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pdf [7 mb] - Mutante

a noite

n.07 • março 2011


03. Faz-me Companhia, à Noite

18. A Magia da Polaroid

28. … uma história para cada quarto, à noite

40. A Noite: um eclipse urbano

44. The night

45. A noite da Elia

47. Noite renascida

48. Noite mutante

51. Bastidores

Esta é a nossa Noite.

Tem imagens para vos segredar,

Luzes para vos seduzir,

E histórias para vos contar.

... viajem, por esta noite

e façam como nós,

aproveitem para se renovar.

Março de dois mil e onze

Edição número sete

R Foto da capa

Beckett - Primeira Jornada

14ª produção

© A Escola da Noite, Dezembro 1996


Faz-me Companhia, à Noite

TEXTO sara quaresma capitão e joão pedro rato FOTOGRAFIA escola da noite d

R Atravessando as Palavras Há Restos de Luz • textos de Franz Kafka • 47ª produção • 2009

3


escola da noite... fala-nos do teu dia.

1. diz-nos como te sentes, escola, ao fim

de quase 20 anos a viver de noite?

Sinto que ainda há muitas noites para viver.

2. cresceste tanto durante estes anos. os

anos passaram e tu ganhaste o teu horá-

rio, o teu espaço. porque te chamas noite,

escola? ainda te lembras porque te qui-

seste chamar assim? escola da noite…

Nasci por oposição à Escola de Dia, ao ensino

do dia.

R Susn de Herbert Achternbusch • 4ª produção • 1993


3. o teu dia é a noite, não é? tu respiras

melhor à noite, o teu ritmo é mais certo,

tens mais força, o teu amor brilha mais...

confessas?

É um paralelismo ao Teatro. Noite enquanto

metáfora da criação teatral. É a magia

da noite…

4. porque escolheste tu a noite desta cidade

do mondego? porquê a cidade de capa ne-

gra? a cidade que tantas vezes se veste de

negro, de dia...

Porque era necessário ficar… porque a cidade

precisa(va).

R Comédia sobre a Divisa da Cidade

de Coimbra de Gil Vicente • 7ª produção • 1993


R Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente • 8ª produção • 1994


5. e noite desta cidade, achas que ela te merece?

acreditas que ela te ama na mesma medida?

É uma preocupação que não posso ter. Quero

ser amada pelo que sou – serviço público. Não

peço que nos amem mais ou menos; peço que

deixem a Companhia fazer serviço público.

6. qual foi a noite das noites? qual foi a noi-

te que te sentiste mais escola, mais teatro,

mais arte das artes? em duas décadas deve

ter havido uma noite especial, não digas que

foi a primeira… essa não conta.

A noite de estreia de cada um dos espectáculos...

e a noite em que me estreei aqui, no

Teatro da Cerca de São Bernardo.

7. já sonhaste em viver outras noites? em te

mudares, escola, para outros territórios estrelados?

A noite de ir e voltar sim, já o fiz. Já levei um pouco

da minha casa à Guiné, a Angola, a Moçambique,

ao Brasil... Mas partir, para sempre, não!

8. diz-nos sem medo, sem meias palavras, já

alguma vez pensaste abandonar o teu dia? al-

guma vez tiveste medo do breu que te envol-

ve? do manto que escolheste para te aquecer...

Sim, muitas vezes. Há momentos que... Mas

com muita insistência, muita resistência e

persistência continuo sempre... as três deram-me

esta casa, por exemplo.

R Uma Visitação a Gil Vicente • 11ª produção • 1995


9. a tua casa vive no escuro, mas nós não

tivemos medo e viemos. É esta a casa dos

teus sonhos? É este o sítio onde és e serás

feliz? com aquelas cadeiras em escadas para

que todos te possamos ver e ouvir...

É a partir daqui que procuro a felicidade, mas

sinto que a casa devia ter mais luz. Estou no

centro, mas não estou visível... No entanto,

é há tantos anos o sítio das Artes, é sempre

o resgate das Artes.

10. o teu sol é a nossa lua. se te pedíssemos

para sair com sol, onde nos levarias? a se-

guir à tua casa, qual o sítio que mais amas

e onde amas mais a noite? És uma eterna

apaixonada, só podes ser... para nos prenderes

assim, com histórias contadas com

públicos.

Leva-te a continuar a noite. Da fruição ao

deleite, para continuarmos a fruir o que vivemos

e nos deleitarmos com isso.

11. tens Gil Vicente com um dos predilectos

da tua noite. É talvez a história que mais

gostas de contar ao teu publico. que tanto

R Lenz de Georg Büchner • 15ª produção • 1997

de chama para ele oh da escola? sentes que

em 20 anos foi ele quem mais te cativou?

são onze peças com textos dele, certo?

Gil Vicente é... quase o autor residente da

companhia, é experimentalidade, é fazer uma

escola, é o respeito pela palavra... é o desafio

artístico.

12. qual é a deixa Vicentina que nos dirias?

qual a frase de Gil Vicente que explica o teu

especial amor ao autor?

“Sus!”. Podia, se calhar, dizer também...,

não! É “Sus!”, é anda vamos, vamos embora,

continuar. É desafiar.

13. representaste outros grandes nomes,

como Kafka, tchekov, Beckett..., mas um

shakespear? nunca pensaste representar

“um sonho de uma noite de Verão”? ou as

tempestades e fadas com mercadores e venenos

não são aquilo que dá mais magia à

noite? É só uma pergunta...

Já tive tantas vezes para o representar...

mas a logística, o número de actores, não

me permitiu. É uma vontade, sem dúvida.


R As Troianas de Eurípides • 16ª produção • 1997


R Pranto de Gil Vicente • 18ª produção • 1998


R Os Persas de Ésquilo• 19ª produção • 1999


R O Horácio de Heiner Müller• 29ª produção • 2003


R Ao Partir•Palavras sobre textos

de Ruy Duarte de Carvalho • 34ª produção • 2005


R Play, textos "Passos", "Acto sem Palavras II",

"Play" e "Catástrofe" de Samuel Beckett

37ª produção • 2006


14. Há algum autor que não tenhas vontade

de representar? Há alguém que tenhas a

certeza que não faz parte da tua estante?

Tenho vontade de representar tantos que

não tenho tempo para pensar em quem não

quero... Tantos livros para ler...

15. quem gostarias de ver, um dia, no teu

público?

Mais público, diversos públicoS, públicos diversos...

16. e no teu palco?

Gostaria de continuar a ver...

17. um sonho para a escola...

Sonho em estabelecer e manter condições

para continuar a existir. Sonho em continuar

a ser e fazer serviço público. Sonho em

fixar e fazer mais teatro.

18. um sonho para a noite...

Que ela seja mais noite. Que ela seja mais

comprida.

19. uma imagem que simbolize estes 20

anos. qual seria?

“Faça-nos companhia”, no duplo sentido da

palavra. Façam-me companhia pois, sem a

vossa companhia eu não existo.

R Matéria de Poesia, espectáculo-recital com poemas

de Adélia Prado, Manoel de Barros, Carlos de

Oliveira e Alexandre O'Neill • 39ª produção • 2006


R Tchékhov e a Arte Menor,

textos "O Trágico à Força", "O Urso",

"O Pedido de Casamento", "O Canto do Cisne",

"Os Malefícios do Tabaco" e "O Jubileu"

de Anton Tchékhov • 40ª produção • 2007


20. esta pergunta, a 20.ª fica para daqui a 20

anos! porque queremos voltar para come-

morar mais 20 anos de teatro em coimbra,

à noite, na escola.

Um muito obrigada à Isabel Campante por ter dado voz à Escola da Noite para esta conversa.

www.aescoladanoite.pt

R TNT - Tumulto no Teatro, textos "Eu Sou um Homem de Bem", "O Doido e a Morte" e "O Rei Imaginário", de Raúl Brandão • 45ª produção • 2008


A Magia

da Polaroid

Colecção Raul Cunca

FOTOGRAFIA Miguel d'aguiaM AssIsTIdO POR Miguel estiMa sTYLING Brígida riBeiros

TEXTO Patrícia serrado d

Curioso! Quem é, afinal, o modelo de cada fo-

tografia? A colecção de 60 modelos de má-

quinas fotográficas instantâneas Polaroid ou

as modelos convidadas para exibir cada uma

das máquinas da marca norte-americana?

O objectivo, cumprido, consiste em abordar a

colecção que representa o período de produção

da empresa, com o ano de 1948, a demarcar

o início da produção da primeira máquina

instantânea e o de 2010, quando foi comercializada

a primeira máquina instantânea digital.

R Polaroid Model 95B, 1957-1961

18

A exposição é definida como um olhar da-

quela que foi – e é –, para muitos, a res-

posta instantânea da imagem, em múl-

tiplos cenários que reportam para várias

décadas, durante as quais a Polaroid protagonizou

a fotografia.

Os exemplares ditam a memória da popularização

da fotografia instantânea e do inventor

Edwin Herbert Land, fundador da

Polaroid Corporation, exemplo do espírito

empreendedor norte-americano, que con-


seguia tornar as invenções em produtos de

acesso fácil, transformando a inconfundível

Polaroid numa produção massificada.

A constituição da empresa ocorre no período

que celebra o nascimento do design

industrial nos EUA, um momento reconstituído

pelas máquinas fotográficas e pelos

documentos da época apresentados na exposição.

Os primeiros exemplares expostos

foram concebidos pelos mais notáveis

pioneiros do design industrial norte-americano,

nomeadamente Walter Dorwin Teague,

Henry Dreyfuss e Albrecht Goertz, bem

como os últimos, com projectos liderados

pelo inovador gabinete IDEO.

R Polaroid Model 110A, 1957-1960

Toda esta panóplia de informação e fotografia

pode ser vista e revisitada no Instituto Politécnico

de Castelo Branco – Escola de Artes

Aplicadas, que apresenta “A Magia da Polaroid”.

Uma exposição de fotografia patente no

Museu Francisco Tavares de Proença Júnior

de Castelo Branco, até 31 de Março, com Raul

Cunca a ocupar o lugar de Comissário Científico.

O autor das fotos é Miguel D'Aguiam.

Há ainda um livro que ilustra e documenta

a colecção, contextualizando as máquinas

fotográficas instantâneas, quer enquanto

objectos técnicos inscritos na cultura material

quer como objectos paradigmáticos

da história do design.


R Polaroid Model J33, 1961-1963


R Polaroid Automatic 100, 1963-1966


R Polaroid Swinger Model 20, 1965-1970


R Polaroid SX-70, 1972-1977


R Polaroid EE 100 Special, Anos de 1970

R Polaroid Cambo Miniportrait Model 20, Anos de 1970


R Polaroid Miniportrait, Anos de 1980

R Polaroid Supercolor 1000, 1977


R Polaroid Vision, 1993

R Polaroid Impulse, 1988


R Polaroid Pop Shots Instant, 1998-2001

R Polaroid I-Zone, 1999


… uma história

28

para cada quarto,

à noite

Hotel de Charme Areias do Seixo

TEXTO sara quaresma capitão e joão pedro rato FOTOGRAFIA areias do seixo d


Conta-me uma história para cada quarto, à noite.

Conta-me num suspiro, de noite.

Conta-me coisas ao ouvido, na noite...

Conta-me amor salgado,

conta-me amor com areia e mar...

Conta-me ali, naquele terraço virado para as dunas,

como te apaixonaste,

numa noite para todas as noites, por alguém.


A Oeste, em cada quarto

do Hotel de Charme Areias do Seixo,

há um poema, uma frase,

um dizer para cada quarto.

Cada um tem a sua história,

o seu tema, o seu mundo.

São 10 temas diferentes,

10 histórias para adormecer.


O Hotel Areias do Seixo é para onde quero levar, esta noite, o teu olhar.

A envolvente é do mais belo que te posso dar, é a nossa costa Oeste... é duna, é mar e é luar.

A forma cresceu para namorar o espaço, para se casar com a costa,

para ser uma só junto com a envolvente. Vês como a noite, docemente, te cobre?!


Há programas tentadores para o dia

(relax puro no spa, petiscos no restaurante,

uma ida à mercearia com legumes da horta,

entre outros)…

mas hoje, agora, só te mostro a noite e…

conta-me uma história…

num suspiro… ao ouvido.


Conta a lenda que dormia

Uma Princesa encantada

A quem só despertaria

Um Infante, que viria

De além do muro da estrada.

(...)

Fernando Pessoa (poema escolhido p/ quarto da Oliveira Princesa)


Arquitectura, Design e Paisagem,

em pleno, nas Areias do Seixo…

www.areiasdoseixo.com


A noite: um eclipse urbano

40

TEXTO dulce alVes FOTOGRAFIA Gonçalo capitão d

Quando a tarde morre no horizonte escarlate,

o dia dá lugar à noite, com a mesma

cadência que o pano que cai entre os actos

de uma peça de teatro. As luzes, não as da

ribalta, mas as que delineiam o recorte da

cidade, teimam em partilhar o mesmo palco

com o breu, o habitual protagonista das tramas

nocturnas. A excepção dá-se naquelas

noites em que os céus encadeiam os nossos

olhos com inusitados espectáculos de som

e de luz. É nessas alturas que conseguimos

vislumbrar a verdadeira cidade e o que de

mais cru nela há.

A noite, dizemo-la bela, pois tem a capacidade

de ocultar as entranhas da cidade e as dos que

a habitam. Persuade-nos com as suas luzes

cintilantes, quase insignificantes, que convivem

com neóns e, juntos, nos toldam o olhar.

Não fora os relâmpagos e os trovões e nunca

conheceríamos verdadeiramente a cidade.

Sim, a escuridão oculta, noite após noite, a

verdadeira cidade. E só quando sobre nós

sobrevém uma tempestade e os céus se revoltam

com os terrenos, vociferando como

só eles sabem, damos por nós, aterrados

atrás da vidraça, de unhas cravadas nos

cortinados, a observá-la com a reverência

e o temor que ela nos inspira, a reconhecer

nela os medos que nos assolam, as vidas

que nos atemorizam. Eis o verdadeiro espectáculo,

aquele que nos leva a ver o que

insistimos em ignorar, refugiando-nos na

escuridão das noites… e dos dias.


E o breu volta a apoderar-se do palco principal

Quanto à bonança, a tal que vem depois

da tempestade, ela chega como o último

acto, para pôr fim à encenação. E o breu

volta a apoderar-se do palco principal e,

de novo, contentamo-nos com o mudo

cenário urbano, pincelado de negro, com

pequenos pontos brancos luminosos, suficientemente

grandes para iluminar as

ruas e ruelas, suficientemente pequenos

para eclipsar o que de nocturno há nelas.


The Night

FOTOGRAFIA inês dias TEXTO marK sandman d

"You're the night, Lilah

A little girl lost in the woods

You're a folk tale, the unexplainable

You're a bedtime story

The one that keeps the curtains closed."

44


A noite da Elia

45

ILUSTRAçãO elia POEMA ÁlVaro de campos d


Noite renascida

47

TEXTO marGarida ataide ILUSTRAçãO sara quaresma capitão d

era noite de Inverno avançado

lá fora haviam passos apressados depois da missa

que paravam nas esquinas a fazer a saudação

de quem conhece os vizinhos

a casa respirava aquele ar antigo, acolhedor

e um pouco austero das madeiras escuras

e das histórias guardadas nas paredes

enraizando a família de afectos dispersos

brindámos a uma família acrescida

os genros, os netos, os amigos

sentimo-nos irmãos do futuro

que entretanto passa febril

vão ficando as imagens, os sons e as sensações

de quem estimamos e queremos bem


Noite mutante

FOTOGRAFIA E TEXTO joaquim eduardo oliVeira d

A noite tem tentáculos de ternura. Faz-se

atraente e esconde armadilhas várias, poços

sem fundo. A noite é poiso de prostitutas

e poetas, de almas desencontradas do

dia, da silhueta fugidia de morcegos. A noite

é calma, compaixão e bebedeira. É folia

que acorda quem dorme a horas desavindas,

é vómito e espasmo e alegria, é beco

onde moram os teus medos, os meus gatos.

A noite traveste-se do dia, por isso não se

vê quando é olhada. São horas pardas, edificadas

sobre ausência e bom silêncio. Só o

48

murmúrio do mar se faz constante e se mantém

íntegro a qualquer hora. Tudo o mais é

ou não é luz. Tudo o mais nada.

A noite é o dia quando cego. É o calado desconforto

do bulício. A noite é um vagalhão

de luz calada que avança, avança sempre

até morrer ao fim da madrugada. E nessas

horas de império a plena ditadura da escuridão

é também democracia absoluta –

tudo é igualmente escuro sob as estrelas.

O corpo de meio mundo perde as formas,

ganha sentidos, ouve melhor tudo o que


mexe e não se vê. A noite é coisa cega mas

vê até ao coração do coração sem perder

tempo. E não tem a mesma fome que atormenta

as vidas à uma da tarde.

A noite é a casa da saudade e da lembrança,

é o parlamento do desgoverno emocional,

a urna fechada onde caiu um voto

nulo, uma cruz torta, emancipada. A noite

é a poltrona onde a maresia e a geada se

sentam, sorrateiras, esperando um vento

de norte que as enlace. Ah, e os corpos, os

corpos dos amantes é à noite que se fundem

e confessam. É à noite que prometem

o que hão-de esquecer mais adiante.

A noite é de um veludo tão escuro, tão escuro

que se faz azul. Deixa pentear-se o corpo

por mãos desconhecidas e lança urros de

um prazer flácido e dolente. E não se importa

com o que possam pensar dela, pela manhã,

os viandantes. Tanto lhe faz o amor como a

inveja. Sim, porque há quem lhe queira rasgar

o tal veludo, lançando fogo no verão pelos pinhais,

há quem lhe faça frente com lanternas

e faróis sem perceber que a noite não se perderá

nunca em nenhum porto, em nenhum

cais. “Haja quem me dê um beijo, aqui, ago-


a”, roga a noite. A solidão, o silêncio, o vento

sibilino e a cidade fazem fila para lho dar.

Luz de velas. Luz sem luz. Luz que nunca

brilha aos olhos de ninguém, a noite foge

de casa, quer emprego num bar, num salão

de baile, no fundo mais fundo de um lago. A

noite quer revestir-se de lodo mas o que lhe

cobre a pele é lã e lantejoulas e colares de

brilhantes, cintilantes como raios. A trovoada

é quem melhor fala a estas horas, quem

melhor brilha e grita e estala e humedece.

Traz consigo uma chuva persistente e palradora

e fina e fria, omnipresente.

A noite é uma tarte de maçã coberta de silêncios,

é a janela calada na mansarda adormecida.

Oiço definitivamente melhor o pingar

da chuva às 1:37, sim, por detrás dessa

janela de mansarda. Para lá de mim.

A noite são sombras e espasmos e fantasmas

de luz, embriagados, vultos de incandescência

duvidosa pisando as caladas com cuidado.

À noite tudo jaz num mesmo e intranquilo

corpo. Subvertem-se as regras e as próprias

criaturas. O pasto da noite é todo um, mas

plural, intenso e puro. Mil e um contos se contam

numa noite. E são todos verdadeiros…


Bastidores

51

FOTOGRAFIA CORES Vanessa Viana

FOTOGRAFIA PRETO E BRANCO paulo aBrantes

cedido por luis de matos produções d


…a nossa noite termina aqui. Até breve.

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