artesanato, arte, icloud, skype, o ontem eo hoje - Construtora ...

lindenberg.com.br

artesanato, arte, icloud, skype, o ontem eo hoje - Construtora ...

40

artesanato, arte,

Icloud, skype,

o ontem e o hoje


editorial

2

Lindenberg & Life

Uma passagem que liga a criação artesanal do passado às tecnologias do presente

A

cada edição da revista Lindenberg & Life pensamos em um tema para nortear nossa

pauta. Falamos de verde e sustentabilidade, de escritórios e tecnologia, de arte,

e fechamos 2011 com o branco da paz que todos desejamos. Para abrir 2012 fomos

mais ousados e buscamos desenhar, em textos e imagens, o fio que liga passado e presente,

artesanato e tecnologia.

Partimos da expressão espontânea da arte de Véio, que a partir das formas de troncos

rejeitados pela natureza cria personagens que representam o imaginário do sertão, obras

expostas a céu aberto no interior de Sergipe, descobertas por Vilma Eid, da Galeria Estação,

e que serão exibidas na Fundação Cartier, em Paris. Atravessamos as passagens fotografadas

por Valentino Fialdini, tema de sua próxima exposição, e que tem uma de suas

fotos publicada, em primeira mão, pela Lindenberg & Life (página 16) e desembocamos no

hoje – porque o futuro é o hoje.

Jaime Lerner, revolucionário prefeito de Curitiba, no Paraná, alardeava nos anos 1980 que

todos deveriam viver e trabalhar num raio de seis quilômetros de casa. As teorias, hoje,

algumas já colocadas em prática em cidades pelo mundo, são a formação de ilhas autossuficientes

dentro das megalópoles e o trabalho a distância, onde cada envolvido está em uma

cidade ou país, e todos se comunicam por meio das novas tecnologias. Caso da agência de

tendências da paulista Karina Arruda, CEO da Inspiral, que vive na Suíça e tem colaboradores

espalhados pelos quatro cantos do mundo.

E fomos completando o pontilhado dessa tênue linha que une o ontem e o hoje com temas

afins, como a entrevista com o MMBB, escritório de arquitetura que repensa o modelo

das grandes cidades e acaba de remodelar a favela Jardim Edite, em São Paulo, enquanto

um grupo de jovens universitários constrói moradias para quem vive em situação de risco,

parte do projeto Um Teto para o meu País. Na outra ponta surge um novo consumo mais

consciente e sustentável em substituição ao que o economista americano Thorstein Veblen

convencionou chamar de consumo conspícuo.

Mas não é só. Há mais, muito mais, para se ler e ver nesta primeira Lindenberg & Life de

2012, uma quarentona cheia de vida e energia. Boa leitura.

Adolpho Lindenberg Filho e Flávio Buazar

Foto: Inés Antich


sumário

4

Lindenberg & Life

08

40

08 Notas De tudo um pouco

16 Prólogo Passagens

20 Cidade Hortolândia

28 Um outro olhar Raízes

36 Poéticas Urbanas Palavras da vez

38 Urbano O segredo para cidades mais felizes

40 Entrevista MMBB

46 Laboratório Um teto para o meu País

36

Maria Eugênia

Maria Eugênia

38 16 foto

28

Maria Eugênia

foto Roberto Cecato

46

20

Valentino Fialdini

fotos Felipe Reis

para revenda nacional acesse o site www.entreposto.com.br

fotos: Romulo Fialdini

Avenida Cidade Jardim, 187 Jardim Europa 01453 000 São Paulo t| [11] 2189 0000 f| [11]3063 2741

www.entreposto.com.br


sumário

6

Lindenberg & Life

foto Valentino Fialdini

62

fotos divulgação

Maria Eugênia

82

54

74

Nossa Capa

56

54 Consumo Uma mudança de atitude

56 Arte As personagens de Véio

62 Personna Uma casa suspensa

70 5 Experiências Arte urbana

72 Qualidade de Vida Sucos funcionais

74 Turismo O cinema como inspiração

82 Filantropia Perfil de um doador

86 Vendo um Lindenberg

88 Em obras

Indochina

ValentIno FIaldInI

Fotografia preto e branco

Galeria Zíper

70

72

foto Gal Oppido

é uma publicação da

Construtora Adolpho Lindenberg.

Ano 10, número 40, 2012

Conselho Editorial

Adolpho Lindenberg Filho,

Flávio Buazar, Ricardo Jardim,

Rosilene Fontes, Renata Ikeda

Marketing

Renata Ikeda

Direção de arte

Lili Tedde

Editora-chefe

Maiá Mendonça

Marianne Piemonte

Colaboradores

Ana C. Soares, Baixo Ribeiro, Felipe

Reis, Instituto Azzi, Judite Scholz,

Juliana Saad, Juliana Vilas, Manuela

Aquino, Maria Eugênia, Marina

Fuentes, Roberto Cecato, Rosilene

Fontes, Valentino Fialdini

Revisor

Claudio Eduardo Nogueira Ramos

Arte

Tatiana Bond

Publicidade

Cláudia Campos,

tel. (11) 3041.2775

cel. (11) 9910.4427

lindenberglife@lindenberg.com.br

Gráfica

Pancrom

lindenberg & life não se responsabiliza

pelos conceitos

emitidos nos artigos assinados.

As pessoas que não constam do

expediente da revista não têm

autorização para falar em nome

de lindenberg & life ou retirar

qualquer tipo de material para

produção de editorial caso não

tenham em seu poder uma carta

atualizada e datada, em papel

timbrado, assinada por pessoa

que conste do expediente.

Lindenberg & Life

R. Joaquim Floriano, 466, Bloco C,

2º andar, São Paulo, SP, tel. 3041-5620

www.lindenberg.com.br

Jornalista Responsável

Maiá Mendonça (Mtb 20.225)

A tiragem desta edição de 10.000

exemplares foi auditada por PwC.


notas

8

Lindenberg & Life

Brincadeira séria

Somar função e emoção para transformar inovação

em cotidiano é a máxima que a italiana Skitsch segue

em seus móveis e objetos lúdicos, assinados por nomes

de peso como Front, Marcel Wanders, Marteen Baas,

J , p

Flamboyant, de acrílico, assinada por Alessandro Dubini.

Skitsch, Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 264.

Tel. (11) 3467-9700, skitsch.com.br

Corpo é movimento

A coordenação motora nos faz escultores. Se nos

pensarmos como esculturas móveis, dizia Suzanne

Piret, que, com Béziers e Hunsinger, desenvolveu

um método de trabalho que combina a organização

motora à estruturação da personalidade. Seguidoras

do método GDS, as fisioterapeutas Dulce Estevam

e Presciliana Araujo e a bailarina Monica Monteiro

se uniram e ministram o curso Coordenação Motora

(aulas práticas e teóricas em três módulos), que

pretende ensinar noções de tridimensionalidade, o

uso do espaço e a correta utilização dos músculos

para a reorganização do corpo.

Mais informações: Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 436,

tel. (11) 3283-1157 e 3085-8556

Apoio

Vestida para sentar

Apreciação, reconhecimento, separação e reinvenção são os valores que norteiam o trabalho que o

arquiteto e designer de móveis alemão Tobias Juretzek, premiado com The Chicago Athenaeum Good

Design Award 2011, faz em seu ateliê em Berlim. Pensar e agir sobre questões contemporâneas levaram

o artista a reciclar a ideia cadeira com o uso de roupas que se vão desgastando com o tempo. A cadeira

Rememberme Chair é um dos exemplos e exclusividade da Benedixt.

Rua Haddock Lobo, 1.584, tel. (11) 3081-5606, benedixt.com.br

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m laca, pode ser chamada

design é de Bernardo

olvido pelo Studio Schuster.

Star Home Bela Cintra, 1.737, tel. (11)

home.com.br

fotos divulgação


notas

10

Lindenberg & Life

Gourmandise

Ah, Bordeaux na primavera! Quando o sol brilha,

a temperatura é amena, e a cidade convida a

flanar por suas ruas admirando a maravilhosa

arquitetura. Se estar em Bordeaux é uma delícia,

hospedar-se no Grand Hotel de Bordeaux &

Spa, o belíssimo palácio do século 17 (que foi

recentemente renovado e volta a fazer parte do

legendário trio de “endereços a visitar” que inclui

a Place de La Comédie e o Grand Theatre), é

como uma viagem ao passado. Para os amantes

dos prazeres da mesa, o hotel criou o Wine

Concierge, um serviço desenhado para quem

quer conhecer os châteaux da região, participar

de degustações e de jantares harmonizados

nas vinícolas locais. Impossível não provar a

gastronomia do chef Pascal Nibaudeau, no Le

Pressoir d’Argent, o restaurante do hotel estrelado

pelo Guia Michelin. Para relaxar, dê um pulo

no spa Les Bains de Léa, inspirado nos antigos

banhos romanos. A vista é um espetáculo, os

tratamentos, então, nem se fala.

Tel. +33 (0)5 57 30 44 44 ghbordeaux.com/fr

The Leading Hotels of the World: (11) 3171-4000.

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Feito com madeira freijó laqueada, o aparador com

duas gavetas é um básico.

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natureza está nas mesas da Tania Bulhões Home. Brasileira

e corpo e alma, Tania criou a coleção de tableware Jardim

otânico Pássaros do Brasil, feita em Limoges, na França.

ão quatro estampas diferentes – Uirapiana na Jabuticabeira,

ratinga na Goiabeira, Tucano no Caquizeiro e Guaruba no

bacateiro – que enfeitam sets de porcelana completos para

ntar, café, chá e sousplats. Très chic!

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notas

12

Lindenberg & Life

Time de bambas

Você sabia que a Donatelli Tecidos além de estofar

também reforma sofás e poltronas? O veludo Cobra,

italiano, pode ser uma dica.

Alameda São Gabriel, 102, tel. (11) 3885-6988, donatelli.com.br

Zigue-zague

A grife Missoni, há muito anos, é sinônimo de

elegância e de qualidade. Seja na moda, seja

na casa. Instalada no coração dos Jardins, em

São Paulo, a Missoni Home é a mais perfeita

tradução do estilo da marca italiana. Lá estão

os zigue-zagues e pixels que fizeram a fama

da Missoni aplicados em tecidos e móveis. E

como moda e casa eram pouco para o grupo,

eles partiram para a hotelaria. O primeiro

está em Edimburgo, na Escócia. O segundo?

Inaugura, talvez ainda no final deste ano, na

Ilha de Cajaíba, na Bahia.

Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 338,

tel. (11) 2597-3004, missonihome.com

À prova de tempo

Feita com peroba-rosa de demolição,

a espreguiçadeira Malui resiste a

chuvas e a tempestades.

Raízes Design, Alameda Gabriel

Monteiro da Silva, 276,

tel. (11) 2597-3084, raizesdesign.com.br

Design e artesanato

Jornalista das mais gabaritadas, Adélia

Borges se apaixonou por design no tempo

em que dirigiu a redação da revista Design

e Interiores. Hoje, além dos livros e textos

que escreve, faz curadoria de exposições,

palestras e ministra aulas. Depois de mais

de dez livros, a ex-diretora do Museu da

Casa Brasileira debruçou-se sobre os temas

design e artesanato e acaba de lançar, pela

editora Terceiro Nome, o livro Design +

Artesanato: o caminho brasileiro, onde

mostra a revitalização do artesanato

brasileiro, a partir dos anos 1990.

A proposta da autora é enfraquecer a

ideia de inferioridade do feito à mão no

Brasil e mostrar o potencial do nosso

material em um livro de 240 páginas,

ricamente ilustrado, com versão em inglês.

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Foto: Raul Fonseca

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notas

14

Lindenberg & Life

Alta temperatura

Há 26 anos, a artista plástica Bia Ferreira da Rosa

vive cercada por tornos, moldes e placas de argila.

Com elas cria, artesanalmente, uma infinidade de

utensílios para a casa e a cozinha que têm o seu

DNA. Usando esmalte inofensivo, e queimas em

altíssimas temperaturas, uma nova coleção com

tempero indiano chegou ao ateliê.

Vale a pena conferir.

Rua Sampaio Vidal, 388, casa 3,

tel. (11) 3082-5989, biaceramica.com.br

Almofada feita com tecido sintético Jakob Schlaepfer,

na Safira Sedas.

Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 348, tel. (11) 3081-5146,

safirasedas.com.br

de herança

Ele parece um contêiner de

navio, mas não é.

O bauzinho de aço carbono

com pintura eletrostática é, na

verdade, um pequeno armário,

com porta e prateleira.

Estar Móveis, Avenida Ibirapuera,

3.303, tel. (11) 5542-2494,

www.estarmoveis.com.br

uma dessas pessoas apaixonadas por arte, que

e conhecer a fundo esse universo, e montar sua

articular e não sabe por onde começar, procure o

| Escritório de Arte, montado pela dupla Beatriz

arita e Carla Guarita, duas mulheres com a

ngue. A primeira é filha do colecionador Jorge

iveu ao lado do pai colecionando, catalogando

ndo peças para sua coleção particular, Carla

a museóloga Sonia Guarita do Amaral e

ada em arte e design. Mais do que uma galeria,

ontou o escritório para também assessorar

ão e gestão de coleções de arte, entre outras

. Em seu portfólio de artistas, nomes como

e Castro (foto), considerado um dos maiores

do Brasil, que se descobriu escultor ao cortar e

ço, criando geometrias impressionantes que são

egistrada de seu trabalho.

Escritório de Arte Arte, goart.com.br

fotos divulgação


Escultor

de imagens

Arquiteto, escultor ou fotógrafo?

Valentino Fialdini descobriu-se nas três

artes. Esculpe com o apuro da arquitetura

as passagens que quer fotografar

Por Maiá Mendonça | Fotos Valentino Fialdini


prólogo

18

Lindenberg & Life

Q

Quem vê o trabalho autoral do fotógrafo

Valentino Fialdini enxerga o que quer.

Qlembranças

Podem ser quadradinhos coloridos,

lembranças de viagens, fragmentos de realidade.

Mas há muito mais por trás dessas imagens. Há

um conceito, um pensar, uma filosofia? Quem

sabe, são tantos os olhares...

Valentino Fialdini é fascinado pelas profundidades,

pelas passagens, pelos corredores que vão

daqui até qualquer lugar. Um elevador serve

de inspiração, a simetria de colunas, as frestas.

“A maioria das pessoas não percebe o quão interessante

pode ser uma passagem, um corredor.

Uma passagem pode ser tudo”, diz. Mas esse foi

apenas o começo de um caminho que ele vem

percorrendo desde a exposição Lego, que aconteceu

na Galeria Zipper.

“Quando fui convidado a expor, o Fabio Cimino

me disse: aqui é uma galeria, se solta, se reinventa,

o que você fotografa todo mundo vê nas

revistas.” Foi assim, aos 35 anos e fotógrafo desde

os 20 anos, que Valentino se descobriu “arquiteto,

escultor e fotógrafo”. Em vez de fotografar

o que existia, construiu espaços com peças de

Lego que depois foram iluminadas e fotografadas.

O resultado gera dúvidas: o que é isso?

Podem ser mil coisas. E é esse o sentimento que

ele quer despertar em quem vê seu trabalho.

Durante a exposição, Valentino descobriu na

Zipper uma parede de pedras. Brotava ali o tema

do próximo trabalho. Escolheu uma pedra, quebrou

em pedaços pequenos, fez uma pequena

escultura e com iluminação foi buscando a profundidade

que queria.

Se na mostra Lego Valentino partiu de peças

pequenas, construiu grandes esculturas e

imagens pequenas. Agora ele está partindo

da forma arquitetônica, criou uma escultura

pequena e pretende apresentar fotos

gigantes para que o resultado seja inusitado.

“O bacana na arte é você não dizer para a

pessoa o que ela tem de pensar. Ela entende

o que quiser. A passagem de pedra que está

sendo publicada com exclusividade pela

Lindenberg & Life é, na verdade, uma pequenina

escultura. Essa foto irá para a SP Arte e

será o tema da próxima exposição, no final do

ano ou no começo de 2013”.


cidade

HORTO LÂNDIA

ELA TEm pOucO mAIs DE 50 ANOs,

vIu suA RENDA pER cApITA mAIs DO

quE DObRAR, E vIvE um ExcELENTE

mOmENTO EcONômIcO

Por Marina Fuentes | Fotos FeLiPe reis

Parque Socioambiental

Irmã Dorothy Stang


cidade

22

Lindenberg & Life

O

nome remete a um lugar pacato e bucólico. E, de fato, há uma aura de

tranquilidade que paira sobre Hortolândia. Com motivos de sobra: a cidade,

instalada na região metropolitana de Campinas, viu sua renda média saltar

de R$ 870 para R$ 2 mil e seu PIB crescer de R$ 1,7 bilhão para R$ 5,8 bilhões.

Tudo nos últimos sete anos. Como consequência do crescimento do poder aquisitivo,

o município acaba de ganhar seu primeiro shopping center, somando mais opções de

lazer e diversão para a cidade.

Segundo Flávio Haddad Buazar, CEO da REP Centros Comerciais, empresa responsável

pelo shopping, a cidade foi escolhida para abrigar o centro de compras justamente

por ser referência em empreendedorismo. “Com a inauguração do shopping,

as pessoas terão acesso às grandes redes e lojas do Brasil dentro do próprio município”,

diz ele. A expectativa é que a cidade deixe de “exportar” consumidores e atraia

moradores de regiões vizinhas interessados em comprar. “Todas as nossas campanhas

estão focadas, além de Hortolândia, em municípios próximos como Sumaré,

Monte Mor, Campinas, entre outros.”

Muito arborizada,

a cidade é a menina

dos olhos de grandes

empresas.

Origem e “boom” econômico

Nem sempre a cidade foi esse fenômeno de prosperidade. Hortolândia tem origem no

pequeno vilarejo de Jacuba, que se transformou em distrito em 1953 e, por intermédio

de um plebiscito popular, em 1991 ganhou status de município. A 115 quilômetros da

capital São Paulo e satélite de Campinas, a cidade que hoje tem 200 mil habitantes

poderia seguir sob a sombra das gigantes vizinhas. Não foi o que aconteceu.

Graças a uma posição geográfica privilegiada – que inclui a proximidade com o aeroporto

de Viracopos e com importantes centros de pesquisa e universidades, como a

Unicamp e a PUC-Campinas – Hortolândia ganhou a atenção da indústria, que ali

instalou importantes unidades fabris, entre elas Dell, IBM e GKN. Para impulsionar

ainda mais o desenvolvimento, a prefeitura criou formas de atrair novos investidores

para a região, com isenções fiscais e políticas de apoio.

Deu certo. Cerca de 200 novas indústrias se instalaram na cidade nos últimos sete

anos, gerando 20 mil novas vagas de empregos formais e reduzindo o desemprego de

17% para 4% em 2011. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica

Aplicada (Ipea), Hortolândia é, atualmente, a cidade média que mais cresce no País.

ao lado, a Praça Poderosa


cidade

24

Lindenberg & Life

Novidades para a cidade

Instalado em meio ao centro de comércio, o Shopping Hortolândia trouxe à cidade

120 novas lojas, incluindo âncoras como C&A, Marisa, Americanas, Pernambucanas

e Walmart, uma praça de alimentação com franquias como Subway, McDonald’s,

Casa do Pão de Queijo e Brasil Cacau, além de um complexo de cinemas (com inauguração

prevista para abril). Com elas, novas opções se somam àquelas que integram

o pequeno e simpático circuito da cidade, como o restaurante dançante Acauã e a

churrascaria Top Grill.

“O Shopping Hortolândia coroa o momento de desenvolvimento econômico e social

do nosso município. Agora os moradores não precisam mais de se deslocar para

outras cidades na hora das compras, o que também significa ter mais qualidade de

vida. Outro benefício é o ganho cultural por causa das salas de cinema”, comemora

o prefeito Ângelo Perugini (PT).

Para Buazar, o shopping chega na cidade com enormes responsabilidades, de atender

e de superar as expectativas de toda a população. “O Shopping Hortolândia vem para

pôr um fim ao êxodo dos moradores em busca de opções de compras, entretenimento

e alimentação. Esse empreendimento cria uma autonomia comercial no município, o

que fortalece ainda mais a economia local.”

A receptividade dos habitantes foi enorme. “Nem acredito que Hortolândia tem um

shopping! Está lindo demais, superou todas as minhas expectativas. Não vou sair

daqui”, disse a estudante Fernanda Stivari, encantada com as lojas de roupas e sapatos.

Desde antes da inauguração, mensagens em rede sociais e fóruns sobre a cidade

celebravam a chegada de novas lojas e especulavam sobre a inauguração do cinema.

“Quando vai ser? Alguém sabe?”, pergunta um internauta desavisado. O outro, com

bom humor, responde: “Não sei ao certo, mas quando inaugurar, pode apostar que

serei o primeiro”.

sucesso de

público e vendas, o

shopping também é

ponto de encontro


cidade

26

Lindenberg & Life

o shopping

Hortolândia é um

dos principais sinais

do “boom” que a

cidade vive. reúne

âncoras como

C&a, americanas,

Marisa e Walmart

Preocupação socioambiental

Além do impressionante impulso econômico, Hortolândia é hoje referência em

qualidade de vida. É bem avaliada nas necessidades mais básicas – a luz chega

a 100% das moradias do município e o esgoto tem como meta atender 100% dos

domicílios até o fim de 2012 – e também nas que dizem respeito ao bem-estar e

ao lazer de seus moradores. A atual prefeitura tem como uma de suas principais

bandeiras as questões socioambientais e investiu na construção e recuperação de

parques e nascentes.

A implantação do Shopping Hortolândia deu sequência a essa atenção com o meio

ambiente e estabeleceu uma parceria com uma ONG que vai coletar os resíduos do

centro comercial. Além disso, criou um espaço de coleta de lixo reciclável e também

de baterias e pilhas, o primeiro ponto a coletar esse tipo de material na cidade.

Também foram criados programas de replantio de árvores e implantação e preservação

junto à população.

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GREEN BUILDING

BRASIL


um outro olhar

raízes

Parte da planta enterrada no solo, origem do

indivíduo, elas se escondem nas profundezas ou

crescem livres na superfície da Terra. Fotos RobeRto CeCato

“Talvez bem Tarde nossos sonos se uniram

na alTura e no fundo, em cima como ramos

que um mesmo venTo move, embaixo como

raízes vermelhas que se Tocam.”

Parte do poema A Noite na Ilha de Pablo Neruda, esse texto fala

do remoto, do profundo. Nos revela coisas da alma, segredos

bem guardados. Mas lembra o que brota daquilo que está fincado

no chão, braços abertos para o céu, como que agradecendo a

bênção da vida.


um outro olhar

30

Lindenberg & Life


um outro olhar

32

Lindenberg & Life


um outro olhar

34

Lindenberg & Life


poéticas urbanas

36

Lindenberg & Life

Palavras da vez

POR ROSILENE FONTES | ILUSTRAçÃO MARIA EUGÊNIA

“Um fUtUro o aconchegant

intimidade e à natUreza, eza,

cima, com gentileza na úl

Apontou a holandesa Li Edelkoort,

mais influentes no mundo que dita os

o design e a arquitetura, em uma de s

Essa predição é fruto de muita pesquisa, olhar apurado

e muita sensibilidade. Para ela, o homem moderno está

sujeito a ser uma “espécie em extinção”. Se a natureza

está sob ameaça, nós também estamos e não é de hoje.

O retorno à intimidade do lar e à natureza é, antes de

tudo, uma mudança de comportamento e de educação

ambiental. A casa é parte integrante da natureza tanto

quanto é a paisagem ao seu redor. Isso me fez lembrar

uma frase que diz:

“Quando o abrigo é seguro a tempestade é boa”

Hoje, essa segurança vai além das sólidas paredes e

telhados. A casa agora é vista como uma célula que

deve ser cuidada também para a saúde da cidade.

Começamos a sentir essa mudança separando os lixos

recicláveis, gastando menos água, não desperdiçando

energia elétrica. A necessidade de uma casa de qualidade

vem somar com as questões da sustentabilidade

ambiental, que não podem ser transpostas sem o

suporte da tecnologia.

Um bom exemplo está na ilha de Sanso, na costa da

Dinamarca. Entre seus quatro mil habitantes, sete a

cada dez casas usam vento ou sol para produzir energia.

Com o financiamento do governo, dedicação e conscientização

dos moradores foram construídas 21 turbinas

eólicas em terra e em alto-mar. O lucro obtido com

a geração de energia limpa é investido em obras sociais

e o local tem um dos melhores índices de qualidade de

vida do mundo. A ilha tornou-se referência para estudiosos

do assunto.

Outro exemplo é Beirute. Ali, para solucionar o pro-

blema da falta de áreas verdes, foi idealizado um projeto

para transformar os topos dos prédios em jardins, com

árvores presas por fios de aço – para evitar acidentes em

casos de chuvas e ventos fortes. Essas praças suspensas

aumentariam o convívio entre as pessoas, além de

proporcionar ar mais puro e amenizar o clima quente e

seco da cidade, graças às sombras das copas. A ideia é

também criar pequenas hortas por toda a cidade, transformando

esses espaços em agriculturas urbanas.

“ve ve v rde” é a palavra da vez... as ideias estão ficando verdes

hoje táxis “verdes”, hotéis “verdes”, paredes e telhados

“verdes” –, a cor como bandeiras, movimentos e atitudes,

cada ideia cumprindo com seu papel sustentável

na redução da emissão do gás carbônico, na questão

do conforto térmico e acústico. Há ideias “verdes” que

parecem simples, como o uso de bicicletas como transporte

diário e tornam-se complexas quando transpostas

à realidade, onde são necessárias mudanças urbanísticas

e sociais. Ao visitar Copenhague recentemente

percebi que elas são possíveis e fiquei encantada. Há

bicicletas por todos os cantos da cidade, de todos os

tipos, e ficam estacionadas sem cadeados. As pessoas

usam para trabalhar, para levar os filhos na escola, para

fazer compras e passear. Há farol para as bikes, ciclovias,

com regras e respeito.

Aliás, “respeito” deveria ser a palavra da vez... Como

dizia o profeta Gentileza, figura famosa no Rio de

Janeiro dos anos 1980:

“gentileza gera gentileza”

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Em breve, o prazer de trabalhar vai ter endereço.

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Lindenberg & Life 38

urbano

o segredo

para cidades mais felizes

Com o uso da tecnologia, como Skype, iCloud ou smartphones,

é possível viver o conceito de microcosmo e assim termos cidades

mais saudáveis e menos estressantes Por JuL ana ViLas | iLustração Maria Eugênia

Em “Paris Je t’Aime”, uma compilação de curtas

sobre a relação dos parisienses com sua cidade,

que teve como diretores convidados os irmãos

Cohen e Gérard Depardieu, Walter Salles contou em

poucos minutos a rotina de uma imigrante colombiana.

Ela levantava para trabalhar com o dia ainda

escuro, deixava seu bebê (de colo) dormindo em um

berçário e começava uma epopeia de trem, ônibus e

caminhada para chegar ao trabalho, onde cuidava de

uma criança, numa elegante casa bem próxima à torre

Eiffel. Terminado o expediente, a personagem repete

angustiada a mesma via-crúcis para pegar a criança na

escolinha. Ao chegar, ela recebe da professora o bebê

todo enrolado em uma manta. Dormindo novamente.

A triste situação descrita poeticamente por Salles é

a rotina dos milhares de seres nos grandes centros.

Pessoas que passam boa parte do dia se deslocando

(ou em engarrafamentos homéricos) do que nos

lugares propriamente ditos. Não imagine que essa

seja apenas uma das condições de quem não tem

recurso, para alguns estudiosos, mesmo que você

tenha uma Ferrari e leve uma hora para ir ao trabalho

e outra para voltar, ao final de uma semana você

terá somado 10 horas em trânsito. Em São Paulo, se

você mora no Morumbi e tem de ir ao Centro diariamente,

o número de horas no tráfego não será menor

do que esse. O resultado pode ser descrito assim:

menos tempo com a família, menos tempo para o

trabalho e para os hobbies e mais estresse.

Não apenas isso. Além do tempo, em que se perde qualidade

de vida, a cidade fica mais cinza, mais poluída

e com menos vida. Se você está há horas no congestionamento,

não pode passear na praça com seu cachorro,

certo? Enfim, quem vive dessa maneira vivencia menos

a cidade na qual habita. Mas você deve estar perguntando,

qual é a solução? Sim, ela existe e não é um helicóptero.

Alguns urbanistas chamam esse conceito de

microcosmo, nele pequenas cidades são criadas dentro

da própria cidade. Um exemplo de microcosmo seria:

morar nos Jardins, estudar em Higienópolis, frequentar

bares e restaurantes nessa área e provavelmente trabalhar

nessa região.

O arquiteto e urbanista Jaime Lerner, que foi governador

do Paraná e comandou a revolução urbanística na

cidade de Curitiba (PR), da qual foi prefeito três vezes,

foi ainda mais longe. Ele criou o conceito chamado

de “biodiversidade urbana”. Nele, deve-se trabalhar a,

no máximo, seis quilômetros de distância de casa. A

regra não vale apenas para alguns. A diarista, o jardineiro,

o padeiro, profissionais que trabalham no bairro,

também devem morar no perímetro dos mesmos seis

quilômetros de casa. Ou seja, as regiões das grandes

cidades seriam transformadas em pequenos distritos.

Parece impossível? Mas não é. O bairro de Fulham,

em Londres, tem uma campanha chamada “Living

locally”. Na mesma região existe o bairro de Chelsea,

onde estão as casas mais caras, e atravessando a ponte

chega-se ao bairro de Wandsworth, com belas casinhas

de tijolo aparente onde moram trabalhadores de classe

média. Em Brixton, o famoso bairro onde nasceu e

cresceu David Bowie, foi criada uma moeda própria e

há descontos especiais no comércio da região para que

as pessoas façam suas compras por lá.

Para Lerner, essa é a única receita para amenizar o

caos nas metrópoles. “É preciso entender que a cidade

é uma estrutura de vida e trabalho juntos. Cidades

sustentáveis não separam funções, como morar aqui,

trabalhar lá”, define.

Na teoria, a ideia parece muito boa, mas quem permitiu

que esses conceitos funcionassem na prática foi a tecnologia.

O que era impossível há cerca de dez anos, hoje

é simples e barato. De lá para cá surgiram aplicativos,

como o Skype, Viber e Voxer, que permitem às equipes

fazer teleconferências em tempo real, por vídeo, como

se todos estivessem na mesma sala de reuniões. Além

disso, a possibilidade de armazenar informações “na

nuvem”, via iCloud ou Dropbox, mudou completamente

a maneira de compartilhar e arquivar dados importantes,

mesmo confidenciais. Ou seja: um profissional pode

acessar conteúdos e trabalhar de qualquer lugar em que

haja computador e internet, sem necessidade de acessar

um computador pessoal, específico.

Ainda este ano, a Natura vai implantar um novo sistema

de trabalho para os seus executivos. Boa parte dos profissionais

poderá trabalhar em casa. Garantir a retenção de

talentos e oferecer mais qualidade de vida aos funcionários

são as principais razões que motivam as companhias

a adotar esse sistema.

A tendência, segundo Alvaro Mello, professor e

presidente da Sociedade Brasileira de Teletrabalho

e Teleatividades (Sobratt), é que o trabalho remoto

seja algo cada vez mais comum nos próximos anos.

“Há uma relação direta entre a diminuição do custo

de produtos de tecnologia, como iPads, e de serviços

de computação em nuvem e o crescimento

do trabalho virtual”, diz o professor. Segundo um

levantamento da revista Fortune, 56% dos líderes

das maiores empresas do mundo querem aumentar

o número de trabalhadores remotos em suas companhias.

E 61% deles acreditam que essa mudança

será feita nos próximos três anos. Se a tendência

se confirmar, além de pessoas mais felizes teremos

também cidades mais felizes e urbanisticamente

mais saudáveis.

Um exemplo de quem levou esse conceito ao extremo

e garante que está muito feliz é o da paulista Karina

Arruda, de 35 anos. Ela é especialista em marketing,

mora na Suíça e é CEO da Inspiral, agência de tendências

que ela fundou em 2010. Ex-executiva de grandes

marcas, Karina tem currículo invejável, que inclui passagens

pela Motorola, Brasil Telecom e TIM. Em 2009,

ela se reinventou. Foi estudar em Madri, na Espanha,

e lá imaginou um laboratório de ideias com proposta

e sistema de trabalhos diferenciados. Munida de um

notebook e smartphone, reuniu uma equipe de profissionais

brasileiros, sediada entre São Paulo e Brasília.

O método de trabalho, que Karina chama de colaborativo,

segue um conceito bem contemporâneo:

todos se comunicam só por meio de ferramentas on-

-line e cada um trabalha onde quer. Dessa maneira,

a Inspiral conta ainda com mais de 30 colaboradores

freelancers e caçadores de tendências em cidades do

Brasil, Itália, Espanha, Panamá e Estados Unidos.

“Começamos com cinco funcionários, todos produzindo

muito e atuando de seus home offices. Prefiro

que trabalhem em cafés, nos parques, nas ruas. Basta

que tenham um notebook e smartphone, porque fazemos

reniões por Skype. Quem trabalha com criatividade

não precisa, e nem pode, passar o dia trancado

num escritório, sob aquela luz fria. A tecnologia veio

para nos libertar, não para aprisionar”, explica Karina

que, de Zurique, na Suíça, concedeu entrevista para a

repórter sediada em São Paulo via Skype.


entrevista

40

Lindenberg & Life

alojamento em Campos do Jordão: para estudantes da futura escola de música

Mais amor,

por favor

Para o grupo de arquitetura paulistano, o MMBB, o caos

urbano influencia na falta de gentileza nas cidades.

Por isso, mais do que formas inéditas ou projetos suntuosos

o que interessa a eles é a construção de espaços para

coexistência nos grandes centros urbanos. Por Marianne PieMonte


entrevista

42

Lindenberg & Life

Eles se conheceram em um dos corredores projetados

por João Batista Vilanova Artigas (1915-

1985), um dos principais nomes da arquitetura

em São Paulo. O lugar era a Faculdade de Arquitetura

e Urbanismo da USP (FAU). Formaram-se e dali

ganharam o mundo, cada um para um rumo. Em 1991,

após receberem o prêmio principal do Concurso para o

Pavilhão do Brasil, em Sevilha, eles, finalmente, criaram

o MMBB.

Hoje, Marta Moreira, 48 anos, Fernando de Mello

Franco, 46 anos, e Milton Braga, 47 anos, formam o trio

de arquitetos que chama a atenção do mundo. Em 2011,

foram destaque na importante publicação americana

sobre o tema, a Mark, numa matéria de dez páginas cujo

título era “Urban Outfitters”. Além de urbanismo e projetos

de residências, o que salta aos olhos é que para

eles este país não precisa de mais linhas retas ou tijolos

aparentes, o que o Brasil precisa é de “afeição”.

Entre os projetos do trio, em que a “afeição” é a linha

principal, está a construção de uma escola de música que

contará com um complexo de 170 residências estudantis,

próximo ao auditório Claudio Santoro, em Campos

do Jordão. Também no portfólio deles está a urbanização

da favela Jardim Edite, ao lado da ponte estaiada Otávio

Frias de Oliveira, o novo cartão-postal de São Paulo.

Praça Antonico, parte da

urbanização da favela Jardim

Edite, perto da ponte estaiada.

Ao lado, o trio de arquitetos

Em parceria com o escritório de Paulo Mendes da Rocha,

eles têm realizado grandes obras para órgãos institucionais

ou públicos, como o terminal de ônibus do Parque

Dom Pedro, em São Paulo.

Apesar do jeitão low profile, tudo indica que o barulho

apenas começou. O trio já foi convidado a colaborar

na curadoria da Bienal de Arquitetura de Roterdã, na

Holanda, em 2012.

o que vocês três têm em comum?

Marta: Além de termos estudado juntos e a afinidade

intelectual, temos muito interesse pela cidade. Nós

também nunca nos afastamos das escolas, nunca deixamos

de ter a relação com a academia, com a formação.

Fernando: Não vemos arquitetura como a produção de

objetos ou monumentos, o que nos interessa pensar no

nosso tempo é a questão da cidade. Queremos nos relacionar

com a arquitetura pública, queremos contribuir

com espaços de coexistência nessa cidade.

Foto Nelson Kon

Qual é a relação dos projetos de vocês com

a cidade?

Milton: Qualquer projeto tem sua dimensão urbana

e portanto pública, mesmo um edifício privado tem a

fachada pública. Qualquer intervenção, por menor que

seja, interfere na cidade.

Marta: Estamos envolvidos no projeto Jardim Edite

(reurbanização da favela ao lado da ponte estaiada), ali

haverá 250 unidades habitacionais. Nossa preocupação

é que o chão fosse público, o que garante a animação

e a interlocução das calçadas. Todos os térreos têm

restaurantes-escola, ambulatório, creche e unidade

básica de saúde. Não é um muro de divisa com portão,

que resolve uma situação interna, mas recusa o relacionamento

com a cidade. Houve uma preocupação não

apenas com a casa, mas como ela se relaciona com a

cidade é um exemplo do que nos preocupamos.

Fernando: A cidade é uma instância política, uma

metrópole como São Paulo é um território de conflito,

parte da arquitetura é participar dessa negociação.

No Jardim Edite, o chão é para todos. As 250 moradias ficam suspensas

Um exemplo disso é a marquise do Parque do Ibirapuera,

em que hora é ocupada pelos skatistas e hora por pais

ensinando os filhos a andarem de bicicleta. Mais do que

construir imagens é preciso construir formas de uso.

Como vocês descreveriam São Paulo

urbanisticamente?

Fernando: Mario Biselli (arquiteto paulistano) já disse:

“É homogeneamente heterogênea”. A nossa questão é

como estabelecer essa convivência.

Milton: Alexandre Alves Costa, um arquiteto português,

disse que por aqui podemos escolher em qual cidade

queremos viver, depende da região que se escolhe você

tem uma cidade diferente. Por isso, ela é de vanguarda.

O MAIS BONITO

É VER O EFEITO NAS

PESSOAS E NãO AS

FORMAS DO PROJETO

imagens MMBB


entrevista

44

Lindenberg & Life

Se pudessem reprojetar a cidade o que fariam?

Marta: Acho que a prioridade seriam as grandes infraestruturas

que relacionam a cidade como um todo, as

duas linhas de rio, água, drenagem. Seria importante

pensar do ponto de vista da paisagem, de que forma

podemos aproveitá-las.

Se houvesse um rio passando em Higienópolis, esse

seria o melhor bairro da cidade, porque os prédios

estão bem, mas o que está entre eles é que está mal.

Nossa cidade é muito malfeita.

O caos urbano influencia para a falta de gentileza. Nossa

geração de arquitetos fala muito menos de cidades do

que a geração anterior que estava construindo o Brasil.

Linhas simples, nenhum supérfluo

e um jardim na cobertura, na

residência da Vila Romana.

Ao lado, casa na City Boaçava

Fernando: Não podemos esquecer é que 30% da população

da metrópole vivem em condições anormais, isso

é imperativo. Também precisamos pensar na mudança

climática, a bolha de calor, que tem provocado um

regime pluvial muito intenso e as enchentes. Para

enfrentar as mudanças temos que pensar que modelo

de cidade queremos.

Vocês vivem a cidade?

Marta: No meu pedaço faço tudo a pé. Trabalho, moro

e dou aula na Escola da Cidade, tudo em Higienópolis.

Milton: Optamos por uma área mais urbana na cidade,

escolhemos um lugar que tem vida na rua. Um exemplo

disso é que não temos café no escritório para ter a

opção de descer e tomar o café.

Eu gosto de ir ao mesmo bar, tenho amigos do bar,

para criar relações de afetividade. Até nisso São Paulo

é legal, porque podemos ser anônimos e também criar

relações de afetividade.

Fernando: Um holandês que vive em Amsterdã e acha

que vive numa vila disse que aqui construímos pequenas

vilas.

fotos Nelson Kon

Qual é a marca do MMBB?

Fernando: A casa Vila Romana que tem um jardim na

cobertura, por exemplo. O que se ganha? Uma relação

com a cidade. Mesmo sendo uma casa privada,

ela estabelece uma relação com a cidade, mesmo que

contemplativa. Portanto, passam a ser urbanas e não

feudos enclausurados.

Milton: Antes de pensar o objeto, a forma, a materialidade,

deve-se pensar no efeito que todo esse material

causará. O mais bonito é ver o efeito nas pessoas e não

as formas do projeto, por isso, talvez, nossas formas

sejam mais serenas. Nos interessa que a vida apareça

com mais força.

O QUE O

BRASIl

PRECISA É

DE AFEIçãO

Um exemplo de

preocupação contra as

enchentes e captação da

água da chuva.

Na planta de cima, uma

canaleta represa a água

(que também é drenada) e é

cercada por uma vau, como

de um rio. Em caso

de muita chuva, ela evita

que o excesso de água

transborde (planta de baixo)


Lindenberg & Life 46

laboratório

A construção

de uma nova realidade

Com doações e mutirões de jovens universitários

voluntários, a ONG “Um Teto Para o Meu País”

fez cerca de mil casas em comunidades carentes

de São Paulo por Juliana Vilas | fotos felipe reis

A

comunidade tem o sugestivo nome de Futuro Melhor.

A

comunidade tem o sugestivo nome de Futuro Melhor.

Fica nas entranhas da zona norte de São Paulo, precisa-

mente no Jardim Peri, aos pés da Serra da Cantareira. Por

ali, centenas de pessoas vivem em barracos de madeira e papelão.

Se na cidade de São Paulo 12% das moradias estão em favelas,

segundo a Secretaria de Habitação, naquele pedaço esse índice

chega a 20%. A situação era ainda mais dramática, em 2007, mais

de 14% dos moradores não tinham acesso a saneamento básico.


laboratório

48

Lindenberg & Life

Ao adentrar o bairro, que tem um córrego cortando

a área, crianças, cachorros e famílias inteiras dividem

espaços, nas ruas estreitas, com carros e caminhões.

Nas vielas internas o que se vê são casebres

amontoados. Aos poucos, essa realidade vem sendo

transformada. A nova paisagem está sendo desenhada

por jovens idealistas que formam o time da ONG

“Um Teto Para o Meu País”. Estudantes de Direito,

Arquitetura e diversas universidades que se unem

para construir moradia popular.

A primeira casa de Tânia Aparecida da Silva, 53 anos,

uma cuidadora de idosos que mora há dois anos na

comunidade, foi construída com madeira e papelão. A

umidade das paredes tornava o cômodo ainda menor,

porque era preciso desencostar os móveis para que

eles não estragassem. “Quando chovia forte, entrava

água e a casa virava um rio, que batia na altura do

joelho”, lembra.

Ela também conta que, apesar de precisar muito,

ficou desconfiada e chegou a torcer o nariz quando o

“pessoal da ONG” apareceu para fazer uma série de

perguntas. Eram jovens bonitos e muito simpáticos,

cheios de ideias e boa vontade. No entanto, rapidamente

a desconfiança deu lugar ao entusiasmo e

Tânia começou a vislumbrar um futuro melhor.

Ela foi uma das selecionadas do projeto “Construção

com famílias: uma árvore de oportunidades”, da ONG

latino-americana Um Teto Para Meu País. Foi entrevistada

por universitários que, voluntariamente, constroem

casas de emergência, em sistema de mutirão,

para os mais necessitados. A parte brasileira da entidade

conta com quatro mil estudantes.

Assistir o esquadrão universitário em ação na favela é

como levar um “positivo choque social”. É assim que a

estudante Manuela Porto, de 20 anos, descreve a experiência.

Ela faz parte da ONG desde 2010. Na primeira

visita que fez ao local, admite que ficou surpresa. “Gosto

de conhecer as famílias e fazer o primeiro contato,

quando definimos os moradores que receberão a nova

casa, por ordem de prioridade”, diz. Manuela sempre

estudou nos melhores colégios da cidade e conta que

os pais puderam lhe oferecer todo conforto. Não fosse

pelo trabalho voluntário, poderia passar a vida toda sem

conhecer, tão de perto, parte da realidade de nosso País.

“É impressionante como criamos vínculos emocionais

com os moradores. Adoro ser voluntária e acho que esse

trabalho tem contribuído muito para minha formação.

Não apenas profissional, mas pessoal mesmo.”

O trabalho ao qual Manuela se refere é dividido em

etapas. A primeira é a entrevista presencial com os

moradores. Escolhidas as casas que serão renovadas,

os organizadores marcam o fim de semana do mutirão.

Uma vez por mês, os universitários abdicam da

balada e ainda bem cedo, quase com o sol raiando,

se encontram na comunidade que será atendida.

Divididos em grupos bem organizados e agindo sempre

em duplas, eles começam os trabalhos. A família

beneficiada contribui com R$ 150 e se compromete

a demolir a casa velha para liberar o terreno até a

manhã do primeiro dia de trabalho, quando a turma

jovem chega para iniciar a fundação. A moçada cheia de boa vontade põe a mão na

massa, levantando paredes, assentando pisos. A

pintura é a última etapa, quando a casa está pronta

Opubliciam ium in hoc


laboratório

50

Lindenberg & Life

O último mutirão de 2011 contou com chuva intermitente

durante todo o sábado, dia 11 de dezembro.

No domingo, o sol apareceu e colaborou com o programa.

No primeiro dia, voluntários e moradores ficaram

cobertos de lama, mas nada disso atrasou o cronograma.

Os caminhões traziam até a rua de asfalto

mais próxima as pesadas placas de madeira, que os

homens carregam em grupo. “Um, dois, três, vai”, era

o comando que se ouvia durante o dia. Com as placas

devidamente encaixadas, todo mundo entrava na

dança e martelava, media, ajeitava.

As refeições, durante o dia de trabalho, são comunitárias

e uma escola pública faz as vezes de dormitório

para os voluntários visitantes, que levam os próprios

colchões e estendem nas salas de aula.

No fim de semana do mutirão nada de banho, apesar

das quase 12 horas de labuta diárias. No domingo,

todos estão a postos às 7 horas. Tomam café e retomam

as atividades. A casa precisa estar pronta até o

fim do dia porque os moradores não podem passar

mais do que dois dias alojados nas casas de vizinhos e

parentes. No fim de semana seguinte, os voluntários

voltam para pintar as paredes externas.


laboratório

52

Lindenberg & Life

Diante de tanto empenho, Ricardo Montero, diretor

social da ONG no Brasil, é enfático: “Discordo totalmente

de quem diz que os jovens são individualistas,

que não se interessam por política, nem pelas questões

coletivas. Imagine que, só em 2011, recebemos mil inscrições

de novos voluntários.” Ricardo nasceu no Chile,

onde a entidade foi criada, em 1997. Estudante de

Direito, ele foi voluntário e já construiu muitas casas

de emergência nos países da América Latina. Gostou

tanto da experiência que se especializou em Direito

Social. “Os estudantes sabem que o conhecimento não

está restrito às salas de aula. O verdadeiro crescimento

e desenvolvimento humano e profissional está nas ruas,

nas realidades diferentes das deles. Não é assistencialismo,

é trabalho, é uma via de mão dupla”, diz Ricardo,

confirmando a opinião da colega Manuela.

“Um Teto Para Meu País” está em 19 países latino-

-americanos, o que ainda é pouco diante das

necessidades de quem vive no limite que divide

miséria e pobreza. “A casa que fazemos é emergencial,

não se trata de uma solução definitiva, mas de

um paliativo para quem vive em situações muito precárias,

convivendo cotidianamente com vários riscos,

como doenças, enchentes e alagamentos”, diz.

Ele sabe que o ideal seria construir casas de alvenaria

para todos, mas esse processo seria muito mais

lento. “Mostramos para a comunidade que é possível

mudar e tirar alguns moradores da situação de risco

extremo”, explica.

Até hoje, o projeto construiu 85 mil moradias de

emergência em países latinos. No Brasil, esse número

chegou a 939 casas em 2011.

Só no fim de semana de 11 e 12 de dezembro, 85 famílias

da capital paulista receberam novas moradias –

12 na comunidade Futuro Melhor.

Manuela Porto é uma

das voluntárias do

projeto, que uma vez

por mês se reúne em

mutirão para ajudar

a construir uma vida

mais digna para quem

vive em situação de

risco. Acima, a nova

casa "sequinha e

confortável"

No domingo, Tânia, a cuidadora de idosos que vivia

com a casa alagada, já estava na casa nova que recebeu

no mutirão anterior. Por isso, ela pôde abrigar a vizinha

Silvana Araújo, que acompanhava maravilhada o trabalho

dos jovens voluntários. “Moro aqui há quatro anos

com seis filhos e dois netos. Minha casa tinha tanta

infiltração e mofo que nenhum móvel presta mais”, diz.

Ela conta que por vezes teve de levar as crianças ao hospital

com problemas respiratórios, culpa da umidade

que nunca abandonava a casa. “Agora, isso vai mudar”,

emenda a amiga Tânia. “Olha a minha como ficou.

A sua vai ser assim também, chega de água dentro de

casa”, comemora enquanto mostra, cheia de orgulho,

o ambiente interno da morada, bem arrumadinho.

“Não vejo a hora de colocar meus filhos na casa nova,

sequinha e confortável. É hoje!”, comemora Silvana,

olhando a casa ganhar forma, com as paredes – secas

– nos devidos lugares. É o começo da realização de um

Futuro Melhor.

Mãos à obra!

Quer ser voluntário da ONG Um Teto

para Meu País? Basta entrar no site

(http://umtetoparameupais.org.br/) e

se cadastrar clicando em 'Quero ser

voluntário'. O primeiro passo são as

entrevistas em que os voluntários

detectam quais as famílias de uma

comunidade serão escolhidas. Um

mês depois começa o mutirão de

construção que sempre acontece em

um final de semana.


consumo

54

Lindenberg & Life

o prazer de ostentar

O pendor exibicionista das classes altas, definido pelo americano Thorstein Veblen

como consumo conspícuo, perde força nesse mundo que clama por sustentabilidade

Por Judite Scholz | iluStração maria eugÊnia

Anos atrás, o comediante norte-americano Bill

Cosby censurou seus pares da comunidade

negra por gastarem exageradamente em bens

sofisticados demais em detrimento da educação de

seus filhos. Isso fez com que ele fosse imensamente

criticado por alguns e elogiado por outros. Provavelmente

os elogios partiram daqueles que nunca

tinham ouvido falar do “consumo conspícuo” –

expressão criada pelo economista americano de origem

norueguesa Thorstein Veblen, no final do século

19, segundo a qual não basta ter, é preciso mostrar.

“Posses de valor visíveis a todos são um sinal de riqueza,

sucesso e status do indivíduo”, disse Veblen. Ele usou

o termo “consumo conspícuo” para descrever o comportamento

do nouveau riche, a classe média emergente

no século 19 em consequência do acúmulo de riqueza

durante o período da revolução industrial, no livro teoria t

da Classe ociosa. Esses novos-ricos investiam em bens

e serviços com a finalidade de indicar renda e riqueza,

poder social. Veblen dizia que a classe alta, que ele chamava

classe ociosa, consumia produtos não por sua utilidade,

nem para satisfazer suas necessidades, mas apenas

para exibir sua riqueza e adquirir poder e prestígio.

Para Veblen, com a introdução do dinheiro, a evolução

econômica do homem passou a obedecer a dois instintos

básicos: o produtivo e o pecuniário. O primeiro tratava

de fazer bens, o segundo de “fazer dinheiro”. Mas na

sociedade moderna o instinto pecuniário sobrepujou o

instinto produtivo e o empresário assumiu que seu papel

preponderante era a criação de dinheiro, não a produção

de bens. Se para fazer dinheiro fosse necessário um processo

mecânico de produção de mercadorias, tudo bem,

mas o ideal era conseguir dinheiro em troca de nada,

como se faz na bolsa de valores e no mercado financeiro.

Além disso, como os bens passaram a ser consumidos por

todos, a classe alta passou a obter prestígio social com o

consumo de bens de luxo. Assim, não servia qualquer relógio,

apenas o mais caro, que marca as horas como todos

os outros; não bastava um sapato, tinha de ser o modelo

com couro de crocodilo e assinado por um designer, não

porque aquele design significava algo para ele, apenas por

demonstrar que ele “podia mais”, ou seja, a classe alta

investia em bens não pela utilidade ou pela necessidade,

mas como exibição de riqueza, poder e prestígio.

Esse tipo de comportamento evoluiu a tal ponto junto

com o capitalismo que muitas marcas e produtos se

tornaram símbolos de status, e seus lançamentos eram

esperados com filas de intrépidos consumidores ávidos

em serem os primeiros a ostentar tais novidades. “Por

ser o consumo de bens de maior excelência prova de

riqueza, ele se torna honorífico”, dizia Veblen.

Para Nikolai Roussanov, professor de finanças da

Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, os

gastos com consumo conspícuo não são totalmente contraproducentes,

já que em muitas comunidades pode ser

necessário passar uma imagem de maior afluência na

busca de melhores empregos e de uma vida social de

melhor nível. “A saúde e a educação deveriam ser alvo de

um volume maior de investimento financeiro por parte

dos indivíduos, mas não se pode simplesmente obrigar

as pessoas a pensarem dessa forma e achar que isso as

fará se sentirem melhor”, ele disse. “Como convencê-las

de que cursar uma universidade cara vale mais a pena

do que comprar um relógio caro? Não há uma solução

simples para essa questão.”

A tendência indica que o consumo conspícuo está perdendo

fôlego. Para o filósofo francês G. Lipovetsky,

professor de filosofia da Universidade de Grenoble,

autor do livro a Felicidade Paradoxal: ensaio sobre a

sociedade de Hiperconsumo, a fase atual do consumo é

marcada pelo declínio do consumo conspícuo e por uma

ascensão do consumo experiencial e sensível, no qual

as pessoas buscam mais satisfação estética e prazer no

contato direto com o objeto do que elevação de status.

Pode parecer que ainda estejamos muito distantes dessa

tendência, mas neste mundo ameaçado pelo aquecimento

global, escassez de água e poluição dos recursos

naturais, buscar a sustentabilidade é obrigatório, e o

consumismo desenfreado realmente não se encaixa.

Sem falar o quanto é mais prazeroso consumir qualquer

objeto pela boa sensação que proporciona – seja lúdica,

sensorial, estética, de conforto – do que pela impressão

que vai causar nos outros. Isso vale até para a forma de

lidar com o tempo, dedicando mais espaço ao que, de

fato, gera prazer. Uma vida mais simples, mas que não

dispensa conforto, pode ser a chave para dias mais felizes.

O chef dinamarquês René Redzepi, que comanda o

Noma, restaurante em Copenhague eleito duas vezes

o melhor do mundo, prega o uso de alimentos locais,

frescos e sustentáveis e, apesar da procura enlouquecida

por uma mesa, ele não abre mão de fechar as portas no

verão para viajar com a família. Redzepi declara que ser

bicampeão não muda nada em sua vida: continua passando

os sábados de verão colhendo rosas com a mulher

e os filhos. Como ele, há empresários brasileiros cheios

de compromissos que conseguem reservar espaço na

agenda pelo menos quatro vezes por ano para participarem

de campeonatos de vela e de golfe.

Se a coisa pegar, certamente o mundo voltará a ser

um lugar mais acolhedor. Trazidas do Sri Lanka pelo

paisagista Roberto Burle Marx, a palmeira Corypha

umbraculifera, ou palma talipot, floresce uma única

vez na vida, cerca de cinquenta anos depois de

plantada. Em seguida, inicia um longo processo de

morte, período em que produz cerca de uma tonelada

de sementes. Quando Roberto Burle Marx

plantou a palma talipot no Aterro do Flamengo, um

visitante comentou: “Como elas levam tanto tempo

para florir, o senhor não estará mais aqui para ver”.

O paisagista, então com mais de 50 anos, teria dito:

“Assim como alguém plantou para que eu pudesse

ver, estou plantando para que outros também possam

contemplar”.


arte

56

Lindenberg & Life

fotos divulgação

A Arte que vem

do sertão

Em uma região remota de Sergipe, Cícero Alves

dos Santos, o Véio, cria esculturas que serão expostas

na Fundação Cartier, em Paris Por MArinA FuEntES

A madeira talhada

pelas mãos do Véio

ganha diferentes

formas, parte do

imaginário do artista


arte

58

Lindenberg & Life

Cícero Alves dos Santos, o Véio, e uma de suas esculturas, expostas em seu museu a céu aberto na porta do ateliê

Quem passar, de carro ou a pé, pelo quilômetro

8 da rodovia engenheiro Jorge Neto,

pode achar que está vendo coisas. Noivas,

grávidas, seres imaginários e cortejos fúnebres de

figuras com feições sisudas se apresentam, em tamanho

real ou amplificado, como verdadeiros gigantes

transitando por aquele espaço remoto do sertão sergipano.

É ali, naquele pedaço de roça, entre a cidade de

Nossa Senhora da Glória e Feira Nova, que o artista

Cícero Alves dos Santos, o véio, cria e expõe a sua

obra em madeira, dando sua versão para a história do

povo sertanejo.

Imaginação ou realidade, é impossível ficar alheio às

suas peças. A partir da madeira talhada ou de formas

aproveitadas do movimento natural de troncos e

galhos, véio exterioriza as criaturas que povoam o seu

imaginário. Para cada figura há uma história na ponta

da língua. Há políticos com duas faces (“uma bem pintada,

para os dias de comício, outra carcomida para os

dias de poder”), índios preparados “para uma guerra

que nunca vão vencer”, sertanejos enterrando um conterrâneo

“que leva com ele uma mala de sabedoria”.

“venho, converso com eles, são uma família”, diz o

artista, que produz novas peças semanalmente e trata

de repor as que são deterioradas pelo tempo, além de

manter outras guardadas em pequenas casas instaladas

na beira da estrada. Apesar de prolífico, véio confessa

as dificuldades de manter a atividade em meio à seca

cultural do sertão. “Já me chamaram de maluco, de

macumbeiro, muita gente não entende”, conta ele, que

em 1980 recebeu o primeiro convite para expor, numa

feira pecuarista. Foi o começo do reconhecimento

que, no boca a boca, atravessou as fronteiras estaduais

e chegou a São Paulo e a vilma eid, fundadora da

Galeria estação, especializada em arte popular.

“muita gente já tinha me falado do véio e resolvi ficar

atenta ao seu trabalho. Antes de conhecê-lo, decidi ir

comprando peças de sua obra. Passei cinco anos colecionando

e avaliando, se aquilo tinha uma consistência,

se as obras me cansavam. A obra feita para decorar

cansa, mas a obra de arte resiste”, diz ela, que sabe

como poucos diferenciar a arte de artistas populares,

sem formação erudita, do artesanato. “Artesanato é a

repetição de uma fórmula bem-sucedida, em geral é

fotos divulgação

um utilitário e é feito pra ser consumido. Os artesãos

repetem em série porque o mercado pede aquilo em

série. mas o artista não consegue reproduzir a mesma

obra, mesmo se você pedir.”

Artista “de nascimento”

Além de se dedicar às esculturas em madeira, véio

criou e mantém um museu sertanejo. São mais de cinco

mil objetos garimpados por ele ao longo de décadas

que retratam os hábitos cotidianos do povo da região

e que estão distribuídas em casinhas temáticas. “tem

a casa de farinha completa, a tenda de ferreiro, com

todas as ferramentas, a casa do agricultor, do caçador.

Aproximadamente dez casas, arrumadas cena por cena.

Se a gente não reúne isso, tudo será esquecido. Isso não

está registrado em lugar nenhum”, conta ele.

O interesse de véio pelos costumes e histórias locais

vêm da infância. Nascido em 1948, na cidade de Nossa

Senhora da Glória, aos cinco anos o menino Cícero

vivia entre os anciões ouvindo suas prosas. A afinidade

era tanta que lhe rendeu o apelido – véio – pelo qual

hoje é conhecido no sertão e em galerias.

Já nessa época começou a fazer por conta própria seus

primeiros trabalhos manuais em cera de abelha, como

uma criança que brinca de massa de modelar. Depois,

pré-adolescente, conheceu a cerâmica, mas logo descartou

a matéria-prima. “era uma sujeira, tinha que

lavar a mão para cumprimentar quem chegasse e meu

pai queria que eu trabalhasse na roça”, lembra. Foi

observando os troncos de árvores mortas que começou

a imaginar seres e formas que poderiam ser criadas a

partir dali. “meu trabalho começa da observação do

que a natureza já fez”, explica.

A consciência do próprio trabalho artístico veio

antes da confirmação de colecionadores e galeristas,

quando véio passou a defender sua obra e chamar

a atenção para ela. “Fui reconhecido fora daqui,

mas na cidade mesmo nunca vendi uma só obra.

Ninguém valoriza arte no sertão”, reclama ele, que,

desconfiado, seleciona quem pode ver e adquirir seu

trabalho. “Se vem aqui falar que é bonitinho, se eu

ver que não tem sensibilidade, que não entendeu,

já digo que não tenho nada pra vender, como já fiz

muitas vezes.”

Partindo da forma dos

troncos e galhos, o

artesão esculpe sua

versão dos mitos e lendas

que povoam a imaginação

do sertanejo


arte

60

Lindenberg & Life

Reconhecimento

em São Paulo, no entanto, véio é um artista em ascensão.

Dono de uma estética limpa e extremamente contemporânea

– há quem compare seu trabalho com o do

alemão Georg Baselitz –, desde 2004 integra o acervo

da Galeria estação, onde algumas de suas peças estão à

venda por valores que giram entre r$ 8 mil e r$ 18 mil.

Obras suas também fazem parte do acervo da Pinacoteca

do estado, do Sesc e de coleções particulares, como a do

artista plástico carioca Waltercio Caldas. “Gosto especialmente

do trabalho que ele faz em pequena escala.

A temática somada àquele tamanho diminuto é muito

interessante”, conta Waltercio, que se refere às minúsculas

esculturas de madeira de 3 a 5 centímetros que véio

faz com a ajuda de um canivete.

Algumas miniaturas e obras grandes selecionadas

devem integrar uma mostra no Instituto tomie

Ohtake, que reúne dez artistas populares em março

de 2012. A iniciativa, em conjunto com o Instituto

do Imaginário e a tal tv, inclui, ainda, um livro e

um documentário sobre essas pessoas extremamente

criativas que despontam em locais com pouco ou

nenhum incentivo à cultura.

vilma explica a importância do entorno para entender

a obra desses artistas. “De um modo geral, eles estão

muito isolados de uma realidade urbana, vivem no seu

próprio hábitat. mas a consciência que o véio tem de

um ser político, de uma manutenção de tradições é

fundamental para nossa história. É algo óbvio, mas é

surpreendente como um ser semianalfabeto, morando

numa beira de estrada, tem essa visão. Ninguém o

ensinou, ele nasceu com isso.”

também em 2012, véio dá seus primeiros passos no

exterior, quando vai participar de uma coletiva prevista

para maio que deve reunir o trabalho de artistas popula-

divulgação

res de diversos países na Fundação Cartier, em Paris. fotos

na roça do sertão

sergipano, Véio fez

o seu ateliê, onde

dá forma à madeira

rejeitada pelo povo

e pela natureza

Ao lado, o que

poderia ser

um elefante e

abaixo uma série

de homens ou

fantasmas


personna

a casa

suspensa

Como o decorador Fernando Piva conseguiu transportar

a história de vida de um casal que morou por 40 anos em

uma casa de 700 metros quadrados para um Lindenberg

Por Marianne PieMonte | Fotos Valentino Fialdini

o living interligado com a varanda amplia a sensação de

casa. na sala de jantar, que tem como atração principal o

quadro com a imagem da santa Ceia, comprado em roma na

ocasião do casamento dos moradores, foi transportado de

maneira idêntica da casa para o 18 o andar


personna

64

Lindenberg & Life

Um projeto no qual não se podia mudar nada, mas era preciso alterar tudo.

Esse foi o desafio de Fernando Piva, nesse Lindenberg nos Jardins, em São

Paulo. O decorador recebeu essa missão das filhas de um casal muito simpático

e elegante, carinhosamente unido há 55 anos. E, detalhe: vivem até hoje como

dois namorados apaixonados.

Desde 1971, o casal morou no bairro, mas em uma casa com cerca de 700 metros

quadrados. Os filhos e filhas casaram, os netos chegaram e cresceram. Os cômodos

foram ficando em silêncio. Estar naquela imensidão vazia não fazia mais sentido,

mas como jogar fora boa parte ou empacotar a história de uma vida?

Para respeitar essa história e dar conforto ao casal, a ideia foi transportar a casa para

os 310 metros quadrados de um Lindenberg. “Meu trabalho foi transportar 40 anos

de vida para um apartamento com metade do tamanho. Com poucas alterações na

planta, e alguns móveis novos, consegui valorizar a qualidade do mobiliário do casal

e criar um ambiente familiar e aconchegante para os dois”, disse Piva.

Coroas de prata, que

foram herdadas da

família, são objetos que

fazem parte da história

do casal. Ao lado, na

sala de jantar, além da

prataria, o quadro da

Santa Ceia comprado na

lua de mel


personna

66

Lindenberg & Life

O hall de entrada teve a porta

deslocada para que fosse

transformado numa sala de

música, onde o casal faz aulas

de piano diariamente.

Há 55 anos, eles mantêm o

hábito de tocar a quatro mãos

alguns clássicos de Schubert.

Ao lado, na biblioteca, as

paredes foram forradas de

madeira, como era a original

Espaços que eram muito importantes para o casal, como a biblioteca, por exemplo,

foram reproduzidos e recolocados de maneira quase idêntica no novo endereço, feitas,

claro, as adequações necessárias. “Dei apenas um toque mais moderno em alguns

lugares, mas quase imperceptível. Antes a biblioteca era revestida em cerejeira e a nova

está em carvalho”, conta o decorador. Até a coleção de armas antigas, que são herança

de família, teve a mesma disposição mantida na parede.

Algumas coisas mudaram de lugar, como uma pequena vitrine de caixinhas e

relicários. Os mais valiosos foram doados, os outros tantos, alguns em madrepérola

ou trabalhados em metal e pedras, que o casal trouxe de viagens feitas

pelo mundo, ganharam lugar de destaque na sala. O banheiro da quarta suíte

foi transformado lindamente em um espaço para guardar toda a louça da dona

da casa. No hall que precede a biblioteca, um piano de cauda, em que os dois

praticam a quatro mãos.

a biblioteca recebeu o

revestimento de uma madeira

mais atual, mas é uma

reprodução fiel à que havia na

antiga casa. até os objetos de

decoração, como a coleção

de armas, foram mantidos na

mesma disposição


personna

68

Lindenberg & Life

“Colar de rubis e pérolas”

A vista é um dos atrativos que têm entretido o casal. A senhora, ao olhar pela janela

de seu quarto no começo da noite, vê um “colar de pérolas e outro de rubis”, uma

visão poética do tráfego que vai em direção à Ponte Estaiada e vem rumo à Cidade

Jardim. Da sala, além da pista de corrida e piscinas do clube vizinho, é possível

enxergar as luzes e as antenas da Avenida Paulista. Uma amplitude de horizonte

pouco usual em São Paulo.

A sala de jantar foi mantida igualzinha. Duas peças eram, e continuam a ser, as atrações

do ambiente. Um quadro com a imagem da Santa Ceia, comprado pelo casal

durante a lua de mel em Roma, na Itália, e que chegou ao Brasil três meses depois

do casamento. E a coleção de coroas de prata, herdada dos sogros, que fica sobre o

aparador e faz a ligação entre o clássico e o moderno.

Todo o terraço, que percorre o comprimento da sala, recebeu revestimento de piso de

madeira. “Minha ideia era dar mais essa sensação de casa, prolongando a sala, sem

que houvesse divisão.” Funcionou. Ali, uma espreguiçadeira é o local perfeito para

quem quer tomar o sol da manhã, e uma mesa redonda posta diante da vista é o lugar

ideal para quem quer tomar um drinque observando o cair da tarde.

Muito religioso, o casal foi recebido uma série de vezes no Vaticano. Em uma das

visitas receberam o plastron (o colarinho da veste papal) de presente. Essas e outras

recordações ganharam uma espécie de altar, em frente ao quarto do casal. No corredor

que liga a sala à parte íntima da casa está uma galeria de imagens. Nascimento

dos netos, fotos de família, viagens e situações deliciosas de recordar e que não poderiam

ser deixadas para trás formam uma espécie de galeria particular.

Na sala de estar, no lugar das elegantes poltronas da Artefacto escolhidas pelo decorador,

foi pedida uma poltrona giratória, que ora deixa o casal de frente para televisão,

ora os integra ao resto da sala. Assim, a dupla, que ainda hoje faz aulas de piano

junta, pode assistir televisão de mãos dadas. O mérito desse projeto? “Respeitar essa

linda história de vida e ouvir com carinho os desejos deles”, conta, cheio de orgulho,

Fernando Piva.

No quarto do casal, as

recordações de encontros

com o papa e viagens

a Roma e ao Vaticano

receberam local de destaque

na cabeceira da cama

Na varanda, uma

espreguiçadeira foi

cuidadosamente planejada

para quem não quer perder o

sol da manhã.

Na pequena estante, santos

e recordações das visitas ao

Vaticano e objetos, caixinhas e

relicários trazidos de viagens


5 experiências

70

Lindenberg & Life

Um choque de arte na cidade

por Baixo riBeiro e ana C. SoareS

Não havia endereço melhor do que a Rua João

Moura. Quem conhece a capital paulista sabe

que essa via liga os Jardins à Vila Madalena.

Uma ponte entre o estabelecido e o novo. Nós acreditamos

que somos construtores de pontes entre gerações,

grupos políticos, sociais e econômicos diferentes.

Entre a ideia e a concretização foram uns dez anos.

Minha mulher (Mariana Martins, filha do falecido

pintor Aldemir Martins) e eu sempre fomos ligados à

arte. Nos anos 90, fui trabalhar com branding para

empresas de moda sportswear e percebi que naquela

geração criava-se uma nova mentalidade sobre arte.

Uma relação de compromisso mais leve que abre mais

espaço para a experimentação. É esse contato mais

leve e prazeroso com a arte e a cidade que eu gostaria

de transmitir.

União de Caveiras

Fazia mais de um ano que

a gente investigava artistas,

produzia obras, toy art, falava com

curadores e estudantes até que,

em 2004, chegamos à conclusão

de que estava na hora de abrir as

portas e apresentar esse diálogo ao

público. Inauguramos a Choque

Cultural em 2 de novembro, Dia

de los Muertos, como se chama a

celebração mexicana. Lá, a data

é quase carnavalesca mesmo

reverenciando os antepassados.

Havia também a questão do

tema, a caveira, um símbolo

recorrente em todas as vertentes

da arte urbana, como tatuagem,

quadrinhos, grafite, pintura e

escultura. Foi muito interessante

observar o público.

Em cima do muro

Em julho de 2010, apoiamos a pintura

de um mural de 33 metros de altura

por 40 metros de comprimento feito

por Daniel Melim. A obra foi exposta

na Avenida Prestes Maia, no Centro de

São Paulo, e até hoje é o maior mural

que a cidade já teve. Quem visitava a

Pinacoteca do Estado, ou ficava preso

num congestionamento, ricos, pobres,

crianças, velhos, doutores e analfabetos

eram impactados pela obra. Eu gostava de

passar por ali e observar as pessoas. Sentia

que muitos não conseguiam compreender

o conceito mais amplo. Mas o muralismo

é algo de alto impacto visual, instintivo.

fotos divulgação

Arte urbana no Masp

Fomos convidados pelo Masp a fazer

uma mostra, que seria realizada em duas

etapas: A exposição De Dentro Para

Fora, De Fora Para Dentro. Era 2009 e

foi ótimo levar a arte da rua para dentro

de um museu, e mostrar que arte urbana

não se resume ao grafite, que um mesmo

artista pode produzir tatuagens, desenhos,

cinema, vídeos, fotos, muralismo e

também grafite. E que há uma diferença

de linguagem entre grafiteiros. Por

exemplo, o Daniel Melim é geométrico

e não tem nada a ver com o desenho

psicodélico do Ramon, como todo artista.

Baixo r beiro é fundador da primeira galeria dedicada à

arte urbana em São paulo

Gal oppido

A segunda temporada

no maior museu

Em 2010, aconteceu a segunda exposição no Masp,

trouxemos alguns dos mais importantes nomes da

arte urbana mundial, como os franceses Remed, JR e

Invader, a norte-americana Swoon e o BijaRi, o único

grupo brasileiro. A mostra era De Dentro e de Fora. Os

artistas vieram a São Paulo, passaram um mês perto da

Avenida Paulista e fizeram proposições de intervenção

urbana bem interessantes. A Swoon, em parceria com

mais de 100 ONGs nas áreas de mobilidade, gestão

de alimento, moradia, moradores de rua, reciclagem,

distribuição de livros, propôs: “Vocês vão participar

da exposição e cuidar da cidade. Mas é proibido ter

um líder”. Essa gestão anarquista funcionou. Eles

ocuparam um espaço de 150 metros quadrados do lado

de fora do museu, batizado de Acampamento Ersília.

O público interagia com a obra, os moradores de rua

viveram naquele lugar, tinha até chuveiro.

Educativo

Em fevereiro de 2007, pela primeira vez um grupo de

artistas da Choque Cultural saiu do País para levar a

nova arte contemporânea brasileira ao exterior. Fizemos

uma exposição na galeria Jonathan Levine, em Nova

York. Mas a ideia não era só chegar lá e mostrar o

trabalho. Assinamos uma parceria com uma escola

modelo no Bronx durante oito meses. Naquela região,

sentimos que o grafite era praticamente sinônimo

de vandalismo e quisemos desenvolver a arte. O

modelo deu certo e a gente repetiu aqui em São Paulo.

Em 2011, inauguramos um departamento dentro

da Choque, o Eduqativo, que tem a finalidade de

contribuir de forma sistematizada com a formação de

um novo público e de novos artistas.

allexandre exandre Viana


qualidade de vida

72

Lindenberg & Life

Um brinde

à saúde !

Conheça os sucos funcionais, uma maneira prática e gostosa

de ingerir sua dose diária de vitaminas e minerais Por Manuela aquino

Alimentação saudável. Tem gente que se arrepia

só em pensar nessas duas palavras juntas. Mas

não tem jeito, legumes, verduras e frutas fazem

bem à saúde e devem ser consumidos regularmente.

Ou melhor, diariamente. Se você é do time que acha

que tudo isso é ruim, sem sabor ou com gosto de mato

talvez ainda não tenha provado esses alimentos feitos

da maneira certa, com a mistura perfeita de ingredientes

e o toque de mestre de alguns temperos.

Para ajudar a se alimentar corretamente, ou ingerir

pelo menos cinco porções de frutas e vegetais por dia

recomendadas pela Organização Mundial da Saúde, o

que o governo inglês chama de “Five a Day”, os sucos

funcionais são excelentes aliados. Feitos de frutas,

legumes, chás e uma infinidade de ingredientes que

formam um mix delicioso e ainda têm uma boa dose de

nutrientes para o organismo.

Você pode trocá-los pela versão em caixinha da hora do

almoço ou tomar entre as refeições. Para os iniciantes,

uma boa ideia é misturar a fruta preferida à água de

coco, que é um isotônico natural e repõe sais minerais

necessários ao corpo. Outra opção é acrescentar

a clorofila. Rica em vitaminas e minerais, purifica o

sangue e ajuda a produzir células vermelhas. Verdinha

como ela, a couve também pode sair do refogado e ser

usada crua. Um punhado dela no seu suco – de maçã

com cenoura e hortelã – dá uma dose extra de ferro

(e levanta qualquer astral). Se acrescentar limão, fica

fotos divulgação

tudo melhor ainda. A vitamina C dele ajudará na fixação

do ferro existente nas folhas.

Sucos com ingredientes variados, comidinhas bem

temperadas e com uma bela apresentação podem fazer

com que você coma bem sem fazer careta. Uma boa

prova disso é o trabalho da chef Anna Elisa de Castro,

apresentadora do programa “Sem Tempero Não Dá”,

da Chef TV. Além de mostrar que abobrinha, couve

e cenoura podem ser deliciosas, ela ainda comanda o

bufê 3 Na Cozinha. "Procuro usar frutas e verduras

frescas e da estação para os sucos. São mais saborosas

e baratas também", diz. Palavra de quem sabe e

estudou a fundo “raw food”, em 2005, no The Natural

Gourmet Institute for Health and Culinary Arts, em

Nova York. Na cidade americana, ela também foi head

Suco verde

1 limão inteiro sem casca

1 punhado de couve

2 maçãs sem semente

2 cenouras

2 pepinos

Salsinha e hortelã a gosto

Centrifugue todos os ingredientes e sirva.

O que tem de bom

Couve: é rica em ferro.

limão: a vitamina c do limão ajuda na fixação do ferro

existente nas folhas da couve.

Suco Sangue novo

1 copo de água de coco natural

1 beterraba

1 punhado de clorofila

Passe na centrífuga a beterraba e a clorofila

e adicione a água de coco.

O que tem de bom

Água de coco: é um isotônico natural.

Beterraba: é bom para a anemia, protege o coração

e melhora a circulação.

Clorofila: além de ser riquíssima em vitaminas e

minerais, purifica o sangue e ajuda a produzir células

vermelhas.

chef no naturalíssimo The Plant, o restaurante pode

ser considerado o Noma da gastronomia saudável.

Para que você não se perca e faça a mistura certa,

a chef dá a receita de quatro sucos deliciosos, com

vitaminas e minerais fundamentais para o dia a dia.

A dica para não errar é usar ingredientes frescos (se

forem orgânicos, melhor ainda) e tomar o suco em

seguida para que ele não perca suas propriedades. Em

meia hora, as frutas e verduras oxidam e não terão

mais a funcionalidade esperada.

Sim, uma alimentação saudável pode estar a poucos

passos de você, basta colocar os ingredientes certos

no liquidificador (ou em uma centrífuga) e beber.

Saúde!

Suco reLaxante

2 xícaras (chá) de água filtrada

1 colher (sopa) de camomila

polpa de 1 maracujá

mel de flor de laranjeira a gosto

cubos de gelo (opcional)

Ferva a água, retire do fogo e acrescente a camomila.

Deixe abafar por cerca de 5 minutos. Coe as flores

da camomila e espere esfriar. Em um liquidificador

bata a infusão de camomila com o suco de maracujá,

o gelo e o mel.

O que tem de bom

Maracujá: é um calmante natural.

Camomila: tem ação calmante e relaxante e um

aroma doce.

Mel de flor de laranjeira: também acalma e é

recomendado para quem tem insônia, problemas

nervosos e palpitações.

Frozen diurético

350 g de melancia sem casca

2 copos de cubo de gelo

3 folhas de hortelã fresca (separe algumas

para decorar)

Bata todos os ingredientes no liquidificador. Enfeite o

copo com folhas de hortelã.

O que tem de bom

Melancia: composta por aproximadamente 90% de

água, é um excelente diurético. Prefira tomar longe das

grandes refeições, pois pode prejudicar a digestão.


turismo

Viagens

de cinema

Locações escolhidas pelos

principais diretores de cinema

do mundo onde você poderá

estrelar seu filme particular

Por juliana a. Saad

fotos divulgação

fotos divulgação

Desde sempre a magia da tela grande atiça

o viajante que existe em nós. Cidades

são percorridas e ruas esquadrinhadas,

revelando bistrôs, pequenos cafés, suítes recônditas,

praias encantadoras e vilas requintadas. Tais

lugares são as locações perfeitas para os grandes

diretores da história do cinema. Quem ganha com

isso somos nós, que conhecemos um pouquinho

de cada lugar e nos deliciamos com as cenas. Ao

embarcarmos em histórias que colorem as telas

queremos provar o sabor do vinho, flanar por Paris

ou sentir os perfumes que recheiam as tramas.

Como se esquecer do filme La Dolce Vita, de

Federico Fellini, em que o jornalista Marcello

Rubini, interpretado por Marcello Mastroianni,

assiste à atriz Sylvia Rank (a bela Anita Ekberg)

entrar sensualmente na Fontana di Trevi, em

uma Roma borbulhante da década de 60?

Na busca pelas melhores locações, cineastas revelam

suas paixões por cidades e países. Woody

Allen é descaradamente apaixonado por Nova

York. Um dos melhores exemplos disso é o clássico

Manhattan, em que as nuances da cidade são

retratadas vividamente no longa em preto e branco.

A região da Sicília é também a estrela de Francis

Ford Coppola na trilogia de O Poderoso Chefão. E

Paris, sempre Paris, de François Truffaut, em Jules

& Jim, só para citar alguns.

Aventuras, amores e dramas – está tudo ali,

pronto para receber você em sua próxima viagem

mágica. E por que não nos transportamos para

alguns desses lugares? Escolhemos algumas locações

para você brincar de cinema no seu próximo

roteiro. Boa viagem!


turismo

76

Lindenberg & Life

Meia-noite em Paris – Paris, França

Toda a glória de Paris, em passeios pelas ruas dessa adorável cidade, com direito

a flâneurs, jantares e almoços em restaurantes deliciosos, degustações de vinhos,

suítes luxuosas e todo seu charme e singularidade. O filme de Woody Allen nos dá

vontade de saltar da poltrona e fazer a primeira reserva disponível rumo aos prazeres

de Paris, com toda a sua aura de requinte e beleza.

No filme, Gil (Owen Wilson) percorre a cidade e, à meia-noite, é magicamente

transportado para a Paris dos anos 20, em que conhece ídolos como Pablo Picasso,

Ernest Hemingway e Gertrude Stein.

Dois hotéis – Le Bristol e Le Meurice – serviram de pano de fundo para várias cenas

do longa de Woody Allen. Ambos estão na prestigiosa e restrita lista de “hotéis-palácio

franceses” classificada pela Académie Française. Ambos exalam art de vivre e luxo

típicos do país. Situados no coração de Paris, ostentam restaurantes premiados com

as máximas estrelas no Guide Michelin, spas de renome e suítes ultraconfortáveis.

No Le Meurice, situado na Rue de Rivoli, a famosa rua das joalherias, a poucos passos

do Louvre, serviu de residência para nomes como Salvador Dalí, que costumava

ficar no hotel por um mês a cada ano. Em uma renovação feita em 2007, o designer

Philippe Starck escolheu alguns toques surrealistas, como mesas e cadeiras com as

pernas fora do comum para decorar o hotel. No terraço do hotel, na suíte Belle Etoile,

com vista de 360 graus sobre Paris, foi filmada a cena de degustação de vinhos.

A poucos passos do Palácio do Eliseu está o Le Bristol. A Suite Panoramique, o lobby

e a entrada do hotel foram cenário do filme. A Panoramique tem quase 200 metros

quadrados, é decorada com móveis estilo Luís XV e pinturas de mestres franceses,

além de sala de banho em mármore.

O Bristol tem também o restaurante três estrelas Epicure, comandado pelo chef Eric

Frechon, que nos belos dias também abre-se para um jardim de magnólias em um

pátio interno. Nos High Fashion Teas, os hóspedes podem mordiscar as criações do chef

pâtissier Laurent Jeannin, enquanto modelos e celebs circulam entre as mesas.

Hotel Le Bristol (112, Rue du Faubourg Saint Honoré, tel. +33 53 43 43 00 www.lebristolparis.com).

Hotel Le Meurice (228, Rue de Rivoli, tel. +33 1 44 58 10 10. www.lemeurice.com)

Com Paris ao fundo,

o brinde aos noivos no

filme Meia-noite em

Paris, de Woody Allen,

foi filmado na suíte com

vista panorâmica do

elegante Le Meurice

Sob o Sol da

Toscana, filme de

Audrey Wells, vale

pelas belas vistas de

uma das mais belas

regiões da Itália,

e pela deliciosa

história de amor

Sob o sol da Toscana – Cortona, Toscana, Itália

As paredes em amarelo queimado são cenário para filmes saborosos. Tudo regado

pelos vinhos da região, como os Montepulciano e Chianti Clássico. Ao sair de carro

pelas estradas, as placas "Vino e Olio" são um convite para experimentar um pouco

de vinho e azeite feitos no local, geralmente pequenas propriedades rurais que fazem

da região um dos celeiros do bel-prazer.

Esse foi o cenário de Sob o Sol da Toscana, baseado no best-seller homônimo de

Frances Mayes. O filme nos transporta poeticamente para a região, para a minúscula

Cortona. Ali, uma recém-divorciada Frances (Diane Lane) é cativada pela beleza e

alegria da Toscana e impulsivamente compra uma vila, Bramasole, fincada em uma

das paisagens mais espetaculares do mundo, com oliveiras, videiras e ruínas etruscas,

cercada por cidades que são um verdadeiro deleite para os viajantes.

A vila do filme, que fora das telas tem o nome de Villa Laura, foi totalmente reformada

em 2011 e pode ser alugada para temporadas.

Villa Laura, Cortona, Itália: www.villavacations.com/Newsletters/Villa-Laura/ E-mail: info@doorwaysltd.com

fotos divulgação


turismo

78

Lindenberg & Life

É no bar do Park Hyatt de Tóquio, no

filme Encontros e Desencontros, que

um ator bêbado e a namorada de um

roqueiro, solitárias vítimas do fuso

horário, trocam confidências fotos divulgação

Encontros e Desencontros – Tóquio, Japão

Tóquio é uma metrópole ondeante com um mix de arquitetura que encanta e espanta

pela força e arrojo. A mistura de butiques de luxo, hotéis sofisticados, restaurantes

dos mais variados, mercados, museus e clubes faz dessa uma cidade que atrai visitantes

de todo o mundo. A tudo isso soma-se o brilho de Shinjuku e Shibuya, dois

dos mais coloridos e feéricos distritos de Tóquio, onde Encontros e Desencontros foi

quase que inteiramente filmado.

O hotel Park Hyatt Tokyo, um arranha-céu de 52 andares em Shinjuku, foi palco de

várias passagens do longa, principalmente o bar New York Grill, que fica no último

andar. Suas janelas de vidro do chão ao teto oferecem vistas cintilantes da cidade.

Mais de 1.600 garrafas de vinhos compõem a adega do bar, que faz par com uma

cozinha aberta onde uma vasta seleção de frutos do mar e cortes de carne de altísima

qualidade são grelhados à perfeição.

Muitas outras cenas do filme foram filmadas no distrito de Shibuya e incluem imagens

do movimentado cruzamento em frente à saída da estação de metrô Shibuya

Hachiko, com seus painéis de néon, bares, restaurantes e karaokês, como o Karaokekan,

onde Bill Murray e Scarlett Johansson vão cantar. Há mais de 80 mil restaurantes

em Tóquio e escolher entre eles é no mínimo intrigante.

Para se perder em Tóquio, comece pelo bar New York do Hotel Park Hyatt, Shinjuku (3-7-1-2 Nishi Shinjuku),

tel. +81 (03) 5322-1234. http://tokyo.park.hyatt.com), onde foi filmada a cena em que Bob e Charlotte se

conhecem. Vá ao Karaoke-kan (30-8 Udagawa-cho, Shibuya-ku. www.karaokekan.jp), e jante no hypado

restaurante Les Creations de Narisawa (Minami-Aoyama 2-6-15, Minato-ku, tel. +81 (03) 5785 0799.

www.narisawa-yoshihiro.com)

Comer, rezar, amar – Roma e Nápoles, Itália

Com locações que partem de NY, passam pela Itália, Índia e Bali, o filme estimula

roteiros exóticos-gulosos-esotéricos. O longa (autobiográfico, baseado no livro de

Elizabeth Gilbert) acompanha a jornada da escritora Liz em sua caça aos prazeres

perdidos e buscas espirituais. Em Roma, na Itália, ela se rende ao dolce far niente.

Na Índia, se recolhe a um ashram e fica amiga de um texano que a ajuda a mergulhar

dentro de si. Já em Bali, Liz volta a rever seu guru, que a provoca a encontrar

o equilíbrio em sua vida. É lá também que ela conhece o amor, na forma de Felipe,

um brasileiro interpretado por Javier Bardén.

As cenas italianas são uma ode ao voluptuoso exercício da gula, com almoços, jantares

e muita diversão em meio a menus romanos recheados de alcachofras, massas,

vinhos e frutos do mar. Em uma das passagens mais divertidas do filme, Liz e sua

amiga Sofie tomam um trem, viajam para Nápoles, só para experimentar a famosa

pizza napolitana e passam a devorar os suculentos discos de massa. A cena é de

encher os olhos e alegrar a alma. Para entender o motivo, vá sem medo até a L'Antica

Pizzeria Da Michele. A tradição de fazer boas redondas, que remonta a 1870, está na

quinta geração de pizzaiolos da família Condurro, que se orgulha de preparar apenas

dois tipos de pizza veramente napolitanas, a marinara e a margherita.

L’Antica Pizzeria Da Michele, Nápoles (Via Cesare Sersale, 1. http://damichele.net)

O best-seller Comer, Rezar, Amar

foi parar nas telas, com Julia

Roberts no papel principal.

Na Itália, algumas cenas foram

filmadas em Roma e na mais

famosa pizzaria de Nápoles


turismo

80

Lindenberg & Life

Em Algum Lugar Qualquer – Château Marmont – L.A.

No topo de uma colina em Hollywood, o Château Marmont é um hotel icônico.

Harry Cohn, fundador da Columbia Pictures, disse aos atores William Holden

e Glenn Ford: “Se vocês forem se meter em encrencas, façam isso no Château

Marmont”. O lendário hotel onde se passa o longa de Sofia Coppola faz jus à fama

e recebe há décadas astros de cinema, estrelas do rock e outras celebridades – de

Howard Hughes a Jim Morrison, passando por Marylin Monroe. Greta Garbo se

encastelou em uma das suítes do Marmont, onde ficou por semanas durante seu

período de reclusão.

Cada uma das 63 suítes, chalés ou bangalôs é especial. São como uma casa própria.

A maioria tem cozinha completa, área de estar, alguns têm salas de jantar formal,

salas de banho em mármore, varandas, lareiras, terraços privados e equipamentos

inesperados, como pianos de cauda.

No filme, Johnny Marco (Stephen Dorff), um ator recém-alçado ao estrelato, recupera-se

de uma lesão no hotel. Para sentir na pele as emoções que o hotel proporciona,

hospede-se na suíte 59 (a mesma que Johnny) ou fique em um dos bangalôs

do Château Marmont: 8221 W Sunset Blvd, Hollywood, CA, tel. (323) 656-1010.

www.chateaumarmont.com

fotos divulgação

Um dos mais

sofisticados hotéis

de Los Angeles, o

Château Marmont, é o

preferido de 10 entre

10 estrelas de cinema

e serviu de cenário

para o longa Em Algum

Lugar Qualquer

Mamma Mia! – Grécia

Praias de sonho e um mar de azul celestial. Casinhas branquíssimas em estilo mediterrâneo

encravadas em encostas. As ilhas gregas são um sonho que o filme Mamma

Mia transformou em cenário. Conhecida como um santuário de fauna e flora mediterrâneas

e banhada pelo Mar Egeu, a ilha de Skopelos ainda é um destino sereno,

com uma costa recortada por praias recônditas que – juntamente com a cidadezinha

de Damouchari, na península de Pelion – serviram de cenário para o musical ao som

do grupo Abba, com muitas coreografias e humor.

Em Skopelos, o verde das florestas se une ao azul do Mar Egeu e os aromas das

árvores de jasmim, madressilva e lavanda que crescem na maravilhosa ilha invadem

o ar. Para se hospedar nesse paraíso, vale ficar no mesmo hotel usado pelo pessoal

do fime, o Skopelos Village Suite Hotel. O hotel tem vista única sobre o mar aberto

e a pitoresca cidadela, com suítes confortáveis, piscinas, spa e restaurantes. Ali, os

hóspedes podem relaxar sob a sombra ou nadar na praia bem em frente curtindo o

clima idílico da região. A praia de Kastani, na costa sudoeste de Skopelos, foi o principal

local de filmagens. Fica a 15 quilômetros de Skopelos. É uma praia isolada e

para chegar é preciso percorrer um caminho de terra com cerca de 500 metros, mas

é bastante popular nos meses de julho e agosto.

Outras cenas foram filmadas na vila costeira de Damouchari, que aparece no início

de Mamma Mia, quando Christine Baranski e Julie Walters, amigas de Donna,

chegam à ilha e são recebidas por Meryl Streep. É famosa por suas praias com enormes

seixos brancos, água azul cristalina e grutas rodeadas por rochas. Ali impera a

simplicidade e a diversão concentra-se na exuberante natureza. A equipe do filme

escolheu o pequenino hotel Damouchari of Pelion, com suas paredes de pedra e ar

de casa de pescador para se hospedarem.

Para mergulhar nos cenários do musical, escolha os hotéis que acomodaram a equipe:

Skopelos Village Hotel, Skopelos Island, 37003, Sporades. E-mail: reservations@skopelosvillage.gr/

www.skopelosvillagehotel.com.

Sucesso na

Broadway e nas

telas, Mamma Mia

foi filmado na ilha de

Skopelos, na Grécia

e nas areias da praia

de Kastani

Korali Restaurant, Praia de Agnondas, Skopelos, tel. (0030) 24240 22407 www.skopelosweb.gr/korali.

Hotel Damouchari, Península de Pelion, 37012 Magnesia, tel. (0030) 24260 49840. www.damouchari.gr


filantropia

82

Lindenberg & Life

A Arte

de compartilhar

Para o empreendedor e

empresário Meyer Joseph

Nigri, fundador da construtora

Tecnisa, fazer doações é parte

da sua natureza. E causas

sociais não faltam para quem

quer ajudar | Por InstItuto AzzI

O

Brasil avança seguro no desenvolvimento econômico,

mas de maneira mais tímida no desenvolvimento

social. Esse é um hiato muito

comum nos países emergentes, em especial nos de

crescimento mais destacado, como Índia e China. Isso

só demonstra que não é fácil resolver questões sociais

como pobreza e desigualdade. Muito menos que seja

uma consequência natural do desenvolvimento econômico.

Diversas ações em conjunto devem ser tomadas

por diversos atores da sociedade para tornarmos o Brasil

um país social e economicamente desenvolvido. A

filantropia é uma dessas ações, com a vantagem adicional

que, além do impacto que traz, age também como

um catalisador para outras ações. A filantropia ajuda

a unir o tecido social desfiado pela desigualdade, traz

um melhor entendimento dos problemas da sociedade

por classes que não vivenciam esse problema na pele, e

promove a experimentação de soluções, a inovação na

área social.

Por isso, neste ano de 2012, pretendemos inspirar a todos

a praticar filantropia. E vamos fazer isso trazendo um filantropo

importante para falar de suas experiências.

Nesta edição conversamos com o empresário e líder de

uma empresa moderna, Meyer Joseph Nigri, fundador

da construtora TECNISA.

InstItuto AzzI: Como você se tornou dono de uma

construtora?

Meyer nIgr : Quando estava com 22 anos, eu era estagiário

em uma construtora e apareceu a oportunidade de

fazer um investimento, já que um sócio queria vender

um pedaço do projeto. Eu peguei dinheiro emprestado

e entrei no negócio. Foi assim que abri a TECNISA e

registrei com o mesmo CNPJ de hoje, pensando que

no futuro gostaria de construir. Ainda não era engenheiro

formado, cursava o 5º ano da faculdade. Depois

de dois anos, já formado, decidi sair da empresa e me

casar. Era 1979 e foi quando fiz meu primeiro negócio.

Reuni alguns amigos como sócios, convenci o dono de

um terreno a trocá-lo por área construída. Ele aceitou

e consegui um financiamento para construir. A princípio

não “coloquei” nada, até porque não tinha dinheiro

nem para abrir um escritório, e dois meses depois tínhamos

vendido tudo. E assim fomos comprando um,

depois outro, resultado: no primeiro ano tínhamos quatro

empreendimentos. Foi assim que comecei.

IA: O que o levou a realizar sua primeira doação?

Mn: Minha primeira doação fiz quando tinha 17 anos

de idade. Foi quando ganhei na loteria esportiva. Um

dia estava entrando no prédio em que morava e o porteiro

me perguntou se eu gostaria de jogar com ele na

esportiva. Eu olhei o primeiro jogo, era São Paulo e

Coritiba. Eu sou são-paulino e ele optou pelo Coritiba.

Pedi para ele mudar, mas ele resistiu dizendo que loteria

era assim mesmo. Disse para ele fazer o que quisesse

e saí andando. No domingo à noite ele me ligou

dizendo que tínhamos feito 13 pontos. Eu ganhei Cr$

13.800, o que corresponde a aproximadamente R$ 100

mil reais hoje. Naquele tempo o meu pai estava construindo

uma sinagoga, peguei Cr$ 800 e doei para a

construção. A atitude foi automática, ainda não sabia

que, pelo judaísmo, devemos doar pelo menos 10% de

tudo o que se ganha. A palavra que usamos para isso é

tsedaká, que significa justiça. Doar tornou-se um hábito,

e com 18 anos já doava parte da minha mesada para

algumas instituições. Um dia, uma instituição me procurou

para pedir ajuda, respondi que pediria dinheiro

para o meu pai. Eles não aceitaram e me disseram que

eu deveria doar da minha mesada. Quando comecei a

trabalhar pouco sobrava para doação, porém, à medida

que fui ganhando mais, minhas doações foram aumentando,

e se mantêm até hoje: quanto mais ganho, mais

eu doo. Se você tem condições, por que não ajudar as

pessoas a terem pelo menos o básico?

IA: E o que o motiva a continuar doando

regularmente?

Mn: Eu tenho grande prazer em ajudar as pessoas.

Existem aquelas que não têm oportunidade na vida.

foto divulgação


filantropia

84

Lindenberg & Life

Outras nasceram com problemas ou deficiências físicas

e não têm condições de sobreviver sozinhas. Ajudar

faz parte da minha natureza. Faço doações porque

realmente acredito que é muito importante, e quanto

mais ganho, mais quero ajudar. Procurar uma causa é

fácil, já que causas não faltam para quem quer ajudar.

O mundo precisa de ajuda. Existem bilhões de pessoas

morrendo de fome na África, outras doentes, existem

pesquisas para buscar a cura de novas doenças, entre

muitas outras. O dinheiro que se ganha, a partir do

momento que supre as suas necessidades básicas, é

usado para outras coisas. Por que gastar tudo em coisas

materiais? É necessário? Provavelmente, não.

IA: Como você escolhe as organizações para as quais

decide doar?

Mn: Tenho preferência por causas ligadas à saúde, pesquisas,

educação, fome e outras. Dou preferência às

instituições judaicas, já que sou judeu. Se não ajudar

essas organizações, provavelmente não serão os não judeus

que irão fazê-lo. Minhas causas compõem cerca

de 250 instituições, dentre algumas delas o Hospital

Israelita Albert Einstein, CIAM, Unibes, Hospital das

Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Nosso

Sonho e agora estou apoiando uma grande pesquisa

do Instituto do Cérebro. Além dessas doações também

ajudo pessoas com necessidades, como financiar

quem não tem oportunidade para estudar ou fazer uma

pós-graduação. Acredito que podemos apoiar sempre

quem dedica parte de seu tempo para trabalhar com a

área social. Ou seja, se uma senhora me oferece uma

rifa, eu compro, pois acho importante incentivar voluntários

sociais, mas o segredo está em manter o foco nas

causas que mais gostamos.

foto divulgação

IA: Como você acha que a filantropia pode contribuir

para o desenvolvimento social do Brasil?

Mn: Eu acho que a filantropia pode ajudar no desenvolvimento

do Brasil, mas para isso acontecer ela precisa

ser mais divulgada e mais pessoas aderirem à causa.

Porém, a filantropia não pode ser algo imposto à sociedade.

Se assim for, ninguém gostará de pagar por ela.

Quando conseguirmos motivar as pessoas a doar voluntariamente,

estaremos ajudando a criar um mundo

muito melhor, ou um Brasil muito melhor.

IA: E como é praticar filantropia para sua família?

Mn: Aprendi muito com meu pai quando ele estava

construindo a sinagoga, ele sempre fez doações para

muitas causas, e cresci com esse exemplo. Nunca pensei

“agora vou doar” e sim, “já que ganhei, vou compartilhar

com quem precisa”. Na minha família, como os

meus filhos são muito religiosos, eles costumam separar

10% do que ganham. Fiquei muito feliz outro dia,

quando o Renato, meu caçula, recebeu o seu primeiro

salário como estagiário e me pediu para orientá-lo para

quem deveria doar seus 10%. Imagine que bacana que

é ver seu filho de 18 anos de idade separar parte do

primeiro salário para doar para quem precisa. Além da

doação em dinheiro, outra forma importante é a doação

em tempo, já que nem todo mundo tem dinheiro,

mas tem tempo para doar. Os meus filhos, por exemplo,

doam tempo trabalhando em algumas instituições.

Doar tempo é uma forma de doação que fiz e ainda

faço, embora menos do que no passado. Hoje participo

do conselho de nove instituições, sendo que sou presidente

do conselho de quatro delas. O importante é

motivar outros a doarem também.

FUTURO LANÇAMENTO

CONJUNTOS CORPORATIVOS DE

315m 2

INFORMAÇÕES (11) 3041.2758

INCORPORAÇÃO

PERSPECTIVA ARTÍSTICA DA FACHADA

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86

Lindenberg & Life

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