20.04.2013 Visualizações

OS INSTRUMENTOS DE RELAÇÕES PÚBLICAS DA IGREJA ...

OS INSTRUMENTOS DE RELAÇÕES PÚBLICAS DA IGREJA ...

OS INSTRUMENTOS DE RELAÇÕES PÚBLICAS DA IGREJA ...

SHOW MORE
SHOW LESS

Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!

Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.

<strong>OS</strong> INSTRUMENT<strong>OS</strong> <strong>DE</strong> <strong>RELAÇÕES</strong> <strong>PÚBLICAS</strong> <strong>DA</strong> <strong>IGREJA</strong> ALIANÇA BÍBLICA <strong>DE</strong><br />

NOVO HAMBURGO<br />

Resumo:<br />

Michele Schunck Ávila*<br />

Através das pesquisas teóricas este artigo busca esclarecer conceitos da teoria e do<br />

operacional da atividade de Relações Públicas, bem como trazer apontamentos sobre os<br />

instrumentos de comunicação utilizados pela categoria. Além disso, com aporte em<br />

classificações teóricas de autores, permitiu-se enxergar a Igreja Aliança bíblica de novo<br />

Hamburgo como uma organização e identificar os instrumentos de comunicação utilizados<br />

no seu culto, por meio de uma observação participante.<br />

Palavras-chave: Relações Públicas. Instrumentos de Comunicação. Organização. Igreja.<br />

1 INTRODUÇÃO<br />

Como estudante de Relações Públicas (RRPP) e membro da Igreja Aliança Bíblica<br />

de Novo Hamburgo, passei a observar mais atentamente a forma que se dá sua<br />

comunicação, observando sua estrutura hierárquica, os relacionamentos existentes entre os<br />

membros e entre esses e a organização, seus canais de comunicação (ou a falta deles).<br />

Partindo deste contexto, este artigo tem como objetivo identificar instrumentos de<br />

comunicação utilizados especificamente no culto desta igreja e classificá-los sob a ótica das<br />

relações públicas. A metodologia utilizada será a pesquisa participante 1 e a pesquisa<br />

bibliográfica 2 . Este tema será abordado com mais profundidade no meu Trabalho de<br />

Conclusão de Curso.<br />

É interressante perceber que a atividade de RRPP existe em grande parte das<br />

organizações. No entanto, em sua maioria, não é exercida com este nome, nem mesmo por<br />

profissionais competentes. CESCA (1195, p.25)<br />

* Graduanda do curso de Comunicação Social – Habilitação Relações Públicas (UNISIN<strong>OS</strong>)<br />

1 De acordo com PERUZZO (Apud DUARTE e BARR<strong>OS</strong> - 2005, p.132), pesquisa participante é<br />

“baseada na interação ativa entre pesquisador e grupo pesquisado e, principalmente, na conjugação<br />

da investigação com os processos mais amplos de ação social e de apropriação coletiva do<br />

conhecimento, com a finalidade de transpor o povo em sujeito político”.<br />

2 De acordo com STUNPF (Apud DUARTE e BARR<strong>OS</strong> – 2005, p. 51), num sentido mais amplo,<br />

pesquisa bibliográfica “é o planejamento global inicial de qualquer pesquisa que vai desde a<br />

identificação, localização e obtenção da bibliografia pertinente sobre o assunto, até a apresentação<br />

1


Para dar início ao trabalho, é de fundamental importância que se esclareçam,<br />

primeiramente, os conceitos da atividade de Relações Públicas.<br />

2 <strong>RELAÇÕES</strong> <strong>PÚBLICAS</strong><br />

De acordo com a definição oficial defendida pela Associação Brasileira de Relações<br />

Públicas (ABRP), Relações Públicas é “(..) o esforço deliberado, planificado, coeso e<br />

contínuo da alta administração, para estabelecer uma organização, pública ou privada, e<br />

seu pessoal, assim como entre essa organização e todos os grupos aos quais está ligada,<br />

direta ou indiretamente”. (ANDRA<strong>DE</strong>,1993, p. 41)<br />

Observa-se que a definição da ABRP, embora seja a “oficial”, parece pouco<br />

esclarecedora, e acaba sendo insuficiente como referência de estudo. Muitos autores da<br />

área têm discutido, pesquisado e conceitualizado a atividade sob outros aspectos. Aliás,<br />

vale lembrar que esta é uma das dificuldades encontradas pela categoria de RP: o fato de<br />

não haver um consenso quanto a sua definição conceitual<br />

De forma objetiva e clara, Lesly (1995, p. 3) afirma que essa atividade consiste em<br />

“ajudar uma organização e seus públicos a mutuamente se adaptar uns aos outros”. Este é<br />

o grande conflito da atividade de RP, a adaptação dos interesses individuais e distintos entre<br />

os públicos e a organização.<br />

Nesta mesma linha de raciocínio, França (1997, p.9) aborda a atividade de RP no<br />

campo da ação política e na multivariedade de suas funções:<br />

... o profissional de relações públicas tem seu campo de ação na política de<br />

relacionamento da organização, estabelecendo as formas dos<br />

relacionamentos institucionais e mercadológicos à luz de princípios de<br />

comunicação de aplicação universal a todas as áreas da organização. (...)<br />

pode-se afirmar a multivariedade das funções de relações públicas:<br />

estratégica, política, institucional, mercadológica, social, comunitária,<br />

cultural, etc. (...) Portanto, a atividade de relações públicas constitui uma<br />

estratégia fundamental para o sucesso das empresas e o profissional que a<br />

conduz deve ser um estrategista da comunicação e do relacionamento.<br />

de um texto sistematizado, onde é apresentada toda a literatura que o aluno examinou, de forma a<br />

evidenciar o entendimento do pensamento dos autores, acrescido de suas próprias idéias e opiniões”.<br />

2


Roberto Porto Simões, professor e pesquisador da PUC-RS e um dos autores<br />

nacionais mais conceituados da área, conceitua a atividade como gestora da função<br />

organizacional política.<br />

Segundo ele, os cientistas de teorias das organizações têm explicado as ações<br />

interligadas de uma organização por meio de seis funções ou subsistemas organizacionais<br />

(de produção, financeira, marketing, recursos humanos, pesquisa e desenvolvimento e<br />

administração geral). No entanto, Simões defende uma sétima, designada função política.<br />

Segundo ele, entenda-se por função política a filosofia, as políticas e as ações inter-<br />

relacionadas que, sob o enfoque de relação de poder/comunicação, visam à consecução da<br />

missão organizacional. Todas as funções organizacionais visam cumprir a missão da<br />

organização segundo a ótica específica de cada uma delas. A função política se refere à<br />

relação de poder que existe entre os públicos da organização, que por sua vez podem<br />

interceptar ou desviar sua trajetória. Essa relação de poder constitui um jogo de influências<br />

e tomadas de decisões, em que o conflito e a cooperação fazem parte da dinamicidade<br />

deste jogo. Causa e solução do problema são explicadas na esfera da ciência política,<br />

defende o autor. Observando que as seis funções organizacionais citadas possuem um<br />

gerente específico, o autor conclui que a função política também deveria possuir um. O<br />

gerenciamento desta função cabe à atividade de Relações Públicas. Logo, a atividade<br />

(profissional) de relações Públicas é a Gestão da Função Organizacional Política. (SIMÕES,<br />

2001, p. 51)<br />

Para Simões (1984, p.66), além da definição conceitual, (que diz o que é a<br />

atividade), existe uma definição operacional (que explica o que ela faz). Esta última sim, é<br />

entendida de forma mais clara e uniforme pela categoria.<br />

Conhecida como “Acordo do México”, foi aprovada por 33 associações nacionais na I<br />

Assembléia Mundial de Associações de Relações Públicas, realizada na cidade do México,<br />

uma definição operacional da atividade. Segundo ela,<br />

“O exercício da profissão de Relações Públicas requer ação planejada,<br />

com apoio da pesquisa, comunicação sistemática e participação<br />

programada, para elevar o nível de entendimento, solidariedade e<br />

colaboração entre uma entidade, pública ou privada, e os grupos sociais a<br />

ela ligados, num processo de interação de interesses legítimos, para<br />

promover seu desenvolvimento recíproco e da comunidade a que<br />

pertencem”. (ANDRA<strong>DE</strong>, 1993, p.42)<br />

Em consonância com a definição do “Acordo do México”, Simões (2006, p.70) afirma,<br />

de forma mais clara e objetiva, que as relações públicas possuem 6 funções operacionais<br />

3


ásicas. Estas funções seguem uma ordem lógica e são as seguintes: (1) pesquisar (2)<br />

diagnosticar, (3) prognosticar, (4) assessorar e (5) implementar e (6) avaliar e controlar.<br />

Segundo o autor, é preciso pesquisar para poder realizar um diagnóstico do sistema<br />

organização-públicos 3 . Segundo ele, “diagnóstico é a conclusão da análise de como se<br />

encontra a organização em face aos interesses de todos os seus públicos ou de um<br />

especificamente” (2001, p. 36). Depois desta etapa, vem o prognóstico, que indicará o que<br />

deve e o que não deve ser feito, bem como a urgência de sua realização. O quarto, é<br />

“assessorar as lideranças organizacionais quanto às políticas administrativas e, a seguir, em<br />

outra etapa, implementar programas planejados de comunicação a fim de que a consecução<br />

da missão organizacional seja eficaz” (2001, p. 37). Por último, é de fundamental<br />

importância avaliar constantemente os resultados destes programas implementados para<br />

que se possa fazer a manutenção dos mesmos conforme necessidade. (SIMÕES, 2001, p.<br />

36-38)<br />

Com base nas reflexões de autores mencionados aqui, é possível verificar que o<br />

núcleo da atividade de relações públicas está na esfera dos relacionamentos com um papel<br />

de explicitador das divergências entre os públicos e as organizações, tendo como objetivo<br />

primordial facilitar a compreensão entre ambos a fim de promover o cumprimento da missão<br />

organizacional. Além disso, é possível concluir que operacionalmente as relações públicas<br />

necessitam de instrumentos de comunicação específicos que permitam a consecução<br />

efetiva das suas funções.<br />

3 INTRUMENT<strong>OS</strong> <strong>DE</strong> COMUNICAÇÃO EM <strong>RELAÇÕES</strong> <strong>PÚBLICAS</strong><br />

As funções exercidas pelas relações públicas precisam ser bem pensadas, estudas e<br />

elaboradas estrategicamente de acordo com o público e o objetivo a ser atingido. Neste<br />

sentido, Cesca (1995, p.28) afirma ser preciso:<br />

definições dos objetivos com base na política, da empresa; determinação<br />

do público com o qual se vai trabalhar; aplicação de estratégias<br />

adequadas; determinação de recursos técnicos e humanos necessários;<br />

fatores condicionantes para a execução; orçamento previsto para<br />

aprovação da diretoria; implantação, que é a colocação do projeto em<br />

execução; acompanhamento e controle de todas as atividades; e avaliação<br />

dos resultados obtidos.<br />

3 O sistema organização-público e explicado com mais profundidade em Simões (1984, p. 39-40).<br />

4


Em meio a diversos fatores que contribuem para o desenvolvimento efetivo da<br />

atividade das relações públicas, está a definição do público alvo, que irá nortear a<br />

elaboração de estratégias apropriadas. É importante ressaltar que não deve-se ignorar a<br />

forma distinta que cada público tem de se comunicar. Por isso, faz-se necessário utilizar um<br />

instrumento de comunicação específico, com linguagem adequada para cada um deles<br />

desta forma é possível evitar percepções e interpretações inadequadas. De acordo com<br />

Simões (1984, P. 106) “entende-se por instrumentos o mesmo que técnicas, isto é, todos os<br />

recursos que são utilizados no processo de Relações Públicas (de forma extrínseca) e<br />

servem para controlá-lo”. Fortes (2003, p.239) afirma que estes instrumentos propiciam “as<br />

maiores chances de obter um resultado positivo, contribuindo com o relacionamento que se<br />

pretende fixar”.<br />

Os instrumentos de comunicação são classificados por Simões (2001, p. 60) com<br />

base no significado dos termos comunicação e fluxo das mensagens. Desta forma, ele se<br />

refere aos instrumentos como: “de entrada, que trazem mensagens; de saída: que levam<br />

mensagens e mista, quer dizer, direcionadas, que trazem e levam mensagens”. Esta é uma<br />

classificação simples, e que consegue abranger todos os tipos possíveis de instrumentos de<br />

comunicação.<br />

Andrade (1996, P. 34) afirma que os instrumentos utilizados em RRPP que são<br />

dirigidos para públicos específicos têm “a finalidade de transmitir, conduzir e algumas vezes<br />

recuperar informações, para estabelecer a comunicação limitada, orientada e freqüente com<br />

selecionado número de pessoas homogêneas e conhecidas”, dando subsídios para a<br />

construção de relacionamentos sólidos com os públicos. Percebe-se que para adquirir o<br />

resultado esperado, o contato com os públicos não deve ser apenas em alguns momentos<br />

esporádicos, mas constante. O autor ainda classifica esses instrumentos em escritos –<br />

transmitem a comunicação de forma escrita para um determinado público (ex.: Informativos,<br />

avisos, cartazes, volantes), orais - transmitem a comunicação através da palavra oral para<br />

determinado público (ex.: conversas pessoais, o telefone, reuniões), auxiliares – são os<br />

recursos auxiliares ou recursos audiovisuais (ex.: retroprojetor, mídias, fotografias, jogos) e<br />

aproximativos - proporcionam o estabelecimento de relações pessoais diretas entre a<br />

organização e um determinado público (ex.: serviços de prestação de informação, visitas<br />

dirigidas à empresa, a extensão comunitária, negociação).<br />

5


Os dois autores citados acima, se diferem na forma de classificar os instrumentos de<br />

comunicação. No entanto, ambas classificações são aceitas e tem seu reconhecimento e<br />

utilidade prática para a categoria.<br />

4 A <strong>IGREJA</strong> COMO ORGANIZAÇÃO<br />

O objetivo aqui não é fazer um estudo expansivo e aprofundado sobre a história e<br />

todos os fundamentos teóricos relativos às organizações e suas tipologias (classificações).<br />

O intuito é de apenas elucidar alguns conceitos básicos a fim de poder entender a Igreja<br />

Aliança Bíblica de Novo Hamburgo como uma organização. Desta forma, será possível<br />

analisar com clareza a comunicação pertinente a ela sob o olhar das relações públicas, pois,<br />

de acordo com KUNSCH (2003, p.49) “o conhecimento das tipologias e da natureza<br />

intrínseca das organizações é condição essencial para planejar a comunicação com<br />

eficácia”.<br />

Pode-se entender a organização como a “expressão de um agrupamento planejado<br />

de pessoas que desempenham funções e trabalham conjuntamente para atingir objetivos<br />

comuns” KUNSCH (2003, p.23). As organizações podem ser classificadas de diversas<br />

formas. Para este caso, se faz oportuno esclarecer a classificação quanto às formas de<br />

propriedade e de acordo com a função que exercem na sociedade.<br />

Para Lacava (1981, p. 173) a classificação abaixo consegue abranger “todas as<br />

atividades possíveis de serem organizadas” quanto à função que exercem:<br />

1. Serviço: organizações que existem para servir pessoas que<br />

necessitam das atividades desenvolvidas por essas organizações, sem<br />

pagamento pelas assistências recebidas.<br />

2. Econômica: organização que produz e distribui mercadorias e serviços<br />

por meio de alguma forma de pagamento.<br />

3. Religião: grupos que servem às necessidades espirituais de seus<br />

membros.<br />

4. Proteção: organização que tem como objetivo proteger a população<br />

5. Governamental: que tem a finalidade específica de governar uma<br />

unidade da população<br />

6. Social: organização que serve para atender às necessidades de seus<br />

membros de manter uma atividade social ou pertencer a um grupo social.<br />

Quanto às formas de propriedade (1981, p. 206-217), podemos citar a propriedade<br />

individual, a associação, a organização cooperativa, a sociedade anônima, e a combinação<br />

6


de sociedade anônima ou corporações. Segundo o autor “propriedade é um termo jurídico<br />

que significa o direito legal de uma coisa, ou o direito de possuir ou dispor de uma coisa”.<br />

(1981, p.206)<br />

Para poder entender a Igreja Aliança Bíblica de Novo Hamburgo como uma<br />

organização, faz-se prudente definir o termo igreja. A maior parte das pessoas se refere à<br />

igreja como o local onde os cristãos se encontram para aprender a adorar a Deus. No<br />

entanto, de acordo com GRU<strong>DE</strong>M (1999, p. 715), “a igreja é a comunidade de todos os<br />

cristãos de todos os tempos”. Esta definição, que é baseada em diversas passagens<br />

bíblicas, enfoca as pessoas, e não o local. E é desta forma que a Igreja Aliança Bíblica de<br />

Novo Hamburgo entende ser igreja.<br />

Com base nas classificações de Lacava, pode-se verificar que a igreja Aliança<br />

Bíblica de Novo Hamburgo é uma organização religiosa, por ter a função de servir às<br />

necessidades espirituais de seus membros, e juridicamente adota o caráter de associação.<br />

Na associação as pessoas se associam para dirigir a organização. Entre outras<br />

características, destaca-se que cada uma destas pessoas “realiza uma parte do trabalho, e<br />

sua associação oferece à empresa um capital maior e um número maior de trabalhadores<br />

qualificados para as operações da empresa, assim como uma direção que tem o interesse<br />

próprio, como um incentivo para o êxito”. (LACAVA, 1981, p.206)<br />

5 O CULTO <strong>DA</strong> <strong>IGREJA</strong> ALIANÇA BÍBLICA <strong>DE</strong> NOVO HAMBURGO<br />

Presenciei o culto do dia 3 de junho de 2007, com o objetivo de identificar os<br />

instrumentos de comunicação utilizados pela igreja e avaliá-los segundo a ótica das<br />

relações públicas.<br />

Na entrada do prédio onde se reúne a igreja, ficam duas pessoas (um homem e uma<br />

mulher) recepcionando as pessoas. Neste momento, se há visitantes, eles perguntam o<br />

nome da pessoa, e posteriormente passam este nome para a secretária da igreja, com o<br />

intuito de, no momento oportuno, dar a ela as Boas Vindas, em nome da igreja.<br />

O culto está marcado para começar sempre às 19h30. Mas a maioria das pessoas<br />

chega antes e ficam conversando. Percebe-se um clima de grande informalidade nesta<br />

comunidade. Um período de músicas (louvor a Deus) dá início ao culto. Neste momento<br />

toda a igreja é conduzida por uma equipe de louvor, que se posiciona com todos seus<br />

7


instrumentos e equipamentos de som à frente dos membros, em cima de um pequeno palco.<br />

As letras das músicas são impressas em transparências e reproduzidas por um retroprojetor<br />

em uma grande tela presa ao teto, para que todos os membros consigam acompanhar.<br />

Logo depois da primeira música, a líder do louvor chama a secretária da igreja para<br />

dar os avisos. São avisos de cursos que vão começar, eventos que estão para acontecer,<br />

pedidos de oração de algum membro da igreja local ou de outra, etc. Antes de encerrar os<br />

avisos, a secretária dá oportunidade para outros membros que tenham algum aviso<br />

importante pra igreja, também se manifestarem. Não havendo, segue o período de louvor,<br />

que foi até às 8h20min. A equipe de louvor deixa o palco convidando as crianças para irem<br />

para as suas classes onde se dará o culto infantil passando a palavra ao pastor.<br />

Neste momento, enquanto o pastor prega (palestra) para os membros a partir de 12<br />

anos, as crianças são divididas em classes por idades. Cada classe tem uma sala diferente<br />

com 2 facilitadores (“professores”), geralmente um casal, que conta uma história bíblica para<br />

elas, com um princípio para ser aprendido, e em seguida é feita uma atividade prática<br />

através de trabalhos manuais, ou brincadeiras. Estes momentos com as crianças são<br />

baseados em lições de livros evangélicos específicos para cada faixa etária.<br />

A pregação do pastor durou quase uma hora. Ele demonstra ser uma pessoa<br />

simpática e carismática no entanto, sua expressão e tom de voz, tornaram este período<br />

cansativo. Além disso, não foi utilizado nenhum material audiovisual ou didático, o único<br />

instrumento de comunicação utilizado neste momento foi a oratória com apoio da Palavra<br />

escrita (Bíblia) que era acompanhada por quase todos os presentes. Percebia-se que<br />

algumas pessoas conversavam, ou estavam distraídas enquanto ele falava.<br />

Assim que o pastor terminou de falar, ele orou e despediu-se de todos desejando<br />

uma boa semana. Mesmo dando o culto por encerrado, muitos membros ficam<br />

conversando até que fechem as portas, por volta das 21h45.<br />

No prédio onde a igreja se reúne, percebe-se a existência de dois murais: um deles<br />

era o Mural dos Missionários, que continha diversas cartas de missionários amigos e que<br />

esta igreja ajuda de alguma forma; no outro são avisos diversos, como cartaz do jantar dos<br />

namorados, divulgação de cursos, relatório financeiro da igreja, escala do louvor, escala das<br />

pessoas que vão ajudar na “Celebração Infantil” (classes que acontecem durante a palestra<br />

aos adultos), cartões dos serviços oferecidos por alguns membros da igreja, etc. Este último<br />

8


mural, não possui nenhuma separação visível para as diferentes comunicações que se<br />

pretende fazer: onde houver um espaço sobrando, fixa-se um novo aviso.<br />

Por fim, na Igreja Aliança Bíblica de Novo Hamburgo, para se tornar um associado<br />

(ou membro, como costuma-se denominar), há certos pré-requisitos: a pessoa deve ter<br />

aceitado Jesus como seu único senhor e salvador, deve manifestar o desejo de fazer parte<br />

desta igreja (esta é uma decisão pessoal e exclusiva de cada associado, logo, as crianças<br />

são bem vindas - e há um trabalho sério para elas -, mas só se tornam associadas na igreja<br />

quando adquirem maturidade para decidir sem a influência dos pais). Além disso, para ser<br />

um associado, a pessoa deve ser batizada e concluir um curso (de 8h mais ou menos) onde<br />

são informados de todos os valores da igreja e a importância do ato de dizimar (ofertar<br />

dinheiro) para a sustentação da igreja. Depois de todos esses passos, todas as pessoas que<br />

têm interesse em se associar a igreja, sendo aprovados pelo presbitério da mesma, devem<br />

ser aprovadas pela assembléia geral. Esta assembléia acontece uma vez por ano. No<br />

entanto, quando há uma urgência, pode-se marcar uma assembléia extraordinária e nestes<br />

momentos, pode ser realizada a votação para novos membros também.<br />

6 CONSI<strong>DE</strong>RAÇÕES FINAIS<br />

A comunicação é inerente a todo ser humano. Como a Igreja Aliança Bíblica de Novo<br />

Hamburgo é formada por pessoas, consequentemente ela anseia por comunicar-se, e,<br />

assim como qualquer outro tipo de organização, para transmitir a sua mensagem de forma<br />

efetiva, ela utiliza diversos instrumentos. Foi possível identificar alguns destes instrumentos<br />

de comunicação no culto da igreja e classificá-los de acordo com os conceitos de Andrade e<br />

Simões, apresentados anteriormente da seguinte maneira: o próprio culto (aproximativo e<br />

misto), recepção (aproximativo e de saída); avisos (oral e misto); período de louvor (oral,<br />

aproximativo e misto), retroprojetor e equipamentos de som (auxiliar e de saída), pregação<br />

(oral e de saída), Celebração Infantil (oral, escrito, aproximativo e misto), quadro mural<br />

(escrito e misto), conversas informais entre os membros (aproximativo, oral e misto).<br />

Alguns destes instrumentos poderiam ser mais bem explorados e adequados se<br />

houvesse um setor organizado de comunicação na igreja. A própria oratória, de tão grande<br />

utilidade, e que é utilizada na pregação se fosse complementada com instrumentos de<br />

comunicação auxiliar, como imagens, ilustrações, ou fosse melhor planejada com relação ao<br />

tempo que as pessoas conseguem manter-se concentradas, tornaria este momento, que<br />

parece ser o ápice do culto, mais prazeroso e eficaz.<br />

9


REFEREÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:<br />

ANDRA<strong>DE</strong>, Cândido Teobaldo de Souza. Dicionário profissional de relações públicas e<br />

comunicação e glossário de termos anglo-americanos. 2. ed. São Paulo: Summus,<br />

1996.<br />

_________. Para entender Relações Públicas. 4. ed. São Paulo: Loyola, 1993.<br />

CESCA, Cleusa Gertrudes Gimenes. Comunicação dirigida escrita na empresa: teoria e<br />

prática. São Paulo: Summus, 1995.<br />

FORTES, Waldir Gutierrez. Relações Públicas – processo, funções, tecnologia e<br />

estratégias. 2. ed.rev. e ampl. São Paulo: Summus, 2003.<br />

GRU<strong>DE</strong>M, Wayne. Teologia Sistemática: atual e exaustiva. Tradução de Nório<br />

YAMAKAMI, Luci YAMAKAMI e Luiz A. T. SAYÃO. São Paulo: Vida Nova, 1999.<br />

KUNSCH, Margarida Krohling. Planejamento de relações Públicas na Comunicação<br />

Integrada. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Summus, 2003.<br />

KWASNICK, Eunice Laçava. Introdução à administração. São Paulo: Atlas, 1981.<br />

PERUZZO, Cicília Maria Krohling. Observação participante e pesquisa-ação. In: DUARTE,<br />

Jorge (org), BARR<strong>OS</strong>, Antônio. Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. São<br />

Paulo: Atlas, 2005.<br />

SIMÕES, Roberto Porto. Relações Públicas: função política. Novo Hamburgo: Feevale,<br />

1984.<br />

_______. Relações Públicas e Micropolítica. 2. ed. São Paulo: Summus, 2001.<br />

STUMPF, Ida Regina C. Pesquisa Bibliográfica. In: DUARTE, Jorge (org), BARR<strong>OS</strong>,<br />

Antônio. Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. São Paulo: Atlas, 2005.<br />

10

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!