A cidade e as serras - a casa do espiritismo

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A cidade e as serras - a casa do espiritismo

Urga... Gengen-Chuty foi a décima Sexta encarnação de Guatama, e era

portanto um Boddi-sattva... Trabalhamos, procuramos... Não são visões. Mas

fatos, experiências bem antigas, que vêm talvez desde os tempos de Cristna...

Através destes nomes, que exalavam um perfume triste de vetustos ritos,

arredara a cadeira. E de pé, deixando cair sobre a mesa, distraidamente, para

pagar o absinto, moedas de prata e moedas de cobre, murmurava com os olhos

descansados em Jacinto, mas perdidos noutra visão:

-Pôr fim tudo se reduz ao supremo desenvolvimento da Vontade dentro da

suprema pureza da Vida. É toda a ciência e força dos grandes mestres Hindus...

Mas a pureza absoluta da vida, eis a luta, eis o obstáculo! Não basta mesmo o

Deserto, nem o bosque do mais velho templo no alto Tibete... Ainda assim, meu

Jacinto, já obtivemos resultados bem estranhos. Sabes as experiências de

Tyndall, com as chamas sensitivas... O pobre químico, para demonstrar as

vibrações do som, tocou quase às portas da verdade esotérica. Mas quê!

homem de ciência, portanto homem de estupidez, ficou aquém, entre as suas

placas e suas retortas! Nós fomos além. Verificamos as ondulações da Vontade!

Diante de nós, pela expansão da energia do meu companheiro, e em cadência

com o seu mandado, uma chama, a três metros, ondulou, rastejou, despediu

línguas ardentes, lambeu uma alta parede, rugiu furiosa e negra, resplandeceu

direita e silenciosa, e bruscamente abatida em cinza morreu!

E o estranho homem, com o chapéu para a nuca, ficou imóvel, de braços

abertos e os olhares esgazeados, como no renovado assombro e no transe

daquele prodígio. Depois, recaindo no seu modo fácil e sereno, acendendo

devagar um cigarro:

-Uma destas manhãs, Jacinto , apareço no 202, para almoçar contigo, e levo

o meu amigo. Ele só come arroz, um pouco de salada, e fruta. E conversamos...

Tu tinhas um exemplar do Sepber-Zerijab e outro do Targun d’Onkelus. Preciso

folhear esses livros.

Apertou a mão do meu Príncipe, saudou este assombrado Zé Fernandes, e

serenamente seguiu pela quieta rua, com o chapéu de palha para a nuca, as

mãos enterradas nas algibeiras, como um homem natural entre coisas naturais.

-Ó Jacinto! Quem é este bruxo? Conta!... Quem é ele, santíssimo nome de

Deus?

Recostado na vitória, ajeitando o vinco das calças, o meu Príncipe contou,

concisamente. Era um nobre e leal rapaz, muito rico, muito inteligente, da

antiga casa soberana de Mayolle, descendente dos Duques de Septimania... E

murmurou, através do costumado bocejo:

-Ó desenvolvimento supremo da vontade!... Teosofia, Budismo esotérico...

Aspirações, decepções... Já experimentei... Uma maçada!

Atravessamos, calados, o rumor de Paris, sob a moleza abafada do

crepúsculo de Verão, para jantar no Bosque, no Pavilhão de Armenoville, onde

os Tziganes, avistando Jacinto, tocaram o Hino da Carta com paixão, com

langor, numa cadência de czarda dolorosa e áspera.

E eu, desdobrando regaladamente o guardanapo:

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