Lisboa - LAM

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Lisboa - LAM

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BAixA PomBALinA

Praça do Comércio

Lisboa

já não dorme aqui

texto / text Luís Carlos Patraquim

fotos / photos Artur Ferreira

São Nicolau

Tradicional “Eléctrico”


Nas nossas ruas, ao anoitecer,

Há tal soturnidade, há tal melancolia,

Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia

Despertam-me um desejo absurdo de sofrer

Cesário Verde,

in O Sentimento dum Ocidental

Ainda há varinas no Cais da

Ribeira, sem canastra, e boémia

e perdidas luas de desejo

no Cais do Sodré, Largo de São

Paulo, ruelas esconsas iluminadas

a néon, bares com nomes da

América. Tudo no limite do que

é a chamada Lisboa pombalina.

Edificada por decisão do Marquês

de Pombal, na sequência

do terramoto de 1755, a baixa

de Lisboa espraia-se por uma

área de cerca de 23,5 hectares.

Castelo de São Jorge

Praça da Figueira

As coordenadas de um desenho

com nomes e lugares: Terreiro do

Paço, junto ao rio Tejo, o Rossio e

a Praça da Figueira; longitudinalmente,

entre o Cais do Sodré, o

Chiado e o Carmo, para oeste, e

a colina e o Castelo de São Jorge,

do lado oposto.

A freguesia de São Nicolau,

com a igreja, ocupa a parte central

da baixa, rodeada, no sentido

dos ponteiros do relógio, pelas

freguesias dos Mártires, Sacra-

mento, Santa Justa, São Cristóvão

e São Lourenço e Madalena.

Lisboa revisited”, como escreveu

Pessoa, já não a partir dos

tombadilhos dos navios, cascos

acostando às docas, Tejo acima

depois do farol do Bugio, mas no

vaivém de aeronaves e gentes a

partir do aeroporto da Portela.

Terá sido a olhar o Tejo, no

Cais das Colunas, agora ausente,

que Álvaro de Campos/Fernando

Pessoa se inspirou para

escrever a sua grandiosa “Ode

Marítima”?

Já não “vai pelo cais fora um

bulício de chegada próxima”, nem

“começam chegando os primitivos

da espera” e nem se descortina o

vulto dele, o pobre Fernando, ou

um Cesário de soslaio, olhando “já

ao longe o paquete de África” que

nem “se avoluma” ou “esclarece”.

Mudam-se os tempos. A cidade

adquiriu novas centralidades.

Mas se o berço é a colina do

Índico 55


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Café Nicola

Pastelaria Suíça

Restauradores

Castelo, a baixa tem o selo do iluminismo

do marquês e o Terreiro,

com a estátua equestre do Rei D.

José, abre-se para despotismo

esclarecido e marca do poder

centralizado que impôs. Nesse

sentido, a baixa pombalina é um

projecto político, um manifesto

de urbanismo e de arquitectura:

um conjunto de ruas rectas e

perpendiculares com eixo na

Rua Augusta e desenvolvendo-se

para os dois lados dela, a Rua

que abre com o Arco que lhe dá

o nome, junto à Praça também

chamada do Comércio.

De dia, confirma-se o bulício.

Junto ao teatro que Almeida

Garrett conseguiu que se erguesse,

no terreiro entre o Palácio

da Independência e a Igreja de

São Nicolau, com a Ginginha a

abarrotar e as Portas de Santo

Antão atrás, é ver o mar de Áfricas


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Ruínas do Carmo Remnants of the Carmo

Elevador de Santa Justa

algaraviando o tudo de lhe calcorrear

as calçadas: empregos,

negócios, documentos, encontros

de amigos e de familiares,

como se os laços invisíveis da

Irmandade Negra da Nossa

Senhora do Rosário marcassem

ainda os interesses e as protecções.

História dessa presença de

séculos, hoje configurando outra

vez uma Lisboa africana, está

escrita para ser lida no livro do

brasileiro José Ramos Tinhorão

“Os Negros em Portugal – Uma

Presença Silenciosa”.

Do lado do Rossio, onde quase

por cima do Café Nicola viveu

Eça de Queiroz, as esplanadas

fervilham: do antigo tasco que

Bocage frequentou à selecta

pastelaria Suíssa, do lado oposto

da Praça. Outras, modernaças

e incaracterísticas. Perdeu-se o

Café Gelo, desde o tempo do

Buíça regicida à gloriosa geração

surrealista e afins das décadas de

40 e 50 do século passado e a

Brasileira do Rossio, hoje soturna

dependência bancária. Mas as

turbas multicolores, canoras e

não belicosas, continuam a golfar

das bocas do metropolitano, seja

deste lado, seja do da Praça da

Figueira. Turbas/tubas de uma

multiculturalidade que dorme

nas cinturas suburbanas e vem

mercar mão-de-obra e estatutos

no terciário que é hoje quase

toda a cidade. A baixa pombalina

também. Onde já quase ninguém

dorme. Nem nas antigas pensões

ainda a teimarem existir. Alfaiates

e costureiras há muito que

debandaram dos edifícios de

similar desenho que formam a

construção de típica traça pombalina.

Sobra, num rés-do-chão

do Rossio (praça Dom Pedro

IV), o chapeleiro que viu passar

regimes e revoluções onde ainda

se mostram boinas bascas e

chapéus para o passeio público

que desapareceu e que ficava

onde é hoje parte da Avenida da


Liberdade, onde ela desemboca

na Praça dos Restauradores. Só

os turistas, e de algumas posses,

dormem no hotel que antes fora

cinema com arquitectura de

Cassiano Branco: o Éden. Dele,

respeitou-se a fachada e a escadaria.

Contíguo, o Palácio Foz,

antigo casino e, antes disso, palácio,

claro. No gaveto, ou curva,

que vai desembocar no Rossio,

mostra-se a famosa e restaurada

Estação dos Caminhos-de-Ferro

onde o Presidente-Rei Sidónio

Pais haveria de encontrar morte

matada, estava a Primeira Guerra

no fim e a recém implantada República

Portuguesa a retorcer-se

em conluios, golpadas e quedas

de Governo.

Esta Lisboa do Marquês, vanguardista

para a época em que

foi idealizada e feita, de rectas e

perpendiculares onde, nas cantarias

dos prédios altos, comerciantes

e burguesas espreitavam

as ruas, é hoje um deserto dois

metros acima do chão. Desta

Lisboa (que em 2004 se propôs

a Património Mundial), com

construção anti-sísmica, com as

fundações dos edifícios assentes

sobre estacaria de pinho verde

em terreno de aluvião abaixo

do nível freático, com lojas no

pavimento térreo, habitação nos

pisos superiores e, acima destes,

a famosa gaiola pombalina

(estrutura interior em madeira

com travamento por forma a

suportar forças sísmicas), com

poços de água nos quarteirões

para prevenir incêndios, edificada

como se fosse em módulos

e aproveitando os entulhos da

destruição da terrível manhã de

1 de Novembro de 1755, sobra a

pesada e sólida solenidade dos

bancos na Rua Áurea e o comese

e bebe-se ao rés da gula o peixe

grelhado e fresco e os tintos e

cervejas da sede nómada.

Do “João do Grão” ao “Martinho

da Arcada”, onde Pessoa

penhorou palavra para mais

uma aguardente, às mil lojas

de tudo, até a “Das Meias”, que

já não há; da baixa Pombalina

ao Chiado, reerguido depois do

incêndio de 1988, à Calçada do

Carmo, onde há livrarias com nomes

como “Portugal”, “Bertrand”

Monumento dos Restauradores

Fernando Pessoa - Café A Brasileira

e “Sá da Costa”; das pastelarias

e cafés como a “Bénard” à

“Brasileira”, onde se senta ainda

um Fernandinho Pessoa-poetaem-bronze

tomando a bica; do

Teatro de São Carlos, escondido

pelo prédio onde o autor da

“Mensagem” nasceu no dia de

Santo António de 1888, à estátua

do António Ribeiro Chiado,

boémio e malandro: destes

percursos todos é feita esta Lisboa.

Da baixa à contígua Sétima

Colina, que se vai despovoando,

olhando a noite antiquíssima

que é a sua, na vizinhança do

elevador de Santa Justa, que

estabelece a ponte. Com as Ruínas

do Carmo testemunhas do

grande terramoto e incêndio.

A luz é o que se sabe e capital

da melancolia é ela. Mil estórias

a povoam. Como muito bem observou

Henrique Diniz da Gama,

a baixa pombalina ergueu-se pela

vontade férrea de um homem

e depois de um cataclismo que

emocionou a Europa de então,

para se impor como concepção

de poder à revelia da tradição

popular dos bairros que a constituem.

Mas ela lá está. Desbotada

beleza, hoje, a pedir reabilitação

urgente e testemunho da História.

Para a literatura do mundo

que mais pedir do que esse

“Livro do Desassossego”, de um

tal Bernardo Soares, empregado

de escritório na Rua dos Douradores?

Lisboa já não dorme aqui, não

ama, não grita água-vai! Lisboa

à noite, aqui, embrulha-se de

sombras e deixa-se afagar só

pelo andar bamboleante de algum

ébrio, um casal apressado

alando-se para o tumulto dos

sentidos, um guarda-nocturno

de apito e boné. Amanhece

como o rio. Reacordará um dia,

espera-se, sem que seja preciso

que o Marquês “desça cá abaixo

outra vez”. O mesmo que, quando

morreu, cumpriu sua máxima e

foram precisos quatro homens

para o carregarem, e a quem, em

sonetilhos de mal-dizer, se acusava

de ser neto da rainha Ginga.

Como se a condição crioula não

fosse uma das suas marcas. De

Lisboa.

Índico 59


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PomBALine LisBon

Lisbon

sleeps here no more

“On our streets, after dark,

There’s such gloom, such melancholy,

That the shadows, the bustle,

the Tagus, the sea breeze,

Arouse in me an absurd desire for suffering”

Cesário Verde,

in O Sentimento dum Ocidental

(The Sentiment of a Westerner)

There are still fishwives at the

Ribeira wharf, but without the

fish baskets, and bohemians and

lost clouds of desire at the Cais do

Sodré, the Largo de São Paulo, hidden

side-streets illuminated by

neon, bars with American names.

All within the bounds of what is

called Pombaline Lisbon.

Built at the order of the Marquês

de Pombal following the

earthquake of 1755, downtown

Lisbon spreads out over an area

of around 23.5 hectares. Her map

coordinates bear names and

places such as Terreiro do Paço

(by the Tagus River), Rossio and

Praça da Figueira; longitudinally,

between Cais do Sodré, Chiado

and Carmo to the west, and the

hill and the Castelo de São Jorge

on the opposite side.

The freguesia of São Nicolau,

Rossio

with its church, occupies the

central part of baixa (downtown

Lisbon), surrounded, clockwise,

by the freguesias of Mártires,

Sacramento, Santa Justa, São

Cristóvão and São Lourenço and

Madalena.

Lisboa revisited,” as Pessoa

once wrote, no longer from the

decks of ships, hulls moored

alongside the docks, up the Tagus

after the Bugio lighthouse, but

rather from the comings and goings

of airplanes and crowds from

the Portela Airport.

Would it have been from contemplating

the Tagus River at the

now vanished Cais das Colunas,

that Álvaro de Campos, alias Fernando

Pessoa, drew the inspira-

Duque da Terceira/Cais do Sodré

tion to write his grandiose “Ode

Marítima” (Maritime Ode)?

No longer does the “bustle of

the next arrival emerge from the

dock”, nor do the “primitives start

arriving from the ambush,” and

one cannot even descry the face

of poor Fernando, nor that of a

Cesário turned sideways, looking

at the “far off steamer from

Africa” which neither “swells” nor

“becomes clear”.

Times have changed. The city

has new centres now. But if its

cradle is the hill of the Castelo,

the downtown bears the seal of

the Marquis’ enlightenment and

the Terreiro, with its equestrian

statue of King Joseph, opens up

to enlightened despotism and

represents the centralised power

that he imposed. In this sense,

the Pombaline downtown is


Rossio

62

Rua Augusta

a political project, a manifesto

of urban development and architecture:

a set of straight and

perpendicular streets whose axis

is the Rua Augusta around which it

unfolds, the Rua (Street) that opens

with the Arco (Arch) that gives it its

name, next to the Praça (Square)

which is also called do Comércio.

In daytime, the bustle is there.

Next to the theatre, whose construction

was made possible

by writer Almeida Garret, at

the square between Independence

Palace and the Church of

São Nicolau, with the Ginginha

(downtown tavern) packed, and

the Portas de Santo Antão behind,

one can devise a sea of Africas

running from place to place,

gibbering about this and that:

jobs, business deals, documents,

meetings between friends and

relatives, as if invisible ties of the

Black Brotherhood of Our Lady of

the Rosary still represented their

interests and protected them.

The history of this centuriesold

presence, today giving shape

once more to an African Lisbon,

has been recorded in a book by a

Brazilian author, José Ramos Tinhorão,

entitled “Blacks in Portugal

- A Silent Presence”.

Rossio square, where the writer


64

Arco da Rua Augusta Dom João I - Praça da Figueira

Cais da Ribeira

Eça de Queiroz once lived close

to Café Nicola, is teeming with

cafés: from the old tavern once

favoured by poet Bocage, on one

side, to the select Pastelaria Suíssa,

on the opposite side. There are

others, too, modern but uncharacteristic.

Gone are the Café Gelo,

from the times that Buíça, the man

who shot King D. Carlos, to the

glorious generation of surrealists,

and those akin, of the 1940s and

1950s, and the café Brasileira do

Rossio, now a dull branch office

of a bank. But the multi-coloured

crowds continue to pour out from

the exits of the subway, both onto

Rossio and Praça da Figueira.

Multicultural crowds, too, who

sleep in the outskirts and come

to trade manpower and jobs for

the service sector, today prevailing

in almost the entire city,

including the Pombaline downtown,

where few people still live,

even fewer sleeping in the old

boarding houses that stubbornly

dare to exist.

Tailors and seamstresses have

long dispersed from the buildings

of similar design that form

the typical Pombaline outline.

A hatmaker’s shop, that saw the

passing of regimes and revolutions,

remain on a ground-floor

at the Rossio (Praça Dom Pedro

IV) still displaying Basque berets

and hats for public walks of times

past. Lisbon folks used to walk up

and down what is today Avenida

da Liberdade towards Praça dos

Restauradores. Only tourists, with

a wallet, sleep at the hotel that

was once the Eden cinema, built

in the architectural style of Cassiano

Branco. Its façade and stairway

were preserved. Nearby is the

Foz Palace, formerly a casino, and

before that a palace, of course. On

the corner, or curve, that runs into

the Rossio, stands the famous and

restored Railway Station where


Sidónio Pais, an Army officer

regarded as “President-King”, was

assassinated. World War I was

coming to a close and the newlyestablished

Portuguese Republic

was endemic with conspiracies,

coups and the overthrow of successive

governments.

This Lisbon of the Marquis, an

avant-garde city for the epoch in

which it was designed and built,

with straight and perpendicular

streets where, from the balconies

of tall buildings, merchants and

the bourgeois looked down,

is today a desert, two metres

above ground. What remains of

this Lisbon (running for World

Heritage Sites in 2004), with its

anti-seismic construction, buildings

resting on pinewood pilings

in alluvial soil under the water

table, shops on the ground floor,

apartments on the floors above,

and, above them, the famous

Pombaline cage (an interior

wooden structure with a bracing

in order to withstand seismic

forces), water wells in the quarters

to prevent fires, built as if it

66

were modular and making use of

the ruins caused by the destruction

that occurred on the terrible

morning of November 1, 1755, is

the heavy and firm solemnity of

the banks in Rua Áurea. Fresh,

grilled fish is eaten in a manner

that borders gluttony and red

wine and beer are drunk with a

nomadic thirst.

From restaurants “João do

Grão” to the “Martinho da Arcada”,

where Pessoa traded his word

for another brandy, to a thousand

shops from one “Silk Socks

House”, also gone meanwhile, to

about anything; from the Pombaline

baixa to Chiado, rebuilt

after the big fire of 1988, to the

Calçada do Carmo, boasting

book shops with names such as

“Portugal”, “Bertrand” and “Sá da

Costa”; from the confectionaries

and cafés such as the “Bénard” to

the “Brasileira”, where a little Fernando-Pessoa-poet-in-bronze

still sits outside drinking a bica,

(Lisbon espresso). From the São

Carlos Theatre, concealed by the

building where Fernando Pessoa,

author of “Mensagem”, was born

on the day of St. Anthony in 1888,

to the statue of António Ribeiro

Chiado, bohemian and scoundrel,

all of these routes make up this

one Lisbon. And from downtown

to the nearby Seventh Hill, which

is becoming depopulated, looking

at the ancient night that belongs

to it, close to the Santa Justa Lift,

with the nearby remnants of the

Carmo Convent standing as witnesses

from the big earthquake

and fire.

Lisbon is a city of light, but

capital of melancholy too. It is

the home of a thousand stories.

As Henrique Diniz da Gama once

said, the Pombaline downtown

was built by the unrelenting will

of one man and after a cataclysm

which had touched hearts across

Europe at the time. It would come

to impose itself as a conception

of power contrary to popular

tradition then prevailing in Lisbon

quarters. But there it stands, today,

a lacklustre beauty begging

for urgent rehabilitation.

W h a t m o r e c o u l d world

literature ask for than the “Book

of Disquiet” by a certain Bernardo

Soares (an heteronym of Fernando

Pessoa) a clerk in an office

at Rua dos Douradores?

Lisbon sleeps here no more, it

does not love, it no longer yells

“Look out! Water!” Lisbon by night,

here, wraps itself in shadows and

is only caressed by the dangling

footsteps of some drunkard, of

a hurried couple soaring into

the flutter of the senses, a night

watchman with a whistle and a

cap. It dawns like the river. It will

Teatro Dona Maria

relive one day, we hope, without

the Marquis having to “come

down here again”, as goes the

popular saying. When he died,

the Marquis saw his promise

fulfilled that it would take some

to carry him on his last journey

and indeed it took four men to

carry him, the man who, in burlesque

sonnets, was rumoured to

have been a grandson of Queen

Ginga, of Angola. As if the Creole

way of life had not been one of

his imprints. Imprint of Lisbon,

forever.


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