SUBVERSÃO - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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SUBVERSÃO - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

1I11DIO MMDMO

Genocídio: Pecado Original das Américas


TEATRO

fícflllT SPí

POR UM MUNDO MELHOR

PELA RENOVAÇÃO POPULAR

DA CULTURA NACIONAL

POR UMA ABERTURA

"COM UM ROTEIRO

DE COMPRAS m

x>o RíO DE JANEIRO;

Cr$ 9.00 3

MENSÂRÍO CULTURAL — RIO DE JANEIRO — NOVA FASE - ANO 2 — N.° 16 — Em PORTUGAL 25 Escudoi

Resistência Ecológica

RISCOS

SUBVERSÃO

l 'W** POESIAS

ADEUS RODESIA

COMPANHEIROS

BENVINDO ZIMBAMBW

CONFRONTO DOS SOLDADINHOS DE CHUMBO

- TEATRO - VERDADE

_ * ' -' ■—>< ■?$SMsams£i*h


Página 2

Seção de Cartas

Escreva para Caixa Postal 12.193 — ZC-07 — 20.000, Rio

tmtmê Msnhtn

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/"roí. o/ Biocf>einistr^f

Kartvnf Univtftity

fkut n. Ehrltdt

fre' o' BhlogY,

Stinhrd Univertitf

fro/. P' Pfys-et,

Vnivtrtity of

t,Usssctiii»t»

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Congrnvntn

trorrt New York

Committee for Nuclear Responsibiiity, Inc.

P.O, Box 2329, Qubün, CsMomifi 94566

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Nobcl Laureai»

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Vnivetvty Prof.

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H.ifjilM Prof. Of SictoÇf.

Hanard Un.vcrtitr

Jàmtt D. Wabon

\obêt Laurff.ve

Prol. of Biokyy.

tian-arri Unfran/ty

Mr Otto Buclisbaum'

Cnixn Postal 1.2.193 ZC-07

Rio no Jiineiro, Brazil

RJ)

January 17, 1975

Doar Otto lUichsbnum; _ ,

I am writina to express the support of tlip

Con-mittee for Nuclear Responsibility and myself personally for the'

position that you and ABERTURA CULTURAL have taken with respect to

the ecolosiical and socletal consequences of an acccptance of nuclear

power. Ali 11)6 members of our Board of Directors are working toward

the elimination of nuclear powcr, and If you inspect the names at the

side of the letterhcad, you will flnd four Nobel Laurcates and othcr

world-famous scientísts and scholars on our Board.

I saiu te your courage and I understand the hazard

you face in a Innd of "silence". It is expecially sad to me sínce

in earlier Jears I had some. fine Brazilian scientists come to work witlt

me at my laborotory on the subject of heart disease.

In separate envelopes we diall send you some of

ou/vrecent publlcations too. As you will flnd there nuclear power r.ot,

only mnkea no sonso from a hcalth point of viés, but it ccrtamly

mnkcs no sense from an eneríiy point of view. I agree with you that

hightechnolosy energy is not what is needed in a country like Brazil,

but even so nuclear powcr makes no sense. Of course it does make

sionsc to the warpcd minds who see afivantages in aequiring nuclear

.weapons, and of course that is the only reason the Brazil-Germany

deal is going through. with Warmest Cooã wishe6,

l\S. Your Engllsh ib exçiüsml.

You nced nevor opologize.

Tradução da carta de John W. Gof-

man: Eslou lhe escrevendo para manifes-

tar o apoio do Comllê para a Responsa-

bilidade Nuclear, e meu pessoalmente,

com relação à posição que você e Aber-

tura Cultural tem tomado a respeito das

conseqüências ecológicas e sociais que

decorrem da aceitação da energia nu-

clear. Todos os membros do nosso Con-

selho de Diretores trabalham em prol da

eliminação da energia nuclear, e se vo-

cê verificar os nomes relacionados à

margem desta carta, encontrará quatro

prêmios Nobel e outros cientistas mun-

dialmente famosos, que participam do

Conselho.

Eu saúdo sua coragem e compreendo

os risoes que você enfrenta num país

de silêncio. É especialmente triste para

mim, pois em anos passados, eu tive al-

guns excelentes cientistas brasileiros,

que vieram trabalhar comigo em meu

laboratório no estudo de doenças do co-

ração. ; \f

Em separado nós vamos mandar-lhe

algumas das nossas publicações mais

recentes. Nestas verificará que a ener-

gia nuclear não é apenas sem sentido do

ponto de vista da saúde, mas com toda

certeza não tem sentido do ponto de

vista energético. Naturalmente tem sen-

tido para as mentes deformadas que

vêem vantagens na aquisição de armas

nucleares, e esta é a única razão porque

o acordo Brasil-Alemanha prossegue.

Sinceroly yours,

J/íí/n. W. Jbfnyyi, M.D.

Com as mais calorosas saudações, sin-

ceramente seu, John W. Gofman.

Otto responde: Meu caro John Gofman,

quando a Comissão de Energia Atômica

dos Estados Unidos encomendou a você

um relatório sobre os riscos somáticos

da energia nuclear, e depois ao verificar

a que resultados você chegou, quis su-

primir este seu relatório de qualquer jei-

to — e você resistiu, publicou, agüentou

as conseqüências, você mostrou uma

bravura a toda prova. Eu segui o noti-

ciário a respeito, e desde aquele tempo

você tem minha admiração incondicional.

Cada vez que publico uma carta deste

tipo, eu recebo umas reprimendas de

amigos meus dos Estados Unidos, que

temem por minha vida e minha integrida-

de física. Eu tenho tentado explicar para

eles, que eu me sinto em perfeita segu-

rança. Sim, o Brasil é um país autori-

tário, um "país de silêncio" como você

o chama. Mas todo país tem suas cir-

cunstâncias políticas próprias. Os esca-

lões inferiores são perigosos em qual-

quer país em determinadas circunstân-

cias. Sua Carta, e os assus^dos pro-

testos de alguns dos meus amigos norte-

americanos e europeus, mostram que a

Imagem do Brasil em círculos científicos

e universitários ao menos, não é favo-

rável. Eu publico a carta na íntegra, por

achá-la Importante e em homenagem a

você, um símbolo de bravura c:vica. Eu

estou organizando um dossier com cerca

EXPEDIENTE:

Correspondência para:

ABERTURA CULTURAL

CAIXA POSTAL 12.193 ZC-07 RIO

Teatro ao Encontro do Povo

Publicação mensal da

ABERTURA CULTURAL EDITORA LTDA.

Diretor responsável: ANDRÉ DELANO BUCHSBAUM

Órgão do movimento TEATRO AO ENCONTRO DO POVO

dirigido por OTTO e FLORENCE BUCHSBAUM

Rio de Janeiro — Ano 2 — N? 16 — 1976

Composto e impresso na Gráfica Castro Ltda.

Rua Pedro Ernesto, 85 - Te!.: 243-8565

Distribuído em todo território nacional.

Distribuído em Portugal, Ilhas, Angola, Moçambique, restante

Europa, África e Ásia — AGÊNCIA PORTUGUESA DE REVIS-

TAS — Rua Saraiva de Carvalho, 207 — Lisboa 3 — PortugeJ

Em Angola:

Rua de Malanga, 83 LUANDA.

RepúWica Popular do Mocárnbfqúè:

Prédio Negrão 2? andar n9 7 Maputo

^-^í--'

UNIVERSITY OF CALIFÓRNIA. SAN DIECO

DEPARTMENT OF APPLIED PHYSICS AND INFORMATION SCIENCg

Sr. Otto Buchsbauffl

Jornal Abertura Cultural

Caixa Postal 12.193 ZC-0/

Rio de Janeiro, Brazil

Bear Dr, Buchsbaum! ■-■'

ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 1&

tAJOLLA, CALIFÓRNIA 9209J

As I loiow of your general Interest for a sound a^pllcatlon of sclenca C-«MI

technology to the progress of soclety, I •should like to send you some

papers I have written about the nuclear energy. From initially being a

varra supporter of nuclear power I have found it necessary to change my

view. As you flnd, for example, from my joint statement with Dr. Haro.ld

TJrey, I now consider nuclear energy to be a threat to mankind. In fact

ve have found that It Is polsonous, dangerous, unnecc.ssary, and expenstva»

X hope you will conrnunlcate these vlews to your colleaguea. the oppoaitioft

agalnst nuclear energy is now Increasisg very much In ali Industrlallscrô

countrles» >

HAJU

Endosures

Sincerely yours»

Haimes Alfven

Tradução da carta de Hannes Alfvén, prêmio Nobel de

Física, que leciona no Campus de La Jclla da Universidade

de Califórnia e na Universidade de Estocolmo — Suécia:

Conhecendo seu interesse generalizado numa aplica-

ção sadia da ciência e tecnologia no progresso da socieda-

de, eu estou lhe mandando alguns artigos que escrevi sobre

a energia nuclear. Tendo sido inicialmente um fervoro-

so partidário da energia nuclear, eu vi a necessidade de

mudar esta minha visão. Como verá, por exemplo, na minha

tomada de posição em conjunto com Dr. Harold Urey, ago-

ra considero a energia nuclear como ameaça à humani-

dade. De fato, nós verificamos que é venenosa, perigosa,

desnscesséria, e dispendiosa.

Eu espero que irá comunicar estes pontos de vista aos

seus colegí.s. A oposição contra a energia nuclear está

agora crescendo muito em todos países industrializados.

Sinceramente seu — Hannes Alfvén.

de 400 folhas, onde o material que você

me mandou faz parle e vou mandar um

exemplar do dossier para as seguintes

entidades: Presidência da República,

Ministério de Minas e Energia, Escola

Superior de Guerra, Instituto Militar de

Engenharia. Quem sabe, posso dar mi-

nha contribuição para que o Governo

Brasileiro e seus organismos mais liga-

dos a temas técnicos e científicos, tomem

consciência que a questão da energia nu-

clear tem seu outro lado, tem o reverso

da medalha sob todos pontos de vista.

A decisão do Conselho Nacional das

Igrejas dos Estados Unidos, que tomou

posição contra a energia nuclear, apro-

vando a tomada de posição "The Plu-

tonium Economy", também terá sua in-

fluência.

ABERTURA CULTURAL é o único

jornal em língua portuguesa filiado ao

ALTERNATIVE PRESS SYNDICATE,

Box 26, Village Sta. New Ycrk Cly

10014 USA, sendo Igualmente ligado ao

seior do Sindicato acima que coordena

a América Latina INDOU-ASP — Sin-

dicado de Ia Prensa Alternativa c/o Eco

Contemporâneo — C.C. Centrol 1933

— Buenos Aires — Argentina. Em am-

bos locais (Nova York e Buenos Aires),

poderão ser obtidos tanto os números

atrasados como o atual de ABERTURA

CULTURAL.

Pela presente fica estabelecido que

OTTO BUCHSBAUM assume expressa-

mente a responsabilidade com relação a

to.do conteúdo deste jornal, tanto com

relação , aos artigos assinados, quanto

as matérias sem assinatura.

O número de cartas de solidariedade &

apoio que estamos recebendo do munde

todo e também de todo Brasil é tão gran-

de, que se torna cada vez mais difícil

optar — ou publicar algumas cartas im-

portantes com destaque — ou responder

a maior número de maneira curta, tele-

gráflca. Os nossos leitores nos descul-

parão se não estamos respondendo suas

cartas nesta seção. Voltaremos a fazê-

lo, pois o diálogo leiíor-jornal também é

indispensável. Mas ficará para uma outra

vez. Para não prejudicar este diálogo

estamos respondendo grande número de

cartas de leitores diretamente. Mas no

próximo número, nem se for preciso de-

dicar mais uma página a isso, os leitores

poderão contar com uma seção da car-

tas nos moldes tradicionais.

PARA

ANUNCIAR

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Olá Gente

A nova África está no centro dos interesse, focalizados

principalmente na Rodésia, que dentro de pouco tempo te-

rá o nome de Zimbabwe, relembrando assim uma cultura

milenar africana

A questão está sendo posta de uma maneira totalmen-

te equivocada. Não há considerações a fazer em torno

de lan Smlth e seu espúrio "governo rodesiano", e não há

nada a discutir com Vorster, o "governo sul-afrlcano" so-

bre o problema do Apartheld.

O Apartheld, como também as posições rodesianas

não são "políticas nacionais", mas puramente obscenida-

des. Estes regimes são tão obscenos e grotescos, c mo

o regime de fome permanente que se tenta institucionalizar

no mundo.

A preocupação expressa pelo governo americano a

respeito de uma eventual intervenção das tropas cubanas

na Rodésia, o arreganhar de dentes dos círculos "respon-

sáveis", falando no emprego de bombas atômicas se o in-

teresse nacional dos Estados Unidos o exigir, e ameaçan-

do com retaliações contra Cuba — seria divertido, mas nas

ameaças implícitas contra a paz e a sobrevivência da hu-

manidade, desaparece toda vontade de rir.

Ford "pensa" como um jogador de rugby, um jogo ex-

tremamente bruto, cuja popularidade tem suas relações

evidentes com o american way of vlolence. Ao seu lado,

ele tem o prêmio Nobel da Paz — Henry Kisslnger — com

um Ego tão enorme, que não cabe nos limites dos Esta-

dos Unid-s. Lá nos Slates. onde liberdade de critica é

tradição, se diz que o belo Henry só pode viajar nos aviões

mais seguros, pois se um avião com ele dentro caísse no

mar, o enorme EGO do super-secretárlo do Estado faria

transbordar todos os oceanos.

Se a preocupação dos Estados Unidos é que a parti-

cipação das tropas cubanas na Libertarão da R-désia, pos-

sa fazer aumentar a Influência soviética na região, a so-

lução é multo simples. Os Estados Unidos podem mandar

também uma Força Expedicionária con'ra o governo Ilegal

— execrado pela ONU — que se instalou na Rodésia con-

tra o consenso do mundo. E poderia apelar para outros

países do mundo para fazer o mesmo. Não adianta dizer

que os assuntos rodesianos, quer dizer, a libertação da

Rodésia, deverõo ficar a cargo dos rodesianos; pois isso

significa dizer para civis que devem lutar contra forças mi-

litares organizadas. As vítimas seriam multas, e o resulta-

do poderia ser um massacre final. Estas forças in'er-

nacionais, onde rs cubanos já seriam apenas uma parce-

la, não teriam dificuldade nenhuma de resolver a situação,

pois a Rodésia iria simplesmente capitular, e aí poder--

se, sob os auspícios da ONU, instalar através de eleições um

governo de maioria neara e ao mesmo tempo criar um es-

tatuto leqal que garantiria os direitos da minoria branca.

A personardade do bispo Abel Muzorewa. que dirige o

Conselho Nacional Africano da Rodésia, é aliás garantia su-

ficiente, para que, se for evitada a luta civil através de uma

enérgica ação internacional, poderá se Instalar em Zim-

bambwe, um regime de justiça, sem ódios, nem ressenti-

mentos . i

Estas forças expedicionárias Internacionais poderão ao

mesmo tempo resrlver o caso da Namíbia, que é 1errl'ó-

rlo sob jurisdição da ONU, ocupado Ilegalmente pela Áfri-

ca do Sul. Não creio que haveria resistência armada contra

esta Intervenção que levaria ao governo da Namíbia, os

combatentes da SWAPO, únicos representantes legítimos

do povo deste país. Ass ! m a obscenidade do apartheld, o

câncer do ódio racial ficaria circunscrito à África do Sul,

armada até os dentes e em vias de construir bombas atô-

micas. Este tumor, e sua extlrpaçâo, é também responsa-

bilidade do mundo todo. E será necessário extirpá-lo an-

tes que ameace o mundo e suas próprias populações com

a bomba atômica.

Para o Cabo da Boa Esperança já rõ restam espe-

ranças, saúdo desde já a Azânla neqra que nascerá dos

cacos do Apartheld e que no trato com a minoria branca,

deverá dar, apesar da lonaa noite da escravidão, um exem-

plo vivo de amor militante.

• Pobre Argentina — a soma de erros repetidos — ten-

de a to-nar o país ingovernável. A nova evolução é culpa

de Isabelita? É responsabilidade deste Raspuün Sul-ame-

rIcan->, ei bruio Lopes Rena? Creio antes que é a força da

inércia de fatores ecnômlcos do passado, que criam con-

tradições e pão permitem que as feridas cicatrizem. Duran-

te lonqos anos os mais diversos qovernos aplicaram religio-

semente os ditames de economia clássica e seouiram aos

"conselhos" do Fundo Mone'ário Internacional. Estes cn-

sehos tem semore um denominador comum: Dirigir a eco-

nomia de um naís subdesenvolvido no Interesse da econo-

mia dos países ricrs.

O diabinho do Fundo Monetário Internacionsl s"ssiirra

no ouvido do minis^o da Economia: "Para ter crédito, bas-

ta ser um rapaz direito, faca semore tudo para pagar em

dia seus compromissos Internaclopals".

A este íd-lo econômico sacrificou-se muito, muito.

Por exemolo na oecuána e no consumo s na exportarão de

carne. No afã de seguir as rscomendanões rio Fundo Mo-

re , ár , o Internacional e paqar seus compromissos em dia,

combatendo ao mesmo temoo a infls^ão aumento^-se

basl3n'e os abates de bovinos, a tal ponto, que pste aba-

te. seouiHo de exoorta^ão da cami» afetei orofundamente

a In^aridade dos rebanhos araentinos. Continuar expor-

tando em grande escala. sb3s'ecer satisfato^am^nte n mer-

cado interno e refazer cs rebanhos são três obieivos con-

fllíantes. que até hoje não puderam ser satisfatoriamsnte

Págtaa 9

equacionados. Para os argentinos, a radical dlminutçãa

das disponibilidades de carne, as restrições ao consumo,

através de racionamento e subida de preços, representou

um verdadeiro choque. Não pretendo agora explicar a onda

de violência, o terrorismo etc, na base de falta de chur-

rasco. Mas admito que há relações. A falta constante da

um modelo econômico viável, o contraste crescente entra

a Grande Buenos Aires que se tornou a cabeça de água

da Argentina e as realidades do Interior se tornaram fato-

res importantes no aguçar das contradições. A isto se

acrescenta a maflalização dos sindicatos operários, prin-

cipalmente de Buenos Aires. Lá a convivência corruptora

cem o poder, tanto na oposição como na associação, trans-

formou os lideres sindicais porlenhos, com raras exceções,

em nababos, que nadavam no dinheiro das suas piscinas, ■

viviam no dolce far niente da maturlté dorée Todo desvio

da representativídade, de sindicatos, organizações políticas

e religiosas, leva automaticamente a distorções e graves

contradições na vida de um pais. sindicatos que engordam

e ficam poderosos, temidos e subvencionados, com che-

fes permanentes, que formam verdadeiras dinastias sin-

dicais, são tão prejudiciais à evolução de um pais, como

sindicatos submissos, silenciados ou ausentes. A Igreja do

silêncio, a ideologia política suprimida, ou Igreja e par-

tidos que vivem do apoio e das benesses do poder político

e econômico, são distorções Idênticas, que levam a des-

vios idênticos. Não pretendo assim com poucas palavras

tentar explicar a complexidade da situação argentina,

quero chamar apenas a atenção para alguns temas funda-

mentais. Não foi EL BRUJO de desgraçou a Argentina:,

mas a desgraça da Argentina gerou El Brujo.

• Para vocês não dizerem que eu trato de tudo, menos

dos nossos próprios problemas daqui, vamos tentar descas-

car também uns abacaxis nacionais. Ao reler jornais do

passado, com todo friunfallsmo do "m';tagre econômico

brasileiro" e olhando agora para as nossas dividas enor-

mes, o pagamento de juros, royaltles e os deficlts comer-

ciais nos engulindo vivos, apesar de todos esforços de aus-

teridade tão indispensáveis no momento atual, eu procuro

as causas: O triunfalismo, as compras Indiscriminadas, os

planos mirabolantes do passado, me fazem pensar, que na

época, Dudu da Loteca, com todo seu elã de novo-rico,

estava dirigindo os nossos negócios financeiros. O Pro-

duto Nacional Bruto se expandiu com uma brutalidade

enorme. O Brasil de uma hora para outra se transformou

no Japão da América do Sul, na Meca dos Milagres das

Transformações Econômicas. "Um mercado de ações prós-

pero e sadio — é o reflexo de uma economia sadia". Mal

tinham sido pronunciadas estas palavras pelo Ministro da

Fazenda da época — o mercado de ações fez um salto

mortal, mergulhou, e com todas paplnhas e sopinhas de

uma equilibrada dieta Infantil, nunca mais se recuperou da

sua vida vegetativa. E as nossas dívidas internacionais?

E os projetos já inicladcs que dependem de mais importa-

ções e que vão gerar maiores deficlts? Todos novos pro-

jetos que exigem novos Investimentos Internacionais, como

vão ser executados?

Porque um país enorme como este, com imensas po-

tencialidades Internas, precisa-se especializar totalmente

numa economia de importaçõo e exportaçôo até se endi-

vidar de tal maneira, que o próprio serviço de juros ultra-

passa os parâmetros da recuperação nacional. Por que

um país com subnutriçõo crônica, que afeta a capacidade

física e mental da sua população precisa exportar alimentos

como soja, milho, arroz etc. para em contrapartida criar

Indústrias de automóveis, televisores coloridos e outras

quinquilharias? Será que há resposta para estas perguntas?

• No mundo desenvolvido toda a Indústria nuclear está

em crise. Usinas nucleares com apenas 6 ou 7 anis de

funcionamento já estôo tão escangalhadas que produzem

apenas cerca de 30% da eletricidade prevista. Tem um sal-

ve-se quem puder no cancelamento de encomendas. Nes-

te Ínterim no mundo desenvolvido se tornou também públi-

co o notório que as usinas nucleares sõo hoje a maior

ameaça para a sobrevivência da humanidade. Lógico que

as firmas construtoras de usinas nucleares não querem

perder o capital empatado e fazem uma desesperada cam-

panha em torno do "átomo pacífico e benfazejo" procu-

rando exportar usinas para pa'ses do terceiro mundo. Se-

rá que nós vamos mesmo prosseguir com a aventura atô-

mica?

OITO BUCHSBAUM

RESPOSTA A HENRY KISSINGER PRÊMIO NOBEL DE PAZ

Adrlan Mitchell escreveu em forma de poesia, uma res-

posta ao Prêmio Nobel de Paz, Henry Kisslnger, poesia es-

ta que nos foi remetida do Senado Norte-Amerlcano.

HOW TO KILL CUBA

You must burn the people flrst.

Then the grass and trees, then the stenes,

You must cut the Island out of ali the maps,

The history books, out of the old newspapers,

Even the newspape-s which hated Cuba,

And burn ali these, and burn

The pairtings, p^ems and photographs and films

And when you have burnt ali these

You nrjst bury the ashes

You must guard the grave

And even then

Cuba will orlv be dead like Che Guevara

Technically dead, thafs ali,

Technically áead.

ADRIAN MITCHELL


Página 4 ABERTURA CULTURAL ^- ANO 2 N9 -46

» Toda política petrolífera do Brasil tem

como sua caracieristica fundamental uma

."fixação" psicológica ou mesmo pato-

lógica no chamado Recôncavo Baiano.

O peiróleo desta região é encontrado em

sedimentos cretáceos, isto é, em forma-

ções com uma idade de cerca 80 a 100

milhões de anos.

> ■.Com a política geral de crescimento

acelerado do consumo de produtos pe-

trolíferos que o Brasil adotou, a Petro-

brás viu-se empurrada na prospecção

petrolífera para um constante imediatis-

mo. Poucos poços pioneiros foram per-

furados em regiões novas. A localização

destes poços-pioneiros nunca obedeceu,

ou poderia obedecer a um esquema

científico coerente, tinha caráter empí-

rico, lotérico e em certos casos alé aten-

dia influências políticas locais.

Para manter ao menos um percentual

constante de um consumo em expansão

sem medidas, continuou-se perfurando

na região do Recôncavo Baiano, acele-

rando assim a exploração de depósitos

já localizados, muitas vezes tirando pe-

tróleo do mesmo lençol, já em explora-

ção, ou as vezes até já em declínio.

Procurava-se expandir a área em explo-

ração, seguindo no rastro das mesmas

formações geológicas em direção Norte,

como também na plataforma marítima.

As perfurações de poços na plataforma

marítima se expandiram e levaram depois

à descoberta de novas jazidas junto ao

litoral de Campos.

i Perfurações no mar, mesmo em águas

relativamente rasas, resultam num custo

de produção muito mais elevado e muito

mais imprevisível, do que as perfurações

em terra firme.

•Mas a exploração petrolífera na plata-

forma marítima parece a moda do mo-

mento, que domina pensamento e ação

dos geólogos de petróleo no Brasil.

.Estamos no caso imitando os norte-

americanos que depois de pesquisar in-

tensamente todas possibilidades do seu

iorritório, voltam-se cada vez mais para

a ? perfuração de poços no fundo do mar

e,em profundidades cada vez maiores.

Também estamos seguindo o exemplo-

des ingleses, que com crescente sucesso

estão abrindo poços nas costas da Es-

cócia.-

Mà no entanto nisso um contra-senso

nítido. O petróleo tirado dos poços sub-

marinos é dezenas de vezes mais caro,

nos seus custos de produção, do que o

prpveniente de jazidas terrestres.

Se os Estados Unidos e outros paí-

ses se voltaram para o mar, é que antes

fizeram levantamentos precisos das pos-

sabiiidades no seu próprio território. Os

Estados Unidos dispunham de enormes

jazidas petrolíferas, mas es*as já se des-

gastaram em boa parte. É uma riqueza

que leva na média mais de 50 milhões de

anos para se formar. O primeiro poço de

petróleo foi perfurado em Titusville na

Pennsylvania (USA) em 1859. Mas a

maior parte do petróleo só foi consumido

depois da Segunda Guerra Mundial. Hoje

não há para os Estados Unidos, ávidos

de prolongar por mais uns anos a orgia

do consumo, nenhum outro caminho se-

não a exploração de todas as posyibili-

dades nas áreas marítimas em volta.

O Brasil por sua vez caminha para a

exploração do petróleo no mar, por dois

motivos:

1) Por ter encontrado em área marí-

tima o prolongamento natural dos campos

do Recôncavo Baiano.

2) Imitação de uma moda inierna-

clonal. A vontade de explorar petróleo

no mar, chega a nós c;m a força da

mini-saia e do Rock. Só que no caso é

uma moda totalmente injustificável: Por-

que procurar o petróleo caro no mar, se

não houve nenhuma tentativa séria do

levantamento das nossas possibilidades

petrolíferas em todo este vasto território

nacional?

A perfuração do famoso poço pioneiro

de Nova Olinda, junto ao rio Madeira, na

Amazônia, é um exemplo. Encontrou-se

petróleo em sedimentos marinhos do Pa-

leozóico. (O Paleozóico abrange todos

períodos geologicos.com mais de 200

milhões de anos até cerca de 600 mi-

lhões de anos. O petróleo de Nova Olin-

da é do período carbonífero com idade

de cerca de 300 milhões de anos). O

poço infelizmente náo apresentou con-

dições de exploração comercial. Se as

estruturas rochosas tivessem um pouco

mais de inclinação e o arenito petrclífero

estivesse sob maior pressão, o poço se-

ria explorável e o peiróleo amazônico

teria entrado em moda. Mas Nova Olin-

da teve dois resultados imediatos:..

1) Provou a existência de jazidas

petrolíferas na Amazônia.

2) Levou os nossos geólogos oficiais

a extrapolação, que o petróleo amazô-

nico deve ser procurado em sedimentos

paleozóicos.

A primeira conclusão é evidente, a

segunda é uma 'hipótese muito hipoté-

tica". Além disso é uma hipótese algo

pessimista, pois mais de 6'5% da produ-

ção do mundo, vem de formações mais

recentes, quer dizer, do Mesozóico e Ce-

nozóico, com a agravante que o petróleo

de sedimentos, paleozóicos é mais difí-

cil de localizar e tem um custo médio

mais elevado de exploração.

A combinação entre a fixação psicoló-

gica na região do Recôncavo Baiano

e a aceitação da mocia iníernacional do

petróleo submarino, cuja exploração usa

uma tecnologia bem mais sofisticada,

com esta nossa política totalmente irra-

cional da expansão dp consumo (o que

farão no mercado os 200 mil carros

anuais que a Fiat vai, começar a produ-

zir?), levou naturalmente — aos chama-

dos "contratos de risqp",. .

A titulo de parêntese: Quem quer res-

tringir o gasto de petróleo preeisa fazer

isso na fonte — isto é, precisa restringir

a fabricação de veículos, e não procu-

rar restringir depois p gasto de cada,

veículo, com racionamentos etc. Eu sei

que a restrição da fabricação de veícu-

los e outras medidas mais que- precisam

ser tomadas, são operações dolorosas

na nossa economia, mas são necessá- ,

rias, e quanto mais cedo se achar uma

solução, mais fácil será executá-la.

O Brasil em vez de confiar nas suas

próprias potencialidades e partir final-

mente para métodos de um mapeamento

geológico global do território brasileiro,

quer recorrer através dos "contratos de

risco" ao knowrhow ,e capital interna-

cional.

Isto significa não só a porta aberta ao

capital estrangeiro, num setor básico,

onde até agora conseguimos resistir à

onda de desnacionalizações, mas signi-

fica também que a exploração petrolífera

continuará numa base empírica, com mé-

todos geológicos e geo-físicos, aplicados

no solo, de maneira apropriada para pe-

quenas áreas pré-limitadas.

Cmo se faz afinal um mapeamento

geológico em territórios grandes?

O mapeamento aerofotográmétrico

precisa ser completado por um levanta-

mento gravitacional minucioso de todo

território, através de gravímetros de pre-

cisão. A atração gravitacional não é igual

na terra toda. Nos pólos, por causa do

achatamento a gravidade é maior. No

equador pelo mesmo motivo e também

pela força centrífuga é menor. Levando

em conta a latitude e altitude, além de

fatores de relevo, nós podemos saber

em qualquer ponto da terra qual é exata-

mente o coeficiente gravitacional que

deveria ter. O gravímelro mede exata-

mente este coeficiente gravitacional. Há

muitos desvios, variações ou anomalias

gravitaclonais que precisam ser inter-

pretados. Todo desvio da norma calcu-

lada, tem seu motivo. Anomalias gravi-

taclonais negativas, isto é, uma gravida-

de abaixo da norma calculada, indica

boas possibilidades para existência tanto

de petróleo como de gases.

OTTO BUCHSBAUM

: Onde a gravidade está acima da nor-

ma, pode-se esperar minérios de ferro

ou. outros metais.

~ Naturalmente as coisas não são tão

simples, os dados gravitaclonais preci-

sam ser relacionados com o relevo visí-

vel e com eventuais dad-s sobre as di-

versas camadas dos tempos geológicos

da região.

Um mapeamento dos desvios magné-

ticos completaria com eficiência os da-

dos necessários. Todo desvio magnéti-

co precisa encontrar sua explicação, que

muitas vezes reside na estrutura do sub-

. solo. Assim podemos obter informa-

ções sobre a formação das estruturas

rochosas e sobre o passado tectônico.

Evidentemente, um levantamento deste

tipo em todo território nacional é um em-

preendimento muito grande e muito de-

morado.

Na minha opinião, poderíamos de iní-

cio, limitar-nos a uma única área que

oferece as maiores possibilidades. Sa-

bemos que os sedimentos petrolíferos

exploráveis localizam-se preferencial-

mente em áreas tectonicamente insáveis.

Eu recomendaria uma área que começa

nas nascentes do Rio Xié no Cerro Ca-

parro, na fronteira com a Colômbia e

traça-se uma linha reta até a confluência

do Rio Abunã com o Rio Madeira, na

fronteira com a Bolívia. Nesta região,

a parte mais promissora parece, ser o

Estado de Acre e a região amazônica ao

sul de uma linha que liga Benjamin

Constant e Boca do Acre.

Fazendo nesta região um mapeamen-

to geológico baseado em aerofotogra-

metria, levantamento gravitacional e

magnético em conjunto. Este levanta-

mento pode ser efetuado simultaneamen-

te através de helicópteros.

Quero ainda explicar os porquês. Em

primeiro lugar, não acredito que a maior

parte do petróleo da Amazônia esteja

em sedimentos paleozóicos, mas em for-

mações geológicas mais recentes.

. Um estudo geológico . em profundi-

dade confirmará que antes da formação

da Cordilheira dos Andes, já na era ce-

nozóíca (nos últimos 60 milhões de

anos), havia cadeias de montanhas bem

. mais antigas com direção leste-oeste.

Estas cadeias de montanhas ainda exis-

tem,, mas foram soterradas por ocasião

da formação dos Andes e por sedimentos

posteriores. ■ .

Os processos , orogenéticos que cria-

ram os Andes, juntamente com o afun-

dar das cadeias de montanha originais,

criaram na região descrita as condições

apropriadas ao acúmulo de petróleo num

sistema complexo da falhas e anticli-

nais.

Não tenho dúvidas que dentro destas

estruturas há petróleo e que pelos mé-

todos descritos possa ser localizado e

explorado. Este tipo de mapeamento

geológico que combina aerofotograme-

tria com o estudo das anomaras gravita-

clonais e magnéticas tem sido aplicado

sempre quando modernamente se pre-

tende um estudo da geologia-perolífera

de espaços grandes. Assim se desco-

briu o petróleo da Sibéria, da China e do

Canadá.

Eu pessoalmente acho preferível dei-

xar o pe'róleo e os minerais dentro da

terra para as gerações futuras, até que

passe o consumismo Irracional e degra-

dante.

Quero apenas chamar a atenção pa-

ra a desinformação vigente entre nossa

tecnocracia. Se o dinheiro gasto em ex-

plorações de petróleo caro na platafor-

ma continental tivesse sido empregado

de maneira sistemática no levantamento

que eu proponho, já estacamos na rCa

certa da autosufxiência — e com petró-

leo barato. Além de transporte fluvial

desde o Acre e a Amazônia, para onde

quiser.

Em vez de uma solução científica e

racional temos os "contratas de risco",

entre nós, "muito arriscados"!

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REVISTAS DE TEATRO (latino e latino-

americano nos Estados Unidos) de Te*

resinha Pereira — University of Colora-

do — Dept. of Spanlsh & Port. Boulder,

Colorado. 80302 USA.

ESTRENO dirigida por Patrícia 0'Con-

nor, da Universidade de Cinclnnatl já no

3? número. Publica uma obra espanhola

"Los placeres de Ia egrégia dama" de

Antônio Martinez Ballesteros. Entre os

artigos e resenhas se destaca uma polê-

mica entre Fernando Arrabal e o crítico

John Dowilng. Endereço de Estreno:

Dept. of Romance Languages. Univ. of

Cinclnnatl, Cincinnati, Ohio, USA.

LATIN AMERICAN THEATRE REVIEW

editada por George Woodyard, da Uni-

\ersidade de Kansas, publica artigos e

resenhas sobre teatro latino-americano.

No n. 9 destaca-se um artigo de Frak

Dauster, da Universidade de Rutgers,

"The Ritual Feast: A Study in Dramatio

Forms". No mesmo número temos uma

entrevista de Charles Drlskell, com Au-

gusto Boal e uma resenha de "Las Po-

sadas", escrita por Don Wadiey e uma

reportagem sobre o Festival de Teatro

Chicano na cidade do México, por Nico-

lás Kanelos.

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Pinheiros, São PtUte. tel; 2104622.


^BERTUfVV ÇULTqRAL — ANO 2 N' 16 Página 6

TE AT EDIEVAL

Na Europa medieval o drama renas-

ce, de forma autônoma, tendo como

faiz, a própria natureza iúdica do ho-

mem.

O surgir destes primeiros dramas me-

dievais, chamados mistérios ( do latim

ministerium, o que significa serviços),

ou também com o nome de autos sacra-

mentais na península ibérica, ocorre den-

tro da própria liturgia, como enxerto

dramático nas missas.

O exemplo mais antigo que conhece-

mos, aparece num manuscrito do sé-

. culo 10 do mosteiro de St. Gallen na

:Suíça. Trata-se de um pequeno enxerto

i na missa da Páscoa, cem o tema extraí-

do do Evangelho de Marcos (16:5-7).

Um sacerdote vestido com uma túnica

branca, está sentado junto ao altar, que

' simbòriza o túmulo de Cristo — três sa-

, cerdotés se aproximam. O E^cerdote

junto áo altar tem o papel de um anjo,

os três sacerdotes são as três Marias,

que se dirigem ao sepulcro de Cristo.

Trava-se o seguinte diálogo:

. Anjo: A quem buscals, ó mulheres de

.Cristo? J

3 Marias: A Jesus de Nazaré, que foi

-crucificado, ó habitante do céu.

Anjo: Não está aqui, ressusc tou como

predisse. Ide anunciar que ressuscitou

do sepulcro.

Este é o drama inicial completo. É

curto, mas sua essência dramática é In-

discutível. O drama da Páscoa, logo em

seguida, foi enriquecido com outros epi-

sódios e surgiram em outras missas de

datas significativas, outros enxertos dra-

máticos, com temas que se amoldavam

ao calendário eclesiástico.

DOS A N J O S E DOS MISTÉRIOS

Em Lucena, na Suíça, a praça está preparada

para a apresentação dos mistérios da Páscoa

de 1583.

Este drama inicial, e os outros, no pri-

meiro ciclo de evolução, eram apresenta-

dos em latim, que na época, era não só

a língua da liturgia, como também uma

espécie de língua universal, ao menos

para os mais Instruídos.

A intenção da igreja ao criar o drama

tltúrglco, era tornar os episódios da his-

tória cristã mais reais e mais vivos, para

os fiéis que assistiam as missas.

O resultado destas pequenas represen-

tações, superou todas expectativas.

O povo nes'e período medieval não

dispunha quase de diversões organiza-

das, assim estes pequenos espetáculos

tlve'am grande sucesso, servindo não só

à devoção, mas também à diversão e o

próprio clero apreciava participar das re-

presentações .

Assim ocorreu uma expansão bem rá-

pida. Os enxertos se enriqueciam de

cada vez mais cenas, entrando em deta-

lhes e aumentando a duração. A pró-

pria dinâmica desta evolução provocou

a separação entre os mistérios e os ser-

viços lltúrgicos.

A multiplicidade de apetrechos cêni-

cos, de plataformas diferentes para sim-

bolizar os diferentes locais, a grande

movimentação de um número crescente

de participantes, tornou as próprias igre-

jas, pequenas para os mistérios, que

saíram das Igrejas em busca do espaço

mais amplo das praças públicas. ..

Uma das características fundamentais

da dramaturgia medieval é o reencontro

do drama com o povo. Em circunstân-

cias diferentes, num cenário e ambiente

novo, restabeleceu a unidade povo-tea-

tro, que já tinha dado vigor ao drama da

velha Grécia.

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OTTO BÜCHSBAUM

A idade módla, com sua unidade cul-

tural e artística, apesar da vida feudal,

povoada de servos, senhores, príncipes

e reis, apresentava uma significativa co-

munidade espiritual e provavelmente uma

vida mais rica, mais plena de significado

para tod:s, do que observamos nas mais

perfeitas sociedades afluentes da atuali-

dade.

No meio de todas tensões, todo stress,

toda angústia, solidão, competição des-

vairada da atualidade, consegue-sé ainda

olhar a Idade Média, a vida, a arte e todo

tea^o Medieval, com benevolente supe-

rioridade.

Somos os Senhces do Mundo, as

moscas que gloriosamente conquistaram

o papel peqa-moscas e não conseguimos

libertar-nos do nosso prisma de visão,

para reconhecer os valores que estão

além da nossa bitola.

Para tentar compreender o teatro me-

dieval, os mistérios, rvlaqres, moralida-

des, as comédias populares — para en-

tender sua ligação viva com as realida-

des da época, precisamos procu r ar en-

tender, o que es^es dramas significavam

no contexto histórico, para o homem

medieval. Esta abordagem, a tentativa de

um reencontro com as dimensões do pas-.

sado, será a maneira como pretendemos

estudar o teatro medieval da Europa e

do Mundo, nos próximos artigos.

: O presente artigo tem como base a

obra em elaboração "HISTORIA DO TEA-

TRO MUNDIAI." de Otto Buchsbaum.

Estamos publicando uma his'ória 'ea'ral

completa, que começou no primeiro nú-

mero com RAÍZES DO TEATRO a TEA-

TRO. TOTEM e TABU e oue prosseiulrá,

sempre procurando mostrar a evolução

teatral de um ângulo de renovação.

BLICK- NACH-W ESTE N

«FatRVSTETFVR DEN.ERSTENTAÇ

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Em Coventry, na Inglaterra, os m síérios são

apresentados na praça, numa seqüência de es-

petáculos que contam toda história sacra.

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Ptgtoa 6

MACK REYNOLDS

TRADUÇÃO DE FLORENCE BUCHSBAUM

O rapaz carregava um pacote embru-

lhado em papel pardo bem amassado.

Ele perguntou: — A senhora Colten está

em casa?

— Não. Quer deixar algum recado?

— Estou falando com o sr. Cotten?

— Sim.

— Estou aqui por causa dos sabonetes.

O rapaz mostrou o seu pacote. O se-

nhor Cotten, tipo do americano médio,

estava de chinelos e fumava o seu ca-

chimbo. Parecia surpreso.

— Eu acho, disse o rapaz, que a se-

nhora Cotten lhe disse algo com refe-

rência aos meus sabonetes. Meu nome

é Warren Dickens. Vendi para senhora

Cotten..

— Não me vá dizer, exclamou o se-

nhor Cotten, que você eslá batendo de

porta em porta para vender sabonetes?

Seria bem melhor você se inscrever no

cadastro dos desempregados.

— Sr. Cotten, disse Warren Dickens,

permita-me entrar. Eu vou explicar tudo

e deixar os sabonetes; assim não preci-

sarei voltar mais tarde e incomodar a

Sra. Cotten.

Cotten era um sujeito acomodado, ele

deixou entrar o rapaz e o mandou sentar,

enquanto se ajeitava na sua poltrona em

frente a TV.

— E então, disse ôle, que sabonetes

são esses? De que marca são?

— Este sabonete não tem marca. E

essa a finalidade das nossas atividades.

Nós o vendemos por cinco cents em vez

de trinta.

Dickens tirou do pacote um sabonete

que parecia igual a qualquer outro. Cot-

ten pegou o sabonete para examinar e

depois devolveu.

— Não vejo diferença dos outros.

— Não tem, disse Dickens. Este sa-

bonete se parece com qualquer outro.

—Não entendo, observou o Sr. Cot-

ten; como você pode vendê-lo tão bara-

to?

— Diga, nunca pensou no que estava

comprando enquanto pagava trinta cents

por um sabonete?

— Ora, um sabonete!

— Não senhor. Está totalmente enga-

nado. O senhor não estava comprando

somente um sabonete. Estava compran-

do também um programa publicitário de

TV, com os seus produtores, cantores,

redatores. Estava comprando uma em-

balagem sofisticada, projetada e estudada

profundamente por desenhistas publici-

tários e produzida por fábricas especia-

lizadas. Estava comprando um brain-

trust, cujo trabalho consistia em conser-

vá-lo como cliente e Impedir os concor-

rentes de convencê-lo a comprar os sa-

bonetes deles. Quanto ao sabonete pro-

priamente dito, ele representa apenas

uma Ínfima porcentagem dos seus trinta

cents.

— Sim, retrucou o âr. Cotten, mas o

seu sabonete não tem marca nenhuma.

— Sr. Cotten, disse Dickens, não tem

diferença entre os sabonetes. Os In-

gredientes milagrosos que dão uma pele

de pêssego e nacar, tudo isso ó blá-blá

publicitário. Acontece comumente que

duas marcas concorrentes compram tudo

da mesma fábrica.

O sr. Cotten ficou visivelmente sur-

preso.

— Mas então, onda você compra os

seus sabonetes?

— Como todos, numa dessas fábricas,

por atacado.

— E como você consegue vendê-los

por cinco cents em vez de trinta?

— Acabei de explicar. Nenhuma mar-

ca. Nenhuma publicidade. Nem vare-

jistas nem atacadistas; diretamente da

fábrica. Remetemos os sabonetes pelo

correio numa embalagem muito simples.

— Você está vendendo outros artigos

sem ser sabonetes?

—Ainda não, Sr. Cotten. Mas a partir

da próxima semana passaremos a vender

detergentes e daqui a uns dois meses

venderemos também pão.

— Pão?

— Sim, Sr. Cotten. Faremos a entrega

com caminhões. O filão maior vendere-

mos por 10 cents.

— Impossível. Você não poderá pro-

duzir pão a esse preço.

— Com toda certeza, sr. Cotten, tran-

qüilo. A esse preço não poderemos fa-

zer publicidade, embalagens luxuosas,

ter intermediários, mas podemos vender

o pão.

O sr. Cotten parecia fascinado e con-

vencido. — Qual é o endereço da vossa

organização?

— Sinto muito, mas não temos escri-

tório, nem outras despesas supérfluas.

Se o Sr. quiser assinar este contrato, re-

ceberá regularmente os sabonetes.

Cotten assinou, pagou e acompa-

nhou Warren Dickens até a porta. Vol-

tou e discou um número pelo vídeo-fone.

— É ele, Jerry, nâo d perca de vista.

No visor, atrás do rosto de Jerry dis-

tlngula-ss nitidamente o interior dum he-

licóptero a jato.

— O K Tracy, disse Jerry, estou atrás

dele. i

O homem que se fez chamar Cotten

concluiu: — Perfeito Jerry. A snra. Cot-

ten pode voltar agora; agradeça-lhe pela

colaboração.

He * *

Franck Tracy atravessou rapidamente

o enorme escritório onde trepidavam os

telex e máquinas. Ele cumprimentou

Sandeu, secretária da organização.

— O chefe está me esperando.

— Pode entrar.

— Espero um telefonema dum agente

meu, transfira-o para o escritório.

Frank Tracy sentou-se e acendeu o

cachimbo. — O assunto é grave.

— Conte tudo, disse o chefe.

— Há algum tempo atrás ficamos sa-

bendo que vários representantes faziam

visitas domiciliares a fim de oferecer sa-

bonetes por cinco cents.

— Isto é impossível ,disse o chefe.

— Mas é isso mesmo. A análise de-

monstrou que se trata dos mesmos sa-

bonetes de marcas conhecidas. Eu quis

saber, tomei o lugar dum dos compra-

dores e interroguei o representante que

me visitou.

— E então?

— Nenhuma publicidade, nem serviços

de relações públicas ou atacadistas nem

varejistas.

— Mas a esse preço, eles nem podem

pagar a embalagem.

— Não tem embalagem.

O chefe limpou o suor da testa com

um lenço: — É preciso comprar essa fir-

ma. Qual é o endereço?

— Eles o mantém em segredo.

— Isto é ridículo. Deve ter mil meios

de achá-losv

O vídeo-fone deu um zumbido. A

carinha bonita de Vera Sandel aparece

no visor.

— O agente, Wiseman, cujo telefono-

ma estava sendo esperado está na li-

nha.

— Podo ligar, disse o chefe.

O rosto de Jerry dentro do helicóptero

aparece no visor.

— O homem que eu devia seguir en-

trou num prédio. Depois duns quinze mi-

nutos tive a impressão que ele terminou

seu dia de trabalho. Deve estar fazendo

seu relatório ao patrão.

Mostre o prédio, disse Tracy. A câ-

mara do helicóptero transmitiu imediata-

mente o pedido mostrando um velho e

decadente edifício comercial.

— Vou indo, disse Tracy. Quero um

dossiê completo de Warren Dickens.

O prédio era do começo do século vin-

te. A entrada era realmente micha. Não

havia nem porteiro, nem lista dos loca-

tários. No elevador estava pregado um

aviso "Não funciona". Tracy bateu de

porta em porta percorrendo todas salas.

— Desculpe. É aqui que são vendidos

sabonetes a cinco cents cada?

Finalmente, numa porta do terceiro

andar ele teve uma resposta positiva.

Foi recebido por um homem duns qua-

renta anos, num escritório cheio de pas-

tas até o teto e várias calculadoras I B M.

— O que deseja?

— Sou do "New Times", eles que-

rem fazer uma pesquisa sobre os vossos

métodos de distribuição.

— Estou realmente surpreso. O "New

Times" tem todas as grandes marcas

de sabonetes como clienies publicitá-

rios, tanto com relação ao simples sabão

até aos sabonetes mais luxuosos. Fica-

ria muito surpreso que eles quisessem

uma reportagem a nosso respeito, arris-

cando um choque com os seus poderosos

clientes.

Como resposta, Tracy exibiu um do-

cumento onde se via em letras bem des-

tacadas POLÍCIA ECONÔMICA.

— Sente-se, disse o hemem. Eu lhe

darei todas as informações que

ABERTURA CULTURAL — ANO 2 W Ift

desejarem. Meu nome é Fredric Flowers.

Sou novo nessa profissão e não conheça

ainda todos os seus problemas. Mas

apesar disso não tenho a impressão de

que estamos fazendo algo Ilegal.

— Então porque vocês se escondem*?

— Nós não nos escondemos, fazemos

apenas economia.

— A vossa meta é somente vender sa--

bonetes?

— Bem, lógico que não. Nós conse-

guimos com esses primeiros contatos

uma lista de clientes aos quais ofere-

ceremos outros produtos.

Flowers tirou duma gaveta um barbea-

dor moviao a pilhas.

— Conhece isso?

— Conheço. Comprei um com um es-

toque extra de lâminas. Custou-me 30

dòla.es. Normalmente o preço é 40 dó-

lares.

— Senhor Tracy, de fato esse bar-

beador tem o valor real de custo de um

dólar e vinte cents e nós pretendemos

vendê-lo por dois dólares.

Impossível! Ninguém pederia fabricar

isso por esse preço.

— Está enganado. Nós compraremos

exatamente nas indústrias que fornecem

o corne.Cio em geral. Isso nos permitirá

vender esses barbeadores a uma clien-

tela que jamais os compraria a 40 dó-

lares. E não vamos parar aí. Vendere-

mos também carros. Por 200 dólares,

e aspirina, o quilo, por 50 cents.

— Posso fazer uma pergunta, disse

Tracy. O senhor acha o nosso país prós-

pero?

— Sim. mas ainda poderia ser mul-

to mais se...

— Se os preços baixassem? Mas será

que o senhor não está a par de que a

maioria dos americanos assalariados

trabalham em atividades terciárias; não

produzem nada. Vossas atividades são

nitidamente subversivas, no sentido de

que podem provocar o colapso da econo-

mia norte-americana e terminar com a

vitória da União Soviética. Se deixasse-

mos aplicar os vossos métodos, teríamos

um gravíssimo problema de desemprego,

Mas chega de palavras. Eu pertenço 8

uma seção especial da Polícia Econômi-

ca. Minhas ordens vem diretamente do

Presidente. Dê-me o endereço dos seus

verdadeiros superiores.

* * *

Tracy voltou Imediatamente ao escri-

tório central Primeiro dirigiu-se a secre-

tária: — Diga ao chefe que estou aqui.

Precisamos decretar o estado de emer-

gência. Reuna rapidamente um coman^

do de oito homens com equipamento pe-

sado. Quero um jato supersônico pronto

para decolar a qualquer momento no

aeroporto de Chicago.

Ele entrou na sala do chefe. — Esta-

mos em plena subversão. Precisamos

destruir essa gente antes que eles propa-

guem seus métodos dum canto ao outro

dos Estados Unidos. Vou resolver Isso

já. Mas muito cuidado, não quero de jei-

to nenhum que os jornalistas farejem

algo.

O quartel-geral da empresa visada,

cujo presidente se chamava Adam Wll-

liamson, ficava numa fazenda em Illinois.

Tracy, acompanhado de sete homens ar-

mados comandou a invasão, depois de

ter cortado os fios telefônicos, e posto a

funcionar o dispositivo de interferência

das emissões de TV.

— Mãos para cima, gritou Tracy, to-

dos contra a parede. Estão presas.

Williamson, um homem de cabelos gri-

salhos, duns sessenta anos protestou; —

O que isto tudo quer dizer?

— Seção especial da Polícia Econô-

mica. Está preso por ter provocado uma

ação subversiva contra a economia dos

Estados Unidos.

— Mas eu quero destruir esse siste-

ma, disse Williamson, e evitar o desper-

dício, antes que outros países, que tem

uma economia mais racional, nos ultra-

passem. Depois da confusão inicial nós

reorganizaremos tudo de novo. O gover-

no americano nâo pode fazer nada contra

mim.

— O governo americano não, mas nóà

podemos.

Tracy apertou o gatilho e os outros

sete agentes também.


ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 16

COMPANHEIROS

Companheiros os quatro.

Nova Lisboa companheira. Negro João, Armindo mula-

to do cotpo gingão, Calumango rato do matol

Negro João, a camisa de fora, os pés descalços, cs

olhos ingênuos.

— Diáááário de Luanda! Dláááá...

Mulato Armindo, na esquina, os olhos malandros, os

ditos malandros.

— Graxa menino. Graxa. Pcmada cobrai

Calumango chegou uma noite de chuva e ficou com

eles. A ca.xa de sabão, a escova na mão, o pano batendo

sem prática ainda.

— Mais brilho, negro, isso não é graxa!

Nova Lisboa, companheira. Alegre e trisíe. Aberta da

noite ao luar, ao sei de dia. Percorrendo-a com os pés des-

calços sobre o asfaKo, sobre a areia, por entre os eucalip-

tos à noitinha lá prós lados do São João. Corram os dias.

Nova Lisboa amante, abraçsndo-cs e repelindo-os. Pos-

suída de manhã à noite e sempre jovem.

Jovem eram os olhos do negro João. Malandros os

de Armindo mulato de Luanda. Calumango, rato do mato,

cs olhos receosos, espantados.

Negro João filho do capim. No capim gerado, no capim

parido. Os pés descalços, os jornais sob o braço, vendendo

a leitura pela cidade jovem de Nova Lisboa. A aventura da

cidade nos olhos ingênu.s. A aventura da cidade bebida

nas noites de chuva e trovoada quando Armindo — aque-

le mulato sabia cada história! — contava pelas nol'.es fora,

a música dançando nas palavras, as noitadas dos musse-

ques de Luanda, das praias do mar. Quando ele contavaas

histórias do barco de cabotagem. E repetia quase religio-

samente as palavras que ouv.ra do primo, marinheiro que

conhecia todos os portos da África e da Europa. Palavras

que ele queria explicar bem para João e Calumango, mas

não podia. Palavras que faziam de todos os portos do mun-

do, portos de todo o mundo. Sentia, sentia tudo, mas as

palavras não chegavam à boca. Ele via, porém, nos olhos

Ingênuos de João, ncs olhos espantados de Calumango

que as palavras que ele sabia estavam também dentro de-

les.

Triste vida a do mulato Armindo! Mas quando ele con-

tava até parecia bonita. Parecia aquelas histórias do cine-

ma. Sabia contar multo bem. Calumango olhava e bebia

as palavras. Os olhos pequenos e receosos de animal do

mato, dilatavam. Cheirava à terra, a terra estava no seu

corpo. As anharas extensas. A lavra de milho, da mandio-

ca. A tentação da cidade também o tocara: não resistira

ao chamado das bugigangas dos panos coloridos do loja

do só Pinto. A Irmã também não resistira: dormia com o

sô Pinto.

Calumango velo para a cidade. A camioneta delxou-o

no São João e nessa noite chovia. Por Isso abre os olhos

espantadrs para as palavras firmes e verdadeiras da Ar-

mindo mulato. E quando ele se cala, Calumango sorri.

Mulato Armindo tira a gaita, começa a tocar. Tenta

reproduzir o que sente. O anseio pelo mar mordendo a

areia. A recordação da sua vida de marinheiro — mari-

nheiro de duas semanas. Mas aí aprendera a ser homem.

Até ali, musseque f^ra noites na ilha, lançando na vida

pelo pai — branco que recebera branca no navio e corre-

ra a negra — vadiando, trabalhando, a vida passava. Can-

tando e bebendo Zaragateando.

É isso que ele toca na gaita de beiços. A sua vida

livre de Luanda. O mar, sobretudo o mar.

E o negro João e Calumango percebem. Nunca viram

o mar, não c:nhecem aquele cheiro forte que o sal deixa

no corpo das mulheres. Não conhecem a voz zangada da

calema. Mas sentem o mar na música do Armindo mulato.

O mar naqueles dedos que se curvam, se abrem, scbre o

instrumento, os lábios esticando-se, recolhendo-se, os

.olhes úmidos. A melodia na noite. Cá fora a chuva parou,

as nuvens correram. A lua vem espreitar.

E Calumango, rato do mato, vê o mar. É assim cemo

nos dias de vento o capim a dançar na anhara. Sente que

é assim. Fica de olhos abertos a fitar Armindo.

Ah, bom amigo aquele mulato. É ele que sabe como

se arranja mais p;madas com menos dinheiro, como fa-

zer mais brilho com menos graxa. É que divide o dinhei-

ro dos três. Ofício dele é mecânico, mas sabe tudo. E

diz coisas novas doutras terras — foi o primo que contou!

— o primo não mentia. Marinheiro de muito porto, de

muitos mares, de muitas gentes, não mente. E que pala-

vras as do primo Jo Armindo! ê pena que ele não saiba

dizê-las bem.

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Agora calou-se. Calou-se e chora, é difícil vé-lo

chorar. Ele canta sempre, está sempre alegre.

Negro João, sentado, scletra a custo o jornal quò

sobrara.

— Na A...fri...ca do Sul.. .a.. .gi.. .taçâo...

Negro João, esse filho do capim, está sempre calado.

Chega à noite, de correr a cidade, deita todas as moedas

na esteira para dividirem pelos três. Quem o ensinou a

ler foi o Armindo. O mulato sabe ler bem.

Calumango gostaria de aprender também, mas Armindo

diz que ele é matumbo ainda. Ainda tem que passar mais

tempo na cidade para ficar mais esperto.

No seu canto, mulato Armindo já não está triste. Os

olhos duros. A face dura. As mãos crispadas sobre a gai-

ta parecem querer rebentá-la. Relembra a mãe — Onde

andaria agora a mãe? Vendendo-se pelo musseque! — O

pai branca, a saída da escola. Tudo por causa da branca

que velo no navio. Como ele a odiava. As pancadas as

rixas, a luta pela vida. Aquela vida de vadio dos musse-

ques de Luanda. A expressão dura vai ficando trocista e

os olhos têm um brilho mau.

Calumango, medroso, enco!he-se no seu canto. Negro

João lê com dificuldade, as letras enovelam-se na boca,

ajuda com os dedos esticados sobre o papel.

— Guerra na In.. .do...

Não nota a transformação do amigo. Ele está embe-

vecido, os olhes luminosos querendo desvendar as trevas,

os maxilares estendidos naquela ânsia de ler. E assusta-se

quando o vê subitamente de pé, dizendo:

— Vamos, rapazes! Hoje vou fazer uma como em

Luanda...

Joãa levanta-se. Confia nele. Confia cegamente na-

quele mulato que o ensinou a ler, que lhe fala de coisas

desconhecidas. Calumango, de olhos receosos, encolhe-se

mais. Você se quer fica, seu matumbo, mas assim nunca

mais fica homem.

■ Saem. Calumango vem atrás.

Mulato Armindo sabia aquilo do Luanda. Sabia bem

como se fazia. Tinha calma. Não tinha medo do polícia

nem do "cassetete". Em Luanda fazia mesmo às portas dos

cinemas.

Mas naquela noite as mãos não trabalhavam bem. A

música da gaita estava nos ouvidos, no cérebro, e as mãos

tremiam ligeiramente. Ele ouvia o rugir manso do mar na

Boavisía. Sentia no ar a música que tocara no instrumento.

A chave francesa caiu no passeio e o ruído fèz apare-

cer o polícia. Pancadas de "cassetete". A mâo de ferro

não o largava.

— A roubar a motorizada! Apanhel-te!

Batia. Mulato Armindo estava habituado. Reagiu. Mas

o policia era forte, não o largava. As pancadas amoleciam-

n0 - ■ .. ,

E só quando viu os amigos correrem para elo, deixou

de se debater.

Negro João parará sem saber que fazer. Foi então qus

ele falou, calmo:

— Não vale a pena. Vocês não têm a culpa o não po-

dem fazer nada. Só eu é que levo a porrada.

O políc.a olhava-os. Queria agarrá-los também, mas

estava só.

Afas;ou-se arrastando com ele o mulato Armindo, bri-

gão dos musseques de Luanda.

No passeio, negro João olha o amigo que o ensinou a

ler, que lhe ensinou a vida. Calumango calado, o olhar re-

ceoso acompanhando o amigo que não tinha medo dos po-

lícias nem do "casselete". Nem gritava quando lhe batiam

Sentiu qualquer coisa dentro de si partir-se. Os punhos

cerraram-se. Não eram mais Calumango, rato do maiol Não

era mais!

Na outra esquina a mão livre num adeus camarada,

Armindo mulato, de corpo gingão, dos ditos malandros, sor-

ria para trás.

Negro João, Calumango, rato do mato, lá ficavam na

vida! Olharam-se ambos. O olhar dizia as mesmas pala-

vras do amigo que ensinava a ler, que ensinava a não ter

medo. As palavras que ele não soubera dizer naquela noi-

te, as palavras que ele tinha ouvido, desenhadas nos lá-

bios do primo marinheiro de muitos portrs e muitas águas,

cresciam dentro deles. Palavras que faziam de todos os

portos do mundo, portos de todo o mundo.

A imagem camarada do mulato sorrindo no adeus,

crescia, crescia também e inundava-cs de esperança.

Abraçados os dois, seguiram na noite clara da cidade

jovem.

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ABERTURA CULTURAL ANO 2 N? 16 Página 9

A Noite do Mundo Palavras

Nosso mundo está mergulhado dentro da noite.

Noite de ignorância. Ignorância da verdadeira nature-

za do ser humano para o qual temos sido chamados.

Noite de perda da identidade.

Noite da imperceptibilidade das mais profundas reali-

dades humanas, tal como sexualidade.

Noite de cegueira dos fatos científicos e tecnológicos.

Noite acolhedora de conflitos e divisões.

Noite povoada por toda sorte de demônios.

Noite ameaçadora de sjto-destruição.

Sóis e estrelas esta o se precipitando. Surpreso e

assustado, o povo tenta criar a sua nova maneira de ele-

var-se aos céus. Aos céus dos conceitos e ideclogias, aos

céus dos sistemas de valores.

A situação é tremendamente Instável. Nós todos di-

mensionamos a sua gravidade e a urgenle necessidade de

novas soluções.

É por isso que estamos reunidos aqui em Nairóbi, na

profundeza desta noite. Para que propósito?

Para dizer ao mundo que não estamos atordrados pe-

4o barulho da nossa maquinaria eclesiástica; que não es-

tamos cegos pela trave colocada nos nossos próprios olhos

pelas nossas colocações teológicas. Que não estamos con-

fortavelmenle postos nos bancos doutrinários de nossas

igrejas. Que a nossa capacidade para proclamar e dar

boas-vindas às coisas novas não está desiruída pela nos-

sa venerável religiosidade.

EstaTios aqui para dizer que na noite do mundo nós

ouvimos, nós vemos, nós proclamamos alguma coisa; e

que acima das nossas divisões confessionais nós somos

um naquilo que ouvimos, vemos e proclamamos. É que de-

sejamos falar e agir como resultado do nosso encontro.

O que ouvimos procede de duas direções: da terra e

do céu.

Da terra ouvimos — no melo do gargalhar demoníaco

dos aproveitadores, dos possuidores de abusivos privilégios,

«Iguns dcs quais fazendo uso do Evsngelho para proteger

os próprios interesses — os gritos do sofrimento, os gritos

de terror, os gritos de agonia. Pessoas são humilhadas,

«siraçalhadas na sua dignidade humana, esmagadas pela

miséria. Todos ao redor de nós dizem "NÃO" ao deses-

pero e à anlqullação do homem criado à Imagem de Deus

« estão pondo em prática toda a sorte de processos para

libertá-los e pô-los de pé.

E dos céus nós ouvimos: "Aquele, cuja voz abalou a

terra e agora nos dá a sua promessa dizendo: Ainda uma

vez por todas farei abalar não só a terra, mas também o

A escultura de Guido Rocha dá ex-

pressão ao íjrito de sofrimento da huma-

nidade, a este grito que precisa ser ou-

vido. (Foto de OnelI Soto) Esta escul-

tura foi exposta( durante a V Assembléia

Geral do Conselho Mundial de Igrejas,

em Nalrobl Tanto a Ilustração como o

texlo "A Noite do Mundo" extraímos de

"Tempo e Presença" Centro Ecumênico

de informação.

do Pastor Seth Nomenyo da

Igreja Evangélica de Togo na abertura

da V Assembléia Geral do Conselho Mun-

dial de Igrejas em Nairobi, Quênia, em

23-12-1975.

céu. Ora esta palavra ainda uma vez por todas, significa

a remoção dessas coisas abaladas, como tinham sido fei-

tas, para que as coisas que não são abaladas permane-

çam". (Hebreus 12:26-27).

Noite de crise. Noite de Julgamento. Pode ser.

Nesta noite, porque o Senhor abriu nossos olhos para

ver sua admirável luz, podemos ver "o sol nascente das

aliuras que nos visitará para alumlar os que jazem nas tre-

vas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelos

caminhos da paz". (Lucas 1:78-79).

Este Sol nascente, este Jesus Cristo, este Homem que

ó fraco diante dos poderosos deste mundo, porque morreu

para o pecado e vive para Deus, não pode usar os mes-

mos meios ou as mesmas armas dos seus adversários,

mas na sua fraqueza Deus desdobra o seu todo-poderoso

poder libertador. Ê tido por louco porque ensinou e con-

duziu pelo Espírito Santo e não se conformou com os an-

seios da mente humana, diante da qual a Sabedoria de

Deus é loucura, e não regulou sua vida, sua conduta, seu

comportamento, suas ações de acordo com os elementos

que lhe foram dados pelo senso comum; mas sobre a sua

fo na verdadeira natureza do ser humano a qual desejou

revelar ao mundo; não viveu debaixo da dominação do di-

tame de suas Imediatas necessidades, mas na firme espe-

rança do cumprimento das promessas enquadradas na sua

missão, pela qual estava sendo enviado ao mundo e esta

esperança orientava a sua escolha, determinava seus mo-

tivos, e sustentava suas lutas. Um pobre Homem porque

não possuía nada além do amor de seu Pai; acreditava na

Infinita riqueza do amor de Deus que se tornava aparente

na sua pobreza. Morto até onde sua própria vida estivesse

envolvida, mas vivendo para Deus e para os outros. E

porque escolheu ser tal Homem estava total e plenamente

dentro desse comprometimento. Nunca soube o que era

alionação. Um Homem humilde porque percebia na humil-

dade o poder com o qual precisava revestlr-se para estar

fisicamente coberto da plenitude de Deus. Um Homem

desdenhado, desprezado, rejeitado, familiarizado com a

dor porque não desejava nada mais do que ser o Servo

obediente aos Planos do Pai; porque não desejava nada

mais do que a glória do seu Pai, porque via na sua pró-

pr : a d^nradarão o enlacamento na aparência da glória do

Pai. Derrotado pelos poderes deste mundo porque acre-

ditava na revelação da v^ória, a qual Deus conquistaria

nele, sobre o mal, o pecado e a morte.

Mediante as lutas dos homens para recuperar e fazer

florescer a sua verdadeira humanidade, percebemos a pre-

sença deste Jesus Cristo em quem nós temos a promessa

de uma nova sociedade, porque ele tem o poder para re-

conciliar o homem com a verdadeira natureza do seu ser

e para reconciliá-lo de uma vez com Deus e com seus se-

melhantes: este Jesus Cristo a quem pertence o futuro e

em quem repousam nossas esperanças no futuro.

O Senhor nos dê a graça de proclamarmos juntos em

palavras e em atos esta esplendorosa esperança. AMEM.

• FALE E NÃO TE CALES, esta evoca-

ção do Pastor Martin Nlemoeller, foi o

tema central da capa do nosso número

anterior. O grito responde — está na ho-

ra de gritar.

o GRITO é também o nome de uma

publicação marginal argentina, filiada co-

mo nós ao Sindicato de Ia Prensa Alter-

nativa. Grito diz: Gritar es abrir los ojos,

mirar alrededor, sentlrse parte de los

demás. Gritar es empezar a explorar en

Ia Inmensldad de urio mismo y de los

otros: es conoce-se y conocer. Grilar es

comprometerse con Ia vida. Contato:

Pablo Arbeletch Casllla de Correo 4922

— Correo Central — Buenos Aires —

Argentina.

• Também o Mander Kees, jornal mar-

ginal de Uberlândia, volta continuamen»e

com o tema do grito — deste grito tão

nocessário — neste mundo surdo. Diz

Itamar Carlos: Um grito entalado no

peito da gente começou a escapulir de

repente... Este grito talvez seja o re-

flexo do primeiro grito de ABERTURA

CULTURAL. Nosso jornal Mander Kees

faz parte da Imprensa marginal que co-

meçou tomar corpo por es f e Brasil afo-

ra... e estamos com a RESISTÊNCIA

ECOLÓGICA. MANDER KEES, uma janela

de Uberlândia para o mundo, saúda a

ABERTURA de vecês. Contato: MANDER

KEES Rua Tenente Virmondes, 51 —

Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.

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Página 10

índio - Filho da Natureza -

Brasil: Txucaameis

Requiem por um Povo Livre

O lábio Inferior esticado por um fino disco

de madeira, a parte superior do rosto e a testa

pintada de um vermelho vivo, o corpo ágil, atléii-

co, curtido pelo sol e pelas intempéries, os Txu-

caameis, uma tribo da nação gê, dominava vastas

regiões, entre a serra do Cachimbo e o rio Ama-

zcnas.

Atravessando matas, cerrados e campinas,

convivendo com a natureza, caçanda, pescando,

guerreando, transmitindo e conservando suas tra-

dições, suas festas, suas danças, seus rituais —

e também sua visão própria do mundo, os Txu-

caameis constituíam comunidades de gente li-

vre, conscientes dos seus valores. Um povo or-

gulhoso da sua identidade, que transmitia por

tradição oral e uma educação cuidadosa aos Jo-

vens, as experiências colhidas numa convivên-

cia milenar com a natureza, da qual surgiram as

regras da vida comunitária.

Vivendo numa região onde o chamado pro-

gresso tardou a chegar, os Txucaameis conse-

guiram ao menos em parte manter-se à margem

da civilização salvando-se assim por muito tem-

po do extermínio e do aviltamento.

Há já mais de vinte anos, Cláudio e Orlando

Villas-Boas estabeleceram o primeiro contato

amigável com os Txucaameis, naquela época vi-

vendo numa região entre o Xingu e o Tapajoz.

Sabendo que na região onde viviam iriam

ser atingidos logo pela maré de degradação, os

Irmãos Villas-Boas convenceram uma boa parte

da tribo de mudar para dentro do Parque Nacio-

nal do Xingu, onde cerca de 400 se estabelece-

ram numa aldeia que chamaram Pororl, à margem

do rio Xingu, próximo à confluência do rio Jarina

ao sul das Quedas de von Martius.

Cobrati, o guia espiritual, que fala com o

espírito de animais e gente, cuidava das tradi-

ções, dirigia as danças, as feslas, os rituais, e os

guerreiros usavam nestes festas grandes coca-

res de penas de cores variadas, uns de um ama-

relo brilhante uniforme, outros muiíicol-ridas.

Em outras cerimônias usava-se enormes trajes

de palha que escondiam cabeça e corpo.

A vida continuava fluindo, qual água dos

rios, com cheias e vazantes, com cada criança,

homem, mulher, velho preenchendo o seu lugar

na comunidade, com os ritos de iniciação para

os Jovens, com a alegria da caça bem sucedida;

com o respeito pelos velhos, pelas coisas que

sabem contar, pelas experiências de tempos idos

que sabem transmitir. Os índl:s sabem que o

passado não volta, que o tempo é como a água

do rio que passa, e que o futuro traz mudanças.

Mas as mudanças na vida tribal são lentas, e

quando o nosso chemado "progresso" chega

com sua aceleração da his'órla, o efeito na vida

tribal é como um terremoto — físico, social e

psíquico.

O avanço de uma nova rodovia, a BR-80 que

liga Barra do Garças via Xavantina, a uma ou-

tra rodovia a BR-165 (Cuiabá — Santarém) atin-

ge o Parque Nacional do Xingu, corta o Parque

qu,-! já ft i::na bam reduzida reserva indígena :■

ícda parte que fica ao Norte da Estrada, Junto

com a aldeia de Porori, novo lar dos Txucaameis,

é dosmambrado. É o famoso sistema salame,

fatia por fatia se vai cortandi, em holocauso a

um progresso que apenas devasta sistemas bio-

lógicos estáveis e acaba criando desertes.

Porori que devia pertencer aos Txucaameis

— já não é mais deles. Os tambores de festa

cessam seus ritmos. Promessas são apenas pro-

messas. Quem fez as promessas não tem o po-

der do cumpri-las. A tribo está consternada, Pa-

ra eles a condução à aldeia de Porori resul.ou de

um trato solene, ao nível das coisas sagradas.

Mas o Brasil não quer saber — avança rápido

para a destruição das suas malas, desbrava ter-

ras para a agricultura sem antes querer saber se

esías terras pedem sustentar agricul.ura, e se

pudessem, quais seriam os preços do transporte.

E um avanço cego de um rodoviarismo alucinado,

numa época em que exatamen'e a importação de

petróleo se tornou o magno problema deste nos-

so tão desengonçado modelo econômico. Neste

avanço, lateralmente, sem prestar muita aten-

ção, sem propriamente querer, destróe-se o índio

também.

Com Porori fora da sua reserva, cerca da

metade da tribo segue ao chefe Rauni e muda

para o sul, para uma nova aldeia chamada Kre-

tira, perto do ponto onde o Suiá-Missu deságua

no Xingu. Outros não seguem ao chefe, não vão

a Kretira, já cansaram das promessas dos brancos,

se espalham, tentando voltar a um mundo que já

não existe mais.

A aldeia de Kretira não fica longe da estra-

da em construção. O contato com cs civilizados,

sua gripe, seu sarampo, sua cachaça, sua con-

cepção utililarista do mundo, faz suas vítimas e

destróe seus valores.

Não há dúvida, hoje os Txucaameis caçam

com espingardas e cartuchos e pescam com fio

de náilon e anzol da aço — só falta comer "Corn-

Flakes", carne enlatada e peixe super-congelado.

Dificilmente hoje um Txucaamei dirá com

voz orgulhosa: "Sou um guerreiro poderoso. Di-

ferente dos outros homens. Devo ser respeitado

e temido".

Estes tempos passaram, as crianças já não

aprendem mais que a natureza é a sua mãe.

Já não sabem mais rir na festa da Tartaruga.

Se faltar náilon como irão pescar? Faltando car-

tuchos como caçarão?

Conseguimos, parece integrá-los à nossa ci-

vilizí.ção de gente cabisbaixa, à nossa miséria.

Os Txucaameis são apenas um exemplo, um

uma exemplo privilegiado ainda, pois alguns

ainda se agarram às suas tradições, seus valores

— e quem sabe outros, com esta sua enorme

vontade de viver já estão a procura de uma nova

Indianidade.

Na Amazônia — estradas — devastação —

degradação: a "civilização" avança; os fazedores

de desertos estão em ação, tentando derrubar

um império, oue ainda falta nascer.

REQUIEM POR URl POVO LIVRE. Quem sabe

de surgir ao menos um compositor, para cap-

tar nossas emoções, nossa tristeza, nossa impo-

tência, enquanto assistimos como se rasqa o

Brasil com estradas — estradas para o nada —

mas rasga sim — rasga-se o Brasil literalmente.

Até ficar em farrapos!

ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 16 ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 16 Página 11

Genocídio - Pecado Original

CHILE: MAPUCHES

"Kila pataka trlpantu Kuiflngekeful in, inchim

taln mapu.

Tlfa nitufiln, Lakanaln kai".

"Trezentos anos atrás esta terra era nossa.

Agora vamos retomá-la, e nós estamos preparados

para morrer".

Canção dos Mapuches do Chile

Mapuche — quer dizer "gente da terra". Exis-

tem 550.000 Mapuches no Chile aiual, cerca de

400 mil esíão em áreas rurais, dis.ribuidos por

3.000 reservas índias do sul do Chile, todas lo-

calizadas em encosias pedregosas pouco produ-

tivas. No sul do Chile, os Mapuches constituem

cerca de 75% da população. Os 150 mil Mapu-

ches que moram em cidades, também geralmente

no Sul do Chile, dedicam-se quase tedos a tarefas

mais humildes e mal-pagas. Mas mesmo os Ma-

puches que moram nas cidades na sua maior par-

te conservaram sua língua, costumes e identidade

cultural.

Em todo o sul chileno a população índia das

áreas rurais está comprimida em reservas muito

pequenas, com grande densidade populacional.

As terras melhores da região, os vales férteis, per-

tencem todas a fazendas de latifundiários brancos,

que recorrem geralmente à mão de obra barata,

fornecida pelas reservas índias. Desde a formação

original das reservas até agora, a sua superfície

total encolheu em toda parte, as fazendas dos

brancos aumentavam à custa dos índios através

de artifícios de todo? tipos, que tiveram o apoio

de uma justiça totalmente ao lado do interesse doè

brancos. O governo Allende desapropriou 37 dos

maiores latifúndios na região índia e devolveu esta

terra aos Mapuches.

O golpe militar da Pinochet retomou as terras

dos índios, aproveitando a ocasião, para a reali-

zação de alguns massacres que vitimaram algumas

centenas ou mesmo alguns milhares de índios —

os dados variam — conforme as fontes. Em todo

caso ó certo que todos os principais lideres ín-

dios como Felix Huentelaf, Rosando Huenumann e

outros, foram executados sumariamente.

Mas para os Mapuches, Isto ó apenas mais um

capitulo de uma longa história.

Os primeiros invasores foram os incas, que

em torno de 1400 vieram do norte, construindo es-

tradas calçadas de pedras ao longo da costa, dis-

postos a colonizar o Chile e cobrar tributos. Mas

os Mapuches resistiram no lnte'ior do país, nas

encostas dos contrafortes dos Andes, cheias de

florestas e detiveram cs Invasores.

Depois dos Incas chegaram os espanhóis. Es-

tes invadiram o Chile em meados do século 16,

descendo pelas estradas que os Incas construí-

ram, conquistando a parte norte e Central do Chi-

le, derrotando as tribos nativas, aparentadas aos

Mapuches. Mas ao chegar no Sul chileno, numa

área ainda hoje conhecida como "Fron'eira", o

seu avanço foi detido. Os Mapuches resistiram

com um eficiente sistema de guerrilhas.

Al^nso de Sotomayor, em 1585, relatou ao seu

rei Felipe II as dificuldades que os espanhóis en-

contraram na terra dos Mapuches:

"Pode-se andar nesta região um ano inteiro e

encontrar quando muito uma mulher velha, quando

eles não que. em combater, porque o terreno é

tão d.ficil e eles se movimentam tão livremenie,

enquanto nós estamos tão sobrecarregados com

suprimentos, gado etc, que já sabemos anteci-

padamente que nossas incursões não terão efei-

to algum. E todo dia, eles furtam nossos cava-

los".

Apenas 23 anos após a chegada dos espa-

nhóis, cs Mapuches já tinham sua própria ca-

valaria e aiguns anos mais tarde. Já usavam ar-

mas de fogo.

As novas armas, as experiências ctlhidas na

luta com os invasores, combinado com seu co-

nhecimento do terreno acentuaram sua superio-

ridade. Os Mapuches não tinham um estado or-

ganizado, viviam em pequenos grupes ligados por

laços familiares, caçando, pescando, colhendo o

produto da pequenas roças. Só para operações

militares de maior envergadura, eles se uniam

para a luta.

OTTO BUCHSBAUM

Os espanhóis mostraram-se incapazes de

avançar apesar de saberem que havia ouro na

terra dos Mapuches. Um outro famoso comunica-

do ao rei da Espanha diz: "A guerra com os Ma-

puches já nos custou mais do que a conquista do

resto da América".

Lá pelos fins do século 17, os Espanhóis de-

sistiram do avanço em direção sul, aceitando o

fato de que o território dos Mapuches era inex-

pugnável. Por Isso, construíram uma série de

fortes ao longo da fronteira e uma trégua inquie-

ta, entremeada de lutas, se estabeleceu até 1884.

Neste ano, os chilenos brancos, já indepen-

tes da Espanha e com armamentos e organiza-

ção militar muito superior, conseguiram final-

mente ocupar todo o sul do Chile, a terra dos

Mapuches. Terminou assim a mais longa e mais

bem sucedida resistência índia da América La-

tina. Hoje os Mapuches sofrem Junto com todo

povo chileno, o guante de uma feroz ditadura mi-

llter.

Todas cooperativas agrícolas que foram

criadas na terra dos Mapuches, durante o gover-

no Allende, foram desmanteladas. E os noves lí-

deres Mapuches que surgiram para substituir os

que foram fuzilados nos primeiros dias do mas-

sacre, foram também presos, confeme se foram

destacando, como por exemplo, Alejandro Manque,

der do cooperativismo mapuche, preso e tor-

turado desde 1974.

A vida de muitos presos políticos do Chile

tem sido salva pela ação das Nações Unidas —

da Comissão de Direitos Humanos das Nações

Unidas e pela solidariedade internacional em ge-

rei. A avalanche de cartas de cidadãos comuns

do mundo todo, de Igrejas, sindicatos, associa-

ções de tedo tipo, que o general Pinochet tem

recebido, tem constituído uma ajuda efetiva pa-

ra salvar a vida, ou mesmo para restituir a liber-

dade a muitos prisioneiros no Chile.

A hora é de participação! Não repita a per-

gunta de Caim: "Sou eu porventura o guardião

do meu irmão? — Pois nós todes somos os guar-

diões dos nossos irmãos. Nes;a maré de solida-

riedade internacional os prisioneiros políticos ín-

dios tem sido algo esquecidos. Vamos corrigir

isso. Dê você também sua contribuição — es-

creva exigindo a liberdade de Alejandro Manque

e de todos presos políticos Mapuches.

O endereço é: General Pinochet — Edifício

Diego Porteles — Santiago Chile. E mande uma

cópia da sua carta (que pode ser escrita em

português mesmo) para o INTERNATIONAL 1N-

DIAN TREATY COUNC1L, 777 U.N. Plaza, New

York, N.Y., 10017 — USA, onde está sendo pre-

parado um relatório sobre a situação dos Ma-

puches no Chile e onde todas moções de soli-

dariedade serão registradas a pedido da Assem-

bléia Geral das Nações Unidas.

Todos cs países do continente americano

tem sua origem comum no genocídio. Nos Es-

tados Unidos, na Argentina e no Uruguai a eli-

minação do índio foi quase completa. Nos paí-

ses andinis no Paraguai, no Brasil, na América

Central, no México e no Canadá o processo da

eliminação do índio não se completou, o índio

faz parte da paisagem humana, como assimi-

lado, que vegeta dentro das camadas mais des-

privilegiadas da população, ou em parte ainda

cnservando sua identidade cultural. Ao todo, no

continente americano cerca de 50 milhões podem

ser considerados como etnicamente índios.

Para a sobrevivência do índio na América La-

tina houve a contribuição de figuras humanas co-

mo cs Padres Montesinos e Bartolomeu de Las

Casas, que se tornaram campeões da defesa do

índio na primeira fase da conquista européia.

Mas certamente o fator mais importante é o cli-

mático. Os países de clima quente não atraíram

a emigração européia na mesma escala como

nos Estados Unidos e na Argentina. Quer dizer,

não houve um povoamento de substituição e o

índio conservou-se em diversas escalas de assf-

milação como parcela importante ao menos das

classes populares.

Mas de qualquer maneira, o genocídio é o

pecado original de todo continente americano,

criando um trauma psíquico e um vácuo histórico

que chega cada vez mais à consciência do ho-

mem americano de norte a sul.

A epopéia ou tragédia do índio norte-ameri-

cano teve uma vasta divulgação de todos os seus

aspectos, vistos de todos ângulos, desde o triun-

falismo do conquistador, até à descoberta da me-

lancólica verdade histórica, quando examinamos

a questão do prisma da atualidade. Hoje sabe-

mos que a destruição do índio norte-americano

também foi a destruição de um continente. Não

é só a triste história de uma seqüência de massa-

cres abjetos e de tratados assinados pelo gover-

no americano com os índios e sempre rompidos

a bem do "progresso".

Sempre quando o governo americano resolvia

não honrar um tratado, então pela força das ar-

mas buscava-se alcançar a nova situação dese-

jada. A fome de novas terras fazia a colonização

branca avançar contra índios que nem entendiam

que a terra era algo que podia ser "possuída".

Numa destas muitas expedições militares, o regi-

mento do Coronel Custer sofreu uma amarga der-

rota diantes dos índios em Little Big Horn.

O famoso episódio de Wounded Knee foi a

desforra do exército americano 14 anos depois.

O ano de 1890 tinha sido muito duro para cs

Sioux. O seu grande cheie Sitling Buli morrera,

as colheitas fainaram de maneira calamitosa, um

inverno severo e doenças epidêmicas fizeram

muitas vitimas entre os índios enfraquecidos pe-

la fome. Os al.menios que as autoridades ameri-

canas tinham prometido, não chegaram. Assim

o cacique Big Foot, com algumas centenas da

homens, mulWeres e crianças, abandonou as ter-

ras pedregosas da sua reserva no Dakota do Nor-

te, buscando uma região mais favorável para

tentar sobreviver. Acampando à margem do pe-

queno rio Wounded Knee, os índios foram cerca-

das por tropas do 7? Regimento de Cavalaria.

Deu-se aos índios a ordem de voltar para

a sua inóspita reserva, aoesar do próprio co-

mando dos militares americanos ter consciência

de que isso significava a morte certa pela fome.

Diante da hesitação dos índios de acatar a ordem,

começou o massecre. A data de 28 de Dezembro

de 1890 consta nos anais do Exército Americano

como a Batalha de Wounded Knee. Mas não hou-

ve batalha alguma, houve um massacre — os

soldados do 7? Regimento de Cavalaria, com me-

tralhadoras, sem qualquer aviso prévio, ceifavam

tudo que se movia.

As mulheres e crianças que corriam fugindo

foram fuzlcdas pelas costas; todas, tambsm as

grávidas e as velhas. Elas fugiam, mas os sol-

dados não queriam deixar ninguém escapar, e

do Continente Americano

COM OS NOSSOS AGRADECIMENTOS A NAÇÃO MOHAWK

E AO JORNAL ÍNDIO NORTE-AMERICANO AKWESASNE NO-

TES E A UNESCO PELO DADOS, DOCUMENTOS E INFORMA-

ÇÕES QUE NOS FORNECERAM.

Estados Unidos: ao Encoolro t orna Kova Indianidade

as perseguiam Impledosamente. Alguns meninos

que tinham se escondido e que algum tempo de-

pois não ouvindo mais tiros, saíram dos escon-

derijos, foram também friamente exterminados.

James Grass, guia do exército, contou de-

pois, dando seu testemunho para a história, que

se achou cadáveres de mulheres e crianças fu-

ziladas a mais de três quilômetros de distância

de Wounded Knee.

James Abourezk, senador que representa o

Dakota do Sul, tenta atualmente através da lei res-

tabelecer a responsabilidade histórica e ao mes-

mo tempo pagar uma indenização de 3 mil dóla-

res a cada um dos descendentes das vítimas.

Há contra isso uma forte resistência por parte do

exército norte-americano. De um lado tem a

"honra" em Jogo, da outro lado há também a

questão financeira. Outras vítimas da massacres

poderiam reclamar.

Imaginam só aonde poderá levar isso de pa-

gar indenizações? Wounded Knee foi apenas um

dos muitos massacres. _ .

Examinando a história... Só os 600 mil fili-

pinos que os americanos chacinaram na virada

do século 19 para o 20, devem ter uns 20 milhões

de descendentes com direito a Indenização. Mas

a preocupação maior deve ser mesmo a "honra"

nacional. De acordo com a versão do exército

foram provavelmente as mulheres e crianças sioux

que perseguiram os cavalarianos e depois foram

mortos em legítima defesa.

Mas quem pensa que a guerra do governo

norte-americano contra os índios acabou, está

enganado.

A verdade é outra — o índio americano já

quase extinto, se reencontrou, organizou-se e

mostra-se cioso da sua identidade. Com uma

taxa de natalidade muito alta a comunidade índia

aumenta constantemente.

Quando recentemente em Ganienkeh, nas

Montanhas Adirondacks, no Estado de Nova

York, morreu Skahsennati da nação Mohawk, ela

deixou 15 filhos e mais de 100 netos. Mas não

pensem que os índios de Ganienkeh estão segu-

ros nas suas terras — o governo americano

ainda está "estudando" se podem ficar lá. Co-

mo diz a respeito a jovem Deskaheh: "Deixaram-

nos um pequeno pedaço de terra, exatamente o

suficiente para viver e morrer lá. Não acham que

o seu governo devia estar envergonhado de que-

rer tomar-nos esta terra — alegando que lhe

pertence?

O American Indian Movement, National In-

dlan Youth Council e a Interreligious Foundation

for Cemmunity Orgar.ization — IFCO e outras

entidades estão liderando a reação dos índios

norte-americanos, sua busca de uma autêntica

Indianidade e sua busca de uma autonomia nacio-

nal.

Como diz Philip Deere, índio Muskogee e

um dos líderes do American Indian Movement:

Nossa maneira índia de viver tem sido testada

por milhares de anos, e nós soubemos conservá-

la. O que nos foi dado desde a aurora da cria-

ção, nós pretendemos conservar e se for neces-

sário vamos morrer por isso".

A reação governamental tem sido muito for-

te, muitos líderes índios esíão presos, com base

em provas forjadas pelo FBI, que conforme hoje

Já sabemos, compete com a Cia. e a Mafia, no

campo do crime organizado. Estes índios foram

condenados por Júris todo-brances (all-whUe),

sem chance alguma, em processos ulíra-rápidos.

Um exemplo disso é Leonard Crow Dog —

um índio Lakota e lider espiritual que da peni-

tenciária norte-americana manda-nos a seguinte

mensagem:

"Que lei será que violei? é errado que eu

ama a minha gente? Será que tudo é ruim para

mim porque minha pele é vermelha? Porque sou

um Lakota, porque nasci onde meu pai viveu?

í-orque estou disposto a morrer por meu povo e

meu país".

Poesias de índios

Norte-Americanos

FALCÃO DE FOGO

Na minha busca das Pedras Cantantes

Eu andei nas trilhas do espírito

buscando o Lago Encantado

Lá longe atrás dos pinheiros

e das miragens

Eu voei bem alto — acima

dos mitos do arco-íris

Um Falcão de Fogo!

E lá embaixo —

libéluias embaladas pela relva verde.

Voando alto,

Voando

Minhas asas vibram fortes.

Ossadas avermelhadas

nas areias brancas do deserto

e os restos de pássaros

que o vento apaga.

Meus ouvidos captam

os gritos dos coiotes

que percorrem a Ilha das Tartarugas

sempre, eternamente...

PJ BROWN

ORAÇÀO

A terra é linda

o céu é lindo também

Meu povo é tão lindo i

e meu coração está cheio de amor!

Vaie a pena viver por isso

e também vala a pena morrer por Issol

Hckaheyl '

JOHN LAUGHING WOLF

Missoula — Mon:ana

(Continua na Pág. 13)


Página 12

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ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 1C Página 13

Estrela da Manhã - Irmão Sol

Conheço todas estas estradas

pedras e sujeira sem fim,

66 ou 99 para Oeste

Luz alta — respire

fumaça cinza — que sal

suavemente em rolos,

Idéias surgem,

eu rio de mim mesmo

bebendo café preto,

pensando novamente —

Aonde você vai mexicano?

Mais uma miiha — 29

Grand Forks — Sloux Falls,

O que você procura, chicano?

Os pensamentos me perseguem

RO caminho de Nova York.

Aonde vai índio?

Idéias zombeteiras, embaraçosas,

SUL — PAN AMERICAN HIGHWAY

estou falando um bocado comigo,

com minha gente — minha mãe

com meu Deus — em visões

através de tantas imagens...

e você sabe, você sabe

com quem eu falo?

Estrela da Mrnhã, Irmão Sol,

Deus e Senhor dos Aztecas,

lembro as alvoradas, muitas alvoradas,

desde os tempos de criança,

eu gosto ver-te levantar —

num novo dia — e falar, falar sem fim

com a Estrela da Manhã

JUAN REYNA

II Volta ao Meu Povo

Espirito livre

Voe sobre as montanhas

■ Procure os vales e os lugares sombrios

na minha alma.

Espírito preso

Triste pelos valores perdidos de antanho

procure a liberdade.

Força de vontade

perdida no sem-sentldo do estilo-de-vida dos brancos

F-iocure o caminho de novo.

fcspfrito Livre

Volte a mim no reencontro com meus antepassados

e com o cerne do meu coração

venha a mim, com um renascer.

Espírito preso

se me trazes à terra

e amarras minha alma

tudo está perdido!

Alce vôo sobre rios e montanhas

do Espírito do Mundo

e leve-me de volta ao meu povo.

Para achar de novo —

A razão do existir.

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Mil Vidas lá Além

Andei por toda parte na minha longa vida

vi flores se abrindo, pássaros voando,

ouvi Insetos zunindo —

o movimento — que é a vida.

Em todo deserto, toda montanha,

todo rio, todos os mares,

a vida se agita.

Em todo costão, em toda sarjeta,

em qualquer parte da terra,

tudo cresce, se move, vive.

Todas as noites eu olho para cima,

o céu tem milhares de estrelas

e esta vida, que na terra se move,

será que se move dentro do céu tambám?

De dia eu olho para cima

não vejo as estrelas,

mas eu sei que atrás do sol

há milhares vibrando de vida.

Se além do sol a vida se agita,

será que os filhos dos meus filhos irão junto?

Esta noite meu espírito viaja por um longo caminho

e onde meu espírito vai

meu corpo segue também.

Eu não tenho só uma única vida curta

Eu tenho mil vidas lá além.

CHANTE TONKA

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Se Encontrar Meu Pai

Se encontrar meu pai

ssu nome é Iron Priest

ele nasceu numa Reserva

mas cresceu numa cidade.

Ele amou uma moça preta

depois voltou para sua Reserva

e ela voltou para a sua geníe.

Eu sou a sua filha

com o nome de Iron Priest

qual é o seu sentido?

' Eu só entendo sentindo,

nunca ouvi a língua Cherokee.

Se encontrar meu pai

(seu primeiro nome é Johnny)

diga-lhe que sua filha

é uma Iron Priest.

TSI-KA-GI IRON PRIEST

P.S. (você olhou na minha alma, pois

isso é a realidade)

Peqnena Mnlher Sioox

É inverno, de novo, mulher dakota

as cristas da neve, guardam velhas lembranças

escondidas dos penetrantes olhos do falcão.

Uma canção esquecida, saindo das raízes fundas

da sua garganta, conta histórias do nosso povo,

da caminhada eterna para o país da primavera,

onde tudo nasce belo, jovem, forte

e onde os rostos dos mais antigos

e dos velhos guerreiros de antanho

que já desceram o íngreme declive

são recordados pela voz dos ventos.

Agora puxo as cordas para desvendar

a brancura óssea da lua.

Murmuro seu nome, nos meus ombros nus

os mocassins pendurados,

sinto sua respiração, na quletude deste céu de inverno

beijo meu filho com a compreensão do dia,

que os velhos cantos, despertaram em mim.

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A Terra é Nossa Irmã

"O grande chefe da Washington man-

dou dizer que deseja comprar a nossa

terra. O grande chefe assegurou-nos

também de sua amizade e sua benevo-

lência. Isto é gentil de sua parte, pois

sabemos que ele não necessita da nossa

amizade. Porém, vamos pensar em tua

oferta, pois sabemos que se não o fizer-

mos, o homem branco virá com armas e

tomará nossa terra. O grande chefe em

Washington pode confiar no que o chefe

Seathl diz, com a mesma certeza com

que os nossos irmãos brancos podem

confiar na alternação das esações do

ano. Minha palavra é como as estrelas

— não empalidecem.

Como podes comprar ou vender i o

céu, o calor da terra? Tal idéia nos é es-

tranha. Nós não s^mos donos da pureza

do ar nem do resplendor da água. Como

podes então comprá-los de nós? Decidi-

mos apenas sobre o nosso tempo. Toda

esta terra é sagrada para o meu povo.

Cada folha reluzente, todas as praias

arenosas, cada véu de neblina nas flores-

tas escuras, cada clareira e todos os In-

setos a zumbir são sagrados nas tra-

dições e na consciência do meu povo.

Sabemos que o homem branco não

compreende o nosso modo de viver. Para

ele um torrão de terra é Igual a outro.

Porque ele é um estranho que vem de

noite e rouba da terra tudo quanto

necessita. A terra não é sua Irmã, mas

sim sua Inimiga, e depois de a exaurir,

ele vgi embora. Deixa para trás o túmulo

do seu pai, sem remorsos de consciên-

cia. Rouba a terra dos s^us filhos. Nada

respeita. Esquece as sepulturas dos an-

tepassadrs e o direUo dos filhos. Sua

ganância empobrecerá a terra e deixará

atrás de si os desertos. A vista de tuas

cidades é um tormento para os olhos do

Do chefe índio Seathl

homem vermelho. Mas talvez seja assim

por ser o homem vermelho um selvagem

que nada compreende.

Não se pode encontrar paz nas cida-

des do homem branco. Nenhum lugar

onde se possa ouvir o desabrochar da

folhagem na primavera ou o tinir das

asas de Insetos. Talvez por ser um ser-

vagem que nada entende, o barulho das

cidades é para mim uma afronta aos ou-

vidos. E que espécie de vida é aquela

em que o homem não pode ouvir a voz

do corvo noturno ou a conversa dos sa-

pos no brejo, à noite? Um índio prefere

o suave sussurro do vento sobre o es-

pelho dágua e o próprio cheiro do ven-

to, purificado pela chuva do meio-dia e

com aroma de pinho. O ar é preciso pa-

ra o homem ve r meho. Porque todos cs

seres vivos respiram o mesmo ar —

animais, árvores, homens. Não parece

que o homem branco se Importe com o

ar que respira. Como um moribundo ela

é insensível ao ar fétido.

Se eu me decidir a aceitar, Imporel

uma condição. O homem branco deve

tratar os animais como se fossem seus

Irmãos. Sou um selvaqena e nã^ com-

preendo que possa ser certo de cutra for-

ma. VI milhares de blsOes apodrecendo

nas pradarias abandonadas pelo homem

branco que os abatia a tiros disparados

do t r em. Sou um selvaqem e não com-

preendi como um fumeqanfe cavalo da

ferro possa ser mais valioso que um bi-

são que nós — os fnd ! os — matamos

anenas rara sustentar a nossa própria

vida. O que é o homem sem os animais?

Se todos «-s animais acabassem, C! ho-

mens morreriam de soliiifto esolrftual,

p^rnue tudo nuanto acontece a^s ani-

mais pode tamb*m afetar os hom*ns.

Tudo está relacionado entre si. Tudo

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Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco.

Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem

na primavera ou o tinir das asas de insetos.

O homem branco deixa para trás o túmulo do seu pai, sem

remorsos de consciência. Rouba a terra dos seus filhos.

Nada respeita. Esquece as sepulturas dos antepassados e

o direito dos filhos. Sua ganância empobrecerá a terra

e deixará atrás desertos.

Carta do chefe índio Seathl, cujo nome foi dado a Seattle,

a maior cidade do Estado de Washington. O chefe Seathl, da

tribo Suquanrsh, t8mbém conhecida como Duwamish, escreveu

esta carta em 1855 ao Presidente dos Estados Unidos Franklin

Pierce. Os tratados que as diversss nações índias da região ne-

gociaram com Isaac I. Stevens, o governador do território, não

foram cumpridas pelo governo americano, o que resultou em

massacres, que correspondem as previsões melancólicas do

grandeder índio.

quanto fere a terra fere também os filhos

da terra.

Os nossos filhos viram seus pais hu-

milhados na derrota. Os nossos guerrei-

ros sucumbem sob o peso da vergonha.

E depois da derrota passam o tempo em

ócio, e envenenam seu corpo com ali-

mentos adocicados e bebidas ardentes.

Não tem grande importância onde pas-

saremos os nossas últimos dias. Eles não

são muitos. Mais algumas horas, até

mesmo uns Invernos, e nenhum dos fi-

lhos das grandes tribos que viveram nes-

ta te"ra ou que têm vagueado em peque-

nos bandos nos bosques, sobrará para/

chorar sobre cs túmulos um povo que um

dia foi tão poderoso e cheio de confiança

como o nosso.

De uma coisa sabemos, e o homem

branco talvez a descobrirá um dia: o

nosso Deus é o mesmo Deus. Julgas,

talvez, que o podes possuir da mesma

maneira como desejas possuir a nossa

terra. Mas não podes. Ele é Deus da hu-

manidade Inteira. E quer bem Igualmen-

te ao homem vermelho como ao branco.

A terra é amada por E^. E causar dano

à terra é demonstrar desprezo pelo seu

Criador. O homem branco vai desabara-:

cer, talvez mais depressa que as outras

raças. Continua poluindo a tua própria

cama! e hás de morrer uma noite, sufoca-

do nos teus oróprios deietos! Deoo^ de

abatido o último bisão e domados todos

os cavalos sPlvaaens, quando as matas

misteriosas federem à gente, e quando

as colinas escarpadas se encherem de

fios que falam — onde ficarão os ser-

tões? Terão acabado. E as águias? Te-

rão Ido embora. Restará dar adeus à

andorinha e ô caca. o fm da vida e o

começo da luta para sobreviver.

Talvez compreendêssemos se conhe-

cêssemos com que sonha o homem bran-

co, se soubéssemos quais as esperanças

transmite a seus filhos nas longas noi-

tes de Inverno, que visões do tuluro ofe-

rece às suas mentes para que possam

formar os desejos para o dia de amanhã.

Mas nós somos selvagens. Os sonhos

do homem branco são ocultos para nós.

E por serem ocultos, temos de escolher

o nosso próprio caminho. Se consentir-

mos, é para garanMr as reservas que noa

prometesfe. Lá talvez possarms viver os

nossos últimos dias conforme deseja-

mos. Depois que o último homem ver-

melho tiver partido e a sua lembrança

não passar da sombra de uma nuvem a

pairar acima das pradarias, a alma do

meu povo continuará a viver nestas flo-

restas e praias, porque nós as amamos

como um rec^m-nasnido ama o bater

do coraoão de sua mãe. Se te vender-

mos a nossa terra, ama-a como nós a

amávamos. Proteqe-a como nós a rro-

teglamos. Nunca esqueças como era a

te-ra quando «•'ela tomaste oosse. E cm

toda a tua força, o teu poder, e todo o

teu craoão — conserva-a para teus fi-

lhos, e ama-a como De^s nos ama a to-

dos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus

é o mesmo Deus. Esta terra é quer'da

por Ele. Nem m°smo o h^mem pode

evitar o nosso destino comum".

A tribo do chefe Seathl não foi fotal-

men"* exterminada. Hoje às mareeis do

Canal Hood há uma comunidade Índia

com mais de 300 membros. São oa

Squamlsh eu Suquamlsh, que conterva-

ram sua identidade, descendentes dlgnoa

de um grande povo. Testemunhas da

história, que assistirem como as palavras

profétiess de Seathl se cumpriram.


ABERTURA CULTURAL — ANO 2 W 18 Página 1S

Confronto dos Soldadinhos de Chumbo

A manhã silva e estremece, subindo as estreitas ve-

redas da montanha, como uma procissão de fiéis, fide-

Itesimos, de peregrinos que não temem os declives, nem

os abismes.

Nos meus ouvidos ressoa o ruído dos tambores da

aívorada, como se quisessem anunciar o matraquear de

batalhas vindouras, o choque de consciências ou o con-

frontq.íle soldadinhos de chumbo.

No meu sono, não-sono, no mormaço de um longo

acordar, sonho com um ursinho de pelúcia, companheiro

constaníe e interlocutor válido da minha inlância; sinto, co- t

mo se sente os raios de um brando sol matutino, os olhos /

da minha mãe pousados em mim, perguntando auscultan-:;-

do... ouço, sim, ouço, os passos apressados do pai que-

bem cedo sai de casa, para o trabalho, servir ao sistema, "

para que não falte na nossa mesa — o pão nosso de cada

dia.

Os sonhos cedem, os peregrinos, que sobem a mon-

tanha, olham assustados os abismos da beira do cami-

nho, a infância recua, o tempo se distende, estica, e eu

acordo — no leito duro — dos condenados da terra — ou

seja dos bem-aventurados com fome de pão e justiça.

Levantar — fazer os meus músculos enfrentar a for-

ça da gravidade, neste confronto diuturno entre o poder

e a vontade.

Depois — cumprir os rituais da civilização: Parece-

me ouvir mão dizendo: — lava o rosto — escove os den-

tes — . Até hoje cumpro estes rituais, em fidelidade cons-

tante. Inabalável.

Lavo o rosto com sabão de coco, Imaginando, que este

vem direto, dos coqueiros da praia, que balançam ao ven-

to, e dançam um Rock selvagem, quando a brisa vira tem-

pestade ...

... enquanto as sereias sussurram e os peixes amam.

Escovo os dentes — com a água clorada que esgui-

cha da torneira esganlçada. Pasta de dentes? Não uso,

não tenho dinheiro para dentista e nas minhas associações

■déiTdéias — todas pastas de dentes se ligam a algo como

"gate" (será que é gato?), o que mo leva rápido a pensar

em Watergate — Waterloo... ,

Sim Waterloo, um constante Waterloo matutino, que

abrange o meu mundo todo, na lembrança matinal da co-

lonização sem sentido — como se nós não tivéssemos

know-how suficiente para nós mesmos fabricar estes pro-

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LIGO

dutos, para ficar prematuramente desdentado, careca e

idiota submisso e gadifIçado.

No pátio vizinho, o grito de desespero e angústia de

um gato. Porque os gatos tem rabos? Para levar ptsões?

Não vamos aprofundar o assunto — ó um perigo pois

sempre algum tecnocrata, que passa seus-momentos de

ócio na "Galáxia de Gutenberg" lendo estas minhas diva-

gações, pode tomar alguma providência.

Que providência? Ora, não é difícil adivinhar — ele po-

deria tentar incluir a desrabização. dos aa , os.;entre os Qb-

rjetivos permanentes e Intocáveis, da níclonaíidade.

«5 Os gritos desafinados do gato se. repetem e preenchem

Ho pátio com a orquestração de rumores é palavras.

Da minha janela não tenho visão para este mundo tão

próximo e tão fechado, dos gatos angustiados, que gritam.

Mas começo a pensar no destino de gatos e homens, que

se perdem pelos becos do .mundo; e que se podem reen-

contrar nos telhados, nos montes, ou dentro de si r—.;ou

ainda, quem sabe, na comunhão .de _todos.

Sei que o dia ameaça começar. O ritual de limpeza

pessoal de todas manhãs, é ápènàs um sursis, antes de

enfrentar o mundo em torno — hostil ou amigo — con-

forme a perspectiva, de acordo com as coordenadas, das

leis do estômago — e das dúvidas,- temores ou audácias

da mente. ü.--- : í :; :• £3

O que me aguarda hofe? Um pires cheio de leite para

lamber qual gato?.... , ,.. . . , ^

Um aperto de mão forte e amigo, ná luz seren* da fre-

ternidade? .. ' .: : í ' "-

Um afago, um beijo, a sorte grande na loteca das

zebras (Impossível, pois não_jpgo) um almoço, uma janta?

Minha vida tem um sentido? e a vida dós outros?

Ouço de novo, numa ruga do tempo — o passo apressado

do meu pai, que cedo, bem cedo, saía de caSâ, todo dia

útií. — útil ou inútil? , i; ■; ; : 8-?

Sempre na eterna rotina —..por. século seculorum .—

para que o — pão nosso de cada día — não falta. nunca.

E eu? O sistema não me laçou. Não câí nas suas

arrapucas e aratacas. Sou livrei Sou livre mesmo? Livre

qgal. Bengla Desh,.que .ninguém vai invadir..v a.não ser

que. descubram, petróleo. .. ._

Então sou mais livre aitfda; porq&è cavando em mim,

M petróleo não vão descobrir, lenho certeza. -

t-b ! Pode ser que jorre sangue.

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Página 16

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coordenam.

R U M O ALDA LARA

Ê tempo, companheiro!

Caminhemos...

Longe, a Terra chama por nóa,

e ninguém resiste à voz

Da Terra...

Nela, " > . , r; y- ^

O mesmo soi ardente nos queimou

a mesma lua triste nos acariciou,

e se tu és negro e eu sou branco,

a mesmo Terra nos geroul

Vamos, companheiro...

É tempo!

Que o meu coração > tsJ : --

se abra à mágua das tuas máguas

e ao prazer dos teus prazeres., ,

'■'■'■■ e;; ' s: 'lrmfiò :c Vj "'■ -' : . '.' ■ % .]

Que as minhas mãos brancas se estendam

pai;3 estreitar com amor - ■. ^

as tuas longas mãos negras...

E o meu suor

se juhté' aò teu; suor. r

quando rasgarmos òs trilhos' ;

de ummundo melhor!

,íVamos! '-'■'■: .::;: .- ', ■ ■"•■

que outro oceano nos Inflama...

Ouves? , _

É a Terra que nós chama..., .

É témpcí, companheiro!

»:;-: ss~. Caminhemos... ■: ' c-ys'

- e Ánáa Lara nasceu em 1930 em Benguefa (Angola) for-

mou-se me medicina e morreu em 1962 em Cambembe (An-

gola) -ré exemplo e símbolo de umà geração de brancos

que aceitaram com Ioda pienitude sua pátria africana — e

que em toda parte, esquecidos :os conflitos; B mazelas do

passado, há condições para a fraternidade e para uma nova

consciência, que estamos todos — num mundo só.

MOÇAS DAS DOCAS

NOEMI A DE SOUZA (Moçambique)

Somos fugitivas de todos os bairros do zinco e caniço

Fugitivas das Munhuanas e dos Xipamanines,

viemos do outro lado da cidade

com nossos oilios espantados,

nessas almas trancadas,

nossos corpos submissos e escancarados.

De mãos ávidas e vazias,

de ancas bamboleantes lâmpadas vermelhas se acendendo,

de corações..amarrados de repulsa,

descemos atraídas pelas luzes da cidade,'

acenando çorivites aliciantes '''.'/.

como sinais luminosos na noite.

Viemos... ."'"'.

Fugitivas dos telhados de zinco pingando cacimba

do sem sabor do caril de amendoim quotidiano,

do doer espáduas lodo o dia vergadas

sobre sedas que outras exibirão,

dos vestidos desbotados de chita,

da certeza terrível do dia de amanhã

retrato fiel do que passou,

sem uma pincelada verde forte

falando de esperança. .;

ULTIMA CARflVAM

Nostalgia... deserto... nostalgia

Dromedários marchando lentamente

Infnüo areai... monotonia...

Estofados de ouro sobre so! poente.

Nostalgia... deserto... nostalgia...

Nostalgia... deserto... nostalgia...

MAC FILI (Rio)

Naturalidade

RUI KNOPFLI (Moçambique)

Europeu, me dizem. ;

Eivam-me de literatura e doutrina

européias

e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem raiz de algum

pensamento europeu.

É provável... Não. É certo, , J.

mas africano sou. [

Pulsa-me o coração ao ritmo dolente

desta luz e deste quebranto. .: i; . ,

Trago no sangue uma amplidão \í

de coordenadas geográficas e mar Indico.

Rosas não me dizem nada, f<

caso-me mais à agrura das micaias

e ao silêncio longo e roxo das tardes

com gritos de aves estranhas. - ;^

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.

Mas dentro de mim há savanas de aridez '

e ptanuras sem fim - ^

com longos rios iangues e sinuosos, ,íWt'íü»i

uma fita de fumo vertical, . «

um negro e uma viola estalando.

Memória da fliis do Príncipe

MARIA MANUELA MARGARIDO (Ilha do Príncipe)

Mãe, tu pegavas charroco '■ '

nas águas das ribeiras

a caminho da praia.

Teus cabelos eram lembas-lembas

-agora distantes e saudosas,

más teu rosto escuro

desce sobre mim.

Teu rosto, liliácea ,

irrompendo entre o cacau, ,

perfumando com a sua sombra

o instante em que te descubro

no fundo das bocas graves. j

Tua mão cor-de-laranja

oscila no céu de zinco

e fixa a saudade , ■;

cem uns grandes olhos taciturnos. i .

(No sonho do Pico as mangas percorrem a órbita lentas I

das orações dos ocas e todas as feiticeiras desertam

a caminho do mal, entre a douçura das palmas.

Na varanda de marapião

os veios da madeira guardam

a marca dos teus pés leves 1

e lentos e suaves e próximos.

E ambas nos lançamos '

nas grandes flores de ébano '

que crescem na água cátida ■ /,

das vozes clarividentes. • '

CÉSAR UBALDO (Do Jornal de Letras,

Quero acabar entre magnólias

Sem nada falar.

Que eu não ouça palavras

E que esqueça porque durmo,

UFBA, Salvador)

Ficar só. Com o mundo comigo lá dentro.

Quem me dera poder ficar só,

Com o universo inteiro...

E o sono descer sobre mim

Sendo a possibilidade finai de todos os males


"ABBífüRA CULTURAL — ANO 2 N? 15 ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N? 1«

DO POVO

BUSCAMOS

A FO^ÇA

AGOSTINHO NETO

Presidente da RepúbHca

de Angola

íNSO basta que seja pura e justa

a nossa causa.

i£ necessário que a pureza e a justiça

jexistam dentro de nós.

{Dos.que vieram

le conosco se aliaram

muitos traziam sombras no olhar

intenções estranhas.

Para slguns deles a razão dô luta

era só ódio: um ódio antigo

centrado e surdo

como uma lança.

Para alguns outros era uma bolsa

bolsa vazia (queriam enchê-la)

queriam enchê-la com coisas sujas

inconfessáveis.

Outros viemos.

Lutar para nós é ver aquilo

que o Povo quer

realizado.

£ ter a terra onde nascemos.

é sermos livres pra trabalhar.

É ter pra nós o que criamos

Lutar pra nós é um destino

é uma ponte entre a descrença

e a certeza do mundo novo.

Na mesma barca nos encontramos.

Todos concordam — vamos lutar.

Lutar pra quê?

Pra dar vazão ao ódio antigo?

ou pra ganharmos a liberdade

e ter pra nós o que criamos?

Na mesma barca nos encontramos.

Quem há-de ser o timoneiro?

Ah as tramas que eles teceram!

Ah as lutas que ai travamos!

Mantivemo-nos firmes: no povo

buscáramos a força

e a razão

Inexoravelmente

como uma onda que ninguém trava

vencemos.

O Povo tomou a direção da barca.

Mas a lição lá está, foi aprendida:

Não basta que seja pura e justa

a nossa causa.

É necessário que a pureza e a justiça

existam dentro de nós.

Extraído do Livro

Poemas de Angola

EDITORA CODECRI

Nas Livrarias e Bancas

AGOSTINHO NETO

Ladeira

ASTRID é uma das mais expressivas artistas plásticas

catarinenses. O desenho abaixo nos cedeu o Cogumelo

Atômico — o pequeno-grande jornal alíernativo — que um

pessoal com muita garra e criaiividade faz em Brusque SC.

DE BRUSQUE PARA O BRASIL E O MUNDQ, Gente, tomem

contato com o COGUMELO ATÔMICO, que já está no N? 20.

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COGUMELO ATÔMICO — Caixa Postal 179 — 88350 —

Brusque — SC. .: : :/ i ; ' ri

'Mm;-- : %# k, / H : /

FRANCISCO IGREJA (Rio)

na ladeira existem muros

e nos muros lembranças

e nas lembranças imagens

e nas Imagens acenos

existem subidas

e nas subidas conforto

e no conforto encontros

e nos encontros um toque

na ladeira existe o suor

e no suor seu rosto

e no seu rosto o meu

e no meu alegria

existem olhares

e nos olhares sorrisos

e nos sorrisos felicidade

e na felicidade soluções

na ladeira existem estrelas

e nas estrelas suas mãos

e em suas mãos calor

e no calor promessas

existe a esquina

e na esquina acenos

e nos acenos adeuses

e nos adeuses saudades

/KW

P O EMA

MARIA AMÉLIA MELLO (Rio)

No caminho da sala

Não fala cala ; '

Esconda esta arma -> : ' - 7

Cobre o punhal '- ^

No caminho da mesa. '

Sorri

O sorriso é necessário

Um rosário, um guia

O muro perdura

A pedra

Dura e fura

O tempo

Cura

A fera...

À mesa

Sentada

Os pratos

As cadeiras

Os cadeados

O arroz, o guisado

Salgados

Üm olhar de relance

O alcance da mão

(mais feijão ou mais pão?)

A resposta oscila

É não

Ou pois não

Mas aceita

E angole ;;■: iTT.ISSai

A razão. 'S '*

MANDE VOCÊ TAMBÉM SUA COLABORAÇÃO

CORAÇÃO

DOMiNGOS PELLEGRINI JR.

(Londrina, PR)

Ressaca, mar. Teus cavalos de espuma

me pateiam nas rochas da cabeça

e no teu fundo, em algum lugar,

vão ernp.lnando minhas gairafas

vazias, cheias de água.

Rótulos de todos cs países

curtidos com a boca do desgosto

enquanto os povos mastigavam rolha

nos tempos mais infelizes.

Me amordacei com bom vinho do Porto.

-Com vinho também brindei Ailende,

solucei pedras de gelo e medo

daquelas cordilheiras mortas.

Bebi licores de fet para Espanha, í

alguns gelados como suor de preso,

outros como suor de um preso sereno;

;ou quentes como de preso que apanha.

. aguardentes de todos os povos latinos

^ mpre me enrugaram o estômago,

.e espancaram com chutes no fígado

e me mataram bichas no intestino.

i

Cana xla terra, cornuraiz ou.-.pura

engoli rotulada com os endereços |i

das cidades e sítios e engenhos

mde distilamos esta amargura. :'

Gin, vodka, cerveja, bagaceira,

garrafas de toda por e forma.

Com algumas foram poemas e histórias,

que deixei de escrever por bebedeira.

£ os peixes olham como foi inútil.

As espumas fa2em e desfazem sempre

como nos canecos de cerveja.

O fígado é um coração que se Ilude ,

TEM UMA

CRUZ NA COLINA

,. VIEIRA (Rio)

Tem uma cruz na colina

com farrapos de nuvens

pendurados para secar...

Tem, uma cruz na colina

. - na encruzilhada vacilante

do nada... e do tudo,

.onde duas estradas se separam

para mais adisnte cs encontrar.

Tem uma cruz na colinal

Sim, na colina, no mirante,

V de onde as platitudes da vida

3 - ^s&o fáceis de" contemplar.

Tem uma cruz na colina

uma cruz de madeira, de pregos de dor,

uma cruz do passado

onde farrapos de aleqrla,

de esperança, de risos

'são pendurados para secar.

Tem uma cruz na colina!

«sãs* 6

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fágina 18 ABERTURA CULTURAL ANO 2 N* 10

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IPANEMA - ENTRE O MAR E A LAGOA

*>.


ABERTURA CULTURAL — ANO 2 N 1 ? 16 Página 1»

FiM DA HISTÓRIA OU

SOBREVIVÊNCIA

Continuação da última pág:na

wo, sendo a cloaca final do mundo, onde

iodas imundices da nossa civilizarão se

acumulam. Uuanio tempo os mares vão

resisúi? E com os mares morios, haverá

vida na terra ?

Não há dúvida, pela primeira vez na

nessa histófia consegu.mos por em che-

que a sobrevivência humana. E fizemos

isso de uma rnane.ra tão sofis.içada que

há mais camlnnos para a catástrofe do

que para a salvação.

Há muito o tema poluição ultrapas-

sou a frontelta da complacência cínica e

das piadas. Ainda hoje no curso supe-

rior do rb Mississipi nos Estados Unidos

se lê tabuletas assim: "Flush the loilet,

they need the water in St. Louis." (Pu-

xe a descarga, eles prec.sam da água em

St. Louis.)

Mas já não se acha mais graça, a

ameaça é universal, todos bebem água

de descarga, mesmo se for em forma de

refrigerames e água mineral.

Para coroar as desgraças dese fim de

século, poderosas e inescrupulosas cons-

trutoras de usinas nucleares, querem se-

mear seus venenos radioativos pelo

mundo todo, ameaçando a humanidade

toda, presente e futuro, com o avilta-

mento e a morte.

Será que este processo é irreversível?

No mundo todo homens e mulheres

cheios de esperança dizem: NAO!

A luta ecológica, a luta pela sobrevi-

vência da biosfera, do homem, da natu-

reza em volta — eis o grande desafio

deste fim de século. É uma só frente

de luta. De um lado, a ganância, a sede

de lucro, a insensibilidade, que des-

trói o mundo pelos trinta dinheiros da

traição — o grande capital, sem pátria,

sem filhos, sem mãe, sem Idéias, um

moloch toenocrata, um Franksnstein,

que deixou de lado tudo que é sagrado.

Este moloch nega aos pobres o pão, aos

marginalizados a Igualdade, aos perse-

guidos a segurança, o moloch só enxerga

lucros, juros, dividendos, — corrompe,

saqueia o globo todo na insensatez da

industrialização desenfreada, do consu-

mlsmo louco. Ele tenta industrializar o

átomo, a guerra, o câncer, a miséria —

e tenta mesmo industrializar a sua pró-

pria loucura..

Bastai Do outro lado estamos nós, os

homens, que apenas querem viver, em

paz...

Por Isso o homem se levanta — em

nome da dignidade— da condição hu-

mana — da fé — da ciência verdadeira

— do amor — da esperança — da natu-

reza — da herança dos nossos filhos —

o homem se levanta e diz: Não! Basta!

Vamos reconstruir o mundo, livra-lo do

lixo — da fome — da poluição, da mi-

séria ...

Não fique indiferente, não fique de la-

do, não se de^xe alienar.

A RESISTÊNCIA ECOLÓGICA, o mo-

vimento brasileiro que se alinha ao la-

do dos seus irmãos do mundo todo —

chama você.

Todos são chamados e todos serão es-

colhidos .

Junte-se a nós, queremos formar nú-

cleos locais em toda cidade, todo bair-

ro, teda vila, em toda faculdade, em todo

campus universitário.

.esistencia

O movimento Resistência Ecológica

está crescendo, está tomando forma.

As adesões chegam de toda parte.

A finalidade de Resistência Ecológica

é o combate à destruição rapinanle do

nosso ambiente natural, desta estreTa

camada de ar, água e terra que é o lar

de todos seres vivos deste planeta e o

lar também do homem.

O nosso meio-ambienfe é um eco-sis-

tema extremamente complexo de grande

equilíbrio natural. Este equilíbrio, o ho-

mem com sua sociedade industrial, com

sua sociedade de consumo e de desper-

dício, está destruindo sistematicamente,

sem querer observar, que além de outros

seres vivos, está destruindo-se a si mes-

mo.

Os Computadores Nâo Discutem

GORDON R. DICKSON

RESUMO DA PARTE INICIAL PUBLI-

CADA NO NUMERO ANTERIOR

Walier A. Chtld, como sócio do Clube

das Obras Primas, recebe a remessa do

livro "RAPTO" de Robert Louis Siejen-

son, sem ter encomendado a obra. Ele

dev.lve o livro, mas os computadores

encarregados da correspondânsia não

tomam cenhacimento de nada. Vão emi-

tindo avisos de cobrança, sem ligar para

quaisquer reclamações do clieme. Ati-

na! recorrem a ação executiva. A justiça

também é computorlzada e lá por enga-

no de código, a ação executiva se trans-

forma em açãs criminal. Walier A. Child

é acusado do rapto de Robsrt Louis

Stevenson. O juiz é um homem, mas o

processo é totalmente compulorizado,

verificando a ficha de Robert Louis Ste-

venson (que é o conhecido autor da

Ilha do Tesouro), o computador informa

que este morreu. A situação do réu

piora, já não é só um rapto, mas é rapto

cem morte da vitima. O advogado, que

felizmente é um hemem, compreende

a confusão computorlzada, que írans.or-

mou um processo de cobrança judicial

de um livro, num processo criminal que

tem como tema o titulo do livro. Con-

fiante ele enfrenta o processo, preten-

dendo desfazer toda a trama. A seqüên-

cia da história está nas cartas que se-

guem:

Michael R. Reynolds — advogado

Rua Water, 49 — Chicago, Illinois

10 de junho

Caro Tim,

Rapidamente — Nada de pesca no pró-

ximo fim de semana. Estou chateadíssi-

mo. Você nem vai acreditar. Meu clien-

te, inocente como um bebê recém-nas-

cido, acaba de ser condenado à morte

por assassinato, sem circunstâncias ate-

nuantes, pois que a vitima do seu "rap-

to" morreu.

Claro, expliquei ioda história a Mc

Divot. O problema não era convencer

Mc Divot, o que aliás consegui em menos

de três minutos; demonstrei a ele que

meu cliente nem deveria estar preso,

nem por um segundo sequer. Mas — e

agora — agüenta firme na sua cadeira

— Mc Divot não poderia fazer nada. Eis

o problema: o meu homem já foi inculpa-

do, Isto é, declarado culpado, pelas fi-

chas computorlzadas. Faltando a ficha

jurídica — claro que jamais teve tal fi-

cha (mas isso não posso explicar-te

agora) — o juiz precisa arranjar-se com

as fichas disponíveis. E quando um pri-

sioneiro é acusado por tais métodos, a

única escolha legal de Mc Divot era a

condenação à morte, ou prisão perpétua.

A morte da vítima do rapto, segundo o

córt' n o. só prevê a rena de more.

Conforme le^ recentes, reaulando a

duração do prazo para apelação, encur-

tado por causa do novo sistema de fichas

eletrônicas, também para eliminar um

prazo Ilógico e uma tortura mental su-

plementar para os condenados, tenho

cinco dias para a apelação e dez para

ganhar.

Junte-se a nós, para resistir, para lu-

tar, lutar em favor da vida. Tome con-

coiogica

Nos chamados países desenvolvidos

os rios estão mortos, os lagos são cloa-

cas, a natureza toda está sucumbindo.

No chamado terceiro mundo, as lixeiras

avançam também, e como geralmente

falta aos cidadãos o hábito de manifes-

tar sua vontade, toda enxurrada de pro-

dutos químicos, pesticidas etc, há mui-

to proibidos no mundo desenvolvido, es-

tá sendo despejada aqui.

De todas as formas de poluição, a

mais perigoso, a mais definitiva, a mais

mortífera, é a poluição radioativa. Esta

afeta a vida como um todo, e através dos

estragos genéticos que causa, põe em

perigo toda nossa descendência. As usi-

nas nucleares que se pretende Instalar

em nosso país, além da poluição radio-

Nem preciso dizer-ts que não vou com-

plicar-me corn uma apelação. Eu vcu

pedir clemência diretamenie ao Governa-

dor — depois destrincharemos essa si-

nistra farsa. Mc Divot já escreveu tam-

bém ao Governador explicando que esse

julgamento foi simplesmente ridículo,

mas que ele não tinha outra alternativa.

Ass.m cem a intervenção de McDivot

e a minha, deveríamos conseguir o per-

dão rapidamente. Depois disso batalha-

rei sem tréguas. E iremos pescar

cordialmente, Mike.

PALÁCIO DO GOVERNADOR DE ILLINOIS

17 de junho de 1975

Mr. Michael R. Reynolds

Rua Water, 49 — Chicago, Illinois.

Prezado Senhor,

Respondendo à vossa requisição refe-

rente ao pedido de clemência para Wal-

ter A. Child (A. Walier), informo a

V.S. que o Governador encontra-se

em viagem com o Comilô dos Governa-

dores do Centro-Oeste, visitando o mu-

ro de Berlim. A sua volta está sendo

esperada na próxima sexta-feira.

Assim que ele voltar, apresentarei suas

cartas e seu pedido de clemência.

Com toda estima e consideração, fir-

mo-me

Clara B. Jilks — Secretária do Gover-

nador

27 de junho de 1975

Michael R. Reynolds

Rua Water, 49 — Chicago, Illinois

Caro Mike,

Cadê o meu perdão? Em apenas cin-

co dias que devo ser executado!.

TRADUÇÃO DE FLORENCE BUCHSBAUM

Walter

Walter A. Child

29 de junho de 1975

Bloco Celular E — Prisão Estadual do

Estado d_e Illinois

Jollet, HlTnois.

Caro Walter,

O Governador worou, mas foi chamado

à Casa Branca em Washington para dar

a sua opinião sobro um certo escândalo

federal. Estou praticamente acampado

perto do palácio e assim que ele voltar,

pego-o na entrada.

Enquanto espero, estou plenamente

cônscio da gravidade da sua situação.

O seu guarda S. Warden Magruder le-vará

pessoalmente esta caria e conversará

em particular consigo. Peço Insistentemente

ouvir was palavras com multa

atenção; junto também as cartas dos

seus famil ; ares. e imoloro, mais uma vez

devo insistir para você escutar Warden

Magruder.

Vosso Mike

30 de junho de 1975

Michael R. Reynolds

Rua Wa*er, 49 — Chicago, Illinois.

Caro Mike, (carta levada por Warden

Magruder)

tato: Escreva para Resis^jêncin Ecoló-

gica A/Cds. de ABERTURA CULTURAL

ativa, podem causar ainda grandes ca-

í As trof fis

ABERTURA CULTURAL, com a lideran-

ça de Otto Buchsbaum, Fbrence Buchs-

baum. Bastos Mello, Ruiz Llabrés, Tales

Lima e outros, está liderando a resistên-

cia contra a poluição nuclear.

Já recebemos moções de solidariedade

do mundo todo, de todas grandes socie-

dades ecclógicas, das mais destacadas

personalidades do mundo cientílico, In-

telectua, cultural, religioso, político etc.

dos Estados Unidos e de dezenas de ou-

tros países.

Mas a RESISTÊNCIA ECOLÓGICA só

será vitoriosa com a conscientização da

nação brasileira. Pretendemos criar nú-

cleos locais em todo Brasil, precisamos

do apoio e da adesão de todos. RESIS-

TÊNCIA ECOLÓGICA está sendo regis-

trada como Associação civil. Mas ne-

cessitamos desde já a sua assistência

Enquanto estava conversando com

Warden Magruder na minha cela, fiquei

sabendo que o Governador voltou enfim

a IIMnois, que estará cadinho no sou es-

critório amanhã, sexta-feira.

Você terá pois o tempo necessário

para fazê-lo assinar o pedido de cle-

mência e trazê-lo à prisão em tempo de

sustar a minha execução, sábado.

Por Isso recusei o amáyel convite da

Warden de escapar da prisão com a sua

ajuda: pois ele me explicou também, que

não poderia garantir o afastamento da

todos os guardas do meu caminho no

momento da tentativa; e haveria sempre

a possibilidade de levar uns tiros.

Mas, agora, tudo se vai ajeitar. Na

realidade, uma história tão fantástica

como a minha, um dia se esberracha so-

bre o excessivo peso do absurdo.

Cordialmente, Walter

PELO ESTADO SOBERANO DE ILLINOIS

Eu, Hubert Daniel Willikens, Governa-

dor do Estado de Illinois, investido da

autoridade das nossas funções, que con-

ferem-nos o poder de agraciar esses que

são, por nossa alma e consciência, con-

denados injustamente, merecendo o per-

dão pleno, anunciamos, proclamamos

neste 1? de julho de 1975, que Walter

A. Child (A. Walter), atualmente preso

por força dum erro judicial do qual ele

é inteiramente inocente, é pois total e

plenamente perdoado do crime erronea-

mente atribuído a ele.

Conclamo as autoridades responsá-

veis da guarda do dito Walter A. Child

(A. Walter), esteja ele aonde estiver

preso, de liberá-lo, sem opor nenhum

obstáculo à sua salda...

Serviços de Comunicações Inter-depar-

tamentais.

POR FAVOR, NAO DOBRE, NEM ENROLE

OU DANIFIQUE ESTA CARTA.

Inobservância dos regulamentos de en-

caminhamento do documento.

Ao Governador Hubert Daniel Willikens.

Assunto: Clemência concedida a Walter

A. Child.

19 de julho de 1975

Caro chefe da serviço,

V.S. esqueceu de juntar vosso núme-

ro de referência. Por favor apresente

novamente o documento com esta carta

o o formulário 876, exDücandn o seu

direito de. colocar EXTREMA URGÊNCIA

em cima do documento. O formulário 876

deve ser assinado pelo nosso chefe.

APRESENTE NOVAMENTE ESTA PE-'

TIÇÃO; a data de abertura dos escrito-'

rios do SERVIÇO DE COMUNICAÇÕES

é terça-feira, 5 de julho de 1975.

AVS^: A não ao^esentarão do formulá-

rio 876,- com a assinatura do seu sune-

rior pode tomá-lo sujeito de um processo

por abuso duma fundão do Governador"

do Estado. Um mandato de prisão podo

ser expedido contra V.S.

Mão há EXCEÇÃO. V.S. foi PREVE-

NIDA.

— Caixa Postal 12.193 — ZC-07 — Rio

de Janeiro. '

financeira, o próprio registro da Asso-

ciação Civil custa dinheiro. Todas con-

tribuições financeiras deverão vir por

enquanto em nome de Otto Buchsbaum,

em cheque comprado, pagável no Rio

de Janeiro. Ou, se a Importância é pe-

quena e não vale a pena comprar um

cheque, mande uns selos do correio. Is-

to é uma luta do gente pequena em fa-

vor de si mesmo, em favor da vida, para

viver em paz com a natureza.

Gente pequena, contra corporações

grandes, poderosos, cujos chefes nfio

tem capacidade de pensar além do pró-

ximo balanço.

Avante Resistência Ecológica!

Toda correspondência deverá ser man-

dada para ABERTURA CULTURAL que

é o núcleo aglutlnador do movimento:

Caixa Postal 12.193 — ZC-07 — Rio de

Janeiro.


0* CULTURAL ^

Fim da História ou Sobrevivência

BASTOS MELLO

Um conjunto de fatores de âmbito

mundial converge para um só pon.o um

ponto trágico, catastrófico, na evolução

da humanidade.

A explosão populacional continuando

no ritmo atual levará a população da ter-

ra no ano 2.000 a cerca de 7 bilhões.

Ao mesmo tempo a intensificação da

agricultura e a expansão das áreas plan-

tadas representarão um reforço da nossa

agressão constante contra o equilíbrio

ecclógico.

A falta de solidariedade internacional,

o ambiente de competição e desarmonia

que predomina no mundo, dificultarão

a limitação da expansão populacional

o anulam todos esforços para oferecer

à população do mundo, uma alimentação

rnínima decente.

A expansão Insensata da tecnologia

contribui cada vez mais para a poluição

do ar, da água e da terra, por substân-

cias venenosas e radioativas.

Ao mesmo tempo os conflitos locais

tornam-se cada vez mais agudos, a cor-

rida armamentista prossegue, a tecnolo-

gia nuclear e as bombas atômicas ten-

dem a se espalhar — tudo isto num mun-

do onde epidemias de fome catastrófi-

cas estão bem próximas e podem facil-

mente servir como estopim de uma guer-

ra nuclear.

Mas mesmo sem guerra — o trinômlo:

Crescimento Populacional — Poluição —

Abuso da Tecnologia, já cria condições

para um fim da his^rla. Se não houver

uma reação consciente, no século 21,

só uns poucos hemens sobreviverão em

circunstâncias muito precárias, numa

terra desértica, que sucumbiu à explo-

ração rapinante.

Examinemos alguns fatos:

O crescimento industrial e dos trans-

portes aumenta constantemente a por

luição do ar com monóxido e dióxido de

carbono, dióxldo de enxofre, oxido de

nitrogênio, além de outros poluentes. Ao

mesmo tempo, a indústria, agricultura,

pecuária, a a vida urbana em expansão

produzem cada vez mais resíduos liqulr

dos, esgotos, que transformam rios e la-

gos em verdadeiras cloacas. A sociedade

de consumo vive sob o símbolo do des-

perdício, quanto mais desenvolvida e po-

voada uma região ou pais, mais dejetos

produz e mais rapidamente tudo se trans-?

forma num monturo da lixo.

Milhares de toneladas de petróleo são

derramadas anualmente nos oceanos.

Um litro de petróleo ó capaz de atear

um milhão da litros de água. O proces-

so é cumulativo e se conjuga com os

rios mortos que levam suas pestilências

ass oceanos, afetando assim toda vida

marinha. A fotossíntese reaPzada pelas

algas contribui com dois terços para a

Calças r=T-

lunissex

renovação do oxigênio. E o processo de

poluição dos mares começa a afetar is-

to em escala crescente. Para completar

o quadro temos a expansão da chamada

indús.tria atômica, que produz radioati-

vidade, lixo radioativo, plutônio — o

mais tóxico dos venenos e matéria pri-

ma das bombas atômicas.

Fala-se muito na proteção do meio-

ambiente, nisso consisle inclusivie um

dos temas preferidos de campanhas pu-

blicitárias. Se palavras pudessem resol-

ver os problemas, tudo estaria ótimo,

teríamos novamente rios de água crista-

lina e respiraríamos novamente ar puro,

revigorante — o paraíso perdido — já

te-íamos reencontrado. Mas o que resolve

não são palavras, mas atos, e para estes

precisa além do conhecimento do assun-

to, recursos econômicos e poder polilico.

Os diversos fatores de poluição e

ações que perturbam o equilíbrio eco-

lógico se conjugam para a'e'ar a nossa

biosfera, indispensável para a sob'evi-

vência do homem e da vida em geral.

Mas cada um dos fatores isoladomen-

te já traz em si a sua carga de perigos

bem concretos.

A poluição do ar pode provocar as

mais diversas doenças respiratórias, pro-

vocar câncer ou pode mesmo matar na

hora, pelo monóxido de carbono tão far-

tamente produzido fieios veículos que

queimam derivados de petróleo.

O aumento do dióxldo de carbono na

atmosfera, terá conseqüências graves,

alterando o clima. Podemos contar com

uma lenta mas inexorável subida da tem-

peratura no mundo todo. O ritmo desta

subida ainda está fora das nossas con-

dições de previsão, mas sabemos que to-

da atividade industrial, todo tráfego e

além disso, em grande escala, todas usi-

nas tsrmo-elétrlcas e nucleares produ-

zem a chamada peluição térmica. Assim

a conjugação destes fatos poderá pro-

duzir a diminuição das calotas polares,

o que provocaria uma subida do nível

dos mares, com a inundação de todas

terras baixas, incluindo quase todas

maiores cidades do mundo. Ainda mais

trata-se de um processo irreversível

a curto prazo. Mesmo se diante dos pri-

rnfiiro

deve à presença de muitos fosfates nes-

tes produtos.

Todas águas de ries, lagos G mares

formam ecossistemas complexos que

mantém o seu equilíbrio natural. Duas

funções contraditórias principais se eqüi-

valem. De um lado forma-se matéria or-

gânica se decomoõe na rearão hetero-

nitrogênio, fósfco e áoua, numa reação

enamada autotrópica. Em contraste c-rn

a assimilação de oxigênio, a matéria or-

gânica se decompõe na rearão netero-

trópica. Os detergentes não bio-degra-

dáveis prejudicam a vida orgânica pro-

fundamente tirando a água do seu equi-

l r brio natural, enquanto muitos de*eraen-

tes bío-degradáveis ricos em fosfate»

favorecem a vida aquática, mas de ma-

neia seletiva, pois engordam as algas,

que se expandem com rapidez e se con-

centram na superfeie das águas. Lá

absorvem a luz solar matando ass'm as

plantas cVs camadas ma ! s profundas.

O oxlaênlo dissolvido na áoua vai desa-

parecendo, o que termina ePmlnando to-

dos animais. O es^ánlo final (^s laoos

de BrasMia são próximos deste ponto)

é uma áoua morta, nauseante. Em am-

bos os casos, seia oara nue lado se oro-

voca o deseoui^brio, o fin"! é um só —

áauas mortas fétidas, dificilmente recu-

peráveis.

Normalmente todas águas tem um

alto grau de estabilidade, com um sis-

tema de feedback aut^-requiador. Mas

o coniunio dos poluentes supera a sus

capacidade de auto-purlficarão. A^dos

industriai, metaloides, fenols. amonía-

co, pesticidas, adubos nitrogenados —

coniuaam-se com a ação de deteroente»

e esporos de tod-s tloos. Is^o é mais do

eme os lagos e os cursos d'ámia oodem

anuentar, o caminho da catástrofe está

abe^o. A maioria d"s oran^es rios das

sociedades de consumo iá es^ão mortos.

N-sso Tietê idem. E os marps sofrem

ainda a crescente poluição pelo pelró-

(Contlmia na pág. 19)

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