram as

lições.

Certa tarde, os élderes me perguntaram:

“Orou para saber se o que

estamos ensinando é verdade?”

Respondi que sim, mas que não

obtivera resposta.

“É preciso orar com real intento”,

replicaram.

Eu estivera estudando o Livro

de Mórmon por várias noites e lera

sobre a aparição de Jesus Cristo

aos nefitas e acreditara nela, mas

ainda não conseguia aceitar a visão

de Joseph Smith. Meus conflitos

internos eram terríveis.

Certa noite, ajoelhei-me sozinho e

abri o coração a Deus. Disse que precisava

saber se Ele de fato Se manifestara

a Joseph Smith. Se a resposta

fosse sim, prometi que me batizaria

na Igreja e que O serviria por toda a

vida.

Quando me levantei, na manhã

seguinte, recebi a resposta por meio

do Espírito Santo. Minha mente

ficou límpida e meu coração se

encheu de paz. A partir daquele

momento, não tive mais dúvida

alguma de que Joseph Smith era

mesmo um profeta de Deus, de que

o Livro de Mórmon era outro testamento

de Jesus Cristo e de que

Jesus Cristo é o nosso Salvador e

Redentor.

Sei que Cristo veio às Américas

após Sua Ressurreição. Minha alma

se deleita nesse conhecimento maravilhoso

que me foi transmitido de

modo incontestável pelo poder do

Espírito Santo. ■

A LIAHONA JULHO DE 2008 47


48

A Melhor Decisão

Em dezembro de 2005, minha

mulher e eu recebemos a visita de

alguns parentes que são membros da

Igreja, na Colômbia. Antes de voltar

para casa, meu tio me deu dois presentes

maravilhosos: uma combinação

tríplice e algumas edições antigas

de A Liahona.

Comecei a ler a edição de novembro

de 2004, com os discursos da

conferência geral de outubro. Li “A

Condição da Igreja”, do Presidente

Gordon B. Hinckley, e “Profetas,

Videntes e Reveladores”, do Élder

Jeffrey R. Holland. O testemunho

daqueles grandes homens me

impeliu a começar a ler o Livro

de Mórmon e a Bíblia.

O resultado foi a coisa mais maravilhosa

que já nos aconteceu. Minha

mulher e eu tomamos a melhor decisão

da nossa vida: fomos batizados e

nos tornamos membros de A Igreja

de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos

Dias.

Edgar Henry Muñoz Porras, Colômbia

Preparar o Terreno

Gostaria de externar minha

profunda gratidão pela revista

Liahona. Meu testemunho muito se

fortalece com a leitura atenta de

cada revista inspirada. Em inúmeras

ocasiões, o Espírito Santo me

COMENTÁRIOS

confirmou a veracidade

dos artigos e me encheu

de gratidão.

Devido a essas experiências

espirituais, senti o desejo

de partilhar as mensagens da revista

com outras pessoas. Presenteei um

primo com uma assinatura. Ele me

disse que adora a revista e que sempre

a lê. Espero que isso o ajude a

compreender a importância de fazer

e guardar convênios.

Também envio exemplares de

A Liahona a uma amiga e professora

que mora em outro país. Ela me contou

que gosta da revista e deseja continuar

a recebê-la. É assim

que estou preparando o

terreno para que, um dia,

ela ouça e aceite o evangelho

restaurado.

Penélope B. Woodward,

Texas, EUA

O Espírito da

Conferência

Quando recebo a

edição de conferência

de A Liahona, gosto de ver as fotografias

de cada página. Adoro ver o

rosto das pessoas e todas as várias

fotografias da conferência. Isso me

ajuda a sentir o espírito que reina

no mundo inteiro na época desse

evento. Como são belos todos os

filhos do Pai Celestial! A edição da

conferência sempre me deixa feliz.

Recebam meus agradecimentos por

todo o trabalho feito nos bastidores.

Muito obrigada pela Liahona.

Jung YeJi, Coréia

O Elias Honesto

Gostaria de dizer-lhes o quanto

gostamos de A Liahona. Meu filho

Elias (que na época estava com dois

anos de idade) adorou a história

“O Morgan Honesto”, da edição de

março de 2007. Eu a li para ele várias

vezes. Ele até conseguiu

recontá-la corretamente.

Ficaria muito

grata se continuassem

a publicar historinhas

desse tipo.

Quanto a mim,

sempre leio a Liahona

de capa a capa e

gosto das notícias, dos

artigos e das sugestões.

Obrigada pela oportunidade

de receber esse alimento

espiritual.

Sonja Görgen, Alemanha

Envie seus comentários por e-mail para:

liahona@ldschurch.org. Ou para:

Liahona, Comment

50 E. North Temple St., Rm. 2420

Salt Lake City, UT 84150-3220, USA

O texto das contribuições poderá ser corrigido e

sintetizado por motivo de espaço ou clareza.

FUNDO © COMSTOCK.COM


PARA AS CRIANÇAS • A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS • JULHO DE 2008

OAmigo


A2

PRESIDENTE HENRY B. EYRING

Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência

Osábado é um dia de mercado no mundo

inteiro. Em Gana, no Equador e nas

Filipinas, as pessoas levam seus produtos

agrícolas e suas obras de artesanato para

vender na cidade. Conversam com as pessoas

que encontram no caminho. Entre elas,

há santos dos últimos dias. Grande parte

dos assuntos abordados são os mesmos que

ouviríamos em qualquer lugar do mundo.

No entanto, há uma diferença em relação

aos membros da Igreja. Pode-se notar isso

tanto em seu olhar quanto em suas palavras.

Eles ouvem atentamente com a expressão de alguém

que se importa.

Se a conversa durar mais de alguns minutos, passará

a tratar de temas de profunda importância para

as duas pessoas. Vão conversar sobre o que acreditam

que proporciona felicidade e o que traz tristezas. Às

vezes, as pessoas perguntam aos santos dos últimos

dias: “Por que vocês parecem ter tanta paz na vida?”

Virá então uma resposta serena. Talvez seja sobre o

Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo, que apareceram

ao jovem Joseph Smith. Pode ser sobre o amoroso

ministério do Salvador ressuscitado, conforme descrito

no Livro de Mórmon.

Pode ser que vocês perguntem: “Como fazer isso?

Como posso compartilhar melhor a minha fé?”

Estudei cuidadosa e fervorosamente o exemplo de

algumas pessoas que são testemunhas fiéis e eficazes

do Salvador e de Sua Igreja. Não há um modo único

de agir. Algumas levam sempre consigo um Livro de

Mórmon para oferecer. Outras estabelecem uma

VINDE AO PROFETA

ESCUTAR

A DÁDIVA DO EVANGELHO

O Presidente Eyring

nos incentiva a

partilhar o

evangelho.

data para encontrar alguém para ser ensinado

pelos missionários. Mas cada uma

dessas pessoas orou para saber como

proceder.

Para agirmos de modo adequado e eficaz,

precisamos tornar-nos semelhantes a esses

irmãos em pelo menos dois aspectos.

Primeiro, eles sentem que são filhos amados

de um Pai Celestial amoroso. Por causa disso,

oram a Ele com freqüência e facilidade.

Segundo, as pessoas que falam facilmente

do evangelho são gratas seguidoras de Jesus

Cristo. Dão grande valor ao que o evangelho

significa para elas. A lembrança da dádiva que

receberam faz com que anseiem que os outros também

a alcancem. Sentiram o amor do Salvador.

Orem pela oportunidade de encontrar pessoas que

aspiram a algo melhor na vida delas. Orem para saber o

que podem fazer para ajudá-las. Suas orações serão respondidas.

Vocês conhecerão pessoas preparadas pelo

Senhor. E vão sentir-se mais próximos do Pai Celestial,

conscientes de terem feito o que Ele lhes pediu, porque

Ele os ama e confia em vocês. ●

Extraído de um discurso da conferência geral de abril de 2003.

COISAS EM QUE PENSAR

1. A seu ver, o que significa “ouvir atentamente com a

expressão de alguém que se importa”? Como isso faz parte

do processo de compartilhar o evangelho?

2. Como você pode se sentir mais perto do Pai Celestial e

saber que é filho Dele?

3. Por que você é grato por ser membro da Igreja?

Consegue pensar em pessoas que talvez estejam procurando

as mesmas bênçãos na vida delas?

ILUSTRAÇÃO: SHERI LYNN BOYER DOTY


Ore para ter

oportunidadesmissionárias.

Convide

seus amigos

para atividades

da

Igreja.

Seja

um bom

exemplo.

Compartilhe

o evangelho

com os

outros.

Nota: Se não quiser

arrancar páginas da

revista, copie esta atividade

ou imprima-a da

Internet em www.lds.org.

Para o inglês, clique em

“Gospel Library”. Para os

demais idiomas, clique

em “Languages”.

Seja um

bom

amigo.

Um Lar que Prega o

Evangelho


ILUSTRAÇÕES: THOMAS S. CHILD

“E, se (…) trouxerdes a mim mesmo que seja

uma só alma, quão grande será vossa

alegria” (D&C 18:15).

LINDA CHRISTENSEN

§O Apóstolo Paulo foi um grande

missionário. Ele disse: “Não me

envergonho do evangelho de

Cristo” (Romanos 1:16). Viajou por muitos

lugares para pregar o evangelho. Sentia alegria

ao proclamar o evangelho e ao ajudar as

pessoas a serem felizes.

Samuel, irmão do Profeta Joseph Smith, foi o primeiro

missionário nos últimos dias. Desde aquela

época, mais de um milhão de homens e mulheres

serviram como missionários. Cada missionário, como

Samuel Smith e Paulo, tem um testemunho do evangelho

e quer partilhá-lo com os outros.

O Presidente David O. McKay (1873–1970) disse:

“Todo membro é um missionário”. 1 Isso quer dizer que

você pode ser um missionário agora! Partilhar o evangelho

com as pessoas ajudará você a ter em mente o seu

convênio batismal de recordar sempre de Jesus Cristo.

Lembre-se destas palavras:

Um missionário já eu posso ser,

Não preciso esperar crescer.

Um bom exemplo sempre eu serei

E, assim, que tenho um testemunho mostrarei;

Que tenho um testemunho mostrarei. 2

Atividade

Retire a página A4. Recorte a casa e as cinco janelas.

Cole cada janela no respectivo contorno existente na

casa da família que prega o evangelho. Com a sua família,

converse sobre as idéias da casa. Decidam juntos o

que podem fazer para ser missionários desde já.

Coloque a ilustração do lar que prega o evangelho num

local bem visível para toda a família.

NOTAS

1. Conference Report, abril de 1959, p. 122.

2. “Um Missionário Já Eu posso Ser”, Músicas para Crianças, p. 90.

TEMPO DE

COMPARTILHAR

Um Missionário Já Eu Posso Ser

Idéias para o Tempo de Compartilhar

1. Reúna objetos para tarefas simples que exijam

preparação para serem realizadas. (Por exemplo:

lavar a louça — objetos como sabão e pano de prato;

cozinhar — uma receita e ingredientes.) Prepare

uma bolsa com uma tarefa diferente para cada

grupo. Peça a um deles que abra a bolsa, determine

qual tarefa precisa ser realizada e explique por que

cada artigo é necessário para isso. Convide cada

classe para fazer uma apresentação ao restante da

Primária. Explique às crianças que, assim como

precisamos de certas coisas para nos preparar para

realizar uma tarefa, devemos fazer certas coisas para nos preparar

para ser bons missionários. Coloque as fotografias 605 (Um

Menino Orando) e 617 (Examinar as Escrituras) do Pacote de

Gravuras do Evangelho no quadro-negro e escreva embaixo delas:

“Vou me preparar para ser um missionário orando e lendo as

escrituras todos os dias”. Peça às crianças que digam como a prática

desse princípio pode prepará-las para a missão. Resuma a

história de Alma, o Filho, e dos filhos de Mosias. Ajude as crianças

a acharem Alma 17:2–3 e leiam juntos essa passagem. Sublinhe

as frases “haviam examinado diligentemente as escrituras para

conhecerem a palavra de Deus” e “haviam-se devotado a muita

oração”. Preste testemunho do poder da oração e do estudo

diário das escrituras e de como isso pode nos preparar para ser

missionários.

2. Ponha num recipiente vazio a etiqueta “Fiel e Obediente”.

Prepare vários estudos de caso sobre a fé e a obediência para

as crianças menores e as maiores (ver Ensino, Não Há Maior

Chamado [1999], pp. 161–162). Comece o tempo de compartilhar

escrevendo no quadro-negro: “Vou me preparar para ser um missionário

sendo fiel e obediente”. Leia essa frase com as crianças.

Peça a alguém que escolha um estudo de caso. Deixe a criança

ou a classe responder o que fazer. Ressalte que a resposta exige

fé e obediência e deixe a criança pôr alguns pequenos objetos

(grãos de feijão ou pedrinhas, por exemplo) no recipiente. Depois

de cada estudo de caso, cante “Seguindo a Jesus, verdade e luz

ao mundo anunciarei”, de “A Igreja de Jesus Cristo” (Músicas

para Crianças, 48). A frase “verdade e luz ao mundo anunciarei”

significa que seremos missionários. Continue até encher o

recipiente. ●

O AMIGO JULHO DE 2008 A5


A6

Em 1831, Joseph e Emma

viajaram para Kirtland,

Ohio. Quando chegaram à

loja de Newel K. Whitney,

Joseph saltou do trenó para

cumprimentar aquele membro

da Igreja que ainda não

conhecera pessoalmente.

Sou Joseph, o

Profeta. Você orou para

que eu viesse até aqui.

DA VIDA DO PROFETA JOSEPH SMITH

Joseph Muda-se para Ohio

O que deseja

de mim?

Newel K. Whitney!

Era você que eu estava

procurando!

Joseph tivera uma visão da família Whitney

orando para que ele fosse a Kirtland.

Reconheceu o Irmão Whitney por causa

daquela visão.

Joseph e Emma ficaram hospedados na

casa do casal Whitney durante algumas

semanas.

Nessa época, a Igreja contava

com cerca de 400 membros.

A maioria deles morava em

Kirtland. Outros membros

mudaram-se para lá a fim de

ficarem perto do Profeta.

Joseph!

Você leva vantagem

sobre mim. Não

sei o seu nome, mas

você sabe o meu.

Este é o

Profeta Joseph.

Joseph!

ILUSTRAÇÕES: SAL VELLUTO E EUGENIO MATTOZZI


Alguns meses depois, Joseph e sua família

mudaram-se para Hiram, Ohio, onde ele e

Sidney Rigdon teriam tranqüilidade para

dedicar-se à revisão inspirada da Bíblia.

Os santos trabalharam com

afinco e fizeram muitos sacrifícios

para edificar o templo.

Joseph e a família moraram em Hiram durante um ano.

Quando Joseph voltou para Kirtland, o Senhor deu aos

santos o mandamento de construir um templo naquele

lugar. Joseph teve uma visão de como deveria ser o templo.

Por fim, os santos terminaram o

belo templo. Joseph dedicou-o em

27 de março de 1836.

Adaptado de Lucy Mack Smith, History of Joseph Smith, ed. Preston Nibley (1979), p. 230; Keith W. Perkins,

“From New York to Utah: Seven Church Headquarters”, Ensign, agosto de 2001, pp. 54–55; “House of Revelation”,

Ensign, janeiro de 1993, p. 33. Ver também Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith (2007),

pp. xvii–xviii, 11, 13–14, 159–160, 199, 207–208, 271–273, 307–308.

Tenho o projeto da casa do

Senhor, que Ele próprio

me confiou.

Realizamos esta obra em

meio a grandes provações e, apesar

de nossa pobreza, doamos de nosso

próprio sustento para erguer uma casa

ao nome do Senhor.

O AMIGO JULHO DE 2008 A7


A8

Em 1856, a primeira companhia de

carrinhos de mão de pioneiros da

Igreja começou a jornada rumo ao

Vale do Lago Salgado. Nos quatro anos

seguintes, mais de 3.000 pessoas puxaram

e empurraram carrinhos de mão

ao longo das planícies dos Estados

Unidos. Para fazer o seu próprio carrinho

de mão, siga estas instruções. Ao

preparar a bagagem, pense no que

você teria carregado na viagem.

CRIE O SEU PRÓPRIO

CARRINHO DE MÃO

Instruções

Retire estas páginas da revista, cole-as em cartolina e recorte os pedaços.

Para fazer o fundo e as laterais do carrinho de mão, dobre os lados, a frente

e traseira do desenho parecido com um caixote e cole as orelhas deixadas

para facilitar a montagem. Cole uma roda e um cabo de cada lado para

puxar o carrinho. Cole a barra transversal na extremidade dos cabos. Dobre

as bordas do restante das figuras para que fiquem de pé. Ponha o pai e a

mãe do lado de dentro da barra transversal. (Cole o braço do pai fora do

cabo para que pareça que ele está puxando o carrinho.) Ponha a filha e os

mantimentos em cima do carrinho e coloque o filho onde possa ajudar a

empurrar. Não se esqueça de pendurar a panela no fundo!


ILUSTRAÇÕES: VAL BAGLEY

Nota: Se não quiser arrancar

páginas da revista, copie esta

atividade ou imprima-a da

Internet em www.lds.org.

Para o inglês, clique em

“Gospel Library”. Para os

demais idiomas, clique em

“Languages”.

O AMIGO JULHO DE 2008 A9


A10

De uma entrevista

com o Élder Paul K.

Sybrowsky, dos

Setenta, que serve

atualmente como

presidente da Área

Austrália, realizada

por Melvin Leavitt.

DE UM AMIGO

PARA OUTRO

Filhos e Filhas

de Deus

“Não temos nós todos um mesmo Pai?”

(Malaquias 2:10).

Nasci de bons pais. Meu pai e minha

mãe respeitavam os valores de honestidade

e integridade ensinados pelo

evangelho, mas não eram ativos na Igreja.

Mas como meus amigos iam à Primária, eu

os acompanhava. Sentia-me feliz lá e nunca

tinha vontade de faltar.

A Primária se tornou a minha família da

Igreja. Todas as semanas, eu ia à reunião

sacramental com os meus amigos da

Primária. Não compreendia totalmente o

significado do sacramento, mas sabia que

sentia algo especial quando o tomava.

Entendi os sentimentos ligados a um convênio

antes mesmo de aprender essa palavra.

Quando fiz 12 anos, meu quórum do

Sacerdócio Aarônico se tornou minha

segunda família da Igreja. Sentia grande

amor e reverência pelo sacerdócio. Como

presidente do quórum de diáconos, dirigia

as reuniões do quórum e, quando era

ordenado um novo diácono, eu lhe dava

as boas-vindas com um pequeno discurso.

Lembro-me de dizer nessas ocasiões:

“Este é o sacerdócio de Deus. Você precisa

honrá-lo”.

Depois da escola secundária, alistei-me

no exército. Meu oficial comandante deume

a oportunidade de me tornar oficial

comissionado do Exército dos Estados

Unidos. Ele era gentil, mas também muito

grande e imponente. As pessoas não conseguiam

recusar seus pedidos. Perguntei

se poderia pensar no assunto em casa.

Orei naquela noite e veio-me à mente

a oração batismal que se encontra em

Doutrina e Convênios 20:73: “Tendo sido

comissionado por Jesus Cristo, eu te

batizo em nome do Pai e do Filho e do

Espírito Santo”.

Na manhã seguinte,

disse ao oficial

comandante

que decidira

aceitar uma

comissão, mas

que seria comissionado

pelo Pai

Celestial e Seu

Filho, Jesus Cristo.

Expliquei que ia servir

como missionário para

a minha Igreja.

A sensação de receber

resposta a essa oração foi


ILUSTRAÇÃO: ROBERT A. MCKAY; FOTOGRAFIA GENTILMENTE CEDIDA PELA FAMÍLIA SYBROWSKY

O Élder Sybrowsky com a família em 2006.

maravilhosa e vivenciei-a várias outras vezes ao orar

sobre decisões importantes. Tenho a impressão de sempre

ter tido consciência de que o Pai

Celestial e Jesus Cristo me conhecem

e me amam. Minha conversão deve

ter começado assim que passei a

freqüentar a Primária e lá senti o

Espírito. Isso continuou nos

meus quóruns do Sacerdócio

Aarônico e no campo missionário.

E prossegue ainda hoje.

Somos todos filhos do Pai Celestial. Ele nunca Se

esquece disso, mas nós, às vezes, sim. Por isso Ele nos

deu o princípio da fé para nos lembrar. Para nos ajudar a

desenvolver fé Nele, o Pai Celestial nos concede o dom

da experiência. Ao pensar na minha vida até agora, sinto

gratidão pelas experiências que ajudaram a aumentar a

minha fé.

Aproveitem as experiências que o Pai Celestial

lhes conceder. Aprendam com

elas o que Ele deseja que aprendam.

O Pai Celestial dá a cada

um de nós experiências que

ajudarão a fortalecer nossa

fé Nele e em Seu Filho.

Se algumas de suas experiências

forem tristes, lembrem

que vocês são filhos

do Pai Celestial e que Ele

os ama. Essa é uma âncora

segura que nunca será removida.

Jamais! Ela é eterna

e está fincada no plano

de salvação. Apeguemse

a ela custe o que

custar. ●


“Os missionários

mais eficazes, tanto

membros quanto de

tempo integral, sempre

agem por amor”.

Élder Dallin H. Oaks,

do Quórum dos

Doze Apóstolos,

“Compartilhar

o Evangelho”,

A Liahona, janeiro

de 2002, p. 8.

A12

“É por meio de coisas pequenas e

simples que as grandes são realizadas”

(Alma 37:6).

RENEÉ HARDING

Inspirado numa história verídica

Todos na terceira série concordavam,

inclusive eu, que a Christy era a

melhor nos jogos de balanço e trepatrepa.

Ninguém subia mais rápido ou

balançava tão alto quanto ela. E também

era imbatível nos jogos com bola. Mas,

para mim, o mais importante era que eu

e a Christy éramos boas amigas. Certo dia

na escola, durante o recreio, ela me perguntou:

“Quer ir à Primária comigo?”

Eu nunca ouvira falar da Primária antes.

“O que é isso”?, indaguei.

A Christy explicou: “A Primária é algo

especial na minha Igreja, apenas para as

crianças. Se você for, vai cantar músicas,

fazer amigos, aprender coisas novas e

conhecer a minha professora da

Primária, que é um amor de

pessoa”.

“Tanto quanto a Sra.

Palmer?”, perguntei,

Quer Ir

à Primária

Comigo?

convencida de que nenhuma professora

poderia ser tão simpática quanto a nossa

da terceira série.

A Christy deu uma risada. “É sim! Tão

simpática quanto a Sra. Palmer”.

Depois da aula, corri para casa e perguntei

a minha mãe se poderia ir à Primária. Ela

não ficou tão entusiasmada com a idéia

quanto eu. “Preciso me informar um

pouco mais”, avisou. “Qual é o

nome da igreja da Christy?”

Foi uma pergunta difícil

para começar e eu disse a

minha mãe: “Não lembro.

É um nome

comprido que

nunca ouvi

antes”. Ao ver a

expressão de preocupação

da minha mãe,

percebi que não era um

bom sinal.

“Espere aí. Vou telefonar

para a Christy agora mesmo!” Corri

para o telefone e disquei o número dela

antes de minha mãe poder dizer qualquer

outra coisa.


ILUSTRAÇÕES: STEVE KROPP

O telefone tocou duas

vezes antes de Christy atender.

“Alô?”

“Christy!”, exclamei. “Qual é

mesmo o nome da sua igreja?” Ouvi

com atenção e depois repeti: “Mãe, o

nome da igreja da Christy é A Igreja de

Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

Como a fisionomia da minha mãe não

mudou, eu sabia que precisava de ajuda.

Perguntei pelo telefone: “Christy, acha

que a sua mãe poderia falar com a minha

sobre a Primária?”

Acho que a Christy sentiu o desespero

da minha voz, pois exatamente cinco

segundos depois sua mãe estava na linha.

Em poucos instantes minha mãe e a da

Christy estavam conversando e rindo como

velhas amigas. Então, a minha mãe disse à

mãe da Christy que, sim, eu poderia ir à

Primária!

Quando fui à Primária pela primeira

vez, vi que tudo era como Christy havia

descrito, e ainda melhor. A Christy tinha

mesmo razão: a nossa professora da

Primária era excelente. Tanto quanto a

Sra. Palmer. Até me deu um livreto.


A14

Voltei para casa naquele dia e mostrei o livro a minha

mãe e lhe contei tudo o que vira na Primária. Até cantei

a música “Olá” (Músicas para Crianças, 130) para ela e

meus dois irmãos, assim como todas as crianças tinham

cantado para mim. Ao olhar a gravura de Jesus Cristo na

capa do meu livreto e ler algumas páginas, minha mãe

ficou com um olhar sereno e pensativo. Então, disse

que eu poderia ir com a Christy para a Primária todas as

semanas, se eu assim quisesse.

Eu queria muito, mas acabei indo apenas mais algumas

vezes, pois entramos de férias de fim de ano e

nossa família viajou. Pusemos as bagagens no carro e

percorremos os quase 3.000 quilômetros que separam

a Califórnia da fazenda da minha avó no Illinois.

No segundo dia de viagem, ao passarmos por Utah,

vimos painéis na estrada com o nome da igreja da

Christy. Eles convidavam as pessoas a verem algo chamado

Centro de Visitantes de Salt Lake City. Minha mãe

disse que gostaria de ir lá para conhecer melhor a Igreja.

Quando entramos no centro de visitantes, fomos

saudados por um homem gentil com uma plaqueta

com seu nome. Enquanto ele nos mostrava o local, a

minha mãe fez muitas perguntas, e ele respondeu a

todas com muito entusiasmo.

Ao fim da visita, minha mãe

deixou por escrito no livro de

visitantes seu nome e endereço

e marcou “sim” na opção

ao lado, indicando assim, que

gostaria de receber mais informações

sobre a Igreja.

Quando voltamos das férias, dois

rapazes que chamavam a si mesmos de

élderes vieram ao nosso apartamento. Disseramnos

que eram missionários que tinham recebido do

Centro de Visitantes de Salt Lake City o pedido da

minha mãe de informações sobre a Igreja. Indicaram

que teriam grande prazer em ensinar a nossa família

sobre o plano do Pai Celestial e o evangelho de Jesus

Cristo. Foi então que os missionários começaram a

ensinar a nossa família.

Na primeira vez que fomos à Igreja juntos, eu disse a

minha família que deveríamos cruzar os braços quando

entrássemos na capela. Eu tinha aprendido na Primária

que essa era uma maneira de demonstrar reverência.

Naquele dia, todos tentamos manter os braços cruzados,

mas como muitas pessoas vieram apertar nossa

mão e nos dar as boas-vindas à Igreja, não foi possível

por muito tempo.

Ao fim das lições com os missionários, perguntaram

a minha mãe se ela gostaria de ser batizada e se tornar

membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos

Dias. Ela respondeu que precisava orar a respeito.

Na manhã seguinte, às 6h da manhã, telefonou para os

élderes e disse que orara a noite inteira para saber se

deveria ser batizada e a resposta tinha sido afirmativa!

Eu e meus irmãos também dissemos que queríamos

ser batizados.

Ainda me lembro de quando entrei na água da

fonte batismal. Estava vestida de branco e sentindo

tanta felicidade interior que tive vontade de rir e gritar

ao mesmo tempo. Olhei para cima e vi minha mãe

chorando de alegria. Em seguida, olhei para a Christy,

que estava tão animada quanto eu, pois na verdade

tudo começara com sua pergunta: “Quer ir à Primária

comigo?” ●


ILUSTRAÇÃO FOTOGRÁFICA: MATTHEW REIER

Há alguns anos, nossa família resolveu fazer um

jejum especial pelas vítimas de uma catástrofe

natural ocorrida num país distante. Sugeri que,

após o jejum, doássemos ao fundo humanitário da

Igreja as moedas das nossas jarras de economias.

Temos em casa duas jarras em que colocamos moedas.

Uma delas é a jarra da cortesia: sempre

que alguém ajuda o outro ou faz uma boa

ação, coloco uma moeda lá dentro.

No fim do ano, costumamos usar o

dinheiro dessa jarra para realizar um

passeio em família. A outra é a jarra da

descortesia: sempre que alguém eleva o

tom de voz ou briga, precisa pôr nela uma

moedinha. Esse dinheiro é doado a

crianças carentes.

PROCURAR SER COMO JESUS

Jejum da Família

“Quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12).

Quando demos início ao jejum, começamos

também a contar nossas moedas. O Leonardo, de

nove anos de idade, foi buscar o seu próprio cofrinho.

Esvaziou-o por completo e ainda separou alguns de

seus brinquedos, dizendo que queria doá-los também.

A Mariana, de 12 anos, também acrescentou de seu

próprio dinheiro à doação. Embora a soma oferecida

pelas crianças fosse modesta, era tudo o que

possuíam.

O jejum é um sacrifício para o Leonardo

e a Mariana, assim como abrir mão do dinheiro

da jarra. Mas quando os vi contribuir com as

suas próprias economias, tive a confirmação

de que se importavam de verdade

com os filhos do Pai Celestial

que sofriam do outro lado

do mundo. ●

Regina Moreira Monteiro, Brasil

O AMIGO JULHO DE 2008 A15


A16

PÁGINA PARA COLORIR

COMO EU SEI QUE SOMOS TODOS FILHOS DE DEUS, VOU PARTILHAR O EVANGELHO COM OS OUTROS

“E, se trabalhardes todos os vossos dias clamando arrependimento a este

povo e trouxerdes a mim mesmo que seja uma só alma, quão grande

será vossa alegria com ela no reino de meu Pai!” (D&C 18:15).

ILUSTRAÇÕES: APRYL STOTT


Estátua de bronze de Samuel H. Smith: Dee Jay Bawden

Samuel H. Smith, irmão fiel de Joseph e Hyrum Smith, foi um dos primeiros missionários

da Igreja. Do primeiro semestre de 1830 até dezembro de 1833, Samuel caminhou mais de

6.400 km distribuindo os exemplares do Livro de Mórmon que levava na mochila.

O dia 13 de março de 2008 marca o bicentenário do nascimento de Samuel.


From Our Hands

to Yours, p.38

Meet President Eyring and

President Uchtdorf, pp. 6, 14

The 40-Kilometer Walk

to Church, p. 22

God Can Guide Nations—

He Can Guide You, p. 30

A Nine-Year-Old Missionary,

p. F12

Já se perguntou como é produzida A Liahona? Ao

examinar a revista que tem em mãos, já teve a

curiosidade de saber quem a criou e como foi

esse processo? Vamos conduzi-lo a uma visita pelos

bastidores das revistas da Igreja, para que conheça

como são criadas essas publicações. Ver “A Criação

das Revistas da Igreja”, p. 38.

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