DIÁRIA á - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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DIÁRIA á - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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No governo Collor, Previ-

dência Social e Trabalho serão

fundidas numa só Pasta, que pas-

sará a contar com o maior orça-

mento da União e a missão de ad-

ministrar cerca de 17 mil proprie-

dades em todo o Pais. Para co-

mandar essa máquina, foi escolhi-

do Antônio Rogério Magri, presi-

dente da CGT. Foi o próprio Fer-

nando Collor quem anunciou ofi-

cialmente ontem o futuro

ministro, apenas nove horas de-

pois de retornar da viagem de 20

dias ao exterior. Magri, 48 anos,

faixa preta de judô, garantiu que

desconhecia a "convocação":

"Fui convidado hoje (ontem). Ju-

ro pelo nome de minhas duas ne-

tinhas".

Os problemas que certa-

mente enfrentará com a CUT não

preocupam Magri, que reconhece

as divergências no campo ideoló-

gico — "mas no campo trabalhis-

ta podemos trabalhar juntos". De

Collor, ele recebeu uma missão

Jornal da Tarde -14.02.90

Novo Governo

Indicado paio comandai a lusáo quu resultará no luiuio Ministério

do Tiabalho e Previdência, Magii admite conhecei só metade da lunçao Mas

promete se esforçai: "Não sei luzei sopa, mus sei quando está salgada"

overa

determinada: recuperar para a

classe trabalhadora tudo o que

perdeu. E mais: total consulta aos

sindicatos no caso de se estudar

uma alteração na política salarial.

"Vou procurar a todos sem o me-

nor constrangimento", assegurou

Magri, referindo-se às desavenças

constantes entre as centrais sindi-

cais.

Uma das teses sempre de-

fendidas por Magri era a criação

de uma espécie de banco dos tra-

balhores, para gerir fundos como

o PIS, Pasep, FGTS. "Mas isso

não será necessário", observou.

Segundo ele, perdeu o sentido de-

pois que Collor garantiu que o

trabalhador terá participação pa-

ritária nas gestões dos fundos: "O

presidente uniu Trabalho e Previ-

dência e colocou neste ministério

um trabalhador". Magri, contu-

do, admite que dessa junção só

conhece a metade. "Não sei quase

nada da Previdência Social, mas

vou mergulhar fundo a partir de

agora, para sanear todas as difi-

Administração estatal indireta, o desafio.

A nomeação de um líder sindicai

para o Ministério do Trabalho

—'•agora com atribuições aumentadas

na área prèvldencldrta

r— é um acontecimento sem precedentes,

principalmente sé considerarmos

que. o Magri pertence á um

dos dois agrupamentos chamados

combativos eqúé* se opõe ínutúa-,

mente dentro do movimento sindical/

além de ser" úm trabalhador

que apenas experimentou serviços

pesados no setoríeiétrlco e ò sindicalista

que mais conquistas trouxe

para sua câtégdrta, sendo por Isso

imbàtíveléieltoralmenfe., ; ,.,. ; ^

O novo ministro é, também,

fervoroso-adeptó dás;Ilbéral-dé-'

mocracías-rnodèrnas e da caminhadas

brasileira para d primeiro

■ftúndo, ,, ÀLUÍSIO AZEVEDO

d' qúeilhe garante íbom

trânsito entre o empresariado moderno

e cintura suficiente para ad-

ministrar as delicadas questões

que envolverão a redefinição do

papel do Estado na gestão Collor

de Mello, principalmente se não

lhe faltar uma inteligente política

dé rendas (salários e preços).

, Ò calcanhar de Aquiles vai

ser a -administração estatal indire-

ta ^ os chamados serviços essen-

ciais baseados nó monopólio. Ha-

vendo monopólio de serviços, não

há diálogo. Na verdade, deve se

revérírèglme de concessão dos

serviços públicos. Eles.' precisam

voltaria© que eram antes da re-

forma;:Roberto Campos, isto é, o

Estado mantém o monopólio dos

serviços mas sua operação é con-

cedida à iniciativa privada,, por

sistema de concorrênciaV,

Aluíslo Azevedo é* cientista

político e consultor sindlcol.

A^talúrgicos 90

culdades e casos de corrupção",

prometeu. "Não sei fazer uma so-

pa, mas sei quando ela está salga-

da."

Sempre referindo-se às di-

vergências entre CUT e CGT, mas

sempre assegurando que vai ten-

tar contorná-las, Magri classifi-

cou a disputa pelo espaço político

entre as centrais trabalhistas co-

mo "natural e salutar". O mesmo

diálogo que promete ter com a

CUT ele espera ler no meio em-

presarial: "Acredito na livre ini-

ciativa. Conversarei com todos,

empregados e empresários".

Sobre o livre direito de gre-

ve, ele lembrou a necessidade de o

assunto ser definido ainda nas leis

complementares a respeito dos

serviços essenciais. "Sempre tive

uma visão pragmática de greve",

ponderou. "Fiz nove greves, mas

jamais deixei um hospital sem

energia elétrica ou um Boeing im-

pedido de pousar. Jamais com-

pactuei com uma greve política."



Jornal da Tarde -14.02.90

No meio político e na

área sindical, desconfiança.

Com raras exceções, a esco-

lha cie Antônio Rogério Magri

desgostou sindicalistas, políticos e

até empresários. "Vou torcer para

que ele acerte", disse o presidente

dos metalúrgicos de São Paulo,

Luiz Antônio de Medeiros, visi-

velmente contrariado. "Uma coi-

sa é ser líder sindical, outra é ser

ministro do Trabalho", ponderou

a atual ministra da Pasta, Doro-

théa Werneck, que não quis falar

das dificuldades que Magri en-

contrará. Mas considerou incon-

tornável o problema de o futuro

ministro pertencer a uma das cor-

rentes do movimento sindical

(CGT) quando tiver de enfrentar

a corrente adversária (CUT).

De fato, Magri não deve es-

perar um trânsito fácil na CUT,

onde é unânime a opinião de que

ele apoiou a campanha de Fer-

nando Collor em troca de um car-

go no governo. "O sindicalismo

de resultados mais uma vez favo-

rece Magri e seu papel de ministro

será apenas para representar os

interesses do governo", previu o

presidente paulista da CUT, Ar-

lindo Chinaglia. "O Magri sempre

defendeu um sindicalismo a favor

dos patrões", concordou o presi-

dente dos metalúrgicos de São

Bernardo e Diadema, Vicente

Paulo da Silva.

A escolha de Magri foi "um

prêmio por suas posições em defe-

sa dos grupos que apoiaram Col-

lor", na opinião do presidente do

Sindicato dos Urbanitários do

Rio de Janeiro, Luis Carlos Ma-

chado. Machado diz que não tem

ilusões quanto ao trabalho do fu-

turo ministro: "Só espero que ele

assuma uma postura diferente,

porque, como sindicalista, sempre

tomou posições contrárias aos in-

teresses dos trabalhadores". Para

a presidenta do Sindicato dos Ser-

vidores Federais no Distrito Fe-

deral, Maria Laura Pinheiro, Col-

lor estaria "provocando a onça

com vara curta" ao indicar Magri.

"E uma pessoa que representa o

sindicalismo de resultados e de

colaboração de classes, contrária

à nossa linha de mobilização e ne-

gociação na luta", definiu ela.

"Magri não conhece a adminis-

tração pública e não tem perfil de

negociador."

No Congresso Nacional,'

não houve surpresa: as liderança^'

oposicionistas já sabiam que Ma--

gri sairia de uma lista tríplice qúb"

induía também Luiz Antônio de

Medeiros e Aluísío Azevedo. Para '

o deputado Carlos Alberto Caò

(PDT-RJ), a chance que Magri te-

rá para mostrar se é capz será

diante da regulamentação da ga-

rantia contra a despedida arbitrá-

ria do trabalhador. De qualquer

forma, Caó acha que Magri

"combina com Collor". O líder

do PT, deputado Luiz Gushiken,

evitou criticas, mas lançou um de-

safio ao futuro ministro: "Será

que ele será capaz de manter a

neutralidade?"

No Palácio do Planalto, o

chefe do Gabinete Civil, Luiz Ro-

berto Ponte, estava surpreso coVn

o anúncio de que Magri ocupará'ir

junção do Trabalho com Previ-

dência. "É um desafio gigantes-

co", comentou, depois de calcular

que Magri ficará com a parte

maior do bolo orçamentário da

União. "Trabalho, ele conhece

bem, mas Previdência, não sei,

não", analisou o empresário Luis

Eulálio Vidigal, lembrando, po-

rém, que Magri sempre defendeu

a privatização — "e isso converge

com os interesses do empresaria-

do".

Em Porto Alegre, o dirigen-

te da CUT, Siderlei Oliveira, clas-

sificou a escolha como uma

"agressão": "Magri é o maior pe-

lego da história do sindicalismo

brasileiro".

J\/íetalúrgícos 90

Folha da Tarde ■ 14.02.90

Previsto confronto

cÒmaCÜT

jAlindlcaçfiÓv^o ^sindicalista"

Antôiüo: Rogério IMagri para b f

Ministério do Trabalho e Previ-

dência Social aponta para o con-

fronto entre o novo governo e a

Central Únlca^d^frabalhay^

res (CUT) —próxima ao PT. O

futuro ministro, enquanto presi-

dente da Confederação Geral

dos Trabalhadores (CGT), apon-

tou várias vezes a central rival

como inimiga. A nomeação

apanha a CUT em um momento

de desagregação em sindicatos

Importantes, como o dos meta-

lúrgicos de Sfio José dos Cam-

pos. Facções à esquerda da di-

reção da central dlsputaram■ as

eleições em chapas de oposição

e ganharam. - tf*

A confirmação do nome de

Magri foi fruto de dois ingre-

dientes conjunturais: a necessi-

dade do presidente eleito de

demonstrar ^poio sindical ao

seu governo (para azeitar a im-

plementação de eventuais me-

didas impopulares), e a siste-

mática recusa da direção da

CUT em conversar com os inte-

Srantes da equipe de transição:

o novo governo. Como o dialo-

go com essa parcela do movi-

mento sindical é improvável,

Collor reforçou seu. apoio no se-

tor riyal^ ,v ; 'f^íPSJí ■ • ■;>■%■:

Magri venceuna corrida pára

o ministip dois advogados espe-

sclalizados-em^Dlreito do'Traba-

lho: Otávio Magnano e Cásslo

Mesquita de Barros. Ambos

trabalham no principal escritó-

rio de assessoramento jurídico a

empresas paulistas em disputas

trabalhistas. O nome de Magri

voltou à cena quando o do sena-

dor Carlos Chlarelll (PFL-Rio

Grande do Sul) foi descartado.

Magri recebeu anteontem em

São Paulo o primeiro sinal mais

forte de que seria o indicado. O

mensageiro foi o futuro ministro

da Jusflça, Bísmardo Cabral.

' O grande vitorioso com a indi-

cação é o presidente do Sindica-

to doe Metalúrgicos de São Pau-

lo, Luís Antônio de Medeiros,

que passa a ser o representante

exclusivo do "sindicalismo de

resultados" na disputa com a

CUT. Quanto à CUT, o consultor

sindical João Guilherme Vargas

Netto diz que Collor "pôs o mo-

vimento sindical na BR-116"

—em uma alusão ao aumento

dos riscos de colisão entre a

central e o novo governo.


O Estado de São Paulo -14.02.90

Empresários temem falta

de diálogo com sindicatos

FERNANDO PESCIOTTA

O empresariariado

paulista se dividiu nas

opiniões sobre a indicação

de Antônio Rogério

Magri para o Ministério

do Trabalho e

Previdência Social.

Uns acham que o sindicalista

nâo terá condições

de negociar com

as demais alas do sindicalismo

brasileiro,

dada suas divergências "

principalmente com a

Central Única dos Trabalhadores

(CUT). Ou-,,

tros, entretanto, con-i

sideram vantajosa a-;

escolha de um repre-J

sentante dos trabalha- "

dores.

Um dos lideres do

Pensamento Nacional

das Bases Empresariais

(PNBE), Emerson |F !

Kapaz, lembra que to-|

das as tentativas dei

entendimento naclo-i

nal esbarram na faltai

de credibilidade das|

partes envolvidas e|

que o próprio Magrllp

criticou essa situação. H

Agora, acredita Kapaz, wK^er

a falta de credibilidade

se repete e com Magri

como pivô. "Sua indi

caçílo praticamente

isola a CUT de um acordo e isso

é muito perigoso", explica Kapaz.

Segundo ele. ficará difícil,

na prática, a adoção de um novo

plano econômico.

Folha de Sáo Paulo -14.02.90

SÃO PAULO — As indicações que

Collor pouco a pouco vai fazendo para

seú futuro ministério evitaram, até ago-

ra^ maiores surpresas. Bernardo Cabra]

na\Justiça e Antônio Rogério Magri DO

Trabalho fatátoomçjSJiiçogitados bem

antes de se'oficializar"fnomeação. Um

sindicalista no ministério do Trabalho:

o fato é inédito,'sem dúvida. Mas, do

ponto de vista político, e não meramen-

te formal, seria arriscado considerar

que se trata de um sinal de transforma-

ção.

A rigor, conviria melhor ao projeto

de Collor a extinção do próprio ministé-

rio: tanto se falou contra o cartorialis-

mo, o estatismo, o gigantismo, o pater-

nalismo do Estado, que seria razoável

supor que-'uma estrutura tão arcaica

como o Ministério do Trabalho viesse a

perecer. A, história republicana mostra,

contudo,, que esse organismo foi sempre

um instrumento indispensável de coop-

tação e aparelhagem política.

Delia Manna: vroblemas com a CUT

A Federação das Indústrias

do Estado de Sâo Paulo (Piesp).

a mais influente entidade em-

presarial do Pais, lembra que a

escolha apenas representa o

A aposta de Collor

Marcelo Coelho

O modelo de um ministério encarre-

gado de compor e conciliar interesses

opostos em situações de greve, tal como

era o caso nos primeiros tempos do

governo Sarney —uma espécie de Ita-

maraty social—, é menos freqüente do

que. o de um virtual substituto da

própria organização autônoma dos tra-

balhadores. Durante o período populis-

ta, João Goulart era como que o porta-

voz das reivindicações ^sindicais frente

ao 'governo de que"elê*'próprio fazia"

parte.

O sindicalismo brasileiro desenvol-

veu-se, deixou de prestar submissão a

uma estrutura governamental. Até que

Metalúrgicos 90

cumprimento de uma promessa

eleitoral feita pelo presidente

eleito, Fernando Collor. O em

presárlo Roberto Delia Manna.

em nome da entidade, diz que o

novo ministro terá todo apoiu

da Fiesp. mas afirma que não

lhe cabe discutir a escolha. "O

maior problema será o seu rela-

cionamento com as centrais e

algumas lideranças sindicais

Tudo dependerá da sua habili-

dade política", reconhece Delia

Manna. Com a indicação de Ma

gri, a Fiesp espera manter o dia

logo com o governo, na área tra-

balhista, e Delia Manna ressal-

ta a novidade pelo primeiro mi-

nistro representante dos traba

lhadores "num cargo de alta

responsabilidade".

Como diz Horácio Cher-

kasski, presidente da Associa-

ção Nacional dos Fabricantes

de Papel e Celulose, "não se sa-

be se Magri fez um bom negócio.

pois ele vai virar saco de panca-

da". Cherkasski considera o

sindicalista um homem "inteli-

gente e de personalidade", mas

que sofrerá com o cargo. E reco-

nhece, também, que poderão

surgir dificuldades para uma

ampla negociação nacional, im-

portante para o novo plano eco-

nômico. Entretanto, situação

criada com a escalada inflacio-

nária poderá fazer com que os

problemas políticos sejam su

perados. "Haverá uma extrema

necessidade de se chegar a um

entendimento"', raciocina

Cherkasski. Ao contrário de

Delia Manna. o empresário li

cou surpreso com a indicação rtp

um sindicalista.

ponto a nomeação de Magri não iríi

inverter essa tendência? Anular a oposi

ção da CUT sua política econômica é

claramente, a aposta de Collor. É fáci

prever, agora, uma concorrência aberU

entre os sindicalistas da CUT, fora de

governo, e os sindicalistas de dentro de

governo. Antônio Rogério Magri ten

sob sua responsabilidade, ademais, c

sistema de Previdência Social. O podei

de manipulação política de um órgãc

como esse será incalculável. Se está de

fato em gestação um modelo institucio

nal de neopopulismo é uma pergunta

entretanto, que só a prática se encarre

gará de responder. Talvez mais cedo de

que se pensa.


.

Gazeta Mercantil-14.02.90

por Rodrigo Mesquita

de São Paulo

0 presidente eleito Fer-

nando Collor de Mello cum-

priu, ontem, uma promes-

sa de campanha e indicou

para a pasta do Trabalho e

da Previdência Social de

seu futuro ministério o no-

me de um sindicalista. O

escolhido foi Antônio Rogé-

rio Magri, presidente da

Confederação Geral dos

Trabalhadores (CGT) e o

principal apoio de Collor na

área sindical.

Roberto Delia Manna, di-

retor do Departamento de

Relações Intersindicais

(Decad) da FIESP, subli-

nhou que o relacionamento

com as outras forças do

sindicalismo será o princi-

pal problema do futuro mi-

nistro, mas considera que

Magri tem condições para

superar o entrave. O em-

presariado recebeu a

noticia com satisfação.

"Foi uma excelente indica-

ção" disse, por exemplo,

Roberto Caiuby Vidigal,

presidente da Confab.

Na cúpula do movimento

sindical a reação foi discre-

ta. "Não nos interessam

nomes", disse o secretário-

geral da Central Única dos

Trabalhadores (CUT), Gil-

mar dos Santos Carneiro.

"Foi uma indicação coe-

rente, afirmou Luis Antõ-

Diário Popular-14.02.90

Antonio Rogério Magri

nio Medeiros, presidente

da Confederação Nacional

dos Metalúrgicos, ao repór-

ter Ricardo Balthasar.

As bases da CUT, porém,

reagiram com indignação:

"É anti-CUT e haverá con-

fronto", afirmou o presi-

dente do Sindicato dos Me-

talúrgicos de São José dos

Campos, José Luis Gonçal-

ves, â repórter Francis Sal-

les.

Após o anúncio em

Brasília, Magri tratou de

aplainar arestas. "Serei o

ministro de todos", afir-

mou, segundo a repórter

Marta Salomon.

(Verpáaina 8)

OPINIÕES SOBRE O NOVO MINISTRO

"Multo lotoreisante. Allnal de

coataa, os mlaUtérlos do Trabalha

c da Prevldfiacla Social vfio ílcar

ai» mios da Um slcdlcallata cipó.

rieute, portanto, com todas ai coa-

tíl{Sds de transtormá-loa em um

lustrumeuto em favor da classe

trabaltadora". (Jider Barbalio,

ministro da Previdência Social)

"O Presidenta eleito decidiu dar

um ministério gordo ao Kogério Ma-

gri Collor deva ter tido seus crité-

rios de avaliado para escolhê-lo.

CzhQ-uoa torcer para que tudo dê

certo, porque o Brasil precisa que

todos torçam por ele". (Augusto

Marzagão, secretário particular do

Presidente Joaí Saraey).

"Será um desafio elsantcsco.

Esporo o torço para que o Magri

dê conta do recado. Não será pelo

fatç de uâo ter experiência adml:

/

clbtratlva que ele nâo vai se sair

bem da missão.A eccolba também

pode causar a divisão eatre as

duas centrais sindicais trabalhis-

ta:'. CUT e COT, mas espero que

i£su cio acenteça". (Luiz Roberto

Poutf, mlnistro-chefe do Gabinete

Civil)

"Nunca fui partidário de uin diri-

gente sindical no Ministério do Tra-

balho, porque ocho que pode haver

discriminação no sentido de favorc.

ecr uma parcela dos sindicatos. Mas

como é o Magri é uma indicação

boa. Ele i um oirlgente novo, deu

multa coisa boa para o sindicalismo".

(Antônio Pereira Magaldl, presidente

da União Sindical Independente).

por Rodrigo Mesquita

de São Paulo

A indicação de Antônio

Rogério Magri para,a pas-

ta do Trabalho e da^Previ-

dência Social no futuro mi-

nistério Collor, foi bem re-

cebida pelo empresariado.

Roberto Delia Manna, dire-

tor do Departamento de

Relações Intersindicais

(DECAD) da Federação da

Indústrias do Estado de

São Paulo (FIESP), disse

que a escolha foi uma novi-

dade mas não causou sur-

presa. Ele disse que o em-

presariado industrial de

São Paulo "vai apoiá-lo,

não porque ele venha da

área trabalhista" mas por-

que fará parte de um go-

verno que será apoiado de

forma geral.

Delia Manna diz também

que o relacionamento com

os empresários será fluido.

"Temos um bom relaciona-

mento e esse conhecimento

facilita." Einar Kok, das

Indústrias Romi S.A , con-

sidera que Magri "é uma

ponte satisfatória com o

empresariado" por não es-

tar vinculado "a facções

extremadas" do sindicalis-

mo, numa referência à

Central Única dos Traba-

Ihadores — CUT. Esse.ser,

rá, na opinião de Delia

Manna, o maior problema

que Magri enfrentará já no

"O grande problema é que o

Magri usa da truculência como

principal instrumento do contato

com qualquer dlrljrente sindical

que nâo seja fielmente lísado a

ele. Sa essa truculência for leva-

da pa.ra o Ministério, haverá pro.

blemos do relacionamento com o

Governo Collor c os sindicatos se-

lio obrigados a procurar outros

Interlocutores dentro do Governo,


Folha da Tarde - 14.2.90

i presidente eleito, Fernando

Collor, anunciou ontem a esco-

lha do presidente da Confede-

ração Geral dos Trabalhadores

(CGT), Antônio Rogério Magri, 48,

para o Ministério do Trabalho e

Previdência Social. Criada com a

fusão dos atuais Ministérios do

Trabalho e da Previdência e As-

sistência Social, a pasta que será

administrada por Magri é a que

tem o maior orçamento ministeri-

al (cerca de 20% do orçamento da

União, excluída a dívida externa).

Primeiro sindicalista a ocupar um

ministério, Magri afirmou que a

atual política salarial não será

alterada enquanto a inflação não

for reduzida.

Magri pertence à corrente de

trabamadores que defende o cha-

mado "sindicalismo de resulta-

dos", adversária da Central Ünica

dos Trabalhadores (CUT). Apesar

das divergências, o futuro minis-

tro afirmou que vai procurar

"sem constrangimento" todos os

setores do movimento sindical du-

rante o período em que for minis-

tro. Para buscar o apoio desses

setores, pretende propor uma

"concertação" que já teria acon-

tecido em Portugal, em substitui-

ção ao que hoje se chama de

"pacto social".

Magri é o auinto nome a ser

Folha de São Paulo ■ 14.02.90

Magri, o ministro do

Trabalho e da

Previdência Social.

anunciado para ò ministério do

^overoojCollor. O presidente eleito

]á havia indicado, antes de sua

viagem ao exterior, o ministro da

Justiça e os três militares. Fer-

nando Collor disse que a indicação

de Magri faz parte de seu com-

promisso de campanha de indicar

um trabalhador para o Ministério

do Trabalho. Afirmou ainda confi-

ar que Magri agirá com a mesma

"inteligência e competência" de

seu tempo de sindicalista.

Collor pode anunciar ainda hoje,

durante^ entrevista coletiva, o no-

me de mais quatro ministros. An-

tes do Carnaval, é sua intenção

indicar 03 ministros das Relações

Exteriores, Saúde, Agricultura,

Ação Social e Educação.

O futuro ministro do Trabalho e

Previdência Social afirmou que

"jamais compactuará" com as

greves políticas, embora seja fa-

vorável às greves de caráter tra-

balhista. "Durante os 12 anos em

Sue participei do movimento sin-

ical, fiz nove greves no setor

Sopa salgada

Josias de Souza

BRASÍLIA — O presidente Fernando

Collor é dono de um temperamento

peculiar. Costuma dizer que não gosta

de ."alisar a cabeça" de quem lhe atira

pedras. "Trato como me tratam",

afirma. Durante a campanha eleitoral,

Collor colecionou desafetos. Deixou

sem resposta algumas "pedradas".

Collor anotou, por, exemplo,' declara-

ções de Jair Meneguelli;. presidente da

Central Única dos Trabalhadores

(CUT), que previu um pipocar de

greves durante o seu governo. Ontem,

ao indicar o sindicalista de resultados

Antônio Rogério Magri para o emprego

de ministro do Trabalho e da Previdên-

cia, o presidente eleito deu, afínal, a

sua resposta. Praticamente chamou a

CUT para a briga.

Magri integra a corrente sindical que

se opõe ao esquerdismo exacerbado da

CUT. Ao vingar-se de Meneguelli com

a sua nomeação, Collor arrumou pelo

menos dois grandes problemas: colocou

uma pedra no caminho da "xmião naci-

onal" que seu ministro 'dápJustiça,

Bernardo Cabral, tenta articúlàr^e-en-

tregou a um ignorante confessoiemi

A/Jecalúrgicos 90

elétrico, mas nenhuma foi políti-

ca", afirmou Magri. Quando as

greves políticas ocorrerem, Magri

disse que serão tratadas '.'demo-

craticamente".

Em entrevista coletiva, Magri

confessou que não entende nada de

Previdência Social, mas disse que

pjretende "mergulhar de cabeça"

paia conhecer os problemas que

terá de enfrentar na sua futura

função. "Não sei fazer sopa, mas

conheço quando ela está salgada",

afirmou Magri, prometendo aca-

hggr;com qualquer tipo de corrup-

ção que encontrar no novo minis-

tério. ■•■' ■ •

A criação de um ''banco do tra-

balhador", que era defendida por

Magri no inicio do ano, foi aban-

donada pelo futuro i ministro. Se-

gundo Magri, não há mais razão

para a criação do banco depois da

indicação de um trabalhador para

o novo ministério j da promessa

de Collor de dar aos trabalhadores

participação paritária na gerência

do Fundo de Garantia do Tempo

de Serviço (FGTS).

O tratamento que o governo

Collor dará ao salário mínimo foi

abordado de maneira evasiva pelo

futuro ministro. Magri disse que

olhará o salário mínimo "com ca-

rinho".

matéria previdenciária a bolada de

NCz$ 310 bilhões. É este o valor do

orçamento de 1990 da Previdência,

incorporada à pasta do Trabalho. É o

maior caixa da Esplanada dos Ministé-

rios.

A indicação de Magri também afasta

da união nacional pretendida por Collor

o PT, partido ligado umbilicalmente à

CUT..Collor começa a estabelecer limi-

tes para as alianças políticas. Está com

a mão estendida, mas nem tanto.

A julgar pela primeira entrevista de

fylagri como ministrol não^erâ difícil

fazer-lhe oposição. Confessou, sem ce-

rimônia, desconhecer a essência do

funcionamento da máquina previdenciá-

ria. "Não sei fazer a sopa, mas sei

quando ela está salgada", tentou con-

tornar, como se estivesse assumindo a

chefia de uma cozinha.

O problema está em saber quantas

vezes Magri terá tempo de provar a

sopa antes de o prato ser servido aos

contribuintes que dependem da Previ-

dência.


-

5

1

O

13

Uj

o

Folha de São Paulo -14.02.90

Medeiros era a outra opção para o ministério

ANDREW GREENLEES

Da Sucursal de Brasília

Na semana passada, durante a

viagem ao exterior, o presidente

eleito, Fernando Collor, reduziu

a lista de possíveis titulares do

Ministério do Trabalho e Previ-

dência Social a dois nomes, am-

bos sindicalistas: o presidente do

Sindicato dos Metalúrgicos de

São Paulo, Luiz Antônio Medei-

ros, e o presidente da Confedera-

ção Geral dos Trabalhadores

(CGT), Antônio Rogério Magri.

Por telefone, Collor determi-

nou a seu futuro ministro da

Justiça e coordenador político,

Bernardo Cabral, e ao irmão,

Leopoldo Collor, que sondassem

os sindicalistas. Medeiros argu-

mentou que, no período seguinte

à posse do novo presidente da

República, terminam os manda-

tos de várias diretorias de sindk

Os dirigentes da Cen-

tral Única dos Traba-

lhadores (CUT), braço

sindical do PT, inter-

pretaram a indicação

do presidente da CGT,

Antônio Rogério Ma-

gri, como uma declara-

ção de guerra. "Collor

está cutucando a onça

com vara curta",

ameaçou a presidenta

do Sindicato dos Ser-

vidores Federais de

Brasilia. Maria Laura

Pinheiro. A escolha re-

fcebeu declarações de

apoio, porém, do presi-

dente da Confederação

■Nacional dos Traba-

lhadores Metalúrgicos

(CNTM). Luiz Antônio?

Jíledeiros, que chegou,

durante a campanha .

fleitoral, a ter atritos

com Magri, com quem

fllvide a liderança do

chamado sindicalismo

Cie resultados. "Pode

contar com minha aju-

da", disse Medeiros a

Collor, em conversa

pelo telefone, no início

da tarde de ontem.

Antes de anunciar

sua decisão, o presi-

dente eleito fez quês- —

tão de comunicá-la a

Medeiros, que foi o primeiro a

ser sondado para ocupar o cargo

mas recusou a indicação. Na se-

mana passada, o irmão do su-

cessor de José Sarney, Leopoldo

Collor, já informara a Medeiros

que o escolhido, nesse caso! se-

ria Magri. "Ele tem jogo de cin-

catos e federações em todo o país

e que ele preferia dedicar-se ao

trabalho de barrar um eventual

crescimento do poder da Central

Única dos Trabalhadores (CUT)

na renovação destas diretorias.

Magri tinha a mesma preocupa-

ção, mas se mostrou mais dispos-

to a abrir mão do trabalho anti-

CUT para assumir o ministério.

Cabral e Leopoldo fizeram o

convite informal a Magri e

transmitiram a resposta positiva

ao presidente eleito, que o oficia-

lizou ontem no início da tarde.

A CUT não foi contactada

durante o processo. Nas duas

centrais, havia ontem convicção

de que a escolha de Magri foi um

sinal deliberado de Collor no

sentido de que confrontará a

CUT, entidade ligada W PT. A

avaliação é de que ajnaipaçãd.de

Magri dificultará os contatos que

Decisão recebe críticas da

CUT e elogios de Medeiros

Lui» Pr.Jo/AK . 10/3/89

Medeiros: previsão otimista

tura e penso que vai ter um bom

desempenho", previu o lider

metalúrgico.

Mas as primeiras reações

dos dirigentes da CUT fazem antever

dificuldades para Magri.

"Trata-se da pessoa menos indi-

-xadi^para jadajsara resolver o conflito en-

Metalúrgicos 90

Cabral vinha tentando com a,

CUT e seu presidente, Jair Me-

neguelli.

A indicação de Magri encerrou

um período de especulações que

manteve como "minísteriável" o

nome do senador Carlos Chiarelli

(PFL-RS), futuro líder do gover-

no no Senado. Quando Medei-

ros, em entrevista antes da via-

gem de Collor, condenou a even-

tual escolha de um sindicalista e

de um empresário para a pasta,

especulou-se que o escolhido se-

ria um advogado sindical. O

comentário de Medeiros acabou

deixado de lado no processo.

Outra 4 ec l ara Ç ão "esquecida"

foi feita por Magri logo após a

eleição de Collor: o sindicalista

"liberava" o presidente eleito da

promessa de campanha de indicar

.uq^Jíder.isindical para o ministé-

rio.

tre trabalhadores e empresá-

rios", reclamou o presidente da

CUT em Minas, Carlos Cala-

-zans, lembrando a antiga rivali-

dade entre CGT e a central sin-

dical ligada ao PT. "O Magri

sempre defendeu um sindicalis-

mo a favor dos patrões", com-

pletou o coordenador do Depar-

tamento dos Metalúrgicos da

CUT em São Paulo. Cicero Fir-

mlno da Silva.

Até mesmo parlamentares

do PT chegaram a prever confli-

tos entre o futuro ministro e a

organização sindical influen-

ciada pelo partido. "A disputa

vai se acirrar", afirmou o depu-

tado José Genoíno, da Executi-

va Nacional da legenda. "Resta

saber se Magri será capaz de

manter a imparcialidade", des

confiou o presidente do PT,

Luiz Gushiken. "Vamos eXigir

dele uma posição de neutralida-

de." Em Bruxelas, antes de sa-

ber o nome do escolhido por Col-

lor para o Ministério do Traba-

lho, o presidente da CUT, Jair'

Meneguelll, se declarou dispos-

to a conversar com o presidente

eleito e sua equipe.

A indicação de Magri agra-

dou alguns setores patronais. O

presidente do Sindicato dos

Bancos do Rio, Theophilo de

Azeredo Santos, por exemplo,

disse ter recebido com "muita

alegria" a escolha. "Magri é um

sindicalista moderno e sem ví-

cios", atestou ele. "Nunca ado-

tou a histeria da CUT." A atual

ministra do Trabalho, Doro-

théa Werneck. foi reticente ao

falar de seu substituto.


Diário Popular -14.02.90

CUT espera garantir salários

"Não aoeitaremoa dJacriminaçio

dessa ou daquela central quando for-

mos corvveraar com o Governo Collor

parar exigir que ele levante a digni-

dade do Brasil e recupere os salá-

rios". Foi asiim que o aecretárlo-

geral da Central Onlca do» Trabalha-

dores (CUT), Gilmar Carneiro dos

Santos, reagiu ontem ao saber que o

presidente da Confederação Geral dos

Trabalhadores (CGT), Antônio Rogé-

rio Magrl — arquilnlmlgo dos cutli-

tas — será o novo ministro do Tra-

balho e Previdência Social.

Gilmar eníatliou que a CUT nio

está preocupada em fazer análiaes

pessoais dos ministros de Fernando

Collor de Mello, "e aim em garantir

a democracia e o poder aqiilsltlvo

dos assalariados". Segundo ele, de-

pois da posse do Piêcidente eleito.

os dirigente» da central vio entregar

» CoUor su» pauta de reivindicações.

Questionado se as divergências com

Magrl não prejudicarão o relaciona-

mento dos cutistas com o novo Go-

verno, Gilmar disse que "os nomes

são secundários' na admUnlstracão

collorida.

■"Pela campanha dura e sem ética

que Collor fez, temos claro que sua

gestão será autoritária e vinculada

aos interesses patronais", previu o

sindicalista, acrescentando que a CUT

continuará mobilizada na defesa dos

trabalhadores. No seu entender, as

medidas atl agora anunciadas por

Collor deixam antever uma brutal

recessão. "Por isao, exigiremos que

ele cumpra o» responsabilidades do

seu cargo, combatendo a inflação

•em arrocho salarial, se nio quiser

enfrentar greves", concluiu Gilmar,

Medeiros cruer criar conselho

O anúncio do nome de Aotônio

Rogério Magrl par» ocupar o Minis-

tério do Trabamo e Previdência So-

ciai, não surpreendeu Luiz Antônio

de Medeiros, que comanda o Sindi-

cato dos Metalúrgicos de São Paulo,

o maior da América Latina. Magrl

já Unha confldencUdo * Medeiros,

seu aliado no sindicalismo de resul-

tados, que havia recebido o convite

e ainda ontem, uma hora ante» de

posar para as cámera» de TV, ligou

para o amigo «, depois passou o

telefone a Fernando Collor de Mel-

lo. 'O Presidente me confirmou a

noticia • eu o parabenizei pela es-

colha", contou Medeiros.

"Acho que o Presidente foi coe-

rente e cumpriu sua promessa de

campanha, pois sempre falou que

nomearia um sindicalista para o Mi-

nistério do Trabalho", observou Me-

deiros. Ele reconheceu, porém, que

Magri enírentari "um grande desa-

fio e precisará de muito jogo de cin-

tura" para conversar com todas as

correntes do sindicalismo. "Faço vo-

tos que ele vença essa barreira e

seja ministro do Trabalho de todos".

No final do ano paisado, Medei-

ros criticou Magri por colocar a

CGT na campanha eleitoral, em

apoio a Collor. "Fiz uma critica

construtiva^, afirmou o sindicalista,

que também votou em Collor. Agora,

ele espera que Magrl crie o Conse-

lho de Previdência Social, com par-

ticipação doa aposentados, trabalha-

dores da ativa. Governo e empresá-

rios. "Além disso, ele precisa dar

prioridade ao problema dos trabalha-

dores que estão prestes a se aposen-

tar", disse.

Folha de Sâo Paulo -14.02.90

Órgão dos EUA apoia CGT

Do Redação

Antônio Rogério Magri não

esconde que durante grande parte

de sua carreira de dirigente sindi-

cal recebeu apoio financeiro da

poderosa central sindical norte-

americana American Federation

of Labour-Congress of Industrial

Organizations (AFL-CIO). Ele

fala até mesmo com orgulho das

contribuições que recebe.

Em maio do ano passado,

Magri afirmou que o Instituto

Cultural do Trabalho (ICT), ór-

gão ligado à CGJ que tem o

objetivo de formar dirigentes

sindicais, recebia US$ 220 mil

por ano de entidades sindicais

estrangeiras —"mais dos ameri-

canos"—, quantia que ele consi-

dera pequena em comparação

com o que afirma que a CUT

(Central Única dos Trabalhado-

res) recebe do exterior. Segundo

Magri, a CUT recebe, "por

baixo, US$ 2 milhões, só para

manter sua mini-Cajamar de São

Bernardo" (referência ao Institu-

to Cajamar, utilizado pela CUT

para formação de seus quadros

de liderança).

Os recursos da AFL-CIO para

o ICT chegam ao Brasil através

do Instituto Americano para De-

senvolvimento do Sindicalismo

Livre (ladesil), que atua cm vári-

os países. Magri diz ser um

admirador do sindicalismo prati-

cado nos Estados Unidos, Ale-

manha Ocidental, Espanha e

Portugal, mas nega ter compro-

missos com os americanos. O que

existe, segundo ele, é um contra-

to e não "um vinculo" para a

/orm^çào de dirigentes sindicais.

/[/jetalúrgicos 90

Notícias Populares -14.02.90

Trabalhadores rejeitam

proposta na Volkswagen

Os metalúrgicos da

Volks de Sâo Bernardo

rejeitaram anteontem a

proposta de mais um

abono de 10% além dos

9,3%, em fevereiro e

março, já concedidos

pela Autolatina — hol-

ding que controla a

Volks e a Ford sob a

condição de retorno

imediato ao trabalho. O

abono, a ser pago no dia

20, seria concedido para

toda a fábrica e não

somente aos 3,8 mil me-

talúrgicos das alas de

fundição e montagem

que entram hoje no dé-

cimo-terceiro dia de

greve. Anteontem, 50

metalúrgicos da casa

das máquinas da Volks

de São Bernardo tam-

• bém pararam reivindi-

cando reestruturação

salarial.

Segundo a Autolatina,

desde o inicio do movi-

mento deixaram de ser

produzidos 8,6 mil veí-

culos (7,2 mil pela

Volks e 1,4 pela Ford,

Vicentinho

~v

que recebe componen-

tes da fábrica da VW de

São Bernardo). A pro-

posta da Volks foi resul-

tado de uma negociação

na sexta-feira. Segundo

o presidente do Sindica-

to dos Metalúrgicos de

São Bernardo, Vicente

Paulo da Silva a em-

presa também- ofere-

ceu, além desse novo

índice de 10%, um abo-

no de 9% em março,

abril e maio para os

trabalhadores da ala de

fundição, onde as con-

dições de trabalho são

mais penosas.

DOSSIÊ:

A TEORIA EA PRATICA

DA CGT

A elaboração deste Dossiê, por solicitação da CUT Nacional,

proporciona uma análise da teoria e prática sindical da Conlcdera-

ção Geral dos Trabalhadores (CGT), a partir das declarações e

entrevistas aos principais órgãos de imprensa do Brasil feitas por

seu dirigente máximo. Antônio Rogério Magri. A (renle da CGT,

desde maio de 1989. Magri tem dado depoimentos exclarecedo-

res sobre as mais diferentes questões nacionais c hl cr nacionais,

í. nada melhor do que suas próprias palavras para uma análise

das propostas e ação sindical, do que é a CGT c seu presidente.

Com este Dossiê, o Centro de Documentação c Pesquisa

Vergueiro (CPV) cumpre seu papel de subsidiar com a intormação

e documentar a história dos trabalhadores. Os leitores que tirem

as conclusões.

Centro de Documentação

e Pesquisa Vergueiro

FEVEREIRO 90


^olha de São Paulo -14.02.90

E preciso acabar com a miopia empresarial

Muito se fala hoje sobre uma nova

ordem econômica mundial, na qual a

polarização de forças se deslocou para o

extremo Oriente. Vivemos, portanto, a

era da competição plena entre Oriente e

Ocidente. ,

•A recente viagem do presidente eleito

Fernando Collor ao exterior nos trouxe

uma visão clara dessa nova. realidade.

Para não falar nos acontecimentos do

Leste Europeu, onde a experiência soci-

alista e centralizadora do poder estatal

simplesmente faliu. Mas as relações

inter-hemisféricas Oriente-Ocidente se

encontram hoje no primeiro plano dos

interesses mundiais. E é justamente

nessa ocasião que se evidenciam os

valores detohadores dessas transforma-

ções, das quais as relações entre capital

e trabalho são elementos decisivos.

Cabe aqui indagar: quais os modelos

dessas relações que vêm obtendo maior

sucesso dentro dessa ótica, e quais

apresentam maiores perspectivas para o

futuro? Não temos dúvidas em respon-

der que no momento é o modelo

japonês e de seus vizinhos, os "tigres

asiáticos".

Isso porque há tempos a nação japo-

\ nesa vem obtendo crescentes índices de

i eficiência e produtividade, jamais vistos

no mundo. E aqui é oportuno lembrar

que quem faz a economia organizada de

< um povo são as suas classes produtivas,

\ destacando-se naturalmente entre elas o

operariado. É justamente esse o aspecto

de toda essa questão que mais nos toca.

Sob a ótica do operário é que preten-

; demos aqui definir as diferenças entre

| os modelos econômicos. É bem sabido

que temos nos manifestado constante-

mente a favor da socialização do lucro,

no Brasil. No mesmo sentido, temos

1 contestado aqueles que imaginam poder

ANTÔNIO ROGÉRIO MAGRI

viabilizar essa idéia pela imposição de

leis. Ora, toda imposição altera os

princípios da harmonia. As relações

entre as empresas e seus trabalhadores

devem ser resolvidas entre ás partes. E

cabe naturalmente às representações

classistas um grande papel nesse pro-

cesso.

Mas vamos "exemplificar melhor a

essência do problema que estamos enfo-

cando. Como se sentirá um trabalhador

japonês, que tem participação efetiva

nos lucros de sua empresa, diante da

visão do resultado final de seu trabalho,

em cuja fabricação ele se esmerou?

Fatalmente satisfeito ' e orgulhoso, já

que esse bem significa para ele mais

salário, mais conforto para sua família,

educação para os filhos, em uma pala-

vra, perspectivas de vida cada vez

melhores.'

E o operário brasileiro, nas mesmas

condições, sentirá a mesma satisfação?

Achamos pouco provável. É mais lógi-

co que ele experimente um sentimento

de frustração. Pois o produto acabado

que ele ajudou a fabricar certamente lhe

trará à lembrança a - exploração impla-

cável dos empresários, a amargura das

greves, o desespero das demissões, a

falência do salário cada vez mais insufi-

ciente etc. Enfim: lembrar-lhe-á a inse-

gurança em que vive ele e suâ família,

em termos de educação, lazer, saúde, e

sua queda de poder aquisitivo.

A título de ilustração: um automóvel

no Japão pode ser adquirido por um

preço equivalente a dois mil e quinhen-

tos dólares. No Brasil, um modelo mais

ou menos equivalente, não sairia por

uma quantia inferior a dez mil dólares!

Esse exemplo torna patente a vil explo-

ração a que é submetido o nosso

operariado. E também o largo espaço

de manobra de que dispõem todos

aqueles elementos que pretendem usar a

classe trabalhadora para se alçarem ao

poder...

A classe operária brasileira está tão

apta quanto qualquer outra para ofere-

cer o máximo de seus talentos, a fim de

gerar riquezas para a nação. Desde, é

claro, que ela também passe a comparti

lhar daquilo que é a própria expressão

da riqueza: o lucro. E ele só se torna

justo em países onde se pratique a sua

socialização. E não em nações mercanti

listas, que nem sequer atingiram, o

estágio de capitalistas —como é o caso

do nosso Brasil!

Entre nós, as empresas, os cartéis, o

Estado e os trustes se tornaram unísso

nos na arte de explorar. A classe

empresarial não enxerga um palmo

além da caixa registradora. Não vê que

seu maior aliado não é a sonegação, as

aplicações em open, over e dólar. Nem

o protecionismo estatal. E sim o traba

lhador!

Quando um melhor relacionamento

entre ambos for alcançado, o operário

se sentirá orgulhoso em ter contribuído

para a elaboração de automóveis, ele

trodomésticos, alimentos, serviços elé

tricôs etc, o que garantirá um aumento

de conforto para ele e seus compatrio

tas.

E assim ele estará também dando sua

contribuição para a construção de um

modelo econômico para o Brasil, o qual

jamais poderá ser alcançado pela imita-

ção ou pela importação de outras cultu-

ras; e sim, pela observação da própria

realidade nacional.

ANTÔNIO ROGÉRIO MAGRI, 48, sindicalista, <

firesidente da Confederação Geral dos Trabalhadores

CGT) e ex-presidenle do Sindicato dos Elelricitáriot de

São Paulo. Foi indicado ontem ministro do Trabalho do

futuro governo Collor.

Folha da Tarde -14.02.90

INPC de janeiro atinge os 68,19%

Peios dados do IBGE, o que mais tem aumentado de preço é a alimentação, e ainda mais para quem ganha menoí

A inflação de janeiro medida

pelo Índice Nacional de Preços ao

Consumidor (INPC) foi de 68,19%

e ficou 12,08 pontos percentuais

acima da inflação oficial do mês,

de 56,11%. O Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística (IBGE)

informou ontem que o custo da

alimentação subiu 75,21% na mé-

dia geral do país, chegando a

83,49% em Belém e 83,43% em

Brasília. Só os preços dos trans-

portes e da comunicação subiram

mais do que a média dos alimen-

tos, chegando a 75,91%.

A inflação de janeiro foi maior

para a população de menor renda

do que para os mais ricos.

Enquanto o INPC, que é calculado

com base no consumo das famílias

com renda mensal de um a oito

salários mínimos, chegou a

68,19%, o índice de Preços ao

Consumidor Ampliado (IPCA),

que toma por base o consumo das

famílias de um a 40 salários mí-

nimos, subiu 67,55%. O aumento

da inflação para os mais pobres,

em comparação com a população

de maior salário, agravou-se nos

últimos três meses, quando o

INPC acumulou uma alta de

277,76% eó IPCA subiu 275,22%,

A diferença entre o INPC e a

inflação oficial de janeiro mostra,

por sua vez, que houve uma acele-

ração nos aumentos dos preços

nas duas últimas semanas do mês.

/[/fetalürgicos 90

que vai se refletir na inflação de

fevereiro. O INPC e o IPC, que

mede a inflação oficial, são calcur

lados pela mesma metodologia e

só se diferenciam pelo fato de que

o INPC reflete a inflação entre o

primeiro e o último dia do mês,

enquanto ti IPC reflete os aumen-

tos entre üa 16 de um mês e 15 do

outro.

De acordo com os dados do IB-

GE, o INPC de janeiro só não

ultrapassou o patamar de 70% de-

vido à queda real dos preços do

vestuário, que subiram, em mé-

dia, 46,28%, abaixo, portanto, da

inflação oficial do mês.

O IBGE informa ainda que os

alimentos tiveram um aumento

generalizado. O produto que subiu

menos foi o pão francês (52,97%),

J^


enquanto as verduras dispararam

com 178,51% de aumento e os ce-

reais ficaram 119,94% mais caros.

Os peixes encareceram 101,5% e

os legumes subiram 99,02%.

Entre os produtos não-alimentí-

cios que tiveram uma alta de pre-

ços média de 64,14%, o grupo que

mais encareceu para o consumi-

dor foi o item transporte e comu-

nicação (75,91%). O custo da habi-

tação subiu 63,42% e os serviços

de saúde 71,61%

Para as famílias de maior poder,

aquisitivo, o item que mais subiu

no orçamento foi o do transporte

—gasolina (97,36%), álcool

(96,88%) e automóveis usados

(71,8%). No cálculo do custo de

vida para a população com renda

de até 40 salários mínimos por

mês, os alimentos tiveram, em'

média, uma alta de 73,6%; o ves-"

Jornal da Tarde - 14.2.90

Uma política negociada para

preços e salários, excluindo-se to-

talmente um choque heterodoxo

(congelamento), controle dos gas-

tos públicos, da moeda e do crédito

e medidçs que preservem as reser-

vas, de forma a evitar urna crise

cambial, mas com a possibilidade,

num segundo momento, de libera-

ção do câmbio. Esta receita para

combater a injlação é parte de um

plano que a Federação das Indús-

trias do Estado de São Paulo

(Fiesp) vem discutindo, interna-

mente, exposto num documento de

nove páginas obtido pelo Jornal da

• Tarde, e que prevê recessão.

Na avaliação da Fiesp, "o Pais

está à beira da hiperinflação" e

por isso "seria mais prudente o go-

verno tomar medidas imediatas

que possam evitar a eclosão da

crise, com um programa visando

ao combate do atual processo in-

flacionário, cujo ponto principal é

o controle da moeda pelo Banco

Central". "Na ausência de medi-

das de ajuste econômico", observa

o documento, "a hiperinflacço é o

resultado inexorável desse proces-

so". Pela avaliação dos economis-

tas da Fiesp, o sistema de indexa-

ção está com os dias contados e po-

derá provocar a total desccrnSiança

dos agentes econômicos em rela-

ção à moeda.

"Para evitar a eclosão da crise

índice do custo de vida sobe 71,72%

O índice de Custo de Vida da

Classe Média (ICVM) em São

Paulo foi de 71,21% em janeiro.

Segundo a Ordem dos Econo-

mistas de São Paulo, que calcu-

la o ICVM, a aceleração dos

preços ocorreu com mais força

na segunda quinzena do mês. Os

preços dos produtos de alimen-

tação registraram alta de

79,8%, contribuindo com mais

de um quarto do índice.

Dentro do grupo Alimentação,

a carne bovina teve uma grande

influência, com aumentos médi-

os de 100%. O arroz subiu 167% e

o feijão 114%. Os hortifrutigran-

ieiros também tiveram reajus-

tes acima da média, com vários

produtos elevando os preços em

mais de 200%. A alface subiu

305%^ por exemplo.

O grupo que registrou a maior

alta no mês foi Transportes,

com 87.3%. A elevação foi cau-

sada pelo governo, com sua polí-

tica de recuperação das tarifas

públicas em janeiro. Os com-

bustíveis subiram 96%, os lubri-

ficantes 111%. O valor dos licen-

ciamentos registrou alta de

98%. As despesas com transpor-

te público no mês cresceram

90%.

Os itens do grupo Educação

também puxaram o índice para

cima, com elevação de 72,3%. A

razão foi a alta de 123% no preço

do material escolar, de 77% dos

livros didáticos e de 71% na

mensalidade escolar. Nos últi-

mos 12 meses, o grupo Educa-

ção foi o que registrou a maior

elevação, com 3.669,71% contra

uma variação de 2.232,51% no

índice.

Dentre os 20 itens que mais

subiram em janeiro, estão as

despesas com clubes, 225,53%

em 10° lugar, e os cobertores,

com 181,71% em 17°, apesar do

verão. O presidente da Ordem

dos Economistas de São Paulo,

Roberto Macedo, não quis arris-

car uma previsão para o ICVM

de fevereiro.

Fiesp dá sua receita

antiinflacáo. Sem heterodoxia.

MARONIJ. DA SILVA

e de todo o custo social e econômi-

co que ela acarretaria", o docu-

mento manifesta expectativa de

que o novo governo venha a tmnar

medidas de curto prazo, baseadas

nos itens referidos. Não descarta

porém a necessidade de um pro~

grama de médio e longo prazos,

com'vistas "ao fortalecimento da

economia de mercado, liberaliza-

ção das relações econômicas do

Pais com c Exterior e que trate da

modernização do Estado".

Controle do déficit

"O desequilíbrio nas finanças

públicas ó estrutural e o equilíbrio

orçamentário requer verdadeira

rçforma no Estado, que poderá in-

cluir medidas como: completar a

autonomia fiscal dos governos es-

taduais e municipais, reduzindo

ao mesmo tempo suas cotas-partes

na arrecadação do Imposto do

Renda e do IPI; ampliar « reformu-

lar a base do Imposto de Renda,

reduzindo o« tratamentos prefe-

renciais e Oí incentivos e os ga-

nhos não-tributáveis; reduzir os

nervos direitos e remunerações as-

segurados pela Constituição; e cor-

tar à dependência de bancos ofi-

ciais, Tesouros estaduais o muni-

cipais em relação à União".

Os efeitos dessas medidas so-

bre o déficit, segundo o documento,

ocorreriam "apenas a médio e

longo prazo". E, se o problema in-

flacionário não fosse tão grave, se-

ria possível aguardar esses resul-

tados. " Por isto, a Fiesp prevô tam-

bém a eliminação do déficit via

controle de caixa. Para esta hipó-

tese o documento descreve uma sé-

rie do alternativas. A primeira se-

ria um pedida de autorização ao

Congresso Nacional para que o

Executivo pudesse aumentar a ar-

recadação tribulária. Mas podem

ser umiadas também outras medi-

das que não dependem de aprova-

ção pelo Congresso: atualização

das tarifas e preços públicos e eli-

minação das transferências de re-

cursos às estatais.

Moeda, crédito e câmbio

"O objetivo da política mone-

tária seria a estabilização do

agregado moimiiiiin Itum-dii pm

circulação, dciinsilns Imiiiniins n

vista mais os lilulns púlilnusfrde-

rais em poder do públno — h^lros

Financeiras do Tcsouinj. " Sobre

isto, o docuttwiilo Uiiiibéni picrc

uma série de nllenuilirns. sendo

que "na mais radical ri risco rfc

perda de capital paru n sitlnr pri'. 1

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