Riscos no setor Alimentação e Trabalho Rural - SimuCAD
Riscos no setor Alimentação e Trabalho Rural - SimuCAD
Riscos no setor Alimentação e Trabalho Rural - SimuCAD
Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!
Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.
Universidade Federal de São Carlos<br />
Engenharia de Produção Química<br />
<strong>Riscos</strong> <strong>no</strong> <strong>setor</strong><br />
<strong>Alimentação</strong><br />
e <strong>Trabalho</strong> <strong>Rural</strong><br />
Introd. Engenharia de Segurança do <strong>Trabalho</strong><br />
Professor: João A. Camarotto<br />
Grupo: Deborah Mascaro Cordebello RA: 241881<br />
Francisco Brasil RA: 241873<br />
Larissa M. Prereira RA: 241857<br />
1
A saúde do trabalhador rural<br />
e o risco invisível dos agrotóxicos<br />
Recordando a história<br />
A comunidade primitiva migrava para diferentes regiões motivada pela<br />
busca dos alimentos que eram adquiridos pela caça ou pela pesca, atividades<br />
predominantemente masculinas. As mulheres ficavam esperando o retor<strong>no</strong> das<br />
caçadas e das pescarias. Enquanto isso observavam o comportamento da<br />
natureza e, com isso, deram início ao processo de cultura agrícola.<br />
Embora o desenvolvimento da agricultura tradicional tenha sido de extrema<br />
importância, a produção de alimentos sempre foi um dos maiores desafios da<br />
humanidade. Em alguns períodos a escassez de alimentos e sua conseqüência<br />
imediata, a fome, chegaram a dizimar inúmeras pessoas em todo o mundo,<br />
principalmente durante a Antigüidade, a Idade Média e a Renascença.<br />
À partir do século XVIII e início do XIX, a modernização da agricultura em<br />
diferentes regiões da Europa, iniciou-se a superação desta questão. Este período<br />
caracteriza a Primeira Revolução Agrícola, na qual houve a implantação de<br />
tec<strong>no</strong>logias para produção de alimentos em larga escala, através de sistemas de<br />
rotação de culturas legumi<strong>no</strong>sas. Essas práticas permitem aumentar a lotação de<br />
cabeças de gado nas propriedades, beneficiando a fertilidade dos solos.<br />
A produção agrícola passou a ser direcionada pela lógica de mercado,<br />
vinculada a implementação de sistemas simplificados, de mo<strong>no</strong>culturas de maior<br />
interesse comercial, e baseada <strong>no</strong> emprego intensivo de insumos industriais.<br />
Consolidou-se assim a Segunda Revolução Agrícola, caracterizada por um padrão<br />
produtivo químico, motomecânico e genético, que configurou a de<strong>no</strong>minada<br />
Agricultura Moderna ou Convencional.<br />
É fato que houve um aumento considerável na produtividade agrícola. No<br />
entanto, contraditoriamente, também cresceram a pobreza e a miséria, pois toda a<br />
produção agrícola era direcionada pelas leis de mercado e não supria as<br />
necessidades dos países pobres.<br />
Na década de 60, início da década de 70, com a introdução de verdadeiros<br />
pacotes tec<strong>no</strong>lógicos, começou a ser concretizada esta proposta de disseminação<br />
para os países subdesenvolvidos.<br />
Este momento histórico configurou a Revolução Verde que foi viabilizada<br />
pelos avanços do <strong>setor</strong> industrial agrícola e das pesquisas das áreas químicas,<br />
mecânica e genética.<br />
Além de não terem resolvido ou minimizado os problemas decorrentes da<br />
fome, da agricultura moderna, embora conseguisse aumentar a produção, também<br />
determi<strong>no</strong>u um verdadeiro incremento de problemas, dentre os quais, evidenciamse:<br />
- agravamento do quadro de pobreza;<br />
- êxodo rural e crescimento desordenado das metrópoles<br />
2
- concentração de terras e a diminuição da mão-de-obra <strong>no</strong> campo;<br />
- a precarização das relações de trabalho <strong>no</strong> campo;<br />
- a degradação ambiental, com deterioração dos solos produtivos, com a<br />
erosão, perda da fertilidade e a geração de processos de desertificação;<br />
- a contaminação química dos solos, dos recursos hídricos, dos animais<br />
silvestres, do homem e dos alimentos;<br />
- devastação ambiental;<br />
- os solos empobrecidos passaram a exigir mais fertilizantes químicos e as<br />
pragas desenvolveram resistência aos agrotóxicos, obrigando os<br />
agricultores a aplicá-los em quantidade cada vez maiores.<br />
No Brasil, pode se afirmar que a Revolução Verde foi feita pelas mãos do<br />
Estado. Ele implementou uma política de incentivo com a finalidade precípua de<br />
introduzir os recursos tec<strong>no</strong>lógicos captados <strong>no</strong>s países desenvolvidos, criou<br />
aparatos para o <strong>no</strong>vo modelo de empresas de pesquisa e assistência técnicas em<br />
produção agrícola, incentivou os agricultores através de linhas especiais de crédito<br />
que permitiam a aquisição de máquinas, equipamentos e produtos químicos,<br />
favorecendo a abertura de um extenso mercado de máquinas.<br />
Apesar de todo esse aparato, o Estado não conseguiu garantir a adequada<br />
assistência junto aos agricultores para implementar tal tec<strong>no</strong>logia. Sem o apoio<br />
necessário os agricultores passaram a introduzir formas de utilização adversas,<br />
com base em suas próprias experiências.<br />
Em 1975, <strong>no</strong> Brasil foi instituído o Pla<strong>no</strong> Nacional de Desenvolvimento, com<br />
investimentos de 200 milhões de dólares para implementar a indústria de síntese e<br />
formulação de agrotóxicos.<br />
Com tamanho incentivo, transformaram o Brasil <strong>no</strong> terceiro maior país<br />
consumidor de agrotóxicos e um dos principais produtores e exportadores destes<br />
insumos, mas as indústrias de agrotóxicos ocultaram o risco para a saúde das<br />
populações expostas.<br />
O cenário silencioso da ditadura militar e a falta de informações sobre os<br />
efeitos da então “maravilha química”, contribuíram para a ampliação de sua venda,<br />
sem qualquer debate público, sobre o seu perigo.<br />
Saúde e trabalho<br />
Um dos agravantes dos problemas ambientais é que juntamente com os<br />
recursos, também são importados riscos decorrentes de emprego de tec<strong>no</strong>logias,<br />
o que as torna perigosas para a saúde e vida de quem as utiliza. Os fatores de<br />
riscos para a saúde apresentam uma determinação histórica e social que se<br />
expressa coletivamente atingindo os grupos sociais, mas que tem reflexos sobre a<br />
integralidade do indivíduo e levam ao aparecimento de doenças e outros agravos<br />
à saúde. Os da<strong>no</strong>s à saúde resultam das condições de vida e trabalho da<br />
população, mas se torna concreta a nível individual, conforme as características<br />
3
físicas e biológicas das pessoas submetidas aos riscos presentes <strong>no</strong> ambiente,<br />
especialmente <strong>no</strong> ambiente de trabalho.<br />
Nas avaliações dos agravos à saúde dos trabalhadores rurais é necessário<br />
identificar os fatores de riscos a que estão submetidos, buscando estabelecer as<br />
relações com a produção e a organização do trabalho, procurando compreender<br />
toda a complexidade do processo de desgaste operário, a partir das cargas<br />
presentes <strong>no</strong> ambiente de trabalho. Os trabalhadores estão em relação direta com<br />
os diferentes riscos presentes <strong>no</strong> ambiente de trabalho, os quais por sua vez, têm<br />
implicações <strong>no</strong> padrão das cargas a que estão submetidos.<br />
No processo de trabalho se estabelece uma interação complexa e dinâmica<br />
entre o trabalhador e sua atividade de trabalho, de maneira que na execução do<br />
processo de trabalho o trabalhador se defronta com várias dificuldades, para as<br />
quais gera um processo de adaptação.<br />
Para essa adaptação, ocorrem respostas do organismo que variam<br />
conforme as condições específicas de desenvolvimento. Isso gera mudanças <strong>no</strong>s<br />
processos corporais, que se expressam como formas biológicas características e<br />
se apresentam através dos agravos à saúde.<br />
A avaliação do processo saúde-doença dos trabalhadores necessariamente<br />
requer o reconhecimento de que estes são sujeitos históricos, cujo direito à saúde<br />
se relaciona ao direito ao trabalho, à informação, à participação, ao lazer e a tudo<br />
o que se refere ao direito de cidadania.<br />
<strong>Riscos</strong> à saúde <strong>no</strong> trabalho rural<br />
O processo produtivo e a organização do trabalho envolvem riscos físicos,<br />
químicos, biológicos, psicológicos, ergonômicos, de segurança, sociais e<br />
ambientais.<br />
- FÍSICOS: relacionados ao clima, à temperatura (frio ou calor), radiação<br />
não-ionizante proveniente dos raios solares (UVA e UVB), ao ruído decorrente das<br />
máquinas agrícolas;<br />
- QUÍMICOS: decorrentes do uso de agrotóxicos (inseticidas, herbicidas,<br />
formicidas...), fertilizantes e corretivos de solo;<br />
- BIOSSANITÁRIOS: decorrentes da exposição à diversos parasitas<br />
(leishmaniose, toxoplasmose, cisticercose, esquistossomose...), bactérias (téta<strong>no</strong>,<br />
leptospirose...), vírus (dengue, febre amarela, raiva...), fungos (histoplasmose),<br />
animais peçonhentos (escorpião, cobra, aranha, formiga, lagarta...) e condições<br />
sanitárias (higiene e limpeza);<br />
- PSICOLÓGICOS: decorrentes das longas jornadas de trabalho cujas<br />
pausas são pouco freqüentes ou inexistentes, salários baixos, falta de registros<br />
formal do vínculo empregatício, exigência de produtividade, transporte para o<br />
campo;<br />
- ERGONÔMICOS: relacionados ao esforço físico e posturas assumidas <strong>no</strong><br />
manuseio dos equipamentos;<br />
4
- DE SEGURANÇA: causadas por máquinas agrícolas, instrumentos de<br />
corte (enxada, facão...), armas de fogo, aviação agrícola (pilotos e pessoal de<br />
sinalização), incêndios, eletricidade;<br />
- SOCIAIS: relacionados à falta de políticas sociais acessíveis a todos como<br />
educação, saúde, lazer, saneamento, moradia adequada, alimentação adequada;<br />
- AMBIENTAIS: especialmente decorrentes da falta de saneamento<br />
ambiental, uso de agrotóxicos, desmatamento, destruição da mata ciliar,<br />
assoreamento dos rios, transgênicos.<br />
SÃO PAULO<br />
EMP.<br />
ACID.<br />
TOTAL<br />
2001<br />
INCID. ÓBITO MORT. LETAL.<br />
01112 - Cultivo de Cereais 5.446 95 1,74 0 0,00 0,00<br />
01120 - Cultivo de Algodao Herbáceo 448 14 3,13 0 0,00 0,00<br />
01139 - Cultivo de Cana-De-Açúcar 76.263 5917 7,76 10 13,11 1,69<br />
01147 - Cultivo de Fumo 1 5 500,00 0 0,00 0,00<br />
01155 - Cultivo de Soja 542 17 3,14 1 184,50 58,82<br />
01198 - Cultivo de Outros Produtos Temporários 5.274 23 0,44 2 37,92 86,96<br />
01210 - Cultivo de Hortaliças, Legumes e Especiarias Hortícolas 6.528 46 0,70 2 30,64 43,48<br />
01228 - Cultivo de Flores e Plantas Ornamentais 9.825 57 0,58 0 0,00 0,00<br />
01317 - Cultivo de Frutas Cítricas 33.582 544 1,62 0 0,00 0,00<br />
01325 - Cultivo de Café 9.985 106 1,06 5 50,08 47,17<br />
01333 - Cultivo de Cacau 5 13 260,00 1 20000,00 76,92<br />
01341 - Cultivo de Uva 904 8 0,88 1 110,62 125,00<br />
01392 - Cultivo de Outras Frutas, Frutos Secos, Plantas para Preparo de Beb... 5.634 36 0,64 0 0,00 0,00<br />
Agricultura 154.437 6881 4,46 22 14,25 3,20<br />
5
Agrotóxicos<br />
Podemos dizer que dentre todos os problemas advindos com o modelo<br />
agrícola ora dominante, a utilização de agrotóxicos apresenta maior relevância<br />
pelo grave problema de saúde ambiental que ele provoca. No entanto, apresentam<br />
baixa resistência às condições climáticas e às pragas, o que leva ao maior<br />
consumo de agrotóxicos.<br />
Estima-se que a produção mundial desses insumos corresponde a 2 bilhões<br />
de toneladas por a<strong>no</strong>, ou seja, cerca de 500 mg/pessoa/a<strong>no</strong>.<br />
No que se refere ao comprometimento da saúde humana, a Organização<br />
Mundial de Saúde estima que ocorrem anualmente 3 milhões de intoxicações<br />
agudas, aproximadamente uma a cada minuto, com 20 mil mortes, por a<strong>no</strong>, sendo<br />
que a maioria se dá por acidente de trabalho e estima-se que algo em tor<strong>no</strong> de<br />
70% acontecem em Países de Terceiro Mundo.<br />
Cerca de 70% dos agrotóxicos produzidos anualmente são consumidos em<br />
países considerados desenvolvidos, mas, <strong>no</strong> entanto, a maior quantidade de<br />
casos de intoxicações e mortes decorrentes da exposição humana a estes<br />
agentes são observadas <strong>no</strong>s países “em desenvolvimento”.<br />
Os trabalhadores rurais são os mais acometidos por estes males, por<br />
apresentarem contato cotidia<strong>no</strong> na sua vida laboral, em que aplicam estes<br />
vene<strong>no</strong>s na produção agrícola.<br />
As principais medidas de prevenção do da<strong>no</strong> recomendadas estão quase<br />
que exclusivamente reduzidas a utilização dos Equipamentos de Proteção<br />
Individual (EPI), que são pouco aceitos pelos trabalhadores rurais, devido ao<br />
desconforto e incômodo que causam, além de seu alto custo, o que dificulta a<br />
aquisição, pois reduz os lucros da produção.<br />
Além desse grupo de trabalhadores, todo o ambiente é vítima dos<br />
agrotóxicos. As águas, o solo, a vegetação, os animais e a população humana. O<br />
processo de contaminação se expande muito além dos limites da área produtiva,<br />
ampliando consideravelmente o número de expostos.<br />
Os riscos de exposição a esses agentes perigosos à saúde presentes <strong>no</strong><br />
ambiente através de produtos, processos produtivos e resíduos, requerem uma<br />
abordagem diferenciada, que permita uma ação de prevenção e promoção.<br />
Este princípio é apenas a aplicação de uma proposta radicalmente<br />
preventivista <strong>no</strong>s critérios de avaliação de riscos à saúde e ao ambiente, na<br />
perspectiva da promoção da saúde e da qualidade de vida.<br />
De acordo com a ação e grupos químicos, os agrotóxicos são classificados<br />
da seguinte forma:<br />
- INSETICIDAS: possuem ação de combate a insetos, larvas e formigas.<br />
Pertencem a quatro grupos químicos distintos:<br />
1. Orga<strong>no</strong>fosforados - compostos derivados do ácido fosfórico, do ácido<br />
tiofosfórico ou do ácido ditiofosfórico;<br />
2. Carbamatos – derivados do ácido carbâmico<br />
3. Orga<strong>no</strong>clorados – compostos à base de carbo<strong>no</strong>, com radicais d<br />
cloro. São derivados do clorobenze<strong>no</strong>, do ciclo-hexa<strong>no</strong> ou do ciclodie<strong>no</strong>.<br />
Seu emprego tem sido proibido;<br />
6
4. Piretróides – compostos sintéticos que apresentam estruturas<br />
semelhantes à piretrina, substância existente nas flores de<br />
Chrysanthemum cinenariaefolium.<br />
- FUNGICIDAS: combatem fungos. Os principais grupos químicos são:<br />
1. Etile<strong>no</strong>-bis-ditiocarbamatos;<br />
2. Hifenil estânico;<br />
3. Captan;<br />
4. Hexaclorobenze<strong>no</strong>.<br />
- HERBICIDAS: combate a ervas daninhas. Seus principais representantes<br />
são:<br />
1. Paraquat;<br />
2. Glifosfato;<br />
3. Pentaclorofe<strong>no</strong>l;<br />
4. Derivados do ácido fe<strong>no</strong>xiacético;<br />
5. Dinitrofenóis.<br />
- RATICIDAS: utilizado <strong>no</strong> combate a roedores;<br />
- ACARICIDAS: ação de combate a ácaros diversos;<br />
- MOLUSQUICIDAS: ação de combate a moluscos, basicamente contra o<br />
caramujo da esquistossomose;<br />
-FUMIGANTES: ação de combate a insetos, bactérias.<br />
Os agrotóxicos podem se apresentar na forma líquida, sólida ou gasosa.<br />
Seus principais mecanismos de ação são os seguintes:<br />
Ação de contato: o pesticida é absorvido pela pele do inseto;<br />
Ação de ingestão: o pesticida age e penetra <strong>no</strong> organismo do inseto<br />
por via oral;<br />
Ação de profundidade: o pesticida tem ação translaminar, ou seja,<br />
quando aplicado na face de uma folha, exerce sua toxidez contra<br />
insetos alojados inclusive na outra face da folha;<br />
Ação fumigante: o pesticida age penetrando <strong>no</strong> inseto na forma de<br />
vapor através de suas vias respiratórias;<br />
Ação sistêmica: o pesticida é absorvido por uma planta e translocado<br />
em quantidade suficiente para tornar o local de translocação tóxico<br />
para os insetos por um tempo limitado.<br />
Os agrotóxicos podem se classificar, também, de acordo com seu poder<br />
agudo de toxicidade, em relação a Dose Letal 50 (DL50), que significa a dose de<br />
agrotóxico necessária para matar 50% de uma população de estudo num período<br />
de 14 dias. A Legislação Federal sobre o agrotóxico regulamenta que os rótulos<br />
devem possuir uma faixa colorida indicativa de seu grupo. Com isso, os<br />
agrotóxicos se encontram separados em quatro classes: extremamente tóxicos,<br />
altamente tóxicos, medianamente tóxicos, pouco tóxicos e muito pouco tóxicos<br />
conforme a tabela abaixo:<br />
7
Classificação toxicológica segundo a DL50 e cor da faixa <strong>no</strong><br />
rótulo do produto<br />
Grupos DL50 (mg/Kg) Dose capaz de matar<br />
uma pessoa adulta<br />
Extremamente tóxicos<br />
Classe I – Faixa vermelha<br />
Altamente tóxicos<br />
Classe II – Faixa amarela<br />
Medianamente tóxicos<br />
Classe III – Faixa azul<br />
Pouco tóxicos<br />
Classe IV – Faixa verde<br />
< 5<br />
5 – 50<br />
50 – 500<br />
500 – 5000<br />
1 pitada a<br />
algumas gotas<br />
Algumas gotas a<br />
1 colher de chá<br />
1 colher de chá a<br />
2 colheres de sopa<br />
2 colheres de sopa a<br />
um copo<br />
Muito pouco tóxicos > 5000 1 copo a 1 litro<br />
A utilização de agrotóxicos tem sido alvo de inúmeras críticas, muitas<br />
direcionadas à política adotada pelos países que mantém a liberação do uso<br />
destes produtos, sem um controle rígido, não investem em pesquisas ou<br />
implementam técnicas alternativas voltadas para a agricultura, que sejam me<strong>no</strong>s<br />
da<strong>no</strong>sas à saúde e ao ambiente.<br />
Em relação ao meio ambiente, os agrotóxicos e seus resíduos contaminam<br />
o ecossistema, principalmente o solo, a água e o ar. Um ponto que merece<br />
atenção é o que se refere ao descarte de embalagens vazias de agrotóxicos <strong>no</strong><br />
campo. Isso é um sério problema, uma vez que os agrotóxicos e seus resíduos<br />
são altamente persistentes <strong>no</strong> meio ambiente, podendo contaminar um<br />
ecossistema durante um longo período de tempo.<br />
8
IAC Participa do Programa de Saúde e Segurança do Trabalhador<br />
<strong>Rural</strong><br />
O emprego de agrotóxicos tem implicado em diversos problemas<br />
relacionados com a contaminação ambiental, a saúde pública e os custos sociais<br />
decorrentes, destacando-se os de contaminação de alimentos e, principalmente,<br />
as ocorrências de intoxicações entre os que trabalham com esses produtos. No<br />
Brasil, já em 1980, cerca de 60% dos estabelecimentos rurais utilizavam estes<br />
produtos, empregando cerca de 65% do total de pessoas ocupadas na<br />
agropecuária. Isso significada aproximadamente 13,7 milhões de pessoas direta<br />
ou indiretamente expostas aos agrotóxicos. O Gover<strong>no</strong> do Estado de São Paulo,<br />
preocupado com esse quadro, estabeleceu, através da Secretaria de Agricultura e<br />
Abastecimento (SAA), uma parceria com a FUNDACENTRO, fundação vinculada<br />
ao Ministério do <strong>Trabalho</strong>, originando o projeto de<strong>no</strong>minado Projeto Segurança e<br />
Saúde do Trabalhador <strong>Rural</strong>.<br />
As ações de pesquisa e desenvolvimento em sistemas e tec<strong>no</strong>logia de<br />
aplicação de agrotóxicos, realizadas através do projeto, estão sendo coordenadas<br />
pelo Centro de Mecanização e Automação Agrícola do Instituto Agronômico,<br />
visando buscar respostas às necessidades específicas identificadas em campo.<br />
Para que o agricultor tenha uma participação ativa nesse processo, todos os<br />
trabalhos estão sendo desenvolvidos de forma participativa, <strong>no</strong> local de trabalho<br />
dos agricultores. Para o desenvolvimento desses trabalhos, os pesquisadores<br />
contam com 4 laboratórios móveis de pesquisa, avaliação e desenvolvimento de<br />
equipamentos de aplicação de agrotóxicos destinados a avaliar a tec<strong>no</strong>logia<br />
utilizada e demonstrar a importância de se optar por tec<strong>no</strong>logias mais eficazes<br />
para um bom desempenho e, principalmente, para a segurança dos trabalhadores<br />
e a redução da contaminação ambiental.<br />
Resultados expressivos já tem sido conseguidos <strong>no</strong> campo, como a<br />
redução de 25 a 40% <strong>no</strong> volume de calda aplicado sem perda da eficiência do<br />
controle, simplesmente pela adequação de técnicas visuais de avaliação da<br />
qualidade da pulverização, que permitem visualizar e reduzir sensivelmente o<br />
desperdício ou o desenvolvimento de um protótipo de pulverizador para culturas<br />
encanteiradas, que apesar de ainda estar em fase de testes, tem se mostrado<br />
bastante promissor <strong>no</strong> aumento da eficiência da pulverização, da segurança do<br />
aplicador e na redução do volume de calda por área. Os resultados de tais<br />
trabalhos estão sendo transmitidos aos agricultores através de "Dias de Campo"<br />
ou através dos instrutores durante os treinamentos dos agricultores.<br />
Dessa forma, um grande potencial de aumento do lucro do produtor<br />
agrícola pode estar dentro da própria propriedades, sem a necessidade de<br />
grandes investimentos. Aprender a observar as operações, entender o ambiente<br />
onde as mesmas estão inseridas, regular adequadamente as máquinas ou<br />
equipamentos e contar com uma assistência técnica capacitada e de qualidade<br />
são passos necessários na busca de uma agricultura de qualidade<br />
9
Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs)<br />
Os Poluentes Orgânicos Persistentes, os POPs, são compostos orgânicos<br />
altamente estáveis que resistem à degradação. Caracterizam-se pela sua elevada<br />
lipossubilidade, o que resulta em acumulação <strong>no</strong>s tecidos gordurosos aos<br />
organismos vivos. Essas substâncias são perigosas por serem muito tóxicas e se<br />
acumularem <strong>no</strong>s organismos. Por outro lado, permanecem <strong>no</strong> ambiente por longo<br />
tempo, antes de se degradarem, e têm a característica de se deslocar a grandes<br />
distâncias através do ar e da água.<br />
Entre os inúmeros efeitos do POPs para a saúde destacam-se os efeitos<br />
congênitos <strong>no</strong>s seres huma<strong>no</strong>s e em animais, o câncer, alergias,<br />
hipersensibilidade, além de doenças do sistema nervoso central e periférico.<br />
Estas substâncias tóxicas são geradas em diversos processos industriais,<br />
entre eles:<br />
- produção do PVC: plástico utilizado em brinquedos, tubos...<br />
- produção de papel: através do branqueamento com cloro;<br />
- geração e composição de produtos agrícolas;<br />
- incineração de lixo;<br />
- processos industriais.<br />
Organização Internacional do <strong>Trabalho</strong> (OIT)<br />
Em junho de 2001 a Conferência Geral da OIT aprovou a convenção n 0 184<br />
sobre Segurança e saúde na agricultura. Esta convenção orienta que as ações de<br />
controle e prevenção de riscos à saúde e segurança dos trabalhadores da<br />
agricultura, devem ser realizadas periodicamente e contar com a participação das<br />
organizações de trabalhadores e empregadores.<br />
Normas Regulamentadoras Rurais (NRR’s)<br />
No Brasil, a regulamentação do trabalho rural está estabelecida com as<br />
Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde <strong>no</strong> <strong>Trabalho</strong>, através das<br />
NRR’s.<br />
Elas apresentam-se organizadas em:<br />
- NRR 1: Disposições Gerais;<br />
- NRR 2: organização do Serviço Especializado em Prevenção de<br />
Acidentes do <strong>Trabalho</strong> <strong>Rural</strong> (SEPATR);<br />
- NRR 3: Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do <strong>Trabalho</strong> <strong>Rural</strong><br />
(CIPATR);<br />
- NRR 4: Equipamentos de Proteção Individual (EPI);<br />
- NRR 5: utilização dos Produtos Químicos <strong>no</strong> ambiente de trabalho rural.<br />
10
Conclusão<br />
No Brasil, enquanto a reconversão tec<strong>no</strong>lógica não chega, algumas<br />
medidas preventivas precisam ser adotadas:<br />
- desenvolvimento de atividades de educação popular em saúde e<br />
segurança <strong>no</strong> trabalho agrícola, com ênfase <strong>no</strong>s da<strong>no</strong>s à saúde e <strong>no</strong> ambiente;<br />
- Organização dos trabalhadores por Local de <strong>Trabalho</strong>, com ações<br />
direcionadas para a saúde e segurança;<br />
- organização da CIPA;<br />
- organização de SEPATR;<br />
- organização de atividades de controle da saúde dos trabalhadores, com<br />
realização de exames médicos regulares, a cada seis meses;<br />
- realização de vigilância à saúde e inspeções sanitárias pelos órgãos de<br />
fiscalização do Sistema Único de Saúde (SUS) e órgãos do Ministério do<br />
<strong>Trabalho</strong>;<br />
- aquisição de agrotóxicos exclusivamente com o receituário agronômico;<br />
- utilização de EPI;<br />
- descartar adequadamente as embalagens de agrotóxicos, com realização<br />
da tríplice lavagem e devolução para o produtor.<br />
11
Caso Específico: Os Acidentes Ocorridos Com Os Cortadores De<br />
Cana-De-Açúcar.<br />
O processo de reestruturação do <strong>setor</strong> da cana-de-açúcar, levando em conta o<br />
aumento da produção de álcool, da área plantada e a ocorrência de supersafras<br />
fez com que o número de trabalhadores necessários na lavoura da cana<br />
aumentasse, mesmo com a recente mecanização da mesma, com isso o número<br />
de acidentes do trabalho também aumentou devido às cargas laborais (elementos<br />
do processo de trabalho que interagem entre si e com o ser huma<strong>no</strong>, causando<br />
desgaste).<br />
As principais cargas laborais que os trabalhadores do ramo estão sujeitos são:<br />
a) Cargas físicas: podem ser detectadas e medidas, como o ruído,<br />
temperatura, lumi<strong>no</strong>sidade, ventilação e <strong>no</strong> caso são os ventos, chuvas,<br />
insolação/hipotermia, ruído, vibrações/ruídos de máquinas.<br />
b) Cargas Químicas: poeiras originárias da terra, fumaças das queimadas ou<br />
das máquinas, intoxicações por agrotóxicos, fertilizantes.<br />
c) Cargas fisiológicas: trabalho pesado, má postura.<br />
d) Cargas Mecânicas: cortes causados pela folha da cana, por instrumentos<br />
de trabalho, quedas do trator, acidentes de trajeto, ou seja, tudo o que<br />
causa lesão corporal.<br />
e) Cargas Psíquicas: supervisão estrita, falta de pausas para o descanso<br />
corporal, longa jornada de trabalho, falta de condições para higiene<br />
pessoal, mo<strong>no</strong>tonia, salário irrisório, ou seja, tudo aquilo que se ocorrer<br />
numa tal freqüência leva o trabalhado a se sentir com baixa auto-estima,<br />
depressão, stress, e complicações na convivência social.<br />
Na etapa da preparação do solo para o plantio da cana não ocorrem muitos<br />
acidentes porque esta fase e muito mecanizada, mas os acidentes ocorridos<br />
são mais graves, como quedas de tratores, esmagamento de partes do corpo<br />
ou até mesmo a morte causada por tombamento de máquinas <strong>no</strong> trabalhador.<br />
Na parte do plantio os acidentes mais comuns são: intoxicação por<br />
agrotóxicos, ferimentos <strong>no</strong>s olhos com gravetos, torrões de terra, lascas de<br />
cana, desidratação e insolação/hipotermia, na parte do plantio o índice de<br />
acidentes também é relativamente baixo.Na colheita um dos principais<br />
acidentes é a LER causada pelo repetitivo movimento do trabalhador para<br />
cortar a cana, ataques de animais peçonhentos, (se o corte da cana for com<br />
cana queimada também se adiciona a alta inspiração de fumaça), resíduos de<br />
agrotóxicos utilizados <strong>no</strong> controle de pragas, acidentes relacionados ao<br />
precário serviço de transporte dos trabalhadores até a lavoura, contaminação<br />
por ingestão de água contaminada. No caso da colheita da cana crua, ocorre<br />
também o acidente causado pelo corte das folhas de cana que são altamente<br />
cortantes, ferindo assim olhos e braços, ocorrem mais acidentes na colheita da<br />
cana crua do que na cana queimada.Há também a colheita da cana realizada<br />
por máquinas e os acidentes típicos são os mesmos que os ocorridos na fase<br />
de preparação do solo. Nos últimos a<strong>no</strong>s as colheitas da cana cru vêm sendo<br />
altamente mecanizadas.<br />
12
Pela Tabela 1, vimos que o horário entre 6 e 9 horas da manhã é o horário com<br />
mais índice de acidentes, isso de deve ao fato de que a hipoglicemia (falta de<br />
açúcar <strong>no</strong> sangue) causada pela má alimentação do trabalhador causa<br />
tonturas e assim me<strong>no</strong>s concentração e como <strong>no</strong> período da manhã o sol está<br />
me<strong>no</strong>s incidente ele acelera o ritmo.Na tabela 3 observa-se o alto índice de<br />
acidente de trabalho onde os olhos figuram como órgão mais atingido e como<br />
se observa na Tabela 5, o facão foi o grande causador de acidentes. Os olhos<br />
são mais atingidos pelo fato de que quando a cana é cortada e peque<strong>no</strong>s<br />
fragmentos de folha são lançados em direção ao trabalhador e na altura dos<br />
olhos, o facão é um agente porque quando a cana vai ser cortada o<br />
trabalhador segura a cana com a mão esquerda, e muitas vezes ele acaba<br />
errando o corte e acertando a mão esquerda o perna esquerda.<br />
Para a prevenção de acidentes as empresas ligadas ao cultivo da cana-deaçúcar<br />
realizam campanhas de prevenção de acidentes, informando seus<br />
funcionários dos riscos e fornecem alguns EPI para os trabalhadores como,<br />
por exemplo, óculos de proteção, luvas, , respirador e filtro contra gases,<br />
avental de trevira, botinhas com pontas de aço, protetor facial, mas como o<br />
trabalho na lavoura da cana se realiza em local aberto, sujeito a varias<br />
condições climáticas, adversidades e como esses equipamentos muitas vezes<br />
incomodas, atrapalham <strong>no</strong> serviço muitos não utilizam os EPIs ficando assim<br />
sujeitos aos acidentes anteriormente citados.<br />
13
TABELAS<br />
Tabela 1<br />
Horários e respectivos percentuais médios de ocorrência dos acidentes do<br />
trabalho registrados pela Empresa A, de 1989-1998<br />
Horário Percentual Médio de ocorrência<br />
06:01-09:00 28,45%<br />
09:01-12:00 24,20%<br />
12:01-15:00 24,88%<br />
15:01-18:00 19,29%<br />
18:01-21:00 2,21%<br />
21:01-6:00 1,17%<br />
Fonte: Empresa A<br />
Tabela 2<br />
Tipo de trabalho realizado quando ocorreu o acidente<br />
Tipo de trabalho executado Porcentual Médio<br />
Cortando cana 81,00%<br />
Locomoção <strong>no</strong> canavial 6,53%<br />
Subindo/Descendo de Veículos 5,30%<br />
Plantando cana 3,46%<br />
Capinando/roçando cana 1,85%<br />
Afiando ferramentas 1,06%<br />
Picando cana/arrumando carga 0,80%<br />
Fonte: Empresa A.<br />
Tabela 3<br />
Principais segmentos corporais atingidos pelos acidentes de trabalho registrados<br />
pela empresa A, <strong>no</strong> período de 1989-1998.<br />
Parte do corpo atingida Percentual médio de ocorrência<br />
Olhos 28,6%<br />
Mão esquerda 15,8%<br />
Perna esquerda 13,0%<br />
Mão direita 7,5%<br />
Pé direito 4,8%<br />
Pé esquerdo 4,1%<br />
Perna direita 3,6%<br />
Múltiplas partes 2,2%<br />
Região dorsal/lombar 2,2%<br />
Tórax/abdome 0,5%<br />
Fonte:D.S.H.M.T. da Empresa A<br />
14
Tabela 4<br />
Número de acidentes do trabalho ocorridos, por parte do corpo atingida em<br />
1986,1986 e 1994 na empresa A.<br />
Parte do corpo 1986 1987 1994<br />
Atingida<br />
Olhos 720 552 87<br />
Mão esquerda 604 510 42<br />
Mão direita 550 447 16<br />
Perna Esquerda 508 329 03<br />
Perna Direita 243 157 06<br />
Pé direito 177 165 13<br />
Pé esquerdo 154 114 19<br />
Outras partes 414 266 57<br />
TOTAL 3.370 2.540 243<br />
Número de<br />
Trabalhadores<br />
5.409 4.576 3.357<br />
Tabela 5<br />
Agente causador dos acidentes de trabalho na Empresa A <strong>no</strong> período de 1989-<br />
1998.<br />
Ação/agente causador Porcentual Médio<br />
Facão 45,5%<br />
Vegetação/canas 29,7%<br />
Veículos 6,1%<br />
Movimento/postura do corpo 6,0%<br />
Terre<strong>no</strong> 4,6%<br />
Máquinas/implementos 1,0%<br />
15
Condições de trabalho e saúde dos trabalhadores<br />
do ramo da alimentação<br />
A industria alimentícia<br />
Com o avanço da industrialização da comida e da bebida, cresce também o<br />
número de industrias e a variedade de tipos de processos. Nos últimos a<strong>no</strong>s, <strong>no</strong><br />
contexto do Pla<strong>no</strong> Real, registrou-se crescimento de 8% a 14% da industria<br />
alimentícia. No entanto, devido à reestruturação produtiva ( i<strong>no</strong>vação tec<strong>no</strong>lógica e<br />
flexibilização das relações de trabalho) tal crescimento não foi acompanhado do<br />
aumento da oferta de empregos; ao contrario, observou-se o crescimento do<br />
desemprego nesse <strong>setor</strong>.<br />
Um aspecto merece ser apontado, o qual certamente exerceu e ainda<br />
exerce influencia significativa na dinâmica da industria alimentícia: a abertura para<br />
a importação de alimentos e bebidas, desde o gover<strong>no</strong> Collor de Mello.<br />
O Brasil é exportador para paises europeus e asiáticos de aves cortadas.<br />
Cada uma das empresas-cliente desses paises define uma serie de<br />
especificações relativas não só a higiene e qualidade, mas também em relação<br />
aos tipos de corte.<br />
Para os trabalhadores isso pode significar a submissão a diferentes regras:<br />
mudanças freqüentes <strong>no</strong>s procedimentos a serem adotados. Mesmo que, para um<br />
observador exter<strong>no</strong> ou para quem planeja mas não executa o trabalho, isso<br />
significa a inclusão de pequenas e imperceptíveis mudanças na organização do<br />
processo de trabalho, para aqueles que o executam tais mudanças podem<br />
implicar em grandes exigências em termo de esforço e desgaste da saúde.<br />
Efeitos para a saúde dos trabalhadores na industria da<br />
alimentação<br />
Produtos gostosos e de qualidade não são fabricados necessariamente sob<br />
condições adequadas, seguras e salubres. Máquinas perigosas, processos de<br />
trabalho pe<strong>no</strong>sos, barulho e produtos químicos configuram as situações de<br />
trabalho encontradas nas fabricas do ramo da alimentação.<br />
Algumas das situações de trabalho existentes nas industrias do ramo da<br />
alimentação e seus efeitos para a saúde dos trabalhadores são: LER (lesões por<br />
esforços repetitivos), os decorrentes da exposição ao ruído, os riscos devido ao<br />
emprego de agrotóxicos, as repercussões do trabalho <strong>no</strong>tur<strong>no</strong>, alguns riscos de<br />
acidentes de trabalho e a condição especifica da mulher trabalhadora.<br />
18
LER<br />
A industria da alimentação opera por processos que combinam atividades<br />
estritamente manuais com processos automatizados. Há uma grande participação<br />
do trabalho manual <strong>no</strong> processamento de alimentos. Muitas dessas atividades são<br />
extremamente repetitivas, monótonas e realizadas em ritmos intensos. São essas<br />
atividades, realizadas em condições extremamente pe<strong>no</strong>sas, que explicam a alta<br />
incidência de LER. Essa de<strong>no</strong>minação dada a um conjunto de afecções músculoesqueléticas<br />
(te<strong>no</strong>sivite, bursite, epicondilite, etc.)<br />
No caso do ramo da alimentação a LER tem atingido principalmente as<br />
trabalhadoras e trabalhadores que realizam atividades de preparação e montagem<br />
de embalagens, envasamento, embalamento e empacotamento, presentes <strong>no</strong>s<br />
vários tipos de industria alimentícia, mas ainda há aquelas que são especificas de<br />
determinados processos de fabricação de alimentos, como são os presentes na<br />
industria de corte de aves, por exemplo. Todas as atividades reconhecidamente<br />
oferecem risco de LER e as possibilidades para mudar o modo de realizar o<br />
trabalho são praticamente nulas, não apenas porque os trabalhadores não tem<br />
poder político <strong>no</strong> local de trabalho para faze-lo, mas porque o processo de<br />
trabalho e a tec<strong>no</strong>logia são projetadas de forma tal que a mulheres e homens só<br />
resta seguir o que a maquina e a linha de produção impõem.<br />
Abaixo encontra-se uma tabela com alguns casos de LER em <strong>setor</strong>es da<br />
industria alimentícia.<br />
19
O trabalho em tur<strong>no</strong>s e seus efeitos<br />
Uma das formas para as empresas conseguirem otimizar o uso dos meios<br />
de produção (espaço físico, equipamentos etc), é produzir o Maximo de horas por<br />
dia. Para isso,o trabalho em tur<strong>no</strong>s alterados ou fixos são utilizados, o que<br />
possibilita 24 horas de produção por dia. No caso da industria alimentícia essa é<br />
uma pratica comum. Nela, adota-se mais freqüentemente o trabalho em tur<strong>no</strong>s<br />
fixos.<br />
São diversos os estudos e pesquisas evidenciando os efeitos da<strong>no</strong>sos à<br />
saúde e as repercussões negativas dessas modalidades de regime de horário de<br />
trabalho na vida social e familiar. O foco principal nesses estudos são os que<br />
trabalham em tur<strong>no</strong>s alterados e aqueles que trabalham permanentemente <strong>no</strong><br />
<strong>no</strong>tur<strong>no</strong> quando se adota um tur<strong>no</strong> fixo. São conhecidos os problemas<br />
gastrointestinais, os psicológicos e os de so<strong>no</strong>.<br />
Os problemas gastrointestinais devem-se às alterações <strong>no</strong>s horários e<br />
seqüências das refeições <strong>no</strong> trabalho <strong>no</strong>tur<strong>no</strong>. Os problemas emocionais são<br />
observados em maior freqüência entre os que trabalham em tur<strong>no</strong>s quando<br />
comparados com os que sempre trabalham durante o dia. Observou-se maior<br />
tendência a expressão de mal-star geral, de ansiedade e depressão. Os distúrbios<br />
do so<strong>no</strong> é devido à qualidade do so<strong>no</strong> e à quantidade de horas dormidas durante<br />
o dia. O so<strong>no</strong> diur<strong>no</strong> não cumprirá a finalidade de recuperação tal qual alcançado<br />
<strong>no</strong> so<strong>no</strong> <strong>no</strong>tur<strong>no</strong>. Isto gera implicações negativas para a vida social, produtividade<br />
e o aumento do risco para a ocorrência de acidentes de trabalho.<br />
Uso de agrotóxicos e a industria alimentícia<br />
Considerando os efeitos do uso de agrotóxico na produção de alimentos, pode<br />
ocorrer a contaminação direta dos alimentos quando existe um uso descontrolado<br />
e excessivo de agrotóxico nas culturas agrícolas. Tal situação pode fazer com que<br />
alimentos vegetais como hortaliças, frutas e legumi<strong>no</strong>sas sejam atingidas.<br />
Produtos usados <strong>no</strong> gado para matar carrapatos e larvas o berne podem<br />
também contaminar, através de seus resíduos, o leite e a carne destes animais.<br />
Pode ocorrer ainda, a situação em que apareçam resíduos de agrotóxicos em<br />
vegetais, devido à sua absorção do solo <strong>no</strong> qual foi intensamente aplicado o<br />
vene<strong>no</strong>. Outra eventualidade é a existência na carne, leite e ovos, de resíduos de<br />
agrotóxicos que foram aplicados em pastos, rações e forragens consumidas pelo<br />
gado ou pelas aves.<br />
Por outro lado, existe o uso de produtos agrotóxicos na industria de<br />
alimentos visando o controle de fungos- que podem crescer em ambientes úmidos<br />
21
e quentes, contaminando matérias-primas ou os próprios alimentos- o que obtido<br />
através dos fungicidas como é o caso do benlate (ou be<strong>no</strong>myl), do cercobin ( ou<br />
tiofanato), do sulfato de cobre, etc.. Além dessa classe de agrotóxicos podem ser<br />
usados também os herbicidas, para controlar as ervas daninhas que provocam<br />
estragos em plantas que são utilizadas diretamente como alimentos ou na sua<br />
produção industrializada. Exemplos de tais substancias químicas são o<br />
gramaxone ( ou paraquat) e o roundup/rondap ( ou glyphosate).<br />
A forma de aplicação destes agrotóxicos pode ser por meio de pulverização<br />
manual ou máquina agrícolas( tratores) e aviões, sendo importante atentar que<br />
alem da possibilidade de intoxicação provocadas por tais substancias, deves ser<br />
considerada também a possibilidade da ocorrência de acidentes de trabalho pelo<br />
uso de tratores e outros implementos agrícolas na lavoura.<br />
Em relação aos agrotóxicos fungicidas acima citados, o benlate e o<br />
cercobin são pouco tóxicos e o sulfato de cobre medianamente tóxico.<br />
O sulfato de cobre, se ingerido, pode provocar febre, náuseas,vômitos e<br />
diarréia, convulsões, excitação do sistema nervoso e, depois depressão.<br />
Quanto aos herbicidas citados, o roundup/rondape é considerado não<br />
tóxico, já o paraquat é um herbicida derivado do dipiridílio, altamente tóxico para o<br />
homem.<br />
Assim pode-se constatar que as tarefas relacionadas à atividade na<br />
industria alimentícia mesmo não tendo como principal tipo de trabalho a<br />
manipulação, o preparo e a aplicação de agrotóxicos, apresenta certas<br />
peculiaridades que acabam trazendo riscos de exposição a estas substancias,<br />
podendo daí advir problemas de saúde para os trabalhadores destas industrias.<br />
Acidentes do trabalho na industria alimentícia<br />
Dentre os acidentes que ocorrem na industria alimentícia pode-se citar<br />
aqueles ocasionados pelos cilindros de massa, causando esmagamento de dedos<br />
e fraturas de ossos, tarefas repetitivas que provocam lesões cortantes em mãos e<br />
braços. Há também o risco de queimaduras provocadas por vapor e água quente<br />
em alguns tipos de industria de bebidas, risco de intoxicação, risco de explosões e<br />
as poeiras.<br />
Os trabalhadores também estão expostos a ruído frio e calor que podem<br />
trazer problemas à eles, como por exemplo perda da audição, choques térmicos,<br />
etc.<br />
22
Conclusão<br />
Não se pode dar uma solução exata para acabar de vez com os acidentes<br />
<strong>no</strong> trabalho mas algumas propostas podem ser:<br />
-Mobilização do próprio trabalhador para junto com os sindicatos,<br />
comissões de fabricas, órgão estaduais e municipais, universidades, ONGs,<br />
dar visibilidade do problema para a sociedade que esta junto com os<br />
trabalhadores pressionem empresas e gover<strong>no</strong>s a buscarem alternativas para<br />
melhoria e diminuição dos elevados índices observados.<br />
O problema maior é mobilizar o trabalhador pois ele é “fraco” diante de uma<br />
grande empresa, e só conseguindo que as empresas se mobilizem para<br />
aplicarem recursos e tec<strong>no</strong>logia estes índices diminuirão.<br />
23
Bibliografia<br />
- http://www.instcut.org.br<br />
- http://www.met.gov.br<br />
- http://www.rel-uita.org<br />
-<br />
24