OS INSTRUMENTOS DE RELAÇÕES PÚBLICAS DA IGREJA ...
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<strong>OS</strong> INSTRUMENT<strong>OS</strong> <strong>DE</strong> <strong>RELAÇÕES</strong> <strong>PÚBLICAS</strong> <strong>DA</strong> <strong>IGREJA</strong> ALIANÇA BÍBLICA <strong>DE</strong><br />
NOVO HAMBURGO<br />
Resumo:<br />
Michele Schunck Ávila*<br />
Através das pesquisas teóricas este artigo busca esclarecer conceitos da teoria e do<br />
operacional da atividade de Relações Públicas, bem como trazer apontamentos sobre os<br />
instrumentos de comunicação utilizados pela categoria. Além disso, com aporte em<br />
classificações teóricas de autores, permitiu-se enxergar a Igreja Aliança bíblica de novo<br />
Hamburgo como uma organização e identificar os instrumentos de comunicação utilizados<br />
no seu culto, por meio de uma observação participante.<br />
Palavras-chave: Relações Públicas. Instrumentos de Comunicação. Organização. Igreja.<br />
1 INTRODUÇÃO<br />
Como estudante de Relações Públicas (RRPP) e membro da Igreja Aliança Bíblica<br />
de Novo Hamburgo, passei a observar mais atentamente a forma que se dá sua<br />
comunicação, observando sua estrutura hierárquica, os relacionamentos existentes entre os<br />
membros e entre esses e a organização, seus canais de comunicação (ou a falta deles).<br />
Partindo deste contexto, este artigo tem como objetivo identificar instrumentos de<br />
comunicação utilizados especificamente no culto desta igreja e classificá-los sob a ótica das<br />
relações públicas. A metodologia utilizada será a pesquisa participante 1 e a pesquisa<br />
bibliográfica 2 . Este tema será abordado com mais profundidade no meu Trabalho de<br />
Conclusão de Curso.<br />
É interressante perceber que a atividade de RRPP existe em grande parte das<br />
organizações. No entanto, em sua maioria, não é exercida com este nome, nem mesmo por<br />
profissionais competentes. CESCA (1195, p.25)<br />
* Graduanda do curso de Comunicação Social – Habilitação Relações Públicas (UNISIN<strong>OS</strong>)<br />
1 De acordo com PERUZZO (Apud DUARTE e BARR<strong>OS</strong> - 2005, p.132), pesquisa participante é<br />
“baseada na interação ativa entre pesquisador e grupo pesquisado e, principalmente, na conjugação<br />
da investigação com os processos mais amplos de ação social e de apropriação coletiva do<br />
conhecimento, com a finalidade de transpor o povo em sujeito político”.<br />
2 De acordo com STUNPF (Apud DUARTE e BARR<strong>OS</strong> – 2005, p. 51), num sentido mais amplo,<br />
pesquisa bibliográfica “é o planejamento global inicial de qualquer pesquisa que vai desde a<br />
identificação, localização e obtenção da bibliografia pertinente sobre o assunto, até a apresentação<br />
1
Para dar início ao trabalho, é de fundamental importância que se esclareçam,<br />
primeiramente, os conceitos da atividade de Relações Públicas.<br />
2 <strong>RELAÇÕES</strong> <strong>PÚBLICAS</strong><br />
De acordo com a definição oficial defendida pela Associação Brasileira de Relações<br />
Públicas (ABRP), Relações Públicas é “(..) o esforço deliberado, planificado, coeso e<br />
contínuo da alta administração, para estabelecer uma organização, pública ou privada, e<br />
seu pessoal, assim como entre essa organização e todos os grupos aos quais está ligada,<br />
direta ou indiretamente”. (ANDRA<strong>DE</strong>,1993, p. 41)<br />
Observa-se que a definição da ABRP, embora seja a “oficial”, parece pouco<br />
esclarecedora, e acaba sendo insuficiente como referência de estudo. Muitos autores da<br />
área têm discutido, pesquisado e conceitualizado a atividade sob outros aspectos. Aliás,<br />
vale lembrar que esta é uma das dificuldades encontradas pela categoria de RP: o fato de<br />
não haver um consenso quanto a sua definição conceitual<br />
De forma objetiva e clara, Lesly (1995, p. 3) afirma que essa atividade consiste em<br />
“ajudar uma organização e seus públicos a mutuamente se adaptar uns aos outros”. Este é<br />
o grande conflito da atividade de RP, a adaptação dos interesses individuais e distintos entre<br />
os públicos e a organização.<br />
Nesta mesma linha de raciocínio, França (1997, p.9) aborda a atividade de RP no<br />
campo da ação política e na multivariedade de suas funções:<br />
... o profissional de relações públicas tem seu campo de ação na política de<br />
relacionamento da organização, estabelecendo as formas dos<br />
relacionamentos institucionais e mercadológicos à luz de princípios de<br />
comunicação de aplicação universal a todas as áreas da organização. (...)<br />
pode-se afirmar a multivariedade das funções de relações públicas:<br />
estratégica, política, institucional, mercadológica, social, comunitária,<br />
cultural, etc. (...) Portanto, a atividade de relações públicas constitui uma<br />
estratégia fundamental para o sucesso das empresas e o profissional que a<br />
conduz deve ser um estrategista da comunicação e do relacionamento.<br />
de um texto sistematizado, onde é apresentada toda a literatura que o aluno examinou, de forma a<br />
evidenciar o entendimento do pensamento dos autores, acrescido de suas próprias idéias e opiniões”.<br />
2
Roberto Porto Simões, professor e pesquisador da PUC-RS e um dos autores<br />
nacionais mais conceituados da área, conceitua a atividade como gestora da função<br />
organizacional política.<br />
Segundo ele, os cientistas de teorias das organizações têm explicado as ações<br />
interligadas de uma organização por meio de seis funções ou subsistemas organizacionais<br />
(de produção, financeira, marketing, recursos humanos, pesquisa e desenvolvimento e<br />
administração geral). No entanto, Simões defende uma sétima, designada função política.<br />
Segundo ele, entenda-se por função política a filosofia, as políticas e as ações inter-<br />
relacionadas que, sob o enfoque de relação de poder/comunicação, visam à consecução da<br />
missão organizacional. Todas as funções organizacionais visam cumprir a missão da<br />
organização segundo a ótica específica de cada uma delas. A função política se refere à<br />
relação de poder que existe entre os públicos da organização, que por sua vez podem<br />
interceptar ou desviar sua trajetória. Essa relação de poder constitui um jogo de influências<br />
e tomadas de decisões, em que o conflito e a cooperação fazem parte da dinamicidade<br />
deste jogo. Causa e solução do problema são explicadas na esfera da ciência política,<br />
defende o autor. Observando que as seis funções organizacionais citadas possuem um<br />
gerente específico, o autor conclui que a função política também deveria possuir um. O<br />
gerenciamento desta função cabe à atividade de Relações Públicas. Logo, a atividade<br />
(profissional) de relações Públicas é a Gestão da Função Organizacional Política. (SIMÕES,<br />
2001, p. 51)<br />
Para Simões (1984, p.66), além da definição conceitual, (que diz o que é a<br />
atividade), existe uma definição operacional (que explica o que ela faz). Esta última sim, é<br />
entendida de forma mais clara e uniforme pela categoria.<br />
Conhecida como “Acordo do México”, foi aprovada por 33 associações nacionais na I<br />
Assembléia Mundial de Associações de Relações Públicas, realizada na cidade do México,<br />
uma definição operacional da atividade. Segundo ela,<br />
“O exercício da profissão de Relações Públicas requer ação planejada,<br />
com apoio da pesquisa, comunicação sistemática e participação<br />
programada, para elevar o nível de entendimento, solidariedade e<br />
colaboração entre uma entidade, pública ou privada, e os grupos sociais a<br />
ela ligados, num processo de interação de interesses legítimos, para<br />
promover seu desenvolvimento recíproco e da comunidade a que<br />
pertencem”. (ANDRA<strong>DE</strong>, 1993, p.42)<br />
Em consonância com a definição do “Acordo do México”, Simões (2006, p.70) afirma,<br />
de forma mais clara e objetiva, que as relações públicas possuem 6 funções operacionais<br />
3
ásicas. Estas funções seguem uma ordem lógica e são as seguintes: (1) pesquisar (2)<br />
diagnosticar, (3) prognosticar, (4) assessorar e (5) implementar e (6) avaliar e controlar.<br />
Segundo o autor, é preciso pesquisar para poder realizar um diagnóstico do sistema<br />
organização-públicos 3 . Segundo ele, “diagnóstico é a conclusão da análise de como se<br />
encontra a organização em face aos interesses de todos os seus públicos ou de um<br />
especificamente” (2001, p. 36). Depois desta etapa, vem o prognóstico, que indicará o que<br />
deve e o que não deve ser feito, bem como a urgência de sua realização. O quarto, é<br />
“assessorar as lideranças organizacionais quanto às políticas administrativas e, a seguir, em<br />
outra etapa, implementar programas planejados de comunicação a fim de que a consecução<br />
da missão organizacional seja eficaz” (2001, p. 37). Por último, é de fundamental<br />
importância avaliar constantemente os resultados destes programas implementados para<br />
que se possa fazer a manutenção dos mesmos conforme necessidade. (SIMÕES, 2001, p.<br />
36-38)<br />
Com base nas reflexões de autores mencionados aqui, é possível verificar que o<br />
núcleo da atividade de relações públicas está na esfera dos relacionamentos com um papel<br />
de explicitador das divergências entre os públicos e as organizações, tendo como objetivo<br />
primordial facilitar a compreensão entre ambos a fim de promover o cumprimento da missão<br />
organizacional. Além disso, é possível concluir que operacionalmente as relações públicas<br />
necessitam de instrumentos de comunicação específicos que permitam a consecução<br />
efetiva das suas funções.<br />
3 INTRUMENT<strong>OS</strong> <strong>DE</strong> COMUNICAÇÃO EM <strong>RELAÇÕES</strong> <strong>PÚBLICAS</strong><br />
As funções exercidas pelas relações públicas precisam ser bem pensadas, estudas e<br />
elaboradas estrategicamente de acordo com o público e o objetivo a ser atingido. Neste<br />
sentido, Cesca (1995, p.28) afirma ser preciso:<br />
definições dos objetivos com base na política, da empresa; determinação<br />
do público com o qual se vai trabalhar; aplicação de estratégias<br />
adequadas; determinação de recursos técnicos e humanos necessários;<br />
fatores condicionantes para a execução; orçamento previsto para<br />
aprovação da diretoria; implantação, que é a colocação do projeto em<br />
execução; acompanhamento e controle de todas as atividades; e avaliação<br />
dos resultados obtidos.<br />
3 O sistema organização-público e explicado com mais profundidade em Simões (1984, p. 39-40).<br />
4
Em meio a diversos fatores que contribuem para o desenvolvimento efetivo da<br />
atividade das relações públicas, está a definição do público alvo, que irá nortear a<br />
elaboração de estratégias apropriadas. É importante ressaltar que não deve-se ignorar a<br />
forma distinta que cada público tem de se comunicar. Por isso, faz-se necessário utilizar um<br />
instrumento de comunicação específico, com linguagem adequada para cada um deles<br />
desta forma é possível evitar percepções e interpretações inadequadas. De acordo com<br />
Simões (1984, P. 106) “entende-se por instrumentos o mesmo que técnicas, isto é, todos os<br />
recursos que são utilizados no processo de Relações Públicas (de forma extrínseca) e<br />
servem para controlá-lo”. Fortes (2003, p.239) afirma que estes instrumentos propiciam “as<br />
maiores chances de obter um resultado positivo, contribuindo com o relacionamento que se<br />
pretende fixar”.<br />
Os instrumentos de comunicação são classificados por Simões (2001, p. 60) com<br />
base no significado dos termos comunicação e fluxo das mensagens. Desta forma, ele se<br />
refere aos instrumentos como: “de entrada, que trazem mensagens; de saída: que levam<br />
mensagens e mista, quer dizer, direcionadas, que trazem e levam mensagens”. Esta é uma<br />
classificação simples, e que consegue abranger todos os tipos possíveis de instrumentos de<br />
comunicação.<br />
Andrade (1996, P. 34) afirma que os instrumentos utilizados em RRPP que são<br />
dirigidos para públicos específicos têm “a finalidade de transmitir, conduzir e algumas vezes<br />
recuperar informações, para estabelecer a comunicação limitada, orientada e freqüente com<br />
selecionado número de pessoas homogêneas e conhecidas”, dando subsídios para a<br />
construção de relacionamentos sólidos com os públicos. Percebe-se que para adquirir o<br />
resultado esperado, o contato com os públicos não deve ser apenas em alguns momentos<br />
esporádicos, mas constante. O autor ainda classifica esses instrumentos em escritos –<br />
transmitem a comunicação de forma escrita para um determinado público (ex.: Informativos,<br />
avisos, cartazes, volantes), orais - transmitem a comunicação através da palavra oral para<br />
determinado público (ex.: conversas pessoais, o telefone, reuniões), auxiliares – são os<br />
recursos auxiliares ou recursos audiovisuais (ex.: retroprojetor, mídias, fotografias, jogos) e<br />
aproximativos - proporcionam o estabelecimento de relações pessoais diretas entre a<br />
organização e um determinado público (ex.: serviços de prestação de informação, visitas<br />
dirigidas à empresa, a extensão comunitária, negociação).<br />
5
Os dois autores citados acima, se diferem na forma de classificar os instrumentos de<br />
comunicação. No entanto, ambas classificações são aceitas e tem seu reconhecimento e<br />
utilidade prática para a categoria.<br />
4 A <strong>IGREJA</strong> COMO ORGANIZAÇÃO<br />
O objetivo aqui não é fazer um estudo expansivo e aprofundado sobre a história e<br />
todos os fundamentos teóricos relativos às organizações e suas tipologias (classificações).<br />
O intuito é de apenas elucidar alguns conceitos básicos a fim de poder entender a Igreja<br />
Aliança Bíblica de Novo Hamburgo como uma organização. Desta forma, será possível<br />
analisar com clareza a comunicação pertinente a ela sob o olhar das relações públicas, pois,<br />
de acordo com KUNSCH (2003, p.49) “o conhecimento das tipologias e da natureza<br />
intrínseca das organizações é condição essencial para planejar a comunicação com<br />
eficácia”.<br />
Pode-se entender a organização como a “expressão de um agrupamento planejado<br />
de pessoas que desempenham funções e trabalham conjuntamente para atingir objetivos<br />
comuns” KUNSCH (2003, p.23). As organizações podem ser classificadas de diversas<br />
formas. Para este caso, se faz oportuno esclarecer a classificação quanto às formas de<br />
propriedade e de acordo com a função que exercem na sociedade.<br />
Para Lacava (1981, p. 173) a classificação abaixo consegue abranger “todas as<br />
atividades possíveis de serem organizadas” quanto à função que exercem:<br />
1. Serviço: organizações que existem para servir pessoas que<br />
necessitam das atividades desenvolvidas por essas organizações, sem<br />
pagamento pelas assistências recebidas.<br />
2. Econômica: organização que produz e distribui mercadorias e serviços<br />
por meio de alguma forma de pagamento.<br />
3. Religião: grupos que servem às necessidades espirituais de seus<br />
membros.<br />
4. Proteção: organização que tem como objetivo proteger a população<br />
5. Governamental: que tem a finalidade específica de governar uma<br />
unidade da população<br />
6. Social: organização que serve para atender às necessidades de seus<br />
membros de manter uma atividade social ou pertencer a um grupo social.<br />
Quanto às formas de propriedade (1981, p. 206-217), podemos citar a propriedade<br />
individual, a associação, a organização cooperativa, a sociedade anônima, e a combinação<br />
6
de sociedade anônima ou corporações. Segundo o autor “propriedade é um termo jurídico<br />
que significa o direito legal de uma coisa, ou o direito de possuir ou dispor de uma coisa”.<br />
(1981, p.206)<br />
Para poder entender a Igreja Aliança Bíblica de Novo Hamburgo como uma<br />
organização, faz-se prudente definir o termo igreja. A maior parte das pessoas se refere à<br />
igreja como o local onde os cristãos se encontram para aprender a adorar a Deus. No<br />
entanto, de acordo com GRU<strong>DE</strong>M (1999, p. 715), “a igreja é a comunidade de todos os<br />
cristãos de todos os tempos”. Esta definição, que é baseada em diversas passagens<br />
bíblicas, enfoca as pessoas, e não o local. E é desta forma que a Igreja Aliança Bíblica de<br />
Novo Hamburgo entende ser igreja.<br />
Com base nas classificações de Lacava, pode-se verificar que a igreja Aliança<br />
Bíblica de Novo Hamburgo é uma organização religiosa, por ter a função de servir às<br />
necessidades espirituais de seus membros, e juridicamente adota o caráter de associação.<br />
Na associação as pessoas se associam para dirigir a organização. Entre outras<br />
características, destaca-se que cada uma destas pessoas “realiza uma parte do trabalho, e<br />
sua associação oferece à empresa um capital maior e um número maior de trabalhadores<br />
qualificados para as operações da empresa, assim como uma direção que tem o interesse<br />
próprio, como um incentivo para o êxito”. (LACAVA, 1981, p.206)<br />
5 O CULTO <strong>DA</strong> <strong>IGREJA</strong> ALIANÇA BÍBLICA <strong>DE</strong> NOVO HAMBURGO<br />
Presenciei o culto do dia 3 de junho de 2007, com o objetivo de identificar os<br />
instrumentos de comunicação utilizados pela igreja e avaliá-los segundo a ótica das<br />
relações públicas.<br />
Na entrada do prédio onde se reúne a igreja, ficam duas pessoas (um homem e uma<br />
mulher) recepcionando as pessoas. Neste momento, se há visitantes, eles perguntam o<br />
nome da pessoa, e posteriormente passam este nome para a secretária da igreja, com o<br />
intuito de, no momento oportuno, dar a ela as Boas Vindas, em nome da igreja.<br />
O culto está marcado para começar sempre às 19h30. Mas a maioria das pessoas<br />
chega antes e ficam conversando. Percebe-se um clima de grande informalidade nesta<br />
comunidade. Um período de músicas (louvor a Deus) dá início ao culto. Neste momento<br />
toda a igreja é conduzida por uma equipe de louvor, que se posiciona com todos seus<br />
7
instrumentos e equipamentos de som à frente dos membros, em cima de um pequeno palco.<br />
As letras das músicas são impressas em transparências e reproduzidas por um retroprojetor<br />
em uma grande tela presa ao teto, para que todos os membros consigam acompanhar.<br />
Logo depois da primeira música, a líder do louvor chama a secretária da igreja para<br />
dar os avisos. São avisos de cursos que vão começar, eventos que estão para acontecer,<br />
pedidos de oração de algum membro da igreja local ou de outra, etc. Antes de encerrar os<br />
avisos, a secretária dá oportunidade para outros membros que tenham algum aviso<br />
importante pra igreja, também se manifestarem. Não havendo, segue o período de louvor,<br />
que foi até às 8h20min. A equipe de louvor deixa o palco convidando as crianças para irem<br />
para as suas classes onde se dará o culto infantil passando a palavra ao pastor.<br />
Neste momento, enquanto o pastor prega (palestra) para os membros a partir de 12<br />
anos, as crianças são divididas em classes por idades. Cada classe tem uma sala diferente<br />
com 2 facilitadores (“professores”), geralmente um casal, que conta uma história bíblica para<br />
elas, com um princípio para ser aprendido, e em seguida é feita uma atividade prática<br />
através de trabalhos manuais, ou brincadeiras. Estes momentos com as crianças são<br />
baseados em lições de livros evangélicos específicos para cada faixa etária.<br />
A pregação do pastor durou quase uma hora. Ele demonstra ser uma pessoa<br />
simpática e carismática no entanto, sua expressão e tom de voz, tornaram este período<br />
cansativo. Além disso, não foi utilizado nenhum material audiovisual ou didático, o único<br />
instrumento de comunicação utilizado neste momento foi a oratória com apoio da Palavra<br />
escrita (Bíblia) que era acompanhada por quase todos os presentes. Percebia-se que<br />
algumas pessoas conversavam, ou estavam distraídas enquanto ele falava.<br />
Assim que o pastor terminou de falar, ele orou e despediu-se de todos desejando<br />
uma boa semana. Mesmo dando o culto por encerrado, muitos membros ficam<br />
conversando até que fechem as portas, por volta das 21h45.<br />
No prédio onde a igreja se reúne, percebe-se a existência de dois murais: um deles<br />
era o Mural dos Missionários, que continha diversas cartas de missionários amigos e que<br />
esta igreja ajuda de alguma forma; no outro são avisos diversos, como cartaz do jantar dos<br />
namorados, divulgação de cursos, relatório financeiro da igreja, escala do louvor, escala das<br />
pessoas que vão ajudar na “Celebração Infantil” (classes que acontecem durante a palestra<br />
aos adultos), cartões dos serviços oferecidos por alguns membros da igreja, etc. Este último<br />
8
mural, não possui nenhuma separação visível para as diferentes comunicações que se<br />
pretende fazer: onde houver um espaço sobrando, fixa-se um novo aviso.<br />
Por fim, na Igreja Aliança Bíblica de Novo Hamburgo, para se tornar um associado<br />
(ou membro, como costuma-se denominar), há certos pré-requisitos: a pessoa deve ter<br />
aceitado Jesus como seu único senhor e salvador, deve manifestar o desejo de fazer parte<br />
desta igreja (esta é uma decisão pessoal e exclusiva de cada associado, logo, as crianças<br />
são bem vindas - e há um trabalho sério para elas -, mas só se tornam associadas na igreja<br />
quando adquirem maturidade para decidir sem a influência dos pais). Além disso, para ser<br />
um associado, a pessoa deve ser batizada e concluir um curso (de 8h mais ou menos) onde<br />
são informados de todos os valores da igreja e a importância do ato de dizimar (ofertar<br />
dinheiro) para a sustentação da igreja. Depois de todos esses passos, todas as pessoas que<br />
têm interesse em se associar a igreja, sendo aprovados pelo presbitério da mesma, devem<br />
ser aprovadas pela assembléia geral. Esta assembléia acontece uma vez por ano. No<br />
entanto, quando há uma urgência, pode-se marcar uma assembléia extraordinária e nestes<br />
momentos, pode ser realizada a votação para novos membros também.<br />
6 CONSI<strong>DE</strong>RAÇÕES FINAIS<br />
A comunicação é inerente a todo ser humano. Como a Igreja Aliança Bíblica de Novo<br />
Hamburgo é formada por pessoas, consequentemente ela anseia por comunicar-se, e,<br />
assim como qualquer outro tipo de organização, para transmitir a sua mensagem de forma<br />
efetiva, ela utiliza diversos instrumentos. Foi possível identificar alguns destes instrumentos<br />
de comunicação no culto da igreja e classificá-los de acordo com os conceitos de Andrade e<br />
Simões, apresentados anteriormente da seguinte maneira: o próprio culto (aproximativo e<br />
misto), recepção (aproximativo e de saída); avisos (oral e misto); período de louvor (oral,<br />
aproximativo e misto), retroprojetor e equipamentos de som (auxiliar e de saída), pregação<br />
(oral e de saída), Celebração Infantil (oral, escrito, aproximativo e misto), quadro mural<br />
(escrito e misto), conversas informais entre os membros (aproximativo, oral e misto).<br />
Alguns destes instrumentos poderiam ser mais bem explorados e adequados se<br />
houvesse um setor organizado de comunicação na igreja. A própria oratória, de tão grande<br />
utilidade, e que é utilizada na pregação se fosse complementada com instrumentos de<br />
comunicação auxiliar, como imagens, ilustrações, ou fosse melhor planejada com relação ao<br />
tempo que as pessoas conseguem manter-se concentradas, tornaria este momento, que<br />
parece ser o ápice do culto, mais prazeroso e eficaz.<br />
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