Hora de abrir a “Caixa Preta” do Transporte - Sintraturb

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Hora de abrir a “Caixa Preta” do Transporte - Sintraturb

JORNAL

DO ÔNIBUS

Total descaso

no Terminal

Rodoviário da

Cidade

>> Estrutura antiga, falta

de manutenção e bagunça

imperam em local público

[pag. 2]

número 51 > setembro de 2011

www.sintraturb.com.br

Hora de abrir a “Caixa

Preta” do Transporte

>> Edição 51 do Jornal do Ônibus fala

dos problemas do transporte em Garopaba

Patrões não querem

negociar com

trabalhadores

>> Motoristas e cobradores de ônibus da

empresa Garopaba vivem em péssimas

condições de trabalho [pag. 4]

Falta de segurança

para usuários

é constante no

transporte

>> Ônibus velhos e pontos de

ônibus sem abrigo complicam

vida de quem anda de ônibus

[pag. 3]


2

Editorial

Vamos abrir o olho,

povo de Garopaba

Nosso município e sua região

é um verdadeiro TESOURO

NATURAL. Aquela antiga vila

de pescadores começa dar lugar

a uma CIDADE, com todos os

benefícios e problemas que isso

significa. É legal essa mistura

dos nativos com gente que vem

de fora para morar, trabalhar,

montar negócios, enfim, VIVER

neste lugar. O comércio fica

mais forte e sofisticado, assim

como muitos outros ramos da

economia. Aparentemente a

cidade se moderniza: edifícios

maiores, carrões pelas ruas,

gente circulando, algumas

obras públicas.

A quem chame isso de

“progresso”. Em poucos casos

pode até ser. Mas vamos ficar

atentos. Ninguém vai PARAR

a história e a vida, porém é necessário

PARAR PRA PENSAR

a história e a vida. Junto com

mais gente e “negócios”, vem

problemas que antes também

não existiam. E muitos dos

problemas que já estavam por

aqui, ficam ainda piores. l

Expediente

JORNAL DO ÔNIBUS é uma publicação do Sindicato

dos Trabalhadores em Transporte Urbano,

Rodoviário, Turismo, Fretamento e Escolar de

Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis

(Sintraturb).

BASE TERRITORIAL: Águas Mornas, Angelina,

Anitápolis, Antônio Carlos, Biguaçu, Canelinha,

Florianópolis, Garopaba, Governador Celso Ramos,

Leoberto Leal, Major Gercino, Nova Trento,

Palhoça, Paulo Lopes, Rancho Queimado, São Bonifácio,

São João Batista, São José, São Pedro de

Alcântara, Santo Amaro da Imperatriz e Tijucas.

ENDEREÇO: Avenida Mauro Ramos, 72, Centro,

Florianópolis. Fone/Fax: (48) 3286-5300

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TIRAGEM: 1.500 exemplares

IMPRESSÃO: Diário Catarinense

SUA VIDA

CAMPANHA SALARIAL

número 51 > setembro de 2011

O caso do transporte

em Garopaba

>> Transporte coletivo

s e m p r e f o i r u i m ,

deficiente e caro na

r e g i ã o . T e r m i n a l

Rodoviário está obsoleto

e caindo aos pedaços.

Garopaba

MOBILIDADE URBANA é um

dos termos da moda. Especialistas

e políticos não falam de outra

coisa. Lamentavelmente, nos dois

casos, a grande maioria é oportunista

e só pensa em lucros e poder.

O povo e o ambiente são detalhes,

aliás, se existisse uma forma de

simplesmente eliminar a maioria

do povo, é o que fariam.

Vem sendo assim em todas as

cidades. Muito discurso, promessas,

obras milionárias no papel.

Na prática, mesmo em cidades

ainda pequenas, como a nossa, o

que mais aparece é a violência urbana

(e não é só assaltos, drogas e

homicídios), os engarrafamentos,

a falta de estrutura viária e dos

serviços públicos, acúmulo de

lixo, esgoto nos mananciais de

água e no mar, poluição visual e

ruídos. Queremos chamar atenção

da comunidade enquanto é

tempo, enquanto ainda tudo tem

solução, enquanto muito do que

deu errado em outros lugares

ainda pode ser evitado por aqui.

Prevenir sempre foi melhor que

remediar.

Mas, nosso JORNAL DO ÔNI-

BUS fica mais restrito a falar de

ônibus, de transporte coletivo de

passageiros. Este é um daqueles

problemas que JÁ ESTÁ por aqui

há muito tempo.

O transporte coletivo sempre

foi ruim, deficiente e CARO. Sim,

caro porque a grande maioria

dos(as) usuários(as) tem baixa

renda, mas também porque a

QUALIDADE DO SERVIÇO é

péssima. O serviço que é oferecido

não deveria ser aceito nem

de graça.

Como grande parte da população

ainda NÃO DEPENDE do

transporte coletivo, não utiliza o

ônibus ou o utiliza só de vez em

quando, a sociedade ainda não

abriu os olhos para a vergonhosa e

escandalosa situação do transporte

em nossa cidade. E não é muito

diferente no caso de ligação com

as cidades vizinhas, mesmo para

Florianópolis. l

JORNAL DO ÔNIBUS

Até colchões e varal estão no Terminal Rodoviário de Garopaba

E o Terminal Rodoviário?

Nosso terminal rodoviário está

ultrapassado e obsoleto. Ninguém

precisa de luxo e ninguém quer um

“elefante branco” de manutenção

cara para a comunidade. Por outro

lado, não dá pra aceitar o que temos

hoje.

Há duas semanas, passamos uma

parte do dia no local, conversando

com os trabalhadores e passageiros

que ali aguardavam seu horário de

viagem. As reclamações são comuns:

falta de horários, local sujo e mal

cuidado, os banheiros também sujos

e com mau cheiro e no masculino

não tinha papel/toalha para secar as

mãos. Seguranças? Nenhum(a).

O número de bancos é insuficiente

e quando o movimento aumenta um

pouco mais, uma parte das pessoas

tem que aguardar em pé. O seu entorno

é vergonhoso, cheio de mato,

lama e poças de água parada, calçadas

esburacadas. É preciso lembrar

ao Poder Público de que esta é uma

das principais PORTAS DE ENTRA-

DA E SAÍDA de nossa cidade, ou

seja, é esta imagem ruim, de falta de

cuidado, que as pessoas se deparam

quando chegam e levam quando vão

embora. l


JORNAL DO ÔNIBUS número 51 > setembro de 2011 NOVA DIRE’ÇÃO SINDICATO 3

Descaso com o povo

trabalhador

Trabalhador do transporte até lava ônibus; abuso e acúmulo de função

>> Maioria dos pontos

de ônibus nem ao menos

p o s s u e m c o b e r t u r a

para que passageiros se

abriguem da chuva e do

sol

O povo sofre ainda com problemas

mais graves. A esmagadora

maioria dos pontos de ônibus

NÃO TEM COBERTURA. A espera

é “se molhando” quando chove

ou “torrando” quando tem sol.

Sem nem um telhadinho, bancos

então, nem se fala. Nos bairros/

comunidades mais afastados,

nem placa de sinalização existe.

A falta de horários e linhas piora

ainda mais a situação. Neste dia

de fiscalização, por exemplo, próximo

ao Centro tentamos entrar

no ônibus que fazia a linha Campo

Duna, mas estava TÃO LOTADO

que o melhor foi desistir.

Ônibus ou carroças?

E a Segurança?

Garopaba

Os veículos são um atentado a

vida de quem está dentro e fora.

São ônibus velhos e sem manutenção

adequada, sujos e mal

cuidados, com pneus em péssimo

estado e condições mecânicas

precárias. O barulho interno é

infernal. Por lei e medidas de segurança

NÃO PODERIAM MAIS

ESTAR EM USO.

Agora considere o fato de que os

motoristas trabalham até 14 horas

por dia, sem descanso adequado.

Essa combinação de péssimos

veículos e motoristas cansados

poderá terminar em tragédia, que

são diariamente evitadas porque

são bons profissionais.

De nossa parte, vamos registrar

B.O. na Polícia, porque não podemos

ser coniventes. A responsabilidade

de qualquer tragédia é do

patrão explorador e dos políticos

irresponsáveis. Onde está a fiscalização

da Prefeitura?

A escravidão ainda não

terminou?

Tem trabalhadores que iniciam

sua jornada diária às 06:00 h e

terminam por volta das 22:00 h.

São aproximadamente 16 horas

por dia a disposição do patrão sacana.

Considere a hora de acordar

para trabalhar e de dormir após

largar o veículo.

Quantas horas de DESCANSO

TÊM esses trabalhadores? A lei

diz que o intervalo entre o final de

um dia e o início de outro dia de

trabalho tem que ser, no mínimo,

de 11 horas. Isso é lei!

E são estes mesmos motoristas,

com ajuda dos cobradores, que

limpam (do jeito que dá) e fazem

a manutenção(?) dos ônibus, trocam

pneus, regulam molas etc. Há

casos em que no dia que seria de

folga, o trabalhador tem que vir

na empresa para proceder a limpeza

e ajudar na manutenção.

A maioria das leis trabalhistas

são descumpridas, principalmente

as relativas a férias, folgas/

descansos e PAGAMENTO das

horas trabalhadas.

Os trabalhadores assinam

documentos irreais para que, no

caso de fiscalização, as irregularidades

não apareçam.

E mesmo assim, procuram

atender a população de forma

educada e sempre com um sorriso

no rosto.

E o salário, ó...

pequeneninho

O salário dos motoristas é dos

mais baixos de Santa Catarina:

R$ 983,00. Recebem mais algumas

horas (nunca todas que são

trabalhadas) por fora da folha de

pagamento.

Isso significa prejuízo até

na aposentadoria, além de ser

sonegação de PIS, FINSOCIAL,

FGTS, INSS e outras irregularidades

mais. Já os cobradores

têm salário de R$ 634,00, com

as mesmas irregularidades já

informadas.

Todos relatam ter medo do

patrão e se submetem a isso

tudo por necessidade, para não

perder o emprego, já que as duas

empresas de ônibus existentes

na cidade são do mesmo grupo

familiar. Por isso cumprem as

ordens a risca e assinam documentos

mesmo não recebendo

os direitos. l


4 SINDICATO NOVA DIREÇÃO

>> Patrão se nega a

cumprir a lei e negociar

c o m r e p r e s e n t a n t e s

dos trabalhadores do

transporte coletivo

O serviço de transporte coletivo

é público, dever da Prefeitura. As

empresas operam por CONCES-

SÃO PÚBLICA, mas nunca teve

licitação de nada. A prefeitura

deveria ter planilhas de controle

mensal de toda a receita e gastos

do sistema, deveria fiscalizar

cumprimento de horários e a

qualidade do serviço. Nada disso

é feito.

O patrão se nega a cumprir a

lei e negociar com o sindicato alegando

que está FALIDO, porque

as tarifas são baixas e os ônibus

andam vazios. Quando perguntamos,

teve a cara de pau de afirmar

que não sabe, com certeza, quanto

arrecada por dia. Pura mentira.

Em rápido levantamento realizado

pelo sindicato, percebemos

que se arrecada, em média, entre

R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00, por

dia. E estamos falando de movimento

do inverno. As tarifas,

que o patrão alega serem baixas,

variam entre R$ 1,70 e R$ 3,40,

havendo linhas com preços intermediários

de R$ 1,70, R$ 2,30 e

R$ 2,80. Está dentro da média

deste “mercado” nas cidades brasileiras.

Além disso, a prefeitura

paga mais aproximadamente R$

70.000,00 mensais, pela cota do

transporte escolar. Diluído para

exemplificar, este valor acrescenta

mais de R$ 2.000,00 por dia.

Como já dissemos, observamos

ônibus com lotação acima

da máxima permitida em vários

horários. Será que a Prefeitura

recebe as informações corretas

sobre o número de passageiros

transportados? Tudo isso é traba-

lho para vereadores sérios e para

o Ministério Público investigar a

fundo. O certo é que a empresa

tem 7 motoristas e 4 cobradores.

Com os salários já informados e

colocando mais 70% de encargos

(média do setor no Brasil),

chegaremos a aproximadamente

R$ 16.100,00 por mês. Considerando

que paga ainda, por fora da

folha, aproximadamente mais R$

3.000,00 por mês, chegaremos

a uma folha de pagamento em

torno dos R$ 20.000,00 mensais.

Como a limpeza(?) e a maior parte

da manutenção(?) são feitas pelos

próprios motoristas e cobradores,

as despesas com pessoal não excedem

muito ao que aqui está informado.

Repetimos: esses números

deveriam estar ORGANIZADOS

E CONTROLADOS por planilhas

da Prefeitura, e deveriam ser de

CONHECIMENTO PÚBLICO,

de acordo com a Constituição

Federal/88.

O combustível/lubrificantes

(diesel pesa 16% no preço das passagens

no Brasil) fica ainda mais

barato para o patrão, que tem

postos de combustíveis entre as

empresas que compõe seu grupo

econômico. Obviamente abastece

seus veículos a preço de custo.

Mesmo que imprecisas (pela

falta de informação oficial),

nossas contas não estão longe

da realidade. Somando os R$

70.000,00 mensais pagos pelo

município com a arrecadação com

tarifas, chegaremos facilmente na

casa dos R$ 130.000,00 mensais,

R$ 1.560.000,00 anuais. Agora

compare com os R$ 20.000,00

mensais (R$ 260.000,00 anuais)

da Folha de Pagamento. Lembramos

ainda que o investimento em

pessoal é o MAIOR CUSTO ISO-

LADO das empresas de ônibus

nos modelos de planilhas de custo

do Ministério dos Transportes.

Portanto, chega de MENTIRAS,

de exploração sobre o povo e os

trabalhadores.

número 51 > setembro de 2011

JORNAL DO ÔNIBUS

Patrão: Falta de compromisso

com o serviço público

Garopaba

Ônibus em péssimas condições revelam descaso com serviço

Participação Popular e Ministério

Público

Está mais que na hora da população

de Garopaba saber dessa

caixa preta que é o sistema de

transportes. A relação entre a prefeitura

e as empresas tem que ser

aberta e pública, pois o serviço é

público, operado por empresa privada

em regime de concessão.

Um exemplo apenas: uma diarista

que use a linha de tarifa mais

baixa (R$ 1,70), deixa na catraca

aproximadamente R$ 42,50 mensais

e R$ 510,00 anuais.

Se morar mais longe e usar a

linha de R$ 3,40, gastará exatamente

o dobro, ou seja, R$ 85,00

mensais e R$ 1.020,00 por ano.

Quem usa o Vale Transporte

(VT) deve lembrar que ele é um

custo das empresas que o concedem

a seus empregados, mas

fazem parte dos preços dos produtos

e serviços que estas empresas

vendem, ou seja, no final das

contas TODOS NÓS pagamos e

um só ganha: o explorador de serviço

público, patrão das empresas

de ônibus.

Por isso as comunidades devem

se reunir e começar a se mobilizar

por um transporte melhor e mais

barato, a cobrar dos vereadores e

do Prefeito mais responsabilidade

com o controle e fiscalização. Ao

Ministério Público, solicitamos

uma “olhadinha” com mais carinho

sobre isso tudo.

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